quarta-feira, 14 de outubro de 2026

 

Carta de Saudade

A Páscoa definitiva do amigo BENIVALDO ALVES DE AZEVEDO

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

Carnaval de fevereiro de 1954

 

No café desta quarta-feira 14, como de costume, leio a Tribuna do Norte e, desavisadamente vejo a manchete “Morre aos 87 anos o ex-secretário Benivaldo Alves de Azevedo”. Um susto, as lembranças, a saudade e as lágrimas.

Benivaldo, carinhosamente chamado de “Beninha”, morador da rua Olinto Meira, como, também, Marcelo Moura, formávamos um trio de bons amigos. Cinema, peladas, praia e outras aventuras de jovens de 15 anos. Passeios de bicicleta, numa fraterna harmonia, fizeram parte da nossa adolescência até que a idade chegou para a definição do futuro. Eu e Marcelo ingressamos no mundo jurídico e Benivaldo no da Economia, fazendo parte da equipe precursora da SUDENE e da liderança de Geraldo Melo.

Marcelo morreu mais cedo e os sobreviventes continuaram a sua caminhada até os pruridos dos anos 60, quando os caminhos se separaram, eis que fui servir ao Exército e Beninha foi na busca do seu futuro.

Encontros eventuais, pois as profissões e a vida familiar nos levaram para outras estradas. No entanto, da convivência juvenil sólida, a amizade nunca acabou e o interesse pelo caminhar de cada um sempre foi acompanhada com interesse. Numa percebi a sua idade, senão agora, que vejo coincidir com a minha.

Sempre torci pelo progresso dos amigos e, quando sabia da ascensão de cada um deles, ficava feliz.

Segundo relato da Tribuna do Norte•14 de outubro de 2026 - ”Benivaldo Alves Azevedo tinha 87 anos. O ex-secretário de Indústria e Comércio do Rio Grande do Norte Benivaldo Alves de Azevedo morreu nesta terça-feira (13), aos 87 anos. A causa da morte não foi informada. Ele também foi secretário municipal de Finanças de Natal e ocupou cargos no governo federal, incluindo o de secretário-executivo do Ministério da Agricultura e funções de liderança no Ministério da Integração Nacional.

A morte foi lamentada por familiares, amigos e instituições com as quais Benivaldo trabalhou ao longo da carreira. A irmã dele, Iracy Azevedo, publicou uma mensagem de despedida na qual destacou a dor da perda e os laços construídos ao longo da vida.

“É difícil encontrar palavras para descrever a dor de perder alguém que faz parte da nossa história, das nossas lembranças e da nossa vida”, escreveu.

Na mensagem, Iracy também expressou sua fé diante da perda do irmão. “Eu não morro, entro na vida” e afirmou encontrar forças na crença de que a morte não representa o fim, mas o início da vida eterna ao lado de Deus.

O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE/RN) Paulo Roberto Alves, que também atuou como secretário durante o governo de Garibaldi Alves Filho, manifestou pesar pela morte do ex-gestor. Paulo Roberto destacou a contribuição de Benivaldo para a administração pública e para o desenvolvimento econômico do estado, tanto na atividade empresarial quanto na indústria e na pecuária.

“Benivaldo foi um homem de experiência, visão empreendedora e compromisso com o trabalho”, afirmou Paulo Roberto.

Benivaldo Alves de Azevedo também atuou na Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN) e na Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O presidente da FIERN, Roberto Serquiz, também lamentou o falecimento do ex-gestor. Em nota, a FIERN destacou a contribuição de Benivaldo para a instituição e para o Sistema Indústria.”

A foto de Alex Régis, que inaugura a reportagem, deixou distante aquela cabeleira exuberante, que gerou o convite de Felinto Rodrigues (o pai) para integrar o elenco de um filme denominado “Filhos da rua”, que não passou dos primeiros estudos, mas as fotos de Beninha foram usadas em flagrantes diferentes para atrair interesse para o empreendimento.

Não fui ao seu velório, pois só tomei conhecimento hoje, dia 14. Contudo, garanto que sua alma será parte do elenco das minhas orações diárias.

Que o Criador o receba em sua Mansão Celestial. Eu continuo nesta dimensão da existência, mentalmente íntegro, mas num corpo bastante desgastado, aguardando a ordem de retorno para encontrar outros tantos amigos, em particular Marcelo Moura, Edmilson Avelino, José Correia de Azevedo, Odúlio Botelho Medeiros, José Augusto Costa Neto e outros que adornaram a minha vida durante um bom período da caminhada.

 

Dia Nacional do Fisioterapeuta

Monsenhor João Medeiros Filho

“Não sois máquinas! Homens é que sois!”. Afirmou Charles Chaplin, perorando um discurso no filme “O Grande Ditador”, lançado em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial. Pronunciada num contexto bélico, a frase, no entanto, é metafórica e poderá ser aplicada em diversos momentos e situações. Cresce o avanço tecnológico, invadindo os diversos ramos da ciência, inclusive os voltados para a saúde. Segundo Hipócrates de Cós (460-370 A.C), a Medicina tem como fundamento a “kliné” (clínica), termo derivado de “klinein” (em grego: inclinar-se, debruçar-se, tocar). Pouco a pouco, ela vai sendo tomada pelas máquinas.

Os hospitais atualmente são verdadeiros arsenais de equipamentos de avançada tecnologia. Isso faz lembrar Dr. Celso Matias de Almeida. Repetia nas reuniões dos colegiados universitários e para os alunos da graduação médica na UFRN (onde lecionou fisiologia e semiologia médica) a lapidar frase: “As melhores sondas ultrassonográficas são os nossos dedos.” Com tais palavras o grande médico ressaltava a primazia do humano sobre o tecnológico.  Até hoje, repercute entre seus numerosos ex-alunos a fama de protagonista de uma Medicina humanizada.

Pela Lei 13.084/2015 criou-se o Dia Nacional do Fisioterapeuta, profissão regulamentada pelo Decreto-Lei nº 938, de 13 de outubro de 1969. Tal profissão integra a área de saúde. E como tal, está sofrendo também o domínio da tecnologização, em detrimento do salutar relacionamento humanizado. Pouco a pouco, celebra-se o réquiem do diálogo paciente-terapeuta. Em seu lugar, entronizam-se os instrumentos eletrônicos, mecânicos... como recursos terapêuticos. Enquanto isso, os profissionais aceitam o papel de espectador e dependente das máquinas. A Fisioterapia, ao lado da Cinesiologia, busca manter e maximizar a capacidade funcional e a mobilidade do ser humano. Para tanto requer toque físico (sobretudo das mãos), orientado corretamente no momento preciso.

Durante anos, fui cético quanto à eficácia de certos tratamentos de saúde. Creio que tanto a Medicina, quanto a Fisioterapia, foram concebidas para serem humanizadas. Não somos simples peças de uma engrenagem social. É preciso ouvir, dialogar, tocar para identificar a face da dor, o tamanho e a origem do sofrimento e o que poderá amenizá-lo ou neutralizá-lo. Padeci de terapias grupais, em que, por vezes, o paciente representa apenas um número ou dado financeiro. Oxalá, a Fisioterapia cumpra sua missão indispensável no tratamento. Outrora, analgésicos, anti-inflamatórios, infiltrações, pomadas e sessões fisioterápicas com aparelhos fizeram parte da minha rotina. Mas, há pacientes que necessitam de contato físico. “Estes transmitem também a energia de quem cura”, segundo a Medicina Oriental. Cristo tocava os enfermos (cf. Mt 8, 13; Mc 1, 40; Lc 4, 40 etc.). Com uma mente cartesiana, duvidei de vários tratamentos, durante anos. Fui convencido e convertido, quando um fisioterapeuta me demonstrou por seu testemunho que toda terapia é uma realidade dialogal e interativa.

Insisto sobre o que escrevi em artigo anterior: as técnicas importam na reabilitação. Entretanto, elas pouco valem sem o convencimento de quem as recebe ou o amor, carinho e dedicação de quem as aplica. Neste Dia Nacional do Fisioterapeuta, gostaria de parabenizar Daliany Guimarães e outros profissionais, os quais procuraram me ajudar. Meus cumprimentos e reconhecimento especial ao Prof. Dr. Gildásio Lucas de Lucena, que trata de meu corpo como “templo de Deus”. “Não sabeis que vosso corpo é santuário daquele que habita em vós?” (1Cor 6,19). Minha gratidão pelo seu zelo, empenho, paciência e compreensão comigo, sobretudo por me ter entendido, conseguindo anular minha rebeldia. Fica a lição bíblica: “Por mais que alguém seja perfeito, dentre os mortais, se faltar a Sabedoria de Deus, nada conseguirá” (Sb 9, 6).

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

                                                    SOMBRAS DA CIDADE


O progresso é um cárcere privado, muitas vezes, ominoso e
fatal para os telúricos, os proustianos como eu. Nasci na antiga Rua do
Comércio, hoje, Nair Mesquita, em Macaíba. O local é um sobrado que não
resistiu numa rua de casarões destruídos ou desfigurados. Assim ocorreu
com os sobrados onde nasceram na mesma rua: Auta de Souza, Henrique
Castriciano, Augusto Severo e Alberto Maranhão.

Da ponte sobre o rio Jundiaí, até a Igreja Matriz em frente a
antiga prefeitura, na avenida Nossa Senhora da Conceição - berço histórico,
social e cultural da cidade - todo o passado está sepultado sobre o asfalto e
edificações novas em nome do progresso. É um visual que choca, punge,
frustra. E como são falsas e hipócritas as coisas novas. Esse trecho parece
com o bairro do Alecrim, burguês, atrofiado, tumultuado e disforme.
Macaíba perdeu a elegância clássica, altiva, portentosa, de
cidade antiga nascida às margens de um rio. Cidade dormitório,
superpovoada, crescimento desordenado, são outras chagas doloridas de
sua deformação permanente. No centro investiram no seu futuro matando o
antigo, o passado, o histórico, como se não valessem. Destruíram a sua
identidade. Não conheço mais a minha cidade, porque baniram as antigas
tardes silenciosas e as manhãs contemplativas das velhas figuras da cidade
que tanto encantavam os meus olhos de menino: Olímpio Maciel, Euclides
Ribeiro, Emídio Pereira, Manoel Alves, Severino Aleixo, Francisco Moura,
Isbelo Vieira, Alfredo de Almeida, José Benevides Campos, Luiz Cúrcio
Marinho, Magno Tinôco, José Augusto Costa, Agnaldo Ferreira, João
Fagundes, Luiz Marinho de Carvalho (tenho dezenas de outros nomes que
se torna enfadonho declinar), sem esquecer as folclóricas: Maria Cabral, 
Pachêco, Cabeção, Sérgio Cabeceiro, Sabiá, Pirôba, Núbia Lafayette, Luiz
Bicho Feio, Manoel Dedo Melado, Zé Distinto e tantos outros.

Vivo e convivo com todos esses fantasmas da cidade na minha
mente. São sombras que não se desfazem com o tempo porque viveram
momentos profundos, densos e intensos. Por mais que Macaíba desintegre
a sua configuração urbana elas estão impregnadas nas paredes e refletem no
chão dos antepassados, tudo o que já foi. Ninguém pense que sou contra o
progresso. Não. Espero que entendam o meu sentimento. Registro o fato
como quem fotografa um instante, um instante triste, de um universo
perdido de sonhos e ilusões. Uma canção ligeira em louvor de tantos -
simples e sábios - hoje, sombras, nada mais.

(*) Escritor.

terça-feira, 6 de outubro de 2026


Carta de uma manhã sabática

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes 


Mais um dia, mais um sábado, este agora livre dos “trágicos deveres”, invertendo o texto poético de Cruz e Souza, sobra-me tempo para coisas agradáveis.

Aposentado das obrigações formais e solitário na vida privada, escolhi aproveitar para acelerar leituras, já que o tempo da viagem final está próximo, e busquei guarida nos locais simples dos encontros literários – tão pouco realizados nos sodalícios acadêmicos registrados, mas frequentes nas confrarias das calçadas do Sebo Vermelho e na sala confortável da Livraria Manibu. Existem outros lugares com o mesmo propósito, mas não costumo frequentar com assiduidade – quanta saudade dos sábados da Livraria Universitária de Walter Pereira! Quantas saudades de Inácio Magalhães de Sena!

Conversamos sobre tudo da geografia da natureza e da vida humanística e cultural da aldeia de Poti e outros lugares – “E, se mais mundo houvera lá chegara” (Camões).

Nas manhãs ensolaradas dos sábados – algumas até invernosas, temos a oportunidade de encontros agradáveis, sem empáfias ou disputa de egos, como existem em outros eventos, permitindo-nos sair leves e felizes para suportar o restante do dia e dos próximos, até que o Criador não permita mais.

Em tais encontros compramos novos livros – aqueles que procurávamos e outros que graciosamente nos são indicados e prazerosamente aceitos, geralmente convergentes com nossas expectativas. 

Com esse novo procedimento, substituímos temporariamente as manhãs de sol na aprazível Cotovelo, onde o ritual é um pouco diferente – mais natureza para manter ou recuperar a saúde física e mental durante o ciclo normal do veraneio e sentir o infinito aconchego do ventre de uma rede na varanda.

O ano de 2026 vem se apresentando um tanto preocupante, haja vista as modificações esdrúxulas dos fenômenos naturais das estações do ano, com secas implacáveis, invernos exagerados, ciclones, chuvas de granizo até nas tórridas terras do nordeste brasileiro, como se fosse de alerta para o comportamento da humanidade.

Desses encontros de amigos e desencontros climáticos, quase já uma rotina, é possível contornar as agruras da vida com boas e permanentes leituras e os comportamentos votivos para a espiritualidade.

Na temática das discussões, são avaliados os comportamentos governamentais relativos à falta de prioridade de gastos, a banalidade de alguns projetos e, sobretudo, a eterna descontinuidade deles, deixando a esteira de prejuízos, eis que abandonados, mais das vezes pelo interesse meramente político, comprovando que temos poucos investimentos na educação e, consequentemente na cultura, apesar da ladainha “A educação e a cultura são as bases do progresso humano”!

Seria interessante seguir os exemplos de outros países que, saindo destroçados pelas guerras, souberam ressurgir das cinzas através da educação, na compreensão verdadeira de que desta forma, as pessoas capazes de pensar, cria-se a união na sociedade e ajuda no crescimento do mundo. (É um chavão, mas também uma verdade).

Podemos, enfim, reafirmar que a Educação traz saberes (técnico e científico), formando um cabedal de conhecimento que deságua na Cultura, responsável pelos valores da literatura, da arte e de outras habilidades que marcam o DNA de uma nação.


 Dom Delgado e o “Patriarca do Juazeiro” 

Monsenhor João Medeiros Filho 

Dom José de Medeiros Delgado sempre se revelou afável, sensato, acessível e ecumênico. Em 1942, denunciaram-no à Santa Sé por ter convidado dois evangélicos para lecionar no recém-inaugurado Ginásio Diocesano Seridoense. Em resposta tranquila afirmou: “Não havia outros mais capacitados. Convidei-os para ensinar biologia e inglês, não religião ou doutrina. Ademais, os líderes de amanhã, formados num educandário católico, deverão saber lidar, desde cedo, com as diferenças.” Foi pioneiro ao propor a reabilitação canônica de Padre Cícero Romão Batista. Em 1944, os bispos da Província Eclesiástica da Paraíba (Natal não era arquidiocese) deliberaram que os padres não batizassem crianças com o nome de Cícero. O prelado caicoense discordou. Em nome da colegialidade, procurou Dom Moisés Coelho, Arcebispo da Paraíba e assegurou-lhe que os sacerdotes de sua diocese seguiriam a orientação do episcopado, apesar de considerá-la desprovida de fundamentação teológica, canônica e pastoral. Para evitar atritos, ele administraria o sacramento a quem solicitasse o batismo, apondo o prenome proibido. Despediu-se do metropolita com palavras típicas de seu episcopado: “Sou o responsável diante de Deus pelo meu rebanho.” O rito batismal era em latim, que poucos entendiam. Assim, alguns padres, para não afrontar as diretrizes provinciais e os paroquianos, batizavam as crianças com nomes de santos. Quando pároco em Caicó, lidei com pedidos de retificação dos assentamentos batismais. O preconceito ia longe. O “Patriarca do Juazeiro” era devoto de Nossa Senhora das Dores, por isso havia sacerdotes que não benziam imagens da Virgem Dolorosa. Certa feita, Paulo Balá, confrade da ANRL, mostrou-me um quadro que pertenceu a sua mãe. No verso estava escrito: “o vigário recusou benzê-lo.” Enquanto Arcebispo de Fortaleza, Dom Delgado intensificou os esforços pela reabilitação do “Santo do Cariri”. Trocou ideias com pensadores cristãos, dentre eles, Parsifal Barroso, Luís Sucupira, Monsenhor Azarias Sobreira e Tristão de Athayde. Em carta dirigida a este último sobre o assunto, em 12/4/1970, assim escreveu: “Estou empenhado em dar à passagem do centenário de ordenação sacerdotal do Padre Cícero (ocorrida em 30.11.1870) um brilho especial. Para tanto publiquei dois estudos.” Irmã Annette Dumoulin, em “Padre Cícero, santo dos pobres, santo da Igreja” analisa os fatos ocorridos no sul do Ceará, apresentando uma síntese da reabilitação pela Santa Sé. Em 2006, Monsenhor Assis Pereira, do clero natalense, elaborou o processo de reabilitação, solicitando primeiramente a anulação da excomunhão “a divinis”. O zelo pastoral do “Patriarca do Juazeiro” em acolher especialmente os mais simples e sofridos, ouvindo e abençoando-os, constitui indubitavelmente um sinal da graça divina. Escreveu a religiosa belga: “Não adotou a teologia do medo. Ensinava com mansidão e ternura. Não julgava. Ouvia e perdoava, seguindo o Divino Mestre. Não se revoltou com incompreensões e punições, hoje reconhecidamente indevidas.” Afirma o apóstolo Tiago: “Feliz quem suporta a provação, receberá a coroa da vida, prometida por Deus aos que O amam” (Tg 1, 12). O RN também foi próximo de Padre Cícero. Além da expressiva devoção dos potiguares, “Padim Ciço” foi colega no Seminário de Fortaleza de alguns de nossos presbíteros, inclusive do “Anjo de Natal”, Padre João Maria. Foi companheiro de ordenação do caicoense Sebastião Constantino de Medeiros, governador do bispado de Olinda, durante a prisão de Dom Vital. Na grande seca de 1877-1879, o “Patriarca” vendeu parte de seus bens, destinando uma porção para socorrer os famintos de nosso estado. Dom Delgado admirava a obediência e o amor de Padre Cícero à Igreja, denominando-o “Mártir da disciplina”. E dizia: “Se esse projeto é de origem humana, fracassará. Ao contrário, se vier de Deus não conseguireis destruí-lo” (At 5, 38).

terça-feira, 29 de setembro de 2026

 Dom Delgado, Tristão de Athayde e José Américo

Monsenhor João Medeiros Filho

Dom José de Medeiros Delgado, paraibano de Pombal, foi o primeiro bispo de Caicó (RN). Pelo lado materno tinha raízes potiguares em Serra Negra do Norte. Mostrou-se sempre criativo e pioneiro. Sua despedida do Seridó, no ano de 1951, em razão da transferência para São Luís (MA) foi pranteada durante muitos dias. “Ele apascentava no poder do Senhor e na sublimidade de seu Deus” (Mq 5,4). Algo semelhante ali aconteceu vinte anos depois, no sepultamento de Monsenhor Walfredo Gurgel, na Catedral de Sant’Ana de Caicó. 

No Rio de Janeiro, Dom Delgado conheceu Tristão de Athayde (pseudônimo de Alceu Amoroso Lima). Tornaram-se grandes amigos. O bispo do Seridó era padrinho da filha de Alceu, que se tornaria abadessa beneditina. A correspondência entre ambos integra um valioso acervo, que registra a profunda amizade entre duas expressivas lideranças do catolicismo brasileiro do século XX. Por intermédio de Tristão, Dom José privou do convívio de pensadores, intelectuais e educadores, dentre eles, Gustavo Capanema. Este teceu ingentes elogios ao projeto de criação do Ginásio Diocesano Seridoense (1942), o mais inovador da época. O MEC autorizou o Ginásio junto com a Escola Pré-vocacional de Caicó, primeira experiência de ensino profissionalizante do Nordeste. Dom Delgado fundou ainda a Escola Doméstica Darcy Vargas, dotando-a da primeira creche (Pupileira) da região, espaço de acolhimento de crianças e lugar da prática das alunas do referido educandário.

Além de Alceu Amoroso Lima e Gustavo Capanema, Dom Delgado tornou-se próximo de Dom Marcos de Araújo Barbosa, Dom Lourenço de Almeida Prado e vários membros do Centro Dom Vital. Por meio de cartas Tristão apresentou o prelado caicoense a Jacques e Raïssa Maritain, Thomas Merton, Fulton Sheen e outros autores renomados. Como arcebispo de Fortaleza, Dom Delgado recebeu todo o apoio de Tristão para a reabilitação de Padre Cícero do Juazeiro. Sua obra “Padre Cícero, mártir da disciplina” (1970) foi de suma importância para a análise do caso pelo Vaticano.

O antístite seridoense também manteve intensos laços de amizade com o escritor e político José Américo de Almeida, sobrinho de dois ilustres paraibanos: Monsenhores Walfredo Leal (pelo lado materno) e Odilon Benvindo de Almeida (lado paterno). O prelado seridoense influenciou o autor de “A Bagaceira” a escolher Tristão de Athayde para proferir o discurso de recepção na posse como novo imortal na Academia Brasileira de Letras. Enquanto Ministro da Viação e Obras Públicas, José Américo foi de fundamental importância para o início da construção da Barragem de Oiticicas (Jucurutu/RN), idealizada pelo então bispo de Caicó, hoje denominada pela Lei 12.680/2026), Complexo Hidrossocial Dom José Delgado.

Um homem além do seu tempo é como se pode definir Dom Delgado: sacerdote, educador, escritor, humanista e precursor. Muito lhe deve a Universidade Federal do Maranhão. Como arcebispo de São Luís, cedeu o Palácio Arquiepiscopal para sediar a Faculdade de Ciências Médicas. Em Fortaleza, vendeu o Paço Episcopal para sustento, formação do clero e laicato, criação de novos bispados. Homem de profundo espírito de Igreja. Tocado pelo Concílio Vaticano II assinou o “Pacto das Catacumbas”, um compromisso de despojamento e pobreza de muitos prelados do mundo inteiro. Profundamente caridoso, acolheu na sua residência em Fortaleza um sacerdote (Enemias Freire de Almada) e um bispo (Raimundo Simplício de Almeida), ex-membros da Igreja Católica Brasileira, reintegrados à Santa Sé. Padre Enemias, certa feita, viajou a Caicó para rezar no túmulo de Dom Delgado, num gesto de gratidão. Ao saudoso bispo cabem, outrossim, as palavras do apóstolo Paulo: “Para todos eu fiz-me tudo para salvar alguns” (1Cor 9, 22).


terça-feira, 22 de setembro de 2026

 Bíblia, mística e beleza literária 

Monsenhor João Medeiros Filho

Após a Encíclica “Mediator Dei” (1947), surgem movimentos de valorização da Palavra de Deus. A Igreja Católica celebra o Domingo da Bíblia, que antecede o dia 30 de setembro, festa litúrgica de São Jerônimo, tradutor dos textos originais para o Latim, versão conhecida como Vulgata. A Sagrada Escritura é revelação divina, mística e de significativo valor histórico-literário. No tratado “Doctrina Christiana”, Santo Agostinho põe em pé de igualdade a excelência literária dos clássicos e a qualidade dos Livros Bíblicos. Nestes, a mensagem espiritual é enunciada com beleza, fonte de experiência religiosa e escola de oratória e escrita. Quem desejar conhecer a elegância dos estilos e gêneros literários deverá beber na tradição retórica, descritiva e poética dos Textos Sagrados. 

A verdade bíblica é transcendental, indissociável de um magnífico suporte linguístico. Fé e linguagem esmerada se completam. Os Escritos Bíblicos estão impregnados de inspiração divina, daí a sua profundidade e encanto que atravessam séculos. Desde os tempos mais remotos, há uma nítida consciência da perenidade da Palavra Divina. “As folhas e flores murcham, mas a Palavra do Senhor permanece para sempre” (Is 40, 8). Atualmente, autores leigos têm contribuído para aprofundar o conhecimento e amor à Bíblia, demonstrando em seus estudos a sublime qualidade dos relatos neo-vetero-testamentários. Dentre eles, destaca-se Erich Auerbach em “Mímesis”, estabelecendo dois paradigmas da literatura mundial: a Odisseia e a Sagrada Escritura. Para ele, os Textos Bíblicos contêm profunda intencionalidade artística e acentuada concepção harmônica do humano e divino. Hoje, há excelentes trabalhos, incentivando a leitura e proporcionando uma melhor compreensão do Livro Sagrado. 

Em “De profundis”, Oscar Wilde relata: “No Natal, consegui um exemplar do Novo Testamento e todas as manhãs, após limpar a cela da prisão e lavar os pratos, lia versículos dos Evangelhos. Era uma deliciosa maneira de começar o dia, enchendo-me de luz e paz.” Ao longo dos anos, tentaram ofuscar a beleza e o encanto dos Evangelhos, proclamando-os de forma inadequada ou apressada. Debruçar-se sobre eles é como entrar num jardim de rosas perfumadas, depois de sair de um ambiente estreito, escuro e fétido. Ali, o leitor poderá encontrar importantes realidades da vida: angústia, tristeza, alegria, amor, súplica, solidariedade, perdão, ternura, êxtase etc. Sua leitura desperta um sentimento no qual se percebem poesia e transcendência da Palavra de Deus.

Os Textos Bíblicos inspiraram inúmeras e renomadas obras artísticas, em suas variadas formas, criadas ao longo dos séculos: as catedrais (Chartres), as pinturas de Giotto, a Divina Comédia (Dante Alighieri), as esculturas e pinturas de Michelangelo, músicas sacras e clássicas, bem como a literatura mundial. Dentre os autores brasileiros influenciados pela Sagrada Escritura, destacam-se Jorge de Lima, Augusto Frederico Schmidt, Murilo Mendes, Adélia Prado, Rubem Alves etc. Basta folhear a Bíblia com mais interesse para verificar o que escreveu William Blake: “Ela é o grande código da arte ocidental.” O poeta Claudel a considera “um completo compêndio, pois nele – e às vezes só nele – apreende-se a difícil e interminável arte de narrar e escrever.” O pintor Chagall a denominou “atlas iconográfico”, pois tantas imagens ali contidas se fixam em nossa formação intelectual e espiritual. 

A Bíblia é tesouro e patrimônio cultural da humanidade. Obra de inspiração divina, transmitida por místicos, poetas e cronistas, cantada e recitada durante milênios, antes de ser escrita. Ela é tecida de vocábulos que envolvem o mistério e registram os rastros do sopro transcendente, presença silenciosa, atingindo o nosso âmago. Assim, compreende-se o arrebatamento do profeta Jeremias: “Mal encontrei as Tuas palavras, e já as devorava. Elas se tornaram para mim prazer e alegria” (Jr 15,16). 


terça-feira, 8 de setembro de 2026

 Período eleitoral, tempo de reflexão

Monsenhor João Medeiros Filho

O período eleitoral no Brasil traz desilusão e descontentamento para os cidadãos mais conscientes. Revela a degradação de nossa política. A falta de propostas objetivas e viáveis para a melhoria da sociedade salta aos olhos. Brigas partidárias inúteis e desconstruções pessoais são abundantes. Ao longo dos anos, os métodos são os mesmos e as siglas partidárias, meras fantasias. Assiste-se involuntariamente a um festival de inverdades, sofismas e narrativas. Isso leva à perda do real sentido da política, que deveria ser instrumento na edificação de uma sociedade democrática, justa e próspera.  Os cristãos deveriam levar mais a sério essa atividade e fazer com que seja “um modo de viver a caridade, como expressão da vivência do Evangelho”, segundo o Papa Francisco. Não cabe ao clero assumir o papel dos leigos. Somos pastores, não militantes e ativistas de partidos políticos. Temos compromisso com a unidade da Igreja, não com a divisão. Não se deve colaborar para que partidarismos e ideologias quebrem os vínculos da união eclesial. Ao se tratar levianamente a política, ela é reduzida a interesses partidários. Deste modo, tornamo-nos reféns dos que a utilizam, objetivando favorecer grupos e forças dominantes.  “O governante que pratica a justiça dá estabilidade ao país. Quem gosta de suborno o levará à ruína” (Pr 29, 4).

Sem consciência cidadã, os agentes políticos instrumentalizam o país e os entes federados, em favor de quem menos precisa e lutam para se perpetuarem no poder. Isso apequena a sociedade, impedindo seu bem-estar e desenvolvimento. Deste modo, tudo se transforma em disputa polarizada, alicerçada na cegueira expressa ao idolatrar figuras por mero populismo e fidelidade a interesses nada republicanos. Isso acentua o distanciamento das aspirações e necessidades da população. A postura leviana privilegia e exalta pessoas, desconsiderando propósitos com relevância social. Ademais, favorece o uso manipulado da máquina pública e estruturas que deveriam servir ao bem comum. Não esquecer a advertência bíblica: “Quando os justos se multiplicam, o povo se alegra; quando o ímpio administra, o povo geme” (Pr 29, 2). 

Urge tratar adequadamente o fracasso da política e o obscurecimento da consciência coletiva. O ceticismo se fortalece, inclusive diante de princípios fundamentais da lei moral. Esse descrédito arrasta a sociedade para um triste caos sociopolítico. É preciso reconstruir um itinerário que possibilite o aprendizado de lições eficazes na qualificação sociopolítica da sociedade brasileira. Elas gestarão novas lideranças e uma renovada consciência cidadã. Deste modo, serão capazes de se colocar a serviço da nação e dedicar-se-ão a construir um patamar razoável de convivência e justiça social. “Examinai tudo e guardai o que for bom” (1Ts 5, 21).

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em mensagem ao povo brasileiro (18/6/26), enfatiza que a divergência política não deve se transformar em hostilidade ou violência. A paz, o diálogo e a superação da desigualdade social são deveres da totalidade dos cidadãos. O bem-estar da pátria é o objetivo de todos e não de um grupo ideológico ou partidário. Inspirada em valores cristãos, a Igreja convida a população a superar o desânimo e se unir para a construção de um Brasil justo e fraterno, sob a proteção divina. A CNBB reitera: “A abstenção não é a melhor escolha. Cada eleitor deve assumir sua responsabilidade. O Brasil necessita promover e cultivar a harmonia social.” Os bispos imploram a intercessão da Padroeira do Brasil para “nos ajudar a percorrer caminhos de verdade, justiça e paz.” Recomenda a Sagrada Escritura: “Abre a tua boca pelos que não têm voz, pela causa de todos os que sofrem” (Pr 31, 8-9).


segunda-feira, 7 de setembro de 2026

 

Carta do Dia da Pátria

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

 

A data de 7 DE SETEMBRO é considerada a de maior valor para a nacionalidade, pois representa a separação do território brasileiro do jugo de Portugal.

Para que isso acontecesse, muitos episódios ocorreram no curso da história do Brasil, desde o descobrimento e colonização pelos portugueses a partir de abril de 1500.

Após longo período de subordinação política e econômica mercê do nascimento de filhos da terra ilha de Vera Cruz e Terra de Santa Cruz até 1520 após o que ficou conhecido por Brasil em razão de aqui existir grande quantidade de árvores com esse nome.

Os movimentos libertários surgiram no Século XVIII, com a Inconfidência Mineira em 1789 e a Conjuração Baiana de 1798, quando bastante elevado o número dos nascimentos na terra Brasilis.

Os historiadores registram: a vinda da família real para o Brasil em 1808, de Lisboa para o Rio de Janeiro, sob o Comando de D. João VI, transformou a via do Império com modernização administrativa e culturais, criação de muitas instituições, porém sem a preocupação de participação dos nativos. Este fato aconteceu em meio às guerras napoleônicas e marcou uma ruptura profunda na relação metrópole-colônia.

Até então o Brasil era a base econômica do império português e a fuga para o Brasil representou estratégia política face à pressão de Napoleão, exigências do bloqueio continental que colocou Portugal numa posição crítica – submissão à França ou ruptura total com o aliado britânico. O Imperador preferiu fazer aliança com a Inglaterra.


Forçado pelas circunstâncias “Em 1820, uma revolução liberal eclodiu em Portugal e a família real foi forçada a retornar para Lisboa. Antes de sair, no entanto, D. João nomeia o seu filho mais velho, D. Pedro de Alcântara de Bragança, como Príncipe Regente do Brasil (1821). Fiel ao seu pai, o príncipe-regente vê sua condição complicada pela vontade política das cortes portuguesas em repatriá-loe de retornar o Brasil ao seu antigo estatuto colonial.

“Em 1820, uma revolução liberal eclodiu em Portugal e a família real foi forçada a retornar para Lisboa. Antes de sair, no entanto, D. João nomeia o seu filho mais velho, D. Pedro de Alcântara de Bragança, como Príncipe Regente do Brasil (1821). Fiel ao seu pai, o príncipe-regente vê sua condição complicada pela vontade política das cortes portuguesas em repatriá-lo e de retornar o Brasil ao seu antigo estatuto colonial.

A Independência do Brasil é um processo que se estende de 1821 a 1825 e coloca em violenta oposição o Reino do Brasil e o Reino de Portugal, dentro do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. As Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, instaladas em 1820, como uma consequência da Revolução Liberal do Porto, tomam decisões, a partir de 1821, que tinham como objetivo reduzir novamente o Brasil ao seu antigo estatuto colonial.

Em 12 de outubro de 1822, o príncipe foi proclamado imperador pelo nome de Pedro I e o país leva o nome de Império do Brasil.

O príncipe Pedro tornou-se, para todos os efeitos, somente o governador da Província do Rio de Janeiro. Outros decretos que vieram depois exigiam seu retorno à Europa e também extinguia os tribunais judiciais criados por João VI em 1808.

A insatisfação quanto às resoluções das Cortes foi generalizada entre a maioria dos residentes do Brasil (tanto os de origem brasileira quanto os de origem portuguesa), ao ponto em que ela logo se tornou conhecida publicamente. Dois grupos que se opunham as ações das Cortes para minar gradualmente a soberania brasileira apareceu: os Liberais, liderados por Joaquim Gonçalves Ledo (que teve o apoio dos maçons), e os Bonifacianos, liderada por José Bonifácio de Andrada. Ambas as facções não tinham nada em comum em suas metas para o Brasil, com a única exceção de seu desejo de manter o país unido com Portugal como uma monarquia soberana.

Os membros das Cortes Portuguesas não mostravam nenhum respeito para com o príncipe e zombavam abertamente dele. Logo, a lealdade que Pedro demonstrava pelas Cortes gradualmente foi transferida à causa brasileira.[34] Sua esposa, a princesa Leopoldina de Habsburgo, favorecia o lado brasileiro e encorajou o marido a permanecer no país, enquanto os Liberais e Bonifacianos fizeram representações públicas. A resposta de Pedro veio em 9 de janeiro de 1822, que, de acordo com jornais, falou: "Como é para o bem de todos e para a felicidade geral da nação, estou pronto: Diga ao povo que eu vou ficar."

Pedro partiu para a Província de São Paulo para assegurar a lealdade dos locais à causa brasileira. Ele alcançou sua capital em 25 de agosto e lá permaneceu até 5 de setembro.

Dona Leopoldina, sua esposa, assumiu a regência durante a viagem. Diante das exigências de Portugal para que ambos retornassem a Lisboa, ela convocou uma sessão extraordinária do Conselho de Estado no dia 2 de setembro de 1822 e, juntamente com os ministros, decidiu pela separação definitiva entre Brasil e Portugal, assinando então a declaração de independência. Em seguida, enviou o mensageiro Paulo Bregaro para entregar a Pedro uma carta informando sobre o ocorrido.

Em 7 de setembro, quando retornava ao Rio de Janeiro, Pedro recebeu a carta de José Bonifácio e de Leopoldina. O príncipe foi informado que as Cortes tinham anulado todos os atos do gabinete de Bonifácio e removido o restante de poder que ele ainda tinha. Pedro voltou-se para seus companheiros, que incluiu sua Guarda de Honra e falou: "Amigos, as Cortes Portuguesas querem escravizar-nos e perseguir-nos. A partir de hoje as nossas relações estão quebradas. Nenhum vínculo unir-nos mais" e continuou depois que ele arrancou a braçadeira azul e branca que simbolizava Portugal: "Tirem suas braçadeiras, soldados. Viva independência, à liberdade e à separação do Brasil." Ele desembainhou sua espada afirmando que "Para o meu sangue, minha honra, meu Deus, eu juro dar ao Brasil a liberdade" e gritou: "Independência ou morte". Este evento é lembrado como "Grito do Ipiranga".

Ao chegar na cidade de São Paulo, na noite de 7 de setembro de 1822, Pedro e seus companheiros espalharam a notícia da independência do Brasil do domínio português. O príncipe foi recebido com grande festa popular e foi chamado de "Rei do Brasil", mas também de "Imperador do Brasil". Ele retornou ao Rio de Janeiro em 14 de setembro e nos dias seguintes os liberais espalharam panfletos (escritos por Joaquim Gonçalves Ledo), que sugeriam a ideia de que o príncipe deve ser aclamado Imperador Constitucional. Em 17 de setembro, o Presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, José Clemente Pereira, enviada às outras Câmaras do país a notícia que a Aclamação iria ocorrer no aniversário de Pedro, em 12 de outubro. No dia seguinte, a nova bandeira e brasão de armas do reino independente do Brasil foram criados. Coroação do imperador Pedro I em 1 de dezembro de 1822.

De reino unido a Império independente. Somente depois de três anos de conflito armado, Portugal finalmente reconheceu a independência do Brasil.

A propósito da parada do 7 de setembro, registro o que alguém postou no face book, onde representa o Dia da Pátria de 1959, onde eu estou marchando

pelo 16º Regimento de Infantaria, na condição de Cabo de Infantaria burocrata, da Companhia de Comando e Serviço (CCS), onde o comandante geral era o então Coronel DIÓSCORO GONÇALVES VALE e comandante da CCS o Capitão MÍLTON FREIRE DE ANDRADE.

(Av. Deodoro, em frente à atual Catedral Metropolitana.)

                Num tempo passado, também se comemorava, com o mesmo ardor o chamado Dia da Raça no Brasil no dia 05 de setembro, que tem como objetivo enaltecer a identidade cultural brasileira e todos os imigrantes que contribuíram para a formação da “raça brasileira”.  Esta data foi instituída em 5 de outubro de 1931, pelo então presidente Getúlio Vargas, como forma de valorizar a miscigenação racial que caracteriza a população do Brasil. O Dia da Raça é uma oportunidade para refletir sobre a importância da diversidade e do respeito às diferenças, promovendo a inclusão e a igualdade entre todos os cidadãos.

Muitas escolas, clubes desportivos e instituições promovem atividades educativas sobre a diversidade étnica e cultural do país, como palestras, exposições e apresentações artísticas. Além disso, algumas comunidades realizam eventos culturais e festividades para celebrar a data, como desfiles nas praças públicas, shows e feiras de gastronomia típica. O Dia da Raça é uma oportunidade para fortalecer os laços de união e solidariedade entre os diferentes grupos étnicos da sociedade brasileira.

Nesses momentos (1955), eu também desfilava, na mesma Avenida Deodoro, liderando a Banda Marcial do Ginásio Natal.

 

Muita saudade de tudo isso. VIVA O BRASIL nesses 204 anos de sua Independência e SEMPRE.

 

 

 

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

 Carta de Amigo

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes


    Neste período eleitoral, tenho recebido incontáveis mensagens de natureza política partidária, fazendo promoção de candidatos aos cargos públicos no pleito de 04 de outubro. Tudo bem, leio respeitosamente e analiso as plataformas que oferecem - algumas bastante interessantes.

    Contudo, o que me incomoda muito, são as mensagens de cunho ideológico, tentando incutir na cabeça de um idoso de quase 87 anos, nomes de candidatos, não pelo seu real valor, mas somente apontando as suas crenças. Isso é insuportável e falta com respeito ao direito de escolha. 

    Um desses leguleios, atribuído a um padre - o que não acredito, mereceu de minha parte o seguinte comentário:

"Carlos D Miranda Gomes

 
O período eleitoral é propício para espalhar ódio. As ideologias de direita e de esquerda são motivações atraentes para a desunião. O fascismo, nazismo, leninismo, stalinismo são oferecidos com volúpia. Mas a eleição vai passar... nada muda, nada se transforma, o povo cada vez mais necessitado e os protagonistas mais ricos. SOMENTE JESUS E A FÉ SERÃO CAPAZES DE NOS OFERTAR UM NOVO MUNDO. Procure os melhores e vote conscientemente."
    Dispenso esses panfletários  inconsequentes. Sou bastante experiente para fazer as minhas escolhas, mesmo sem mais obrigação para fazê-las.

    Lembro-me, e bem lembrado, a campanha de 1960, que gerou INTRIGAS familiares, perseguições e até assassinatos. DEUS nos livre desse retorno. AMÉM.