Dom Sílvio, nosso bispo auxiliar
Padre João Medeiros Filho
No primeiro dia de maio (mês mariano), às nove horas, na Catedral Metropolitana de Natal, sob a égide de São José, que inspirou o seu prenome, Dom José Sílvio de Brito será ordenado bispo, sucessor dos apóstolos. Nasceu, cresceu e continua protegido pela Mãe de Deus. Recebeu o batismo em Cruzeta (RN), seu torrão, cuja padroeira é Nossa Senhora dos Remédios, comunidade católica profundamente devota da Mãe de Cristo. Tal veneração especial é fruto das pregações de Dom José Delgado, criador da paróquia e do testemunho cristão de Dr. Nemésio Palmeira, líder mariano, cheio de amor à Mãe do Senhor. Dom Sílvio une-se a Dom João na proclamação da ternura divina, da face misericordiosa de Cristo e do rosto materno de Maria. Aos oito anos, Sílvio veio para Natal, conheceu o padre belga Tiago Theisen (seu grande orientador espiritual), apóstolo da Zona Norte, pároco de Santa Maria Mãe. Nesta comunidade, despertou sua vocação sacerdotal. Em 1993, entrou para o Seminário de São Pedro para iniciar a formação eclesiástica. Nossa Senhora acompanha sua vida. Das seis paróquias onde exerceu o sacerdócio, cinco são dedicadas à Virgem Maria. Será bispo da Igreja de Cristo, auxiliando Dom João a apascentar a grei do Senhor neste arcebispado, cuja padroeira é Nossa Senhora da Apresentação, primeira paróquia no Brasil detentora desse orago. É o vigésimo segundo antístite nascido em solo potiguar e o sexto seridoense. O que é um bispo, indagam os fiéis. Trata-se de um presbítero, ungido na plenitude do sacerdócio como sucessor dos apóstolos. Tem como missão colocar-se a serviço de determinada porção do Povo de Deus. Na colegialidade com o Papa e irmãos do episcopado, deverá manifestar “a solicitude por todas as Igrejas” (2Cor 11,28). Para expressar essa colegialidade, os arcebispos e bispos auxiliares recebem a titularidade de uma diocese inativa, lembrando que são pastores. No presente caso, Dom Sílvio detém o título da diocese de Menefessi, na Tunísia. “Deus não o ungirá para privilégios, mas para o serviço”, afirma Santo Inácio de Antioquia. É deste a frase: “Onde está o bispo, aí está a comunidade. Onde está Cristo, aí está a Igreja católica.” Tem também por missão anunciar a Palavra. Por isso, na sé episcopal há a cátedra, cadeira daquele que ensina e orienta. São Leão Magno aconselhava um ordenando: “Seja santo para rezar, prudente para governar e sábio para ensinar.” Como deve ser um bispo? A literatura eclesiástica é rica sobre o assunto. Antológica é a frase de Santo Agostinho: “Para vós sou bispo; convosco, sou cristão. Aquele é nome de ofício; o outro, da graça.” Infere-se a necessidade da comunhão e fraternidade. Sua virtude indispensável deve ser a humildade. Na primeira audiência com o Cardeal-Prefeito da Congregação para os Bispos, João Paulo II, perguntado sobre os critérios para a eleição ao episcopado, responde-lhe: “O primeiro é a humildade. Aqueles que querem o poder, nós não os queremos!” O Papa Francisco advertia contra a “burguesia espiritual, a tentação de ser meros executivos do sagrado e clientes ‘vips’ de companhias aéreas.” Os eleitos devem ser homens de oração, anunciadores do Evangelho, semeadores da fé, esperança e alegria. Dom Sílvio sempre foi um padre humilde. Nunca se ouviu falar que aspirava o poder e a ostentação. Discreto, fraterno, acessível, é um homem da liturgia. Nela encontra a figura de Cristo, “Caminho, Verdade e Vida.” Escolheu por lema episcopal as palavras do Ressuscitado aos apóstolos: “Ite et nuntiate” (“Ide e anunciai.” Mc 16,15). Análoga mensagem foi confiada a Madalena, recomendando-lhe comunicar a Ressurreição aos discípulos. Dom Sílvio se propõe ser um arauto da alegria pascal, ao lado de nosso arcebispo, partilhando deste o carisma de fraternidade, diálogo, caridade e acolhimento. Exímio mestre de cerimônias, Dom Sílvio contribuía para torná-las um encontro vivo com Cristo. Seus acólitos da Zona Norte de Natal perguntavam-lhe carinhosa e inocentemente (em razão das vestes litúrgicas de cerimoniário): “Na Catedral, o senhor vai celebrar ou ser coroinha?” Não imaginavam que a batina violeta que usava seria o prenúncio do episcopado. Senhor bispo, abençoe-nos. Faça sempre como o salmista: “Proclamarei o teu nome a meus irmãos” (Sl 22/21, 22).
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