sexta-feira, 13 de agosto de 2010

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

DORIAN GRAY NEL BLU DIPINTO DE BLU

“Eis-me agora, rio acima,
construindo o entardecer.
...
Mas tanta cor não cabe nesse espaço
e arrebenta os limites que a circundam
...
Desta planície azulverde
cidade de rio e mar,
irei até onde a terra
deixou terras por achar.”

Carlos Pena Filho

O Rio Grande do Norte é vário e múltiplo. E patrimonialista, quando se trata de assuntos culturais. Adotou um jeito de amealhar os seus valores, a partir do estabelecimento de uma moeda múltipla, mas única, com exemplares exclusivos de cada espécie. Somos cautelosos. Ainda guardamos o sistema das capitanias, retirando-lhes, todavia, o caráter hereditário. O que há de novo no modelo reformado é exatamente isso, o legado extingue-se com os donatários. Porque estes são únicos.
A terra potiguar foi distinguida por três donatários, únicos, insubstituíveis: o olímpico Cascudo, que poderia ter emprestado o seu nome para designar a sua terra natal, tanta é a sua grandeza; o poeta Jorge Fernandes, moderno antes dos antecipados e soi-disant modernistas - pré e pós modernista, portanto; e um ícone contemporâneo, idealizador de uma linguagem plástica intimista, bem nativa, no entanto universal: Dorian Gray Caldas.
Um ganso de plantão no capitólio potiguar está me azucrinando os ouvidos, cochichando o nome de Newton Navarro. Está correto, concedo. Mas, creio, nas bainhas da minha modesta estatura, que Navarro, mestre do desenho e das aquarelas, íntimo do colorismo, era mais abrangentemente regionalista e menos nativo nas suas composições. Talvez tenha descoberto uma linguagem universal que aculturou à sua terra, diversamente de Dorian, que criou uma linguagem regional para universalizá-la pela originalidade, como uma marca, uma griffe.
Ouso mais. Tenho para mim que não há Dorians, senão o personagem de Wilde, nem clones, nem cópias, porque o seu traço e a tessitura das suas composições são inconfundíveis. Podem até não gostar do seu desenho ou da sua policromia, por razões estéticas, mas haverão de conceder-lhe a autoria exclusiva, uma digital, uma patente.
Em Dorian Gray não encontro a pomba branca do poeta visual Pablo Ruiz, que vez por outra se aninhava entre os dedos plásticos do gigante Newton, mas um golinha miúdo, cantante e trêfego, escapando com facilidade das mãos operárias do veranista-ano-inteiro de Búzios para esvoaçar as suas telas.
Aliás, as mãos de Dorian são o contraponto da sua singular sensibilidade, da alma poética e da visão lírica daquele em quem vislumbrei, quando da apresentação que fiz do seu livro `Poema para Natal em Festa`, ”o extraordinário pintor de marinhas, azuis cartografias reveladoras da essência astral das nossas praias”.
Mas é no traço, na facilidade com que, com inigualável economia, sem sovinices na harmonia, tece as suas composições, que se notabiliza o donatário, pintor-poeta-tapeceiro-escultor e desenhista, que em nada se identifica com o personagem de Wilde.
Tem mãos enormes e distorcidas, como um operário ou um agricultor do inexcedível Portinari, mas prima por ser um artífice de tamanha sensibilidade que com elas acende estrelas e luas e faz delicadíssimos origamis de flores e aves. Tal como se tem no poema de Carlos Pena Filho, opera-se uma tocante empatia com o ofício do belo: “Em tuas mãos, manchadas de ternura, pousaram brancos pássaros...”. Quanta leveza no traço poético do pintor, ou na pintura do poeta, como se as mãos repetissem a navegação e o risco dos pássaros no vôo.
Nesse ponto, tomo de empréstimo uma imagem metafórica, criada por Cascudo para identificar a leveza do andar das francesas de sua época: “ A allure da francesa, leve, rápida, tocando a terra o suficiente para não ser inteiramente vôo...” As mãos do poeta-pintor-poeta tocam a tela e o papel apenas o suficiente para que elas não se confundam com a própria obra e o artista, diluído na tela, ensandecido pela beleza, comandasse à sua obra: parla!
É tanta a fascinação que a obra de Dorian exerce sobre a minha estética, que cometo, sempre, apropriações indevidas, confesso temerariamente. Coleciono ilustrações de livros e revistas, reproduções de algumas marinhas e tapetes; fotografo alguns quadros – mas, sobretudo, os desenhos, as iluminuras tão singelas e expressivas a um só tempo. Porque Dorian não produz um traço, não rabisca aleatória ou automaticamente uma figura, ou uma paisagem, ele “interpreta” o momento ou a composição que trabalha, oferecendo ao visualizador um estado de espírito, a fixação de um instante banal eternizado pela beleza.
Senão, confiram as ilustrações da Revista do Conselho Estadual de Cultura do Rn, (edições de 2005, 2006 e 2007 – especialmente as ilustrações das “Cervantinas”) ou as iluminuras do seu livro, já referido, (“Poemas para Natal em Festa”) ou “Cartas da Redinha”, de Vicente Serejo, editados pela “Nossa Editora”, nos anos oitenta.
São esfumados, grafites, riscos, geniais rabiscos, menos que o risco imaginário de uma andorinha num céu primordial, um fio da teia da aranha, da renda negra do véu missal, ou dos cabelos de tão negros, azulados, das morenas do congo.
Em “Sonhos”, Kurosawa produz alguns cenários que de fato são, ou poderiam ser do mestre Van Gogh e imagina um diálogo entre um amante da obra do pintor e o genial artista holandês, em que, atendendo a uma pergunta do interlocutor, Van Gogh diz que a natureza põe todo o seu acervo a serviço do pintor, estaria tudo subjacente ao alcance do observador, por isso que a tarefa, a missão estética do artista, seria apenas a de “ver” e “interpretar” os cenários e os modelos humanos.
Concordo que o artista plástico não pode se caracterizar como mero fotógrafo, trabalhando com fidelidade obsessiva o modelo que o atrai, embora haja mérito neste tipo de trabalho; nem como copista do “ver” alheio, como contrafator de idéias ou de estilos alheios. Haverá de distinguir-se pelo seu modo especial de “enxergar” a realidade, revelando outras perspectivas, novas expressões, uma estética peculiar que poderá ou não provocar empatia no observador. Não importa. O bom artista busca a comunicação com o mundo, instiga a empatia, mas não compõe para agradar.
Nas suas marinhas, Dorian evola os elementos pictóricos, envolvendo-os com a sua linguagem e os acumpliciando, sem convertê-los em subalternos uns dos outros. Há uma unidade distinguível, onde se percebe uma “atmosfera” – como distinguem os impressionistas - transitória entre o azul e o verde, elemento de fusão da paisagem. Mas releva-se o mar, as pedras, a areia e a sugestão de alguma vegetação circunstancial.
O mais curioso, na minha percepção leitora incipiente, é que não encontro o desértico ou a solidão na paisagem Doriana, de resto vazia do ser humano. Porque não resisto ao imaginário, conduzido pela composição e “vejo” sugestivamente um pescador, uma mulher solitária, uma criança e o seu cachorro, ou um contemplativo desfrutando aquela cena. Como eu, talvez como os guardiões dos belos quadros.
Essas marinhas se parecem e se distinguem. São assemelhadas no “clima”, mas diferentes na “leitura” de Dorian. Cada uma delas guarda conformidade com o momento, a circunstância, a emoção peculiar do artista. Por isso que, no primeiro momento, temos a impressão de que quem viu uma, viu a todas. Depois, observando-se atentamente e se deixando envolver pela mística do cenário, tem-se a certeza de que há apenas a semelhança temática que nos conduz a essa generalização simplificadora.
Quanto ao desenho não há como não identificá-lo como obra de Dorian.
Percebe-se a avareza no supérfluo, mas a riqueza na essência, pari passu com a acessível visibilidade do tema elaborado. Por vezes, parece-me que o desenhista pretende provar que não é necessário o “barroquismo”, o traço rebuscado e alegoricamente ornado para se obter um resultado estética e figurativamente satisfatório. Às vezes imagino que o homem faz o estilo, que é o próprio ser Doriano que se projeta nos desenhos.
Já vi Dorian mover o “crayon” três ou quatro vezes sobre o papel e oferecer-nos uma bela e rica composição.
Não sou crítico de artes, nem sequer um connoisseur. Minhas opiniões se limitam à minha percepção e senso estético pessoal. Vale dizer, gosto ou não gosto, na justa medida em que a obra me diz ou se recusa a me dizer alguma coisa, negando-me a oportunidade de interagir com ela.
Com Dorian eu consigo ler mensagens, reviver o imemorial. Sobretudo quando recolho pedaços de “Búzios” nas marinhas. Ou quando identifico a festa de Reis, o martírio de Frei Miguelinho, o Quixote que reverencia Cascudo, enquanto este degusta um charuto; os tipos populares da minha terra. Por isso proclamo a nordestinidade potiguar de Dorian e o elejo o pintor, desenhista poeta e tapeceiro mais comprometido com a terra norte-rio-grandense, rendendo-lhe as merecidas homenagens.
Não bastasse esse tudo de artes plásticas, o poeta está subalterno e é estuário do pintor, exatamente pela visão plástica de que se alimenta o poeta. Ora, se o poeta é contemplativo, valendo-se dos olhos da alma, que dirá se a sua sensibilidade for potencializada pela visão de quem sabe ver, de quem tem o ofício e a qualidade de valer-se de forma privilegiada dessa sua percepção sensorial?
É um poeta que explora o seu onipresente nativismo, ora “brincando” o Boi Calemba e o Pastoril, multicolorindo as escrituras de metáforas e de estórias líricas, ora se atirando no azul danado de azul do mar e do céu potiguar, os pés descalços deslizando pelas alvas areias das dunas e marcando o território da poesia, como os animais o fazem com o seu espaço físico.
Convertendo em sóis, as manchas amarelas das marinhas e em agasalhos para as noites de pequenos vendavais e de estrelas à beira-mar, os tapetes ornados de motivos paisagísticos e figurativos saídos dos seus sonhos mais reais.
Viaja, sempre no dorso da ave-do-paraíso de Nassau, sobre o Rio Potengi até o portal do Atlântico, e faz reverência a Rifoles que se incrustou na pedra que aportuguesou o seu nome.
É caranguejo, goiamum, siri, sargaço arribado e retornado, movimento de maré, vaga oceânica, espuma rendada depositada à beira-mar, sol, sóis, estrela Dalva, lua caprichosa banhando-se no mar de Búzios, Maria Farinha pequena, ágil e imponderável. Caju, Manga, Guajiru, Mangaba, Coco verde...
Eis que no remanso, o aguarda uma sereia morena, sabendo a Gauguin, coroa de flores, dentadura alva, boca transpirando sorriso de cravo, vestido encarnado e azul, com certeza a Diana do Pastoril de ontem que ilustrou a tela e um tapete, hoje doce e compassiva oferta para uma teia poética.
Em casa, Wanda, a bem-amada o saúda com um arranjo de lindas e singelas flores baldias, colhidas ao acaso, tão floridos os arredores do lar. Dione debulha o dia numa tela recém-violada. Adriano exerce o oficio fácil de poeta porque posseiro desse cotidiano, cheio de harmonia e de beleza. Presente, a memória da mãe, duplamente Ninfa, no pressentido arrastar de sandálias, nos quadros e tapetes guardados num relicário.
Família iluminada esta, que transcende a casa de Dorian e alcança Zaira, a fazedora de vitrais, a que filtra o sol e o distribui em mil cores, nos templos religiosos e pagãos, e Isa, a dançarina que alça vôo com os pássaros e se torna luz e sombra, a quem cabe a allure a que se refere o Mestre da Junqueira Aires.
Herdeiro também de Luis Rabello, poeta-poeta porque é também trovador, o que é porque é, porque nasceu com esta compulsão e não aprendeu a despir-se das palavras que costumam se reunir em rimas por encanto.
A esse conjunto familiar harmonioso nunca faltou a sugestão de Adélia Prado quando nos diz que certo dia o pai mandou pintar a casa de alaranjado brilhante e que desde então estavam constantemente amanhecendo. Que bela metáfora para descrever a realidade feliz de um pintor-poeta ou poeta-pintor e a sua família de artistas.
Por último, mas não menos importante, a sua característica pessoal mais marcante: o cavalheirismo. A fidalguia natural. Porque não ousar dizer: a doçura. O domínio vocacional de outra arte – a de ser bom e de fazer o bem; a coragem de ser “clean”, tal como a sua arte e a sua poética, numa época “dark” que espalha a negritude e a rutura sob a roupagem de vanguardismo.
Tenho os meus “anjos” já identificados na série de “perfis” que publiquei e a qual este texto se agrega. Disse, nesses esboços já publicados, que os amigos são como anjos, homenagem ao ofício da amizade, podendo chegar a arcanjo ou tornar-se um dos “caídos” por infidelidade do mandato recebido. Jales Costa, Armando Holanda e Bartolomeu Correia de Melo são da espécie angelical: Jales é anjo-filósofo, monitor de Platão; Armando foi promovido a arcanjo; Bartolomeu é anjo-trovador com a missão de estabelecer os fundamentos da freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Rio dos Homens.
Dorian é da espécie que auxiliou Rafael, Michelangelo e Fra Angelico nas composições sacras e por isso foi ungido por Deus, por merecimento e confiança, à condição de desenhista e pintor de temas profanos, com ampla liberdade para criar e até de afastar-se do formalismo acadêmico. Mais que alforria, foi um ato de compaixão e de amor do Criador às suas criaturas. Quis o Pai Eterno que ele fosse deslocado das oficinas divinas, para as forjas planetárias. Para oferecer este prazeroso desfrute aos seres humanos.
Pedro Simões – Professor de Direito (aposentado), Escritor e Advogado.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010


Dia do Advogado - OAB 2010
CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES – Membro Honorário Vitalício da OAB/RN

Lição de TRISTÃO DE ATHAYDE:
"O passado não é aquilo que passa, mas o que fica do que passou".

Com o passar dos anos e já ultrapassado o viço da juventude, teimo em evocar a criação dos cursos jurídicos em 11 de agosto de 1827, gesto que permitiu o surgimento de ideais corporativistas, à imagem da Ordre des Avocats da França, berço cultural dos bacharéis do Brasil.
A data de 11 de agosto, por conseguinte, foi escolhida para comemorar essa grande iniciativa, considerada como O Dia do Advogado, consagrando as forças do primitivo ideal do Parlamento do Império – alforriar, além da independência política que fora conquistada, também a liberdade intelectual, através dos Cursos de Direito de Olinda, Recife e São Paulo, como verdadeira Carta Magna, que nos ofereceram os sempre lembrados Bacharéis Teixeira de Freitas, José de Alencar, Castro Alves, Tobias Barreto, Ruy Barbosa, o Barão do Rio Branco, Joaquim Nabuco, Fagundes Varella, dentre tantos.
Sob a influência da Revolução de 1930 foi criada a Ordem dos Advogados do Brasil, que teve como primeiro presidente o advogado Levi Carneiro, o qual a comandou por muito tempo, tendo por instrumento primeiro o Decreto nº 19.408, de 18 de novembro de 1930, que assim proclamava:
Art. 17. Fica criada a Ordem dos Advogados Brasileiros, órgão de disciplina e seleção da classe dos advogados, que se regerá pelos estatutos que forem votados pelo Instituto da Ordem dos Advogados Brasileiros, com a colaboração dos Institutos dos Estados, e aprovados pelo Governo.
O Rio Grande do Norte foi um dos primeiros Estados a criar a sua Seccional, partindo da idéia do consagrado jurista Hemetério Fernandes Raposo de Mello, então Presidente do Instituto dos Advogados do RN, em reunião preparatória realizada no longínquo 05 de março de 1932, no prédio do Instituto Histórico e Geográfico, presentes os causídicos Francisco Ivo Cavalcanti, o Primeiro Presidente, Paulo Pinheiro de Viveiros, Manoel Varela de Albuquerque, Bruno Pereira e Manuel Xavier da Cunha Montenegro e oficialmente reconhecida em 22 de outubro do mesmo ano.
Hoje, tendo por comando o Estatuto da Advocacia e da OAB, aprovado pela Lei nº 8.906, de 04 de julho de 1994, vem mantendo altaneiros os princípios e propósitos dos fundadores, cujos fins estão assim marcados:

Art. 44. A Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, serviço público, dotada de personalidade jurídica e forma federativa, tem por finalidade:
I – defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado democrático de direito, os direitos humanos, a justiça social, e pugnar pela boa aplicação das leis, pela rápida administração da justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas; II – promover, com exclusividade, a representação, a defesa, a seleção e a disciplina dos advogados em toda a República Federativa do Brasil.

A atual administração presta neste ano uma justa homenagem aos primeiros bacharéis da nossa Faculdade de Direito de Natal – Turma de 1959, em que foi paraninfo o grande Mestre EDGAR FERREIRA BARBOSA.
PARABÉNS COLEGAS ADVOGADOS.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

(Colaboração recebida da amiga Rizolete)

O que matou Rafael?
Estou em Paulínia e fico sabendo da notícia da morte de Rafael, filho da minha querida Cissa Guimarães. Meu coração começa a sangrar e a doer como se fosse o dela, como se a gente fosse parente e, quase como se fosse menino meu, embora nada chegue aos pés da dor dela. Claro que morrem milhares de jovens nesse país a toda hora e nem ficamos sabendo da prematura e anônima notícia, e por isso que dirão que só nos comovemos com essa perda porque é filho de artista conhecida. Ora, é e não é. Essa atenção se dá não só porque temos acesso ao fato, porque ele sai no jornal, mas principalmente porque o artista nos representa. Cissa simboliza alguns signos: força feminina, independência, modernidade, informalidade, honestidade, uma vez que seu nome nunca esta envolvido em falcatruas, responsabilidade materna, porque todos sabem que ela criou os três filhos, sem contar seu carisma e sorriso, que desde a primeira versão do Vídeo Show, fazem dela uma espécie de gente da nossa família. Por isso nos importamos tanto, por isso dói na gente porque fica representando nossos filhos e os filhos de quem não sai no jornal. O menino dela é menino nosso.Tenho em minha mente a imagem dela lendo meu poema Chupetas, punhetas,, guitarras” no espetáculo O Semelhante. Ela adora esse poema e, como minha convidada, chorava lágrimas sinceras ao dizer os versos: ‘...faço compressas pra febre, afirmo que quero morrer antes deles....” Por causa dessa imagem nem tive coragem de ligar para ela e, impossibilitada de dar-lhe meu abraço por estar em viagem, busquei nas palavras algum remédio que buscasse o entendimento desta tragédia. Por isso pergunto: “O que matou esse jovem de menos de vinte anos? O que lhe roubou o futuro?”. Pelo o que li e vi na TV, a impunidade integra ,de novo, o elenco da barbárie. Policiais que estavam no local, ao que parece, foram outra vez coniventes com quem desrespeita a lei que representam. Não conheço os assassinos de Rafael e nem quero aqui ser leviana, mas toda hora vejo uma legião de famílias que não prioriza o amor pelo seu semelhante no conteúdo educacional dos seus filhos. Não é só para bandido que a vida não vale nada. Não. Ela também não vale para o menino que, com o carro que talvez nem possa manter, dá cavalo de pau em um túnel fechado cuja placa de interdição ele não aceita. Há jovens criados com a perversa ilusão de que tudo podem e que diante de seu poder e dinheiro não existem porta fechada, respeito, lei. Desde quando mataram o índio em Brasília que me caiu essa ficha:Alguém dentro de casa ensinou, através de palavras ou ações, a esses meninos infratores da classe média e da alta, que a vida não vale nada. Esse assunto tem raízes mais profundas e nos leva a questionar como estamos educando nossos filhos. Gente ou monstro? Precisamos saber se estamos educando nossos filhos dentro da cultura da paz e afinados com os Direitos Humanos. Nesse sentido entendo que violência no futebol, na escola, pegas de carros, e outras agressões no trânsito, o recorde de vendas de armas de fogo que o Brasil atingiu nos últimos anos, excesso de vaidades anabolizantes, a corrida louca pelo dinheiro e outros sórdidos sensos comuns integram para mim a cultura da guerra. Hoje, mesmo com casamento gay, preconceitos ainda destilam suas variadas conseqüências em nosso mundo contemporâneo que ainda mata mulher por “amor”. Então que evolução é essa? A que nos convoca esse novo tempo? Por isto e para isso escrevo, meus senhores, para que não fiquem impunes os cúmplices desse crime por atropelamento, para que os pais parem de uma vez por todas de armar seus filhos por foraoferecendo-lhes carrões, cartões de crédito sem limite, nenhum juízo, e passem a amá-los por dentro mostrando todos os valores que o dinheiro e o poder não compram, mas que podem salvar uma vida. Cissa, meu amor, quem me dera essas palavras pudessem restituir o tecido rasgado do seu peito nessa hora. Quisera poder adormecer seu coração, anestesiar o seu olhar sobretudo o que recordará a partida do seu fruto. Não posso. Só sei que o tempo fará com que, o que hoje é ausência, vire presença luminosa e eterna na sua memória e que você, o Raul e seus outros filhos construam com valentia e calma essa sublimação. Nem a morte apaga o que o amor construiu, isso eu sei. Termino essa crônica com o verso do tal poema que aqui está a serviço de seu coração generoso : “choram Meus filhos pela casa, eu sou a recessiva bússola, a cegonha, a garça, com o único presente na mão: saber que o amor só é amor quando é troca e a troca só tem graça quando é de graça.”
Beijos, sua Elisa Lucinda.

“Cada lição será repetida até que seja aprendida. Cada lição será apresentada a você de diversas maneiras, até que a tenha aprendido. Quando isto ocorrer, poderá passar para a seguinte.”

domingo, 8 de agosto de 2010


fonte: Revista ZAP

Eis que o dia amanhece radioso. O sol promete reinar nestas paragens. Aproveitemos o calor astral e humano para abraçarmos os filhos, netos, esposas(os), amigos e a saudade dos pais que já partiram. Compartilho com os meus leitores as mensagens recebidas. Um grande abraço a todos do Miranda Gomes.
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SE EU TIVESSE CONVIVIDO COM O MEU PAI Odulio Botelho Medeiros

Se eu tivesse convivido com o meu pai, certamente eu seria mais feliz. A minha infância teria sido diferente, sem timidez, tristezas ou desencantos. Se eu tivesse convivido com o meu pai, os percalços teriam sido menores, pois o seu ombro fraterno teria me consolado. Se eu tivesse convivido com o meu pai, não teria os pesadelos que ainda hoje os tenho: dormiria um sono mais profundo e reparador.

Se eu tivesse convivido com o meu pai, o medo não existiria e uma fortaleza interior guardaria comigo até hoje. Se eu tivesse convivido com o meu pai, teria ouvido e recebido os seus conselhos, as suas lições, e a vida teria sido mais leve, mais benevolente, e, inegavelmente mais virtuosa.

Se eu tivesse convivido com o meu pai, teriam sido destruídas todas as fragilidades interiores e, com certeza, haveria de olhar para frente e sempre para o alto. Se eu tivesse convivido com o meu pai eu seria muito mais alegre, ameno e mais tolerante.

Se eu tivesse convivido com o meu pai, enfrentaria as dúvidas que ainda restam e as desconfianças que ainda carrego. Se eu tivesse convivido com o meu pai, me revelaria mais humano e mais compreensivo. Se eu tivesse convivido com o meu pai, teria tido mais condições para entender os semelhantes e amá-los com maior profundidade.

Se eu tivesse convivido com o meu pai, a minha gratidão seria mais reconhecida e eu poderia noticiar a todos o meu agradecimento. Se eu tivesse convivido com o meu pai, teria jogado mais peladas de futebol, teria cantado mais, e estudado muito mais e hoje falaria o idioma inglês e teria feito versos como o poeta Castro Alves.

Se eu tivesse convivido com o meu pai, não teria trabalhado tanto, desde os dez anos de idade. Se eu tivesse convivido com o meu pai, acreditaria mais nas pessoas e não haveria desconfiança. Se eu tivesse convivido com o meu pai, possivelmente, assistiria novela de televisão e valorizaria mais as manifestações do povo e entenderia melhor a sua angústia.

Se eu tivesse convivido com o meu pai, teria sido melhor filho, melhor pai, melhor avô, melhor marido, melhor irmão, melhor amigo e até melhor de coração. Se eu tivesse convivido com o meu pai, teria tido infindáveis palavras de agradecimento pelo dom da vida.

Se eu tivesse convivido com meu pai, o levaria ao futebol nas tardes dos domingos, aos bares da vida, armaria para ele a melhor rede de dormir e ficaria a ouvir a sua voz e os seus lamentos. Se eu tivesse convivido com meu pai, o deixaria bem à vontade, contanto que ele ficasse de bem com a vida.

Se eu tivesse convivido com o meu pai, não desperdiçaria o seu convívio, sairia sempre com ele para beber e até namorar. Se eu tivesse convivido com o meu pai, acreditaria mais na sorte, na vida, nas pessoas, no destino e muito mais em DEUS.

_____________(enviado por Zequinha)___

Pai,

Você sabe que sempre foi o NORTE em minha vida, dando-me exemplo de caráter, retidão e amor.

A idade não torna as pessoas obsoletas, mas lhes dá a sabedoria que só o tempo ensina.

Se não tens mais “cargos públicos”, como sempre diz, possui um nome construído com a argamassa da retidão de comportamento.

És um homem sábio e probo, respeitado por TODOS. Teu nome e exemplo se perpetuarão para sempre, não só entre os que lhe conhecem, mas principalmente entre os que te amam.

Do seu mais orgulhoso e admirador fã (seu filho).

Te amo!!!

Roquinho.

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Pai!

Com a mensagem em anexo, tento demonstrar 1/3 da importância que o Senhor tem em minha vida.
beijão!!!
te amo,
Carlinhos
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"As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis/ sobre um fundo de manchas já cor da terra/ - como são belas as tuas mãos,/ pelo quanto lidaram, acariciavam ou fremiam da nobre cólera dos justos.../ Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza que se chama simplesmente vida."
(Mário Quintana)

Minha homenagem ao "Dia dos Pais"
Com afeto,
Bandeira
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A DOCE LÁGRIMA

Lúcia Helena Pereira


Ela escorria da ladeira d´alma

Radiosa como um sol.

Vinha de um cantaro de perfumadas flores,

Docemente deslizando dos meus olhos.


Bem à beira daquela fonte de luz e riacho,

A lágrima passava veloz

Misturando-se à incansável fusão de águas

Que o segredo buliçoso do momento,

Expandia!


Havia naquela lágrima, uma doçura imensa,

Canção distante no olhar querente

Insatisfeito, magoado, espinho cravado na íris

Ferida ainda aberta, sangrando...


A minha lágrima dorida

É uma fonte imensa de tristeza

Caindo num lago azul, só de flores,

Onde anjos banham-se e cantam.


Onde os meus sorrisos de infância?

Onde a felicidade de outrora?

Onde recuperar o passado?

Onde não sofrer buscando explicações?

Desce um céu de luz dos meus olhos,


Inebriante estrela fulge ao longe,

Sinto-a escorregar entre os meus dedos...

É a lágrima contente, a festejar!

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Só 25,00! É pouco, mas significa muito e não é pedido de ajuda!
#Só R$25,00


Um homem chegou em casa tarde do trabalho,cansado e irritado encontrou o seu filho de 5 anos esperando por ele na porta .

- "Pai, posso fazer-lhe uma pergunta?"

- "O que é?" - respondeu o homem.
- "Pai, quanto você ganha em uma hora?"

- "Isso não é da sua conta. Porque você esta perguntando uma coisa dessas?", o homem disse agressivo.

- "Eu só quero saber . Por favor me diga, quanto você ganha em uma hora?"

- "Se você quer saber, eu ganho R$ 50 por hora."
- "Ah..." o menino respondeu, com sua cabeça para baixo.
- "Pai, pode me emprestar R$ 25,00?"
O pai estava furioso, "Essa é a única razão pela qual você me perguntou isso? Pensa que é assim que você pode conseguir algum dinheiro para comprar um brinquedo ou algum outro disparate? Vá direto para o seu quarto e vá para a cama. Pense sobre o quanto você está sendo egoísta", "Eu não trabalho duramente todos os dias para tais infantilidades."

O menino foi calado para o seu quarto e fechou a porta.

O homem sentou e começou a ficar ainda mais nervoso sobre as questões do menino.

- Como ele ousa fazer essas perguntas só para ganhar algum dinheiro?

Após cerca de uma hora, o homem tinha se acalmado e começou a pensar.
Talvez houvesse algo que ele realmente precisava comprar com esses R$ 25,00 e ele realmente não pedia dinheiro com muita freqüência. O homem foi para a porta do quarto do menino e abriu a porta.

- "Você está dormindo, meu filho?", Ele perguntou.
- "Não pai, estou acordado", respondeu o garoto.
- "Eu estive pensando, talvez eu tenha sido muito duro com você a pouco?", afirmou o homem. "Tive um longo dia e acabei descarregando em você. Aqui estão os R$ 25 que você me pediu."

O menino se levantou sorrindo. "Oh, obrigado pai!" gritou. Então, chegando em seu travesseiro ele puxou alguns trocados amassados.

O homem viu que o menino já tinha algum dinheiro, e começou a se enfurecer novamente.

O menino lentamente contou o seu dinheiro , em seguida olhou para seu pai.

- "Por que você quer mais dinheiro se você já tinha?" - Gruniu o pai.
- "Porque eu não tinha o suficiente, mas agora eu tenho", respondeu o menino.

- "Papai, eu tenho R$ 50 agora. Posso comprar uma hora do seu tempo? Por favor, chegue em casa mais cedo amanhã. Eu gostaria de jantar com você."
O pai foi destroçado...
Ele colocou seus braços em torno de seu filho, e pediu o seu perdão.

É apenas uma pequena lembrança a todos nós que trabalhamos arduamente na vida.
Não devemos deixar escorregar através dos nossos dedos o tempo sem ter passado algum desse tempo com aqueles que realmente importam para nós, os que estão perto de nossos corações.
Não se esqueça de compartilhar esses R$ 50 no valor do seu tempo com alguém que você ama.

Se morrermos amanhã, a empresa para a qual estamos trabalhando, poderá facilmente substituir-nos em uma questão de horas.

Mas a família e amigos que deixamos para trás irão sentir essa perda para o resto de suas vidas.

Se tiver um tempo, envie para alguém que você gosta!

(mensagem enviada por José Carlos Leite)
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MEU QUERIDO PAI

(Sílvia Schmidt)

........................

Se olho para o futuro e sinto medo,

Ele se vai assim que eu recorro à fé

Que você plantou em mim.

Agradeço a DEUS

Por ter escolhido você

Para orientar meus passos.

Obrigado, PAI!

Pois foi com você que aprendi

Que quando a jornada torna-se difícil

DEUS nos toma dos braços.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

ANA MARIA CASCUDO: SEMENTE, FRUTO E FLOR


Arte: Óleo sobre tela de Maria Alice Brandão


“Adestrei-me com o vento e minha festa é a tempestade”
Cecília Meireles
“Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.”
Clarice Lispector


Há pelo menos duas personalidades que me surpreendem pela força de suas individualidades: Luís Fernando Veríssimo(1) e Ana Maria Cascudo. Ambos tiveram pais exponenciais, dedicaram-se ao ofício da escrituração literária e sobreviveram, ilesos, resistindo à sombra ocultável da paternidade, à implacável aguarrás com potencial para desvanecer qualquer figura de qualquer matiz, ou, pior que isso, de indiciar sugestiva oportunidade de auto-promoção às custas do sobrenome ilustre que lhes sovinasse os valores pessoais.
Em posição mais confortável, mas igualmente incômoda, situou-se Zélia Gattai, mulher do maior romancista brasileiro contemporâneo, Jorge Amado. Escritora que sempre teve uma identidade própria, mas esta se confundia com a do seu afamado companheiro. Mesmo quando produziu “Anarquistas graças a Deus”, ainda se tinha a impressão de que o dedo do notável escritor haveria passeado pelo teclado de sua máquina e produzido, senão a totalidade, alguns textos adjutórios. E também Clara Ramos, filha do notável Graciliano das Alagoas, que, bem a propósito, num gesto de ousada autoconfiança, tornou-se a mais autorizada especialista da obra paterna(2).
É certo que, cedo ou tarde a verdade subjacente ao mito aflora, confirmando a versão, ou a desautorizando, por mérito próprio dos herdeiros, ou pelo desfazimento da sombra protetora, com a paralisia criadora ou o óbito dos instituidores da herança.
Ocupo-me agora de Ana Maria, filha dileta do Mestre Luís da Câmara Cascudo e tão presente na vida desse extraordinário homem de letras norte-rio-grandense, quanto, só para citar como exemplo, minha amiga e colega de turma Vitória, filha do também valoroso intelectual potiguar Américo de Oliveira Costa e da culta e inteligente Helena Kazantzakis, esposa do excepcional pensador e escritor grego/cretense Nikos Kazantzakis(3).
A diferença entre as duas herdeiras intelectuais e Ana Maria é que esta última se impôs com identidade inconfundível, conservando a memória do seu famoso ancestral, e até fundindo-se a ele, todavia sem se diluir ou amalgamar-se, como curadora do seu acervo e difusora de sua memória, num gesto também marcante de extrema ousadia e auto-confiança, mas tendo o cuidado de demarcar o seu território, imprimindo a sua “griffe” e afirmando-se como legítima portadora do DNA paterno, sem contudo ser caudatária por graça ou beneplácito desse legado. Mesmo porque é impossível a clonagem desse espécime irreproduzível.
Ana Maria Cascudo é Ana Maria Cascudo, acidental e afortunadamente filha da maior expressão intelectual do Rio Grande do Norte, e das maiores do país, posição que não renega e que é motivo maior do seu orgulho, mas que não interfere nem pode ser dada como responsável pelas posições que conquistou – sobretudo em relação àquelas alcançadas após a morte do pai.
É uma mulher extraordinária, inteligente, decidida, culta e original naquilo que faz – fazendo bem tudo o que faz.
Graduou-se em Direito e foi uma das raras mulheres de sua turma. Foi promotora de justiça, a mais jovem do Brasil e a primeira do Rio Grande do Norte a participar de um júri. Jornalista dentre pouquíssimas do seu sexo. Foi uma mulher liberada, independente, bem à frente dos padrões de sua época de muito jovem, quando as mulheres eram preparadas para serem submissas e “guarda-costas” dos maridos (explico-me: aquela estória do `por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher´) como, exemplificativamente, e por vontade própria, muita renúncia, muito amor e a exata compreensão do destino do consorte, fez a sua mãe, dona Dahlia.
No caso de dona Dahlia, menos do que a sua formação tradicional e a cultura da época, pesou mais a madura percepção de que o seu marido fora destinado a outro consórcio, paralelo ao seu e, e, por mais paradoxal que fosse, a esta circunstância deveria se submeter: as leituras, as pesquisas e o apaixonante ofício de escrever.
Ana casou-se duas vezes, teve três filhos e três netos, e conseguiu manter-se funcional como dona de casa, doando-se como esposa, mãe e avó, mas conservando a sua identidade e independência. Nunca foi apêndice, nem metade ou anjo da guarda, sempre foi companheira, devotada, fiel, amante, mas companheira, parceira existencial. Assim foi com o major Newton Roberti Leite, primeiro marido, de quem se tornou viúva, e com a notável criatura humana com quem mantém uma relação estável, duradoura, amorosa e fraterna, Camilo Barreto.
Tenho a premonição de que o mesmo destino da mãe será o de Camila, jovem advogada e escritora talentosa e criativa, que se envaidece da condição de neta e filha de quem é, mas se conserva individualista por crença e determinação pessoal. É conselheira intelectual da mãe (sobretudo nos títulos e nas avaliações das suas obras) assim como assessorava a avó Dahlia nos raros e encantadores depoimentos pessoais. Geralmente sobre o marido ou a sua convivência com o gênio da cultura potiguar.
Recolhi, por obra e graça de Camila, sua filha, ainda no começo da sua adolescência, quando eu editava a Revista Exclusivo, um tocante depoimento de dona Dahlia sobre o seu namoro com um romântico Cascudo. Depois, Diógenes da Cunha Lima leu-me outro depoimento dessa encantadora criatura onde ela confessa e explica, com convicção e maturidade, sobretudo com muito amor e devoção ao marido, a sua decisão de secundá-lo e nunca disputá-lo com a sua obra, como já expus.
(Aos nove anos de idade Camila publicou um livro infantil, “O Reino das Joaninhas” e agora, premida pelo ofício profissional da advocacia e um curso de pós-graduação na Argentina, escreve artigos e monografias jurídicas. Mas, aguardem e verão o renascimento dessa mais nova matriz Cascudiana)
Por esses dois exemplos, creio mesmo que a estirpe do mestre Luís da Câmara Cascudo não conserva moldes que possam ser legados hereditariamente, ao invés, cria matrizes a cada geração, embora o gene responda fundamentalmente pelas características das matrizes. Assim sucedeu com o coronel Francisco Cascudo, político e jornalista, que criou a matriz de Luis, que, por sua vez se fez semente da matriz de Ana e esta, de sua filha Camila.
Todos são personagens Cascudianos: o coronel, dona Dahlia, Ana e Camila. Longe de ser uma fatalidade é uma benção, porque todos se energizaram com a aura do sábio da Junqueira Aires. E é tão poderosa essa energia, irradiante e luminosa, que alcança até os ancestrais, como em relação ao pai Francisco, maior admirador e incentivador do filho, um homem maior que a sua estatura e que se agigantou mais ainda pela gênese, formação e decidido apoio ao magnífico rebento. Expandiu-se no filho.

Diz Simone de Beauvoir(4) que não se nasce mulher: torna-se. Num primeiro momento se é tomado por duas linhas de reflexão coincidentes, mas não iguais. Aquela que nos conduz à singela constatação de que se nasce criança e que a natureza mulher revela a maturidade da espécie, e aquela, de mais difícil arquitetura, segundo a qual se nasce sexuado: masculino e feminino, macho e fêmea – condições biológicas. E que, ser mulher é condição humana.
Segundo magistério de Hannah Arendt(5), condição humana não é a mesma coisa que natureza humana. A condição humana diz respeito às formas de vida que o ser humano impõe a si mesmo para sobreviver. As condições variam de acordo com o lugar e o momento histórico do qual o ser humano é parte. Nesse sentido todos os seres são condicionados, até mesmo aqueles que condicionam o comportamento de outros tornam-se condicionados pelo próprio movimento de condicionar. Sendo assim, somos condicionados por duas maneiras: Pelos nossos próprios atos, pelo que pensamos, por nossos sentimentos, em suma os aspectos internos do condicionamento, ou pelo contexto histórico que vivemos, a cultura, os amigos, a família; são os elementos externos do condicionamento.
Posto desta forma, apesar da tese indicar certa complexidade filosófica, a equação nos parece mais raciocinada, mais plena de sentido, mais lógica. Ser mulher é ato de conquista, atestado de maturidade, certificação, transcendência. Assim como ser homem.
Veja-se que a expressão “homem” já foi designação do próprio gênero, o ser humano, tal a sua proeminência numa cultura dominada por esta espécie. Gradativamente, como resultado de uma lenta mas obstinada luta pela igualação das condições, a mulher conquistou a posição de parceira nas elaborações sociais.
Mas são condições diferenciadas, do ponto de vista biológico e, em decorrência desta natureza, que também diz respeito ao aspecto funcional. Sempre foi assim. A diferença entre antigamente e o momento contemporâneo é que hoje essa distinção não é aceita como reducionista, em desfavor da condição de plenitude da mulher, mas no reconhecimento de que o seu potencial competitivo ultrapassa o que antes era tido como limitações.
Afinal, o homem também é limitado no seu contexto humano, tanto que expõe e amplia como vantagem, a sua condição física, antes dada como proeminente em relação à mulher. São biotípico e espiritualmente diferentes. Esta é lunar, aquele é solar. Esta é esquerda, aquele é destro. Passiva, ela, ativo, o homem. Ambos, seres animados pela mesma inteligência e aptidão.
Mas em favor da mulher milita a presunção de que ela é o mais importante ser em transição na natureza, porque é semente, é matriz e germinadora, tendo-se em mente que metade da população do universo é composta por pessoas de sexo feminino. E a outra metade de filhos dessa espécie.
Essas digressões, aparentemente dissociadas do contexto, na verdade ajusta-se como uma luva á nossa perfilada. Ana competiu, lutou e venceu. Tornou-se mulher, condição humana e alcançou o ponto de equilíbrio com a outra espécie, dita dominante. Tanto é verdade, que os preconceitos e as desconfianças que a cercavam em razão da digital do pai, desvaneceram-se diante da evidência do seu espírito livre de amarras e aguerrido e do seu talento pessoal.
Aos treze anos iniciou-se no jornalismo, quando muitas adolescentes ainda confidenciavam com suas bonecas ou suspiravam os primeiros sonhos sexuados. Manteve uma coluna sobre a Bossa Nova chamada “Cantinho Hi-Fi”. Prosseguindo no jornalismo, durante anos a fio manteve no jornal “A República” uma coluna em que escrevia sobre assuntos sócio-culturais reservando os domingos para a publicação de biografias femininas que lhe forneceu material para o primeiro livro – “Mulheres Especiais”.
Lembro que a jornalista Ana Maria foi convidada por mim, com a intermediadora cumplicidade de Camila, para integrar a equipe de colaboradores da já citada revista Exclusivo, e a matéria de sua estréia tratava de um assunto no mínimo intrigante, senão um tanto “gauche” para uma revista que se afirmava pelo bom gosto dos temas escolhidos: Unhas encravadas. Num primeiro momento, ficamos entre surpresos e constrangidos, mas depois que lemos o artigo pudemos comprovar a qualidade da jornalista, a capacidade de prestidigitadora, de manipuladora-aliciadora de textos banalizados, tal qual o fazia o Mestre Câmara Cascudo.
Depois de “Mulheres Especiais”, publicou “O colecionador de Crepúsculos”, foto-biografia do pai ilustre; “Neblina da Vidraça”, sobre a vida e obra da poeta Palmyra Wanderley (6) e aguarda a edição de “O Herói Oculto”, já no prelo, biografia do avô, coronel Francisco Cascudo(7).
Ocupa a cadeira número treze na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, sucedendo ao mestre Cascudo e essa foi considerada por ela a maior distinção que recebeu ao longo de sua vida; é membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte e da União Brasileira de Escritores; uma das fundadoras da Academia Feminina de Letras do RN e da Academia de Letras Jurídicas do RN; sócia correspondente da Academia Paulista de Letras - onde o pai era membro – e da Academia de Letras, História, Cultura e Arte, também de São Paulo.
Vale considerar que valoriza com entusiasmo todas as homenagens prestadas ao seu pai-ídolo, mas registra com muito carinho a original manifestação popular de uma escola de samba de São Paulo que escolheu o Mestre do Folclore Brasileiro como tema do seu enredo carnavalesco. Nisso ela se assemelha ao pai, na devoção e valorização da cultura popular.
Atualmente, a jornalista Ana Maria Cascudo é tema de trabalho de conclusão de curso das turmas de jornalismo da Universidade Potiguar
Promove, patrocina, apóia, auxilia e estimula todas as iniciativas e eventos sobre a vida e a obra de Câmara Cascudo. Recentemente tomou sob seus cuidados o Ludovicus – Instituto Câmara Cascudo, fazendo doação dos direitos autorais da obra Cascudiana para esta entidade, objetivando a sua manutenção.
É esposa, mãe de três filhos – Daliana, Newton e Camila, e avó de Diogo, Alana e Cecília, com muito açúcar e muito afeto. Católica apostólica romana, tem um pezinho nos terreiros dos cultos afro-brasileiros, pelo fascínio e magia dessa manifestação religiosa, mas sobretudo por suas raízes, campo de pesquisa e de estudo do seu pai. Ano passado realizou conferência sobre a obra de Cascudo na Universidade Católica de Umbanda, em São Paulo.
Se me perguntassem quais os traços mais persistentes de Ana Maria,eu responderia, sem hesitar: a obstinação e a determinação, a inteligência aguda e a devoção filial.
É mulher de personalidade forte, capaz de endurecer-se mas sem perder a ternura jamais, como o revolucionário argentino emprestado a Cuba. Ou, como na observação de Clarice Lispector, no preâmbulo deste texto, surpreender aos que pensam que a conhecem, sendo “...leve como uma brisa ou forte como uma ventania...” dependendo de quando e como você a vê passar.
(1) Verissimo escreveu mais de cinqüenta livros, incursionando com desembaraço pela crônica, romance, poesia e literatura infantil
(2) “Mestre Graciliano: Confirmação humana de uma obra”, 1979, premiado pelo Instituto Nacional do Livro. Ainda escreveu cinco livros: A Estrela Pisca-pisca Nórdica 1990 Zé da Verdade Melhoramentos 1990 A Formigarra Memórias Futuras 1992 Cadeia José Olympio 1992 Memórias da Cachorra Baleia Mem 1992. Faleceu aos sessenta anos de idade.
(3) "Não tenho nenhuma esperança. Não tenho medo de nada. Sou livre." Este é o epitáfio do poeta, novelista, dramaturgo e filósofo Nikos Kazantzakis, gravado em seu túmulo em Heraclion, na Ilha de Creta. Entre as suas principais obras, traduzidas para o português, destacam-se “O Cristo Recrucificado”, “A Última Tentação de Cristo”, “Zorba, o grego”, “Testamento para El Greco”, “Os irmãos inimigos”, “Toda Raba” e “O Pobre de Deus”.
(4) Escreveu cerca de vinte livros, distribuídos em ensaios filosóficos, romances, novelas, escrituras autobiográficas e peças de teatro. Uma das mais expressivas teóricas do movimento feminista, viveu com Sartre, o grande filósofo existencialista francês, com quem dividiu, sempre em desvantagem, a efêmera glória literária e filosófica.
(5) Teórica política, tida também como filósofa, judia alemã que emigrou para os Estados Unidos fugindo do nazismo. Autora de diversos ensaios, entre outros, “As origens do totalitarismo” e “Sobre a Revolução”. O comentário refer-se a outro dos seus livros, “A condição Humana”, publicado no final da década dos anos cinqüenta.
(6) Poeta natalense. Em 1914 fundou, juntamente com sua prima Carolina e outras jovens, a Revista Via-Láctea que seria a primeira feita por mulheres e dirigida ao público feminino, no Rio Grande do Norte. Esta revista circulou até o final de 1915 e cumpriu o importante papel de incentivar e divulgar a produção feminina do Estado. Colaborou em diversos jornais e revistas de seu tempo, como A Imprensa, A República e A União, do Rio de Janeiro; Revista Feminina e Revista Moderna, de São Paulo; Paladina do Lar, da Bahia; e Estrela, do Ceará, entre outras. Em Natal colaborou em A República, A Cigarra, Diário do Natal e Tribuna do Norte. Escreveu dois livros de poesias: Esmeralda e Roseira Brava.
(7) Pai do ilustríssimo Luis da Câmara Cascudo, foi o seu maior incentivador. Coronel da Guarda Nacional, foi comerciante, político, fundador e mantenedor do jornal “A Imprensa”, um dos dois periódicos existentes à época em Natal. Era, no dizer de Ticiano Duarte, “...uma espécie de “dono da cidade”. As sessões do cinema Royal só começavam com a presença do casal Francisco Cascudo - Donana. O mesmo ocorria, no cinema Polyteama, na Ribeira...”

PEDRO SIMÕES – Professor de Direito (aposentado). Escritor e Advogado

A criação é do artista plástico LEVI BULHÕES que, na sua composição contou com sugestões dos sócios do INRG, Ormuz Barbalho Simonetti e Carlos Roberto de Miranda Gomes.
Composição do Brasão:
No Brasão o sol simboliza nossa cidade conhecida internacionalmente como “Cidade do Sol”. O mar, as nossas belas praias e a jangada representam os nossos destemidos pescadores. As pirâmides de sal com o moinho de vento, a mais antiga fonte econômica de nosso Estado e ainda a manutenção do título de maior produtor de sal do mundo. Os coqueiros, a carnaúba, a cana-de-açucar, e a bela flor com os capulhos de algodão, são as nossas riquezas agrícolas. As cores utilizadas são da nossa bandeira. Tudo isso harmonicamente disposto dentro das linhas do Forte dos Reis Magos, o maior símbolo de nossa Cidade, tendo como complementos o monitor de um computador representando a modernidade e o teclado transformado em um livro, representando as principais fontes da pesquisa dos registros genealógicos. Ao final a complementação de uma faixa com o nosso lema: AD PERPETUAM FAMILIAE MEMORIAM.


O INSTITUTO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA-INRG, fundado na Assembléia Geral do dia 17 de setembro de 2009 já tem registro no Segundo Ofício de Notas da Comarca de Natal sob o n° de ordem 7515, Livro A-n° 106, fls. 06/19, em data de 08 de julho de 2010.

DIRETORIA

Presidente: ORMUZ BARBALHO SIMONETTI; Vice-Presidente ARYSSON SOARES DA SILVA; Secretário FRANCISCO ANDERSON TAVARES DA SILVA; Tesoureuro FERNANDO ANTONIO BEZERRA.

CONSELHO FISCAL

Titulares: JOSÉ HÉLIO DE MEDEIROS; CLOTILDE SANTA CRUZ TAVARES; e JOAQUIM JOSÉ DE MEDEIROS NETO; Suplente: JOÃO FELIPE DA TRINDADE.

A sua sede provisória é na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras-ANRL, rua Mipibú, 443 - Petrópolis, nesta Capital.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010


Local: Sede da OAB/RN - Avenida Câmara Cascudo, 478 - Cidade Alta - Natal/RN
Informações: (84) 4008-9400

Dia 10/08 (Terça) – 9h – ATO ECUMÊNICO
19h30 - Abertura das Palestras
Tema: O CNJ e o exercício da Advocacia
Palestrantes: Morgana Richa, Conselheira do CNJ; e Antenor Madruga, Advogado, Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo.

Dia 11/08 (Quarta) – 19h30
Homenagem aos formandos da 1ª turma da Faculdade de Direito da UFRN.

Dia 12/08 (Quinta) 19h30 - Palestras
Tema: Alterações do Código de Processo Civil
Palestrante: Elpídio Donizetti Desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, integrante da Comissão de Juristas encarregada de elabrar o anteprojeto do novo CPC.
Debatedores: Marcelo Lauar, Professor da SEAE/Ministério da Fazenda, 2008. Igor Alexandre Felipe de Macêdo, Presidente do Instituto Potiguar de Direito Público (IPDP).

Dia 13/08(Sexta) - FESTA DO ADVOGADO - 22h30 - BANDAS Dancing Day's e Uskaravelhos - local: Versailles Tirol (Vendas: Copenhagen Midway - R$ 80,00).
Haverá sorteio de uma passagem de ida e volta para Buenos Aires.

Dia 15/08 (Domingo) – 8h (Pelada Jurídica) | 11h (Churrasco do Advogado)
Local: Hípica do Jiqui Country Club
Senha: Leve 2 latas de leite em pó até a sede da OAB e retire sua senha.

Dia 21/08 (Sábado) – 8h - CARREIRA JURÍDICA
Local: Anel Viário do Campus Universitário
Inscrições:
www.oab-rn.org.br / www.caarn.com.br - R$ 10,00.
Observação: As palestras serão gratuitas e *certificadas.
* Terá direito a receber o certificado o participante que comparecer nos dois dias de palestras. 140 vagas.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

(Reproduzido do blog de LÚCIA HELENA)

A BASE AÉREA DE NATAL REALIZA, ESTA NOITE, UM EVENTO INÉDITO, NUMA SIMBIOSE DE EMOÇÕES COM DANÇAS, MÚSICAS, POEMAS E HOMENAGENS À AUTA DE SOUZA.



COMO OS AVIÕES CORTAM OS CÉUS COM SUAS BELAS
ASAS, A POETISA MACAIBENSE AUTA DE SOUZA PASSEARÁ
COM ASAS DE PASSARINHO NA HOMENAGEM QUE O CATRE
(BASE AÉREA DE NATAL), ATRAVÉS DO CORONEL DÉCIO LHE
PRESTARÁ, JUNTAMENTE COM OUTROS ENTRETENIMENTOS


UMA NOITE INÉDITA NA HISTÓRIA DA BASE AÉREA DE NATAL,
QUANDO HAVERÁ UM FESTIVAL DE CANÇÕES E POESIAS NO
CATRE, NESTA NOITE, COM MUITAS HOMENAGENS, INCLUSIVE
À POETISA MACAIBENSE AUTA DE SOUZA.
MAIS TARDE TEREI OPORTUNIDAE DE MELHORES INFORMAÇÕES,
AO VOLTAR DESSE EVENTO, JUNTAMENTE COM A DRA. ZENEIDE
BEZERRA E O DR. HERIBERTO ESCOLÁSTICO.
DEIXO OS LEITORES COM O LINDO E LÍRICO POEMA DE AUTA.

À Memória de uma Ave
AUTA DE SOUZA

Quando morre uma criança,
Diz-se que o pálido anjinho
Voou como uma esperança.

Foi para o céu direitinho.
Mas nossa mente se cansa
A voar de ninho em ninho,
Interrogando a lembrança,
Quando morre um passarinho.

Só eu, se alguém diz que a vida
De uma avesinha querida
Se extingue como um clarão.

Ponho-me a rir, pois, divina!
Ouço cantar, em surdina,
Tu’alma em meu coração.
(Reproduzido do site "O Santo Ofício", de Franklin Jorge)

O CONTROLE DAS LEIS NO BRASIL
Por Marcelo Alves Dias de Souza

Outro dia, uma aluna me pediu para dar uma pincelada (“rapidinha, em cinco ou dez minutos”, disse ela, como se fosse algo muito fácil) sobre o desenvolvimento do controle jurisdicional de constitucionalidade das leis e dos atos normativos no Brasil.

Bom, eis, mais ou menos, o que eu disse.

No Império (Constituição de 1824), por influência do pensamento que predominava na Europa, o Brasil não conheceu o controle jurisdicional de constitucionalidade das leis, pelo menos nos moldes como hoje o definimos. O controle de constitucionalidade era político, cabendo ao Legislativo elaborar, interpretar, suspender e revogar as leis, bem como a guarda da Constituição.

Foi com a Constituição Republicana de 1891 que veio o Brasil a adotar um controle jurisdicional de constitucionalidade das leis. Esse controle, por via de exceção, era concentrado no Supremo Tribunal Federal, já que, das sentenças finais das Justiças dos Estados, caberia recurso para o STF quando se contestasse “a validade de leis e atos dos governos dos Estados em face da Constituição, das leis federais, e a decisão do Tribunal do Estado considerar válidos esses atos, ou essas leis impugnadas” (art. 59, § 1º). Foi a Lei 221/1894, ao regulamentar o sistema de controle, que expressamente estendeu aos tribunais e juízes o controle difuso de constitucionalidade das leis. Algo natural, uma vez que a adoção do controle jurisdicional no Brasil se deu por influência do pensamento americano.

Após avanços e retrocessos nos textos das Constituições de 1934, 1937 e 1946, foi com a Emenda Constitucional 16/65, que se inaugurou o controle jurisdicional concentrado, em abstrato e via ação direta, no Brasil. Segundo a Emenda, que alterou a Constituição de 1946, competia ao STF o processamento e julgamento de “representação contra inconstitucionalidade de lei ou ato de natureza normativa, federal ou estadual, encaminhada pelo procurador-geral da República”. E mais: possibilitou-se a elaboração de “processo de competência originária do Tribunal de Justiça para declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Município em conflito com a Constituição do Estado”.

Sob o pálio da Constituição de 1967 e da Emenda 1 de 1969, manteve-se, com pequenas alterações, as mesmas feições no controle de constitucionalidade no Brasil.

A Constituição de 1988 (com o reforço das emendas ao seu texto), no que toca a ambos os controles (difuso e concentrado), foi quem mais avançou.

O controle difuso existente no Brasil de hoje tem caracteres bem próprios: (i) qualquer juiz ou tribunal pode apreciar a constitucionalidade de lei ou ato normativo; (ii) a apreciação pode ser requerida em qualquer processo, por qualquer das partes, por via de exceção na discussão do caso concreto; (iii) como efeito direto e imediato, há a não aplicação da norma tida por inconstitucional somente no caso concreto discutido em juízo, com eficácia, portanto, inter partes; (iv) como efeito indireto e mediato, emerge a competência do Senado para suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (CF, art. 52, X); e (v) a possibilidade, ainda, em conformidade com o novel art. 103-A da CF (regulamentado pela Lei 11.417/06), de o STF, no controle difuso de constitucionalidade, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, depois de reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida na referida lei.

Por fim, o controle concentrado, entre nós, dá-se através de cinco ações diretas: (i) ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal, estadual (CF, art. 102, I, “a”, primeira parte) ou municipal (em confronto com Constituição Estadual – CF, art. 125, § 2º), perante o STF (quando em confronto com a Constituição Federal) ou Tribunal de Justiça (quando em confronto com a Constituição Estadual), que produz decisões com eficácia para todos (erga omnes) e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e ao Poder Executivo; (ii) ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal (ação declaratória de constitucionalidade – CF, art. 102, I, “a”, in fine), perante o STF, com a mesma eficácia para todos e efeito vinculante da ADI; (iii) a argüição de descumprimento de preceito fundamental (CF, art. 102, § 1º), perante o STF, “para evitar ou reparar lesão a preceito fundamental resultante de ato do Poder Público” ou “quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição” (Lei 9.882/99); (iv) ação direta de inconstitucionalidade por omissão, pela qual, declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional pelo STF, será dada ciência ao poder competente para a adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta dias (CF, art. 103, § 2º) ou em prazo razoável, excepcionalmente (Lei 12.063/09); e (v) ação direta de inconstitucionalidade interventiva, visando, em virtude da existência de ato local que viole princípio sensível da Constituição, à intervenção federal em Estado ou no Distrito Federal, por proposta do PGR e de competência do STF (CF, arts. 36, III, 34, VII, 102, I “a” e 129, IV), e à intervenção estadual em Município, por proposta do PGJ e de competência do respectivo Tribunal de Justiça (CF, arts. 35, IV e 129, IV).

Até hoje não sei se mandei bem, nem se fui, pelo menos, rapinho. Você, leitor, quanto tempo levou para ler este texto?

* É Procurador da República
Mestre em Direito pela PUC/SP
Doutorando em Direito pelo King’s College London – KCL

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

(transcrito do "Santo Ofício" de Franklin Jorge)

ADELLE DE OLIVEIRA:MEMORABILIA*
1 de agosto de 2010
Por Ciro José Tavares

“E outros murchos vestígios do tempo
Sobre as paredes o passado evocavam;”
T.S.Eliot

Lembro quando cheguei, pela primeira vez. Anoitecia. Ela e Mariê atentas na estação de trens.Franzinas, risonhas, o crepuscular nos traços espalhados pelas faces.Caminhávamos pela Rua Grande na direção da casa, quando as lâmpadas dos postes foram acesas.

Era a hora do Ângelus, quando a concessionária disponibilizava, até 22 horas, aquela luz esmaecida,espécie de lusco-fusco liberto na escuridão que começava.

À porta, Virgínia, a irmã que o pai perfilhara na infância, abandonou a cozinha e veio abraçar-me.

Guardei a figura gentil,de gestos suaves, pele cor do cobre, cabelos curtos e escuros penteados para trás.

Nos dias que se seguiram a estrela apresentou as dimensões do seu universo. A cidade, quase sempre silenciosa, nas ladeiras, ruas estreitas e a Igreja Matriz, onde fieis oravam e suplicavam à Nossa Senhora da Conceição.

Do átrio víamos o vale, o verde do canavial misturado aos amarelos do sol e azuis perdidos no horizonte.

Aqui e ali, os escombros dos engenhos, sinais de um tempo sem retorno.

No meio de tudo isso Adelle de Oliveira emerge nas lembranças da Rua São José ou nas salas e varandas do Cumbe desaparecido, encantando com a beleza de sua poesia melancólica e misteriosa:

“Eis sobre ti a minha humilde pena:
Pesares, mágoas, infortúnios, tudo
Hás de agora sentir, ó folha amena !
Tenho pena de ti ! Foge-me a calma,
Em vez de transparências de veludo,
Tiveste a sorte de abrigar minh’alma.”

Isolada no Ceará –Mirim, na mesma casa que tantas vezes visitei, fez-se prisioneira dessa sentença inexorável que é o tempo. No livro Coisas de não Esquecer, Nilo Pereira diz que a saudade é a maior dimensão humana.

E Adelle, no poema Ignota Saudade, vasculha os insondáveis labirintos dos nossos corações e corrobora, verso após verso, a feliz observação do seu antigo discípulo no Externato Ângelo Varella.

E foi a saudade, mãos entrelaçadas à solidão, a causa principal dela ter sido consumida lentamente como uma vela e de ter, na lucidez dos seus 85 anos, tombado devagarzinho como o pequeno príncipe de Exupéry.

*No 41º aniversário da morte de Adelle de Oliveira.

sábado, 31 de julho de 2010

Veredas Errantes: uma estória que me contaram.
Por Kennedy Diógenes*

De onde venho a distância não se conta por léguas, quilômetros ou qualquer sistema métrico; não se mede o espaço percorrido, mas conta-se em Eras vividas, decênios e séculos imemoriáveis que se perderam no horizonte do tempo.

Nessa longa jornada, que pareceu se iniciar na displicência do acaso, germinada na simplicidade das formas, caminhei ladeado pela necessidade e pelo desejo de poder, estes esporões desprovidos de moral que fustigaram o meu espírito, açularam-me os passos e me infringiram a prática de vilanias impensáveis por mim, contra mim e contra os muitos companheiros de viagem.

Em busca de saciar a minha sede de poder, corrompi a mente e o corpo, entreguei-me às violentas paixões da matéria e, unindo-me aos mais fortes, não tive prurido em apropriar-me dos mais sagrados ideais para justificar a expropriação espúria dos mais fracos, que me fartaram a mesa enquanto se esvaíam na caquexia material e espiritual.

E os sacrifícios daqueles que me serviram restaram em irrisão para animar a minha Corte. Como prêmio, os desvalidos obtiveram o cárcere perpétuo das obrigações diárias sob minha tirania, para me manterem vivo, satisfeito, pujante, em troca do oferecimento ilusório de um manto protetivo das intempéries humanas.

Investido da arrogância própria dos poderosos, liderei aqueles que me confiaram a vida à morte certa, em guerras iníquas baseadas em interesses mesquinhos. Muitos tombaram nas trincheiras da esperança acreditando nas minhas falsas promessas, mas somente fortaleciam meus viscerais interesses e enriqueciam os meus amigos mais próximos. Jamais houve guerras contra a tirania ou pela liberdade, mas por território, por tesouros naturais ou por mercados. Não existiu o bom combate, mas o ataque dos fortes e a defesa dos fracos, onde aqueles venciam e estes eram aniquilados.

Foi assim que enveredei pelos vales das sombras humanas, granjeando a experiência terrível da manipulação e usurpação. Mais de uma vez, iludi o meu aprisco com placebos morais; frustrei a esperança daqueles que dependiam de mim; trai todos aqueles que em mim depositaram sua confiança, em joguetes indecorosos para a minha própria distração.

É bem verdade que posso ter feito algo de bom e justo, mas se o fiz, foi para encobrir os males fabricados nos porões da minh´alma. Doei com uma mão, mas roubei com a outra os sonhos, as fantasias, as expectativas dos incautos e crédulos, construindo em meu derredor castelos de desilusões.

Mas, inesperadamente, o meu organismo infausto e insaciável feneceu. Envolvido com meus projetos de poder material, não notei que se esvaiu, da ampulheta temporal, o último grão de vida, ceifando-a mais uma vez no palco do mundo visível. E em um tempo que não saberia precisar, fragmentos dessa minha trajetória recém finda pairaram diante de minha vista. Vi, com uma lucidez ora revelada, que as minhas ações, sejam esteadas na ganância, no orgulho ou em qualquer outro defeito moral de meu espírito pródigo, carrearam dor e sofrimento a muitos, e a cada lamento, cada lágrima desses infelizes, causticou meu coração insensível, transformando-o em uma chaga de mágoa profunda e irretorquível.

E como prolongamento da vereda errante desta encarnação, seguiu-se um período de escuridão espiritual, onde curti pensamentos e rancores vacilantes, ora do Criador, ora de mim mesmo, vivenciando o cárcere mental erigido, pedra por pedra, no torvelinho terreno.

Tardiamente, encolhi-me na minha insignificância. Naquele instante, era somente um arremedo de homem. Restou-me a vergonha intensa, inescusável. Percebi que a maioria dos meus planos materiais não passava de mero capricho, atos rasteiros e toscos, vãs futilidades diante da vida espiritual. É incrível como a consciência de todo o mal causado é a mais horrenda das punições.

Ao compreender o resultado dos meus desacertos, nas trevas em que morria, uma luz bruxuleou no Alto. Era a benevolência Divina, através de seus mensageiros iluminados, que resgatava-me da condição umbralina, imantando o meu espírito de bálsamos salutares e lembrando-me, percuciente, que me conhece a amplidão das limitações e potenciais e, mesmo assim, ama-me incondicionalmente.

Disseram-me, ainda, que é nesse amor universal, pleno, sagrado, sustentáculo dos desiludidos, desesperançados, amargurados, que o Pai nos ampara, fazendo-nos recomeçar e reparar nossos erros, em novas tarefas edificantes na escola terrestre.

Assim, aquele passado triste e vergonhoso, cujos dias atuais se somam lentamente, distancia-se de mim, como uma eiva que se clarifica ante a ação do tempo, mas não sem cobrar-me cada centil.

Enfim, confiando no Pai Celestial, que acolheu meu espírito exausto, e em Jesus Cristo, Mestre Divino, que compartilha comigo minha cruz, espero, em breve, poder vivenciar as provações em nova ventura na Terra, que visam o meu inexorável progresso espiritual, depositando, sempre, nas mãos Deles todos os meus medos e angústias.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

RELATO SOBRE VALÉRIO,
QUE FOI ARBUSTO E ÁRVORE,
E SOBRE MACAÍBA,
QUE SERÁ VALERIANA



O Tejo é mais belo que o rio que corre para minha aldeia;
mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre para minha aldeia.
Porque o Tejo não e o rio que corre para minha aldeia.
(Fernando Pessoa)

“Se queres ser universal começa por pintar a tua aldeia”
(Tolstoi)


Veio-me a palavra: Macaibística. E as associações de idéias (ou rimas?) – probabilística, infortunística, logística – tantas, que formariam um cortejo maior que o beija-mão das autoridades civis e eclesiásticas. Talvez a expressão Macaibística indique a ciência, o estudo, os fundamentos, o conjunto de conhecimentos que caracterizem e definam a raiz “Macaíba”.
Descubro que a palavra Macaíba, designa uma palmácea espinhosa, que produz um fruto carnudo, e que é encontradiça em todo o território brasileiro, chegando até à América Central.
Satisfaço-me com a explicação, mas abandono, temporariamente, a alta, esguia e exuberante palmeira, para pesquisar as suas conseqüências toponímicas, pois quero tratar da cidade de Macaíba, antes conhecida como Coité, este, um arbusto que também produz frutos
Cogito que a cidade tanto cresceu que o arbusto tornou-se insuficiente para descrevê-la, e então a vila se converteu em árvore, altaneira, rija e pujante graças ao empreendedor Fabrício Gomes Pedrosa que entendeu a metáfora e propôs a mudança.
Sempre que vou à Quinta dos Pirilampos o meu paraíso incrustado em Tabatinga, no território macaibense, escolho o trajeto da BR por comodidade. Não que a estrada esteja em condições trafegáveis, mas é asfalfada, circunstância que nos transmite uma impressão de segurança e conforto. De fato, aqui para nós, apesar de todos os perigos, sinto-me tentado a ir pela estrada que segue pela ponte das lavadeiras, enfrentar a curva da morte, o Peixe-Boi, pelos Guarapes, até chegar na Mangabeira, para evocar meu tempo de menino dos anos cinqüenta.
Entre o incerto e o duvidoso, optei por uma terceira via, inusitada, alguns até entenderão como despropositada,mas vocês perceberão o porquê dessa reviravolta.
Rumo para Macaíba numa jangada que aluguei em Muriú. Chegando na boca da barra, tomei o rumo das cabeceiras do Potengi pelas quebradas do Jundiai. Aporto no velho cais, onde já me aguardavam alguns amigos, e me dirijo às Cinco Bocas, na companhia desses tais, Fabrício Pedrosa, Severo, Alberto Maranhão, Auta de Souza, Tavares de Lira, Otacílio Alecrim, Henrique Castriciano, Olímpio Jorge Maciel e o velho alcaide pessedista Alfredo Mesquita Filho.
O objetivo do cortejo, menos numeroso que as possibilidades das palavras rimosas que invoquei no início do texto, era estabelecer os fundamentos da cidade, a sua geografia sentimental, o futuro e, porque não, sacudir um pouco da poeira dos antanhos para acarinhar e acender o lume do coração macaibense.
Fui moderador da reunião. Ouvi atentamente todos os ilustres participantes, cada qual se superando nas loas e elegias à cidade-árvore, e, concluídas as intervenções, convidei o velho líder Mesquita para assumir o meu lugar para, mesmo sendo forasteiro do Ceará-Mirim, apresentar uma proposição.
Perguntei se algum deles já havia lido “Trilogia do Cotidiano”, “Pisa na Fulô”, ou “Macaíba de seu Mesquita”, do jovem Valério Mesquita. O velho Alfredo, entre a satisfação e o orgulho, levantou a mão. Auta de Souza o secundou, confessando haver realizado uma leitura astralina dessa obra e fez questão de registrar a gratidão pela solidariedade do autor quando demoliram a sua casa.
Atrevi-me e pedi licença para algumas considerações.
Edclarecii que nesses e em outros livros, o macaibense sempre macaibense Valério, ofertava-se à sua terra, arrancando-a de um anonimato ruinoso e decadente, para exibi-la viva, vibrante, original, como desagravasse uma falsa imagem que se tem de alguém colhido pela velhice, testemunhando, através de uma velha foto, a fisionomia real e imorredoura que ainda pode ser distinta se comparada aos sinais contemporâneos.
Um procedimento mágico e simples em que o investigador, movido pela imaginação e pelo amor , vai afastando as rugas, a calvície, os olhos vazios e a boca quase vazia de dentes que compõem o molde real e então como que captura os sinais de vitalidade da perdida juventude escondidos pelo tempo. Que de fato nos apresenta uma ilusão de ótica.
São relatos bem humorados que não alcançam o desrespeito nem a gozação, mas que revelam um espírito desarmado e feliz que confraterniza o humanismo dos seus quase-personagens. É uma declaração de amor e de saudade, um preito ao seu tempo de aprendizado da vida em que foi iniciado por mestres e mestras tão experientes e tão plenos de amor à existência.
Em seguida, Olimpio Maciel também manifestou o conhecimento e o reconhecimento do lavor do seu conterrâneo em favor da pátria aldeada.
Otacílio Alecrim estava desolado. Não, não o conhecia, mas tivera conhecimento do seu empenho pessoal para reeditar as suas obras. Fabrício, o dínamo macaibense, estaria comprometido com outras fundações. Augusto lamentou a falta de tempo, envolvido nas suas aventuras aéreas. Alberto Maranhão alegou o seu envolvimento com as questões políticas e Castriciano com alguns projetos educacionais.
Prossegui.
- Tenho uma proposta para a qual peço a atenção e a devida consideração de Vosmecês. Que Valério seja declarado “Benemérito de Macaíba”, com a chancela desse seleto grupo de ilustres macaibenses, que, por todos os títulos, são os expoentes da cidade, aqueles que lhe deram aprumo e norteio.
Auta de Souza e Olímpio Maciel passaram a relatar as iniciativas do homenageado em favor de Macaíba e, depois dos relatórios, li alguns trechos da “Trilogia”, exatamente aqueles que mais diretamente expressavam o amor incondicional e irrestrito do jovem macaibense à sua terra, as suas preocupações e temores, as suas indignações e as suas esperanças.
A moção foi aprovada por unanimidade e eu, apenas um escrevinhador-cambiteiro do alagadiço da terra dos canaviais, fui encarregado de lavrar o relatório com as conclusões da reunião, missão que aceitei com prazer, advertindo, todavia, os participantes, que o faria do meu jeito, sem protocolo, pompa ou circunstância como sói acontecer com as almas alforriadas da escravidão dos paletós e gravatas, dos entretantos e considerandos.
Alfredo Mesquita me abraçou com muita efusão e me disse para transmitir ao filho o orgulho e o amor de um pai estremecido pela saudade e pela gratidão. Que perseverasse, porque Macaíba era maior que qualquer querela, circunstância ou reparo. Que se lembrasse quantas vezes, ele, o pai, com uma espinha entalada na garganta, tivera que degluti-la a seco, a troco da paz familiar ou do interesse de sua cidade.
Disse-lhe, em resposta, que o seu filho era agora Conselheiro do Tribunal de Contas e havia-se retirado da arena da política partidária militante, conformando-se na trincheira do jornalismo. O velho ficou pensativo, mas não demonstrou, na sua expressão, qualquer ricto que pudesse ser objeto de interpretação. Não ouso avaliar o seu silêncio, até para concordar com as minhas aulas de direito quando dizia aos alunos que o ditado “quem cala consente” é um engodo jurídico. De fato, quem cala, não diz nada.
Com passos firmes, acompanhou-me até o Cais, olhou em grande angular a sua terra querida e desapareceu numa neblina sabendo a fios de prata.
Passo ao meu relatório.
E começo dizendo que Valério é uma instituição. Ultrapassou o limite do individual e do coletivo. Instituiu-se. Plantou-se e enraizou-se duplamente macaíba, árvore e cidade e triplamente folha, fruto e flor nas variações do Coité, da Macaíba e no advento da Valeriana.
Ninguém o excede no amor à sua terra, nem mesmo Jorge Fernandes, o Drummond de Itabira, ou Mauro Mota e Capiba do Recife. Talvez o iguale o Mestre Cascudo. Eu disse talvez, porque o meu guru universalizou-se, não tem mais eira nem beira, é de domínio público. Nilo e Edgar, cidadãos beneméritos do meu amado Ceará-Mirim, guardaram um amor telúrico, emotivo, mas construído à distância, nos ontens da infância, pelas veredas da saudade.
Em direção oposta, o meu colega-amigo de infância do Marista, Valério Mesquita, fundeou-se nas ribeiras do Jundiaí e aí deixou que a sua âncora se incrustasse no leito do rio, irreversível, inamovível, definitivamente presa, sem direito a alvará de soltura ou possibilidade de habeas corpus, porque o paciente não pretende se libertar. Ao contrário, mais e mais se enreda nas teias da doce e caprichosa prisão patrocinada pela amada.
A diferença entre este macaibense e outros amantes de suas respectivas aldeias é mais visível quando se constata que Valério viveu toda a sua vida na sua cidade. Aqui e ali, permitindo-se a certas licenciosidades com a vizinha Natal, mas fidelizado à sua terra. Conviveu com o seu povo, sentiu o cheiro da cidade, encheu os olhos do seu casario, participou do trivial e do cotidiano, foi bem-amado e mal-amado, sorriu, chorou, foi amamentado e desleitado.
Valério é parte de Macaíba, não um seu destaque, como as ilustres personalidades aldeãs famosas e arribadas que, tal como o pássaro do Baghavad Gita, mergulham e não molham a plumagem. Ao invés, ele se envolve, participa, briga, realiza, pacifica, frustra-se com os pleitos desatendidos, vibra com as realizações. Respira Macaíba. E mergulha por inteiro no Jundiaí, molhando toda a penugem.
Estica as pernas e vai às ruas do Pernambuquinho, do Comércio, Dr. Pedro Velho, da Cruz, do Umarizeiro, do Gango...Abre os braços e recebe a criança apadrinhada, o abraço do esmoler satisfeito, a noiva para entrega ao consorte, o capão para o almoço, a cuia de feijão verde, o abaixo assinado, a carta anônima difamatória, o escapulário, as rezas das novenas, o retrato da padroeira, o caçuá de manga, a cesta de cajus, a “lapada” de cana de um Zé qualquer, muito importante.
Abre os olhos e se depara com o sol mais ensolarado das manhãs nascentes de verão, com os luares sonsos e acolhedores à beira do rio ou sob o abrigo da ponte devassa, a policromia de uma cidade que vive constantemente luminescente fletindo-se sobre a paisagem. Descobre a diferença entre ver e enxergar, num, os olhos fotografam apenas, noutro, as retinas comunicam à memória a necessidade de registro para toda a vida e ao coração, o prazer da beleza.
Macaíba é o seu rosário, o seu lençol de cheiro, a água de beber da quartinha amanhecida, a pátria natural e afetiva, o seu chão, leste e oeste, horizonte e infinito. Ponto de fuga. Sonho e pesadelo. Vá lá! Que seja um lugar comum, mas é verdade verdadeira: seu oxigênio. Tanto que, afastado do cotidiano de Macaíba, o ar fica rarefeito e Valério ressente-se de mil e uma patologias das vias aéreas. Então, embarca no Pax de Augusto ou na luz mística de Auta e sobrevoa a cidade, sobrevindo a cura. Macaíba é seu xarope, bálsamo e vitamina.
E tanto amor não distingue macaibenses e macaibeiros. Alcança os dois, porque o amálgama é o amor à terra. E porque dizem que é melhor amante aquele que fez a opção de filiação do que o que não teve alternativas senão render-se à fatalidade.
Tem apenas duas queixas urbanas recorrentes: a demolição do prédio onde nasceu Auta de Souza, com a inevitável queda do jasmineiro ao pé do qual a doce poeta cantou os seus versos; e o não ter comprado o casarão onde morou o seu avô e ele próprio, ainda menino.
E um reparo sómente: de um Prefeito que quis mudar o nome do conjunto habitacional que leva o nome do seu pai, num ato revanchista mesquinho e desmotivado. Fato já superado graças às transigências de parte a parte.
Aliás, o benemérito macaibense é mestre na arte da negociação, da conciliação e da transigência. Desde que não lhe pisem o calo de estimação – a sua dignidade pessoal, a sua honra, únicos patrimônios que amealhou vida inteira. Sem esse aceiro, o fogo se espalha e as brasas incendeiam o rastilho da porção Mesquita. Quem nem aquela provocação infantil interiorana dos cuspes simbólicos: t´aqui sua mãe e t´aqui a minha. Pisasse na mãe do outro...!
Mas as compensações são maiores que as desfeitas, e ele prefere pensar naquilo que acresce ao seu amor pela terra natal, desprezando o que o afasta, porque Valério tem a mesma estatura moral que a sua envergadura física e a mesma maturação dos cajus veraneados.
Disse, certa vez, que há um tipo de conhecimento que nos credencia a afirmar que somos os melhores do mundo: o nosso dialeto, a nossa aldeia. Ninguém no mundo nos supera nessa ciência. Por isso insisto tanto para que os meus filhos se dediquem à língua brasílica e à história, geografia e geopolítica do nosso país.
Louvado nesse raciocínio, eu posso assegurar que ninguém conhece mais Macaíba que Valério, e por isso ele é a maior autoridade do mundo na Macaibística. Não me cochichem Alecrim, Tavares, ou quem quer que se pretenda ser. O diferencial valeriano é o amor e a vivência. Pensem num amor que se realiza à distância, que preserva o amante dos inconvenientes do dia-a-dia. Amor assim pode eternizar-se, mas não é verdadeiro, não há irmanação. Acaba-se no primeiro mau cheiro. Ama-se mais o que se vê refletido no objeto amado, além das virtudes e das excelências, nunca o negativo que habita todas as coisas. O lado gauche e noir de ser de cada criatura humana.
Valério conhece e vê Macaíba pelo direito e pelo avesso. O aroma e a inhaca. As grandezas e as pequenezas. As graças e as desgraças. Os bons e os maus tempos. O progresso e a decadência. Vive Macaíba como quem vive o seu amor com mulher de virtudes e temperanças medianas, defeitos e deslizes também meãos. Sem alardes, sem ostentação, sem glamour, nem juras ao luar. Ali, no corpo a corpo, no mano a mano, de pés descalços, suado, descabelado, comendo com as mãos os ossos da galinha roubada no sábado de aleluia. Com farofa da graxa dela mesmo.
Picado pelas mesmas muriçocas, alcançado pela falta d´água e de saneamento, sinal ruim da televisão, calor atroz na sessão do cinema desconfortável e sombrio, roupa lavada com anil e batida nas pedras do rio, gole de zinebra com umbu-cajá sentado num impoderável tamborete na casa de mulher-dama.
Ouvir as arrelias e arengas dos populares amigos. Dividir o pão, literalmente, e pagar o caldo de cana no mercado. Pelejar com os amigos da opa. Tirar os pequenos contraventores da cadeia. Ir à feira como cidadão comum, catando os versos dos repentistas e cantadores, experimentando a farinha e o picado, o fubá recém-pilado e a goma fresca para a tapioca e o grude.
Só quem vive esse cotidiano, em tempo real, pode dizer que conhece a sua aldeia, porque o tempo não pára, não estaciona nas memórias, nem nas lembranças fugazes. Há, sim, o tempo virtual das recordações. Esses momentos servem à individualidade, em fuga do inferno ou de retorno ao paraíso, ou ainda, ao intelecto à procura de um tema literário. Mas não marcam com fidelidade de origem, como digital ou pedigree, a fixação epidérmica do amante em relação à sua amada.
Olho Valério e apesar de enxergar nele o facies do pai, Alfredo Mesquita e de alguns outros espectros alheios ou de genéticas ancestralidades, consigo ver também, encorpado nele e ao seu redor, azinhavrado numa simpática algazarra, os “Zés” do seu chão: Zé da Bomba, Zé Jeep, Zé Caíco, Zé Mimoso, Zé Batata, Zé Deca, Zé Buchudo, que bem poderiam ser personagens de outro Zé, o Condé, de uma Caruaru por ele glorificada e imortalizada no “Pensão Riso da Noite”. Os boêmios e os “bocas do inferno”, gente simples, carne com osso e pelanca, no entanto iguarias de primeira, temperadas e cozidas no fogo brando do coração Valeriano.
Vejo nele um gentil-homem, um fidalgo caboclo, sertanejo na sua compreensão mais abrangente, saído do romance armorial de Ariano Suassuna: valente, decidido, decente, justiceiro e perdidamente compromissado com a sua terra.
Se pudesse fazer outra proposição aos ilustres macaibenses, os já encantados e por isso mesmo mais influentes ainda sobre a população descendente deles, seria para que se instituísse um Senado com jurisdição municipal e se criasse apenas um único cargo de Senador, vitalício, que só pudesse ser provido por Valério, extinguindo-se após sua morte.
Ou que Macaíba passasse a se chamar “Valeriana”, outra espécie vegetal (valeriana officinalis), também conhecida como erva-gato, recomendada para acalmar acessos de histerismos, espasmos, epilepsia, convulsões, neuralgias e dores de cabeça persistentes. Calmante para os nervos e estabilizante emocional.
No porte, a Macaibistica acusaria um retraimento da cidade á condição de menor porção vegetal, depois de ter sido promovida de arbusto a árvore. Mas a sua redução teria muito mais valia, como já se verifica, correndo em sua defesa o dito popular assacado nas disputas de brigas de rua: o que passar de mim é podre, ou nos discursos de efeito: são os pequenos frascos que contêm as melhores essências. A terapêutica municipal traria inúmeras vantagens e compensações.
Sobretudo nas refregas e quase carnificinas do período eleitoral. Luta de canibais e de xipófagos, coisa para ser narrada por Homero, o grego, ou pelo americano Stephen King. Fratricídio, parricídio. Traições, infâmia, tresloucamentos.
Melhor, portanto, a convocação para o chá de valeriana.

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É este o relato, ao meu modo de também pastorador de lembranças, ou, no melhor dizer de Valério, capataz de lembranças.
Mas a vida continua, mutante como ela só, como por perto filosofou dona Nair, mãe do meu amigo, na altura do seu mais do que centenário. Só não mudou o itinerário sentimental do seu filho, que permanece romeiro devoto da rua da Cruz, quando menos, nos sonhos cotidianos. Os passos sempre o conduzem ao número 39 para reverenciar o imemorial que se cristaliza numa dobra de intemporal dimensão, movido apenas pela lembrança.
È como se recorressemos a uma passagem do livro “O Pássaro Azul” de Maurice Maeterlinck, quando um velho, esclarecendo a surpresa do neto por vê-lo vivo, depois da morte, lhe diz: nós só morremos, de fato, quando somos esquecidos.


PEDRO SIMÕES – Professor de Direito. Escritor. Advogado.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A BRIOSA VILA


LÚCIA HELENA PEREIRA
Lúcia Helena Pereira (*)

E DEUS DERRAMOU AS ESMERALDAS MAIS PURAS E BRILHANTES, SOBRE O VALE VERDE, ALVISSAREIRO!

EM 30 DE JULHO DE 1858, CEARÁ-MIRIM TEVE SEU NOME OFICIALIZADO COMO MUNICÍPIO DO RIO GRANDE DO NORTE. CENTO E CINQUENTA E DOIS ANOS JÁ SE PASSARAM E A BRIOSA VILA, BOCA DA MATA, OU QUALQUER OUTRO NOME NA TOPONÍMIA CRIADA PELOS HOMENS, CONTINUA COM SEU JEITINHO PROVINCIANO E LÍRICO. É A VELHA E QUERIDA CIDADEZINHA DOS ANTIGOS SOBRADOS, ENGENHOS, OLHEIROS E RIOS; DO MERCADO PÚBLICO, DA GENTE BOA E SIMPLES.
CEARÁ-MIRIM DA VEGETAÇÃO PERFUMADA, DA BRISA AMENA E DO CANAVIAL ONDULANTE REQUEBRANDO-SE AO SOPRO DO VENTO.
CEARÁ-MIRIM DOS COMPADRES; DOS TOCADORES DE RABECA; DO ANTIGO CIRCO NERINO - COM OS TRAPEZISTAS ROGER E MACOTINHA - CAUSANDO VERDADEIRO REBULIÇO NA CIDADE. CEARÁ-MIRIM DA PRAÇA BARÃO DO CEARÁ-MIRIM, ONDE, AO CAIR DA TARDE, OS PÁSSAROS FAZEM SEUS BAILADOS DIANTE DA MATRIZ IMPONENTE, ANTES DE ARRIBAREM EM VÔOS MAJESTOSOS, ENRE 17 E 17:30.
CEARÁ-MIRIM DE JOSÉ ANTUNES DE OLIVEIRA, MADELANA ANTUNES, ADELE DE OLIVEIRA, EDGAR BARBOSA, NILO PEREIRA, DR. PERCÍLIO, JUVENAL ANTUNES, ONOFRE SOARES, DE ABEL E RUY ANTUNES PEREIRA, HERBERT WASHINGTON DANTAS, RUI PEREIRA JÚNIOR, ETELVINA E EZEQUIEL ANTUNES, ROBERTO PEREIRA VARELLA, MARIA LÚCIA DE OLIVEIRA BRANDÃO, CLETO BRANDÃO, RAIMUNDO PEREIRA PACHECO, AUGUSTO VAZ NETO, RIQUETE E AUGUSTA PEREIRA, LUÍS LOPES VARELLA, ALÉM DA PRESENÇA MARCANTE DO CAICOENSE ABNER DE BRITO.
A BRIOSA VILA COM SUAS NOITES CHEIAS DE ESTRELAS ILUMINANDO A SOLIDÃO DOS CANAVIAIS. É PARA ESSA PAISAGEM QUE SEMPRE ME VOLTO, COMO SE VOLTASSE A UM MUNDO ENCANTADO, À QUIMERA, A POESIA, AO SONHO. CEARÁ-MIRIM É A MINHA PAISAGEM DE INFÂNCIA. A FONTE ONDE VEJO O MEU ROSTO REFLETIDO NAQUELA ÁGUA PURA, A ÁGUA QUE CORRE NO VALE, ILUMINANDO SUA PAISAGEM IDÍLICA, QUE ME FAZ TÃO RICA, AFINAL, VIVO DESSA HERANÇA MÍTICA E MÍSTICA.
DIA 30 O DOBRE DOS SINOS DA MATRIZ DE N.SRA. DA CONCEIÇÃO ANUNCIARÁ O ANIVERSÁRIO DE 152 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA, COM EXTENSA PROGRAMAÇÃO PELA PREFEITURA MUNICIPAL. AO MESMO TEMPO, A REALIZAÇÃO DA TERCEIRA EDIÇÃO DO EVENTO IDEALIZADO E REALIZADO PELA DRA. ZENEIDE BEZERRA,DIRETORA DO ÓRO DE CEARÁ-MIRIM, COM APOIO DO DR. RAFAEL GODEIRO, PRESIDENTE DO TJ/RN.
ZENEIDE BEZERRA É A ADMIRÁVEL MULHER DO JUDICIÁRIO, REVOLUCIONANDO A CIDADE, REALIZANDO CASAMENTOS NUM SÓ DIA, BEM COMO, A CONFECÇÃO DE DOCUMENTOS DE IDENTIDADE, CPF E OUTROS. JUSTIÇA NA PRAÇA, SEMPRE COM MUITO SUCESSO, NESTA EDIÇÃO, COM ABERTURA EM 29 DE JULHO, ENTRE OUTROS ENTRETENIMENTOS CULTURAIS, LEVARÁ À "PRAÇA", ESCRITORES QUE SE IMORTALIZARM, ATRAVÉS DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES CARACTERIZADOS DOS ESCRITORES, ESCRAVOS, SENHORES DE ENGENHO, SINHÁS MOÇAS, BARÃO E TUDO O MAIS DE IMPORTANTES PÉRÍODOS DA HISTÓRIA DE CEARÁ-MIRIM, DO RIO GRANDE
DO NORTE E DO BRASIL.
AGRADEÇO AO MEU VALE TANTOS NOMES DE EXPRESSÃO: FRANKLIN JORGE ROQUE, GIBSON MACHADO, MARCOS E CEICINHA CÂMARA, WALDECK,
PEDRO SIMÕES NETO, HÉLIO VENÂNCIO E LÊDA, IZABEL MARQUES, EDVALDO MORAIS (MOSSOROENSE ADOTADO PELO VALE), ESTEFERSON SANDIS, MÁRCIA XAVIER, ERIVÂNIA MORAIS, HELICARLA MORAIS, GERINALDO MOURA E MUITOS OUTROS QUE SÓ ENGRANDECEM A MEMÓRIA DO VALE VERDE.
À MINHA BRIOSA VILA DECLARO, COMO SEMPRE FIZ, O MEU AMOR,
MINHA SAUDADE E A GRANDEZA DE LÁ TER NASCIDO E FINCADO, MINHAS RAÍZES NOS MASSAPÊS PERFUMADOS DO VALE - MARCAS DA MINHA HISTÓRIA QUE É FEITA DE POESIA E DE SAUDADE.
AGRADECIMENTOS AO EMPENHO DO PREFEITO - ANTÔNIO MARCOS PEIXOTO - QUE NÃO MEDIU ESFORÇOS PARA ESSES FESTEJOS. À DRA. ZENEIDE BEZERRA O MEU AGRADECIMENTO PELO AMOR QUE DEDICA AO VALE, AO PONTO DE REFERIR- SE A ELE COMO "NOSSA TERRA".

A TODOS QUE FAZEM ESSA FESTA E ESSA HISTÓRIA - OBRIGADA!

(*) Escritora cearamirinense

segunda-feira, 26 de julho de 2010

INFORMA "O SANTO OFÍCIO", de Franklin Jorge

"MORRE O MAESTRO CUSSY DE ALMEIDA
25 de julho de 2010 A Orquestra Cidadã Meninos do Coque ficou órfã nesta sexta-feira à noite após a morte do maestro Cussy de Almeida, 74.

O regente e idealizador do projeto estava internado no Hospital Santa Joana e faleceu em decorrência de uma deficiência pulmonar.

O corpo de Cussy foi velado no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, na região metropolitana do Recife. Em sua memoria, foi programada uma apresentação dos meninos às 14h, no local onde aconteceu a cerimônia de adeus a Almeida.

Sua familia era tradicionalmente ligada a Natal e à cultura musical natalense."

TODOS NÓS LAMENTAMOS O ACONTECIMENTO E ROGAMOS A DEUS POR SUA ALMA.