quarta-feira, 21 de dezembro de 2022
segunda-feira, 19 de dezembro de 2022
É OPORTUNO LEMBRAR DE
NOVO!!
Valério Mesquita*
O empório do alto dos
Guarapes, por integrar o município onde nasci, representa o mais vivo e belo
trecho impressionista pela emoção histórica e estética que me desperta.
Fascina-me saber, não por especulação, mas pela leitura de Câmara Cascudo,
Tavares de Lyra, Itamar de Souza e tantos outros historiadores do passado e do
presente, que descrevem a importância dos Guarapes no contexto econômico do Rio
Grande do Norte. Dali, sob o comando e a visão de Fabrício Pedroza emanou uma
luz interior, de intuição e penetração que edificou no século dezenove um
sistema unificado de indústria, comércio e exportação. O monte fica ali em
Mangabeira, de frente para a estrada e o rio Jundiaí, testemunhas permanentes
do seu abandono. É quase uma província submersa de que nos fala com ternura e
encantamento o ilustre macaibense Octacílio Alecrim. Um paraíso perdido,
misterioso, altivo, que me infunde uma nostalgia infinita por conta do desprezo
a que foi relegado.
Fatigado de tanto clamar em
vão às autoridades públicas, há mais de dez anos, recebi novos alentos que
reabriram meus olhos adormecidos de tantas promessas. Tenho informações de que
as Federações das Indústrias e do Comércio do Rio Grande do Norte são simpática
a ideia de parceria do órgão com o governo estadual objetivando a restauração
desse patrimônio histórico. Repita-se que a área desapropriada e tombada é do
domínio público estatal. E que os projetos técnico e orçamentário foram
elaborados pela Fundação José Augusto, ao tempo da gestão do escritor François
Silvestre.
Revisito Octacílio Alecrim,
no seu livro maior “Província Submersa”, página 129, para registrar a
relevância e a perspectiva que detinha: “do embarcadouro de Guarapes, aonde
antigamente chegavam barcaças para receber carregamentos de açúcar, mamona e algodão,
vendidos para Recife”. Menciona, ainda, como “lugar do nascimento do meu
pai, alguns anos depois do meado do século XIX, quando o porto, um dos três
mais importantes da província imperial, servia de escoadouro a produção do
Agreste e do Seridó”. E prossegue ao seu gosto
literário: “...a branca casa-grande de Guarapes, aonde a gente não ia por
ser mal-assombrada. A alma do outro mundo que atemorizava os moradores da
vizinhança era a sinistra mãe-da-lua, que nas noites de luar aparecia no
alpendre da casa-grande lá do alto e dava prolongadas e estranhas gargalhadas,
semelhantes a profundos lamentos de dor”.
Entendo que, para se
administrar uma cidade do porte de Macaíba, é preciso, antes de tudo, que se
reveja e se redescubra os fundamentos e fatores de sua história. Não podem
permanecer sepultados ou encobertos pelas areias do tempo as suas raízes. Assim
como fizemos ressurgir o solar do Ferreiro Torto, hoje guardião e repositório
das figuras e das coisas que esculpiram a vida do município e do estado, do
mesmo modo, o empório dos Guarapes se transforme num museu da legenda do
comércio e da indústria do Rio Grande do Norte. Que todos se irmanem nesse
projeto dos Guarapes que exprime a saga de uma gente, de uma luta, da sua dor,
da sua alegria, do seu triunfo, e que o esforço humano seja resgatado de vez, e
nunca permaneça como um mero repouso contemplativo da paisagem.
(*) Escritor.
Jurisprudencialmente evoluindo
Como o direito de um país evolui ou
se desenvolve?
Não estou falando dos fatores
sociais, políticos, ideológicos, econômicos etc., fontes materiais do direito,
que, sem dúvida, condicionam a evolução do sistema jurídico/legal de qualquer
país. Indago sobre a forma como esses sistemas jurídicos são
alterados/aperfeiçoados. Correndo o risco de ser redundante ou de enfatizar o
óbvio, anoto: os sistemas jurídicos/legais são normalmente aperfeiçoados por
mudanças na sua legislação (em sentido lato). Desde a respectiva Constituição
(seu mais relevante documento legal), passando pela lei em sentido estrito e
indo até os atos normativos ditos secundários, como os decretos, resoluções,
portarias etc.
Num mundo ideal, que não existe,
teríamos a legislação sempre evoluindo na medida em que “evoluíssem” (às vezes
para pior, admito) as condições/realidade de dado país. Mas a coisa não se dá
sempre assim. Não vivemos num mundo ideal. O legislador tem suas limitações. As
políticas, por óbvio. E os naturais: ele não consegue mesmo acompanhar as
mudanças na Terra Redonda (o mundo, como se diz por aí, não gira, capota); nem
também conseguiria, se tudo fosse estático, disciplinar a infinita casuística
dos fatos. Está sempre um passo ou fato aquém.
Um sistema jurídico que condicionasse
sua evolução a alterações na sua legislação seria próximo de estático ou teria
um desenvolvimento lentíssimo, tomado o termo desenvolvimento como a alteração
da regra jurídica para atualizá-la às mudanças de valores, ao progresso da
ciência etc. Mostrar-se-ia a todo instante anacrônico, para usar de um termo da
moda.
Não resta dúvida de que, sob
condições sociais em alteração, com áreas do direito para as quais a legislação
não tenha sido atualizada, atribuir valor sagrado à legislação seria um
formalismo exagerado e uma ofensa à equidade (no sentido do mais justo).
Precisamos, sim, de outros mecanismos para sincronizar o sistema jurídico com
essas alterações. O principal “mecanismo” do qual podemos lançar mão, o mais
eficaz certamente, assim nos ensina a ciência política (não vamos agora
inventar a roda), é a jurisprudência, entendido este termo como o conjunto de
decisões proferidas pelo Poder Judiciário na interpretação dos diversos temas
jurídicos de ontem e de hoje. É fato: a evolução ou câmbios de jurisprudência
são bem mais comuns – pelo menos, normalmente, sem exageros, devem ser – que as
alterações na lei.
E é fato também: tem sido a jurisprudência
– mesmo tão atacada, justa ou injustamente –, na interpretação da Constituição
e da legislação como um todo, que nos tem dado, em muitos casos, a necessária
sincronia entre o nosso sistema jurídico e a realidade que nos cerca. Na
verdade, como explica Andrés Ollero Tassara (em “Igualdad en la aplicación de
la ley y precedente judicial”, Centro de Estudios Constitucionales, 1989), “a
sucessão de paradigmas interpretativos na aplicação de idêntico texto legal vem
exigida pela história da realidade social e jurídica, constituindo uma
exigência da justiça”. Muito embora, evitando exageros, “para garantir a
justiça e – subsidiariamente – preservar a segurança jurídica, o juiz tem de
apresentar uma fundamentação objetiva e razoável. Deverá fazê-lo em todos os
casos em que mude de critério interpretativo diacronicamente, diferentemente do
legislador, cujo relacionamento direto com a soberania popular faz presumir
legítima qualquer mudança normativa, devendo justificar tão-somente as mudanças
que impliquem um tratamento sincrônico desigual entre os cidadãos”.
Assim o dizem Roberto Rosas e Paulo
Cezar Aragão (“Comentários ao Código de Processo Civil”. v. 5, RT, 1998):
“Indubitavelmente a jurisprudência tem se antecipado às legislações na solução
dos conflitos de interesses. Não poderia ser de outra forma porque a legislação
é mais estática do que o juiz. A letra da lei perpetua-se, esperando a
interpretação judicial quando suscitada nas controvérsias. No entanto, a
evolução da sociedade é surpreendente. As relações humanas cada vez mais
intensas impõem o chamamento judicial aos debates nos litígios, substituindo o
código que, às vezes, tem contra si a revolta dos fatos na expressão de Gastão
Morin. Mas o juiz não pretenderá ser o legislador, apagar os escritos legais,
substituindo-os, mas sim adaptá-los à realidade, ao tempo e ao caso porque é
impossível imaginar-se a lei solvendo todas as questões, as pendências, as
dúvidas, no vasto emaranhado das interações sociais. Não foi sem razão a
perspicaz nota de Seabra Fagundes sobre a posição do juiz brasileiro na
aplicação do Direito, concorrendo para o aprimoramento do Direito como condição
de paz e de justiça entre os homens. Aplicando a lei, adequando-a à utilidade
social e ao bem-estar do indivíduo”.
Aí citei, mesmo que indiretamente,
Seabra Fagundes. E o conterrâneo sabia das coisas.
Marcelo Alves Dias de Souza
Procurador Regional da República
Doutor em Direito (PhD in Law) pelo
King’s College London – KCL
domingo, 18 de dezembro de 2022
MEUS
ÍDOLOS ESTÃO PARTINDO
Por:
Carlos Roberto de Miranda Gomes (*)
Num
espaço muito curto de tempo venho perdendo ídolos, colegas e amigos/amigas em
variados campos da cultura e da vida.
A todos
tenho rogado a Deus pelas suas almas, para aperfeiçoamento na Casa Celestial e
retorno à esta dimensão da existência, se assim for permitido e ser da crença
de cada um.
Acredito
que a matéria é finita, mas os espíritos continuam à disposição do Criador. Por
isso ou por aquilo, desejo que estejam felizes no Céu.
Contudo,
tais acontecimentos têm provocado em mim momentos de grande preocupação, pois
já entrei na fila dos futuros desencarnados, posto que já venci a idade bíblica
e já estou sendo premiado em mais de uma década de permanência.
Sem medo
e sem pressa aguardo a minha vez, para ver se reencontro os meus ancestrais,
particularmente a minha Therezinha, companheira durante 71 anos.
Em
verdade, apesar da saudade em deixar este compartimento vivencial, acredito que
ainda não terminei a minha missão. Muitos ainda precisam de mim ou até dependem
de mim e seria muito egoísmo pretender deixá-los na mão.
Enquanto
não acontece o desfecho, vou escrevinhando os meus pensamentos, pincelando os
meus sonhos, lendo muito e apreciando o sucesso dos que me cercam.
Aos
meus queridos amigos, que não são poucos, graças a Deus, continuo com o meu
relacionamento diário, feliz por poder abraçá-los e com eles ainda produzirmos
alguma coisa que valha a pena.
É
bom viver, muito tempo, nem tanto, pois é deprimente dar trabalho à família nas
mínimas necessidades. Afinal, o tempo da vida não nos pertence.
E,
vou vivendo, vou vivendo, vou vivendo ..........................
(*) escritor e pintor?
A PRIMEIRA ÁRVORE DE NATAL EM NATAL
Horácio Paiva *
Em sua “Acta
Diurna”, de 8/01/1960, intitulada “Cinqüentenário da Primeira Árvore de Natal”,
registra o mestre Câmara Cascudo uma curiosidade: a exibição, em 24 de dezembro de 1909, da primeira
Árvore de Natal em nossa cidade. E diz, em detalhes explicativos: “Foi
no salão do Natal Club, o primeiro, a 24 de dezembro de 1909, às oito horas da
noite porque, naquele tempo, não se pensava nas vinte horas”.
Renovo
o registro ante a oportunidade da informação, já que vivemos, mais uma vez,
neste ano da graça de 2022, o ciclo natalino, completando, no próximo 24 de
dezembro, cento e treze anos da introdução, entre nós, dessa árvore especial,
feita do brilho dos sonhos.
Especula-se
sobre qual a origem desse símbolo que, ao lado de tantos outros -
presépio, Papai Noel, luzes ornamentais, ceia, presentes -
interpretam a alegria do Natal.
Tem-se que o
costume de iluminar árvores no Natal surgiu no norte da Europa. Chegam alguns a
atribuir a Lutero o pioneirismo. Contam que, em 1530, ele teve a ideia, ao
apreciar a beleza dos pinheiros cobertos pela neve em noite estrelada. A cena
teria inspirado, ao seu espírito místico e contemplativo, a homenagem que
prestaria ao nascimento do Senhor. Em sua casa, compôs a árvore, com um pequeno
abeto, algodões e lanternas.
Já em 1605,
em Estrasburgo, França, há o registro de uma Árvore do Natal erguida na via
pública. Na América Latina, porém, o costume é de fins do século XIX e começo
do século XX.
Na
realidade, é um símbolo novo. A nossa mais antiga tradição natalina, decoração
em torno da qual festejavam os nossos antepassados, é a do presépio, que segue
a criativa idéia do pobrezinho de
Assis, hoje com seus quase oitocentos anos de comemoração.
E esse
presépio que gerou presépios - ao longo dos anos da cristandade e até
hoje -
era um presépio vivo. São Francisco o fez representar numa gruta de
Greccio, Itália, na noite de 24 de dezembro de 1223. Tudo era vivo: o menino
Jesus, São José, Maria, os Reis Magos, os pastores e as pastoras, a vaca, o
burrinho... e as miunças. Interpretava o menino Jesus o filho de uma camponesa
local, que ali era Nossa Senhora.
Não tenho
dúvidas da beleza, da simplicidade e da forte emoção daquele espetáculo, pleno
de ternura e devoção, protagonizado por gente do povo, sonhado e conduzido, em
pureza e amor, pelo poverello, o
“pobre de Deus”, São Francisco de Assis.
Em poucos
versos, sem ação verbal, mas tão-somente com a nota estática da contemplação,
na simplicidade natalina, também construí um presépio, abstrato - mas
iluminado pelo olhar de Maria:
NATIVIDADE
Luz
na estrebaria:
sobre
as dores do mundo
o
olhar de Maria.
.................................................................................................................
(*)
Horácio de Paiva Oliveira - Poeta, escritor, advogado, membro do
Instituto Histórico e Geográfico do RN, da União Brasileira de Escritores do RN
e presidente da Academia Macauense de Letras e Artes – AMLA.
- COBRANÇA
Valério Mesquita*
Dia 15
de setembro de 2006, o escritor Jan Val Ellam (Rogério Freitas) concedeu
entrevista à revista UFO “sem temer colocar em risco a credibilidade
conquistada em duas décadas de trabalho”, sobre a chegada dos
extraterrestres, entre novembro de 2007 a abril de 2007. A reportagem da
jornalista Gabriela Freire da equipe do Diário de Natal causou imensa
curiosidade e impacto no Estado visto que o ufólogo é autor de mais de 15 obras
publicadas e palestrante em todo o país sobre o tema. Ao longo do tempo,
segundo consta, Ellam construiu uma reputação ilibada face a seriedade com que
aborda o assunto cientificamente. Sobre a veracidade das assertivas publicadas
preliminarmente na revista UFO, de circulação nacional, ela assume
transcendental importância quando declara que “já estaria em curso a
aproximação de centenas de naves extraterrestres do nosso planeta”.
Bom,
devo dizer que guardo o exemplar dessa edição do Diário desde o dia do anúncio.
Não com a intenção de desmentir o conterrâneo, caso os fatos evidenciados até
agora não tenham ocorrido. Muito menos desmerecer informações, as quais, “teve
acesso originárias de seus mentores espirituais e de oriundos de civilizações
cósmicas superiores”. Abordo o tema com o objetivo de reabrir o debate, de
querer saber se efetivamente aconteceu a previsão “realizada na capital de
Mato Grosso do Sul sobre uma tragédia para a humanidade”. Refere-se o
estudioso a “uma possível devastação no Oriente Médio, a ocorrer entre os
dias 03 a 05 de outubro (2006), mais especificamente, promovida por explosão de
ordem nuclear, biológica ou química”.
Evidentemente,
nas datas mencionadas nada de trágico ocorreu no Oriente Médio com as dimensões
atribuídas, a não ser os rotineiros atentados terroristase guerras
intermináveis. Com ressalva, apenas, para o Brasil que de trágico e cômico, ao
mesmo tempo, elegeu no final de outubro findo o seu novo Congresso Nacional.
A rede
TV londrina History Channel veiculou, por alguns dias, brilhantes documentários
sobre o aparecimento de objetos voadores não identificados, cujas provas exibidas
são irrefutáveis. Apenas, inexplicavelmente, os governos e as forças militares
de cada país onde aconteceram as aparições, estranhamente desmentem ou ocultam
informações a imprensa e ao povo. Ficou comprovado que há décadas os ovnis voam
no nosso espaço e os contato com os terráqueos já sucederam diversas vezes.
De
volta a Natal, a cidade espacial do Brasil, como o turismo chinfrim tornou
conhecida, é tempo da matéria publicada no saudoso Diário de Natal ser
rediscutida para uma reflexão melhor, mais nítida desses fenômenos como deseja
igualmente o próprio Jan Val Ellam. E quem sabe com a presença de renomados
ufólogos brasileiros e estrangeiros. Fica a sugestão.
Caso contrário,
deixemos a tarefa para os comentaristas políticos que poderão encontrar no “orçamento
secreto” da República alguns sinais de extraterrestres.
(*) Escritor.
sábado, 17 de dezembro de 2022
quarta-feira, 14 de dezembro de 2022
DEU A LOUCA NO PAÍS
Valério Mesquita*
Hoje, o Brasil é um dos dez paises mais violentos do mundo. Por que isso está acontecendo com tanta frequência e intensidade? Foi o aumento da população? Dos problemas sociais, urbanos e econômicos? A culpa é exclusivamente dos governos estaduais com suas respectivas polícias militar e civil? Resposta: negativa. Está claro que existem deficiências de pessoal, operacionais, de equipamentos e de melhores salários. Todavia, o cerne de toda a questão da escalada de assaltos, homicídios e outros crimes, é mais um caso do sistema judiciário do que de polícia.
De plano, para manter a linha de raciocínio - que é mais de um cidadão do que de um técnico em segurança – o problema provém da legislação penal brasileira que é fútil e ineficaz porque protege o bandido e esquece os direitos de reparação judicial da vítima. Esse procedimento que coroa a impunidade, incentiva ainda mais o crime. A legislação pode e deve ser modificada pelo Congresso Nacional com relação a responsabilidade penal do menor; é urgente expungir do atual código a tolerância hipócrita e pérfida dos que cometem crime e logo voltam às ruas para reprisar tudo após a soltura; ampliar o leque dos crimes hediondos, banindo o fóssil e falso “bom” comportamento e “ótimos antecedentes” para botar logo o individuo delituoso de volta a sociedade; abolir ou modificar a permissividade de responder o processo em liberdade, quando o ilícito penal está caracterizado, de forma insofismável.
A mania do povo, permanentemente, é culpar a polícia por tudo que acontece de ruim como se tivesse a capacidade da onipresença e onisciência. Virou rotina, cena burra, comum e inconsciente de penalizar sempre a polícia nessas ocorrências. A solução é de ordem nacional. Da presidência da república, do senado, da câmara federal, dos tribunais superiores de justiça, dos partidos políticos que teimam estender aos homicidas, assaltantes e corruptos os privilégios e a suíte cinco estrelas dos direitos humanos. O policial é gente também. É humano, arrisca a vida e como tal não é um ser perfeito como se exige. Como toda instituição pública, a polícia não é infalível. Tem mistura de maus elementos, como nos governos, igrejas, parlamentos e, por ai vai. E digo mais, sou contra a polícia militar fazer greve. Se, constitucionalmente, é uma instituição auxiliar das Forças Armadas não pode ser diferente. Greve no Exército, Marinha, Aeronáutica e na Polícia é insurreição, levante, revolução contra a ordem pública e democrática. A polícia não pode ser culpada sozinha pela falência da segurança da sociedade. A coisa é mais em cima. Mora em Brasília. Cadê os juristas?
O povo brasileiro, como dizia Nelson Rodrigues, “só se levanta para gritar gol”. Ou, então, para se queixar dos policiais com frequência muito mais do que dos delinquentes, bandidos e assassinos. Para combater esses bandos de chacais, endureçam a lei, suspendam a brandura dos amplificados direitos humanos, pois não merecem tratamento republicano e nobre quando ceifam e vandalizam vidas.
O sistema penitenciário brasileiro também carece de tratamento de choque. A população do país e o índice de criminalidade quintuplicaram nos últimos dez anos enquanto decresceu o número de estabelecimentos penais. As penitenciárias estaduais são uma vergonha. A segurança, a saúde e a educação do povo brasileiro são problemas políticos. Se fossem esportivos já teriam tido a sua copa.
(*) Escritor.
terça-feira, 6 de dezembro de 2022
CURRAIS
NOVOS, ARTE E CULTURA
Diogenes da Cunha Lima
Para chegarmos à arte e à cultura currais-novense, pedimos a bênção à
Santa Rita de Cássia, em Santa Cruz. A grandiosa imagem da Santa impulsionou o turismo
religioso, que trouxe crescimento, emprego e renda.
O
Seridó sempre surpreendente. Currais Novos promove o FLIC, um festival
literário anual. No ano passado,
2021, esse evento foi dedicado ao poeta José Bezerra Gomes. Este ano, à memória
de Luís Carlos Guimarães. A primeira surpresa foi a feira de livros em
quantidade e variedade semelhantes às de Natal e Mossoró. Fizemos palestras
sobre a vida de Luís Carlos. O notável escritor e crítico de arte, Tarcísio
Gurgel, comentou sua obra. Genibaldo Barros lembrou a morte do poeta com um
poema, certamente, profético. Leide Câmara trouxe o resgate de um compositor e
músico, José Fernandes, que dedicou duas canções à sua terra.
Ouvi
palestra de escritoras com singulares que transmitiram emoção. Pude
parabenizar os intelectuais dirigentes da FLIC pela realização na Casa de
Cultura.
Outra surpresa, visitamos o Centro
Cultural, criado e dirigido pelo pesquisador William Galvão Pinheiro. Muita
coisa boa, histórica, o passado ali presente. Em uma parede, miniquadros, com
Dom Quixote, do desenhista e pintor Assis Costa, um artista que deveria ser
conhecido por todo amante de arte. Lembrou-me o também currais-novense
Francisco Iran, que fez admiráveis e admirados retratos, em nanquim, dos
patronos e imortais da Academia Norte-rio-grandense de Letras.
Fomos ouvir as histórias lúcidas, sobre pessoas da cidade, de dona
Olindina de Oliveira, em seus 102 anos. Ela reconheceu, beijou e segurou a mão
de Genibaldo.
Participante de tese de mestrado em São
Paulo, o casarão de 134 anos, construído pelo Capitão Antônio Florêncio de
Araújo, por determinação de seu pai, Laurentino Bezerra de Medeiros, na
propriedade Pau-Leite. A centenária casa tem muitos quartos, que foram aumentados na medida em que
nasciam filhos do construtor. É a única de sua época que tem sótão. Tudo
preservado, inclusive o tabuado da parte alpendrada. De lá, uma visão magnífica
do açude fronteiriço e da bela Serra do Chapéu, hoje conhecida como
Serra do Cruzeiro, com função religiosa e festas votivas.
O médico e acadêmico Mariano Coelho tem
a sua vida lembrada em sua residência-consultório de bela fachada. É a atual morada
do intelectual João Gustavo e guarda valiosos escritos antigos. Emprestou a
Genibaldo, para cópia, uma tese do doutor Mariano sobre obstetrícia, datada de
1924.
Desviamos da rota para a estrada de
barro, dirigida à região chamada Maxixe, para mais uma visita de caráter
cultural: conhecer um artesão chamado Ivan do Maxixe. Nos surpreendeu o rústico frontispício com a bela imagem de
um cavalo em alto relevo. A oficina guarda empoeirados tesouros
artesanais. Para aumentar sua renda, Ivan faz selas para cavalos, cada uma mais
bonita do que a outra. Adquiri uma pequena peça de cavalo em madeira para o
consultório da minha esposa.
Vale a pena uma visita e observação
minuciosa dos saberes e das artes da região. Para admirar um povo que valoriza
a cultura.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2022
BERILO DE CASTRO
Mente sã e corpo são
A genética humana fixa e conduz as pessoas dentro
de suas características herdadas. Cada um, ao nascer, já é possuidor do seu
fardo código genético.
Com essas condições, aliadas ao ambiente e à
convivência em que vivemos, é que somos formados e identificados como “gente” –
pessoas sociais.
Tudo não é tão fácil assim de ser harmonizado.
Elas (as condições básicas) não necessariamente se agrupam como nós queremos.
No andar, no correr da vida, esses momentos se
manifestam ora isoladamente, ora conjuntamente.
Quando se aproxima a quarta fase da vida, o
organismo como um todo sofre com suas baixas de rendimentos. Passamos a ser
alvo de situações já previstas, porém, nem sempre aceitáveis. Uns mais, outros
menos resistentes. A verdade é que precisamos nos preparar para enfrentar essas
etapas próprias do final da vida. Quem não conseguir enfrentar, partirá
primeiro; é a lei da existência humana.
Com o avanço da medicina, estamos chegando
mais cedo aos diagnósticos e, também, ao emprego de terapias mais efetivas e
resolutas. E, assim, estamos vendo a longevidade de sorriso aberto e mais
presente.
É importante e fundamental a prevenção
(prevenir é e sempre foi melhor do que remediar) em todos os seus aspectos:
consultas médicas preventivas e regulares, reeducação alimentar, atividades
físicas e mentais e socialização. Os bons “papos” vistos hoje nas calçadas, nos
cafezinhos, nos esportes são os mais puros, legítimos e saudáveis momentos de
terapia em grupo, e tem mais e melhor: nada se paga, não é seguro saúde.
O isolamento social, a solidão e a tristeza
são consideradas as principais molas propulsoras, que tanto têm colaborado para
o crescimento exagerado e maléfico da depressão mental.
Vamos todos corrigir o rumo da nossa estrada
de vida e entrar no oceano da boa existência com a mente sã e corpo são.