sexta-feira, 24 de junho de 2022

 

REENCONTRO ESPIRITUAL COM EVALDO GOUVEIA

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

 

         De um encontro casual com o colega José Maria Rodrigues Bezerra, hoje com domicílio em Fortaleza, comentei das minhas andanças pela capital Alencarina, a primeira das quais em visita profissional, quando cumpri contrato com a PRE-9, Ceará Rádio Clube (creio ser esse o nome) para apresentações artísticas em sua programação.

         Tinha eu 11 anos e acabara de ganhar um concurso musical na Rádio Poti de Natal – Programa Domingo Alegre, de Genar Wanderley, sagrando-me “Campeão Vic-Maltema 1950”.

         Nessa excursão, que durou 11 dias, tive a oportunidade de ser acompanhado pelo jovem violonista de 22 anos conhecido por Evaldo Gouveia, que também fazia parte da Orquestra do Maestro Mozart Brandão, com a qual gravei um disco.

         No caminhar da emissora para o Elcelsior Hotel, onde estava hospedado, juntamente com o meu empresário Francisco Gomes de Sales trocávamos prosa sobre a vida artística e Evaldo falava da criação de um trio (Nagô), inspirado no Trio Irakitan de Natal, com o qual fiz uma gravação em fita, depois colocada em acetato e que seria a primeira gravação da história do Trio potiguar, do qual os seus integrantes nunca tomaram conhecimento, mas eu guardei e transformei em CD, onde gravei em um lado e ele, o Trio, gravou na outra face.

         Esse assunto, por conhecimentos indiretos foi levado por José Maria até a Senhora Liduina Lessa, viúva de Evaldo que, em carinhoso autógrafo me enviou um exemplar do livro “O que me contou Evaldo Gouveia”, de autoria do escritor cearense Ulysses Gaspar.

         Voltei ao passado, já distante, revi papéis de rádio e a primeira foto oficial do Trio Nagô, oferecida a mim e logo passei a divagar pelo campo da espiritualidade e relembrar a figura ímpar daquele pranteado cantor, cuja viagem final aconteceu em maio de 2020 e então vieram à lembrança as suas canções, em especial as compostas com Jair Amorim: Que queres tu de mim; Sentimental demais; Alguém me disse; Tudo de mim; Brigas; Ave Maria dos Namorados; Ninguém chora por mim; Somos iguais, O Conde; Bloco da Solidão; O Trovador e dezenas de outras, gravadas pelos mais festejados artistas do Brasil.

         Acompanhei a sua carreira e tive a oportunidade de assisti-lo em canto solo  no Projeto Seis e Meia, aqui em Natal, na primeira década do século XXI. Não ousei procura-lo nos bastidores, por absoluto acanhamento.

         Nas minhas reminiscências, descobri uma partitura musical dedicada a mim, da canção “Que Linda Manhã”, da autoria de Luiz Assunção, que pediu para que eu gravasse. Esse cidadão é considerado como detentor de grande atuação e influência no meio artístico cearense e foi muito importante na carreira daquele cantor aqui comentado.

         Caso eu tivesse continuado nos caminhos do rádio, certamente que muitos encontros pessoais teriam acontecido com Evaldo. Contudo a minha saída da vida artística nos colocou em polos diferentes, ficando apenas a boa lembrança e os encontros espirituais ao ouvir as suas maravilhosas canções.

         Nos meus 82 anos de vida tive essa oportunidade de voltar ao passado e reviver momentos de tanta felicidade. Obrigado Deus.

 


quinta-feira, 23 de junho de 2022

  • ATRIBULAÇÕES DE UM PREGADOR 

Valério Mesquita*

Mesquita.valerio@gmail.com

 

Veja que beleza de narrativa do apóstolo Paulo em 2 Coríntios 11.24-33: “Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas. Quem enfraquece, que eu também não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu me não abrase? Se convém gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza. O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é eternamente bendito, sabe que não minto. Em Damasco, o que governava sob o rei Aretas pôs guardas às portas da cidade dos damascenos, para me prenderem. E fui descido num cesto por uma janela da muralha e assim escapei das suas mãos”.

Sabe-se que toda a Bíblia, desde o Pentateuco, os cinco livros de Moisés, até o Apocalipse de João, tudo foi inspirado pelo Espírito Santo. A reflexão que ora faço constata que todos aqueles que escreveram a História Sagrada passaram por provação. Principalmente, os escolhidos e convertidos para a propagação da fé após a ressurreição de Jesus. Todos perseguiram os cristãos: judeus, romanos, árabes, mulçumanos, comunistas, nazistas, fascistas etc., etc. 

Mais adiante, no capítulo 12.10, o próprio Paulo ensina: “Sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte. O meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Que belíssimo exemplo de humildade e humanidade comum.

Por que essas deduções hoje? Ora, na modernidade do nosso tempo outras perseguições contra o cristianismo se manifestaram através de muitos fatores. Da parte da ciência (a tecnologia está mais a serviço do mal do que do bem), da libidinagem pedagógica dos meios de comunicação (novelas, filmes etc.), da liberalidade da pornografia, dos costumes (casamento entre homossexuais), da negação da divindade de Jesus através de falsas alegações arqueológicas na Terra Santa, da divulgação sistemática da malignidade, modismos religiosos, a mornidão espiritual, a falta de amor pela violência, os efeitos perniciosos do mundanismo na família e a educação materialista no seio da infância e da juventude. 

Esses são poderes diabólicos hodiernos que substituíram a espada, o apedrejamento, a prisão, a crucificação, a deportação e a tortura de antigamente. O cristianismo, os ditames bíblicos, são perseguidos pela inversão e subversão dos valores morais e éticos. Não há mais regra, rumo nem prumo. Tudo está se transformando em bandalheira. A maioria do povo não lê a Bíblia para encontrar, compreender e evitar todos os malefícios. Uma leitura da palavra de Jesus Cristo através dos quatro evangelistas ou dos Salmos de Davi, números 1, 4, 6, 23, 30, 40, 91, 121, 140 e tantos outros, você se sentirá leve e espiritualizado. “Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”, disse Jesus em Mateus 11.30. Vale a pena. Muito mais do que os chatos iguais a Paulo Coelho.

O planeta que hospeda a humanidade está aflito. Não por causa de Deus ou dos elementos naturais que Ele criou. Mas, por culpa do maior predador do universo: o homem. Deus sempre foi misericordioso com o mundo. Tanto antes quanto depois de o seu Filho unigênito ser mutilado na cruz para remissão dos nossos pecados. Sacrifício vicário a fim de que se cumprissem as Escrituras. E Assim caminha a humanidade para a autodestruição numa encruzilhada que nem o gênio e a sabedoria científica dos geógrafos, geólogos, oceanógrafos, geobotânicos, astrônomos, biólogos e ecologistas podem deter ou evitar a catástrofe.

 

(*) Escritor.

segunda-feira, 20 de junho de 2022

 

NOMES (ESTRANHOS?) DA NOSSA TERRA

 

Diogenes da Cunha Lima

 

Um dia, o mestre Câmara Cascudo, que pesquisava nossos topônimos, perguntou-me sobre o nome, aparentemente contraditório, de Passa e Fica. Respondi que sabia ter sido uma antiga fazenda que dava arrancho a quem se dirigia à Paraíba, acrescentando: com voz de baixo profundo, a boca da Pedra da Boca costuma dizer você passa, mas seu coração fica. O Mestre riu da tirada e passou a me chamar “o menino de Passa e Fica”.

         O nosso Rio Grande foi o primeiro e único por dois séculos. Outro Estado do Sul pediu emprestado o nome e nunca devolveu.

         Recentemente, viralizou, com mais de 400 mil acessos, comentário sobre o tema nas redes sociais do inteligente e bem-humorado Tiago TDog. Ele registrou nomes “estranhos” do RN. Temos um país aqui, “Equador”. “Venha Ver” é outra cidade que opera milagres. O influenciador superou-se fazendo graça com “Jardim de Piranhas”.

         Nomeando cidades, o potiguar homenageia países, Estados brasileiros e até o nosso heroísmo militar.

         A Espanha é celebrada com Barcelona e o Egito com Alexandria. Portugal deu-nos São Gonçalo do Amarante, sede do aeroporto internacional; Macau, que é separado de Hong Kong pelo rio das Pérolas. Uma linda designação, Vila Flor.

Macau daqui faz parte, com Guamoré e Galinhos, do “Roteiro do Cavalo Marinho”. Além das riquezas do chão e do mar, tem rico patrimônio poético. Lembro Gilberto Avelino e Horácio Paiva, entre tantos.  

         Paraná é cidade da Tromba do Elefante, vizinho a Equador. Os dois municípios têm jazimentos de pedras preciosas, como águas marinhas e esmeraldas. Em suas entranhas estão também um louvor à Paraíba, a turmalina paraibana, a mais valiosa dessas gemas.

         Os viçosenses do RN pouco sabem da homônima Viçosa de Minas Gerais, que tem até uma pujante universidade federal. O poderoso São Paulo é topomográfico: São Paulo do Potengi. O Pará está bem entre nós, com a cidade de Parazinho. Temos, ainda, como um pequeno Estado vizinho, o Ceará-Mirim. A minha cidade, Nova Cruz, tem a mesma designação da pernambucana, mas já se chamou Anta Esfolada, com direito a uma lenda comovente. O animal esfolado assombrava os habitantes à noite quando apenas queria uma aproximação. O caçador enterrou a pele da anta nas areias do rio Curimataú e as águas ficaram salobras até hoje.

         O povo do Rio Grande do Norte faz o que quer e até escolhe como grafar. Nada de cedilha, indicado para nomes indígenas. Mossoró e Assu a gente escreve com dois esses. Não o jota, mas o gê anima o rio Potengi.

         A nossa topografia não é inusitada, apenas aproveitamos a inteligência de outros povos.

        

 




O PAÍS DOS PESADELOS

Tomislav R. Femenick - Historiador

 

Houve uma época em que ser brasileiro nos dava orgulho. Aqui e lá fora, o Brasil era um país respeitado, embora que menos conhecido. Tínhamos heróis nos esportes. Pelé iniciava o seu reinado, ainda hoje inabalável. Airton Sena, celebrando mais uma vitória na Fórmula 1 e acenando com a bandeira nacional, era uma visão esperada e comemorada por todos nós. Maria Ester Bueno imperou nas quadras de tênis por três décadas. Acelino “Popó” Freitas, era tetracampeão Mundial de Boxe, fazendo parceria com Eder Jofre.

Nas artes, tínhamos nomes como Jorge Amado – cujos livros foram traduzidos em 49 idiomas e publicados em 80 países – e Mário de Andrade, Joaquim Inojosa, Carlos Drummond de Andrade, Gilberto Freyre e Manuel Bandeira. Na pintura tivemos Anita Malfatti, Portinari, com mais de mais de cinco mil obras, inclusive o monumental painel Guerra e Paz, exibido na sede da ONU, em Nova Iorque. José Panceti pintava suas marinhas.  Na música tivemos o estouro da Bossa Nova, capitaneado por Antonio Jobim (brasileiro até no nome), Vinícius de Moraes e tantos outros. São tantos, que a citação somente dele serve para nomear a todos os outros músicos. Mas vale a pena mencionar Nelson Gonçalves, as irmãs Batista, Francisco Alves e as Rainhas do Rádio, Emilinha Borba e Marlene.  

Nas ciências, despontava a psiquiatra Nise da Silveira, com seu inovador método de terapia por meio da arte, principalmente pintura e música. Lembremos de Mário Schenberg, considerado o maior físico teórico do país, também atuante nas áreas de termodinâmica, mecânica quântica, mecânica estatística, relatividade geral, astrofísica e matemática. Entra também nessa lista Milton Almeida dos Santos, que renovou a percepção da geografia e foi professor das universidades de Sorbonne, Columbia, Toronto, Dar es Salaam, UFBA e da USP. Josué de Castro, com sua Geografia da Fome, e Celso Furtado, com sua Formação Econômica do Brasil, abriram campo para os estudos econômicos e sociais do nosso país.

Aqui, em lugar de destaque, o nosso Luís da Câmara Cascudo. Historiador, sociólogo, musicólogo, antropólogo, etnógrafo, folclorista, poeta, cronista, professor, advogado e jornalista. Embora tenha passado toda a sua vida em Natal, dedicando-se ao estudo da cultura brasileira, seu nome tem ressonância internacional. Ainda vivo, recebeu comenda da Ordem das Artes e Letras da França, da Real Academia Espanhola, do Instituto Português de Arqueologia, História e Etnografia; da Sociedade de Geografia de Lisboa.

Na política despontavam nomes como Juscelino Kubitschek, Afonso Arinos, Carlos Lacerda, Otávio Mangabeira, San Tiago Dantas, Gustavo Capanema, Teotônio Vilela, Tancredo Neves, José Maria Alkmin, Adauto Cardoso, Almino Affonso, Petrônio Portella, Paulo Brossard, Jarbas Passarinho, Marcos Freire, Roberto Campos, Nelson Carneiro, Ulysses Guimarães, Pedro Simon, Fernando Henrique Cardoso, Antânio Carlos Magalhães e Darcy Ribeiro.

E hoje, o que temos? Pablo Vittar, Anita, o BBB, um desfile de modelos despudoradas, jogadores celebridades, desmantelamento das instituições de pesquisas e práticas científicas, Tiririca, Romário e obscuridade em nosso futuro.    

Estava bem errada a previsão do judeu-austríaco Stefan Zweig, quando escreveu o seu livro “Brasil, país do Futuro” Nem do passado somos. Talvez sejamos o país dos pesadelos.

Tribuna do Norte.18 jun. 2022

 

PEDALAR PARA A VIDA – Berilo de Castro

PEDALAR PARA A VIDA –

Nesse mundo cheio de modernizações permanentes e constantes, de inovações as mais inusitadas e  inimagináveis; o homem vive a era das viagens turísticas espaciais oferecidas por empresas privadas;  conhecer e passear na lua, “desfrutar” do calor de Marte; enaltecer a precisão da cirurgia robótica; o uso das últimas gerações de ultra computadores, atirando em todas as frentes. Estamos, sim, vivendo o Mundo “Moderno de Charles Chaplin”, que beleza!?

Em uma outra visão, estamos assistindo o aumento substancial da população idosa, graças às simples mudanças nos hábitos de vida, com ênfase para a reeducação alimentar, com a atividade física regular e bem orientada, com a prática da leitura, do exercício da escrita, tudo isso aliado à  imunoterapia vacinal aplicada regularmente, eis a boa e indispensável lição para uma aproveitável longevidade com qualidade de vida, sem grandes custos.

Por outro lado, algo me apareceu na contramão dessa boa abertura de vida saudável. Trafegando na orla praiana de Areia Preta, deparo-me com um exercitante bem aparelhado e confortavelmente montado, locomovendo-se em uma bicicleta elétrica (hoje bike, valei-nos Woden Madruga e Ariano Suassuna). Achei estranho, e voltei a pensar no que havia comentado no início do texto.

Tracei um paralelo e imaginei: se a moda pega, passaríamos a ter que usar motores em máquinas esportivas, aquelas que exigem de nós força, empenho e dedicação para mantermos os músculos, os ossos, enfim, o nosso corpo saudável e a nossa mente sã. Já pensou os barcos de competição (as ioles) munidos de potentes motores? Não teria graça alguma a  disputa dessa regata de rio afora, sem o uso da força da forte musculatura de seus remadores. Já pensou as academias de ginásticas motorizadas (tudo na base da eletricidade), ninguém se exercitaria a contento, as musculaturas não reagiriam tão bem. Tudo elétrico? Ninguém suaria! Não haveria mais esforço! Seria bem estranho e até doentio. Não acha? Lembra bem a história daquele vizinho que pagava ao seu secretário para correr 10 km três vezes por semana por ele e se sentia o “bicho forte e varonil”.

Concluo com um só conselho para o nobre e acomodado morador da orla da praia de Areia Pedra: encoste de uma vez por todas essa bike elétrica e compre uma bicicleta pé duro e “caia” nas ciclovias; vá desfrutar da boa, bela e salutar atividade muscular e ganhar em troco uma longevidade cheia de músculos ativos, mente leve e fresca.

Despreze a sua moderna e sofisticada bike elétrica e ganhe vida pedalando.

 Berilo de Castro – Médico e Escritor,  berilodecastro@hotmail.com.br

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores

quinta-feira, 16 de junho de 2022

 

A GUERRA DAS PESQUISAS

 

Valério Mesquita

Mesquita.valerio@gmail.com

 

 

As pesquisas eleitorais para o governo do Rio Grande do Norte estão enlouquecendo o eleitor. A cada semana os institutos de opinião pública, utilizando o mesmo universo pesquisado, apresentam índices divergentes um dos outros na eleição de governador deixando dúvidas quanto à veracidade e a seriedade do trabalho. Tá igual àquela letra da música popular: “E o motivo todo mundo já conhece, é que o de cima sobe e o de baixo desce...”. Sabe-se que a pesquisa eleitoral cientificamente revela uma tendência do eleitorado. Não pode ser encarada como um resultado definitivo, muitas vezes faltando meses para a eleição. O antigo Instituto Brasileiro de Opinião Pública – IBOPE, antes considerado um referencial nesses procedimentos, já cometeu sérios deslizes por esse país afora. Há exemplos clássicos no Rio Grande do Norte e na Paraíba. Não desejo emitir juízo de valor com relação aos números divulgados ultimamente por alguns institutos ou que venham a ser produzidos por outros. A pergunta é: quem está mentindo, adulterando índices? Um resultado maquiado em favor desse ou daquele candidato vale mais que dez show-mícios, ou lhe custar, simplesmente, a eleição, porque induz o votante, contagia a massa sôfrega e inculta, praticante da lei da vantagem, a famosa “lei de Gerson” no futebol. A legislação eleitoral, comprovada a fraude, pune exemplarmente. Essa é a letra da lei e só não sei se funciona.

Sem me abstrair do assunto, parece que se ingressou na “lei do vale tudo” onde o escapismo das sanções previstas, a esperteza e a sabedoria de poucos são o maior galardão e prêmio em detrimento de muitos. A pesquisa eleitoral seria, então, simulação ou humor? Humor do eleitor ou humor do candidato. Tudo na momentaneidade da ocasião ou do tempo? Como os humores são mutantes resta saber para quem vai sobrar o prejuízo. Por outro lado, você já pensou no humor ou no emocional de um candidato majoritário ao receber um resultado desfavorável? Ele que comanda e é responsável por uma enorme estrutura de gastos de campanha, subsidiados pelo famélico Fundo Eleitoral, muito dinheiro, veículos, folhas de pagamento, shows-mícios, sem falar em empréstimos pessoais, compromissos com financiadores dos projetos eleitorais e serem compelidos a aceitar um resultado negativo, conferido por um instituto de pesquisa? E o ânimo para continuar a jornada? Repleto de dúvidas e dívidas, qual a vontade ou sentimento que lhe move o instante?  Indubitavelmente, no Estado as pesquisas eleitorais estão ensandecidas porque os institutos colidem mais com os números do que a velha camionete Ford do engenheiro Joaquim Victor de Holanda, de saudosa memória, tido e havido como o motorista mais “barbeiro” da história automobilística do Rio Grande do Norte. Quem está por trás do biombo?

 

(*) Escritor.

 


RIBEIRA DA MINHA SAUDADE

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

 

                Despertado neste dia ensolarado de Corpus Christi, saí do casulo da minha solidão e dei-me a fazer a leitura de recente livro adquirido na Cooperativa de Livros da UFRN, denominado RIBEIRA – beco/praça/travessas/ruas/avenidas históricas, escrito a seis mãos por Cícero Oliveira, José Clewton do Nascimento e José Correia Torres Neto.

         A cada página folheada, ia aumentando a minha curiosidade, aliada a uma saudade doída de um tempo que vivi, e muito, naquele bairro pioneiro, aonde cheguei a morar na Av. Duque de Caxias, esquina com a Rua Nísia Floresta, respirando o ar de rio, o Potengi amado, da loja 4400, do Cais Tavares de Lira, dos Bondes, do Grande Hotel, da famosa Rua Dr. Barata, da Agência Pernambucana e outros lugares apropriados para uma criança.

         O texto é maravilhosamente bem dividido e enriquecido com fotografias, que dão conta de como era belo aquele bairro até a debandada dos soldados americanos, participantes da Segunda Guerra Mundial, hoje somente restando as carcaças, as ruínas, as histórias e a imensa lembrança daqueles que caminharam em sua ruas e travessas concorridas, ricas em lojas, bares, livrarias, alfaiatarias, sapatarias, cafés, sinucas/bilhares e as casas das tristes mulheres da difícil vida, alegres por obrigação.

         Desses retratos, ainda se sobressai imponente o nosso Teatro Alberto Maranhão, antigo Carlos Gomes, a Igreja do Bom Jesus e uns poucos prédios solitários entre ruínas, particularmente nas ruas Doutor Barata, Padre Miguelinho e  Avenidas Duque de Caxias e Tavares de Lira.

         Lembro-me de uma música gravada por Sílvio Caldas inteiramente sobre a cidade de São Paulo, onde uma das canções tinha por nome Perfil de São Paulo, a qual se iniciava com os versos: “Aonde estão teus sobrados, De longos telhados, E teus lampiões? E os moços da academia, Na noite tão fria, Cantando canções? E sinhazinha delgada, Pisando a calçada, Na tarde vazia? O tempo tudo mudou, Mas não apagou, A tua poesia”....

Sim, aqui mudou, se apagou a sua sedução, o rio Potengi já não alberga as regatas, as avenidas não são mais requisitadas para as batalhas de Carnaval, a boemia, o comércio, as famosas cozinhas especializadas em peixe e carne de sol mudaram de lugar, não temos mais o por do sol ao som de Ivanildo. O tempo tudo mudou sem razão aceitável e a poesia foi procurar outro lugar.

Vou terminar por aqui para que as lágrimas não caiam mais abundantes no teclado do computador.

Sei que uns leitores, que adotam o ditado de que não se pode viver do passado, vão virar o rosto para esta crônica. Discordo que o façam, pois se não fosse o passado de tudo e de alguns personagens, Seu Olívio a reunir a intelectualidade da época, o velho Rocco Rosso em sua Oficina Brasil na Travessa Argentina, pai da minha pranteada Therezinha, eu não teria mais nenhum motivo para continuar nesta dimensão da existência.

Leiam o livro sobre a Ribeira, que dá seguimento a outro nostálgico livro sobre as Rocas, do meu amigo Ciro Pedroza. Depois digam se não tenho razão!

quarta-feira, 8 de junho de 2022

 

PÁGINAS DA VIDA

 

Valério Mesquita*

mesquita.valerio@gmail.com

 

Na política, não temos mais líderes como antigamente: os neófitos já saúdam os náufragos que irão morrer amanhã. A paisagem é deserta. As instituições se burocratizaram em blocos de ferro e cimento armado. Não têm mais lume nem leme. “Igrejinhas” tão somente. Não sei se há esperança. Não sei de há salvação. As únicas ameaças à ordem constituída continuam a ser a Covid, a dengue, a zica, a chikungunya e a varíola do macaco. Muitos acreditam que é o maior desafio ainda não enfrentado pelo Ministério Público. Por outro lado, Natal a cada dia, fica mais insuportável com a quantidade de veículos de motos. Principalmente aquelas que cortam o seu carro pela direita. Mas, assim caminham as capitais, as metrópoles para o futuro enganoso oferecido pelas imobiliárias. O ensino público e privado mercadejou-se tanto quanto o turismo sexual. Perdeu a qualidade. E viva a quantidade.

O homem social hoje virou ambiguidade ficcional. Previna-se o leitor: não confundir amizade social com solidariedade humana. São manifestações caracterológicas do vivente completamente heterogêneas. O egoísmo, a acomodação, modificadas pelo tom da luz reinante destruíram o sentimento cristão do mundo. O homem cresce, vive e morre numa jaula, limitado às imposições de sua vida miúda, repleta de frustrações e às circunstâncias. Há pessoas que pensam que não vão morrer nunca. Principalmente os que são ricos ou que, pelo menos, pensam. Assim imaginam muitos empresários, políticos, socialites, juristas e outros nomes, renomes e pronomes suspeitos. Fenelon já dizia “que ninguém dê crença a felicidade presente. Há nela uma gota da baba de Caim”. As fortunas inexplicáveis de alguns, da noite para o dia, cabem no raciocínio do pensador francês. Essa categoria de novos ricos torna-se perfeita, apenas, na ruindade e nem na morte é solidária.    

Às vezes, diante do infortúnio alheio, ancoram suas amarras no mais profundo silêncio e na mais abominável indiferença. A postura ante o mundo é de desamparo e desalento. Não há lógica própria nessa conduta centrada unicamente na anormalidade do desvio comportamental porque a amizade virou interesse, esbulho, vantagem, lucro. Lembro a minha mãe, que algumas vezes rebatia a solidão centenária com uma frase humilde, sábia e confortadora: “meu filho, se eu fosse uma pessoa rica a minha casa estaria repleta de visitas”. A humildade e a caridade cristã teriam sido substituídas pelo messianismo dos “pobres de espírito”? Seria ataraxia, morbidez ou equívoco trágico imaginar que ninguém seu morrerá nunca? Mas a vida é um labirinto movida por difusa fluidez temporal, constituída de fases e de fezes (no sentido consumista, digestivo da palavra).

E eu pensava nesse turbilhão do tempo, dos modismos, que o exercício da amizade fosse contínuo, mas é tão “imortal” quanto a hipocrisia de acreditar nos homens que integram as instituições públicas e privadas. Daí deduzir que toda celebridade em Natal quando não é célere e celerada. A corrosão cotidiana da busca pelo dinheiro e pelo poder enferruja com rapidez as “glórias e grandezas” de alguns profissionais que se julgam donos do mundo, quando pensávamos justos e coerentes. As mutações históricas dos valores da personalidade humana, ao que me parece, foram provocadas pela “revolução” dos costumes sociais, principalmente o comodismo, a apatia pelo semelhante, o medo de morrer, as fobias e a falta de religiosidade.

Aí, instaura-se um jogo de buscas. O coração desumanizado do selvagem habitante da cidade, que segrega o próximo jamais conhecerá qualquer modalidade de amor, principalmente na noite sem face e derradeira do ataúde, porque em vida foi ausente, insensível, reduzido à condição de bicho. Esse será o calvário do insensato, do que utiliza a amizade como negócio, como moeda de troca. Vai vagar como Caim na noite gelada do tempo sem jamais achar abrigo. Aos ricos materiais mas pobres em espírito, ofereço a reflexão do poeta Mário Quintana: “Essa idade tão fugaz na vida da gente, chama-se apenas presente e tem a duração do instante que passa”.

(*) Escritor.

 A cegueira do ódio 

 Padre João Medeiros Filho 

Segundo a teologia cristã, o ódio (ou suas nuances: cólera, ira, raiva etc.) é um dos sete pilares – pecados capitais – de desajuste dos seres humanos, que os leva à cegueira espiritual. Segundo o relato dos evangelistas, Cristo curou vários cegos (com deficiência visual congênita ou adquirida). Tal situação é verificada na sociedade brasileira da atualidade. Há uma multidão de míopes e “não videntes” ao redor de nós. Faz-nos lembrar o romance de José Saramago “Ensaio sobre a cegueira”, no qual descreve a “epidemia de ablepsia” numa cidade, que chega posteriormente à destruição. Pode ser lembrada também a obra do pintor holandês Pieter Bruegel, o Velho: “De parabel der blinden” (A parábola dos cegos), guardada no Museu de Capodimonte, em Nápoles (Itália). O autor retrata a alegoria referida por Cristo: “Se um cego guia outro, ambos cairão no abismo” (Mt 15, 14). Nessa passagem de Mateus, Jesus analisa a postura de seus opositores. Fala-se que o amor é cego. Todavia, pesquisadores afirmam que ele provoca cegueira, quando utópico ou irreal. Por outro lado, o ódio em todas as suas manifestações acarreta ausência de visão interior. Curar-se da ira é deixar que as traves caiam de nossos olhos, recobrando a luz. Tempos de trevas densas envolvem nosso país, levando muitos à barbárie e à desumanização. Atravessam-se dias obnubilados com brumas intensas, provocando desencontros e colisões. Faz-se abertamente a apologia de narrativas falaciosas, parciais e de sofismas, agressões, intransigência, arrogância, polarização etc. Urge conclamar à lucidez aqueles que mergulham profundamente no lamaçal da cólera. Jesus estimulou os discípulos a respeitar o seu semelhante, apesar de tal atitude não pressupor obrigatoriamente afeto. No entanto, essa é a origem do amor cristão, embora não inclua ternura. Do ponto de vista científico, a raiva é uma doença perigosa em animais e no homem. A ira é uma patologia mental ou espiritual grave, tendendo a tornar-se endêmica no Brasil hodierno. Pode ser mais ofensiva e devastadora que muitos vírus disseminados. Os coléricos não se dão conta do dever de reconhecer no próximo sua individualidade e seus direitos como cidadão. Concebem um mundo unilateral, no qual o “eu” se torna medida absoluta do valor e desvalor. Isto desumaniza ou inferioriza. Retira-se a dignidade da pessoa e legitima-se ilícita e iniquamente um poder arbitrário de praticar injustiça e opressão. Aqueles que destroem física ou psiquicamente alguém, perderam o sentido de Deus, da vida digna e dimensão social. A ira irracionaliza e apequena as criaturas. Não será este o clima que paira atualmente no Brasil? Quem curará a nossa amada pátria de tal morbidade? No aludido romance do escritor português uma mulher (esposa de um médico) não foi atingida pela doença e orientava os deficientes visuais. Estamos diante de uma metáfora. Segundo os quatro evangelhos, Cristo libertou da escuridão muitos que não enxergavam biológica ou espiritualmente. O Filho de Deus não está mais fisicamente entre nós. No entanto, a sua doutrina permanece, podendo sarar e transformar. O Brasil contemporâneo carece de conhecimento e vivência da Palavra divina. Infelizmente, ela é instrumentalizada e usada de forma distorcida, até ideologizada, numa afronta tanto à semântica bíblica, quanto à hermenêutica sagrada. “Tende confiança, eu venci o mundo” (Jo 16, 33). Acreditamos que a cegueira generalizada passe. Um dia, avistar-se-ão os escombros da destruição dos valores éticos da sociedade. Será necessário, como recorda o poema “O fim e o início”, da polonesa Wislawa Szymborska, que alguém faça a faxina, tire os entulhos das ruas e abra os caminhos para que as caçambas passem com o lixo moral. É preciso se imunizar do ódio. Os que têm alguma lucidez devem lutar para que no final dessa triste guerra ideológica, política e social haja quem se dê ao trabalho de um recomeço. Eduquem-se os brasileiros para o amor, que “é magnânimo, benfazejo, não é invejoso, presunçoso e colérico, não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade... e jamais acabará”, como declara o Apóstolo Paulo (1Cor 13, 4-8). E assim proclama o evangelista João: “Deus é amor” (1Jo 4, 8)!

domingo, 5 de junho de 2022

 ENTARDECER DO FAUNO

ele girava em torno
do politicamente correto
enquanto a vida passava
e sangrava a imaginação

mas em meio ao fastio da tarde
e o quebrar da luz na vidraça
lembrava-lhe o anjo a sua fome
e o seu alimento: o amor

e assim a  chave lhe repassava
do segredo transcendental

-  Horácio Paiva

 

ADEMILDE FONSECA

Berilo de Castro


ADEMILDE FONSECA –

(* 04/03/1921 + 27/03/2012 )

Ademilde Ferreira da Fonseca (Ademilde Fonseca, Rainha do Choro), potiguar de Pirituba, São Gonçalo do Amarante, situado na região metropolitana de Natal, o quarto município mais populoso do Estado, onde fica localizado o Aeroporto Internacional Aluízio Alves, território onde aconteceu o massacre holandês, quando exterminaram oitenta pessoas; tragédia que ficou conhecida nacionalmente e internacionalmente como o Massacre de Uruaçu.

Ademilde nasceu no dia 4 de março de 1921, de  família humilde e grande, com 10 irmãos. Aos 4 anos sua família veio morar em Natal, onde ficou até 1940. Sempre gostou de cantar; aos 7 anos, já fazia uma “fezinha” nas festinhas no colégio e nas casas das amigas.

Na adolescência, participou de grupos seresteiros, onde conheceu e fez amizade com bons músicos da localidade. No ano seguinte (1941), foi morar no Rio de Janeiro, já casada com um dos músicos (violonista) que conheceu nas rodas seresteiras: Naldimar Gedeão Delfino, quando passou a usar o nome Ademilde Fonseca Delfino; tiveram uma única filha: Eimar Delfino; anos depois se separarem, momento que resolveu definir e usar somente o seu nome artístico: Ademilde Fonseca.

Sua vida musical teve início no programa de Renato Murse, na Rádio Clube do Brasil, na Cidade do Rio de Janeiro, no Programa Papel Carbono, quando cantou o samba Batucada em Mangueira, do repertório da cantora Odete Amaral, acompanhada do Regional de Benedito Lacerda, quando foi muito aplaudida e aprovada; a partir de então passaram a fazer shows juntos em clubes e festas particulares.

Em uma dessas festas, decidiu cantar uma música que conhecia desde criança, até então só apresentada instrumentalmente: o choro “Tico-Tico no Fubá”, de Zequinha de Abreu e letra de Eurico Barreiros, do ano de 1942; foi de um tamanho sucesso que encantou a todos e sedimentou o seu talento como intérprete do choro (gênero musical gracioso, brejeiro e muito difícil de ser cantado).

Entusiasmado com suas interpretações, o grande instrumentista Benedito Lacerda lhe outorgou o título de “Rainha do Chorinho”.

Ademilde passou uma temporada de mais de 10 anos na TV Tupi; teve uma produção musical bastante significativa, chegando a uma tiragem de seus discos de mais de meio milhão de cópias. Fez parte do grupo de cantores da Rádio Nacional e Tupi do Rio de Janeiro; foi considerada como um grande nome da “Era do Rádio” (de 1930 a início da década de 1960).

Fez apresentação em Paris, em festa promovida por Assis Chateaubriand, em 1984 e, no mesmo ano, teve a glória de abrir o carnaval brasileiro em Nova Iorque. Contam que um famoso músico americano, ao ouvi-la, ficou tão impressionado que assim se expressou: “Ademilde não tem voz, ela tem um cavaquinho dentro do peito”.

Foram suas grandes interpretações: “Tico-Tico no fubá”, “Brasileirinho”, “Pedacinho do céu”, “Delicado”, “Teco teco”, “Rato, rato”, “Doce melodia”, “Urubu malandro”, “Fala baixinho”, “Choro chorão”, “Galo garnizé”, “Cachorro vira lata”, “Me dá, me dá”, “Pinicadinho”, “O que vier eu traço” e muitos outros.

No ano de 2010, recebeu o Prêmio Divas da Música Brasileira, uma justa e digna homenagem à Rainha do Chorinho; na sua localidade: Pirituba (RN), recebeu como homenagem o nome da principal Praça da Cidade.

Cantou e encantou até próximo dos seus 90 anos, quando passou a fazer dueto com a sua filha Eymar Fonseca. Recordo quando fui assisti-la no Programa Seis e meia, patrocinado pela Fundação José Augusto, no Teatro Alberto Maranhão, em Natal; grande e emocionante recordação.

Faleceu aos 91 anos, em sua residência, no bairro da Lagoa, no Rio de Janeiro, vítima de um enfarte do miocárdio, no dia 27 de março de 2012. Naquele momento, o Brasil perdia sua expressão maior do choro, que, segundo ela mesma definia e considerava o gênero musical com a cara, a alegria e a vibração do povo brasileiro.

Brasileirinho chegou e a todos encantou / Fez todo mundo dançar/ A noite inteira no terreiro / Até o sol raiar.(Brasileirinho- Waldyr Azevedo)…

 Berilo de Castro – Médico e Escritor,  berilodecastro@hotmail.com.br

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