domingo, 28 de agosto de 2016


   
Luciano Capistrano

Ofereço cravos vermelhos


O ódio é insano,
Produz crematório de gente,
Lembro-me de Auschwitz
E da ascensão de Hitler
A criação dos campos de concentração
Símbolos do Holocausto e suas tristes
Noites frias, onde a ira assassina
Criou uma estrutura de matar gente
E sonhos, infelizes tempos dos
Nazifascistas.

O ódio é insano
Se transveste de moralista
Defensor da família
E joga gasolina
No pobre ser humano
Deitado no frio do asfalto urbano.

O ódio é insano
Produz jovens carecas de nomes
Skinheads
Mentes doentias trazem tatuados,
Nas suas íntimas convicções,
A tradição fascistas dos Camisas Negras.

O ódio é insano
Eu, no meu lugar, neste mundo,
Lembro a revolução de abril de 1964,
E faço como Celeste, ofereço, aos
Defensores do discurso do ódio,
Cravos vermelhos!


(Luciano Capistrano)

sábado, 27 de agosto de 2016


Ciro José Tavares adicionou 
Lembremos uma grande poeta e um poema maravilhoso.

Resultado de imagem para adelle de oliveira
IGNOTA SAUDADE
Adelle de Oliveira.

Esta grande saudade eu não sei de que veio,
E nem sei porque foi que se infiltrou em meu seio.
Numa noite de lua, eu olhava enleada,
sobre os rolos, na praia, a esquecida jangada,
que a procela, ulular, destroçara e partira,
e que um bom pescador para ali conduzira.
E cismei, vendo os paus carcomidos, lodosos,
que é das lendas gentis, que é dos sonhos radiosos,
tantas vezes ouvidos no alto mar pelo estio,
na voz doce e sutil de um pescador tardio,
quando a brisa, a soprar, toda vela enfunava?
Ia a lua subindo e eu cismava, cismava.
De repente, no espaço, um claro som magoado
fez-se ouvir e eu pensei num país encantado,
cheio de estranha luz e de estranha harmonia.
De uma flauta era a voz que eu docemente ouvia,
um soluço, um queixume agora, um trilho, agora
uma nota que ri, outra, depois, que chora.
Manso, o vento do mar, encrespando as ondinas,
e deixando, depois, exalações marinas,
ora trazia o som, ora ao longe o levava.
Ia a luz subindo e eu cismava, cismava.

Insondável mistério, o coração humano.
Tudo, tudo passou e já fez mais de um ano,
e hoje, olhando ao luar muito branco e suave,
eu senti, dentro em mim, como um canto de um’ave,
que tentasse alegrar a prisão solitária,
a saudade vibrar os solfejos de um’ária,
mas saudades de que? Do claro som magoado,
que eu ouvi e pensei num país encantado,
ou da brisa a passar, muito de leve, ungida
do acre cheiro do mar, na jangada esquecida?

Esta grande saudade eu não sei de que veio,
e nem sei porque foi que se infiltrou em meio seio.












sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A INFÂNCIA QUE EU VIVIA


No email enviado por Elvys Buriti não consta o nome do autor. Mesmo assim, vale a pena remeter. Abs. Odúlio Botelho.

A INFÂNCIA QUE EU VIVIA

Sou do tempo que menino
Dava a bênção todo dia
Botava lixo pra fora
Serviço pequeno fazia
Se mandasse ir comprar pão
Com briga ou com confusão
Dava a gota, mas ia

No tempo da minha infância
Nossa vida era normal
Nunca me foi proibido
Comer muito açúcar ou sal
Hoje tudo é diferente
Sempre alguém ensina a gente
Que comer tudo faz mal

Acordava logo cedo
Ia pra escola estudar
Comia lanche lá mesmo
Corria e ia brincar
De meio-dia voltava
Tomava banho, almoçava
No meio do mundo ia andar

Lá pras cinco, cinco e meia
Chegava todo grudento
Os pés da cor de carvão
Pescoço todo nojento
Tomava banho e comia
Novela boa assistia
E voltava pro movimento

Pro movimento da rua
Que parecia não parar
Esconde esconde, pega pega
Uma bola pra chutar
Abria o tampo do dedo
Ia pra casa com medo
Da bronca que ia levar

No outro dia ia pra escola
Devagar e manquejando
E no recreio parado
Vendo os meninos jogando
O curativo arrancava
E a dor eu disfarçava
Já tava no mei brincando

Brincadeira tinha muitas
Não faltava opção
Toca, pipa, futebol
Barra bandeira, garrafão
Virava guarda ou Doutor
Bombeiro ou professor
Com muita imaginação

Eu nunca fui impedido
De poder me divertir
E nas casas dos amigos
Eu entrava sem pedir
Não se temia a galera
E naquele tempo era
Proibido proibir

E os amigos que eu tinha
Viveram alegremente
Pois não tinha tanta droga
Marginal ou delinquente
A liberdade era demais
Porém tinha nossos pais
Pra botar prumo na gente

Afinal infância, é cabelo lavado
Na chuva que limpa a calçada
É noite de céu estrelado
Se brinca, na terra molhada
É gude correndo na lama
É a mamãe estressada

Aboli todos os medos
Apostando umas carreiras
Em carros de rolimã
Sem usar cotoveleiras
Pra correr de bicicleta
Nunca usei, feito um atleta,
Capacete e joelheiras

Entre outras brincadeiras
Brinquei de Carrinho de Mão
Estátua, Jogo da Velha
Bola de Gude e Pião
De mocinhos e Cowboys
E até de super-heróis
Que vi na televisão

Tomava banho de mar
Na estação do verão
Quando papai nos levava
Em cima de um caminhão
Não voltava bronzeado
Mas com o corpo queimado
Parecendo um camarão

A vida era bem mais mansa,
Com um pouco de insensatez.
Eu me lembro com detalhes
De tudo que a gente fez,
Por isso tenho saudade
E hoje sinto vontade
De ser criança outra vez...

Hoje em dia os meninos
Acordam de meio-dia
Vão pra escola zangado
Com cara de rebeldia
E jamais vão entender
Como era bom viver
A infância que eu vivia.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016


25 de Agosto – Dia do Soldado


O Dia do Soldado é comemorado, no Brasil, em 25 de agosto porque foi nesse dia que nasceu o patrono do exército brasileiro, Duque de Caxias.


No Brasil, aos 25 dias do mês de agosto, comemora-se o Dia do Soldado. Essa comemoração faz referência à data de nascimento de Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, nascido em 1803. O renomado oficial foi considerado o patrono do Exército Brasileiro e, pela honra desse título, o Dia do Soldado constitui-se como uma homenagem ao seu nascimento.
Luís Alves nasceu em uma fazenda da então Capitania do Rio de Janeiro. Era herdeiro de uma família da aristocracia militar portuguesa. Seu pai serviu ao exército português no Brasil, que, à época do nascimento do futuro duque, em 1803, estava na iminência de um choque contra as forças napoleônicas na Europa, o que resultaria na mudança da família real portuguesa para o Brasil. A vinda da família real para o Brasil, a elevação do país à categoria de Reino Unido e a futura independência, em 1822, transformaram a vida de Luís Alves.
Quando o Brasil tornou-se independente e adotou o modelo imperial de governo, sob a liderança de D. Pedro I, as forças militares também começaram a passar por uma transformação e associaram-se à figura do imperador brasileiro e às novas instituições criadas sob a égide da Constituição Imperial de 1824. Anos mais tarde, sobretudo no Período Regencial, quando, a partir do ano de 1838, começaram a estourar várias revoltas de teor separatista no Brasil, o Duque de Caxias já era um oficial respeitado e conseguiu uma enorme projeção por comandar exitosamente a dissipação de várias dessas revoltas.
Nesse período, especificamente no ano de 1841, Caxias recebeu seu primeiro título nobiliárquico, o de Barão de Caxias, que faz referência à cidade maranhense de Caxias, onde o exército imperial conseguiu uma de suas mais célebres vitórias. Ao longo do Segundo Reinado, Caxias teve a sua posição de nobre elevada para conde, marquês e, por fim, duque.
Além disso, Caxias foi senador do Império pelo Rio Grande do Sul, província para a qual também foi nomeado por Dom Pedro II comandante-em-chefe do Exército em operações. Nas fronteiras do Sul do país, a partir de 1852, Caxias esteve à frente das represálias contra as investidas de Argentina e Uruguai ao Brasil. Ao lado de outros comandantes célebres, como o general Osório, o Duque conseguiu grandes vitórias sobre as tropas do ditador paraguaio Solano Lopez entre os anos de 1866 e 1868, naquela que foi a maior guerra já vista na América do Sul, a Guerra do Paraguai.
Caxias faleceu em 1878 e até hoje sua memória é lembrada não apenas no Dia do Soldado, mas também em vários rituais e cerimônias do Exército Brasileiro, com o uso de uma réplica do seu espadim pelos oficiais formados na Academia Militar das Agulhas Negras.


*Créditos da imagem: Shutterstock e Georgios Kollidas


FONTE: Brasil ESCOLA

Homenagem do gestor deste Blog - CABO RESERVISTA - Turma 1959.

dia 25


Aluísio Azevedo Júnior convidou você para o evento de Quinta literária

Quinta Literária sobre o Folclore Brasileiro
Quinta, 25 de agosto às 19:00
Livraria Nobel Salgado Filho em Natal (Rio Grande do Norte)
Agosto é o mês em que se comemora o Folclore, e suas manifestações. A Quinta Literária aproveita para tratar do assunto com Daliana Cascudo e Gutenberg Costa.

CULTURA E MÚSICA


Convite 

Queridos amigos da leitura,


Cooperativa Cultural Universitária e a Escola de Música da UFRN tem o prazer em convidá-lo para celebrar a cultural. Esta semana nosso Música na Livraria terá a presença do ilustre Grupo "Quarteto Maré", acontecendo na Cooperativa Cultural, às 11hs do dia 26 de Agosto.


Quarteto Maré

 

Formado pelos músicos Filipe Félix (violino), Taidio Barbosa (violino), Diego Araújo (viola) e Júlio Paciência (violoncelo), alunos e ex-alunos de renomados professores da Escola de Música da UFRN. O grupo foi criado em janeiro de 2016 e é considerado um grupo expressivo e promissor no meio artístico da cidade do Natal e no estado do Rio Grande do Norte. O seu repertório abrange desde as grandes obras da música clássica universal até os mais variados estilos e gêneros da música como, por exemplo, Bossa Nova, Pop Rock Nacional e Internacional, Tangos e MPB em geral. 


LOCAL
Cooperativa Cultural

Centro de Convivência Djalma Marinho/Campus central UFRN
DATA E HORA
26 de Agosto de 2016 às 11h.
 

Contamos com a presença de todos para este momento de celebrar a boa música!

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

REGISTRO DA HISTÓRIA








quarta-feira, 24 de agosto de 2016


Hoje, 62 anos atrás, suicidava-se o presidente Getúlio Vargas. O Brasil ainda segue vivendo sob o signo de sua morte.


Nesta noite de 24 de agosto, há 62 anos (em 1954), suicidava-se no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, o presidente Getúlio Vargas, acossado pela República do Galeão, o inquérito que havia sido aberto pela Aeronáutica para investigar o assassinato de um major em atentado contra o político o jornalista e político Carlos Lacerda.


Na madrugada de 5 de agosto de 1954, um atentado a tiros de revólver, em frente ao edifício onde residia Carlos Lacerda, em Copacabana, no Rio de Janeiro, matou o major Rubens Florentino Vaz, da Força Aérea Brasileira (FAB), e feriu, no pé, Carlos Lacerda, jornalista e futuro deputado federal e governador da Guanabara e membro da UDN, que fazia forte oposição a Getúlio. O atentado foi atribuído a Alcino João Nascimento e seu auxiliar Climério Euribes de Almeida, membros da guarda pessoal de Getúlio, chamada pelo povo de "Guarda Negra". Esta guarda fora criada para a segurança de Getúlio Vargas, em maio de 1938, logo após um ataque de partidários do integralismo ao Palácio do Catete. Ao tomar conhecimento do atentado contra Carlos Lacerda na rua Tonelero, Getúlio disse: "Carlos Lacerda levou um tiro no pé. Eu levei dois tiros nas costas"! A crise política que se instalou foi muito grave porque, além da importância de Carlos Lacerda, a FAB, à qual o major Vaz pertencia, tinha como grande herói o brigadeiro Eduardo Gomes, da UDN, que Getúlio derrotara nas eleições de 1950. A FAB criou uma investigação paralela do crime que recebeu o apelido de "República do Galeão". No dia 8 de agosto, foi extinta a "Guarda Negra". Os jornais e as rádios davam em manchetes, todos os dias, a perseguição aos suspeitos. Alcino foi capturado no dia 13 de agosto. Climério foi finalmente capturado no dia 17 de agosto, pelo coronel da Aeronáutica Délio Jardim de Matos que, posteriormente, chegaria a ser ministro da Aeronáutica. Na caçada aos suspeitos, chegou-se a utilizar uma novidade para a época, o helicóptero. Existem várias versões para o crime. Há versões que divergem daquela que foi dada por Carlos Lacerda. O Jornal do Brasil entrevistou o pistoleiro Alcino João do Nascimento, aos 82 anos, em 2004, o qual garantiu que o primeiro tiro que atingiu o major Rubens Vaz partiu do revólver de Carlos Lacerda. Existe também um depoimento de um morador da rua Tonelero, dado à TV Record, em 24 de agosto de 2004, que garante que Carlos Lacerda não foi ferido a bala. Os documentos, laudos e exames médicos de Carlos Lacerda, no Hospital Miguel Couto, onde ele foi levado para ser medicado, simplesmente desapareceram. Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal do presidente Getúlio Vargas, chamado pelo povo simplesmente de Gregório, foi acusado de ser o mandante do atentado contra Lacerda. Gregório admitiria mais tarde perante à justiça ter sido o mandante. Em 1956, os acusados do crime foram levados a um primeiro julgamento: Gregório Fortunato foi condenado a 25 anos de prisão como mandante, pena reduzida a vinte anos por Juscelino Kubitschek e a quinze anos por João Goulart. Gregório foi assassinado em 1962, no Rio de Janeiro, dentro da penitenciária do Complexo Lemos de Brito, pelo também detento Feliciano Emiliano Damas.


Por causa do crime da rua Tonelero, Getúlio foi pressionado, pela imprensa e por militares, a renunciar ou, ao menos, licenciar-se da presidência. O Manifesto dos Generais, de 22 de agosto de 1954, pede a renúncia de Getúlio. Foi assinado por 19 generais de exército, entre eles, Castelo Branco, Juarez Távora e Henrique Lott e dizia: "Os abaixo-assinados, oficiais generais do Exército... solidarizando com o pensamento dos camaradas da Aeronáutica e da Marinha, declaram julgar, como melhor caminho para tranquilizar o povo e manter unidas as forças armadas, a renúncia do atual presidente da República, processando sua substituição de acordo com os preceitos constitucionais". Esta crise levou Getúlio Vargas ao suicídio na madrugada de 23 para 24 de agosto de 1954, logo depois de sua última reunião ministerial, na qual fora aconselhado, por ministros, a se licenciar da presidência. O Brasil vive sob o signo dessa noite desde 1954. Tudo o que aconteceu no País de lá para cá, está cravado na crise política que vinha se desenvolvendo no País e que resultou no suicídio de Getúlio Vargas. Ele era um homem que estava predestinado para se matar, porque não admitia a humilhação. Depois dele, não houve político de igual altura no Brasil. Só anões políticos, projetos de políticos. 

AUDIÊNCIA PÚBLICA - HOJE




Marjorie Madruga convidou você para o evento de O Juvenal Lamartine é nosso

AUDIÊNCIA PÚBLICA

Quarta, 24 de agosto às 18:30
Auditório da UNI-RN (antiga FARN)



Detalhes


O ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE, em parceria com o DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA e DE POLÍTICAS PÚBLICAS DA UFRN, o INSTITUTO DE ARQUITETOS DO BRASIL-IAB/RN e o UNI-RN, convidam todos os moradores desta cidade para participar da AUDIÊNCIA PÚBLICA sobre o antigo Estádio JUVENAL LAMARTINE, importante patrimônio histórico, cultural, esportivo e arquitetônico da cidade de NATAL, que pertence a toda a sociedade.
[ENTENDA A QUESTÃO]
Através de decisão judicial do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RN-TJRN, o Estádio Juvenal Lamartine foi reconhecido como patrimônio histórico, cultural, esportivo e arquitetônico da cidade de Natal, estando o Estado proibido de vendê-lo e devendo preservá-lo e conservá-lo, dando-lhe destinação que não seja contrária ou incompatível com as razões que justificaram seu tombamento. Ou seja, sua destinação não pode desviar-se do caráter esportivo e cultural. Do lazer em seu sentido mais amplo.
O Juvenal Lamartine é um BEM PÚBLICO que há anos é irregularmente ocupado pela FEDERAÇÃO NORTE RIOGRANDENSE DE FUTEBOL-FNF, que ainda hoje se recusa a desocupá-lo e devolvê-lo à coletividade, tendo obrigado o Estado a promover a desocupação judicialmente.
[O FUTURO]
O objetivo do Estado é devolver o Juvenal Lamartine à sociedade, criando um ESPAÇO PÚBLICO DE CONVIVÊNCIA E LAZER para a cidade e, principalmente para os bairros do entorno.
Assim, o Estado promoverá CONCURSO PÚBLICO NACIONAL para a escolha do Projeto de Restauração e Requalificação do Juvenal Lamartine e, para tanto, apresentará à sociedade, para discussão e recebimento de propostas e sugestões, o Termo de Referência-TR que subsidiará o EDITAL DO CONCURSO.
Este projeto será construído coletivamente e nós queremos ouvir você.
Participe da Audiência Pública e diga: O JL É NOSSO!



terça-feira, 23 de agosto de 2016


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

BRASIL, NOSSOS PARABÉNS E ORGULHO.

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ROBERTA SÁ, interpretando a imortal CARMEN MIRANDA na festa de encerramento dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.
A cantora potiguar, sempre fiel à raiz da nossa música popular brasileira, foi um ponto marcante da magnífica solenidade, que terminou inteiramente carioca/brasileira, com SAMBA, até a apoteose do apagar da pira olímpica, de forma original, como soe acontecer com a criatividade da inteligência dos que fazem este País.
PARABÉNS AOS MEDALHISTAS E NÃO MEDALHISTAS, todos irmanados em confraternização universal.
Rogo a DEUS que essa demonstração de vigor e superação de crises possa servir para, também, a recuperação financeira, social e política do nosso AMADO BRASIL.

60 ANOS DA SEDE ATUAL DA CASA DOS ESTUDANTES

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CASA DO ESTUDANTE DO RIO GRANDE DO NORTE
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, escritor *

           A fundação da Casa do Estudante no RN
            No Estado do Rio Grande do Norte, a classe estudantil se estruturou a partir do “Comitê da Juventude Potiguar”, organismo vinculado à Comissão Executiva do Partido Social Democrático que, em sua sede no Edifício Bila, sala 204, no tradicional bairro da Ribeira, em reunião preliminar realizada no dia 7 de outubro de 1945, com a presença do estudante Wellington Xavier Bezerra, jornalista Romildo Fernandes Gurgel, do advogado Joanilo de Paula Rego e Antônio Barbalho, membro do Ministério Público do Estado discutiu-se o assunto, se somando a um contingente de jovens idealistas que, de imediato, buscavam do novo governo um compromisso para abrigar os estudantes pobres vindos do interior, conforme ficou registrado na ata da referida reunião.
            Contudo, a efetiva fundação da Casa somente ocorreu em 02 de junho de 1946, com a presença de sete estudantes: Wellington Xavier Bezerra, Erildo L’ Erestre Monteiro, designado ad hoc para secretário da sessão, Djalma Nunes Fernandes, Dary de Assis Dantas, Pedro Diógenes Fernandes, José Maria de Souza Luz e Pedro Xavier de Carvalho.
No dia 30 de junho do mesmo ano foi aprovado o primeiro Estatuto, já com o nome de Casa do Estudante do Rio Grande do Norte e sigla C.E.R.G.N.,  levado ao registro em Cartório, que corresponde ao 2º Ofício de Notas, sendo publicado. Em até 14 de abril de 1957, foi aprovado um novo, revisado, do qual não localizamos nenhuma averbação ou novo registro. Assim o Estatuto Oficial estipulou seis categorias de sócios: fundadores, beneméritos, honorários, efetivos, beneficiados e contribuintes (artigo 29).
            A primeira Diretoria escolhida foi composta pelos estudantes Wellington Xavier Bezerra, sucessivamente reeleito por 10 anos; Dary de Assis Dantas, Diretor de Assistência à Secretaria; Erildo L’Erestre, Diretor de Cultura e Publicidade; Djalma Nunes Fernandes, Diretor de Expediente; José Maria de Souza Luz, Diretor de Contabilidade; Pedro Xavier de Carvalho, Diretor da Biblioteca e Pedro Diógenes Fernandes, Diretor Cooperativista. Eram secundaristas, quase todos oriundos do tradicional Atheneu.
            
 Primeira sede
            À esse tempo o Estado do Rio Grande do Norte mantinha um contrato de locação do prédio da Rua Seridó, 455, pertencente à Senhora Francisca Dantas, viúva do Dr. Manoel Dantas, onde mantinha menores pobres em forma de abrigo com a denominação de Abrigo Melo Matos. Terminado o contrato em 10 de setembro de 1946 o Estado não o renovou, transferindo o referido abrigo para outro prédio na Av. Hermes da Fonseca, próximo ao estádio Juvenal Lamartine, oportunidade em que os estudantes se aproveitaram para tentar ficar no prédio, como sua primeira sede, mediante locação. 

A segunda e atual sede. Da ocupação na “marra” à doação legal
Em dado momento o crescimento da Casa passou a ampliar problemas de acomodação e a ideia de se buscar outro local mais amplo. Foi nesse período que a Polícia Militar desocupou o velho prédio da Rua (Praça) Coronel Lins Caldas e os estudantes foram pleitear do Governo a sua cessão, recebendo inicialmente a negativa do então Governador Sílvio Piza Pedroza, que já havia prometido o prédio para abrigar menores infratores, a pedido do Padre Eugenio Sales. Mesmo assim, os estudantes fizeram passeatas e alguns decidiram invadir o prédio “na marra”, fretando caminhões para levarem os seus pertences no dia 22/8/1956, havendo uma divisão entre os seus moradores, pois os fundadores se recusavam à invasão, mas outro grupo entrou em ação quebrando cadeados e se acomodando como fosse possível, dado que o prédio se encontrava em estado precaríssimo.
No outro dia, pelas 6 da manhã, comparece ao prédio o Coronel Luciano Veras para retirar os estudantes, cerca de 150, mas foi advertido que isso só ocorreria com violência e essa atitude iria desgastar o governo que, diante do fato consumado, aceitou a ocupação. Sabendo disso o Coronel recuou e até ofereceu carpinteiros da Polícia Militar para os serviços emergenciais na parte da cobertura do prédio.
Para evitar confronto foi então proposta a divisão do antigo quartel com a Igreja, mas sem concordância do governo. Contudo, face à situação já estabelecida, o Governador foi obrigado a mandar passar um muro dividindo espaços da moradia dos estudantes invasores com os menores do Abrigo Estevam Machado, apoiados pela Igreja, situação que nunca chegou a ser cômoda para nenhuma das partes, ocorrendo conflitos quando os menores pulavam o muro e retiravam pertences dos estudantes.
Nesse ínterim os estudantes procuram os Deputados Estaduais Patrício Neto, Israel Nunes, Joscelin Villar, Álvaro Mota e Manoel Torres, pedindo apoio e entregando uma minuta de projeto de lei que, após aperfeiçoado, foi submetido ao Plenário que a transformou em lei doando o prédio para a Casa do Estudante, que então contava com muitos oestanos (uns 50) e seridoenses (38), além de outros de regiões distintas.
Com isso o número de moradores chegou a mais de 300, exigindo uma reforma para ampliar as acomodações, que teve início mediante mutirão dos próprios moradores, com material conseguido na praça e a colaboração de pessoas para as tarefas necessárias e que requeriam mais habilidade, inclusive providenciaram a colocação de energia elétrica, obrigando o governador a também participar da apressada reforma. Em razão da existência de alguns pouco alfabetizados, o residente Otávio Pereira de Mello, “Pretinha”, assumiu o compromisso de ensinar aos mais carentes de saber para que pudessem obter o direito de inscrição em algum curso regular e assim cumprir o estatuto como residente da Casa.
         A mudança para a sua sede definitiva, prédio histórico do antigo quartel do Batalhão de Segurança do Estado (Polícia Militar), na Rua (Praça) Coronel Lins Caldas nº 678, ficou consolidada e persiste até os dias presentes, tendo acontecido no período de gestão do Governador Sílvio Pedroza, a partir de 22 de agosto de 1956.
        Infelizmente, mercê do esquecimento do poder público, o prédio está deteriorado e as determinações legais para a sua recuperação não vem merecendo atenção.
      O Ministério Público Estadual celebrou um TAC para o funcionamento da CERGN, que não vem sendo cumprido, inclusive com grandes problemas de direção da entidade, regida sem eleições regulares, com o cometimento de abusos que carecem de urgente verificação das autoridades, para que não deixem perecer uma instituição que abriga estudantes carentes, verdadeiras sementes para a grandeza do amanhã do nosso Estado.
        De qualquer forma, PARABÉNS À CASA DO ESTUDANTE DO RIO GRANDE DO NORTE, nos 60 anos de instalação do histórico quartel da Polícia Militar do Estado, cenário da luta armada nos idos de 1935 quando da Insurreição Comunista em Natal.

________________
* da ANRL, ALEJURN, AML, UBE-RN, IHGRN, INRG, MHV(OAB-RN).



     


22 de agosto — Dia do Folclore

Datas Comemorativas

O Dia do Folclore está relacionado com a criação do termo “Folklore” pelo inglês Willian John Thoms, grande pesquisador de tradições populares.
O Dia do Folclore é celebrado internacionalmente (incluindo no Brasil) no dia 22 de agosto. Isso porque nessa mesma data, no ano de 1846, a palavra “folklore” (em inglês) foi inventada. O autor do termo foi o arqueólogo inglês William John Thoms, que fez a junção de “folk” (povo, popular) com “lore” (cultura, saber) para definir os fenômenos culturais típicos das culturas populares tradicionais de cada nação.
Sabemos que o folclore, ou cultura popular, tem despertado grande interesse de pesquisadores de todo o mundo desde o século XIX. É fundamental para um país conhecer as raízes de suas tradições populares e cotejá-las com as de caráter erudito. Os grandes folcloristas encarregam-se de registrar contos, lendas, anedotas, músicas, danças, vestuários, comidas típicas e tudo o mais que define a cultura popular.
Muitos escritores extraem do folclore a base de sua obra. É o caso, no Brasil, do paraibano Ariano Suassuna. Entre os folcloristas brasileiros, os mais notáveis são 

                 
Mário de Andrade e Câmara Cascudo. Desse último partiu a confecção do grande Dicionário do Folclore Brasileiro, obra monumental que mantém viva a cultura popular das várias regiões do Brasil.
No Brasil, o Dia do Folclore foi oficializado em 17 de agosto de 1965 por meio do Decreto nº 56.747, assinado pelo então presidente Humberto de Alencar Castelo Branco e por seu Ministro da Educação, Flávio Suplicy de Lacerda. No texto do decreto há referência direta a William John Thoms e ao seu pioneirismo na pesquisa das culturas populares. Restrito a três artigos, o conteúdo do decreto determina o ensino do folclore como sendo de importância fundamental para a cultura do país, como pode ser visto abaixo:
Art. 1º Será celebrado anualmente, a 22 de agosto, em todo o território nacional, o Dia do Folclore.
Art. 2º A Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro do Ministério da Educação e Cultura e a Comissão Nacional do Folclore do Instituto Brasileiro da Educação, Ciência e Cultura e respectivas entidades estaduais deverão comemorar o Dia do Folclore e associarem-se a promoções de iniciativa oficial ou privada, estimulando ainda, nos estabelecimentos de curso primário, médio e superior, as celebrações que realcem a importância do folclore na formação cultural do país.
Art. 3º Revogam-se as disposições em contrário.
Brasília, 17 de agôsto de 1965; 144º da Independência e 77º da República.
O ensino do folclore ainda segue sendo preservado, apesar de o contato com as tradições mais antigas, em quase todos os países ocidentais, ser paulatinamente diluído.

Por Me. Cláudio Fernandes
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FONTE: BRASIL-ESCOLA

domingo, 21 de agosto de 2016


UM LIVRO INTERESSANTE
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes*
Neste último sábado, chuvoso, adquiri o livro “Às Armas Camaradas”, do autor potiguar-pernambucano Natanael Sarmento, editado pela Sarau das Letras.
O interesse pelo assunto me fez consumi-lo em uma única tirada, fazendo intervalos estratégicos entre as notícias das Olimpíadas do Rio de Janeiro, incluindo a tarde-noite esplendorosa da vitória do futebol brasileiros sobre o alemão.
Como é do meu costume, fiz anotações essenciais, daí a razão de não querer livros emprestados, pois não me domino para rabiscar as observações no próprio texto impresso, sinal da minha atenção e interesse pela obra.
Em particular, renovei a passagem que envolve o meu avô Xavier Miranda, aquele que abrigou o Governador em sua casa da Av. Duque de Caxias, quando ao começar o tiroteio, fez-se a retirada estratégica das autoridades do Teatro Carlos Gomes, onde estava ocorrendo uma solenidade, como também da citação da Rua São Tomé, por onde se deu início a ação beligerante do movimento, que me abrigou tantas vezes nos bate-papos com os amigos daquela localidade.
O livro, bem detalhado e organizado na sequência cronológica dos fatos, revela nomes, estatísticas, mas não se liberta da inclinação nítida para a esquerda, mercê da vivência com antigos Camaradas da Revolução Proletária, fazendo, também, reflexões sobre momentos contemporâneos.
Ao dizer isso não estou a discriminar a obra, apenas levando pequenas lembranças para o seu aperfeiçoamento no caminho da Justiça. Por exemplo:
a)   Bate forte na figura de João Medeiros Filho, de ideologia contrária ao esquerdismo, postura que merece respeito, pois Jesus foi sacrificado a mando dos seus próprios conterrâneos – uma questão de sentimento e interpretação dos fatos sócios-políticos da época. O velho causídico foi um grande tribuno, um advogado de primeira linha e um intelectual respeitado, atributos não revelados. Sobre a “criação” do mito do soldado Luiz Gonzaga, considerado uma fraude pelo autor, entendo pertinente que a nossa briosa Polícia Militar desenvolva uma pesquisa a respeito, para a elucidação final do episódio;
b)   Dinarte de Medeiros Mariz, igualmente de ideologia de direita, mas um cidadão que deu incontestável cobertura aos perseguidos do Golpe de 1964, possibilitando as suas sobrevivências financeiras e recomendações favoráveis para influenciar os seus julgamentos naquela ordem de exceção, atitude reconhecida pelos perseguidos em depoimentos gravados na OAB/RN quando na minha gestão realizei a fundação do “Comitê em Defesa da Vida”, mas ignorados na obra;
c)   Houve um esquecimento de dar relevância a dois causídicos que fizeram a defesa de grande número de presos, apesar de não professarem o credo vermelho – Djalma Aranha Marinho e Raimundo Nonato Fernandes;
d)   Apesar de narrar os fatos dos que enriqueceram com dinheiro do Banco do Brasil jogados em seus quintais, não se fez o esforço de pesquisar os seus nomes;
e)   Senti a falta do registro da ação do nosso querido Aldo Tinôco, figura emblemática da nossa terra, que ainda permanece entre os viventes, Graças a Deus.
Respeito a diretriz do trabalho, pois cada escritor tem a sua visão dos acontecimentos e este livro, em particular, acrescenta, e muito, à história da Insurreição Comunista de 1935.
Recomendo a sua leitura. História é isso mesmo, sempre inconclusa e por tal razão encantadora!
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*escritor da ANRL, AML, ALEJURN, UBE-RN, IHGRN, INRG, MHV(OAB-RN).

sábado, 20 de agosto de 2016

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

HOMENAGEM



Em homenagem a FRANKLIN JORGE, transcrevo artigo que publiquei neste blog em 30 de Maio de 2007 para que não se esqueçam desse extraordinário escritor da terra dos canaviais.

SOBRE O SANTO OFICIO

[Por Carlos Roberto de Miranda Gomes*]

No ensejo em que Franklin Jorge comemora o seu blog O Santo Ofício, tenho a alegria de oferecer o meu modesto comentário ao fato.
O estimado escritor responsável pelo documento virtual conseguiu inovar a divulgação da cultura com a maior dignidade, fugindo do trivial das notícias sociais ou enfoques particulares ou corporativos, para ofertar uma dimensão da realidade política e cultural da terra potiguar.
Através desse blog desfilam os mais festejados autores da literatura universal e, com maior intensidade, os escritores pátrios, que nos permite uma leitura de excelentes trabalhos, cujo volume já publicado virtualmente, comporta uma coletânea impressa.
Parabéns pela coragem de tentar fazer cultura neste palco de tantos preconceitos e apologia do supérfluo.
A divisão temática do blog nos leva e enleva para uma altitude de extremo sentimento com o enaltecer de pessoas notáveis e fatos que fizeram história.
Para exemplificar o que estou a dizer, resolvi destacar o caderno ‘séries’, com sua localização territorial sob títulos sugestivos como: O ouro de Mossoró; O céu de Ceará-Mirim; O spleen de Natal; Abaixo do Equador; O ouro de Goiás; Assu, Mitologia e Vivências e Histórias Brejeiras, todos da autoria do editor do blog.
Em cada um deles é possível conhecer figuras interessantes como a foliona Cristina dos Pimpões, a leitora desordenada D. Zélia; o viageiro Rogério Queiroz; o estoicismo de D. Cícera Nogueira; a escritora Zenaide Almeida ou da simplicidade da rezadeira D.Maria Etelvina, todos da terra de Santa Luzia.
Na planície dos canaviais a lembrança da poetisa Adele de Oliveira, mestra de Nilo Pereira e Edgar Barbosa e tantos outros bem desenhados na série O spleen de Natal, como a cidade mítica de Natal e a Ribeira profunda cantadas por Navarro; recordos de Palmira, José Maria Guilherme, do português Olívio Domingues.
Nas narrativas da geografia física e humana ‘Abaixo do Equador’, existem registros do cotidiano feitos com graça e emoção, resultado das andanças pelo outro lado da linha do Equador, com passagens por Belém, o continente Amazônico, o extremo norte – Xapuri, Seringal, Rio Branco, a zoologia do Acre, o Padre José, vigário de Xapuri, o Bosque dos Buritis passeando com Carmo Bernardes, memorialista sagaz.
Um aspecto realmente singular se inclina para a singeleza da forma de dizer de Franklin ao retratar pessoas e lugares, quando descreve:
“O verso de José Décio Filho dança entre os monumentos da velha cidade enclausurada no tempo. Repercute, deliciosamente, em nossa sensibilidade imantada de pulsação telúrica: ‘Goiás...Que nome largo, longe’. Doutora Amália o recorda freqüentando a Pensão Manduca e fazendo parte da rapaziada do Largo do Moreira, na Cidade de Goiás, onde morreria voluntariamente, aos 58 anos, em plena maturidade. José Décio era moreno, esguio, de olhos penetrantes e cabelo negro com topete, quando, em 1946, escreveu o Poema dos homens amargos, que sua amiga lê para mim, em sua casa de Goiânia, à sombra de árvores seculares –


O melhor é não rir atoa

a-fim-de se parecer feliz.
O melhor é não se importar
que os outros nos achem tristes ou alegres.
É certo que teremos de rir
não só dos nossos próprios ridículos
como dos aleijões alheios.
Um riso duro, impiedoso,
Quase um arremedo de choro
que enegrece o coração cansado...


Lá para as tantas, ainda Franklin completa:
‘Pouco sei sobre o poeta, exceto que morreu em 1976, amou a sua terra e agora é ele próprio um nome que vem de muito longe, para acompanhar-me neste passeio pela cidade sagrada dos goianos, onde viveu a mocidade e escreveu seus primeiros versos cheios de sortilégios verbais. Caminho pelas ruas da velha cidade de Goiás repetindo como quem reza o verso emblemático e misterioso que o vento toma de minha boca e o leva aos confins da terra azul, percutindo-o na minha nostalgia do paraíso perdido da infância.’
Numa passagem por Assu, visita Renato Caldas e esse encontro está narrado com a verve e autenticidade do entrevistado:
‘Você é o primeiro jornalista a entrevistar-me, afirma Renato Caldas, abanando-se com um jornal velho dobrado duas vezes. Sem camisa, o tórax muito branco e pingando suor, sentado diante de mim. Porém, nessa idade, já não tenho memória nem vontade de lembrar-me do passado. Depois de tanta vida vivida e decepções, o melhor, mesmo, seria esquecer tudo... Tudo...
O passado é uma carga pesadíssima. E temos que carregá-lo, ainda assim, com os nossos achaques... Eu ia fazer a sesta, sagrada depois do almoço, quando senti a urgência de falar-lhe. Do bar para casa, vinha pensando em suas palavras e no seu empenho para resgatar a memória do Assu e dar vida aos mortos... Pensei que não seria justo privá-lo disso... ‘

Sem programar, Franklin descobre fatos importantes da nossa província, quando retrata O velho da Redinha, no caderno Histórias Brejeiras, que descreve o lugarejo da antiga Natal, lugar preferido pelos veranistas, numa época em que o transporte era de barco e a luz era de lamparinas, vejamos:

Seu nome era Raimundo, que pensa não ter mais família no mundo - o impaludismo reduzira a população do município. Bah, naquele tempo morreu gente como bêia... E continua:

‘Quando cheguei aqui o transporte era o bote. Cada passageiro que ia ou vinha de Natal, pagava quinhentos réis pela viagem. Depois, Luiz Romão botou uma lancha para fazer a linha, cobrando deztões da passagem. A primeira lancha, chamada Carminha, não levava mais de dez pessoas. Pertencia a Vital Correia, um homem rico do Ceará-Mirim. Com a chegada dessas lanchas, os botes foram caindo em desuso e desaparecendo. O embarque e o desembarque eram feitos no trapiche, construído em madeira. A Redinha tinha boteiros famosos, com o Manoel Pedro e Manoel de Paula, proprietários do São Paulo; Joaquim de Dona, que explorava os botes Campo Grande e Sergipe. Toda essa gente, tão considerada em sua época, está morta e enterrada há muito tempo.’
Esse relato levou-me à minha infância/adolescência, pois na Redinha passei, pelo menos, quinze veraneios (1948 a 1962). Ali encontrei já um motor a diesel que funcionava até às 9 horas da noite, depois era o ‘breu’, mas fiquei conhecendo bem a geografia do lugar e aprendi a andar entre as suas pedras, apenas com o medo do ‘fogo fátuo’. Lembrei-me do meu irmão Fernando, cantando a música de sua autoria –


Redinha, praia linda e sem igual,

poema lírico e imortal, 
onde nasceu nosso amor. 
Redinha em teus recantos lindos
lembra-me o tempo de menino colhendo búzios de multicor. 
Redinha de casa de taipa e bangalô, 
onde não há escravo nem Sinhô
– todos ali são iguais. 
Redinha volta de novo ao teu seio
para eu viver sem receio aqueles tempos ideais.


As histórias contadas no Redinha Clube sobre a construção da igrejinha pelo Sr. Barroca, do furto da Santa, da nova igreja de pedras feita pelos veranistas. As travessias em dia de jogos no barco de “Ferrinho” suportando as brigas dos torcedores rivais do ABC e América, com destaque para Seu Maranhão e o risco do bote virar. O Rio Doce explorado de bicicleta.
Outra entrevista pungente é sobre Dona Cícera – a Nossa Senhora dos Pobres, nascida e criada em São José, bairro de gente humilde e trabalhadora, uma mulher ocupada com o povo na condição de missionária do bem, movida apenas pelo desejo de consolar os aflitos e servir a quem precisa. Todos os dias ela está na casa do povo e o povo está na sua casa. Por isso, embora pobre de bens materiais, sente-se rica da graça de Deus. Sobre ela narra Franklin:

‘De compleição frágil, pouco mais de um metro e meio de altura, Dona Cícera está sempre em grande atividade, indo e vindo pelas ruas da cidade, socorrendo, ouvindo, orientando, resolvendo os problemas dos outros, dispensando a todos, indiscriminadamente, esperança, sem regateios nem falsas promessas. Ela não está jogando palavras fora quando diz que vive ocupada com o povo, isto é, com os sofridos e os desesperados que batem à sua porta, como náufragos em busca de uma bóia salva-vida -- que pode ser uma simples palavra de conforto e encorajamento --, de um toque, pois sempre alguma coisa acontece quando, literal ou metaforicamente, tocamos alguém.’ 

Fico por aqui para não tirar o gosto pela leitura integral do texto publicado no blog.

Já me alonguei e vou terminar com o Navarro Andando, onde Franklin desnuda o nosso imortal pintor/boêmio:
‘Beira-Rio não é boteco somente, explica Navarro entre garrafas cantantes, num chão escuro da Ribeira, de pedra, entre os começos da cidade e a margem esquerda do rio. Pátria dos apátridas, diria noutra parte do seu poema, composto da prosa de embarcadiços, de mulheres-damas e de boêmios, derradeiros boêmios que descem nas correntezas noturnas da Rua Chile. Reino de Francisquinha, Dona Francisquinha, proprietária de sete bordéis, uma das deusas tutelares da Ribeira, bairro por excelência comercial, devasso e cosmopolita.
Navarro caminha. Sente o chão da Ribeira sob os pés, ao caminhar de sentidos alertas, entregue à magia da música de Caetano, nesse momento tocando em todas as rádios da cidade. Um hit de época quer ver Irene dar sua risada. Todos querem ir para alguma utopia. Navarro haveria de querer também rir com Caetano, que aparece de repente, sem lenço nem documento, eletrizando com a sua música.
Na pedra do cais, o porto, a enseada, o mirante, o abrigo, a hospedaria e, correndo para o mar, o rio, o velho rio Potengi que já existia antes do surgimento de la Ciudad de los Reyes. O rio fala-lhe pela bocarra úmida de suas gamboas.’
Concluindo, diz Franklin:
‘A velha Ribeira já se embuça de sombras. O deserto é geral. Gatos e cães vadios se ajuntam no Beira-Rio, onde Navarro escreve uma prosa viril feita de sol e salsugem. Com a nitidez cortante de um desenho aquarelado de sombras e de luz.’
É uma crônica de vida que todos devem ler no original, retratando esse nosso mito, amado por Cascudo e por onde toda a cidade encontra a sua presença.
Ainda que exaustivas de transcrições termino estas linhas com Franklin Jorge:
‘Newton Navarro (1928/1991) pertenceu muito à nossa época para que possamos ter a seu respeito opiniões estritamente artísticas. Enfant terrible da segunda geração do modernismo potiguar, foi um ser múltiplo e forjou ao longo de três décadas o misterioso e fascinante personagem que nos legou e contribuiu algumas vezes para eclipsar o seu próprio criador.’
*Da Academia de Letras Jurídicas e do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Texto de abertura do blogue


O SANTO OFICIO
[Mossoró, 24 de Março de 2007]

[Por Franklin Jorge]

Começo neste dia a escrever o meu blogue, inspirando-me na recordação de uma ligação da poetisa Zila Mamede, que numa tarde já remota, leu para mim, ao telefone, versos e fragmentos de escritos jornalísticos daquele que me disse ter sido o seu mestre, o poeta, crítico e jornalista Antonio Pinto de Medeiros, signatário da coluna “O Santo Ofício”, uma espécie de tribunal literário instalado em Natal, por muito tempo, em permanente e aterradora atividade. Poucos conseguiram escapar de suas sentenças irrecorríveis, o que o malquistou com metade da população de literatos da cidade e lhe granjeou a admiração e o respeito da outra metade, que vibrava ao desfrutar com a agonia dos confrades ardendo na fogueira de seus escritos.
Foi Antonio Pinto um leitor mau humorado e cheio de verve. Exigentíssimo, sua amizade não servia de salvo-conduto para nenhum escritor que botasse livro na praça. Porém, homem inteligente que era, chamou para perto de si os melhores talentos da época, formando uma espécie de movimento literário, animado só pelos bons e excelentes.
Amparado em ampla e variada cultura, contribuiu para a elevação do nível da nossa produção literária, atraindo para si a animosidade da província dorminhoquenta que se abalou com a pertinência de sua crítica apta a distinguir o trigo do joio. Eleito para a Academia Norte-rio-grandense de Letras, foi tomar posse de alpercatas, contrariando assim a norma acadêmica feita de exterioridades e ouropéis.
Tornou-se, por seu modo de ser, uma lenda urbana ainda em vida. Uma lenda que teima em persistir na memória de uns poucos. Sua mudança para o Rio de Janeiro, onde continuou atuando no jornalismo, foi recebida com alívio pela maioria dos nossos literatos, especialmente por aqueles que em algum momento de sua militância foram alvos de seus dardos envenenados.
Grande incentivador dos novos,invectivou especialmente os medalhões e a cultura oficial, embora escrevendo em um jornal que era a própria voz do oficialismo. Poeta, escreveu um verso longo, schmidtiano, moroso e convencional, completamente avesso à velocidade de sua crítica de leitor bem informado e infenso à promiscuidade do elogio gratuito e recíproco. Para ele, era o mérito que contava e dava as ordens. Deu-nos, porém, um belo título - “Rio dos Ventos” - e exerceu, através do jornalismo cultural, grande influência sobre os jovens intelectuais e artistas, inclusive os da palavra, como a própria Zila, Myriam Coeli, Dorian Gray, Newton Navarro, Luis Carlos Guimarães, Berilo Wanderley, a quem sucedi na “Tribuna do Norte”, ao escrever já numa outra época e em um outro estilo, a crônica cultural da cidade do Natal.
Era Antonio Pinto de Medeiros cheio de idiossincrasias, mas forneceu através do exercício da crítica da cultura o combustível necessário à efervescência intelectual e estética de uma cidade com vocação para o cosmopolitismo. Fez-se, portanto, o mestre de alguns jovens ávidos de experiências e de novidades. Pode-se dizer dele que alargou e iluminou o caminho dos novos, orientando-os e prescrevendo-lhes, de uma forma aparentemente ditatorial, uma dieta estética antenada com o melhor da produção literária off Natal. Esta, a meu ver, a sua grande obra, numa terra em que todos são reis ou carregam reis na barriga.
Sempre os mais velhos que o conheceram de perto,como o escritor Nilson Patriota, presidente do Conselho Estadual de Cultura, têm procurado associar-me, como escritor e jornalista, ao criador do “Santo Ofício”. Creio, porém, que há um pouco de exagero e bajulação nisso, como ocorre às vezes nas relações entre velhos e novos. Afinal, só temos em comum o gosto pela crítica e a prática do jornalismo. Nessa noite já remota do telefonema de Zila, evocada aqui por causa da expropriação do título da famosa coluna criada em “A República” por Antonio Pinto de Medeiros, disse-me a Autora de "Navegos", ao concluir ao telefone a leitura de uma página do autor de “Um Poeta à toa”, que eu lhe parecera sempre, ao escrever, a reencarnação do seu querido e inesquecível mestre e amigo, talvez mais pela ousadia de dizer do que pela forma. Á memória de mestre e discípula dedico estas linhas de estréia.

Franklin Jorge
PÁGINAS DE UM ÁLBUM
[Da Redação]
O escritor Franklin Jorge em 1978, fotografado por Ivanizio Ramos, seu colega de redação da Tribuna do Norte.Muito querido por seus companheiros de jornal, posou para mais de 5.000 fotos, numa época em que as máquinas não era digitais e os repórteres-fotográficos recebiam uma cota diária de filmes para documentar os fatos.Sempre sobravam filmes virgens.
Frequentemente essas sobras eram aproveitadas em registros extra-jornalísticos que fixavam companheiros de trabalho ou cenas que no decorrer da jornada chamaram a atenção do repórter-fotográfico. Franklin tornou-se, assim, o modelo predileto de vários fotógrafos com os quais fazia duplas.
Talvez seja pertinente registrar também que foi mais ou menos nesse período de sete anos em que Franklin trabalhou "no jornal dos Alves", que o jovem repórter ganhou, do escritor Luis da Câmara Cascudo, o apelido de "Caetano", em alusão ao cantor baiano.
.Abaixo, o jovem escritor norte-riograqndense fotografado por Ivanizio Ramos usando um amuleto presenteado pela escritora Zélia Gattai para dar-lhe sorte e atrair bons fluidos. Arquivo do Instituto Franklin Jorge [em organização]