JESUS
Após a entrada triunfal em Jerusalém,
passa pela traição e dor do Calvário e ressuscita ao terceiro dia como SALVADOR
DO MUNDO.
RACHELE ROSSO NELSON
100 ANOS
Essa extraordinária criatura nasceu no
dia 02 de abril de 1926, na cidade denominada Casalleto Spartano, Província de
Salerno, no sul da Itália - cidade plantada a 400 metros do nível do mar,
localizada sobre pequeno planalto, imerso num bosque que se estende até a
encosta do Monte de Vallicorvo, sendo filha de Rocco Rosso e Rosina Lovisi
Rosso.
Por
circunstâncias imprevisíveis, seu pai deixou a terra mãe em 1926 vindo para o
Brasil em decorrência da crise econômica gerada após a Primeira Guerra Mundial,
na qual tornou-se herói. Aqui, após
certa estabilidade, mandou buscar a família em 1935, vindo Rachelle, com sua
mãe ao encontro do seu genitor, já então residindo em Natal, viajando em um dos
famosos navios de imigrantes, este chamado Oceania, que aportou no Recife.
Esta
história está narrada no livro que escrevi “O Velho Imigrante”, com todos os
detalhes. Em Natal Rachele casou-se com Arnaldo Jones Nelson e teve os filhos
Hilma, Oscar, Rocco, Osman e Paulo e conviveu com Therezinha Rosso Gomes, minha
inesquecível esposa, que partiu em 2019. Dos filhos é falecido Oscar, mas a
família cresceu dando-lhe a alegria de genro, noras, netos e bisnetos,
sobrinhos, sobrinhas que preenchem a sua vida.
Todos
estarão lá para louvar a DEUS.
Por uma História da Igreja Potiguar
Padre João Medeiros Filho
O registro de nossa história eclesiástica contém poucos dados disponíveis. Em “História do Rio Grande do Norte”, Câmara Cascudo narrou os primórdios do catolicismo em solo potiguar, indicando elementos sobre as paróquias (oragos e datas de criação), até a década de 1950. Em 1937, Monsenhor Paulo Herôncio de Melo legou-nos o primeiro relato sobre o martírio de Cunhaú e Uruaçu. Dom Eliseu Simões Mendes contribuiu com anotações para a história da diocese mossoroense. Sua visão desenvolvimentista subjacente no projeto da “Missão Rural” merece estudos acurados. Dignos de encômios são os apontamentos de Monsenhor Francisco Sales Cavalcante: “A Paróquia de Santa Luzia” e o “Colégio Diocesano de Mossoró”. Em 1985 e 1987, Monsenhor Severino Bezerra lançou “Levitas do Senhor” (2vol), pequenas biografias de sacerdotes que aqui nasceram ou exerceram seu ministério, nos séculos XVIII a XX. Padre Normando Pignataro Delgado, em sua obra “Paróquias potiguares: uma história”, discorreu sobre 98 paróquias norte-rio-grandenses até os idos de 1980. Padre Francisco de Assis Costa, Diretor do Colégio Diocesano Seridoense, coligiu algumas memórias do referido educandário, no ensejo dos 80 de sua fundação, festejados em 2022. Aconselha-nos o profeta Isaías “Lembrem-se de coisas passadas e fatos antigos” (Is 46, 9).
Se porventura alguém perguntar pelos renomados oradores sacros potiguares, faltam-nos fontes de pesquisa, exceto parcas anotações em alguns livros de tombo paroquiais. Caso o questionamento verse sobre abnegados educadores eclesiásticos, haverá lacunas significativas na documentação. Monsenhor Amâncio Ramalho é pouco lembrado. O eminente sacerdote dirigiu oito colégios em cinco estados brasileiros (RN, PB, PE, BA e PI). Foi o primeiro titular do Departamento de Educação, que precedeu a Secretaria Estadual de Educação (RN). É profícuo o itinerário de escolas católicas, dentre elas: Marista, Salesiano, Salesianas, Coração de Maria, Santa Teresinha, N.S. das Vitórias, Jesus Menino. Carecem de relato escrito sobre suas trajetórias. Infelizmente, são olvidadas as admiráveis realizações educacionais de Dom Delgado no Seridó. No entanto, é importante assinalar o papel da Igreja na educação no RN, inclusive no ensino superior. Luís Eduardo Suassuna, no Conselho Estadual de Educação do RN, preocupa-se em colher dados sobre os patronos das escolas de educação básica, destacando os vultos religiosos.
Figuras notáveis de nosso clero são desconhecidas. É o caso do Padre Sebastião Constantino de Medeiros, governador do bispado de Olinda, durante a prisão de Dom Vital. Tornando-se jesuíta, foi o primeiro brasileiro a lecionar na Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma). Graças aos esforços do acadêmico Jurandir Navarro, dispõe-se de parte substancial da produção literária de Cônego Monte. Monsenhor Huberto Bruening (pároco da Catedral de Mossoró) deixou ricas anotações sobre a apicultura brasileira. É falha grave ignorar tantos padres escritores, como Dom Nivaldo Monte.
O Movimento de Natal foi objeto da tese doutoral de Alceu Ferrari, intitulada “Igreja e Desenvolvimento”. Cônego Eugène Collard, em “A Igreja na encruzilhada dos caminhos”, narra para os europeus essa rica experiência pastoral. O trabalho das escolas radiofônicas tampouco merece ficar marginalizado. Precedeu Paulo Freire, contribuindo para a alfabetização e educação integral de inúmeros norte-rio-grandenses. Quanto aos meios de comunicação (rádios e periódicos), a Igreja potiguar desempenhou papel relevante. O jornal “A Ordem” foi destaque nas décadas passadas, respeitado por intelectuais. Ali, brilharam líderes católicos, que orgulham a nossa terra. As primeiras instituições de assistência à saúde e aos idosos do RN foram iniciativas da Igreja. Como esquecer o Hospital Padre João Maria (Currais Novos)? A Igreja tem deixado uma marca notável de serviço e presença junto ao Povo de Deus.
A Academia Norte-rio-grandense de Letras, por intermédio de Cônego Monte, recebeu também influência de Dom José Pereira Alves, terceiro bispo natalense, membro e presidente da Academia Pernambucana de Letras. “Ele foi um de nossos maiores oradores sacros, arrebatando palmas nas naves da antiga Catedral da Apresentação”, relata Padre José Freitas Campos, em “O Mestre da Palavra”. Além desta obra, o ilustre sacerdote legou-nos a biografia de Frei Miguelinho, História dos Primeiros Mártires do Brasil e Conexões de Memorias da Igreja do RN. Cônego José Mário de Medeiros brindou-nos com as biografias de Dom Marcolino e Dom Tavares. A Igreja potiguar deve cuidar de sua história. “Muitas vezes e de modos diversos, Deus falou outrora a nossos pais” (Hb 1, 1).
Para viver o Mistério da Semana Santa
Padre João Medeiros Filho
Desde o século II, além de continuar celebrando o primeiro dia da semana, como Dia do Senhor, os cristãos procuraram solenizar o Domingo da Ressurreição. Nasce assim liturgicamente a Semana Santa. No século IV, Santo Agostinho recomendava aos fiéis de Hipona a vivência do Tríduo Pascal. Durante a Semana Santa, a Igreja celebra o mistério da reconciliação, realizado por Jesus, começando pela entrada messiânica em Jerusalém, passando pela Ceia e Cruz, culminando com sua Ressurreição. A Semana Santa convida-nos também a descobrir nos sofrimentos da humanidade a atualização da Paixão de Cristo. Segundo Pascal, “Jesus continua em agonia, misticamente, até o fim dos tempos.” Assumindo nossa condição humana, Ele revestiu-se de um corpo sujeito à dor e ao sofrimento, mas seu espírito imortal destruiu a morte.
A Semana Santa é a celebração do Amor de Deus. E ninguém pode duvidar desse Amor pelo ser humano. Ele transcende a compreensão dos homens. Misericórdia do Pai, que se plenifica na entrega de seu Filho para nossa salvação, a fim de que ninguém se perca. Morte e Ressurreição de Cristo são a prova maior de sua doação por nós. Traduzem os sentimentos do Pai. Jesus aceitou padecer e aniquilar-se na Cruz para demonstrar nossa pobreza. Mas, Ele ressurgiu dos mortos para revelar a grandeza divina que, por gratuidade do Onipotente, existe em nós. Para os cristãos, a Cruz tornou-se símbolo de mudança de vida e redenção.
Deus ama todos indistintamente. “Deus amou tanto o mundo, que nos deu seu Filho único” (Jo 3, 16). Às vezes, somos incapazes de compreender incomensurável gesto. Quem dentre nós, está disposto a sacrificar seu filho único (ou filha) para salvar ou trazer a paz aos outros? É essa oferta gratuita de Cristo, que vivemos e celebramos na Semana Santa. Dádiva suprema de Deus, que atinge o ser humano, manifestando sua capacidade de amar. Cristo valoriza-nos, independente de nosso amor, não porque sejamos bons e justos, mas porque Ele assim o quis para nos dar “a vida em plenitude” (Jo 10,10). Nossa salvação depende de acreditar em sua bondade para conosco e aceitá-lo. “Quem n’Ele crê, não é condenado” (Jo 3, 18). Não é vontade de Deus que as pessoas se percam, tampouco sente satisfação em condenar alguém. A alegria de Cristo é salvar cada um dos irmãos, é desarmar todos com o seu perdão. “Assim haverá maior alegria nos céus por um só pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não precisam de arrependimento” (Lc 15, 7).
A liturgia da Semana Santa é um convite a descobrir Cristo, nosso Salvador, que é Luz. “Eu sou a Luz do mundo. Quem me segue, não caminha na escuridão, mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12). Durante o Tríduo Pascal, Ele deixa entrever um vislumbre do brilho divino e abre uma fresta de esperança para cada um de nós. Foi erguido no alto da Cruz, para que todos sentissem o clarão de Deus, que tem o poder de salvar, pois é benignidade e misericórdia. Eis o sentido da celebração da Semana Santa.
Cristo vence o duelo da morte. Diante dela somos impotentes. Mas, para Ele não é obstáculo, pois para isso veio ao mundo. Nasceu a fim de trazer a Vida àqueles que n’Ele creem. Ele aceitou a realidade humana para nos dar a Vida sem ocaso. A morte é ausência de Deus. Mas, Cristo tem o poder de fazer reviver, porque é o Senhor da Vida. Ele deseja nos ressuscitar com a sua Palavra. “A quem iremos, Senhor, só Tu tens palavras de vida?” (Jo 6, 68). Que não haja dúvida, medo e desespero. Jesus veio nos libertar de tudo aquilo que nos deixa adormecidos e mortos. Sua Palavra transformará em dia as trevas, em alegria nosso pranto, em certeza nossa dúvida, em paz nossa angústia! É o que vivemos na Semana Santa, mistério insondável do Amor de Deus! Feliz e Santa Páscoa para todos. Jesus vive e reina. Como Madalena e os apóstolos sejamos arautos da Ressurreição do Filho de Deus. “Ele não está aqui, ressuscitou como havia dito” (Mt 28, 6).
THEREZINHA
ROSSO GOMES
7º
ano da PÁSCOA
Hoje registro o sétimo
ano da partida da inesquecível THEREZINHA, criatura que enriqueceu a nossa vida e deixou marcas eternas de bravura, amor, compreensão e humanismo.
É impossível esquecê-la, apesar de tanto tempo da sua
ausência física, porque a presença espiritual continua cada vez mais forte,
quebrando os dizeres comuns do mundo social – de que o tempo apaga tudo.
Nossa
família e seus amigos e amigas têm você presente em todos os momentos – de problemas,
de comemorações e de lembranças.
Vamos
louvá-la por ter existido, logo mais às 18 horas, na nossa Paróquia de São
Pedro e rogo aos parentes e amigos que não puderem comparecer, façam uma oração
ou um pensamento de saudade e amor para quem, em vida, só nos deu alegria.
DAS DEDUÇÕES PRETERDOLOSAS
Valério Mesquita*
Quando penso – Sou. Tenho receio de que alguém após o ponto diga idiota. São as chamadas observações à margem. O leitor, como já disse um fronteiriço - é um monstro na minha literatura.
Nessa vida sou pacífico, no entanto, é o mais perigoso dos oceanos.
No ruído reside toda a filosofia do mundo. Bem-aventurados os ruidosos deste mundo porque deles é o reino do caos.
Realizo em minha vida uma viagem de circunavegação. Cada mulher é um Porto Seguro. Minha plataforma não é continental, é mundana. A vida é para mim, um caso liquidado. Se ela não existisse não seria necessário inventá-la.
Vivo debruçado na vigésima quinta hora do tempo. Não sou pretensioso. Sou preterintencional. Jamais acreditei na grandeza dos antílopes feridos. São demasiadamente falsos. Entre agir e ser imbecil neste mundo, prefiro a regra três. Para o mundo tenho o silêncio. O pensamento é o único bem digno de inveja. Sua grandeza está no silêncio. Eis as duas colunas do tempo.
Não sei quem falou em ablução na água benta da aurora, mas foi um poeta. Todo o poeta traz a fronte iluminada e o pescoço na medida da guilhotina. A guilhotina dos homens é para eles a água benta da aurora. Existem, ainda, outras formas de viver: jardim, céu, estrela, mar, horizonte e, frequentemente cantar a fome. Mas, isto, direis, é sociologia. A sociologia é o folclore da miséria. O resto é foquilore.
Tenho especial carinho pelo homem sem liberdade. A liberdade não é um produto do nosso tempo. É um estado de espírito. Bem-aventurado os que têm fome e sede de liberdade porque eles serão fartos.
Se quiseres me encontrar, estou debaixo do teus pés. Cresço nas ervas de Whitman. Sou e serei sempre protegido pelos fantasmas das tardes enubladas.
Lá estão as nuvens. Os homens não as vêem. Elas em silêncio conduzem pensamentos. Mais tarde verterão a água benta da aurora. É bom banhar-se.
(*) Do Livro “O Tempo e Sua Dimensão” – 2ª. Edição – 2024 – Editora Terra de Auta.
Dom João e Dom Sílvio
Padre João Medeiros Filho
A pedido de leitores, escolhi pautar este artigo. O
profeta Isaías revela uma realidade teológica, exaltando a supremacia divina em
relação ao ser humano: “Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos e
vossos caminhos não são os meus caminhos” (Is 55, 8). Diga-se o mesmo da
Igreja, sacramento do Filho de Deus. A lógica divina difere dos métodos e
planos humanos. A vinda de Dom João Santos Cardoso para ser o nosso metropolita
e posteriormente a nomeação de Dom José Sílvio de Brito (natural de Cruzeta/RN)
para seu bispo auxiliar foram agradáveis surpresas. Dom João veio para o RN descalço,
como um frade carmelita, despojado como um franciscano, ouvinte e questionador ao
estilo jesuíta, missionário e pregador à semelhança de um dominicano ou
redentorista, reflexivo e orante, inspirado em Santo Agostinho. Nosso pastor aqui
chegou, revestido de sua fé, seu amor à Igreja, com seus três pets
e a certeza da mão estendida d’Aquele que nos conforta. Aliás, é o seu icônico lema episcopal: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fl
4, 13).
Registrei estas notas, no limiar de meus oitenta e cinco
anos, antes que a lucidez brigue comigo e me abandone. Há fatos e feitos que
não posso esquecer. Muitos não esperavam em fevereiro a escolha de Dom Sílvio
para o episcopado. Não que lhe faltasse mérito. Comenta-se que outros nomes
eram cogitados nas sacristias e casas paroquiais. Ele detém muito das virtudes
de nosso arcebispo: discreto, simples, avesso à fama e aos holofotes, focado na
pregação do Evangelho. Para mim não foi inesperado.
Este velho escriba confessa sua admiração ao ver nosso
pastor chegar aqui, há quase três anos, de mãos vazias, desarmado, coração
aberto para acolher e perdoar, imbuído do amor a Cristo e à Igreja. Nada pediu,
desejava primeiro ouvir e rezar para agir na hora de Deus. Para cá não o
acompanhou nenhum sacerdote ou auxiliar. Começou o pastoreio como o Mestre, e
foi conquistando os discípulos. Segundo a rotina eclesiástica, é comum a um
bispo, ao ser nomeado para uma diocese desconhecida, levar consigo ao menos um
secretário. Dom Joaquim Antônio de Almeida, nosso
primeiro antístite, ao tomar posse da diocese do RN, trouxe para Natal seis auxiliares. Dom
João, nesse e em outros aspectos, procurou seguir as pegadas do Mestre.
Na homilia da Eucaristia, em memória dos quatorze anos de
vida episcopal, Dom João anunciou efusivamente, como presente de Deus, a
nomeação de seu primeiro bispo auxiliar. Mais um exemplo de despojamento e
valorização do clero potiguar. Não seria menoscabo se tivesse indicado um padre
amigo, oriundo de outras dioceses. Escolheu, dentre os sacerdotes da
arquidiocese, um dos assessores mais próximos. Isso demonstra respeito e
consideração ao nosso clero. Este gesto tampouco o impede de indicar um
presbítero de outros bispados para ocupar as futuras dioceses (Assú e Santa
Cruz). O que deve falar mais alto é o bem da Igreja. Nosso arcebispo segue Jesus:
“caminhando junto ao mar da Galileia, viu dois irmãos (Simão Pedro e André) e
os chamou.” (Mt 4,18). Ao escolher seu primeiro bispo auxiliar, seguiu a
tradição de seus antecessores Dom Marcolino e Dom Nivaldo. Entretanto, isso não
é um impeditivo para outras escolhas, nem desdouro se vier acontecer.
Dom
João e Dom Sílvio continuarão abrindo novos caminhos com a força da Palavra
Sagrada, colhendo frutos para o bem do Povo de Deus. O desejo que move nosso
arcebispo e seu bispo auxiliar é o de compreender, perdoar, amar, viver e
difundir o Evangelho, construindo a beleza da Igreja e contribuindo para que
possa ecoar sempre a melodia da graça divina. Como nosso Pastor, Dom Sílvio detém
as virtudes da simplicidade e ternura
evangélicas, independência diante das coisas efêmeras, aceitando o desafio de
servir e deleitar-se com o Sagrado. Ambos entendem o poder, em
qualquer instância, como um serviço. Dizia Dom Delgado, um grande bispo que
pisou o chão do Seridó: “O poder só tem sentido, quando busca melhorar a vida dos outros e aumenta a sede
de Deus.” Cristo advertia: “Quem quiser ser o maior, seja aquele que vos serve”
(Mc 10,43).
AS BOAS ATITUDES MELHORAM O MUNDO
Valério mesquita*
Nesse planeta de dúvidas e de dívidas – muito mais do que antes – é necessário compadecesse do ser humano. As pequenas atitudes melhoram o planeta, repito e é verdade. Contudo, a cada dia, se descobre que todo homem, por mais firme que esteja é pura vaidade. Não reflete que “passa como uma sombra amontoando tesouros e não sabe quem os levará”, conforme ensinou o salmista rei Davi, no auge do declínio político e de poder. Os dias de hoje são ominosos e fatais para a humanidade. Mesmo que você ore que o Senhor é a sua luz e a ninguém deve temer. O tempo mudou muito a imagem e a rigidez disciplinar do Vaticano. O poder doutrinário não é mais tão exigente quanto o de antes. Hoje é pacífico, conciliador.
O ser humano vive a cultura do mundo das paixões, das relações homoafetivas, dos trágicos conflitos racionais, religiosos e políticos. As práticas já alcançaram o nível de extermínio. Nas favelas brasileiras o número de bandidos excedeu o de moradores pobres. Na história das repúblicas latino-americanas os índios foram vítimas de assassinatos, hoje são os doentes nos hospitais públicos pela falta de remédios e de médicos. O egoísmo dos homens corrompeu a democracia, as instituições. Tudo foi depredado: o meio ambiente, o sindicalismo, o mercado de trabalho, o sistema previdenciário, o ensino médio e superior, a legislação penal e a penitenciária. Até no Supremo Tribunal Federal, os ministros colidem e se agridem de forma banal, como nunca se viu décadas passadas. As Casas Legislativas cultivam o silêncio obsequioso em algumas questões e em outras submetem-se a dependência de cargos, favores ocasionais e sazonais.
Prefiro laborar na tese de que o homem sem acreditar na Bíblia não tem futuro na terra e nem no que cuida ou governa. Caso se torne bem-sucedido, fará infeliz uma multidão de seres humanos. Certa vez, procurei ler algo sobre a trajetória do teólogo e pensador Leonardo Boff, notadamente traços de suas colisões com a igreja católica, por causa da Teologia da Libertação. É claro que não pretendo num modesto texto discutir ou discrepar com o famoso escritor e pensador brasileiro. Pinço um fato do seu encontro em 1984, em Roma com o cardeal Ratzinger, sucessor de Wojtyła (Papa João Paulo II). O ex-pontífice era o então prefeito da Congregação para a Doutrina e a Fé. No dia aprazado, Boff escreveu ao cardeal explicando que não poderia comparecer ao chamado da Santa Sé porque naquele dia (05 de setembro), teria compromisso com a Associação das Prostitutas, vítimas de exploração, a qual recebia apoio da CNBB. O papa emérito (cardeal Ratzinger) telegrafou para dizer que “a Igreja deveria vir antes de tudo”. Leonardo Boff foi astuto. Respondeu “que, conforme as palavras de Jesus, as prostitutas gozam de precedências, no Reino dos Céus”. E citou a parábola de Jesus em Mateus 21.31, quando pregava no templo para os principais sacerdotes e os anciões do povo que davam respostas equivocadas as suas perguntas. (“Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus”).
Veja como a interpretação da palavra de Deus (Pai, Filho e Espírito Santo) pelas religiões cristãs do mundo está a merecer uma rediscussão a fim de chegar à unicidade e a verdadeira paz. Outro detalhe diferenciador das igrejas católicas e evangélicas: a primeira diz “a paz de Cristo!”. A segunda, para divergir, todavia dá no mesmo, proclama “a paz do Senhor!”. Chegou o momento fundamental de todos se entenderem que o reino desta vida também é de Deus, uno e indivisível. A paz é uma só. Outra grande atitude para melhorar o mundo já pregado e difundido pelo Papa Francisco é o diálogo das igrejas em favor da coletividade humana, sem o fermento da discórdia e do egoísmo na interpretação da palavra do Pai, do Filho e do Espírito Santo. “Quando dois ou mais estão reunidos em meu nome, estou presente no meio deles”. No mais, é deixar que Ele grave no senso trágico da brevidade humana os sinais de sua mensagem.
(*) Escritor
Nomes pitorescos de cidades brasileiras
Padre João Medeiros Filho
O Brasil é considerado um país continental, rico geográfica e culturalmente. Apesar do idioma único, há diversidade nos falares, expressões típicas e curiosa toponímia (com traços indígenas). O mapa é um inventário de palavras, despertando atenção, humor e poesia. Há cidades que lembram lendas, acontecimentos... Dentre centenas de topônimos, vale destacar pela originalidade: Varre-Sai (norte fluminense) e Passa e Fica (agreste potiguar). Contêm histórias, anedotas, folclore e o modo brasileiro de lidar com a linguagem oral, cheia de graça e criatividade. Situada na divisa com MG e ES, Varre-Sai é também conhecida pela produção de café. Sua denominação onomatopaica, surge de um fenômeno natural: os ventos fortes que varriam a região, antes da chegada de colonos italianos. Reza uma lenda que tropeiros, ao passarem pelo local, teriam dito que ali “o vento varria e saía levando tudo.” Daí a expressão “Varre-Sai”, batizando o lugarejo. “O vento gira para o sul e dobra para o norte, passando ao redor de tudo.” (Ecl 1,6).
A cerca de cem quilômetros de Natal, Passa e Fica é outro exemplo de imaginação popular aplicada à geografia. Fundada nos albores do século XX, a cidade montanhosa nasceu como ponto de parada para tangedores e comerciantes que atravessam o interior potiguar. Conta-se que no topo da serra havia uma pensão-bodega, onde os viajantes costumavam descansar. Certa vez, um deles teria dito ao dono: “Vou só passar.” O anfitrião respondeu: “Pois, passa e fica!” A expressão pegou. Quando o povoado virou município, o nome estava consolidado. Passa e Fica é síntese do acolhimento nordestino e humor de quem transforma uma conversa casual em identidade coletiva. Entretanto, o nome é paradoxal: passar e ficar são ações opostas. Mas, a linguagem popular é mestra em conciliar termos antagônicos. Em Passa e Fica, há um convite. Quem fica, quer levar adiante a história. “Deus confiou ao homem a gestão das criaturas.” (cf. Gn 1, 28).
Casos, como os supracitados, não são isolados. O Brasil contém nomes de municípios que poderiam figurar em um livro de história ou anedotário. Vejamos: Não Me Toque, Espumoso e Arroio dos Ratos (RS), Espera Feliz, Três Corações, Ponto Chique e Passa Tempo (MG), Fartura e Bofete (SP), Vai-Vem, Quijingue e Cacha-Pregos (BA), Chã de Alegria, Surubim e Solidão (PE), Puxinanã, Baía da Traição e Casserengue (PB), Coité do Noia, Porto Calvo e Boca da Mata (AL), Pau dos Ferros, [São Miguel do] Gostoso, Pureza, Encanto e Venha Ver (RN), dentre tantos. Tais nomes, longe de meras curiosidades, revelam a relação entre o homem, a língua e a terra. Nasceram de situações prosaicas, como uma fazenda, anedota, lenda, um rio, uma devoção religiosa... Entretanto, ao serem fixados como topônimos, ganham uma carga simbólica, fazendo da linguagem popular uma história oficial. “E o homem deu nome às coisas.” (Gn 2, 20).
O geógrafo Milton Santos dizia que o território é também um “sistema de significados”. Varre-Sai e Passa e Fica são mais que palavras no mapa. Tornam-se relatos condensados, pedaços da memória oral, transformados em geografia e registro histórico. Há quem veja nesses termos apenas exotismo ou folclore. No entanto, revelam sabedoria diante da vida. Espera Feliz, por exemplo, parece um conselho. Não Me Toque, um aviso que, segundo alguns, teria origem numa briga entre vizinhos. Passa e Fica e Varre-Sai lembram a vida interiorana, testemunha de idas e vindas, ventos e estradas, gente que passa, deixando um traço e lugares varrendo a poeira do tempo, mas preservando a memória.
Há um número razoável de nomes de origem popular, fruto da criatividade, oralidade e cultura sertaneja, dando ao Brasil um tom de crônica viva. Cada um deles é um pequeno conto. Varre-Sai fala do vento. Passa e Fica, da hospitalidade. Fartura, da esperança. Espera Feliz, do otimismo. Não Me Toque, da prudência etc. São expressões de uma imaginação coletiva, que transforma o cotidiano em história e poesia. Chorozinho (CE) lembra o choro dos índios, expulsos de suas terras. Trombudo (SC) vem de um rio sinuoso, como uma tromba. Nosso mapa é um mosaico onde humor, natureza e imaginação popular se misturam. “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas mãos.” (Sl 19/18,1).
O sentido do
tempo quaresmal
Padre João
Medeiros Filho
Na cultura hebraica, a
numerologia é habitual e plena de simbolismos. Não raro, a Igreja alimenta-se
liturgicamente de símbolos. Estes são abertos, enquanto a palavra linear é
fechada e, muitas vezes, limitada. O número quarenta aparece frequentemente na
Sagrada Escritura. Significa mudança, renovação, início etc. No catolicismo, a
quaresma consiste num período apropriado de reflexão, mudança, reinício e
purificação. Ela vai da Quarta-Feira de Cinzas até a Quinta-Feira Santa. Neste
ano de 2026, estende-se de 18 de fevereiro a 2 de abril.
A Bíblia narra que, nos
primórdios da humanidade, num espaço igual de tempo caíram chuvas copiosas,
causando um dilúvio (cf. Gn 7,17). Na ocasião, Noé valeu-se da Arca. Os infiéis
foram eliminados e firma-se um novo compromisso de Aliança com a humanidade,
representada por Noé e os seres vivos, cujas espécies estavam presentes na Arca
(cf. Gn 9,12). O número quarenta aparece em vários momentos da História da
Salvação. A travessia do povo hebreu pelo deserto – distanciando-se da
escravidão do Egito até chegar à Terra Prometida – aconteceu também durante
esse número de anos. Jesus jejuou no deserto idêntica quantidade de dias e
noites. Quarenta representa purificação, renovação,
conversão. Eis o motivo pelo qual tal número se liga igualmente à quaresma.
Somos
convidados a meditar sobre nosso destino e condição de filhos de Deus, no
período quaresmal. Durante esse ciclo litúrgico, a Igreja recorda-nos a marcha
do Povo de Deus, peregrinando em direção a Canaã. Portanto, a quaresma está
ligada também à caminhada. Como nos rituais do Antigo Testamento, ela
exorta-nos ao jejum e à conversão (em grego: metanóia). Na sociedade hodierna,
fala-se muito na linguagem administrativa, financeira e biomédica em cortar excessos.
Com o jejum deseja a Igreja que possamos ser capazes de suprimir as gorduras de
egoísmo, desamor, vaidade, violência e injustiça. Na sociedade atual de culto
ao corpo, malha-se muito. Inúmeras modalidades
de exercícios são praticadas e ensinadas. As cidades estão inundadas por
academias e clínicas de exercícios físicos. Jejuar inclui malhar espiritualmente,
eliminar os excessos nocivos ao ser humano para dar lugar ao encontro do Deus
Vivo.
A
quaresma marca também o êxodo do Povo de Deus em busca da Terra Prometida. A
partir daí, a Igreja chama a atenção sobre a nossa trajetória diária. E a
liturgia proporciona-nos um espaço e período anual a fim de realizarmos uma
viagem ao interior de nós mesmos. Assim, voltando ao que é verdadeiramente
nosso, possamos nos deparar com o que ali deixamos, encontrando-o renovado. Às
vezes, de volta à casa, depois de meses ou anos, muita coisa não existe mais.
Da mesma maneira, “o que
é velho” (Ef 4, 22), no dizer do apóstolo Paulo, deverá desaparecer para
dar lugar à (re)descoberta de Deus. Esse tempo privilegiado na vida cristã não
é apenas um período litúrgico, mas um momento ao longo de nossas vidas, em que
devemos retornar, com a ajuda da graça divina, ao nosso interior. E ali, é crucial
realizar o encontro com nossos erros e
virtudes.
A celebração quaresmal convida-nos
ao despojamento para um renascer. A cerimônia de cinzas significa o fim de tudo
o que nos afasta do Pai e de nós mesmos. É preciso reduzir a pó a mentira, o
egoísmo, a insensibilidade, em suma, erros, limitações e pecados, para que
possa ressurgir em nós o “homem novo”, que Cristo Jesus veio trazer ao mundo.
As cinzas traduzem simbolicamente nossa conversão, o queimar de nossos erros e
o brotar de novos planos. Lembremo-nos da mitologia em que Fênix renasce das
cinzas. Por isso deve aflorar em cada um de nós o desejo autêntico de escuta da
palavra de Deus. Caminhar ou viajar pode nos ensejar uma oportunidade de conviver
e dialogar. Eis uma das razões da inserção da Campanha da Fraternidade, durante
o tempo quaresmal. O Povo de Deus, em sua busca esperava ter uma pátria e
morada. Entende-se a razão pela qual a Igreja em 2026 colocou como tema da CF:
“Fraternidade e moradia”. Vale lembrar que um dia “o Verbo de Deus veio morar
entre nós” (Jo 1,14).
CASA ABANDONADA
Esta casa fica na Travessa Coronel João Gomes, no bairro do Barro Vermelho, construída onde, no passado, foi o sítio do meu avô, que deu nome à rua e travessa e, como primeiro morador, o Dr. Abílio Felix.
Está abandonada, pois seus atuais proprietários começaram uma reforma, não terminaram e deixaram sem muros.
Lá existe uma pequena piscina, com água poluída, verdadeiro criadouro de mosquitos, escorpiões e habitada por animais de rua que ali são depositados, sem respeito, obrigando os que residem na travessa a socorrê-los e prover de alimentos.
Os moradores do bairro já fizeram reclamações e denúncias; os órgãos de vigilância sanitária vieram e nada foi feito.
Vamos fazer alguma coisa proveitosa para sanar esse abuso, respeitando os animais, com adoção responsável.
"Uma viagem ao
expressivo Turismo Potiguar, e os reflexos positivos na Economia do RN ":
Inicio esta
viagem pelo turismo Potiguar, ressaltando a importância da capital Potiguar,
Natal, como destino turístico relevante e grandioso no turismo brasileiro e
internacional, às nossas belas praias oferecem atrativos expressivos com
destaque para a Praia do Forte e a Fortaleza dos Reis Magos, o Farol de Mãe
Luíza, que ressaltam aspectos importantes da nossa história, bem como, a Praia
de Ponta Negra e o morro do careca que encantam os Potiguares e os turistas que
nos visitam.
Natal possui
ainda, uma via costeira magnifica, com excelentes hotéis de nível
internacional, uma Escola de Hotelaria bem conceituada, uma rica gastronomia
com exuberantes restaurantes, belíssimas pousadas e chalés, e um variado
potencial no artesanato e nas artes como um todo, e ainda, Natal tem excelentes
equipamentos turísticos, com destaque para o novo Mercado da Redinha, a Ponte
Forte - Redinha, que liga a cidade do Natal
a todo litoral norte Potiguar e o novo Aeroporto Aluízio Alves em São Gonçalo
do Amarante, e também Natal tem no turismo cultural, o Complexo da Rampa( que remonta aspectos da
aviação e da segunda guerra mundial), bem como, nossa capital possui a Casa de
Câmara Cascudo aberta a visitantes, o Museu Câmara Cascudo, a sede da Academia Norte RIO-GRANDENSE De
letras, o Instituto Histórico e Geográfico do RN, o Parque da cidade, o Parque
das Dunas, dentre outros atrativos
artísticos, paisagísticos e culturais.
Continuamos nossa
viagem ao expressivo turismo Potiguar,
que tal qual uma locomotiva segue a todo vapor, em Natal encontramos ainda, o
Centro de Turismo de Natal em Petrópolis, o Memorial da Assembleia Legislativa
do RN, o Mercado de Petrópolis, com venda de livros, antiguidades, bares,
restaurantes, etc, além da capital espacial do Brasil ter inúmeros locais de
venda de artesanatos, notadamente, nas praias dos artistas e ponta negra.
Adentrando no
município de Parnamirim, e no litoral Potiguar, encontramos o cajueiro de
Pirangi, intitulado, o maior cajueiro do mundo, e ainda, as belas praias de Cotovelo e Pirangi, a base de lançamento de foguetes ( barreira do inferno),
que também faz parte da grandeza de
Parnamirim, e do seu cognome, como sendo a cidade "Trampolim da Vitória
", que remonta a história da aviação e da 2a.Guerra Mundial.
Destacamos também
no litoral sul potiguar as belezas naturais das praias de Búzios, Tabatinga,
Camurupim, Barreta, "PIPA"...com destaque internacional, Barra de
Cunhau, Sagi, dentre outras praias que possuem paisagens encantadoras e boa infraestrutura turística, com exuberantes
pousadas, chalés e hotéis de médio porte, além de significativos e primorosos bares e restaurantes.
No Litoral Norte Potiguar, destacamos a importância da BR 101 até Touros, que contribuiu significativamente para o crescimento do turismo naquele trecho do litoral Potiguar, com destaque para as praias de Genipabu, as lagoas, e as dunas com maravilhosos passeios de Buggy, no referido litoral norte encontramos ainda a beleza das Praias de Barra do Rio, Santa Rita, Graçandu, Pitangui e sua bela lagoa, praia de Jacuma, Muriu, Barra de Maxaranguape, Cabo de São Roque e seu charmoso Farol, e ainda, as belezas naturais das praias de Maracajau, pititinga, zumbi, Rio do Fogo, Praia de Carnaubinha ( pertencente a Touros e onde está localizado o resort Vila Gale de Touros, que fortalece o turismo Potiguar ), citamos ainda, a bela praia de perobas, e a encantadora e sensacional praia de touros, com destaque para o Farol do Calcanhar, um dos maiores da América Latina, ressaltamos também a encantadora Praia de São Miguel do Gostoso, com toda sua rica gastronomia e excelente Infraestrutura turística, incluindo ótimas pousadas, condomínios, hotéis, chalés e conceituados restaurantes, bem como, extraordinário local para a prática do esporte aquático denominado "Kitesurf", destacamos ainda a vizinha Praia do Marco com seu legado histórico e cultural relevante.
Realçamos
ainda no Litoral Norte Potiguar, a "Costa Branca", que vai de Macau
até Tibau em Mossoró, passando por relevantes
pontos turísticos como: Praia de Galinhos, Grossos, Areia Branca, As
Dunas do Rosado, Ponta do Mel, Upanema, São Cristóvão e a bela orla de Tibau,
com uma plêiade de memoráveis veranistas, uma espetacular infraestrutura
turística, e agora, um acontecimento transcorrido no final de janeiro de 2026
que revolucionou o turismo cultural daquela região, nos reportamos a
"FLITIBAU"(Primeiro Festival Literário de Tibau), que temos certeza
veio para ficar e fazer parte do calendário
turístico, cultural e artístico daquele importante polo da Costa Branca Potiguar.
Dando
prosseguimento a viagem turística Potiguar, encontramos o Turismo Religioso,
principalmente na cidade de Santa Cruz,
e o Santuário de Santa Rita de Cássia,
que está na iminência de receber o funcionamento pleno do tão aguardado
"Teleférico ",é público e notório que o potencial turístico de
santa cruz cresceu com a construção desta grandiosa Estátua de Santa
Rita de Cássia, que é a maior
imagem católica do mundo com 56 metros de altura. Destacamos
também no turismo religioso potiguar a importância do Santuário da Nossa
Senhora dos Impossíveis na Serra do Lima em Patu(RN ), e recentemente foi
inaugurado uma grande escultura de Santa Luzia, no Museu do Sertao em Mossoró,
notadamente na comunidade rural de Alagoinha, e que tem a frente seu
proprietário e curador, professor e
escritor Benedito Vasconcelos Mendes.
Agora vamos retratar um pouco as belas e
exuberantes Serras Potiguares, com destaque para as serras de Lagoa Nova, Cerro
Cora, Serra de São Bento, Serra de Martins, Portalegre, Monte das Gameleiras,
Patu, Serra de João do Vale (Jucurutu) e região de Passa e Fica(Pedra da Boca)
e o ponto mais alto que é a Serra do Coqueiro, no Município de Venha Ver, com 868 metros, todas serras elencadas com
belezas indescritíveis.
Merece
destaque também no Turismo Potiguar o "Seridó Geoparque Mundial ",
que foi reconhecido pela UNESCO como um Patrimônio Natural e Cultural,
engrandecendo o turismo daquela região, reconhecidamente nos Municípios de
Acari, Carnaúba dos Dantas, Cerro Cora, Currais Novos, Lagoa Nova e Parelhas.
Observamos
também no Turismo Potiguar a importância do "Sitio Arqueológico Lajedo da
Soledade", no município de Apodi(RN ), que é um conjunto de fendas e
grutas formadas por rocha calcária, com pinturas rupestres que possuem entre
3000 a 10000 anos de idade. Faz - se mister destacar também que em Apodi
encontramos o famoso Museu do Índio, um relevante equipamento turístico,
histórico e cultural que preserva a identidade e reúne artefatos de grupos
indígenas que viveram e vivem em Apodi e outras regiões do Estado do RN. Na
circunvizinhança encontramos os municípios de Severiano Melo e Itaú, que são conhecidos como a
"Terra do Caju"...e possuem uma forte tradição na produção de castanha de caju e doces
derivados, que fortalece a gastronomia Potiguar gerando e agregando um fator de
desenvolvimento ao turismo daquela região, como acontece em outras regiões do
nosso Estado, com a produção do Pastel de Tangará, a Ginga com Tapioca da
Redinha, o grude de Extremoz, e Mossoró, que é o coração da maior região produtora
e exportadora de melão do Brasil, impulsionando o turismo de negócios e eventos
técnicos, dentre outros atrativos gastronômicos que são motores econômicos que
desenvolvem o turismo Potiguar e são fontes motivadoras de viagens pelo mundo.
Portanto, o Rio Grande do Norte é um Estado com inúmeras potencialidades turísticas, em todas as regiões, desde os verdes canaviais de Ceará Mirim, que também tem o grandioso Museu do Cinema, o Turismo Rural, passando pelo museu da Shelita em Currais Novos, Barragens, lagoas, passeio de barco no Rio Potengi, o Teatro Alberto Maranhão, situado no bairro histórico da Ribeira em Natal e também o Teatro Sandoval Wanderley e ainda o Mercado do Peixe no bairro das Rocas na capital potiguar, etc.
Por último, destacamos que o Estado Potiguar é um celeiro de
imensas aptidões turísticas em todos os seus polos: Costa das Dunas, Costa
Branca, Polo Seridó, Polo Agreste/Trairi e Polo Serrano, ou seja, dos Engenhos
do Vale do Ceará Mirim, no Turismo Rural, no Turismo de Aventuras, no Turismo
Religioso, no Cultural, as serras, nas belas faixas litorâneas, nos museus e no
contexto geral aqui apresentado, encontramos no TURISMO uma INDÚSTRIA SEM
CHAMINÉ viva e pujante que reflete
positivamente na Economia Potiguar.
Autor: Magnus Regius, Escritor,
Advogado, Conciliador e Ex-Diretor da Associação de Pousadas e Chalés do
Litoral Potiguar.
Cartas de Cotovelo - Carnaverão 2026-Fev.
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, veranista
Todos os veraneios em
Cotovelo costumo escrever as minhas “Cartas”, dando conta dos acontecimentos do
cotidiano. Este ano, contudo, as coisas foram diferentes e sequer levei o meu
computador, limitando-me a rascunhar alguma coisa para imprimir ao chegar em
Natal.
A
propósito disso, ao tentar rascunhar algum texto senti o peso da dificuldade de
saúde que não me permitiu escrever, participar dos jogos caseiros e até de descer
à praia em nenhum momento do veraneio e, da mesma forma, nos dias de Carnaval
que, para mim, foram todos de “Quarta-Feira de Cinzas”.
Não vi nenhum dos meus
amigos, não visitei os confrades da PROMOVEC, sequer compareci à passagem do
Bloco da Cotovelada. Logo na segunda-feira retornei a Natal, com profunda
decepção e constrangimento para procurar ajuda médica.
Em
Natal, cerquei-me do computador e fiz uma limpeza em papéis colocados em seu
redor e encontrei os já referidos rascunhos e anotações, a maioria já publicados
no Blog do Miranda Gomes. Alguns, no entanto, não localizei publicação e vou
transcrevê-los, aqui e agora.
Com
o título de “Desafio”, escrevi:
Nossa vida caminha em águas, nem
sempre serenas ou ambientes verdejantes. Por mais que trabalhe para evitar os
percalços, sempre aparecem as pedras no caminho. Esse moído de prosa se nos
oferece por algo, possivelmente trivial para as pessoas, mas que, em mim,
pessoalmente, se apresenta como desafio. O fato é que, para aplacar a tristeza
e solidão que me perseguem desde algum tempo, debruço-me na prancheta para
fazer alguma pintura, pelo que já construí um acervo considerável, que ocupa todos os espaços do meu porto-solidão e, por isso, já estou ultimando um ateliê
que os abrigue com mais dignidade. Estou, quando a disposição me visita, completando
o livro das minhas memórias como testemunha do tempo vivido e, para isso, já
pedi socorro aos colegas escritores Thiago Gonzaga, Aluísio Azevedo e Osair Vasconcelos
para a necessária formatação, cujo lançamento, pretendo realizar através de
Abimael Silva [Sebo Vermelho] sozinho, ou com coeditores, ao mesmo tempo que
uma exposição das telas, que deverão ganhar novo destino. O lado emocional guardarei
comigo no quarto de exílio, de meditação e solidão, com a sombra do que antes ali
havia da minha produção, tal qual as fotografias dos familiares e amigos e,
certamente da minha sempre lembrada Therezinha, até que outras retomem o mesmo
lugar - se a velhice permitir esse feito. Este é o novo desafio. A vida depende
de luta e de coragem para vencer o caminhar. Enquanto isso, Cotovelo ficará como
uma fuga da realidade, uma forma de escape das mazelas que vão aparecendo,
tolhendo as minhas energias.
Outros
rascunhos vou aproveitando no livro, onde couber, lembrando uma anotação que
encontrei – não sei se é minha ou de algum prefácio que tenha feito, mas é
interessante repetir: Há livros que se encerram com a publicação, e há
livros que, como um rio, continuam.
O MORRO DOS VENTOS UIVANTES
POUCAS E BOAS CARNAVALESCAS