sábado, 1 de dezembro de 2012

Com presença de Ophir, OAB/RN 

realiza solenidades em 

comemoração aos 80 anos 

da Seccional Potiguar

por Anne Medeiros
Imagem Interna














A Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Norte 
realiza na próxima segunda-feira (03) solenidades em 
comemoração aos 80 anos da Seccional Potiguar 
com a presença do presidente nacional da OAB, 
Ophir Cavalcante. Na programação, estão previstos: 
lançamento da pedra fundamental da nova sede 
da Seccional, inauguração do Largo Advogado 
Raimundo Nonato Fernandes, bem como 
homenagens aos ex-presidentes, aos advogados 
mais antigos em atuação no Estado, funcionários, 
bem como será comemorado o centenário de 
Otto de Britto Guerra e entregue a 
Medalha Amaro Cavalcanti.

O lançamento da pedra fundamental acontecerá às 

15h30 no terreno que fica no bairro de Candelária. 
A nova sede, que terá as obras iniciadas no 
primeiro semestre de 2013, contará com auditório 
para 500 pessoas, salas para Escritório Modelo,
Clínica do Advogado, Assistência Jurídica, 
Caixa de Assistência do Advogado 
e Escola Superior de Advocacia.

A inauguração do Largo Advogado Raimundo 

Nonato Fernandes 
será às 17h na sede da OAB/RN em Cidade Alta. 
A homenagem in memorian contará com a 
presença dos familiares do ilustre advogado 
que muito honrou a Advocacia do Rio Grande do Norte.

Já as homenagens aos ex-presidentes, aos 

advogados mais antigos em atuação no Estado, 
funcionários, ao centenário de Otto de 
Britto Guerra e a entrega da Medalha Amaro 
Cavalcanti acontecerão às 19h no auditório 
do Centro de Operações da 
Justiça Eleitoral (COJE) em Morro Branco.

A Medalha é a comenda máxima conferida 

pela OAB/RN, uma única vez no prazo do 
mandato do Conselho, à grande 
personalidade da Advocacia Potiguar a quem 
tenha consagrado sua vida ao direito e à justiça. 
Na solenidade dos 80 anos, será entregue 
ao ex-presidente Carlos Roberto de Miranda Gomes.

A OAB/RN foi criada em 22 de outubro de 1932 e seu 

primeiro presidente foi Francisco Ivo Cavalcanti.
Homenageados:

• Ex-presidentes
FRANCISCO IVO CAVALCANTI
MANOEL VARELLA DE ALBUQUERQUE
JOSÉ ÁUREO LINS BAHIA
JOÃO MEDEIROS FILHO
SILVINO BEZERRA NETTO
DJALMA ARANHA MARINHO
CLAUDIONOR TELÓGIO DE ANDRADE
EIDER FURTADO DE MENDONÇA E MENEZES
VALDIR DA SILVA FREIRE
CARLOS ANTONIO VARELLA BARCA
ROBERTO BRANDÃO FURTADO
MARIA LÚCIA MACIEL GOMES NETO
MÁRIO MOACIR PORTO
ARMANDO ROBERTO HOLANDA LEITE
ADILSON GURGEL DE CASTRO
JOSÉ DE RIBAMAR DE AGUIAR
CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES
ODÚLIO BOTELHO MEDEIROS
HÉLIO XAVIER DE VASCONCELOS
CAIO GRACO PEREIRA DE PAULA
VALÉRIO DJALMA CAVALCANTI MARINHO
VICENTE VENÂNCIO DE OLIVEIRA
JOANILSON DE PAULA REGO
PAULO EDUARDO PINHEIRO TEIXEIRA

• Advogados
CLEOBULO CORTEZ GOMES
MEROVEU PACHECO DANTAS
JOSE MARIA GAMA DA CAMARA
MARIA MARGARIDA SIMPLICIO DE SOUZA
JUVENAL ESTEVAM DE ANDRADE
NATERCIA NUNES PROTASIO
MAURILIO BESSA DE DEUS
JOSÉ FIRMINO DE MORAIS
NIVALDO MORENO PINHEIRO
ANDRIER ABREU
EWERTON FLORENCIO DA COSTA

• Funcionários
REJANE GOMES MEIRA LIMA
MANOEL VITOR PEREIRA
MARIA NELI DE OLIVEIRA

Tit Informativo



NATAL É CITADA NA MÍDIA NACIONAL
Carlos Roberto de Miranda Gomes, advogado e escritor

Mais uma vez a cidade de Natal é manchete na mídia nacional, a teor do que publica a Folha de São Paulo deste derradeiro dia de novembro.
Infelizmente, a evidência não é pelo fato de ser a “Cidade do Natal”, nem mesmo do execrável Carnatal, ou roteiro turístico, mas pelo descaso, irresponsabilidade, incompetência do governo municipal, que se descurou do planejamento mais singelo, em relação às necessidades mais elementares e prioritárias, indispensáveis à sua sobrevivência.
Lixo nas ruas, buracos em monta, orla marítima sem conservação afastando os turistas, servidores sem pagamento, fornecedores idem, saúde pública comprometida e objeto de corrupção e agora, a bola da vez, a educação, que está à beira do recesso forçado, posto que sem professores, sem merenda ou merendeiros, tudo pela inadimplência irresponsável para com os que fazem a estrutura educacional do Município.
O que impressiona é a conivência do Prefeito de emergência, pois mantém nos postos secretários comprovadamente incompetentes, que estão apenas pastorando os cargos e recebendo subsídios, pois não tiveram competência para minimizar o caos e não mostraram a iniciativa de entregarem seus cargos.
Praticamente, o único Secretário em efetiva atividade, e com resultados visíveis, é o Procurador Geral Francisco Wilkie. Este merece respeito.
Natal em colapso, diz a matéria, a Prefeitura decreta estado de calamidade pública na saúde, Município sem aulas, sem professores, sem saúde, sem turistas, sem vergonha.
Enquanto isso, transfere recursos vultosos para a Câmara Municipal, que não assume as suas responsabilidades para intervir nessa situação sem controle.
Isto tudo é um desrespeito à população, um escárnio à coisa pública, um desgoverno imperdoável, um somatório de omissões.
Estamos atravessando a maior crise da nossa história e não se presta os devidos esclarecimentos de nada e a ninguém. Vivemos tempos terríveis, que nos lembram o clima da Revolução Francesa e a Queda da Bastilha.
Para tudo há um tempo certo, diz o livro do Eclesiastes – AGORA É TEMPO DE SE CRIAR VERGONHA.
E o governo do Estado que se cuide!



sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O JH DEVE SER PRESERVADO
Carlos Roberto de Miranda Gomes, advogado e escritor

Nos últimos dias o assunto sobre a alienação do velho Estádio Juvenal Lamartine vem tendo espaço na mídia.
Há pronunciamentos favoráveis a uma permuta; outros em conservação e restauração; outros, ainda, pela transformação em um bosque e outras indicações.
O jornalista Albimar Furtado retratou bem o tema em seu artigo de hoje no Novo Jornal, recordando momentos históricos daquele equipamento público e fazendo ponderações racionais, onde conclui pelo aproveitamento das ideias da Professora Eleika Bezerra, reafirmada pelo Arquiteto Moacyr Gomes, no sentido de se fazer ali uma área verde. 
É por aí a solução.
Não se deve preservar simploriamente, mas oferecer um patrimônio da história local com sustentabilidade.
Primeiro, devem ser restauradas as arquibancadas originais, pois elas têm um modelo arquitetônico a ser preservado. O mais seria realmente arborizar convenientemente o local, com construção de restaurante, pequenas lojas e um museu do esporte, reservando-se a área da frente para estacionamentos, mas restaurando o pórtico de entrada e parte do muro da forma como foi inaugurado.
Lembrem-se do Bosque do Central Park de Nova York e outras dessas maravilhas que temos em algumas capitais no Brasil.
Vender prá que? Vamos respeitar, pelo menos um pouco, do que restou de um passado feliz desta cidade dos Reis Magos. Quem não lembra do parque de brinquedos da Praça Pedro Velho. Ali passei muitas tardes de domingo com os meus filhos. É inesquecível!
Poderíamos repetir no JL algo parecido. Parece até um sonho!
Tem razão Albimar - "Abra-se ao uso público e ela ficará repleta de gente, como estão hoje o Bosque dos Namorados e o Mangueirão". 
O velhinho aqui vai comprar mais uma briga, como já está fazendo junto a Valério Mesquita, para tornar o Instituto Histórico de Geográfico do Rio Grande do Norte, um equipamento para acesso público e preservação do seu acervo, através da digitalização de documentos e obras, de forma a permitir consultas e pesquisas através de computador, sem os riscos de desgaste dos originais.
Salvemos o nosso patrimônio, que é parte da história e, com essa providência restauremos nossos costumes, nosso folclore, nossos folguedos e nossas tradições.
O progresso só se justifica com a preservação da história, que constitui o amor à terra mãe.


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

H O J E

EVENTO PROGRAMADO PELA 
UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES 
DO RIO GRANDE DO NORTE

NOITE DE AUTÓGRAFOS DE 

MARIA RIZOLETE FERNANDES, 


COTIDIANAS

DATA: 29-11-2012
HORA: 19H
LOCAL: ACADEMIA NORTE-RIO-GRANDENSE 
DE LETRAS


H O J E

JOÃO FAUSTINO LANÇA:

 EU PERDÔO


JOÃO FAUSTINO FERREIRA NETO

A partir das 19 horas, no Salão de Eventos 
Cardeal Sales 
(ao lado da Igreja de Santa Teresinha, 
da rua Rodrigues Alves). O professor e político, 
o autor revisita a “via crucis” a que foi submetido 
no decorrer do ano passado, quando foi envolvido
num escândalo que culminou com sua 
internação hospitalar, para cuidar do coração. 
O livro tem a apresentação do senador Aloysio 
Nunes Ferreira e é prefaciado pelo advogado, 
escritor e poeta Diógenes da Cunha Lima. 
O professor relata ao longo de mais de duzentas
páginas, as idas e vindas de sua luta para 
limpar seu nome, inclusive transcrevendo 
artigos e crônicas que foram publicados em 
jornais locais em seu favor. 
EDILSON JÚNIOR CONVIDA




ESA divulga programação dos cursos telepresenciais no mês de dezembro

A Escola Superior de Advocacia da OAB/RN realizará cursos telepresenciais gratuitos no mês de dezembro, na sede da Seccional Potiguar, com os seguintes temas: visão tradicional e moderna dos contratos, novas Súmulas do Tribunal Superior do Trabalho e Teoria Geral do Processo Judicial Eletrônico. As aulas serão ministradas por renomados profissionais e são voltadas para advogados, estudantes e interessados.

As inscrições já podem ser feitas pelo e-mail esa@oab-rn.org.br, bastando encaminhar nome e telefone, e doar 02 kg de alimentos não perecíveis, no primeiro dia do curso, para serem encaminhados à instituição de caridade. Agende-se e participe.

Cursos Telepresenciais - Transmissão via satélite
Horário: 9h e 18h (veja programação na íntegra)
Inscrições: 02 kg de alimentos não perecíveis – na sede da OAB/RN
Local: Auditório da OAB/RN
Informações: (84) 4008-9400 - esa@oab-rn.org.br

quarta-feira, 28 de novembro de 2012


NOVA DIRETORIA DO IHGRN VEM FAZENDO REUNIÕES PREPARATÓRIAS PARA A SUA GESTÃO SOB A DIREÇÃO PRESIDENTE VALÉRIO MESQUITA

OS PRESIDENTES 
(FUTURO) VALÉRIO MESQUITA E 
(ATUAL) JURANDYR NAVARRO.
VALÉRIO MESQUITA E ORMUZ SIMONETTI.
GEORGE VERAS, CARLOS GOMES, 
LÚCIA HELENA, TOMISLAV
 FEMINICK, ORMUZ SIMONETTI,
ODÚLIO BOTELHO E VALÉRIO 
MESQUITA, NA ENTRADA DO IHG/RN.
VALÉRIO, ORMUZ E JURANDYR NAVARRO.
CARLOS GOMES, ODÚLIO BOTELHO 
E LÚCIA HELENA PEREIRA.
JURANDYR NAVARRO E TOMISLAV
FEMINICK
PLENÁRIO
GRUPO REUNIDO DESTE 27-11-2012.
PRESENÇA DO JORNALISTA DA 
TRIBUNA DO NORTE - YUNO SILVA, 
FAZENDO
MATÉRIA COM OS DIRIGENTES 
DO IHG/RN.
 PESQUISADOR JOÃO FELIPE 
DA TRINDADE E VALÉRIO MESQUITA.

DLAGRANTE DA REUNIÃO


A UBE/;RN, ATRAVÉS DO SEU PRESIDENTE, INFORMA COM TRISTEZA, O FALECIMENTO DE RAIMUNDO SOARES DE BRITO, EM 27-11-2012.

 UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES/RN
RAIMUNDO SOARES DE BRITO

O PRESIDENTE DA UBE/RN - 
DR. EDUARDO GOSSON - 
SOLIDARIZA-SE COM OS FAMILIARES E 
TODA A CLASSE CULTURAL, HISTÓRICA E 
LITERÁRIA DO RN, PELO FALECIMENTO DE
 RAIMUNDO SOARES DE BRITO, OCORRIDO 
ONTEM, 27-11. 
O VELÓRIO ACONTECEU NO CENTRO DE
VELÓRIO DA RUA SÃO JOSÉ, ATÉ ÀS 5 
DESTA MANHÃ - 28-11, EM NATAL. 
E O TRASLADO
 DO CORPO SEGUIU EM 
CARAVANA 
PARA O SEPULTAMENTO NO 
CEMITÉRIO NOVO 
DE MOSSORÓ/RN. 
 FICAM OS EXEMPLOS DO GRANDE E 
NOBRE ESCRITOR, NOTÁVEL 
HISTORIADOR MOSSOROENSE - 
RAIMUNDO SOARES DE BRITO.

H O J E
EVENTO PROGRAMADO PELA 
UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES 
DO RIO GRANDE DO NORTE


MEMÓRIA DE UMA TRÍPLICE JORNADA

C O N V I T E

O presidente da UBE/RN - Eduardo Antonio 
Gosson - 
tem a satisfação de convidar para a noite de 
autógrafos de 
Espedito Moreira de Mello, 
lançando: "Memórias de uma Tríplice Jornada". 
O autor, aos oitenta anos, descobre-se escritor, 
produzindo um livro de excelente qualidade. 
É o livro vol. 01, da Coleção Enélio 
Petrovich (História/Memória). 
Orelhas do escritor J. de Castro, 317 págs. 

Data: 28.11.2012 - Hora: 18h 
Local: Aademia Norte-Rio-Grandense de Letras

terça-feira, 27 de novembro de 2012


Assaltantes renderam vigilante e roubaram pertences de funcionárias.
Crime foi registrado no final da tarde desta terça (27), em Cidade Alta.

Assaltantes armados invadiram o prédio anexo da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio Grande do Norte, no bairro de Cidade Alta, em Natal, e realizaram um arrastão no local, de acordo com a assessoria da própria entidade e a Polícia Militar.
O crime foi registrado no final da tarde desta terça-feira (27). Os criminosos, ainda de acordo com o informado, renderam o vigilante e levaram os pertencentes de algumas funcionárias que estavam no prédio anexo da OAB.
Ao G1, o comandante geral da PM, coronel Francisco Araújo Silva, revelou que os suspeitos são dois jovens ainda não identificados, mas é possível a participação de um terceiro. “Recebemos a informação de que dois entraram, mas acreditamos que, possivelmente, existia mais um dando apoio do lado de fora”, disse ele.
“Os delinquentes fugiram para o Paço da Pátria e estamos em diligência para localizá-los”, acrescentou o comandante.
Minha pergunta é quando o governo vai nomear os aprovados do concurso da policia militar e civil ??? Até quando vamos ficar sustentando vagabundos??? 
Fonte: G1

EVENTO PROGRAMADO PELA 
UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES 
DO RIO GRANDE DO NORTE
H O J E


DATA: 27-11-2012
PATRONOS ESCOLARES

HORA: 19 H
LOCAL: SOLAR BELA VISTA
GEORGE VERAS
ORGANIZADOR DO LIVRO

segunda-feira, 26 de novembro de 2012


Jesiel Figueiredo - Foto: Sandro Fortunato
Estamos vivendo a última semana de novembro e temos um calendário de eventos culturais. comecemos, então, pela lembrança de quem fez cultura, às vezes, solitariamente, e agora mereceu a relembrança de um jornalista e escritor de respeito:
JESIEL FIGUEIREDO VIVE
Por Franklin Jorge l Novo Jornal, 26 de Novembro de 2021
Fundador do Teatro Moderno no Rio Grande do Norte, Jesiel Figueiredo marcou uma época em Natal, sobretudo como empreendedor cultural, diretor e formador de plateias e, por fim, como professor, oficializando assim uma vocação que engrandecia o seu talento cênico. Durante sua vida ativa, Jesiel representou e encarnou a essência mesma do Teatro – a arte da transformação.
Creio que é herança deixada por Jesiel essa ampla e crescente acolhida do teatro pelo natalense; essa predisposição para o teatro é, em grande parte, fruto do trabalho de um homem que, por 20 anos, sem descanso e sem desanimar-se com obstáculos e humilhações que sublimava em função do seu amor ao teatro, plantou num público infantil o gosto por essa magia a que os atores dão vida e faz do público partícipe. Este germe cultural Jesiel inoculou em milhares de crianças que passaram a frequentar, todos os domingos, o único programa destinado a crianças então existente.
Bom diretor e ator sofrível, Jesiel realizou admirável trabalho de educador. Utilizou o teatro em seu mais rico espectro, como parte de um processo educativo que nos tem dado bons frutos, entre os quais, o empenho em formar plateias a partir da criação de um “teatro infantil” regular, apresentado o ano inteiro, fomentando assim entre as crianças e seus pais o habito do espetáculo. Hoje, já não nos podemos queixar da inexistência de público. O que inibe e atrapalha significativa parcela do público de teatro – parafraseando Shakespeare – é o preço do ingresso!
Durante duas décadas, todos os domingos, havia em Natal um programa que alimentava a fantasia de um público fiel e participativo, o “teatro infantil de Jesiel”, um sucesso permanente, exemplo de persistente abnegação, um fato memorável na crônica do Teatro Alberto Maranhão. E tudo isso numa época em que não se cogitava de profissionalismo, fez Jesiel do teatro meio de vida e lutou pelo direito do artista ao trabalho.
Hoje o seu nome, entre nós, está esquecido ou pouco lembrado; e creio mesmo que, diante de tão grande desapreço pela Cultura – pela cultura que é conhecimento -, seriam poucos a saber redimensionar a grandeza dessa contribuição de Jesiel Figueiredo ao Teatro e a todo esse processo que se traduz em um habito salutar que tem assegurado a ida do natalense às salas de espetáculos, como opção de lazer e divertimento.
Artistas Unidos, seu grupo, fez experiência pioneira, despertando nosso teatro ate então provinciano, caudatário de uma cultura circense de dramalhões sentimentais ou de comédias ligeiras e insípidas, para uma dramaturgia nova que expulsou de vez dos nossos palcos o amadorismo tosco ou o comodismo prático de dois entre três grupos de teatro. Saímos, com Jesiel, do teatro digestivo para um teatro de ideias que incentivava ao pensamento e à reflexão. Assim, deu-nos em espetáculos marcados por profissionalismo, peças de autores como Albert Camus (“Calígula” que lhe daria o Prêmio de Direção no V Festival Nacional de Arcozelo/RJ, em 1968), Shakespeare, Eugene O´Neil, Molière, Sófocles, Nelson Rodrigues, Antonio Callado etc. difundiu entre nós os clássicos e os contemporâneos. Empenhou-se em dar-nos, em panorâmica, uma cartografia do teatro em sua pluralidade de gêneros e estéticas.
Ainda me lembro do deslumbramento que senti ao descobrir sua biblioteca, constituída por uma bem escolhida bibliografia especializada e, naquela época, quase inacessível aos curiosos do teatro. Lá, deparei-me com a mais seleta e representativa dramaturgia contemporânea. Generoso, permitiu-me que lesse tudo aquilo, sem restrição alguma. Li e reli avidamente todas aquelas obras, inclusive a parte relativa aos estudos dramatúrgicos e técnicos que me descortinaram a estética, as ideias e a formação cultural de consagrados diretores, como Stanislavski, Meyerold e Brecht. Fiquei por dentro do teatro clássico e moderno e, em alguns momentos, pude acompanhar o seu processo de trabalho, como diretor, desde a concepção do espetáculo à preparação do ator e encenação. Foi, nesse âmbito, um dos meus mestres.

domingo, 25 de novembro de 2012


RELEITURAS POÉTICAS


BIZÂNCIO 
(o poema reescrito)

A noite
guardo-a comigo

Não perdi Bizâncio

Dos conflitos afasto
armas e olhares mortais
e tudo que destrói pelo ódio

Não perdi Bizâncio
como quer
a crônica medieval tardia
que sobrepõe império
a império
num jogo de ilusão
e fantasia

E longe do assédio das disputas
vejo-a perene
com as flâmulas
do heroísmo de quem ama

Mortos?
o oráculo diz que não há mortos
ou sequer a morte

Há uma cruz:
in hoc signo vinces

Há um escudo para o tempo
e não são surdas essas muralhas
abertas à memória

Nas cisternas repletas
a água entoa o som imóvel
o cântico do silêncio

E continuam a comover-me
a tarde púrpura
o declínio do sol no ocidente
o acender das luzes no terraço sobre o Bósforo
o abraço da noite.

                                   Horácio Paiva


MEU SERTÃO DE ANTIGAMENTE

O fogão era a lenha;
O café era torrado em casa, batido no pilão;
A panela era de barro;
O sabão era em pedra, de oiticica;
O banho era de cuia e de balde;
O vaso de sanitário era de cimento e latrina;
A lâmpada era o candeeiro, a piraca e a lamparina;
A geladeira era o pote e a moringa;
O bebedouro era a 'quartinha';
A piscina era o açude;
O carro de lixo era a carroça;
O sapato era a sandália de couro;
A televisão era o rádio de marca ABC;
A fechadura era a tramela;
O supermercado era a bodega;
O baile era o assustado;
O mosquiteiro era o esterco de boi;
O refrigerante era o ponche de limão;
O carro era a carroça e o jumento.



No dia da cultura



Assim, sinto

O poeta quando escreve
Nem sempre é livremente.
Se expõe a sua dor,
Muitas vezes é lentamente.
O poeta, às vezes, sai
A voar e então cai
A chorar e então, mente...

E negando a sua dor,
O poeta, então inventa
Caminhos para emoção
Ser certeira e, argumenta:
“Minha dor é quase nada
Se ela for comparada,
Muito pouco representa.”

Daí passa a descrever
Uma dor universal,
Escondendo o que era seu
De maneira divinal
E com mundo e dividida,
Por muitos e entendida,
De maneira natural.

Por isso eu sou feliz
Independente de tudo.
Minha dor é quase nada,
Eis porque me calo e mundo
O sentindo de um poema,
Não me importa qual o tema,
Não me importa o absurdo!


Oliveira do Cordel





Olhei um moribundo e nele não encontrei o Homem.
Fechei os olhos e sai em busca do humano....
Vi lá adiante vários seres conversando.
Disse: - São homens,pois falam de guerra e fomentam o ódio.
Aproximando-me li nos seus rostos que eram apenas maquete
de um ser com alma.
Continuei a andar....

Já não mais queria ir, pois em todos os palácios,
em cada convento, em todo clero, em toda igreja,
em cada metrópole, eu procurara o Homem e não o achara.
Onde ele estará? Quem o escondera?

Senti então, que em todo lugar está o Homem.
No clero infame e santo na igreja autocrática e nos conventos indolentes,
nas metrópoles cruéis.
Mas porquê não o via antes?
Talvez por causa dos olhos, afinal  "a importância do homem está no nosso olhar e não no homem olhado".

Francisco Martins