sexta-feira, 13 de setembro de 2019


DA POLÍTICA DO TALIÃO
Valério Mesquita*

01) Mergulho no tempo para resgatar fatos verídicos acontecidos na velha Macaíba dos anos trinta. Era o reinado dos interventores estaduais mentores da política do talião. Anos de chumbo, de prisões arbitrárias e perseguições sem fim. Macaíba vivia o curto-circuito dessa política de alta tensão dos liberais e perrepistas. No governo de Mário Câmara, o comando municipal fora entregue ao intendente Teodorico Freire, filho do chefe político Manoel Maurício Freire (Neco Freire), que mandou absoluto, durante décadas, com o apoio da oligarquia de Pedro Velho de Albuquerque Maranhão. As famílias Mesquita e Andrade, unidas, ficaram na oposição. No início de sua vida pública, Alfredo Mesquita Filho foi vereador em Macaíba. Combatia a interventoria de Mário Câmara e a intendência de Teodorico Freire. Certa vez, Mesquita desrespeitou a “lei da mordaça”, que imperava naquele tempo, e foi preso com mais três correligionários, recolhidos a um cubículo denominado “quarto da bosta”, na cadeia pública da cidade, a mando de Teodorico Freire. A dança dos interventores que se sucediam no governo estadual alternava o comando da situação local. Tanto era assim em Macaíba, como, via de regra, nos outros municípios. Cai Teodorico Freire, sobe Alfredo Mesquita debaixo do mesmo calor emocional das brigas paroquiais. Bastou a repercussão de nova discrepância entre os litigantes para que uma decisão fosse tomada, de caráter imediato e revanchista. Teodorico Freire, com alguns seguidores, foram “engaiolados” no mesmo “quarto da bosta”, onde curtiu as mesmas horas de “odor” do seu adversário.
02) Em Assu, lá pelos anos setenta, Walter Leitão era o prefeito municipal. Na irreverência e na ironia era inexcedível. De uma feita, chegava a sua casa na cidade, quando encontrou um eleitor dormindo na poltrona da sala de visita. Não o despertou. Tomou banho, almoçou e ficou só de cuecas samba-canção. Quando o correligionário acordou e viu o prefeito caminhando pela casa só de ceroula, exclamou: “Mas, seu Walter o senhor tá só de cueca?”. “Claro, é para você entender que a merda dessa casa é minha e não se permitir a fazer certas intimidades”.
03) O prefeito Walter Leitão atendia o povo na rua, em casa, na prefeitura e em qualquer parte. Uma mulher a ele se dirigiu com certa arrogância para lhe reclamar um desconforto: “Prefeito, estou aqui com o pé da barriga doído porque comi macaxeira. O senhor não vai dar um jeito não?”. Walter Leitão, que não suportava malcriação, de bate pronto, respondeu com grossa irreverência: “E eu estou com a macaxeira doida de tanto comer pé de barriga”.

(*) Escritor.

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