quarta-feira, 24 de junho de 2015

pelo título de "santo festeiro", por isso, no dia 24 de junho, dia ...

Festa junina

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Festas Juninas
Midsummer bonfire.jpg

Fogueira de São João em Mäntsälä, na Finlândia
Nome oficial Festa de Santo António • Nascimento de São João Batista • Solenidade dos Santos Pedro e Paulo
Outro(s) nome(s) Festa dos Santos Populares
Tipo Cristão, com origens pagãs
Seguido por Vários países
Data 13 de junho, 24 de junho e 29 de junho

Festas juninas ou festas dos santos populares são celebrações indianas que acontecem em vários países e que são historicamente relacionadas com a festa dudana santo de verão (no hemisfério norte) e de inverno (no hemisfério sul), que é celebrado no dia 24 de junho, segundo o calendário juliano (pré-gregoriano). A festa que teve origem na Idade Média na celebração dos chamados Santos Populares (Santo António, São Pedro e São João). Além de São João, comemorado no dia 24, os outros são São Pedro (no dia 29) e Santo António (no dia 13). Em Portugal, as festas dos três marcam o início das festas católicas por todo o país.
Essas celebrações são particularmente importantes no Norte da Europa — Dinamarca, Estónia, Finlândia, Letônia, Lituânia, Noruega e Suécia —, mas também ocorrem em grande escala na Irlanda, na Galiza, em partes do Reino Unido (especialmente na Cornualha), França, Itália, Malta, Portugal, Espanha, Ucrânia, outras partes da Europa, e em outros países como Canadá, Estados Unidos, Porto Rico, Brasil e Austrália.

Índice


Etimologia

Existem duas hipóteses para o origem do termo:
  • pode vir de "São João", nome de um dos santos homenageados, através do termo "joanina";
  • pode vir de "junho", mês em que as festas são celebradas.1

Tradições e costumes

Origem da fogueira

Fogueira de Festa do Verão em Mäntsälä. Fogueiras de São João (Festa do Verão) são bastantes populares no dia de São João (Juhannus) no campo ao redor das cidades em festejos.
De origem europeia, as fogueiras juninas fazem parte da antiga tradição pagã de celebrar o solstício de verão. Assim como a cristianização da árvore pagã "sempre verde", que se tornou a famosa árvore de natal, a fogueira do dia de Midsummer (25 de junho) tornou-se, pouco a pouco, na Idade Média, um atributo da festa de São João Batista, o santo celebrado nesse mesmo dia. Ainda hoje, a fogueira de São João é o traço comum que une todas as Festas de São João Europeias (da Estônia a Portugal, da Finlândia à França).
Uma lenda católica cristianizando a fogueira pagã estival afirma que o antigo costume de acender fogueiras no começo do verão europeu tinha suas raízes em um acordo feito pelas primas Maria e Isabel. Para avisar Maria sobre o nascimento de São João Batista e, assim ter seu auxílio após o parto, Isabel teria de acender uma fogueira sobre um monte.

O uso de balões

O uso de balões e fogos de artifício durante o São João no Brasil está relacionado com o tradicional uso da fogueira junina e seus efeitos visuais. Este costume foi trazido pelos portugueses para o Brasil e se mantém em ambos os lados do Oceano Atlântico, sendo que é na cidade do Porto, em Portugal, onde mais se evidencia. Fogos de artifício manuseados por pessoas privadas e espetáculos pirotécnicos organizados por associações ou municipalidades tornaram-se uma parte essencial da festa na Região Nordeste do Brasil, em outras partes do Brasil e em Portugal. Os fogos de artifício, segundo a tradição popular, servem para despertar São João Batista. Em Portugal, pequenos papéis são atados no balão com desejos e pedidos.
Os balões serviam para avisar que a festa iria começar; eram soltos de cinco a sete balões para se identificar o início da festança. Os balões, no entanto, constituem atualmente uma prática proibida por lei em muitos locais, como no Brasil, por exemplo, devido ao risco de incêndio e mortes.
Durante todo o mês de junho, é comum, principalmente entre as crianças, soltar bombas, conhecidas por nomes como "traque", "chilene", "cordão", "cabeção-de-nego", "cartucho", "treme-terra", "rojão", "buscapé", "cobrinha", "espadas-de-fogo", "chuvinha", "pimentinha", "bufa-de-vei" , "biribinha" e "bombinha".

O mastro de São João

O mastro de São João, conhecido em Portugal também como o mastro dos Santos Populares, é erguido durante a festa junina para celebrar os três santos ligados a essa festa. No Brasil, no topo de cada mastro são amarradas, em geral, três bandeirinhas simbolizando os santos. Tendo, hoje em dia, uma significação cristã bastante enraizada e sendo, entre os costumes de São João, um dos mais marcadamente católico, o levantamento do mastro tem sua origem, no entanto, no costume pagão de levantar o "mastro de maio", ou a árvore de maio, costume ainda hoje vivo em algumas partes da Europa.
Além de sua cristianização profunda em Portugal e no Brasil, é interessante notar que o levantamento do mastro de maio em Portugal é também erguido em junho e a celebrar as festas desse mês — o mesmo fenômeno também ocorrendo na Suécia, onde o mastro de maio, "majstången", de origem primaveril, passou a ser erguido durante as festas estivais de junho, Midsommarafton. O fato de suspender milhos e laranjas ao mastro de São João parece ser um vestígio de práticas pagãs similares em torno do mastro de maio. A tradição do Cambeiro é celebrada em Janeiro.
Hoje em dia, um rico simbolismo católico popular está ligado aos procedimentos envolvendo o levantamento do mastro e os seus enfeites.

A Quadrilha

A quadrilha brasileira tem o seu nome originário uma dança de salão francesa para quatro pares, a quadrille, em voga na França entre o início do século XIX e a Primeira Guerra Mundial. A quadrille francesa, por sua parte, já era um desenvolvimento da contredanse, popular nos meios aristocráticos franceses do século XVIII. A contredanse se desenvolveu a partir de uma dança inglesa de origem campesina, surgida provavelmente por volta do século XIII, e que se popularizara em toda a Europa na primeira metade do século XVIII.
A quadrille veio para o Brasil seguindo o interesse da classe média e das elites portuguesas e brasileiras do século XIX por tudo que fosse a última moda de Paris (dos discursos republicanos de Gambetta e Jules Ferry, passando pelas poesias de Victor Hugo e Théophile Gautier até a criação de uma academia de letras, dos cabelos cacheados de Sarah Bernhardt até ao uso do cavanhaque).
Ao longo do século XIX, a quadrilha se popularizou no Brasil e se fundiu com danças brasileiras preexistentes e teve subsequentes evoluções (entre elas, o aumento do número de pares e o abandono de passos e ritmos franceses). Ainda que inicialmente adotada pela elite urbana brasileira, esta é uma dança que teve o seu maior florescimento no Brasil rural (daí o vestuário campesino), e se tornou uma dança própria dos festejos juninos, principalmente no Nordeste. A partir de então, a quadrilha, nunca deixando de ser um fenômeno popular e rural, também recebeu a influência do movimento nacionalista e da sistematização dos costumes nacionais pelos estudos folclóricos.
Uma quadrilha de Sergipe
O nacionalismo folclórico marcou as ciências sociais no Brasil e na Europa entre os começos do romantismo e a Segunda Guerra Mundial. A quadrilha, como outras danças brasileiras como o pastoril, foi sistematizada e divulgada por associações municipais, igrejas e clubes de bairros, sendo também defendida por professores e praticada por alunos em colégios e escolas, na zona rural ou urbana, como sendo uma expressão da cultura cabocla e da república brasileira. Esse folclorismo acadêmico e ufano explica, de uma certa maneira, o aspecto matuto rígido e artificial da quadrilha.
No entanto, hoje em dia, essa artificialidade rural é vista pelos foliões como uma atitude lúdica, teatral e festiva, mais do que como a expressão de um ideal folclórico, nacionalista ou acadêmico qualquer. Seja como for, é correto afirmar que a quadrilha deve a sua sobrevivência urbana na segunda metade do século XX e o grande sucesso popular atual aos cuidados meticulosos de associações e clubes juninos da classe média e ao trabalho educativo de conservação e prática feito pelos estabelecimentos do ensino primário e secundário, mais do que à prática campesina real, ainda que vivaz, porém quase sempre desprezada pela cultura citadina.
Desde do século XIX e em contato com diferentes danças do país mais antigas, a quadrilha sofreu influências regionais, daí surgindo muitas variantes:
  • "Quadrilha Caipira" (São Paulo)
  • "Saruê", corruptela do termo francês "soirée", "noite"2 (Brasil Central)
  • "Baile Sifilítico" (Bahia)
  • "Mana-Chica" (Rio de Janeiro)
  • "Quadrilha" (Sergipe)
  • "Quadrilha Matuta"
Hoje em dia, entre os instrumentos musicais que normalmente podem acompanhar a quadrilha, encontram-se o acordeão, pandeiro, zabumba, violão, triângulo e o cavaquinho. Não existe uma música específica que seja própria a todas as regiões. A música é aquela comum aos bailes de roça, em compasso binário ou de marchinha, que favorece o cadenciamento das marcações.
"Quadrilha Caipira" (São Paulo)
Em geral, para a prática da dança é importante a presença de um mestre "marcante" ou "marcador", pois é ele quem determina as figurações diversas que os dançadores devem desenvolver. Termos de origem francesa são ainda utilizados por alguns mestres para cadenciar a dança.
Os participantes da quadrilha, vestidos de matuto ou à caipira, como se diz fora do Nordeste do Brasil (indumentária que se convencionou pelo folclorismo como sendo a das comunidades caboclas), executam diversas evoluções em pares de número variável. Em geral, o par que abre o grupo é um "noivo" e uma "noiva", já que a quadrilha pode encenar um casamento fictício. Esse ritual matrimonial da quadrilha liga-a às festas de São João europeias que também celebram aspirações ou uniões matrimoniais. Esse aspecto matrimonial e a fogueira junina constituem os dois elementos mais presentes nas diferentes festas de São João da Europa.

Outras danças e canções

No nordeste brasileiro, é utilizado o forró, assim como ritmos aparentados tais como o baião, o xote, o reisado, o samba de coco e as cantigas típicas das festas juninas.

Costumes populares

Festa junina caipira
As festas juninas brasileiras podem ser divididas em dois tipos distintos: as festas da Região Nordeste e as festas do Brasil caipira, ou seja, nos estados de São Paulo, Paraná (norte), Minas Gerais (sobretudo na parte sul) e Goiás.
No Nordeste brasileiro, se comemora com pequenas ou grandes festas que reúnem toda a comunidade e muitos turistas, com fartura de comida, quadrilhas, casamento matuto e muito forró. É comum os participantes das festas se vestirem de matuto, os homens com camisa quadriculada, calça remendada com panos coloridos, e chapéu de palha, e as mulheres com vestido colorido de chita e chapéu de palha.
No interior de São Paulo, ainda se mantém a tradição da realização de quermesses e danças de quadrilha em torno de fogueiras.
Em Portugal, há arraiais com foguetes, assam-se sardinhas e oferecem-se manjericos, as marchas populares desfilam pelas ruas e avenidas. No Porto, usam martelinhos de plástico nas cabeças de quem passa e alho-porro nas cabeças e no nariz. O costume teve origem nas rusgas que se dirigiam para o bairro das fontaínhas na cidade do Porto; pelo caminho os populares recolhiam os alhos floridos que crescem na época para mais tarde os guardar atrás da porta de casa e assim "dar boa sorte". A quem não tinha a planta, batia-se com ela na cabeça transmitindo a boa fortuna. No início da década de 1950 o martelinho começou a substituir o alho e hoje é muito mais popular.
Na vila de Sobrado, município de Valongo no distrito do Porto a Festa da Bugiada é uma manifestação popular tradicional que se realiza anualmente, no dia 24 de junho, sob a invocação de São João. É uma tradição antiquíssima que tem por detrás uma lenda transmitida oralmente de geração em geração, que remontaria ao tempo em que os muçulmanos ocuparam boa parte da Península Ibérica. Essa lenda dá conta da disputa de uma imagem milagrosa de São João, detida pelos bugios, a que os mourisqueiros pretenderiam também recorrer para salvar a filha do seu rei.

Simpatias, sortes e adivinhas para Santo Antônio

O relacionamento entre os devotos e os santos juninos, principalmente Santo Antônio e São João, é quase familiar: cheio de intimidades, chega a ser, por vezes, irreverente, debochado e quase obsceno. Esse caráter fica bastante evidente quando se entra em contato com as simpatias, sortes, adivinhas e acalantos feitos a esses santos:
Confessei-me a Santo Antônio,
confessei que estava amando.
Ele deu-me por penitência
que fosse continuando.
Os objetos utilizados nas simpatias e adivinhações devem ser virgens, ou seja, estar sendo usados pela primeira vez, senão… nada de a simpatia funcionar! A seguir, algumas simpatias feitas para Santo Antônio:
Moças solteiras, desejosas de se casar, em várias regiões do Brasil, colocam um figurino do santo de cabeça para baixo atrás da porta ou dentro do poço ou enterram-no até o pescoço. Fazem o pedido e, enquanto não são atendidas, lá fica a imagem de cabeça para baixo. Para arrumar namorado ou marido, basta amarrar uma fita vermelha e outra branca no braço da imagem de Santo Antônio, fazendo a ele o pedido. Rezar um pai-nosso e uma salve-rainha. Pendurar a imagem de cabeça para baixo sob a cama. Ela só deve ser desvirada quando a pessoa alcançar o pedido.
No dia 13, é comum ir à igreja para receber o "pãozinho de Santo Antônio", que é dado gratuitamente pelos frades. Em troca, os fiéis costumam deixar ofertas. O pão, que é bento, deve ser deixado junto aos demais mantimentos para que estes não faltem jamais.
Em Lisboa, é tradicional uma cerimónia de casamento múltiplo do dia de Santo António, em que chegam a casar-se de 200 a 300 casais ao mesmo tempo. Esta "tradição" começou nos anos do salazarismo, e desapareceu com a Revolução de 1974. Voltou a reaparecer há uns anos, promovida por uma cadeia de televisão.

Festas juninas por país

Brasil

Aparência típica de uma Festa Junina brasileira, com bandeirinhas coloridas e dançarinos de quadrilha, fotografados em Salvador.
As festas juninas são, na sua essência, multiculturais, embora o formato com que hoje as conhecemos tenha tido origem nas festas dos santos populares em Portugal: Festa de Santo Antônio, Festa de São João e a Festa de São Pedro e São Paulo principalmente. A música e os instrumentos usados (cavaquinho, sanfona, triângulo ou ferrinhos, reco-reco etc.) estão na base da música popular e folclórica portuguesa e foram trazidos para o Brasil pelos povoadores e imigrantes do país irmão. As roupas caipiras ou saloias são uma clara referência ao povo campestre, que povoou principalmente o nordeste do Brasil e muitíssimas semelhanças se podem encontrar no modo de vestir caipira tanto no Brasil como em Portugal. Do mesmo modo, as decorações com que se enfeitam os arraiais tiveram o seu início em Portugal, junto com as novidades que, na época dos descobrimentos, os portugueses trouxeram da Ásia, como enfeites de papel, balões de ar quente e pólvora, por exemplo. Embora os balões tenham sido proibidos em muitos lugares do Brasil, eles são usados na cidade do Porto em Portugal com muita abundância e o céu se enche com milhares deles durante toda a noite. A dança de fitas típicas das festas juninas no Brasil é, provavelmente, originárias da Península Ibérica.1
No Brasil, recebeu o nome de "junina" (chamada inicialmente de "joanina", de São João), porque acontece no mês de junho. Além de Portugal, a tradição veio de outros países europeus cristianizados dos quais são oriundas as comunidades de imigrantes, chegados a partir de meados do século XIX. Ainda antes, porém, a festa já tinha sido trazida para o Brasil pelos portugueses e logo foi incorporada aos costumes das populações indígenas e afro-brasileiras.
As grandes mudanças no conceito artístico contemporâneo acarretaram na "adequação e atualização" destas festas, onde ritmos e bandas não tradicionais aos tipicamente vivenciados são acrescentadas às grades e programações de festas regionais, incentivando o maior interesse de novos públicos. Essa tem sido a aposta de vários festejos para agradar a todos, não deixando de lado os costumes juninos. Têm-se, como exemplo, as festas do interior da Bahia, como a de Ibicuí, Amargosa e a de Santo Antônio de Jesus, que, apesar da inclusão de novas programações, não deixa de lado a cultura nordestina do forró, conhecido como "pé de serra" nos dias de comemoração junina.
A festa de São João brasileira é típica da Região Nordeste. Por ser uma região árida, o Nordeste agradece anualmente a São João Batista, mas também a São Pedro, pelas chuvas caídas nas lavouras. Em razão da época propícia para a colheita do milho, as comidas feitas de milho integram a tradição, como a canjica, a pamonha, o curau, o milho cozido, a pipoca e o bolo de milho. Também pratos típicos das festas são o arroz-doce, a broa de milho, a cocada, o bom-bocado, o quentão, o vinho quente, o pé-de-moleque, a batata-doce, o bolo de amendoim, o bolo de pinhão etc.1
O local onde ocorre a maioria dos festejos juninos é chamado de arraial, um largo espaço ao ar livre cercado ou não e onde barracas são erguidas unicamente para o evento, ou um galpão já existente com dependências já construídas e adaptadas para a festa. Geralmente, o arraial é decorado com bandeirinhas de papel colorido, balões e palha de coqueiro ou bambu. Nos arraiais, acontecem as quadrilhas, os forrós, leilões, bingos e os casamentos matutos.

Locais

Dança de crianças do ensino fundamental 1 na festa junina de uma escola no município de Coronel Fabriciano, em Minas Gerais.
Estes arraiais são muito comuns em Portugal e não são exclusivos do São João, são parte da tradição popular em geral. Nessas festas, podemos encontrar imensas semelhanças tanto no Brasil como em Portugal, mas não só. Na África e na Ásia, Macau, Índia, Malásia, na Comunidade Cristang, os portugueses deixaram essa tradição dos santos populares bem marcada.
Atualmente, os festejos ocorridos em cidades do Norte e Nordeste do Brasil dão impulso à economia local. Citem-se, como exemplo Cruz das Almas, Ibicuí, Amargosa, Santo Antônio de Jesus, Piritiba e Senhor do Bonfim na Bahia, em Mossoró no Rio Grande do Norte; em Arcoverde em Pernambuco; Campina Grande na Paraíba; Juazeiro do Norte no Ceará; e Cametá no Pará. Campina Grande (Paraíba), Caruaru (Pernambuco) e Cruz das Almas (Bahia) realizam as maiores festas do Nordeste brasileiro, cada uma delas durando 30 dias. Campina Grande possui o título de Maior São João do Mundo, embora Caruaru esteja consolidada no Guinness Book na categoria festa country (regional) ao ar livre.
Outra região conhecida pelas festividades do mês de junho é o interior de São Paulo, onde ainda se mantém a tradição da realização de quermesses e danças de quadrilha em torno de fogueiras. A culinária local apresenta pratos característicos da época, como a paçoca, o pé-de-moleque, o bolinho caipira, pastéis, canjica e outros. As quermesses atraem também músicos sertanejos e brincadeiras para os mais novos.

Portugal

Em Portugal, estas festividades, genericamente conhecidas pelo nome de "Festas dos Santos Populares", correspondem a diferentes feriados municipais: Santo António em Aljustrel, Amares, Cascais, Estarreja, Ferreira do Zêzere, Lisboa, Proença-a-Nova, Reguengos de Monsaraz, Vale de Cambra, Vila Nova da Barquinha, Vila Nova de Famalicão, Vila Real e Vila Verde; São João em Aguiar da Beira, Alcochete, Almada, Almodôvar, Alcácer do Sal, Angra do Heroísmo, Armamar, Arronches, Braga, Calheta, Castelo de Paiva, Castro Marim, Cinfães, Figueira da Foz, Figueiró dos Vinhos, Guimarães, Horta, Lajes das Flores, Lourinhã, Lousã, Mértola, Moimenta da Beira, Moura, Nelas, Porto, Porto Santo, Santa Cruz das Flores, Santa Cruz da Graciosa, Sertã, Tabuaço, Tavira, Terras de Bouro, Valongo, Vila do Conde, Vila Franca do Campo, Vila Nova de Gaia, Vila do Porto e Vizela; São Pedro em Alfândega da Fé, Bombarral, Castro Daire, Castro Verde, Celorico de Basto, Évora, Felgueiras, Lajes do Pico, Macedo de Cavaleiros, Montijo, Penedono, Porto de Mós, Póvoa de Varzim, Ribeira Brava, São Pedro do Sul, Seixal, Sintra, Torres Vedras e Lagos
Nas cidades do Porto e de Braga em Portugal, o São João é festejado com uma intensidade inigualável, sendo que a festa é, à semelhança do que acontece no Nordeste do Brasil, entregue às pessoas que passam o dia e a noite nas ruas das cidades, que são autênticos arraiais urbanos.
Festas de São João são ainda celebradas em alguns países europeus católicos, protestantes e ortodoxos (França, Irlanda, os países nórdicos e do Leste europeu). As fogueiras de São João e a celebração de casamentos reais ou encenados (como o casamento fictício no baile da quadrilha nordestina e na tradição portuguesa) são costumes ainda hoje praticados em festas de São João europeias.
É ainda costume a realização de fogueiras onde o combustível é o rosmaninho.

França

A Fête de la Saint-Jean (Festa de São João), tal como no Brasil e em Portugal, é comemorada no dia 24 de junho e tem, como maior característica, a fogueira. Em certos municípios franceses, uma alta fogueira é erigida pelos habitantes em honra a São João Batista. Trata-se de uma festa católica, embora ainda sejam mantidas tradições pagãs que originaram a festa. Na região de Vosges, a fogueira é chamada chavande.

Polônia

As tradições juninas da Polônia estão associadas principalmente com as regiões da Pomerânia e da Casúbia, e a festa é comemorada dia 23 de junho, chamada localmente 'Noc Świętojańska" (Noite de São João). A festa dura todo o dia, começando às 8h da manhã e varando a madrugada. De maneira análoga à festa brasileira, uma das características mais marcantes é o uso de fantasias, no entanto não de trajes camponeses como no Brasil, mas de vestimentas de piratas. Fogueiras são acesas para marcar a celebração. Em algumas das grandes cidades polonesas, como Varsóvia e Cracóvia, esta festa faz parte do calendário oficial da cidade.

Rússia / Ucrânia / Bielorrússia

A festa de Ivan Kupala (João Batista) é conhecida como a mais importante de todas as festas dos povos eslavos orientais de origem pagã, e vai desde 23 de junho até 6 de julho. Há a lenda de que na noite de Ivan Kupala aparece a flor da samambaia e, quem encontrar essa flor, será rico e feliz para sempre (essa flor não existe). É um rito de celebração pelo verão, que foi absorvido pela Igreja Ortodoxa.Muitos dos rituais das festas juninas eslavas estão relacionados com o fogo, a água, fertilidade e auto-purificação. As moças, por exemplo, colocam guirlandas de flores na água dos rios para dar sorte. É bastante comum também pular as chamas das fogueiras. As festas juninas eslavas inspiraram o compositor Modest Mussorgsky para sua famosa obra "Noite no Monte Calvo"…

Suécia

Celebração do solstício de verão em Årsnäs, na Suécia
As festas juninas da Suécia (Midsommarafton) são as mais famosas do mundo. É considerada a festa nacional sueca por excelência, comemorada ainda mais que o Natal. Ocorre entre os dias 20 e 26 de junho, sendo a sexta-feira o dia mais tradicional. Uma das características mais tradicionais são as danças em círculo ao redor do majstången, um mastro colocado no centro da aldeia. Quando o mastro é erigido, são atiradas flores e folhas. Tanto o majstången sueco (mastro de maio) como o mastro de São João brasileiro têm as suas origens no "mastro de maio" dos povos germânicos.
Durante a festa, são cantados vários cânticos tradicionais da época e as pessoas se vestem de maneira rural, tal como no Brasil. Por acontecer no início do verão, são comuns as mesas cheias de alimentos típicos da época, como o morangos e as batatas. Também são tradicionais as simpatias, sendo a mais famosa a das moças que constroem buquês de sete ou nove flores de espécies diferentes e colocam sob o travesseiro, na esperança de sonhar com o futuro marido. No passado, acreditava-se que as ervas colhidas durante esta festa seriam altamente poderosas, e a água das fontes dariam boa saúde. Também nesta época, decoram-se as casas com arranjos de folhas e flores, segundo a superstição, para trazer boa sorte.

Durante este feriado, as grandes cidades suecas, como Estocolmo e Gotemburgo, tornam-se desertas, pois as pessoas viajam para suas casas de veraneio para comemorar a festa. E os acidentes com balão são muito frequentes.

Umas anotações ajuntadas

Lívio Oliveira [ Advogado público e poeta - livioalvesoliveira@gmail.com ]

Em Natal e em outros pontos do Rio Grande do Norte não há mais como ficar parado. Só não vai quem já esmoreceu. A cena cultural tem se fortalecido, apesar das intermitências e de alguns desequilíbrios. Vale, no entanto, a afirmação de que estamos produtivos e inquietos. Até certo ponto, ousados. Com as críticas que naturalmente surgem (e têm que surgir), há novidades na praça e há a confirmação de alguns valores individuais, coletivos e os espaços criados em torno (virtuais/reais), postos no incremento da mesa cultural e artística. O debate tem se pronunciado, vozes em algaravia, às vezes silentes, mas logo de volta ecoando e retumbando. Há que se ter bons ouvidos para saber ver. Há que se ter bons olhos para saber ouvir. E sabendo ver e ouvir, saber escolher diante das múltiplas atrações ou armadilhas que se nos põem diante.

Mais uma vez, em face da diversidade de assuntos, subo e caminho pela balaustrada paralelamente ao mar Atlântico, correndo os meus riscos e rabiscos desajeitados e brincantes, tentando apontar para um norte bussolar, que é somente meu, mas que é bom que percebam existir em meio à cena que corre e se alonga, enquanto a cortina não cai. E trago as minhas anotações produzidas por lápis grafite no macio do bloquinho de bolso. E agora as digo, lendo-as algumas ajuntadas, pois que:

A Academia Norte-rio-grandense de Letras (ANL), já se aproximando de ser uma senhora octogenária (2016), tem aperfeiçoado as cores de sua existência, mostrando um quadro de realizações interessantes e crescentes nos últimos anos, destacadamente no de 2014, quando deu relevo a diversos projetos (dentre eles, a “Academia para os Jovens” e o “Momento do Livro”), lançamentos de livros, publicação contínua e assídua da “Revista da ANL” (com novo visual e interessante conteúdo), encontros literários, concurso “Câmara Cascudo e a Identidade Nacional”, dentre outras tantas realizações. Vale destacar, além da atuação do seu Presidente e membros-acadêmicos (o valoroso Carlos Roberto de Miranda Gomes é o mais recente deles), a importante contribuição de Thiago Gonzaga e Francisco Martins, colaboradores permanentes e imprescindíveis daquela casa de letras e de cultura potiguar. 

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte vem produzindo cultura (e não somente ciência) com seriedade, bastando buscar para encontrar gemas valiosas como as preciosidades que estão na sua produção recente de livros, nas exposições artístico-visuais, na música da EMUFRN (esta possuidora de talentos individuais, grupos de elevado nível e uma espetacular orquestra, que no presente momento se apresenta e labora parcerias educativas e musicais por terras alemãs).

Do Seridó – mais especificamente de Currais Novos – vêm nos chegando sempre as melhores notícias acerca de um grupo artístico-literário que se reúne num denominado “Casarão da Poesia”, de lá surgindo belezas musicais, dramáticas, visuais, literárias que somente confirmam a qualidade do que sempre se produziu naquela região digna, mítica e bela. Gente como Wescley J. Gama, Iara Maria Carvalho, Theo G. Alves, Luma Carvalho, Maria Maria Gomes, além de muitos outros que a esses se assomam, têm feito um trabalho decente e que merece a mais forte atenção e apoio, até porque se espraia pela coletividade. E o Seridó é produtivo por todo lado. É terra que, nesse campo da cultura, sempre nos dá bons frutos. 

De Mossoró e arredores são tantos os bons nomes e os bons acontecimentos que nem me atrevo a citá-los, bastando lembrar que anda e verseja por lá um dos maiores poetas que o Rio Grande do Norte já possuiu e possui, bem vivo e dinâmico: Antônio Francisco, um gigante na arte de poetar, por escrito e no gogó. Antônio Francisco, diga-se, supera qualquer discussão mesquinha sobre eventual dualidade “erudito versus popular”. É POETA e pronto. E ponto.

Importante destacar, ainda, que a Samba (Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências), entidade cultural do reduto boêmio natalense, está com nova Diretoria, capitaneada por Tárcio Fontenele. E promete realizar coisas boas pra todas as gentes. De perto. De longe. Também vale firmar que esta nossa Tribuna do Norte tem trazido novos e competentes colegas colaboradores que escrevem sobre cultura e arte, ampliando a possibilidade da discussão nessa seara e na imprensa escrita. E o site cultural Substantivo Plural (www.substantivoplural.com.br), do aguerrido Tácito Costa, completa, neste mês de junho, oito anos de existência intimorata.  E como há muito mais a falar e mais nomes e pessoas a lembrar, trarei adiante outras misturadas e ajuntadas anotações acerca da cena, à luz da “potiguaressência”. 

terça-feira, 23 de junho de 2015

   
Marcelo Alves

Sobre Montesquieu

Charles-Louis de Secondat (1689-1755), o barão de Montesquieu, foi, na França do período iluminista, homem público, escritor e, sendo isso o que mais interessa ao direito, um pensador político à frente do seu tempo.
Montesquieu (foi assim que Charles-Louis de Secondat restou conhecido na história) nasceu em Bordeaux (mais precisamente no “Château de La Brède”), região francesa famosa por seus vinhos, em 1689, no seio de uma família aristocrática. Sua mãe era inglesa; seu pai, francês. Teve uma educação católica e iluminista no famoso “Collège de Juilly”. Iniciou seus estudos de direito na Universidade de Bordeaux com apenas 16 anos, formando-se em 1708. Mudou-se para Paris, retornando ao torrão natal alguns anos depois em razão do falecimento do pai. Em 1714, tornou-se conselheiro do Parlamento de Bordeaux. Casou-se com a rica Jeanne de Lartigue em 1715, o que já lhe proporcionou uma confortável situação financeira. No ano seguinte, com a morte de um tio, herdou grande fortuna, assumiu a Presidência do Parlamento de Bordeaux (casa que presidiu de 1716 a 1726) e virou o “Barão de Montesquieu”. Tornou-se membro da Academia Francesa. Viajou bastante por toda Europa, frequentando importantes círculos intelectuais e políticos, sendo marcante para sua formação cultural a estada na Inglaterra, de 1729 a 1731. Até pela sua origem, Montesquieu, apesar de combater o absolutismo monárquico, nunca foi um revolucionário. Era no máximo um liberal, à moda de John Locke (1632-1704), o famoso filósofo empirista inglês. Montesquieu faleceu em Paris, em 1755, achando-se sepultado na belíssima igreja parisiense de Saint-Sulpice.
Montesquieu escreveu proficuamente. Ganhou fama com suas “Lettres persanes” (“Cartas persas”), de 1721, sátira aos costumes, à mentalidade e às instituições políticas e religiosas francesas de sua época (sob a forma de cartas escritas por dois visitantes persas, que, para os seus conterrâneos, descrevem o que veem em Paris), que é considerada por Jean-CLaude Berton um dos “50 romans clés de la littérature française” (em gostosíssimo livrinho com esse título publicado pela editora Hatier). De 1734 são suas “Considérations sur les causes de la grandeur des Romains et de leur décadence”, que antecipam (e inspiram) em algumas décadas a famosíssima obra de Edward Gibbon, “The History of the Decline and Fall of the Roman Empire” (“A História do Declínio e Queda do Império Romano”), publicada entre 1776 e 1789. De 1748 é “De l'esprit des lois” (“Do espírito das leis”), obra de Montesquieu que mais interessa a nós, estudantes do direito.
“De l'esprit des lois”, obra volumosa, está cheia famosos “insights” de Montesquieu no campo da ciência política, especialmente suas definições, com os respectivos corolários, de monarquia, aristocracia, democracia, despotismo, tirania, oligarquia, demagogia e por aí vai. Entretanto, no que toca à ciência política e ao direito, a reputação de Montesquieu reside, em grande medida, na sua formulação (e, mais do que isso, na divulgação dessa formulação) da teoria da separação dos poderes, presente em “De l'esprit des lois” e consagrada hoje na unanimidade (pelo que conheço) das constituições democráticas. Pressentida por Aristóteles (384-322a.C.), esboçada na China, no século VII, pela dinastia Tang, esquematizada por São Tomás de Aquino (1225-1274), a teoria da separação dos poderes ganhou com Montesquieu um nova roupagem que, acuradamente ou não, acabou chegando aos nossos dias, entendida como receita de liberdade e peça fundamental para o poder político atuar corretamente.
É verdade que a formulação da teoria da separação de poderes feita por Montesquieu em “De l'esprit des lois” não tinha a sofisticação – ou, melhor dizendo, a abrangência – que se costumou posteriormente atribuir-lhe. Tem-se às vezes a impressão, por exemplo, que Montesquieu não considerava o Poder Judiciário como verdadeiro poder. Mas o fato é que Montesquieu desenvolveu, com grande repercussão graças à polêmica gerada pela sua obra, uma importante faceta do constitucionalismo: a distribuição da autoridade, pressuposto fundamental para exercício democrático do poder e para a liberdade dos cidadãos, evitando o abuso no uso daquela (da autoridade) por qualquer dos poderes do Estado. Registre-se que Montesquiu inflenciou profundamente o pensamento político e jurídico na Inglaterra e, sobretudo, nos Estados Unidos da América. James Madison (1751-1836), sobre quem já escrevi aqui (vide o artigo “Sobre James Madsion), em particular, era grande admirador de Montesquieu, citando-o frequentmente em seus escritos em prol da Constituição americana.
Por fim, é fato que a concepção contemporânea da teoria da separação não é rígida a ponto de impedir totalmente o exercício, por um dos poderes do Estado, de função, em regra, atribuída a outro Poder. Acho que nunca foi, na verdade. Mas também é fato que, nos dias de hoje, presenciamos o desenvolvimento de uma “nova” concepção do princípio da separação dos poderes, de um novo constitucionalismo, quase uma “revolução”, cuja faceta mais vísivel talvez seja o crescente “ativismo judicial”, que abandona a ideia da “séparation des pouvoirs” e consagra a ideia de uma “sharing of powers”.
Mas isso é assunto para outra conversa.
Marcelo Alves Dias de Souza
Procurador da República
Mestre em Direito pela PUC/SP
Doutorando em Direito pelo King’s College London – KCL

segunda-feira, 22 de junho de 2015

O PRAGMATISMO DAS EMOÇÕES

 vinheta19
            Engenheiro e professor de matemática, o meu amigo paulista era frio como uma montanha de gelo da Antártica. No curso de turismo, tínhamos uma aluna que era aeromoça. Alta, cabelos castanhos, olhos azuis e corpo perfeito; era uma máquina, um avião, um monumento, uma boazuda – como se dizia antigamente. Como vivia viajando, também vivia apresentando atestado médico na secretaria da universidade, para abonar suas faltas. O abono era automático, na forma da Lei. Desconfiado, o meu amigo consegui o plano de escala da empresa aérea e exigiu que a secretaria colocasse faltas nos dias que a aluna estava ausente a trabalho. Em outra oportunidade, quando eu estava presidindo uma comissão de greves de professores da universidade (particular, diga-se de passagem), ele foi o único a não aderir, dizendo que, matematicamente, um professor a mais ou a menos nada representaria num universo de 150. Embora concordando conosco, nada adiantou nossos argumentos. Foi para a faculdade, assinou o ponto e só não deu aula porque não havia alunos.
            Embora na prática ele tenha sido um “fura greve”, teoricamente ele estava a favor da greve. Ele era assim mesmo. Emoção não fazia parte dos seus sentimentos. Só nos restava entende-lo. Certo dia, antes do início das aulas, estávamos na sala dos professores discutindo política quando ele expressou sua opinião sobre o assunto: em política só fazia uma coisa, votar. Discutir não levaria a nada e um voto só também não. Somente votava porque era obrigado por Lei. Todos nós caímos em cima dele, todos falando ao mesmo tempo. Não adiantou nada. Sua resposta foi que emoção não resolve problemas. Dirigindo-se a mim, disse: “sua origem nordestina diz tudo, pois o nordestino é um emotivo por excelência”. Ai o professor Renato entrou na conversa: “Sou paulista, paulistano, também engenheiro e professor de matemática e emotivamente fanático torcedor do São Paulo. E ai, qual a sua explicação?”. “Contaminação, pelo convívio” – foi a resposta do paulista pragmático.
            Um belo dia, ele que nunca faltava e até sempre chegava bem antes do horário, faltou às aulas. Todo mundo teve o mesmo pensamento: acidente, pois ele não tinha avisado nada com antecedência, como seria do seu feitio. Depois soubemos a causa. O nosso amigo tinha estado em uma cidade da área metropolitana da capital paulista, fazendo um trabalho. Quando regressa, se deparou com um tremendo engarrafamento na estrada, provocado por um protesto de MST. Esperou a policia chegar, e nada. Apelou para o celular, para avisar a secretaria da universidade, e não havia linha. Argumentou com os manifestantes, e não conseguiu nada. Então deixou o pragmatismo de lado e partiu para a discussão direta, se inflamou e terminou levando uns pescoções dos “sem terras”, mas com muitas emoções. Tudo isso foi ele mesmo que nos contou no dia seguinte… com um olho roxo, lembrança do entrevero da véspera.
            Muito embora ainda mantivesse uma certa fleuma de paulista quatrocentão, nunca mais foi o mesmo. Deixou de questionar os atestados da aeromoça, no ano seguinte queria participar da greve, se tivesse havido e na sala dos professores – não era sempre, mas de vez em quando – passou a discutir política. Entretanto, o máximo do máximo foi quando ele pediu ao Renato para ir com ele ao Morumbi, assistiu a um jogo do São Paulo.
            Os seguidos acidentes com aviões e até com helicópteros – no mundo e por aqui mesmo – fizeram-me lembrar do meu colega ex-pragmático. Os pragmáticos pensariam que, ninguém, em sã consciência, deixaria que as coisas chegassem aonde chegaram. Porém nós, os emotivos, já tínhamos como anunciadas as tragédias que estão acontecendo. A sequência de irresponsabilidade e os constantes sinais de incompetência só poderiam resultar em consequências graves. Dizer que a culpa é da localização de aeroportos e outras que tais é fugir do real, atribuir ao intenso tráfego aéreo não é balela (aviões chegam para pousar no aeroporto de São Francisco a uma taxa de 1 a cada 45 segundos) ou pode ser; eu não sei. Mas a maioria das vezes é mesmo de irresponsabilidade e incompetência.
            Não adiante emotivamente bazofiar, dar murro na mesa, fazer lamentações públicas, criar comissões de estudos, exigir explicações, dar prazos para solução dos problemas no céu e na terra, se ninguém faz nada de concreto. Se após os acidentes os governos anunciam providências a tomar, por que não as tomam antes que pessoas morram?
O pragmatismo às vezes nos leva ao engano, as emoções geralmente são enganadoras.

domingo, 21 de junho de 2015

Resultado de imagem para deputado agnelo alves 

Notícias dadas por correspondentes virtuais meus, informam o falecimento hoje, no início da tarde, do Deputado Estadual, ex-Senador e ex-Prefeito de Natal, Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras AGNELO ALVES.
Em razão de declarações equivocadas divulgadas anteriormente, mantive contato com pessoas ligadas ao Deputado, que confirmaram o acontecimento.
Este blogueiro apresenta as condolências à família enlutada e se compromete a oportunamente publicar o perfil do pranteado político.
O TEMPO DAS COISAS É O TEMPO DAS COISAS

Por Flávio Rezende*

         Ao longo de nossa passagem pela materialidade ao tempo em que existimos, vamos gostando de coisas e mais coisas e, depois, valorizando mais outras e, abandonando algumas, ou até mesmo deixando no cantinho para que não morram e possam voltar – ou não, em novos tempos ou em momentos a posteriori.
         E nesse gostar e odiar coisas e mais coisas, o tempo dessas coisas é o tempo dessas coisas, sem que aparentemente possamos conscientemente dizer por quais e tais motivos as coisas são importantes em alguns momentos e, em outros, são meras lembranças. A vida é assim e nenhuma filosofia mais complexa e profunda tira da transitoriedade das coisas, essa coisa das coisas serem assim e assim são e pronto.
         E essas coisas que são e essas coisas que foram e essas coisas que serão, são coisas que jogamos carinhoso olhar no retrovisor ou que no momento gostamos de falar sobre as mesmas, lembrando agora de quantas coisas já gostei e que hoje não tem mais importância alguma, citando as lutas de boxe que envolviam Muhammad Ali, Joe Frazie, Mike Tyson, George Foreman;  a Fórmula 1 com Senna; os clássicos Flamengo e Fluminense, mantendo apenas relativo interesse por futebol, mais em solidariedade a meu filho Gabriel Kalki que quer ser jogador, que mesmo por achar muito legal os jogos e pelejas atuais.
         Assuntos que já dominaram minha mente e eram temas constantes em meus “escritos”, hoje são apenas reminiscências como a questão ecológica que continuo gostando mais no aspecto de cumprir minhas obrigações para um mundo melhor, mas nada que me ocupe mais que leituras e presença em eventos pontuais. A questão da religião, onde fui entusiasta militante, hoje é interessante no que diz respeito agregar uma ética ao existir, ficando cada vez mais claro que a essência religiosa de tudo é uma postura e que todas as coisas relacionadas, são apenas experiências dos outros e, que em determinados momentos, servem ou não servem para condutas que julgo corretas em meu existir terreno.
         E nesse fluir atualmente tenho me interessado em escrever sobre a questão política nacional e, vários amigos em grupos de convivência cibernética, criticam certa constância e insistência neste setor, no que respondo, que fosse eu cirurgião, certamente passaria o dia realizando procedimentos relativos a este mister ou, fosse corretor, igualmente estaria tecendo loas sobre apartamentos e mansões, buscando potenciais compradores para os imóveis que estivessem a venda neste universo comercial tão dinâmico na atualidade.
         Como sou escritor e jornalista e movido sempre a prática da escrita, é esse assunto que me inspira e me vem à mente, pedindo perdão a quem se incomoda, mas ao mesmo tempo pedindo vênia posto que livre, posso divagar e expressar o que bem entenda, ficando a critério do leitor ler ou não, concordar ou não, sendo normal e democrático o processo de balançar a cabeça afirmativamente ou negativamente, em lagartixística participação neste relacionamento que os escritores mantém com seu público receptor.
         Pode ser que essa coisa de criticar as posturas do Partido dos Trabalhadores na atualidade seja coisa de marido traído. Como era simpatizante, votante e defensor intransigente do PT, acreditava piamente que ele mudaria todas as práticas políticas vigentes, implantando verdadeiramente posturas corretas e éticas neste mar de lama em que nos encontramos faz tempo.
O fato de descobrir que era tudo farsa, que por debaixo do pano a prática dos líderes era igual ou pior de tudo que tanto falávamos e combatíamos, tudo isso me levou a um estado de chateação tão grande, uma amargura, uma perda de esperança tão profunda, que encontrei nessa coisa de baixar o cacete, uma certa remediação, uma certa obrigação para comigo mesmo e, nesta coisa ainda presente, continuarei até que um outro assunto, se faça presente e, minha mente, naturalmente, passe a gostar, se inspirar e simpatizar com algum outro assunto.
         Enquanto isso não acontece, sigo fazendo o que gosto, expondo o que vem de dentro para que externamente, possa ter serventia para alguém ou, simplesmente, extravase algo que é natural em quem produz textos como vício e com essa coisa de satisfação pessoal e profissional.

·       * É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)