quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

CARTAS DE COTOVELO - O SILÊNCIO




CARTAS DE COTOVELO (VERÃO DE 2018/2019)
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes (nº 10) 

            Outra vez, na solidão da minha varanda da casa de Cotovelo encontro o silêncio, e nele o meu próprio eu, ouvindo o coração na introspecção de um momento único, infinito.
Com este sentimento comungo com o conceito de sabedoria, que segundo Herman Melville[1] é a “Única voz de Deus”.
Do silêncio reconhecemos, num só instante, nossos defeitos e a nossa beleza interior. Ele é sinônimo de quietude, placidez, inspiração, harmonia entre o ser e a natureza, é verdadeiramente o instante de transcendentalidade.
O escritor Paulo Coelho[2], em uma de suas manifestações espiritualistas afirma: “Deus está em nosso cotidiano, espera que notemos a sua presença”.
Assim, nos meus momentos de meditação, invoco os ensinamentos de Alan Kardec[3], quando comenta sobre valores do silêncio - utilidade, recolhimento e liberdade.
Por derradeiro, sem buscas de além mar, relembro a bela composição do nosso artista brasileiro Gilberto Gil[4] quando divaga como se deve fazer para falar com Deus, destacando a solidão e o silêncio.
Enfim, silêncio é saber ouvir e saber calar. Às vezes, até os ateus adotam interpretações involuntárias da Sua existência.
Concluo que o silêncio “não é a voz da dor, mas que, a faz gritar mais alto ... Ah! ... lá isso faz”.[5]

 (Cotovelo/Natal, 23 de janeiro)



[1] Herman Melville, nasceu em Nova York, no dia 1º de agosto de 1819, em uma família de origens inglesa e holandesa. Morreu em Nova York, sua cidade natal, em 28 de setembro de 1891, deixando alguns manuscritos incompletos, entre os quais Billy Budd, Sailor, descoberto apenas em 1920. Sua obra-prima foi o romance Moby Dick.

[2] É considerado o escritor brasileiro mais lido. Carioca nascido em 24 de agosto de 1947. Seu estilo é espiritualista.
[3] O Livro dos Espíritos, 772.
[4] Se eu quiser falar com Deus, Tenho que ficar a sós. Tenho que apagar a luz, Tenho que calar a voz. Tenho que encontrar a paz, Tenho que folgar os nós Dos sapatos, da gravata Dos desejos, dos receios Tenho que esquecer a data Tenho que perder a conta Tenho que ter mãos vazias Ter a alma e o corpo nus. Se eu quiser falar com Deus, Tenho que aceitar a dor. Tenho que comer o pão, Que o diabo amassou. Tenho que virar um cão, Tenho que lamber o chão Dos palácios, dos castelos Suntuosos do meu sonho. Tenho que me ver tristonho, Tenho que me achar medonho, E apesar de um mal tamanho, Alegrar meu coração. Se eu quiser falar com Deus, Tenho que me aventurar. Tenho que subir aos céus, Sem cordas pra segurar. Tenho que dizer adeus, Dar as costas, caminhar. Decidido, pela estrada, Que o findar vai dar em nada, Nada, nada, nada, nada, Nada, nada, nada, nada, Nada, nada, nada, nada, Do que eu pensava encontrar. (1980).

[5] Teresa Teixeira, poetisa lusitana.

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