terça-feira, 24 de janeiro de 2017




OUTRAS CARTAS DE COTOVELO – 09, 24/janeiro/2017
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, veranista e escritor


Em rápida passagem por Natal onde compareci para a despedida do meu estimado amigo e confrade DORIAN GRAY CALDAS, ao chegar em casa encontrei uma encomenda num envelopes A-4 amarelo, com algum volume em seu interior e com a inscrição do remetente, mas sem deixar endereço algum: ROSALVO SERRANO (Carlos Rosalvo de Oliveira Serrano), velho amigo da Rua Meira e Sá (Barro Vermelho), onde residiam Seu Carlos e Dona Lila, personagens da geografia sentimental daquela bairro e também antigo veranista de Cotovelo, onde certamente contemplou o mar, respirou a brisa e gozou da paz, que nela dominam.
Na medida em que ansiosamente mergulhava no interior da encomenda, fui me deparando com outros envelopes da mesma cor, em menor tamanho, dentro dos quais me presenteia com lembranças recônditas da minha juventude.
No primeiro – uma bela narrativa da amiga Auricéia Antunes de Lima sobre az Terra de Mártires, trabalho do meu maior interesse na condição de temática que venho desenvolvendo e publicado nas Revistas da ANRL e IHGRN e envolvimento de ancestrais da minha mãe descendente dos Albuquerque Maranhão.
O segundo encontro registros marcantes da vida do meu querido amigo, acompanhado de uma crônica de Antônio Bezerra Júnior sobre a sua abnegação pelas causas sociais, das quais sou testemunha eis que pelas suas mãos e de outro amigo em comum Marcus Guedes, recebi um dossiê denunciando um ente internacional incentivando desestabilizar o nosso Banco do Brasil, ao tempo em que presidia a OAB-RN e juntos, articulamos com o Conselho Federal e Senado da República e logramos abortar o golpe.
Entre recortes de jornais antigos, correspondência epistolar, reproduções reprográfica de documentos - estavam quatro folhas soltas – todas elas envolvendo devaneios sentimentais: texto da Serenata do Pescador (Praieira de Otoniel Menezes e Eduardo Medeiros); mensagem de sabedoria do Escolástico Santo Agostinho; My Way (Meu caminho), música imortalizada por Frank Sinatra e um Conto de Natal, de sua autoria, belo e comovente. Revivi e contemplei momentos lúdicos.
Mas a história não ficou por aí, eis que em outro invólucro estava um CD (Recordar é Viver), resultado nas serestas realizadas na AABB ao longo do tempo – umas ao vivo, outros com gravações de renomados cancioneiros: Dick Farney, Orlando Silva, Joanna, Francisco Perônio, Elba Ramalho, Carlos Garlhado, Gregório Barrios, Vic Damone, OQuendo e os potiguares Trio Irakitan, Trio Inajá, Gorinha (divina) Oliveira e o próprio Rosalvo. Confesso que revivi as noites de encantamento ouvindo a verdadeira música que aprendi a amar desde que cheguei a Natal, pelos idos de 1948, ouvindo o rádio e acompanhando os seresteiros, com os quais me engajei até meados dos anos 50 quando decidi trilhar outros caminhos, sem jamais excluir a música da minha vida.
Nada de mágoas ou tristezas, apenas saudades de um tempo de pardais no verde dos quintais.

Um grande abraço fraterno ao velho amigo, de Carlos Gomes.

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