terça-feira, 4 de setembro de 2018



Caros confrades e confreiras. Assiste razão ao confrade Carlos Gomes quando conclama a todos para colaborarmos com a luta dos que a preservação da nossa memória cultural como o Instituto Histórico, a Academia de Letras, o Arquivo Geral do Estado e outras instituições que preservam a memória cultural. Vamos nos unir em prol desta causa e buscarmos juntos aos órgãos públicos e privados os meios para garantir a preservação do nosso acervo para prevenir que não sejamos alcançados por uma tragédia como a que ocorreu ontem no Rio de Janeiro, no Museu Nacional. Esta causa justifica a nossa luta. (Lúcio Teixeira - ALEJURN)


Triste 😔 vê a história do Brasil lapidada pelo fogo 🔥
Foi utilizado durante o Império do Brasil (1822-1889) como residência pela família imperial brasileira, desde a proclamação da independência do Brasil (1822) por Dom Pedro de Alcântara de Bragança, Príncipe Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves e, posteriormente, o primeiro imperador do Brasil como Dom Pedro I. Tendo antes sido utilizado como residência pela família real portuguesa, a partir de 1808, em decorrência do episódio conhecido como a transferência da corte portuguesa para o Brasil (1808-1822), seja como família real do Reino de Portugal ou do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1815-1822). Quando da chegada da Família Real ao Brasil em 1808, a Quinta pertencia ao comerciante português Elias Antônio Lopes, que havia feito erguer, por volta de 1803, um casarão sobre uma colina, da qual se tinha uma boa vista da Baía de Guanabara – o que deu origem ao atual nome da Quinta.
Inaugurado em 1818, o museu completou 200 anos em junho. Especializado em história natural, é o mais antigo centro de ciência do Brasil e o maior museu da América Latina (MENSAGEM)

Sim meus leitores, o sentimento que me envolve neste instante é de profunda tristeza, mas também de revolta, pois a tragédia já era anunciada em razão do pouco investimento para a manutenção de tão rico acervo - orgulho nacional, que agora virou cinzas. 
O fato trágico já ocorrera anteriormente e não serviu de alerta:

VAMOS ESTUDAR ESTRATÉGIAS.

AGENDE-SE





Visite a EXPOSIÇÃO pela passagem dos 50 anos do Movimento de Maio de 1968, em Paris, testemunhado por potiguares.
Fotos, livros, revistas, recortes de jornais.

Aliança Francesa, aberta ao público até o dia 5 próximo.


sexta-feira, 31 de agosto de 2018

FOI UMA NOITE DE REENCONTROS




O lançamento deste livro, organizado por FRANCISCO DE ASSIS CÂMARA, traz uma série de depoimentos daqueles jovens que participaram da "República Potiguar de Montparnasse" - Marcos José de Castro Guerra, Maria Marta de Castro Guerra, Rejane Cardoso, José Augusto de Albuquerque Othon, Paul Ammann e Safira Bezerra Ammann, ocorrido ontem, no auditório da OAB-RN. 
Foi uma noite de reencontros e de resgate resgate de testemunhas da História, dos anos conturbados de nossa juventude em Paris de  1968. 
Foi servido um bufet da melhor qualidade e apresentada uma seleção musical sensacional, puxada pelo Mestre Carlos Zen. VALEU 

Em seguida, fotos da exposição de livros e revistas alusivos ao evento, que enriqueceu ainda mais a noite de alegria e confraternização.










A QUINTA CULTURAL DESTE DIA 30 FOI UM SUCESSO


Como era esperado, a QUINTA CULTURAL do INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RIO GRANDE DO NORTE, neste dia 30 passado foi indiscutivelmente um sucesso.




"O VIOLÃO - Evolução histórica e musical" foi a palestra proferida pelo Confrade CLÁUDIO GALVÃO e pelo Professor EUGÊNIO LIMA recebendo o entusiasmado aplauso dos que compareceram ao evento, aberto de forma aberta pelo Presidente ORMUZ BARBALHO SIMONETTI.




Alguns momentos da palestra e concerto, com execução virtuose do grande instrumentista/palestrante.
Uma surpresa agradável foi o convite do palestrante para que os diretores CARLOS DE MIRANDA GOMES e ODÚLIO BOTELHO cantasse estrofes da "Serenata do Pescador" (Praieira), de Otoniel Menezes e música de Eduardo Medeiros, na condição de antigos seresteiros e "meninos prodígios", nos idos de 1950 na Rádio Poti.

 

Flagrantes do público que prestigiou o evento.

Pela importância cultural desse tipo de evento, o Presidente do IHGRN vem fazendo veemente apelo aos associados através de mensagem do seguinte teor:

Caro(a) confrade/confreira/diretor,
O programa, que intitulamos de “Quinta Cultural”, tem grande importância para o IHGRN, eis que se trata de divulgação da nossa história e da nossa cultura, único programa em atividade no momento. Por outro lado, contamos com a colaboração de um palestrante que, de forma espontânea e gratuita, deixa os seus afazeres para colaborar com o Instituto.
Nos dirigimos a cada um de vocês que, na qualidade diretor desta Instituição, é o anfitrião da casa. Assim sendo, necessário se faz a presença de todos, para recepcionar os convidados e prestigiar o palestrante.
Contamos com a sua compreensão e colaboração.
ORMUZ BARBALHO SIMONETTI
PRESIDENTE

terça-feira, 28 de agosto de 2018


ARARA DO PÉ ROXO

Valério Mesquita*

O radicalismo político dos anos sessenta desencadeou  paixões e ódios, às vezes, incontroláveis. Esse ambiente de alta combustão produzia com facilidade o surgimento de figuras folclóricas, esquisitas, extrovertidas e extravagantes como Janjão da rua do Vilar. Janjão bebia o veneno dos contrários. Defendia o seu partido como o evangélico a Bíblia. Gostava de repetir onde estivesse os ditos e os jargões dos comícios. Naquele tempo combatente como Janjão era pior que militante petista, xiita ou muçulmano. A ousadia tornara-se a marca registrada. Daí, a autodenominação de “arara do pé roxo” que significava dizer “dinartista extremado”.
Na campanha política de 1965, digladiaram-se dois senadores: Dinarte Mariz e Walfredo Gurgel. O Rio Grande do Norte cobriu-se de vermelho e verde. Araras contra bacuraus. O rolo compressor do governo Aluízio Alves dominava da capital ao sertão. Mas, em Macaíba, Janjão do Vilar ergueu-se contra o situacionismo tal e qual um paladino djalmista ou um samurai do rosadismo de Mossoró. Numa noite ruidosa de comício e vigília, o delegado de polícia local proibiu a passeata da arena vermelha. Protestos, insultos e prisões povoaram a noite da cidade. Tal um kamikaze ou um monge vietnamita, Janjão tremulava a bandeira e passava cantando em frente ao destacamento de polícia. “Queremos passeata e bacurau não empata. Queremos passeata e bacurau não empata...”. O mote ganhou as ruas e de repente de cada esquina e de cada janela das casas vozes uníssonas entoavam a frase da resistência. “Queremos passeata e bacurau não empata”. Janjão do Vilar transformara-se em Antônio Conselheiro, comandando a turba e organizando a massa. Mesmo com o carro de som apreendido pelo delegado e os músicos dispersos, a multidão se refez e com as pedras da rua “descalça” do Barro Vermelho desceram a rua Pedro Velho cantando alto: “Queremos passeata e bacurau não empata”. De outro flanco um  grupo atrevido sugeria em compasso bemol: “Daqui ninguém foge. Vamos comer bacurau assado com Mel Borges”. A essa altura a polícia foi impotente. O número de manifestantes a cada minuto aumentava. Chegaram os foguetões, as pistolas de cinco tiros e ninguém mais evitou o barulho, a festa enlouquecida e a paixão da turba se sobrepondo à razão e ao bom senso. Dia seguinte, o pior era suportar Janjão à porta de cada armazém, bar, farmácia e barbearia, cantando a musiquinha chata e provocante; “Queremos passeata e bacurau não empata...”. Ganhou o apelido pró-tempore: “Arara do Pé Roxo”.  
(*) Escritor.




sábado, 25 de agosto de 2018

25 DE AGOSTO - DIA DO SOLDADO





O Dia do Soldado é comemorado, no Brasil, em 25 de agosto porque foi nesse dia que nasceu o patrono do exército brasileiro, Duque de Caxias.
O Dia do Soldado busca homenagear o empenho dos soldados do Exército Brasileiro em proteger a nação.
No Brasil, aos 25 dias do mês de agosto, comemora-se o Dia do Soldado. Essa comemoração faz referência à data de nascimento de Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, nascido em 1803. O renomado oficial foi considerado o patrono do Exército Brasileiro e, pela honra desse título, o Dia do Soldado constitui-se como uma homenagem ao seu nascimento.
Luís Alves nasceu em uma fazenda da então Capitania do Rio de Janeiro. Era herdeiro de uma família da aristocracia militar portuguesa. Seu pai serviu ao exército português no Brasil, que, à época do nascimento do futuro duque, em 1803, estava na iminência de um choque contra as forças napoleônicas na Europa, o que resultaria na mudança da família real portuguesa para o Brasil. A vinda da família real para o Brasil, a elevação do país à categoria de Reino Unido e a futura independência, em 1822, transformaram a vida de Luís Alves.
Quando o Brasil tornou-se independente e adotou o modelo imperial de governo, sob a liderança de D. Pedro I, as forças militares também começaram a passar por uma transformação e associaram-se à figura do imperador brasileiro e às novas instituições criadas sob a égide da Constituição Imperial de 1824. Anos mais tarde, sobretudo no Período Regencial, quando, a partir do ano de 1838, começaram a estourar várias revoltas de teor separatista no Brasil, o Duque de Caxias já era um oficial respeitado e conseguiu uma enorme projeção por comandar exitosamente a dissipação de várias dessas revoltas.
Nesse período, especificamente no ano de 1841, Caxias recebeu seu primeiro título nobiliárquico, o de Barão de Caxias, que faz referência à cidade maranhense de Caxias, onde o exército imperial conseguiu uma de suas mais célebres vitórias. Ao longo do Segundo Reinado, Caxias teve a sua posição de nobre elevada para conde, marquês e, por fim, duque.
Duque de Caxias, herói nacional da Guerra do Paraguai, é considerado o patrono do Exército Brasileiro*
Além disso, Caxias foi senador do Império pelo Rio Grande do Sul, província para a qual também foi nomeado por Dom Pedro II comandante-em-chefe do Exército em operações. Nas fronteiras do Sul do país, a partir de 1852, Caxias esteve à frente das represálias contra as investidas de Argentina e Uruguai ao Brasil. Ao lado de outros comandantes célebres, como o general Osório, o Duque conseguiu grandes vitórias sobre as tropas do ditador paraguaio Solano Lopez entre os anos de 1866 e 1868, naquela que foi a maior guerra já vista na América do Sul, a Guerra do Paraguai.
Caxias faleceu em 1878 e até hoje sua memória é lembrada não apenas no Dia do Soldado, mas também em vários rituais e cerimônias do Exército Brasileiro, com o uso de uma réplica do seu espadim pelos oficiais formados na Academia Militar das Agulhas Negras.

Por Me. Cláudio Fernandes

domingo, 19 de agosto de 2018

Q U I N T A C U L T U R A L



A QUINTA CULTURAL DO IHGRN - SUCESSO TOTAL.


No último dia 16, o INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RIO GRANDE DO NORTE viveu um dos seus grandes momentos de cultura histórica, com a excelente exposição do Arquiteto, artista plástico, escultor em madeira e escritor JOÃO MAURÍCIO, da tradicional família MIRANDA HENRIQUES, que encantou aos que compareceram ao evento, lotando o salão nobre da Instituição.

O tema desenvolvido foi por demais sugestivo: "FELIZ É A CIDADE DE ROMA", justificado pela exibição de fotos dos prédios mais importantes da cidade e que sofreram intervenções inadequadas, ou estão sem conservação, em contraste com a cidade de Roma, que preserva o seu patrimônio arquitetônico e dele faz o uso adequado.

Em seguida, apresentamos flagrantes da ilustrativa palestra:

O Presidente ORMUZ abre o evento

Em seguida, o Diretor Orador LÍVIO OLIVEIRA faz a apresentação do palestrante, com a leitura de um texto preparado pelo Assessor da Presidência, primo do palestrante, que por motivo de enfermidade súbita não pôde comparecer, assim deduzido:

QUINTA CULTURAL – IHGRN – NATAL 16/8/2018
APRESENTAÇÃO DO PALESTRANTE JOÃO MAURÍCIO

            JOÃO MAURÍCIO já seria suficiente para apresentar um profissional consagrado nas plagas potiguares. Contudo, a obrigação protocolar exige dizer sobre JOÃO MAURÍCIO FERNANDES DE MIRANDA, por sinal meu primo, é natalense de quase 85 anos, a completar na próxima semana (dia 24), posto que nascido em 1933.
            Veio ao mundo pelas mãos da parteira Dona Adelaide Cavalcanti, a mesma que muitas vezes foi requisitada pela família MIRANDA HENRIQUES, gente de sangue quente e fazedor de gente (até rimou).
            Menino irrequieto, herdou os predicados da competência, dedicação e honestidade dos seus pais (meus padrinhos) João Virgílio de Miranda e Dona Lili (Olívia Fernandes de Miranda), e os conserva até os dias presentes, ainda que relutante combatendo os moinhos de vento trazidos pela modernidade que se espelha em valores diferentes – oportunismo, ganância e falta de ética.
            João Maurício, por muitos anos, fez parte da geografia sentimental da Avenida Deodoro, 480, que recentemente começou a ser demolida, apagando o exercício da minha memória quando por ali sempre passo.
            Começou a ser alfabetizado no tempo da palmatória, quando eu era preparado para nascer, depois foi fazer parte da linhagem dos meninos do Marista.
            Viveu o clima da 2ª Grande Guerra, praticou remo no Centro Náutico Potengi (eu também o fiz), viveu a Natal do após guerra, ressurgindo como a era de ouro e em 1950 entrou na vida (profissional é claro), quando galgou seu primeiro emprego na Prefeitura de Natal, ganhando a afortunada remuneração de Cr$ 40,00. Foi para o Rio morar (de avião e não num Ita, como meu irmão Moacyr) e em lá chegando foi recepcionado em 14 de abril de 1953, exatamente por aquele primo que já se encontrava na Cidade Maravilhosa.
Hospedou-se, inicialmente, na pensão de Dona Antonieta, na Rua Conde de Baependi, quase num porão, pois da janela tinha acesso, apenas, às belas pernas das cariocas. Ali terminou o científico e o preparatório que o levou à Escola Nacional de Engenharia.
Chegou a se perder no emaranhado da cidade grande e encontrou o caminho de volta através da polícia, que deixou o pau de arara no Catete ao vislumbrar o prédio de sua morada.
Por ironia e sorte encontrou dois natalenses – Debussy e Ebenezer que lhe ofereceram trabalho como marceneiro, onde começou a aprender a arte do entalhe com a madeira, que lhe fez artista posteriormente, responsável por miniaturas de embarcações históricas. Seus ganhos passaram para o patamar de Cr$ 4.000,00, o bastante para pensar em deixar a Prefeitura, de onde estava licenciado.
Reminiscências de lado, formou-se em 1961, já casado e pai de Ana Maria e João Luiz. Regressa a Natal a convite de Aluizio Alves e em 1962 nasce João Henrique. Um pouco antes o mesmo acontecera com o primo Moacyr, convocado por Dinarte Mariz – que eram políticos em colisão, mas que não influíram na união dos dois e mais Daniel Holanda para aqui fundarem a PLANARQ.
Muito trabalho, muitos projetos, inúmeras realizações, mesmo com o entrave de 1964. Em 1965 a empresa perde Moacyr que foi cumprir a sua sina na construção do Castelão, mas continua firme com Daniel. Acontece o seu ingresso na UFRN, onde fez uma rica trajetória, sendo autor do Marco e da Capela do Campus e daí em diante, no dizer de Camões: ...Se mais mundo houvera, lá chegara...
Sua casa e atelier é na Rua Princesa Isabel, 438, nas cercanias de sua infância, onde pratica sua arte na construção de embarcações, em desenhos, pinturas, lendo e escrevendo livros, além da sua missão natural de projetos arquitetônicos, recebendo ali os seus parentes, amigos, clientes, curtindo sua esposa e seus netinhos.
Aposentadoria? O que? Arquiteto não se aposenta!
E já falei demais e João Maurício deve estar impaciente. “Ora direis ouvir a palavra do Grande arquiteto”.
É só, obrigado.
CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES

Honras ao palestrante

 
Assistência atenta aos detalhes

João Maurício apresenta o cenário do que será abordado


A velha construção da esquina da Rio Branco com a João Pessoa


Primeiro Plano Diretor

O Machadão (demolido)

 A M I G O S





   P A R A B É N S




 DEJETEI, ESTOU PRESO?

 Berilo de Castro

DEJETEI, ESTOU PRESO? –
 A vida nos traz momentos de muita perplexidade. Coisas do cotidiano da vida. Fatos inusitados e algumas vezes  hilariantes.
Acompanhei agora pela mídia local, um caso policial jamais visto e comentado.
Vejam só:
Um certo transeunte, sem nome, sem identidade, homem pobre, inofensivo e habitante de rua, super necessitado devido  a uma aceleração fisiológica do seu sistema  gastrointestinal, procurou um local para eliminar o bolo fecal produzido e prestes a sair.
Todos nós sabemos e sentimos o que é uma urgência fecal. Não tem quem suporte!
É agir, ou agir. Caso contrário, o tiro sai por baixo e insuportável. Foi o que aconteceu com o pobre morador sem teto.
Urgido pela necessidade de  executar o que o organismo pedia e sem demora,  escolheu um recanto não muito escondido (devido à própria circunstância) – o centro da Cidade, em uma área ocupada por uma   repartição pública abandonada. Partiu como uma flecha, suando frio e com arrepios pelo corpo. Quando começou a exercer o ofício  fisiológica (numa boa), foi abordado por um policial da Guarda Municipal, que o obrigou a  desfazer do ato vexatório e se dirigir com muita pressa para uma delegacia mais próxima.
O guarda, glorificado pela sua eficiência ação policial, apresentou com empolgação ao delegado a sua vítima:
— Eis aqui senhor delegado, flagrado em plena via pública, desmoralizando a nossa cidade e aos seus habitantes, dejetando nos intramuros de uma repartição pública.
O Delegado  cheio de broncas, muita dor de cabeça, salário atrasado, assassinatos de hora em hora, enfrentando a ferro e fogo as  brutais facções criminosas, roubos e furtos de carros por minutos, múltiplos assaltos a caixas  eletrônicos em todo o Estado, mortes diárias  de  policiais, recebe a queixa e pergunta:
— Pode repetir qual o motivo da ocorrência?
— Doutor, o meliante foi flagrado cagando em plena via pública, um ato de desrespeito à  Cidade, a toda à sociedade e ao patrimônio público, por sinal muito “bem cuidado”.
— O Delegado puto da vida, suado, nervoso e colérico responde:
— Pelo amor de Deus, eu cheio de problemas sérios para resolver, você vem com um pobre morador de rua, todo cagado e fedorento, preso porque estava esvaziando o seu intestino grosso em uma repartição pública abandonada e mal cuidada! Deixa esse pobre coitado libertar o seu escremento em paz, sem perturbação e em qualquer lugar público.
Como é que vou prender um pobre  homem do bem, só porque cagou em lugar abandonado devido a uma grande e vexatória necessidade cagatória?
— Solte o pobre homem e o libere  para cagar a vontade e onde quiser.
Berilo de Castro – Escritor
As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores

sábado, 18 de agosto de 2018

VIOLÊNCIA URBANA NO RIO GRANDE DO NORTE




QUANDO A VIOLÊNCIA FICA INSUPORTÁVEL

Carlos Roberto de Miranda Gomes*

        Esse tema nunca foi da minha preferência. No entanto, no caminhar da existência, deparei-me com fases ou momentos anormais em que a violência se tornava insuportável, obrigando-me a tecer algum comentário em sentido de combate.
        Nos últimos cinco anos a questão atingiu o seu clímax e, particularmente o Estado do Rio Grande do Norte passou a ocupar o ponto mais alto da pirâmide, sendo indispensável fazer uma pesquisa e consequente meditação desse tormentoso tema.
        Filosoficamente, o Sistema Penal brasileiro optou pela pena com o objetivo da ressocialização do apenado. Por essa razão, deu-se ao constrangimento da liberdade uma conotação de escola para a recuperação do recluso e uma oportunidade de sua reabilitação.
        A realidade, todavia, vem sendo o reverso – o governo nada faz para a reabilitação do preso, lhe retira qualquer critério de dignidade humana e o torna um bandido irremediável e até lhe oportuniza um aperfeiçoamento na senda do crime. O que esperar dessa dicotomia?
        Respondem as ruas das cidades do Brasil, desde a que foi a sua Capital – o Rio de Janeiro, até as demais capitais, com especial referência a Natal, capital do Rio Grande do Norte, onde seu atual governador foi eleito com a proclamação de pretender ser o Governador da Segurança, mas comporta-se exatamente no caminho contrário e por várias omissões: a uma pela redução gradual do efetivo policial, sem correspondente reposição; a duas, pelo sucateamento dos equipamentos indispensáveis para os agentes da segurança; a três, pelo achatamento remuneratório dos policiais, pois deixam de receber as suas gratificais especiais autorizadas pela lei, pagando com atraso e lhe restringindo o apoio psicológico regular para uma atividade de tanto risco. Anuncia-se um movimento da força policial para o próximo 7 de Setembro.
        Ademais disso, a “inteligência” do governo vem descurando dos estabelecimentos prisionais, chegando a haver devolução de verbas federais para esse fim ou tendo desaprovação dos seus projetos. Recentemente, descumprindo a sua palavra dada em 2017, de desativação do presídio de Alcaçuz, resolveu agora utilizar uma verba disponibilizada pelo Tribunal de Justiça, para construção de mais dois pavilhões em Alcaçuz, onde vem gastando milhões para a recuperação do desmonte daquela violência das facções criminosas do início de 2017.
        Verifica-se um descompasso com a racionalidade. Pium/Cotovelo, onde existe Alcaçuz é o portão de entrada das praias do sul, onde costumeiramente aflui uma grande quantidade de potiguares para recuperação de suas forças no períodos de veraneio, coincidente com as férias. Porém, nenhuma compensação vem adotando para minimizar o perigo, sequer uma Delegacia de Polícia, quando o ideal seria, pelo menos um batalhão.
        Nada disso sensibiliza o governo, que continua agindo sem prévia discussão com a comunidade que lhe elegeu, tornando um clamor para aquela região e invertendo a lógica do lazer sadio para a insegurança e a temeridade, exigindo que os moradores e veranistas gastem grandes quantias para um mínimo aceitável de vida societária.
        Não sou especialista, mas não sou – nem indiferente, nem pouco inteligente, que não perceba essa drástica situação.
        Para concluir, aproveitei o ensejo em que ainda existe o clamor pelas recentes tragédias dos assassinatos do jovem Benes Júnior e do soldado Ildonio José, quando se destinava a Mossoró onde era estudante de Administração. Os detalhes cruéis estão nas colunas policiais. Sobre a publicização da violência chamo a atenção para o artigo “O Sistema Prisional”, da autoria do abalizado jurista Ivan Maciel de Andrade, que todos os sábados oferece aos leitores da sua coluna, lições de cultura e sabedoria.
        A situação da violência ficou insuportável. VAMOS EXIGIR PROVIDÊNCIAS URGENTES E SABER CUMPRIR O DEVER DE ESCOLHER OS MELHORES PARA OS PRÓXIMOS GOVERNOS.
*Escritor.


domingo, 12 de agosto de 2018

DIA DOS PAIS


 Nesta primeira meditação matinal do DIA DOS PAIS, a primeira pessoa que me chegou à mente foi a do meu inesquecível pai JOSÉ GOMES DA COSTA, de origem de uma família de agricultores em Taipu - RN, particularmente da propriedade Pitombeira, onde nasceu aos 17 de março de 1902, reduto dos seus pais - Coronel João Gomes da Costa e Bernardina Rodrigues da Costa. Ali levou uma vida saudável com os seus outros onze irmãos: Maria (AA), Jerônimo (Loló), Luzia(Ziá), Antônio (Tonho), Pedro e Manoel (Ué), estes do primeiro casamento e Francisco (Ici), Luiz (Zilú), Maria (Lilia) e Paulo (do segundo casamento com Anna Rodrigues, que trazia Sérgio), terra e gente que aprendeu a amar.
            Obrigado pelas circunstâncias, teve necessidade de vir para um centro maior, onde fez suas primeiras letras, no Colégio Ruy Barbosa de Ceará Mirim e posteriormente na Capital do Estado, onde cursou o Colégio Santo Antônio. Posteriormente deslocou-se para Olinda e Recife, no vizinho Estado de Pernambuco, onde estudou e lecionou no Colégio Americano Batista e no Mosteiro de São Bento, onde foi residente até iniciar seu curso de letras jurídicas, na tradicional Faculdade de Direito do Recife.
            No correr dos estudos jurídicos transferiu-se para o Rio de Janeiro onde concluiu seu curso superior – Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, então Distrito Federal - Turma de 1925. Seu diploma foi expedido pelo Reitor e Diretor da Faculdade Conde de Affonso Celso, em 19 de dezembro de 1925, o qual foi registrado no Departamento Nacional de Ensino em 07 de janeiro de 1926  e no Superior Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte em 16 de novembro de 1927.
Foi um dos fundadores da Ordem dos Advogados do Brasil, seção do Rio Grande do Norte (OAB/RN), cuja inscrição foi aprovada na 4ª sessão da Diretoria Provisória, realizada no Instituto Histórico e Geográfico do RGN no dia 16 de abril de 1932, tomando o nº 22, conforme registro no Livro de Inscrições Definitivas nº 01, em data de 02 de maio de 1932. Igualmente filiou-se ao Instituto dos Advogados do Brasil, seção deste Estado, como consta do papel timbrado do seu primeiro escritório – Rua Sachet, nº 74, por convite do seu dileto amigo Áureo Lins Bahia. Por conseguinte, foi eleitor do primeiro Corpo Eleitoral da OAB/RN, juntamente com outros colegas, dentre os quais registro os que foram aprovados na mesma sessão: Joaquim Inácio de Carvalho Filho, Carlos Augusto Caldas da Silva, Alberto Roselli, Miguel Seabra Fagundes, Vicente Farache Netto, Luiz da Câmara Cascudo, João de Brito Dantas e Augusto Leopoldo Raposo da Câmara.
Posteriormente, foi Promotor Público em Caicó, lugar onde contraiu matrimônio com Maria Ligia de Miranda Gomes, filha de Jerônimo Xavier de Miranda e Aline Miranda de Albuquerque Maranhão. 
           Após pertinaz enfermidade, pela força e incentivo dos amigos, ingressou na Magistratura à qual serviu a maior parte de sua vida, como Juiz de Direito de várias Comarcas do interior, como Santana do Matos, Angicos, Canguaretama e Macaíba, sendo promovido para Natal onde por longo tempo foi Juiz de Menores até atingir a desembargatória, da qual aposentou-se por ato do Governador Mons. Walfredo Gurgel, publicada no Diário Oficial do Estado do dia 18 de abril de 1967. Como tal, presidiu o Tribunal de Justiça e exerceu todos os cargos daquele Poder e ainda do Tribunal Regional Eleitoral, em cuja gestão foi adquirido o terreno onde hoje se encontra a moderna sede.
            Foi Professor fundador da velha Faculdade de Direito da Ribeira, lecionando a cadeira de Direito Civil, sendo homenageado pelos seus alunos em todo o período em que esteve em atividade naquela Casa de Saber e recebeu o Diploma de “Professor Emérito” em 29 de maio de 1972.
            Foi eleito membro da Academia Potiguar de Letras, na cadeira nº 20, que pertenceu ao Desembargador Benício Filho. Presidiu a Associação Norteriograndense de Astronomia e foi o Primeiro Presidente do Tribunal de Justiça Desportivo do Rio Grande do Norte, mercê de sua paixão pelo esporte, tendo praticado o futebol de várzea e chegando a jogar pelo Clube Naútico de Recife. Foi jogador do América Futebol Clube onde sagrou-se campeão do centenário da Independência em 1922, como jogador e foi um dos primeiros presidentes do América Futebol Clube, gestão em que adquiriu e doou o terreno onde o clube tem hoje a sua sede social.  
            Após a sua aposentadoria da magistratura e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, voltou a advogar com seus filhos Fernando e Carlos de Miranda Gomes, tendo sido Conselheiro da OAB local.
            Mesmo com a idade avançada, continuou a frequentar o escritório todos os dias, onde ficava à disposição dos seus ex-alunos e de magistrados novos que o procuravam, rotina que cumpriu até às vésperas de sua morte em 24 de janeiro de 1982. Foi um permanente embaixador de sua terra de nascimento, dando orientação a todos os conterrâneos que o procuravam.
            A humildade nunca permitiu que se elevasse às crônicas, senão pelas atitudes de coragem em fases conturbadas do Estado, nem por isso deixou de merecer o respeito dos seus concidadãos, além do nome que lhe valeu homenagem no Fórum da Comarca de Taipú, na sala de sessões da Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte e dando nome à Biblioteca da Escola da Magistratura e a uma rua em Ponta Negra.
               Antecedeu, na viagem eterna, à sua esposa e companheira de mais de 50 anos, D. Maria Ligia, também falecida, deixando os filhos Moacyr, Fernando (falecido), Lêda, Elza, Carlos, Maria do Socorro e José Gomes Filho, além de netos e bisnetos.
            No último adeus foi saudado pelo seu filho Carlos, em nome da família, que traçou a sua trajetória de vida com as seguintes palavras:
"Pai. Tua missão está cumprida. Entras na eternidade cheio de glória, porque tuas mãos jamais cometeram injustiça."
             Neste dia dedicado aos pais, renovo tudo o que disse sobre ele, acrescentando a eterna saudade. Peço sua benção meu pai.