quinta-feira, 2 de abril de 2026

 

 

RACHELE ROSSO NELSON

100 ANOS

        Essa extraordinária criatura nasceu no dia 02 de abril de 1926, na cidade denominada Casalleto Spartano, Província de Salerno, no sul da Itália - cidade plantada a 400 metros do nível do mar, localizada sobre pequeno planalto, imerso num bosque que se estende até a encosta do Monte de Vallicorvo, sendo filha de Rocco Rosso e Rosina Lovisi Rosso.

            Por circunstâncias imprevisíveis, seu pai deixou a terra mãe em 1926 vindo para o Brasil em decorrência da crise econômica gerada após a Primeira Guerra Mundial, na qual tornou-se herói.  Aqui, após certa estabilidade, mandou buscar a família em 1935, vindo Rachelle, com sua mãe ao encontro do seu genitor, já então residindo em Natal, viajando em um dos famosos navios de imigrantes, este chamado Oceania, que aportou no Recife.

            Esta história está narrada no livro que escrevi “O Velho Imigrante”, com todos os detalhes. Em Natal Rachele casou-se com Arnaldo Jones Nelson e teve os filhos Hilma, Oscar, Rocco, Osman e Paulo e conviveu com Therezinha Rosso Gomes, minha inesquecível esposa, que partiu em 2019. Dos filhos é falecido Oscar, mas a família cresceu dando-lhe a alegria de genro, noras, netos e bisnetos, sobrinhos, sobrinhas que preenchem a sua vida.

            Todos estarão lá para louvar a DEUS.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

 Por uma História da Igreja Potiguar

Padre João Medeiros Filho

O registro de nossa história eclesiástica contém poucos dados disponíveis. Em “História do Rio Grande do Norte”, Câmara Cascudo narrou os primórdios do catolicismo em solo potiguar, indicando elementos sobre as paróquias (oragos e datas de criação), até a década de 1950. Em 1937, Monsenhor Paulo Herôncio de Melo legou-nos o primeiro relato sobre o martírio de Cunhaú e Uruaçu. Dom Eliseu Simões Mendes contribuiu com anotações para a história da diocese mossoroense. Sua visão desenvolvimentista subjacente no projeto da “Missão Rural” merece estudos acurados. Dignos de encômios são os apontamentos de Monsenhor Francisco Sales Cavalcante: “A Paróquia de Santa Luzia” e o “Colégio Diocesano de Mossoró”. Em 1985 e 1987, Monsenhor Severino Bezerra lançou “Levitas do Senhor” (2vol), pequenas biografias de sacerdotes que aqui nasceram ou exerceram seu ministério, nos séculos XVIII a XX. Padre Normando Pignataro Delgado, em sua obra “Paróquias potiguares: uma história”, discorreu sobre 98 paróquias norte-rio-grandenses até os idos de 1980. Padre Francisco de Assis Costa, Diretor do Colégio Diocesano Seridoense, coligiu algumas memórias do referido educandário, no ensejo dos 80 de sua fundação, festejados em 2022. Aconselha-nos o profeta Isaías “Lembrem-se de coisas passadas e fatos antigos” (Is 46, 9). 

Se porventura alguém perguntar pelos renomados oradores sacros potiguares, faltam-nos fontes de pesquisa, exceto parcas anotações em alguns livros de tombo paroquiais. Caso o questionamento verse sobre abnegados educadores eclesiásticos, haverá lacunas significativas na documentação. Monsenhor Amâncio Ramalho é pouco lembrado. O eminente sacerdote dirigiu oito colégios em cinco estados brasileiros (RN, PB, PE, BA e PI). Foi o primeiro titular do Departamento de Educação, que precedeu a Secretaria Estadual de Educação (RN). É profícuo o itinerário de escolas católicas, dentre elas: Marista, Salesiano, Salesianas, Coração de Maria, Santa Teresinha, N.S. das Vitórias, Jesus Menino. Carecem de relato escrito sobre suas trajetórias. Infelizmente, são olvidadas as admiráveis realizações educacionais de Dom Delgado no Seridó. No entanto, é importante assinalar o papel da Igreja na educação no RN, inclusive no ensino superior. Luís Eduardo Suassuna, no Conselho Estadual de Educação do RN, preocupa-se em colher dados sobre os patronos das escolas de educação básica, destacando os vultos religiosos.

Figuras notáveis de nosso clero são desconhecidas. É o caso do Padre Sebastião Constantino de Medeiros, governador do bispado de Olinda, durante a prisão de Dom Vital. Tornando-se jesuíta, foi o primeiro brasileiro a lecionar na Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma). Graças aos esforços do acadêmico Jurandir Navarro, dispõe-se de parte substancial da produção literária de Cônego Monte. Monsenhor Huberto Bruening (pároco da Catedral de Mossoró) deixou ricas anotações sobre a apicultura brasileira. É falha grave ignorar tantos padres escritores, como Dom Nivaldo Monte. 

O Movimento de Natal foi objeto da tese doutoral de Alceu Ferrari, intitulada “Igreja e Desenvolvimento”.  Cônego Eugène Collard, em “A Igreja na encruzilhada dos caminhos”, narra para os europeus essa rica experiência pastoral. O trabalho das escolas radiofônicas tampouco merece ficar marginalizado. Precedeu Paulo Freire, contribuindo para a alfabetização e educação integral de inúmeros norte-rio-grandenses. Quanto aos meios de comunicação (rádios e periódicos), a Igreja potiguar desempenhou papel relevante. O jornal “A Ordem” foi destaque nas décadas passadas, respeitado por intelectuais. Ali, brilharam líderes católicos, que orgulham a nossa terra. As primeiras instituições de assistência à saúde e aos idosos do RN foram iniciativas da Igreja. Como esquecer o Hospital Padre João Maria (Currais Novos)? A Igreja tem deixado uma marca notável de serviço e presença junto ao Povo de Deus.

A Academia Norte-rio-grandense de Letras, por intermédio de Cônego Monte, recebeu também influência de Dom José Pereira Alves, terceiro bispo natalense, membro e presidente da Academia Pernambucana de Letras. “Ele foi um de nossos maiores oradores sacros, arrebatando palmas nas naves da antiga Catedral da Apresentação”, relata Padre José Freitas Campos, em “O Mestre da Palavra”. Além desta obra, o ilustre sacerdote legou-nos a biografia de Frei Miguelinho, História dos Primeiros Mártires do Brasil e Conexões de Memorias da Igreja do RN. Cônego José Mário de Medeiros brindou-nos com as biografias de Dom Marcolino e Dom Tavares. A Igreja potiguar deve cuidar de sua história. “Muitas vezes e de modos diversos, Deus falou outrora a nossos pais” (Hb 1, 1). 


 Para viver o Mistério da Semana Santa

Padre João Medeiros Filho

Desde o século II, além de continuar celebrando o primeiro dia da semana, como Dia do Senhor, os cristãos procuraram solenizar o Domingo da Ressurreição. Nasce assim liturgicamente a Semana Santa. No século IV, Santo Agostinho recomendava aos fiéis de Hipona a vivência do Tríduo Pascal. Durante a Semana Santa, a Igreja celebra o mistério da reconciliação, realizado por Jesus, começando pela entrada messiânica em Jerusalém, passando pela Ceia e Cruz, culminando com sua Ressurreição. A Semana Santa convida-nos também a descobrir nos sofrimentos da humanidade a atualização da Paixão de Cristo. Segundo Pascal, “Jesus continua em agonia, misticamente, até o fim dos tempos.” Assumindo nossa condição humana, Ele revestiu-se de um corpo sujeito à dor e ao sofrimento, mas seu espírito imortal destruiu a morte.   

A Semana Santa é a celebração do Amor de Deus. E ninguém pode duvidar desse Amor pelo ser humano. Ele transcende a compreensão dos homens. Misericórdia do Pai, que se plenifica na entrega de seu Filho para nossa salvação, a fim de que ninguém se perca. Morte e Ressurreição de Cristo são a prova maior de sua doação por nós. Traduzem os sentimentos do Pai. Jesus aceitou padecer e aniquilar-se na Cruz para demonstrar nossa pobreza. Mas, Ele ressurgiu dos mortos para revelar a grandeza divina que, por gratuidade do Onipotente, existe em nós. Para os cristãos, a Cruz tornou-se símbolo de mudança de vida e redenção. 

Deus ama todos indistintamente. “Deus amou tanto o mundo, que nos deu seu Filho único” (Jo 3, 16). Às vezes, somos incapazes de compreender incomensurável gesto. Quem dentre nós, está disposto a sacrificar seu filho único (ou filha) para salvar ou trazer a paz aos outros? É essa oferta gratuita de Cristo, que vivemos e celebramos na Semana Santa. Dádiva suprema de Deus, que atinge o ser humano, manifestando sua capacidade de amar. Cristo valoriza-nos, independente de nosso amor, não porque sejamos bons e justos, mas porque Ele assim o quis para nos dar “a vida em plenitude” (Jo 10,10). Nossa salvação depende de acreditar em sua bondade para conosco e aceitá-lo. “Quem n’Ele crê, não é condenado” (Jo 3, 18). Não é vontade de Deus que as pessoas se percam, tampouco sente satisfação em condenar alguém. A alegria de Cristo é salvar cada um dos irmãos, é desarmar todos com o seu perdão. “Assim haverá maior alegria nos céus por um só pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não precisam de arrependimento” (Lc 15, 7).

A liturgia da Semana Santa é um convite a descobrir Cristo, nosso Salvador, que é Luz. “Eu sou a Luz do mundo. Quem me segue, não caminha na escuridão, mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12). Durante o Tríduo Pascal, Ele deixa entrever um vislumbre do brilho divino e abre uma fresta de esperança para cada um de nós. Foi erguido no alto da Cruz, para que todos sentissem o clarão de Deus, que tem o poder de salvar, pois é benignidade e misericórdia. Eis o sentido da celebração da Semana Santa.

Cristo vence o duelo da morte. Diante dela somos impotentes. Mas, para Ele não é obstáculo, pois para isso veio ao mundo. Nasceu a fim de trazer a Vida àqueles que n’Ele creem. Ele aceitou a realidade humana para nos dar a Vida sem ocaso. A morte é ausência de Deus. Mas, Cristo tem o poder de fazer reviver, porque é o Senhor da Vida. Ele deseja nos ressuscitar com a sua Palavra. “A quem iremos, Senhor, só Tu tens palavras de vida?” (Jo 6, 68). Que não haja dúvida, medo e desespero. Jesus veio nos libertar de tudo aquilo que nos deixa adormecidos e mortos. Sua Palavra transformará em dia as trevas, em alegria nosso pranto, em certeza nossa dúvida, em paz nossa angústia! É o que vivemos na Semana Santa, mistério insondável do Amor de Deus! Feliz e Santa Páscoa para todos. Jesus vive e reina. Como Madalena e os apóstolos sejamos arautos da Ressurreição do Filho de Deus. “Ele não está aqui, ressuscitou como havia dito” (Mt 28, 6).


terça-feira, 31 de março de 2026

 

THEREZINHA ROSSO GOMES

7º ano da PÁSCOA

            Hoje registro o sétimo ano da partida da inesquecível THEREZINHA, criatura que enriqueceu a nossa vida e deixou marcas eternas de bravura, amor, compreensão e humanismo.

            É impossível esquecê-la, apesar de tanto tempo da sua ausência física, porque a presença espiritual continua cada vez mais forte, quebrando os dizeres comuns do mundo social – de que o tempo apaga tudo.

Nossa família e seus amigos e amigas têm você presente em todos os momentos – de problemas, de comemorações e de lembranças.

Vamos louvá-la por ter existido, logo mais às 18 horas, na nossa Paróquia de São Pedro e rogo aos parentes e amigos que não puderem comparecer, façam uma oração ou um pensamento de saudade e amor para quem, em vida, só nos deu alegria.

 

quinta-feira, 26 de março de 2026

 DAS DEDUÇÕES PRETERDOLOSAS

 

Valério Mesquita*

Mesquita.valerio@gmail.com

 

Quando penso – Sou. Tenho receio de que alguém após o ponto diga idiota. São as chamadas observações à margem. O leitor, como já disse um fronteiriço - é um monstro na minha literatura.

Nessa vida sou pacífico, no entanto, é o mais perigoso dos oceanos.

No ruído reside toda a filosofia do mundo. Bem-aventurados os ruidosos deste mundo porque deles é o reino do caos.

Realizo em minha vida uma viagem de circunavegação. Cada mulher é um Porto Seguro. Minha plataforma não é continental, é mundana. A vida é para mim, um caso liquidado. Se ela não existisse não seria necessário inventá-la.

Vivo debruçado na vigésima quinta hora do tempo. Não sou pretensioso. Sou preterintencional. Jamais acreditei na grandeza dos antílopes feridos. São demasiadamente falsos. Entre agir e ser imbecil neste mundo, prefiro a regra três. Para o mundo tenho o silêncio. O pensamento é o único bem digno de inveja. Sua grandeza está no silêncio. Eis as duas colunas do tempo.

Não sei quem falou em ablução na água benta da aurora, mas foi um poeta. Todo o poeta traz a fronte iluminada e o pescoço na medida da guilhotina. A guilhotina dos homens é para eles a água benta da aurora. Existem, ainda, outras formas de viver: jardim, céu, estrela, mar, horizonte e, frequentemente cantar a fome. Mas, isto, direis, é sociologia. A sociologia é o folclore da miséria. O resto é foquilore.

Tenho especial carinho pelo homem sem liberdade. A liberdade não é um produto do nosso tempo. É um estado de espírito. Bem-aventurado os que têm fome e sede de liberdade porque eles serão fartos.

Se quiseres me encontrar, estou debaixo do teus pés. Cresço nas ervas de Whitman. Sou e serei sempre protegido pelos fantasmas das tardes enubladas.

Lá estão as nuvens. Os homens não as vêem. Elas em silêncio conduzem pensamentos. Mais tarde verterão a água benta da aurora. É bom banhar-se.

 

 

(*) Do Livro “O Tempo e Sua Dimensão” – 2ª. Edição – 2024 – Editora Terra de Auta.

quinta-feira, 19 de março de 2026

 

Dom João e Dom Sílvio

Padre João Medeiros Filho

A pedido de leitores, escolhi pautar este artigo. O profeta Isaías revela uma realidade teológica, exaltando a supremacia divina em relação ao ser humano: “Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos e vossos caminhos não são os meus caminhos” (Is 55, 8). Diga-se o mesmo da Igreja, sacramento do Filho de Deus. A lógica divina difere dos métodos e planos humanos. A vinda de Dom João Santos Cardoso para ser o nosso metropolita e posteriormente a nomeação de Dom José Sílvio de Brito (natural de Cruzeta/RN) para seu bispo auxiliar foram agradáveis surpresas. Dom João veio para o RN descalço, como um frade carmelita, despojado como um franciscano, ouvinte e questionador ao estilo jesuíta, missionário e pregador à semelhança de um dominicano ou redentorista, reflexivo e orante, inspirado em Santo Agostinho. Nosso pastor aqui chegou, revestido de sua fé, seu amor à Igreja, com seus três pets e a certeza da mão estendida d’Aquele que nos conforta. Aliás, é o seu icônico lema episcopal: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fl 4, 13).

Registrei estas notas, no limiar de meus oitenta e cinco anos, antes que a lucidez brigue comigo e me abandone. Há fatos e feitos que não posso esquecer. Muitos não esperavam em fevereiro a escolha de Dom Sílvio para o episcopado. Não que lhe faltasse mérito. Comenta-se que outros nomes eram cogitados nas sacristias e casas paroquiais. Ele detém muito das virtudes de nosso arcebispo: discreto, simples, avesso à fama e aos holofotes, focado na pregação do Evangelho. Para mim não foi inesperado.

Este velho escriba confessa sua admiração ao ver nosso pastor chegar aqui, há quase três anos, de mãos vazias, desarmado, coração aberto para acolher e perdoar, imbuído do amor a Cristo e à Igreja. Nada pediu, desejava primeiro ouvir e rezar para agir na hora de Deus. Para cá não o acompanhou nenhum sacerdote ou auxiliar. Começou o pastoreio como o Mestre, e foi conquistando os discípulos. Segundo a rotina eclesiástica, é comum a um bispo, ao ser nomeado para uma diocese desconhecida, levar consigo ao menos um secretário. Dom Joaquim Antônio de Almeida, nosso primeiro antístite, ao tomar posse da diocese do RN, trouxe para Natal seis auxiliares. Dom João, nesse e em outros aspectos, procurou seguir as pegadas do Mestre.

Na homilia da Eucaristia, em memória dos quatorze anos de vida episcopal, Dom João anunciou efusivamente, como presente de Deus, a nomeação de seu primeiro bispo auxiliar. Mais um exemplo de despojamento e valorização do clero potiguar. Não seria menoscabo se tivesse indicado um padre amigo, oriundo de outras dioceses. Escolheu, dentre os sacerdotes da arquidiocese, um dos assessores mais próximos. Isso demonstra respeito e consideração ao nosso clero. Este gesto tampouco o impede de indicar um presbítero de outros bispados para ocupar as futuras dioceses (Assú e Santa Cruz). O que deve falar mais alto é o bem da Igreja. Nosso arcebispo segue Jesus: “caminhando junto ao mar da Galileia, viu dois irmãos (Simão Pedro e André) e os chamou.” (Mt 4,18). Ao escolher seu primeiro bispo auxiliar, seguiu a tradição de seus antecessores Dom Marcolino e Dom Nivaldo. Entretanto, isso não é um impeditivo para outras escolhas, nem desdouro se vier acontecer.

Dom João e Dom Sílvio continuarão abrindo novos caminhos com a força da Palavra Sagrada, colhendo frutos para o bem do Povo de Deus. O desejo que move nosso arcebispo e seu bispo auxiliar é o de compreender, perdoar, amar, viver e difundir o Evangelho, construindo a beleza da Igreja e contribuindo para que possa ecoar sempre a melodia da graça divina. Como nosso Pastor, Dom Sílvio detém as virtudes da simplicidade e ternura evangélicas, independência diante das coisas efêmeras, aceitando o desafio de servir e deleitar-se com o Sagrado. Ambos entendem o poder, em qualquer instância, como um serviço. Dizia Dom Delgado, um grande bispo que pisou o chão do Seridó: “O podertem sentido, quando busca melhorar a vida dos outros e aumenta a sede de Deus.” Cristo advertia: “Quem quiser ser o maior, seja aquele que vos serve” (Mc 10,43).

segunda-feira, 16 de março de 2026

 AS BOAS ATITUDES MELHORAM O MUNDO

 

Valério mesquita*

Mesquita.valerio@gmail.com

 

Nesse planeta de dúvidas e de dívidas – muito mais do que antes – é necessário compadecesse do ser humano. As pequenas atitudes melhoram o planeta, repito e é verdade. Contudo, a cada dia, se descobre que todo homem, por mais firme que esteja é pura vaidade. Não reflete que “passa como uma sombra amontoando tesouros e não sabe quem os levará”, conforme ensinou o salmista rei Davi, no auge do declínio político e de poder. Os dias de hoje são ominosos e fatais para a humanidade. Mesmo que você ore que o Senhor é a sua luz e a ninguém deve temer. O tempo mudou muito a imagem e a rigidez disciplinar do Vaticano. O poder doutrinário não é mais tão exigente quanto o de antes. Hoje é pacífico, conciliador.

O ser humano vive a cultura do mundo das paixões, das relações homoafetivas, dos trágicos conflitos racionais, religiosos e políticos. As práticas já alcançaram o nível de extermínio. Nas favelas brasileiras o número de bandidos excedeu o de moradores pobres. Na história das repúblicas latino-americanas os índios foram vítimas de assassinatos, hoje são os doentes nos hospitais públicos pela falta de remédios e de médicos. O egoísmo dos homens corrompeu a democracia, as instituições. Tudo foi depredado: o meio ambiente, o sindicalismo, o mercado de trabalho, o sistema previdenciário, o ensino médio e superior, a legislação penal e a penitenciária. Até no Supremo Tribunal Federal, os ministros colidem e se agridem de forma banal, como nunca se viu décadas passadas. As Casas Legislativas cultivam o silêncio obsequioso em algumas questões e em outras submetem-se a dependência de cargos, favores ocasionais e sazonais.

Prefiro laborar na tese de que o homem sem acreditar na Bíblia não tem futuro na terra e nem no que cuida ou governa. Caso se torne bem-sucedido, fará infeliz uma multidão de seres humanos. Certa vez, procurei ler algo sobre a trajetória do teólogo e pensador Leonardo Boff, notadamente traços de suas colisões com a igreja católica, por causa da Teologia da Libertação. É claro que não pretendo num modesto texto discutir ou discrepar com o famoso escritor e pensador brasileiro. Pinço um fato do seu encontro em 1984, em Roma com o cardeal Ratzinger, sucessor de Wojtyła (Papa João Paulo II). O ex-pontífice era o então prefeito da Congregação para a Doutrina e a Fé. No dia aprazado, Boff escreveu ao cardeal explicando que não poderia comparecer ao chamado da Santa Sé porque naquele dia (05 de setembro), teria compromisso com a Associação das Prostitutas, vítimas de exploração, a qual recebia apoio da CNBB. O papa emérito (cardeal Ratzinger) telegrafou para dizer que “a Igreja deveria vir antes de tudo”. Leonardo Boff foi astuto. Respondeu “que, conforme as palavras de Jesus, as prostitutas gozam de precedências, no Reino dos Céus”.  E citou a parábola de Jesus em Mateus 21.31, quando pregava no templo para os principais sacerdotes e os anciões do povo que davam respostas equivocadas as suas perguntas. (“Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus”).

Veja como a interpretação da palavra de Deus (Pai, Filho e Espírito Santo) pelas religiões cristãs do mundo está a merecer uma rediscussão a fim de chegar à unicidade e a verdadeira paz. Outro detalhe diferenciador das igrejas católicas e evangélicas: a primeira diz “a paz de Cristo!”. A segunda, para divergir, todavia dá no mesmo, proclama “a paz do Senhor!”. Chegou o momento fundamental de todos se entenderem que o reino desta vida também é de Deus, uno e indivisível. A paz é uma só. Outra grande atitude para melhorar o mundo já pregado e difundido pelo Papa Francisco é o diálogo das igrejas em favor da coletividade humana, sem o fermento da discórdia e do egoísmo na interpretação da palavra do Pai, do Filho e do Espírito Santo. “Quando dois ou mais estão reunidos em meu nome, estou presente no meio deles”. No mais, é deixar que Ele grave no senso trágico da brevidade humana os sinais de sua mensagem.

 

(*) Escritor



quarta-feira, 11 de março de 2026

 Nomes pitorescos de cidades brasileiras

Padre João Medeiros Filho

O Brasil é considerado um país continental, rico geográfica e culturalmente. Apesar do idioma único, há diversidade nos falares, expressões típicas e curiosa toponímia (com traços indígenas). O mapa é um inventário de palavras, despertando atenção, humor e poesia. Há cidades que lembram lendas, acontecimentos... Dentre centenas de topônimos, vale destacar pela originalidade: Varre-Sai (norte fluminense) e Passa e Fica (agreste potiguar). Contêm histórias, anedotas, folclore e o modo brasileiro de lidar com a linguagem oral, cheia de graça e criatividade. Situada na divisa com MG e ES, Varre-Sai é também conhecida pela produção de café. Sua denominação onomatopaica, surge de um fenômeno natural: os ventos fortes que varriam a região, antes da chegada de colonos italianos. Reza uma lenda que tropeiros, ao passarem pelo local, teriam dito que ali “o vento varria e saía levando tudo.” Daí a expressão “Varre-Sai”, batizando o lugarejo. “O vento gira para o sul e dobra para o norte, passando ao redor de tudo.” (Ecl 1,6).

A cerca de cem quilômetros de Natal, Passa e Fica é outro exemplo de imaginação popular aplicada à geografia. Fundada nos albores do século XX, a cidade montanhosa nasceu como ponto de parada para tangedores e comerciantes que atravessam o interior potiguar. Conta-se que no topo da serra havia uma pensão-bodega, onde os viajantes costumavam descansar. Certa vez, um deles teria dito ao dono: “Vou só passar.” O anfitrião respondeu: “Pois, passa e fica!” A expressão pegou. Quando o povoado virou município, o nome estava consolidado. Passa e Fica é síntese do acolhimento nordestino e humor de quem transforma uma conversa casual em identidade coletiva. Entretanto, o nome é paradoxal: passar e ficar são ações opostas. Mas, a linguagem popular é mestra em conciliar termos antagônicos. Em Passa e Fica, há um convite. Quem fica, quer levar adiante a história. “Deus confiou ao homem a gestão das criaturas.” (cf. Gn 1, 28).

Casos, como os supracitados, não são isolados. O Brasil contém nomes de municípios que poderiam figurar em um livro de história ou anedotário. Vejamos: Não Me Toque, Espumoso e Arroio dos Ratos (RS), Espera Feliz, Três Corações, Ponto Chique e Passa Tempo (MG), Fartura e Bofete (SP), Vai-Vem, Quijingue e Cacha-Pregos (BA), Chã de Alegria, Surubim e Solidão (PE), Puxinanã, Baía da Traição e Casserengue (PB), Coité do Noia, Porto Calvo e Boca da Mata (AL), Pau dos Ferros, [São Miguel do] Gostoso, Pureza, Encanto e Venha Ver (RN), dentre tantos. Tais nomes, longe de meras curiosidades, revelam a relação entre o homem, a língua e a terra. Nasceram de situações prosaicas, como uma fazenda, anedota, lenda, um rio, uma devoção religiosa... Entretanto, ao serem fixados como topônimos, ganham uma carga simbólica, fazendo da linguagem popular uma história oficial. “E o homem deu nome às coisas.” (Gn 2, 20).

O geógrafo Milton Santos dizia que o território é também um “sistema de significados”. Varre-Sai e Passa e Fica são mais que palavras no mapa. Tornam-se relatos condensados, pedaços da memória oral, transformados em geografia e registro histórico. Há quem veja nesses termos apenas exotismo ou folclore. No entanto, revelam sabedoria diante da vida. Espera Feliz, por exemplo, parece um conselho. Não Me Toque, um aviso que, segundo alguns, teria origem numa briga entre vizinhos. Passa e Fica e Varre-Sai lembram a vida interiorana, testemunha de idas e vindas, ventos e estradas, gente que passa, deixando um traço e lugares varrendo a poeira do tempo, mas preservando a memória. 

Há um número razoável de nomes de origem popular, fruto da criatividade, oralidade e cultura sertaneja, dando ao Brasil um tom de crônica viva. Cada um deles é um pequeno conto. Varre-Sai fala do vento. Passa e Fica, da hospitalidade. Fartura, da esperança. Espera Feliz, do otimismo. Não Me Toque, da prudência etc. São expressões de uma imaginação coletiva, que transforma o cotidiano em história e poesia. Chorozinho (CE) lembra o choro dos índios, expulsos de suas terras. Trombudo (SC) vem de um rio sinuoso, como uma tromba. Nosso mapa é um mosaico onde humor, natureza e imaginação popular se misturam. “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas mãos.” (Sl 19/18,1).


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

 

O sentido do tempo quaresmal

Padre João Medeiros Filho

Na cultura hebraica, a numerologia é habitual e plena de simbolismos. Não raro, a Igreja alimenta-se liturgicamente de símbolos. Estes são abertos, enquanto a palavra linear é fechada e, muitas vezes, limitada. O número quarenta aparece frequentemente na Sagrada Escritura. Significa mudança, renovação, início etc. No catolicismo, a quaresma consiste num período apropriado de reflexão, mudança, reinício e purificação. Ela vai da Quarta-Feira de Cinzas até a Quinta-Feira Santa. Neste ano de 2026, estende-se de 18 de fevereiro a 2 de abril.

A Bíblia narra que, nos primórdios da humanidade, num espaço igual de tempo caíram chuvas copiosas, causando um dilúvio (cf. Gn 7,17). Na ocasião, Noé valeu-se da Arca. Os infiéis foram eliminados e firma-se um novo compromisso de Aliança com a humanidade, representada por Noé e os seres vivos, cujas espécies estavam presentes na Arca (cf. Gn 9,12). O número quarenta aparece em vários momentos da História da Salvação. A travessia do povo hebreu pelo deserto – distanciando-se da escravidão do Egito até chegar à Terra Prometida – aconteceu também durante esse número de anos. Jesus jejuou no deserto idêntica quantidade de dias e noites. Quarenta representa purificação, renovação, conversão. Eis o motivo pelo qual tal número se liga igualmente à quaresma.

Somos convidados a meditar sobre nosso destino e condição de filhos de Deus, no período quaresmal. Durante esse ciclo litúrgico, a Igreja recorda-nos a marcha do Povo de Deus, peregrinando em direção a Canaã. Portanto, a quaresma está ligada também à caminhada. Como nos rituais do Antigo Testamento, ela exorta-nos ao jejum e à conversão (em grego: metanóia). Na sociedade hodierna, fala-se muito na linguagem administrativa, financeira e biomédica em cortar excessos. Com o jejum deseja a Igreja que possamos ser capazes de suprimir as gorduras de egoísmo, desamor, vaidade, violência e injustiça. Na sociedade atual de culto ao corpo, malha-se muito. Inúmeras modalidades de exercícios são praticadas e ensinadas. As cidades estão inundadas por academias e clínicas de exercícios físicos. Jejuar inclui malhar espiritualmente, eliminar os excessos nocivos ao ser humano para dar lugar ao encontro do Deus Vivo.

A quaresma marca também o êxodo do Povo de Deus em busca da Terra Prometida. A partir daí, a Igreja chama a atenção sobre a nossa trajetória diária. E a liturgia proporciona-nos um espaço e período anual a fim de realizarmos uma viagem ao interior de nós mesmos. Assim, voltando ao que é verdadeiramente nosso, possamos nos deparar com o que ali deixamos, encontrando-o renovado. Às vezes, de volta à casa, depois de meses ou anos, muita coisa não existe mais. Da mesma maneira, “o que é velho” (Ef 4, 22), no dizer do apóstolo Paulo, deverá desaparecer para dar lugar à (re)descoberta de Deus. Esse tempo privilegiado na vida cristã não é apenas um período litúrgico, mas um momento ao longo de nossas vidas, em que devemos retornar, com a ajuda da graça divina, ao nosso interior. E ali, é crucial realizar o encontro com nossos erros e virtudes.

A celebração quaresmal convida-nos ao despojamento para um renascer. A cerimônia de cinzas significa o fim de tudo o que nos afasta do Pai e de nós mesmos. É preciso reduzir a pó a mentira, o egoísmo, a insensibilidade, em suma, erros, limitações e pecados, para que possa ressurgir em nós o “homem novo”, que Cristo Jesus veio trazer ao mundo. As cinzas traduzem simbolicamente nossa conversão, o queimar de nossos erros e o brotar de novos planos. Lembremo-nos da mitologia em que Fênix renasce das cinzas. Por isso deve aflorar em cada um de nós o desejo autêntico de escuta da palavra de Deus. Caminhar ou viajar pode nos ensejar uma oportunidade de conviver e dialogar. Eis uma das razões da inserção da Campanha da Fraternidade, durante o tempo quaresmal. O Povo de Deus, em sua busca esperava ter uma pátria e morada. Entende-se a razão pela qual a Igreja em 2026 colocou como tema da CF: “Fraternidade e moradia”. Vale lembrar que um dia “o Verbo de Deus veio morar entre nós” (Jo 1,14).

 


CASA  ABANDONADA

      Esta casa fica na Travessa Coronel João Gomes, no bairro do Barro Vermelho, construída onde, no passado, foi o sítio do meu avô, que deu nome à rua e travessa e, como primeiro morador, o Dr. Abílio Felix.

    Está abandonada, pois seus atuais proprietários começaram uma reforma, não terminaram e deixaram sem muros.

    Lá existe uma pequena piscina, com água poluída, verdadeiro criadouro de mosquitos, escorpiões e habitada por animais de rua que ali são depositados, sem respeito, obrigando os que residem na travessa a socorrê-los e prover de alimentos.

    Os moradores do bairro já fizeram reclamações e denúncias; os órgãos de vigilância sanitária vieram e nada foi feito.

    Vamos fazer alguma coisa proveitosa para sanar esse abuso, respeitando os animais, com adoção responsável.

    


 




"Uma viagem ao expressivo Turismo Potiguar, e os reflexos positivos na Economia do RN ":   

           Inicio esta viagem pelo turismo Potiguar, ressaltando a importância da capital Potiguar, Natal, como destino turístico relevante e grandioso no turismo brasileiro e internacional, às nossas belas praias oferecem atrativos expressivos com destaque para a Praia do Forte e a Fortaleza dos Reis Magos, o Farol de Mãe Luíza, que ressaltam aspectos importantes da nossa história, bem como, a Praia de Ponta Negra e o morro do careca que encantam os Potiguares e os turistas que nos visitam.

         Natal possui ainda, uma via costeira magnifica, com excelentes hotéis de nível internacional, uma Escola de Hotelaria bem conceituada, uma rica gastronomia com exuberantes restaurantes, belíssimas pousadas e chalés, e um variado potencial no artesanato e nas artes como um todo, e ainda, Natal tem excelentes equipamentos turísticos, com destaque para o novo Mercado da Redinha, a Ponte Forte - Redinha, que liga a cidade do Natal  a todo litoral norte Potiguar e o novo Aeroporto Aluízio Alves em São Gonçalo do Amarante, e também Natal tem no turismo cultural,  o Complexo da Rampa( que remonta aspectos da aviação e da segunda guerra mundial), bem como, nossa capital possui a Casa de Câmara Cascudo aberta a visitantes, o Museu Câmara Cascudo,  a sede da Academia Norte RIO-GRANDENSE De letras, o Instituto Histórico e Geográfico do RN, o Parque da cidade, o Parque das Dunas,  dentre outros atrativos artísticos, paisagísticos e culturais.

        Continuamos nossa viagem ao expressivo  turismo Potiguar, que tal qual uma locomotiva segue a todo vapor, em Natal encontramos ainda, o Centro de Turismo de Natal em Petrópolis, o Memorial da Assembleia Legislativa do RN, o Mercado de Petrópolis, com venda de livros, antiguidades, bares, restaurantes, etc, além da capital espacial do Brasil ter inúmeros locais de venda de artesanatos, notadamente, nas praias dos artistas e ponta negra.

         Adentrando no município de Parnamirim, e no litoral Potiguar, encontramos o cajueiro de Pirangi, intitulado, o maior cajueiro do mundo, e ainda, as belas praias de Cotovelo e Pirangi, a base de lançamento de foguetes ( barreira do inferno), que também faz parte da grandeza  de Parnamirim, e do seu cognome, como sendo a cidade "Trampolim da Vitória ", que remonta a história da aviação e da 2a.Guerra Mundial.

        Destacamos também no litoral sul potiguar as belezas naturais das praias de Búzios, Tabatinga, Camurupim, Barreta, "PIPA"...com destaque internacional, Barra de Cunhau, Sagi, dentre outras praias que possuem paisagens encantadoras e  boa infraestrutura turística, com exuberantes pousadas, chalés e hotéis de médio porte, além de significativos e primorosos    bares e restaurantes.

          No Litoral Norte Potiguar, destacamos a importância da BR 101 até Touros, que contribuiu significativamente para o crescimento do turismo naquele trecho do litoral Potiguar,  com destaque para as praias de Genipabu, as lagoas, e as dunas com maravilhosos passeios de  Buggy, no referido litoral norte encontramos ainda a  beleza das Praias de Barra do Rio, Santa Rita, Graçandu, Pitangui e sua bela lagoa, praia de Jacuma, Muriu, Barra de Maxaranguape, Cabo de São Roque e seu charmoso Farol, e ainda, as belezas naturais das praias de Maracajau, pititinga, zumbi, Rio do Fogo, Praia de Carnaubinha ( pertencente a Touros e onde está localizado o resort Vila Gale de Touros, que fortalece o turismo Potiguar ), citamos ainda, a bela praia de perobas, e a encantadora e sensacional praia de touros, com destaque para o Farol do Calcanhar, um dos maiores da América Latina, ressaltamos também a encantadora Praia de São Miguel do Gostoso, com toda sua rica gastronomia  e excelente Infraestrutura turística, incluindo ótimas pousadas, condomínios, hotéis, chalés e conceituados restaurantes,  bem como, extraordinário local para a prática do esporte aquático denominado "Kitesurf", destacamos ainda a vizinha Praia do Marco com seu legado histórico e cultural relevante.

          Realçamos ainda no Litoral Norte Potiguar, a "Costa Branca", que vai de Macau até Tibau em Mossoró, passando por relevantes  pontos turísticos como: Praia de Galinhos, Grossos, Areia Branca, As Dunas do Rosado, Ponta do Mel, Upanema, São Cristóvão e a bela orla de Tibau, com uma plêiade de  memoráveis  veranistas, uma espetacular infraestrutura turística, e agora, um acontecimento transcorrido no final de janeiro de 2026 que revolucionou o turismo cultural daquela região, nos reportamos a "FLITIBAU"(Primeiro Festival Literário de Tibau), que temos certeza veio para ficar e fazer parte do calendário  turístico, cultural e artístico daquele importante polo da Costa  Branca Potiguar.   

     Dando prosseguimento a viagem turística Potiguar, encontramos o Turismo Religioso, principalmente  na cidade de Santa Cruz, e o Santuário de Santa Rita de Cássia,  que está na iminência de receber o funcionamento pleno do tão aguardado "Teleférico ",é público e notório que o potencial turístico de santa     cruz cresceu com a  construção desta grandiosa Estátua de Santa Rita de Cássia,  que é a maior imagem  católica  do mundo com 56 metros de altura. Destacamos também no turismo religioso potiguar a importância do Santuário da Nossa Senhora dos Impossíveis na Serra do Lima em Patu(RN ), e recentemente foi inaugurado uma grande escultura de Santa Luzia, no Museu do Sertao em Mossoró, notadamente na comunidade rural de Alagoinha, e que tem a frente seu proprietário  e curador, professor e escritor Benedito Vasconcelos Mendes.

      Agora   vamos retratar um pouco as belas e exuberantes Serras Potiguares, com destaque para as serras de Lagoa Nova, Cerro Cora, Serra de São Bento, Serra de Martins, Portalegre, Monte das Gameleiras, Patu, Serra de João do Vale (Jucurutu) e região de Passa e Fica(Pedra da Boca) e o ponto mais alto que é a Serra do Coqueiro, no Município de Venha Ver,  com 868 metros, todas serras elencadas com belezas indescritíveis.

          Merece destaque também no Turismo Potiguar o "Seridó Geoparque Mundial ", que foi reconhecido pela UNESCO como um Patrimônio Natural e Cultural, engrandecendo o turismo daquela região, reconhecidamente nos Municípios de Acari, Carnaúba dos Dantas, Cerro Cora, Currais Novos, Lagoa Nova e Parelhas.

       Observamos também no Turismo Potiguar a importância do "Sitio Arqueológico Lajedo da Soledade", no município de Apodi(RN ), que é um conjunto de fendas e grutas formadas por rocha calcária, com pinturas rupestres que possuem entre 3000 a 10000 anos de idade. Faz - se mister destacar também que em Apodi encontramos o famoso Museu do Índio, um relevante equipamento turístico, histórico e cultural que preserva a identidade e reúne artefatos de grupos indígenas que viveram e vivem em Apodi e outras regiões do Estado do RN. Na circunvizinhança encontramos os municípios de Severiano  Melo e Itaú, que são conhecidos como a "Terra do Caju"...e possuem uma forte tradição  na produção de castanha de caju e doces derivados, que fortalece a gastronomia Potiguar gerando e agregando um fator de desenvolvimento ao turismo daquela região, como acontece em outras regiões do nosso Estado, com a produção do Pastel de Tangará, a Ginga com Tapioca da Redinha, o grude de Extremoz, e Mossoró, que é o coração da maior região produtora e exportadora de melão do Brasil, impulsionando o turismo de negócios e eventos técnicos, dentre outros atrativos gastronômicos que são motores econômicos que desenvolvem o turismo Potiguar e são fontes motivadoras de viagens pelo mundo. 

         Portanto, o Rio Grande do Norte é um Estado com inúmeras potencialidades turísticas, em todas as regiões, desde os verdes canaviais de Ceará Mirim, que também tem o grandioso Museu do Cinema, o Turismo Rural, passando pelo museu da Shelita em Currais Novos, Barragens, lagoas, passeio de barco no Rio Potengi, o Teatro Alberto Maranhão, situado no bairro histórico da Ribeira em Natal e também o Teatro Sandoval Wanderley e ainda o Mercado do Peixe no bairro das Rocas na capital potiguar, etc.

        Por último, destacamos que o Estado Potiguar é um celeiro de imensas aptidões turísticas em todos os seus polos: Costa das Dunas, Costa Branca, Polo Seridó, Polo Agreste/Trairi e Polo Serrano, ou seja, dos Engenhos do Vale do Ceará Mirim, no Turismo Rural, no Turismo de Aventuras, no Turismo Religioso, no Cultural, as serras, nas belas faixas litorâneas, nos museus e no contexto geral aqui apresentado, encontramos no TURISMO uma INDÚSTRIA SEM CHAMINÉ  viva e pujante que reflete positivamente na Economia Potiguar.

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Autor: Magnus Regius, Escritor, Advogado, Conciliador e Ex-Diretor da Associação de Pousadas e Chalés do Litoral Potiguar.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

 



Cartas de Cotovelo - Carnaverão 2026-Fev.

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, veranista

               

Todos os veraneios em Cotovelo costumo escrever as minhas “Cartas”, dando conta dos acontecimentos do cotidiano. Este ano, contudo, as coisas foram diferentes e sequer levei o meu computador, limitando-me a rascunhar alguma coisa para imprimir ao chegar em Natal.

                A propósito disso, ao tentar rascunhar algum texto senti o peso da dificuldade de saúde que não me permitiu escrever, participar dos jogos caseiros e até de descer à praia em nenhum momento do veraneio e, da mesma forma, nos dias de Carnaval que, para mim, foram todos de “Quarta-Feira de Cinzas”.

Não vi nenhum dos meus amigos, não visitei os confrades da PROMOVEC, sequer compareci à passagem do Bloco da Cotovelada. Logo na segunda-feira retornei a Natal, com profunda decepção e constrangimento para procurar ajuda médica.

                Em Natal, cerquei-me do computador e fiz uma limpeza em papéis colocados em seu redor e encontrei os já referidos rascunhos e anotações, a maioria já publicados no Blog do Miranda Gomes. Alguns, no entanto, não localizei publicação e vou transcrevê-los, aqui e agora.

                Com o título de “Desafio”, escrevi:

Nossa vida caminha em águas, nem sempre serenas ou ambientes verdejantes. Por mais que trabalhe para evitar os percalços, sempre aparecem as pedras no caminho. Esse moído de prosa se nos oferece por algo, possivelmente trivial para as pessoas, mas que, em mim, pessoalmente, se apresenta como desafio. O fato é que, para aplacar a tristeza e solidão que me perseguem desde algum tempo, debruço-me na prancheta para fazer alguma pintura, pelo que já construí um acervo considerável, que ocupa todos os espaços do meu porto-solidão e, por isso, já estou ultimando um ateliê que os abrigue com mais dignidade. Estou, quando a disposição me visita, completando o livro das minhas memórias como testemunha do tempo vivido e, para isso, já pedi socorro aos colegas escritores Thiago Gonzaga, Aluísio Azevedo e Osair Vasconcelos para a necessária formatação, cujo lançamento, pretendo realizar através de Abimael Silva [Sebo Vermelho] sozinho, ou com coeditores, ao mesmo tempo que uma exposição das telas, que deverão ganhar novo destino. O lado emocional guardarei comigo no quarto de exílio, de meditação e solidão, com a sombra do que antes ali havia da minha produção, tal qual as fotografias dos familiares e amigos e, certamente da minha sempre lembrada Therezinha, até que outras retomem o mesmo lugar - se a velhice permitir esse feito. Este é o novo desafio. A vida depende de luta e de coragem para vencer o caminhar. Enquanto isso, Cotovelo ficará como uma fuga da realidade, uma forma de escape das mazelas que vão aparecendo, tolhendo as minhas energias.

                Outros rascunhos vou aproveitando no livro, onde couber, lembrando uma anotação que encontrei – não sei se é minha ou de algum prefácio que tenha feito, mas é interessante repetir: Há livros que se encerram com a publicação, e há livros que, como um rio, continuam.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

               

 

 O MORRO DOS VENTOS UIVANTES

A Justiça ficou em “chamas” depois que o ministro Marco Aurélio Melo mandou soltar o mandante do assassinato da americana Dorothy, lá no Pará. Outro “homem errado” é o Dias Toffoly, aquele do “pacto sinistro” como verdadeiro “advogado do diabo” do mensalão para depois ser ministro do STJ e viver a “tortura do silêncio” por não arguir sua suspeição. Que horror! O núcleo operacional do mensalão começa a ser alforriado. Ricardo Lewandowski já começou a largada das “grandes manobras”, não condenando o deputado federal João Paulo Cunha e Marcos Valério. A lei propriamente dita é um “brinquedo proibido”. “A maior história de todos os tempos” já narrada no Supremo está fazendo o povo brasileiro enxergar o “horizonte perdido” de suas crenças.
Apenas o poder de mando e a vaidade pífia das compensações interessam. Pela “janela indiscreta”, dá pra ver o “crepúsculo dos deuses”. Certa vez, a presidente Dilma Rousseff recebeu o título, não sei por quem outorgado, da terceira mulher mais poderosa do mundo. Ora bolas, em qualquer pais “a felicidade não se compra”. Seria poderosa sim, se a saúde e as universidades públicas não estivessem sucateadas, faltando remédios. Pelas drogas nas ruas “disca-se M para matar” ou quando não, um “corpo que cai”, é sempre um “terceiro tiro” que derruba um inocente. Nesse “interlúdio”, a “dama oculta” não exibe o seu poderio para controlar esse “inferno dezessete”. E haja “psicose” de crack e “pacto de sangue” ocupando as ruas e avenidas.
Enquanto isso, a campanha eleitoral do Rio Grande do Norte ganhou o desencanto dos eleitores. A maior “novidade do front” está sendo “a grande ilusão”, semelhante às “noites de Cabíria” ou ao delírio de “quanto mais quente melhor”. Trouxeram para as “luzes da ribalta” e da discussão pública o aborto e o homossexualismo, temas que já integram a legislação nacional com decisões recentes dos tribunais superiores. Como se na “roda da fortuna” da cidade do Natal não existissem problemas estruturais: ruas esburacadas, saúde derrubada, desemprego, trânsito estrangulado, educação descompassada, insegurança em “eclipse” e somente o “sol por testemunha”. Vale dizer, para concluir, que “por ternura também se mata” em Natal, que vive fase “sem lei e sem alma”, apenas prevalecendo o “estigma da crueldade” entre “pistoleiros do entardecer”.
Ficha suja, ficha limpa, tanto faz uma como a outra, pois longe de se oporem, se harmonizam e se entrelaçam. De nada adianta julgar, pois somente a vontade é lei. Neste “céu amarelo” mandam as “consciências mortas” desde o “tempo das diligências”. O “testemunho de acusação” morreu no processo de “Kafka”. Quem diabo inventou essa lei confusa, complexa, contraditória, opaca, empírica e ainda por cima onomatopaica e que vai morrer amanhã de inanição nas mãos dos próprios julgadores? Jamais ela se transformará na “árvore dos enforcados”. Também não chegará o tempo para o seu “sangue semear a terra” de probidade e lisura com o trato da coisa pública. E viva a liberdade dos “galantes aventureiros” na “montanha de sete abrutes”.
Nota do autor: Este texto foi elaborado com fulcro nos títulos dos melhores filmes da sétima arte (aspeados) que retratam os dramas, as comédias e as tragédias da vida comum. Afinal, a política e a justiça, às vezes, neste país, não são obras de ficção? Viva ao cinema!!!

(*) Escritor.

 POUCAS E BOAS  CARNAVALESCAS 


Valério Mesquita

01) O deputado Ricardo Mota observador atento da cena e espirituoso como sempre, certa vez,  retornando a Natal após passar o Carnaval em São Paulo, foi indagado se havia assistido o desfile do Salgueiro onde desfilaram Garibaldi e Vilma Maia. Motinha, sem perder a calma, gracejou sem pestanejar: “Vi... Lampião e Maria Bonita...”. 

02) Uma das figuras significativas e populares do carnaval de Macaíba não poderia faltar a essa galeria: José Batata. Zé Batata, já falecido, era eletricista da Cosern. Dos anos sessenta aos noventa animou a folia de rua com a sua tribo de índios, da qual era o cacique e senhor de todos as pajelanças. Gostava de exagerar nos adornos até mesmo fora do tríduo momesco, exibindo uma enorme aranha preta no peito, mesmo vestido com a farda do trabalho. Batata era também um boêmio consumidor do conhaque de Alcatrão de São João da Barra, néctar dos índios civilizados. Certa vez, foi escalado para cortar a energia elétrica da Fazenda Arvoredo, propriedade de Leonel Mesquita. Era o governo de Monsenhor Walfredo, cuja diretoria da estatal não prezava muito os inadim-plentes com o consumo. Zé Batata conhecia bem o temperamento do dono de Arvoredo e por isso pediu sua dispensa da missão. “Ordem é ordem”, protestou o chefe do escritório local da Cosern. “Por que tu não “vai”?”, ponderou Batata, que nessa hora não tinha nada de índio besta. E aí lá se foi Zé, com um acompanhante para segurar a escada. Quando já estava no topo do poste e olhou para baixo, viu Leonel Mesquita de revólver em punho, ameaçar: ”Desça já, seu f.d.p., ou atiro nas suas pernas!!”. “Pode deixar comigo, Seu Leonel, é ligeirinho, ligeirinho”. Já “aterrissado” de nada adiantaram as suas justificativas. Zé Batata retornou com um sermão de Leonel de que aquilo era perseguição política. Está escrito: Cara pálida nunca se entendeu mesmo com pele vermelha.

03) Outra figura carnavalesca era o saudoso amigo  Diógenes Correia de Almeida. Ele era um carnavalesco atípico, solitário e original. Vestia uma quase sumária roupa feminina para exibir as suas musculosas pernas, com todos os balagandães femininos: seios postiços, batom, rouge, touca e sandálias. O seu passe era disputado pelas Escolas de Samba como destaque nos desfiles. Acabava o carnaval, Diógenes retornava ao trabalho da sua destilaria no fabrico de zinebras, aguardentes, conhaque e tudo o mais que embriaga e faz cair. Entre os anos 50 e 60 foi vereador e protagonista político de inúmeras peripécias. E como tal, foi perseguido pelos donos do poder pela desfaçatez e esperteza de enganá-los como oposicionista, principalmente nas eleições para presidência da Câmara. Dele eu posso dizer o seguinte: Diógenes, que tantos homens foi, na pluralidade de suas dimensões caracterológicas, em mim e em muitos ficou a imagem do folião inigualável, primeiro e único na coragem de se exibir, por tantos anos, vestido de mulher para espanto de uma sociedade reacionária. 

04) Natal boêmia dos anos cinqüenta. Natal lírica que se reunia toda no Grande Ponto. A história é desse tempo. Era carnaval no reinado do inesquecível Severino Galvão, amigo de Luis de Barros e Roberto Freire. O saudoso amigo e compositor Dosinho lançava os seus últimos sucessos carnavalescos. E a animação tomava conta da capital que exportava folia. Tanto assim, que os jornais anunciaram a visita do Rei Momo, primeiro e único Severino Galvão, à capital do Oeste – Mossoró, levando toda a sua corte. Não podia haver notícia melhor para o estreitamento das relações entre Natal e Mossoró, pois andavam tensas por causa das estórias que os maledicentes inventavam com os mossoroenses. Tudo pronto, transporte providenciado, discurso afiado do monarca nos trinques, parte a caravana real com confete e serpentina. Mas, em todo reino que se preza, sempre há um vilão à espreita que desmancha prazer e ameaça a coroa. O folião de longo curso Roberto Bezerra Freire resolve bagunçar o coreto e a viagem. Irreverente e brincalhão o engenheiro natalense enviou telegramas urgentes a Mossoró para o prefeito e o delegado de Polícia alertando que “O Rei Momo que está chegando aí é um impostor”. “Inclusive”, prossegue o teor telegráfico, “ele vai insultar Mossoró urinando  na Praça Rodolfo Fernandes”. Continua: “Trata-se individuo perigoso e todo cuidado é pouco. Saudações Roberto Freire”. Ora, o mossoroense habituado, desde a resistência a Lampião, a reagir a provocação, entrou em estado de alerta para não dizer de “sítio”. A chegada que se prenunciava triunfante foi tensa e hostil com todo o destacamento local formado para repelir os embusteiros. Detido o ônibus real do soberano Severino Galvão, ante a sua incontida perplexidade, não precisa dizer que a rainha e os súditos permaneceram prisioneiros no coletivo enquanto o rei momo era conduzido à delegacia para dar explicações sobre a inditosa viagem e o telegrama delator. Só depois de muita negociação diplomática foram liberados. Não havia Telern ainda e o discurso real foi transformado em desculpas intermináveis ante o lamentável incidente que abalou as ligações entre os dois povos.




(*) Escritor