quarta-feira, 17 de novembro de 2021


                                                                 NOITE INOLVIDÁVEL

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes - cadeira 33 da ANRL

 

    Vim da minha Pasárgada de Cotovelo para participar das comemorações dos 85 anos da Academia Norte-riograndense de Letras.

    Foi uma noite memorável, comandada pela felicidade e emoção do anfitrião, Presidente Diogenes da Cunha Lima e eficiência da Secretária Leide Câmara, com discursos, na medida, de Iaperi Araújo e Armando Negreiros (ambos nota 10).


    Na mesa autoridades representativas dos Poderes Legislativo do Estado (Dep. Hermano Morais) e do Município de Natal, da Fundação José Augusto (Crispiniano Neto), do IHGRN (Acadêmico Armando Holanda), da Academia Potiguar de História e Cultura Militar (Cel. Ângelo Mário) e de representantes das famílias dos homenageados Tonheca Dantas, Veríssimo de Melo e Aluízio Alves. 

     

Presença representativa dos Acadêmicos

    Mas o ponto alto da solenidade foi a presença da Filarmônica Onze de Dezembro, de Carnaúba dos Dantas - terra de Tonheca Dantas, sob a batuta competente do Maestro Márcio Dantas, que comandou uma plêiade de jovens músicos na execução de dobrados em homenagem a Diogenes, Manoel Neto, Hermano e Dr. Pedro Cavalcanti, uma polca e canções de Tonheca, todos compostas pelos valores da terra potiguar, gerando um momento de encantamento que ainda ressoam em meus ouvidos.


    Ao final, sob o delírio dos presentes, a execução da famosa ROYAL CINEMA. do extraordinário Tonheca Dantas, com distribuição de CDs.

 

    Registraram o evento inúmeros fotógrafos profissionais e amadores, o blog de Cassimiro Júnior, a Rádio Mar e Campo de Cotuvelo, minha convidada, com a presença do seu proprietário Octávio Lamartine e corpo técnico - Eugênio Rangel e Matheus Augusto, que fez a transmissão ao vivo pelo canal do  You Tube, imortalizando a sessão solene para todo o Brasil e para o mundo.

    Recepção no salão de festas aos presentes e aos animadores da festa - os meninos e meninas da Filarmônica e seu Maestro, que retornaram no fim da noite à sua terra natal.

    Dormi o sono de criança (como dizia Dolores Duran) e acordei disposto, degustando o lauto café preparado pela minha secretária Margarete, à moda sertaneja, com tapioca, inhame, canjica, pão assado, deixando-me preparado para a jornada do dia.

    O único lampejo de saudade - ao não ver entre as meninas irmãs de Leide e da minha filha Rosa Ligia, a minha THEREZINHA, que certamente teria vibrado de emoção. Coisas do destino.

    Obrigado DEUS por esses momentos de alegria, que há muito não vivenciava.


 

terça-feira, 16 de novembro de 2021

HONRAR, SEMPRE, A REPÚBLICA EM QUALQUER TEMPO.

 

DE COMPOSITORES INESQUECÍVEIS – Berilo de Castro



DE COMPOSITORES INESQUECÍVEIS 

Diante do alívio com o declínio da pandemia viral, passo agora a curtir um período pós operatório de uma cirurgia ortopédica (joelho).

Quem sabe se não é, ainda, resultado de algum “trabalho” encomendado por atacantes adversários, que não conseguiam vencê-lo nos embates futebolísticos no velho Estádio Juvenal Lamartine (JL), na década de 1960? Não descarto, nem relevo!

Sempre fui e ainda sou bem disciplinado. No momento, tenho fugido com a minha disciplina diante da paciência. É aquela pressa toda em querer ficar logo bom, no entanto, lá vem de novo a palavra “protocolo” — tem que obedecer rigorosamente o protocolo pós-cirúrgico. E tem mesmo!

O tempo parece conspirar contra aqueles que têm pressa. Os segundos se transformam em minutos, os minutos viram horas, os dias passam a ter duração de semanas e por aí segue esse infindável trajeto temporal. Perece até que os ponteiros do relógio entram em compasso de tartaruga.
Tudo tem seu tempo certo, não adianta pisar fundo no acelerador. É aceitar e unir-se à paciência e tê-los como bons amigos.

Tenho aproveitado, quando bem posso (sem dor), para organizar e finalizar o meu próximo livro: COMPOSITORES INESQUECÍVEIS- vida & música, que pretendo lançar no final do mês de novembro ou início de dezembro deste ano. Trata-se de uma obra literária de pesquisa sobre alguns compositores que pessoalmente reconheço como “inesquecíveis”. Tudo transcorre numa viagem musical, em um oceano melódico de recordações de trinta e quatro artífices, resgatando, de cada um, momentos marcantes da sua existência artística musical.

Aguardo com aflição, procurando a cada dia mais me alinhar com a obediência da paciência, e que tudo volte ao normal. E, mais ainda, o prazer, a alegria de presentear o leitor com um trabalho que irá com certeza enriquecer o seu conhecimento sobre esses inesquecíveis e imortais compositores.
Muito me honrou e me fez feliz o prefácio do insigne jornalista e maiúsculo cronista, Vicente Serejo.

 

sábado, 13 de novembro de 2021

Minhas Cartas de Cotovelo – verão de 2021-46

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

  

HABITANTES NATIVOS DA MINHA PASÁRGADA DE COTOVELO

       Volto ao solo sagrado de Cotovelo e logo me deparo com os queridos habitantes nativos que ornam a minha casa, nos últimos tempos – o bem-te-vi que no raiar do dia me acorda com seu agudo gorjeio, em canto solo ou em dueto.

Levanto-me e ainda flagro o camaleão, que deixou na noite que passou a marca do seu despejo das plantas e dos frutos que comeu.

       Dos frutos, nada a reclamar, mas das plantas, essas doem no coração, pois é o resultado do trabalho do meu filho Carlos Rosso, que mantém sob sua diária supervisão mamoeiros, bananeiras, abacateiros, pinhas, hortaliças e verduras.

       Já as andorinhas, alegram suas revoadas ao cair da tarde, numa rapidez que quase não nos permite fotografar e num múltiplo chilrear.

       Os carcarás e os gaviões são predadores, comem, no esvoaçar com rapidez incrível, os ninhos das diminutas aves que se abrigam em meus pés de jambo e pitanga, soltando o seu sinistro e agudo trinado, verdadeiro sinal de guerra.

       Lembrei-me, então, de outros amiguinhos que outrora visitavam, e até habitavam nossa casa, como os saguis, timbus e pardais, hoje inteiramente desaparecidos deste ambiente.

       De quando em vez, mas com espaços de tempo muito longos, pequenos répteis, logo rechaçados pelo medo dos moradores.

       Tudo é natureza que alimenta uma qualidade de vida que não se encontra na selva de pedra e com a qual convivemos em perfeita harmonia com as águas maravilhosas da melhor praia do litoral sul, embora com a permanente saudade da inesquecível THEREZINHA.

 

 

 

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

 


Este quadro eu pintei durante a agonia do velório e sepultamento de MARÍLIA MENDONÇA.

MINHA HOMENAGEM.


 

domingo, 7 de novembro de 2021

Acla Pedro Simões Neto está com André Felipe Pignataro e 
outras 33 pessoas
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O ESCRAVO DANIEL
André Felipe Pignataro Furtado de Mendonça e Menezes
Presidente da ACLA
O Diário de Pernambuco, de 17.04.1875, noticiou a história do escravo Daniel, publicada, originalmente, pelo jornal Conservador, de Natal. Além do periódico pernambucano, diversos jornais do Brasil, como no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Ceará, também replicaram essa notícia.
Daniel é protagonista de uma bela história de coragem e de demonstração de amor ao próximo, mas com um final trágico, ocorrida em Ceará-Mirim.
No dia 3 de abril de 1875, pelas duas horas da tarde, José Leão Soares da Câmara, morador no lugar Boa Vista, dirigiu-se até o lugar Capoeira Grande, próximo um do outro, onde morava seu cunhado Felippe Varella Santiago, com o fim de tirar-lhe a vida. Como não o encontrou, José Leão tentou matar a sua própria sogra, mãe de Felippe, de nome Margarida Ignacia do Amor Divino, senhora com mais de 60 anos, que também residia na mesma casa.
Ao mesmo tempo em que gritava palavras ofensivas contra D. Margarida, José Leão preparava seu bacamarte (pequena arma de fogo, parecida com um garrucha). Engatilhou e mirou na sua sogra. Daniel, escravo da casa, e que tinha 25 anos, colocou-se na frente de sua senhora, para proteger-lhe a vida. O agressor, furioso que estava, atirou, ao que a bala atingiu a perna esquerda de Daniel, um pouco abaixo do joelho, causando-lhe um grave ferimento.
Com o barulho do tiro, os outros escravos correram para casa, tendo conseguido tomar a arma de José Leão, no entanto, ele conseguiu escapar. Daniel foi acudido ali mesmo, dentro do que era possível.
O subdelegado João Secundino Pacheco compareceu ao local do crime, tão logo ficou sabendo. Ao se dirigir à casa de José Leão, e lá o encontrando, o subdelegado efetuou sua prisão, recolhendo o criminoso à cadeia de Ceará-Mirim.
José Leão Soares da Câmara, ao que parece, tinha um comportamento violento. Aliás, percebe-se, pela leitura dos jornais da época, que havia muita rixa dos senhores de engenho e fazendeiros, entre si, com crimes envolvendo escravos de outros senhores rivais.
Um ano antes, José Leão foi preso, em Capoeira Grande (mesmo local onde morava Felippe Varella Santiago), pelo tenente Francisco César do Rego Barros, por tentativa de homicídio, do qual não se tem mais informações do que aquelas noticiadas pelo Diário de Pernambuco de 26.02.1874.
Pois bem. Daniel foi conduzido para o Hospital de Caridade de Natal, onde chegou somente na noite do dia seguinte. Na manhã de 05 de abril, a equipe médica, como último recurso para salvar a sua vida, precisou amputar a perna esquerda. Ele resistiu bravamente enquanto pôde, tendo falecido à uma hora da tarde daquele mesmo dia.
Em pleno período da escravidão, de poucos valores humanos, foi justamente o escravo Daniel que, com seu ato heroico, ao sacrificar sua vida em defesa de sua senhora, deu uma grande lição de superioridade de espírito, pois, certamente, nenhum dos moradores da casa em que servia se sacrificaria por ele.


 

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

 


VOCÊ É AQUILO QUE APROVA

Valério Mesquita*
As minhas sensações se revezam depressa. Por mais que me esforce, não consigo me fixar em coisa alguma. Se penso ou sinto algum tema, deduzo que tudo será esquecido e me calculo inútil. Esse prelúdio indefectível talvez chegue a algum lugar. Gostaria de denunciar, por exemplo, aquilo que muitos já fizeram: a deterioração institucional do país que teve quebrados todos os padrões éticos e estéticos. A fragilidade e a inoperância dos poderes se tornaram tão patentes que já se comentam medidas autoritárias. Continuo pensando que é preciso urgentemente humanizar o político brasileiro. Ele mesmo animalizou os seus traços.
Quando me apetece voltar a suplicar às autoridades públicas e privadas a restauração do empório dos Guarapes, onde o pioneiro e gigante desbravador Fabrício Gomes Pedroza ambientou um dos maiores domínios comerciais de que se tem notícia no estado, recebe-se em troca repetidamente a leniência e a indiferença. Ai eu indago: pra que escrever mais? Pergunto-me se não estou me transformando em esteta contemplativo com uma tendência zen. Mas, continuarei lutando porque não é apenas um impulso da mente nem do corpo. Os “Guarapes” representam para aqueles que o ignoram, o equilíbrio entre a beleza e o passado.
Falar, por exemplo, das poças profundas de sangue que fluidificam a área metropolitana da grande Natal. Nela a juventude continua sendo executada nas ruas pelo cartel das drogas. Sinto que falecem os dons que me ligam a Macaíba, hoje, tão irreconhecível a ponto de não me rever mais em suas paredes e praças. A fuga é dormir à distância, debaixo de qualquer céu, como diria o poeta. Minha terra padece de uma enfermidade física, orgânica, urbana, suburbana, sensível, visível, palpável chamada “comércio de droga” que tem escravizado e mutilado suas melhores tradições.
Poderia até discorrer sobre as opiniões e posturas dos políticos potiguares repletas de privilégios para si contra os servidores públicos, todos num beco sem saída. Os efeitos especiais empregados são improvisados. E parece que não há pressa em definir situações. Tudo deve ser queimado subrepticiamente a fogo lento. Tem gente gastando anos luz para compor o arquipélago da obra de chegar ao poder queimando incenso no velório da própria falência do poder público. Na política, sabemos que acidentes e incidentes nunca surpreenderam ninguém. Todos têm rostos e máscaras. Trata-se de uma peça de teatro onde o fascínio é exibido em prosa e gestos fesceninos. Que importa tudo isso, se depois da tempestade todos se unirão novamente para começar tudo de novo? O palco será o mesmo. Só muda a idade.
E o pugilo da saúde pública nos hospitais da capital? Esse merece veemente repulsa. É um libelo à competência dos administradores. A situação deplorável me infunde a convicção de que ninguém mais se comove com a dor humana. O melhor homem é o homem morto. Vivo é desprezível. Doente e pobre, ele fede. Onde deveriam remunerar melhor, paga-se pior e se gasta menos. Hospital público é a antessala da morte iminente porque está desprovido das condições de higiene e serviços. Denunciar o estado de calamidade financeira não constitui falar apenas em atraso dos vencimentos mas assistir privilégios vergonhosos das elites. Lembro ao leitor que o ser humano coisificou-se. Deixou de ser carne inteligente. Hospital “lugar de repouso e cura”, virou empório do estado, verdadeiro guardador de rebanho, onde o pobre, sem nenhum plano de saúde, tem defeito de circulação do sangue no corpo à alma.

terça-feira, 2 de novembro de 2021


 


OREMOS PELOS QUE SE FORAM

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

 

         O dia 02 de novembro foi escolhido, no calendário religioso, como data de reverenciar os entes queridos que já retornaram para os Domínios do Criador. Recebeu a denominação de Dia de Finados, instituído inicialmente no século X, na abadia beneditina de Cluny, na França, pelo abade Odilo (ou Santo Odilon [962-1049], logo depois do Dia de Todos os Santos.

         Assim, com integral justiça, homenageio meus saudosos antepassados e, com maior reverência a minha sempre lembrada companheira de 71 anos de cumplicidade Dona THEREZINHA ROSSO GOMES, filha de Rocco Rosso e Rosina Louvisi e, na esfera espiritual, de Maria e José.

         Com esse carinho especial, renovo minha devoção à Senhora Mãe da humanidade, não tão reverenciada por algumas religiões, desprezando a realidade bíblica quando preconiza (João, 19 25-27):

25. Junto à Cruz de Jesus estavam Sua Mãe e a irmã de Sua Mãe, Maria    mulher de Clopas, e Maria Madalena.

26. Ora Jesus, vendo ali a Sua Mãe, e que o Discípulo quem Ele amava estava presente, disse à Sua Mãe, eis aí o Teu filho.

27. Depois disse ao Discípulo: Eis aí Tua Mãe. E desde aquela hora o Discípulo a recebeu em sua casa.

         Esse procedimento é sagrado, divino e humano ao mesmo tempo, para fixar no tempo permanente o amor e reconhecimento pelos que já se foram e deixaram os frutos.

         A vida tem continuidade pelos que ficaram, é verdade, mas sem o mesmo brilho e conforto de antes.

         Nesse descortinar da realidade, busco o consolo na oração, única força capaz de aplacar a tristeza e a saudade.

         Vamos todos reverenciar nossos mortos, conscientes que eles estão perto de DEUS.