sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Cartas de Cotovelo – 17/01/2020
Oitava Carta (com Saudade)



A viagem final do Menino Passarinho

Neste 16 de janeiro de 2020 recebi mais uma notícia de tristeza, o falecimento no Rio de Janeiro, onde morava desde os 10 anos, do cantor e compositor Luiz Rattes Vieira, nascido em Caruaru em 12 de outubro de 1928, em consequência de deficiência respiratória.     Era casado com Eurídice Pereira.

O pernambucano foi criado pelo avô, no interior do estado, em Alcântara, mas a sua primeira composição deu-se quando tinha apenas 8 anos e, por isso, ganhou a fama com o codinome de "príncipe do baião" e fez sucesso nos anos 1950 como radialista nas rádios Record e Tupi. 
Responsável por mais de 500 canções e muitos sucessos, o estimado compositor, no entanto, começou a sua vida trabalhando em diversas outras funções - Chofer de caminhão, motorista de táxi e engraxate.
O estilo de Vieira guardou sempre o sentir pungente do nordestino e logo cedo consagrou-se compondo toadas, canções e cantigas como em 1953, com Menino de Braçanã, consagrada pelos artistas cantores Ivon Cury e Zizi Possi, de épocas diferentes. Adotou o linguajar do matuto estilizado, de poetas populares como o paraibano Zé da Luz, e o maranhense Catulo da Paixão Cearense, e desenvolveu-se, tanto em canções assinadas só por ele, quanto nas parcerias com o maranhense João do Vale. Os dois assinaram clássicos como Nas Asas do Vento, A Voz do Povo, Estrela Miúda, Maria Filó (O Danado do Trem) e Estrada do Columbandê.

Era um homem culto e pertenceu à elite do rádio carioca dos anos 50 e 60, com consagradora passagem no programa da TV Jornal do Commercio de Pernambuco, onde o conheci e passei a admirar, tornando-se presente em minha vida desde então.

É autor de clássicos da MPB, como Prelúdio Para Ninar Gente Grande (Menino Passarinho) e Paz do meu Amor (Prelúdio Nº2).
Afirmam seus biógrafos que em 1958, Luiz Vieira lançou o primeiro, e provavelmente seu melhor disco: “Retalhos do Nordeste” A Música e a Poesia de Luiz Vieira (Copacabana). Já em 1951, gravou no selo Todamérica, tendo suas composições gravadas por inúmeros cantores e cantoras como Ivon Cury, Marlene, Inezita Barroso, Alaíde Costa, muita gente boa. Retalhos do Nordeste. São dez faixas, parte delas com uma orquestra dirigida pelo maestro Moacir Santos.

Luiz Vieira não era apenas cantor ou cantador, como preferia e compositor, mas encenava as suas composições contando histórias, que o tornava diferente dos demais cantores da época. Teve grande influência do estilo iniciado por Luiz Lua Gonzaga e seus parceiros.

Em 2018, quando o cantor completou 90 anos, o produtor Thiago Marques promoveu um show tributo a Vieira, no Teatro Itália, em São Paulo, que virou disco Luiz Vieira 90 anos, em 2019, com selo da Kuarup, contendo 20 composições e participação de nomes como os de Zeca Baleiro, Daniel, Maria Alcina, Renato Teixeira, Claudette Soares, Sérgio Reis, As Galvão, Verônica Ferriani e Ayrton Montarroyos, tendo a direção musical e arranjos das gravações do pianista Alexandre Vianna, direção, e produção artística do espetáculo, e do álbum de Thiago Marques Luiz. O texto de apresentação é assinado por Rolando Boldrin, que se confessa influenciado por Luiz Vieira, assisti-lo na TV fez com que se voltasse para a carreira artística.
Ao lado de Luiz Gonzaga, apresentou o programa “Salve o Baião” na Rádio Tamoio, no Rio. Em São Paulo, o artista foi cantor da rádio Record. Vieira compôs músicas para Caetano Veloso, Rita Lee, Nara Leão, Moacyr Franco, Elba Ramalho, Hebe Camargo, Maria Bethânia e o próprio Luiz Gonzaga, ainda Taiguara, Pery Ribeiro, Augusto Calheiros, Gilberto Alves, Agnaldo Rayol, Cascatinha e Inhana, Sérgio Reis, e Marcelo Costa.
Gravou criações de Assis Valente, foi produzido por Moacyr Santos e recrutou os sanfoneiros Dominguinhos, Chiquinho do Acordeon e Zé Menezes para um projeto dedicado ao forró.

Discografia

·         (1951) Pai, acende o lampião/Caixa d,água • Todamérica • 78
·         (1951) Baião da Vila Bela/Coreana • Todamérica • 78
·         (1952) O retirante/Largo do Cafunçu • Todamérica • 78
·         (1952) Dona Catulina/Chova ou faça sol • Todamérica • 78
·         (1953) Pegando sol/A lenda do chafariz • Todamérica • 78
·         (1953) Rolinha minha saudade/Toada com Maria Jesuína • Todamérica • 78
·         (1954) Pirraça/Lelê belezinha • Todamérica • 78
·         (1954) O menino de Braçanã/Os olhinhos do menino • Todamérica • 78
·         (1954) Paroliado/Desfeita • Todamérica • 78
·         (1955) Viva a Penha/Sodade furadera • Odeon • 78
·         (1955) Quem come bebe tudo/Mamãe bate • Odeon • 78
·         (1955) Rolinha fogo pagô/O lenço da moça • Odeon • 78
·         (1956) Maria Filó (O danado do trem)/Ambrosina • Copacabana • 78
·         (1956) Forró do Frutuoso/Meu crucifixo • Odeon • 78
·         (1957) Estrada de Columandê/Corridinho da saudade • Copacabana • 78
·         (1958) Cantiga da lembrança/Embolada mudou • Copacabana • 78
·         (1959) Retalhos do Nordeste • Copacabana • LP
·         (1959) Futucando/Milho verde • Copacabana • 78
·         (1960) A intrigante/Guarânia do amor sofrido • Copacabana • 78
·         (1962) Encontro com Luiz Vieira. Volume 1 • Copacabana • LP
·         (1962) Pagando o pato/Meu sentido era na bela • Copacabana • 78
·         (1962) Prelúdio pra ninar gente grande/Jaguaribe • Copacabana • 78
·         (1963) Paz do meu amor (Prelúdio nº 2)/Taí no que dá • Copacabana • 78
·         (1971) Em tempo de verdade • Copacabana • LP
·         (1974) Luiz Vieira • Odeon • LP
·         (1978) Na asa do vento • CBS • LP
·         (1986) 40 anos de música • Continental • LP
·         (1992) O melhor de Luiz Vieira • Movieplay • CD
·         (2000) Os grandes sucessos • Polidisc • CD
·         ([S/D]) Encontro com Luiz Vieira. Volume 2 • Copacabana • LP

 LUIZ VIEIRA, o meu respeito, admiração e saudade.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020


BOM DIA!!!


TRÊS NOTAS E UM POEMA MEU


DIVISA

Conhecem-me os cavalos e a noite e os desertos
traiçoeiros e a guerra e as feridas e o papel e a pena.

- Al-Moutanabbi

(Versão do grande poeta português Herberto Helder)
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AL-MOUTANABBI (915-965 d.C.), iraquiano, foi um grande poeta, considerado dos mais proeminentes da literatura árabe. Alguns de seus poemas são tidos como proverbiais.
O seu poema DIVISA, que  acima divulgo na versão  do poeta português Herberto Helder, ei-lo noutra tradução:

“O corcel, a noite e o deserto me conhecem.
Assim como a espada, a lança, o papel e a pena."


Também é dele:

“Se você vir os caninos do leão
nunca pense que o leão sorri.”
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Poema zen citado por Herberto Helder em seu livro “O Bebedor Nocturno”:

“Para poder caminhar através do infinito vazio,
a vaca de aço deve transpirar.”
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SERMÃO DO ETERNO

Nada temais

Nem o ilusório fim
nem o infinito que vos mostro
e não compreendeis

E muito menos o espanto
com seus instantâneos de sombra
que retira do olhar a transparência

Entretende-vos
com a vida santa e bela
que vos foi outorgada

Sempre estareis
na consciência Una
onde aliás
sempre estivestes

-  ou achais
que somente agora
viveis? 


(Horácio Paiva)

terça-feira, 14 de janeiro de 2020


 

Praias, etiqueta da areia, dicionário da praia:
um guia leve, despretensioso, um guia do verão como o verão...

O Guia do Verão

Câmara Cascudo dizia que em Natal só havia duas estações: a estação de trem e o verão.
Aclamada Cidade do Sol, Natal está na esquina do continente repleta de praias, diante do mar.

Neste guia, uma encomenda da primeira loja de departamentos da cidade, a Rio Center, um pouco do litoral além das praias urbanas, e mais um pouco de culinária, bebidinhas, etiqueta da areia e um minidicionário. Leve e descontraído para ler e viver uma estação que é o tempo todo na cidade.

Em formato de livro impresso, está disponível gratuitamente nas lojas Rio Center, enquanto durar o estoque e a estação.
Aqui, a versão digital, também gratuita.

Pesquisa e texto Gustavo Sobral e ilustrações primorosas de Ariel Guerra.
Projeto editorial Sertão Marketing & Mídia.
2020, Guia do Verão Rio Center, praia, sol e mar. 1ed. Natal: Unigráfica, 2020, 68p.

www.gustavosobral.com.br

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020



Cartas de Cotovelo – 13/01/2020
Sétima Carta (com Saudade)

Dindinha Lua

Eis que chegamos à lua cheia e o período permite que se registre fotograficamente a sua trajetória, como o fez meu filho Carlos Rosso.

Ao contemplar a foto muitas foram as lembranças – mamãe costumava cantar uma canção que falava em “dindinha lua”, com o sentido carinhoso e, se não me engano, era uma cantiga de ninar. Procurei na internet e não a encontrei – mas ficou gravada em minha memória.

Outra lembrança é de THEREZA que nunca deixou de chamar a minha atenção para ver a lua nos dias de esplendor, sobretudo nos veraneios em Cotovelo, que nunca deixei de registrar fotograficamente. Aliás, tenho alguns versos sobre ela, mas nunca os revelei, o que acho que poderá ser feito em livro que pretendo lançar proximamente, em homenagem à minha eterna amada.

        A MPB está cheia de homenagens à lua, desde os tempos mais remotos como a Lua Branca, de Chiquinha Gonzaga, consagrada por Vicente Celestino até por artistas mais modernos.


















sábado, 11 de janeiro de 2020






Cartas de Cotovelo – 11/01/2020
Sexta Carta (com Saudade)

As andorinhas voltaram

Neste sábado, da nossa varanda da Rua Parnaíba chamou-me a atenção o fio engrossado por andorinhas, coisa que só lembro ter visto há uns 10 veraneios atrás, quando passeava com THEREZA pelas ruas de Cotovelo. Teriam vindo em reverência a ela?

Em vôos rasantes e rápidos como o do beija-flor, vieram até o jardim de Dona Socorro e em segundo subiram e desapareceram até não sei quando, pois as andorinhas são aves de pequenas dimensões, que possuem beleza, elegância e agilidade em seu vôo e realizam longas migrações. No Brasil se conhece a andorinha-pequena-de-casa (Notiochelidon cuanoleuca), que mede cerca de 12cm de comprimento e pesa apenas 12g.

Mutantes, abandonam os locais frios, a procura de alimentação farta e migram para locais mais amenos e no final do inverno voltam em bandos barulhentos à sua região natal. Este retorno anuncia que a primavera está chegando. Podem viver até oito anos, com exceção da andorinha-do-mar, que pode viver por vinte anos. Isso significa que uma andorinha-do-mar pode voar 20 vezes ao redor do mundo durante toda sua vida.

O acontecimento, circunstancialmente trivial, para mim foi uma visita a Cotovelo, aonde ainda resistem alguma coisa da mata atlântica e, ao mesmo tempo, outra oportunidade de relembrar minha THEREZA que adorava pássaros e não deixava passar suas presenças em nossos momentos de veraneio.

Foi um momento de beleza, comunhão com a natureza e de saudade daquela que foi a razão da minha existência.

Desculpem, mas Quem canta seus males espanta.


sexta-feira, 10 de janeiro de 2020


Cartas de Cotovelo – 10/01/2020
Quinta Carta (com Saudade)

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

          Existem equipamentos que complementam o nosso conforto no cotidiano, mais ainda quando estamos no veraneio que não precisamos nos locomover para efetuar pagamentos, enviar mensagens, pesquisar assuntos interessantes, fazer nossas vitaminas no liquidificador, assar um pãozinho, um banho temperado e muitas outras coisas mais. 

          Pois bem, nestes dois últimos dias, no conforto do ar condicionado e vendo um bom programa de televisão, fomos colhidos de surpresa pela falta de energia na Rua Parnaíba, aqui em Cotovelo. 

           Acionado o 116 a informação era que os técnicos estavam se deslocando para resolver o problema o mais rápido possível. Ontem, aguardei a providência desde as 3 da matina, mas a energia só veio chegar às 16 horas, com a expectativa das notícias do toró em Natal. Hoje o fato se repetiu, perdemos o noticiário da manhã, mas a energia voltou em torno do meio dia.

        Em verdade não estamos aqui fazendo uma reclamação, pois o fato decorrer de uma chuva inesperada e sabemos que os operários da Cia. Fornecedora de energia são competentes e dedicados, mas apenas para enfatizar da importância que a energia elétrica nos trás.

        Não é sem razão que nos vem à mente os nossos veraneios da Praia da Redinha, onde a energia era fornecida através de um motor que era acionado pelas dezoito horas e desligado às vinte e duas, curto período em que aproveitávamos para um joguinho de baralho ou um bom papo na areia da frente da casa, sem nenhum risco de assalto.

        Naquele tempo não havia outro barulho que não o das águas do mar ou do rio Potengi quebrando na areia e permitindo olhar a beleza do céu e da natureza como um todo.
        Tive a oportunidade de voltar aos velhos pastos, já na companhia de THEREZA, e constatei que no Maruim apenas ainda resistiam duas casas – a que foi de papai e de seu Nelson, sogro de Professor Misael.

        Sem querer, a saudade volta de uma outra forma, com lembranças mais distantes, como o bambelô no Mercado, as cavalhadas organizadas pelo Dr. Túlio Fernandes, os passeios de bicicleta ao rio doce, a emocionante contemplação do vai e vem dos botes e das lanchas no cais, as reuniões esportivas e recreativas no Redinha Clube:

                      ...”Redinha, volte de novo ao teu seio, para eu viver sem receio aqueles tempos ideais”. (Fernando Gomes)


               

     

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

(encenação)

Cartas de Cotovelo – 08/01/2020
Quarta Carta (sem Saudade)

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

        Passadas as festividades tradicionais, voltamos os olhos para o veraneio e constatamos remanescentes velhas mazelas na Comunidade de Cotovelo. As escadas de acesso à praia pararam, para aguardar a costumeira maré forte de janeiro; a iluminação desbotada e ruas no escuro. Em frente da minha casa (Rua Parnaíba [que os mapas chamam de Paraíba] equivocadamente), está pior que o ano passado, que existia uma lâmpada, creio que de 1 (uma) vela fazendo-me colocar um refletor de 30 watts,de led, para a meninada brincar de voleibol sob as vistas minha e de THEREZA. Este ano a lâmpada do poste público está com a lâmpada queimada e eu troquei o refletor led por outro de 50 watts.
       
        Um outro problema, este de maior gravidade, refere-se ao não cumprimento do Projeto de ligação do saneamento da Prefeitura, prometido para junho de 2019 - o que não aconteceu. Acreditando no novo administrador, precipitei-me em aterrar a fossa grande e preparar o local para a ligação, ficando com a antiga fossa e agora corro o risco de ter que usar constantemente o caminhão de esgotamento, transtorno para mim e para os vizinhos. Os escavamentos para os canos do saneamento da Rua Parnaíba, que não é calçada, embora fique entre as duas pistas de ida e volta de Pirangi, foram aterrados com areia comum e daí os permanentes atolamentos, aumentando a poeira e nos obrigando a prestar ajuda para o desatolamento com a camionete de Ernesto.

          No ano passado comprei duas caçambas de barro e resolvi o problema - da minha casa até o confronto com a rua Marabá, mas depois da minha casa o problema continua, para os lados da Rua Herith Correia. E agora José...

          Estimado Prefeito Taveira, rogo a sua atenção para mandar apurar e resolver esses problemas. Mande trocar a lâmpada do poste defronte à minha casa 258. Em homenagem à sua administração estou disposto a colaborar com os custos desses meus problemas aqui reclamados. Envie a conta. Olhe, já paguei o IPTU antecipado!

          Por último, alô alô Diretoria da PROMOVEC, vamos fazer uma reunião para registrar nossas reivindicações e traçar projetos para este veraneio? 

         

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020


Cartas de Cotovelo – 06/01/2020
Terceira Carta de Saudade
 Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

        Os reis magos são personagens controvertidas na história da humanidade, citados somente por Mateus (2,1-12), que visitam o menino Jesus, trazendo para eles presentes: ouro, incenso e mirra. Seus nomes eram Melquior (ou Belchior), Baltasar e Gaspar. Tais nomes também aparecem no Evangelho Apócrifo Armeno da Infância, do fim do século VI, no capítulo 5,10. O texto diz:


Um anjo do Senhor foi de pressa ao país dos persas para avisar aos reis magos e ordenar a eles de ir e adorar o menino que acabara de nascer. Estes, depois de ter caminhado durante nove meses, tendo por guia a estrela, chegaram à meta exatamente quando Maria tinha dado à luz. Precisa-se saber que, naquele tempo, o reino persiano dominava todos os reis do Oriente, por causa do seu poder e das suas vitórias. Os reis magos eram 3 irmãos: Melquior, que reinava sobre os persianos; Baltasar, que era rei dos indianos, e Gaspar, que dominava no país dos árabes.
        O que eram e de onde vieram são outros mistérios - eram Reis, mágicos (magos), porque tinham grande conhecimento da astrologia?  Sábios, Escribas? 
         Tendo sabido que o lugar era Belém, Herodes mandou-lhes pedir que informassem o lugar exato para que ele “também pudesse adorá-lo”. Guiados pela estrela, os magos chegaram a Belém, que fica a cerca de 10 quilômetros de Jerusalém. Encontrando o Menino, ofereceram-lhe, como presente, ouro, incenso e mirra. Tendo sido avisados, em sonho, para não dizer nada a Herodes, voltaram para suas terras por uma outra estrada. Tendo descoberto o engano, o rei Herodes mandou matar todas as crianças de Belém que tivessem menos de 2 anos.
          Viajaram das suas terras com o intuito de visitar o Menino Jesus e adorá-lo. Belchior veio da Europa, Gaspar da Ásia e Baltazar da África. Sabedores do intuito de Herodes regressam por lugar diferente para não terem encontros com o Rei.
          Essa história atravessou continentes e chegou até nós e como pessoas de grande valor, verdadeiros santos, respeitados e venerados. Em Natal mereceram um dia feriado e possuem uma igreja e um santuário no bairro dos Santos Reis onde todos os anos são realizadas comemorações e venerações.
         No meu tempo de rapaz fui muitas vezes aos festejos, assisti missa, confissões com Frei Damião de Bozano, visitei o Santuário com peças representando órgãos do corpo que foram sarados, depois a festa foi deturpada com jogos de azar, parque de diversões. Hoje já apresenta uma festividade religiosa. Algumas vezes a minha THEREZA foi comigo e escolhi o dia para o meu noivado (1962). Estava veraneando na Redinha e vim de lá para pedir ao velho Rosso a mão de sua filha formalmente, prometendo o casamento para o mesmo dia do ano seguinte o que não aconteceu pelo fato de ser coincidente a data com o plebiscito e eu trabalhar no TCE e transferi a data para 16 de março. THEREZA então tinha se mudado para Belém do Pará por motivo de transferência funcional de Arnaldo Jones Nelson, seu cunhado e com quem vivia toda a família e lá casamos na Igreja de Santo Antônio na Praça Batista Campos, por licença da Paróquia da Trindade.
         São lembranças, boas e saudosas lembranças. Obrigado meu Deus!

domingo, 5 de janeiro de 2020


Cartas de Cotovelo – 05/01/2020
Segunda Carta de Saudade

 Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

        Hoje retornei a Cotovelo com armas e bagagens para tentar manter os mesmos costumes e roteiros do tempo de THEREZA.
A casa ficou cheia de familiares que logo foram se acomodando e na hora do almoço comemos uma Cavala Branca feita por Rosa de Dona Helena do Bar e Restaurante Cotovelo, de velha tradição.
Após o almoço a madorna tradicional, sem a presença física dela, mas certamente a espiritual como aconteceu na noite emocional de ontem quando ela esteve em meu quarto, deu-me um beijo e vários abraços fazendo-me sentir o seu cheirinho inconfundível. Foi a primeira vez que tive essa sensação. Por isso tenho a certeza que ela está entre nós, com seu sorriso e suas orientações para a ordem da casa.
À tardinha minha neta Gabriel se ofereceu para um passei à beira-mar, pois a maré estava em baixa e havia muito espaço para uma caminhada e saí claudicante, fazendo uma foto na mesma pedra onde ela saudou o ano de 2019.
Continuamos a conviver o clima especial dos veraneios, numa rememoração dos últimos 30 anos que passamos na aprazível, calma e acolhedora praia de Cotovelo, revendo os tantos amigos que fizemos nesse espaço de tempo, mesmo com o som dos bate-estacas das festas de Pirangi.
Sem dúvidas, THEREZA continua reinando em nossos domínios.
        


quinta-feira, 2 de janeiro de 2020





Cartas de Cotovelo – 02/01/2020
Primeira Carta de Saudade
 Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

        Enfim 2020, para fazer esquecer o fatídico ano de 2019, que me levou a minha inesquecível THEREZA (Therezinha Rosso Gomes), rainha dos nossos veraneios e razão maior da nossa confraternização anual em família.
        Fui hoje a Cotovelo e verifiquei que a casa está limpa, as árvores podadas, o jardim florido, tudo providenciado por João Batista que toma conta dela em nossa ausência. Subi ao nosso quarto do primeiro andar e senti uma brisa agradável. Tudo bom, tudo bem? Em verdade a falta de THEREZA é sentida em toda intensidade.
        Será muito difícil superar a tristeza e a saudade dos nossos trinta e um veraneios. Contudo, o Criador nos compensou com a convivência dos filhos, netos e agregados. A casa continuará acolhedora, com o seu oratório em destaque na entrada da sala, agora com mais duas santas – Irmã Dulce, a Santa dos Pobres e Thereza, a conciliadora, santificada em família como Deusa-Lar.
        Desejo que a paz e a união seja a tônica deste veraneio. Percorrerei sozinho os mesmos caminhos dos nossos passeios de antes e fotografarei a natureza nos lugares onde ela mais apreciava e enfeitava as fotografias até o final do mês de janeiro do ano que passou.
        THEREZA partiu no dia 31 de março após 33 dias de internamento, mas não de sofrimento. Chegou a ver nossas camisas para a 3ª Cotovelada da PROMOVEC, que ficarão guardadas para nosso futuro reencontro.
        Daqui pra frente tudo vai ser diferente. Nas manhãs ensolaradas buscarei minha adorada companheira entre as nuvens brancas ou cor de rosa como ela deixou escrito em um dos muitos escritos por ela feitos em segredo.
        Meu Deus, Dai-me forças.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019


ELE CHEGOU.
NASCEU O SALVADOR DA HUMANIDADE
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes*

        Num ambiente de extrema simplicidade, tendo em vista que as portas não se abriram para abrigar a Sagrada Família, numa manjedoura, veio ao mundo aquele que seria a redenção da humanidade, cercado por pessoas humildes e animais. Seu nascimento é renovado a cada ano como forma de reviver aquele momento sublime e permitir a reflexão dos habitantes da terra.
        Ao reverso disso, as cidades se enfeitam com luzes e enfeites, cercadas de festas custosas para comemorar a vinda de Papai Noel, com os seus presentes, numa atitude inteiração paradoxal, com exposições de presépios apenas como ostentação de beleza.
        Nada disso, porém, tira o brilho dos cristãos verdadeiros que comemoram o renascimento do Cristo Jesus com reverência e reflexão sobre os problemas da vida e do mundo, ainda em conflito, com fome, necessidades básicas, sem terra ou lar condigno para as pessoas, fazendo mutirões para a prática da caridade, doando alimentos e brinquedos para as crianças, com o mesmo espírito de humildade do nascimento originário do Menino Deus.
        Este comentário não tem a finalidade de criticar as festas, mas sugerir que o principal motivador de tudo seja JESUS e não ídolos importados, que poderão conviver o momento, mas como coadjuvante, pois as crianças o adoram e o aguardam. É uma questão de tempo e de educação.
        Particularmente, nossa família fez a sua festinha, exatamente numa manjedoura improvisada no Recanto de THEREZA, erguido no meio do seu jardim, dando ênfase ao nascimento do Redentor, com preces e leituras apropriadas, honrando exatamente o costume familiar, que tinha em THEREZINHA ROSSO GOMES a responsável por tudo.
        Sem falsidade – para mim foi um dia de saudade, para a família também, superada com a invocação do DEUS MENINO pedindo sua intervenção para o conforto da alma da nossa pranteada e ao mesmo tempo nos confraternizando com simplicidade e verdade.
        O tempo, agora, não é o mesmo, porque a lembrança e a saudade dela estão vivos em todos nós. Mas a vontade de servir supera as agruras e continuamos com a missão de praticar a fraternidade, a solidariedade e a caridade.
FELIZ NATAL E UM ANO NOVO RENOVADO PARA O AMOR E A PRÁTICA DO BEM.
*escritor

terça-feira, 24 de dezembro de 2019


O SALVADOR VAI NASCER Hoje a humanidade, como um todo, vive a expectativa do (re)nascimento de Jesus, aquele gerado pela Graça de Deus em Maria de Nazaré, suprema mãe do Redentor. Esse acontecimento, ao longo do tempo, tem motivado os mais belos gestos de solidariedade, aproximando as pessoas e as nações. Vamos todos nos preparar para receber o menino Deus e, com seu nascimento, mudarmos os rumos das nossas vidas e das Nações buscando dias melhores para a humanidade em todos os sentidos. Faça deste Natal de Cristo o momento de reflexão para a grande mudança. FELICIDADES A TODOS. COMEMOREM COM AMOR. 
 Esses são os votos da família de Carlos Gomes, na saudade de Therezinha.