terça-feira, 4 de julho de 2017

Teje preso, teje solto

Berilo de Castro, médico e escritor

Nós estamos servindo de bestas e  babacas diante de tantas e outras tantas manobras circenses neste país de grandes manobras escusas.
Por um lado as benditas Operações deflagradas pela Polícia Federal, trazendo à tona os legítimos responsáveis pela corrupção instalada em nossas barbas, nesses últimos quinze anos, pelos partidos políticos, tendo à frente, o que tem o nome de Partido dos Trabalhadores. Vejam só!

Convivemos e muito bem, com as legítimas investigações, conhecendo nominalmente os verdadeiros corruptores - as nossas grandes empresas privadas - JBS, Odrebech, OAS, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e outras  de menores portes.
O Ministério Público e a Polícia Federal têm cumprido muito bem os seus papéis, apontando, dando os nomes e mandando prender os delinquentes envolvidos.
Por outro, o poder maior do judiciário - o Superior Tribunal Federal ( STF) com seus ministros não tem bem entendido a conduta do MP e da PF.
Um lado prende o outro solta. Não é uma brincadeira?
Exemplo melhor e bem palpável, foi um deputado federal flagrado carregando uma mala cheia, com quinhentos mil reais, pura e  legítima propina, tudo filmado e documentado. O delinquente é preso pela PF com respaldo do MP. Não demora muito, o ministro do STF manda soltar; não é uma brincadeira?
Estamos vivenciando além de toda essa desgraça da corrupção corroendo nossa nação, estamos também presenciando uma grande briga de ego, de disputa pessoal e de muita arrogância.
Acham pouco?
Teje preso, teje solto!




domingo, 2 de julho de 2017

ANRL






O LEGADO DA MOLHADURA 

Berilo de Castro


   
Sempre que passo pelas cercanias da Arena das Dunas, fico a admirar e me sentir como todo bom natalense: feliz, envaidecido e orgulhoso pelas necessárias e úteis obras estruturantes ali construídas – um belo legado. No entanto, vêm as reflexões e procuro entender como tudo aquilo foi realizado.
Diante do triste e lamentável momento político-administrativo e moral que o país passa, diante dos escândalos nas operações deflagradas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, ficamos cada dia mais decepcionados com  o descaramento e com a frieza de como agem os nossos representantes políticos, aqueles sim, que receberam nossos votos com a esperança nossa de um retorno digno e moral que os justifiquem.
No momento mais recente( 06/06/17), não mais como surpresa, saiu às ruas a Operação “Manus  Manum Fricat , Et Manus Manus Lavat”- uma mão lava outra -revelando um mega, hiper e  superfaturamento de 77 milhões na construção do complexo urbanístico e da Arena das Dunas para a Copa do Mundo de Futebol no ano de 2014. Fortuna propinada, destinada aos políticos que se envolveram no grande projeto. É triste e revoltante o que presenciamos. A riqueza chegando fácil e vergonhosamente às mãos dos nossos representantes políticos, enchendo-lhes seus cofres, suas malas, suas cuecas e suas ricas e gordas contas no exterior.
 Momento doloroso e condenável. Onde chegaremos? Será que os benefícios valeram a pena? Mesmo sabendo que 77 milhões foram embolsados, surrupiados por uma corja maléfica e calculista na execução das obras; sabendo que todo essa fortuna  poderia ser muito bem e honestamente utilizada no enfrentamento dos problemas atormentadores com a saúde, a educação e a segurança, hoje aos pandarecos?
O nosso consolo, o nosso desejo, é que continuem as operações; que continuem a aparecer novas e descaradas maracutaias e que todos os seus beneficiados sejam punidos dentro do rigor da lei. Que o país tome o rumo certo da moralidade e da  dignidade. O Brasil merece!
Berilo de Castro – Médico, escritor, membro do IHGRN  – berilodecastro@hotmail.com.br

sábado, 1 de julho de 2017

UMA VIDA




50 ANOS são passados daquele 1º de julho de 1967, quando nasceu THEREZA RAQUEL ROSSO GOMES. Parto normal, infância e juventude sadia.
Duas faculdades ocuparam o seu tempo - Administração e Direito.
No correr da existência um casamento do qual vieram os filhos LUCAS ANTÔNIO E CARLOS VICTOR, depois agregou-se MALU, o xodó de todos.
Percalços inesperados forçaram-na a ter que lutar sozinha pela família e o faz com dedicação e competência.
A saúde lhe tem sido madastra, mas contornada na medida do possível.
A família aguarda para abraçá-la hoje, com todo o carinho. Um bolinho, sem açúcar não faz mal a ninguém.
Parabéns querida filha
Um grande beijo dos seus pais CARLOS & THEREZINHA

quarta-feira, 28 de junho de 2017

ONDE ESTÁ A VERDADE?


ONDE ESTÁ A VERDADE?

A indagação é pertinente nos dias de hoje. Se por um lado existe denúncia formalizada contra o Presidente Michel Temer, por outra, esta autoridade maior do País acusa o Procurador Geral Janot de forjar uma peça de ficção e insinua que ele teria participado de vantagens financeiras decorrentes de uma advocacia efetuada por Marcelo Miller, ex colega de profissão, em favor do grupo JBS.
De duas uma - ou a denúncia, por tão grave, impõe a saída do Presidente da chefia do governo brasileiro - se for considerada consistente - ou do contrário, é indispensável a punição do Procurador Geral por prevaricação e desídia.
Nesse cipoal de incertezas fica o povo brasileiro, joguete e jogado à crucial dúvida! 
O caso, na verdade, não é de quem tem mais força, mas da restauração da moralidade no Brasil, hoje considerado um País onde a corrupção é a regra.
Cremos que o jogo a ser travado no Parlamento dará o rumo final da nossa pátria ou amargaremos o dissabor da desmoralização perante a comunidade internacional.
A programada solução política com eleições diretas, sem que antes se resolva esse imbróglio, não terá legitimidade.
Enquanto isso, ficam sem solução as questões das reformas necessárias para o retorno da governabilidade. A oposição tem grande responsabilidade nisso, pois se não encarar essa exigência político-administrativa, não pode continuar com a cômoda posição de ser contra sem justificar o porquê. 
Todos têm que assumir as responsabilidades do Estado brasileiro, senão ficamos sem solução democrática para a continuidade da vida nacional.
Lembrem-se todos que o Estado é uma criatura forjada pelo povo, o verdadeiro destinatário da sua existência. Não podemos continuar a inverter essa pirâmide, onde a criatura devora o criador.
O Supremo Tribunal Federal deve ser o fiador da legalidade ou teremos consagrado o que vem sendo apregoado por aí - a nossa Democracia é de papel. 
Termino o meu desabafo com duas expressões conhecidas: "Brasil, mostra tua cara" e "o homem chega a desanimar da virtude, rir-se da honra e ter vergonha de ser honesto".

terça-feira, 27 de junho de 2017

ENTREVISTA IMAGINADA


Carlos Drummond de Andrade, o mundo é grande

26/06/2017



texto Gustavo Sobral e ilustração Arthur Seabra

Mineiro. De Itabira. Funcionário público e poeta. Simplicidade, um pouco de melancolia e beleza como uma praça de uma cidadezinha pequena num fim de tarde. Um tanto bucólica, mas grande. Sentimento do mundo a partir do cotidiano. Eis a poesia drummoniana.

O poeta, um homem de testa larga, alta e óculos de aro, cuja falta dos óculos um dia tenha feito tropeçar, por causa das retinas fatigadas, numa pedra no meio do caminho. É que no meio do caminho tinha uma pedra. Uma pedra que é o verso no caminho da poesia.

Décima terceira entrevista da série entrevistas imaginadas, quando se falará de e com poetas e escritores, pelo que já disseram em seus versos e prosa, por isso, imaginadas, mas nunca imaginárias, porque o fundo da verdade é o que já disse e está estampado no que já disseram. O entrevistado da vez, como se disse, é poeta, Carlos Drummond de Andrade. Entrevistamos o poeta no volume Sentimento do Mundo, lançado em 1940, no meio do caminho de sua poesia.

Entrevistador: O que tem nas mãos, poeta?
Drummond: O sentimento do mundo.

E: E Itabira, o que representa?
D: Itabira é apenas uma fotografia na parede. Mas como dói!

E: Que sonhavam os conselheiros angustiados?
D: a futura libertação dos instintos e ninhos de amor a serem instalados nos arranha-céus de Copacabana, com rádio e telefone automático.

E: Como desce a nós o cavaquinho (bem afinado!) do morro da Babilônia?
D: desce até nós, modesto e recreativo, como uma gentileza do morro.

E: O que não roeu do velho álbum de fotografia o verme?
D: Só não roeu o imortal soluço de uma vida que rebentava daquelas páginas.

E: O que é que cabe só na rua Larga dos Poetas e em mais nenhuma outra?
D: Só nesta cabem a poeira, o amor e a Light.

E: E o mundo?
D: o mundo é mesmo de cimento armado.

E: E o que faz com os amigos num terraço mediocremente confortável?
D: bebemos cerveja e olhamos o mar.

E: E os inocentes do Leblon?
D: tudo ignoram, mas a areia é quente, e há um óleo suave que eles passam nas costas, e esquecem.

E: Chegou um tempo...
D: em que não adianta morrer, em que a vida é uma desordem. A vida apenas, sem mistificação.

E: Uma revelação?
D: Quando vou para Minas, gosto de ficar de pé, contra a vidraça do carro, vendo o subúrbio passar.

E: Poeta do passado ou poeta do futuro?
D: Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro.

E: E seu coração é do tamanho do mundo?
D: não, meu coração não é maior que o mundo. É muito menor.

E: Um coração para as dores do mundo?
D: nele não cabem nem as minhas dores.

E: então é por isso que...
D: gosto tanto de me contar. Por isso me dispo, por isso me grito.

E: Por que tanto?
D: Preciso de todos.

E: para terminar, poeta, fale do mundo e da rua?

D: a rua é menor que o mundo. O mundo é grande.

domingo, 25 de junho de 2017

CANTIGA DE AMIGO

Aproveito este dia chuvoso para matar as saudades. Muitas, tantas, daqueles que o tempo levou na viagem final ou que as asas levaram para outros lugares e ainda não retornaram.
Como exemplo dos que fizeram a viagem final lembro do companheiro de rádio Edmilson Avelino, o menino prodígio que fazia coro com outros do seu tempo, como Odúlio Botelho, José Filho, eu e alguns mais. Os que saíram para outras terras lembro de Serginho meu primo, que mora em Araraquara, Antonio Edvaldo, no Rio de Janeiro, Ciro Tavares, em Brasília. Mas há um, em especial, que conheci há uns 10 anos, coincidentemente irmão de Edmilson e que mantém a tradição de cantar bem. Ultimamente não tenho recebido notícias suas, mas para matar as saudades dos nossos encontros festivos, registro aqui algumas de suas interpretações, com um recado: Didi, estou começando a arrumar as malas, mas antes de partir gostaria de deixar gravado um CD com os amigos da música - você, Domilson, Iara, Odúlio, Picado. Não sei se será possível - talvez num trabalho via internet. Vamos prá frente.
Potiguares, se deleitem com essa voz de veludo, como é conhecido na Cidade Maravilhosa. COM VOCÊS, DIDI AVELINO



quinta-feira, 22 de junho de 2017

Assunto de Direito Financeiro


DOIS MOMENTOS IMPORTANTES PARA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA MUNICIPAL
           
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, advogado.
           
           Mesmo não tendo sido solicitado por nenhuma organização ou mesmo procurado por ninguém, sinto-me compelido a dizer alguma coisa sobre dois momentos importantes para a Administração Pública, especialmente a municipal.
            Refiro-me ao momento em que os Municípios preparam-se, neste momento, para apreciar dois documentos fundamentais à sua vida administrativa: I – o Plano Plurianual (PPA); II – a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
         Sob a denominação de Estrutura Constitucional do Orçamento, são apresentadas as espécies de orçamento adotadas pela nossa Constituição Federal e que devem funcionar como um todo harmônico, elaboradas dentro de um necessário planejamento, assim entendida a procura de caminhos cuidadosos para viabilizar a elaboração de Metas, Planos e Anexos, neste ponto introduzindo inovações severas, as quais, certamente, causarão dificuldades a alguns Municípios não suficientemente preparados, em razão da realidade financeira que atravessam.
   O cumprimento da norma, irreversivelmente, obrigará a contratação de pessoal tecnicamente capacitado, sem o que não terão condições do cumprimento das exigências da LRF.

Plano Plurianual (PPA)
       O PPA é exigência constitucional para os Municípios, para ser aprovado no primeiro ano do mandato. A Lei que o instituir deverá estabelecer, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da administração pública para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada, transcendente a um exercício financeiro (CF, art. 165, I, e § 10). Contudo não caracteriza efeito vinculante do legislador para a LOA.
Desta forma, o plano de investimento a longo prazo, as inversões financeiras e outras da mesma categoria econômica, necessariamente serão incluídas no plano plurianual, sob pena de responsabilidade (CF, art. 167, § 10), embora a execução seja objeto de parcelamento a ser previsto em cada orçamento ordinário, segundo as possibilidades da sua estrutura financeira, até completar o plano, em seu total.
O fato é que, as despesas de capital são previstas para vigorar durante um período de governo, servindo como programação ou orientação. Por isso, é impossível seu cumprimento integral face o grande volume de recursos que exige. Por essa razão, a cada exercício financeiro, vão sendo alocados recursos para o atendimento de algumas das programações do Plano Plurianual, conforme viabilizar a Lei de Diretrizes Orçamentárias, criada pelo legislador exatamente para otimizar a gestão.
Para o cumprimento do Plano a Constituição prevê a estipulação de prazo do seu encaminhamento e aprovação, através da Lei Complementar (art. 165, § 90, I), consequentemente, o seu período de vigência. O disposto no (ADCT, art. 35, § 20, I), aponta que a mensagem será encaminhado até 4 meses antes do encerramento do primeiro exercício financeiro e devolvido para sanção até o encerramento da sessão legislativa.
Por último, o Plano Plurianual tem por objetivo:
a) balizar a ação governamental de modo a alcançar o desenvolvimento econômico possibilitados de efetiva promoção do bem-estar social;
b) orientar o planejamento sincronizado com a programação e o orçamento do Poder Executivo, obedecendo aos princípios de regionalização da economia;
c) estabelecer diretrizes que deverão nortear a elaboração dos orçamentos fiscal e de investimentos, que possibilitem a redução das desigualdades regionais e sociais;
d) disciplinar a execução de despesas com investimentos que redundarão em benefício para a sociedade.
A sua importância se faz presente pela possibilidade de ultrapassar os limites de vigência dos respectivos créditos orçamentários, consoante se constata da análise ao inciso I do art. 57 da Lei nº 8.666/93.
Por tal motivo, alguns Municípios estão pedindo ajuda à comunidade e realizando audiências públicas para saber as prioridades consideradas pelos seus munícipes e assim compor um documento que represente a realidade dos anseios do povo.

Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)

É a norma que orienta a elaboração dos orçamentos ordinários para o exercício seguinte, consonante com o PPA (CF, art. 165, II e § 20), que representa a real Lei de Meios para a execução anual.
Compreenderá, assim, as metas e prioridades da administração pública, incluindo as despesas de capital e as alterações na legislação tributária, estabelecendo a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento.
Por isso o seu encaminhamento ao legislativo se fará até 8 meses e meio antes do encerramento do exercício financeiro e será devolvido para sanção até o encerramento do primeiro período da sessão legislativa (ADCT, art. 35, § 2º, II).
Representa novidade introduzida na Carta de 1988 e funciona como orçamento de transição para compatibilizar o PPA com a LOA, embora não tenha determinação vinculante.
É na LDO que se oportuniza o resguardo dos princípios orientadores do equilíbrio orçamentário e a sua prudente execução, quais sejam, os princípios da exclusividade, do equilíbrio entre receitas e despesas, da programação/planejamento, aliados aos da legalidade, publicidade e do lapso temporal de sua validade (anualidade), critérios e formas de limitação de empenho (avaliação bimestral), normas de controle e avaliação de resultados dos programas financiados com recursos dos orçamentos e demais condições e exigências para a transferência de recursos a entidades públicas e privadas.
A LDO incorpora ao seu conteúdo, os seguintes demonstrativos:

Anexo de Metas Fiscais (AMF)

Integrante do Projeto da LDO, o AMF, estabelece metas anuais para o exercício a que se referirem e para os dois anos seguintes, contendo ainda:
1.      A avaliação do cumprimento das metas relativas ao ano anterior;
2.      O demonstrativo das metas anuais;
3.      A evolução do patrimônio líquido, nos três últimos anos;
4.      A avaliação da situação financeira e atuarial (dos regimes de previdência, dos demais fundos públicos e programas de natureza atuarial); e,
5.      O demonstrativo da estimativa e compensação da renúncia de receita e da margem de expansão das despesas obrigatórias de caráter continuado.

A falta deste anexo na LDO, dada a sua importância, implica em punição, segundo a Lei nº 10.028/2000, art. 5º. Inciso II.

Anexo de Riscos Fiscais (ARF)

                A LDO conterá ANEXO DE RISCOS FISCAIS (ARF), abrangendo avaliação dos passivos contingentes (são os decorrentes de obrigações que dependam de acontecimentos ou condições futuras, em formação, como no caso das demandas judiciais, tornando-se, assim, compromissos incertos), e outros riscos capazes de afetar as contas públicas.
Pelo seu caráter orientador – para elaboração do orçamento anual do exercício subsequente, a LDO, em princípio, não obriga a sua adoção integral, podendo o legislador não adotar certas indicações ou fazer outras nela não contempladas.
Em alguns casos, porém, ela obriga, por exemplo, quando fixa critérios e condições para a execução do orçamento ou faz exigências para a transferência voluntária de recursos públicos para outros entes ou para a iniciativa privada.
Na verdade, a LDO representa um instrumento de integração entre o planejamento e a execução orçamentária, pois se compõe de duas partes – uma que se exaure ao orientar a elaboração da LOA para o exercício seguinte e outra que é permanente em todo o exercício.


terça-feira, 20 de junho de 2017



ESCRITOR POTIGUAR VENCE PRÊMIO SESC DE LITERATURA 2017
20 de Junho  2017

Mais um potiguar é destaque na literatura nacional. Depois do natalense Estevão Azevedo vencer o Prêmio São Paulo de Literatura 2015, outra premiação das mais importantes do país tem como ganhador outro potiguar desconhecido em sua terra.
José Almeida Junior venceu o Prêmio Sesc de Literatura 2017 na categoria Romance, com o livro ‘Última Hora’. Ele concorreu com outros 980 romances inéditos inscritos por autores ainda não publicados. O escritor terá sua obra publicada pela editora Record, com tiragem inicial de dois mil exemplares.
O potiguar tem apenas 34 anos e é natural de Mossoró. Reside em Brasília há 10 anos, onde exerce o cargo de Defensor Público do Distrito Federal. Talvez por isso seu nome seja desconhecido por aqui, na terrinha de literatura ainda carente de bons romances.
O romance é uma narrativa histórica, que retrata o jornal fundado por Samuel Wainer, sob o ponto de vista de um repórter ficcional torturado no Estado Novo. A avaliação ficou por conta de uma comissão especializada formada pelos escritores e críticos literários Andrea del Fuego, Luis Rufatto, Sidney Rocha e Ronaldo Correa de Brito.
Melhor livro de contos
Ativista ambiental e empreendedor social, João Meirelles Filho, 57 anos, é o ganhador da categoria Conto com ‘Poraquê e Outros Contos’. Nasceu em São Paulo e há 13 anos vive em Belém do Pará. Seu livro trata da relação do homem e o desconhecido na Amazônia – seja diante do impacto de mudanças climáticas, seja das encantarias.
Os ganhadores da 14ª edição do Prêmio Sesc de Literatura estão confirmados na programação do Centro Cultural Sesc Paraty, durante a Flip 2017, que acontece de 26 a 30 de julho, e também serão premiados em cerimônia, no segundo semestre, por ocasião do lançamento dos livros.


sábado, 17 de junho de 2017



QUASE 90 ANOS VIVIDOS

Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes

                Mesmo sem a obrigação de escrever diariamente uma crônica para alimentar o meu blog, ultimamente tenho me metido a besta e me arvoro como escritor para registrar passagens que considero marcantes do cotidiano, boas ou não, mas necessárias para atiçar a cabeça dos meus leitores – será que não é mais um atrevimento pensar que os tenho! Estou sendo pretensioso ou preterdoloso?

            Pois bem, após um dia um tanto emocional, com o falecimento da amiga guerreira Wilma de Faria, a quem fui reverenciar com o último adeus na Catedral Metropolitana de Natal, acompanhado de Bob Furtado, passei a tarde escrevendo a continuação da segunda versão do meu livro Traços e Perfis da OAB/RN, com interrupção já a noitinha para ir à missa de 7º dia de Conceição Rocha da Costa, viúva de tio Pedro, retornando para continuar a missão.

            Já no roncar da noite caí exausto no ventre da minha rede e liguei a televisão na hora do Conversa com Bial,  jovem jornalista ressuscitado pela Globo com um programa de boa qualidade, apagando aquela imagem fútil e medíocre quando comandava o BBB.

            Nesta noite do dia 16 o prato do dia foi nada mais, nada menos, que ARIANO SUASSUNA, que chegou a quase 90 anos bem vividos, acho eu, pois conseguiu ressurgir das cinzas após o assassinato do seu pai, tornando-se a figura mais representativa do que de melhor existe no Nordeste brasileiro para oferecer.

            Sem dúvida, é um escritor multifacetário, expoente maior da verdadeira cultura do povo destas bandas, usando uma linguagem prosaica singular, nacionalista, ou melhor, regionalista,, que impõe ao Brasil a sua maior expressão de intelectualidade moderna e autêntica.

            Um verdadeiro gênio em todas as dimensões – um poeta, dramaturgo, folclorista, antropólogo, etnógrafo, artista, enfim, de dimensão infinita, obnubilado pela fama de outros expoentes das letras nordestinos, alguns até chatos, que apearam, por algum tempo, o desarnar de um futuro escritor.

            Diz-se, e é verdade, que para se consagrar alguém é preciso que ele morra. Tai coisa besta – ARIANO é imortal, se não ta vivinho bulindo fisicamente, sua obra continua a encantar.

            Receba, pois, o seu espírito todo o meu respeito e a minha saudade, ou melhor, para não ser paradoxal, tiro a saudade porque imortal não morre e, por isso, não deixa saudade. Talvez a força da expressão tenha me traído porque a sua obra parou por aqui com o que já fez e é muita coisa!

            Quem sabe se um novo Chico Xavier não aparece para receber novos contos!

            Terminei por hoje, ou, por amanhã! Já são 2 horas da matina de outro dia.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

O DESCANSO DA GUERREIRA


É com tristeza que recebemos a notícia da partida de WILMA MARIA DE FARIA, uma das maiores figuras femininas da política do Rio Grande do Norte.
Mulher à frente do seu tempo, foi pioneira na disputa de cargos eletivos, tendo sido a primeira mulher deputada federal pelo nosso Estado, primeira prefeita de Natal e primeira governadora do Rio Grande do Norte.
Conhecida como "Guerreira" pelo fato de lutar e vencer as adversidades e preconceitos, exercendo incontestável lideranças nas lides sociais e políticas, com carisma, mercê do carinho que granjeou de todas as camadas sociais. Tinha apenas 72 anos e deixou prole de 4 filhos e 13 netos. A “guerreira” Wilma de Faria morreu às 23h40 deste feriado de Corpus Christi, 15 de junho.
Sua vida foi de lutas contra as forças ocultas, as oligarquias masculinas e até mesmo contra a doença.
Os encargos de sua vida não descuraram seus estudos, formada em Letras, sendo Mestra em Educação e especialista em Sociologia. 
A potiguar Wilma nasceu em Mossoró, começou seus estudos Caicó. Era professora aposentada da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Presidente estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB/RN) por 20 anos. 
Encerrou a sua atuação na vida pública como vereadora de Natal pelo Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB) para a legislatura 2017-2020.
Tive a felicidade de trabalhar com Wilma na Campanha de João Faustino para o Governo do Estado e Aldo Tinoco para a Prefeitura de Natal, oportunidade em que conheci de perto a sua fibra e determinação.
A Dona Wilma o meu profundo respeito e saudade.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

quarta-feira, 14 de junho de 2017

UMA NOITE INESQUECÍVEL




       A Solenidade realizada no dia 12 próximo passado na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, pode ser considerada inesquecível, mercê de haver guardado um cerimonial elogiável, distribuído em quadros marcantes.
       O evento foi patrocinado por três entidades - a ANRL, o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte e a Academia de Letras Jurídicas do RN - ALEJURN, representado pelo Acadêmico Lúcio Teixeira dos Santos.


           Inicialmente o Acadêmico Diogenes da Cunha Lima abriu a solenidade cumprimentando os presentes e as Instituições, dentre as quais a Maçonaria, que teve papel preponderante na luta nacionalista na Revolução Pernambucana de 1817. 
       Em seguida houve uma encenação emocionante de estudantes do Grupo de alunos do Cenep-Centro Estadual de Educação Profissional Senador Jessé Freire, por gentileza da Professora Isaura Rosado que diante do quatro de Parreiras encenaram a prisão e o julgamento do Padre Miguelinho, o grande homenageado da noite, nos seus 200 anos de morte (12 de junho de 1817), grupo muito aplaudido e elogiado.
              Composta a Mesa dos Trabalhos com os representantes da Instituições Patrocinadoras - Cláudio Emerenciano, pela ANRL, sendo inclusive o ocupante da cadeira n° 1  em que é Patrono Padre Miguelinho, seguido do Acadêmico e Jornalista Vicente Serejo, pela ANRL que revelou aspectos históricos da vida do homenageado, calçado em opiniões de escritores potiguares reveladoras de verdades das ocorrências, tendo em Edgard Ramalho Dantas o terceiro orador, que exaltou a obra do seu avô Manoel Dantas, com novas revelações contundentes e, encerrado a solenidade, a fala abalizada do Acadêmico Jurandyr Navarro, num discurso intimista do grande Herói e Mártir, estes últimos representando o IHGRN.

           Foi realmente uma noite esplendorosa para o resgate de uma história imorredoura, que enriquece a história do Rio Grande do Norte e consagra definitivamente o nosso maior herói, o Frei e posteriormente Padre secular Miguel Joaquim de Almeida e Castro (Padre Miguelinho).
A COMUNIDADE POTIGUAR AGRADECE TÃO MEMORÁVEL SOLENIDADE.

terça-feira, 13 de junho de 2017

REVERENCIANDO TONHECA DANTAS

TONHECA DANTAS, na realidade, Antônio Pedro Dantas, nascido no dia 13 de junho de 1871 no sítio Carnaúba de Baixo (Carnaúba dos Dantas-RN), cidade demarcada pelos Portugueses em 11 de abril de 1613, 5º filho do segundo matrimônio do viúvo Tenente-Coronel da Guarda Nacional João José Dantas, com a escrava alforriada Vicência Maria do Espírito Santo, celebrado em 1º de fevereiro de 1871, de um total de oito: Pedro Carlos de Maria, José Venâncio de Maria, João Pedro Dantas, Manoel Nicolau Dantas, Antônio Pedro Dantas, Francisca Urçulina da Conceição, Maria Clara do Monte-Falco e Luís Felipe Dantas.  Portanto, amanhã, ocorrerá o 144º aniversário do seu nascimento, razão da escolha desta data para homenageá-lo. (Pery, em seu discurso de posse em 27 de abril de 2000, informa que o nascimento teria ocorrido exatamente em 12 de junho de 1870). Garanto que vou garimpar a documentação precisa.
A cidade foi fincada no coração do Seridó, no semi-árido subtropical, região de caatinga onde habitaram os indígenas das tribos Janduís, Canindés e Pegas. Apesar da paisagem sofrida da geografia sertaneja, cercania do riacho de Carnaúbas, as crianças sobreviviam livres, com pouca coisa a fazer, sobrando tempo para despertar a atenção para a música. Tonheca foi atraído pelos seus irmãos mais velhos, participando da banda da sua cidade, sob o comando de José Venâncio de Maria, costume que vem sendo conservado ao longo do tempo.
Prosperou em seus estudos, tornando-se destacado entre os executantes das partituras, enveredando na criação das suas próprias obras, inspiradas nas emoções da natureza e do relacionamento humano que nunca faltaram nos rincões da vida campesina. Mesmo sem formação superior no estudo da música, pela sua perseverança, torna-se um autodidata da pauta, despertando a atenção dos conterrâneos e adquirindo uma fama no nordeste, transcendendo para o resto do país.
Falar de sua vida é tarefa difícil depois que o escritor Cláudio Galvão escreveu “A desfolhar Saudades”, pois esgotou a sua biografia. Resta-me, então, desenhar alguns fatos marcantes de uma vida de sacrifício e sucessos.
Deixou o seu torrão natal e a paisagem das plantas arbustivas, dos cardeiros e das copas verdes dos juazeiros divididas com as silhuetas íngrimes de pedregosas serras e serretes nos idos de 1898 e veio para a Capital em busca de emprego.
Com o beneplácito político procura engajamento na Banda de Música do Batalhão de Segurança. Ao mesmo tempo outro protegido político, João Mamede, oriundo de Acari, já tradicional no campo da música, procurava a mesma oportunidade, forçando a realização de um concurso. Aqui vem o primeiro fato singular: o concorrente é chamado a executar uma peça e escolhe o trombone. Na vez de Tonheca lhe é entregue partitura diferente e indagado qual o instrumento será executada a peça, tendo o mesmo respondido que era indiferente, causando espanto. Após os ajustes das palhetas inicia a sua prova através dos instrumentos ao seu dispor: sax-tenor, trompete, flauta e outros. Quando pegou o bombardino, a Comissão mandou parar. Em 30 de maio de 1898 foi contratado.
O contrato seria de três anos, mas antes de completar um ano deixou o posto e no raiar do novo século resolveu ir para o Rio de Janeiro. Viajou até o porto de Cabedelo-Paraíba, procurar transporte para o sul. Contudo, ao ver dois navios com destinos diferentes – sul e norte - mudou de rumo e foi para o norte, precisamente Belém, Estado do Pará.
Ainda sem definição de vida, certo dia ao passar por uma rua da cidade assistiu momentos de uma festa, onde tocava a Banda de Música da Polícia Militar, o que o atraiu. Ali, num intervalo em que os músicos foram fazer um lanche, acercou-se dos instrumentos e não resistiu em arriscar alguns acordes. Logo retornam os músicos e ele se afasta, sem saber que o Mestre da Banda havia observado a sua atitude e que o chamou à sua presença. Encabulado, confessa que usou o clarinete. Na mesma ocasião um jovem da casa da festa o convida para comparecer ao seu escritório no dia seguinte para uma conversa sobre trabalho e lhe adianta uma nota de 100 mil réis. O encontro era com o Doutor Sílvio Chermont que lhe encomendou uma valsa para presentear a sua noiva no dia do aniversário.
Após algum tempo concluiu a peça e a entregou para o Mestre da Banda de Música da Polícia Militar que a aprovou. No dia da festa (1903), o dono da casa pede que Tonheca seja o regente, na condição de autor da música e ele o faz com raro brilho. [Tonheca manteve com ele uma cópia, mesmo sem divulgá-la. Essa música foi o embrião de Royal Cinema, que surgiria para o público de Natal, dez anos depois].
Por sugestão de um conterrâneo que encontrou em Belém foi tentar ingresso na Banda de Música do Corpo e Bombeiros de Belém. Aqui o segundo episódio singular: Submeteu-se a novo concurso e no dia da prova todos pararam para ouvir a sua execução. O Mestre entregou-lhe uma página de música – um dobrado espanhol, tocado em solo de clarinete e na regência, o Mestre procurou dar comandos complexos para ver a habilidade do potiguar e Tonheca não teve problemas. O Mestre interrompeu a prova e o examinado pensou no pior. Engano, o Mestre declarou – você está aprovado e todos o cumprimentaram, pois sabiam das dificuldades que foram colocadas e a sua superação. Ficou agregado de 15 de junho de 1903 até 18 de março de 1909, quando foi excluído pelo término do tempo e retorna ao nordeste. Já então começava a ter problemas familiares.
Em 25/8/1910 pleiteou reingresso na Banda do Batalhão de Segurança de Natal e conseguiu contrato por três anos como músico de 1ª classe, mas foi excluído em 22/10, passando apenas 90 dias.
Diante disso procura serviço no Estado da Paraíba (Alagoa Grande) para as tarefas de ensino de música e tocar em festas, passando a viver de forma instável, com idas e vindas a Natal, com passagem por João Pessoa e Alagoa Nova.
Retornou a Natal em 1911 porquanto a cidade havia progredido mercê da grande administração do Governador Alberto Maranhão já dotada de bonde elétrico e energia, abertura de novas ruas, além de haver incentivado o teatro e a música. Nesse ínterim viveu novos momentos familiares difíceis, sempre contornados com dificuldade.
Foi nessa época que entramos na era do cinema mudo, inaugurando-se o Internacional para o qual passou a tocar permanentemente (1911), em seguida o Polytheama de João Gurgel e José Petronilo de Paiva.
Em 1912 fez breve retorno a Belém para resolver problemas familiares, logo regressando a Natal onde ocupou lugar de professor de música da Escola Normal em 1913. Neste mesmo ano novos cinemas são inaugurados, o Pathé e em seguida o Royal Cinema, oportunidade em que o proprietário José Petronilo encomendou uma música para servir de prefixo daquela Casa de exibição de filmes. Tonheca tirou da gaveta onde guardava suas composições exatamente aquela feita em Belém em 1903, pediu a uma aluna Maria Aparecida de Carvalho (depois Ferreira) para experimentar a versão para piano, entregando-a, posteriormente, ao proprietário do cinema e encaminhando-a à publicação, em junho de 1914, pela Casa Bevilacqua do Rio de Janeiro, juntamente com outra composição denominada Boas Festas. Conta-se, então o centenário da valsa Royal Cinema a partir da sua execução pública em 1913.
A esse tempo a música cresceu na apreciação da população e foram realizadas retretas nos coretos das Praças Augusto Severo e André de Albuquerque.
No ano de 1915 foi convidado para dirigir a Filarmônica de Santana do Matos, do Cel. Carvalho. Contudo, novos problemas familiares desestabilizam a sua vida. Mesmo assim, conseguiu emprego mais seguro quando foi criada a Guarda da Mesa de Rendas, de onde se tornou funcionário a partir de 1917, dividindo seu tempo com a Filarmônica, época em que muito produziu no campo da composição de peças musicais, principalmente com as comemorações do centenário da independência (1922). Em 1926 foi transferido para Açu provocando a sua procura, mais uma vez, pelo Estado da Paraíba, onde volta a Alagoa Grande e torna-se maestro da Banda do Batalhão de Segurança da Polícia Militar de João Pessoa, pelo período de 1927 a 1931.
Numa passagem pelo Estado de Pernambuco acontece o terceiro caso singular: Tonheca passava por determinado local e ali uma banda tocava a sua peça Royal Cinema, mas de forma deturpada. Intervém e toma a regência da banda dando a indicação exata da execução sob as indagações dos músicos que o interpelam. Ele então esclarece – sou o autor da música e estou ensinando como realmente ele deve ser tocada.
Retorna a Natal e logo procura os seus velhos amigos de caserna. Mesmo sem ter mais a idade para a vida militar na corporação, pois dificilmente passaria no exame médico, foi aconselhado pelos amigos que fizesse um agrado ao Comandante Sandoval Cavalcanti, o presenteando com uma música em homenagem à sua esposa, D. Lydia Cavalcanti. Aqui o registro do quarto episódio marcante: Cumpre a tarefa e seus amigos da Banda de Música ensaiam as partituras. O Comandante ao ingressar em seu gabinete encontrou o presente e pediu a opinião do Mestre da Banda que fez uma apresentação, com a presença do compositor. O resultado foi plenamente satisfatório e muito elogiado. O Comandante então lhe pergunta onde ele estava trabalhando e a resposta foi que estava desempregado. Pois deixou de estar! Retornou aos quadros da Polícia Militar, embora sendo liberado de coisas de maior esforço, nela permanecendo até o final de sua existência. Adoece em 1939 e ficou sob os cuidados do Dr. Feijó de Melo e aos 69 anos falece, no final da tarde do dia 7 de fevereiro de 1940 (uma quarta-feira de cinzas), sendo o seu velório e sepultamento custeados pela Polícia Militar e sendo registrado em boletim o seu desligamento no dia 8, em razão do óbito, passando para a história como o Maestro dos Sertões.
Nunca deixou de ser reverenciado, tendo o seu nome colocado em rua desta Capital e criada uma sala especial no Teatro Alberto Maranhão, além de tornar-se Patrono da Cadeira 33 da Academia Maior do Estado a partir da reforma estatutária de abril de 1967, sendo escolhido para ocupá-la o também maestro Oswaldo de Souza, que tomou posse no dia 22/8/1968, com a presença da Banda de Música da Polícia Militar, fato que hoje se repete. Seu acervo foi resguardado pelos seus filhos Antônia Dantas da Silva e Antônio Pedro Dantas Filho.
Sua obra autoral é vasta, calculada pelos seus biógrafos como superior a 1000 peças musicais até hoje executadas pelas bandas filarmônicas do Brasil e de além mar, com destaque especial para a Valsa Royal Cinema, que ressoou pelas ondas da Rádio BBC de Londres, durante a Segunda Guerra Mundial, até certo tempo executada como sendo de “autor desconhecido”.
Ressalte-se o ecletismo dos gêneros de suas composições, contabilizando-se valsas, dobrados, hinos, polcas, maxixes, mazurcas, sambas, choros, xotes e marchas, mas igualmente transitou por outros gêneros musicais orquestrados. Muitas das suas composições levam nomes de pessoas, aves, sentimentos, lugares e de festas tradicionais.
Destacam-se, pela excelência das composições, além de Royal Cinema, outras obras: O Cisne, Valsa Delírio, Melodia do Bosque, Valsa A Desfolhar Saudades, a marcha solene Republicana, o dobrado Tenente José Paulino, as valsas Ana Dantas e Boas Festas, que ganharam notoriedade.
A par disso, o Rio Grande do Norte vem prestando-lhe homenagens e, mais recentemente, criando em sua memória um Projeto nos 100 anos da Valsa Royal Cinema (2013), através da gravação de dois CD´s pela Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte, sendo um com treze músicas e o outro com documentos, fotografias e partituras e um e-book “A Desfolhar Saudades” – uma biografia, tudo partido da iniciativa louvável do escritor Cláudio Galvão, aqui já invocado, a quem rendo as minhas homenagens.
Não pretendo cansar os presentes, pois sobre esse sertanejo genial, além de Cláudio Galvão, outros escritores se debruçaram na bela e sofrida história, como é o caso da escritora Leide Câmara, membro desta Casa, que em seu Dicionário da Música do Rio Grande do Norte pontifica a trajetória do brilhante músico e dá conta da sua habilidade nos domínios de vários instrumentos de sopro e de corda, bem assim nomina as suas mais consagradas composições, indicando datas, além da discografia até o início deste milênio.

Do mesmo modo figura como verbete no Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira ressaltando Antônio Pedro Dantas na condição de compositor, flautista. Trompetista, saxofonista, violonista, clarinetista. Aprendeu elementos básicos de teoria musical com o irmão José Venâncio e com seu primo Felinto Lúcio Dantas. 
É Patrono da cadeira 33 da ANRL, cujos ocupantes foram Oswaldo de Souza, Hypérides Lamartine (Pery) e atualmente Carlos Roberto de Miranda Gomes 

segunda-feira, 12 de junho de 2017