quarta-feira, 8 de abril de 2020


QUARTA - FEIRA SANTA OU QUARTA-FEIRA DE TREVAS

No calendário cristão considera-se a Quarta Feira desse 
período quaresmal, como QUARTA-FEIRA DE TREVAS 
para lembrar a traição de Judas Iscariotes. Contudo, não 
deixa de ser uma Quarta-Feira SANTA, porque 
precursora do cumprimento da profecia que coloca 
Cristo como o redentor da humanidade.
Para melhor esclarecer  este tema, transcrevemos 
estudo feito no Blog Breviário:



"Tenho estado todos os dias convosco no templo, 
e não estendestes as mãos contra mim,
mas esta é a vossa hora e o poder das trevas."
São Lucas 22,53






Então um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, foi 
ter com os príncipes dos sacerdotes e 
perguntou-lhes: 15 Que quereis dar-me e eu vo-lo 
entregarei. Ajustaram com ele trinta moedas de 
prata. 16 E desde aquele instante, procurava uma 
ocasião favorável para entregar Jesus(MT 26, 14-16)




















Judas Iscariotes, um dos 
Doze, foi avistar-se com os 
sumos sacerdotes 
para lhes entregar Jesus. 
11 A esta notícia, eles 
alegraram-se e prometeram 
dar-lhe dinheiro. 
E ele buscava ocasião oportuna 
para o entregar. 
( MC 14,10-11)




















Levantai-vos e vamos! 
Aproxima-se o que me 
há de entregar. 
43 Ainda falava, 
quando chegou 
Judas Iscariotes, 
um dos Doze, e com ele um bando 
armado de espadas e cacetes, 
enviado pelos sumos sacerdotes, 
escribas e anciãos.44 Ora, o traidor 
tinha-lhes dado o seguinte sinal: Aquele 
a quem eu beijar é ele. Prendei-o e 
levai-o com cuidado. 45Assim que ele se 
aproximou 
de Jesus, disse: Rabi!, e o beijou. 
46 Lançaram-lhe
 as mãos e o prenderam. (MC 14 ,42-46)


Dito isso, Jesus ficou perturbado em seu espírito 
e declarou abertamente: Em verdade, em verdade 
vos digo:
um de vós me há de trair!... 22 Os discípulos 
olhavam uns para os outros, sem saber de 
quem falava. 23 Um dos discípulos, a quem Jesus 
amava, estava à mesa reclinado 
ao peito de Jesus. 24 Simão Pedro acenou-lhe 
para dizer-lhe: Dize-nos, de quem é que ele fala. 
25 Reclinando-se este mesmo discípulo sobre o 
peito de Jesus, interrogou-o: Senhor, quem é? 
26 Jesus respondeu: É aquele a quem eu der 
o pão embebido. Em seguida, molhou o pão e 
deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. 
27 Logo que ele o engoliu, Satanás entrou nele. 
Jesus disse-lhe, então: O que queres fazer, 
faze-o depressa. 28 Mas ninguém dos que 
estavam à mesa soube por que motivo lho dissera. 
29 Pois, como Judas tinha a bolsa, pensavam
alguns que Jesus 
lhe falava: Compra aquilo de que temos necessidade 
para a festa. Ou: Dá alguma coisa aos pobres. 
30 Tendo Judas recebido o bocado de pão, 
apressou-se em sair. E era noite... 31 Logo que 
Judas saiu, Jesus disse: Agora é glorificado o 
Filho do Homem, 
e Deus é glorificado nele.  (JO 13, 21-31)

















Depois dessas palavras, Jesus saiu com os 

seus discípulos para além da torrente de 
Cedron, onde havia um jardim, no qual entrou 
com os seus discípulos. 2 Judas, o traidor, 
conhecia também aquele  lugar, porque 
Jesus ia frequentemente 
para lá com os seus discípulos. 3 Tomou então 
Judas a coorte e os guardas de serviço dos 
pontífices e dos fariseus, e chegaram ali com 
lanternas, tochas e armas. 4 Como Jesus 
soubesse tudo o que havia de lhe acontecer, 
adiantou-se e perguntou-lhes: A quem buscais? 
5 Responderam: A Jesus de Nazaré. 
Sou eu, disse-lhes. (Também Judas, o traidor, 
estava com eles.) 6Quando lhes disse Sou eu, 
recuaram e caíram por terra. (JO 18, 1-6)




NA QUARTA DE TREVAS É TRADIÇÃO REZAR-SE 
14 SALMOS LEMBRANDO OS 14 PASSOS DO 
CALVÁRIO DE CRISTO, TENDO UM CANDELABRO 
TRIANGULAR DE 15 VELAS ACESO.
 A CADA SALMO APAGA-SE UMA VELA, LEMBRANDO 
A VIDA DE JESUS QUE SE VAI, SÓ NÃO A DO MEIO 
DO CANDELABRO. POR FIM, ELA TAMBÉM SE 
APAGA LEMBRANDO A MORTE DE JESUS. E A 
IGREJA FICA NA ESCURIDÃO.

EM SEGUIDA, TODOS BATEM OS PÉS E AS 
CADEIRAS, FAZENDO RUÍDO , LEMBRANDO A 
RESSURREIÇÃO E A VELA DO MEIO É ACESA 
DE NOVO. 


ESSE COSTUME JÁ NÃO É MUITO USADO EM 
TODAS AS IGREJAS. PRINCIPALMENTE, DEPOIS 
DA REFORMA DO CONCÍLIO VATICANO. POUCAS 
CONSERVAM ESSA TRADIÇÃO QUE, AO MEU VER, 
É MUITO BONITA POR 
TODO O SIMBOLISMO DELA.

"E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, 
e os homens amaram mais as trevas do que 
a luz, porque as suas obras eram más."
 São João 3,19

"Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: 
Eu sou a luz do mundo; quem me segue 
não andará em 
trevas,  mas terá a luz da vida."
 São João 8,12


"Eu sou a luz que vim ao mundo, para que 
todo aquele que crê em mim 
não permaneça 
nas trevas."
São João 12,46


"E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos 
anunciamos: que Deus é luz, e não há nele 
trevas nenhumas. "
I São João 1,5
"Disse-lhes, pois, Jesus: A luz ainda está convosco 
por um pouco de tempo. Andai enquanto tendes 
luz, para que as trevas não vos apanhem; pois 
quem anda nas trevas não sabe para onde vai."
São João 12,35
O MEU CATIVEIRO
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes


      Das publicações na rede social e na imprensa, notadamente a coluna do amigo jornalista Vicente Serejo, sobre a pandemia do coronavírus, uma delas foi enviada diretamente para mim, por conta da amizade e do talento de Horácio Paiva, que abaixo transcrevo:

A HORA RASA

não há mais onde abrigar-se
o quarto é um símbolo mudo
e a calmaria
sinal de perigo

os odres estão vazios
e muita cautela é preciso ao pisar
as nuvens de silêncios inflamáveis

outrora havia rumor de tambores
que anunciavam a chuva
mas os ventiladores pararam

o quarto está despido
sem sombras e sem luz
sem qualquer movimento de espera
exceto a expectativa
de que uma porta se abra
e exponha o jazigo                       
à exterioridade dos ruídos

(Horácio Paiva)


      Parece que o poeta ouviu o meu sentir cotidiano, no símbolo mudo do meu quarto, a cujo poema eu acrescento: e para quem já não conta com o seu amor permanente, com o qual poderia amenizar os dias intermináveis desta condenação.
      A solidão e o silêncio trazem THEREZA para mim em todos acontecimentos da natureza e da vida. Hoje seria o dia dela "lua cheia", onde nunca deixou de curtir comigo nas cadeiras do nosso jardim, carinhosamente criado por ela para aliviar as tensões da existência.
      Também sinto a falta do abraço de todos os meus netos, do banho diário de piscina com Guilherme onde fazia todo tipo de peripécia, enquanto eu o caçava imitando um tubarão e com isso fazia os meus exercícios necessários. 
      Hoje o meu exercício é sozinho, silencioso, onde fico a rezar ou orar, tanto faz, pedindo ao Criador que salve este mundo velho de tanta desgraça, não bastasse o castigo de conviver com pessoas que comandam os Entes Públicos sem a competência indispensável a melhorar a qualidade de vida do povo, destinatário da existência dos seus representantes.
      Nos momentos dos meus banhos de solo o local invariavelmente escolhido é o jardim da minha querida companheira, buscando as orquídeas que tanto apreciava.
      E o que dizer da Semana Santa, neste momento acompanhada pelo meio virtual, sem o sentir sobrenatural das Catedrais ou das simples Igrejinhas.
      É difícil viver numa masmorra, aliviada pela introspecção a que nos submetemos para orientar os que estão de fora a tomarem iniciativas que ajudem de alguma forma os que sofrem e cumpram as obrigações das quais estou privado de providenciar pessoalmente.
      Também aliviam os meus tormentos e preocupações, os telefonemas e "Zaps" dos muitos amigos, com os quais divido a esperava da salvação.
       A propósito, vejam o que recebi da amiga Magda Botelho, a propósito de acontecimento inusitado ocorrido num hospital no Recife, quando um grupo fazia orações - a imagem fala mais do que eu poderia fizer.




UM ABRAÇO VIRTUAL AOS MEUS LEITORES. QUE DEUS SEJA SEMPRE LOUVADO.



Burra de sela

Por: Gustavo Sobral


Vem dos antigos, e desde que o homem domesticou o animal para transporte e uso, a pronta necessidade de saber bem cavalgar.

Se atribui em parte ao cavaleiro ou à amazona a destreza de bem conduzir os arreios, mas também fator incontestável é que nem só de um bom montador se faz uma agradável montaria. O animal contribui, e como, para o bom aproveitamento da cavalgada.

Se incontestável é a predominância do cavalo em assuntos de montaria, incontestável também são as qualidades da burra, burrica, asna, jumenta, para o mesmo propósito. Em matéria de resistência e prudência, a burra saiu superior ao cavalo.

É certo que o animal só mostra a que veio, sabedoria do sertanejo, em serviço. Então o adágio é prudente: só se conhece burro bom em viagem grande.

Juvenal Lamartine fez mais de uma vez viagem de ida e volta de Acari para Natal, de Natal para Acari, em sua Melada. 108 léguas! E dizia que a burrinha nem se abalou. Quincoló, marchante de gado, batia meio mundo, andando o sertão, na sua V8.  

Nem os cangaceiros se furtaram ao uso da burra com sela e sem, segundo Honório de Medeiros, mestre no assunto cangaço. E a burra virou instituição.

Diz-se daquele que acerta na sorte grande que “lavou a burra”. Burrinha é burra pequena, ou o seu diminutivo. Burrica é burra pequena e nova. Burrada é ajuntamento de burro, mas é também alguma besteira que algum indivíduo possa cometer, ai diz-se que ele fez uma burrada.

Quem mata burro é burricida e burra de leite é a burra que produz leite e dizem que leite de burra é bom pra recém-nascido, só que sua quantidade é minguada...

Burra do padre é também como é conhecida a mula sem cabeça, avalie! E burranca é burra fraca – segundo o Grande e Novíssimo Dicionário da Língua Portuguesa de Laudelino Freire, 2ºed, 1954.

Andorinha, Carrapeta, Cigana, Medalha, Melada, Asa Branca, outros mais eram nomes que assistiam as burras de sela no sertão velho.

As burras de sela eram de tanta e total serventia que eram elas a garantia de muita palavra dada por sertanejo quando dizia: aguarde que tal dia e tal hora estarei lá sem mais nem menos.

Mesmo assim, a coitada do burra passou para a história sem o devido reconhecimento do valor da sua presteza. A burra de sela merece este registro.

Para ler outros escritos, baixar livro
e  tudo mais, acesse

www.gustavosobral.com.br

terça-feira, 7 de abril de 2020







DOMINGO DE RAMOS

Corresponde ao dia em que Jesus entrou em Jerusalém, aclamado por uma grande multidão com ramos nas mãos e colocados pelo caminho no qual Jesus entrou em Jerusalém para cumprir a sua missão. Isso aconteceu no domingo antes de sua morte e ressurreição, e ficou firmado como o início da Semana Santa.
Apesar da Pandemia que assola o mundo presentemente, vamos nos recolher para viver, dia a dia, o julgamento, martírio, morte e ressurreição do Cristo.

segunda-feira, 6 de abril de 2020


EFEITOS COLATERAIS DA PANDEMIA
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

      Saio do meu natural, até porque estou fora do meu normal, para desabafar da situação que me mantém constrangidamente em cativeiro.

      As emissoras de canal aberto ao invés de aproveitarem o aumento de audiência para apresentar programas especiais, bons filmes, reportagens e outras coisas mais, ficam a ocupar todos os horários com noticiário exagerado sobre a pandemia do “coronavirus”, ampliando o pânico na população e sempre com um pedacinho de conotação política, querendo jogar o Presidente da República contra o Ministro da Saúde, quando as estatísticas podem muito bem ser apresentadas nos noticiários normais e horários já conhecidos do grande público, em todas as emissoras.

      Tais programas, pela repetição, mantém um clima ridículo, incômodo e desnecessário, tanto para os telespectadores adultos quanto a criançada que ficam sem alguma atração para acalmarem as suas ansiedades.

      A par dessa monotonia, apelam para programas já apresentados, nem todos de valor aceitável, deixando os seus seguidores com a busca de outras atividades que podem contrariar a ordem de resguardo.

      Sem querer cair na vala comum, parabéns aos médicos e enfermeiros e a todos que trabalham na área hospitalar pela dedicação e competência; aos governantes preocupados com oferecimentos de novos leitos para as emergências e medidas financeiras para acudirem os hipossuficientes financeiramente e os moradores de rua, como também às diversas Igrejas, que conservam acesa a chama da esperança.

      Estou fazendo o possível e você?

terça-feira, 31 de março de 2020


AMOR, UM ANO, A VIUVEZ

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes


      Hoje, dia 31 de março de 2020, traz à nossa memória aquele domingo de tristeza de um ano atrás, quando no sono da esperança, sem agonia, voltou para a casa do Pai a nossa inesquecível THEREZINHA ROSSO GOMES, minha menina de tranças, com quem dividi 71 anos de amizade, alguns de namoro, um de noivados e 56 de laços matrimoniais.


      Todos conhecem a minha dor e as minhas mensagens dedicadas a ela, não reprimindo a proclamação da saudade que permanece íntegra entre os seus filhos, netos, genro e noras, irmã Rachele e demais parentes e incontável número de amigos que compareceram em massa em sua partida, dando mostras que ela era uma pessoa singular de esposa, mãe, avó e amiga.

      Nesta data, pelo inusitado do surgimento de uma pandemia, foi impossível a reunião na igreja que frequentava - Matriz de São Pedro, mas nem por isso vamos deixar de fazer uma corrente de oração, que estimaria fosse às 17 horas, em sufrágio da alma da pranteada pessoa.


      Aproveito para enaltecer a permanente solidariedade dos amigos e parentes em reiteradas manifestações, em particular da Igreja Católica através do Pe. MOTTA, que preparou a pranteada para o momento do encantamento de THEREZA, celebrando no Hospital da Unimed a renovação das bodas o que trouxe a todos e a ela, em particular, uma alegria incomensurável, ato que o referido pároco e amigo o repetiu neste 16 de março de 2020, comparecendo à nossa residência para reiterar a data nos seus 57 anos. Hoje, pela TV Futuro, celebrou Missa, também em sufrágio da alma da nossa inesquecível esposa, mãe, avó e amiga.  SALVE THEREZINHA.

AINDA QUE O AMOR EXISTA

MAS TAMBÉM A DOR PERSISTA

ESTÁ DOENDO DEMAIS!

SENHORA MÃE DO SENHOR
COBRI COM O SEU MANTO SAGRADO
A VIDA DO MEU AMOR

  

domingo, 29 de março de 2020

PARABÉNS AO IHGRN



A Casa da memória norte-rio-grandense completa 118 anos de serviços prestados ao Rio Grande do Norte 

Bruno Balbino Aires da Costa
Sócio efetivo do IHGRN

      A “Casa da memória norte-rio-grandense” é a marca registrada do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. Porém, o que o termo significa? Qual a sua relevância para a sociedade norte-rio-grandense nesses 118 anos de história?  
      Primeiramente, a imagem da Casa da Memória diz respeito ao seu comprometimento em preservar os milhares de documentos raros alusivos ao passado remoto e imediato do estado. Segundo, a mencionada alcunha justifica-se pelo seu interesse institucional em não deixar olvidar a memória histórica do estado. 
      Nesse sentido, a imagem da Casa da Memória tem um duplo sentido: o da memória arquivada e o da memória histórica.   O IHGRN organizou uma memória arquivada por meio do ato de coligir e metodizar documentos referentes ao Rio Grande do Norte. Vale lembrar que o Instituto Histórico surgiu de uma necessidade política e territorial: reunir uma documentação que pudesse subsidiar a defesa do estado em relação à questão de limites territoriais com o Ceará na virada do século XIX e começo do XX.       Nesse momento histórico, o Rio Grande do Norte não tinha uma instituição, como o Instituto do Ceará, que pudesse, concomitantemente, reunir uma documentação e a partir dela produzir e publicar um conjunto de textos acerca da questão de limites. 
      Foi da necessidade de fornecer documentos para a defesa jurídica na querela territorial com o Ceará que começou a veicular, entre os círculos letrados e políticos do estado, a ideia de criação de um instituto aos moldes do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil (IHGB). Tal interesse foi concretizado em 29 de março de 1902 com a fundação do IHGRN. 
      Durante muito tempo, o Instituto tornou-se uma espécie de arquivo do estado, copiando e reunindo um conjunto de fontes concernentes ao passado do Rio Grande do Norte. Mas não foi só isso. O Instituto histórico produziu uma memória histórica para o estado, elaborando a partir dela uma articulação com a memória nacional. 
      O IHGRN foi a instituição que formulou as bases da identidade histórica do estado. No jogo complexo de diatribes pela naturalidade dos personagens históricos, como Felipe Camarão, e pelo interesse em evidenciar o papel proeminente de Frei Miguelinho na Revolução de 1817, os sócios do IHGRN mobilizaram-se para construir o panteão de heróis norte-rio-grandenses. 
      No começo do século XX, fazia-se necessário evidenciar a singularidade do estado no conjunto geral da nação. Era preciso assinalar o lugar do Rio Grande do Norte na construção da memória nacional. Dessa tarefa encarregou-se também o IHGRN.       Em termos atuais, a agremiação continua priorizando a preservação da memória documental e reforça a memória histórica produzida pelos seus associados, desde os primeiros anos de sua existência. 
      O Instituto orgulha-se da herança memorial e preserva a imagem de que a agremiação é a Casa da Memória norte-rio-grandense.  
      É no âmbito da Casa onde há o refúgio tranquilo contra os perigos e as ameaças dos que estão fora. É nela também que se produz uma memória comprometida com os valores e os interesses dos que estão dentro dela, daqueles que orbitam no espaço privado do Instituto. É a Casa da Memória, porque efetivamente produziu-se e guardou-se, ao longo dos seus 118 anos, a memória norte-rio-grandense do perigo do esquecimento. 

quarta-feira, 25 de março de 2020

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CORONAVÍRUS: PANDEMIA E PANDEMÔNIO



Valério Mesquita*

A vida da gente, hoje em dia, chega a doer e a enjoar. Sobrepondo-se à lógica, aí estão os mistérios do mundo. Ele parece apodrecer cotidianamente. E acho essas razões um tanto metafísicas mas, perfeitamente racionais e cabíveis à espécie. Apesar da revolução das ciências, em todos os campos de atividade, há uma angústia indagativa porque tudo piora quando a humanidade progride materialmente. Muito antes, nas esquinas do mundo, a fatalidade das guerras ditadas pela imprudência interrompia a esperança do ser humano no dia de amanhã. Tudo leva a crer, no crepúsculo dos nossos dias, que a escalada geométrica da dificuldade de se viver no planeta, hoje tão afetado pela superpopulação e a crise da falta de alimentos, é que ingressamos no corredor escuro do Armagedom.
A vida passa e diante dos nossos olhos segue um desfile barulhento de excessos. Excessos e abusos perturbadores provocados pelo braço do homem. Vejam só, por que surgem na atmosfera (o ar que respiramos) vírus gripais (Covid-19, H1N1 e etc.), infecciosos e contagiosos que se multiplicam e se transformam virando pandemia? No processo de mutação ultrapassam a eficácia da vacina e se propagam com surpreendente rapidez, induzindo-nos acreditar que a camada superior da terra e as defesas do corpo humano estão comprometidas por atos insanos do próprio homem. Os continentes, desde os mais industrializados aos mais pobres, desérticos, quentes, superpovoados, até as  florestas tropicais em compasso progressivo de extermínio, incluindo os mares revoltos, revelam-me recôndita preocupação com o final dos tempos.
Igual em perigo à pandemia, mora vizinho o pandemônio. O tumulto do trânsito em Natal está trazendo estresse e hospitalizando muita gente. Avaliem as cidades maiores! Semana passada, entre 18h e 19h30, gastei de automóvel trinta minutos do bairro de Lagoa Nova ao Natal Shopping. O número de veículos hoje na capital resgata a “saudade de mim mesmo”, como disse o poeta português. Esse grave fato estatístico não preocupa apenas pelo dano físico de acidentes, mas igualmente, pela nova geração de ansiosos, psicóticos e depressivos. E haja consumo de benzodiazepínicos. Diariamente em Natal, acontece de dois a quatro acidentes com motos. A malha viária não comporta mais o enxame de ônibus, “ligeirinhos” antipáticos e imprudentes, automóveis e utilitários de luxo, que lembram as crises políticas de Bolsonaro.
Todavia, o pandemônio não se encerra aí. O assalto à mão armada não apenas reside ao lado, mas está dentro de casa fazendo reféns. Com armas modernas e de grosso calibre os marginais já são um número maior que o efetivo policial. Segurança no Brasil é uma ilusão congratulatória. Somente os bobos acreditam e agradecem. Ainda iremos assistir, se não planejarem logo uma solução, desfilando nas ruas e bairros as forças armadas do país, envolvendo-se na estratégia de resguardar a cidadania que é vida e que significa tanto quanto a defesa da soberania do país. Igual ou pior do que a invasão do território nacional é o lar ultrajado, violentado e saqueado da família brasileira que, no dizer de Rui Barbosa, “é a pátria amplificada”.

(*) Escritor

quinta-feira, 19 de março de 2020





VALE A PENA COBRAR DE NOVO

Valério Mesquita*

O rio Jundiaí, no trecho em que atravessa a cidade de Macaíba, perdeu o solo, o curso, o chão, o cheiro, a visão e é ameaça a segurança dos habitantes. Entre o parque governador José Varela e a praça Antônio de Melo Siqueira deixaram crescer no leito poluído imensos manguezais que enfeiam um dos mais bonitos logradouros urbanos. Essa selva esconde lixo doméstico, carcaças de animais, marginais do tráfico de drogas em todo o seu percurso e os galhos já ultrapassam a altura da ponte e das balaustradas. A imprensa já publicou, excelente matéria sobre tudo que ameaça e destrói os rios Potengi e Jundiaí. Mas, o foco da minha questão e, creio, dos cidadãos macaibenses, reside exatamente neste aluvião de perguntas: por que o Idema e o Ibama não evitam, aparando, podando, somente nesse trajeto o “matagal” entre o antigo cais histórico do porto até a outra lateral da ponte? Por que não permitem a prefeitura  o fazer?
A praça e o parque perderam o charme de antigamente. Ninguém enxerga ninguém, olhando de um lado para o outro. A conscientização ambiental deve ser obedecida até onde não prejudique a funcionalidade urbanística e o senso prático e plástico do mapa citadino. Desde quando, em 1950, se planejou e se construiu a estrutura de pedra e cal das duas margens, o choque do progresso jamais prejudicou a superfície do rio. Nem, tão pouco, o molestaram, a expansão e o desafio do crescimento habitacional. Pelo contrário, a construção ordenou a trajetória das águas e defendeu as ruas periféricas contendo os transbordamentos. Contemplo, hoje, que os problemas das inundações estão equacionadas com a construção da barragem de Tabatinga. Por que o Idema  e o Ibama, tão preocupados com o meio ambiente, não permitem, apenas, nesse, pequeníssimo trajeto fluvial o corte da poluição visual da paisagem urbana e memorial de Macaíba?
Ali, a vegetação gigantesca e desproporcional encobre um dos pontos históricos do município. Refiro-me ao cais das antigas lanchas que faziam o percurso fluvial entre Macaíba e Natal: a lancha do mestre Antonio, o barco de João Lau, além da lancha “Julita” que transportou tantas vezes Tavares de Lyra, Eloy, Auta e Henrique Castriciano de Souza, Augusto Severo, Alberto Maranhão, João Chaves, Octacílio Alecrim e tantas outras figuras notáveis da vida social, cultural, política e econômica. Todos se destacaram nos planos estadual, nacional e internacional. Ali, o centenário cais, jaz sob os escombros de verdes balizas envergadas e fantasmagóricas. A visão noturna é tétrica e arrepiante. Desfigura e mutila os padrões estéticos do planejamento da urbe que a faz parecer abandonada e suja. Até a lua cheia que nasce lá por trás do Ferreiro Torto foi encoberta.
Assim como se deve obedecer a educação ambiental, do mesmo modo, exige-se o tratamento e o corte do matagal por parte do Idema e do Ibama a fim de evitar o represamento do lixo no leito, exclusivamente urbano. Nas capitais e cidades importantes do Brasil banhadas por rios não se vê tratamento tão dispersivo e indiferente da parte dos órgãos responsáveis. Ao redimensioná-lo neste texto, cabe aos institutos prefalados uma reflexão, um reestudo sobre o cenário dantesco do rio Jundiaí na parte descrita. O povo macaibense tem o direito de ouvir e a coragem de duvidar que essa “selva amazônica” que devora e perturba a todos seja explicada e resolvida, sem slogans, clichês, palavras de ordem, lugares comuns, peças de marketing ou princípios dogmáticos. Que venha à lume as boas intenções e que não fique a história de Macaíba submersa na floresta de manguezais.

* Escritor




NOITE ÍNTIMA

na estrada de penas e dores
o que me redime
senão a memória de teus beijos
musicais que continuam a ditar
meu voo como sinos do amor
que do passado
se tornam imortais?


- Horácio Paiva


(homenagem de Horácio Paiva aos meus 57 anos de casamento com THEREZA).

quarta-feira, 18 de março de 2020


RESGATANDO DARIO JORDÃO DE ANDRADE

Valério Mesquita*


Todo homem é sujeito e senhor de sua história. Seja político, empresário, profissional liberal, magistrado ou religioso. Meu tio Dario, falecido aos 97 anos, escreveu a sua história de vida com humildade e decência. Filho de pais modestos, nasceu em Macaíba onde a sua mãe Sofia Curcio, viúva, educou-o com sacrifício e obstinação, fruto da fibra italiana dos seus pais. Fez os primeiros estudos em sua cidade e, em seguida, Natal para depois se formar pela Faculdade de Direito do Recife. Foi promotor de justiça, juiz de Direito em Santa Cruz, Areia Branca, Macaíba e Natal, onde se aposentou. Parodiando Paulo na sua epístola, diria que ele combateu o bom combate e guardou a fé nos postulados jurídicos. O seu saber o fazia jurista de muitas consultas entre advogados e juizes que o procuravam.
Dario foi o último remanescente de uma geração de três famílias que se interligaram pelo parentesco e pelo matrimônio: Andrade, Maciel e Mesquita. As três vertentes pontificaram da primeira metade do século vinte até o seu final. Seus irmãos também longevos como ele, eram: Nair, Sofia, Nilda, Floriano e Clóvis. Do casamento com Geni Maciel de Andrade nasceram dois filhos: Sonia e Ivan Maciel de Andrade, advogado, jurista, escritor, membro da Academia de Letras, ex-consultor geral do estado por duas vezes. Deixou netos e bisnetos. O traço marcante da personalidade do meu tio residia na simplicidade. Daí a urbanidade, a disponibilidade de trato para com todos que dele se acercavam. Quando publiquei o meu primeiro trabalho em 1968, um pequeno ensaio intitulado “O tempo e sua Dimensão”, estimulou-me bastante denotando o sentido de ajudar porque esta era uma marca registrada inconfundível.
No Grande Ponto e no Café São Luiz a silhueta clara do seu vestir, a voz explicativa que se derramava no consuetudinário gesto italiano de ser, guardam a sua memória como o bom humor de cantarolar qual jovem de bem com a vida. O ex-padre Zé Luiz, freqüentador assíduo do café, registrou na sua coluna jornalística a alegria do amigo numa manhã luminosa com o estribilho da poesia de Gonzaguinha: “Viver e não ter vergonha de ser feliz”. Mas, há outro aspecto relevante na família Andrade. Refiro-me a união dos irmãos que jamais se intrigaram. Eram solidários em todos os instantes.  Exemplos magníficos de vida pautados no modo despojado e modesto de se conduzirem. Assim foi também Dario no exercício da magistratura onde não fez inimigos nem sujou as mãos com o azinhavre da improbidade.
O meu tio foi um autodidata. Leu os clássicos da literatura mundial e os grandes compêndios da filosofia do Direito formando uma sólida cultura. Poderia ter sido desembargador e a sua capacidade estava, inclusive, acima da média, não fossem as tribulações políticas da época vividas pelo judiciário. Aquela figura despretensiosa, que residia à rua General Osório, Cidade Alta, que não fumava nem bebia por ser inteiro, limpo, íntegro, probo, bom pai e esposo, sempre teve a minha admiração. Não privei tanto de sua intimidade quanto Ticiano Duarte meu primo e seu sobrinho. Quando adoeceu visitei-o algumas vezes. Não gostava de vê-lo sem o talento da boa conversa, da vivacidade, dos ademanes de homem educado e culto, sem deixar nunca de ser simples. Relembra-o hoje nesta coluna com saudade para testemunhar-lhe que dele muito me orgulho e guardo as melhores recordações.
(*) Escritor.



Ler, para saber escrever
Tomislav R. Femenick – Jornalista

Por motivos que agora não vêm ao caso, eu somente comecei a falar aos sete anos de idade. Ao mesmo tempo comecei a ler e iniciei os meus primeiros passos na escrita. Além dos tropeços de gramática, eu tinha outro problema: eu lia as “palavras” e não as “silabas”. Isso é, para mim a escrita era figurativa e não fonética. Quem corrigiu esse meu defeito foram os meus eternos gurus, Vingt-un e América Rosado. Mas essa é outra história, a ser contada em outra oportunidade, se a houver. O que importa agora é o fato de que eu fiquei com sequelas e, consequentemente, falava e escrevia errado. Até desenvolvi um método para que ninguém notasse meus erros: falava baixo e só escrevia com o dicionário à mão.
Quando tinha doze anos, fui morar em Alagoas e para lá levei as minhas deficiências linguísticas. Mas eu não poderia continuar com esse carma. Um dia, um ano depois, entrei na redação do Jornal de Alagoas, órgão dos Diários Associados, e pedi para falar com o Diretor. Fui recebido pelo mestre Otacílio Colares. Aí se deu um diálogo surreal, como dizem meus alunos.
– Trouxe algum recado para mim?
– Não, senhor. Vim lhe pedir para trabalhar no jornal.
– Mas nós não temos vaga de contínuo (na época era assim que se chamavam os office-boys).
– Mas eu não quero trabalhar como contínuo. Quero ser jornalista, repórter.
Otacílio olhou mas atentamente para mim, um menino de treze anos, e fez-me a pergunta que eu temia:
– E você sabe escrever?
– Não, mas quero aprender aqui, onde terei a obrigação de escrever todos os dias.
O jornalista, romancista e poeta não se conteve e deu uma imensa e sonora gargalhada.
– E como é que eu vou lhe pagar, se você não sabe nem escrever.
– Eu não disse que queria ganhar dinheiro. Eu disse que queria trabalhar, escrever.
Em seguida ele me explicou que os jornalistas deveriam saber mais do que simplesmente escrever; deveriam saber “encontrar” as notícias e selecionar aquelas que eram de interesse público. Depois de quase uma hora de conversa (para mim, a minha primeira aula teórica de jornalismo), lançou-me um desafio. “Traga uma notícia, escreva-a em forma de reportagem, sem se importar com os erros de concordância e ortográficos. Se for um furo, eu lhe contrato como repórter, com salário regular”.
Sai da redação do Jornal, que ficava na rua Boa Vista, e fui direto ao Palácio do Governo, ali perto, na Praça dos Martírios, e pedi para falar com o governador Arnon de Melo (o pai de Fernando Collor de Melo), dizendo ser do Jornal de Alagoas. Não demorou muito e fui recebido. Contei-lhe a minha situação e que precisava de uma notícia para ser contratado. Deu-me matérias suficientes para vários “furos” jornalísticos. Foi assim que ganhei o meu primeiro emprego como repórter.
Escrever foi uma doença que peguei ainda menino. O meu primeiro contágio foi através da minha avó, leitora ávida de tudo que era jornal. O que me intrigava era que, quando ela estava lendo, entrava numa espécie de transe, separava-se do mundo, não ouvia e nem falava com ninguém. Aquilo me fascinava; quem escrevia para jornal tinha o poder de encantar as pessoas.  
Depois foi um italiano, o doutor Pedro Ciarlini (pai de Augusto, meu colega), que me perguntou o que eu gostaria de fazer. Lembrando-me da minha avó, respondi: escrever. Então leia todos os livros que poder, foi a resposta dele. De lá para cá escrevi bastante; 55 livros e meus artigos já saíram em mais de cem jornais e revistas. Cheguei até a ser sócio-diretor de uma agência de notícias, a Enterprise Press. Mas, renovar é preciso. Para me manter atualizado, também tenho uma página na internet, a www.tomislav.com.br, que nos últimos cinco anos vêm recebendo, em média, mais de um milhão de visitas, oriundas de mais de trinta países.
Tribuna do Norte. Natal, 13 mar. 2020.




terça-feira, 17 de março de 2020

  




REGISTROS HISTÓRICOS
JANSEN LEIROS, PERFIL E SAUDADE



Jansen Leiros Ferreira nasceu em Macaíba no dia 15 de março de 1937, era o primogênito de Aguinaldo Ferreira da Silva e Maria Leiros Ferreira, nascida Maria Leonor de Castro Leiros.
Estudou no tradicional Grupo Escolar Auta de Souza e, em Natal no Ginásio 7 de Setembro, concluindo o ginásio e o curso técnico de contabilidade. Simultaneamente, cursou o científico no Ateneu Norte Rio-grandense. Aos dezoito anos, já havia escrito uma plaqueta fruto de pesquisas em sua cidade, que intitulou “Macaíba e seus tipos populares”. Após a editoração dessa plaqueta, ingressou na Faculdade de Direito da UFRN, cursando o bacharelado em ciências jurídicas e sociais.
Foi nomeado para o Instituto do Açúcar e do Álcool, lotado na Delegacia Regional do Rio Grande do Norte e em 1962, obteve transferência para a sede do órgão na cidade do Rio de Janeiro. E lá, concluiu seu curso de bacharelado em ciências jurídicas na Universidade do Brasil.
No terceiro ano do curso de Direito foi indicado pelo padre Raimundo Brasil – capelão da Base Naval de Natal - para substituir, no Serviço Social daquela unidade, o doutor José Gurgel Guará nas funções de Assessor Jurídico, onde serviu por quase dois anos, no Comando do Capitão de Mar e Guerra Milton Pereira Monteiro.
Ainda em Natal, estudou piano erudito com o maestro Waldemar de Almeida, no Instituto de Música do RN, ocasião em que participou de algumas audições públicas e participando do Conjunto de Câmera Prof. José Monteiro Galvão. Após 1964, face às dificuldades financeiras foi instado a deixar o serviço público federal para exercer a advocacia dando assistência a empresas privadas.
Ainda nos anos sessenta, realizou sua primeira viagem ao exterior, visitando o Peru, o Chile e a Argentina. Depois, conheceu a Europa Central e os Estados Unidos.
Retornando à Natal, foi nomeado para as funções de Assessor Especial da Fundação José Augusto, ao tempo em que eu exerci a presidência do órgão.
Em 1991, foi nomeado Assessor Jurídico do Estado, e lotado na Procuradoria Geral, onde aposentou-se aos setenta anos.
Jansen Leiros, como escritor, editou os seguintes livros: “Macaíba e seus tipos populares”, “Fragmentos e Reflexões”, “Contos do Entardecer”, “Apólogos do Nascer do Sol”, “Prelúdios de um Novo Dia”, “Relembranças”, “Macaíba de Cada Um”, “Sonata do Alvorecer de Aquários”, “Itinerário de um Sertanejo”, “Daphne – compromissos e resgates”, “Garimpando a Luz”, “Acordes da Alma”, “Aleluia do Homem Novo” e “Aquarela do Sol Nascente”.
No campo da música, ele criou entre uma vintena de composições: “Sonho de um Cello”, “Crepúsculo no Solar da Madalena”, “Alma Nordestina” e “Balada para Daphne”, todos por ele harmonizadas para orquestra de cordas.
Estudou canto lírico, e participou de conjuntos corais como o Harmus, do Instituto de Música Waldemar de Almeida, da Fundação José Augusto, de cuja criação foi um dos responsáveis quando compunha o Conselho de Administração. Barítono, como seu avô materno – maestro João Viterbino de Leiros, era um seresteiro nato e um orador de belas metáforas. Carismático, de simpatia contagiante, era querido pelos que faziam seu entorno. Como advogado, exerceu as funções de Juiz Eleitoral, do Tribunal Eleitoral do Rio Grande do Norte, nomeado pelo Ministério da Justiça e Juiz de Ética da Ordem dos Advogados do Estado do Rio Grande do Norte.
Como profissional de Direito, exerceu a função de advogado empresarial durante algumas décadas, quando foi nomeado para exercer as funções de Assessor Jurídico do Estado. Ainda como liberal, foi nomeado pelo Ministério da Justiça para as funções de Juiz Eleitoral do Rio Grande do Norte. Exerceu de 2004 a 2008, a função de Juiz de Ética da OAB/RN. Integrava o IHGRN e foi o primeiro presidente da Academia Macaibense de Letras.
Faleceu em 17 de outubro de 2016, pacificado com Deus e com os homens. Saudades muitas do amigo e conterrâneo. Faria 83 anos se vivo estivesse, dia 15 de março passado.


segunda-feira, 16 de março de 2020




COMEMORAÇÃO TRANSCENDENTAL

Por: CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES

        Pela hora em que posto este artigo, estavam THEREZINHA ROSSO GOMES E CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES fazendo juras de amor na Capela de Santo Antônio, na praça Bastista Campos, em Belém do Pará, por deferência da Paróquia da Trindade.
                  
              Estava consolidado nosso caso de amor, que começou com um simples olhar nos idos de 1948, quando vim morar na Rua Meira e Sá nº 120, vizinho à casa nº 118 dos italianos Rocco Rosso e Rosina Lovisi Rosso.
     
         Inicialmente simples vizinhos, depois colegas no Instituto Batista do Natal posteriormente amigos, namorados, noivos e, enfim, marido e mhjlher.

        Briguinhas de amor enfeitaram nossa convivência, até mesmo uma separação mais longa e cruel, da qual resultou uma dor de cotovelo traduzida numa música: "Afinal, terminou nosso amor, mas de um modo banal. Afinal acabou esse nosso idílio irreal. É melhor assim não terei dissabores, é melhor assim, buscarei outros amores. Não me procures mais eu te peço por favor! Não me atormentes mais - Tudo entre nós terminou. Terminou, Prá nunca mais, foi final O nosso amor acabou, mas não fiquemos de mal"

            Pois, pois, era só uma dor de adolescente, logo veio a volta. Seguiu-se o noivado em 06 de janeiro de 1962 e logo no ano seguinte o casamento em no dia 16 de março de 1963, que se tornou eterno enquanto durou a vida de minha THEREZA, que partiu para a Casa do Criador no dia 31 de março de 2019 ou precisamente até os 56 anos de casamento celebrados pelo Padre Mota, da Matriz de São Pedro em Natal, que nos presentou com bençãos e renovação dos votos em uma apartamento de hospital.

            Hoje, na presença dos nossos filhos: ROSA LIGIA, THEREZA RAQUEL, CARLOS ROBERTO ROSSO e ROCCO JOSÉ, nos 57 anos de casamento, celebrados em família, com as bençãos do mesmo Padre Mota, que se tornou um amigo fraterno.

                Um ano de saudade, sofrimento, mas, igualmente de renovação diária de um amor que se eternizou e jamais morrerá.

                 Convivemos 71 anos - a idade em que viveu minha querida mãe Maria Ligia.

                  Vamos juntos, com integral fraternidade, completar a missão que ela nos legou nesta dimensão da terra, em nome do bem, do amor e da harmonia cristã.


QUERIDA THEREZINHA, um beijo de todos.