terça-feira, 8 de junho de 2021

 

Sempre mascarado
O poetinha Vinícius de Moraes (1913-1980) certa vez disse: “A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. Acho que nunca houve tanto desencontro na vida como tem havido durante esta pandemia. Desencontro com a verdade em forma de fake news. Desencontro negacionista com a ciência. Desencontro com as vacinas. Desencontro/discórdia entre as pessoas. Desencontro/distância entre amigos e familiares, sobretudo os mais idosos. Desencontro com a vida, com tantas pessoas queridas nos deixando. Tristes tempos.
De toda sorte, aqui e acolá, surgem uns causos curiosos, quiçá engraçados. Aconteceu com um amigo nosso. Não vou contar o nome do santo, porque é pessoa conhecida na paróquia, e a revelação dos envolvidos (há uma envolvida, já ia me esquecendo) pode me causar mais problemas do que simpatia. Boca não diz nomes ou apelidos.
O fato – e tenho por verdadeiro, já que atestado parte de ciência própria e o restante por ouvir dizer – é que este amigo passou por várias fases na pandemia. Começou assustado, fazendo serões de home office, saindo pouquíssimo de casa e tomando banhos de álcool gel. Mas a sua obsessão mesmo era/é a máscara: usava até para dormir, acompanhado ou sozinho, acreditem. E ele aguentou tudo isso bravamente uns bons meses. Quem não aguentou foi a sua ex-companheira, que foi viver com um primo querido (como é bom a gente ver as famílias “unidas” novamente). Até essa circunstância nosso amigo aguentou resilientemente. Segundo ele, estar sozinho diminuiria o risco de exposição ao vírus (o que tem lógica, ao menos na terra redonda). Foi um Cândido, a orgulhar o professor Pangloss e confirmar Voltaire (1694-1778).
Com o abandono (que ele via positivamente, pelo lado sanitário, frise-se), naturalmente começou a paquerar pela Internet. Visitava tudo o que é rede social. E nem para isso tirava a máscara (e aqui eu não entendo a razão, uma vez que ele estava sozinho no seu apartamento que beirava a esterilização). A princípio, disse que cumpria protocolos, sozinho ou não. Não era hipócrita (Oi?). Mas, depois, me confessou a verdadeira razão: “desabonitado”, segundo suas próprias palavras, ele viu que tinha mais sucesso nas paqueras virtuais quando se apresentava com a sua N95. Virava “japonês”, concorria em igualdade de condições. Ainda admiro essa tendência dele de ver o lado bom de tudo. E, reconheçamos, aqui ele tem certa razão. Na noite, ao vivo ou no Facebook, a gente concorre com as armas que tem.
Conheceu algumas moças (e outras não tão moças assim), mascaradas ou não. Meninas do Brasil e até de além-mar. Mas uma mascarada da terrinha (é sempre melhor casar com a filha do vizinho) tocou o seu coração em especial. Gente conhecida também, que ainda me escuso a revelar o nome. E essa paixão, que antigamente se dizia “platônica”, mas hoje é melhor dizer “virtual”, durou semanas. Embora não se vendo pessoalmente (segurança sanitária acima de tudo), diziam ter compromisso. Coisa “firme”. Seja lá o que esse termo hoje signifique.
Mas, dia desses, vacinado com a primeira dose da Pfizer (e essa marca ele resolveu usar como arma de conquista), atendeu à ideia de um amigo de caírem na noite. Uma festinha, meio clandestina, mas que cumpriria protocolos (eu não sei como isso é possível). De amigos, quer bons, quer maus, é necessário se defender, já alertava Rudyard Kipling (1865-1936).
E a vida prega peças. Sua “namorada firme” tinha tido a mesma ideia. Mesma “festa estranha, com gente esquisita”. E mesma N95, com a qual tentavam impressionar. Eles bateram os santos, ou as máscaras. Quem da Legião “um dia irá dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo coração?”. E, como à noite todos os gatos são pardos, imaginem se mascarados, só se identificaram um ao outro quando, aconchegados, o sinal já avançado, trocaram WhatsApp e Facebook. Aí foi um furdunço, dizem, entre tapas e sem beijos.
Até hoje não sei se eles tiveram um encontro ou um desencontro. Se um traiu o outro ou se se traíram mutuamente. Os mais chegados tentaram fazer piadas. Mas o nosso amigo não deixou cair a fantasia. Disse: “Estávamos de máscaras. Podia ser pior”. Voltaire é tudo. E segurança sanitária ainda mais.
Marcelo Alves Dias de Souza
Procurador Regional da República
Doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL
1

quinta-feira, 3 de junho de 2021

 


E “LA NAVE VA”. PARA ONDE NINGUÉM SABE

Tomislav R. Femenick – Mestre em economia, com extensão em sociologia

 

Nos tempos em que vivemos, a realidade supera todos os conceitos estabelecidos pela ciência. Tomemos só dois exemplos: o governo federal se impõe sobre o senso comum e o senso cientifico, ao dizer que a cloroquina cura; um físico italiano, Carlo Rovelli, afirma de pés juntos que o tempo não existe. Isso nos leva a um caos que dá um nó na cabeça de todos, situação em que só as teorias de ponta podem nos salvar.

Vamos à ciência. Paralelamente aos estudos que culminaram com a teoria do caos, outras pesquisas “culminaram na formulação da mecânica quântica na segunda metade da década de 1920 [...], quando Max Planck logrou explicar, através de uma hipótese que a ele próprio repugnava, o espectro de radiação do corpo negro” – não confundir com buraco negro (CHIBENI, s.d.).

Esse novo ramo da física, a mecânica quântica, basicamente estuda sistemas (na física, sistema é uma parte da realidade escolhida como objeto de estudo) que estão em escala atômica ou lhe são inferiores: moléculas, átomos, prótons, elétrons, nêutrons e demais partículas subatômicas. Sua aplicação prática está relacionada, por exemplo, aos estudos da superfluidez e da supercondutividade, para o que os instrumentos usados pela física tradicional se mostram inapropriados. Quando um fenômeno exige a aplicação dos conceitos da mecânica quântica, é porque esse evento tem as características do que se convencionou de chamar de “momento angular” de ação.

Ao introduzir o conceito da imprevisibilidade ou do acaso, a mecânica quântica substituiu o determinismo científico por uma visão probabilística da natureza, entendendo que a matéria é uma consequência física de um estado que precede a outro estado. Para a mecânica quântica não há movimentos estáticos e lineares, todos os movimentos podem ser dinâmicos, inesperados e incertos. Em síntese, a mecânica quântica trabalha com elementos imprevisíveis, para evidenciar probabilidades. E como, na realidade brasileira!

Partindo do princípio de que as ciências interagem entre si, a mecânica quântica terminou por fazer surgir um novo ramo da matemática. Tradicionalmente essa é uma ciência que trabalha com quantidades mensuráveis – absolutas, relativas, geométricas ou topológicas –, usando fórmulas, equações, teoremas e funções como instrumentos de suas análises e constatações, empregando números reais ou números complexos (assim chamados os números que têm um determinante imaginário). Foi nas “análises funcionais”, aquelas que tratam de dimensões e espaços imensuráveis, que a mecânica quântica foi buscar o ferramental necessário para a sua formulação teórica.

A nova visão da matemática incorporou os estudos dos chamados grupos quânticos. Porém, Hakon et al (1999) afirmam que “não há uma definição satisfatória universalmente reconhecida do que seja um grupo quântico. Todas as propostas em vigor sugerem a ideia de deformação de um objeto clássico, que pode ser, por exemplo, um grupo algébrico, ou um grupo de Lie [Álgebra de Lie é uma estrutura algébrica usada como ferramenta para o estudo das rotações infinitesimais]. E em todas as propostas os objetos deformados perdem as propriedades de grupo: assim, ‘grupos’ quânticos não são grupos. O que sempre se procura preservar nas deformações é o entendimento das diversas representações que os objetos admitem”.

A matemática quântica faz uso da análise, geometria, topologia e álgebra com funções não lineares, trabalhando com elementos imprevisíveis para demonstrar possibilidades de resultados, isso é, resultados possíveis. Embora inicialmente contestada, hoje a mecânica quântica é amplamente aceita, depois que seu posicionamento teórico se comprovou correto. Em síntese, a matemática quântica trabalha com elementos imprevisíveis, para detectar probabilidades.

Viram como o mundo está difícil de entender? Pois bem, o Brasil está mais ainda. O presidente da República desrespeita as recomendações do seu ministro da Saúde, uma CPI do Parlamento transforma-se em um circo de horrores e um general agride o Regimento do Exército. E “la nave va”. Não se sabe para onde.

 

Tribuna do Norte. Natal, 02 jun. 2021.

 





 

A solenidade de “Corpus Christi”

Padre João Medeiros Filho

A festividade de “Corpus Christi” (Corpo de Cristo) é celebrada sessenta dias após o domingo da Páscoa. Foi instituída pelo Papa Urbano IV, por meio da Bula “Transiturus”, em 8 de setembro de 1264. Na época, o Sumo Pontífice tomou conhecimento de que a freira belga Juliana Mont de Cornillon, da diocese de Liège, tinha visões de Jesus pedindo-lhe uma festa litúrgica anual em honra do Santíssimo Sacramento. Outro motivo influenciou a decisão de Sua Santidade. De acordo com relatos eclesiásticos, Padre Pedro (da diocese de Praga) tinha, em alguns momentos, dúvidas sobre a presença de Cristo na Hóstia Consagrada. Voltando de Roma para a Tchecoslováquia, o aludido sacerdote foi celebrar na cripta de Santa Cristina, em Bolsena (Itália). Ali, aconteceu algo miraculoso. Durante a elevação, começaram a cair gotas de sangue sobre o altar e o corporal. Este foi levado para a Catedral de Orvieto, onde é conservado até hoje.

A Eucaristia é a prova permanente da doação plena de Deus, ternura do Pai, abraço divino que nos é reservado, beijo do Eterno, que no silêncio do Pão da Vida mostra-nos seu amor e perdão. Eis o “Tão Sublime Sacramento”, segundo o poema de Santo Tomás de Aquino, continuidade da presença celestial temporalizada na Encarnação. Cristo quis se unir à humanidade. E esta, a partir de então, passa a ter um valor transcendente. O ser humano torna-se sacrário de Cristo!  A fragilidade assumida pelo Verbo Encarnado é elevada no Sacramento Eucarístico. Os contemporâneos de Jesus, ao ouvirem do Mestre que haveriam de comer a sua carne e beber o seu sangue, consideraram duras demais as suas palavras (cf. Jo 6, 53-60). E, não querendo aceitá-las, foram se retirando. Cristo questiona, então, os apóstolos: “Não quereis também vós partir?” Pedro respondeu-lhe: “A quem iremos, Senhor? Só Tu tens palavras de vida eterna.” (Jo 6, 68-69). A Encarnação é, sem dúvida, um gesto inefável do amor de Cristo. Mas, Ele quis ir além, culminando com a Eucaristia. Graças à fé, podemos sentir essa teofania de Jesus, concedida por Deus a seus filhos diletos.

O Pão Eucarístico perpetua também os ensinamentos do Divino Mestre. Primeiramente, dá-nos a lição de humildade e serviço. “Com efeito, o que entre vós for o menor, esse é o maior.” (Lc 9, 48). Na Hóstia, o Filho de Deus faz-se pequeno para caber em nosso coração. Nesse mistério sacramental, o Senhor deixa-nos o legado da verdadeira fraternidade. Torna-se alimento igual para todos: pobres e ricos, santos e pecadores. Ele ajuda-nos a compreender o perdão. É difícil perdoar, pois ultrapassa o entendimento e a lógica humana. No Pão Sagrado, o Redentor nos ensina a ser simples, desarmados e de braços estendidos. Deu-nos o exemplo, quando pendeu da Cruz, precedido pelo ato de sua generosidade na Última Ceia. No Altar, Jesus continua seus milagres de misericórdia e compaixão. Durante sua existência terrena, curou doentes e ressuscitou mortos. Hoje, pela Comunhão revitaliza os irmãos amortecidos pela dor, angústia, ausência de Deus e tibieza na fé. 

Quem sente falta do Divino, vai buscá-Lo na grandeza dessa presença silenciosa. Ele deixa que sua Palavra repercuta no íntimo de quem se achega para mitigar todo tipo de fome e sede. “Não vos deixarei órfãos” (Jo 14, 18), largados à própria sorte, prometeu o Senhor. Na Eucaristia contamos com a companhia divina, antecipação da eternidade, onde gozaremos o definitivo de nossa história. A Eucaristia é Deus em Cristo, amainando em nós as saudades do Infinito.

           Cristo é nossa fortaleza e nos ajuda a caminhar. Quanto mais O temos presente, mais O buscamos, pois Ele é Mistério, ou seja, o Inesgotável. Vivemos a preparação e o aprendizado do nosso encontro definitivo com Ele. Ao participarmos da Santa Comunhão, já não ficaremos sozinhos, Jesus estará conosco. “Já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim.” (Gl 2, 20). Cônego Luiz Gonzaga Monte, um sábio e santo que morou entre nós, expressou seu sentimento místico e teológico: “Sem aprendizado do nosso encontro definitivo com Ele. Ao participarmos da Santa Comunhão, já não ficaremos sozinhos, Jesus estará conosco. “Já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim.” (Gl 2, 20). Cônego Luiz Gonzaga Monte, um sábio e santo que morou entre nós, expressou seu sentimento místico e teológico: “Sem a Eucaristia somos pequenos demais para o Céu, com ela grandes para a terra.”


terça-feira, 1 de junho de 2021

 

Minhas Cartas de Cotovelo – verão de 2021-27

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

            Após longo prazo de silêncio, retorno, ainda cambaleante, ao ofício de intercambiar com os meus amigos da praia de Cotovelo e além dela, atualizando acontecimentos e trabalhos desenvolvidos nesse ínterim.

            Primeiramente fui tomado por uma enfermidade inesperada, que me custou mais de uma semana para clarear, tudo com o medo do fantasma da covid 19, obrigando-me a realizar uma tomografia e muitos exames de sangue e outros até ser descartada a doença pandêmica, tampouco qualquer problema pulmonar, embora tenham ficado resquícios de outros problemas que serão debelados no devido tempo.

            Quando ainda estava no gozo total da minha saúde, resolvi fazer um empreendimento para a população local, com uma escadaria de acesso à praia, em forma de rampas, para permitir a descida de deficientes físicos e cadeirantes. Não pude acompanhar pari passu, mas a sensibilidade de Octávio Lamartine aceitou executar o meu desejo, a ele se agregando como parceiro. E o barco está caminhando, com o custo todo da nossa parte (eu e Octávio), mas o empreendimento pertencerá ao povo.

Outra vez em Natal para completar tratamentos, oportunidade em que tive a alegria de um encontro fraterno com os confrades do Café Avenida onde distribui o meu livro “Amor de Outono” e assisti a coroação de Nossa Senhora na Matriz de São Pedro Apóstolo, com a celebração do meu amigo Padre Francisco Motta. Momentos de rara emoção que me fortaleceram para retornar para o meu abrigo de Cotovelo.

 


Novamente retornei a Natal para completar tratamentos, oportunidade em que tive a alegria de um encontro fraterno com os confrades do Café Avenida onde distribui o meu livro “Amor de Outono” e assisti a coroação de Nossa Senhora na Matriz de São Pedro Apóstolo, com a celebração do meu amigo Padre Francisco Motta. Momentos de rara emoção que me fortaleceram para retornar para o meu abrigo de Cotovelo.

  Agora estou vivendo nesta ponte rodoviária para atender às exigências da vida, mas sem perder os meus laços afetivos com os dois lados, do que já me acostumei. Afinal, ninguém se perde no caminho da volta.

sexta-feira, 21 de maio de 2021

 

Como controlar o curral

Tomislav R. Femenick - Jornalista

 

Durante o período em que eu e minha mãe, que recém enviuvara, moramos na casa de meus avós, lá em Mossoró, eu vivenciei, como observador, um verdadeiro curso de como se fazia política no Brasil de então. E como eu aprendi, embora não tenha praticado “nadica de nada”. Vamos recordar o que acontecia em nosso país naquele período. Tínhamos saído do primeiro governo Vargas, quando aconteceu a pior ditadura jamais implantada por aqui, desde a nossa independência. O presidente da República era o Marechal Eurico Gaspar Dutra, que nada fazia sem antes olhar a Constituição, a qual tinha sido recém promulgada por uma Assembleia Constituinte.

O governo – Executivo, Legislativo e Judiciário – ainda estava instalado na cidade do Rio de Janeiro, que ostentava um DF, no final. Com muito orgulho, eu dizia para todo o mundo, os meus colegas de escola, de catecismo e do vesperal de domingo no Cine Pax, que eu tinha um primo que era deputado federal: Motinha, ou melhor, Vicente da Mota Neto.

Lá em casa o chefe político era minha avó, Dona Mariquinha, que era irmã do Padre Mota (ex-prefeito de Mossoró por quase dez anos) e tia de Motinha. Além disso, seu pai (meu bisavô) e dois outros seus irmãos tinham sido prefeitos da cidade. De política, o meu avô, José Rodrigues de Lima, somente tinha três posições: sorria quando era citado o nome de seu sobrinho, dizia “não gosto” sobre os políticos de quem ele não gostava e ficava calado sobre os demais. Dizia que fazer especulação sobre políticos era “disputar banana com macaco”.

Um certo dia, à tardinha, que não me lembro quando, um deputado estadual de uma cidade da região Oeste foi visitar meus avós. Estavam conversando em um banco de jardim, que ficava entre o roseiral lá de casa. Eu estava por perto e ouvi uma coisa inusitada: o meu avô fez uma pergunta sobre política. Perguntou ao deputado como ele conseguia ter tantos votos em eleições seguidas. “Fácil – respondeu o deputado. No dia da eleição, mando buscar o eleitor em casa, dou almoço e a metade de uma nota de vinte mil reis. No fim do dia, peço o título para vez se ele votou. Quando a minha eleição é confirmada, dou a outra metade dos vinte mil reis”. 

Qual a lição que se tira disso tudo? Esse foi só um fato que em presenciei, mas os candidatos sempre tiveram interesse de controlar os votos dos eleitores, reunindo-os nos chamados currais eleitorais.

A solução encontrada pelo TSE-Tribunal Superior Eleitoral foi recorreu à tecnologia de ponta. Eis que, em 1996, surgiu a urna eletrônica, hoje já usada em cerca de 35 países, adaptando as peculiaridades locais. Conforme documento divulgado pelo Instituto Internacional para a Democracia e a Assistência Eleitoral, da Suécia, usam as urnas eletrônicas Suíça, Canadá, Austrália, Estados Unidos (alguns estados), México, Peru, Japão, Coreia do Sul e Índia (também em algumas regiões). Experimentalmente, República Dominicana, Costa Rica, Equador, Argentina, Guiné-Bissau, Haiti, México, Paraguai e mais outros as usaram.

Da mesma forma que há quem ache que a Terra é plana e que a pandemia de coronavírus é uma gripezinha, também há os que levantam dúvida sobre a segurança das urnas eletrônicas e advogam o voto impresso, sem se moverem para verificar (aceitando ou contestando com fatos concretos) a afirmação do TSE de “que os equipamentos possuem diversos recursos que possibilitam a auditagem, como o registro digital do voto, log da urna, auditorias pré e pós-eleição, auditoria dos códigos-fonte, lacração dos sistemas, tabela de correspondência, lacre físico das urnas, e identificação biométrica do eleitor, entre outros”.

Ora, no Brasil de hoje, com as facções criminosas (tipo o PCC), os traficantes e as milícias se infiltrando na política, o voto impresso ressuscitaria os currais eleitorais, com muito mais controle sobre os eleitores – basta pedir o tal papel. Em nosso país, já está ficando comum se sacralizar a imbecilidade e satanizar a ciência. Pessoal, pensar não doe. Façam um esforcinho, raciocinem sobre os fatos, alternativas e premissas, antes de saírem por aí semeando bobagens “à mão cheia” – com licença de Castro Alves.

 

Tribuna do Norte. Ata, 21 maio 2021.