sábado, 20 de julho de 2019
SAUDADES DE COTOVELO - JANEIRO DE 2019
AMANHÃ, DIA 21, A MINHA INESQUECÍVEL THEREZINHA ROSSO GOMES COMPLETARIA 83 ANOS DE VIDA. (AQUI SE DESPEDE DE D. SOCORRO, vizinha)
No melhor tempo da minha vida, tive a oportunidade de viver as emoções dos festivais de música da TV RECORD e da GLOBO, cujo material foi destruído por um incêndio. Contudo, graças a algumas filmagens que ficaram ainda intactas, reproduzo agora, para o deleite daquela geração e conhecimento dos que não tiveram a oportunidade de vivenciar os tempos de outro da nossa televisão:
TAMBÉM TIVEMOS GRANDES MOMENTOS FORA DO BRASIL COM ROBERTO CARLOS NO FESTIVAL DE SAN REMO
MUITA SAUDADE................................................
terça-feira, 16 de julho de 2019
LEMBRANÇAS DE MACAÍBA
ENCONTRO INESPERADO
Valério Mesquita*
Ela ainda guardava uma beleza aflita que não morre. De
tudo quanto se esquece não pude esquecer o amor adolescente que havíamos
vivido. Os seus braços ainda faziam lembrar meus cansaços e desatinos. Aquela
mulher na fila comum do supermercado parecia que estava no estaleiro do tempo,
estacionada nos cinquenta anos como se tivesse dissolvido a amargura das
coisas. Os óculos escuros escondiam profundezas abissais de prazeres
irrevelados e naufrágios conjugais.
Ali estava plantada como uma árvore morta com raízes na
minha alma. Ela que se tornara ausência em mim desde aquela tarde morta de
setembro. Não pude conter o ciúme retrospectivo. Apossou-se de mim, não mais
que de repente, a fria solidão dos despossuídos. A poeira do tempo começara a
lacrimejar os olhos de perdidas lembranças. Onde, aquele corpo juvenil de
dançarina de mambo, rosto de Silvana Mangano e quadris de Ninon Servilha? O
bongô oculto da orquestra invisível de Perez Prado cometia o milagre de
resplandecer ali, as suas formas em movimento, à luz do ocaso. Ah! Tanta
imaginação fugidia e ela nem olhava prá mim! Não. Ela não me vira. Com certeza.
Não seria tão fingida. Outra surpresa me estava reservada. Como se tivesse
saído da multidão dos seus abraços afetuosos e mágicos, fazendo descer pelo
declive sonhos e ilusões de tudo o que já fomos. Valeria a pena dizer o nome de
quem amei? Ou repetir a estrofe “de quem eu gosto, nunca falo”?
Conhecia-a na noite perdida da memória do Pax Clube de
minha terra. Era a garota do baile. Isso é tudo como identidade e currículo. Sai
quando ela cruzou a porta e se enfiou no carro com o jovem marido. Um riso
antigo ainda pude colher, de soslaio, da boca sensual e conhecida. O sol e o
ruído, lá fora, despertavam-me para a realidade. Tudo acontecia rápido e me
impelia prosseguir na sobrevida da lembrança que o tempo não desfez. Procurei o
meu carro no estacionamento solfejando o samba “Recado” que junto cantávamos
procurando inventar o nosso mundo. “Você errou quando olhou prá mim. Uma esperança
fez nascer em mim. Depois levou prá tão longe de nós, o seu olhar no meu, a sua
voz”... Brumas, nada mais...
(*) Escritor
domingo, 14 de julho de 2019
América Futebol Clube
104 ANOS DE GLÓRIAS
O
América Futebol Clube do Rio Grande do Norte, carinhosamente chamado de
"Mecão" completa HOJE 104 anos de glórias, eis que criado no dia 14
de julho de 1915.
* Anotações do torcedor americano e escritor Carlos Roberto de Miranda Gomes,
membro das entidades: ANRL, AML, ALEJURN, IHGRN, UBE-RN e OAB/RN.
Preâmbulo
Ser
americano não é simplesmente torcer por um clube desportivo, mas compreende um
estado de espírito que oferece motivação para uma melhor qualidade de vida.
O contexto histórico de Natal em 1915
Ilustração de soldados no front de batalha, em 1917
O mundo vivia um período conturbado
pela eclosão da Primeira Grande Guerra mundial, onde a economia do mundo foi
exageradamente reduzida, haja vista a necessidade de investir em armamento e
outras estratégias de guerra, exacerbando o desemprego, a escassez de produtos
e a instabilidade política das nações.
Os resquícios e os despojos refletiram
nos países não beligerantes e nos em confronto direto, tornando-se uma guerra
de âmbito continental.
Apesar do estado de violência, os
soldados passavam o tempo de intervalo das batalhas se divertindo com os jogos
triviais, entre os quais o futebol, uma vez que o principal objeto em disputa
estava a bola, que teria sido fabricada ainda no século XIX.
Natal conheceu esse instrumento de
couro nos idos em 1872 trazido por marinheiros que aqui aportaram vindos no
navio Criméia.
A introdução do jogo de futebol,
entretanto, teria ocorrido por iniciativa de Charles Muller, em 1894, que
trouxe modelos de regulamentos. Aqui em Natal a bola chegou pelas mãos
dos estudantes que vinham da Europa, integrantes da família Pedroza, que criou
o Sport Club Natalense (ou Natal Sport Club) em 1907, através de Fabrício
Pedroza Filho. Daí em diante as peladas foram acontecendo nos campos de areia
da cidade.
No amargor das sequelas natural daquele
período (1914-1918), qualificado por seus contemporâneos como A Grande Guerra, desportistas
natalenses se organizaram para alguma atividade produtiva, e pelo estado
precário das finanças públicas em 1915 começaram as iniciativas de criação de
clubes desportivos regulares. Rapazes residentes nos bairros da Ribeira e
Rocas, acostumados às peladas de beira de praia, criaram um time de futebol e
lhes deram a denominação de ABC, numa homenagem a um fato histórico
de um tratado reunindo a Argentina, o Brasil e o Chile.
Sem nenhum sentido de oposição, rapazes
residentes na cidade alta e adjacências, também criaram o seu clube, que
denominou América Futebol Clube, em homenagem ao nosso continente
e, por derradeiro, num sentido pedagógico, de evitar a vadiagem, foi criado
o Alecrim Futebol Clube, nome surgido em razão da grande quantidade
de uma planta assim denominada. Nesse contexto seria inevitável se criar uma
entidade para organizar o entrelaçamento de disputas desportivas, nascendo em
1918 a Liga. A vida teria que continuar, embora no compasso de “dúvidas”.
Ninguém se engane – são esses três
clubes centenários que sustentam o sentimento do futebol potiguar e a falta de
um deles tornará menos atrativa ou mesmo desmotivada as disputas desportivas da
modalidade. Nenhuma paixão deve conduzir o sentimento de destruir qualquer
adversário, mas valorizar as conquistas e a hegemonia das vitórias, como
recentemente com a consagração de campeão potiguar de 2019.
Fundação do América Foot Ball Club e fundadores
Apesar
dos precários registros documentais, é absolutamente exato que o clube foi
fundado no dia 14 de julho de 1915, feriado nacional comemorativo da “Queda da
Bastilha”, na França, fato ocorrido ironicamente na residência do Desembargador
Joaquim Homem de Siqueira Cavalcanti (que não apreciava futebol, ao reversos
dos seus descendentes – grandes desportistas), situada na Rua Vigário
Bartolomeu, possivelmente nº 565, antiga Rua da Palha na Cidade Alta,
precisamente em uma dependência dos fundos onde ocupavam os irmãos Carlos e
Oscar, que dava para o Beco da Lama, depois Rua Vaz Gondim (há indicações dos
nºs 598 e 600) e hoje Rua Dr. Francisco Ivo, onde se reuniram 15 desportistas.
Hoje o imóvel não tem mais fundos para o Beco da Lama, pois foi vendida uma
parte para loja que fica na Rua Ulisses Caldas, esquina com o Beco).
Deduz-se,
que em razão dos comparecimentos às duas reuniões, sendo parte na primeira e
outros na data da fundação, tenham surgido as discrepâncias no número de
fundadores. Certamente essa diferença entre 15, 27, 34, 36 ou 38 fundadores se
justifica pelo do fato de que nem todos estiveram numa única reunião ou
assinaram a lista de presença, mas que se agregaram nas seguintes até o
registro do estatuto, situação muito comum na fundação de entidades. Assim,
damos fé a todas as versões, haja vista que o ocorrido não descaracteriza o
grande número de desportistas interessados na criação do América. Eu,
particularmente, advogo os 38 fundadores.
1
– ABEL VIANA, estudante e foi proprietário de uma das mais tradicionais
padarias de Natal;
2
– AGUINALDO CÂMARA, conhecido por “Barba Azul”, irmão da Profª Belém Câmara;
3–
AGUINALDO FERNANDES DE OLIVEIRA, filho do Des. Luiz Fernandes;
4
– AGUINALDO TINOCO, filho do Cel. João Juvenal Pedrosa Tinoco, chefe da firma
Pedrosa & Tinoco & Cia.;
5
– ANIBAL ATALIBA, filho do velho Ataliba, da Estrada de Ferro Central /RN e
grande amigo do trovador João Carlos de Vasconcelos;
6
– ANTONIO BRAGA FILHO, empregado da “Casa Lotérica”, de Cussy de Almeida;
7
– ANTONIO DA ROCHA SILVA (Bidó), cunhado do falecido Aurélio Machado França,
funcionário federal;
8
– ANTONIO TRIGUEIRO, empregado da Loja “O Amigo do Povo”, de Felinto Manso, na
Praça do Mercado, Cidade Alta;
9
- ARARY DA SILVA BRITO, funcionário do Ministério da Fazenda, Oficial
Administrativo da Alfândega/Natal e de Tributos Federais da Alfândega/RJ;
10
- ARMANDO DA CUNHA PINHEIRO, filho do Prof° João Tibúrcio e falecido como
tenente do Exército;
11
– AUGUSTO SERVITA PEREIRA DE BRITO (Pigusto), funcionário do Departamento de
Segurança Pública do Estado;
12
- CAETANO SOARES FERREIRA, amazonense e irmão do 2° Presidente Getúlio Soares
Ferreira;
13
– CARLOS DE LAET, filho de João Antonio, da Brigada do Exército;
14 –
CARLOS FERNANDES BARROS, fiscal de Consumo, aposentado;
15
– CARLOS HOMEM DE SIQUEIRA, funcionário da Estrada de Ferro Central do
Brasil/RN;
16
– CLINIO BENFICA, estudante, nascido em Baixa Verde (hoje João Câmara);
17
– CLOVIS FERNANDES BARROS, comerciário, passou a residir em Recife/PE;
18
– CLODOALDO BAKKER, estudante e funcionário federal;
19
- EDGAR BRITO;
20
- EUCLIDES OLIVEIRA, nome acrescentado pelo tabelião Miguel Leandro;
21
- FRANCISCO LOPES DE FREITAS, chefe do expediente da Prefeitura de Natal e do
Dep. De Finanças e campeão de bilhar em Natal, amante do remo e apontado como
1º Presidente do América no período de 14/7 a 14/12/1915. Assinala-se o
nome de FRANCISCO LOPES TEIXEIRA também apontado como 1º Presidente, o que nos
leva a acreditar, pela similitude do nome, se trate da mesma pessoa;
22
– FRANCISCO PEREIRA DE PAULA (Canela de Ferro), estudante e funcionário público;
23
– FRANCISCO REIS LISBÔA, estudante falecido ainda jovem;
24
– GETÚLIO SOARES FERREIRA, 2° Presidente do América por eleição direta por
aclamação (15/12/15 a 14/12/16). Era campeão de Natação pelo Centro Náutico
Potengi, tendo treinado para uma das Olimpíadas. Amazonense, ingressou no Banco
do Brasil e serviu em Natal;
25
- JOAQUIM REVOREDO, nome apontado pelo tabelião Miguel Leandro;
26
– JOÃO BATISTA FOSTER GOMES SILVA (Padaria), funcionário de “A República” e
responsável pela cobrança/América;
27
– JOSÉ ARAGÃO, estudante e funcionário público;
28
– JOSÉ ARTUR DOS REIS LISBÔA, estudante, irmão de Francisco, ambos filhos do
Capitão do Porto, Reis Lisboa, intelectual, foi Delegado de Policia em Recife;
29
– JOSÉ FERNANDES DE OLIVEIRA (Lélio), estudante. A família residia no “chalet”
da av. Rio Branco, onde morou o Dr. Solon Galvão, esquina com a rua Apodi;
30
– JOSÉ LOPES TEIXEIRA, comerciário e irmão de Francisco Lopes Teixeira (de
Freitas), 1° Presidente eleito, por aclamação, na reunião de fundação;
31
– LAURO DE ANDRADE LUSTOSA, empregado da firma Olimpio Tavares & Cia.;
32
– LUCIANO GARCIA, estudante, posteriormente funcionário público;
33
– MANOEL COELHO DE SOUZA FILHO, estudante, que muito se esforçou para as
atividades do clube. Faleceu no Rio de Janeiro;
34
– MARIO MONTEIRO, irmão do falecido telegrafista Orlando Monteiro.
Trabalhava no semáforo da torre da Catedral;
35
– NAPOLEÃO SOARES FERREIRA, irmão de Getúlio e Caetano Soares Ferreira;
36
– OSCAR HOMEM DE SIQUEIRA, estudante, atleta e Presidente do América, que
alcançou o alto posto de Desembargador, como seu pai Joaquim Homem de Siqueira;
37
– SIDRACK CALDAS, irmão de Abdenego Caldas, figura ilustre da cidade;
38
– VITAL BARROCA, eleito Vice-Presidente para a segunda gestão, iniciada em
15/12/1915.
TRAJETÓRIA DE GLÓRIAS
Oscar,
Aguinaldo, Abel, Benfica, Canela, Lopes, Ricardo,
Aminadabe, Arnaldo, Arary e
Chiquinho
O alvi-rubro começou glorioso, como primeiro campeão oficial da Liga de
Desportos Terrestres da cidade, fundada, também, em 1918,
sendo o campeonato realizado em 1919. Nesse intervalo de
tempo (1919 a 1927), o América ganhou todos os títulos disputados, exceto no
ano de 1925, que foi ganho pelo Alecrim Futebol Clube.
Ganhou o campeonato de 1922 na disputa da
Taça em homenagem ao centenário da Independência do Brasil. Na final, João
Maria Furtado, conhecido como "De Maria" fez o único gol da partida
frente aos eternos rivais dos americanos, o ABC Futebol Clube.
América,
campeão do Centenário da República 1989, vencedor em mais
um momento histórico de grande importância. Essa vitória também levou à
conquista do seu segundo tricampeonato (Machadão), com a equipe formada por
César, Baéca (ou Lima), Medeiros, De Leon e Soares, Índio, Baíca e Demair
(Fábio), Lico, Casquinha (Edson) e Edmilson. Técnico Ferdinando Teixeira.
Outros jogadores que ajudaram em outras partidas: Eugênio, Baltazar, Edson,
Alfinete, Lauro, Marcelo José, Nunes, Guetener e Almir.
Venceu
a Copa do Nordeste de 1998, derrotando o Vitória na final por
3 a 1, gols de Kobayashi, Biro Biro e Carioca.
Marcou seu nome no Estádio Machadão, demolido desnecessariamente, e ganhou o
direito de participação numa competição internacional, a Copa Conmebol de 1998.
O Mecão entrou em campo naquela noite chuvosa de 4 de junho com a seguinte
escalação: Gabriel; Gilson, Paulo Roberto, Lima e Rogerinho; Montanha, Carioca,
Moura e Biro Biro; Kobayashi e Leonardo. Técnico: Arthur Ferreira.
O
América marcou o primeiro gol do estádio Arena das Dunas, através do zagueiro
Adalberto e foi também o seu Primeiro Campeão Estadual na noite da quarta-feira
30/04/2014, perante um público de 19 mil torcedores.
No
dia 02 de maio de 2015, o glorioso América Futebol Clube consagra-se CAMPEÃO DO
CENTENÁRIO (1915-2015), vencendo de 1 x 0 o também centenário ABC FUTEBOL
CLUBE, em partida realizada no Estádio Maria Lamas Farache (Frasqueirão).
ATUALMENTE SOMOS OS CAMPEÕES DE FUTEBOL
do RIO GRANDE DO NORTE – EDIÇÃO 2019.
Em
sua CAMINHADA, tivemos duas sedes:
Compra
do terreno (quarteirão limitado pelas ruas Rodrigues Alves, Maxaranguape,
Campos Sales e Ceará-Mirim), ao Governo do Estado do Rio Grande do Norte, pela
quantia de nove contos de réis, graças ao desprendimento dos abnegados
torcedores Orestes Silva, José Gomes da Costa, Tenente Júlio Perouse Pontes,
Clóvis Fernandes Barros e Osmar Lopes Cardoso com recursos dos mesmos e doados
ao América.
Em
sua trajetória, tivemos duas sedes:
A primeira sede foi um prédio simples, aliás, o
primeiro clube de futebol do Estado a possuir uma sede social própria, fato
ocorrido na gestão do Presidente Humberto Nesi (primeiro
tijolo assentado em 04/12/40, figura que merece destaque especial em razão de
sua permanente dedicação. Contou com a firme colaboração do seu 1º Secretário
Rui Barreto de Paiva, que o sucedeu em 1945, responsável pela construção da
antiga buate e das imensas “terraces” (14/7).
Depois
disso veio a gestão do Presidente José Rodrigues de Oliveira, tão dedicado que
quase chegou a residir na sede e nela realizou melhoramentos, até com recursos
próprios e sendo a sede inaugurada em sua gestão, com entrada pela Rua
Maxaranguape, nela incluído um campo de futebol e espaço para outras
modalidades esportivas. A inauguração foi marcada por um amistoso frente ao
ABC, ganho pelo América por 6 x 2 (gols de Marinho, Pernambuco - duas vezes,
Alínio, Tico e Gargeiro contra, descontando Albano duas vezes para o ABC) no
dia 10/07/1948.
Já
sendo insuficiente o espaço da sede social, foi decidido pela construção de
nova sede, (segunda sede) no mesmo terreno adquirido em 1929,
mas agora com entrada para a Rodrigues Alves e aproveitando o espaço do campo
de futebol.
Com enorme sacrifício e mercê da substancial ajuda dos seus sempre abnegados
sócios, a exemplo de Humberto Nesi, Osório Dantas, Heriberto Bezerra, Rui
Barreto de Paiva, Humberto Pignataro, Antonio Soares Filho, Manoel Carlos
Noronha, Aldair Villar de Melo, José Penha, João Carneiro de Morais
(Ferreirinha), Hermita Cansanção, Amaro Mesquita, Adalberto Costa, Carlos José
Silva, Luciano Toscano e outros americanos de fibra, que enfrentaram esse novo
desafio. Eis que afinal nasceu a “Babilônia Rubra”.
Em
agosto de 1973 inaugura-se a Pousada do Atleta “Renato Teixeira da
Mota” (Nenem), no terreno adquirido por Humberto Pignataro, com
benfeitorias realizadas ao tempo da gestão de Dilermano Machado, onde funcionou
o Estádio General Everardo, posteriormente vendida para saudar dívidas.
Outra
visão de futuro foi a aquisição do terreno de Parnamirim, depois adaptado para
ser o CT do Clube, outro empreendimento fundamental, que teve à frente os
mesmos abnegados Carlos Silva, Pedro Paulo Bezerra e Oscar da Cunha Medeiros,
com melhorias realizadas na gestão do Presidente Carlos Jussier Trindade
Santos, que recebeu o nome de “CT Dr. Abílio Medeiros”, em homenagem ao
dirigente que foi baluarte na aquisição do terreno e onde está sendo construída
a “Arena do Dragão”, sonho que está quase concretizado, e
esperamos seja, ainda, na gestão do Presidente Eduardo Rocha e José Rocha,
Presidente do Conselho Deliberativo, dois torcedores abnegados.
É
bem de ver que cada Presidente colocou uma pedra no alicerce do glorioso
América, seja na construção e manutenção do seu patrimônio ou na preservação do
seu valor esportivo e confraternização social, contornando crises e garantindo
altaneira a bandeira vermelha e branca.
VIDA LONGA AO AMÉRICA FUTEBOL CLUBE,
NOSSO SUPERCAMPEÃO.
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terça-feira, 9 de julho de 2019
O SAL E A PRESSÃO ARTERIAL –
Há muito conhecemos a íntima associação danosa entre o sal e a pressão arterial.
Por muito tempo essa intimidade tem
levado a implicações e consequências sérias para a saúde, com maior
morbimortalidade para a população devido à gravidade da hipertensão
arterial.
O sal (cloreto de sódio), ao ser
ingerido em grande quantidade, acima de 2 gr/dia (1/2 colher das de café
), é absorvido pelo intestino, entrando na corrente sanguínea,
promovendo a absorção de líquidos, com aumento de volume de fluidos nos
vasos sanguíneos, elevando os níveis da pressão arterial (hipertensão
arterial – HA).
A população de hipertensos é muito alta
no mundo todo, com maior incidência nos afrodescendentes, tornando-se um
problema de saúde pública muito sério, responsável por 40% dos infartos
agudos do miocárdio (IAM), 80% dos acidentes vasculares cerebrais (AVC)
e 25% das insuficiências renais crônicas (IRC). O pior: trata-se de uma
doença silenciosa e que raramente se manifesta clinicamente com uma
discreta dor de cabeça na região occipital. Assim sendo, a sua abordagem
clínica se faz em cima daqueles portadores de seus múltiplos fatores
desencadeantes ou predisponentes, como: os obesos, os fumantes, os
sedentários, os alcoólicos, os estressados crônicos, os que abusam da
ingesta excessiva de sal, os tomadores crônicos de medicamentos
anti-inflamatórios e analgésicos; não esquecendo o fator genético, o
mais prevalente e, infelizmente, não corrigível.
Na tentativa de diminuir a grande
incidência de hipertensão arterial na população geral, os órgãos de
saúde governamentais e as Associações Médicas têm procurado chamar a
atenção, com programas de medidas preventivas, sendo as mais enfáticas a
redução do consumo de sal, a mudança no estilo de vida, com a
reeducação alimentar e a prática regular de atividade física.
É alarmante quando falamos que a
hipertensão arterial e a diabetes são as maiores causadoras de doença
renal crônica que necessita de hemodiálise e transplante renal.
Um bom conselho: a prevenção, voltada
para a correção dos seus fatores causais e, quando instalada, procurar
de imediato a orientação médica especializada.
Berilo de Castro – Médico e Escritor – berilodecastro@hotmail.com.br
As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
QUESTÃO DE CARÁTER
Valério Mesquita*
Mesquita.valerio@gmail.com
Conduta nefasta tem se
disseminado em Natal. Não se sabe bem de onde veio. Como se trata de
comportamento humano, médicos proctologistas já diagnosticaram que tudo é fruto
do mau caratismo. Defeito de personalidade para uns, ou, transtorno
procedimental para outros. Onde quero chegar, finalmente? Já quer saber o
leitor. Só sei que, sete, entre dez executivos, políticos e/ou secretários,
agem dessa forma. Em muitos, a vaidade doentia, a megalomania, a mediocridade
caracterológica, são fatores preponderantes e prevalentes sobre a humanidade
comum que desaparece, de repente, debaixo do verniz do locatário do cargo ou da
função.
Hoje em dia, é raríssima a
autoridade pública ou privada que dá retorno de telefonemas. Deixar recado é
esforço pífio e inútil. Não existe mais apreço, atenção, respeito, civilidade,
sociabilidade, humanidade. O político, via de regra, só retorna ligação se
houver vantagem de voto gratuito ou financiamento de campanha. O empresário
pergunta logo quem está na ponta da linha e quanto vai lucrar. Já alguns
secretários de governo, nomeados para atender a sociedade, sempre estão em
reunião com “aspones” para evitar interrupções que não atendam seus interesses
imediatos. Devolver um telefonema que não foi atendido de imediato por ocupação
instantânea ou outro motivo relevante, ou não receber um cidadão que pediu
audiência, é ato de cavalheirismo, de educação, de nobreza que pouca gente
cultiva.
Sei que muitos leitores
estão incluídos na estatística dos sofredores. E gostariam de dizer o que
afirmo agora. Os cultores da prática mafiosa alegam que é preciso racionalizar
o tempo, eleger prioridades, formatizar custos e ganhos de produtividade, e, o
lado humano/cidadão vai para o beleléu, descartado por não representar
modernidade, segundo os fariseus dos templos públicos. Cheguei a imaginar, de
início, que a minha tese é inconsistente. Seria antiquado portar-me assim,
mandando a secretária anotar quem telefonou para retornar, em seguida, uma a
uma, as ligações recebidas? Acho que não. Tudo é uma questão de estilo, de
ética, de personalidade e de berço.
Quem tem medo do povo não
ocupa cargo ou função pública! Deve se lembrar que o cargo não é todo seu e
pertence também, a cada pessoa que deseja se comunicar. Mandato eletivo,
igualmente, e atividade privada financiada com dinheiro público e dos bancos
oficiais. Diga sim ou não. Mas, atenda. Não foi à toa que quintuplicaram o
número de telefones no mundo e as portas oficiais se alargaram. Político que
não atende eleitor é burro. Secretário que não retorna ligação ou não recebe
ninguém é grosso. E empresário que não se comunica se trumbica, já dizia o
velho guerreiro Chacrinha.
O recado está dado. Retornar
ligação e conceder audiência pública são questões de caráter.
(*) Escritor.
segunda-feira, 8 de julho de 2019
FACULDADE DE DIREITO DA UFRN – 1968
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes,
advogado
Num período conturbado da vida
brasileira, alguns estudantes potiguares ou aqui residentes, aventuram ingresso
na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte através
do vestibular do ano de 1964. Os que lograram êxito ingressaram no conturbado
mês de março daquele ano, quando rebentou o movimento militar, com seus
fundamentos voltados para evitar a vitória de uma teoria esquerdizante e, ao
mesmo tempo, colocar o País no seu eixo natural, eis que então existente um
período de verdadeira anarquia.
Aqui não tenho nenhuma intenção de
desenvolver as razões do movimento e do contra movimento, mas afirmar que foi
um período de extrema dificuldades, haja vista as adesões de colegas às duas
correntes, causando alguns transtornos que continuaram até a conclusão do
curso, em 1968, cuja solenidade ocorreu no dia 12 no Teatro Alberto Maranhão,
um dia antes da edição do famigerado Ato Institucional nº 5.
Entre os sonhadores com dias melhores para
o Brasil estava ARNALDO DE CARVALHO FRANÇA, jovem oriundo de uma família pobre,
sendo o pai motorista de caminhão e a mãe professora primária e ele próprio um
modesto vendedor no Mercado Público da Cidade Alta em Natal.
Logo no iniciar das atividades acadêmicas,
Arnaldo teve destaque em variadas habilidades: bom argumentador, esportista e
estudioso, foi gradualmente ganhando o respeito dos colegas ao ponto de alguns
deles – lembro bem de Valério Mesquita e Cláudio Emerenciano, chama-lo de
Arnaldo de Carvalho Santos, em alusão ao grande jurista natalense J.M. de
Carvalho Santos, radicado no Rio de Janeiro.
Muitos embates jus-filosóficos, muitas
participações nos certames esportivos e boa convivência nas reuniões sociais,
traçaram a trajetória do nosso colega de turma.
Com o diploma na mão, o ingresso na
Ordem dos Advogados do Brasil, Seção local, funcionário respeitado do Banco do
Estado de São Paulo – agência da Av. Rio Branco, assumimos uma parceria no meu
primeiro escritório de advocacia, formado com a participação, nada mais, nada
menos, do Professor José Gomes da Costa, meu pai e patrono da Turma (o paraninfo foi o Professor Carlos Augusto Caldas da Silva), mais meu
irmão Fernando de Miranda Gomes e do colega de turma Simeão de Oliveira Melo. Logo
ganhamos alguma notabilidade, haja vista que naquela época era mais comum a
advocacia individual. O papel timbrado com tantos nomes, mereceu o comentário jocoso
do afamado escrivão do 3º Cartório Fernando Carvalho: isso não é um escritório de advocacia, é uma quadrilha.
Arnaldo tinha tiradas importantes, uma
delas ficou gravada em bronze no Tribunal do Júri, cuja frase, confesso que não
me lembro, por enquanto, e também teve destaque nesse tribunal do povo, onde
doou grande parte de sua vida.
Solidário em todas as oportunidades, me
faz lembrar de uma audiência em que eu iria participar em defesa de um parente
e estava com o espírito armado para uma refrega agressiva. Ele não permitiu que
eu funcionasse e assumiu o patrocínio em meu lugar e tudo correu normalmente e saímos
vitoriosos.
Desfeita a parceria no escritório em
razão de fatores inevitáveis – falecimentos de papai e Simeão, assunção de
tarefas individuais diferentes, continuamos amigos, embora com menos encontros.
Foi o tempo em que se casou com Dona Munira, ganhando nova habilidade – exímio dançarino.
O tempo passou, encontros fortuitos – o último
deles em dezembro passado, com outros colegas de turma comemorando os 50 anos
de formatura. Começa 2019 eu fui para o meu tradicional veraneio de Cotovelo
até fevereiro, esperando voltar em março para o carnaval e aí o nosso Criador
resolveu me levar THEREZINHA, minha eterna amante. Mal me refazia do momento
mais agudo da saudade, sou informado por um dos seus filhos – Adonis ou Adonai,
não lembro, de que Arnaldo estava muito doente. Fiquei atordoado e fui visitá-lo
no Hospital Professor Luiz Soares e ali procurei dar-lhe algum alento dentro da
filosofia cristã, que foi aceito por ele com extremo respeito e fiquei
acompanhando a sua luta. Saíra do hospital, mas teve que regressar com uma
recaída. Hoje na hora do café, meu filho Rocco me diz, papai Arnaldo faleceu
ontem a noite. Novamente senti-me atordoado e marquei a ida para uma despedida
logo mais. Vou com Rocco e Rosa Lígia. Apressei-me a fazer estas rápidas linhas
para alertar os companheiros da Turma de 1968 da necessidade da nossa última
homenagem ao colega e amigo de muitas e belas jornadas, esperando que Deus o
proteja em sua nova morada, certamente nos jardins dos Céus, por merecimento.
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