quinta-feira, 19 de agosto de 2021

 

Reconstruir o brasil é preciso

padre João Medeiros Filho

A reconstrução é um processo normal, durante a vida humana, individual ou social. Mestres dos saberes esforçam-se por apontar uma dinâmica reconstrutiva eficaz. O Brasil, em diferentes momentos de sua história, passou por várias crises. Seu povo lutou pela democracia. No entanto, continua recebendo acenos totalitários, ora abscônditos, ora patentes, advindos de pessoas ou grupos que se jactam de discursos democráticos, embora sedentos de dominação. Adentrando na terceira década do milênio, interpela-se a consciência cidadã e cristã sobre a ingente necessidade de soerguimento da nação. A pandemia inscreveu no horizonte da cidadania a urgência de se repensar a sociedade. Governos teimam em não admitir, mas o flagelo pandêmico revelou a fragilidade (em alguns casos, falência) de vários setores, mormente da saúde e educação. Comprovou, no mínimo, uma deficiência crônica. “Saúde e educação de um povo não se improvisam”, afirmou Dr. Marcolino Candau, primeiro brasileiro a dirigir a Organização Mundial da Saúde (OMS).  Os desdobramentos pandêmicos com impactos econômicos e aumento da desigualdade social, acarretando desemprego e fome, clamam pela reformulação da pátria. Enquanto isso, o tempo precioso para debates e planejamentos está sendo desperdiçado por lideranças e autoridades com diatribes ou polêmicas ideológicas dispensáveis e lesivas. Convém lembrar o salmista: “Se o Senhor não edificar a casa, debalde trabalham os que a constroem” (Sl 127, 1).

Análises científicas apontam uma crescente e perigosa deterioração da conjuntura sociopolítica, comprometendo a estrutura da sociedade. Seus alicerces foram abalados por desmandos administrativos, privilégios, demagogia, corrupção e ensaios ideológicos despropositados. Isso requer mais lucidez e serenas considerações dos cidadãos. Há anos, um parlamentar norte-rio-grandense comparou a política nacional com “uma moça volúvel, cujos familiares tentam mostrá-la recatada e virtuosa”. Será que mudou? Cresce em muitos o sentimento de intervenções prementes para evitar que se instale na sociedade a “abominação da desolação” (cf. Mt 24, 15; Dn 12, 11 e Dn 13, 14). Tal expressão bíblica define o caos a que chegou o povo hebreu prevaricador da Antiga Aliança. A história do Brasil, não obstante seus percalços e vicissitudes, merece respeito. A nação detém um relevante potencial humanístico para se reerguer. Entretanto, não deve se tornar refém de amadores, oportunistas e inescrupulosos, cujo objetivo precípuo é um projeto de poder e não uma nação equilibrada, harmônica e justa.

A ferida política diagnosticada é preocupante. O país carece de uma visão moderna sobre gestão, que possa oferecer respostas adequadas e atualizadas. Percebem-se sérias degradações em vários setores das diferentes esferas públicas. É imprescindível um novo movimento civilizatório, em que se lute para deter a fragmentação da sociedade. Muitos preferem o axioma romano atribuído a Cesar: “Divide et impera”. O Brasil caracteriza-se por viver antecipadamente o clima de período eleitoral, sempre contaminado pelos mesmos vícios. Deste modo, reduz-se a indispensável discussão política a ideias de pessoas que queiram impingir esquemas obsoletos, perpetuando dinastias de privilégios e erros. Os brasileiros esperam dos líderes e dignitários não uma disputa medíocre e estéril – inflando o ego de alguns – mas uma ampla pauta dialogal civilizatória. Esta inclui necessariamente uma redobrada vigilância no linguajar, uso equilibrado e calcado na honestidade intelectual das redes sociais, tecnologias contemporâneas e mídia.

As narrativas estão cada vez mais medíocres e falaciosas, impedindo avanços e clarividências. Convive-se com falas descarrilhadas, incompatíveis com os cargos ocupados, comprometendo a seriedade e a solidez das instituições. Muitos pronunciamentos geram mal-estar, acarretando polarizações, fortalecendo radicalismos, alimentando medos e desconfianças. Para reerguer o Brasil, convém investir em discursos e posturas esclarecedoras da verdade. Queira Deus venham posicionamentos capazes de ocasionar mudanças em função de novo ciclo civilizatório. Praza aos céus que efetivamente se respeitem dignidades e direitos, salvaguardando a pátria com políticas sensatas. Urge varrer cenários de vergonhosas injustiças e desigualdades sociais, bem como garantir a vigência de valores e princípios humanistas. Assim, poder-se-á recompor o Brasil. Ensina-nos a Sagrada Escritura: “Crescei e multiplicai-vos.” (Gn 9, 7). Isso não é apenas um indicativo de procriação ou demográfico. Há que se atentar também para o sentido metafórico: “crescei” em sabedoria, “multiplicai” o bem-estar dos filhos de Deus!

 

DAS DEDUÇÕES PRETERDOLOSAS

 

 

Valério Mesquita

mesquita.valerio@gmail.com

 

 

Quando penso – Sou. Tenho receio de que alguém após o ponto diga idiota. São as chamadas observações à margem. O leitor, como já disse um fronteiriço - é um monstro na minha literatura.

Nessa vida sou pacífico, no entanto, é o mais perigoso dos oceanos.

 

No ruído reside toda a filosofia do mundo. Bem aventurados os ruidosos deste mundo porque deles é o reino do caos.

 

Realizo em minha vida uma viagem de circunavegação. Cada mulher é um Porto Seguro. Minha plataforma não é continental, é mundana. A vida é para mim, um caso liquidado. Se ela não existisse não seria necessário inventá-la.

 

Vivo debruçado na vigésima quinta hora do tempo. Não sou pretensioso. Sou preterintencional. Jamais acreditei na grandeza dos antílopes feridos. São demasiadamente falsos. Entre agir e ser imbecil neste mundo, prefiro a regra três. Para o mundo tenho o silêncio. O pensamento é o único bem digno de inveja. Sua grandeza está no silêncio. Eis as duas colunas do tempo.

 

Não sei quem falou em ablução na água benta da aurora, mas foi um poeta. Todo o poeta traz a fronte iluminada e o pescoço na medida da guilhotina. A guilhotina dos homens é para eles a água benta da aurora. Existem, ainda, outras formas de viver: jardim, céu, estrela, mar, horizonte e, frequentemente cantar a fome. Mas, isto, direis, é sociologia. A sociologia é o folclore da miséria. O resto é foquilore.

 

Tenho especial carinho pelo homem sem liberdade. A liberdade não é um produto do nosso tempo. É um estado de espírito. Bem aventurado os que têm fome e sede de liberdade porque eles serão fartos.

 

Se quiseres me encontrar, estou debaixo do teus pés. Cresço nas ervas de Whitman. Sou e serei sempre protegido pelos fantasmas das tardes enubladas.

 

Lá estão as nuvens. Os homens não as vêem. Elas em silêncio conduzem pensamentos. Mais tarde verterão a água benta da aurora. É bom banhar-se.


sábado, 14 de agosto de 2021

DIA DE PROFUNDA ALEGRIA, QUE DEDICO À MINHA ETERNA NAMORADA THEREZINHA ROSSO GOMES.
 

 SEMENTE DE AMOR

DISCÍPULA QUERIDA DO CRIADOR

A VÓS IMPLORO PROTEÇÃO PARA A MINHA FAMÍLIA

E PARA A SUA DEVOTA THEREZINHA, QUE JÁ ESTÁ NO CÉU




VELHOS TEMPOS, BELOS DIAS – Berilo de Castro



VELHOS TEMPOS, BELOS DIAS –

A estrada é longa, o caminho é curto. É o horizonte da vida. Tudo passa muito rápido. O ontem já passou, não volta mais. Rico, feliz, é aquele que hoje pode contar, relembrar um tempo que passou, com uma vida saudável e uma mente livre. O momento reacende em nós a lembrança do que fomos e de como vivíamos. Cada um tem a sua história para contar.

Pelo retrovisor, a vida surge em longas, leves e ora pesadas nuvens brancas, ora escurecidas, que pouco a pouco vão se abrindo, iluminadas por um sol radiante e difuso ou, então, escurecem de vez.

Como disse, todos nós temos uma história para contar: contemos.

Na nossa querida, pequena, aconchegante cidade dos Três Reis Magos, os viventes de hoje armazenam e carregam lembranças do seu cotidiano passado, de figuras ou de lugares que marcaram a sua história.

É saudoso lembrar a figura do jornaleiro Cambraia, um preto de fina linha, que gostava de usar o branco para mostrar a cor da sua alma, que gritava anunciando o jornal com a sua mais pura humildade e eloquência: “Olha o jornal de Natal”. Da polêmica, rejeitada pelas crianças que a temiam, com medo de serem carregadas; idolatrada por políticos que posavam ao seu lado para fotos em campanhas eleitorais: Maria Mulamanca com o seu inseparável cajado, inesquecível e marcante; dos grandes apostadores da cidade: Liliu e Tatu, que apostavam tudo e em tudo; de lugares inesquecíveis como o misterioso Poço do Dentão, próximo à praia do forte, onde, conta a lenda que em suas profundezas se escondem ricos tesouros deixados pelos piratas. Dos tanques-piscina da Praça Pedro Velho, que eram usados pela meninada em seus gostosos mergulhos quando de volta da praia nos domingos ensolarados; da bela Festa de Santos Reis, no bairro da Limpa, com toda sua beleza singular e muita religiosidade. Das belas regatas no estuário do rio Potengi, com a acirrada disputa do Centro Náutico e Sport Náutico. Natal era só festa, era só alegria.

Das competições da travessia do Rio Potengi a nado (na braçada), torcendo pelo amigo roqueiro Jorge Lepreu, o campeoníssimo!

Nas jovens tardes de domingo assistir no centenário Estádio Juvenal Lamartine,  o grande e empolgante confronto entre as maiores forças do futebol potiguar ABC X América, que tinha um colorido todo especial com uma massa de torcedores ocupando uma  área privilegiada do Morro do Estrondo, as mangueiras do sítio das freiras e do abrigo Melo Matos; não esquecendo também do disputadíssimo embate do clássico no bairro das Rocas, no Estádio João Câmara, entre as belas e fortes equipes de Palmeiras X Racing.

Natal, da Festa da Nossa Senhora da Apresentação, em sua matriz centenária na Praça André de Albuquerque, com suas retretas, seu parque de diversão; das suas novenas no mês de maio. Isso é Natal, que hoje se esconde no seu presente e renasce no seu passado.

Natal, do Colégio Atheneu Norte-rio-grandense, nossa mais pura e legítima Universidade; da sua pujante força política do seu alunato, que transformava o dia do estudante em uma grande festa, sem violência, sem queixumes e com muita empolgação e fraternidade. Ocupávamos o cinema Rex, cedido gentilmente pelo seu proprietário, Luiz de Barros; éramos todos liderados, capitaneados pelo nosso super líder, nosso eterno secundarista “Pecado”. Era só alegria, era só felicidade.

Natal, de noites singelas, do consumo gostoso do Ron Montilla com Coca-Cola, bom e barato; de suas casas noturnas, sempre bem frequentadas e em vibrantes e aquecidas movimentações, ao som romântico e embriagador saído da radiola de ficha na voz de Nelson Gonçalves, cantando “ Doidivana”, de Adelino Moreira.

Natal de Maria Boa, que deu nome de avião de guerra americano; dos famosos roqueiros capoeiristas, Luiz Rola e Pernambuco, com seus golpes de rasteiras que faziam correr os estranhos marinheiros que tentavam bagunçar o ambiente noturno e febril dos cabarés da Ribeira boêmia.

Natal dos inesquecíveis carnavais de clubes: Aero, América e ABC; de salões super cheios, vibrando, achando bom e divertido em ser chamado de “palhaço “ na marchinha de Zé Keti ( Máscara Negra).

Dos pontos gastronômicos inesquecíveis de parte da região leste da cidade: nas Rocas, a Peixada da Comadre, que tornou-se ponto de encontro de políticos e autoridades locais e nacionais que aqui chegavam; a Peixada e caranguejada do Arnaldo, da carne assada do Lira, do Marinho, a Galinha de Mãe, a Tenda do Cigano; chegando em Areia Preta, tomar banho nas águas mornas da praia mais frequentada da cidade. Comer um gostoso caranguejo no bar É Nosso, passar perto do bar do Caidão, sem atrativos nenhum para entrar. Dar uma chegada até o Clube dos Oficiais do Exército, próximo do Trampolim da morte (construído em volta de muitas pedras e rochedos).

Natal, das famosas brigas de galos e canários lotando os seus rinhadeiros com muitas e altas apostas em jogo; das disputadíssimas lutas de vale tudo entre Aderbal, Bernardão e o imbatível, vibrante e sensacional japonês Takiano.

Natal, das conversas familiares nas confortáveis e preguiçosas cadeiras de balanço nas calçadas de casa, sem presa, sem medo, sem temor, até altas horas da noite, esperando a sono chegar.

Natal, Natal, quanta saudade! Velhos tempos e belos dias.

 

 

 

 

 

Berilo de Castro – Médico e Escritor,  berilodecastro@hotmail.com.br

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores

 

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

                             DIA 11 DE AGOSTO - DIA DO ADVOGADO

 




    Há muitos anos tenho registrado neste blog a passagem do Dia do Advogado, enaltecendo a sua história e suas conquistas.

    Este ano, conscientemente nada publiquei porque não me sinto tocado pela data em decorrência de vários fatos recentes, a nível local e nacional.

    As nossas postulações foram interrompidas e vemos sem qualquer esperança a reconstrução do tradicional prédio da velha Faculdade da Ribeira, pelo qual tanto lutamos em tempos passados. Da mesma forma, como está o prédio onde funcionou a OAB/RN, a partir da construção da nova sede.

    Nada de novo que tenhamos entusiasmo.

    No campo federal não me sinto representado a contento pelo atual Presidente, envolvido abertamente em questionamentos de ordem política partidária, assunto que sempre lutei para que nunca viesse a acontecer, para que a nossa Ordem permanecesse isenta, honrada e altaneira.

    Quase não tenho mais tempo para me compor para uma tomada de posição, senão desafiar os futuros candidatos à Direção da Casa dos Advogados para que apresentem em suas plaformas, o que pretendem fazer para recuperar a credibilidade.

    O meu sentimento atual é de total desolamento. Nossa bandeira está a meio mastro.


 DOIS ÍDOLOS QUE PARTIRAM

DUAS ALMAS QUE SE FORAM

DEIXANDO MUITAS LEMBRANÇAS

SAUDADES, EXEMPLOS PARA A IMORTALIDADE.

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

 

Minhas Cartas de Cotovelo – versão de 2021-37

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

       Em que pese o inverno, neste final de semana, antes do dia dos pais, a chuva deu uma trégua, trocando seu domínio por um friozinho fora da tabela e uma ventania que me causou alguns prejuízos com telhas voando.

              Neste último sábado, movido pela quebra do fuso horário em razão das Olimpíadas do Japão, quase não dormi e, muito cedo, após o bate papo na Rádio Mar e Campo, de Octávio Lamartine, preparei-me para uma descida à praia, o que agora tem sido possível com a construção da passarela da rua Erith Correia.

E lá fui eu, com minhas auxiliares – a filha Rosa e a bengalinha, suportando aquele ventinho enxerido, trazendo consigo uma areinha que bate no corpo como pequenas agulhas. O mar, no entanto, convidativo, como sempre.

       A tarde maravilhosa, ligeiramente febril, propícia para uma boa madorna, complementada com algum programa na TV até a chegada da noite, prejudicada com o som de um mal-amado que, semanalmente quebra a mansidão do silêncio com uma festa movida a bate estaca, varando a madrugada, (fica numa transversal da rua Humberto de Campos), muitas vezes reclamada à Polícia, sem solução satisfatória, o que nos faz pensar em duas alternativas – ou em Parnamirim não existe Lei do Silêncio ou está faltando autoridade.

       Enfim acordamos salvos no domingo dos pais onde o tempo não foi o mesmo, um chuvisco atrapalhou nosso lazer e, degustado um bom café da manhã, feito por Dona Rosa Ligia, viemos para Natal para um almoço com todos os filhos e netos.

       Presentes, mensagens, abraços, calor humano aquecendo o frio da época, um bom almoço comandado pela outra filha Theresa Raquel, herdeiras das prendas culinárias da nossa inesquecível THEREZINHA, o dia foi transformado em festa. Abusei do doce, mas sobrevivi e tome fundo de rede! - nada de obrigações, pois estas foram feitas para os dias úteis da semana.

       Certamente, doravante, com alguns ajustes será possível repetir a frase prazerosa – Cotuvelo continua linda.