sexta-feira, 22 de outubro de 2010



A Ordem dos Advogados/RN completa 78 anos

A história da Ordem dos Advogados do Brasil confunde-se com as lutas libertárias do povo brasileiro, posto que reconhecida, ainda com outra denominação, no Aviso da Corte Imperial de D. Pedro II, em 7 de agosto de 1842. Os anos 30 marcam a modernidade do País e os movimentos políticos mais radicais em sua vida política. Foi nesse clima que nasceu a Ordem propriamente dita pelo Decreto 19.408, de 18 de novembro de 1930, expedido pelo Presidente Getúlio Vargas.
Dessa iniciativa deu-se início à estadualização da Corporação dos Advogados, que no Rio Grande do Norte nasceu da iniciativa do então Presidente do Instituto dos Advogados local - jurista Hemetério Fernandes Raposo de Mello, em sessão histórica no dia 05 de março de 1932, realizada no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.

Desse momento participaram, também, os advogados Francisco Ivo Cavalcanti, Paulo Pinheiro de Viveiros, Manoel Varella de Albuquerque, Francisco Bruno Pereira e Manuel Xavier da Cunha Montenegro, com o objetivo de instalar em nosso Estado uma representação da Corporação Federal dos Advogados. Para isso os fundadores formaram uma diretoria provisória composta dos advogados antes referidos, ocupando, respectivamente os cargos de Presidente, Secretário, Tesoureiro e os demais, como vogais.

A nossa Instituição de Classe foi das primeiras Seccionais reconhecidas no Brasil, graças ao perfeito trabalho dos abnegados causídicos já nominados, que, daí por diante, iniciaram a tarefa de consolidação da Ordem do Rio Grande do Norte merecendo registro as primeiras reuniões, exatamente para constituírem o primeiro Colégio Eleitoral da Primeira Diretoria Definitiva, escolhidos na Assembléia de 13 de maio daquele ano, num total de 28 inscritos, na qual foram eleitos Hemetério Fernandes, Francisco Ivo Cavalcanti, Manoel Varella de Albuquerque, Alberto Roselli e Paulo Pinheiro de Viveiros, marcada a posse para o dia 22 de outubro. Em 30/8/32, a fatalidade retirou do nosso convívio o pioneiro Hemetério Fernandes, o mais votado e que certamente seria o Presidente. Contudo, face ao acontecimento, foi escolhido o advogado Francisco Ivo Cavalcanti, eleito na 10ª reunião do Conselho da OAB/RN, realizada às 19 horas do dia 22 de outubro de 1932, data considerada oficial de sua criação e ratificada pelo Conselho Federal, tendo como demais integrantes os advogados: Paulo Pinheiro de Viveiros, 1º Secretário; Manoel Varella de Albuquerque, Tesoureiro; Vogais Pedro dAlcântara Mattos, que substituiu Dr. Hemetério Fernandes Raposo de Mello, e em seguida pelos advogados Alberto Roselli, Phelippe Nery de Brito Guerra e Vicente Farache Netto, tendo como Conselheiro representante junto ao Conselho Federal o advogado João de Britto Dantas.

No dia 22 de outubro do ano em curso a Seccional do nosso Estado comemora seus 78 anos. Em 2008 registrei toda a nossa história no livro Traços e Perfis da OAB/RN, editado pelo Sebo Vermelho.

CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES

Membro Honorário Vitalício da OAB/RN

domingo, 17 de outubro de 2010


SAUDADES DE GILVAN BEZERRIL (PAULO GILVAN)

Amigos e Amigas leitores deste meu blog. Recebi do colega brasiliense Ciro Tavares a triste notícia do falecimento, ontem, na cidade do Recife - onde nasceu, do último integrante original do Trio Irakitan – Gilvan Bezerril (Paulo Gilvan).
Como muitos sabem, comecei a minha vida militando no rádio e cantei inúmeras vezes na SAE (Sociedade Artística Estudantil), levado pelas mãos de Francisco Gomes de Sales, que era meu empresário e também do Trio Irakitan.
Guardo dessa época uma relíquia que o próprio Gilvan não chegou a conhecer – um disco em acetato obtido de um gravador de fio magnético, onde em um lado está a primeira gravação do Trio Irakitan (Você não sabe amar) e no outro lado eu cantando com o Trio (Sin ti). Isso ocorreu em 1948 na casa do Coronel Salema, na Base Aérea de Natal.
Este disco estou tentando recuperar através de um técnico de São Paulo indicado pelo meu amigo Dr. Ernani Rosado.
Eu vi o Trio nascer na casa de Edinho, que ficava na rua Coronel Cascudo, na cidade alta. Em nossas andanças artísticas, o gênio era Edinho, músico e arranjador de primeira linha. Gilvan era o “crooner” e Joãozinho fazia pequenas e rápidas cenas de teatro com Pedro e Paulo Dieb. Nas nossas excursões também participavam Haroldo de Almeida e Newton Ramalho, este ainda vivo.
Nessa época, os meninos do Trio resolveram buscar sucesso fora do Brasil, através dos países da América do Sul e voltaram consagrados, quando a cidade fez festa no Aéro Clube para recepcioná-los. Tenho tudo isso documentado para publicar em breve.
Faço esse registro sob o impacto de grande emoção e imensa saudade, rogando a Deus pela proteção do nosso pranteado Gilvan e que, por benesse do Criador, retome o convívio dos seus antigos parceiros, para brindar no céu, entre os querubins, a imensa população de potiguares que lá se encontra.

NOTÍCIA QUE ENTRISTECE TODO O BRASIL (faleceu em Recife GILVAN BEZERRIL, cujo nome verdadeiro era PAULO GILVAN DUARTE BEZERRIL). O fato desfaz integralmente a composição original do Trio Irakitan.
17:18:53
Música
Músico do Trio Irakitan morre no Recife aos 81 anos
Publicado em 17.10.2010, às 09h10
Do JC Online Com informações da Rádio Jornal

Divulgação
Paulo Gilvan (primeiro à esquerda) faleceu no Recife
Um dos membros fundadores do Trio Irakitan, Paulo Gilvan Duarte Bezerril, faleceu neste domingo, no Pronto Socorro Cardiológico de Pernambuco (Procape), no bairro de Santo Amaro, área central do Recife. O músico, que completaria 82 anos na próxima quarta-feira (20), morreu em decorrência de problemas cardíacos por conta de um infarto.

Paulo Gilvan, como era conhecido musicalmente, estava internado no Procape há oito dias. O enterro está marcado para às 16h no cemitério de Santo Amaro.

O Trio Irakitan foi criado em 1950 por Paulo Gilvan (afoxé), Edinho (violão) e Joãozinho (tantã) em Natal-RN. O conjunto começou a carreira cantando boleros e fez muito sucesso na Venezuela, Colômbia, Caribe e México. Foi neste último país que os rapazes desenvolveram a vocalização.

Depois de algumas mudanças, Paulo foi o único da formação original que permaneceu no grupo. Até este ano eles se apresentaram em João Pessoa. Foram mais de 50 discos gravados em 60 anos de carreira.

sábado, 16 de outubro de 2010


III ENCONTRO POTIGUAR DE ESCRITORES – EPE
RELEASE
De 26 a 28 de outubro de 2010 na livraria Siciliano do Midway Mall acontecerá o III Encontro Potiguar de Escritores, promovido pela União Brasileira de Escritores UBE/RN (Programa anexo), oportunidade que a sociedade potiguar terá para conhecer a nossa Literatura e seus autores.
Às 10h, Abertura Solene, em que será prestada uma homenagem aos 19 escritores fundadores da entidade, fundada em 16.11.1984, portanto há 26 anos atrás. Dos 19 autores, 11 partiram na nau da eternidade (Antonio Soares Filho, Eulício Faria de Lacerda, Fagundes Menezes, Franco Jasiello,Luiz Rabelo, Luís Carlos Guimarães, Marcos Maranhão, Dom Nivaldo Monte, Reinaldo Aguiar, Veríssimo de Melo e Zila Mamede) e 08 estão vivos (Deifilo Gurgel, Edna Duarte, Itamar de Souza, Jansen Leiros, Marize Castro, Paulo Macedo, Racine Santos, Valério Mesquita). Estes receberão o Diploma de Sócio Precursor. Com o Diploma de Sócio Honorário serão agraciados: Raimundo Soares de Brito decano dos Escritores Potiguares , 90 anos; Dorian Gray, 80 anos; Ciro Tavares, 70; Franklin Capistrano, 60 e Pedro Vicente, 60).
As inscrições estão abertas na livraria (procurar a gerente) e são gratuitas. Serão entregues Certificados aos que comparecerem a 90% das atividades. Tal medida se impõe devido o auditório ter apenas 60 lugares. Maiores informações pelos telefones 3616-6513 (Coordenação) durante a semana e 3206-1147 Livraria Siciliano.
III ENCONTRO POTIGUAR DE ESCRITORES
ONDE: Livraria Siciliano do Midway Mall, G5
DATA: 26 a 28 de outubro de 2010
HORA: 10h às 18h30
Acesso: livre, mediante inscrição prévia e gratuita

sexta-feira, 15 de outubro de 2010



EDITAL PARA AS ELEIÇÕES DA DIRETORIA E CONSELHO FISCAL DO INSTITUTO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA – INRG - NORMAS EDITALÍCIAS

Art. 1º. A eleição para os cargos da Diretoria e Conselho Fiscal do INSTITUTO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA – INRG, inscrição no CNPJ sob o n° 12.382.295/0001-97 – NATAL-RN, se realizará no dia 17 de novembro de 2010, na sua sede provisória, sita à Rua Mipibu, 443, Petrópolis, nesta Capital, onde é a sede permanente da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras – ANRL, das 8 às 17 horas, pelo sistema de voto e escrutínio secreto e compreenderá a escolha dos seguintes cargos:

DIRETORIA:
Presidente
Vice-Presidente
Secretário
Tesoureiro

CONSELHO FISCAL:
Três (03) Membros Titulares
Um (01) Membro Suplente.

Art. 2º. Será garantida a lisura do pleito eleitoral, assegurando-se condições de igualdade às chapas concorrentes, inclusive no que concerne à propaganda eleitoral, podendo, para isso, serem nomeados fiscais que atuarão nas fases da propaganda, escrutínio e apuração dos votos.

Parágrafo Único. O voto será secreto, exercido através de cédula específica e depositado na urna previamente designada para tal fim, podendo os Acadêmicos não residentes na sede da Instituição, cumprir o seu dever estatuário mediante carta postada através dos Correios ou entregue à Comissão Eleitoral, até 30 (trinta) minutos antes do encerramento da votação, em envelope lacrado e colocado em urna especial, em separado, o qual será apurado após a verificação do preenchimento das condições de eleitor, adotando-se o seguinte critério:

I - O voto será colocado em um envelope especial, isento de timbre e dizeres e devidamente lacrado;

II - em seguida será colocado em outro envelope endereçado à Comissão Eleitoral, acompanhado de uma folha de identificação do eleitor, com seus dados essenciais, a saber: nome legível, local, data e assinatura.

III - Recebida pela Comissão Eleitoral, esta decidirá sobre sua computação, tomando as cautelas necessárias para não quebrar o sigilo do voto conforme as regras aprovadas para o respectivo pleito, aplicada, subsidiariamente, a legislação eleitoral pátria, registrando todo o procedimento na ata dos trabalhos.

Art. 3º. O prazo para o registro das chapas se dará a partir da publicação da convocação eleitoral até às 18 horas do dia 04(quatro) de novembro na biblioteca do escritório do Confrade CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES, sita à Rua Cel. João Gomes, 555-A – Barro Vermelho – CEP 59.030-320 – Natal/RN, telefone 3222-8815.

Art. 4º. O requerimento de registro de chapa, com o nome completo dos candidatos, endereçado ao Presidente da Comissão Eleitoral, deverá estar assinado por qualquer dos candidatos que a integram, com lista contendo a anuência dos demais candidatos.

Art. 5º. Findo o prazo para inscrições, com as eventuais diligências, a relação das chapas, com os respectivos nomes e cargos de candidatura, será publicada na imprensa, para fins de conhecimento e eventual impugnação dos interessados.

Art. 6º. A impugnação às inscrições se dará no prazo de 3 (três) dias da publicação das chapas, findo o qual se decidirá, em 3 (três) dias, pelo deferimento ou indeferimento das inscrições.

Art. 7º. A partir da inscrição e independente de impugnação, as chapas candidatas podem divulgar seus programas, podendo a propaganda ocorrer até o dia 15 (quinze) de novembro de 2010.

Art. 8º. A eventual propaganda negativa ou que contrarie as normas eleitorais brasileiras, poderá ser impugnada no prazo de 2 (dois) dias do fato, sob pena de não conhecimento da impugnação.

Art. 9º. A Comissão Eleitoral, no prazo de 2(dois) dias, decidirá a impugnação, devendo a decisão ser publicada na sede do INRG.

Art. 10. Em caso de empate na votação, o desempate se fará em favor da pessoa cabeça de chapa com maior idade. Permanecendo o empate, o novo desempate se dará por sorteio.

Art. 11. Os eleitos serão diplomados e empossados no dia 18 (dezoito) de novembro de 2010, na sede da Instituição, em sessão especial realizada às 18 (dezoito) horas.

Art. 12. Em caso de anulação ou impossibilidade de ocorrência das eleições, por motivo de força maior, a segunda eleição será realizada em 29 (vinte e nove) de novembro de 2010, no mesmo local da primeira eleição, guardando-se a proporcionalidade dos dias do calendário dos artigos anteriores.

Art. 13. Não poderão concorrer às eleições para a escolha da Diretoria Permanente do INRG e do seu Conselho Fiscal, os integrantes da Comissão Eleitoral.

Art. 14. Os casos omissos serão resolvidos pela Comissão Eleitoral.

Art. 15. A Comissão Eleitoral será dissolvida com a posse dos eleitos.

Art. 16. As normas deste edital entram em vigor na data de sua publicação na sede da Instituição.

Natal/RN, 13 de outubro de 2010

A Comissão Eleitoral escolhida na Reunião Extraordinária desta data.
Carlos Roberto de Miranda Gomes
Presidente
Joaquim Luís Quité de Vasconcelos
Membro
Rostand Medeiros
Membro
****************

INSTITUTO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA - INRG

CONVOCAÇÃO DE ELEIÇÕES
A COMISSÃO ELEITORAL designada pela Portaria n° 01/2010-INRG de 13 de outubro em curso, do Presidente da Instituição, CONVOCA todos os Acadêmicos do INSTITUTO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA - INRG, inscrição no CNPJ sob o n° 12.382.295/0001-97 – NATAL-RN, para participarem do pleito eleitoral para a escolha dos membros da Diretoria e Conselho Fiscal da referida Academia, a ter lugar no dia 17 de novembro próximo vindouro, em sua sede provisória sita à Rua Mipibu, 443, Petrópolis, nesta Capital, onde é a sede permanente da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras – ANRL, Petrópolis-Natal/RN, no horário das 8 às 17 horas, para o preenchimento dos seguintes cargos: DIRETORIA: Presidente; Vice-Presidente; Secretário e Tesoureiro. CONSELHO FISCAL: Três (03) Membros Titulares e Um (01) Suplente.
O edital com as normas editalícias completas está afixado na sede provisória da Instituição, no início indicada.

Natal/RN, 13 de outubro de 2010
A Comissão Eleitoral
CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES
Presidente
JOAQUIM LUIS QUITHÉ DE VASCONCELOS
Membro
ROSTAND MEDEIROS
Membro





“HOJE A MINH´ALMA TEM UM AR DE FESTA:
AMANHECEU DE AMOR MEU CORAÇÃO.”
-Eurícledes Formiga-
(Décima em decassílabos)

Adormeci, imaginando, em sonhos,
Belos momentos de ternura e paz,
Pois o amor, só ele era capaz,
De afastar, de nós, dias tristonhos.
Vivenciava, eu, dias risonhos,
Pois nos meus sonhos, cantava uma canção.
Você me era amor e emoção...
...e despertei... feliz, com o que me resta.
“HOJE A MINH´ALMA TEM UM AR DE FESTA:
AMANHECEU DE AMOR MEU CORAÇÃO.”

FONTE: Wellington Leiros
wleiros.169@digi.com.br
(14.09.2010)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010



A indignação de uma jovem sobrinha: Maria da Graça Gomes da Costa.
"Sinalizar esta mensagem o que vai ser derrubado com o Machadão"

Amigos,
Gostaria de compartilhar com todos um pouco de minha tristeza e indignação em relação a possibilidade da derrubada do estádio Machadão em Natal.
Nos últimos 2 anos meu pai, Moacyr Gomes da Costa, arquiteto e defensor do estádio, tem lutado praticamente sozinho contra o descaso, a corrupção e a destruição do patrimônio público que essa possível derrubada representa. Acho que não é surpresa para muitos que esse processo de seleção de Natal como cidade sede da copa 2014, desde o início envolve questões obscuras como financiamento de campanhas e beneficiamento de empresas privadas. Por vezes enviei e-mails com denuncias e artigos de grandes jornalistas de nosso estado que se colocaram contra esse ato de vandalismo institucionalizado. Desta vez, gostaria de divulgar algo diferente sobre o tema: os quadrinhos de Beto Leite (texto) e Marcos Guerra (desenhos) publicados na bela Revista Cartoze, disponível no link: http://revistacatorze.com.br/.
Como cidadã me sinto no dever ético e afetivo (por que não?) de me colocar contra essa destruição. Aos que não concordam comigo, peço apenas que reflitam, e principalmente, que exerçam o direito ao controle social sobre a gestão de nossas obras públicas.
Nesses tempos de eleições sujas, de correntes de e-mail falsas e mídia massificada, tentemos usar a internet como uma arma de resistência ao nosso favor!

Abraços a todos,

Maria da Graça. mariaggomes@gmail.com

Eis os desenhos:









sábado, 9 de outubro de 2010

AINDA SOBRE O MUSEU NILO PEREIRA – ENGENHO GUAPORÉ
ORMUZ BARBALHO SIMONETTI
(Presidente do Instituto Norte-Rio-Grandense de Genealogia e membro do IHGRN e da UBE-RN)

Felizmente nosso “Grito de Alerta” teve ouvidos lá fora. Os dois artigos publicados neste periódico “VERGONHA” e “GRITO DE ALERTA”, alcançaram o confrade Carlos Barata, Presidente do Colégio Brasileiro de Genealogia, com sede no Rio de Janeiro, Instituição a qual pertencemos desde 2008. O professor Carlos Barata ficou chocado com a atual situação do museu e principalmente com as imagens do vídeo que lhe enviei, onde vândalos aparecem apedrejando o Museu Nilo Pereira.
Segue o desdobramento a partir das matérias publicadas.
Carlos Barata escreveu: Prezados amigos museólogos e estudantes de Museologia, segue mensagem que foi enviada, por e-mail, pelo amigo Ormuz Barbalho Simonetti, Presidente do Instituto Norte-Rio-Grandense de Genealogia. Matéria será publicada em O JORNAL DE HOJE edição de sexta-feira dia 24/09/2010.
E-mail enviado a Carlos Costa, Presidente de COREM 4° Região (Conselho Regional de Museologia) por Magda Beatriz Vilela,Presidente COREM 2ª Região-RJ, ES e MG, Museóloga responsável do Museu do IHGB - Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro
Telefax:(21)2233-2357 Tel cel.: (21) 8182-7810

Prezado Carlos,
Encaminho o email que recebi a fim de que você possa tomar conhecimento do alerta/denúncia lançado pelo Sr. Ormuz Barbalho Simonetti, o qual me fora encaminhado pelo Prof. Carlos Barata. Não sei se terás como agir nesse caso em especial, pois me parece tratar-se de um caso onde há, nitidamente, a influência da política imunda de nosso país que tem força maior do que qualquer lei. Me senti na obrigação de repassar para você.
Desde já agradeço sua atenção.
De: Conselho Regional de Museologia
Data: 27 de setembro de 2010 20:31
Assunto: Re: URGENTE AO IBRAM: Grito de alerta - Ainda sobre o museu Nilo Pereira
http://www.youtube.com/watch?v=lE5lMb7DvNc
O VÍDEO ANEXO É UM ABSURDO (Carlos Barata)

Para: Conselho Regional de Museologia COREM
Cc: Mario Chagas, nascimento@iphan.gov.br, Julio Chaves , Olímpia , Raimundo Cova Figueiredo, Raimundo Cova Figueiredo, Raimundo Figueiredo, Ana Claudia dos Santos, Rafaela Caroline Noronha Almeida, caubarat@globo.com

Carlos,
Agradeço sua pronta resposta e também devido ao encaminhamento a quem possa, talvez, agir da melhor forma para salvaguardar esse patrimônio.

Att.
Magda Beatriz Vilela
Presidente COREM 2ªRegião-RJ, ES e MG
Telefax:(21)2233-2357
Em 26 de setembro de 2010 23:05, Conselho Regional de Museologia COREM escreveu:

Prezada colega Magda Vilela,

De fato, trata-se de uma situação lamentável. Como bem observa, não sei se teremos como agir, frente aos parcos recursos que dispomos e as forças políticas que existem por trás da situação. Por outro lado, não nos parece que seja atribuição legal do sistema COFEM/COREMs, frente ao que versa os Arts. 7º e 8º da Lei nº 7.287/84. Tendo em vista dispormos de um instituto federal que trata de museus, encaminharei a situação ao IBRAM, através deste e-mail, especialmente ao Mário Chagas e ao Nascimento Júnior, para avaliarem a questão e indicarem um encaminhamento.
Cordialmente,
Carlos Costa.
Museólogo - COREM 1R 0211-I
Presidente do COREM 1R

Hoje quarta feira, estive no Solar João Galvão de Medeiros onde funciona o CEDOC, Centro de Documentação Cultural do Estado, órgão da Fundação José Augusto, mas infelizmente não fui autorizado a ter acesso ao acervo do Museu Nilo Pereira, que se encontra sob responsabilidade daquela Fundação. Fui informado que as peças estão bastante deterioradas e por isso, impedidas de serem vistas mesmo por pesquisadores, como no meu caso. Este acervo que até 2006 era guardado no Palácio da Cultura, hoje se encontra “armazenado” em precárias condições no Papódromo, que funciona como depósito de coisas velhas e quebradas descartadas das diversas Secretarias do Estado do RN. Não tive acesso nem mesmo ao inventário das peças que lá se encontram, mas consegui a informação de que pelo menos o piano de calda, principal peça do acervo, com certeza não se encontra dentre as peças amontoadas naquele depósito. Sumiu, ninguém sabe, ninguém viu.

Faço aqui um apelo à Assembléia Legislativa para que abrace essa luta em favor do Museu Nilo Pereira, instaurando uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar devidamente o que vem realmente acontecendo, ao longo desses últimos anos com aquele patrimônio histórico e cultural. Temos conhecimento de que os recursos que são conseguidos com tantas dificuldades, terminam voltando às suas origens pela incompetência das autoridades responsáveis, que numa clara demonstração de descaso e falta de compromisso com a cultura em nosso Estado, passivamente, permitem que tais recursos retornem, por falta de utilização?
Apelamos para a Ordem dos Advogados do RN, a Academia de Letras do RN, a UFRN como também a Associação dos Jornalistas do RN, enfim a Sociedade Civil organizada, para se engajarem nessa luta e numa ação conjunta, possamos devolver ao povo do Rio Grande do Norte, o museu Nilo Pereira totalmente restaurado juntamente com o que resta do seu acervo, antes que o tempo e o descaso dessas autoridades se encarreguem de tornar impossível, o sonho de sua restauração.
(publicado no JH de 8.10.2010)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

REFLEX
À margem da poesia de Paulo de Tarso
Aqui estou pássaro madrugador e antigo, pousado sobre os momentos de Paulo de Tarso Correia de Melo, saboreando o poema veneziano que outonal adormece,sonha fustigado pelo frio invernal de chuvas que torturam telhas. Desperta impulsionado pelo canto de míticas cotovias, arautos das auroras, no alto dos galhos das romãzeiras saudando a primavera.
Os versos são curtos, esculpidos nos coloridos multiangulares. Lembram vitrais e acendem na memória os brancos azulados, verdes, vermelhos e amarelos de Chagall que me comoveram na catedral de Saint Etienne de Metz.
Ainda que descubra no corpo apenas tempo e morte, é capaz de desatar sobre o corpo da amada a longa cabeleira dourada, mãos entrelaçadas, caminho adiante, assim como na Alvorada do Amor, de Olavo Bilac, Adão e Eva abandonam o paraíso:
“Ah! bendito o momento em que me revelaste
O amor com o teu pecado e a vida com o teu crime!”
Inspira-se na abertura virgiliana da Eneida e constrói seu teorema lírico, onde ritmo e estética são rigorosamente matemáticos nos decassílabos:
“tombaram magnólias
Quando passaste aqui.
Chovia no jardim
E eu não te conheci”.
Avançou-me a tarde e o Sabor de Amar, de Paulo de Tarso Correia de Melo, na companhia das Quatro Estações de Vivaldi, que o poeta multiplicou por outras mil encasteladas no seu espírito sensível voltou à estante, lido, relido e anotado pelo estudante que sou das coisas belas.

Ciro José Tavares, Brasília 2010.
Brasília, outubro de 2010.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

RELEMBRANÇAS DE MACAÍBA
CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES
(Da UBE/RN, IHGRN, ALEJURN, INRG, OAB/RN e AML)

Este ano tenho recebido inúmeras dádivas relacionadas com a cidade de Macaíba, onde vivi bons tempos da minha vida, entre 1947 e 1950.

Inicialmente fui sensibilizado pelo livro de Osair Vasconcelos – A Cidade que ninguém inventou – trazendo de volta lembranças e saudades da terra das macaibeiras, da minha casa da inesquecível Rua Pedro Velho, cenário telúrico da minha infância, começo da adolescência.
Posteriormente fui honrado com a notícia de ter sido aprovado o meu nome como cidadão macaibense, numa iniciativa do Vereador Thomás José Medeiros de Sena e, logo em seguida, pelos meus amigos Valério Mesquita e Olímpio Maciel, sou informado que fui indicado para ocupar uma cadeira na novel Academia Macaibense de Letras.
Diante de tantas homenagens, dei-me ao esforço da lembrança e voltei à Macaiba do meu tempo e pude resgatar fatos e pessoas que moram em mim.
Fui morador da Rua Pedro Velho, para mim uma soberba avenida, numa casa de janelas altas e parapeito largo onde me acomodava para descortinar a paisagem e as pessoas, pois vizinho à antiga Igreja Protestante, esquina com o Hospital (Maternidade) Público, via a condução de pessoas enfermas em uma cadeira que servia, ao mesmo tempo, como padiola e ambulância.
De lá, contemplava o sítio do Major Andrade e a Igreja ou Capela de São José (que vivia fechada), onde terminava o calçamento e começava uma subida de piçarro e pedras arredondadas, algumas apanhadas por mamãe para fazer ‘leite ferrado’.
Na visão panorâmica da minha janela assisti o desfile de carnavalescos, o caminhão com a alegoria de uma garrafa de cachaça ‘dois tombos’, pois na minha idade era proibido acompanhar o cortejo, ainda mais sendo o filho do Juiz de Direito.
Também era local de alguma apreensão e até terror, pois a Igreja vizinha tinha inúmeras colméias de marimbondos e costumavam ser apedrejadas pela intolerância religiosa, principalmente quando por ali passava Frei Damião, não por ordem dele, mas pelo fundamentalismo de algumas pessoas. E o terror ficava por conta de uma casa mal assombrada, logo abaixo, em frente à casa de Gutemberg Marinho, irmão de Epaminondas – aquele que um dia constrangeu o seu pai, Senhor Luis Marinho de Carvalho (esposo de D. Emerlinda), respeitável líder espírita de Macaíba e que sonhava com a recepção de alguma entidade por esse seu filho. Um dia, chamado às pressas, fez uma sessão para a incorporação de que parecia estar tomado o dito filho e ao solicitar que a entidade se identificasse, Epaminondas respondeu: ’Papai Noel da graça de Deus’. Que decepção!
Falando no sítio do Major Andrade, recordo dos momentos em que tive acesso aos pés de jabuticabas, deliciosamente saboreadas no pé, de onde se avistava o começo de uma pedreira. Desculpem se a coisa não é bem assim, pois quem fala é a lembrança de um garoto nos seus 7 a 10 anos, cuja visão ofusca a realidade.
Ainda próximo ao sítio, já na entrada da Rua do Gango (Rua Rodolfo Maranhão, meu tio-avô), confluência com a Rua Visconde do Rio Branco e hoje Rua Marcos Mafra eu tinha aulas particulares com a Professora Albaniza. Essa rua era condenada pela sociedade, pois tinha pousada das meninas perdidas, uma das quais lembro do esdrúxulo nome ... Deixa prá lá...
Nos dias de feira, a esquina do sítio referido e até alcançar a Rua do Gango ficavam os animais que conduziam mercadorias para a feira e, às vezes, uma jumenta no cio despertava o instinto de um burro ou cavalo mais afoito, que iniciava a sua conquista sexual, perseguindo a presa por cima das cangalhas, com um relinchado ensurdecedor, espalhando apetrechos e mercadorias pela rua, debaixo dos gritos dos proprietários e aplausos da ‘molecada’ que adorava o ‘furdunço’, à qual eu pertencia. Os animais eram dominados lá pela frente do Cartório de Seu Aníbal Délio.
Também era na feira, na parte final das barracas, que ficavam os cordelistas, cantando suas loas e suas estórias e histórias num velho microfone de pé, amarrado com uma flanela ‘suja’, mas encantando todos os que passavam e paravam por algum tempo para se deliciar e comprar algum cordel.
Ainda na Rua Pedro Velho tínhamos o tradicional Pax, com um grande quadro representando o desastre com o balão de Augusto Severo e o não menos antigo Cine Independência, que funcionava com um único projetor, sendo obrigado a interromper várias vezes a sessão para a troca do rolo de filme, sob os assovios e gritos dos expectadores. Nesse cinema existia, perto da tele, um muro que dividia a platéia – era a geral com bancos, onde se alojava a ‘plebe rude’, sujeita a todos os tipos de saliências, desde ‘flatulências – daquelas consideradas pqp’ até algum excesso no campo amoroso. Era gostoso ver tudo isso e mais, antecedendo ao espetáculo, os comentaristas dos filmes, com ‘pronúncia estapafúrdia’ dos artistas estrangeiros como Johnny Mac Brown, Johnny Weissmuller... viixxee... E as músicas daquele tempo - uma delas que lembro era ‘O despertar da montanha’, no mais eram Luiz Gonzaga, Pedro Raimundo, Augusto Calheiros, o velho Chico, Orlando Silva e Nelson e também alguns bregas que começavam a acontecer.
O velho projetor hoje faz parte do acervo do “Solar do Caxangá” sede da nossa Academia de Letras, juntamente com outras relíquias dignas de uma visitação.

O cinema também se prestava a espetáculos teatrais. A minha irmã Elza Carlina, ainda garota dos seus 11/12 anos, trabalhava no conjunto ‘Céu Sereno” com um personagem criado pelo Coronel Libório, cognominado de ‘Doutor Rabufetele’, de cuja foto, velha e com o rosto sob maquiagem, aqui reproduzido, foi identificado recentemente pelo historiador Anderson Tavares, descobrindo tratar-se do ator Antônio Leiros, pessoa muito querida na cidade. Sobre quem, colhi a respeito o seguinte testemunho de Wellington Leiros:
“Amigo Carlos, esse é ANTÔNIO LEIROS COELHO, macaibense, boêmio e seresteiro, de uma voz maravilhosa. No teatro, era impagável. Filho de Maria Madalena Gomes Leiros (prima legítima de meu pai José Leiros) e de Francisco Coelho. Morreu afogado, numa praia do nosso litoral, sob o efeito de uma grave perturbação mental. A morte se deu acidentalmente. Consta que escorregou numa barreira, à beira mar (praia de barreira roxa ou barreira d’água, num final de tarde/começo de noite). Deixou viúva e um único filho. Há muito, perdi contato com eles. É o que posso informar. Um forte abraço, W.Leiros”.
Aliás, sobre a minha irmã, ela e eu andávamos de patins pelas calçadas da Rua Pedro Velho, sob os olhares admirados dos meninos, quando então aproveitávamos para trocar algumas palavras em inglês – algumas inventadas, para podermos ouvir os comentários: ‘os filhos do Juiz falam estrangeiro’. Sem maldades, nem menosprezo...apenas coisas de crianças enxeridas.
Passando pelo Mercado, com o seu obelisco em homenagem a Augusto Severo, cercado de correntes, ali ficava pelas 5 da tarde vendo a passagem dos ‘mixtos’ tocando Aza Branca na buzina e esperando a chegada do gazeteiro com os jornais do dia e as revistas em quadrinho das quais era freguês assíduo e me valeu formar, até hoje, a melhor coleção de quadrinhos do Estado, sem modéstia, dentre Almanaques, Super X, Xuxá, Cavaleiro Negro, Roy Rogers, Gene Autry, Rocky Lane, Tarzan – o meu preferido, Vida Juvenil, Vida Infantil, Superman, Família Marvel, Gibi, Guri, Edições Maravilhosas, Álbum Gigante e muitas outras mais. Nos filmes de faroeste havia um personagem constante – o bigodinho, representado pelo eterno bandido Roy Barchoff (ou coisa que o valha).
A Rua da Cadeia (na verdade – Rua da Cruz ou, corretamente, Rua Dr. Francisco da Cruz), onde moravam as figuras honoráveis de Alfredo Mesquita e Dona Nair (Valério era ainda um menino buchudo, não aparecia), era o meu caminho para assistir os circos (levando as cadeiras de casa) e do campo de futebol, que ficava vizinho ao Cemitério. Ali, quando os jogos demoravam um pouco mais e a noite começava a apontar, se a bola caísse entre os túmulos, ficava difícil de ser encontrada e, sem refletores e com a demora, a noite não esperava e só tinha um jeito – encerrar o jogo, debaixo dos protestos do público. Isso também acontecia quando o Cruzeiro estava ganhando contra time de fora e corria o perigo de empatar.
Particularmente no futebol, torcia pelo Cruzeiro e lembro os nomes de Galamprão – um goleiro de mãos enormes e de Taperoá, que foi protagonista de um episódio casual em que ao limpar uma arma de fogo, a mesma disparou e matou uma pessoa de sua família, parece que a esposa. Mas era um bom homem e deve lhe ter sido feita justiça, pois lembro que depois ele aportou por Natal, como massagista do ABC, salvo engano meu.
Sobre as coisas da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, comandada pelo Padre Chacon, de quem fui coroinha nas procissões e algumas vezes, ajudei nas missas, lembro de que certo dia ajudava em uma novena e na hora em que o Padre mostrou o Santíssimo para ser ungido pelo incenso, eu continuei balançando o turíbulo e o Santíssimo não foi ungido nessa noite. Já as festas, nos lados da Igreja eram magistrais – pau de sebo, pastorinhas dos cordões azul e encarnado, cocais de castanha, farinha de milho em barquinhos de papel salofane, venda de prendas e muita alegria, com algum excesso de ‘birita’.
Costumava fazer currais de gado com os manguitos caídos no chão, espetados em palitos de palha de coqueiro quando ia até o sítio dos Leiros – nem sei mais onde era!
A praça José Varela e o novo Pax estavam em construção quando deixei Macaíba, mas vim para a inauguração em um churrasco onde homenagearam papai. Nessa noite aconteceu um episódio comigo: a carne estava um pouco dura e eu resolvi parti-la no dente e o garfo escorregou e o pedaço de carne foi cair em cima de uma mesa próxima. Todos olharam indignados, mas era o filho do Juiz e não deu em nada. A minha família é que ainda hoje goza desse fato. Já do rio Jundiaí pouco desfrutei, pois o bom era curtir os mergulhos da ponte, mas isso era proibido para fedelhos como eu, mesmo sendo filho do Juiz.
Só voltei a Macaíba em 1958 para participar de uma eleição em que o meu tio afim Jessé Pinto Freire era candidato e tinha o apoio de Seu Alfredo Mesquita. Foi nessa ocasião que conheci Valério, alto, comprido junto à cadeira do seu pai. A chegada à Macaíba foi com Jansen Leiros e fui para a casa de Seu Aguinaldo. O Jeep que eu dirigia quebrou na estrada, já perto de Macaíba (tinha a placa DM – 1489). Após a chegada, beirando a noitinha, após um banho e o jantar, Jansen me levou a visitar algumas criaturas alegres, numa casa perto da Praça José Varela, parece que ali tinha alguma coisa como uma estação de energia. Isso é um passado muito passado, pois sou um homem direito e fiel desde o tempo de noivado, quase cinquentenário. Não achem graça que é verdade!
Depois fui outras vezes e até tínhamos um terreno em Mangabeira. Uma outra visita foi no dia do falecimento de Dona Nair. Tirei fotografias de alguns pontos que tanto estimei, mas a coisa mudou demais. Não existem mais o Mercado, o velho Pax e o Cine Independência. A casa onde morei ainda está lá, mas desfigurada; o sítio do Major Andrade se resume na casa velha e não tem mais acesso para a Rua Pedro Velho e sim pela Marcos Mafra (antiga Viconde do Rio Branco), onde se posta o “Solar do Caxangá”, sede do Instituto Pró-Memória de Macaíba, tão bem conduzido por Olímpio Maciel e também a sede da AML; a ladeira está calçada, a igreja dos crentes não é mais igreja e o hospital mudou de lugar. Não fui ao Cemitério nem procurei o campo de futebol. Fiquei apenas lembrando das pessoas, do dentista da Rua da Cadeia, de ‘Danga’ (Nássaro Nasser), de dois meninos que faziam caminhões de madeira, com luz e tudo, imitando os ‘mixtos’ daquele tempo. O resto foi saudade, muita saudade mesmo.

Hoje a ironia do destino me faz confrade de Academia de “Danga”, Osair, Jansen, Wellington,Anderson, Valério, Olímpio e outros (os aqui referidos são os que têm participação nesta história). Breve relatarei detalhadamente sobre a Academia, seus idealizadores, Patronos e Acadêmicos, apenas adiantando que ocuparei a cadeira n° 2, cujo Patrono é o meu ancestral, Alberto Maranhão.

sábado, 2 de outubro de 2010


CONVOCAÇÃO DE ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA

O escritor JANSEN LEIROS FERREIRA, na condição de Presidente Provisório da Academia Macaibense de Letras – A.M.L., criada na Assembleia Especial realizada no dia 12 de setembro passado, no Solar Caxangá em Macaíba, CONVOCA os Acadêmicos que compõem a novel Instituição Cultural para comparecerem à Assembléia Geral Extraordinária, para atenderem à seguinte pauta:
Data: dia 09 de outubro de 2010;
Horário: 9:00 (nove) horas, em primeira convocação com 13 (treze) Acadêmicos e, em segunda convocação às 9,30 (nove e trinta) horas, com qualquer número acima de 8 (oito) Acadêmicos;
Local: auditório do Instituto de Radiologia de Natal – Natal – RN;
Pauta:
a) criação de novas cadeiras e escolha de novos acadêmicos;
b) re-ratificação do Estatuto da Academia, com as alterações aprovadas;
c) entrega dos “pelerines” aos acadêmicos;
d) outros assuntos correlatos.

Macaíba, 01 de outubro de 2010

JANSEN LEIROS FERREIRA
Presidente

ANDERSON TAVARES
Secretário

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

AMIGOS
Desculpem por não estar atualizando o meu blog diariamente. Isso ocorre pelo meu envolvimento em trabalhos culturais que tomam todo o meu tempo. Breve voltarei a alimentar o blog.
Não se esqueçam de mim.
Um grande abraço do Miranda Gomes

sexta-feira, 24 de setembro de 2010



DIVAGAÇÕES DE PRIMAVERA

E a primavera chegou!
Viço, cheiro, amor,
Gozo, prazer embriagador,
Sonho, esperança, esplendor.

Tudo isso nos trazem os sentidos,
Nos mostram os tempos idos,
Numa saudade que o tempo preservou.
________________________
Carlos de Miranda Gomes (14/9/2010)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010



GRITO DE ALERTE - AINDA SOBRE O MUSEU NILO PEREIRA

ORMUZ BARBALHO SIMONETTI (Presidente do Instituto Norte-Rio-Grandense de Genealogia e membro do IHGRN e da UBE-RN)
Semana passada novamente estive de passagem pelos escombros do museu Nilo Pereira, como sempre acontece quando retorno de minha chácara, e algo me chamou a atenção. Pude ver ao longe algumas barracas armadas junto ao muro do casarão, que se destacavam por serem de lona azul. Otimista, imaginei que podia está sendo iniciada a tão sonhada recuperação do casarão. A vegetação em volta havia sido podada dando a impressão que seria instalado um canteiro de obras. Como tive notícia recente que havia sido alocada uma verba no valor de R$ 300 mil para as obras de recuperação do museu, não tive dúvidas: manobrei o carro e rumei pela estradinha de acesso e fui ver de perto o que me parecia ser o início das obras.
Quando me aproximei do local pude perceber o meu engano e logo a esperança se transformou em mais uma decepção. As barraquinhas que eu pensava tratar-se do início de um canteiro de obras eram a cobertura de um “refeitório” improvisado para os bóias-frias, contratados pela usina, que estavam trabalhando no plantio de cana-de-açúcar nas terras em volta do velho casarão. Desci do carro, me aproximei das barracas que coladas ao muro estavam vazias. Fiz questão de registrar tudo com fotografias. Poucos metros ao lado do “refeitório” outra barraca foi armada para ser utilizada como latrina. Chamou-me a atenção um forte cheiro de fumaça que vinha da parte de trás da casa e resolvi investigar. No alpendre, em cima do piso de ladrilhos centenário, foi improvisado um fogão com trempe de pedras que havia sido utilizado recentemente. Ainda havia restos de lenha queimada e muita sujeira em redor.
Quando cheguei ao museu tinha esperança de encontrar pelo menos o local limpo e vigiado. Esta simples providência já inibiria a ação dos vândalos que por ali passam e sempre encontra um jeito de maltratar ainda mais aquele patrimônio cultural.
A minha maior preocupação com o Guaporé é que os novos donos da Usina, empresários de Fortaleza, que além de não ter nenhum compromisso com aquele monumento histórico, talvez não conheçam a história nem a importância do Guaporé. E isso deixa espaço para num ato de desatino ou ignorância, algum capataz da usina, querendo mostrar serviço ou agradar ao patrão, possa com suas máquinas pesadas, destruí-lo num abrir e fechar de olhos, alegando que “aquela casa velha” estava atrapalhando o plantio da cana; a distribuição dos canos para irrigação da área ou mesmo a movimentação dos tratores. Não é difícil conseguir motivos para justificar atos insanos.
Na tarde de 13 de março de 1979, foi entregue oficialmente a população, totalmente recuperado, o solar do Guaporé. A cerimônia foi presidida pelo governado do Estado do Rio Grande o Norte, Dr. Tarcísio de Vasconcelos Maia, que estava encerrando o mandato. Também compareceram o vice-governador Geraldo José Melo, o Prefeito do Ceará Mirim, Edgar Varella, o professor e acadêmico Onofre Lopes, presidente da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, o advogado e historiador Enélio Lima Petrovich, presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, o escritor e poeta Franco Jasiello, presidente da Fundação José Augusto, o escritor e poeta Homero Homem, os poetas e acadêmicos Diógenes da Cunha Lima e Sanderson Negreiros, ex-presidente da Fundação José Augusto, o Cônego Rui Miranda, vigário do Ceará Mirim, o deputado Ruy Pereira Júnior, o senador Aluísio Chaves, do Pará, os advogados Heitor Varella e Hélio Dantas, e tantas outras pessoas do povo que acorreram ao solar para prestigiar o grande acontecimento sociocultural.
No discurso de entrega, após sua restauração, o saudoso e visionário Nilo Pereira já prognosticava: “Se a casa não tiver uso, voltará à ruína”. Sábias palavras. Como podemos ver, não demorou muito para acontecer o que ele temia.
Em 1978 o ex-governador Geraldo José de Melo, então proprietário da Companhia Açucareira Vale do Ceará-Mirim- Usina São Francisco - a quem as terras pertenciam, repassou por comodato, a Fundação José Augusto e a Prefeitura de Ceará-Mirim pelo período de 99 anos, tempo máximo permitido, a área que compreende o antigo casarão e a casa de banhos. Tanto a Fundação José Augusto como a Prefeitura de Ceará-Mirim foram totalmente negligentes em suas responsabilidades permitindo que a situação chegasse a esse ponto.
Essa destruição e abandono das belas construções dos antigos engenhos de cana-de-açúcar no vale do Ceará-Mirim constitui-se em prática bastante comum. Basta ver o que resta do que outrora foram as casas grande dos engenhos Ilha Bela, fundado em 1888; Diamante, que teve sua casa grande derrubada logo após ter sido vendido pelos seus proprietários; a casa grande e a capela do engenho Cruzeiro; a casa grande do Barão de Ceará-Mirim; a do engenho Carnaubal, fundado em 1840; do engenho Capela, fundado em 1868; do engenho Oiteiro, fundado em 1889 e tantos outros engenhos que desapareceram totalmente da paisagem do vale.
Quem anda pela região do baixo vale, a todo instante descobre dentro da vegetação crescida, restos de chaminés dos antigos engenhos que vencidos pelo tempo não resistiram ao abandono dos herdeiros de seus fundadores. Melancólica visão. Outrora aquelas chaminés propiciavam rara beleza quando suas fumaças turvavam o azul do céu nas tardes preguiçosas nos períodos de moagem. O ar se enchia do cheiro doce que vinha tanto das casas de purgar onde o açúcar mascavo descansava nas formas de madeira, purgando “mel de furo”, como da bagaceira que secava nos pátios dos engenhos para alimentar as caldeiras. Eram esses engenhos responsáveis pelo enriquecimento da região que além de empregar centenas de famílias, davam charme e beleza a quem visitava o vale de Ceará-Mirim.
Esse “grito de alerta” sobre o museu Nilo Pereira tem como objetivo continuar denunciando o descaso das autoridades e também chamar a atenção para que algo urgente seja feito no sentido de, pelo menos, não permitir que se deprede ainda mais aquele patrimônio, para que haja tempo de aplicar os recursos conseguidos.
Estou fazendo a minha parte. Denunciarei todas as vezes que for necessário. Semanalmente estarei visitando o local e rogo a Deus e aos “homens de boa vontade e também de responsabilidade” que em breve possa transformar essas visitas que atualmente só trazem tristeza e decepção em visitas de esperança e júbilo.
Espero sinceramente que em muito breve, ao passar em frente ao casarão do Guaporé, possa visualizar ao invés de latadas e latrinas, pedreiros e restauradores trabalhando na recuperação daquele belo monumento, orgulho de todos Norte-Riograndense, principalmente os nascidos em Ceará-Mirim ou os que com eu, tomaram por sua, a bela terra dos verdes canaviais.
Natal 17 de setembro de 2010.
Vídeo de vândalos depredando o museu - youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=lE5lMb7DvNc

quarta-feira, 22 de setembro de 2010



ATOS FINAIS
Ciro José Tavares
In Além da Rosa- dos –Ventos, 1990


Navega-me Phlebas,
amargurada gênese fenícia de Eliot.
Submersos assistimos livros resgatados
às empoeiradas prateleiras da terra desolada
Um dia, quem sabe?
Teu galeão conduzirá
derradeiros utensílios e ossos.
Reserva-me parte da carcaça
para sepultar nas sombras velhos sonhos.
E cabides.
Cabides, sobretudo!
para exposição das roupas abandonadas e poídas.
Lava meu corpo com o sal das preamares oceânicas,
retirando o mofo transpirado através das brechas seculares.
Acorrenta-me aos milimétricos desenhos,
gravados nos mosaicos.
Quero-me, limitado, escalar pálidas paredes
e tocar roofs beijados de chuvas.
Viajo-te, Phlebas,
para que possas escorar tuas ruínas,
viajando minhas dores infinitas.

terça-feira, 21 de setembro de 2010




III ENCONTRO POTIGUAR DE ESCRITORES – III EPE
De 26 a 28 de outubro de 2010

Coordenador Geral:
Eduardo Antonio Gosson
Coordenadores Adjuntos:
Aluízio Mathias
Carlos Roberto de Miranda Gomes
Francisco Alves da Costa Sobrinho
Maria Rizolete Fernandes
Comissão de Divulgação
Cid Augusto
Carla Sousa (Assessoria de Imprensa)
Nelson Patriota (Diretor de Divulgação)
Francisco Alves da Costa Sobrinho
Paulo Macedo
Paulo Jorge Dumaresq
Lívio Alves Oliveira
Jania Maria de Souza
Lucia Helena Pereira
Maria Vilmaci Viana
J. Pinto Júnior
Local: Auditório da livraria Siciliano (G5), no shopping Midway Mall

Data: 26 a 28 de outubro de 2010
Hora: 10h às 18h.

III ENCONTRO POTIGUAR DE ESCRITORES- III EPE
PROGRAMAÇÃO

26.10.10, terça-feira:
10h – Abertura Solene
(Eduardo Gosson – Presidente da UBE/RN)
11h30 – Jornalismo Político ontem e hoje
(Agnelo Alves, Woden Madruga e Ticiano Duarte)
Moderador: Tácito Costa
15h – Nossa Editora: uma proposta editorial
(Pedro Simões)
16h - Três leituras sobre o Dilúvio: Gênesis, Miguel Torga e Machado de Assis
Araceli Sobreira Benevides
17h – Cultura Mossoroense em Questão
(Crispiniano Neto , Caio César e Clauder Arcanjo)
Moderador: Cid Augusto
18h30 – Lançamentos de livros e sarau com a Academia de Trovas RN (Coordenação José Lucas de Barros)

27.10.10, quarta-feira:
10h – Centenário de Américo de Oliveira Costa
( Anna Maria Cascudo, Nelson Patriota e João Eduardo de Carvalho Costa)
Moderador: Jurandyr Navarro
11h30 – Contribuição dos dramaturgos nordestinos para o Teatro Brasileiro
( Henrique Fontes, Clotilde Tavares e Racine Santos)
Moderador: Sonia Othon
15h – Jornalismo Cultural: ontem e hoje
(Cinthia Lopes, Franklin Jorge e Sérgio Vilar
Moderador: J. Pinto Júnior
16h30 – Projeção do conto de José Saramago – A Maior Flor do Mundo
16h35 - Literatura Infantil Potiguar
(Bartolomeu Melo, Jânia Souza e Nivaldete Ferreira)
Moderador: Aluízio Mathias
18h - Lançamentos literários e sarau com a Sociedade dos Poetas Vivos e Afins (Coordenação Geralda Efigênia)

28.10.10, quinta-feira:
10h – A Importância dos Estudos Genealógicos
(Ormuz Simonetti, Clotilde Santa Cruz Tavares, Antônio Luís de Medeiros e Joaquim José de Medeiros Neto )
Moderador: Carlos Gomes
11h30 – Debate da Rede Nordeste da Literatura, do Livro e da Leitura.
( Mileide Flores, Rosemary Guillén e Rildeci Medeiros)
Moderador: Francisco Alves da Costa Sobrinho
15h - Compra do livro regionalizado no Nordeste
Informes sobre a Feira do Livro de Frankfurt 2013
(Tarciana Portela, Mileide Flores e Crispiniano Neto)
Moderador: Roberto Azoubel
16h30 – Madelena Antunes no Contexto da Literatura Potiguar
(Lucia Helena Pereira)
17h30 – A Nova Poesia do Seridó
(Iara Maria Carvalho, Wescley J. Gama e Ana Lúcia Henrique)
Moderador: Geralda Efigênia
18h30 – Lançamentos de livros e sarau com o grupo Casarão de Poesia
Coordenação: Aluízio Mathias

domingo, 19 de setembro de 2010

“ENTRE O MAR E A ROCHA” – O PACIENTE
Diz o ditado popular que “entre o mar e a rocha quem sofre é o marisco”. O mesmo pode se dizer da saúde pública no Brasil e, em particular, no Rio Grande do Norte. Vejamos a situação atual da “nova” greve dos servidores da saúde. De um lado a Prefeitura dizendo que a greve é ilegal, que o sindicato não respeita os 30% (trinta por cento) mínimos de médicos trabalhando, ajuizando, por meio da Procuradoria Geral do Município, ação civil pública para que a greve seja declarada ilegal.
Alega ainda a edilidade municipal que a atitude dos profissionais da saúde está paralisando a maternidade das Quintas e a Leide de Morais, na zona norte, onde não está havendo atendimento obstétrico, o mesmo ocorrendo nas unidades básicas e ambulatórios do distrito Oeste.
Já o SINMED afirma que o movimento é fruto da confessa deficiência da rede de saúde pública, com salários pouco atrativos e péssimas condições de trabalho e que o PCCV (Plano de Cargo, Carreira de salários) não atende aos reclamos da categoria, além da intenção crescente de terceirização da rede, como ocorre com a UPA.
Enquanto a prefeitura e os médicos se degladiam, mais uma vez os pacientes sofrem com a diminuição da qualidade de um serviço já notadamente deficiente, não podendo ter o pré-natal realizado de forma correta, colocando em risco os seus bebês, tampouco são realizados exames dos mais simples.
Estamos em ano de eleições e se pergunta: qual a proposta concreta dos candidatos para a saúde? Será que teremos sempre que ver o atendimento paternalista e pontual de exames e tratamentos médicos nas vésperas das eleições? Será que o povo não enxerga tanto canalhice?
No final da década de 80 foi anunciada mudança substancial no campo da saúde pública no Brasil. Era criado o Sistema Único de Saúde - SUS, fruto das lutas históricas do movimento sanitarista e dos segmentos menos favorecidos da sociedade, os quais, organizados em associações comunitárias, reivindicavam a construção de um modelo de saúde que superasse as práticas assistencialistas que, até então, não respondiam às expectativas e necessidades das pessoas.
O SUS trouxe consigo princípios básicos, como universalidade, integralidade e equidade. A saúde, como direito de todos, passou a ser defendida, inclusive no campo político, numa perspectiva ampla.
Todos os problemas aqui enumerados já são conhecidos por nós. Porém, agimos com letargia, nos conformamos com as migalhas que o sistema nos oferece. Será que sabemos de verdade como está sendo tratada a questão da proteção da vida de nossa população mais humilde, frente ao profundo fosso existente entre o discurso no campo político e a experiência cotidiana daqueles que dependem dos serviços públicos de saúde. É hora de cada um de nós buscarmos essa resposta a partir da reflexão sobre essa realidade que causa indignação e revolta. O Poder Judiciário, o Ministério Público, a OAB, de mãos dadas cumprindo o seu dever constitucional, para que o povo não continue sendo o pobre marisco “ENTRE O MAR E A ROCHA”.


ROCCO JOSÉ ROSSO GOMES
Advogado
Conselheiro Seccional da OAB/RN
Presidente da Comissão de Defesa da Saúde da OAB/RN
Professor do Curso de Direito da FARN
Pós-graduado em Direito Processual Civil

sábado, 18 de setembro de 2010

A VIDA SEMPRE ME SORRI. HOJE TRAGO NOVAMENTE A POESIA DA POETA BRASILEIRA - CORA CORALINA.

"A CASA VELHA DA PONTE - ÉS PARA O MEU CÂNTICO
ANCESTRAL, NA BENÇÃO MADRINHA DO PASSADO".
CORA CORALINA


ANA LINS DOS GUIMARÃES PEIXOTO BRETAS
(CORA CORALINA).
GOIÁS -20- 09-1889 - GOIÂNIA+ 10 -04 - 1985
POEMA DE CORA CORALINA PARA LÚCIA HELENA
RESTAURADO PELA POETISA GOIANA - MASÉ SOARES.

QUANDO DA VISITA QUE LHE FIZ, EM SETEMBRO DE 1973,
MOSTROU-ME RADIANTE, O SINGELO QUINTAL, DA CASA
JUNTO DA PONTE, COM MUITOS PÉS DE FRUTAS E FLORES.


"NO VELHO QUINTAL TENHO MINHJAS FRUTEIRAS.
COLHO-AS E FA~ÇO MEUS DOCES, BASTANTE APRECIADOS.
ESTE É O MEU PÉ DE LAJANJA DA TERRA" (set./1973)

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ANA LINS DOS GUIMARÃES PEIXOTO BRETAS
(CORA CORALINA).
GOIÁS -20- 09-1889 - GOIÂNIA+ 10 -04 - 1985

AGRADEÇO À POETISA GOIANA - MASÉ SOARES -
A MONTAGEM DESSAS FOTOS E A RESTAURAÇÃO
DO POEMA DE CORA CORALINA PARA MIM.

DE CORA CORALINA (SET.1973) PARA LÚCIA HELENA

À MENINA NORDESTINA DO VALE VERDE
CORA CORALINA

Poetisa Goiana
GOIÂNIA, 16 DE SETEMBRO DE 1973.

Assim surgiu, graciosa e simpática,
bem na porta de minha casa,
a menina nordestina,
com cheiro de cana-de-açúcar,
sorriso espelhando beleza.

Ela chegou,
pelas mãos da professora Maria de Lourdes Sena Xavier,
trajando roupinha leve e harmônica,
a mostrar sua preciosa juventude,
nas rosadas e cálidas faces,
qando emocionada abraçou-me e chorou.

Seu nome? Lucia, que já simboliza luz,
junto de Helena - que se não é de Tróia,
vem de de Atenas, com certeza.

Lúcia Helena, que jamais pisara em solo goiano,
confessou a impressão de já ter estado aqui,
tão familiar lhe pareceu a cidade,
que ela disse com muita ternura:
" Aqui sinto cheiro de flores e poesia"...
logo pedindo-me para declamar um poema.

Era a mnina de um verde vale,
do interior do Nordeste,
num lugarzinho chamado, Ceará-Mirim,
terra de ilustres literatos, historiadores
e artífices da poesia,
que ela citou desenvolta,
com satisfação e nobre orgulho.

Senti grande ternura pela mimosa jovem,
que até me viu cozinhar pétalas da laranja da terra,
tiradas do pé do meu quintal,
transformadas em saboroso doce cristalizado,
que ela provou e confessou, com muita sinceridade,
jamais ter degustado nada igual.

Menininha da terra de Câmara Cascudo,
não negou sua inteligência,
e, atenta a tudo que viu em minha humilde casa,
exclamou com infinita doçura:
"esta casa deveria ser o palácio
da doçura e da poesia, porque Cora Coralina existe".

Fiquei deveras emocionada,
com o desabafo da menina nordestina,
que me trouxe alegrias e um presente expressivo,
numa caixa de madrepérola, onde um terço belíssimo estava,
para então me acompanhar,
pelo resto dos meus dias.

Para você, Lúcia Helena, menina da terra do açúcar,
dedico esses humildes versos,
estrofes da simpatia que sinto,
pela formusura do teu porte,
e pela beleza do teu sentimento poético
tão cheio de encantamento.

Receba, Lucinha, esses versinhos da Cora,
que Coralina desenhou, neste papel sem graça,
e Ana Lins enfeitou, com rabiscos de pequeninas flores,
com a ajuda de Guimarães Peixoto Brêtas,
Pois assim, minha menina, um dia me batizaram
de Ana Lins do Guimarães Peixoto Brêtas.

Agradeço tua visita e te oferto este doce de laranja,
com muito afeto e açúcar,
para que leves à tua terra, o doce de Coralina,
já que a poesia é fraca,
não tem mesmo o grande valor,
dos mestres da Poesia Brasileira.

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OUTROS POEMAS DE CORA CORALINA

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POEMINHA AMOROSO
Cora Coralina

Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu...
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu...
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo...
eu te amo, perdoa-me, eu te amo..."

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MEU DESTINO

Cora Coralina

Nas palmas de tuas mãos
leio as linhas da minha vida.

Linhas cruzadas, sinuosas,
interferindo no teu destino.

Não te procurei, não me procurastes –
íamos sozinhos por estradas diferentes.

Indiferentes, cruzamos
Passavas com o fardo da vida...

Corri ao teu encontro.
Sorri. Falamos.

Esse dia foi marcado
com a pedra branca da cabeça de um peixe.

E, desde então, caminhamos
juntos pela vida...

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ASIM EU VEJO A VIDA
Cora Coiralina

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.

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MULHER DA VIDA
Cora Coralina


Mulher da Vida,
Minha irmã.
De todos os tempos.
De todos os povos.
De todas as latitudes.
Ela vem do fundo imemorial das idades
e carrega a carga pesada
dos mais torpes sinônimos,
apelidos e ápodos:
Mulher da zona,
Mulher da rua,
Mulher perdida,
Mulher à toa.
Mulher da vida,
Minha irmã.’

(Poemas de Goiás e Estórias Mais, p.201, 1996)

FONTE: blog de LÚCIA HELENA

PRIMEIRO ANIVERSÁRIO DE FUNDAÇÃO DO INRG
Na data de ontem, na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras foi comemorado o 1° aniversário do INSTITUTO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA, com uma festa bem organizada pelo seu Presidente Ormuz Barbalho Simonetti e que deixou em todos uma excelente impressão.
Tivemos pronunciamentos do próprio Ormuz e mais de João Felipe da Trindade, representando todos os sócios fundadores, efetivos e correspondente que receberam os seus diplomas na ocasião e do genealogista Joaquim José de Medeiros Neto que, de improviso, brindou a platéia com uma homenagem a Tomaz de Araújo Pereira, o Patriarca do Seridó, impressionando a todos pela sua prodigiosa memória. O Presidente Ormuz apresentou aos presentes o brasão do INRG, dando a explicação de sua simbologia, enaltecendo ter sido um trabalho esmerado da autoria do artísta plástico Levi Bulhões que se encontrava no auditório.
Presenças ilustres compareceram à sessão e o cerimonial foi conduzido pelo escritor Carlos Gomes, titular deste blog.
Após a solenidade foi servido um coquetel e efetivado um grande congraçamento entre os sócios.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O FOGO ESCARLATE DO RELIGIOSO
13 de setembro de 2010 Por Marcelo Alves Dias de Souza*


Li nos impressos e na WEB que um pastor americano, para lembrar o 11 de setembro, andava prometendo queimar exemplares do Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos. Mistura de fanatismo religioso e vontade de aparecer, a promessa despertou a atenção daqueles dotados de um mínimo de bom senso. Desde a bela Angelina Jolie ao sisudo Bento XVI (a Santa Sé considerou o plano “indigno e grave”), inúmeros foram os protestos contra a piromania do pastor, de não mais de cinquenta ovelhas, de obscura congregação no estado americano da Flórida.

Se publicidade era o que pretendia o “Nero cristão”, isso ele, infelizmente, já obteve (sim, após “aparecer”, ele, por hora, desistiu do intento). E se minha vontade agora é deixar de lado esse tipo de desatino, o fato é que o “fogo” do pastor pode haver ensejado um novo recrudescimento da intolerância religiosa, que merece ser cuidado e amornado (os EUA, assim como a Interpol, chegaram até a emitir alerta sobre o risco de atentados terroristas em contrapartida ao protesto).

Não bastasse a clara provocação ao Islã que o ato ensejaria, a verdade é que livros, sagrados ou não, são para serem lidos, consultados, tocados e até cheirados (há quem goste do cheiro dos livros, especialmente os novos, sabiam?). Ou, mais poeticamente, como orava Castro Alves (1847-1871), semeados. “Oh! Bendito quem semeia livros, livros à mão cheia e manda o povo pensar! O livro caindo n’alma, é germe que faz palma, é chuva que faz o mar!”, pregava o nosso poeta.

E se é para semear livros e pregar contra a intolerância (religiosa, racial, sexual, etc.), sobretudo a que vem de uns EUA interiorano e puritano, que tal lembrar “The Scarlet Letter” (1850), de Nathaniel Hawthorne (1804-1864)?

Certamente um dos grandes romances da literatura norte-americana de todos os tempos e extremamente interessante para os amantes do Direito, “The Scarlet Letter” é, como bem explica nota da edição de Bolso da obra da Wordsworth Classics (1999), uma dolorida narrativa de crime, pecado, culpa, punição e redenção, ambientada em uma Nova Inglaterra do século XVII, puritana e casta.

Uma jovem mãe de um filho ilegítimo confronta seus intolerantes juízes/clérigos. Condenada a viver com a letra “A” estampada em seu peito, sinal do seu adultério, as histórias de Hester Prynne, do seu marido “traído” e do seu amante são retratos de vidas destruídas pelas culpas e pela dor que foram, em razão da rígida moral da época, “obrigados” a carregar. Culpa e dor que culminam na revelação da verdade e no trágico clímax da obra.

Pondo de lado inúmeros aspectos do livro, como o seu inovativo caráter de romance psicológico e a curiosidade de ser Hawthorne descendente de um dos juízes das bruxas de Salém, o que me deixa hoje mais encafifado, recordando a intenção piromaníaca do pastor, é como, passados mais de três séculos da saga de Hester Prynne, os EUA se mantêm, sob muitos aspectos, tão puritano e intolerante como era àquela época. Tão grande e tão pequeno, eu diria. E, de resto, não só os EUA. Como poetava Drummond (1902-1987), o mundo mesmo é grande e pequeno.

E de recordação em recordação, a leitura de “The Scarlet Letter” e a piromania do pastor nos remete a outras imagens e erros do passado. Aonde a intolerância e o fanatismo não nos são capazes de levar? “Onde se queimam livros, no final também se queimam pessoas”, um dia gritou Heinrich Heine (1797-1856), como que adivinhando o que se daria em sua Alemanha, com o Nazismo, cerca de um século após a sua morte.

Mas será que o ser humano vem aprendendo com seus erros (ou com sua literatura)? Parece que não. Não obstante a luta contra a intolerância religiosa e o terrorismo, quase que cometemos um novo erro por esses dias. Nesse ponto, parafraseando Agripino Grieco (1888-1973), até mesmo nos erros, em tudo de muito novo há sempre algo de muito velho.
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*Marcelo Alves Dias de SouzaProcurador da República
Mestre em Direito pela PUC/SP
Doutorando em Direito pelo King’s College London - KCL

Fonte: "O Santo Ofício", de Franklin Jorge