quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

 



Cartas de Cotovelo - Carnaverão 2026-Fev.

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, veranista

               

Todos os veraneios em Cotovelo costumo escrever as minhas “Cartas”, dando conta dos acontecimentos do cotidiano. Este ano, contudo, as coisas foram diferentes e sequer levei o meu computador, limitando-me a rascunhar alguma coisa para imprimir ao chegar em Natal.

                A propósito disso, ao tentar rascunhar algum texto senti o peso da dificuldade de saúde que não me permitiu escrever, participar dos jogos caseiros e até de descer à praia em nenhum momento do veraneio e, da mesma forma, nos dias de Carnaval que, para mim, foram todos de “Quarta-Feira de Cinzas”.

Não vi nenhum dos meus amigos, não visitei os confrades da PROMOVEC, sequer compareci à passagem do Bloco da Cotovelada. Logo na segunda-feira retornei a Natal, com profunda decepção e constrangimento para procurar ajuda médica.

                Em Natal, cerquei-me do computador e fiz uma limpeza em papéis colocados em seu redor e encontrei os já referidos rascunhos e anotações, a maioria já publicados no Blog do Miranda Gomes. Alguns, no entanto, não localizei publicação e vou transcrevê-los, aqui e agora.

                Com o título de “Desafio”, escrevi:

Nossa vida caminha em águas, nem sempre serenas ou ambientes verdejantes. Por mais que trabalhe para evitar os percalços, sempre aparecem as pedras no caminho. Esse moído de prosa se nos oferece por algo, possivelmente trivial para as pessoas, mas que, em mim, pessoalmente, se apresenta como desafio. O fato é que, para aplacar a tristeza e solidão que me perseguem desde algum tempo, debruço-me na prancheta para fazer alguma pintura, pelo que já construí um acervo considerável, que ocupa todos os espaços do meu porto-solidão e, por isso, já estou ultimando um ateliê que os abrigue com mais dignidade. Estou, quando a disposição me visita, completando o livro das minhas memórias como testemunha do tempo vivido e, para isso, já pedi socorro aos colegas escritores Thiago Gonzaga, Aluísio Azevedo e Osair Vasconcelos para a necessária formatação, cujo lançamento, pretendo realizar através de Abimael Silva [Sebo Vermelho] sozinho, ou com coeditores, ao mesmo tempo que uma exposição das telas, que deverão ganhar novo destino. O lado emocional guardarei comigo no quarto de exílio, de meditação e solidão, com a sombra do que antes ali havia da minha produção, tal qual as fotografias dos familiares e amigos e, certamente da minha sempre lembrada Therezinha, até que outras retomem o mesmo lugar - se a velhice permitir esse feito. Este é o novo desafio. A vida depende de luta e de coragem para vencer o caminhar. Enquanto isso, Cotovelo ficará como uma fuga da realidade, uma forma de escape das mazelas que vão aparecendo, tolhendo as minhas energias.

                Outros rascunhos vou aproveitando no livro, onde couber, lembrando uma anotação que encontrei – não sei se é minha ou de algum prefácio que tenha feito, mas é interessante repetir: Há livros que se encerram com a publicação, e há livros que, como um rio, continuam.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

               

 

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