sábado, 13 de agosto de 2011

(EM HOMENAGEM AO DIA DOS PAIS)

Ensina a teu filho


FREI BETTO - Artigo - O Estado de S. Paulo

Ensina a teu filho que o Brasil tem jeito e que ele deve crescer feliz por ser brasileiro. Há neste país juízes justos, ainda que esta verdade soe como cacófato. Juízes que, como meu pai, nunca empregaram familiares, embora tivessem filhos advogados, jamais fizeram da função um meio de angariar mordomias e, isentos, deram ganho de causa também a pobres, contrariando patrões gananciosos ou empresas que se viram obrigadas a aprender que, para certos homens, a honra é inegociável.

Ensina a teu filho que neste país há políticos íntegros como Antônio Pinheiro, pai do jornalista Chico Pinheiro, que revelou na mídia seu contracheque de parlamentar e devolveu aos cofres públicos jetons de procedência duvidosa.

Saiba o teu filho que, no monolito preto do Banco Central, em Brasília, onde trabalham cerca de 3 mil pessoas, a maioria é honrada e, porque não é cega, indignada ante maracutaias de autoridades que deveriam primar pela ética no cargo que lhes foi confiado.

Ensina a teu filho que não ter talento esportivo ou rosto e corpo de modelo, e sentir-se feio diante dos padrões vigentes de beleza, não é motivo para ele perder a auto-estima. A felicidade não se compra nem é um troféu que se ganha vencendo a concorrência. Tece-se de valores e virtudes e desenha, em nossa existência, um sentido pelo qual vale a pena viver e morrer.

Ensina a teu filho que o Brasil possui dimensões continentais e as mais fertéis terras do planeta. Não se justifica, pois, tanta terra sem gente e tanta gente sem terra. Assim como a libertação dos escravos tardou, mas chegou, a reforma agrária haverá de se implantar. Tomara que regada com muito pouco sangue.

Saiba o teu filho que os sem-terra que ocupam áreas ociosas e prédios públicos são, hoje, chamados de "bandidos", como outrora a pecha caiu sobre Gandhi sentado nos trilhos das ferrovias inglesas e Luther King ocupando escolas vetadas aos negros.

Ensina a teu filho que pioneiros e profetas, de Jesus a Tiradentes, de Francisco de Assis a Nelson Mandela, são invariavelmente tratados, pela elite de seu tempo, como subversivos, malfeitores, visionários.

Ensina a teu filho que o Brasil é uma nação trabalhadora e criativa. Milhões de brasileiros levantam cedo todos os dias, comem aquém de suas necessidades e consomem a maior parcela de sua vida no trabalho, em troca de um salário que não lhes assegura sequer o acesso à casa própria. No entanto, essa gente é incapaz de furtar um lápis do escritório, um tijolo da obra, uma ferramenta da fábrica. Sente-se honrada por não descer ao ralo que nivela bandidos de colarinho branco com os pés-de-chinelo. É gente feita daquela matéria-prima dos lixeiros de Vitória que entregaram à polícia sacolas recheadas de dinheiro que assaltantes de banco haviam escondido numa caçamba.

Ensina teu filho a evitar a via preferencial dessa sociedade neoliberal que nos tenta incutir que ser consumidor é mais importante que ser cidadão, incensa quem esbanja fortuna e realça mais a estética que a ética.

Saiba o teu filho que o Brasil é a terra de índios que não se curvaram ao jugo português e de Zumbi, de Angelim e frei Caneca, de madre Joana Angélica e Anita Garibaldi, dom Hélder Câmara e Chico Mendes.

Ensina a teu filho que ele não precisa concordar com a desordem estabelecida e que será feliz se se unir àqueles que lutam por transformações sociais que tornem este país livre e justo. Então, ele transmitirá a teu neto o legado de tua sabedoria.

Ensina teu filho a votar com consciência e jamais ter nojo de política, pois quem age assim é governado por quem não tem e, se a maioria tiver a mesma reação, será o fim da democracia. Que o teu voto e o dele sejam em prol da justiça social e dos direitos dos brasileiros imerecidamente tão pobres e excluídos, por razões políticas, dos dons da vida.

Ensina a teu filho que a uma pessoa bastam o pão, o vinho e um grande amor. Cultiva nele os desejos do espírito. Saiba o teu filho escutar o silêncio, reverenciar as expressões de vida e deixar-se amar por Deus que o habita.
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Colaboração do leitor Didi Avelino





sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Homenagem prestada por PEDRO SIMÕES

Professor, Advogado e Escritor

O RN QUE VALE A PENA

IOLETE LACERDA talvez seja a mais antiga professora de Ceará-Mirim, ainda em atividade. Embora aposentada, é sempre requisitada pelos colegas para repassar-lhes a experiência de cinquenta anos de magistério ou ministrar aulas inaugurais ou ainda participar de painéis e eventos ligados à educação. Nascida em Ceará-Mirim, onde vive até hoje, deu o melhor de si na formação dos quadros dirigentes da sua cidade. É um exemplo, um paradigma, um modelo a ser seguido. Aqui, na nosso espaço, a ACLA lhe presta essa singela homenagem.

CEARÁ-MIRIM TEM JEITO!
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ECOS DA SOLENIDADE DA ACLA

PATRONOS/ACADÊMICOS


Cadeira n.1 – Nilo Pereira; Caio César Cruz Azevedo
Cadeira n.2 – Edgar Barbosa; Cléa Bezerra
Cadeira n. 3 – Juvenal Antunes; Paulo de Tarso
Cadeira n. 4 – Maria Madalena Antunes Pereira; Lúcia Helena Pereira
Cadeira n. 5 – Adelle de Oliveira; Ciro José Tavares
Cadeira n. 6 – Augusto Meira; Emmanuel Cavalcanti
Cadeira n. 7 – Rodolfo Garcia; (Reservado para Roberto Furtado)
Cadeira n. 8 – Júlio Magalhães de Sena; Gibson Machado
Cadeira n. 9 – Inácio Meira Pires; (Reservado para Múcio Vicente)
Cadeira n. 10 – Jayme Adour da Câmara;
Cadeira n. 11 – Padre Jorge O´Grady de Paiva; José de Anchieta Cavalcanti
Cadeira n. 12 – Elviro Carrilho da Fonseca;
Cadeira n. 13 – Herculano Bandeira de Melo;
Cadeira n. 14 – José Emidio Rodrigues Galhardo; Janilson Dias de Oliveira
Cadeira n. 15 – José Alcino Carneiro dos Anjos;
Cadeira n. 16 – Francisco Pereira Sobral;
Cadeira n. 17 – Etelvina Antunes Lemos; Sayonara Montenegro Rodrigues
Cadeira n. 18 – Antonio Glicério;
Cadeira n. 19 – Dolores Cavalcanti;
Cadeira n. 20 – Francisco de Salles Meira e Sá; Pedro Simões
Cadeira n. 21 – Anete Varela; Francisco de Assis Rodrigues
Cadeira n. 22 – Rafael Fernandes Sobral; Franklin Marinho de Queiroz
Cadeira n. 23 – José Pacheco Dantas; Leonor Soares
Cadeira n. 24 – Manuel Fabrício de Souza (Amarildo).
Cadeira n. 25 – Bartolomeu Correia de Melo; Ormuz Barbalho Simonetti


SÓCIO HONORÁRIO

Diógenes da Cunha Lima

SÓCIOS BENEMÉRITOS

José Sanderson Deodato Fernandes de Negreiros
Carlos Roberto de Miranda Gomes
Eduardo Gosson
Jansen Leiros Ferreira

SÓCIOS CORRESPONDENTES

Maria Conceição da Câmara (Ceicinha) - Portugal/ Vila do Bispo
Geraldo Pereira – Pernambuco/Recife
Hamilton de Sá Dantas – Brasilia/DF

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

11 DE AGOSTO - FUNDAÇÃO DOS CURSOS JURÍDICOS NO BRASIL - DIA DOS ADVOGADOS

Em homenagem a esta data histórica, a Ordem dos advogados do Brasil, Seção do Rio Grande do Norte e a Câmara Municipal de Natal realizarão sessões especiais comemorativas.

No ensejo, faço presente neste blog uma mensagem particular, afirmando que cerca nossa memória as palavras de um grande causídico, PRADO KELLY, quando proclamou sobre os advogados:

“TRIBUNAIS DE ONDE DESERTEM SERÃO MENOS O TEMPLO DO QUE O TÚMULO DA JUSTIÇA.”

A ideia central da valorização dos profissionais do Direito nasceu com a criação dos cursos jurídicos em 11 de agosto de 1827, gesto que permitiu o surgimento de ideais corporativistas, à imagem da Ordre des Avocats da França, berço cultural dos bacharéis do Brasil.

A data de 11 de agosto, por conseguinte, foi escolhida para comemorar essa grande iniciativa, considerada como O Dia do Advogado, consagrando as forças do primitivo ideal do Parlamento do Império – alforriar, além da independência política que fora conquistada, também a liberdade intelectual, através dos Cursos de Direito de Olinda, Recife e São Paulo, como verdadeira Carta Magna, que nos ofereceram os sempre lembrados Bacharéis Teixeira de Freitas, José de Alencar, Castro Alves, Tobias Barreto, Ruy Barbosa, o Barão do Rio Branco, Joaquim Nabuco, Fagundes Varella, Miguel Seabra Fagundes, dentre tantos.

Sob a influência da Revolução de 1930 foi criada a Ordem dos Advogados do Brasil, que teve como primeiro presidente o advogado Levi Carneiro, o qual a comandou por muito tempo, tendo por instrumento primeiro o Decreto nº 19.408, de 18 de novembro de 1930.

Hoje, sob o comando do Estatuto da Advocacia e da OAB, aprovado pela Lei nº 8.906, de 04 de julho de 1994, vêm sendo mantidos os mesmos propósitos dos fundadores, cujos fins estão assim marcados:

Art. 44. A Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, serviço público, dotada de personalidade jurídica e forma federativa, tem por finalidade:

I – defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado democrático de direito, os direitos humanos, a justiça social, e pugnar pela boa aplicação das leis, pela rápida administração da justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas; II – promover, com exclusividade, a representação, a defesa, a seleção e a disciplina dos advogados em toda a República Federativa do Brasil.

O Rio Grande do Norte foi um dos primeiros Estados a criar a sua Seccional, partindo da idéia do consagrado jurista Hemetério Fernandes Raposo de Mello, nos idos de 1932, o que se concretizou em 22 de outubro do mesmo ano, por onde passaram figuras das mais ilustres da nossa história, desde o seu Primeiro Presidente Francisco Ivo Cavalcanti, até o atual comandante Paulo Teixeira.

Assim, ‘gratidão’ é a sensação de saber que se recebeu algo muito precioso, é aquilo que sentimos dentro do nosso íntimo, como se nossa alma abrisse um sorriso interno, muito gostoso. Por isso, precisamos HONRAR A HOMENAGEM RECEBIDA, o que registro com as expressões seguintes:

OUVIRAM DO IPIRANDA ÀS MARGENS PLÁCIDAS

DE UM POVO HERÓICO O BRADO RETUMBANTE,

E O SOL DA LIBERDADE, EM RÁIOS FÚLGIDOS,

BRILHOU NO CÉU DA PÁTRIA NESSE INSTANTE.



Ó PÁTRIA AMADA, IDOLATRADA, SALVE!


SALVE-SE das torturas legalizadas nos tribunais de exceção;

Da conduta vesga dos poderosos de plantão;

Do desvio da noção exata da história;

Da coisificação do homem.


Hoje a festa é dos Advogados, da Democracia e dos Direitos Humanos.

OBRIGADO.

Carlos Roberto de Miranda Gomes - Membro Honorário Vitalício da OAB/RN
INSTALAÇÃO DA ACLA - ACADEMIA CEARAMIRINENSE DE LETRAS E ARTES

Foi uma noite histórica, com a presença de intelectuais, autoridades e do povo de Ceará-Mirim, tudo conduzido magistralmente pelo Presidente Pedro Simões Neto, que proferiu, de improviso, um discurso que marcará definitivamente o evento, rememorando a terra dos canaviais e sua gente.
A sessão foi aberta pelo escritor Diógenes da Cunha Lima, Presidente da ANRL, que transferiu o seu comando ao Presidentge Pedros Simões Neto.
Muitos homenageados e, ao final, a execução do hino do Município, cantado com entusiasmo contagiante. PARABÉNS.
Aproveito para apresentar os meus agradecimentos pela outorga do título de Sócio Benemérito, o que muito me engrandece e orgulha.


Cultuo a idéia de que uma homenagem como esta não deve ter a simploriedade de apenas um muito obrigado. Seu significado é bem maior, pois engrandecido pelo chão sagrado da terra dos canaviais, berço de história e de cultura, que enobrece, não apenas os seus conterrâneos, mas todos aqueles que apreciam a beleza, a literatura e a arte, na placidez deste vale.

Cerca nossa memória os meninos do Ceará-Mirim, que se entrelaçaram na contemporaneidade e na cultura – EDGAR BARBOSA e NILO PEREIRA, quando dizia o primeiro: “Ninguém permanece vivendo mais o Ceará-Mirim do que Nilo – o menino que o descreveu entre sonhando e sorrindo já se descobre desde as primeiras linhas – no seu livro “Imagens” de Ceará-Mirim”. Nilo, por sua vez, não faz por menos, confirma o amigo com a bela alegoria: “Menino é aquele que cresce no adulto, a vida o levou por longas terras, a cumprir o seu destino. Mas ele volta sempre: e voltar é ver de novo”.

Ambos contaram e cantaram a mesma terra-berço. Vê-se, assim, que Edgar está em Nilo e Nilo em Edgar, caminhos que se cruzaram num tempo, corpos que se separaram em outro e se reencontraram na grandeza da eternidade.

O mesmo diria dos outros Patronos desta Academia de Cultura, desde ADELLE DE OLIVEIRA, a professora daqueles meninos, até o último que RECENTEMENTE se encantou – BARTOLOMEU CORREIA DE MELO, cujos perfis serão traçados doravante pelos intelectuais que honram suas cadeiras.

Cadeira n.1 – Nilo Pereira;
]Cadeira n.2 – Edgar Barbosa; 
Cadeira n. 3 – Juvenal Antunes; 
Cadeira n. 4 – Maria Madalena Antunes Pereira; 
Cadeira n. 5 – Adelle de Oliveira;
Cadeira n. 6 – Augusto Meira; 
Cadeira n. 7 – Rodolfo Garcia; 
Cadeira n. 8 – Júlio Magalhães de Sena; 
Cadeira n. 9 – Inácio Meira Pires; 
Cadeira n. 10 – Jayme Adour da Câmara; 
Cadeira n. 11 – Padre Jorge O´Grady de Paiva; 
Cadeira n. 12 – Elviro Carrilho da Fonseca; 
Cadeira n. 13 – Herculano Bandeira de Melo; 
Cadeira n.14 – José Emidio Rodrigues Galhardo; 
Cadeira n. 15 – José Alcino Carneiro dos Anjos; 
Cadeira n. 16 – Francisco Pereira Sobral; 
Cadeira n. 17 – Etelvina Antunes Lemos; 
Cadeira n. 18 – Antonio Glicério; 
Cadeira n. 19 – Dolores Cavalcanti; 
Cadeira n. 20 – Francisco de Salles Meira e Sá; 
Cadeira n. 21 – Anete Varela; 
Cadeira n. 22 – Rafael Fernandes Sobral;
Cadeira n. 23 – José Pacheco Dantas; 
Cadeira n. 24 – Manuel Fabrício de Souza (Amarildo);
Cadeira n. 25 – Bartolomeu Correia de Melo.

Assim, ‘gratidão’ é a sensação de saber que se recebeu algo muito precioso, é aquilo que sentimos dentro do nosso íntimo, como se nossa alma abrisse um sorriso interno, muito gostoso. Por isso, precisamos HONRAR O QUE FOI RECEBIDO.

AGRADECER TAMBÉM É UM ATO DE AMOR. É um sentimento que traz junto de si uma série de outros sentimentos: ternura, fidelidade, amizade, cumplicidade

É importante não confundir gratidão com atitudes de lisonja ou bajulação, pois não há hierarquias na gratidão e não há diferenças.

Quem não ama (seja que tipo de amor for: de pai, de mãe, de irmão, de namorado ou esposa, de amigo) não é grato. Quem não ama não é aquele que odeia, mas sim aquele que ignora, que é indiferente. A falta de gratidão é resultado da incapacidade de dar e por isso mesmo está ligada ao egoísmo e à insensibilidade, afinal agradecer é dar, é dividir.

A gratidão não nos tira nada, ela é um dom de troca, é amor puro e verdadeiro e por isso ela se aproxima tanto da caridade, que acrescenta bondade ao espírito, como algo incondicional.

Enfim, a gratidão é um mistério, não pelo prazer que temos com ela, mas pelo obstáculo que com ela vencemos. É a mais agradável das virtudes, e o mais virtuoso dos prazeres. A gratidão é, definitivamente, o caminho para trazer mais para sua vida, pois tudo em que pensar e agradecer será trazido a você. OBRIGADO. (CRMG)

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

domingo, 7 de agosto de 2011


ELE e ELAS na poesia potiguar


BALADA DA RESSUREIÇÃO



Ciro José Tavares


“ir aos poucos subindo, subindo
Até encontrar a boca
E escutar num arpejo o universo parar
Na síncope de um beijo.”
Menotti Del Picchia, in Máscaras

Ressuscitar, mulher, é redescobrir o amor.
Primeiro abraço apertado partindo a lâmina de gelo
Que afoga receios e abre algemas do passado.
Depois deixar que livres, mãos pousem no teu colo
e despida a blusa dedos agitados corram
nos teus seios como rios caudalosos.
Estarás pronta, afinal, para sentir
no teu corpo o calor do amado que te cobre
entre beijos loucos e gemidos vindos da garganta.
Não escutarás sequer as palavras incompreensíveis
Atropeladas pelas nossas vozes convulsivas.
Mas eu ouvirei teu grito lancinante
no momento do encontro do êxtase divino,
e no silêncio posterior o compasso da respiração.
Como lençol diáfano a paz virá sobre teu leito
Para embalar o sono construindo, sonhos
Fênix renascida, mulher redescoberta.
***


VOLTANDO
Daisy Maria Gonçalves Leite

Ontem...
Voltei ao passado
Cantei e escutei cantar
Versos que lá estavam guardados
Foi como se estes dez anos
Não nos houvessem separados
Vasculhei todas lembranças
No baú das minhas recordações
Com os olhos marejando de lágrimas
Curvei-me ante o altar
Das minhas ilusões
Baixinho, bem baixinho murmurei
Sou eu, eu que estou voltando
Venho buscar mais uma ilusão
Pois continuo amando!...

***

Trama
JANIA SOUZA

Na boca da noite
o vulto do tempo
impõe seus dogmas.
Senhor feudal do universo
tiraniza a vassalagem humana
subjugando-a com invisíveis grilhões
que acorrentam fortemente a verdade,
esposa dedicada
da sabedoria, viajante anelada
nas asas da esperança.
Na boca da noite
o vulto do tempo
descobre-se... e encobre-se
feito gatuno sorrateiro
funde-se na escuridão
violando-a cinicamente
ao embrenhar-se no manto
da silenciosa noite.
Talvez, seu intuito seja o de fingir
que não intervém no círculo vicioso
do poder, que emana
da fétida escória humana...
Na boca da noite
o vulto do tempo.