domingo, 17 de julho de 2011


DE PAIS E FILHOS
Publico neste domingo dois trabalhos que mostram a importância do tema, da autoria de uma escritora da nossa terra, Sheyla Maria Ramalho Batista e da premiada escritora e jornalista Eliane Brum, para a meditação dos meus leitores neste domingo.

CARTA DE UM FILHO ABORTADO
Sheyla Maria Ramalho Batista
Mãe,

Refeito de todo o sofrimento, escrevo para lhe dizer que já sinto saudades do aconchego do seu ventre, onde me sentia seguro enquanto aguardava a hora de nascer.
Confesso que, antes de aqui chegar, senti medo de ser mais uma vez rejeitado por não ter sido ainda batizado. Mas me enganei; a família que me acolheu não tem nenhum preconceito. Aqui, a toda hora, chegam bebês de todo jeito e cada um conta a sua história e, todas elas, quem escuta é Nossa Senhora; e como Ela chora! ...
Somos muitos, mãe, somos uma multidão. Como passamos pela mesma aflição e fomos resgatados pelo mesmo Amor, nos sentimos como uma família e, por brincadeira, nos intitulamos "a família daqueles que seriam". Uns teriam sido sacerdotes, rabinos, pastores, irmãs de caridade para servirem a Deus com piedade, outros teriam sido dentistas, médicos, enfermeiros, para curarem as dores dos enfermos. Outros, ainda, seriam eletricistas, bombeiros, artistas. Cada um cumpriria a missão por Deus a ele confiada. Eram tantos os projetos que nós tínhamos, mas as nossas vidas foram, tão cedo, ceifadas.
Sabe mãe, quando Nossa Senhora nos falou que um filho é o maior tesouro que se pode ter, mesmo que por ele se venha a padecer, e nos falou da infância de Jesus; eu tive pena de você porque você não vai poder me ver crescer; cantar uma canção para embalar meu sono, ver meu primeiro sorriso, me ouvir pronunciar seu nome; nem vai, mais tarde, poder entrar comigo na igreja no dia em que eu for me casar e nem receber de mim o "canudo de papel" no dia que eu me formar onde estaria escrito no rodapé:
- Pela força e incentivo que me deu, o "canudo", mãe, é todo seu. - Sinto muito, também, pelo meu pai, pois, a missão que Deus me reservou foi ser, para ele, amparo na velhice e dele cuidar com muito amor.
Quero dizer-lhes, porém, que os perdôo; não guardo mágoas nem ressentimentos; mas quero lhes pedir: se, por acaso, vier um irmãozinho não cortem, por favor, o seu caminho. Deixem que ele possa nascer.
Não dêem ouvidos àqueles que apregoam que a mulher é dona do seu corpo; livre para trucidar o próprio filho por falsa moral, vaidade, comodismo. Não se deixe dominar pela covardia, pois Deus, na Sua imensa sabedoria, não despreza uma mãe em dificuldade.
Não escutem "cientistas" desvairados que manipulam a mente dos incautos; pois, a vida começa, na verdade, no momento da fecundação, seja por amor ou por paixão.
E para aqueles que não sabem a vida respeitar, mando o conselho de Nossa
Senhora: "Se, um dia, uma vida se fizer em sua vida; mesmo que tenha sido por acaso, mesmo tenha sido a contra gosto, mesmo que aquele "artigo" não corresponde ao seu gosto, há tantas mãos estendidas esperando um filho receber, há tantos corações transbordando de ternura para adotar uma inocente criatura; entreguem a elas o que foi por Deus a você concedido".
Adeus, mamãe, até o nosso reencontro; beijo seu rosto que, talvez, agora, em pranto, eleva os olhos para o céu e pede clemência.

Seu filho


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ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

sábado, 16 de julho de 2011

Aprovação e reprovaçãoExame de Ordem não serve para comparar as escolas
Por Adriana Ancona De Faria[Artigo publicado nesta quinta-feira no caderno Tendências/Debates, da Folha de S. Paulo]- fonte: Notícias CONJUR de 14.7.2011

Os índices de aprovação e reprovação nos exames da OAB que vêm sendo apresentados não permitem uma análise comparativa adequada entre os cursos jurídicos do país.

São apresentadas informações alarmantes acerca do índice de reprovação no Exame da OAB, o que aquece o debate sobre o excesso de cursos de Direito existentes, os desafios sobre processos regulatórios e avaliativos e a demanda sobre a necessária qualificação da formação jurídica ofertada.

A seriedade do debate proposto, entretanto, exige que as informações produzidas em relação ao desempenho acadêmico de um curso, à sua capacidade de profissionalização ou à qualidade de seus egressos decorram da análise de dados consistentes e comparáveis.

Todavia, os índices e ranking veiculados devem ser olhados com cuidado, uma vez que a lista das instituições de ensino, com seus respectivos percentuais de aprovação, compara situações muito diversas. Por exemplo, é possível identificar um índice de aprovação de 100%, ou 0%, que conte com a participação de apenas um aluno inscrito em determinado curso.

Seria relevante pensar na construção de um índice consistente, que de fato pudesse comparar situações equivalentes. Se os índices fossem feitos levando em consideração os formandos de cada ano, as universidades, o mercado, o MEC e a própria OAB poderiam ter uma informação real para fazer eventuais ajustes de forma mais efetiva.

É preciso destacar que, a partir do edital de Exame da OAB de junho de 2010, os alunos do último ano de Direito podem prestar exames muito antes de se formarem, com a simples comprovação de matrícula no 5º ano do curso.

O destaque para esse fato é que essa situação agrega novas possibilidades de comparações indevidas quando se fala de índice de aprovação no Exame da Ordem: é possível que um exame conte exclusivamente com candidatos que ainda são alunos e que outro conte com candidatos já formados.

No último Exame da OAB, por exemplo, a Direito GV contava apenas com seis alunos formados em 2010, pois os demais já tinham sido aprovados em exames anteriores, e a grande maioria era de alunos que acabavam de se matricular no quinto ano. Da turma que se formou em 2010, o índice de aprovação da Direito GV é de 95%.

Quantos alunos formados ou em curso compunham o quadro de inscritos das demais faculdades? Os índices que nos foram apresentados não fazem essa distinção.

Pensando na construção de um índice consistente e equivalente, seria interessante que fosse construído um índice de percentual de aprovação que levasse em conta exclusivamente os prováveis formandos de cada ano.

Tal índice consideraria os alunos inscritos/aprovados na soma dos exames feitos a partir do início do quinto ano de curso até o primeiro exame após a formatura da turma.

Evidentemente, a comparação de índices teria que trabalhar por faixas de inscritos.

Afinal, uma instituição que teve mais de 70% da turma de formandos inscrita nos exames autorizados não pode ser comparada com uma que teve um ou poucos alunos inscritos nessa condição.

Essa proposta permitiria o conhecimento do percentual de alunos de cada universidade aprovados no exame da OAB imediatamente após sua formatura.

Ou seja, escolas, mercado, sociedade civil, Ministério da Educação e OAB poderiam saber a cada turma de formandos qual o efetivo percentual de aprovação em cada ano.

A partir dessa nova informação construída seria possível falar na elaboração de uma análise comparativa em relação aos cursos de Direito do país, o que não pode ser aceito hoje, diante da forma como a informação é compilada.

sexta-feira, 15 de julho de 2011


CENTENÁRIO DA LIGA DE ENSINO DO RN
PROGRAMAÇÃO

Em virtude do falecimento da Professora Margarida Morgantini, a LIGA DE ENSINO DO RIO GRANDE DO NORTE, mantenedora do Complexo de Ensino Noilde Ramalho ED/HC/FARN, resolveu alterar a programação do seu centenário de criação, para a realização apenas da parte institucional do evento, canceladas a parte festiva, a saber:

19 de julho - Missa em Ação de Graças pelo centenário da LIGA e DE 7º dia do felecimento da Professora Margarida Morgantini, às 9h, no Centro de Convivência Clara Camarão, celebrada pelo arcebisbo Dom Matias Macedo.

Homenagem a Noilde Ramalho pelos 91 anos que completaria e pela sua dedicação à frente da Escola Doméstica durante 63 anos, além de ter sido a idealizadora do Complexo Educacional Henrique Castriciano e da Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte (FARN).

Descerramento de um busto da educadora, nos jardins do HC/FARN, trabalho do artista plástico Eri Medeiros.

20 de julho - Aposição das placas comemorativas do centenário, no totem da entrada da Escola Doméstica (placas ED/HC/FARN e da Associação das Ex-alunas da ED), e inauguração de uma galeria dos ex-presidentes da Liga.

23 de julho - Sessão solene para entrega da medalha Varela Santiago a 15 personalidades que contribuíram para o desenvolvimento econômico, político e cultural do Estado, ou prestaram algum serviço relevante à Liga e ao Complexo ED/HC/FARN.

MARIA MARGARIDA TEIXEIRA CABRAL MORGANTINI

A sociedade potiguar lamentou o falecimento dessa ilustre educadora, que há pouco tempo substituíra D. Noilde Ramalho na direção da Escola Doméstica.
A Liga de Ensino do Rio Grande do Norte, que se prepara para comemorar os seus 100 anos de existência, foi impactada com o acontecimento e lhe prestará as devidas homenagens, celebrando missa em sufrágio de sua alma, coincidindo com a missa de ação de graças pelo centenário da vetusta instituição, na próxim terça-feira, dia 19, no seu Centro de Convivência.
Neste espaço, fazemos a homenagem deste blog, com a certeza de que o seu merecimento será proclamado por todos.
Com o respeito de Carlos Roberto de Miranda Gomes.

quinta-feira, 14 de julho de 2011


América Futebol Clube

O América Futebol Clube do Rio Grande do Norte, carinhosamente chamado de "Mecão" completa hoje 96 anos de glórias.

Fundado no dia 14 de julho de 1915 na residência do juiz Joaquim Homem de Siqueira, no bairro da Cidade Alta, tem um caminho notável de conquistas e se mantém firme no carinho da sociedade potiguar, como o clube de futebol mais simpático e possuidora de uma das maiores torcidas do nordeste, com destaque nacional, haja vista a sua participação marcante no cenário desportivo do Brasil. Dos clubes do Rio Grande do Norte, foi o único a disputar a série A do Campeonato Brasileiro, Ranking Nacional de Clubes da CBF atualmente. Na sua história contabiliza o primeiro vencedor estadual em 1919 e a participar de uma competição internacional, a extinta Copa Conmebol, e por ser campeão da Copa do Nordeste em 1998, e campeão da Taça Norte-Nordeste em 1973.

"A oficialização jurídica do clube tem uma história curiosa. Sobre isto, existe uma versão que diz que o então Coronel Júlio Canavarro de Negreiros Melo, no dia 3 de junho de 1918, furou a única bola que o clube tinha para treinar e jogar, tendo sido o América obrigado a possuir personalidade jurídica para poder entrar com uma ação indenizatória. Para tanto, os estatutos foram registrados pela primeira vez no dia 3 de julho de 1918, no Primeiro Ofício de Notas, em documento assinado pelo então presidente Oswaldo da Costa Pereira.

Os jogadores do América eram provenientes do bairro da Cidade Alta. Nos seus primeiros sete anos de existência, os recursos financeiros do clube vinham em grande parte do bolso de Aguinaldo Tinôco, um dos seus fundadores e que também era zagueiro e capitão do time.

O primeiro título americano veio em 1919. Foi o segundo campeonato de futebol promovido pela Liga de Desportos Terrestres no estado, primeiro a ser concluído. Em 1920, conseguiu seu primeiro bi-campeonato. Dois anos mais tarde, o clube conquistou seu terceiro troféu, ao ganhar o campeonato daquele ano que foi intitulado Taça da Independência em 1922, em homenagem ao centenário da Independência. Na final, João Maria Furtado, conhecido como "De Maria" fez o único gol da partida frente aos eternos rivais americanos, o ABC Futebol Clube. O América voltou a ganhar um título estadual apenas em 1926, quando abriu o caminho para o segundo bicampeonato da competição. Após o terceiro bi-campeonato de 1930-1931, o América amargou 10 anos sem vitórias locais, voltando a ser campeão só em 1942. Esse período, denominado período negro do futebol potiguar, ficou marcado pelo Deca-campeonato do ABC, graças a atuação nada exemplar do então dirigente do ABC, Vicente Farache. Nos anos 1940 e 1950, a equipe alvirrubra repetiu o bom desempenho em competições estaduais, conquistando o bicampeonato em mais três ocasiões: 1948, 1949, 1951, 1952 e 1956, 1957. O destaque dessa época foi o atacante Saquinho, tido como maior centro-avante que já vestiu a camisa alvirrubra potiguar.

Após um largo período licenciado da Federação (de 1959 a 1966) para construção de sua Sede Social, o América voltou a ser campeão em 1967, contando com um time bastante caseiro, mas com jogadores de destaque como Véscio e Evaldo "Pancinha". Nesse ano, a final foi contra o Riachuelo, do então jovem Marinho Chagas. Essa vitória propiciou a participação do América na Taça Brasil de 1968.

Nos anos 1970 a equipe natalense marcou presença em campeonatos brasileiros.Em 1973, ganhou o troféu Norte-Nordeste, também conhecido como Taça Almir, torneio disputado entre equipes do Norte-Nordeste, valendo-se do confronto entre eles pelo Campeonato Brasileiro. Título inédito ao futebol potiguar e confirmado pela Placar nº 192 de Novembro de 1973. Neste mesmo ano, disputando a primeira divisão do brasileiro, ficou em 25º lugar, dentre os 40 times que disputavam a competição. O time base era: Ubirajara; Ivan Silva, Scala, Mário Braga e Cosme; Paúra, Garcia e Hélcio Jacaré; Almir, Santa Cruz e Gilson Porto. Tec: Sebastião Leônidas. Destaque para Hélcio Jacaré, tido como um dos maiores ídolos do América, Scala, ex-seleção e Ivan Silva, recordista de partidas pelo América: 476 jogos. A melhor participação do América nos antigos campeonatos nacionais foi em 1977, quando conseguiu um 17º lugar entre 62 clubes. O América participou de 11 competições seguidas(de 1973 a 1983), voltando a participar da "Série A" em 1986. A partir daí, o América passou a ser conhecido como Orgulho do RN, após essas campanhas. A partir de 1979, o clube iniciou a sua maior série de vitórias no campeonato estadual, sendo tetracampeão de 1979 a 1982, ficando 2 anos e vários jogos sem perder para nenhuma equipe do Rio Grande do Norte.

Após a decadência do futebol potiguar por quase uma década, o América voltou a ser notícia no cenário do futebol brasileiro, nos anos 1990. Em 1996, Liderado pelo habilidoso meia Moura, a equipe do Rio Grande do Norte conquistou o vice-campeonato nacional da segunda divisão, estando no ano seguinte entre os principais clubes do Brasil, voltando a Série A depois de 11 anos. Em mais uma demonstração de força, a equipe potiguar venceu a Copa do Nordeste de 1998, derrotando o Vitória na final por 3 a 1, gols de Kobayashi, Biro Biro e Carioca. Apesar de o Estádio Machadão estar com uma parte de suas arquibancadas interditada, a torcida rubra lotou o estádio e empurrou o América para mais um título, que lhe deu direito a participação numa competição internacional, a copa conmebol de 1998. O Mecão entrou em campo naquela noite chuvosa de 4 de junho com a seguinte escalação: Gabriel; Gilson, Paulo Roberto, Lima e Rogerinho; Montanha, Carioca, Moura e Biro Biro; Kobayashi e Leonardo. Técnico: Arthur Ferreira.

Em 2000, o time chegou às oitavas de final da Copa do Brasil, desclassificando entre outras equipes o Sport, em plena Ilha do Retiro, perdendo a chance de passar para quartas, ao perder para o São Paulo.

O amargo descenso em 2004 à Série C culminou numa ascensão meteórica, jamais vista no futebol brasileiro. Após conseguir o acesso para a Série B em 2005, sendo vice-campeão do Série C , o América fez uma grande campanha em 2006, liderados pelo maior ídolo da história, o maestro Souza, craque "nascido" no América, que retornou ao seu clube do coração após passagens pelos principais clubes do Brasil, e ficou em quarto lugar, posição que o garantiu no Campeonato Brasileiro de 2007. Nesta competição, o Mecão acabou sofrendo pesadas derrotas, o que acarretou em uma péssima campanha, a pior em pontos corridos, e o consequente rebaixamento à Série B do ano seguinte. Em 2010, o América disputou a Série B e foi Rebaixado à Série C de 2011, sendo o 20º colocado com 41 pontos.
A 9 de dezembro de 2005 pela lei municipal Nº 5.697 foi criado o Dia do América Futebol Clube. A data comemorativa no calendário da cidade homenageia a fundação do clube, sendo comemorada no mesmo dia 14 de julho. No dia 3 de outubro de 2003, foi publicado no Diário Oficial do Município a Lei n° 5.493, de autoria do vereador Hermano Morais, hoje seu Presidente, reconhecendo o América Futebol Clube, como de Utilidade Pública Municipal. Saliente-se que em 7 de Novembro de 1928, através da Lei 707, o clube foi o primeiro a ser reconhecido como de Utilidade Pública Estadual.
Patrimônio - Sede Social - Comprado por iniciativas do presidente José Gomes da Costa, em 1929, juntamente com Orestes Silva, o terreno foi adquirido junto ao estado, por 9 mil cruzeiros, com recursos próprios e doados ao América, todo o quarteirão onde hoje está plantado o seu maior patrimônio, o imponente edifício-sede do clube. Participaram também da transação o Tenente Júlio Perouse Pontes, Clóvis Fernandes Barros e Osmar Lopes Cardoso. O local, que no passado servia também de campo de treinamentos, era considerado muito distante.

O América foi o primeiro clube de futebol do estado do Rio Grande do Norte a possuir sede própria, construída na gestão do Presidente Humberto Nesi e levantada a primeira pedra no dia 14 de julho de 1945, à Avenida Maxaranguape, considerada a primeira e mais antiga sede própria do clube, a inauguração de sua primeira sede se deu na gestão de José Rodrigues, e foi marcado por um amistoso frente ao ABC, ganho pelo América por 6 x 2(gols de Marinho, Pernambuco duas vezes, Alinio, Tico e Gargeiro contra, descontando Albano duas vezes para o ABC) no dia 10/07/1948.

Para construção da Sede Social, o maior bem do clube, o América esteve licenciado do futebol no período de 1960 a 1965. Construído com muito suor e dinheiro dos americanos, a babilônia rubra, como é carinhosamente chamada, ficou pronta na gestão de Humberto Pignataro (grande responsável por sua construção) em 14/07/1967, num dia festivo para cidade do Natal e, especialmente, para Torcida Americana. Hoje, mesmo após algumas alienações de terrenos da majestosa Sede, calcula-se que a Babilônia Rubra tenha um valor no preço de mais de 20 milhões de reais. Ali houve os maiores carnavais de Natal, as melhores festas da época, o que firmou o América como um clube social e desportivo mais tradicional do Estado do Rio Grande do Norte."
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FONTE: Wikipédia

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Interesse Público
Natal: sede mais atrasada da Copa corre contra o tempo
George Fernandes (*)

No dia 13 de janeiro de 2010, a então governadora do Rio Grande do Norte, Wilma de Faria, e a prefeita de Natal, Micarla de Sousa, assinaram a Matriz de Responsabilidade para a Copa de 2014.

O documento definia obrigações e cronogramas de cada participante nas obras dos estádio, aeroportos, transporte e terminais turístico-portuários de cada cidade-sede. Um ano e meio depois, nada saiu do papel na capital potiguar.

Mesmo assim, o governo insiste em afirmar que tudo está dentro do prazo. Diferente dos seus colegas, o secretário municipal de Obras Públicas e Infraestrutura (Semopi), o engenheiro civil Dâmocles Pantaleão Lopes Trinta, reconhece que a cidade está no limite.

“Os prazos estão ficando apertados a cada dia que passa e não podemos trabalhar no limite. Precisamos começar as obras já, para que não haja surpresas”, alertou o secretário ao ser entrevistado em um programa de rádio, em Natal.

“O que está licitado já vai começar e o que está para ser licitado vamos licitar”, disse Trinta, referindo-se às obras de mobilidade urbana sob a responsabilidade da prefeitura. O primeiro trecho das obras (três intervenções), que liga a zona norte à Arena das Dunas, passando pela zona oeste, deve começar em setembro, segundo a Semopi.

O segundo trecho (oito intervenções no entorno da Arena das Dunas), que tem licitação prevista para setembro, deve ter as obras em dezembro.

“Ainda temos margem para esticar as obras além de dezembro de 2013 [prazo final exigido pelo Comitê Organizador Local], se for necessário”, disse o secretário.

Doutor em Engenharia de Trânsito, o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Enilson Santos, afirma que ainda há prazo razoável para concluir as obras previstas. “Não vejo dificuldades para que estas obras sejam concluídas antes da Copa. Mas vai depender de como serão tocadas.”

Ainda sob a competência da prefeitura de Natal, a construção de um túnel de drenagem que liga a região da Arena das Dunas ao Rio Potengi, está em fase de estudo e com R$ 126 milhões garantidos pelo governo federal via Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2. A obra deve começar ainda este ano, segundo a Semopi, e tem prazo de conclusão em 12 meses.

Mobilidade urbana

No que diz respeito às cinco obras de mobilidade urbana de responsabilidade do governo do estado, o diretor do DER/RN e secretário especial da Copa no Rio Grande do Norte, Demétrio Torres, informou que os projetos executivos para as três intervenções que serão feitas na Estrada de Ponta Negra, umas das principais vias de acesso aos bairros da Zona Sul e às praias do litoral sul potiguar, estão sendo finalizados.

No entanto, previstas para começarem no segundo semestre deste ano, as obras foram adiadas para 2012.

A secretária de Infraestrutura do estado, Kátia Pinto, disse ao “Diário de Natal” que estas obras devem ser iniciadas entre fevereiro e março de 2012, com a previsão de durarem 24 meses. Ou seja, com término previsto para uma data próxima ao início do Mundial, extrapolando o prazo de dezembro de 2013 exigido pelo governo federal.

“O projeto executivo da obra está na fase final de estudos e deverá ser entregue no fim deste mês”, disse Kátia. O governo também é responsável pela construção da via de acesso que vai ligar o novo Aeroporto de São Gonçalo do Amarante à Arena das Dunas e pelo prolongamento da avenida Prudente de Morais, que liga o Aeroporto Augusto Severo ao estádio.

Torres informou que uma nova licitação está sendo preparada para a construção do túnel, necessário para ligar a Avenida Prudente de Morais, que corta a cidade no sentido norte-sul, ao Aeroporto Augusto Severo, localizado em Parnamirim. A primeira licitação para esta intervenção, ainda em junho, foi deserta. O túnel passará sob a BR-101.

“No caso de haver uma nova licitação deserta, o governo pode contratar empresa sem licitação, em caráter de emergência. Está na lei”, afirmou Torres. A nova licitação está prevista para o final deste mês. A obra de prolongamento da avenida está em fase de conclusão.

O acesso que vai ligar o Aeroporto de S. Gonçalo à Arena das Dunas esbarrou no processo de desapropriações.

Investimentos

As 16 obras de transporte em Natal e Região Metropolitana estão dentro do “PAC da Mobilidade” e contam com recursos federais. Do total de R$ 386 milhões disponibilizados pela Caixa Econômica Federal, R$ 81 milhões serão repassados ao estado e R$ 305 milhões à prefeitura. A assinatura dos contratos está prevista para este mês.

Além dos R$ 305 milhões, a prefeitura anunciou um custo total de R$ 338 milhões para as 11 intervenções sob sua responsabilidade. A prefeitura ainda precisa de R$ 18 milhões para as obras.

Porto e aeroporto

As obras de construção do terminal de passageiros do Porto de Natal e do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante ainda são uma incógnita.

A assessoria de imprensa da Companhia Docas do RN (Codern) informou que a licitação para a construção do terminal de passageiros do Porto de Natal é de responsabilidade da Secretaria Especial dos Portos e que deve sair ainda este ano.

Para atender a demanda por hospedagem na Copa, a Secretaria dos Portos investirá R$ 740 milhões em sete portos brasileiros: Fortaleza, Natal, Salvador, Rio de Janeiro, Santos, Manaus e Recife. No caso de Natal, serão construídas novas estruturas.

Os investimentos permitirão que os navios sejam opção de hospedagem, ampliando a quantidade de leitos durante dos jogos. Os portos nas cidades de Natal, Recife, Fortaleza e Manaus terão ancoradouros para dois navios. Depois do grande fluxo de turistas para a Copa, a estrutura servirá, sobretudo, para a movimentação de carga.

Já o leilão do Aeroporto de São Gonçalo, previsto para ser o maior da América Latina e que será concedido à iniciativa privada, sofreu um atraso de um mês a pedido dos consócios que desejam participar do certame. Antes marcado para o dia 19 de julho, o leilão deve acontecer somente em 22 de agosto.

Mas, diante da incógnita que virou o Aeroporto de São Gonçalo, a Infraero, estatal que administra os aeroportos do país, deu início a um plano B. O órgão anunciou um investimento de R$ 20 milhões na reforma do Aeroporto Internacional Augusto Severo.

“Estamos contando com o Aeroporto Augusto Severo, mas se o de São Gonçalo ficar pronto até lá, melhor ainda”, comentou Wagner Bittencourt, ministro da Secretaria Nacional de Aviação Civil, em entrevista ao portal “G1”.

Arena das Dunas

“Só depois da implosão da parte superior do Machadão é que as obras da Arena das Dunas vão começar pra valer”. A declaração do secretário de Comunicação do estado, Alexandre Mulatinho, deixa claro que as obras do estádio de Natal para a Copa de 2014 só vão começar mesmo em setembro, correndo sério risco de só ficar pronta depois do prazo pré-estabelecido: dezembro de 2013.

Dos 12 estádios, a Arena das Dunas é o mais atrasado para o Mundial.

De acordo com Demétrio Torres, nestes meses de julho e agosto a OAS, empresa responsável pela construção e manutenção da nova praça de esportes de Natal pelos próximos 23 anos (contando o tempo de construção), vai montar o canteiro de obras e realizar os serviços básicos de retirada dos dutos de água e esgoto e rede elétrica, localizados no terreno.

Um grupo de técnicos está sendo mobilizado pela Secretaria estadual da Copa (Secopa) para vistoriar prédios comerciais e residências num raio de 1 km do estádio Machadão, que terá a parte superior (arquibancada e marquise) implodida em setembro.]

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(*) Texto publicado nesta terça-feira, 12, ontem, no portal “Copa 2.014”.
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FONTE: Jornal virtual de Roberto Guedes - edição de 13.7.2011
MAS QUE COISA!!!!!!

Não sei quem é o autor dessa coisa, mas só sei que essa coisa é uma coisa boa de ler... Coisa A palavra "coisa" é um bombril do idioma. Tem mil e uma
utilidades. É aquele tipo de termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma idéia. Coisas do português. A natureza das coisas: gramaticalmente, "coisa" pode ser substantivo, adjetivo, advérbio. Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma "coisificar". E no Nordeste há "coisar": "Ô, seu coisinha, você já coisou aquela coisa que eu mandei você coisar?". Coisar, em Portugal, equivale ao ato sexual, lembra Josué Machado. Já as "coisas" nordestinas são sinônimas dos órgãos genitais, registra o Aurélio. "E deixava-se possuir pelo amante, que lhe beijava os pés, as coisas, os seios" (Riacho Doce, José Lins do Rego). Na Paraíba e em Pernambuco, "coisa" também é cigarro de maconha. Em Olinda, o bloco carnavalesco Segura a Coisa tem um baseado como símbolo em seu estandarte. Alceu Valença canta: "Segura a coisa com muito cuidado / Que eu chego já." E, como em Olinda sempre há bloco mirim equivalente ao de gente grande, há também o Segura a Coisinha. Na literatura, a "coisa" é coisa antiga. Antiga, mas modernista: Oswald de Andrade escreveu a crônica O Coisa em 1943. A Coisa é título de romance de Stephen King. Simone de Beauvoir escreveu A Força das Coisas, e Michel Foucault, As Palavras e as Coisas. Em Minas Gerais, todas as coisas são chamadas de trem. Menos o trem, que lá é chamado de "a coisa". A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: "Minha filha, pega os trem que lá vem a coisa!". Devido lugar: "Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça (...)". A garota de Ipanema era coisa de fechar o Rio de Janeiro. "Mas se ela voltar, se ela voltar / Que coisa linda / Que coisa louca." Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas. Sampa também tem dessas coisas (coisa de louco!), seja quando canta "Alguma coisa acontece no meu coração", de Caetano Veloso, ou quando vê o Show de Calouros, do Silvio Santos (que é coisa nossa). Coisa não tem sexo: pode ser masculino ou feminino. Coisa-ruim é o capeta. Coisa boa é a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim! Coisa de cinema! A Coisa virou nome de filme de Hollywood, que tinha o seu Coisa no recente Quarteto Fantástico. Extraído dos quadrinhos, na TV o personagem ganhou também desenho animado, nos anos 70. E no programa Casseta e Planeta, Urgente!, Marcelo Madureira faz o personagem "Coisinha de Jesus". Coisa também não tem tamanho. Na boca dos exagerados, "coisa nenhuma" vira "coisíssima". Mas a "coisa" tem história na MPB. No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, estava na letra das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandré ("Prepare seu coração / Pras coisas que eu vou contar"), e A Banda, de Chico Buarque ("Pra ver a banda passar / Cantando coisas de amor"), que acabou de ser relançada num dos CDs triplos do compositor, que a Som Livre remasterizou. Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor, verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda não tava
nem aí com as coisas: "Coisa linda / Coisa que eu adoro". Cheio das coisas. As mesmas coisas, Coisa bonita, Coisas do coração, Coisas que não se esquece, Diga-me coisas bonitas, Tem coisas que a gente não tira do coração. Todas essas coisas são títulos de canções interpretadas por Roberto Carlos, o "rei" das coisas. Como ele, uma geração da MPB era preocupada com as coisas. Para Maria Bethânia, o diminutivo de coisa é uma questão de quantidade (afinal, "são tantas coisinhas miúdas"). Já para Beth Carvalho, é de carinho e intensidade ("ô coisinha tão bonitinha do pai"). Todas as Coisas e Eu é título de CD de Gal. "Esse papo já tá qualquer coisa...Já qualquer coisa doida dentro mexe." Essa coisa doida é uma citação da música Qualquer Coisa, de Caetano, que canta também: "Alguma coisa está fora da ordem." Por essas e por outras, é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, pois uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. E tal coisa, e coisa e tal. O cheio de coisas é o indivíduo chato, pleno de não-me-toques. O cheio das coisas, por sua vez, é o sujeito estribado. Gente fina é outra coisa. Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário-mínimo não dá pra coisa nenhuma. A coisa pública não funciona no Brasil. Desde os tempos de Cabral. Político quando está na oposição é uma coisa, mas, quando assume o poder, a coisa muda de figura. Quando se elege, o eleitor pensa: "Agora a coisa vai." Coisa nenhuma! A coisa fica na mesma. Uma coisa é falar; outra é fazer. Coisa feia! O eleitor já está cheio dessas coisas! Coisa à toa. Se você aceita qualquer coisa, logo se torna um coisa qualquer, um coisa-à-toa. Numa crítica feroz a esse estado de coisas, no poema Eu, Etiqueta, Drummond radicaliza: "Meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente." E, no verso do poeta, "coisa" vira "cousa". Se as pessoas foram feitas para ser amadas e as coisas, para ser usadas, por que então nós amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas? Bote uma coisa na cabeça: as melhores coisas da vida não são coisas. Há coisas que o dinheiro não compra: paz, saúde, alegria e outras cositas más. Mas, "deixemos de coisa, cuidemos da vida, senão chega a morte ou coisa parecida", cantarola Fagner em Canteiros, baseado no poema Marcha, de Cecília Meireles, uma coisa linda. Por isso, faça a coisa certa e não esqueça o grande mandamento: "amarás a Deus sobre todas as coisas". ENTENDEU O ESPÍRITO DA COISA?
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Colaboração de Zequinha (Zé Correia de Azevedo) e Carlos Rosso

terça-feira, 12 de julho de 2011


União Brasileira de Escritores lança prêmio literário
A União Brasileira de Escritores do Rio Grande do Norte (UBE/RN) lançou a primeira edição do prêmio literário “Escritor Eulício Farias de Lacerda”. O objetivo é premiar os autores potiguares ou, sendo de outros Estados, vinculados à UBE/RN, em trabalho na modalidade “prosa”, sobre pessoas, natureza ou costumes prevalentes na cultura do Rio Grande do Norte.
O local das inscrições e entrega dos trabalhos é na sede provisória da UBE/RN, localizada na rua Padre Manoel, esquina com a rua D. Pedro I, no prédio do Memorial da Justiça Desembargador Vicente Lemos, no horário corrido de 8h às 16h, até o dia 30 de setembro de 2011.
A premiação será da seguinte forma: a) Premiação em dinheiro: 1º lugar: R$ 1.000,00 (mil reais); 2º lugar: R$ 500,00. b) Premiação de publicação em livro do trabalho vencedor (editoração pelo selo “Nave da Palavra”), com tiragem de 300 exemplares. Os premiados receberão diploma com a referência da sua colocação.
Trabalhos e autores vencedores serão conhecidos na cerimônia de premiação, prevista para ocorrer em outubro de 2011, por ocasião do IV Encontro Potiguar de Escritores (IV EPE), com a presença de todos os finalistas.
As condições para a participação no concurso obedecerão aos termos do regulamento afixado no quadro de avisos da UBE/RN e o pedido de inscrição implica na aceitação plena do regulamento, que também pode ser acessado no site www.ubern.org.br Informações outras pelo fone 3616-6513.
DO JORNAL VIRTUAL DE ROBERTO GUEDES (12.7.2011)
NOTÍCIAS DA COPA 2.014


Copa 2.014

Severo Gomes
Ao tentar, num tecnocratês enroladíssimo, dos piores do mundo, minimizar a informação de que por ocasião da Copa do Mundo de 2.014 Natal só contará mesmo com o atual aeroporto de Parnamirim, o ministro da Aviação Civil, Wanger Bittencourt, saído não se sabe de qual colégio, mencionou o equipamento como “Severo Gomes”, em lugar de “Augusto Severo”.
Financiamento
A governadora Rosalba Ciarlini espera desatar na tarde desta terça-feira, 12, amanhã, durante audiência, no Rio de Janeiro, com a diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), os nós que impedem a instituição de liberar recursos para a construção do estádio “Arena das Dunas”, o cenário idealizado para que Natal acolha jogos da Copa do Mundo de Futebol de 2.014.
Investigada
Consulta ao “site” do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a Construtora OAS, única que se habilitou em concorrência pública para construir o estádio Arena das Dunas, em Natal, revelou na última sexta-feira, 8, que, até essa data, ela está presente em 282 processos de investigação – entre encerrados e em andamento – por indícios de uso inapropriado de recursos públicos em obras estruturantes em todo o País.
Comitê
Sob a liderança do advogado Marcos Dionísio Caldas, integrantes de diferentes movimentos sociais com base em Natal estão organizando um “Comitê Popular Copa 2014”, com a finalidade de fiscalizar e cobrar transparência dos governantes nas ações que envolvem a atração do certame para esta capital. “Não queremos dizer que existem ilegalidades. Só queremos acompanhar o processo. Afinal de contas, somos nós que pagamos por tudo isso que está acontecendo ou não”, afirma Marcos.

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Contagem regressiva

Faltam 1.062 dias para a abertura da Copa do Mundo de Futebol de 2.014.

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COMENTÁRIO

Governo vê fracasso em São Gonçalo
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Roberto Guedes

Não teve nada a ver com a necessidade de apresentar mais informações a potenciais interessados que o governo federal anunciou na semana passada o adiamento do leilão que promoveria no próximo dia 19, na sede da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), para eleger o grupo privado com o qual montaria parceria visando à construção e exploração, durante trinta anos, do aeroporto internacional de São Gonçalo do Amarante, vizinho a Natal.
Refletindo o que noticiaram a respeito outros espaços da mídia do centro-sul do país, a seção “Panorama” da mais recente edição da revista “Veja” mostra que a empreitada fracassou, recomendando à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero), responsáveis pelo certame, a necessidade de adiar o pregão. Fracassou em termos de empreiteiras nacionais, depois de conhecerem o edital do leilão, não terem demonstrado interesse em dele participar. Ou seja: de interessante, como parecia aos olhos governamentais, para a iniciativa privada, o empreendimento se mostrou aquém das expectativas para esta.
A revista pode ter acertado em algo mais sério do que a desimportância da obra, cuja privatização só veio a ser definida pelo governo federal depois que a iniciativa privada revelou o desejo de construir e explorar um grande aeroporto nas proximidades de São Paulo, de longe a maior região metropolitana do país. Acontece que outros grandes empreendimentos governamentais estão a ver navios, pois empreiteiras que em outros tempos se acorreriam atrás de contratos para tocá-las viraram suas costas a estes empreendimentos.
Tanto é assim que o governo cogitaria de abrir suas concorrências para grupos estrangeiros.
A propósito, em Natal nunca constou que as grandes construtoras nacionais se interessassem tanto por São Gonçalo quanto alguns grupos europeus que já vieram falar com autoridades locais sobre o equipamento.

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Interesse Público

O Jeitinho e o Jeitão Bra$ileiro no desleixo com as obra$ da Copa

Gaudêncio Torquato (*)

A explicação, que parece risível, é dada de maneira séria por autoridades: as obras da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016 não sofrerão atrasos. Vai dar tudo certo. Aos fatos: a Arena das Dunas, em Natal (RN), aguarda propostas de parceria. Outros empreendimentos estão em fase inicial. E mais: dos 12 estádios que serão construídos, 5 correm o risco de se transformar em “elefantes brancos” por falta de torcedores suficientes e pelos altos custos de manutenção.
A novela sobre a preparação do Brasil para sediar os dois maiores eventos esportivos mundiais segue um enredo que tem tudo para se tornar sucesso de público e de mídia, por exibir vasto painel do temperamento nacional. Abriga traços do caráter, a começar pelo desleixo, passando pela improvisação, entrando pelo jeitinho e chegando à malandragem, pela inferência de que o atraso no calendário de obras é algo deliberado. Teria o fito de driblar a montanhosa burocracia e, desse modo, livrar a licitação de projetos de complicações, liberar recursos de forma ágil e no fluxo adequado, garantindo a satisfação de todos os “jogadores” da copa preparatória. O afogadilho seria sinônimo de esperteza, e não de improvisação, sob a lógica invertida de “não fazer hoje o que pode ser feito amanhã”. E assim o Brasil pode levar a taça de campeão de novo escopo da administração: “a emergência programática”.
De início, a lembrança: o Brasil foi escolhido para ser a sede da Copa do Mundo de Futebol em 30 de outubro de 2007. De lá para cá, em termos práticos o resultado fica próximo de zero. É evidente que, sendo a paixão nacional, o futebol abre intenso foro de debates, acende fogueiras de vaidades e impulsiona visões conflitantes entre os atores envolvidos na organização do megaevento: times e torcidas, cartolas, cidades-sede da Copa, autoridades governamentais, políticos, empreiteiras e a formidável malha de prestadores de serviços. Cada qual quer tirar proveitos – e proventos – da gigantesca teia de interesses, sabendo-se que não haverá rigidez no controle dos orçamentos.
Lembre-se de que as obras para os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007, foram orçadas inicialmente em R$ 400 milhões. Acabaram em R$ 3,4 bilhões, deixando, ainda, extensos espaços ocupados por “elefantes brancos”. E qual será o orçamento para os dois eventos? Uma incógnita. A decisão de tornar esse orçamento sigiloso – aprovada pela Medida Provisória 527, que cria o Regime Diferenciado de Contratações – faz parte da estratégia de evitar obstruções, o que, para uns (empreiteiros, por exemplo), seria medida de bom senso e, para outros (organizações não governamentais), brecha para os dutos da corrupção
Se houver recursos a rodo, é evidente que o cronograma de obras, mesmo sob aperto, deverá ser cumprido. Tecnologia, gestores e parceiros, isso é o que não falta para tocar o conjunto. Mas, sob o prisma do rigor técnico – dentro do qual se inserem os projetos executivos, a quantidade e a qualidade de materiais, o controle das etapas, a lupa sobre preços e o superfaturamento, a rígida obediência aos parâmetros socioambientais, a preparação da infraestrutura e, obviamente, a análise sobre uso futuro dos equipamentos -, há um imenso acervo a ser examinado. O que exigiria muito tempo.
Na esteira da pressa, o risco Brasil sobe aos píncaros. Veremos na paisagem um portentoso conjunto de obras, algumas chamando a atenção pela pujança estética, mas, no obscuro limite entre os territórios do público e do privado, vicejarão sementes de improvisação, que produzirão colheitas de irresponsabilidade nas frentes das obras. Essa é a química que explica no nosso ethos traços de negligência, desleixo, displicência, relaxamento, bagunça e vivacidade.
A pergunta emerge naturalmente: ante tão flagrante constatação, por que não se muda o ritual? Por que não se fez um planejamento em prazo adequado? Ora, o Brasil cultiva o gosto pelo instantâneo, pelo provisório. Prefere-se, por aqui, administrar o varejo, e não o atacado. É mais vantajoso apagar incêndios do que preveni-los. Coisas planejadas com muita antecedência parecem não combinar com a alma lúdica brasileira, brincalhona, irreverente. Se não fosse obrigado a enfrentar o batente para sobreviver, o brasileiro adoraria passar o ano inteiro na folia. Oswald de Andrade traduziu, um dia, tal estado de espírito ao versejar: “Quando dá uma vontade louca de trabalhar, eu sento quietinho num canto, e espero a vontade passar”. Ademais, como se procurou argumentar, é perceptível uma aliança entre parceiros para deixar para a “última meia hora” o que poderia ser feito “na última hora”. Haverá menos fiscalização, menos burocracia, menos senões e mais apoios.
Da parte de cima da pirâmide social, a expectativa é de que o Estado continue a equilibrar o triângulo que lhe dá sustentação: o poder político, a gestão pública e os círculos de negócios. No caso dos eventos esportivos, o triângulo é formado pela Autoridade Olímpica e pelo Comitê Olímpico, que farão a administração; pelo poder político, que ditará as regras do jogo (por exemplo, votação do regime diferenciado de licitações); e pelos negócios, onde estão os parceiros privados dos empreendimentos. E quanto aos “cinco elefantes brancos” (estádios de Brasília, Cuiabá, Manaus, Natal e Recife), que após a Copa poderão gerar grande prejuízo por falta de contingentes necessários para torná-los autossustentáveis? No país que aprecia o status provisório, essa questão será analisada nas calendas. Cada imbróglio no seu devido tempo. Quando aquele momento chegar, os figurantes pegarão carona no jeitinho e arrumarão verbas para dar nova finalidade às edificações, incluída a sua derrubada.
E, assim, o Brasil vai rolando a bola e brandindo o slogan “antes tarde do que nunca”. Afinal, fazê-las “antes cedo do que tarde” daria muito na vista. E isso, convenhamos, prejudica a visão (e os negócios) dos parceiros.
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(*) Norte-rio-grandense de Luiz Gomes, na “Tromba do Elefante”, o jornalista Gaudêncio Torquato é colunista do matutino “O Estado de São Paulo” e professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP).

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Correspondência (02)

Construção da Copa, só a demolição da creche

Boa Noite Roberto Guedes:
Esta semana, passei em frente ao que era ha pouco mais de um ano a Escolinha Kátia Garcia, a escola em que meu filho aprendeu a ler e a escrever, antes de estudar no Hipócrates.
Ainda não consigo acreditar que a Escola tenha sido realmente demolida; na época, recorri à Justiça, tentando evitar o que houve, mas o Poder Judiciário não evitou a demolição. O interessante é que Educação e o Esporte devem caminhar em conjunto, lado a lado. Não faz sentido o que ocorreu.
Passo pelas ruas de Natal e vejo os montes de lixo tomando conta de tudo, e lembro do projeto do lixo reciclável que eu apresentei em 1996 quando candidato a Prefeito de Natal. Vejo uma Universidade ainda limitada ao Campus, embora tenha bons profissionais.
Gosto tanto de Natal, uma cidade linda de pessoas fantásticas, mas ela continua andando de forma desgovernada. Tentei por seis vezes representar o povo de nossa Cidade, mas não fui eleito. Tive, porém, a oportunidade de conhecer muitas boas pessoas em Natal, amigos, pessoas carinhosas.
Bom, Roberto, ler sua Coluna me alimenta, alimenta-me de informações; obrigado pelo seu bom trabalho no Jornalismo de nosso Estado.
Por enquanto estou aqui, cuidando da família, trabalhando e fazendo meus poemas.
Bom Trabalho.
José Geraldo Forte.

segunda-feira, 11 de julho de 2011


Por que não aceitei o prêmio do PNBE

Oi,

Nesta segunda, o Pensamento Nacional de Bases Empresariais (PNBE) vai entregar o prêmio “Brasileiros de Valor 2011″. O júri me escolheu, mas, depois de analisar um pouco, decidi recusar o prêmio.
Mandei essa carta aí embaixo para a organização, agradecendo e expondo os motivos pelos quais não iria receber a premiação. Minha luta é outra.
Espero que a carta sirva para debatermos a privatização do ensino e o papel de organizações e campanhas que se dizem “amigas da escola”.
Amanda


Natal, 02 de julho de 2011

Prezado júri do 19º Prêmio PNBE,

Recebi comunicado notificando que este júri decidiu conferir-me o prêmio de 2011 na categoria Educador de Valor, “pela relevante posição a favor da dignidade humana e o amor a educação”. A premiação é importante reconhecimento do movimento reivindicativo dos professores, de seu papel central no processo educativo e na vida de nosso país. A dramática situação na qual se encontra hoje a escola brasileira tem acarretado uma inédita desvalorização do trabalho docente. Os salários aviltantes, as péssimas condições de trabalho, as absurdas exigências por parte das secretarias e do Ministério da Educação fazem com que seja cada vez maior o número de professores talentosos que após um curto e angustiante período de exercício da docência exonera-se em busca de melhores condições de vida e trabalho.

Embora exista desde 1994 esta é a primeira vez que esse prêmio é destinado a uma professora comprometida com o movimento reivindicativo de sua categoria. Evidenciando suas prioridades, esse mesmo prêmio foi antes de mim destinado à Fundação Bradesco, à Fundação Victor Civita (editora Abril), ao Canal Futura (mantido pela Rede Globo) e a empresários da educação. Em categorias diferentes também foram agraciadas com ele corporações como Banco Itaú, Embraer, Natura Cosméticos, McDonald’s, Brasil Telecon e Casas Bahia, bem como a políticos tradicionais como Fernando Henrique Cardoso, Pedro Simon, Gabriel Chalita e Marina Silva.

A minha luta é muito diferente dessas instituições, empresas e personalidades. Minha luta é igual a de milhares de professores da rede pública. É um combate pelo ensino público, gratuito e de qualidade, pela valorização do trabalho docente e para que 10% do Produto Interno Bruto seja destinado imediatamente para a educação. Os pressupostos dessa luta são diametralmente diferentes daqueles que norteiam o PNBE. Entidade empresarial fundada no final da década de 1980, esta manteve sempre seu compromisso com a economia de mercado. Assim como o movimento dos professores sou contrária à mercantilização do ensino e ao modelo empreendedorista defendido pelo PNBE. A educação não é uma mercadoria, mas um direito inalienável de todo ser humano. Ela não é uma atividade que possa ser gerenciada por meio de um modelo empresarial, mas um bem público que deve ser administrado de modo eficiente e sem perder de vista sua finalidade.

Oponho-me à privatização da educação, às parcerias empresa-escola e às chamadas “organizações da sociedade civil de interesse público” (Oscips), utilizadas para desobrigar o Estado de seu dever para com o ensino público. Defendo que 10% do PIB seja destinado exclusivamente para instituições educacionais estatais e gratuitas. Não quero que nenhum centavo seja dirigido para organizações que se autodenominam amigas ou parceiras da escola, mas que encaram estas apenas como uma oportunidade de marketing ou, simplesmente, de negócios e desoneração fiscal.

Por essa razão, não posso aceitar esse Prêmio. Aceitá-lo significaria renunciar a tudo por que tenho lutado desde 2001, quando ingressei em uma Universidade pública, que era gradativamente privatizada, muito embora somente dez anos depois, por força da internet, a minha voz tenha sido ouvida, ecoando a voz de milhões de trabalhadores e estudantes do Brasil inteiro que hoje compartilham comigo suas angústias históricas. Prefiro, então, recusá-lo e ficar com meus ideais, ao lado de meus companheiros e longe dos empresários da educação.

Saudações,
Professora Amanda Gurgel

O INSTITUTO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA-INRG, instituição cultural, sem fins econômicos, foi fundado na Assembléia Geral do dia 17 de setembro de 2009 tem registro no Segundo Ofício de Notas da Comarca de Natal sob o n° de ordem 7515, Livro A-n° 106, fls. 06/19, em data de 08 de julho de 2010. CNPJ n° 12.382.295/0001-97, é reconhecido como de utilidade pública pelo Estado do Rio Grande do Norte (LEI NR. 9.411 DE 25 DE NOVEMBRO de 2010) e Município de Natal. Seu lema: AD PERPETUAM FAMILIAE MEMORIAM.
DIRETORIA ATUAL
Presidente: ORMUZ BARBALHO SIMONETTI;
Vice-Presidente: JOÃO FELIPE DA TRINDADE;
Secretário: ARYSSON SOARES DA SILVA;
Tesoureiro: ANTONIO LUÍS DE MEDEIROS.
CONSELHO FISCAL
Titulares: JOSÉ HÉLIO DE MEDEIROS; CLOTILDE SANTA CRUZ TAVARES; e JOAQUIM JOSÉ DE MEDEIROS NETO; Suplente: ÁLVARO ANÍDIO BATISTA.
A sua sede provisória é na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras-ANRL, rua Mipibú, 443 - Petrópolis, nesta Capital.
Com particular alegria informamos a criação do nosso blog, que vem sendo acessado de forma surpreendente. Seja também nosso leitor e colaborador
Contato: e-mail genealogian@gmail.com
Endereço do blog http://www.genealogiadorn.blogspot.com

domingo, 10 de julho de 2011

TRÊS GERAÇÕES DE POETISAS POTIGUARES




BEM-TE-VI

Palmyra Wanderley

Todas as tardes, sempre à mesma hora,
vem visitar-me um passarinho amigo...
canta cantigas que eu cantava outrora,
canta coisas que eu sinto, mas não digo.
De onde ele vem, não sei; nem onde mora;
se lembranças me traz, guarda-as consigo.
Sinto, no entanto, quando vai-se embora,
que a minha alma não quer ficar comigo.
Hoje tardou... Há chuva nos caminhos,
mas chuva não faz mal aos passarinhos
e ele há de vir, a tarde festejando...
Lá vem ele, ligeiro como um sonho...
canta coisas tão minhas, que eu suponho
ser o meu coração que vem cantando.



ONDE

Zila Mamede

Entre a ânsia
e a distância
onde me ocultar?
Entre o medo
e o multiapego
onde me atirar?
Entre a querência
e a clarausência
onde me morrer?
Entre a razão
e tal paixão
onde me cumprir?



CERTAS MULHERES

Diva Cunha

Certas mulheres catam coisas pequeninas
conchas, feijões, letras

outras distraem-se nos espelhos
contam rugas

algumas contam nuvens
criam cachorros e gatos como crianças

certas mulheres guardam mágoas
ressentimentos, botões, elásticos

algumas são como certos homens
não contam nada
ocupadas com coisas incontáveis.

sábado, 9 de julho de 2011



C O N V I T E

O INSTITUTO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA – INRG tem a satisfação de CONVIDAR os seus associados e pessoas interessadas para assistirem a reunião-palestra, que será realizada com a participação especial do historiador ANDERSON TAVARES, o qual abordará o tema: “Famílias Macaibenses”.
DATA/HORÁRIO: dia 15 de julho, às 19 horas.
LOCAL: Solar Bela Vista – Av.Câmara Cascudo (antiga Junqueira Aires) – Natal
Natal, 07 de julho de 2011.

ORMUZ BARBALHO SIMONETTI
Presidente

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Amigos!
Recebi do meu leitor e amigo ”Soares dos Anjos” este e-mail, que se caracteriza como dos mais verdadeiros que recebi.
Escandaliza-se com o mensalão, o dinheiro na cueca, a farra das passagens aéreas...

E é a mais pura verdade, isso que é o pior! Então sugiro adotarmos uma mudança de comportamento, começando por nós mesmos, onde for necessário!

Colhemos o que plantamos! A mudança deve começar dentro de nós, nossas casas, nossos valores, nossas atitudes!
Vamos dar o bom exemplo! Espalhe essa idéia!

"Fala-se tanto da necessidade deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores (educados, honestos, dignos, éticos, responsáveis) para o nosso planeta, através dos nossos exemplos...."

Brasileiro reclama de quê?

O Brasileiro é assim:

A- Coloca nome em trabalho que não fez.
B- Coloca nome de colega que faltou em lista de presença.
C- Paga para alguém fazer seus trabalhos.
1. - Saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.
2. - Estaciona nas calçadas, muitas vezes debaixo de placas proibitivas.
3. - Suborna ou tenta subornar quando é pego cometendo infração.
4. - Troca voto por qualquer coisa: areia, cimento, tijolo, e até dentadura.
5. - Fala no celular enquanto dirige.
6. - Usa o telefone da empresa onde trabalha para ligar para o celular dos amigos (me dá um toque que eu retorno...) - assim o amigo não gasta nada.
7. - Trafega pela direita nos acostamentos num congestionamento.
8. - Para em filas duplas, triplas, em frente às escolas.
9. - Viola a lei do silêncio.
10. - Dirige após consumir bebida alcoólica.
11. - Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.
12. - Espalha churrasqueira, mesas, nas calçadas.
13. - Pega atestado médico sem estar doente, só para faltar ao trabalho.
14. - Faz "gato " de luz, de água e de tv a cabo.
15. - Registra imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.
16. - Compra recibo para abater na declaração de renda para pagar menos imposto.
17. - Muda a cor da pele para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
18. - Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 10, pede nota fiscal de 20.
19. - Comercializa objetos doados nessas campanhas de catástrofes.
20. - Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.
21. - Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se
fosse pouco rodado.
22. - Compra produtos pirata com a plena consciência de que são pirata.
23. - Substitui o catalisador do carro por um que só tem a casca.
24. - Diminui a idade do filho para que este passe por baixo da roleta do ônibus, sem pagar passagem.
25. - Emplaca o carro fora do seu domicílio para pagar menos IPVA.
26. - Frequenta os caça-níqueis e faz uma fezinha no jogo de bicho.
27. - Leva das empresas onde trabalha, pequenos objetos, como clipes, envelopes, canetas, lápis... como se isso não fosse roubo.
28. - Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.
29. - Falsifica tudo, tudo mesmo... só não falsifica aquilo que ainda não foi inventado.
30. - Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.
31. - Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve.

E quer que os políticos sejam honestos....
Esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo, ou não?
Brasileiro reclama de quê, afinal?

quinta-feira, 7 de julho de 2011


CNJ quer que Judiciário dê mais atenção à saúde

O Conselho Nacional de Justiça aprovou, na terça-feira (5/7), recomendação a todos os tribunais para que adotem medidas com vistas a subsidiar melhor os magistrados e demais operadores de Direito no estudo e julgamento de decisões relacionadas à saúde.
Desde o ano passado, por meio do Fórum da Saúde, o CNJ vem avaliando e monitorando as ações judiciais na área, sobretudo os setores que mais demandam ações na Justiça (em sua maior parte, pedidos relacionados ao Sistema Único de Saúde — SUS). Os dois primeiros levantamentos das ações judiciais de saúde constataram a existência de 241 mil processos em tramitação nos tribunais
A nova recomendação vem para complementar as ações do Conselho e, ao mesmo tempo, levar os tribunais a separarem as ações e contribuir com a avaliação e monitoramento das que tratam de planos e seguradoras. Na prática, o texto recomenda aos tribunais que celebrem convênios para oferecimento de apoio técnico aos magistrados, sem ônus para os tribunais, de médicos e farmacêuticos indicados pelos comitês executivos estaduais do Fórum da Saúde. Estes profissionais vão auxiliar os juízes e desembargadores na formação de um juízo de valor quanto à apreciação das questões clínicas apresentadas pelas partes, observando-se as peculiaridades regionais de cada caso.
Os juízes também serão orientados a, por meio das corregedorias de seus tribunais, oficiar (quando cabível e possível) à Agência Nacional de Saúde Suplementar, à Agência Nacional de Vigilância Sanitária, ao Conselho Federal de Medicina e ao Conselho Federal de Odontologia sobre os processos. O intuito é fazer com que tais entidades possam se manifestar sobre a matéria debatida dentro das suas atribuições e sobre obrigações regulamentares das operadoras, bem como medicamentos, materiais, órteses, próteses e tratamentos experimentais.
O CNJ recomendou, ainda, no mesmo documento, que a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam) e as escolas de magistratura estaduais e federais promovam seminários para estudo e mobilização na área de saúde, de forma a propiciar maior discussão e entrosamento sobre a matéria. E que os conselhos gestores do Fórum da Saúde incluam, entre os seus integrantes, um representante de planos de saúde suplementar.
A recomendação entra em vigor assim que for publicada no diário eletrônico da Justiça — o que acontece nos próximos dias. A matéria foi relatada pelo conselheiro Milton Nobre, atual coordenador do Fórum Nacional do Judiciário para a Saúde, que tem como membros os conselheiros Marcelo Nobre e Nelson Tomaz Braga. Foi aprovada, por unanimidade, pelo plenário do CNJ. Com informações da Agência de Notícias do CNJ.
__________________
Colaboração de Alex Gurgel.

quarta-feira, 6 de julho de 2011


A bola, essa nossa inimiga
Everton Dantas
Novo Jornal, 1º de julho de 2011


Gasta-se muita energia com bola neste país. Todos os dias, o tempo inteiro, há alguém tratando do assunto. Na mídia não é diferente. É pior. São milhares de páginas de jornais e incontáveis minutos de TV e Rádio empregados exclusivamente para falar da bola que rola nesta terra. E é uma bola imensa. E está em todo canto. Corre faceira na rua, na chuva, na fazenda e também nas casinhas de sapê; sejam elas habitadas por parlamentares, administradores e/ou magistrados.
Mesmo quando não rola bola alguma, ela continua presente, onipresente; ditando a agenda de assuntos; alimentandos sonhos de crianças que sonham se tornar craques e de adultos que compõem uma verdadeira nação de pelés, manés, patos e gansos. Não fosse a bola e esse país todo dedicado a ela, talvez tivéssemos mais saúde e educação. Talvez houvesse mais pão, leite, açúcar e farinha no País. Talvez não se perdesse tanto.
Não fosse a bola teríamos mais tempo (levando em consideração o que o tempo realmente é) para cuidar, por exemplo, do planejamento urbano dessa cidade e torná-la (aprimorá-la) um espaço de causar inveja às outras cidades que onde a Copa vai baixar. Mas não.
Por causa da bola, estão preferindo estuprar Natal em obras e promover durante um longo período o surgimento de manhãs e tardes onde vai ser praticamente impossível manter a calma no tráfego desta cidade já empazinada de veículos.
Por causa da bola optou-se recentemente por gastar R$ 300 mil num seminário onde só se falou sobre a bola e os benefícios que ela trará á cidade. R$ 300 mil que incluíram gastos com publicidade num jornal que não figura no mesmo panteão no qual estão o Estadão, o Globo ou a Folha, veículos que justifi cam realmente
uma aplicação para divulgar um suposto destino turístico para o Brasil. A bola é tão forte que atraiu até Ricardo Teixeira a Natal.
Saravá. E é tão poderosa que os gastos com a Copa do Mundo 2014 no Brasil serão superiores ao total investido nas últimas três realizadas (Japão-Coréia, Alemanha e África do Sul).
O mais triste dessa história toda envolvendo a bola é que poucos realmente vão tocar nela; vão recebê-la; ter seus benefícios.
São pouquíssimos. Veja os craques da bola que temos.
São poucos que realmente levam. São só eles, suas famílias e alguns chegados. O restante apenas vai pagar. Pagar caro. Pagar e assistir.
E voltar para casa, num fi m de tarde de domingo, dentro de um ônibus lotado, embriagados, enganados, derrotados. E enquanto levarão horas para chegar às suas casas serão faustosamente driblados por carros luxuosos que – em sentido contrário (para a zona sul e além) – avançarão em direção à meta e, donos da bola que são, porão fim a mais uma goleada de muitos zeros.
Viva à bola, essa nossa amada inimiga.
A bola, essa nossa inimiga
Everton Dantas
Novo Jornal, 1º de julho de 2011


Gasta-se muita energia com bola neste país. Todos os dias, o tempo inteiro, há alguém tratando do assunto. Na mídia não é diferente. É pior. São milhares de páginas de jornais e incontáveis minutos de TV e Rádio empregados exclusivamente para falar da bola que rola nesta terra. E é uma bola imensa. E está em todo canto. Corre faceira na rua, na chuva, na fazenda e também nas casinhas de sapê; sejam elas habitadas por parlamentares, administradores e/ou magistrados.
Mesmo quando não rola bola alguma, ela continua presente, onipresente; ditando a agenda de assuntos; alimentandos sonhos de crianças que sonham se tornar craques e de adultos que compõem uma verdadeira nação de pelés, manés, patos e gansos. Não fosse a bola e esse país todo dedicado a ela, talvez tivéssemos mais saúde e educação. Talvez houvesse mais pão, leite, açúcar e farinha no País. Talvez não se perdesse tanto.
Não fosse a bola teríamos mais tempo (levando em consideração o que o tempo realmente é) para cuidar, por exemplo, do planejamento urbano dessa cidade e torná-la (aprimorá-la) um espaço de causar inveja às outras cidades que onde a Copa vai baixar. Mas não.
Por causa da bola, estão preferindo estuprar Natal em obras e promover durante um longo período o surgimento de manhãs e tardes onde vai ser praticamente impossível manter a calma no tráfego desta cidade já empazinada de veículos.
Por causa da bola optou-se recentemente por gastar R$ 300 mil num seminário onde só se falou sobre a bola e os benefícios que ela trará á cidade. R$ 300 mil que incluíram gastos com publicidade num jornal que não figura no mesmo panteão no qual estão o Estadão, o Globo ou a Folha, veículos que justifi cam realmente
uma aplicação para divulgar um suposto destino turístico para o Brasil. A bola é tão forte que atraiu até Ricardo Teixeira a Natal.
Saravá. E é tão poderosa que os gastos com a Copa do Mundo 2014 no Brasil serão superiores ao total investido nas últimas três realizadas (Japão-Coréia, Alemanha e África do Sul).
O mais triste dessa história toda envolvendo a bola é que poucos realmente vão tocar nela; vão recebê-la; ter seus benefícios.
São pouquíssimos. Veja os craques da bola que temos.
São poucos que realmente levam. São só eles, suas famílias e alguns chegados. O restante apenas vai pagar. Pagar caro. Pagar e assistir.
E voltar para casa, num fi m de tarde de domingo, dentro de um ônibus lotado, embriagados, enganados, derrotados. E enquanto levarão horas para chegar às suas casas serão faustosamente driblados por carros luxuosos que – em sentido contrário (para a zona sul e além) – avançarão em direção à meta e, donos da bola que são, porão fi m a mais uma goleada de muitos zeros.
Viva à bola, essa nossa amada inimiga.

terça-feira, 5 de julho de 2011

TRÊS ASSUNTOS DIVULGADOS NO CADERNO "MUITO", DO JORNAL O POTI DO DIA 3 DE JULHO CORRENTE, CUJA EDITORA É ADRIANA AMORIM

Modernidade sem memória
Estudiosos defendem que Natal deveria unir desenvolvimento ao respeito com seu patrimônio arquitetônico
Sérgio Vilar // sergiovilar.rn@dabr.com.br

O diálogo entre o velho e o novo foi marcado por desavenças ao longo da história. Quando a vivacidade do progresso brilha sobre as cores desbotadas da tradição, a sensação é de desenvolvimento, evolução. E na esteira dessas transformações, a identidade cultural construída junto a cada tijolo colocado na edificação se desmorona para ceder lugar a uma nova vida, sem personalidade ou memória. Nas últimas décadas Natal tem destruído sua história. E o obituário da arquitetura moderna da cidade está em vias de registrar mais um "arquiticídio": a demolição do estádio João Cláudio de Vasconcelos Machado, o Machadão.

Demolição do Machadão seria um exemplo do desprezo da cidade para com a arquitetura moderna Foto: Fábio Cortez/DN/D.A Press
Natal segue o exemplo de metrópoles espalhadas pelo mundo Ocidental. Nelas, o caos urbano impera: concentração demográfica, congestionamentos, poluição sonora e visual... Se há peculiaridade na chamada Aldeia de Poti, é a característica de cidade em desenvolvimento. Ou seja: ao contrário das metrópoles onde o "progresso" se instalou sem aviso prévio, ainda há tempopara planejar Natal. Mas a inércia, incompetência ou desapego cultural do poder público tem virado as costas para esse planejamento. É o que apontam alguns dos principais arquitetos da cidade. E um exemplo é o histórico e atual desleixo com seu patrimônio material.

O desafio imposto a Natal é unir o desenvolvimento sustentável ao respeito com seu patrimônio arquitetônico. Este é o mote de artigo escrito pelos professores Maisa Veloso, Natália Miranda Vieira e Marizo Vitor Pereira, intitulado Crônica de uma morte anunciada: Arquitetura moderna em Natal x Copa de 2014. No trabalho, eles frisam: "Preservar o patrimônio arquitetônico não significa congelá-lo, transformá-lo em coisa imutável. Nem tão pouco exercitar 'meia preservação', acarretando prejuízo para a proposta arquitetônica original, em nome de uma pretensa requalificação". Não é o que se tem visto nas últimas décadas.

Os professores - todos eles membros do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFRN e do programa de pós-gradução - comentam que o acervo natalense da arquitetura moderna começa a surgir na década de 1950 influenciado pela "Escola Pernambucana" e de influências externas, a exemplo da "Escola Carioca". "Nesse cenário, destacam-se os arquitetos potiguares Ubirajara Galvão, Daniel Hollanda e Raimundo Gomes, formados pela UFPE; João Maurício Fernandes de Miranda e Moacyr Gomes, formados pela Faculdade Nacional de Arquitetura, então Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro". Mas a obra desses arquitetos, em maioria, foi demolida, desfigurada ou está abandonada.

Sociedade sem voz

O Machadão hoje é considerado descartável pelo governo, sem discussão sobre sua importância simbólica e patrimonial. Em seu lugar será construído um complexo multiuso, contendo uma nova arena esportiva. Na versão inicial, estavam incluídos hotéis, teatro, estacionamentos subterrâneos, prédios comerciais, shopping center e os centros administrativos do governo do Estado e da Prefeitura de Natal.

Como afirma a tese dos professores da UFRN, "o caso do Machadão é apenasum exemplo dentre muitas outras mortes que não foram sequer anunciadas, ou apenas comunicadas em breves 'notas de falecimento', em rodapés de um novo texto que está sendo escrito, de uma cidade historicamente ansiosa pelo novo e pela novidade".

E pergunta, após decisão de que não seria possível realizar a adaptação do estádio para a Copa. "Mas, como se chegou a esta decisão? Qual o seu fundamento? Que aspectos foram considerados? Que atores sociais foram consultados para uma tomada de decisão tão séria como esta?".

Arquitetura abandonada

A história é um livro aberto. E no capítulo de Natal, algumas folhas têm sido arrancadas, destruídas. O arquiteto Haroldo Maranhão aponta total desprezo na cidade. "Basta comparar com capitais vizinhas. Mesmo Fortaleza, mais jovem, preserva seu centro histórico. Recife, nem se fala. Aqui, a todo momento arrancamos a lembrança marcada em nosso álbum de família". E cita a má conservação dos prédios tombados ou mesmo os sem legislação que assegurem sua integridade.

"Falta política de preservação. A primeira intervação se deu na Rua Chile, em 1995. Depois voltou o abandono. Em 1999 a prefeitura promoveu concurso para revitalização da praça André de Albuquerque. E veja hoje como está. É preciso inserir na agenda da cidade a questão ambiental e cultural. Extinguir o conflito entre capital financeiro e capital cultural. Progresso é a harmonia entre desenvolvimento econômico, cultural e social", ressaltou.

Para ele, falta incentivo aos proprietários de prédios tombados, já que a edificação se desvaloriza pela proibição de reformas radicais, a exemplo da demolição para construção de espigões. Cita o prédio do antigo Arpege, cujo teto desabou pelo abandono. "A história não é só o que foi feito há séculos. A arquitetura moderna vem sendo destruída ou descaracterizada", alerta.


Muito
Edição de domingo, 3 de julho de 2011

"Natal tem mania de construir em cima do já feito"


pSuperintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Jeanne Nesi disse enfrentar dficuldades para conservar prédios tombados no bairro da Ribeira e Cidade Alta. "Proprietários são responsáveis pela conservação. Muitos estão abandonados e a fiscalização do Iphan não consegue encontrar os donos para um diálogo amistoso. O prédio do Arpege é um exemplo. Partiremos pra ação judicial".

Não é o caso de outras áreas da cidade, a exemplo de Tirol e Petrópolis, repletos de prédios da arquitetura moderna, sem tombamento e passíveis de demolição. "Em São Paulo também é assim: casarões históricos dão lugar a espigões. Na Europa antiga se preserva; há sentimento preservacionista, iniciado com a Revolução Francesa, quando o povo tomou os monumentos do clero e preservaram. Surgiu ali o tombamento".

Em relação ao Machadão, o Iphan nada pode fazer a respeito. "Os estádios Machadão e Machadinho estão fora da área de tombamento do Iphan, assim como a maioria dos prédios de arquitetura moderna da cidade", comentou, Jeanne Nesi, nora de Humberto Nesi, nome do chamado Machadinho. "É um desrespeito. Lamento essas demolições, sem respeito ao patrimônio e a seus criadores, sem qualquer compensação".

Jeanne Nesi ressalta que falo como cidadã e arquiteta. "É uma cultura nossa. Natal tem mania de construir sobre o já feito. O projeto em Recife é de um estádio novo, belíssimo, mais afastado da cidade e sem mexer nos três estádios tradicionais. Não falta espaço nos arredores de Natal. O entorno do novo aeroporto de São Gonçalo do Amarante seria uma ideia", sugere.

AMARGURA

Precursor da arquitetura moderna em Natal, Moacyr Gomes vive hoje amargurado aos 84 anos. Desistiu das entrevistas à imprensa que só o procurou após sacramentada a demolição da sua "menina dos olhos" e lhe renegou atenção quando alertou para o "arquiticídio" da ação quando o assunto começava a ser discutido, há três anos. "O Brasil está sendo assaltado pela Fifa, como foi feito na África do Sul. E a Assembleia Legislativa ainda dará título decidadão potiguar ao gangster Ricardo Teixeira (presidente da CBF). Não vi legado em 16 copas que aconteceram. Mas meu esforço é inútil. Não vou mais me expor ao ridículo para riso alheio".

Para Moacyr Gomes, o Machadão é consequência de uma série de equívocos vividos há 20 anos na cidade. O "massacre" provocado pelo mercado imobiliário tem como carro-chefe espigões construídos sem planejamento urbano ou respeito aos bens culturais. "Hoje somos uma cidade ingovernável. Quero viver bastante para ver esse milagre de mobilidade urbana. Hoje às 9 horas não se passa pelas principais avenidas, todas congestionadas. Natal será uma cidade infernal como Saão Paulo, Recife, porque a cidade não se planejou. Não tem mais jeito. Infelizmente o natalense não tem bairrismo, não ama sua cidade. Que sobre a Fortaleza dos Reis Magos".

A solução apontada pelo arquiteto para evitar a verticalização exacerbada encontrada em cidades do mundo com mais de 400 mil habitantes seria dotar as cidades vizinhas de melhor estrutura para atrair o cidadão e evitar a concentração urbana em pequenos espaços e bairros antigos. "Foi o que aconteceu em Petrópolis e Tirol. Já chegou em Lagoa Nova e está indo para Neópolis". E aponta: "No meu tempo de menino, Natal tinha 25 a 30 mil pessoas. Hoje está perto de 1 milhão. Temos prédios enormes, com densidade demográfica exagerada, sem qualidade de vida".

Entrevista >> Demétrio Torres

Demétrio Torres preferiu omitir opiniões e encerrar o assunto quando o tema da importância do patrimônio cultural para a cidade foi abordado. Ainda assim, confessou o motivo para a demolição do Machadão: aspectos técnicos, sem consulta à sociedade ou consideração pelo patrimônio cultural àquele que já foi considerado o "poema de concreto" da cidade. O diretor do Departamento de Estradas e Rodagens (DER) acumula também a função de secretário da Copa no novo governo estadual, desde 1º de janeiro. Também participou da atual gestão municipal como secretário de Obras e Viação. Tem longo currículo na área da engenharia e na administração pública.

Quais aspectos foram considerados para decidir-se pela demolição do Machadão?

Todos os aspectos foram técnicos: a localização (região central da cidade onde passam 70% das linhas de transporte), a fácil acesso ao aeroporto, aos hoteis, à rede hospitalar de alta complexidade.

A cidade perde parte de sua memória cultural com essa decisão?

Como é uma obra ultrapassada se comparada aos grandes estádios do mundo, penso que o Machadão já cumpriu seu papel.

Quais atores sociais foram consultados para esta decisão?

Olha, a opção foi feita no ano passado. Assumimos o governo e já não cabia mais esse tipo de discussão (a reportagem não conseguiu contato com o primeiro secretário da Copa, Fernando Fernandes).

Qual seria a opinião do senhor se ainda coubesse?
Minha opinião pessoal não vale de nada. A obra já está em andamento.
Se outro patrimônio da arquitetura moderna, a exemplo do prédio do DER, estivesse passível de demolição, o senhor seria a favor?
Como é, homem? Você não disse que o assunto seria o Machadão?
Disse que o tema seria a arquitetura moderna de Natal e o Machadão seria um exemplo.
Bom, pra mim o assunto está encerrado.

Saiba mais
Arquitetura moderna surgida na década de 50 em Natal
l Faculdade de Odontologia
2 Terminal Rodoviário Presidente Kennedy
3 Clube da Assem
4 Edifício Sede do Tribunal Regional Eleitoral
5 Sede do América Futebol Clube
6 Edifício do INSS/Ribeira

Arquitetura moderna surgida na década de 70 em Natal
l Hospital Geral e Pronto Socorro (atual Walfredo Gurgel)
2 Estádio Machadão
3 Edifício da Cosern
4 Capela do Campus Central da UFRN
5 Catedral Metropolitana de Natal
6 AABB

Patrimônio arquitetônico moderno demolido
l Sede do ABC Futebol Clube
2 Hotel Tirol

Patrimônio abandonado ou desfigurado
l Hotel Reis Magos
2 Edifício Sede do Saneamento
3 Cine Nordeste
4 Cinema Rio Grande

segunda-feira, 4 de julho de 2011


Explicações que faltam
QUE VENHA A COPA E COM ELA
AS EXPLICAÇÕES QUE FALTAM
Albimar Furtado
Novo Jornal, 1º de julho de 2011


A PARTICIPAÇÃO DE Natal como uma das
sedes da Copa do Mundo de 2014 tem
rendido muitos comentários, opiniões,
artigos, discursos pessimistas e otimistas.
Entre os prós, o argumento mais eloqüente
é o de que a cidade receberá um
grande legado, que passado o evento a
capital não será mais a mesma pelo tanto
de investimento que receberá, em especial
nos projetos destinados à mobilidade
urbana. Pode ser. Mas muita coisa
ainda precisa de uma boa explicação, até
mesmo para deixar de ser mistério distante
das pessoas às quais serão destinados
os benefícios anunciados e louvados.
Há uma discussão, certamente a
maior delas, mesmo já vencida. É a derrubada
do Machadão. Virá um estádio
novo e é bom que chegue, que seja um
novo equipamento para servir à cidade e
ao cidadão. Mas o que a população não
entendeu ainda é porque para construilo
se exige a derrubada do outro. Quer dizer,
dinheiro gasto, e muito, para destruir
um e mais investimento para construir o
outro. América, Alecrim e os demais times
de futebol do Estado terão dinheiro
para bancar seus jogos na futura arena?
No Machadão, tinham. E por que não
construir o novo em outra área, abrindo
alternativas de tráfego, arejando a cidade,
criando um novo polo urbano? Simplesmente
porque a Fifa disse que deveria ser
ali e, obedientes, aceitamos? Se aquele lugar
é imprescindível , que sejam dadas as
razões, se existirem.
Isso não fi cou bem explicado e sem a
justifi cativa convincente, vem a reação.
Não é só a derrubada de um bem público
que se questiona, mas também o custo
que isso signifi ca. Não se é contra a construção
de um novo monumento, mas a
solução única apontada: um tem que
morrer para nascer o outro.
E os tais projetos de mobilidade urbana
como serão, como estão? Evidente que
os carros, ônibus, caminhões terão seus
espaços garantidos e planejados. Existirão
áreas para as ciclovias? Esta é uma preocupação
mundial e em se tratando de Brasil
nós já somos um dos cinco maiores
produtores de bicicletas. Já é grande o contingente
de pessoas que usam esse meio
de transporte para ir ao trabalho e escolas,
apesar da pouca preocupação em destinar
a ele o espaço devido. O momento é oportuno,
se investimentos vão existir, para se
trocar as brincadeiras de fi nais de semana
em vias feitas para carros, por ciclovias.
Em nosso trânsito, hoje, usar bicicletas é
correr risco de morte.
Movimentos de defensores desses
projetos já existem, mas ainda são tímidos.
Prefeitos anunciaram projetos mas
deles nunca passaram das intenções. Nas
campanhas eleitorais o assunto sempre
aparece, mas têm a data para sair dos
discursos: o dia da eleição. O tema Copa
do Mundo pode trazer a questão de volta.
E nessa levada que também venham
as explicações, que são muitas e que, da
mesma forma que se quer para as licitações
do mesmo evento, ainda permanecem
em segredo. Pelo menos para nós,
que estamos na planície.

domingo, 3 de julho de 2011


FONTE: Fottus.com - Fotos e imagens. Por Rafael Henrique(INTERNET)


OUTROS POETAS POTIGUARES

cachalote

(Foto de MANUEL FERNANDES)






contra o dia
se jogou.
maremotos,
barco cheio
e avarias.
sem alvíssaras,
rota bandeira,
bússolas loucas,
arpões armados.
a chuva intensa,
tempestade,
brutas ordens,
travessia.
– capitão, capitão,
nada ainda da baleia branca!
– diga-me, então, imediato:
que nome darei ao meu ódio
que manca?
_________
Lívio Oliveira (Blog o Teorema da Feira)

ROBERTO NOIR-Professor; Filósofo; Poeta
Natal/Rio Grande do Norte, apresentado por Ceicinha Câmara (Notícias da Lusofonia), oferece algumas quadras da sua poética:

AMANHÃ:
Tornar-me-ei um ser deveras silente
Como se fosse uma suave brisa
Que não se vê, apenas se sente
E que todas as dores suaviza!

A DÚVIDA SOBRE O JARDIM
Em meu jardim de rosas
Nasceu uma flor estranha e bela
Não sei como ela ali surgiu:
A semente foi minha ou dela?

Jamais
Tua pálida tez reflete o brilho lunar
Assim como teus níveos cabelos
Meus dedos desejam tanto tê-los
Mas deste feito nunca irei me orgulhar!

SOLUÇÃO
Sabes por que entreguei-me à anorexia?
Devido ao teu vício de me devorar!
Assim quando novamente sentires anemia
Apenas encontrarás um esqueleto a te observar!

LEVEZA
Meus passos estão mais leves
Pois muito eu já sofri
Meu corpo está muito mais leve
Pois várias vezes eu já morri

SAFO
Estou fraca e ocupada
Escrevendo para minha amada
Encontro-me muito debilitada
Por algo que é...NADA!


A EXPRESSÃO POÉTICA DO PROFESSOR FRANCISCO CÂNDIDO



HOMENAGEM AO MEU PAI
Zé Milanês: o poeta cidadão*

Na cantoria de vida e viola,
Em noite de lua e madrugada
O poeta motivado não amola,
Nem entorta o ritmo da toada.

Lá fora o canto da passarada
Que em sinfonia, ninava a noite
Nos porões o estalar de açoite
E o canto afinado da rapaziada:

Vai-se um amor e vem outro
A andorinha só não faz verão
Não quero ser como pau torto
Vem e te dou meu coração!

Só o amor à cultura prevalecia
Havia comunhão entre amigos
E o cantador com maestria,
Louvava Dona Flor e seus maridos.

Cantava a dor e a esperança
No raiar de um novo tempo
Feito de justiça e de bonança,
Não podia ser jogado ao vento.

Idealizava um novo mundo
Onde não houvesse exploração.
A amizade fosse um bem profundo
E em tudo prevalecesse à união.

A saúde, o pão e a educação
Seria direito básico e não favor
Assegurados a toda população
Sem discriminação de religião e cor

Era conhecido como Zé Milanês,
Sindicalista e poeta popular,
Um homem de indiscutível altivez
Só queria aos trabalhadores ajudar.

Tive a honra de conhecê-lo, um dia
Numa noite de animada cantoria
O Pé de Serra se enchia de alegria
Ao som da viola, o povo sorria.

Deixou um grande legado
De coragem, justiça e lealdade.
Deixo aqui o amor poematizado
Por uma questão de fraternidade.

Versejo abraçado a minha terra,
Celebrando os caminhos da vida
Que às vezes a terra seca aterra
Ao lado do sagrado berço da lida.

Seu coração guardava segredos
De vida e viola, gado e gente
Desenrolando, dá mil enredos
De um conto ao descontente.

Sinto prazer em observar e cantar
As belezas raras do Nordeste
Só a zabumba me faz rebolar,
Sendo um valente cabra da peste.

* Poeta e líder sindical, barbaramente assinado, na cidade de Currais Novos (RN), em função de sua luta em defesa dos trabalhadores rurais.
¬_________________________
Do blog de GERALDA EFIGÊNIA