quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

 

 

A estupidez da polarização política

Tomislav R. Femenick – Historiador e jornalista

 

Há pensadores que, pela relevância de suas ideias, tornam-se universais e atemporais. Suas formulações abstratas da representação do concreto extravasam lugares e épocas. Esse seria o caso do filósofo alemão Immanuel Kant. Seu livro mais conhecido – muito citado e pouco lido e entendido –  é “Crítica da Razão Pura” (São Paulo: Publicações Brasil, 1958). Muito referenciados nos meios acadêmicos, o autor e o livro, no entanto, têm quase tantas interpretações quanto são as citações. O limite da diversidade numérica está na repetição dos entendimentos que encontramos nos trabalhos de conclusão de bacharelado, nas dissertações de mestrados e nas teses de doutorado. No mais é “passeio na maionese”, como se dizia no meu tempo de estudante. Não que não haja trabalhos sérios. Mas somente servem para confirmar a regra: Kant é um incompreendido. 

Confesso que não sou um “insider”, um especialista no assunto. Quem me chamou a atenção para o fato foi o doutor Geraldo Müller, meu professor de Metodologia Científica, no curso de Mestrado da PUC-SP. Segundo ele, por aqui, basta alguém produzir alguns “papers”, publicá-los em qualquer lugar e, pronto, é um entendido no tema. E isso seria recorrente em relação a Immanuel Kant. Um amigo nosso chegou a elencar oito interpretações conflitantes entre si, sobre o seu pensamento.      

Foi a atual situação do nosso país que me levou ao assunto. A polarização política, a estupidez com que são tratados os que discordam das posições de cada grupo, o desprezo pela opinião dos outros e a pobreza dos argumentos em defesa das próprias opiniões, tudo isso indica um estado crítico de embrutecimento mental.

A oposição petista diz que Lula, José Dirceu, José Genoíno e todos os outros são inocentes de tudo, mas não apresenta elementos que embasem sua argumentação de inocência. Os “bolsonaristas inveterados” dizem que o Flávio Bolsonaro é inocente, como o são Queiroz, os irmãos daquele e toda a família, mas não apresentam fatos concretos que confirmem a inocência de suas excelências. 

  Voltemos a Kant. Sinteticamente, podemos dizer que a base do pensamento do filósofo alemão está na dualidade que ele chamou de “juízos sintéticos” e “juízos analíticos”. No primeiro caso, no juízo sintético, devem-se juntar informações diferentes para se chegar a um novo patamar de conhecimento. Construamos um exemplo: se um político, ou qualquer cidadão que seja, não dispõe de fonte de renda que lhe permita possuir um grande patrimônio, mas o tem, deve-se concluir que houve algo de desonesto. No segundo caso, no juízo analítico, é mister que se divida um fato, uma informação, em tantas partes quando ele tenha, visando a entende-las separadamente, para comprovar o todo. Vamos novamente tomar um exemplo: se alguém diz que seu patrimônio é formado por heranças e ganhos pessoais, deve-se confirmar a origem e mensurar em valores o montante das heranças e dos ganhos.

A argamassa que solidifica essas duas proposições teóricas é a não aceitação de conceitos estabelecidos “a priori”. Assim, não é por ser político ou parente de político, milionário ou parente de milionário, celebridade ou parente de celebridade, que sua inocência ou culpa deva ser aceita como coisa certa e estabelecida (os exemplos dados o foram por se mostrarem mais fáceis de serem entendidos). Cabe um alerta: não estou falando de procedimentos jurídicos, portanto não cabe aqui o princípio de “in dubio pro reo”.

  Agora voltemos à realidade brasileira. Enquanto a política for conduzida por grupos radicais e acéfalos, enquanto as discussões tiverem por motivo apenas a imposição das ideias dos contendores, estaremos mais para gladiadores romanos que para filósofos gregos. Quando se discute, deve-se buscar a verdade, pois “nem sempre a minha ideia é a mais correta”.  

Mesmo quando se discute futebol, não se deve ser radical. Isso não leva a nenhuma verdade. A única exceção aceita é quando o Flamengo está envolvido. Se ganha, é porque sempre foi o melhor; se empata, é somente o resultado de um erro tático de jogo; se perde, a culpa é do juiz.

 

Tribuna do Norte. Natal, 06 jan. 2021.

 

 

 

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

domingo, 3 de janeiro de 2021


 Minha homenagem ao fadista CARLOS DO CARMO, falecido neste sexta-feira em Portugal.

 


Minhas Cartas de Cotovelo – verão de 2021-3

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

Hoje, no meu caminhar cotidiano, para adquirir a vitamina “D”, o meu filho Carlos chamou a minha atenção para uma touceira da flor xanana. Eu lhe respondi, que além da sua beleza, ela possui variados efeitos em seu uso e lembrei pesquisas realizadas nas Universidades Federais do Ceará e do Maranhão na UFCE que a utilizam para fins medicinais, sobretudo no que diz respeito ao sistema imunológico, também nos casos de radioterapia e quimioterapia.

            A matéria não é dos meus conhecimentos profissionais, mas numa ligeira pesquisa na internet encontrei vários comentários, que aqui simplesmente aponto para que os interessados procurem mais detalhes, servindo o assunto apenas como forma de retirar a extrema simplicidade da planta, para lhe dar o valor merecido.

            Começo pela sua denominação: Chanana (xanana) ou turnera ulmifolia, cantada em prosa e verso pelos escritores (Diogenes da Cunha Lima) e músicos (Carlos Zens), entre outros, é uma planta tropical, comestível, que se abre em todas as manhãs do verão (flor do meio-dia).

            O seu uso está ligado ao combate de inflamações, doenças crônicas, doenças autoimunes, da bronquite, leucorreia (corrimentos vaginais), dores em geral (como analgésica), febre, má digestão, reumatismo, HIV (aids), gastrites, úlceras, hemorragias, cólicas menstruais, entre outros.

Na condição de antioxidante, atua contra o câncer, radicais livres com capacidade comparável a de antioxidantes comerciais, em alguns casos indicados por médicos. A chanana exerce expressiva atividade anti-inflamatória em vários modelos de inflamação, como laringite,  colite, enterocolite, diverticulite. O chá de chanana pode ajudar muito em casos de síndrome do intestino irritado.

Entre aqueles que usam medicamentos que agridem o fígado - hepatite, cirrose, de fibrose hepática, de esteatose hepática ou de outros problemas hepáticos, tomar a chanana pode não resolver esses problemas, mas ela protege o fígado.

Ela, também, reduz o nível de glicose no sangue – ou seja, o açúcar solto no sangue – porque transporta o açúcar para o fígado, onde é armazenado na forma de glicogênio. Quem tem uma hiperglicemia eventual ou quer melhorar o tratamento da diabetes pode usar a chanana.

Por ter sido testada no controle de bactérias e fungos, teve um resultado promissor. Quem sabe se não chegaremos a uma solução para o Covid19?

Desculpem meus eventuais leitores por ter extrapolado o pincel além da moldura do quadro pintado. Também não estou fazendo uso ilegal da medicina, mas apenas achei muito interessante o assunto para a pesquisa dos efetivamente capacitados para esse desiderato.