sábado, 20 de outubro de 2018




QUEM DISSO CUIDA, DISSO USA
Carlos Roberto de Miranda Gomes, escritor

Temos todos assistido, nessa fase final de campanha eleitoral, a mútua troca de informações desencontradas ou falaciosas (fake news) procurando, de maneira torpe e de extremo mau gosto, denegrir a figura de cada pretendente à Presidência da República, usando o veículo moderno disponibilizado pela tecnologia das redes sociais.
Esse expediente bem denota a baixa qualidade educacional do brasileiro, ainda que praticado por intelectuais, professores – mestres e doutores, escritores de nomeada, jornalistas, num verdadeiro “febeapá” que somente deseduca e atrapalha a vida do cidadão brasileiro.
Certamente, com o resultado das eleições, aqueles que não lograrem a vitória vão demorar muito a aceitar a situação e continuarão a estimular a discórdia até o próximo pleito, sem constrangimentos. Aqui estarão presentes a falta de amor à sua terra, ao seu País e ao seu povo.
Tais comportamentos indicam o único caminho capaz de levar o Brasil a uma progressão na compreensão da ordem e do progresso encartados no lema da nossa bandeira, como nos legaram os exemplos do Japão e da Coréia que, das cinzas, conseguiram, em tempo recorde, alçar novos e eficientes voos em direção à melhoria da qualidade de vida do povo e do País.
Lamento que na minha idade já vetusta não tenha mais condições de influir na mudança de conceitos, senão através do que escreva, mas que reconheço não alcançará espaço necessário para ter algum efeito.
Com mais esse desabafo, quero alertar os amigos fraternos, que não me queiram mal, posto que o convívio com vocês é tão somente o que pretendo. Não sou parido por nenhum candidato em particular, mas pela defesa de mudanças estruturais dos partidos nos diversos ciclos que devem presidir a história, em um revezamento do poder, que permita fazer coexistir com a esperança.
Estejam certos aqueles que foram deselegantes comigo em suas postagens, que eu lhes desculpo e convido a uma reflexão objetiva sempre olhando com fé um futuro melhor para esta terra que deve ser orgulho para todos nós, porque jamais verão um País como este, parafraseando Olavo Bilac. Afinal, todos agora usam as mesmas cores! Ou ?
O Brasil precisa reformular a diretriz política partidária, coibindo a criação de legendas de aluguel, próprias de um País intelectualmente subdesenvolvido e os governantes devem colocar a ética como lema maior das suas administrações.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Muita saudade SIM e imensa e gostosa recordação. Oh! IBN


Geovanira Galvão de Lima compartilhou uma publicação no grupo Falando do RN.
Prof. Carlos D Miranda Gomes quem sabe, não estamos nessa foto... É do nosso tempo!
Junia Pires Falcão

Hino do Instituto Batista de Natal
(Aonde fiz o curso primário)
Ex alunos (as) quem ainda se lembra?


Para frente ò mocidade,
Cheia de fé e bondade.
Avancemos na peleja!
Embora má sorte seja,
Nada nos abaterá.
Cada qual aprenderá
A sofrer com paciência,
De todo mal a inclemência

Serás IBN
Eternamente o nosso bem,
Oh! IBN.
Em nossas almas viverás,
Oh! IBN.
Até a morte e além,
Oh! IBN,
Teu nome ficará.

Disciplina, esforço, estudo,
Pela pátria, tudo, tudo.
Morrer pela pátria é glória.
É fazer parte da história!
Ressuscita cedo ou tarde,
Enquanto o homem covarde
Não terá nome alcançado
E nem terá nome exaltado.

Coro
Em prol do bem e contra o vício
Não poupemos sacrifício.
Ser bom, ser justo e forte ser,
Tenhamos sempre por dever.
Seja o céu o nosso abrigo
E o livro, o melhor amigo,
Vem ser nossa diretriz
Para orgulho do país.


______________

Esta foto me foi enviada há alguns anos pelo saudoso colega CIRO TAVARES. Foi tirada após nosso desfile numa comemoração do DIA DA INDEPENDÊNCIA - 7 de Setembro dos anos 50. Eu estou aí, Ciro também e mais grande quantidade de amigos: Netinho, Ester, Marta, Soriano, Caetano Damasceno, OS PROFESSORES: Pastor Gabino Brelaz, Dona Arquimínia, Izabel, Mirandolina, Iracema....(perdoem outros que me faltam à memória). Com eles e elas HOMENAGEIO  OS MESTRES DE TODOS OS TEMPOS. É uma saudade gostosa essa que nos proporcionaram Geovania e Junia, inclusive com o nosso Hino, o qual ainda sei cantar. O INSTITUTO BATISTA DO NATAL foi construído por missionários da GeórgIa - Estados Unidos, tendo à frente o Dr. TAMBLIN e Dona FRANCISCA. 

sábado, 13 de outubro de 2018




UM BRASIL DIVIDIDO
Carlos Roberto de Miranda Gomes, apenas um cidadão descrente
Pensei não ter que passar, outra vez, pelos percalços dos anos 60, quando a nação viveu dias de ódio e divisionismo entre esquerda e direita nas eleições gerais de 1960. Aqui no Rio Grande do Norte a contenda nem sequer era ideológica, mas fisiológica – destruição da unidade familiar, violência e perseguições.
Todos estavam violáveis. Então, um sopro divino nos enviou o Monsenhor Walfredo Gurgel, que saneou as finanças do Estado e curou as feridas dos contendores.
Superado o período do Estado militarista, tudo voltou como d’antes, retornou o ódio, se revigorou a corrupção, a mentira passou a ser o carro chefe da política, agora aperfeiçoado com o uso indevido da tecnologia virtual das redes de comunicação, tudo sob a fragilidade uma Justiça que não consegue superar os litígios deletérios.
Após a minha aposentadoria, joguei todo o vigor que me restava para colaborar com as instituições beneméritas e culturais, de onde nem sempre fui compreendido, recebendo a indiferença de uns, a crítica de muitos e a compreensão de poucos – tudo absolutamente sem retribuição pecuniária, enquanto os governantes, de todos os níveis, se banqueteavam na opulência e na propaganda enganosa.
E agora José? Vejo atônito o retorno da desagregação social – amigos se indispondo, famílias igualmente divididas – todos sofrendo as pressões do radicalismo partidário, mentiroso, opressor dos governantes e dos aspirantes aos governos.
Estou completamente envergonhado com as mensagens corrosivas e indisfarçavelmente desagregadoras que recebo de pessoas que tanto prezei e procurei incentivar para um futuro de esperanças.
Nem mesmo nas hostes culturais encontro a necessária sinceridade, pois o individualismo e a arrogância ainda predominam.
Desculpem-me, estou desolado, triste, decepcionado, sem forças para continuar. A única esperança que não perdi é a de que O Salvador retornará para aliviar o sofrimento do seu povo. Que seja breve – gostaria de ver esse acontecimento antes da viagem final.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

A MINHA RUA





A PAISAGEM E O TEMPO

Valério Mesquita*
Mesquita.valerio@gmail.com

Mantenho reações conservadoras diante dos fatores imanentes e iminentes da vida. Sou devoto dos hábitos e da retórica provinciana do interior. O costume secularizado da cadeira na calçada, da brisa sedutora do fim de tarde, do grito heroico do vendedor de cuscuz e mugunzá ainda me apascenta. São crenças básicas na simplicidade da vida como perpétuo e inalienável direito de existir, misturado ao povo miúdo, posto ser melhor do que o absolutismo dos donos do palanque e da burguesia consumista e desfigurada pelo cinismo materialista. Mas fui tomado pelo fascínio de mesclar o real e o imaginário. Não exercito artificial adesão ao modismo.
Nenhum vestígio que se possa recolher da minha travessia terrena não passará da impressão de algo plástico, aéreo, estelar, humano e sobre-humano, difuso, mas cintilante, místico e mítico. No meu bairro sou donatário da capitania não hereditária. Ou seu capataz dos mistérios circundantes, como Sanderson Negreiros em Candelária e Vicente Serejo em Morro Branco. Não renegam a horizontabilidade urbana de onde extraem a alma e o sumo das verdadeiras descobertas. A minha rua em Lagoa Nova é modesta. A iluminação pública espalha no calçamento parnasiano a luz mortiça amarela, qual um abajur lilás. No céu estrelado passeio a nostalgia que vem da herança telúrica de um tempo que a memória ainda não desfez. O rio, a casa, a lua, a calçada, as aparições noturnas.
Minha angústia factual e meu desespero tipicamente social estão inseridos no contexto das doenças que as seguradoras de saúde não cobrem. Componho o universo sensível, ferido, por vezes amargo e infeliz, que abomina a marginalização dos pobres, dos velhos, das crianças, vítimas do perverso sistema econômico-social. Por isso procuro a terra habitada pelo silêncio e pela distância das coisas, porque o meu grito é cárcere concreto e real e já não se faz mais ouvido. Conforta-me que as palavras não são fugazes nem constituem perdas instantâneas. Meu canto é harmônico sem divagações nem desvios, embora as tensões e os influxos se cruzem, se choquem mas não se anulam.
Volto à minha ruazinha comum. Nela não residem poderosos. Afinal, sozinho perscruto a tolice dos seus mistérios visíveis e invisíveis. Não há muito que sonhar. Como mergulhador penetro nas ruínas da alegria de sua pobreza, sem jardins, às vezes, sem chananas, refletores ou praças. Ruas opacas, empíricas, apenas onomatopaicas. Mas, é o território dos meus vãos e desvãos. Nem fantasmas líricos e bufões aparecem. Somente vislumbro minhas relíquias imemoriais da infância e da adolescência. Restos sagrados nos olhos de quem é intimo da ilusão, eterno aprendiz de um mundo de contradições, mas também repleto de lembranças antigas e serenas. Tudo torna minha rua como a quero ver.
(*) Escritor