sábado, 14 de dezembro de 2013

EM 13/12/2013
DISCURSO DO ESCRITOR HORÁCIO PAIVA, POR OCASIÃO DA SOLENIDADE DE INSTALAÇÃO DA COMISSÃO DA MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA DE NATAL.



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Excelentíssimos Senhores:
Prefeito Carlos Eduardo Alves,
Secretário de Gabinete Sávio Hackradt,
Membros da Comissão da Memória, Verdade e Justiça de Natal
E demais cidadãos e cidadãs presentes a este ato.
 
                        Esta solenidade de instalação da Comissão da Memória, Verdade e Justiça de Natal traduz mais um momento expressivo da história republicana e democrática de nossa cidade.
 
                        Segue as diretrizes da Lei nº 6.393, de 5 de julho de 2013 -  que homenageia, no seu nome, o ilustre brasileiro Luiz Ignácio Maranhão Filho  -, e, quanto às personalidades que a compõem, da Portaria nº 079/2013-GP, de 30 de setembro de 2013.
 
                        Cabem, em primeiro lugar, agradecimentos a todos aqueles que desde cedo demonstraram a lucidez de entender a necessidade social e moral de sua criação e se empenharam neste propósito, acolhido na louvável iniciativa do ilustre vereador George Câmara, que elaborou o projeto de lei, no procedimento exemplar da Câmara Municipal, que o aprovou, transformando-o em lei, e na decisiva posição adotada pelo nosso ilustre prefeito, Carlos Eduardo, que, de logo, a sancionou, designando, em seguida, e em harmonia com a previsão legal, os sete membros da Comissão agora instalada, e já se empenha em proporcionar espaço e condições físicas para seu funcionamento, no que tem contado com a cooperação permanente de seu nobre secretário de gabinete, Sávio Hackradt.
 
                        Vê-se, portanto, que a Comissão da Memória, Verdade e Justiça de Natal nasceu de uma combinação perfeita entre os poderes legislativo e executivo municipais, abrigados nos Palácios Padre Miguelinho e Felipe Camarão, como se os heróis nacionais que inspiraram os nomes das duas casas  -  o primeiro, herói da república e da independência em relação aos portugueses, e o segundo, herói da independência contra os holandeses  -  estivessem em saudável conspiração pela democracia.
 
                        Pois entendo  -  e não tenho dúvidas quanto a isto  -  que se cumpre mais um ciclo no processo de construção da democracia em nosso País, com o movimento em prol da memória, da verdade e da justiça, que se manifesta na criação das diversas comissões estaduais e municipais, a partir da nacional, criada em maio 2012: o ciclo da memória, do resgate de nossa história e dos fatos que ainda se encontram sepultados no entulho autoritário e traumático do regime ditatorial. E que temos, sobretudo, o direito de ver esclarecidos, porquanto o resgate histórico compreende também o sentido moral de resgate de nossa dignidade e do conhecimento da verdade. Como dizia Mahatma Gandhi, “A verdade é como uma árvore frondosa: quanto mais é tratada, maior quantidade de frutos produz. Quanto mais profunda a busca na mina da verdade, mais rica a descoberta das pedras preciosas lá enterradas.”
 
                        Um povo é mais livre, mais forte e mais digno quando conhece a própria história.
                        A partir do conhecimento da verdade cria-se uma democracia mais robusta, capaz de prevenir e evitar a repetição de erros antigos ou mesmo a ocorrência de novos erros.
 
                        E que não se confunda o papel desta Comissão: ela não é um tribunal de exceção ou de revanche; não é sequer um tribunal, pois não tem poderes para julgar e nem mesmo é essa a sua finalidade. Aliás, o texto do artigo 1º da Lei 6.393, que a criou, define, com clareza, sua finalidade, qual seja “de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas no período fixado no art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal, a fim de efetivar o direito à Memória, à Verdade, à Justiça e a reconstituição histórica que envolveu cidadãos natalenses.”
 
                        Além de mim, HORÁCIO DE PAIVA OLIVEIRA, advogado e escritor, ex-membro do Comitê da Anistia e ex-presidente da Comissão Justiça e Paz e do Sindicato dos Bancários, foram chamados a participar de sua composição pessoas com notável trabalho desenvolvido na área da cidadania, dos direitos humanos e da história: ROBERTO BRANDÃO FURTADO, advogado, ex-deputado e ex-presidente da OAB/RN e do Comitê da Anistia, AFONSO LAURENTINO RAMOS, jornalista de larga tradição em Natal, MARIA RIZOLETE FERNANDES, socióloga, escritora, e ex-secretária-geral do Comitê da Anistia, JEANE FIALHO CANUTO e LUCIANO FÁBIO DANTAS CAPISTRANO, ambos historiadores, e, ainda, GEORGE CÂMARA, vereador e autor do projeto de lei de criação da Comissão.
 
                        Estou, portanto, em boa e honrosa companhia.
 
                        E vejo o exercício desta função não apenas como um desafio que a vida nos traz, dentre tantos outros. Mas como uma nova oportunidade de servir à sociedade, ao meu Estado, aos meus semelhantes. Uma opção que dá continuidade a outras, anteriores, que ao longo da existência adotei. A Comissão de Natal, com membros cujas funções não são remunerados pelos cofres públicos, tem apenas o nobre objetivo de servir.
 
                        Gabriela Mistral, a célebre poetiza chilena, dizia, em seu belo poema intitulado “A Alegria de Servir”:
 
                        “Existe a alegria de ser são, e a alegria de ser justo,
                        Mas existe, sobretudo, a formosa e imensa alegria de servir”.
 
                        Mas essa opção, servir, expressão de nosso livre arbítrio, não importaria também  -  e sobretudo  -  numa missão a que somos destinados por Deus?
 
                        Mas como reconhecer essa missão ou mesmo o caráter de missão naquilo que assumimos?  Qual o instrumento eficaz de reconhecimento?  Na verdade, o caráter ético da luta já a justifica  -  e a vitória está na sua adoção e no seu percurso, nem sempre ao final.
 
                        Mas apesar do campo geográfico definido na Lei estar restrito, em tese, à área de nosso Município, o seu campo subjetivo é maior, já que diz respeito à nossa gente, a quem estamos diretamente vinculados.
 
                        Fernando Pessoa, o grande poeta português, esclarece a aparente contradição às vezes encontrada entre as dimensões da objetividade e da subjetividade, nesses versos memoráveis:
 
                        “O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
                        Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha
                                                                                                                  aldeia
                        Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
                        .........................
                        Toda a gente sabe isso.
                        Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
                        E para onde ele vai
                        E donde ele vem.
                        E por isso, porque pertence a menos gente,
                        É mais livre e maior o rio da minha aldeia.”
 
                        Ante o seu caráter municipal, maior responsabilidade das tarefas desta Comissão Municipal é nossa, dos natalenses, de nascimento ou adoção.
 
                        Mas não devemos perder, jamais, a visão nacional de integração. Nesse sentido, a nossa Comissão dá um passo à frente, pois deveremos estar firmando, já na próxima semana, acordo de cooperação com a Comissão Nacional da Verdade, para intercâmbio permanente de informações e desenvolvimento de ações conjuntas. E também manteremos estreito relacionamento com outras comissões locais: a da OAB/RN e a da UFRN, esta presidida pelo Dr. Carlos de Miranda Gomes, e com o Comitê pela Verdade, Memória e Justiça do RN, dirigido pelo professor Antônio Capistrano e Roberto Monte.
 
                        Portanto, conclamo todos a fazer desta luta um trabalho coletivo, em que possamos contar com a participação de muitos e aplicados colaboradores.
 
                        E vamos dedicá-la à democracia, à verdade e à justiça!
 
                        Obrigado.
 
                        Horácio de Paiva Oliveira.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Ri é o melhor remédio?

Augusto Leal (Guga)

            As coisas mudaram. Sou tão antigo, que sou do tempo em que fumar era bonito e ser gay era feio. Hoje é exatamente o contrário, ser gay virou até orgulho nacional. Por isso mesmo, dentro desde meu conceito de antiguidade, lembrei-me do tempo de jovem e das brincadeiras de colégio, e para o meu grupo de amigos nem sempre ri era o melhor remédio, às vezes dava uma tremenda confusão.
            Estudei no início do curso ginasial no Ginásio sete de Setembro. Eram meus diretores: Professor Fagundes e sua esposa Dona Maroquinha e o professor Nogueira. Um belo dia estava eu subindo nas mangueiras para tirar as mangas e jogar nos colegas, quando ouço o grito do professor Fagundes com a voz rouca e estridente - Êpa, êpa, Seu Leal, Seu Leal, já lhe vi, não adianta se esconder vai de castigo lá para o Auditório. Tive que descer e ir direto para ficar trancado. Chegando lá encontrei Chop Chop, um colega doido, que parecia um chinês alto e gordo com grandes bochechas. Ficamos trancados, em silêncio. De repente, nada mais que de repente Chop olha para mim e diz – Tive uma grande idéia, vou tocar piano (não sabia onde era o dó) e fazer uma música. Abriu a tampa do piano, tirou um feltro verde que protegia as teclas, enrolou no pescoço, sentou-se nas teclas e com as mãos dando murro nas outras teclas gritando – Corocococó, corocococó vi Fagundes de pijama Maroca de paletó. Eu era o maestro e o som invadiu os corredores do Ginásio. Ouvindo aquilo professor Fagundes e Dona Maroquinha correram até o local do “show”. Fomos convidados a ir para casa, sentenciados com três dias de suspensão e meu pai chamado para comparecer a Diretoria.
            Fui transferido para o Atheneu e logo nos primeiros dias, ouço um reboliço dentro do colégio, os alunos correndo e olhando para o primeiro andar. Vou me aproximando, quando vejo meu bom amigo professor Sebastião Cunha, nosso querido Tião, correndo atrás de um aluno que estava andando de bicicleta dentro do Colégio. Vou ver quem é. Nisto o aluno desce as escadas de bicicleta, Tião com a sua varinha de dar aula atrás, batendo nas costas dele e a mundiça gritando. Parei e o aluno passa por mim e fala – Guga corre que o pau está catando de novo.  Era Chop que tinha chegado ao Atheneu primeiro do que eu, eu não sabia.
            Em uma bonita manhã de sol, estávamos na aula de português, quando começa uma discussão entre Carlos Limarujo e a professora. Os ânimos foram se exaltando, de repente eu peço a palavra e digo – Professora eu acho que Limarujo tem razão. Então ela para um pouco e já nervosa, diz. – Agora o senhor vai explicar por que é que Limarujo tem razão. Aí eu respondi. –É simples professora, é porque eu sou amigo dele e não sou da senhora. Ouvindo isto, Antonio Ferreira de Melo nosso colega Toinho Miniatura que estava sentado la na frente (eu e Carlos lá atrás) levanta-se abre os braços e grita – Bravo, bravo amigos e caminha em nossa direção. A professora não aguenta, cai no choro, nos coloca para fora da sala de aula, e vai fazer a nossa cama com Dona Olindina que era a Diretora Geral. Fomos chamados a Diretoria e no final do sermão, depois de alegar que a nossa permanência no colégio era só e somente pela amizade que ela tinha aos nossos pais vira-se para Limarujo e diz- Vocês já estão na idade de se comportarem melhor, principalmente o senhor Seu Limarujo que veio de fora. Limarujo pede à palavra, que lhe é concedida- Dona Olindina me desculpe, mas todo mundo vem de fora que aqui não tem primário.
            Ela coçou a cabeça, levantou-se, mordeu os lábios e disse pausadamente: - Seus moleques desapareçam da minha frente, antes que eu me arrependa e coloque vocês no olho da rua, FORA. Acho que ainda hoje estamos correndo.
            Henrique Mario Lira Carreras era nosso colega de classe no velho Atheneu, e também fazia parte no nosso grupo. Um belo dia, ele leva uma camisinha (preservativo) para o colégio. Vai para o primeiro andar enche de água, ela ia quase ao térreo, quase batia na cabeça das pessoas que iam entrar na porta principal. Foi à vez do Cônego Luiz Wanderlei passar, Henrique sem querer soltou a camisinha que molhou o padre que puto da vida olhou para cima, viu Henrique e gritou – Fela da puta vou lhe pegar. E foi atrás, Henrique que é branco e galego ficou vermelho olhou pra mim e disse - Corre que lá vem merda.
           





                

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

REUNIÃO DA UBE/RN COM O PRESIDENTE ELEITO, EM 10-12-2013, NA ACADEMIA NORTE-RIO-GRANDENSE DE LETRAS.

EDUARDO GOSSON
JOSÉ DE CASTRO
CONFRADES
 
CONFRADES
MESA DA REUNIÃO DA UBE
CONFREIRAS
 
REUNIÃO DA UBE/RN EM 10-12-2013
 
ROBERTO LIMA DE SOUZA, PRESIDENTE ELEITO
ROBERTO E EDUARDO
 
CONFRADES
 
ROBERTO TOCANDO E CANTANDO O POEMA DE SÃO FRANCISCO QUE ELE MUSICOU
 MOMENTO LINDO
CONFRADES QUERIDOS
AS CONFREIRAS SUZANA E LÚCIA HELENA
Poemas & Prosas -

Veredas de Sol, Lua, Estrela e JASMIM UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES - UBE/RN 

. Castro Hoje, pela manhã, tive a alegria de participar da primeira reunião com a diretoria recém eleita da UBE/RN para o biênio 2014/2015, na qual participo do Conselho Consultivo. Além do querido confrade Eduardo Gosson(ex-presidente e atual vice) e do poeta, filósofo e compositor Roberto Lima (o novo presidente eleito da UBE) registro a presença dos escritores Manoel Marques, Claudionor, Pedro Lins e da professora Geralda Efigênia, de Suzana Galvão, das autoras Lúcia Helena Pereira, Diulinda Garcia e Gilvânia Machado. Nesse primeiro encontro, o escritor Eduardo Gosson, auxiliado pelo Secretário Manoel Marques, fez um breve relato sobre a gestão que se finda, falou de alguns sonhos que ainda precisam ser alcançados, tendo falado acerca da necessidade de se dar continuidade a algumas das ações já iniciadas, tais como: 1. Plano Editorial da UBE (que já publicou 15 títulos em suas várias coleções); 2. Realizar o VI Encontro Potiguar de Escritores - EPE; 3. Dar vida à Lei Henrique Castriciano, uma lei estadual que precisa ser regulamentada, e que trata do estabelecimento de uma política de leitura no estado; 4. Realização do II Prêmio escritor Eulício de Farias, em suas 3 categorias; 5. Retomada da edição do jornal O GALO. 6. Realização sistemática de saraus literários; 7. Otimizar o sistema de arrecadação das anuidades dos membros, de maneira a viabilizar melhor as ações da UBE/RN; 8. Propor a alguma instituição de ensino superior a implementação de um curso de especialização com o foco no "ofício do escritor"; 9. Implementação de minibibliotecas de autores potiguares junto à rede hoteleira do estado; 10. Incentivar a presença de autores potiguares nas escolas, a adoção de seus livros, em parceria com a Secretaria Estadual de Educação e com Secretarias Municipais de Educação dos vários municípios. A partir desses pontos levantados inicialmente, os membros da diretoria e os membros em geral da UBE/RN estão sendo convocados a apresentarem suas sugestões à nova diretoria para que se possa realizar, após a posse, uma reunião de planejamento estratégico que possa consolidar uma programação efetiva de atuação da UBE/RN para o biênio 2014/2015. O presidente eleito, Roberto Lima de Souza, enfatizou que pretende realizar um trabalho em equipe, de maneira cooperativa, oportunizando a somatória de inteligências para que a entidade possa cumprir o seu relevante papel perante a literatura e a cultura em geral do estado.
CAMINHAMOS PARA UM NOVO CONCÍLIO?

PADRE JOÃO MEDEIROS FILHO (pe.medeiros@hotmail.com)

Francisco tem dito sempre que a Igreja deve reformar-se, ir em direção aos pobres, sofredores e excluídos, sair de sua acomodação e ser missionária. É preciso que se torne presença divina no mundo e ofereça luz para questões que nos afligem hoje, como a fome, a miséria, a injustiça, a crise ambiental, a paz e a dignidade humana.

O centro de suas preocupações pastorais é o ser humano, com suas necessidades, dúvidas, perplexidades, dores e potencialidades. Quando falou aos representantes do CELAM (Conselho Episcopal Latino-americano), na JMJ/2013, no Rio de Janeiro, citou literalmente a Guadium et Spes: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens do nosso tempo, sobretudo dos pobres e atribulados, são também alegrias e esperanças, tristezas e angústias dos discípulos de Cristo”.

Outro aspecto de sua visão pastoral é a centralidade da misericórdia. Aqui também, Francisco aproxima-se de João XXIII, quando, no discurso de abertura do Vaticano II, afirmara: “A Igreja sempre se opôs a vários erros; muitas vezes até os condenou, com a maior severidade. Agora, porém, prefere usar mais o  remédio da  misericórdia do que o da severidade". Entre os sucessores de Roncalli, Bergoglio é o que mais se lhe assemelha, tanto na doçura quanto na firmeza, diz Padre Oscar Beozzo. Nitidamente, suas inspirações são aquelas do Poverello de Assis, seu amor aos pobres e, como João XXIII, a busca de uma Igreja renovada, humilde, ecumenicamente aberta, a serviço da paz e das carências da humanidade. Esta foi uma das tantas razões que o levou a convocar o Vaticano II, com seu tom pastoral e não dogmático. Francisco vai nessa direção pregando a abertura da Igreja, que deve ir para as ruas e dialogar com todos. É preciso ouvir o Povo de Deus de todos os continentes para mostrar o novo rosto eclesial, abandonando a cultura e a “psicologia de príncipes” de certos segmentos clericais.

Francisco encontra-se diante de uma situação análoga à de Cristo, cercado, à época, de três grupos de opositores: o poder de Roma; a hierarquia religiosa e os fariseus com os doutores da lei. O nosso Papa tem diante de si o peso da cúria romana, presente nas estruturas do Vaticano; parte do clero “um pouco atrasado”, não esquecendo ainda os novos defensores radicais do moralismo e do canonicismo, em detrimento do homem, imagem e semelhança de Deus. Para retirar o entulho autoritário da Igreja, como expressou Hans Küng, é preciso coesão e colegialidade. E isto só será possível com um concílio verdadeiramente ecumênico, em que todo o povo de Deus – não apenas os clérigos – manifesta o que pensa e deseja de seus pastores e da Igreja.

Na sua humildade, Francisco diz-se normal e pecador. Deste modo, dessacraliza o papado naquilo que deve ser dessacralizado, isto é, nas formas de poder, herdadas não de sua missão pastoral, mas pelo fato do bispo de Roma ter-se tornado príncipe e chefe de estado. Tem-se comprometido em buscar uma forma de exercício do primado, associando o colégio dos bispos à sua missão de inspirar e conduzir a Igreja. E isto é uma dimensão conciliar. Bergoglio insiste na sua condição de bispo de Roma e em falar “de bispo para bispos”, como entre irmãos. O papa Francisco vem retirando prerrogativas do papado e tem se mostrado muito humano. Assim, está tornando-se uma referência, que vai além de qualquer outra liderança de nossa sociedade. A Igreja é santa – não pelo fato de não ser pecadora – e sim porque, nos seus pecados e na sua simplicidade, deve transparecer o mistério e a bondade de Deus, que excedem à pretensão humana. É inegável que Ratzinger, com a renúncia, e Bergoglio, com sua simplicidade, levaram o papado a um reconhecimento pouco cogitado no passado. Oxalá o Papa atual consiga aquilo que foi o propósito do famoso Pacto das Catacumbas, realizado durante o Vaticano II, em que muitos bispos, sob a liderança de Helder Câmara, expressaram o desejo “de uma Igreja servidora e pobre”.

 

 

 

 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013



COMISSÃO MEMÓRIA VERDADE JUSTIÇA – Notícia.

09/12/2013 13:05

·         Resgate da verdade histórica norteará Comissão Municipal da Memória, Verdade e Justiça

Estabelecer a verdade dos fatos. Este vai ser o papel da Comissão Municipal da Memória, Verdade e Justiça, que será instalada na próxima sexta-feira (13), às 9 horas, no salão nobre do Palácio Felipe Camarão. Presidida pelo advogado, sindicalista e ex-presidente da Comissão de Justiça e Paz nos anos 1970, Horácio de Paiva Oliveira, a Comissão terá mandato de um ano para averiguar delitos cometidos pelos regimes de exceção de 1946 a 1988, ano em que a atual Constituição do Brasil foi promulgada. O período engloba a ditadura do Estado Novo e o Golpe Militar de 1964.

Conforme Horácio Paiva, a Comissão Municipal vai seguir a trilha da Comissão Nacional da Verdade (CNV) criada pela Lei 12.528/2011 e instituída em 16 de maio de 2012. Contato com Brasília já foi mantido pelo presidente. “A finalidade da Comissão não é de revanche. Queremos contribuir com a memória e com a verdade histórica. Neste sentido, a Comissão será investigativa”, assinalou Paiva.

Ele disse, ainda, que a Comissão não tem a competência de julgar, mas não vai abrir mão da verdade histórica, como, por exemplo, tentar buscar os fatos sobre a prisão e o desaparecimento do ex-deputado estadual, advogado, jornalista e professor universitário, Luiz Maranhão Filho.

Com o golpe militar de 1964, Luiz Maranhão foi cassado pelo Ato Institucional 1 (AI-1). Em São Paulo, no dia 3 de abril de 1974, o ex-militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi preso em uma praça, fato testemunhado por diversas pessoas que tentaram socorrê-lo, pensando tratar-se de um assalto comum. Luiz Maranhão Filho foi escolhido o patrono da Comissão Municipal.

Constituída por pessoas com notável trabalho voltado para a área da cidadania, dos direitos humanos e da história, a Comissão conta, ainda, com os membros Afonso Laurentino Ramos, Jeane Fialho Canuto, Luciano Fábio Dantas Capistrano, Maria Rizolete Fernandes, Roberto Brandão Furtado e o vereador George Câmara, representando a Câmara Municipal de Natal (CMN). “Um passo importante é coletivizarmos o trabalho, envolvendo mais pessoas da sociedade civil. Isso deve dar um impulso à investigação”, ressaltou Horácio Paiva.      (Vide página seguinte)
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No blog LAURITA ARRUDA, em 09/12/2013:

Por NeivaAraujo em 
Bom Saber.




A Comissão Municipal da Memória, Verdade e Justiça será instalada na próxima sexta-feira, dia 13, às 09 horas, no salão nobre do Palácio Felipe Camarão.

Presidida pelo advogado, sindicalista e ex-presidente da Comissão de Justiça e Paz nos anos 1970, Horácio de Paiva Oliveira, a Comissão terá mandato de um ano para averiguar delitos cometidos pelos regimes de exceção de 1946 a 1988, ano em que a atual Constituição do Brasil foi promulgada. O período engloba a ditadura do Estado Novo e o Golpe Militar de 1964.

Conforme Horácio Paiva, a Comissão Municipal vai seguir a trilha da Comissão Nacional da Verdade (CNV) criada pela Lei 12.528/2011 e instituída em 16 de maio de 2012.

Constituída por pessoas com notável trabalho voltado para a área da cidadania, dos direitos humanos e da história, a Comissão conta, ainda, com os membros Afonso Laurentino RamosJeane Fialho CanutoLuciano Fábio Dantas CapistranoMaria Rizolete FernandesRoberto Brandão Furtado e o vereador George Câmara, representando a Câmara Municipal de Natal (CMN).


7% (SETE POR CENTO)

ESCRITO POR REGINA BRETT, 90 ANOS DE IDADE,  QUE ASSINA UMA COLUNA NO THE PLAIN DEALER, CLEVELAND, OHIO.

"Para celebrar o meu envelhecimento, certo dia eu escrevi as 45 lições que a vida me ensinou. É a coluna mais solicitada que eu já escrevi."
Meu hodômetro passou dos 90 em agosto, portanto aqui vai a coluna mais uma vez:

1. A vida não é justa, mas ainda é boa.
2. Quando estiver em dúvida, dê somente o próximo passo e pequeno.
3. A vida é muito curta para desperdiçá-la odiando alguém.
4. Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar doente. Seus amigos e familiares cuidarão. Permaneça em contato.
5. Pague mensalmente seus cartões de crédito.
6. Você não tem que ganhar todas as vezes. Concorde em discordar.
7. Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho.
8. É bom ficar bravo com Deus; Ele pode suportar isso.
9. Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro salário.
10. Quanto a chocolate, é inútil resistir.
11. Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente.
12. É bom deixar suas crianças verem que você chora.
13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem ideia do que é a jornada deles.
14. Se um relacionamento tiver que ser um segredo, você não deveria entrar nele.
15. Tudo pode mudar num piscar de olhos. Mas não se preocupe: Deus nunca pisca.
16. Respire fundo. Isso acalma a mente.
17. Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre.
18. Qualquer coisa que não o matar o tornará realmente mais forte.
19. Nunca é muito tarde para ter uma infância feliz. Mas a segunda vez é por sua conta e de ninguém mais.
20. Quando se trata do que você ama na vida, não aceite um não como resposta.
21. Acenda as velas, use os lençóis bonitos, use roupa chique. Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial.
22. Prepare-se mais do que o necessário; depois, siga com o fluxo.
23. Seja excêntrico agora. Não espere pela velhice para vestir roxo.
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
25. Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você.
26. Enquadre todos os assim chamados "desastres" com estas palavras: "Em cinco anos, isto importará?".
27. Sempre escolha a vida.
28. Perdoe tudo de todo mundo.
29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo.
31. Não importa quão boa ou ruim é uma situação, ela mudará.
32. Não se leve muito a sério. Ninguém faz isso.
33. Acredite em milagres.
34. Deus ama você porque ele é Deus, não por causa de qualquer coisa que você fez ou não fez.
35. Não faça auditoria na vida. Destaque-se e aproveite-a ao máximo agora.
36. Envelhecer ganha da alternativa "morrer jovem".
37. Suas crianças têm apenas uma infância.
38. Tudo que verdadeiramente importa no final é que você amou.
39. Saia de casa todos os dias. Os milagres estão esperando em todos os lugares.
40. Se todos nós colocássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos todos os outros como eles são, nós pegaríamos nossos mesmos problemas de volta.
41. A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.
42. O melhor ainda está por vir.
43. Não importa como você se sente, levante-se, vista-se bem e apareça.
44. Produza!
45. A vida não está amarrada com um laço de fita, mas ainda é um "presente"."

ESTIMA-SE QUE 93% NÃO ENCAMINHARÁ ISTO. SE VOCÊ FOR UM DOS 7% QUE O FARÃO, FAÇA-O COM O TÍTULO 7%.
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Colaboração da leitora e amiga Joventina Simões.

ALEJURN - ACADEMIA DE LETRAS JURÍDICAS DO RIO GRANDE DO NORTE

  Nesta quarta-feira, 11 de dezembro, às 18:30h, os Procuradores do Estado Adalberto Targino e Luiz Antonio Marinho irão receber o Título de Cidadão Natalense, na Câmara Municipal de Natal. O autor da proposição foi o Vereador Júlio Protásio.

Nesta quarta-feira, 11 de dezembro, às 18:30h, os Procuradores do Estado Adalberto Targino e Luiz Antonio Marinho irão receber o Título de Cidadão Natalense, na Câmara Municipal de Natal.
O autor da proposição é o vereador Júlio Protásio.

ADALBERTO TARGINO  é presidente da Academia de Letras Jurídicas do RN (ALEJURN), membro da Academia Brasileira de Ciências Morais e Políticas (RJ), membro do Instituto Histórico Geográfico do RN, membro do Direito Brasileiro (RJ), da Academia Paraibana de Poesia, Academia Campinense de Letras (PB), Academia Paraibana de Letras Jurídicas, União Brasileira de Escritores (SP/RN), Associação Brasileira de Imprensa e Instituto Histórico e Geográfico do RN, tendo sido professor de Ética, Sociologia do Direito, Direito Constitucional.
 Exerceu  os cargos de Promotor de Justiça, Professor Universitário, Secretário da Cidadania e Justiça, Controlador Geral do Estado, Juiz de Direito, dentre outros.

LUIZ ANTONIO MARINHIO.
Antes de se formar em Direito, cursou jornalismo. Foi Assessor Jurídico do Estado; Procurador Geral do Estado; Chefe da Procuradoria Fiscal; Chefe da Procuradoria do Contencioso; Chefe da Procuradoria da Dívida Ativa, e atualmente, é Procurador Corregedor Geral do Estado.

Waleska Maux
Assessoria de Comunicação
Procuradoria Geral do Estado do RN

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

ACADEMIA MACAIBENSE DE LETRAS - AML
ELEIÇÃO PARA A DIRETORIA E CONSELHO FISCAL - COMUNICAÇÃO DA ÚNICA CHAPA INSCRITA


A COMISSÃO ELEITORAL designada pela Portaria n° 01/2013-AML de 09 de novembro do ano em curso, e ratificada pela Portaria nº 02/2013-AML de 11 de novembro de 2013, do Presidente da Instituição, COMUNICA aos interessados, para os fins de direito, que foi deferida uma única chapa para os cargos da ACADEMIA MACAIBENSE DE LETRAS - AML, inscrição no CNPJ sob o n° 13.969.868/0001-46 – NATAL-RN, cujo pleito ocorrerá no dia 13 de dezembro próximo vindouro, em sua sede provisória sita à Rua Mipibu, 443, Petrópolis, nesta Capital, onde é a sede permanente da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras – ANRL e com urna, também, no Solar Caxangá, em Macaíba-RN, no horário das 9 às 14 horas, para o preenchimento dos diversos cargos da Diretoria e Conselho Fiscal, conforme os seguintes candidatos registrados e respectivos cargos para o biênio 2014-2015: DIRETORIA: Presidente: CÍCERO MARTINS DE MACEDO FILHO; Vice-Presidente: OLÍMPIO MACIEL; Secretário: FRANCISCO ANDERSON TAVARES DE LYRA; e Tesoureiro: ARMANDO ROBERTO HOLANDA LEITE. CONSELHO FISCAL: Três (03) Membros Titulares: MARIA DE LOURDES ALVES LEITE, ODILÉIA MÉRCIA DA COSTA, SHEYLA RAMALHO BATISTA; Um (01) Membro Suplente: RUI SANTOS DA SILVA.

Natal/RN, 08 de dezembro de 2013.
A Comissão Eleitoral: ODILÉIA MÉRCIA GOMES DA COSTA, Presidente; SHEYLA MARIA RAMALHO BATISTA, MARIA NETA PEIXOTO DE LIMA E JOÃO BATISTA XAVIER, Membros.



Os remédios das antigas “boticas”

Elísio Augusto de Medeiros e Silva

Empresário, escritor e membro da AEILIJ


Naquela tarde, Tibério dirigiu-se a um velho boticário que ficava situado na Rua Chile, bastante frequentado desde finais do século XIX. Era um prédio antigo de fachada alta, em cujo centro estava uma placa branca desenhada à mão: boticário.


Logo após a pesada porta de madeira, os balcões e prateleiras altas atochados de frascos de todos os formatos e cores, bem dispostos, chamam sua atenção. Um sortimento variado. Aspirinas, sais de frutas, camisas de vênus, pomadas de Metchnikoff, arsenobenzóis, permanganato, coleval, oxicianureto, xerofórmio, iodofórmio, óleo de fígado de bacalhau.


Medicamentos em suas várias formas: tisanas, pós, pomadas, xaropes, pastas, cápsulas, pílulas, electuários, solutos, elixires, poções, papéis, óvulos, misturas, supositórios, tinturas, licores, vinhos, águas, grânulos, tabletes, alcoolatos, melitos, emulsões, infusões, vinagres, colutórios, gargarejos, pastilhas, fumigações, inalações, dentifrícios, lavagens, cremes, ceratos, vernizes, colas, loções, óleos medicinais, linimentos, emplastros, apózemas...


Remédios em diversas formas contra inflamações. A pele de peixe-boi eficaz contra as erisipelas, as pílulas americanas que regeneram o sangue e dão novo ânimo aos doentes.


O bioeletro mesmerismo que combate radicalmente todas as doenças. Preservativos contra tísica pulmonar, moléstias do peito em geral, pleurais, bronquites, tosse crônica, asma.


Muitos desses preparados eram fabricados em Paris nos laboratórios da Robiquet, Boyveau& Pelletier. Esses foram os primeiros laboratórios do mundo a utilizarem o sulfato de quinina em algumas de suas fórmulas.


Não podemos esquecer o Chocolate Purgativo de Desbriére, a base de magnésia, indicado para expulsar a bílis, os humores viscosos, purificar o sangue, contra as doenças da cútis, os reumatismos, as dores de cabeça e várias outras doenças clínicas.


Tinha também o Xarope de Rabão Iodado, preparado a frio e concentrado no vácuo. Era também fabricado na França e prometia uma cura rápida das moléstias do peito, do linfatismo, do raquitismo, da palidez e moleza das carnes, além de diversas moléstias da pele e afecções ocasionais por vício ou acúmulo de sangue, e que já tivera sido tratado sem êxito pelo óleo de fígado de bacalhau.


O Unguento Morel era um remédio milagroso contra talhos, dentadas, mordidas de pulga, queimaduras e feridas de toda a natureza.


A injeção Brum infalível e preservativa contra gonorreias recentes ou crônicas e flores brancas (leucorreia).


Existia também o Xarope do Bosque, produto miraculoso que curava praticamente todas as moléstias. O Unguento Durand que assegurava curar todo tipo de feridas e contusões.


Além desses afamados remédios, o boticário vendia produtos contra cólera-morbus, antibubáticos, antiescrofulosos, antivenéreos, contra vermes intestinais, diversos tipos de desinfetantes e produtos para formosura das senhoras.


Muitos desses remédios eram preparados artesanalmente ali mesmo no boticário, pois a indústria farmacêutica era muito incipiente no Brasil.


Portanto, nas boticas era indispensável o uso de balanças de precisão, frascos, conta-gotas e colheres de medir.


Vemos então que, com todos esses recursos, adoecia quem queria e não se curava se essa fosse a sua vontade.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013



 
ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
CONSELHO ESTADUAL DOS DIREITOS HUMANOS E DA CIDADANIA

CONVITE
...

No Dia 10 de Mês de Dezembro, como ocorre em todo mundo, o Conselho Estadual de Direitos Humanos e Cidadania, irmanado ao Comitê Popular da Copa Natal 2014 e a Associação Potiguar dos Atingidos pelas obras da Copa (APAC), estará realizando a comemoração da passagem do DIA INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS em evento que se realizará no Auditório da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional RN, das 9:00 às 12:00h.



 1ª Mesa – 8:00 às 9:30h - Copa do Mundo, Controle Social, Legado e Transparência;

Debatedores: Rafael Santos (Comitê Jogos Limpos – Instituto Ethos)

Marcos Reinaldo da Silva (APAC)

Maria das Neves Valentin (Comitê Popular da Copa – Natal 2014)

2ª Mesa - 9:30 às 11:00 - Mapa dos Homicídios de Natal do ano de 2013;

Debatedores:

Ivenio Hermes (Jornalista e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública).

Marcos Dionisio Medeiros Caldas (Conselho Estadual de Direitos Humanos e Cidadania/RN e do Comitê Popular da Copa – Natal 2014).

Saudações humanistas.

MANDELA VIVE! MANDELA LIVRE!
 
 

domingo, 8 de dezembro de 2013


Verdades cruzadas - IV
CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES, Professor aposentado do Curso de Direito da UFRN e Presidente da Comissão da Verdade. Sócio do IHGRN.

            Mesmo derrotado no período do Estado Novo, continuou na política alcançando vitória no Parlamento do Brasil e o retorno à curul do Poder Executivo que o levou à morte de forma trágica – o suicídio.

            Foi-se o homem, mas ficou a fama.

O Brasil sem Vargas era uma incógnita eleitoral nas semanas que se seguiram ao suicídio. Alguns pensavam que Getúlio continuaria a eleger ‘post-mortem. O udenismo tinha esperanças de que o poder bem manipulado poderia alterar o rumo dos acontecimentos, extirpando as raízes do PTB órfão e retirando a motivação do PSD, que não se privaria das condições de se beneficiar do poder.
Claudio Bojunga. JK o artista do impossível. RJ: Objetiva, 2001. 

Nesse clima de incerteza foi realizado o pleito para escolher o novo Presidente da República, saindo vencedor Juscelino Kubitschek de Oliveira, pela legenda do PSD, contra Juarez Távora (UDN-PDC), Adhemar de Barros e Plínio Salgado. Com ele assume o Vice-Presidente João Goulart (PTB).

Sua gestão é iniciada em pleno estado de sítio, com a deposição do Presidente interino Carlos Luz e substituição por Nereu Ramos. Mas, apesar de muita turbulência, inclusive de duas rebeliões armadas – Jacareacanga, no Estado do Pará, provocada por militares da Aeronáutica e Aragarças, no Estado de Goiás, respectivamente, em 1956 e 1959, conseguiu chegar ao final do seu governo com grande aplauso do povo e reconhecimento da Nação, transferindo a Capital da República para Brasília em 21 de abril de 1960, de onde, em 31 de janeiro do ano seguinte, no Palácio do Planalto (DF) transferiu a faixa presidencial ao seu sucessor Janio Quadros, vencedor da eleição pela coligação UDN/PR/PL/PDC/PTN, tendo como Vice-Presidente o Senhor João Goulart (PSD/PTB/PST/PSB/PRT) que fazia parte da chapa do seu principal opositor Henrique Teixeira Lott (PSD/PTB/PST/PSB/PRT), Marechal do Exército brasileiro e que se apresentava como exceção à regra dos militares de alta patente.

Concorreu nesse pleito, ainda, o conhecido político paulista Adhemar de Barros (PSP).

Janio Quadros assume o governo num clima de democracia e com a presença de grande concentração popular, iniciando uma gestão marcada pela expedição de atos excêntricos e procedimentos contraditórios, que abreviaram o exercício do seu mandato, abruptamente terminada com a sua renúncia no dia 25 de agosto de 1961 – Dia do Soldado, cuja solenidade marcou o seu derradeiro ato presidencial, pois logo no início da tarde anunciava a renúncia: “Forças terríveis levantam-se contra mim e me intrigam ou difamam, até com a desculpa de colaboração.”

Seu gesto foi comunicado aos três ministros militares pelo General Pedro Geraldo e em seguida ao Senador Moura Andrade pelo Ministro Oscar Pedroso Horta, sendo encarregado ao jornalista Murilo Melo Filho fazer a entrega de cópia à Câmara Federal na pessoa de Abelardo Jurema.[1]

Nessa emergência assume o governo o Deputado Ranieri Mazzili, uma vez que o Vice-Presidente João Goulart encontrava-se em viagem ao exterior, gerando expectativas durante treze dias de incertezas, pois forças militares se opunham à sua investidura, sob o comando do Marechal Lott e incontrolável pressão das forças populares lideradas por Leonel Brizola e pelos estudantes. A solução política encontrada naquela ocasião foi a aprovação, em regime de urgência urgentíssima, no dia 2 de setembro, da Emenda nº 4 à Constituição, restringindo os poderes da Presidência da República e da instauração de um regime de gabinete (parlamentarismo), inteiramente fora das tradições brasileiras.

Com esse novo formato, João Belchior Marques Goulart assume a Presidência da República Federativa do Brasil no dia 7 de setembro de 1961, tendo como seu Primeiro Ministro o Senador Tancredo Neves.

O novo Presidente era pressionado para formar um governo à esquerda, com projetos de reformas de base no campo agrário – organizam-se ligas camponesas com atuação no nordeste através de Francisco Julião e da nacionalização de empresas e bancos; criação da SUDENE e da CHESF, apontando para o início da industrialização do Nordeste. Para isso Leonel Brizola percorria todo o Brasil em pregação dessa ideologia.

Em 6 de janeiro de 1963 um plebiscito derruba o regime parlamentar e restaura o presidencialismo dando ao Presidente o maior respaldo de que ansiava para complementar as suas ideias reformistas, que foram o estopim para o início de um clima de violência política, com realização de comícios inflamados – um dos quais em 26 de fevereiro de 1964, promovido por Brizola com resultado de pessoas feridas – era a radicalização inevitável.[2]




[1] Registram os historiadores que a renúncia de Jânio seria um golpe,  para, em seguida desistir dela, e retornar mais forte ao governo, oportunidade que não lhe foi dada.
[2] Os analistas políticos apontam o pouco preparo político e ideológico de JG – “latifundiário com saudável preocupação social”, porém vacilante, fraco, apavorado, demagogo, corrupto, populista de pouco talento, ambíguo – herdeiro do legado de Getúlio.