sábado, 17 de junho de 2023

 

Recordando a minha vida de rapaz (Paulo Lira)
(texto de PAULO LIRA, Transcrito do jornal “A República”, edição de 17 de setembro de 1974.)
Numa noite de insônia e cansaço (não cansaço por trabalho, porque esse negócio é relativamente pequeno para mim aqui no Rio [...]) eu passei a rememorar dias da minha juventude de rapaz em Natal. Recordei amigos ótimos, namoros, passeios e farras inúmeras. Que noites maravilhosas.
Companheiros de brincadeiras no centro Náutico Potengi, de passeios extravagantes de bicicletas, do circo de “seu” Stringhini, onde Noel Miranda fez um discurso oferecendo um ramalhete de rosas de mungubeiras, tinhorões e outras flores “raras” ao dono do circo e cujo discurso tinha por tema principal recitar um soneto que começava assim: “Sei que sou um sapo, sinto que crio rabo [...]” e “seu” Stringhini protestava “não apoiado!”.
Noutro circo que fomos na Rua do Cajueiro, entramos também no Picadeiro para desafiar o palhaço e criticar os acrobatas.
O final foi meio ruim: fomos cercados pelos artistas armados de pau e ia se dando uma confusão danada [...] felizmente saímos sãos e salvos.
Sobre passeio na Rua Tamarineira onde João Sizenando encontrou uma senhora debaixo da pitombeira e assombrou-se pensando que era uma alma [...]
De outra feita, saímos a bater nas portas alheias. Um sujeito na Rua da Conceição saiu de revólver em punho para amedrontar a turma. Corremos em louca disparada. Numa construção na mesma rua, Alberto Nesi ficou com o paletó encalhado nos andaimes e gritou “me solta! não fui eu!”.
Daquele grupo fazia parte (denuncio agora): João Sizenando Filho, Ângelo Pessoa, Alberto Nesi, Olavo Gluck, Eider Gomes Ribeiro, Carlos Bahia, João Bahia, Arthur Veiga, Luiz Lira, Arnaldo Lira e eu. Talvez uns dois mais cujos nomes não recordo. Essa era a turma que todas as noites tinha um extravagante programa de canalhismo a realizar. Hoje seria a juventude transviada [...]
Todos nós trajávamos impecavelmente calça de flanela bege ou branca, paletó de casimira azul, camisa de palha seda, sapato branco ou de duas cores, muitas vezes encomendado sob medida no Recife. O João Sizenando Filho caprichava nesse particular. Éramos os amigos mais unidos de todos os tempos.
Ah! Os bailes e festas na casa de Jerônimo Moura! Os bailes de seu Ananias, onde ele obrigava as suas filhas a dançar com a gente. Os furtos de cordões da bandeira da Maçonaria “21 de Março”, para nas noites de escuro (sempre faltava luz em Natal), amarrarmos na altura de uns 30 centímetros ligando um muro à parede da venda de Zé da Luz, a fim de que o vendedor de coalhada tropeçasse ao passar com o tabuleiro cheio de copos.
E os jogos de futebol às 4 horas da manhã pelas ruas de Natal, a caminho do Centro Náutico, todos nós em disparada louca atrás da bola [...]
As missas aos domingos na igreja do Bom Jesus com legião de namoradas acompanhando de longe as meninas da Escola Doméstica. O cinema de seu Leal (Royal) com as cadeiras mais duras do mundo onde eu era pianista. Ali o canalhismo era o maior do mundo, sendo comandado por Zé Herôncio, jogando bombas “tranavalianas” na tela!
Assim foi a minha vida de rapaz, tocando piano e me divertindo em inocentes farras!
Mas, tudo passou, hoje todos estão casados, com filhos e netos (eu só tenho nove até aqui) o resto anda por aí ainda vivo, relembrando como eu, nas noites de insônia e as delícias da nossa vida maravilhosa de rapaz.
Todas as reações:
Berg Costa, Geovanira Galvão de Lima e outras 174 pessoas

 Santo Antônio, de Lisboa e de Pádua

Padre João Medeiros Filho 

Celebra-se sua festa litúrgica em 13 de junho. Fernando de Bulhões y Taveira de Azevedo era seu nome civil. Nasceu aos 15/08/1195, em Lisboa. Faleceu com apenas 35 anos, aos 13 de junho de 1231 em Pádua (Itália), onde vivera alguns anos. Por essa razão, passou a ser chamado de Santo Antônio de Pádua, não obstante sua origem lusitana. Inicialmente, ingressou na Ordem dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho, tendo sido ordenado sacerdote no Mosteiro da Santa Cruz, de Coimbra, em 1220. Posteriormente, após uma tentativa frustrada de fixar-se no Marrocos – onde pretendia ser missionário entre os muçulmanos – partiu para a Itália. Durante a viagem, foi acometido de grave doença. O navio em que embarcara acabou desviado por uma tempestade para a Ilha da Sicília. Ali chegando, resolveu ir até Assis para conhecer São Francisco. Este o impressionou e marcou tanto sua vida, que resolveu deixar os agostinianos e ingressar na ordem franciscana. Sua lucidez e equilíbrio eram relevantes. Em carta, São Francisco o chama: “Meu bispo”. Grande pregador e conselheiro, Antônio orientou nobres e ricos de seu tempo. Intermediou vários casamentos entre membros da aristocracia europeia. Conta-se que ajudou muitas noivas a comprar o enxoval e pagar o dote esponsal. Daí, nascem a fama de promotor de matrimônios e o epíteto de “casamenteiro”, surgindo também a devoção das moças casadoiras. Combateu os erros doutrinários de sua época com tanta convicção e sabedoria que São Francisco o designou superior provincial dos franciscanos. Sediado no Convento de Arcella (Pádua), viajou pela Europa com tanta rapidez e frequência, a ponto de a tradição atribuir-lhe o dom de ubiquação, pelo qual podia estar em vários lugares ao mesmo tempo. Dotado de grande eloquência, inteligência privilegiada e exímio conhecimento teológico, reiterou que a virtude maior do cristianismo é a caridade. O convento onde morava era rodeado por pobres e famintos, que lhe suplicavam o pão material e o alimento espiritual. A tradição conserva até hoje o símbolo de sua atenção e amor pelos pobres: o pão de Santo Antônio, distribuído à porta dos conventos franciscanos às terças-feiras (dia da semana em que ocorreu o seu sepultamento). Compreendeu desde cedo a lição de Cristo: “O que fizerdes ao menor dos meus irmãos, é a Mim que o fazeis” (Mt 25, 40). Para pregar unicamente a Palavra de Deus, renunciou à cátedra da Universidade de Bolonha. Sabia da existência dos mais sedentos da Água que nos sacia e famintos do Pão da Vida. O ministério da pregação foi a prioridade de seu apostolado. Na verdade, transmitia “palavras de vida eterna” (Jo 6, 68). Na sociedade contemporânea, inundada de falas e informações pelas redes sociais e mídia, sua mensagem convida-nos a buscar os ensinamentos que nos salvam. Num mundo contaminado por falsos valores, que nos deixam perdidos e atônitos, ele nos leva a encontrar Deus, “tesouro que a traça não corrompe” (Mt 6, 19). Fez muitos descobrir Jesus Cristo. Impressionou tanto os cristãos e as autoridades eclesiásticas pela sua santidade e sabedoria que o Papa Gregório IX o elevou às honras dos altares, canonizando-o em apenas onze meses após a sua morte, declarando-o Doutor da Igreja. Dada à influência portuguesa e à catequese dos franciscanos, primeiros missionários a aportarem no Brasil, bem como à devoção por parte do povo mais simples, Santo Antônio foi integrado aos festejos juninos, ao lado de São João e São Pedro. Muitos conhecem o folguedo: “Matrimônio, matrimônio, isso é lá com Santo Antônio.” Sua influência contribuiu, à época, no registro batismal de muitos portugueses. Havia incidência significativa do prenome Fernando, oriundo das dinastias espanhola e lusitana. O ilustre frade mudou essa rotina. Muitos passaram adotar o nome do santo como prenome ou acrescentá-lo ao já existente. Exemplo relevante é o do poeta Fernando Pessoa. Essa tradição foi trazida para o Brasil. Podem ser encontrados vários registros de Fernando Antônio nos livros paroquiais de batismo e nos cartórios. Rezamos em nossas igrejas: “Bendito seja Deus nos seus anjos e nos seus santos.”

sexta-feira, 9 de junho de 2023

 RELEMBRANDO LAURO DA ESCÓSSIA

 

Valério Mesquita*

Mesquita.valerio@gmail.com

 

Em 1981, o plano editorial da Fundação José Augusto, a qual presidia, contemplava a publicação do livro “Memórias de um Jornalista de Província”, do mossoroense Lauro da Escóssia, profissional da imprensa e então diretor do Museu Municipal de Mossoró. A obra foi composta e impressa na Gráfica Manibu da Fundação José Augusto e lançada em Natal, na livraria Universitária sob a bandeira desfraldada de Walter Pereira com a presença do mundo cultural de Natal e de Mossoró. Raimundo Augusto da Escóssia, seu filho, meu colega do Tribunal de Contas, trouxe-me a foto do evento para a minha curiosidade e alegria no ensejo da data do centenário do seu pai. Prometi-lhe que faria o registro público para resgate do relato autobiográfico daquele que foi não somente um marco na imprensa mossoroense mas que deixou o legado primoroso de discípulos como Dorian Jorge Freire e Jaime Hipólito Dantas que enobrecem a intelectualidade da terra de Vingt-Un Rosado.

O livro tomou o número CLVI da Coleção Mossoroense e a capa confeccionada pelo competente artista plástico Vicente Vitoriano. O prefácio de Dorian Jorge Freire foi inexcedível no estilo e na forma emocional que só ele sabia fazer, dizer e sentir quando o assunto era Mossoró e seus ídolos. A orelha foi de Raimundo Soares de Brito, monstro sagrado do tabernáculo da cultura daquele “país”. Senti-me, partícipe desse banquete de reminiscências do mestre Lauro da Escóssia porque decidi, à época, imprimir as estórias vindas de sua infância à maturidade, entre 1905 até aqueles dias do ano da graça 1981. A narrativa do autor se confunde com a própria história de Mossoró na diversidade dos temas focalizados.

Relembro-o quando o conheci pessoalmente, do alto dos seus 76 anos, aqui em Natal, na manhã luminosa dos autógrafos. O corpo, pouco curvado, pareceu-me advinda da forma da postura repetida, à máquina de escrever. Os olhos expressivos procuravam detalhes nas coisas que enxergavam como todo bom escriba provinciano. A cabeleira leonina revelava as lutas vencidas e outras adiadas porque ninguém vence todas. Exalava por todos os poros o jeito de ser, o jeito inconfundível do ser mossoroense. Ninguém melhor do que Dorian traçou o seu perfil, como amigo, colega, compadre e aluno no seu memorável prefácio. Superar o brilhante colega e imortal quem há de? A impressão que Lauro me deixou é só minha, exceptuando-se a alegria singular de haver contribuído para a impressão do seu primeiro livro.

Nasceu, como bem afirma, na madrugada friorenta de uma quinta-feira 14 de março de 1905, no número 16 da rua Almeida Castro, centro de Mossoró. A sua marca registrada, em meio a tantos fatos notáveis ligados a sua vida, está fincada na trincheira jornalística de “O Mossoroense”, verdadeira universidade onde se formou e educou gerações na arte e na lide de informar, servir e defender sua urbe, como diria o velho e saudoso alcaide Dix-Huit Rosado. 

Nas comemorações dos 100 anos, “Memória de um Jornalista de Província” mereceu a 2ª edição de parceria com outras pertinentes homenagens ao velho repórter. Ao redigir a ata dos meus sentimentos pela primeira edição, eu o faço com o orgulho de haver também modestamente contribuído para que se revelasse a força evocativa de um baluarte do bravo povo de Mossoró.

Como jornalista, Lauro tinha rara luz singular que provinha de dentro de si mesmo, sem reflexo político de ninguém. Cresceu e se firmou entre as raízes de sua terra, com a tez queimada no cristal do sol de Mossoró. Na lide jornalística, Lauro honrou e dignificou o jornalismo de sua terra.

 

 

(*) Escritor


quarta-feira, 7 de junho de 2023

 

A solenidade de “Corpus Christi”

Padre João Medeiros Filho

É uma festa móvel, celebrada numa quinta-feira, após o Domingo da Santíssima Trindade. A Eucaristia é um gesto sublime do amor de Cristo. Nela, repete-se o mistério da Encarnação, de forma intensa e profunda. Jesus transforma elementos materiais na sua pessoa. Consagra assim o universo, através dos três elementos que o representam: o trigo (pão), a uva (vinho) e a água. Seres inanimados tornam-se suporte da divindade, ali presente, abscôndita aos olhos materiais, mas patente à visão da fé. Na beleza da presença silenciosa, Ele deixa sua palavra repercutir no íntimo daqueles que dele se achegam para mitigar a sede e fome.

No sacramento do altar, a humildade assumida pelo Verbo na Encarnação é levada ao ápice. Por isso, entende-se o motivo pelo qual os judeus, ao ouvirem o Senhor anunciar que deveriam “comer a sua carne e tomar o seu sangue” (Jo 6, 51-52), consideraram tais palavras demasiadamente duras. E não podendo ou querendo aceitá-las, foram se retirando. Diante dessa reação, Cristo desafiou os apóstolos: “Vós também quereis ir embora?” (Jo 6, 67). Pedro respondeu-lhe: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna” (Jo 6, 68). Teologicamente, sua resposta converte-se em profissão de fé.

A Eucaristia perpetua os ensinamentos do Senhor, máxime no que tange ao serviço e à humildade. “Com efeito, o que entre vós for o menor, esse é o maior” (Lc 9, 48). Nela, o Filho de Deus continua o seu ensinamento do amor fraterno: “Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 15,12). No Pão Eucarístico, Ele se oferece como alimento igual para todos: pobres e ricos, eruditos e iletrados, santos e pecadores. E nesse augusto sacramento, faz-nos compreender o seu gesto de perdão, doando-se indistintamente a todos. Perdoar é difícil, pois ultrapassa por vezes nossos temperamentos e limitações. Naquele alimento sagrado, Jesus ensina como deve ser o homem: despojado, disponível e de braços estendidos. Assim aceitou a Cruz, gesto este precedido do grande mistério de amor, perpetuado na missa. Nesta, continua milagres de vida. Durante sua permanência neste mundo, curou doentes e ressuscitou mortos. Hoje, pela Eucaristia reanima os desfalecidos pela dor, tibieza na fé ou ausência de Deus. 

Cristo é nossa fortaleza. Quanto mais dele nos aproximamos, mais necessidade sentimos. É uma lenta caminhada até a realização definitiva no banquete celestial. Ao receber Jesus eucaristicamente, já não somos nós que existimos, mas é Ele em nós. “Eu vivo, mas não eu; é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20), expressou o apóstolo Paulo. A Eucaristia é o plantão permanente da eterna solidariedade divina; meiguice de um Pai que envia seu Filho Unigênito para dialogar com os irmãos. Ali, Ele nos diz: “Quem vem a mim, jamais terá fome” (Jo 6, 35). A Eucaristia é a espera de Deus por nós, o abraço celestial que nos é reservado. Beijo carinhoso de um Pai cheio de bondade, que no silêncio da Hóstia nos revela amor e perdão. Eis o sublime sacramento, continuidade da presença transcendental a partir da Encarnação do Verbo. Este quis se unir à humanidade, mostrando-nos que ela tem valor infinito, não importando suas fraquezas. Deus nos perfilhou por ato de sua inefável misericórdia e generosidade.

A Eucaristia antecipa a eternidade, na qual alcançaremos a plenitude de nossa história. “Sem ela, o homem é pequeno demais para o Céu. Com ela, demasiadamente grande para a terra”, afirmou Cônego Luiz Gonzaga Monte. Ela é Deus – em seu Filho –abrandando em nós as saudades do Eterno. É impossível não ficar extasiados diante de tão admirável mistério! Interrogações e inquietudes poderão surgir no coração de alguns. Entretanto, encontrarão a paz na intimidade com o Mestre, presente no altar, de forma sacramental. Sustentados pela fé e sua luz, que ilumina nossos passos na noite de dúvidas e dificuldades, poderemos proclamar, como o saudoso Monsenhor Paulo Herôncio de Melo, no Congresso Eucarístico de Currais Novos (RN), em 1937: “Glória a Ti, ó Mistério querido, Ó Milagre sublime de amor! Glória a Ti, ó Jesus escondido, Cristo Rei e dos povos, Senhor!”

terça-feira, 6 de junho de 2023

 

Sorte minha
​Fazia algum tempo que não recebia uma mensagem do Goodreads. Para quem não conhece o dito cujo, criado em 2007, ele se intitula “o maior site do mundo para leitores e recomendações de livros”, com a missão específica de “ajudar as pessoas a encontrar e compartilhar os livros que amam”. Segundo seu fundador, o Goodreads “é um lugar onde você pode ver o que seus amigos estão lendo e vice-versa. Você pode criar ‘estantes’ para organizar o que leu (ou quer ler). Você pode reciprocamente comentar as avaliações dos demais usuários. Você pode encontrar seu próximo livro favorito. E nessa jornada com seus amigos você pode explorar novos territórios, reunir informações e expandir sua mente”. Um pouco autoajuda esse final, mas tá joia.
​Fiquei felicíssimo com a mensagem, sobretudo porque ela trazia consigo uma lista de 80 recentes “romances de mistério”, com as devidas recomendações, para que o usuário/leitor possa se enfronhar em novas aventuras do tipo: “você está procurando os romances de mistério mais populares dos últimos três anos? Oitenta deles? Em ordem? Temos uma coincidência extraordinária a relatar. Reunimos abaixo os novos mistérios e thrillers mais populares em circulação recente, conforme determinado pelo que seus colegas Goodreads recomendaram e adicionaram às suas prateleiras. Os livros aqui são classificados como os mais populares e cada um tem uma classificação média geral de 3,5 estrelas ou melhor. Normalmente melhor”.
Realmente, a proposta era/é instigante. E caí para dentro da lista.
Todavia, qual foi a minha surpresa ao descobrir que, dessa lista de mistérios do Goodreads, tidos como os mais badalados dos últimos três anos, pouquíssimos eu conhecia ou mesmo tinha ouvido falar. E olhem que a lista era/é bem diversificada: os tradicionais whodunits, cozy mysteries da moda, thrillers, cold cases, com títulos de escritores do momento e dos famosos ases da turma (tipo Stephen King, James Patterson, Harlan Coben). Conhecia talvez uma meia dúzia: “The Thursday Murder Club” (por Richard Osman), “The Cartographers” (Peng Shepherd), “The Guest List” (Lucy Foley), “The Woman in the Library” (Sulari Gentill), “The Boy from the Woods” (Harlan Coben) e “State of Terror” (Louise Penny e Hillary Rodham Clinton, a outrora primeira-dama e Secretária de Estado dos EUA). Dois deles porque tinham me chamado a atenção título e enredo, que associei à minha amiga Agatha Christie, um deles em razão da autora estadista famosa e os outros porque havia topado com eles (até nas traduções em português) em livrarias daqui e d’alhures.
Por falar em Agatha Christie, devo reconhecer, resignado, que a minha praia são mesmo os clássicos – além da minha amiga, Conan Doyle, C.K. Chesterton, Ian Fleming, Georges Simenon, Raymond Chandler, Dashiell Hammett e por aí vai –, que, graças às venturas da vida, já tive a oportunidade de ler e apreciar.
Fiquei decepcionado comigo mesmo por essa falta de familiaridade com “contemporâneos”. Quase triste. Até que me lembrei de um “slide” do nosso Américo de Oliveira Costa no seu maravilhoso “A biblioteca e seus habitantes” (Achiamé/Fundação José Augusto, 1982): “‘Homem feliz que ainda tem alguma coisa de Eça para ler’, disse, um dia, Afonso Arinos a Tristão de Athayde, ante a informação negativa deste à pergunta se lera certo volume do autor de Os Maias. Carta de Claudel a Gide (1910): ‘Você é feliz por não haver ainda lido as Mémoires d’Outre-Tombe, tendo por isso, em reserva, uma grande satisfação’. O que é uma paralela à pergunta de Eduardo Prado a Batista Pereira: ‘Já leu as Mémoires d’Outre-Tombe?’. E como a resposta não fosse afirmativa, Prado exclamaria como Arinos e Claudel: ‘Que homem feliz! Ainda pode ter esse prazer de ler pela primeira vez!’”.
Pensando bem, tudo sorte minha. Ainda tenho todos esses mistérios para desvendar, todas essas aventuras para sonhar.
Marcelo Alves Dias de Souza
Procurador Regional da República
Doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL

domingo, 4 de junho de 2023

sexta-feira, 2 de junho de 2023

VOLUME MORTO DA MORALIDADE

 

Valério Mesquita*

Mesquita.valerio@gmail.com

 

Se um golpe nas instituições democráticas desmoraliza ponderavelmente  o país, pior do que ele é a corrupção de um governo. Outra constatação deplorável reside na legislação punitiva que continua frouxa, lasciva e insuficiente. A Polícia Federal, o Ministério Público fazem a sua parte. Descobrem, flagram, prendem, exibem os ladrões, processam, ouvem delações, depoimentos, testemunhos. Tudo!! Mas a lei, - assim como a carne – ela é fraca, volúvel, iníqua. Não é do bem. Dorme de mala e cuia na cama com o defensor do réu.  O benefício da dúvida faz o advogado botar sempre no bolso. Mas, o dinheiro público foi roubado! Acontece que o povo, apenas, é um detalhe. Pra que tornozeleira eletrônica? Melhor para os gestores desonestos é o supositório eletrônico.

Qual o brasileiro que diante de todos esses escândalos não perde a autoestima? Até mesmo o sentimento patriótico porque o Brasil está desmoralizado dentro e fora das fronteiras. A dimensão do assalto no país é o maior da história político-administrativa universal. Se existissem critérios, princípios, sensatez, os gestores desonestos, renunciariam, mesmo que não tivessem praticados os atos ou serem responsáveis diretamente. Mas, por vergonha, para provar que são honestos e que desejam a apuração isenta de todos os crimes contra o patrimônio do país. Permanecendo nos postos, repassam a nítida impressão que no fisiologismo com os congressistas contaminados e magistrados e ministros poderosos (do próprio governo e de outros poderes), o tráfico de influência deturpa a busca da verdade. Por muito menos, nas democracias de países civilizados da Europa, gabinetes de governo são depostos naturalmente, sem crise, sem crase e sem cruzes. A democracia é soberana. O caráter superior. Mas, a lei do toma lá dá cá, é prostituição.

Outro fato aberrante é a tática do político denunciado ou empresário corrutor negarem permanentemente. “Não sei”,  “Não conheço o delator”, “Nunca o vi”, “A imputação é falsa”, “Essa prática, vem desde os governos anteriores...”.

O abuso da desfaçatez cabe na carapuça de muitos. Acho que a maioria dos brasileiros chegou a exaustão com o noticiário da mídia nacional e da rede social. Entrevistar essa gente é pura carniça. Prefiro o canal musical da tv, que diariamente nos brinda com canções do tempo da jovem guarda. E o de forró daquele época? Vixe... É bom demais.

Ninguém pode negar que hoje existe uma guerra civil, gerada pela droga em toda nação, cujas estatísticas de homicídios exibem uma juventude devastada por revolucionários sociais bem municiada e ocultos, cuja guerra a polícia vem perdendo, paulatinamente. Um país desorientado e com essa multidão de marginais não pode suportar tanta dor e tantas perdas. Sem contar as mortes para o Covid e acrescente-se a falta de assistência de médicos e medicamentos nas UPAS e nos hospitais as filas quilométricas para cirurgias em pobres da rede social do INSS.

E o pugilo da saúde pública nos hospitais da capital? Esse merece veemente repulsa. É um libelo à competência dos administradores. A situação deplorável me infunde a convicção de que ninguém mais se comove com a dor humana. O melhor homem é o homem morto. Vivo é desprezível. Doente e pobre, ele fede. Onde deveriam remunerar melhor, paga-se pior e se gasta menos. Hospital público é a antessala da morte iminente porque está desprovido das mínimas condições de higiene e serviços. Denunciar o estado de calamidade não constitui o meu propósito. Mas, apenas, lembrar ao leitor que o ser humano coisificou-se. Deixou de ser carne inteligente. Hospital - lugar de repouso e cura - virou empório do estado, verdadeiro guardador de rebanho, onde o pobre, sem nenhum plano de saúde, tem defeito de circulação do sangue no corpo à alma. Tenho dito.

(*) Escritor



DO PASSADO E SUAS ANTIGUIDADES


Horácio Paiva * 



Relendo velhos escritos de meu irmão Daltro, que morreu em 1996, eis que fixo a atenção nesse curioso soneto que escreveu provavelmente no início da década de 1960 e que trata da morte de um gatinho que criávamos em Macau, de nome Ariel. Todos gostávamos desse gatinho amarelo e branco. Tínhamos também outro, inteiramente branco, no qual pusemos o nome do centauro mitológico Quíron... mas esta é outra história...


No soneto em destaque, Daltro intercala versos de Augusto dos Anjos, Camões e Baudelaire, entre os seus próprios, produzindo um bom efeito estético.


O GATO ARIEL


Vinte e dois de setembro. Madrugada.

“Nem uma névoa no estrelado véu...”

Banhei a face despreocupada,

respirei forte, contemplando o céu.


A Morte se apaixona. Enamorada,

vai-nos a vida para o seu vergel.

Safo de Fáon foste desprezada...

Cavalga a morte fúlgido corcel.


“Se lá no assento etéreo se consente,”

“Vive tranquilo, as nobres atitudes

de esfinge a olhar além das solitudes...”


Deixaste a vida prematuramente

para melhor cingir justo laurel,

pobre amigo querido, meu Ariel!


(Daltro de Paiva Oliveira – n. 04/07/1937; m. 29/05/1996)


Sobre a lenda de Fáon, escreveu o professor Jônatas Batista Neto, em seu blog JONATASNETO’S BLOG, edição de 08/10/2011:


“Fáon, Safo e Alceu: três personagens da ilha de Lesbos, envolvidos numa trama meio histórica, meio mitológica. Os antigos diziam que o barqueiro Fáon - um velho pobre e feio - tinha dado, um dia, carona à deusa Afrodite (Vênus) sem lhe cobrar passagem, naturalmente. Agradecida, a divindade presenteou-o com um frasco de unguento mágico: esfregando-o repetidas vezes sobre o corpo, Fáon recuperou a juventude e ainda conseguiu tornar-se o mais belo homem da ilha, a ponto de deixar todas as mulheres caídas por ele. Até a célebre poetisa Safo apaixonou-se pelo barqueiro, só que, por alguma razão, não teve sorte: rejeitada, atirou-se da falésia de Lêucade e encontrou a morte “nas ondas verdes do mar”. Aristóteles diz que foi castigo porque, um pouco antes, ela havia descartado o notável poeta Alceu, que também morava na ilha.”


A propósito de Safo e Alceu, dois grandes poetas da Grécia antiga, recolho esse interessantíssimo e curioso diálogo poético que se encontra na antologia POESIA GREGA E LATINA, organizada e com traduções de Péricles Eugênio da Silva Ramos (Clássicos Cultrix, Editora Cultrix, São Paulo, 1964), na página atribuída a Alceu:



PALAVRAS DE ALCEU A SAFO


Ó cheia de pureza,

ó Safo coroada de violetas

que docemente ris:


eu te diria de bom grado certa coisa,

se não fosse a vergonha que mo impede.


RESPOSTA DE SAFO A ALCEU


Se quisesses tão só o bom e o belo,

se em tua boca más palavras não tramasses,

não haveria essa vergonha nos teus olhos

e poderias exprimir-te francamente.



A antiguidade clássica grega ressurge, aos nossos olhos modernos, no brilho de uma coroa formada por nove musas humanas, nove grandes poetisas, segundo o saber da tradição e citadas no Epigrama 26, do poeta Antípatro da Tessalônica (sécs. I a.C. – I d.C.) - Safo, Corina, Anite, Erina, Telesila, Praxila, Mero, Nóssis e Mírtes -, mas, de sua produção poética, pouco resistiu à corrosão do tempo e das “intempéries” humanas, às vezes movidas pela intolerância, ficando-nos, porém, fragmentos que atestam a sua grandeza. Assim como este, ainda de Safo, na tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos, que é a nossa chave de ouro no fecho desta breve notícia:


“A lua já se pôs,

as Pêiades também:

meia-noite, foge o tempo,

e estou deitada sozinha.”



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(*) Horácio de Paiva Oliveira - Poeta, escritor, advogado, membro do Instituto Histórico e Geográfico do RN, da União Brasileira de Escritores do RN e presidente da Academia Macauense de Letras e Artes – AMLA.


quinta-feira, 1 de junho de 2023

Mais uma Outra Carta Avulsa de outono (2023)

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes


    Quase no iniciar do inverno, tomo de volta a coragem de escrever, desta feita movido pelos fatos sociais e políticos que ocorrem nesse nosso querido Brasil.

    Primeiramente, deploro inúmeras mensagens recebidas pelo WhatsApp em que se coloca o nome do nosso País como Brazil - perdemos a nossa identidade perante o resto do mundo?

    Pelo lado político parece que sim, nosso governo cantando loas para as pessoas e doutrinas estranhas ao nosso sentimento nativo, este sempre albergado na Cruz de Cristo.

    Os recentes acontecimento no Planalto nos impele a termos vergonha de sermos honestos quando se vê em um dia o firme propósito de parlamentares em não reduzir os mecanismos de salvação da nossa natureza através de Ministérios que lutam pela preservação e, no outro dia, contrariando as notícias de uma imprensa insegura, aprovando uma medida provisória que desmonta um Projeto de Estado que teve peso na hora da escolha dos novos governantes, mediante outra notícia de que mais de um bilhão de reais havia transitado nos acordos para obtenção desse resultado.

    Este meu blog jamais se intrometeu em questões políticas partidárias e assim continuará, mas como cidadão e homem político na percepção Platônica, sou forçado a dar meu testemunho, fazer o meu protesto, em nome do futuro dos meus netos.

    Outro relance desta Carta prende-se ao comportamento social, que claramente se corrompe em todos os vértices da caminhada existencial - no percorrer as ruas (tão diferente quanto aquela foto que recebi do meu irmão do coração Adilson Gurgel, onde se vê a rua do Ouvidor com transeuntes bem vestidos, sem pedintes ou maltrapilhos), sem nenhum preconceito com os mais desvalidos, mas como denúncia da falta de empregos, de política econômica que permita o cumprimento da tarefa mais sagrada do ser humano, o direito ao trabalho e à dignidade humana.

    Esse trajar já não existe no mundo atual, seja nas ruas, nas igrejas, nas reuniões, nos velórios e até nas sessões magnas acadêmicas, onde não se dá ao traje a indicação de respeito ao ambiente.

    Sei muito bem, que estes são os últimos atrevimentos de um homem velho, descendo aceleradamente os degraus da existência, que deixa como legado poucos haveres e muitos saberes e quer ser lembrado sempre como um homem honrado, simples e solidário.

    Para tirar o amargor desta minha Carta, gostaria de enfatizar que, apesar da pouca saúde e de uma idade provecta, ainda consigo laborar em benefício das instituições às quais pertenço até o canto final da jornada. Mas, só deixo o meu Cariri no último Pau de Arara.



quarta-feira, 31 de maio de 2023

 

Voz, palavra e silêncio

Padre João Medeiros Filho

Santo Agostinho, com sua sabedoria e profundidade teológica, mística e poética, discorre em um dos seus sermões sobre a voz e a palavra. A primeira é a sucessão de sons e tons. A segunda, o pensamento organizado. Uma é instrumento; a outra traz conteúdo ou mensagem. A reflexão agostiniana poderá servir de remédio para a verborragia descontrolada do tempo presente, facilitada pelas redes sociais. A pletora de falas nem sempre equivale a diálogo e solidariedade. Na aludida homilia, o Bispo de Hipona refere-se a dois personagens bíblicos: João Batista e Jesus. Aquele denominava-se “A voz que clama no deserto” (Jo 1, 23). E no prólogo do quarto evangelho, identifica-se Cristo como a Palavra. “No princípio era o Verbo e este estava em Deus” (Jo 1, 1).

A voz é efêmera, submete-se à matéria e temporalidade, “sendo uma das últimas coisas que mudam no ser humano”, consoante a brilhante professora Cleonice Berardinelli. A palavra é irreversível. Sem a verbalização consciente e lógica, tudo não passa de ecos. A prédica agostiniana constitui-se em rico ensinamento para a sociedade hodierna, carente de diálogos mais harmônicos e assertivos para garantir a verdadeira liberdade de expressão. O saudoso Dom José de Medeiros Delgado, quando chegou à diocese de Caicó (RN), repetia aos oito padres que integravam o seu presbitério: “Deveis ser “homens de palavra e da Palavra. Chega de falas inócuas.”

Para os cristãos há necessidade de jejum da língua e tirocínio do silêncio, uma das delicadezas divinas para os seres humanos. Na Babel da contemporaneidade tornam-se ainda mais urgentes atitudes de conversão, convergência e unidade. Para isso, requer-se silêncio. A palavra é sua filha. O Verbo divino brotou da eternidade tácita de Deus. Fala-se muito, mas pouco se constrói com a disseminação atual de discursos despidos de sentido e luz. Na verdade, corre-se o risco de prejuízos relevantes. A voz desvinculada da verdade poderá compor um coro de inutilidades. E desnudada da sabedoria ressoa ao ouvido, mas não alimenta o nosso coração.  

Apegar-se ao direito de usar a voz para expressar simplesmente juízos e opiniões não pode ser considerada uma atitude ética e cristã. Para o cristianismo a prerrogativa de expressar-se é indissociável do compromisso com a veracidade dos fatos e falas edificantes. É um dos requisitos para seguir o Evangelho. Hoje, prega-se o direito à liberdade de expressão a qualquer preço, não importando quando, nem como. Mas, censura-se, cala-se, oprime-se e pune-se quem possui discurso discordante. Convém lembrar que a cruz de Cristo é o ápice da censura. A comunicação só faz sentido se construir e não demolir. Não raro, invoca-se o direito à liberdade de expressão para reivindicar, agredir, destruir e não edificar. Os discípulos de Jesus Cristo devem levar mensagens do Bem. Por coerência e fidelidade ao Mestre, o cristão não detém o apanágio de falar o que é alheio à edificação do próximo e à construção da unidade. Imbuído do espírito evangélico, tem a missão de expressar o que pode gerar lucidez e esperança ao mundo. Deste modo, contribuirá para o fortalecimento da fraternidade e dos vínculos sociais. “Quem guarda a própria boca preserva a vida, quem se descuida no falar, causa a própria ruina”, assevera o Livro dos Provérbios (Pr 13, 3).  

Segundo Santo Agostinho, João Batista “era semelhante a um sino, acenando para o Verbo encarnado.” Promoveu o seu acolhimento, revelando-o como “lâmpada para os nossos pés e luz para as nossas veredas” (Sl 119/118, 105). Sendo um discípulo exemplar, o Precursor indicou a Palavra, tornando-se assim referência e modelo de seguidor do Nazareno. É inspiração para aqueles que assumem o compromisso de proclamar a Boa Nova, possibilitando o encontro com Cristo. João se considerava uma fagulha, temendo que o vento do orgulho pudesse apagá-la. Inspirados no exemplo do Filho de Zacarias, os cristãos procurem ser mais simples, valendo-se humildemente dos lábios para anunciar a Palavra, seguindo a recomendação do apóstolo Paulo: “Proclama-a, insiste oportuna e inoportunamente, convence, exorta com toda a longanimidade e empenho em instruir” (2Tm 4, 2). 

terça-feira, 30 de maio de 2023

 

Minha passagem pelo América FC



Atento aos acontecimentos do futebol potiguar e vibrando com mais uma conquista da equipe do América FC (2023), me vem a boa e rica lembrança do ano de 1967, quando, atuando no time rubro, me sagrei campeão da cidade.

Após ter sido bicampeão pelo Alecrim FC (1963 e 1964), iniciei o meu caminho de despedida do futebol profissional motivado pelo meu ingresso no curso médico, aprovado no vestibular do ano de 1964.

Não foi fácil essa separação. E, assim, permaneci atuando no futebol até o ano de 1967, dois anos antes da minha formatura (1969).

O América FC tinha pedido um afastamento temporário do campeonato da cidade, só retornando cinco anos depois, em 1966. Em 1967, o time foi melhor preparado e procurou voltar a lutar por títulos com o seu maior rival, o ABC FC.

Tinha como treinador o ex-atleta Osiel Lago, que, com um trabalho brilhante, conseguiu fazer o América ganhar e levantar a Taça de campeão no ano de 1967.

Apesar de toda dificuldade para encontrar tempo para treinamentos e concentração, aceitei e assumi o desafio.

Fizemos um campeonato impecável e decidimos o certame contra a boa e eficiente equipe do Riachuelo Atlético Clube (RAC) pertencente à Marinha de Guerra, treinada pelo competente Tenente Level.

Tivemos uma final em jogo realizado em uma noite de 4ª feira, com Estádio Juvenal Lamartine super lotado, quando nos sagramos campeões com o resultado de um empate de 1X1.

Naquela noite de 4ª feira, fiz a minha despedida definitiva do futebol potiguar, com um balanço positivo: com dois títulos pelo Alecrim (1963/1964) e 1967 pelo América; e a minha participação honrosa na seleção do Rio Grande do Norte, no certame nacional de seleções estaduais, em 1962.

E, assim, tudo aconteceu em seu tempo certo e oportuno na minha trajetória inesquecível no futebol potiguar. Que fique registrado nos anais do futebol potiguar e não caia no fosso do esquecimento para jamais ser lembrado.

A vida sem história é como um poeta sem poesia, na escuridão e no vazio do tempo.

terça-feira, 23 de maio de 2023

 



- HOMENAGEM -

ALFREDO MESQUITA FILHO

 

Valério Mesquita*

Mesquita.valerio@gmail.com

 

Alfredo Mesquita Filho nasceu em Macaíba, a 23  de maio  de  1901. Filho de Alfredo Adolfo Mesquita e Ana Olindina de Mesquita. Fez os seus estudos preparatórios em Macaíba, Natal  e Recife,  quando  cursava  medicina, teve que retornar  à  Macaíba  por motivo  do  falecimento  do seu pai, ocorrido em  1929.  Passou  a  se dedicar  junto com os irmãos às atividades de comércio, agricultura  e criação. Na sua  infância, o desejo da  família  era  vê-lo padre.  Resistiu. Não foi para o seminário.

Em 1946, foi constituinte elegendo-se deputado estadual  pela legenda PSD. Reelegeu-se em 1950 e 1954, exercendo nesses períodos diversos cargos e comissões. Já em 1958, candidatou-se novamente  a  prefeito  vencendo as eleições, tendo este  sido  o  seu último mandato eletivo, até, 1963. Como deputado estadual a ele se credita o  esforço da  vinda  de inúmeras obras para os municípios  que  representava  na Assembleia,  tais como: Macaíba, São Gonçalo do Amarante, Bom  Jesus, Serra  Caiada  (Presidente  Juscelino), Caiada (Eloy  de  Souza),  São Pedro,  Ielmo Marinho entre outros. Não obstante seus 40 anos de  vida pública, 30 dos quais militou na Oposição. Mesmo assim, conseguiu  com os  governos escolas e estradas, além de junto com todos os amigos da época, haver experimentado  o triunfo da  implantação  da  Escola  de Jundiaí e a construção da ponte da cidade de Macaíba. Sobre essa ponte há um episódio. A antiga ponte  de Macaíba havia  desabado. Como  deputado  pessedista cobrou do  governo  do  Estado (Dr. José Varela) a sua construção.

Como o erário estadual  não  podia  arcar  com   as despesas, teve que recorrer ao antigo Ministério de Obras e Viação.

Entretanto, ao  aguardar  a  resposta  da  bancada federal  do  seu  partido, recebeu espontaneamente a  ajuda  do  então deputado  federal,  Aluízio  Alves, udenista  que  se  prontificava  a conseguir os recursos. Tal  fato, no Rio Grande  do  Norte  calcinado  das brigas do PSD x UDN, em 1950, em Macaíba, aceitar apoio de um udenista era um opróbrio.

Houve cenas de tumultos, pressão e  rompimentos políticos. Mas, como Macaíba para Alfredo Mesquita era mais importante que  os  partidos, aceitou a ajuda, o dinheiro chegou e  a  ponte  foi construída e até hoje está lá. Em  1961, após a campanha de Djalma Marinho a  quem ajudou por haver o PSD se fracionado para apoiar dois udenista, vendeu a  sua  propriedade Uberaba, em Macaíba, por "treze  mil  contos"  ao fazendeiro  Adauto  Rocha,  a fim de poder pagar  os  compromissos  da campanha. As eleições de 1962, 1965, 1966 e 1968 quando, já doente, enfrentou  sua  última  campanha  política,  testemunham   a fidelidade do seu espírito partidário e sua dedicação exclusiva ao seu povo.

No dia 12 de abril de 1969, pobre mas querido pelos humildes,  morreu  Alfredo Mesquita. Nesse dia sua cidade  parou.  Não para  lhe dizer adeus, mas, para lhe garantir que ele e ela  formariam naquele  dia, mais do que qualquer tempo, um binômio  inseparável:  um pacto de identificação. Ele e ela. Abraçados permanentemente em  suas entranhas.

sexta-feira, 19 de maio de 2023

 

BATALHA DE LEPANTO: EXEMPLO DE LEGÍTIMA DEFESA COLETIVA

- Horácio Paiva *

Estive em Bari, sul da Itália, cidade portuária na orla do Mar Adriático. Realizava minhas viagens vivendo a História. E ali o destino que me fazia sonhar era a Grécia, a começar pelo Golfo de Patras, onde, na Baía de Lepanto, ocorrera a famosa batalha entre cristãos católicos e turcos otomanos, islâmicos, que invadiam a Grécia e punham em alerta a Itália e, portanto, o próprio Vaticano.

De Bari, fiz o trajeto até a cidade de Patras navegando à noite, num navio de passageiros. No desembarque, pela manhã, encontrei a cidade em festa: havia passeata e comício do Pasok, Partido Social-Democrata Grego, do então primeiro-ministro Andréas Papandréu, que disputava eleição naquele ano contra a Nova Democracia, coligação de centro-direita (afinal vitoriosa).

Mas eu buscava o passado, e o trago aqui como um entre inúmeros exemplos históricos que bem simbolizam a utilização da legítima defesa coletiva, e este, a Batalha de Lepanto, ora narrado, a própria defesa da corporação eclesial católica e dos Estados papais, quando também em risco a vida daqueles que os dirigiam.

A memorável Batalha Naval de Lepanto ocorreu no Golfo de Patras, Baía de Lepanto, na costa da Grécia, no contexto histórico da expansão do Império Otomano e seu avanço sobre a Europa e o Mar Mediterrâneo (o antigo Mare Nostrum dos romanos). Em terra, os otomanos haviam chegado às portas de Viena e, em mar, conquistaram Chipre e avançaram sobre a Grécia, levando às repúblicas e reinos da Itália, inclusive aos Estados papais ali constituídos, iminente risco de ocupação. Entretanto, essa batalha marcou também o fim do avanço turco e da expansão islâmica no Ocidente.

Já em 1570, o Papa Pio V, sentia o perigo dessa possível invasão à Itália, com a ocupação do Vaticano e dos demais Estados papais, e clamava ajuda aos governantes cristãos ocidentais, conseguindo, no ano seguinte, com dificuldades inerentes à época, formar uma esquadra de defesa para o possível confronto militar, tendo a participação da República de Veneza, do Reino da Espanha, dos Estados Pontifícios, da República de Gênova, dos Cavaleiros de Malta, que passaram, juntos, a integrar a chamada Santa Liga.

A batalha, entre a Santa Liga e o Império Otomano, ocorreu no dia 7 de outubro de 1571, a partir das 11h30min da manhã e durou dez horas, com a vitória dos cristãos e hasteamento da bandeira do Papa, onde antes havia a bandeira dourada de Meca.

No Vaticano, o dia da batalha foi vivido integral e intensamente como dia de jejum e oração do santo rosário pelos fieis e o Papa, e diz-se que este chegou a ter uma visão sobrenatural da vitória, quando teria, quase em transe, exclamado: “Vencemos! Vamos dar graças a Deus pela vitória que acaba de conceder à nossa esquadra.” E essa data até hoje é dedicada a Nossa Senhora do Rosário (de início, a Nossa Senhora da Vitória), cuja imagem era conduzida na nau capitânia da esquadra da Santa Liga em Lepanto.

Uma curiosidade - dita, sobretudo, para os que, além da História e do Direito, amam também a Literatura: Cervantes, o genial criador do “D. Quixote de la Mancha”, também participou dessa famosa batalha. Ali ferido, sobreveio-lhe o apelido de “el Manco de Lepanto”.

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(*) Horácio de Paiva Oliveira - Poeta, escritor, advogado, membro do Instituto Histórico e Geográfico do RN, da União Brasileira de Escritores do RN e presidente da Academia Macauense de Letras e Artes – AMLA. 

quinta-feira, 18 de maio de 2023

 VII Congresso da Liga Contra o Câncer 

Daladier Pessoa Cunha Lima Reitor do UNI-RN e Romeica Cunha Lima Rosado Oftalmologista 

    Em suas palavras de acolhimento aos participantes do VII Congresso da Liga Contra o Câncer, realizado no Centro de Convenções de Natal, de 04 a 06 de maio/2023, o Presidente do VII Congresso da Liga, Dr. Ivo Barreto, afirmou: “Formamos equipes para que não tenha um vitorioso, mas todos vitoriosos, porque vestem o conjunto do espírito, harmonia, e dedicação à Liga”. Mesmo com esse apelo para que o sucesso do Congresso fosse creditado a muitos, o médico e um dos pioneiros da oncologia no RN, Presidente Ivo Barreto mereceu e recebeu justíssima homenagem dos integrantes das equipes, no encerramento do Congresso, em face da sua brilhante atuação e empenho, que garantiram o êxito desse magistral evento médico, com ênfase nas áreas humanística e técnico-científica. O grande médico e gestor Ivo Barreto demonstrou sua emoção diante da espontânea homenagem prestada pelos seus colegas, em destaque, as palavras da sua filha, médica Cristina Rocha. Registramos também a justa homenagem que foi prestada a um dos nomes de relevo na organização e gestão da Liga Contra o Câncer, o grande médico mastologista Maciel Matias, que participou da organização da Arena de Inovação em Saúde. Foi outro momento de muita emoção para o homenageado e para todos os presentes. Alusivo aos seus 50 anos de atuação médica, Dr. Maciel recebeu um quadro, do médico e pintor Francisco Iroshima. Escrever sobre a Liga Contra o Câncer, torna-se fácil para mim, por minha condição de ex-paciente. Em 2013, submeti-me a uma cirurgia para a retirada da próstata, devido a um tumor do órgão. Dois anos depois, precisei fazer aplicação de radioterapia no local onde se situava a próstata, a fim de completar a cura. Na Liga, recebi 33 seções de radioterapia pélvica, sob os cuidados da Dra. Rosa Maria Naja, como tratamento adicional após a cirurgia da próstata, feita dois anos antes. A Dra. Rosa Maria, que trabalha em tempo integral na Liga Contra o Câncer, reúne, em uma só pessoa, as qualidades máximas da profissão médica: competência, humanismo, atualização contínua, total cuidado com o doente, dedicação à profissão, além de outras virtudes. Aliás, esse elevado padrão profissional, parece permear os diversos setores de atuação da Liga, a começar pelos competentes e dedicados gestores da Instituição. Na sala de espera, no aguardo da chamada dos seus nomes para fazerem a seção da rádio, havia um clima de descontração, quando os presentes mantinham conversas amenas e alegres, uma espécie de partilha de coragem, de apoios mútuos e de ânimos. No meu primeiro dia da rádio, ao me sentar na sala de espera, um cidadão de pele negra e com cabelos brancos me reconheceu e veio conversar comigo. Era Geraldo, pedreiro, que trabalhou como auxiliar na construção de uma casa minha, 35 anos atrás. Relembramos fatos e pessoas daqueles tempos passados. Foi uma forte emoção reencontrar Geraldo depois de tanto tempo, os dois, agora, com o mesmo diagnóstico, no mesmo lugar e em busca dos mesmos intuitos. A Liga está certa na atenção igual para todos, pois todos são iguais. É bastante relembrar: “Do pó que fomos, ao que haveremos de ser.” Somente os soberbos e os tolos desprezam essa verdade. O Rio Grande do Norte está de parabéns pelo êxito do VII Congresso da Liga Contra o Câncer, de 04 a 06 de maio/23, um magistral evento médico-científico, de âmbito nacional, realizado por uma também magistral instituição, a Liga Norte-Rio-Grandense Contra o Câncer. Texto publicado na Tribuna do Norte, em 18/05/2023.

quarta-feira, 17 de maio de 2023

 PASSAGEIRO DE DEUS


"Veja que, ao final das contas, é  tudo entre você e Deus !"
 (Madre Teresa de Calcutá)


Se serei julgado pelo amor
minha medida é o amor.

O conhecimento
basta a vós, Senhor.

Quanto a mim
passageiro vosso
nas águas fazei-me navegar
de vossas leis sábias.


-  Horácio Paiva

terça-feira, 16 de maio de 2023

 

AMIZADES LITERÁRIAS



Diogenes da Cunha Lima



O livro cria parceiros. Muito já se diz que é o melhor amigo do homem. O companheirismo criado pela literatura ultrapassa o território da imaginação. A união de Batman e Robin continua presente no imaginário infantil.


Na vida real ou na ficção, a amizade literária é vasta e, algumas vezes, icônicas. Lembremos o Cavalheiro da Triste Figura Dom Quixote, o sonhador, sempre apoiado pelo amigo escudeiro pé-no-chão Sancho Pança.


Shakespeare escreve sobre amizade no desconfiado Hamlet com o confiável Horácio. O príncipe da Dinamarca, shakespeareano, não tinha dúvidas quanto à fidelidade do fidalgo. O chileno Pablo Neruda teve um companheiro solidário, em viagens e sonhos, o baiano Jorge Amado.

O famoso filme “O Carteiro e o Poeta”, baseado no romance de Skármeta, emociona a plateia de todo o mundo. O carteiro aprendeu com Neruda a fazer metáforas poéticas.


Câmara Cascudo era um fazedor de amizades, principalmente com os potiguares e com intelectuais, inclusive dos admirados pela leitura. Entre tantos, comemorava com vinho o aniversário de Verlaine. Era íntimo de Baudelaire e Rimbaud. A amizade com Mário de Andrade, com mútua influência, está expressa na correspondência por mais de duas décadas. A aproximação com seu primeiro editor, Monteiro Lobato, rendeu histórias e estórias. A falante boneca Emília não largava Narizinho, personagens lobatianos.


Larga correspondência revela-nos a cotidiana e inseparável amizade entre os poetas portugueses Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro. Também está documentada em cartas, a ligação estreita, intelectual e emocional, da ucraniana-recifense Clarice Lispector com o mineiro Fernando Sabino. O seu amor impossível pelo poeta Lúcio Cardoso, em revelações de encanto e frustração. Normalmente, o amigo aceita e respeita o jeito de ser do outro.


As amizades literárias tornam fraternas as relações. Os intelectuais congregam-se em academias e outras instituições. Fazem publicações de obras coletivas em revistas. Estimulam e potencializam a atividade dos companheiros. Os não integrantes gozam dos associados ao dizerem que estes formam “igrejinhas literárias” e “vivem em torres de marfim”.


A amizade, reconhecida como virtude pelos filósofos, é uma necessidade humana. Carece de zelo, cuidado, carinho e admiração. Temos amizades inesquecíveis, como a que tive (tenho) com o meu mestre Luís da Câmara Cascudo, os encantados Veríssimo de Melo, Dom Nivaldo Monte, Luís Carlos Guimarães, Nilson Patriota, Dorian Gray. Todos são amigos essenciais, que muito me ensinaram, em conhecimento e vida.


Não lembrarei dos amores tão parecidos com amizade, que são, no dizer de Machado de Assis, muito mais serena. Anotamos as amizades produtoras de alumbramento, das emoções de pessoas dedicadas à música e à poesia. Vivem Vinicius de Moraes e Tom Jobim.



domingo, 14 de maio de 2023



 HOMENAGEM ÀS NOSSAS QUERIDAS MÃES 

Mesmo recém-transplantado, não poderia deixar de levar uma palavra de afeto a todas as nossas mães: esposas, sogras, noras, bisavós, avós, tias, enteadas, segundas mães (madrastas), cunhadas, primas, sobrinhas, madrinhas, amigas etc. Um tributo especial às mães dos meus três doadores de córneas. Durante o mês de maio festejamos a Mãe Celestial, Maria Santíssima. No primeiro domingo celebramos Nossa Senhora Mãe dos Homens e no segundo nossas genitoras terrenas. Na primavera europeia, no mês em que as flores desabrocham, quis a Igreja comemorar a beleza da vida na pessoa da Virgem e de nossas mães, “rosas de Deus”, no dizer de Santo Agostinho. É justo esse preito de gratidão a todas as mães da terra. Desejamos exaltar o amor, a ternura e o carinho, a compreensão, o desvelo e a dedicação. E nada melhor para simbolizar e resumir todos esses sentimentos humanos do que a figura materna. Participante do mistério de Deus, representante do Divino entre os homens, ela encarna a bondade e expressa a vida sobrenatural e nosso destino de criaturas, filhas do Eterno e Infinito. O próprio Cristo, tendo dispensado uma série de realidades e bens terrenos, não se privou do colo materno e do sorriso meigo daquela que Ele nos legou para ser também a nossa Mãe. O Filho de Deus, melhor do que nós, sabia que o coração de uma mãe expressa muito bem a misericórdia divina para conosco. É esse lado divino de nossas mães, que neste segundo domingo de maio proclamamos. É a tradução do afeto de Deus num rosto humano, que neste dia exaltamos ao homenagearmos nossas mães. A grandeza do Criador não poderia deixar de ser acessível a todas as criaturas. Sua incomensurável bondade e sua infinita capacidade de amar e perdoar não poderiam ficar sem uma representação terrena, à disposição de todos os homens: simples, cultos, importantes, humildes, doentes, saudáveis, grandes e pequenos. Deus quis nos deixar um sacramento universal de seu amor e ternura: uma mãe. Que Maria Santíssima abençoe todas as nossas mães, as peregrinas na terra e aquelas que estão em sua companhia celestial. Como Mãe Divina, conhece melhor do que nós o coração das nossas queridas genitoras, imagem de Deus, ternura incomensurável e misericórdia infinita na face da terra. E que a bênção do Deus todo-poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, desça sobre vós e em vós permaneça para sempre. Amém. 

São os votos de Padre João Medeiros Filho

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ADOTO ESTA MENSAGEM COMO MINHA FOSSE, COM TODO AMOR E CARINHO, PARA AS MÃES VIVENTES E COM A SAUDADE ÀS QUE ESTÃO NA CASA DO SENHOR.