Cartas de Cotovelo - Carnaverão 2026-Fev.
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, veranista
Todos os veraneios em
Cotovelo costumo escrever as minhas “Cartas”, dando conta dos acontecimentos do
cotidiano. Este ano, contudo, as coisas foram diferentes e sequer levei o meu
computador, limitando-me a rascunhar alguma coisa para imprimir ao chegar em
Natal.
A
propósito disso, ao tentar rascunhar algum texto senti o peso da dificuldade de
saúde que não me permitiu escrever, participar dos jogos caseiros e até de descer
à praia em nenhum momento do veraneio e, da mesma forma, nos dias de Carnaval
que, para mim, foram todos de “Quarta-Feira de Cinzas”.
Não vi nenhum dos meus
amigos, não visitei os confrades da PROMOVEC, sequer compareci à passagem do
Bloco da Cotovelada. Logo na segunda-feira retornei a Natal, com profunda
decepção e constrangimento para procurar ajuda médica.
Em
Natal, cerquei-me do computador e fiz uma limpeza em papéis colocados em seu
redor e encontrei os já referidos rascunhos e anotações, a maioria já publicados
no Blog do Miranda Gomes. Alguns, no entanto, não localizei publicação e vou
transcrevê-los, aqui e agora.
Com
o título de “Desafio”, escrevi:
Nossa vida caminha em águas, nem
sempre serenas ou ambientes verdejantes. Por mais que trabalhe para evitar os
percalços, sempre aparecem as pedras no caminho. Esse moído de prosa se nos
oferece por algo, possivelmente trivial para as pessoas, mas que, em mim,
pessoalmente, se apresenta como desafio. O fato é que, para aplacar a tristeza
e solidão que me perseguem desde algum tempo, debruço-me na prancheta para
fazer alguma pintura, pelo que já construí um acervo considerável, que ocupa todos os espaços do meu porto-solidão e, por isso, já estou ultimando um ateliê
que os abrigue com mais dignidade. Estou, quando a disposição me visita, completando
o livro das minhas memórias como testemunha do tempo vivido e, para isso, já
pedi socorro aos colegas escritores Thiago Gonzaga, Aluísio Azevedo e Osair Vasconcelos
para a necessária formatação, cujo lançamento, pretendo realizar através de
Abimael Silva [Sebo Vermelho] sozinho, ou com coeditores, ao mesmo tempo que
uma exposição das telas, que deverão ganhar novo destino. O lado emocional guardarei
comigo no quarto de exílio, de meditação e solidão, com a sombra do que antes ali
havia da minha produção, tal qual as fotografias dos familiares e amigos e,
certamente da minha sempre lembrada Therezinha, até que outras retomem o mesmo
lugar - se a velhice permitir esse feito. Este é o novo desafio. A vida depende
de luta e de coragem para vencer o caminhar. Enquanto isso, Cotovelo ficará como
uma fuga da realidade, uma forma de escape das mazelas que vão aparecendo,
tolhendo as minhas energias.
Outros
rascunhos vou aproveitando no livro, onde couber, lembrando uma anotação que
encontrei – não sei se é minha ou de algum prefácio que tenha feito, mas é
interessante repetir: Há livros que se encerram com a publicação, e há
livros que, como um rio, continuam.
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