quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A FESTA DE VALÉRIO MESQUITA

Um sucesso o lançamento do livro "Causos 2010". Uma multidão de amigos foram prestigiá-lo. VEJAM ALGUNS FLAGRANTES:



A Banda foi um sucesso, recordando os anos 60

Servidores do TCE Carlos, George e Marcos

Amigos importantes prestigiaram o lançamento

Este blogueiro com sua Therezinha cumprimentam Valério

Amigos Enélio, Therezinha e a poetisa Lúcia Helena

Valério e Carlos Rosso

Therezinha e a Procuradora Magna Letícia

A MENTIRA TEM PERNAS CURTAS
Carlos Roberto de Miranda Gomes,
titular do “Blog do MIRANDA GOMES”.

Qualquer empreendimento que seja alimentado pela MENTIRA está fadado ao fracasso. Assim vem acontecendo com o “projeto da Arena das Dunas”.
Sem mistificar a história, tudo começou em 2007, com um estudo feito pelo Arquiteto Moacyr Gomes da Costa para adaptar o Machadão às exigências da FIFA para a Copa de 2014. Foi enganado pela “turma” - ERA A PRIMEIRA MENTIRA.
Embora aprovado o estudo pelos técnicos da FIFA, ainda em 2007, no regresso a Natal, à sorrelfa, foi desviado o foco da coisa para um novo local, no início de Pirangi, com o anteprojeto do Estrelão, da autoria de Glay Karlis . Este jovem arquiteto também foi escanteado - FOI A SEGUNDA MENTIRA.
Em 2008 começou a “farsa” com a contratação de um mega-projeto, elaborado por empresa estrangeira (ou não), mas com inexigibilidade de licitação, sem qualquer justificativa aos dois arquitetos que haviam atendido ao apelo dos “(Des)organizadores” da Copa 2014. Para isso foi realizada uma Audiência Pública na Assembléia Legislativa, ocasião em que usei a tribuna e solicitei a exibição do projeto. Não apresentaram, mas juraram que ele existia. ERA A TERCEIRA MENTIRA.
Em 2009 foi muito “oba-oba”, festas, entrevistas – uma delas em que participaram o Dr. Moacyr, um representante da empresa que elaborou o estudo da Arena das Dunas e a Secretária Magnólia Figueiredo. Nesse dia a cidade assistiu a humilhação ao Doutor Moacyr, quando sistematicamente cortavam o seu pronunciamento e exageravam a participação dos outros entrevistados. ERA A QUARTA MENTIRA.
No ano em curso, por sinal ano de eleição, a coisa ficou no total deslumbramento. Todo mundo era o dono da idéia e chegaram a derrubar a Creche Kátia Fagundes como prova do início da execução do projeto da Arena das Dunas, exatamente no dia em que aqui chegaram os representantes da FIFA-CBF, mas “andou penerando, andou chuviscando, mas chover não choveu!” (Dorival Caimi). Não faltaram as advertências do Deputado José Adécio e do Engenheiro Adalberto Pessoa para o amadorismo dos gestores. ERA A QUINTA MENTIRA.
Passadas as eleições a coisa continuou no compasso da conversa, enquanto o Estado e o Município amargam drásticas situações na saúde, educação e segurança, com paralisações, falta de medicamentos, de médicos, de professores, de policiais, de presídios, sucateamento da cultura. A PPP falhou, foi para outro “PQ”. É A ATUAL MENTIRA. “E agora, José!”.
Vamos ser sensatos. Por que não construir um novo estádio em outro local, já indicado por inúmeros profissionais, sem a necessidade de atrasar o cronograma com alguns meses de demolição do complexo Machadão-Machadinho etc. e o gasto desnecessário de alguns milhões de reais. Na verdade, o destino futuro do referido complexo desportivo atual será a sua adaptação à absoluta necessidade viária, pois aquele local já comprova engarrafamentos e inviabilidade de mobilidade regular se algo não for feito para a solução.
Insistir no projeto da Arena das Dunas no local onde hoje estão o Machadão e o Machadinho (Ginásio Humberto Nesi) é um desatino, um erro, um deslumbramento e/ou a ganância de quem está vendo $$$$$$$ pela frente.
Repito: Qualquer empreendimento que seja alimentado pela MENTIRA está fadado ao fracasso.
DEUS, PÕE JUIZO NA CABEÇA DESSA GENTE, E A GALERA TE AGRADECE SENHOR!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010



C U I D A D O - A L E R T A

NA AUDIÊNCIA PÚBLICA DE HOJE NÃO ACORREU NENHUM INTERESSADO NA LICITAÇÃO PARA A CONSTRUÇÃO DA ARENA DAS DUNAS.

A LEI 8.666/93, EM SEU ARTIGO 24, INCISO V - ESTÁ PREVISTA A DISPENSABILIDADE DE LICITAÇÃO "QUANDO NÃO ACUDIREM INTERESSADOS À LICITAÇÃO ANTERIOR E ESTA, JUSTIFICADAMENTE, NÃO PUDER SER REPETIDA SEM PREJUÍZO PARA A ADMINISTRAÇÃO, MANTIDAS, NESTE CASO, TODAS AS CONDIÇÕES PREESTABELECIDAS."

PODERÁ SURGIR ALGUMA INTERPRETAÇÃO QUE CONSIDERE PREJUDICIAL À ADMINISTRAÇÃO A REALIZAÇÃO DE OUTRO CERTAME E ENTÃO SE RESOLVER CONTRATAR DIRETAMENTE ALGUMA OUTRA EMPRESA (QUEM? QUAL?) E É AQUI QUE ESTÁ O PERIGO.

ALERTA - CUIDADO - ALERTA

terça-feira, 23 de novembro de 2010



De 26 a 28 deste mês de novembro acontecerá o II Encontro Norteriograndense de Genealogia no auditório do Centro Pastoral Dom Wagner, em Caicó.

No Encontro haverá palestras, mesas redondas, homenagens, dentre outras atividades que envolvem a genealogia das famílias do Seridó. Contaremos com a presença de estudiosos, pesquisadores e escritores de diversos estados nordestinos (RN, PB, CE e PE).

Um dos destaques do evento será a homenagem a Dom José Adelino Dantas que se hoje estivesse vivo estaria completando 100 anos. O Monsenhor Ausônio Tércio de Araújo presidirá a palestra que homenageará o centenário de seu nascimento. "Dom Adelino", foi um homem ligado as artes, a cultura e conhecedor profundo das origens das famílias do Seridó.

Maiores informações sobre o evento, através do e-mail:aryssonsoares@hotmail.com ou pelo telefone 9991-6516.

PROGRAMAÇÃO:

Sexta-Feira (26.11.10): 18:30 às 22:00;

Sábado (27.11.10): 07:30 às 12:00 / 14:00 às 17:00 / 19:00 às 22:00;

Domingo (28.11.10): 07:30 às 12:00.


Att. Arysson Soares
DOR INCOMUNICÁVEL

Públio José – jornalista
(publiojose@gmail.com)

A dor, principalmente a interior, aquela que fere a alma e dilacera o espírito, atinge as pessoas de todas as classes sociais, em qualquer tempo, em qualquer lugar. Dela ninguém escapa. Independentemente da posição social que ocupe, do poder aquisitivo alcançado, bem como do poderio político conquistado. A dor maltrata, subjuga, humilha, fragiliza qualquer um. É uma companheira indesejável no contexto de nossa existência. E, por maior que seja o esforço para não tê-la diante de si, ela está sempre presente, senhora absoluta do tempo, pairando soberana sobre os rumos da vida. Qualquer que seja a direção, ela está lá, planando sobre os fatos, feito carcará voando sobre a presa. Ricos e pobres a rejeitam; doutos e analfabetos tentam de todas as formas desviar-se dela; na cidade, no campo, a todo custo, todos querem se ver livres de sua companhia. Você, você mesmo, o que faria para se livrar da dor?

Não é preciso ser doutor no assunto para saber que existem vários tipos de dor. A dor física resultante de um acidente, de uma trombada com um obstáculo qualquer. A dor da decepção de outrem, de alguém próximo, de um amigo bem chegado, de um familiar.... Todas machucam bastante. Mas a dor mais dolorosa, mais intensa é aquela cujo autor é você – contra você mesmo. É uma ocorrência incomunicável pela sua própria natureza. Porque, para anunciá-la, você terá de se desnudar diante de alguém, expondo suas fraquezas e abrindo espaços interiores a outras pessoas. Espaços para os quais, até então, você só dava acesso a você mesmo. A mágoa de você contra você mesmo é incomunicável – pela sua própria essência. É essa qualidade, portanto, que faz dela uma experiência única e extremamente dolorosa.

Se a dor incomunicável é contada a alguém fere; se continua intocada no interior fere mais ainda, pelo peso, pela amargura e pelas conseqüências que começa a gerar – inexoravelmente. Quem carrega tal fardo (e quem não tem um para carregar?) enfrenta problemas terríveis, difíceis até de admitir a si próprio. Primeiramente, as culpas interiores lhe obrigam a se colocar na posição de acusador e réu ao mesmo tempo. Quando outros lhe acusam as saídas existem: um pedido formal de desculpas, o perdão, a retratação. Mas quando você ocupa o tribunal de sua mente na qualidade de promotor e culpado, qual a saída? Para quem apelar? Em segundo lugar, a dor incomunicável destrói a sua qualidade de vida. A tristeza, a amargura, a solidão passam a ser companheiras inseparáveis de sua existência.

O convívio com os outros torna-se uma experiência difícil de suportar. A alegria de terceiros machuca, dói. Sem perceber você fenece, murcha. O tempo passa, a vida desfila diante de você, mas nada mais lhe interessa. Às vezes você até se indaga: haverá uma saída? Terei chance algum dia de arrancar essa chaga de dentro de mim? Afinal, o que fazer? A partir de um determinado momento, tornando seu sofrimento ainda mais introspectivo, a dor incomunicável passa a lhe sugerir um desejo de morte. O suicídio, então, passa a ser considerado. O fascínio por uma solução final toma conta de sua mente. E agora, a quem se dirigir? Eis o dilema maior. Quem me ouvirá? Quem terá compaixão de mim? Quem entenderá meus motivos, minhas razões?

Num momento assim quanto você pagaria para encontrar a paz? Para voltar a viver e restabelecer seu equilíbrio interior? Entre os homens será muito difícil ter prontas as respostas que você tanto busca e a paz que você tanto almeja. Para um problema assim, só um interlocutor de primeira linha. Pronto a lhe ouvir – e com poder para lhe aliviar. Seu nome? Jesus. Jesus Cristo – o Filho de Deus. Afinal, foi Ele mesmo quem nos garantiu, segundo Mt. 11.28: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei”. É lamentável, mas as pessoas normalmente esquecem da existência de Jesus e da capacidade extraordinária que Ele tem de propor soluções. De retirar de seus ombros a cruz que você carrega e de sarar a chaga que tanto lhe corrói a alma e o espírito. Para tanto, basta conversar com Ele. E, assim, suplantar a dor e torná-la inapta a infernizar sua vida. Pense. Só uma boa conversa basta. Só.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010


NATAL LUZ DE GRAMADO - RIO GRANDE DO SUL - LUGAR PARECIDO COM UMA PEQUENA BAVÁRIA.



UM BRASIL QUE EU NÃO SABIA EXISTIR
(diário de viagem de Ormuz Barbalho Simonetti)


“Foi por medo de avião, que eu segurei pela primeira vez na sua mão. Não fico mais nervoso, você já não grita e a aeromoça, sexy, fica mais bonita. . .”

No último mês de abril escrevi um artigo para o periódico O JORNAL DE HOJE, intitulado “Olhando Estrelas”, que tratava, entre outras coisas, de minhas limitações em viajar para outros lugares mais distantes, justamente pelo medo, ou melhor, pelo pavor que minha esposa sentia em voar de avião. E eu nem de longe cogitava a possibilidade de passar várias horas ou até mesmo dias, dirigindo por essas estradas mal sinalizadas e perigosas, principalmente pelo tipo de motorista que delas fazem uso. Condutores de grandes carretas que na maioria das vezes dirigem “rebitados” para cumprir extenuantes horários determinados pelos irresponsáveis proprietários de transportadores; motoristas que conseguiram suas habilitações no período precedem as eleições, que apadrinhados por maus políticos, se eximem de fazer os testes necessários para consegui-las; jovens e adultos que não se preocupam em dirigir seus veículos, depois de embriagar-se nas baladas etc, etc.
Pois bem, depois que ela leu o bendito artigo, já que só tomou conhecimento do mesmo depois que leu no jornal, começou a mudar um pouco esse quadro. Com estava menos resistente, aproveitei para lhe fazer promessas, até mesmo as que de antemão, sabia não poder cumprir-las. Tudo isso para encorajá-la a aventurar-se pelos céus do Brasil. Os filhos e amigos aproveitaram o ensejo para também motivá-la. Depois de algum tempo, já admitia a possibilidade de fazer a tal viagem de avião, mas sempre com ressalva: por enquanto, não quero pensar nisso.
No último dia 12 o medo foi vencido. Viajamos para a cidade de Gramado, na Serra Gaucha, para vivenciar o famoso Natal Luz. A viagem toda transcorreu sem maiores problemas. Sofri apenas alguns e fortes apertos na minha mão tanto nas decolagens quanto nas aterrissagens da aeronave. O mais, apenas as travessuras do meu neto que viajou com os pais e os avôs paterno para o mesmo destino.
O Natal Luz é composto de vários espetáculos, todos ligados a temática natalina e que traduz o espírito gaúcho nessa época do ano. Começa a ser encenado anualmente no mês de novembro e vai até o mês de janeiro do ano seguinte.
Dentre os espetáculos apresentados, um me chamou mais a atenção: o Nativitaten. É o mais consagrado entre os que são apresentados no Natal Luz. Compõe-se de um show de vários cantores líricos, que interage com um magnífico coral formado por jovens da região. Antes do início da apresentação, esses jovens desfilam segurando velas acesas e circulam todo o perímetro em volta do lago.
Esse desfile constitui uma visão deslumbrante, pois até então, toda a área esta completamente às escuras. Ao adentrar no local do espetáculo, os espectadores recebem um protetor de papel em forma de pira e uma vela, que em determinado momento, será acesa por solicitação dos organizadores. Quando isso acontece, todo aquele ambiente se reveste de uma beleza sem igual. Milhares de pontinhos luminosos dançam ao movimento dos braços dos espectadores que acompanham o ritmo das músicas natalinas, cantadas pelo coral.
Outro ponto alto é o belíssimo show pirotécnico que, em sintonia com a “dança das águas”, ganha vida com um impressionante jogo de luzes, deixando em êxtase toda a platéia que ao final do espetáculo aplaude calorosamente. Tudo isso acontece em um espaço chamado “Lago Joaquina Bier”, que fica em frente ao Hotel Laghetto, onde estávamos hospedados.
Confesso que ao ver aquele espetáculo de vozes harmoniosas, pirotecnia, águas, luzes e cores, me senti envergonhado ao lembrar a nossa desprezada e abandonada “Cidade da Criança” ou como eu aprendi chamá-la quando criança, Lagoa Manoel Felipe, o nosso espaço é exatamente igual aquele lago, no tamanho e na localização. Ambos localizam-se no centro de bairros residenciais de classe média alta. Mas as coincidências param por aí. Em Gramado o Lago Joaquina Bier, é bem cuidado e bem tratado pelo Poder Público, rende durante todo o ano, divisas para o município e embeleza ainda mais, se é que isso é possível, aquele pedaço de chão.
A nossa Cidade da Criança: coitada, maltratada, explorada de todas as formas que possam imaginar, morre aos pouco. Suas águas que poderiam conservar-se límpidas, já que nascem ali mesmo naquele chão, ao contrário, são escuras, fétidas, contaminadas com as águas que correm pela sarjeta, além de esgoto de dejetos humanos de áreas próximas.
Um fio de esperança aconteceu quando em 2009 o contrato de número 161/2009 publicado no Diário Oficial do Estado em 9/12/2010, para sua recuperação, foram alocados a importância de R$ 8.5000.000,00 (oito milhões e quinhentos mil reais), sendo 7.200.000,00 para realização da obra e R$ 1.300.000,00 para aquisição de materiais e equipamentos. (Tribuna do Norte 9/12/2009). Iniciaram-se as obras, mas logo foram paralisadas deixando a pobre Lagoa Manoel Felipe, mais uma vez a espera de um milagre. Não sabemos quanto desses recursos foram aplicados.
Será que algum dia as crianças e a nossa cidade são beneficiados dos R$ 8.500.000,00(oito milhões e quinhentos mil reais) que foram alocados para sua recuperação? Confesso, tenho cá minhas dúvidas.
Conheci um Brasil diferente. Gramado é um município com pouco mais de 30.000 habitantes, sendo 90% de sua fonte de renda proveniente do turismo, onde recebe anualmente cerca de 2,5 milhões de turistas.
Algumas coisas me chamaram a atenção. Nos oito dias que estive na cidade, não consegui escutar nenhuma buzina de automóvel. Cheguei a pensar que os carros que por lá circulavam não dispunham desse acessório tão utilizado nas ruas de nossas capitais. Observei incrédulo, que os pedestres quando se aproximavam das faixas destinadas a eles, os carros diminuíam a velocidade e ao menor sinal de que pretendem atravessar a rua, os veículos imediatamente paravam. Tive vontade de rir imaginando a cena de alguém fazendo isso aqui em nossa Natal. Logo que pusesse o pé na faixa sem o devido cuidado de olhar para todos os lados por mais de uma vez, com sorte, no mínimo ficaria sem a perna.
Não se ouvia ninguém falando alto nem andando pelas ruas cobrindo a orelha com um celular. Chamou-me a atenção um vendedor de “mega sena” que falava um pouco mais alto na tentativa de atrair algum cliente. Aproximei-me dele e perguntei: de onde o senhor é? E ele reconhecendo meu sotaque nordestino, falou meio agauchado, - de Pernambuco tchê, vai levar uma? Agradeci e continuei minha caminhada.
Na cidade não existe “sinal” de transito. O único que tinha a Prefeitura achou por bem substituí-lo por uma rótula, há mais de cinco anos. Mesmo que tivesse, certamente não iríamos nos deparar com aqueles garotos que infestam nossos “sinais” munidos de uma garrafa peti cheia de água, que na tentativa de limpar o para brisa dos carros em troca de uma moeda, muitas vezes terminam por sujá-los ainda mais. Não existe a figura do “flanelinha”. Não vi mendigos nem pessoas maltrapilhas circulando pela cidade. Enfim, nada que denotasse pobreza.
Procurei conversas com pessoas da região para saber o segredo daquilo que para mim, era totalmente inusitado. E novamente senti-me envergonhado quando o interlocutor me respondeu com a maior simplicidade: o segredo é elegermos um administrador sério, comprometido com a cidade e a população. Relatou-me que dentre outras ações promovidas pelos dirigentes municipais, está a educação da população, principalmente por ser uma cidade eminentemente turística que lida anualmente, como já disse, com 2,5 milhões de visitantes vindos de todas as partes do Brasil e do mundo. Em contrapartida a população responde com a valorização dos bons administradores. O atual prefeito Nestor Tissot, era o vice do anterior, Pedro Henrique Bertolucci, que entre idas e vindas, já governou o município por 18 anos.
No primeiro dia que chegamos, a cidade foi tomada por um denso nevoeiro que mal dava pra enxergar o outro lado da rua. Foi aí que comecei a ouvir um gorjeio que me pareceu familiar. Procurei entre as árvores e nada pude ver, pois o nevoeiro a cada instante ficava mais denso. No outro dia, com a sua dissipação já era possível enxergá-la. Chegou-me novamente aos ouvidos aquele mesmo canto. E lá fui eu mais uma vez tentar identificar o seresteiro que tantas boas lembranças me traziam. Depois de um bom tempo de procura, pude avistar em cima de um dos casarões em estilo europeu, o que o meu subconsciente já havia identificado. O amarelo ouro do nosso canário da terra. O mesmo que em meus tempos de criança e adolescente voavam em bandos na fazenda de meu pai e por todas as cidades do nosso interior. Hoje infelizmente em nossa região, já faz parte da grande lista dos pássaros ameaçados de extinção. Senti naquele instante que nem tudo estava perdido, pois na longínqua Gramado, o nosso canário da terra esta totalmente a salvo das mazelas que praticamente o extinguiram em nossa região.
Mas como todos sabem o melhor de uma viajem é o retorno para casa. Parafraseando o escritor José Américo, “voltar é uma forma de renascer. Ninguém se perde na volta. Mas, ao chegar em casa, logo precisei viajar para a praia da Pipa, distante 80 quilômetros de Natal, percurso que com a conclusão da BR 101 no trecho Natal/Goianinha, fazemos em pouco mais de uma hora de viajem. Fui surpreendido com uma observação vindo de minha esposa nunca dantes escutada: - essa viagem pra Pipa é muito cansativa! E logo me veio a interrogação: será que agora, por não ter mais medo de voar, ela esta cogitando fazê-la de avião?
Natal, 19 de novembro/2010.
_______________
Jornal de Hoje
ORMUZ BARBALHO SIMONETTI (Presidente do Instituto Norte-Riograndense de Genealogia-INRG, membro do IHGRN e da UBE-RN)
www.ormuzsimonetti@yahoo.com.br

domingo, 21 de novembro de 2010



HOJE É O DIA MAIOR DE NOSSA SENHORA DA APRESENTAÇÃO
PADROEIRA DE NATAL


História
Em 21 de novembro de 1753, um grupo de pescadores encontrou um caixote de madeira encalhado em umas rochas na margem direita do Rio Potengi, na frente da Igreja do Rosário, na atual Pedra do Rosário, em Natal, no Rio Grande do Norte.[1] Dentro do caixote, havia uma imagem de Nossa Senhora do Rosário e uma mensagem: Aonde esta imagem aportar nenhuma desgraça acontecerá.[2] Os pescadores avisaram sobre a descoberta ao Vigário da Paróquia, Pe. Manoel Correia Gomes, que se dirigiu ao local e logo reconheceu que se tratava de uma imagem de Nossa Senhora do Rosário. Porém, como o dia 21 de novembro é o dia da Apresentação de Maria ao Templo de Jerusalém, a santa foi batizada como Nossa Senhora da Apresentação e proclamada Padroeira da Cidade de Natal. A antiga Catedral de Natal, atual Igreja de Nossa Senhora da Apresentação, localiza-se na Praça André de Albuquerque. Lá, no dia 25 de dezembro de 1599, foi celebrada a primeira missa na cidade, pelo padre Gaspar Moperes.
Hino a Nossa Senhora da ApresentaçãoTu quiseste um dia trazer alegria ao nosso cantar. / E vieste Maria com Jesus nos braços, nas ondas do mar... / Pescadores te acharam, com amor te acolheram, Ó Mãe sem igual! / Entre o Potengi e as águas tranqüilas do mar de Natal!
Escolhestes, por amor, nossa terra prá aqui, vir morar... / Virgem Mãe do Senhor a teus pés nós viemos rezar.
Vinte e um de novembro, o dia feliz de tua aparição, / e nós te festejamos, ó Nossa Senhora da Apresentação. / Hoje a felicidade traz toda a cidade à tua Catedral. / Prá louvar-te Maria, que escolheste um dia teu trono em Natal.
Escolhestes, por amor, nossa terra prá aqui, vir morar... / Virgem Mãe do Senhor a teus pés nós viemos rezar.
Tens na fronte a coroa, Rainha da Paz do amor e do perdão... / És a Mãe terna e boa, / Rainha que reina com o terço na mão. / Teu olhar de bondade, onde a serenidade, nos dá proteção. / Tens Jesus em teus braços, és Nossa Senhora da Apresentação.
Escolhestes, por amor, nossa terra prá aqui, vir morar... / Virgem Mãe do Senhor a teus pés nós viemos rezar.
_________________
FONTE: WIKIPÉDIA


Não pensem que é inusitado - um americano colocando mensagem para os abcedistas. O faço em homenagem a grandes e velhos amigos torcedores do ABC: Professores Raimundo Nonato, Eider Furtado, Adilson Gurgel e aos valorosos Ernani da Silveira, Fred Menezes, Joãozinho e Rubinho Lemos.
PARABÉNS ABC FUTEBOL CLUBE. VALEU O TÍTULO PARA ENGRANDECIMENTO DA TERRA POTIGUAR.

sábado, 20 de novembro de 2010


Zumbi dos Palmares: um herói brasileiro

Dia da Consciência Negra
História do Dia da Consciência Negra, cultura afro-brasileira, importância da data, quem foi Zumbi dos Palmares


A lei N.º 10.639, de 9 de janeiro de 2003, incluiu o dia 20 de novembro no calendário escolar, data em que comemoramos o Dia Nacional da Consciência Negra. A mesma lei também tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira. Com isso, professores devem inserir em seus programas aulas sobre os seguintes temas: História da África e dos africanos, luta dos negros no Brasil, cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional.

Com a implementação dessa lei, o governo brasileiro espera contribuir para o resgate das contribuição dos povos negros nas áreas social, econômica e política ao longo da história do país.

A escolha dessa data não foi por acaso: em 20 de novembro de 1695, Zumbi - líder do Quilombo dos Palmares- foi morto em uma emboscada na Serra Dois Irmãos, em Pernambuco, após liderar uma resistência que culminou com o início da destruição do quilombo Palmares.

Então, comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra nessa data é uma forma de homenagear e manter viva em nossa memória essa figura histórica. Não somente a imagem do líder, como também sua importância na luta pela libertação dos escravos, concretizada em 1888.
_________________
Vida obscura
(do poeta negro, simbolista CRUZ E SOUZA)


Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro,
Ó ser humilde entre os humildes seres.
Embriagado, tonto dos prazeres,
O mundo para ti foi negro e duro.

Atravessaste num silêncio escuro
A vida presa a trágicos deveres
E chegaste ao saber de altos saberes
Tornando-te mais simples e mais puro.

Ninguém Te viu o sentimento inquieto,
Magoado, oculto e aterrador, secreto,
Que o coração te apunhalou no mundo.

Mas eu que sempre te segui os passos
Sei que cruz infernal prendeu-te os braços
E o teu suspiro como foi profundo!

POEMA DE JANSEN LEIROS A PEDRO SIMÕES NETO QUE MORA NA "QUINTA DOS PIRILAMPOS", UMA CHÁCARA FEITA DE VERDE, LUZ E POESIA!
JANSEN LEIROS - ESCRITOR E POETA


ODE AO AMIGO PIRILAMPO
(Pedro Simões).



PEDRINHO, VOCÊ É PEDRA!
E PEDRA BEM CONSISTENTE,
TEM NÚCLEO BEM MONOLÍTICO,
NA ESSÊNCIA, É DIFERENTE.

É AMIGO NA MEDULA,
É PEDRA, MAS DILIGENTE
MESMO BRUTA OU TRABALHADA
É PEDRA INTELIGENTE.

É PEDRA COM A VIRTUDE,
BEM DIFERENTE DAS OUTRAS,
POIS TEM LUZ PRÓPRIA, BEM LATENTE
TEM NO CORPO E NA COROA.

É PEDRA – DICOTOMIA!
É DURA, MAS ILUMINA
ENTRE A PEDRA E O PIRILAMPO,
É COM A LUZ QUE FASCINA.

POR ESSA BELA RAZÃO
DISSE JESUS AO DISCÍPULO
PEDRO, DE FATO, ÉS PEDRA
COM VALIOSO CURRICULO.

ISSO VALE PRA VOCÊ,
QUE TEM TANTAS QUALIDADES
QUE É AMIGO DE FATO,
É DE “VERA”! É DE VERDDE!

JANSEN LEIROS
_______
FONTE: Blog de LÚCIA HELENA



SALVE LINDO PENDÃO DA ESPERANÇA
SALVE SÍMBOLO AUGUSTO DA PAZ
SALVE 19 DE NOVEMBRO - DIA DA BANDEIRA

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A V I S O

AMIGOS,

ESTOU TENDO ALGUNS PROBLEMAS TÉCNICOS COM O MEU BLOG http://mirandagomes.zip.net

(Blog do Miranda Gomes).

Desta forma, estarei trabalhando, por enquanto, somente neste blog.

Um abraço a todos de CARLOS DE MIRANDA GOMES

terça-feira, 16 de novembro de 2010




GUAPORÉ(Poema jacente e subjacente em discurso de Nilo Pereira)
Autor: Diógenes da Cunha Lima

Guaporé, velho solar
Abandonado nas sombras,
Afrancesado, ruínas,
Visíveis galgos de louça
Vigiam homens de outrora.
Um repuxo d'água canta
Sua cantiga molhada
As estátuas lá em cima
Simbolizando o Trabalho,
Agricultura e Comércio,
Lampiões de cada lado.
Da porta quase desfeita
Um jardim, verde sem fim,
Ladeia a sóbria mansão.

Em frente, a casa de banhos
Semelha simples igreja
Paredes encobrem a nudez
Banhista d'água corrente.
A brisa toma a manhã
E cobre o canavial,
Cambiteiro descoberto
Cantando, vem, bem-ti-vi.
E o neto da casa, sábio,
Os olhos vazando o tempo
Vê coisas, paisagens, gente,
Presenças de antigas eras.
Na solidão animada,
Nos verdes do vale sonho,
Vicente Ignácio Pereira,
Barba à Pedro II.
Reconstrói sua morada.
Suas botas de Senhor
(Desenhos no couro cru)

Pisam no chão encharcado.
Às suas ordens tijolos
E argamassa se casam
Enquanto a cana açucara
No parol, a almanjarra,
Garapa, mel, rapadura,
Rolete, canavial,
Cachaça de bagaceira.
Vicente Ignácio Pereira
Cuida de muitos doentes,
Escreve de experiência
Sobre cólera mortal,
Lê contos, faz jornalismo,
E assegura a vitória
Do Partido Liberal.

Lembra que foi Presidente
Da Província Rio Grande
Na seca mor dos Dois Sete,
Victor de Castro Barroca
Vai por seu mando ajudar
Aos retirantes, no vale.
Vicente Ignácio Pereira
Dá ordens para o passado
E o Guaporé logo expulsa
Seu silêncio espectral.
O salão nobre se enche
Da melhor gente da terra
Em faustos, recepções.
Augusto Meira recita
Seu romantismo, amores,
Juvenal louva com graça

As virtudes da preguiça.
No salão nobre os Barões
Do Ceará-Mirim assistem
A toda festa, ar sisudo,
Nos retratos da parede
Iluminada do espanto
Das arandelas azuis.
Dobé, Izabel Augusta,
Tão caridosa, tão santa,
Interroga: onde é que está
Meu neto Nilo? O engenho
Desmorona com a vida?
Vou morar na Rua Grande?
Na sala azul e conversa
São as cenas da moagem.
História do "São Francisco"
Repetida a toda gente:

No ano sessenta e oito
Insistiram com o Barão
Toda a vantagem haveria
De assumir a Presidência
Da Província, potiguar.
Demais, estando em Natal
Evitaria a doença
Um surto de catapora
Que assolava no vale.
O Barão pouco pensou
Pra responder, afirmando:
Eu prefiro as cataporas.
E ficou na Casa Grande.

Anoitecendo no vale
Os sinos de uma capela
Tocam chamando o silêncio.
Tia Augusta vai cantar
Para o menino dormir
Cantigas de antigamente.
A vida, a sorte, a madrasta
Carinho de mãe não tem:
"Carpinteiro de meu pai
Não me cortes os cabelos
Que minha mãe penteou,
Minha madrasta cortou
Pelo figo da figueira
Que o Passarim beliscou".

Na sala de rosa cor
Explode o riso das moças
Tia Augusta Vaz Pereira
Toca valsas no piano
De cauda, sons multicores.
Retrato de sinhá-moça
Belinha, Pacheco Dantas,
Encantada mas risonha,
Ama os saraus da família.

Tio Riquete Pereira
Levemente aborrecido
Com leitura interrompida
Fecha o volume de Eça
No sofá, frisos dourados,
De repente, tudo volta:
Pára a moenda, alambiques,
Uma procissão de sombras
Se mistura a todos nós
No mistério da ausência,
Os pirilampos do vale
São círios da noite escura,
O Guaporé remergulha
Na quietude da morte.
O tempo, velho alquimista,
Joga o verde em nossos olhos,
Dá outra vida ao-que-foi
Na beleza restaurada:
Deus caprichou neste vale
Na manhã da criação
Em verde, luz, soledade.

********************************************************************
NOTA: Esse poema foi declamado pelo próprio Diógenes da Cunha Lima,
a meu pedido, em agosto de 1994, no Teatro Alberto Maranhão, quando da realização de um evento sócio-cultural-filantrópico, que intitulei: Quando Setembro Chegar, em prol dos idosos do Instituto Juvino Barreto.
Hoje cedo enviei-o à minha querida Ceicinha Câmara para que postasse no seu eclético blogue. Há pouco, quando Bibia me deixou em casa, aproveitei para deixar os leitores com esse momento maravilhoso das palavras do poeta do baobá, com a riqueza das imagens poéticas de Diógenes, com o meu dileto primo Nilo Pereira (inspirador do poema antológico).
______________
FONTE: Blog de LÚCIA HELENA

segunda-feira, 15 de novembro de 2010


MARECHAL DEODORO DA FONSÊCA PROCLAMOU A REPÚBLICA BRASILEIRA
“A Proclamação da República foi um golpe militar que ocorreu no dia 15 de novembro de 1889, como reação imediata à nomeação de Gaspar da Silveira Marins como chefe de gabinete de governo”, resume o doutor em História e professor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Paulo Pinheiro Machado. O especialista destaca ainda que o episódio ocorreu em meio a um forte desgaste entre o Império e os grandes proprietários rurais, descontentes com a criação da Lei Áurea de 1888 (libertação dos escravos).

Proclamação foi a separação formal entre a Igreja e o Estado. (Foto: Divulgação)
De acordo com Pinheiro, as principais mudanças do Brasil pós-proclamação da República foram a separação formal entre a Igreja e o Estado, a secularização dos cemitérios, que passaram a ser administrados pelos municípios, a instituição do ensino laico (desvinculado da educação religiosa) e do casamento civil. “Houve um processo de descentralização política, consolidado pela Constituição de 1891, de criação de uma federação, sendo que os Estados membros possuíam alto grau de autonomia. No plano eleitoral, foi instituído o voto universal. Nem tão universal assim, já que era só masculino e apenas aos alfabetizados, ou seja, uma minoria da população na época”, acrescenta.

INSTITUTO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA – INRG
Incrição no CNPJ sob o n° 12.382.295/0001-97 – NATAL-RN
ELEIÇÃO PARA A DIRETORIA E CONSELHO FISCAL – biênio 2010-2012
DIA 17 DE NOVEMBRO DE 2010
DAS 8 ÀS 17 HORAS NA SEDE DA ACADEMIA NORTE-RIO-GRANDENSE DE LETRAS
RUA MIPIBU, 443 - NATAL/RN

CHAPA ÚNICA REGISTRADA
DIRETORIA: Presidente: Ormuz Barbalho Simonetti; Vice-Presidente: João Felipe da Trindade; Secretário: Arysson Soares da Silva e Tesoureiro: Antônio Luís de Medeiros.
CONSELHO FISCAL: Três (03) Membros Titulares: José Hélio Medeiros, Clotilde Santa Cruz Tavares e Joaquim José de Medeiros Neto; Um (01) Membro Suplente: Álvaro Anídio Batista.

Natal/RN, 04 de novembro de 2010
A Comissão Eleitoral
CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES - Presidente
FRANCISCO LUÍS QUITÉ DE VASCONCELOS e ROSTAND MEDEIROS

domingo, 14 de novembro de 2010

RECEBI da minha amiga Maria Bandeira:
"Só não dá para esquecer um ingrediente: o perdão, senão desanda mesmo.
BANDEIRA"
_______________________________
Família é prato difícil de preparar"
(de "O Arroz de Palma,de Francisco Azevedo)

Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.

E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.


Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.
Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.
O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini, Família à Belle Meuni; Família ao Molho Pardo, em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é a Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.
Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.


Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.

"Se tivéssemos consciência do quanto nossa vida é passageira,
talvez pensássemos duas vezes antes de jogar fora as oportunidades
que temos de ser e de fazer os outros felizes"