segunda-feira, 9 de março de 2015


        O bom ou o mau ladrão?

Augusto Coelho Leal, sócio efetivo do IHGRN

                Ser ou não ser, eis a questão. Um amigo me fala - nesses últimos dias, tenho pensado muito na vida. Vou estudar bem direitinho se serei um bom ou um mau ladrão, ou se não serei nenhum dos dois, pois não tenho mais idade para me arrepender dos meus atos.

                Pensei um pouco e vi que muita gente está com essa dúvida. Eu na verdade, tenho verdadeiro pavor a roubos, furtos, falcatruas ou qualquer tipo de desonestidade que se possa praticar, por menor que sejam esses atos, mas...

                Nesses últimos meses, tenho visto fatos espantosos nos atos do governo federal. A economia á deriva, a falta de um rumo definido nas outras políticas administrativas, enfim uma nave sem comando, sem plano de vôo, voando em um espaço muito perigoso.

                O que me espanta mais é ver pessoas que estudaram ou estudam: professores, aposentados, profissionais liberais, pessoas do comércio, da indústria, prestadores de serviço, enfim, de toda classe produtiva e cultural deste país dando apoio ou justificativa ao slogan “Roubamos porque os outros também roubaram”. Gente isto é uma vergonha, institucionalizaram as falcatruas neste país, vamos aceitar tudo isto calados? Tentam enganar os menos esclarecidos. A falta de justificativa é tão grande, que a nossa presidenta sem argumentos, procura colocar a culpa dos escândalos da Petrobrás, no governo FHC. Gente, uma presidenta falar essa asneira? Abre brecha para outro canalha chegar e afirmar que a culpa é de Getúlio Vargas que criou a Petrobrás, ou de Monteiro Lobato, que foi um dos primeiros brasileiros a explorar o petróleo em terras brasileiras. Quer dizer que se os outros roubaram, por que nós não podemos roubar? Gente paciência, as pessoas que acreditam são ingênuas demais ou interessadas em manter essa situação. Infelizmente a grande maioria da nossa população não é politizada, tem pouco estudo e pouca compreensão do que está se passando. Existe grande parcela de fanáticos e o fanatismo cega, para esse povo não adianta operar a catarata emocional que venda os seus olhos, mas infelizmente, eles influem na grande massa desinformada. Triste Brasil.

                Mas a roubalheira é institucionalizada neste país, se rouba nos três poderes descaradamente, escancararam as portas e janelas da “Roubobras”, é ladrão saindo pelo ralo. O que fazer? Rezar e pedir para quem? A Câmara dos Deputados que devia representar os anseios do povo, aprova um “bolo” de resoluções recheado das maiores imoralidades, se não ilegais, mas amorais, aéticas e cheio de vantagens pessoais. Enquanto se prega contenção de gastos, pune o povo com aumento de impostos e as futuras e atuais viúvas com corte nas suas pensões. E a justiça? Ah! A justiça. Um Juiz que é chamado de excelência é flagrado desfilando abertamente em veículo que não lhe pertence e que está sob guarda da justiça. Vejam bem, tudo isto feito claramente, “ao meio dia” mostrando a cara, sem constrangimento nenhum. Estamos em um país que praticar falcatruas é normal, e a população aceitando.

                Mas penso também nas pessoas que realmente “pensam”. “O que dirão o que farão o funcionário eficiente, o operário exausto, o professor mal pago, o médico incansável, a dona de casa aflita, o pai de família revoltado, que com seus impostos sustentaram entidades ineficientes que deveriam prover boa saúde, educação transportes e outros”? Pressinto o desânimo, a apatia que surgem nessas pessoas. É triste, muito triste assistimos tudo isso.

                Não sei, mas existem muitas pessoas de bem ou do bem, que também estão pensando como meu amigo, em pedir á Deus que nos oriente escolher entre o bom e o mau ladrão. Se ficarmos com o bom, que foi chamado de Dimas e canonizado em vida vem o perdão, o arrependimento, talvez a primeira “delação premiada” da história.  Se ficarmos com o mal também chamado de Simas iremos direto para o inferno, não o inferno de Dante, mas o inferno de Dilma, Lula, Zé Dirceu, Delúbio e outros, em compensação, ficaremos ricos em pouco tempo.

                Aonde chegamos – ter vergonha de ser honesto! Sim, o homem de bem tem vergonha disto tudo que ele está vendo, que ele está passando, talvez se não sente vergonha, se sente um bobo da corte, vendo seus direitos sumirem por atos escusos.

 A minha geração, geração dos jovens dos anos sessenta, está morrendo sem ver vingada a morte do estudante Edison de Lima Souto morto pela polícia em 28 de março de 1968. Sem ver um pais que eduque os jovens e tenha uma saúde publica digna para todos. Uma velhice menos sofrida. Um país em que alguns políticos podiam até roubarem – sempre roubaram, mas em atos isolados. Não vamos acabar nunca com gente desonesta. Mas não se juntarem em verdadeiras quadrilhas, até com a contabilidade feita por um tesoureiro “despachudo” e competente nesta contabilidade do mal. Os nossos sonhos de jovens se esfumaram e não temos mais tempo de recuperá-los. Foram anos dourados, sonhos perdidos.

Falou Martin Luther King “A verdadeira medida de um homem não se vê na forma como se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas em como se mantém em tempos de controvérsia e desafio”. Acho que está na hora de acabar com o silêncio dos bons. Acho que está na hora da sociedade digna deste país reagir e exigir a punição de todos aqueles que saquearam e saqueiam o erário, independente de cor, sigla de partido político, independente do grau social ou religioso que representem. Está na hora de dizer BASTA.

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