quinta-feira, 28 de março de 2013


UM SÉCULO DE VIDA
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Neste dia 02 de abril do ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2013, um potiguar completa UM SÉCULO DE EXISTÊNCIA. Seu nome é FRANCISCO GOMES DA COSTA, nascido no longínquo ano de 1913, na Fazenda Pitombeira, do Município de Taipu, no Rio Grande do Norte, único sobrevivente da descendência do Coronel João Gomes da Costa (filho único de Cassiano Gomes da Costa e Maria Rosa da Costa, tendo por avós Manuel Gomes da Costa, de nacionalidade portuguesa/Candinha e o Velho Freitas e avó cujo nome não recorda) e Anna Rodrigues da Costa (filha de Alexandre Rodrigues Santiago e Maria Joaquina Rodrigues de Paiva e neta de Jerônimo Ferreira Santiago/Felipa Rodrigues Santiago e Francisco de Paula Paiva/Bernardina Lopes de Vasconcelos), tendo sobrevivido aos irmãos de dois casamentos e uma união, em número de 12 – do primeiro casamento, contraído com Bernardina Rodrigues da Costa vieram Maria (AA), casada com João Severiano da Câmara; Jerônimo (Loló), casado com Otacília Teixeira Gomes; Luzia (Zia), casada com Jerônimo Severiano da Câmara; José (Zeco), casado com Maria Lígia de Miranda Gomes; Antônio (Tonho), casado com Isaura Juvêncio da Câmara; Pedro (Pedinho), casado com Maria da Conceição Rocha e Manuel (Ué), casado com Lígia Maria Benfica da Costa; do segundo casamento com Anna Rodrigues da Costa, sua cunhada (irmã de Anna), nasceram Francisco (Ici), o biografado, casado com Mabel Rose Jardine Costa; Luiz (Zilú), casado com Maria Dulce e depois com Estrela da Liberdade; Paulo (Paulinho), casado com Olindina dos Santos Lima; Maria (Lilia), solteira e Sérgio (trazido por Tia Nana, em sua viuvez de Sérgio Guedes da Fonseca), casado com Elizier da Câmara Benfica. Todos nasceram em Pitombeira-Taipu/RN.

Havia uma repetição de nomes na família, como no caso do velho Cassiano, que tinha um irmão Manoel Gomes da Costa, pai de João Gomes da Costa (primo), Antônio Gomes da Costa, Francisco Nobre Gomes da Costa e José Gomes da Costa.

Quando o Cel. João Gomes enviuvou teve uma união temporária com uma senhora chamada Generosa, nascendo dessa união Luiz Xavier da Costa, no lugar chamado Trigueiro, em Ceará-Mirim/RN, pelos idos de 1911, que também foi reconhecido pelos irmãos e faleceu nos anos 40.
Uma infância feliz, no ambiente bucólico de fazenda, rodeado de carinho dos pais, harmonia dos irmãos e proteção dos tios e tias Manuel Rodrigues Santiago (Tio Ué), casado com Maria Francisca de Paula (Tia Maroca) e pais de Noel; Jerônimo Rodrigues Santiago (Loló); Petronila Rodrigues Santiago (Tia Peta), casada com João Praxedes do Amaral Lisboa, pai de Otávio; Maria Rodrigues Santiago (Tia Lica), casada com Vicente Severiano da Câmara, pai de João (Vanvão), Antônio (Tonho), Xandu, Loló, Liquinha, Maroquinha e Dorotéia.
Até os 15 anos viveu em Pitombeira, mas sempre retornava para os bailes onde, aos 18 anos, contava com a companhia de K-Chimbinho, afamado clarinetista potiguar, de fama nacional. Estudou em escolas públicas e em Natal no Colégio Santo Antônio (funcionava na Igreja do Galo), despertou para a carreira militar influenciado pela visão da Polícia nos dias de feira, contra a vontade do seu pai. Apreciava futebol e o esporte de caçar de baladeira e espingarda. Registra-se que no começo dos anos 40, a pedido do seu companheiro de farda, Capitão Leitão, o então Tenente Francisco Gomes tornou-se presidente do Alecrim Futebol Clube.
Em 1930 tornou-se aluno da Escola de Instrução Militar, que funcionou no Colégio Pedro II, que ficava no lado oposto do Teatro Carlos Gomes – Escola de Instrução 11, ao tempo do Tiro de Guerra 18, dirigido por Luiz Soares, onde fez curso e recebeu carteira de reservista de 2ª categoria, tendo como instrutor o 2º Tenente Francisco Antônio do 29 BC. Costumava dar guarda na Escola de Artífices na Revolução de 1935, como aluno.
Em 1935, precisamente em 9 de julho entrou para a Escola Militar de Realengo, fazendo o seu curso, saindo em 25 de dezembro de 1938, como aspirante (tempo de Getúlio Vargas), classificado com Aspirante do 30BC Socorro – Jaboatão dos Guararapes, em Recife, Pernambuco, durante um ano, passando nessa data para a patente de 2º Tenente, tendo sido designado para servir no 31BC de Natal até 1942, época em que foi designado para servir em Fernando de Noronha.
Embarcou em Recife no dia 11 de fevereiro de 1942 e saiu em serviço de comboio do navio Itatinga, escoltado pelo esquadrão da Marinha do Brasil – Cruzador Rio Grande do Sul e por dois submarinos. Um era o Paquete Pará, conduzido pelo 31BC, Grupo de Artilharia e Cia. Transmissão, durante oito meses e dez dias.
Posteriormente foi matriculado na Escola de Motomecânica em Deodoro, Rio de Janeiro, como 2º Tenente, terminando o curso e classificado para o 1º BCCL, durante um ano, em Casa Forte, Recife em 10 de dezembro de 1940 ou 41, dali para Pindamonhangaba, São Paulo, quando pediu transferência para o 31BC. 
Terminou a sua carreira no Rio de Janeiro, na Secretaria Geral do Ministério da Guerra em 05 de agosto de 1966, como General de Brigada e em seguida foi promovido a General de Divisão, em razão de ter a condição de ex-combatente.
Já na Reserva, foi designado para presidir a Subcomissão Geral de Investigações do Rio Grande do Norte no início do governo militar instalado em 1964, ali prestando os seus serviços entre 19 de março de 1969 até 10 de agosto de 1971. A sua saída foi antecipada a pedido, quando teve discordâncias com o Ministro Jarbas Passarinho, quanto à forma de condução da SCGI.
Recebeu muitos elogios e louvores pela sua conduta e desempenho irrepreensíveis em toda a carreira e atos de coragem em momentos difíceis da vida brasileira. Exerceu muitas funções de comando. Recebeu a Medalha do Pacificador em 1963 e a Medalha Militar de Ouro, em 1966.
Teve uma vida conjugal harmoniosa com a sua esposa Mabel Rose Jardine Costa, já falecida, exemplo de virtude, que conheceu em Recife em 1945 e com quem gerou dois filhos, que não sobreviveram. Sua dedicação à família foi marcante e, em relação ao meu pai (José Gomes da Costa, seu irmão), certa vez, num momento de enfermidade deste, exigiu que fosse buscar outro centro, pois em Natal ainda não havia instrumental de alta precisão e ao fazer isso disponibilizou até o seu patrimônio. Prova maior de amor não poderia ser dada.
De uma união com a Senhora Maria Alma, gerou os filhos Fernanda de Souza Costa, Fernando de Souza Costa e Fabrício de Souza Costa e com a Senhora Tereza, gerou Francisco Gomes da Costa Júnior.

Reside atualmente na Rua Olinto Meira, 1027, demonstrando que, apesar dos seus 100 anos, ainda está completamente lúcido e disposto a continuar sua jornada por mais alguns anos, se Deus o permitir. Chegou a fazer um croquis completo de toda a Fazenda Pitombeira, suas casas e demais edificações, seus moradores e seus acidentes geográficos, como o rio e as estradas, os pequenos cômodos e onde se armazenava cada tipo de cultura.
Homem sóbrio, tranquilo, patriota, jamais se inclinou para a política ou ações contra os governos constituídos. Nunca se intrometeu em questões ideológicas de esquerda ou de direita, mantendo uma postura de honra e fidelidade ao Exército ao qual serviu por longos anos, mas proclamou não ter simpatia pelo  ideário comunista.
A FAMÍLIA LHE TRIBUTA TODAS AS MERECIDAS HOMENAGENS.
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Apontamentos complementares colhidos em entrevista em 2011.
Testemunho do General COSTA:    
Não sei dizer se foi papai que construiu tudo em Pitombeira, mas a casa grande sim, em 1909 e também a capela de São João, que possuía na nave central a imagem desse Santo e nos lados as de Santa Luzia e São Sebastião.
            Das minhas lembranças registro uma vida intensa naquela comunidade, onde se desenvolvia a cultura de algodão, feijão e milho e, também bananas, além de uma criação de gado bovino – cerca de 220 cabeças.
            A propriedade era progressista, com feira aos domingos e parada de trem, cortada pela estrada de ferro, pelo rio Ceará Mirim e pela rodovia. Papai construiu uma estação, com abrigo para os passageiros.
            Também foi erguido um prédio para funcionar uma escola, armazéns, casa de farinha, cocheiras, açougue – papai abatia uma rês a cada sábado, para vender na feira (realizada em uma latada) e na venda, esta construída em 1917, defronte da casa grande, além de inúmeras casas dos moradores e agregados – a comunidade tinha cerca de 200 pessoas.
            A diversão da Fazenda se restringia às peladas no meio da rua entre as casas da mesma e às sessões de “fobó”, tanto em Pitombeira, quanto em Gameleira, lugar bem próximo, onde papai também tinha propriedade, administrada por Francisco Nobre Gomes da Costa. Em Pitombeira os bailes eram na casa de Joaquim Costa, pois ele tinha três filhas: Zefinha, Águida e Dorinha. O sanfoneiro era Antônio Costa, ajudado pelo próprio Joaquim e Ermerindo Serafim, que tocavam ganzá, reco-reco e triângulo. Algumas vezes em Taipú, onde tocava K-Chimbinho, clarinetista afamado, cujo nome verdadeiro era Sebastião Barros, irmão de Ramiro, que era meu amigo, filhos de Inocêncio Barros (moradores de Taipú).
Papai inicialmente teve um namoro com minha mãe – Anna Rodrigues Santiago, mas terminou casando com sua irmã Bernardina Rodrigues Santiago, de cujo matrimônio nasceram AA, Loló, Ziá, Zeco, Tonho, Pedro e Ué, enquanto Anna casou-se com Sérgio Guedes da Fonseca, da Gameleira, nascendo desse casamento Sérgio Guedes da Costa. Bernardina e Sérgio faleceram em 1909 e 1912, respectivamente e, os então cunhados se casaram, nascendo nova prole: Ici, Zilu, Paulo e Lilia, da qual sou o mais velho. Sérgio agregou-se aos irmãos com tal intensidade, que era considerado como filho igual aos demais.
No tempo da viuvez, que demorou pouco, papai gerou um filho, chamado Luiz Xavier da Costa, pelos idos de 1911, que foi reconhecido pelos irmãos e faleceu nos anos 40.
            Das outras pessoas, lembro-me de Francisco Serafim, espécie de guarda-costas de papai, que usava um enorme facão e era quem acionava o motor da usina da Fazenda, também dos vaqueiros João Domingos, Beja e Joaquim Cavaco, a engomadeira Lulu, irmã de Joaquina, da família Matias e dos moradores Alexandre Cacete, Pedro Felipe, João Batista pé grande, Manoel Fabrício, José e Francisco Serafim, Mário Marcelino, Manoel Matias, Joaquim Costa, Débora, José e Francisco Belo, José Patrício, Pequena e Geralda Simão, Loló, Francisco Lourenço, Pedro Galdino, Lulu, Luis, Joaquina, Francisca e Severino Matias, João Gomes de Freitas, Inez e André de Paula, Cândida, Luíza e Ermelino Serafim, Manoel Patola, Maria Madureira, Sebastião Rocha, Angela, José, Antônio e Santina Nicácio e outros que não me lembro o nome. No lado da Estrada de Ferro, moravam cinco famílias – João Alfredo de Paula, casado com Luzia de Freitas, os Professores João Barreto, Joaquim Teotônio e Artur Henrique e Professoras Dona Rosália, Dona Alice, Dona Irací e Dona Dores.
            No campo da política, papai foi Prefeito de Taipú, emancipada de Ceará Mirim e desse tempo lembro-me da campanha, onde se dizia:

“Tá chegando a eleição,
ninguém sabe ainda quem ganha,
se é João Gomes no automóvel,
ou Pedro Guedes na Aranha”.                
           
Papai possuía o único automóvel da região e Pedro Guedes tinha uma espécie de “carruagem”, conhecida por “aranha”.
            Papai, ao completar 60 anos e vendo que os filhos procuravam outros caminhos para a vida, resolveu vender a Fazenda que, apesar do tempo, continua íntegra, pertencendo agora aos herdeiros de André Elias.
            Veio para Natal morar na casa velha da família do Desembargador Silvino Bezerra, na Rua Meira e Sá nº 138, no Barro Vermelho, onde passou o restante de sua vida e bairro onde mora a maior parte dos seus descendentes, inclusive eu.
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            Após ouvi-lo, fiz algumas pesquisas em livros de Câmara Cascudo, Paulo Pereira dos Santos e João Maria Furtado, constatando, em complementação, o seguinte:
            Taipú foi Vila em 10 de março de 1891, desmembrada de Ceará Mirim e cidade em 29 de março de 1938. Esse nome vem da aldeia dos indígenas “Itaipi”. Agregados à cidade estavam as povoações de Barreto, Poço Branco, Gameleira, Contador, Boa Vista (Passagem Funda) e Pitombeira, que tinha parada de trem no Km 52. Pitombeira foi inaugurada em 15 de novembro de 1907 e foi comprada por dois contos de réis, onde o Coronel João Gomes da Costa criou 12 filhos e de onde saiu o grande político João Severiano da Câmara, cujo primeiro emprego foi exatamente na venda de Pitombeira e onde conseguiu o primeiro recurso para começar o seu império, já que o Cel. era seu tio, padrinho e orientador. João Câmara dizia que “Pitombeira era a sua Universidade”. Também passou pela venda do Coronel Otávio Praxedes, que veio a ser um grande empresário.
            Os livros registram que o Cel. João Gomes tinha um “zonofone” que tocava os discos das Casas Garçon.
            Por sua vez, Baixa Verde de Dr. Proença, nasceu de Taipú – era um lugar afastado, elevada à condição de Vila e sede do Município do mesmo nome em 19 de outubro de 1928, tendo João Câmara como seu primeiro Prefeito. Em 1930, com a Revolução, foi destituído, mas logo depois, reempossado pelo Interventor Irineu Jófilly, com autorização da Junta Militar.
            No livro Vertentes, do Desembargador João Maria Furtado, existe uma certa discriminação a João Câmara, traçando-o como poderoso, o que se justifica pela diferente ideologia do seu autor. Nele há uma referência pouco lisonjeira ao Dr. José Gomes (artigo do Sr. Alfredo Edeltrudes de Sousa, em 15/02/1932), onde atribui uma derrota daquele numa ação judicial, “por ser este amigo, cunhado e sócio do coronel João Câmara”, que teria interesse na causa. Na verdade José Gomes nunca foi nem sócio nem empregado de João Câmara, apenas prestou alguns serviços profissionais a ele alguns anos depois. O advogado permanente de João Câmara era o Dr. Véscio Barreto, pois Zé Gomes era recém formado, inscrito na OAB/RN exatamente em 1932. Os biógrafos de João Câmara não confirmam nada sobre este episódio, mas ao reverso, que Baixa Verde criou corpo com Vanvão e, Zé Gomes, só é referido em momentos de discursos e, por Cascudinho, (por engano), quando quer se referir a João Gomes, troca o nome por José Gomes, por ser seu contemporâneo, amigo e com quem chegou a trabalhar e lidar diariamente.
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Fonte: Livro “Testemunhos”, de Carlos Roberto de Miranda Gomes, Natal, Ed. Sebo Vermelho, 2002.


5 comentários:

  1. Caro confrade Carlos Gomes, excelente nome para compor a nossa futura instituição. Abraço, Angelo Dantas

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  2. Ao fazer uma pesquisa genealógica e história da minha família percebi um possível cruzamento de linhagem com meus antepassados. Gostaria de obter, se possível, mais informações do casamento de Antônio (tonho) com Izaura Juvêncio da Câmara mencionado logo no inicio da publicação. Tenho encontrado inúmeras referências cruzadas em minhas pesquisas com o sobrenome de minha família por parte de pai - Juvêncio da Câmara. Desde já agradeço se puder entrar em contato contigo para obter mais detalhes. Frequentemente entrarei nesse post para ver sua resposta e uma forma de entrar em contato, caso seja uma resposta positiva. Abraços e parabéns pelos artigos postados.

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    1. Caro Hebert, creio que posso te ajudar. marcos_camara@hotmail.com

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  3. Muito bom o texto sobre este taipuense ilustre.
    abraço
    Gustavo Praxedes

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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