terça-feira, 24 de abril de 2018

H O J E






AMÉRICA FUTEBOL CLUBE

EDITAL

               O Presidente do Conselho Deliberativo do América Futebol Clube, no uso de suas atribuições legais, convoca os Senhores Conselheiros para uma Reunião Ordinária nos termos do art.57 letra “e” do estatuto, a realizar-se na sede do Clube, na Av. Rodrigues Alves, 950, Tirol, no dia 24  de abril de 2018 às 18:30 horas, em 1ª convocação e as 19:00 horas com qualquer número de presentes, para tratar da seguinte pauta:
            
                               1- Palavra do Presidente do Clube a respeito do 1º trimestre/18 e a programação para disputa da Copa do Nordeste e Série “D”;
                               2 – Entrega dos títulos de sócios proprietários aos conselheiros;
                               3- Prestação de contas pelo Departamento financeiro até março 2017 e anos anteriores;
                               4 – Apresentação das contas relativas ao período de interinidade compreendido entre abril e dezembro de 2017;
                               5 – Outros assuntos pertinentes ao Clube;


Natal (RN), 03 de abril 2018.

JOSÉ VASCONCELOS DA ROCHA

Presidente do Conselho Deliberativo

segunda-feira, 23 de abril de 2018


Eventos Assessoria <eventusbr@yahoo.com.br>
 23 DE ABRIL É O DIA DE SÃO JORGE (Sant Jordi), santo padroeiro da Catalunha, Espanha. Ali, as cidades e os cidadãos vivem essa festa intensamente.  As pessoas vão às ruas, euforicamente. Praças e estradas são decoradas com bandeiras, expondo-se livros e publicações; as rosas, especialmente as vermelhas, são refrescadas em jarras de água. Livros, rosas, escritores e todas as pessoas, são os protagonistas desta festa ao longo deste dia. Cada ano que isso acontece, a oferta de atividades culturais aumenta cada vez mais, tomando-se como seu ponto alto a troca de presentes entre as pessoas; tradicionalmente, os homens presenteando as mulheres com flores e delas recebendo livros.   
Por iniciativa do escritor João da Mata, professor-pesquisador da UFRN, em Natal festeja-se alegremente esse acontecimento intitulando-o de Quixote com Rosas (alusão a Dom Quixote de La Mancha), havendo exposição, récitas e presenteamentos, aguardado evento realizado no campus da UFRN, em livraria e/ou espaço cultural da cidade.
São Jorge também é bastante festejado, nesta data, em Natal e em muitos lugares do Brasil, pelos adeptos do Candomblé (Ogum), pelos sambistas e tradicionais amantes do samba. 

                                        Francisco Alves C. Sobrinho

domingo, 22 de abril de 2018

22 DE ABRIL DE 1500


Descobrimento do Brasil - História do Brasil
História do Brasil Colônia, a história do descobrimento do Brasil, os primeiros contatos entre portugueses e índios, o escambo, a exploração do pau-brasil


                                                  Primeiros contatos  entre portugueses e índios
              História do Descobrimento do Brasil

              Em 22 de abril de 1500 chegava ao Brasil 13 caravelas portuguesas lideradas por Pedro Álvares Cabral. A primeira vista, eles acreditavam tratar-se de um grande monte, e chamaram-no de Monte Pascoal. No dia 26 de abril, foi celebrada a primeira missa no Brasil.

              Após deixarem o local em direção à Índia, Cabral, na incerteza se a terra descoberta tratava-se de um continente ou de uma grande ilha, alterou o nome para Ilha de Vera Cruz. Após exploração realizada por outras expedições portuguesas, foi descoberto tratar-se realmente de um continente, e novamente o nome foi alterado. A nova terra passou a ser chamada de Terra de Santa Cruz. Somente depois da descoberta do pau-brasil, ocorrida no ano de 1511, nosso país passou a ser chamado pelo nome que conhecemos hoje: Brasil. 

              A descoberta do Brasil ocorreu no período das grandes navegações, quando Portugal e Espanha exploravam o oceano em busca de novas terras. Poucos anos antes da descoberta do Brasil, em 1492, Cristóvão Colombo, navegando pela  Espanha, chegou a América, fato que ampliou as expectativas dos exploradores. Diante do fato de ambos terem as mesmas ambições e com objetivo de evitar guerras pela posse das terras, Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Tordesilhas, em 1494. De acordo com este acordo, Portugal ficou com as terras recém descobertas que estavam a leste da linha imaginária (370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde), enquanto a Espanha ficou com as terras a oeste desta linha. 

              Mesmo com a descoberta das terras brasileiras, Portugal continuava empenhado no comércio com as Índias, pois as especiarias que os portugueses encontravam lá eram de grande valia para sua comercialização na Europa. As especiarias comercializadas eram: cravo, pimenta, canela, noz moscada, gengibre, porcelanas orientais, seda, etc. Enquanto realizava este lucrativo comércio, Portugal realizava no Brasil o extrativismo do pau-brasil, explorando da Mata Atlântica toneladas da valiosa madeira, cuja tinta vermelha era comercializada na Europa. Neste caso foi utilizado o escambo, ou seja, os indígenas recebiam dos portugueses algumas bugigangas (apitos, espelhos e chocalhos) e davam em troca o trabalho no corte e carregamento das toras de madeira até as caravelas. 

              Foi somente a partir de 1530, com a expedição organizada por Martin Afonso de Souza, que a coroa portuguesa começou a interessar-se pela colonização da nova terra. Isso ocorreu, pois havia um grande receio dos portugueses em perderem as novas terras para invasores que haviam ficado de fora do tratado de Tordesilhas, como, por exemplo, franceses, holandeses e ingleses. Navegadores e piratas destes povos, estavam praticando a retirada ilegal de madeira de nossas matas. A colonização seria uma das formas de ocupar e proteger o território. Para tanto, os portugueses começaram a fazer experiências com o plantio da cana-de-açúcar, visando um promissor comércio desta mercadoria na Europa.
                Fonte: 

               Outra versão:

            O Rio Grande do Norte na rota de Cabral

DESCOBRIMENTO DO BRASIL

O Rio Grande do Norte na rota de Cabral

 

Pesquisador afirma que o litoral potiguar foi o verdadeiro local do Descobrimento do Brasil pelos portugueses

 

Fábio Costa
Jornalista

 

Está nos livros escolares: no dia 22 de abril de 1500, o capitão português Pedro Álvares Cabral, comandante de uma esquadra de 13 caravelas, descobria uma nova terra, à qual foi dado inicialmente o nome de ilha de Vera Cruz, depois Terra de Santa Cruz e mais tarde Brasil. Pela história oficial, o “porto seguro” em que Cabral e sua equipe aportaram ficava no sul de onde hoje está localizado o Estado da Bahia. Entretanto, passados mais de 500 anos do acontecimento histórico, o verdadeiro local do descobrimento ainda é motivo de discussão e polêmica.

O escritor e pesquisador potiguar Lenine Pinto (foto), por exemplo, não tem a menor dúvida: o Monte Pascoal avistado por Cabral não seria outro senão o pico do Cabugi (foto), no Rio Grande do Norte. E o cabo de São Roque, também em território potiguar, seria o verdadeiro “porto seguro”.

Para provar sua teoria de que a rota de Cabral levou o navegador inevitavelmente à costa do Rio Grande do Norte, Pinto recorre a evidências náuticas, depoimentos de especialistas e documentos históricos. O resultado das pesquisas está registrado em pelo menos três livros do autor.

 

Reabastecimento – segundo Lenine Pinto, ao iniciar sua famosa viagem com destino às Índias, Pedro Àlvares Cabral recebeu do rei Dom Manuel, de Portugal, recomendação expressa para não fazer escala em Santiago de Cabo Verde, na costa oeste da África, onde os navios portugueses costumavam se reabastecer. O fato de Cabral ter seguido as ordens revela a intencionalidade de uma viagem exploratória e a possibilidade de encontrar outras terras, ao Ocidente, para estabelecer um ponto de reabastecimento.

“Salta aos olhos que Cabral veio conferir a existência do local, no futuro Brasil, onde estabeleceria uma escala aprovisionadora dos navios de carreira da Índia”, afirma o pesquisador potiguar. Para Lenine Pinto, a escolha desse ponto deveria recair, logicamente, no interstício entre as correntes subequatoriais e de Benguela, que, de acordo com relatos, se estendem da área Calcanhar/Cabo de São Roque (RN) ao Cabo Santo Agostinho (PE), “nunca ao sul da Bahia”, enfatiza o escritor.

 

O tempo da viagem

 

A esquadra de Cabral cruzou o Atlântico em 30 dias, mesmo período cumprido no ano seguinte e na mesma época por João da Nova (outro navegador português mandado de Lisboa para as novas terras) entre Santiago de Cabo Verde e a atual Ponta do Calcanhar ou o Cabo de São Roque, o que desmentiria o alongamento da navegação de Cabral até Porto Seguro. Além disso, João da Nova havia sido mandado à procura de Cabral e, nesse caso, deveria ter ido à Bahia.

São Roque aparece num mapa de 1502 como Cabo São Jorge, referência ao local e à data do Descobrimento, que ocorreu na tarde do dia 22 de abril. Para efeito de registros náuticos, foi anotado como já sendo 23 de abril, dia de são Jorge. Há registros documentais e cartográficos atestando que, a partir dali, o reabastecimento das naus que iam para a Índia passou a ser feito exclusivamente no saliente potiguar, o que comprova a intencionalidade da vida de Cabral.

Notícia transmitida à Itália pelo “informador” Domenico Pisani, logo após o regresso de Cabral a Lisboa, dava conta de que a expedição percorrera 2 mil milhas ao longo do litoral brasileiro. Esse detalhe estabelece, na avaliação de Lenine Pinto, o limite marítimo entre as praias de Touros e Cananeia, onde foram plantados os únicos marcos de posse em Vera Cruz. Se essa medida fosse tomada a partir do Sul da Bahia, Cabral, pelos cálculos do escritor potiguar, teria ido parar na Patagônia.

 

Mapas e aguadas

 

Em sua carta ao rei de Portugal, o escrivão oficial da esquadra, Pero Vaz de Caminha, revela a D. Manuel a riqueza das águas da nova terra. “Andamos por aí vendo a ribeira, a qual é de muita água e muito boa” (…) “águas são muitas, infindas... dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem... Não houvesse mais que ter aqui esta pousada para esta navegação a Calecute, isto nos bastaria”.

Para o pesquisador potiguar, os fatos indicam que, durante alguns anos, Vera Cruz foi para o governo português pouco mais do que estação das naus em trajeto para as Índias, um mero ponto de reabastecimento, ou “aguada”. A aguada em solo brasileiro figura-se sempre na extremidade norte-riograndense, como indicam importantes mapas portugueses, um deles datado de 1519.

o cabo de São Roque representa o contorno de aproximadamente 100 km que engloba o conjunto de pontais (dos Anéis, do Coconho, da Gameleira, do Calcanhar, do Santo Cristo e do Reduto), até a praia dos Marcos, onde se pode encontrar a “Santa Maria da Arrábida”, que aparece num mapa de 1505 ou 1506 como Santa Maria de Agoodia. Há pesquisadores que sugerem que se tratava da “Agonia” ou “da Guarda”, mas um deles não teve dúvidas em apontá-la como Santa Maria da Aguada, por causa de outros mapas nos séculos XV e XVI localizarem no declive entre as extremidades setentrional e oriental do Rio Grande do Norte, a aguada que empolgara D. Manuel.

Na obra “Portugalioe Manumenta Cartographica”, do século XVI, encontram-se pelo menos três mapas assinaladores da essencial aguada norte-riograndense, por ser a única existente ao longo da costa brasileira. Num dos mapas aprecem não apenas um mas dois rios de aguada de frente aos baixios de São Roque, e, entre esses rios, as barrerias vermelhas e brancas de que fala Pero Vaz de Caminha. Na mesma paisagem, está assinalado ainda um monte de cimo pontiagudo logo abaixo da desembocadura de um rido de água doce, que seria a foz do rio Açu, em Macau, por onde começa a ser descortinada a serra do Cabugi.

Em mapas estrangeiros, a comprovação dessa exclusiva área de reabastecimento pode ser encontrada em pelo menos outras três obras, deixando clara a associação entre a aguada fundamental para a carreira da Ìndia e a extremidade potiguar, o que define o ponto do Descobrimento.

 

“Traços inequívocos”

 

Ao contrário da ausência de provas simbólicas e materiais que atestem a ocorrência do Descobrimento no porto seguro baiano, nas áreas de Touro e Cananeia foram deixados traços inequívocos da presença de Cabral, segundo Lenine Pinto. A ponta extrema do litoral norte-riograndense recebeu num mapa do século XVI o nome de batismo de São Jorge, santo do dia do Descobrimento.

O Monte Pascoal que Cabral inicialmente avistou poderia ser perfeitamente o pico do Cabugi, ponto mais elevado do Rio Grande do Norte, com altitude calculada em 800 metros. Trata-se de uma montanha pedregosa que pode ser avistada à distância de 50km e que servia como marco de referência aos pescadores em alto mar, que podem avistar o Cabugi ao longe, além do horizonte marítimo. Esse detalhe foi confirmado por pescadores da praia dos Marcos.

Quanto às outras serras mencionadas por Caminha – mais baixas ao sul dele e de terra chã, com grandes arvoredos –, Cabral estaria vendo para as bandas da praia de Touros, junto ao Calcanhar, quer seria a Chapada do Morro Vermelho, com 300 metros acima do nível do mar, e, entre a Serra Verde e o Atlântico, o Serrote da Cutia, que, no passado, exibia “luxuriante cobertura vegetal, e mais bonita parecia vista do oceano”.

Depois, num passeio pela praia com seus comandados, Cabral foi até uma lagoa grande de água doce, que está junto com a praia. Para Lenine Pinto, não há outra explicação: ou estava na lagoa do Boqueirão, ou na lagoa do Avião, em Touros, porque não existe na área de Porto Seguro da Bahia nenhuma lagoa de água doce, mas apenas três lagoas salgadas.

 

Dia de São Jorge

 

Cabral avistou o Monte Pascoal a horas de véspera, isto é, ao entardecer do dia 22 de abril. Nos navios daquele tempo, entretanto, marcavam-se horas pelo único relógio disponível, as ampulhetas, que eram corrigidas pelo sol a pino do meio-dia., e a partir de então tinha início uma nova data para o registro das ocorrências e dos procedimentos do mar. Dessa forma, quando a esquadra ancorou no “porto seguro” ao entardecer do dia 22 de abril, os capitães e seus pilotos anotaram o fato datando-o do dia 23, consagrado a são Jorge.

Dois anos depois do Descobrimento, aparece o Cabo de São Jorge, no ponto mais setentrional do litoral brasileiro, isto é, São Roque, ou a Ponta do Calcanhar.

O cabo de São Roque revela não só a data, mas – assegura Lenine Pinto – “inequivocamente, o ponto no qual o descobrimento oficial ocorreu”. Os navegadores, explica o escritor, costumavam designar as novas terras pelos santos do dia da descoberta.

Poucos anos depois, a denominação do Cabo de São Jorge é substituída por Cabo de Santa Cruz, outra referência ao Descobrimento. A designação Cabo de São Roque veio a universalizar-se em razão de divergências de traçado.

Num mapa de 1502, aparece um porto seguro ao sul da Bahia, o qual poderia ser tomado como “logradouro de matalotagem”. Entretanto, afirma Lenine Pinto, o “porto seguro” baiano nunca foi uma aguada permanente. Como observou o historiador baiano Pedro Calmon, o marco que Porto Seguro ostenta é apenas um “comemorativo do descobrimento, provavelmente posto ao iniciar-se a colonização”, o que remeteria a uma data a partir de 1535.

 

Matéria publicada origalmente em O Jornal, edição do dia 2 de abril de 2000




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Excelentíssima Professora ÂNGELA MARIA PAIVA CRUZ, Magnífica Reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em nome de quem saúdo todos os
Ilustres Membros da Mesa;
Colegas professores, advogadosmagistradosmembros do Ministério Públicoestudantesservidoresex-alunosfamiliaresConfrades de Instituições CulturaisAmigosMinhas SenhorasMeus Senhores,


Há um dizer retórico muito utilizado em momentos de homenagens: “não esperava esse título; não sei se sou merecedor” ...
Eu digo diferente: ansiava sim por este momento há alguns anos, pelo que ele representa na minha vida.
O ventos da infância não sopravam para este desfecho. Menino ainda, iniciado na vida do interior, aprendi a amar a natureza, onde conheci o alfabeto e a aritmética. Retornando à capital e sendo de família pouco abastada, estudei em colégios menos custosos, mas comprovadamente eficientes, precisamente no Instituto Batista do Natal, do meu saudoso pastor Gabino Brelaz, onde conheci os primeiros traços da religião e do respeito às pessoas de outros credos e, no segundo grau passei pelo Ginásio Natal, do também inesquecível Professor Severino Joaquim da Silva, que me oportunizou conhecer grandes Mestres e fazer fraternos amigos.
Nesses dois momentos despertou em mim um pendor artístico inusitado e passei a participar dos eventos, aprofundado depois pela Escola de Música de Natal, do maestro Waldemar de Almeida, que ficava vizinho ao Cinema Rex, onde aprendi canto orfeônico e iniciei um caminho totalmente diverso da vida estudantil comum de uma criança, pois aos nove anos já despontava para o canto, tanto que participei das Caravanas da Sociedade Artística Estudantil - SAE, sendo contemporâneo de Hianto e Haroldo de Almeida, do trio Irakitan e dos talentos jovens de Edmilson Avelino, Odúlio Botelho, Agnaldo e Selma Rayol, José Filho, Elino Julião e outros que as prateleiras da memória não localizaram neste momento. Era conhecido como o “cantor mignon da radiofonia potiguar”.
Quando o sucesso já era patente, com gravação de um disco e shows em Fortaleza, Mossoró, Caraúbas e regularmente, em apresentações nos programas semanais na Rádio Poti, notadamente no “Vesperal dos Brotinhos de Luiz Cordeiro” e “Domingo Alegre de Genar Wanderley”, pela pressão familiar e atendendo conselho do maestro Waldemar Ernesto decidi abandonar a ilusão da vida artística e investir na realidade do estudo, embora tenha permanecido em mim a semente do canto, vivendo os devaneios do velho Sílvio Caldas, contemplando “nossas roupas comuns dependuras, na corda qual bandeiras agitadas...” e cultuando “a deusa da minha rua, que tem os olhos onde a lua costuma se embriagar e o sol, num dourado sonho vai claridade buscar”. De olho na minha vizinha. Deixei os encantos musicais, mas continuei “mignon”!
Dei a minha atenção integral aos livros, consolidado no curso científico do Atheneu, verdadeira Academia da cultura espontânea onde concluí meus estudos, concomitantemente com o chamamento da pátria, onde cumpri minha tarefa no Exército brasileiro, no qual assimilei os mais relevantes valores da cidadania.
Recém saído da adolescência irrequieta, mas responsável, pois desde cedo assumira encargos da casa paterna, fui fisgado pelo amor de Therezinha, com quem travei estreita convivência e casei há 55 anos em Belém do Pará e nessa condição ingressei na vida universitária já pai de Rosa Ligia, circunstância que me obrigou a desistir das serenatas, da curtição do maluco beleza (Raul Seixas) e da maravilhosa irresponsabilidade das músicas de Cazuza e, na UFRN, não participei dos movimentos estudantis exatamente pelos encargos de chefe de família neófito, mas nela  tive trajetória de longo curso: tudo começando em fevereiro de 1964, quando, cheio de esperanças, ingressei na velha Faculdade de Direito da Ribeira. Logo no mês seguinte ao “trote”, e já em pleno período letivo, fui surpreendido pelo movimento que instalou o governo  militar e daí por diante vivenciei os tormentosos dias dos estudantes, funcionários e professores - até o dia 8 de dezembro de 1968, data da minha formatura e do mês fatídico do AI-5, cuja colação de grau só foi possível pela ação enérgica dos professores Oto de Brito Guerra e Onofre Lopes, que conseguiram juntos guiar esta Instituição sexagenária pelos dias de escuridão, mantendo-a íntegra e independente, atributos que permaneceram, como testemunhei, porquanto foi pequeno o espaço de tempo em que dela estive separado, eis que em 1976 retornei para iniciar meu caminho de docente, compartilhando as ameaças veladas da repressão, até o restabelecimento da liberdade, como registrado no Relatório da Comissão da Verdade da UFRN, que tive a honra de presidir, com a participação de legítimos e operosos representantes de todas as categorias que formam a instituição e valorosos estagiários que ajudaram a construir um relato verdadeiro e elucidativo de um período que não deixou saudades, embora estejamos novamente a juntar os pedaços de uma democracia esfacelada pelos novos e deletérios costumes que assolam nossa sociedade nos dias presentes.
E assim se passaram os anos até atingir a idade compulsória e 35 anos de serviços, continuando mesmo depois de aposentado e portador de doença traiçoeira, como colaborador na graduação e especialização, participando das bancas e em sala de aula por algum tempo mais.
Se for indagado sobre o motivo de investir em tanto saudosismo numa solenidade tão importante, responderei com a expressão de Simone de Beauvoir:
“O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar. É ao meu passado que devo o meu saber, a minha ignorância, as minhas necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo.”
Nesse percurso de vida pública, ocupei inúmeros cargos, ingressei em várias instituições corporativas e de cultura, recebi muitas comendas e honrarias. Mas confesso:  de todas as homenagens que recebi ao longo do tempo, nenhuma tem o significado igual ao deste título que agora recebo, de “Professor Emérito”.
Os presentes não podem avaliar a emoção e o peso que senti de tamanha responsabilidade e que me invadiram desde o momento em que foi marcada a data desta solenidade. A síndrome da insônia tornou-se companheira diária e houve momentos em que batia a emoção, agravada quando meu estimado colega da Comissão da Verdade, o então estudante Juan de Assis Almeida, hoje mestrando na UNB, me alertou que o Curso de Direito, nesses 60 anos, teve a outorga de apenas 21 títulos de Professor Emérito (entre esses o meu pai, professor José Gomes da Costa), sendo o último agraciado o meu querido amigo e colega de Procuradoria do Tribunal de Contas Múcio Villar Ribeiro Dantas, que nos deixou nesta Universidade o talento do Professor Marcelo Navarro RIBEIRO DANTAS – exemplo de cultura e dignidade.
A inatividade legal não retirou o meu entusiasmo para continuar, agora entrei na luta para restaurar a velha Casa do Direito da Ribeira “canguleira”, quase em ruínas, onde deveremos fazer ressurgir uma parte heroica da nossa história.
Minhas Senhoras e Meus Senhores, neste momento de grande emoção, só tenho palavras para agradecer a esta minha morada de grandes lutas e de saudades, aos companheiros que aprovaram meu nome para tão importante honraria, comandados pelo amigo Ivan Lira, que guardou a fidelidade de ex-aluno, transcendendo o meu perfil ao fazer sua saudação, ao Professor Tarcísio Gurgel, que apresentou o meu currículo de maneira competente, como sempre, e aos meus amigos que se dignaram me prestigiar com suas presenças, em especial os que aceitaram participar das Comissões, todos formatando um quadro que ficará emoldurado em minha memória até o findar dos meus dias. Todavia, sem ter qualquer pressa, proclamo que ainda tenho forças para outras jornadas.
Nestas últimas palavras, cai bem repetir a extraordinária Simone de Beauvoir:
           “A  impressão que eu tenho é de
não ter envelhecido,
embora eu esteja instalado na velhice.”

OBRIGADO.
  
Natal, 20/4/2018
____________________
MENSAGENS/COMENTÁRIOS:

Professor Carlos Gomes, gostaria de registrar meu agradecimento pelo convite a compor a Comissão de Honra de aposição da Veste Talar. Foi um momento único que ficará eternamente gravado em minhas lembranças. A simbologia do ato foi de um verdadeiro encontro geracional de um iniciante jurista e advogado com um experiente e notável advogado e professor numa cerimônia de congraçamento e reconhecimento do legado intelectual, imaterial e material deixado pelas gerações antecessoras (pelo senhor) para as novas e futuras gerações. O título de Emérito era algo esperado porque merecido por tanta abnegação às causas coletivas que enriquecem nossa cultura e nossa história. Confesso do meu entusiasmo, porquanto procurei, mesmo de longe, acompanhar todo o processo de aprovação nas instâncias da UFRN, o que ocorreu unanimemente em todas elas. Agradeço, igualmente, por todas as referências feitas nos discursos oficiais e informalmente a mim. Além de me envaidecer, é prova da sua generosidade e envolvimento com as grandes causas que juntos enfrentamos e haveremos de enfrentar. Da mesma forma que o senhor concluiu o discurso afirmando que aceita as novas jornadas, também registro o meu empenho nas outras lides da vida. Muito obrigado! Parabéns pelo Título de Emérito da UFRN! Abraços. (Juan de Assis Almeida).

__________

 Carlos de Miranda Gomes agora é Professor Emérito da UFRN

foto:Prof Angela Paiva

Ao Mestre com Carinho...
A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) concedeu o Título de Professor Emérito ao educador Carlos Roberto de Miranda Gomes na sexta-feira (20). O título é conferido aos profissionais da área acadêmica de notório legado para a sociedade e para a UFRN.
...Comissão da Verdade 
Um dos mais notáveis trabalhos do homenageado foi a contribuição como presidente da Comissão da Verdade, que buscou investigar as violações aos direitos humanos na Instituição durante a Ditadura Militar.

Atualizado: O Professor Carlos de Miranda Gomes foi homenageado pelo professor e Juiz Federal Ivan Lira.


Tribuna do Norte, 21 de Abril



sábado, 21 de abril de 2018

EXEMPLO, SEMPRE - NÃO O ENFORQUEMOS NOVAMENTE



SOLENIDADE DE RECEBIMENTO DO TÍTULO DE PROFESSOR EMÉRITO PELO
PROFESSOR CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES (20/4/2018)


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HINO COM LÁGRIMAS

Abri exceção à minha quarentena, porque era um daqueles eventos aos quais não se pode faltar. Tratava-se de estar presente à investidura do amigo Carlos D Miranda Gomes na veste talar de professor emérito, e reviver lembranças do tempo em que éramos contemporâneos na velha faculdade da Ribeira. Adorei o discurso do professor, descontraído e despojado, digno de quem em seu percurso de vida não se restringiu ao campo jurídico, mas transitou por áreas múltiplas das humanidades, inclusive as artes. Com sinceridade, ele já começou por dizer que não faria um discurso acadêmico, e nem diria que não esperava pelo título, porque o esperava, e de todas as homenagens já recebidas seria essa a de maior valor. 

Foi também, como sempre, um prazer rever a professora Ângela, nossa querida reitora, e estar com Juan Almeida, meu amigo e jovem advogado, cujo destacado presente já lhe anuncia um marcante futuro, em funções valorosas, como a que desempenhou na Comissão da Verdade/UFRN, da qual foi Carlos Gomes o presidente, e em que fui a última a depor. Novos exemplares do Relatório da Comissão foram distribuídos, houve muitos abraços e foi também prazeroso rever Armando Holanda, agora que já não somos aqueles meninos estudantes das leis e dos códigos. 

No entanto, uma nota triste marcou a tarde, quando no recinto soaram os acordes do nosso belo Hino Nacional, e pela primeira vez não consegui cantá-lo. Como proferir convicta os lindos versos de amor à terra brasilis no momento em que ela sofre um bestial ataque de forças tenebrosas que lhe arrebentam a ossatura? É verdade que ainda aqui está o "formoso céu risonho e límpido" em que "a imagem do cruzeiro resplandece." E também é verdade que nossa pátria-mãe continua "gigante pela própria natureza", mas já há tempo não vivemos "ao som do mar e à luz do céu profundo", e teríamos que trocar o presente pelo pretérito dos verbos nos versos que dizem "teus risonhos lindos campos têm mais flores" e "nossos bosques têm mais vida". 

E como cantar "fulguras, ó Brasil, florão da América, /iluminado ao sol do novo mundo", "e diga o verde louro dessa flâmula/ paz no futuro e glória no passado"? Como cantar "se teu futuro espelha essa grandeza", fingindo que ainda estamos no passado, quando na verdade o presente chegou, e sobre as flores gentis arremessaram-se monstros destruidores? Sobretudo, como cantar convictamente estes versos: "mas se ergues da justiça a clava forte/verás que um filho teu não foge à luta... entre outras mil és tu, Brasil, ó pátria amada/dos filhos deste solo és mãe/ gentil pátria amada/ Brasil."? Como entoar convictamente tais versos, quando sabemos que os filhos da terra adorada estão sendo expulsos por invasores que aqui não nasceram, desconhecem nossa língua, ignoram nossas aves e nossas flores, e vêm decididos a devastar nossos campos para aqui impor um inferno sobre o éden que a todos se oferecia? 

O Brasil, gigante colossal que foi sempre a terra acolhedora, aberta a gentes de todas as raças, credos e nações, é agora submetido ao tacão férreo de um invasor que adora um só deus - o lucro - e por esse deus extermina e devasta a mãe-Terra, a pátria-mãe e seus filhos, instaurando no solo fértil, mágico e fecundo das amazonas o terror duma nova era de suplícios.

Por tudo isso, não pude cantar, mas chorei enquanto o nosso belo hino ressoou.

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