sábado, 6 de julho de 2013

O NORDESTE EM DESTAQUE



 
O  RIO

MANOEL BANDEIRA




O Rio Ser como o rio que deflui
Silencioso dentro da noite.
Não temer as trevas da noite.
Se há estrelas nos céus, refletí-las.
E se os céus se pejam de nuvens,
Como o rio as nuvens são água,
Refleti-las também sem mágoa
Nas profundidades tranquilas.




Avoante  
Accioly Neto         

Quando o riacho vira caminho de pedra
E avoante vai embora procurar verde no chão
A terra seca fica só e no silêncio
Que mal comparando eu penso: tá igual meu coração
Que nem a chuva você veio na invernada
Perfumando a minha casa e alegrando meu viver
Mas quando o sol bebeu açude inté secar
Quem poderia imaginar que levaria inté você
(Bis)
Só resisti porque nasci num pé-de-serra
E quem vem da minha terra resistência é profissão
Que o nordesino é madeira de dar em doido
Que a vida enverga e não consegue quebrar não
Sobrevivi e estou aqui contando a história
Com aquela mesma viola que te fez apaixonar
Tua saudade deu um mote delicado
Que ajuda a juntar o gado toda vez que eu aboiar (2x)
Ê ê ê boi, ê ê saudade...
Só resisti porque nasci num pé-de-serra
E quem vem da minha terra resistência é profissão
Que o nordesino é madeira de dar em doido
Que a vida enverga e não consegue quebrar não
Sobrevivi e estou aqui contando a história
Com aquela mesma viola que te fez apaixonar
Tua saudade deu um mote delicado
Que ajuda a juntar o gado toda vez que eu aboiar (2x)

Ê ê ê boi, ê ê saudade...

(interpretação de Mastruz com Leite)

RECADO NA PRAÇA VIRTUAL
Ivam Pinheiro

Nas praças virtuais das redes de computadores
me encontro fazendo amigos, prosas e poesias.
E tantas alegrias chegam em abraços fraternais
... 
para superar adversidades e amenizar as dores.
Somos naves, navios ancorando paz e ousadias,
e na mente, barcos são políticas públicas no cais.
Que haja justiça no mundo com a social inclusão
e reflitas e ore a Deus - Nosso Pai com amor e fé
para o povo pobre, o acesso a terra, água e pão.
Saúde, lazer e esportes, segurança e habitação:
dignidade de direitos humanos, vida, riso e feijão.
E venha ao povo bons livros - educação e cultura:
poesias e literaturas e a auto estima nas alturas.

Natal, RN, Brasil, 06.07.2013.
10 h: 15 min - 10 h: 25 min

* Poema dedicado a magia boa da amizade conquistada, nas figuras das amigas integrantes do "Fórum do Livro , da Leitura, da Literatura e das Bibliotecas - RN" :
Do Carmo Silva, Maria Evania e Suely Marinho de Andrade e a todos bons amigos Poetas da SPVA representados nas figuras de Zé Martins, Ozany Gomes e Geralda Efigênia.

Livro e Criança - Imagem disponível no sítio:
http://odeliriodabruxa.blogspot.com.br/


EU NÃO TROCO MEU OXENTE 

Esse tal de rocambole
Esfirra, nissin, miojo
Quer-me ver cuspi com nojo
Ofereça-me um rizole
Prefiro uma fruta mole
Beliscada do vem-vem
Feijão de corda xerem
Canjica com leite quente
Eu não troco meu oxente
Pelo ok de ninguém
Tomar wiski importado
Na taça pra ser bacana
Sou mais um gole de cana
Num caneco enferrujado
Não sou muito refinado
Nem tenho inveja também
Druris conhaque almadem
Prefiro minha aguardente
Eu não troco meu oxente
Pelo ok de ninguém
Esses verbetes do inglês
Que usam no dia a dia
Não me trazem simpatia
Estragam meu português
Vou ser sincero a vocês
Sou muito mais meu quinem
Adonde, prumode, eim?
Acho mais inteligente
Eu não troco meu oxente
Pelo ok de ninguém
Eu não falo REDBUL
Prefiro touro vermelho
MIRROR pra mim é espelho
BLUE BIRD pássaro azul
Bonito e não BEAUTIFU
Falo dez em vez de TEN
BABY pra mim é neném
E HOT pra mim é quente
Eu não troco meu oxente
Pelo ok de ninguém
Não gosto de pancadão
Nem de RAP improvisado
HIP HOP  pé quebrado
Sem métrica e sem oração
Sou muito mais gonzagão
No forro do xem nhem, nhem
Gosto de aboio e também
De um baião de repente
Eu não troco meu oxente
Pelo ok de ninguém
 


LAMENTAÇÕES
Eduardo Gosson
I
Por que te aflinges, Raquel?
Basta de lamentação.
Em Belém já nasceu
O Salvador
Jesus
II
Senhor, 
amanuelaram o mundo
como previu o poeta José Bezerra Gomes
Senhor,
compadecei de nós




Professor Rivaldo D'Oliveira - um imortal macaibense!



RIVALDO D'OLIVEIRA


Rivaldo nasceu em Nova Cruz, em 06 de agosto de 1927. Filho de Fenelon D’Oliveira e Ana Bezerra de Oliveira, passou a infância ao lado dos seis irmãos na capital do Agreste.

Em 1946, fez exame para admissão no curso Técnico Agrícola da Escola de Agronomia do Nordeste, em Areia, na Paraíba. Lá, além de concluir o curso técnico, conheceu Terezinha, sua esposa e companheira por mais 60 anos.

Ainda solteiro, Rivaldo assumiu como professor na Escola Agrícola de Jundiaí. Em setembro de 1953, casou com Terezinha e passaram a residir na Escola. Isso acabou estreitando os laços de amizade com muitos de seus alunos.

Além da formação na escola técnica em Areia, Rivaldo também se formou bacharel em Geografia pela UFRN. Foi Diretor da Escola Comercial de Macaíba, da Escola Normal na mesma cidade e também substituto do Diretor da Escola de Jundiaí.

Também recebeu homenagens por sua história com a cidade de Macaíba. Recebeu o título de Cidadão Macaibense e o Diploma de Mérito Auta de Souza concedidos pela Câmara de Vereadores daquele município. Foi condecorado também com a Medalha do Mérito Augusto Tavares de Lyra, concedida pela prefeitura da cidade. Era membro Academia de Letras de Macaíba, onde ocupava a Cadeira nº 14 cujo patrono é João Alves de Melo e do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. Em Natal, recebeu o Título de Mestre da Vida, pela Câmara de Vereadores no ano de 1999 e foi homenageado com o Prêmio Técnico Agrícola Potiguar por ocasião dos 25 Anos do Movimento Potiguar dos Técnicos Agrícolas.

Na literatura, publicou em 2009, o livro “Escola Agrícola de Jundiaí - Ontem, hoje e amanhã”, que conta os 60 anos de história do instituição.

Dos mais de 60 anos de união com Terezinha, Rivaldo teve dez filhos, sendo uma de coração, dezenove netos, três bisnetos, uma a caminho, e muitos amigos.

O nosso confrade professor Rivaldo d’Oliveira faleceu ontem dia 14 de junho, aos 85 anos, vítima de uma arritmia cardíaca quando se preparava para o café da manhã. A missa de corpo presente foi realizada às 7h30 no Centro de Velório Morada da Paz, na Rua São José, de onde seguiu o cortejo para o sepultamento no Cemitério Parque Morada da Paz.

(Anderson Tavares)
domingo, 30 de junho de 2013

sexta-feira, 5 de julho de 2013

H O J E


O HOMEM QUE AMAVA NATAL



DJALMA MARANHÃO, O QUIXOTE POTIGUAR
Por Antenor Laurentino Ramos

Conheci Djalma Maranhão em Nova Cruz, quando eu era ainda estudante secundarista. Estava no ardor da mocidade. O grande político fora fazer uma palestra juntamente com Aldo Tinoco, o pai. Salatiel, George, Marcílio de Dr. Otacílio, Claudionor Soares, Raimundo Menezes e eu fôramos convidados por Eliezer Menezes, líder operário comunista da cidade. A reunião teria lugar no Cinema Éden, de Paulo Bezerra Souto, simpatizante também esquerdista também, da época.

Tempos depois, iria reencontrá-lo no seu exílio em Montevidéu. Já o conhecia de vista no Jornal de natal de sua propriedade. Via-o sempre, em conversa animada com meu irmão Afonso e Luis Maranhão Filho. Eu trabalhava, nesse tempo, no Diário de Natal. Como revisor.

Na viagem ao Uruguai, comemorávamos a conclusão de nosso curso, os Bacharéis de Direito de 1971, o Planex. Fazia parte dessa excursão 13 alunos, 6 homens e 7 mulheres. Entre eles relembro Lúcio Teixeira dos Santos, Andrier Abreu, Molina, Mizael Barreto, Elias Maciel, Cléa Bacurau, Lúcia Barbosa, Méssia Feitosa, Jandira, Nadja Lopes Cardoso, Salete do Ó Pacheco…

Foi uma longa e estafante viagem via terrestre. Saíramos de Natal, pernoitando no Rio, para retomarmos nossa viagem rumo às terras gaúchas. Chegamos mesmo a assistir em Porto Alegre a um jogo no Estádio Beira-Rio, Internacional versus Atlético Mineiro.

Na capital do Uruguai ficamos hospedados no Hotel Campeotti, Calle General Artigas. Após um demorado repouso, saíramos para o primeiro encontro com a bela cidade. Era uma das que nos tempos de estudante do Ginásio Natal desejava conhecer e o responsável por esse desejo o era meu saudoso professor de geografia.

Djalma já nos procurara à noite com Dona Dária, sua esposa. Trazíamos uma carta de seu filho, Marcus, nosso contemporâneo de Faculdade. Não chegamos a vê-lo nesse primeiro contato, Mizael e eu. Fôramos convidados por um amigo que fizéramos em Montevidéu a um passeio noturno pelo lugar com direito a vinho e cerveja.

No dia seguinte, lá estava Djalma de novo. Oferecera-se para ser nosso guia turístico e não largamos mais. Relembro o nosso primeiro contato, os colegas nos apresentaram a ele e a Dona Dária. Foi quando eu disse: “- Djalma, a gente já se viu em Nova Cruz. Eu era bem jovem. Depois, acostumei-me a vê-lo conversar com o meu irmão”. “- Quem é seu irmão?” “- Afonso Laurentino Ramos”. “- Não acredito, disse-me ele.

Desde ontem que eu pergunto a esses meninos se conhecem Afonso e deparo-me agora com o seu irmão!” “- Como vai ele? Namora ainda Lourdinha Alves, Diúda, irmã de Aluizio?” E notava em seu semblante, a alegria de saber notícias do Afonso! Maior surpresa, para mim, foi quando me perguntou: “- E Antonio Laurentino, seu pai?” “- E você conhece meu pai?” “- Ora, responde-me rindo: mas que a Afonso! Tomei muita cachaça e uísque com teu pai na praia da Redinha”. Sentia-me orgulhoso e emocionado por sabê-lo íntimo de meu pai e de meu querido irmão. Foi assim que vi Djalma Maranhão pela última vez.

Só falava em Natal; sentia-se nele a saudade do solo querido. Contou-nos muitas de suas peripécias após a prisão em Natal, a caminho do exílio. Que figura interessante e carismática, o Djalma! Um ano depois, voltava a Natal, não mais para retomar as suas atividades políticas que era a razão de ser de toda a sua história. Chegava morto e aplaudido pelo povo, com gritos de alegria e de lágrimas, ele que fora o maior prefeito de Natal de todos os tempos, o verdadeiro prefeito do povo!

Djalma era um político raro nos dias de hoje, uma espécie em extinção. Sentia Natal e o seu povo; confundia-se com ele, e a sua popularidade não era uma popularidade fabricada pela mídia, era natural, fruto da sua empatia com a gente potiguar. Tinha aquele que os franceses chamam de rapport, uma ligação afetiva que se estabelecia num primeiro momento com as massas.

Djalma merecia ser mais bem lembrado em Natal. O muito que se fizer em sua homenagem, é pouco pelo que para nós representou como líder e administrador. Revolucionou mesmo a administração da cidade. Foi, com Aluizio Alves, o exemplo maior, infelizmente não continuado, de excelência administrativa aliada a um idealismo sem par. Considero-me um privilegiado em ter com ele privado da sua convivência, do seu sonho de ser o redentor de sua terra. Grande Djalma, figura marcante, Dom Quixote mesmo, condestável de seu tempo em Natal! Salve!
_________________
Reproduzido de "O SANTO OFÍCIO", de Franklin Jorge

quinta-feira, 4 de julho de 2013

acervo


UFRN recebe acervo da antiga Faculdade de Sociologia e Política
 

4/Jul/2013 às 11:27
Equipe da Comissão da verdade da UFRN 
Foto: Ascom/Cícero Oliveira 

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), através da Comissão da Verdade, recebeu doação do acervo documental da antiga Faculdade de Sociologia e Política da Fundação José Augusto (FJA).

O acervo recebido consta de ofícios da diretoria da Faculdade, correspondências, documentos dos alunos, históricos escolares, atestados e processos em geral. A transferência foi concebida pela diretora da FJA, Ivanira Machado e teve o auxilio da servidora Ducineide Rodrigues e do bolsista da Comissão da Verdade da UFRN, Juan Almeida. 

Analisada pela Comissão, a documentação traz uma grande contribuição para o resgate memorialístico da UFRN no período ditatorial militar (1964-1985). Além disso, significa fonte de pesquisa para toda comunidade universitária.

Faculdade 

A referida Faculdade foi criada em 1966 pelo Governo do Estado do Rio Grande do Norte, durante a gestão do ex-governador Aluízio Alves, e sua administração foi assumida pela Fundação José Augusto, que já administrava a Faculdade de Jornalismo “Eloi de Souza”. Em 1975 a Faculdade de Sociologia e Política, foi incorporada à UFRN, como Curso de Ciências Sociais.
____________________________
COMENTÁRIO:



Notícia maravilhosa. Merece ampla divulgação e deve fazer parte do nosso futuro INFORMATIVO. Parabéns. Agora vamos pleitear da Reitora um local condigno para arquivar essa valiosa documentação. É um ponto positivo da nossa Comissão.
Um abraço de Carlos Gomes


FLUTUAÇÕES DO MOVIMENTO


Carlos Roberto de Miranda Gomes, escritor.

Sei não! mas existe uma dispersão no movimento popular, com manifestações isoladas, como as dos camioneiros e dos médicos, com menor potencial numérico de participantes ao mesmo tempo em que o Parlamento Nacional aprova, açodadamente, projetos que já estavam dormitando em gavetas por algum tempo ou a rejeição de projetos por pressão.
Por outro lado, a Presidenta Dilma precipita uma mensagem para se fazer uma consulta plebiscitária, de antemão contando com a antipatia da oposição numa indicação de confronto político desnecessário.
Paralelamente a tudo isso, são praticados atos que não condizem com a dignidade parlamentar, como esse passeio de Henrique Alves para assistir a final da Copa das Confederações em avião oficial, enodando o momento cívico em que se clama por honestidade e correção no serviço público.
O noticiário da imprensa aponta defeitos e deficiências nos setores básicos dos serviços públicos, tanto na educação, saúde e, em particular na segurança, onde o sucateamento é latente e a população continua amedrontada com tantos crimes bárbaros e que muito bem poderiam ser evitados.
O momento deve ser de extremo cuidado com o que se vai aprovar no tocante às eleições de 2014, que será, ao mesmo tempo, um ano importantíssimo para a vida do País, quanto difícil pelas circunstâncias dos movimentos populares.
Está anunciado para o dia 11 próximo vindouro uma grande movimentação nacional, a qual poderá fixar rumos mais objetivos e profundos para esta fase de reivindicações.
Prudência, meditação e serenidade para todas as categorias para viabilizar um novo caminho para este combalido Brasil, que todos dizem amá-lo, mas sem a correspondente oferta individual da integralidade dos participantes, ainda que com um gesto ou uma ação que caminhe nessa direção.
Chegou a hora de doarmos todo o nosso patriotismo para encontrar um novo tempo, com qualidade de vida total do nosso povo e restaurarmos a segurança social e jurídica que tanto ansiamos.


 

PARA SER DALI DO REAL SERIDÓ.

Foto: PARA SER DALI DO REAL SERIDÓ.
Ivam Pinheiro.

Imagine Dali no Itans e o sonho ali
com fartura sem ilusória expressão.
Mistura o ser-tão do coração daqui
no Jardim de Piranhas a reflorescer
no surgir chuvarada todas manhãs,
nuvens de chuvas em trovão e a luz
que seduz Jucurutú e logo Cruzeta
e Currais Novos da Brejuí e a Acauã.
Sol queima e se esvai no entardecer.
Vidas secas nos destinos em frentes:
Inúteis trabalhos braçais tão surreais.
E a politicagem na eleição é carnaval.

Na alma jazia vontades de cruas saudades.
Foice de destino incerto - asa branca voou
tristeza reunida em sol e só, grito no Seridó.

Jurema já verdejou e o mandacarú.
Em Carnaúbas só encontro Dantas:
Royal Cinema, e vozear de Batistas.
Elino de Timbaúbas até Acarí e Caicó.
Que mana deixe eu ir e ficar sertão
na canção poesia juntando eu e tu.
Se eu fosse tu amava bem diferente,
presentemente não seria nó tão só.
Mas, pintava sonho de flor e roçados,
e elegia os políticos compromissados.
Felicidades é buscar a social inclusão:
Hidro cacimbas minam no céu do olhar.

E cada recanto de nós que acolá se permitia
chegava alegrias que eu rio - o mar que traz
paz em ondas de bem viver lá no meu Seridó.

Natal, RN, Brasil, 02.07.2013.
00 h: 05 min. - 00 h: 46 min.


Açude Itans - Foto: Walter Leite. Imagem disponível 
no sítio: http://franciscoguiacm.blogspot.com.br

Ivam Pinheiro.

Imagine Dali no Itans e o sonho ali
com fartura sem ilusória expressão.
Mistura o ser-tão do coração daqui
no Jardim de Piranhas a reflorescer
no surgir chuvarada todas manhãs,
nuvens de chuvas em trovão e a luz
que seduz Jucurutú e logo Cruzeta
e Currais Novos da Brejuí e a Acauã.
Sol queima e se esvai no entardecer.
Vidas secas nos destinos em frentes:
Inúteis trabalhos braçais tão surreais.
E a politicagem na eleição é carnaval.

Na alma jazia vontades de cruas saudades.
Foice de destino incerto - asa branca voou
tristeza reunida em sol e só, grito no Seridó.

Jurema já verdejou e o mandacarú.
Em Carnaúbas só encontro Dantas:
Royal Cinema, e vozear de Batistas.
Elino de Timbaúbas até Acarí e Caicó.
Que mana deixe eu ir e ficar sertão
na canção poesia juntando eu e tu.
Se eu fosse tu amava bem diferente,
presentemente não seria nó tão só.
Mas, pintava sonho de flor e roçados,
e elegia os políticos compromissados.
Felicidades é buscar a social inclusão:
Hidro cacimbas minam no céu do olhar.

E cada recanto de nós que acolá se permitia
chegava alegrias que eu rio - o mar que traz
paz em ondas de bem viver lá no meu Seridó.
Natal, RN, Brasil, 02.07.2013.
00 h: 05 min. - 00 h: 46 min.

QUEM QUISER VER


ESTÁ TUDO AI PARA 
QUEM QUISER VER

Por Flávio Rezende*
         O Brasil ferve e o debate político entrou na sala e divide espaço com a entronizada e endeusada TV, além de conseguir a proeza de tirar a bunda da poltrona- nem que seja por algumas horas, de seres cibernéticos, que observam mais o mundo através de um monitor, que ao vivo e a cores.
         Todos agora falam algo a respeito das manifestações e das reclamações expostas em cartazes, gritos de ordem e entrevistas. Num primeiro momento, para alegria geral, os políticos realizaram algumas ações do gosto das ruas, agora, para que essa disposição continue, é preciso ter foco.
         Vou dar um exemplo para me fazer entender melhor. Li hoje que as contas dos políticos apresentam notas fiscais de despesas diversas, que sabemos inexistir, tais como milhares de litros de combustível, que dariam para os carros darem voltas e voltas no Brasil.
         Está mais que claro, pela obviedade do absurdo, que é roubo dos mais fáceis de detectar. As empresas geralmente são de fachada, as quilometragens não suportam a lógica e, que necessidade tem um político de fazer carros andarem tanto?
         E assim são as notas de almoços com valores absurdos, revelando banquetes, sempre em restaurantes de alto luxo, gastos totalmente desnecessários com publicidade pessoal e postagem de baboseiras que ninguém lê.
         Então como esse dinheiro público é gasto de maneira pessoal ou vai para o bolso do deputado através de prestações de contas fraudadas, que o povo sente diante do congresso e diga que só sai de lá quando isso for suprimido.
         Resolvido esse assunto, o foco vai para outros, como hospitais por exemplo. Faz pressão para a liberação de verbas para a chamada de concursados em espera, para novas vagas, aquisição de medicamentos, criação de hospitais ou postos de atendimento no interior etc.
         E assim, ponto a ponto, com a pressão direta, vamos acabar com essa de moradia grátis, auxílios em geral, inércia, aluguéis de jatos para viagens sem futuro, muitos assessores, fazendo pressão ainda em desembargadores, juízes e ministros, questionando votações, absolvições, acompanhando de perto esses julgamentos, a vida de cada um em seu aspecto público, patrimônio, numa espécie de vigilância popular, mas, claro, tudo sem violência, na mais absoluta paz e respeito ao contraditório e a privacidade na vida particular.
         Isso de plebiscito, referendo, etc., não me cheira bem, parece tentativa de desvio da atenção, todos já sabem o que queremos, então votem logo a reforma política, o congresso pode fazer isso, nós já fizemos o plebiscito e o referendo, não precisa disso, é sentar, fazer e as coisas entrarem nos eixos.
         Está tudo ai para quem quiser ver, o povo está relembrando a todo instante. Quem não quer ver a gente já sabe quem é. Agora o mais importante é que tenhamos lembrança dos seus nomes nas eleições vindouras, não para sufragar novamente seus mandatos, mas para fazer naufragar suas pífias biografias.
        ___________________ 
·       * É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)

quarta-feira, 3 de julho de 2013