sábado, 6 de julho de 2019



OS SÁBADOS DA MINHA VIDA
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, escritor

         Dia de luz, festa do sol e o barquinho a deslizar no imenso azul do mar da minha saudade.
        Os sábados sempre foram os meus dias preferidos – seja, quando jovem, porque não tinha escola ou trabalho e propício para aventuras e passeios. No correr da vida as coisas mudaram um pouco, já agora com o costume de acordar cedo e fazer o café matinal para ouvir, sempre, a expressão da minha eterna Therezinha: Carlos que cheiro bom de café! Esse costume só era suspenso no período de veraneio em Cotovelo, pois tinha as assistentes domésticas que permitiam madornar um pouco mais com ela.
        Na praia, aproveitava o sono da criança (ela) dormindo, sorrateiramente abria a porta da varanda para ouvir a rádio Senado, com o desfilar das suas canções da época de ouro da MPB. Ali ficava até o chamado para tomar o café, após o que nos preparávamos para um passeio pela praia, lugar escolhido para os meus devaneios e alimentar nosso amor. Ali, com ela passei por mais de 30 anos até fevereiro de 2019, com a esperança de retorno em março para participar da 3ª Cotovelada da PROMOVEC. Nosso desejo foi interrompido pela vontade de Deus, que a levou no dia 31, ficando apenas as camisas para a reverência ao Rei Momo.
        Em Natal, o costume era diferente. Logo após o café íamos para a cidade alta fazer, inicialmente, um lanche numa modesta lanchonete da Rua João Pessoa, defronte à Livraria Paulinas, depois um passeio pelas lojas (ver vitrines e fazer compras), uma passagem pelo Beco da Lama e adjacências, um pulo no Chorinho da Praça Padre João Maria, comandado por Carlos Zens, terminando na lojinha de flores VivArte da Felipe Camarão.
        A propósito do lanche, sempre encontrávamos no batente uma idosa senhora, pedinte, a quem dávamos a ajuda semanal, travando uma empatia que se tornou tradição, até mesmo agora que minha Thereza partiu. No caminho da volta em busca do estacionamento da rua General Osório, nos fundos da Caixa Econômica, comprávamos algum conjuntinho caseiro para uso doméstico, para ela e para Rachel.
        E agora, com a sua ausência? Insisto em manter o costume, agora na companhia de Rosa Lígia e, algumas vezes, também, com Thereza Rachel, Carlinhos e Gabriela, para reviver os caminhos radiosos de cada manhã de sábado. Afinal, ela deixou um recado que estaria por perto, em alguma nuvem!
        De repente lembrei, figurativamente, de uma velha canção: A caixinha (ela), já não existe mais, só ficou a saudade do seu trá-lá-lá....
        Oh! Meu Deus, por que?

segunda-feira, 1 de julho de 2019






O casarão construído por Luís Cúrcio Marinho entre 1948-1949,
na Rua João Pessoa, centro de Macaíba e que,
foi repassado ao comerciante Cícero Luís e Silva,
começou a ser demolido hoje, dia 24 de junho de 2019.
Macaíba perde parte da sua memória histórica
arquitetônica para a especulação imobiliária.

MEMÓRIA DEMOLIDA
Por Carlos Roberto de Miranda Gomes, da AML

            Para as pessoas de mais idade, a demolição de uma obra tradicional representa um golpe na memória, porque altera não apenas a geografia física do lugar, mas igualmente a sentimental.
            Senti isso no sábado retrasado quando resolvi visitar a Galeria B-612, na tradicional rua Dr. Barata, quase toda destruída pelo descaso, representando um oásis no oceano do esquecimento dos anos famosos entre 1942 e 1945.
            O fato repetiu-se neste último sábado, quando atendi ao chamamento para uma reunião da Academia Macaibense de Letras, outro oásis no pandemônio da desfiguração da cidade das macaibeiras, que já destruíra a casa de Auta de Souza, ameaça o Grupo que tem o seu nome e agora começa a demolir o casarão construído por Luís Cúrio Marinho, que vi ser construído e compareci à inauguração, quando vivia os melhores dias do começo da minha adolescência e gravei aquela construção de cores vivas, aquela primeira da Rua João Pessoa, à esquerda logo que se atravessava a ponte em direção ao centro.
            Essa casa fazia parte da minha vivência naquela terra hospitaleira, quando morei numa velha construção na Rua Pedro Velho, defronte ao Major Andrade, perto dos Maciel, dos Leiros, dos Fagundes e dos Marinho, do Cine Independência e do antigo Pax, que ostentava um belíssimo quadro do balão de Augusto Severo, que um dia alguém tocou fogo como coisa velha.
            Na minha antiga morada, desfigurada arquitetonicamente, ainda restam os dois janelões no alto onde vislumbrava a rua e assistia à passagem de pessoas feridas, carregadas em cadeiras, para o hospital que ficava bem perto, logo depois da Igreja dos Crentes, prédios que ainda estão de pé, mas com destinação diferente.
            A feira livre ainda funciona na mesma rua, mas também desfigurada, em menor extensão, sem o encantamento dos vendedores/cantadores de cordéis e dos animais de cargas que, na época do cio, desembestavam derramando os produtos que levavam para a venda. Hoje só automotores. Mesmo assim comprei algumas bananas prata, que me adoçaram a vida neste fim de semana.
            Lembrei do mercado velho, defronte do obelisco de Augusto Severo, com suas árvores que davam sombras refrescantes, parada dos ônibus que traziam os jornais e os meus gibis, da passagem dos “mixtos” tocando nas buzinas as músicas de Luiz Gonzaga, senti falta da festa da padroeira com o pau de sebo e os cordões azul e encarnado. Onde está Padre Chacon, de quem fui coroinha nas procissões. E o meu Cruzeiro jogando no campo vizinho ao cemitério, que tinha algumas partidas interrompidas quando a bola caía no campo santo e ninguém encontrava em tempo dos últimos lampejos do sol (principalmente quando estava se saindo bem contra algum time de fora e este pressionando para a virada).


            Não é mais a Macaíba do meu tempo, nem de outros mais próximos, que curti algumas vezes na companhia da minha inesquecível Therezinha. Está mais adensada fisicamente e mendicante das boas lembranças. De bom mesmo só o resultado da reunião da nossa Academia.
            Voltei triste para o meu exílio de Natal e conversei com ela, contando tudo, inclusive umas lembranças que comprei numa livraria religiosa da rua do Cruz (ou da Cruz?) para marcar a passagem pela terra que me outorgou a cidadania honorária, que muito me orgulha.

terça-feira, 25 de junho de 2019




A MESINHA ESTÁ FICANDO PEQUENA
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

                                                                                                        Em recente artigo que divulguei, fiz alusão ao quarto que preparei para o retorno da minha amada Therezinha. Deus quis fosse diferente, então transformei-o em do meu retiro voluntário de onde descortino o restinho do tempo que me foi concedido nesta dimensão da vida.
                                                                                                        Nele apenas o essencial – a pequena mesinha redonda onde guardo pertences de uso imediato, como lápis, papéis para estudos e escrever, livros, recortes de jornais com trabalhos importantes para leitura mais cuidadosa, carregadores de celular, controles remotos, meu copo com água e o indispensável “Vic” para alimentar meu único vício estão presentes.
                                                                                                        O ambiente fica completos com os Anjos e Santos que dela herdei e o televisor companheiro das constantes noites indormidas. Afinal o tempo que me resta é breve – para que dormir? É aí que habito o dia todo, interrompido com subida ao escritório para catar um livro ou usar o computador, pois é nesse modesto cômodo que consigo dialogar com aquela que deu ritmo à minha vida e ainda mantém comigo um diálogo criativo e extremamente objetivo.
                                                                                                        Eu não estou louco! Ora, os queridos articulistas Agnelo, Woden e Serejo não se dirigem a personagens fictícios? Por que não posso também dialogar com ela de forma transcendental?
                                                                                                        Meu Amor, as notícias de hoje estão quentes: o programa mais médicos tem dificuldades para decolar; hospital sem soro antiveneno (cuidado com as cobras); Gilmar adia julgamento de Moro (Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?); amigos que se foram recentissimamente – Lenine, Glênio Andrade, Dona Dóia e agora Marcos Santos; hospitalizados minha irmã Elza e o colega de turma Arnaldo França; uma crônica relevante e oportuna do grande confrade Padre João Medeiros Filho – “A agressividade patológica”, onde pontua: No passado, pessoas divergiam e polemizaram, mas não se odiavam. Não havia a predominância da agressividade de hoje (camuflada em petulância, arrogância e violência) nem gestos ditatoriais, quando se quer impor uma mentira maquiada de verdade.
                                                                                                        Essas indicações doem e deixam tristes os meus tumultuados dias do presente. Quanta hipocrisia nesta terra em decadência.
Verifico que a mesinha está ficando pequena.

quinta-feira, 20 de junho de 2019


O segundo primeiro retrato do Rio Grande do Norte

18/06/2019


Por Gustavo Sobral

O retrato da Fortaleza dos Reis Magos por Frans Post, século XVII, período holandês no Brasil, é considerado o primeiro conhecido, sabido e propagado do Rio Grande do Norte.

Acompanhando o conde Mauricio de Nassau, Post veio à fortaleza, provavelmente lá se hospedou, e traçou a cena que o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte reproduziu na capa da sua revista 97. Uma cópia, pois o original encontra-se no Louvre, em Paris. Mas não é a único.


Em visitas aos museus e instituições culturais no Recife, conversas e leituras sobre o período holandês, nas últimas semanas, revelou-se uma imagem esquecida, pouco conhecida por nós, que merece ser lembrada, porque pode ser considerada uma segunda reprodução de época sobre o Rio Grande do Norte: um outro retrato da fortaleza, também de autoria de um pintor holandês, o Gillis Peeters.


Há suspeitas que ou ele, ou um irmão, também pintor, aqui esteve, como Post, à serviço de Nassau. Informação até hoje não confirmada.


O que se sabe é que representações do Brasil holandês começaram a aparecer com a sua assinatura e a assinatura do irmão, o também pintor, Bonaventura (1614-1652).


 Dentre elas, uma de autoria de Gillis Peeters, em óleo sobre tela, de 89,5 x 130,5 cm, datada entre 1637 e 1650, designada “soi disant Forte dos Reis Magos”, e que se encontra mais perto do que imaginamos, no Palácio dos Bandeirantes, São Paulo.


Gillis Peeters nasceu e morreu jovem na Antuérpia (1612-1653), era pintor, e de uma família de artistas, e sua produção foi tímida. Restam, hoje, poucas obras suas em paradeiros identificados.


O Instituto Histórico e Geográfico local, por seu diretor de Biblioteca, Arquivo e Museu, André Felipe Pignataro Furtado de Mendonça e Menezes, entrou em contato com o Acervo Artístico Cultural do Palácio dos Bandeirantes para resgatar esta imagem que agora se apresenta e que para nós é tão cara, e tão antiga, quanto o Post que veneramos.


Para ler esse e outros escritos acesse www.gustavosobral.com.br

         Para o cristão, nunca é demais invocar as coisas divinas e comemorar as datas, os atos e fatos religiosos.

        Hoje comemoramos o Dia de CORPUS CHRISTI, ou seja do Corpo de Cristo para celebrar o mistério da eucaristia, o sacramento da transubstanciação, dogma católico que representa a presença do corpo e do sangue de Jesus na hóstia e no vinho.

      A palavra hóstia é originada do latim, e é um sinônimo para a palavra vítima. Sendo assim, ela representa o próprio Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tirou o pecado do mundo, nos livrando de todos os nossos pecados.

      Com essa atitude, os católicos acreditam estarem recebendo essas dádivas.

              Por esse motivo, a data é registrada como a festa de Corpus Christi, que acontece sempre 60 dias depois do Domingo de Páscoa ou na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade, quando Jesus instituiu o sacramento da eucaristia e como tal o povo de Deus enfeita as ruas, as igrejas e as casas.

        A festa do Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV no dia 8 de setembro de 1264 e a procissão de Corpus Christi lembra a caminhada do povo de Deus, peregrino, em busca da Terra Prometida. O Antigo Testamento diz que o povo peregrino foi alimentado com maná, no deserto. Com a instituição da eucaristia o povo é alimentado com o próprio corpo de Cristo.

        Outras religiões cristãs não adotam esse ritual, o que em nada modifica o seu significado para a fé. A hóstia, eventualmente, pode estar representada no pão que se ofereça em determinadas circunstâncias incomuns, desde que o gesto envolva o sentimento sincero da invocação do Cristo.
        Sirvo-me da data Santa para relembrar a fé inquebrantável da minha inesquecível Therezinha, que nunca descurou de comemorá-la com extremo amor e devoção. A ela, in memoriam, entrego o Corpo Santo do Nosso Senhor, ansiando que esteja sob a sua proteção e interceda pelos que aqui ficaram. Um beijo saudoso do seu esposo. AMÉM.


segunda-feira, 17 de junho de 2019

sábado, 15 de junho de 2019

PRESENTE DE AMIGO

Meu caro amigo,
Lembrei-me muito de você nestes últimos dias. E ao lado desta lembrança um poema recorrente, escrito no século XIX por uma 
poetisa inglesa de origem italiana, Christina Rossetti. E ocorreu-me como se sua amada pedisse para levá-lo até você. Aqui está, na bela tradução de nosso Manuel Bandeira: 

Remember

Recorda-te de mim quando eu embora
For para o chão silente e desolado;
Quando não te tiver mais ao meu lado
E sombra vã chorar por quem me chora.

Quando não mais puderes, hora a hora,
Falar-me no futuro que hás sonhado,
Ah! de mim te recorda e do passado,
Delícia do presente por agora.

No entanto, se algum dia me olvidares
E depois te lembrares novamente,
Não chores: que se em meio aos meus pesares

Um resto houver do afeto que em mim viste,
– Melhor é me esqueceres, mas contente,
Que me lembrares e ficares triste.


...................

AMOR SEM FIM

                        (À amada imortal)

Já me deste provas
Que me amas sempre
E que nosso amor
Não pertence ao tempo

Não pertence ao tempo
Mas à eternidade
Desconhece falta
Ou necessidade

Nasce e renasce
E perfeito assim
Em qualquer das vidas
Não conhece fim


(Horácio Paiva)

É profundo o ensinamento. Mas está claro que a alguém incomoda a tristeza e quer vê-lo longe desse sentimento.

Com a solidariedade e o abraço fraterno de seu amigo, 
Horácio Paiva. (No anexo, há um poema meu, AMOR SEM FIM) 

quinta-feira, 13 de junho de 2019


DATA INESQUECÍVEL
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

            Era o DIA DOS NAMORADOS do ano de 1997, o relógio marcava em torno de 19 horas e estava eu em plena exposição de uma aula de Direito Tributário no Curso de Direito da UnP da Salgado Filho quando, inusitadamente, tive um aperto descomunal no peito e senti que estava perdendo as forças por não poder respirar. Encostei-me no quadro pois ficava numa parte mais elevada e fiquei em silêncio.
        A sala estava repleta, posto que reunidas duas turmas, haja vista que o professor do segundo horário informou que não viria. O meu silêncio despertou burburinho e, uma aluna da primeira fila – Daisy Leite, que fora enfermeira no passado, aproximou-se e verificou meu pulso, chamando em seguida o aluno Soares (que também era professor da UnP, creio que de Ciências Contábeis e ocupava a Secretaria de Tributação do Estado), que me conduziu ao Papi imediatamente. Dali saí nos braços dos alunos e em 10 minutos esperava-me na entrada do hospital a Dra. Maria José Pacheco, com uma maca e medicamento de emergência.
        Recolhido à UTI, ao meu lado reconheci a voz de Odeman, velho amigo dos carnavais do bloco Deliciosos na Folia, que também estava sendo atendido. Fiz uma comunicação com ele apenas me identificando enquanto a competente médica tomava as providências cabíveis, o que atravessou todo o restante da noite e começo da madrugada.
        A família avisada entrou em pânico, afinal controlada graças a Dona Therezinha, minha saudosa esposa que, em sua aparente fragilidade, foi mais uma vez a apaziguadora da situação. Pela primeira vez dormi alguns dias longe dela.
        Sinceramente, em nenhum momento temi pela minha vida, mas preocupei-me pelo fato de que faltavam duas aulas para concluir o semestre letivo. E aí? O assunto foi resolvido pelo aluno e, também professor Soares, que ministrou as aulas e ninguém teve prejuízo.
                Coincidentemente, dias antes fui chamado ao gabinete do Governador Garibaldi Ales Filho, ao qual compareci com o Conselheiro Nélio Dias e o Procurador Edgar Smith Filho e lá recebi o convite para ser o Controlador-Geral de um novo órgão que ele criara – A Controladoria Geral do Estado. Mentalmente reagi contra, mas a “pressão” da presença de dois amigos importantes, responsáveis pela ideia, resolvi aceitar em razão do que o Governador afirmara: ‘se você não aceitar eu não instalo a Controladoria’. Assumiria no dia 13 de junho de 1997. Não o fiz por conta do infarte da véspera, antes relatado. De certa forma achei que era um aviso e que o fato faria caducar o ato de nomeação.
        Ledo engano, antes de terminados os 30 dias da nomeação, foi esta renovada e eu não pude mais me furtar ao encargo.
        Ontem, comemorei a data dos Namorados levando flores para Thereza em sua morada terrena – O Morada da Paz. Travei diálogo com ela, troquei ideias, chorei naturalmente e voltei com a sua presença espiritual para o nosso quarto.
        Deus esteve conosco, pois à noite, com filhos e vizinhos, rezei um terço em honra de São Pedro, padroeiro da nossa paróquia. Dormi na paz do Senhor.
        

terça-feira, 11 de junho de 2019




VIAGEM INUSITADA

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

            Sem qualquer planejamento, minha família, preocupada com meu estado de saúde, decidiu proporcionar-me um breve fim de semana em João Pessoa, pois sabem que sempre tive simpatia pela Capital Tabajara.
            Aceitei a oferta pelo propósito de levar meu neto Carlos Victor para um conclave de design do qual haveria participação da amiga Marília, como de fato aconteceu, tudo devidamente cronometrado.
            Saímos – Ernesto, Rosa, eu e Victor no horário adequado e numa viagem confortável, sobretudo pela boa conservação da estrada e, ao passar nas cercanias de Emaús lembrei que ali repousa minha THEREZA e senti uma intuição das suas recomendações: cuidado, cuidado com o que vai comer.
            Uma parada “técnica” em Mamanguape, como costumava fazer quando eventualmente viajava com ela, um bom café e pé na estrada.
            Ainda não chegava nove horas e deixamos Victor em seu destino e lá estava Marília esperando na entrada do prédio. Depois rumamos ao centro da cidade e fomos visitar a Livraria do Luiz, a convite do amigo e escritor Irani Medeiros. Infelizmente ao indagar por ele me foi dito que ele avisou que teve uma viagem de emergência, mas deixou as devidas recomendações. De pronto fui recepcionado por vários intelectuais que formam uma interessante Confraria, aquela que tenho saudades em Natal desde que a Livraria Universitária fechou as suas portas.
            O local já me encantou posto que em um beco, sem acesso a qualquer veículo e o lugar está recheado de sebos e vendedores em bancas ao relento. O ambiente muito aconchegante, bem frequentado – dois lançamentos de livros anunciados, a presença da centenária irmã do General Bandeira, uma performance de um ator sobre um conto sobre passarinhos e assombrações.
            O meu principal parceiro naquele bom papo foi o escritor e cordelista Marco di Aurélio, que logo me passou boas informações e fez a minha apresentação, inclusive ao mais novo imortal da Academia Paraibana de Letras, o escritor Roberto Cavalcanti, que ali adentrou sob aplausos dos presentes. Um dos confrades tirava sequencialmente fotografias em flagrantes dos componentes da mesa, aproveitando seus descuidos e em posições gozadas que depois eram expostas aos risos dos presentes. Eu e Rosa compramos alguns livros e nos despedimos dos novos amigos, ficando de um breve retorno. Foi uma manhã que há muito não vivenciava num ambiente tão espontâneo.
            Almoçamos no Salutte e em seguida fomos para o descanso no Nord Luxxor, defronte do calçadão da orla marítima, que registro como bom hotel, calmo, bom atendimento, que nos trouxe comodidade suficiente para um fim de semana. Estranho é que os hotéis da região não têm redes e isso foi um tormento para mim, que sou um inveterado usuário desse apetrecho nordestino, cantado em verso e prosa.
            Passeios pela cidade que me deram a verdadeira dimensão do seu desenvolvimento e comprovaram alguns aspectos positivos dos quais sinto falta aqui na terrinha Natal – calçadões muito frequentados por banhistas, farofeiros, atletas, caminhantes, pedalantes – inclusive pessoas de idade avançada, sempre debaixo de árvores, o que, aliás, é outro ponto forte da capital paraibana, com grandes reservas  de mata nativa, equipamentos de exercício e lazer e duplas de policiais que garantem segurança, lanchonetes e bares que ficam abertos madrugada a dentro.
            Voltei a Natal inteiro, mas sem apagar a angústia da saudade de quem me acompanhava por todos os 56 anos de união. A vida continua ... a saudade também.






quinta-feira, 6 de junho de 2019

quinta-feira, 30 de maio de 2019

H O J E




Caríssim@s, segue o "save the date" do lançamento do meu livro BREVIDADES.
Atenciosamente,
Ivan Lira de Carvalho

sábado, 25 de maio de 2019


UM CANTINHO DO CÉU
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

        Quando minha THEREZA adoeceu e foi internada, inspirado pela sua inquebrantável esperança de voltar, decidi preparar-lhe uma surpresa, um novo quarto, com as comodidades que a vida moderna oferece.
        Um estante nova para guardar os seus santos, seus livros de orar, um aparelho de dvd/cd, um televisor, telefone fixo para suas demoradas ligações para as amigas, em especial Maria Dulce, ar condicionado, que nem apreciava tanto, uma mesinha redonda, sua poltrona preferida e um imenso sofá-cama, petrechos que não chegou a conhecer presencialmente, pois Deus não permitiu o seu retorno físico.
        Ao lado coloquei a minha rede azul de estimação, com remendos feitos por ela e que abriga o meu corpo como se fora as entranhas da minha mãe e coloquei nas paredes fotografias e quadros que eu mesmo pintei, representando um colóquio com Jesus, outro de Lourdinha Peregrino (Malu) com figuras angelicais, um Santo Antônio pintado por Ana Amélia Nogueira Fernandes e um São Francisco de lápis cera de Assis Marinho.
        Então fiz desse quarto a minha morada, onde posso meditar, falar com ela, chorar, escrever, ler e escrever tudo o que considero compatível com o gosto que ela mais apreciava.
        Pensava ali viver o meu silêncio e a dor da minha saudade, mas de repente, acredito que por interferência dela, fui traído pelo bem-querer dos filhos, netos e agregados, que disputam o espaço nas noites em minha companhia, o que me leva a viver num cantinho do céu, jamais programado.
        Aqui recebo os amigos, que me ajudam na lembrança de quem foi tudo para todos e assim reviver momentos, exemplos, saudades de forma permanente, até o findar do tempo que Deus nos reservar. Não pensem que esse é um lugar de sofrer – não. É um recanto de oração e de trabalho, pois dele fiz, também, o meu escritório, porém sem computador para não dividir o tempo com as lembranças dela.
        Numa das paredes mantenho um jarro com flores em sua homenagem e, ao lado, o seu diploma da Escola Profissional Feminina, conquistado em 1º de dezembro de 1956 que está assinado pelo Professor Carlos Borges de Medeiros, como Diretor Geral do Departamento de Educação do Estado do Rio Grande do Norte e da Professora Maria Eutália de Menezes Ribeiro, Diretora da Escola.
        Toda essa riqueza ornamenta meu quarto sagrado e engrandece uma convivência de 71 anos.

        Obrigado Deus por tanto tempo de alegria. Cuide bem dela, pois essa Santa criatura foi o Senhor que retirou daqui!

terça-feira, 21 de maio de 2019





A PALAVRA E A AÇÃO – DOIS ASPECTOS DA FILOSOFIA
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

        Na leitura da edição de hoje da TN, vieram-me à mente, conversas e lições que nos brindava o meu querido tio Paulo Gomes da Costa, professor, livre pensador, poliglota e filósofo, hoje inteiramente esquecido que, em seus rasgos de cultura ensinava que existem dois aspectos importante da filosofia – o da palavra e o da ação.
        Pois bem, desse indicativo registrei, como exemplo da filosofia da palavra o artigo do respeitável confrade Padre João Medeiros Filho “Saudades de Aznavour” onde dá o toque genial de quem sabe escrever, proseando valorativamente o expoente marcante da canção francesa, suas composições inesquecíveis e suas ações patrióticas em favor da Armênia, lugar de seu nascimento.
        No correr do seu trabalho grafei: “... Alimentei tantas esperanças que bateram asas, deixando-me perdido sem saber aonde ir”. Essa frase representa o meu atual estado de espírito depois que perdi a minha THEREZA, meu norte e, minha esperança.
        No outro ponto vejo a filosofia da ação, esta representada pelo dinamismo de Ormuz Barbalho Simonetti, incansável presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, que junto ao Governo do Estado está resgatando um pedaço da nossa história no sentido da restauração oficial do brasão do Rio Grande do Norte, em consonância com o desenho original do amazonense Corbiniano Villaça, elaborado na França por solicitação do Governador Alberto Maranhão, Mecenas da cultura, conforme o Decreto nº 201, de 1º de julho de 1909.
        É o registro que faço desses dois expressivos momentos da cultura potiguar.

sábado, 18 de maio de 2019




MARIA, A ESPOSA DE JOSÉ – A SAGRADA FAMÍLIA
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

     Atravessamos a metade do mês de maio, que no calendário religioso católico é consagrado a MARIA, mãe do Redentor, em que pese o fato de que isto não é unânime entre os cristãos, porquanto alguns obscurecem o papel da mãe de Jesus quando dão interpretação equivocada às palavras bíblicas.
     Toda mãe, pelo simples fato de conceber vidas já pode ser considerada escolhida por Deus, quanto mais aquela que perdeu o seu filho na cruz para salvar a humanidade. Tenho em meu pensar, que mãe é a criatura mais gloriosa da criação de Deus.
     Contudo, não é essa a abordagem que pretendo com este modesto escrito e sim o de exaltar a esposa, como ensina o Livro Santo:
Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres,
como a seus próprios corpos.
Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo.
(Efésios 5:28)
     Ao trazer essa mensagem, venho testemunhar o valor incomensurável da mulher, esposas, companheiras, amigas ou amantes no melhor dos sentidos do sentimento humano, pois no fatídico (para mim) dia 31 de março deste ano cruel perdi a criatura que mais amei na vida, cuja falta sinto todos os dias e em todos os momentos.
     THEREZINHA, a minha eterna THEREZA não era simplesmente uma esposa, mas sim uma criatura abençoada que sentia prazer nas tarefas domésticas, prudente em todas as suas ações, promotora da paz e da harmonia no lar e entre as pessoas que a cercavam, cuidadora excelente da qualidade de vida dos filhos, benfeitora dos necessitados, conciliadora que somente levava a alegria e a paz para os circundantes.
     Sua partida deixou em mim apenas gratidão a Deus, que a livrou do sofrimento e permitiu que deixasse esta dimensão da vida com a paz de criança dormindo, com um sorriso triunfante de quem soube honrar a existência.
     Espero que os amigos não me tomem como uma pessoa frágil pela insistência em recordar quem lhe acompanhou por 71 anos, mesmo tempo de vida de Dona Lígia, que guardava os mesmos Predicados de THEREZA, mas pelo que vejo do seu trabalho, do exemplo e dedicação, será pouco recordá-la diariamente.
     Considero que a minha missão ainda não terminou pois tenho a obrigação de continuar a sua obra, certamente sem a mesma competência, mas para isso elevo a minha oração ao Senhor, para que me conceda o dom da sabedoria e mantenha viva em mim a chama da Graça e da Misericórdia que vem de Ti.
     Dá-me a sabedoria para saber julgar corretamente; saber solucionar os problemas e retirar os entraves que atravessam o caminho; concede-me um coração que possa ter forças para ajudar o próximo.
     Assim como Atendestes a Salomão para encontrar a sabedoria, eu rogo que possa merecer uma pequena fagulha desse divino tesouro.
     Obrigado a todos pela solidariedade e aos amigos do Rotary Club Natal-Sul que hoje celebraram a páscoa e se lembraram dos que partiram para a casa do Pai, tudo sob o competente comando do estimado confrade Cônego José Mário.


quarta-feira, 15 de maio de 2019



IRMÃ DULCE AGORA É SANTA
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

        Esta semana o Brasil viveu momentos de emoção ao tomar conhecimento do decreto papal reconhecendo outro milagre de Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes (Salvador, 26 de maio de 1914 — Salvador, 13 de março de 1992), mais conhecida como Irmã Dulce, Beata Dulce dos Pobres ou Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, tendo recebido o epíteto de "o anjo bom da Bahia".
        Irmã Dulce foi uma religiosa católica brasileira, que fez muitas ações de caridade e assistência para quem mais precisava e agora está a caminho da canonização. Sim, IRMÃ DULCE, a Santa protetora dos desvalidos.
        O fato tem um significado maior para a família Rosso-Gomes, posto que era a figura mais venerada pela nossa pranteada THEREZINHA ROSSO GOMES.
        Em família comentamos a alegria que certamente THEREZA estará sentindo, em saber da boa nova “Hozanas”. Venceu a verdade, triunfou a Justiça, aumentou a alegria de ter a Primeira Santa brasileira.
        A grandeza da nova Santa está em suas obras de caridade e de assistência aos pobres e necessitados, atitudes que praticou desde a mais tenra idade e a colocou na estrada do amor ao próximo, quando abrigava os carentes na casa de seus pais, partindo para a criação e manutenção de várias instituições filantrópicas, das quais ficou famoso o Hospital Santo Antônio, construído no lugar de um galinheiro do Convento Santo Antônio.
        Ela é considerada uma das mais importantes ativistas humanitárias do século XX, sendo apontada como referência nacional e internacional no capo das atividades humanitárias do mundo.
        Pelo seu exemplo de caridade e amor ao próximo, teve seu nome indicado para o Prêmio Nobel da Paz em 1988, mas não logrou sua eleição. Contudo, passou a ser reconhecida seguidamente pela Igreja Católica que a tornou beatificada em 2011 pelo Papa Bento XVI, e agora indicada a canonização pelo Papa Francisco.
        Irmã Dulce é a primeira Santa Católica nascida no Brasil, confirmando o que já ocorrera em 2001, quando foi eleita "a religiosa do século XX", em uma eleição que foi publicada pela revista Isto É.
        Por deceto do então governador da Bahia, Jaques Wagner, em 2014, foi instituida a data de 13 de agosto como o Dia Estadual em Memória à Bem Aventurada Dulce dos Pobres.
        Em 2000, foi distinguida pelo Papa João Paulo II com o título de Serva de Deus e chegou a visita-la na Bahia em sua agonia.