segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019


O SONHO ACABOU – Berilo de Castro



O SONHO  ACABOU
Se não bastassem os acidentes previstos e aguardados da  Mineradora VALE, em Mariana e Brumadinho/MG, com centenas de mortes, centenas de desaparecidos, centenas de desabrigados e desamparados, estamos, mais uma vez, diante de uma nova atrocidade.
Agora, a bola da vez foi o Clube de Regadas Flamengo/RJ, possuidor de uma verdadeira mina de ouro na formação de futuros e milionários craques. São esses pobres (na sua maioria) meninos que, além de darem a sustentação técnica e a grandeza que é o Flamengo, são joias a serem lapidadas que logo, logo, serão negociadas por fortunas para os times milionários da Europa; exemplo recentemente ocorrido com os jovens e brilhantes jogadores Vinícius Jr., Lucas Paquetá e Felipe Vizeu, todos crias do Ninho do Urubu.
Na contramão de toda essa situação invejável que possui o Clube de Regatas Flamengo, esses garotos são armazenados e confinados em contêineres sem nenhuma segurança, sem alvará de funcionamento da Prefeitura do Rio de Janeiro, sem alvará do Corpo de Bombeiros; ao Deus-dará.
O Brasil e o mundo esportivo emudeceram e choram a morte desses meninos pobres, ricos sonhadores.
Não adianta desculpas esfarrapadas e amarelas. Novamente estamos naquela de: “vamos esperar que aconteça, para pensar em resolver”. É o que estamos vivenciando de uma forma corriqueira em nosso país. Não dá mais para conviver com tantas catástrofes fabricadas. Chega de tantas mortes e de nenhuma fiscalização e  punição.
Ficam as perdas. A  tristeza faz morada e o luto machuca;  vão-se os sonhos. As famílias, destruídas e esmagadas pela dor e pela ausência, pedem e rogam clemência. Até quando?
O sonho acabou!

Berilo de Castro  Médico e Escritor –  berilodecastro@hotmail.com.br
As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores

AINDA FORTE A DOR DA SAUDADE



domingo, 10 de fevereiro de 2019

CUSTEI A ACREDITAR



UMA MANHÃ DE SOL EM NATAL

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, escritor

           No sábado passado, dia 9, em meu passeio regular pelas ruas da cidade alta, com Thereza e Rosa, agora agregada Gabriela, ainda que bastante quente aquela manhã, tive momentos verdadeiramente de alegria e profunda saudade de Natal da minha juventude.
        
         Após o nosso tradicional lanche, saímos sem destino pelas calçadas, assimilando o calor humano da população ordeira de Natal, cumprimentando os amigos e vendo as novidades do comércio.

             Passando pelo outrora Café São Luiz, alguma coisa doeu no coração, quando então cruzamos com um senhor desconhecido - (ele devia saber quem eu era) - que informou: hoje é dia do clube do chorinho, atrás da velha catedral.

 

            Rosa já havia solicitado passar pelo Beco da Lama para ver os desenhos dos grafiteiros e lá nos encantamos com tantos belos trabalhos, pintados só por amor e lá tiramos algumas fotografias. Coincidentemente na caminhada encontramos o nosso Prefeito Álvaro Dias, que certamente fiscalizava as coisas da cidade - foi um encontro alvissareiro.
         
         Cumprida essa parte, fomos até o local do chorinho e, já de longe, o som nos atraiu alegremente. Ali fiquei a vontade, pois é o meu habitat  - o anexo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, ao qual compareço quase todos os dias da semana.

           Ao chegar entrei logo no clima dos maravilhosos chorinhos tocados por uma plêiade de grandes instrumentistas, sob o comando firme e competente do nosso grande flautista, cantor e compositor Carlos Zens.


 




          A sombra da grande árvore que ali é conservada e uma brisa maravilhosa, que fazia a recuperação das forças dos caminhantes, ouvimos atentos alguns números executados por voluntários que ali prestigiam os encontros de pura música autenticamente brasileira.

        Saí dali com uma leveza de um jovem no início da maturidade e pensei comigo mesmo - será mesmo isso que está acontecendo em Natal? Ah! O Prefeito também passou por lá.

        Vamos institucionalizar esses encontros e fazer Natal voltar aos tempos ideais, dos encontros nas calçadas, da confraternização com amigos e conhecimento com novos.

       Senhor Prefeito, vamos prestigiar esse presente ao povo daqui e aos visitantes turistas. Isso é realmente uma ideia que merece todo o apoio e que lava a alma dos trabalhadores depois de uma semana de trabalho.
  
             A cidade volta a viver os velhos e bons tempos dos pardais nos verdes dos quintais.







quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019


FINANÇAS PÚBLICAS
Carlos Roberto de Miranda Gomes, advogado
            Nos meus quase 80 anos de existência, dispensado de encargos obrigatórios, dei-me a passear pelos jornais, noticiários, leitura de livros que o tempo não permitia fazer tão constantemente nos dias de atividade profissional.
            Nesse devaneio delicioso tenho a oportunidade de encontrar coisas que me encantam e conduzem a tempos pretéritos, tanto de assuntos amenos quanto daqueles mais importantes para o desempenho da vida.
            Refiro-me, por simples exemplo, às crônicas diárias do nosso Vicente Serejo no jornal AGORA, que hoje foi demais ao confessar a sua atração por Diana Palmer, a companheira do Fantasma, de quem, com menor fervor, também me tirou algumas noites de sono. Igualmente quando os assuntos são mais severos, como o alvissareiro artigo de Ricart César Coelho dos Santos, Procurador de Contas (TN), como foi a minha dedicação num passado recente.
            A sua intenção foi despertar a necessidade de se estudar finanças públicas, seja pelos governantes, dirigentes, estudiosos do Direito e a própria população, haja vista o descortínio que dá para melhor compreender as coisas no campo dos ganhos, dos gastos e do equilíbrio orçamentário.
            Quando ingressei na UFRN fui destinado ao ensino de Direito Financeiro e Direito Tributário, que então já possuíam expoentes da docência nas pessoas do Ministro Romildo Gurgel e do grande advogado Edgard Smith Filho, este pioneiro nas lides da Procuradoria de Contas do nosso TCE-RN. No meu tempo de Faculdade de Direito a disciplina oferecida era Ciência das Finanças.
            Com o passar do tempo os substituí nas cátedras, juntamente com o meu amigo-irmão Adilson Gurgel de Castro, com quem dividi alguns trabalhos didáticos.
            Sobre a matéria editei livros pertinentes, publicados em edições sucessivas, por editoras locais, mas também pela Saraiva e pela Brasília Jurídica, com grande aceitação.
            Ao deixar as atividades funcional e docente, insisti por alguns anos, no ensino em cursos sobre Gestão Pública e, indiretamente, influir na elaboração dos currículos dos cursos de Direito para que as referidas disciplinas fossem cada vez mais enfatizadas pela sua importância para o cotidiano do processo de condução das atividades vitais dos Entes Públicos.
            Esse desiderato o fiz até 2017, em caráter privado, sempre com a entrega de instruções escritas, notadamente da Lei de Responsabilidade Fiscal, que ainda considero um oásis na vida financeira do País, dos Estados e Municípios, carecendo de alguns ajustes, antes que alguns legisladores despreparados cavem a sua sepultura.
            Hoje, por força da idade, parece que fiquei desacreditado, pois neste nosso Brasil a experiência é um conflito com as necessidades públicas, daí o meu entusiasmo pelo que disse o jovem Ricart, na direção do mesmo discurso que custou mais de 40 anos de uma luta nas salas de aula, mas que gerou, graças a Deus, muitos continuadores – alguns até Ministros de Tribunais Superiores, o que nos dá a sensação do dever cumprido.
            Mesmo afastado das discussões temáticas, continuo estudando, atualizando o que aprendi e pronto para dialogar com quem tiver interesse de aceitar a experiência de um vetusto professor de assuntos de finanças públicas, sem interesse de remuneração.
            Alegra-me muito que ainda existam estudiosos do Direito preocupados com assuntos de tanta importância.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

ESCANDOLOSAMENTE MARAVILHOSO


Por esses dias tive a atenção voltada para as competentes performances de uma cantora radicada em minha terra, Natal/RN, que é muito elogiada entre seus pares por seu timbre, afinação e repertório. Lysia Condé vem conquistando, na capital potiguar, admiração e respeito de um público crescente, se apresentando em importantes palcos e espaços de valorização da música local. Do seu site próprio colhi alguns dados que passo a expor.
Lysia nasceu no ano de 1973, em Rio Pomba/MG, e desenvolveu desde criança seu gosto pelo canto, ajudada pelo convívio musical no ambiente familiar. Cresceu apreciando a poesia e sonoridade dos artistas que projetaram a música de Minas Gerais, como o Clube da Esquina. Ainda menina, por seu ouvido apurado, além de voz doce e suave, era sempre escolhida para apresentações escolares e teatrais. No teatro local encontrou espaço para expressar duas expressões de sua arte: a interpretação e o canto. Mas a alternativa para seu desenvolvimento profissional foi através do ensino universitário, na vizinha cidade de Juiz de Fora, onde cursou Ciências Sociais, tendo, em seguida, feito mestrado em Antropologia, na cidade de Niterói/RJ.
Lysia se transferiu para Natal/RN no ano de 2007, o que lhe possibilitou retomar o antigo sonho de se desenvolver como cantora. Para isso, frequentou curso específico na Escola de Música da UFRN, e passou a se apresentar em recitais da instituição. Em 2010 resolveu se profissionalizar, ampliando os locais de exibições, e gravando um EP de demonstração. Em 2014 gravou seu primeiro CD, o “Lysia Condé”, cujo show de lançamento ocorreu no dia 15 de fevereiro, na Casa da Ribeira. É desse show o vídeo que compartilho, em que ela canta, com magistral interpretação, o imortal “Corta-jaca”, da famosa Chiquinha Gonzaga.
CORTA-JACA
Chiquinha Gonzaga
Neste mundo de misérias
Quem impera
É quem é mais folgazão
É quem sabe cortar jaca
Nos requebros
De suprema, perfeição, perfeição
(Refrão)
Ai, ai, como é bom dançar, ai!
Corta-jaca assim, assim, assim
Mexe com o pé!
Ai, ai, tem feitiço tem, ai!
Corta meu benzinho assim, assim!
Esta dança é buliçosa
Tão dengosa
Que todos querem dançar
Não há ricas baronesas
Nem marquesas
Que não saibam requebrar, requebrar
Este passo tem feitiço
Tal ouriço
Faz qualquer homem coió
Não há velho carrancudo
Nem sisudo
Que não caia em trololó, trololó
Quem me vir assim alegre
No Flamengo
Por certo se há de render
Não resiste com certeza
Com certeza
Este jeito de mexer
Um flamengo tão gostoso
Tão ruidoso
Vale bem meia-pataca
Dizem todos que na ponta
Está na ponta
Nossa dança corta-jaca, corta-jaca!
— com Jarbas Martins e outras 97 pessoas.
YOUTUBE.COM
Show de lançamento do CD "Lysia Condé", ocorrido no dia 15 de fevereiro de 2014, na Casa da…

domingo, 27 de janeiro de 2019



CARTAS DE COTOVELO (VERÃO DE 2018/2019)
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes (nº 13) 

            É do domínio popular o adágio: “o que é bom dura pouco”. Contudo ele não representa mais do que uma forma de ver as coisas.

Um período de veraneio deve ser encarado como um momento infinito face às mudanças comportamentais no estilo de vida nem sempre o mais adequado, para convocar para um convívio mais aconchegante com a família e os amigos.

O contato mais relaxado com a natureza e o gozo pelas suas dádivas nos oferta a oportunidade de realizar tarefas inusitadas ou divertimentos incomuns, amadurecendo os mais jovens e dando algum alento de juventude aos idosos – todos caminhando sobre as areias alvas da praia e sendo tocados pelas águas limpas e mornas, quando do cair do dia.

Nesses momentos é fácil contemplar o que sempre existiu, mas não era percebido – o nascer e o entardecer de cada dia, acompanhando a trajetória do Astro Rei; a beleza do reflexo da Lua na mansidão das mansas ondas do mar de Cotovelo; ouvir os sons das árvores ou das quebradas das ondas do mar, numa sinfonia inspiradora; o cantar dos pássaros anunciando o amanhecer e a maravilha do silêncio das noites mal iluminadas, sentindo o sopro constante de uma brisa litorânea.

De repente retornamos a uma época lúdica da convivência com os nativos, como só era possível na vida interiorana das minhas passagens pelas paisagens bucólicas de Angicos, Penha e Macaíba em tempos inesquecíveis, andando de pés nus, das feiras de cada lugar, do tirar dos sacos das mercearias algum torrão de açúcar bruto, buscar os frutos e legumes fresquinhos como aqui se repete na feirinha de Pium.

Nas casas da praia, inexplicavelmente, temos melhor sabor para o pão de cada dia, do café da tarde, o desjejum com cuscuz, tapioca e inhame, harmonizando-se com o bom estado de espírito que a todos contamina.

Todos esses acontecimentos me retornam à infância da Redinha, às sessões dos cinemas de Natal, hoje inexistentes como antigamente. A propósito, o veraneio me leva ao filme “Amor de Outono”, com o jovem ator Gino Leurini e sua primeira experiência de amor em um veraneio europeu, película que me foi presenteada pelo inesquecível Dr. Ernani Rosado, quase setenta anos depois que eu o tinha assistido, trazendo de volta a minha emoção de adolescente (Cinema Rex).

Agora vem a realidade cruel – o dia de retorno à selva de pedra, momento indesejável de arrumar as malas, a volta da rotina citadina e a invasão irreversível da saudade que invade o nosso ser, notadamente no caso de um idoso que não tem a garantia de um próximo veraneio.

Mas em fevereiro farei um breve retorno, de passagem apenas para interromper a prescrição até que chegue a quarta-feira de cinzas, quando o hiato será muito mais acentuado, quando então se fecham as cortinas do espetáculo.

Afinal, temos o lenitivo de que em todo findar existe um renascer. Economizarei forças para voltar ao seio da minha “nirvana” no próximo tempo de emoções praianas 2019-2020, se Deus assim o permitir.

Tchau!!!!!!.

 (Cotovelo/Natal, 27 de janeiro).


sábado, 26 de janeiro de 2019




CARTAS DE COTOVELO (VERÃO DE 2018/2019)
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes (nº 12) 
            Em pronunciamento na solenidade do dia 18 na PROMOVEC, nosso presidente Esam Elali proclamou: “Cotovelo é a praia mais segura do Rio Grande do Norte”.
Realmente ele não está exagerando, haja vista que, apesar da vizinhança de Alcaçuz, mercê de um sistema de segurança privada levada a efeito por empresas de segurança local, com o apoio da nossa Associação, nos domicílios, na ronda motorizada e colocação de câmeras em muitas ruas, todos devidamente monitorados, adoção de postes pelos moradores e veranistas, recuperação das escadarias de acesso à praia, podemos ter a tranquilidade de registrar oficialmente que é a localidade que tem o menor índice de criminalidade e com acidentes quase “zero”, dentre todas as praias potiguares, com apoio às ações sociais, ecológicas, educacionais e esportivas, atendimento médico/odontológico e outras. Criação de uma rádio web para informação à Comunidade, mas que inusitadamente foi suspensa por questões burocráticas menores, causando transtorno a todos: “Estou preocupada com esta situação de interdição da Rádio. Antes de ser reconhecida e de se firmar como um veículo importante e útil para a vida das nossas comunidades, e para o bom conceito e fortalecimento político da PROMOVEC, acontece uma interdição que vem se prolongando BASTANTE. O QUE FAZER PARA VENCERMOS OU RESOLVERMOS ESTA DIFICULDADE? “(Alzirene).
 

Para comprovar o alegado, ofereço, com as fotografias aqui publicadas, dos jovens da minha casa jogando voleibol na rua Parnaíba, desde a tardinha ao adentrar da noite, graças aos refletores que pessoalmente tenho disponibilizado, porque a lâmpada do poste da minha casa não deve ter mais que uma vela e não posso adotar um poste porque a rede do mesmo não tem estrutura. Da mesma forma, tem sido possível colocar cadeiras na calçada e até um joguinho de dominó.
 
Assim, seria o caso de fazer um apelo à Prefeitura de Parnamirim que faça a sua parte mínima – iluminação pública, limpeza regular e a coleta de podas que existem em abundância, algumas completamente secas, oferecendo o risco de um incêndio, como aliás já aconteceu no ano que passou.
Vamos trabalhar em harmonia? É o que espera a comunidade de Pium e Cotovelo, o mais rápido possível, antes do carnaval, para garantir o restante de um veraneio tranquilo.
Alô Prefeito Taveira, contamos com sua atenção para todos esses assuntos.
 (Cotovelo/Natal, 26 de janeiro).



quinta-feira, 24 de janeiro de 2019





CARTAS DE COTOVELO (VERÃO DE 2018/2019)
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes (nº 11) 

            Já estava virada a primeira metade do dia nesta maravilhosa praia de Cotovelo, que hoje esteve nos seus maiores encantamentos.
O mar exuberante nesta lua minguante convidou os meninos da casa para um mergulho reconfortante em suas águas mansas, apesar de ser mês de janeiro.
Vencida a hora do almoço aconchego-me na rede próxima à varanda para a “madorna” da tarde. Tento antes terminar o livro “Dom Helder Camara, um modelo de esperança”, da autoria de Martinho Condini, mas as cortinas dos olhos estão quase fechadas, o que só foi possível fazê-lo após bons cochilos.
Da leitura retornei ao tempo da minha juventude e recordei os comentários na velha Faculdade de Direito da Ribeira sobre aquele Santo Padre, cuja parte de sua vida pude acompanhar pelos noticiários, haja vista a sua coragem, mesmo com a censura do período do governo instalado em 1964.
Lembrei-me de amigos engajados nos movimentos sociais da JAC (Juventude Agrária Católica), JEC (Juventude Estudantil), JIC (Juventude Independente), JOC (Juventude Operária) e JUC (Juventude universitária), da Igreja de Dom Eugênio, no Pontificado de Paulo VI.
Mas a minha mensagem de hoje tem outra direção, eis passava das 15 da tarde quando, inusitadamente, vislumbro um movimento diferente a metro e meio da minha rede – era um camaleão sobre o telhado. Chamei Thereza para fazer fotografias e apreciar aquela presença, ao mesmo tempo em que acompanhávamos sua trajetória, logo no oitão da casa, onde as pitangueiras estão abundantes. Ali deu-se o encontro com outro lagarto da mesma espécie, só que com dimensão assustadora.
Ficamos a contemplá-los e comentamos que estava concretizada a situação que antes já falara, argumentativamente, em outras cartas. Fizemos fotos, embora seja difícil encontrá-los entre as folhagens e frutos, porque a camuflagem é a arma característica desse réptil, pertencente à família Chamaeleonidae, oriunda da África do Sul.
Somente ficou um pensamento, como marca desse episódio – a real confraternização da natureza com seus habitantes.
Ficamos felizes.

(Cotovelo/Natal, 24 de janeiro).

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

CARTAS DE COTOVELO - O SILÊNCIO




CARTAS DE COTOVELO (VERÃO DE 2018/2019)
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes (nº 10) 

            Outra vez, na solidão da minha varanda da casa de Cotovelo encontro o silêncio, e nele o meu próprio eu, ouvindo o coração na introspecção de um momento único, infinito.
Com este sentimento comungo com o conceito de sabedoria, que segundo Herman Melville[1] é a “Única voz de Deus”.
Do silêncio reconhecemos, num só instante, nossos defeitos e a nossa beleza interior. Ele é sinônimo de quietude, placidez, inspiração, harmonia entre o ser e a natureza, é verdadeiramente o instante de transcendentalidade.
O escritor Paulo Coelho[2], em uma de suas manifestações espiritualistas afirma: “Deus está em nosso cotidiano, espera que notemos a sua presença”.
Assim, nos meus momentos de meditação, invoco os ensinamentos de Alan Kardec[3], quando comenta sobre valores do silêncio - utilidade, recolhimento e liberdade.
Por derradeiro, sem buscas de além mar, relembro a bela composição do nosso artista brasileiro Gilberto Gil[4] quando divaga como se deve fazer para falar com Deus, destacando a solidão e o silêncio.
Enfim, silêncio é saber ouvir e saber calar. Às vezes, até os ateus adotam interpretações involuntárias da Sua existência.
Concluo que o silêncio “não é a voz da dor, mas que, a faz gritar mais alto ... Ah! ... lá isso faz”.[5]

 (Cotovelo/Natal, 23 de janeiro)



[1] Herman Melville, nasceu em Nova York, no dia 1º de agosto de 1819, em uma família de origens inglesa e holandesa. Morreu em Nova York, sua cidade natal, em 28 de setembro de 1891, deixando alguns manuscritos incompletos, entre os quais Billy Budd, Sailor, descoberto apenas em 1920. Sua obra-prima foi o romance Moby Dick.

[2] É considerado o escritor brasileiro mais lido. Carioca nascido em 24 de agosto de 1947. Seu estilo é espiritualista.
[3] O Livro dos Espíritos, 772.
[4] Se eu quiser falar com Deus, Tenho que ficar a sós. Tenho que apagar a luz, Tenho que calar a voz. Tenho que encontrar a paz, Tenho que folgar os nós Dos sapatos, da gravata Dos desejos, dos receios Tenho que esquecer a data Tenho que perder a conta Tenho que ter mãos vazias Ter a alma e o corpo nus. Se eu quiser falar com Deus, Tenho que aceitar a dor. Tenho que comer o pão, Que o diabo amassou. Tenho que virar um cão, Tenho que lamber o chão Dos palácios, dos castelos Suntuosos do meu sonho. Tenho que me ver tristonho, Tenho que me achar medonho, E apesar de um mal tamanho, Alegrar meu coração. Se eu quiser falar com Deus, Tenho que me aventurar. Tenho que subir aos céus, Sem cordas pra segurar. Tenho que dizer adeus, Dar as costas, caminhar. Decidido, pela estrada, Que o findar vai dar em nada, Nada, nada, nada, nada, Nada, nada, nada, nada, Nada, nada, nada, nada, Do que eu pensava encontrar. (1980).

[5] Teresa Teixeira, poetisa lusitana.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019




  • ASSOCIAÇÃO DOS PROPRIETÁRIOS, MORADORES E VERANISTAS DA PRAIA DE COTOVELO
  • P R O M O V E C
  • (RESUMO) INFORMATIVO ANO IV Nº 38/2019 (EXTRA) – 21/janeiro/2019

    DIRETORIA EXECUTIVA:
    Diretor Presidente: ESAM GIRIES ELALI; Diretor Vice-Presidente: OCTÁVIO LAMARTINE DE AZEVEDO; Diretor Financeiro: FLORIANO CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE NETO; Diretor Financeiro Adjunto: JOSÉ NICODEMOS DA SILVA M. SOBRINHO; Diretora Secretária-Geral: ALZIRENE NUNES DE CARVALHO Diretora Secretária Adjunto: JUSTA MARIA DA MOTA.
    CONSELHO DELIBERATIVO (TITULARES): 01. Esam Giries Elali; 02. Octávio Lamartine de Azevedoi; 03. Floriano Cavalcanti de Albuquerque Neto;04. José Nicodemos da Silva M. Sobrinho; 05. Alzirene Nunes de Carvalho; 06. Justa Maria da Mota; 07. José Narcélio Marques de Souza; 08. Augusto Coêlho Leal; 09 Lawrence Silvério Santiago; 10. Carlos Alberto Salustino Dutra; 11. Maria das Neves Pereira Pinto. (SUPLENTES): 01. José Guimarães Nogueira; 02. Heriberto de Souza Gomes; 03. Bernardo José Pierantoni; 04. Maurício Gomes Neves; 05. Roberta de Oliveira Xavier; 06. Eugênio Batista Rangel; 07. Rui Câmara de Souza; 08. José Nascimento de Araújo; 09. Valmir Andrade da Silva; 10. Vicente Mesquita Neto; 11. Paulo Roberto Salustino Dutra.
    CONSELHO FISCAL: (TITULARES): Carlos Roberto de Miranda Gomes, Carlos Crescêncio Freire Filho, Helianto dos Santos Lucena, Rui Pires Bezerra e Clécio de Oliveira Godeiro.  (SUPLENTES): João Batista Coutinho e Sátyro Gil de Souza Filho.
    COMISSÕES: COMUNICAÇÃO: Eugênio Batista Rangel (Coordenador); Carlos Roberto de Miranda Gomes (Redator)
    LIMPEZA E URBANIZAÇÃO: Nazaré Góes (Coordenadora)
    RECUPERAÇÃO DA SEDE DA PROMOVEC: José Nascimento de Araújo (Coordenador)
    PLEITOS À PREFEITURA DE PARNAMIRIM: Esam Elali (Coordenador), Octávio Lamartine e Maurício Neves
    SEGURANÇA: Octávio Lamartine (Coordenador); Floriano Cavalcanti de Albuquerque Neto e Maurício Neves
    REGISTRO E RECADASTRAMENTO DE SÓCIOS: Augusto Leal (Coordenador), Andrea Leal, Roberta e Rildeci. EVENTOS: Octávio Lamartine (Coordenador);
    MEIO AMBIENTE: Alzirene (coordenadora), Nascimento Araújo, Eugênio Rangel, Nazaré Góes, Simone Martinelli e Izabel Pinheiro (do In Mare), Leslhie (Cras Litoral) e Roberta Oliveira. SERVIÇO SOCIAL: Justa Mota (Coordenadora), Carlos Dutra, Nazaré e Humberto Maia
    RELAÇÕES PÚBLICAS: Alzirene, Luiz Gonzaga Lira, Fernando (In Mare). PATRIMONIAL: Nazaré, Janice Aranha e Nascimento.

    E D I T O R I A L
    A Promove iniciou suas atividades neste veraneio com ações de conscientização em favor do meio ambiente, reivindicações para a regularidade da limpeza pública e restauração da iluminação pública. No dia 18 promoveu o lançamento do livro do associado Carlos Roberto de Miranda Gomes, contando a história da Entidade, que tem como título “PROMOVEC – uma bela história”, onde relata a história de Parnamirim e seus distritos litorâneos Pirangí, Pium, Barreira do Inferno e Cotovelo, dando conta das suas características e lugares mais relevantes e particularmente a origem de Cotovelo, seu ordenamento urbano, a criação da PROMOVEC, seus fundadores, objetivos e ações fundamentais para as melhorias conseguidas para a comunidade. Na festa, foram homenageados os associados escritores Augusto Coêlho Leal e Eugênio Rangel, que receberam placas alusivas, seguindo-se o lançamento propriamente dito, recepção e música a cargo de Tita dos Canaviais, num ambiente de harmonia e confraternização muito prestigiado.
    Do acontecimento oferecemos nesta edição “Extra”, algumas das fotografias do evento, que por si só comprovam o sucesso do evento> 
  • ESCLARECIMENTO (ERRATA)
    Numa leitura para cuidadosa do livro, constatei um lapso na página 90: na relação de ex-presidentes não constam: Carlos Rosalvo de Oliveira Serrano (período fevereiro de 1998 a fevereiro de 1999 e Rui Câmara de Souza (período fevereiro de 1999 a fevereiro de 2000), sendo sucedido por Paulo Roberto Salustino Dutra, cujo patronímico foi escrito equivocadamente como “Outra” ao invés de “Dutra. O erro também foi cometido com o nome de Carlos Alberto Salustino Dutra.
    Contudo, os ex-presidentes omitidos da relação têm suas gestões registradas devidamente nas páginas 94 e 97. Desculpas: Carlos Gomes (autor do livro).