quarta-feira, 14 de outubro de 2026

 

Carta de Saudade

A Páscoa definitiva do amigo BENIVALDO ALVES DE AZEVEDO

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

Carnaval de fevereiro de 1954

 

No café desta quarta-feira 14, como de costume, leio a Tribuna do Norte e, desavisadamente vejo a manchete “Morre aos 87 anos o ex-secretário Benivaldo Alves de Azevedo”. Um susto, as lembranças, a saudade e as lágrimas.

Benivaldo, carinhosamente chamado de “Beninha”, morador da rua Olinto Meira, como, também, Marcelo Moura, formávamos um trio de bons amigos. Cinema, peladas, praia e outras aventuras de jovens de 15 anos. Passeios de bicicleta, numa fraterna harmonia, fizeram parte da nossa adolescência até que a idade chegou para a definição do futuro. Eu e Marcelo ingressamos no mundo jurídico e Benivaldo no da Economia, fazendo parte da equipe precursora da SUDENE e da liderança de Geraldo Melo.

Marcelo morreu mais cedo e os sobreviventes continuaram a sua caminhada até os pruridos dos anos 60, quando os caminhos se separaram, eis que fui servir ao Exército e Beninha foi na busca do seu futuro.

Encontros eventuais, pois as profissões e a vida familiar nos levaram para outras estradas. No entanto, da convivência juvenil sólida, a amizade nunca acabou e o interesse pelo caminhar de cada um sempre foi acompanhada com interesse. Numa percebi a sua idade, senão agora, que vejo coincidir com a minha.

Sempre torci pelo progresso dos amigos e, quando sabia da ascensão de cada um deles, ficava feliz.

Segundo relato da Tribuna do Norte•14 de outubro de 2026 - ”Benivaldo Alves Azevedo tinha 87 anos. O ex-secretário de Indústria e Comércio do Rio Grande do Norte Benivaldo Alves de Azevedo morreu nesta terça-feira (13), aos 87 anos. A causa da morte não foi informada. Ele também foi secretário municipal de Finanças de Natal e ocupou cargos no governo federal, incluindo o de secretário-executivo do Ministério da Agricultura e funções de liderança no Ministério da Integração Nacional.

A morte foi lamentada por familiares, amigos e instituições com as quais Benivaldo trabalhou ao longo da carreira. A irmã dele, Iracy Azevedo, publicou uma mensagem de despedida na qual destacou a dor da perda e os laços construídos ao longo da vida.

“É difícil encontrar palavras para descrever a dor de perder alguém que faz parte da nossa história, das nossas lembranças e da nossa vida”, escreveu.

Na mensagem, Iracy também expressou sua fé diante da perda do irmão. “Eu não morro, entro na vida” e afirmou encontrar forças na crença de que a morte não representa o fim, mas o início da vida eterna ao lado de Deus.

O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE/RN) Paulo Roberto Alves, que também atuou como secretário durante o governo de Garibaldi Alves Filho, manifestou pesar pela morte do ex-gestor. Paulo Roberto destacou a contribuição de Benivaldo para a administração pública e para o desenvolvimento econômico do estado, tanto na atividade empresarial quanto na indústria e na pecuária.

“Benivaldo foi um homem de experiência, visão empreendedora e compromisso com o trabalho”, afirmou Paulo Roberto.

Benivaldo Alves de Azevedo também atuou na Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN) e na Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O presidente da FIERN, Roberto Serquiz, também lamentou o falecimento do ex-gestor. Em nota, a FIERN destacou a contribuição de Benivaldo para a instituição e para o Sistema Indústria.”

A foto de Alex Régis, que inaugura a reportagem, deixou distante aquela cabeleira exuberante, que gerou o convite de Felinto Rodrigues (o pai) para integrar o elenco de um filme denominado “Filhos da rua”, que não passou dos primeiros estudos, mas as fotos de Beninha foram usadas em flagrantes diferentes para atrair interesse para o empreendimento.

Não fui ao seu velório, pois só tomei conhecimento hoje, dia 14. Contudo, garanto que sua alma será parte do elenco das minhas orações diárias.

Que o Criador o receba em sua Mansão Celestial. Eu continuo nesta dimensão da existência, mentalmente íntegro, mas num corpo bastante desgastado, aguardando a ordem de retorno para encontrar outros tantos amigos, em particular Marcelo Moura, Edmilson Avelino, José Correia de Azevedo, Odúlio Botelho Medeiros, José Augusto Costa Neto e outros que adornaram a minha vida durante um bom período da caminhada.

 

Dia Nacional do Fisioterapeuta

Monsenhor João Medeiros Filho

“Não sois máquinas! Homens é que sois!”. Afirmou Charles Chaplin, perorando um discurso no filme “O Grande Ditador”, lançado em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial. Pronunciada num contexto bélico, a frase, no entanto, é metafórica e poderá ser aplicada em diversos momentos e situações. Cresce o avanço tecnológico, invadindo os diversos ramos da ciência, inclusive os voltados para a saúde. Segundo Hipócrates de Cós (460-370 A.C), a Medicina tem como fundamento a “kliné” (clínica), termo derivado de “klinein” (em grego: inclinar-se, debruçar-se, tocar). Pouco a pouco, ela vai sendo tomada pelas máquinas.

Os hospitais atualmente são verdadeiros arsenais de equipamentos de avançada tecnologia. Isso faz lembrar Dr. Celso Matias de Almeida. Repetia nas reuniões dos colegiados universitários e para os alunos da graduação médica na UFRN (onde lecionou fisiologia e semiologia médica) a lapidar frase: “As melhores sondas ultrassonográficas são os nossos dedos.” Com tais palavras o grande médico ressaltava a primazia do humano sobre o tecnológico.  Até hoje, repercute entre seus numerosos ex-alunos a fama de protagonista de uma Medicina humanizada.

Pela Lei 13.084/2015 criou-se o Dia Nacional do Fisioterapeuta, profissão regulamentada pelo Decreto-Lei nº 938, de 13 de outubro de 1969. Tal profissão integra a área de saúde. E como tal, está sofrendo também o domínio da tecnologização, em detrimento do salutar relacionamento humanizado. Pouco a pouco, celebra-se o réquiem do diálogo paciente-terapeuta. Em seu lugar, entronizam-se os instrumentos eletrônicos, mecânicos... como recursos terapêuticos. Enquanto isso, os profissionais aceitam o papel de espectador e dependente das máquinas. A Fisioterapia, ao lado da Cinesiologia, busca manter e maximizar a capacidade funcional e a mobilidade do ser humano. Para tanto requer toque físico (sobretudo das mãos), orientado corretamente no momento preciso.

Durante anos, fui cético quanto à eficácia de certos tratamentos de saúde. Creio que tanto a Medicina, quanto a Fisioterapia, foram concebidas para serem humanizadas. Não somos simples peças de uma engrenagem social. É preciso ouvir, dialogar, tocar para identificar a face da dor, o tamanho e a origem do sofrimento e o que poderá amenizá-lo ou neutralizá-lo. Padeci de terapias grupais, em que, por vezes, o paciente representa apenas um número ou dado financeiro. Oxalá, a Fisioterapia cumpra sua missão indispensável no tratamento. Outrora, analgésicos, anti-inflamatórios, infiltrações, pomadas e sessões fisioterápicas com aparelhos fizeram parte da minha rotina. Mas, há pacientes que necessitam de contato físico. “Estes transmitem também a energia de quem cura”, segundo a Medicina Oriental. Cristo tocava os enfermos (cf. Mt 8, 13; Mc 1, 40; Lc 4, 40 etc.). Com uma mente cartesiana, duvidei de vários tratamentos, durante anos. Fui convencido e convertido, quando um fisioterapeuta me demonstrou por seu testemunho que toda terapia é uma realidade dialogal e interativa.

Insisto sobre o que escrevi em artigo anterior: as técnicas importam na reabilitação. Entretanto, elas pouco valem sem o convencimento de quem as recebe ou o amor, carinho e dedicação de quem as aplica. Neste Dia Nacional do Fisioterapeuta, gostaria de parabenizar Daliany Guimarães e outros profissionais, os quais procuraram me ajudar. Meus cumprimentos e reconhecimento especial ao Prof. Dr. Gildásio Lucas de Lucena, que trata de meu corpo como “templo de Deus”. “Não sabeis que vosso corpo é santuário daquele que habita em vós?” (1Cor 6,19). Minha gratidão pelo seu zelo, empenho, paciência e compreensão comigo, sobretudo por me ter entendido, conseguindo anular minha rebeldia. Fica a lição bíblica: “Por mais que alguém seja perfeito, dentre os mortais, se faltar a Sabedoria de Deus, nada conseguirá” (Sb 9, 6).