quinta-feira, 24 de maio de 2018



OUTRA VEZ ESTAMOS EM CRISE
Carlos Roberto de Miranda Gomes, escritor
            O Brasil vem se tornando um país inviável mercê da multiplicidade de ações negativas e da falta de gestão responsável, além de uma deterioração da questão ética, que retira do cidadão a sua alta estima.
            Numa economia em crise, pela queda da produção dos insumos básicos, também da prestação de serviços, tudo decorrente da falta de políticas eficazes que ponham o Estado brasileiro nos trilhos e ofertem uma melhor qualidade de vida.
            Com uma economia capenga resulta uma crise, também, em suas finanças, pois não há recursos suficientes para o atendimento das necessidades públicas, pela redução da arrecadação.
Há um esquecimento de que a finalidade essencial da criação do Estado, como um todo, que ensejou na história a ideia de o povo prover a sua criação como pessoa ficcional é exatamente cuidar da organização da nação, gerindo os destinos dos integrantes do povo criador.
Contudo, esse nem sempre é o comportamento da criatura, que se agiganta em detrimento do criador, quando não se estrutura à falta de pessoas competentes e honestas, com o combate à corrupção e elevação da moral do cidadão. Com tal comportamento vemos desmoronar a esperança, pelo menos a médio prazo, de dias melhores.
            Eu sou um pessimista, aliás sempre tive essa característica, mas igualmente, mesmo com tal sentimento não fico parado vendo a banda passar, faço o meu dever de casa e tento influir na atividade externa, inclusive agora, com pouca saúde e quase chegando a oito décadas de vida.
            Assim o faço e fiz no passado, quando tive a honra de ensinar nas Universidades pública e privadas, dando o melhor do meu conhecimento, com um resultado que me orgulha, pois ensinei a jovens que hoje ocupam cargos importantes em Tribunais, na Advocacia e no Magistério.
Do mesmo modo assim agi em todas as Entidades onde trabalhei – Tribunal Regional Eleitoral e Tribunal de Contas do Estado, dando o máximo de mim, criando formas modernas e mais eficientes na prestação de serviços e disso tenho provas, que as apresentarei em futuro livro que estou escrevendo. No entanto, na visão reversa, senti tristeza pelo silêncio sobre recente láurea que recebi da UFRN, concedendo-me o título de “Professor Emérito”, que me proporcionou congratulações de entidades como o Tribunal Regional Federal da 5ª Região, mensagens de membros do Tribunal Superior de Justiça, do CREMERN, Ordem dos Advogados, amigos e correspondentes e confrarias culturais. Mas nenhuma mensagem recebi, até agora, já ultrapassados trinta dias do acontecimento, daquelas Instituições onde dei por alguns anos o meu trabalho como funcionário ou Membro. Esqueceram de mim?
            Essas coisas mostram a banalização dos gestos de reconhecimento a um título tão importante conquistado, independentemente de quem seja o agraciado, dando-se a uns, que pouco fizeram, honrarias em detrimento de outros que tudo deram de suas existências, sequer uma mensagem.
            Lamentavelmente, aqui ainda se cultiva o velho adágio: “O homem só vale pelo dinheiro que tem, pelo cargo que ocupa ou pelo mal que pode fazer”.

            Nessa trilogia eu tiro nota “zero”.


quarta-feira, 23 de maio de 2018

segunda-feira, 21 de maio de 2018



PANDEMIA E PANDEMÔNIO

Valério Mesquita*
Mesquita.valerio@gmail.com

A vida da gente, hoje em dia, chega a doer e a enjoar. Sobrepondo-se à lógica, aí estão os mistérios do mundo. Ele parece apodrecer cotidianamente. E acho essas razões um tanto metafísicas mas, perfeitamente racionais e cabíveis à espécie. Apesar da revolução das ciências, em todos os campos de atividade, há uma angústia indagativa porque tudo piora quando a humanidade progride materialmente. Muito antes, nas esquinas do mundo, a fatalidade das guerras ditadas pela imprudência interrompia a esperança do ser humano no dia de amanhã. Tudo leva a crer, no crepúsculo dos nossos dias, que a escalada geométrica da dificuldade de se viver no planeta, hoje tão afetado pela superpopulação e a crise da falta de alimentos, é que ingressamos no corredor escuro do Armagedom.
A vida passa e diante dos nossos olhos segue um desfile barulhento de excessos. Excessos e abusos perturbadores provocados pelo braço do homem. Vejam só, por que surgem na atmosfera (o ar que respiramos) vírus gripais, infecciosos e contagiosos que se multiplicam e se transformam virando pandemia? No processo de mutação ultrapassam a eficácia da vacina e se propagam com surpreendente rapidez, induzindo-nos acreditar que a camada superior da terra e as defesas do corpo humano estão comprometidas por atos insanos do próprio homem. Os continentes, desde os mais industrializados aos mais pobres, desérticos, quentes, superpovoados, até as  florestas tropicais em compasso progressivo de extermínio, incluindo os mares revoltos, revelam-me recôndita preocupação com o final dos tempos.
Igual em perigo à pandemia, mora vizinho o pandemônio. O tumulto do trânsito em Natal está trazendo estresse e hospitalizando muita gente. Avaliem as cidades maiores! Semana passada, entre 18h e 19h30, gastei de automóvel trinta minutos do bairro de Lagoa Nova ao Natal Shopping. O número de veículos hoje na capital resgata a “saudade de mim mesmo”, como disse o poeta português. Esse grave fato estatístico não preocupa apenas pelo dano físico de acidentes, mas igualmente, pela nova geração de ansiosos, psicóticos e depressivos. E haja consumo de benzodiazepínicos. Diariamente em Natal, acontece de cinco a dez acidentes com motos. A malha viária não comporta mais o enxame de ônibus, “ligeirinhos” antipáticos e imprudentes, automóveis e utilitários de luxo, que lembram a crise de paranoia do governador do estado.
Todavia, o pandemônio não se encerra aí. O assalto à mão armada não apenas reside ao lado, mas está dentro de casa fazendo reféns. Com armas modernas e de grosso calibre os marginais já são um número maior que o efetivo policial. Segurança no Brasil é uma ilusão congratulatória. Somente os bobos acreditam e agradecem. Ainda iremos assistir, se não planejarem logo uma solução, desfilando nas ruas e bairros as forças armadas do país, envolvendo-se na estratégia de resguardar a cidadania que é vida e que significa tanto quanto a defesa da soberania do país. Igual ou pior do que a invasão do território nacional é o lar ultrajado, violentado e saqueado da família brasileira que, no dizer de Rui Barbosa, “é a pátria amplificada”. E a política no Rio Grande do Norte nesse inverno é um mar de náufragos fatais. O político continua sendo aquele indivíduo fraco e defeituoso. O poder de barganha dos faraós hoje precisa ser investigado. O Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte de forma técnica isenta e competente, analisou e reprovou as contas do governo do estado relativas ao exercício passado. De acordo com a lei, remeteu o parecer ao Poder Legislativo para providências de acordo com a Constituição. E qual foi o voto do relator: sugerir a aprovação com ressalvas. E a pergunta que fica: Para que serve um Tribunal de Contas? E para que serve o Poder Legislativo que desqualifica e desmoraliza o seu órgão institucional auxiliar que decidiu unanimemente?
(*) Escritor

domingo, 20 de maio de 2018

O RIO GRANDE DO NORTE PERDE O SEU MAIOR XERIFE






MAURÍLIO PINTO DE MEDEIROS foi um homem de coragem. Trocou a comodidade de uma vida familiar feliz para arriscar diariamente sua vida no combate ao crime e aos criminosos.
Suas ações e sua coragem geraram
 incontável número de pessoas gratas, mas não deixou de ter eventuais inimigos, que não compreenderam a sua missão.
Sempre tive por Maurílio o maior respeito. Compreendi toda a sua carreira perigosa e sob sua autoridade a cidade viveu dias de segurança e paz.
Neste momento de dor para a sua família e perda para o Estado, só nos resta rogar a Deus que o receba em sua mansão e faça o exame justo de sua vida.

Reproduzimos homenagem que lhe foi prestada pelo escritor Berilo de Castro, em data de 03 de abril do ano em curso, no site Ponto de Vista:

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MAURÍLIO PINTO, A NOSSA GRATIDÃO –
Maurílio Pinto de Medeiros nasceu em Pau dos Ferros/RN, no dia 24 de agosto do ano de 1941, filho do coronel PM Bento Manoel de Medeiros (1910-1961) e de Julieta Pinto Nascimento (1919-2014).
Iniciou sua carreira de policial civil ainda menor de idade, aos 16 anos, como motorista, nas mais variadas e perigosas incursões policiais na região de Patu/RN, acompanhando o seu pai, o disciplinado e eficiente delegado Bento.
Após prestar serviço militar obrigatório por 2 anos na Força Aérea Brasileira ( FAB ), volta à Polícia Civil e é contratado como motorista da Secretaria do Interior e Justiça, no dia 1 de julho do ano de 1964, quando passa a ocupar oficialmente a função de motorista do delegado geral da Polícia Civil, o coronel Bento de Medeiros.
A princípio a ocupação na função policial seria de curta duração, pelo que afirmara o sei pai, o coronel Bento: “ Maurílio, meu filho, olhe, só quero que você fique na Polícia até o momento que eu estiver trabalhando.
Quando me aposentar não quero mais você aqui”. O pai temia pela vida do filho. Sabia da difícil e perigosa missão que o filho teria, caso continuasse.
Maurílio formou-se em Jornalismo, profissão na qual nunca atuou. Diplomou-se em Direito ( Bacharel ) no ano de 1975, quando prestou concurso para delegado da Polícia Civil, sendo aprovado.
Conheci Maurílio no ano de 1972, quando fui contratado no Governo de Cortez Pereira, para prestar serviço médico na Secretaria de Interior e Justiça, na função de clínico geral no Complexo Penitenciário João Chaves.
Homem simples, alheio a vaidades, corajoso, estrategista e de uma dedicação e um empenho em suas missões sem precedentes: sempre executadas com muito zelo e determinação, merecedoras dos mais altos reconhecimentos e aplausos, a ponto de merecidamente receber da Câmara Municipal de Natal o título de “Xerife” e da Assembleia Legislativa do Rio
Grande do Norte a Medalha do Mérito Legislativo, sua maior honraria. Tinha e sentia literalmente em suas investidas o verdadeiro “faro”, o “cheiro” e a percepção para a elucidação de crimes de difíceis soluções.
Nunca saia para uma missão sem antes estudá-la minuciosamente; sabia muito bem os riscos que correria. Não se atirava às “cegas”.
Sua brilhante trajetória profissional conta com 47 anos de efetivos e dedicados serviços prestados à Segurança Publica do nosso Estado, onde galgou merecidamente todos os degraus da sua carreira policial: de motorista à Secretario Adjunto da Secretaria de Segurança e Defesa Social, deixando um legado imensurável e inquestionável de ações exemplares, que ficarão registradas e inapagáveis nos anais da história da briosa Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Norte.
Quem não lhe conhece, não perdeu o direito de conhecer.
Maurílio, a nossa gratidão.
Berilo de CastroEscritor

terça-feira, 15 de maio de 2018



































































“A ALEGRIA, FILHA DE DEUS” 
PADRE JOÃO MEDEIROS FILHO

A alegria desperta em nós um sabor do Divino e, mesmo efêmera, deixa marcas e oferece novas possibilidades ao cotidiano. Atualmente, passa-se por dias difíceis, tristes e vexatórios. Hoje, é comum encontrar gente com o rosto acabrunhado nos shoppings, escritórios, consultórios e mesmo dentro de suas casas. No convívio social, enfrentam-se problemas, que desafiam e exigem maior agilidade, perspicácia e sabedoria para solucioná-los. Há sinais de morte ao redor de todos. Cresce o número daqueles que são abandonados e desprotegidos, perambulando pelas ruas das cidades. Também aumenta a estatística dos desempregados, vítimas de malversadoras políticas de governos e que enfrentam provavelmente o terrível drama da fome. Muitos são os discriminados e violentados por causa de sua raça, origem e condição social. E como se não bastasse, certas pessoas são alijadas, em razão de sua opção religiosa, política, ideológica e mesmo familiar. O radicalismo, a intransigência e o sectarismo estão se tornando regras gerais na sociedade brasileira. Seres humanos tombam frequentemente mortos até diante de sua família, vítimas de uma guerra que não poupa inocentes e indefesos. Um olhar mais atento para a realidade atual tende a mostrar quão corrompidos se tornaram tantos e imersos estão num processo deletério de desumanização. Infelizmente, tornam-se cada vez mais raros os gestos concretos de bondade, acolhimento, humanismo e fraternidade. Não repercutem no mesmo ritmo como os de violência, que rondam e ameaçam os cidadãos. Diante da realidade atual cabe perguntar: há lugar ainda para os alegres e de mente sã? 

Vinícius de Moraes cantou em “Samba da Bênção” a primazia da alegria sobre a tristeza: “É melhor ser alegre que ser triste. A alegria é a melhor coisa que existe. É assim como a luz no coração...” E um coração entristecido, entregue à dor e às forças do mal, não pulsa com tanto vigor. Por isso, já vale a pena cultivar a alegria, que em si mesma não representa necessariamente ausência de sofrimentos. Ela revigora a alma, tem a capacidade de neutralizar o negativismo e colocar o espírito em contato com o que há além dos acontecimentos. 

Lembremo-nos das palavras de Santo Agostinho, quando se dirigia aos fiéis de Hipona: “A alegria é filha predileta de Deus e pode salvar da morte”. Para a teologia cristã, é dom do Pai ao mundo, prognóstico da salvação que Ele sempre oferece à humanidade. E a salvação se dá num movimento pascal, na passagem da morte para a vida que o Senhor oferece. Compreende-se, assim, porque o Papa Francisco insiste na “Alegria do Evangelho” (“Evangelii Guadium”). Os cristãos sabem que o júbilo experimentado nos pequenos acontecimentos do dia a dia antecipa aquilo que Deus oferece: um Reino no qual “ninguém mais vai sofrer, ninguém mais vai chorar, ninguém mais vai ficar triste”, reza-se na Prece Eucarística XI (própria para a missa com crianças), inspirada no Apocalipse: “E Deus enxugará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais pranto, nem clamor, nem dor” (Ap 21, 4). A promessa é a de que o sofrimento e a tristeza terão seu fim, quanto mais cedo se consolide o Reino de Deus, que Cristo pregou. É precisamente isso que deve motivar os momentos alegres, ao longo da existência terrena. 

E como a alegria dá brilho à vida, torna-se possível distingui-la da exaltação eufórica, na qual muita gente manifesta uma falsa felicidade e uma ilusória sensação de bem-estar. Nos dias de carnaval, muitos põem o bloco na rua com o coração contristado, aguardando a quarta-feira para retornar a uma vida acinzentada. Deste modo, torna-se difícil ser verdadeiramente feliz. Por isso, é preciso fazer brotar no fundo de nosso ser o ânimo e a coragem, mesmo no agora sofrido viver diário. Nas pessoas risonhas Deus também se revela. Quando os dias duros sobrevierem com suas tiranias lembrem-se de sorrir. “Sorria, embora o seu coração esteja doendo... Ilumine seu rosto com a alegria...”, evoca Charles Chaplin em sua magistral canção “Smile”. Oxalá as fantasias e os sonhos de agora não sejam enterrados. É importante lutar pela alegria, réstia do Eterno e aceno do Infinito!












































domingo, 13 de maio de 2018

UMA MÃE MUITO ESPECIAL

O dia de hoje é dedicado às mães do mundo. Por isso é uma data das mais importantes do universo porque representa a NATIVIDADE, isto é, quem teve a missão divina de gerar o Salvador Jesus - Nossa Senhora, Maria Mãe. 
Nestas poucas linhas quero condenar a intolerância de quem não recebe Maria como NOSSA MÃE MAIOR - não há justificativa aceitável!
Em outro aspecto quero lembrar as mães que já foram viver na Morada Eterna, mas que deixaram aqui seus exemplos, seus sacrifícios, suas bondades e ensinamentos.
Minha inesquecível LÍGIA morreu de saudade do seu companheiro - minha eterna reverência.


Mas não fiquei órfão, pois dona Therezinha, minha amante, minha esposa, minha irmã, minha amiga e agora minha mãe continua a velar e zelar POR TODOS, absorvendo as dores da família e desgastando o seu já frágil corpo físico, mas que conserva uma força espiritual inigualável, incrível, que resolve os problemas e acalma todos o que estão à sua volta.


E não achando pouco carregar o fardo do marido (eu), das filhas Rosa Lígia e Thereza Raquel e dos filhos Carlos Rosso e Rocco José, agora se alonga para velar pelos netos, não esquecendo os animais que nos rodeiam (ainda 12 gatos), com a recente partida de Xana (ou Chana), que viveu 19 anos, o último padecendo de doença terminal, degenerativa, que foi preparada para a viagem final graças à dedicação e perseverança de Thereza, que todos os dias lhe fazia carinhos especiais, cantava para ela e rezava com ela a tal ponto, que a sua transcendência aconteceu em profunda paz.
Ademais disso, tolerar um marido exigente numa convivência de mais de 60 anos, sendo 55 de casamento não é fácil.
Por tudo isso lhe ofereço neste dias duas coisas: o primeiro o poema do meu amigo Horácio Paiva, que sabe poetar melhor do que eu, e o segundo, um almoço que eu mesmo e seus filhos estamos pessoalmente preparando. PARABÉNS, PAZ E AMOR:

MÃE

Mãe
devo-te este poema
que sempre
seguirei querendo
escrever

esperei fazê-lo
em toda a minha vida

esperei o sol
e a lua

e ambos passaram
e voltaram
com palavras mudas
douradas e
pálidas

versos
trouxeram-me as estrelas
o mar
e os rios

versos que devolvi
aos livros
e ao tempo
que os prendia

mas o teu poema
estava sempre
aquém e além do tempo

e a voz para dizê-lo
não me pertencia

mas vi-o
em teu ventre

onde vi nascerem
as dimensões da vida

e as dimensões
de Deus

e se o amor triunfa
em caminhos infinitos

não pode haver começo
ou fim
para o teu poema



do amigo Horácio Paiva.

terça-feira, 8 de maio de 2018

                 Rizolete Fernandes: tecedora de poemas

Com quantos fios se tece um poema? A escritora Rizolete Fernandes nos apresenta não somente as linhas, mas os poemas e as tecelãs que acolchoam suas vidas comprometidas com a Vida. Poeta, cronista e pesquisadora, a potiguar nascida em Caraúbas (RN) lança o barbante feito de palavras e passeia pelo mundo compondo uma obra que nos leva a um reencontro “com um desses poemas épicos de Virgílio, que em forma de corpo em versos nos relatam as mais insólitas histórias, aquelas que informam das epopeias de muitas mulheres desde os mais remotos tempos da história humana,…” (pág.13). E não somente dos mais remotos tempos, mas também, da contemporaneidade.
A partir de uma perspectiva histórica, veremos como as tecelãs atuaram plenamente em seus contextos sociais, e é de lá que são chamadas pela atualidade de suas lutas pela dignidade humana, pelo direito à vida, pelos direitos das mulheres. Cronologicamente sua presença é de inegável proximidade na qual algumas viveram, como Simone de Beauvoir e D. Militana, por exemplo.
Rizolete Fernandes soma ao seu brado às vozes que se levantaram e não se calaram diante das opressões. Clamores que ecoaram desde os tempos mitológicos e que em nosso século continuam a ecoar. Eis a poeta: “As brasileiras a quem passo a tocha da liberdade, que saberão guiar o seu próprio destino e outros destinos, lego o grito que deverá, mais do que nunca, fulgurar no ar: “”Ó abre alas/Que eu quero passar””.”, no poema a Chiquinha Gonzaga. (Pág.125). (No momento em que lia este poema, ouço estarrecido a notícia do crime contra Marielle Franco). Mulher, mãe, mais uma vida, não só entre as vinte tecelãs que aqui representam tantas mulheres, certamente uma vida “no alvorecer de suas tessituras”, cuja voz não silenciará.
Um fio de mitologia e vinte fios de história: tecelãs, mulheres que escrevem suas histórias, não só nos lugares onde viveram, mas no tempo e nos espíritos. Tecelãs são poemas feitos com a força da palavra e a sensibilidade da poeta engajada com seu tempo: “Do éter minh’alma entristecia/com o silêncio sobre meu nome/o olvido da obra com exceções/ínfimas em meu próprio Estado/até que a jornalista conterrânea/pôs em livro a causa, ensejando/do injusto quadro a mudança.” (pág.96), poema a Nísia Floresta, escritora potiguar que viveu grande parte de sua vida na França, onde ainda nos tempos atuais recebe homenagens dos franceses.
Ao compor Tecelãs, Rizolete Fernandes nos presenteia com uma obra histórica, não só pelo seu rico conteúdo, mas principalmente pela forma poética. Para além de regras e modelos, um livro com estilo próprio, feito com todas as características da composição poética, enriquecendo não só a sua carreira como escritora, todavia a nossa literatura .
Tecelãs é um livro que precisa ser lido, relido e divulgado, não apenas pelos amantes da poesia, mas, por estudantes, militantes, professores e todos que gostam de uma boa leitura. Principalmente os que acreditam que uma boa leitura pode nos humanizar !

Chumbo Pinheiro é poeta e articulista

sábado, 5 de maio de 2018

BOM DIA


BOM SÁBADO



    A IMPORTÂNCIA DA INTERNET

    Meu comentário deste sábado ensolarado é para enaltecer alguns momentos de alento em nosso cotidiano.
    Ontem tive a alegria de assistir a apresentação do meu fraterno amigo DIDI AVELINO, juntamente com os excelentes violonistas RICARDO MENEZES SÉRGIO FARIAS, que brindaram o público com maravilhosas músicas do cancioneiro brasileiro e, em particular, de potiguares ilustres. Não bastasse isso, ainda de brinde, tivemos a participação de duas grandes cantoras, prata da casa, TEREZINHA DE JESUS, encantadora e envolvente com sua voz forte e maviosa e de uma jovem talentosa CLARA MENEZES, que surpreendeu a todos com sua versatilidade. Foi uma noite inesquecível.
    Em seguida, louvamos a convivência com pessoas que sabem dar o ar agradável para a vida de internautas, sabendo aproveitar a internet como instrumento de cultura e de amizade. Referimo-nos aos estimados amigos EUGÊNIO BEZERRA CAVALCANTI FILHO e EDMILSON MORAIS, que pesquisam a música e a sua história, localizando-as dentro do contexto histórico local e universal.
    É muito agradável iniciarmos o dia com suas mensagens.
    Segue a minha retribuição.

BOM SÁBADO PARA TODOS.




quarta-feira, 2 de maio de 2018

O BRASILEIRO ESTÁ ATENTO



PELA PRIMEIRA VEZ, NOS ÚLTIMOS ANOS, TIVEMOS UM 1º DE MAIO SEM ANARQUIA NO BRASIL.

O que representa esse comportamento? Certamente não é tanto o medo, mas quer me parecer que é em razão da preocupação com o futuro do País.
Estávamos vivendo momentos de ilusionismo político, com indicações falsas de realizações ou de prospecção dos diversos partidos quanto às suas realizações e perspectivas, sob o acompanhamento do eleitorado - inicialmente convicto do que estava sendo informado, mas depois, de desconfiança, mercê de tantas atitudes de corrupção que reduziram, e muito, o conceito da classe política.
Agora chegou o momento de análise do momento político-administrativo do Estado brasileiro e a seleção de quem tem ideias capazes de conduzir nosso Brasil para dias melhores.
Invoco o querido e saudoso Professor Mário Moacyr Porto, que reclamava de o povo brasileiro não se guiar por ideias, mas por pessoas, dando como exemplo, apenas, a campanha das "diretas já".
Nada mais de experiências - a nação exige acerto, solução!
Vivemos, pois, o momento mais importante da história recente do País e a vitória do povo só virá com uma escolha certa. É proibido ERRAR, senão teremos os dias mais difíceis da nossa história.

terça-feira, 1 de maio de 2018

DIA 1º DE MAIO



História do Dia do Trabalho
História do Dia do Trabalho, comemoração, 1º de maio, criação da data, origem, eventos, protestos, reivindicações, direito dos trabalhadores, bibliografia


Manifestações e conflitos em Chicago (1886): origem da data
Manifestações e conflitos em Chicago (1886): origem da data
História do Dia do Trabalho

O Dia do Trabalho, também conhecido como Dia do Trabalhador, é comemorado em 1º de maio. No Brasil e em vários países do mundo é um feriado nacional, dedicado a festas, manifestações, passeatas, exposições e eventos reivindicatórios e de conscientização.  

A História do Dia do Trabalho remonta o ano de 1886 na industrializada cidade de Chicago (Estados Unidos). No dia 1º de maio deste ano, milhares de trabalhadores foram às ruas reivindicar melhores condições de trabalho, entre elas, a redução da jornada de trabalho de treze para oito horas diárias. Neste mesmo dia ocorreu nos Estados Unidos uma grande greve geral dos trabalhadores.

Dois dias após os acontecimentos, um conflito envolvendo policiais e trabalhadores provocou a morte de alguns manifestantes. Este fato gerou revolta nos trabalhadores, provocando outros enfrentamentos com policiais. No dia 4 de maio, num conflito de rua, manifestantes atiraram uma bomba nos policiais, provocando a morte de sete deles. Foi o estopim para que os policiais começassem a atirar no grupo de manifestantes. O resultado foi a morte de doze protestantes e dezenas de pessoas feridas.

Foram dias marcantes na história da luta dos trabalhadores por melhores condições de trabalho. Para homenagear aqueles que morreram nos conflitos, a Segunda Internacional Socialista, ocorrida na capital francesa em 20 de junho de 1889, criou o Dia Internacional dos Trabalhadores, que seria comemorado em 1º de maio de cada ano.

Aqui no Brasil existem relatos de que a data é comemorada desde o ano de 1895. Porém, foi somente em 26 de setembro de 1924 que esta data se tornou oficial, após a criação do decreto nº 4.859 do então presidente Arthur da Silva Bernardes. Neste decreto, Arthur Bernardes estabeleceu a data como feriado nacional, que deveria ser destinado à comemoração dos mártires do trabalho e confraternização das classes operárias.

Porém, nas décadas de 1930 e 1940, o presidente Getúlio Vargas passou a utilizar a data para divulgar a criação de leis e benefícios trabalhistas. O caráter de protesto da data foi deixado de lado, passando assumir um viés comemorativo. Vargas passou a chamar a data de "Dia do Trabalhador".

Fatos importantes relacionados ao 1º de maio no Brasil:

- Em 1º de maio de 1940, o presidente Getúlio Vargas instituiu o salário mínimo. Este deveria suprir as necessidades básicas de uma família (moradia, alimentação, saúde, vestuário, educação e lazer).

- Em 1º de maio de 1941 foi criada a Justiça do Trabalho, destinada a resolver questões judiciais relacionadas, especificamente, as relações de trabalho e aos direitos dos trabalhadores.

Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador?

Nos últimos anos a expressão "Dia do Trabalhador" ou "Dia dos Trabalhadores" passou a ser muito utilizada em referência à data comemorativa do dia 1º de Maio. Muitas pessoas consideram ser mais adequada esta segunda opção, pois faz referência ao trabalhador (merecedor da comemoração). Para estas pessoas, chamar a data de "Dia do Trabalho" não é o mais adequado, pois enfatiza o trabalho (ato de criar e produzir bens e serviços em troca de uma remuneração). Porém, no Brasil atual, as duas opções ainda são muito usadas.
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fonte: Portal de Pesquisas Temáticas e Educacionais