sábado, 5 de maio de 2018
BOM SÁBADO
A IMPORTÂNCIA DA INTERNET
Meu comentário deste sábado ensolarado é para enaltecer alguns momentos de alento em nosso cotidiano.
Ontem tive a alegria de assistir a apresentação do meu fraterno amigo
DIDI AVELINO, juntamente com os excelentes violonistas RICARDO MENEZES
SÉRGIO FARIAS, que brindaram o público com maravilhosas músicas do
cancioneiro brasileiro e, em particular, de potiguares ilustres. Não
bastasse isso, ainda de brinde, tivemos a participação de duas grandes cantoras,
prata da casa, TEREZINHA DE JESUS, encantadora e envolvente com sua voz
forte e maviosa e de uma jovem talentosa CLARA MENEZES, que surpreendeu
a todos com sua versatilidade. Foi uma noite inesquecível.
Em
seguida, louvamos a convivência com pessoas que sabem dar o ar agradável
para a vida de internautas, sabendo aproveitar a internet como
instrumento de cultura e de amizade. Referimo-nos aos estimados amigos
EUGÊNIO BEZERRA CAVALCANTI FILHO e EDMILSON MORAIS, que pesquisam a
música e a sua história, localizando-as dentro do contexto histórico
local e universal.
É muito agradável iniciarmos o dia com suas mensagens.
Segue a minha retribuição.
quarta-feira, 2 de maio de 2018
O BRASILEIRO ESTÁ ATENTO
PELA PRIMEIRA VEZ, NOS ÚLTIMOS ANOS, TIVEMOS UM 1º DE MAIO SEM ANARQUIA NO BRASIL.
O que representa esse comportamento? Certamente não é tanto o medo, mas quer me parecer que é em razão da preocupação com o futuro do País.
Estávamos vivendo momentos de ilusionismo político, com indicações falsas de realizações ou de prospecção dos diversos partidos quanto às suas realizações e perspectivas, sob o acompanhamento do eleitorado - inicialmente convicto do que estava sendo informado, mas depois, de desconfiança, mercê de tantas atitudes de corrupção que reduziram, e muito, o conceito da classe política.
Agora chegou o momento de análise do momento político-administrativo do Estado brasileiro e a seleção de quem tem ideias capazes de conduzir nosso Brasil para dias melhores.
Invoco o querido e saudoso Professor Mário Moacyr Porto, que reclamava de o povo brasileiro não se guiar por ideias, mas por pessoas, dando como exemplo, apenas, a campanha das "diretas já".
Nada mais de experiências - a nação exige acerto, solução!
Vivemos, pois, o momento mais importante da história recente do País e a vitória do povo só virá com uma escolha certa. É proibido ERRAR, senão teremos os dias mais difíceis da nossa história.
terça-feira, 1 de maio de 2018
DIA 1º DE MAIO
História do Dia do Trabalho
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Manifestações e conflitos em Chicago (1886): origem da data
História do Dia do Trabalho
O Dia do Trabalho, também conhecido como Dia do Trabalhador, é comemorado em 1º de maio. No Brasil e em vários países do mundo é um feriado nacional, dedicado a festas, manifestações, passeatas, exposições e eventos reivindicatórios e de conscientização.
A História do Dia do Trabalho remonta o ano de 1886 na industrializada cidade de Chicago (Estados Unidos). No dia 1º de maio deste ano, milhares de trabalhadores foram às ruas reivindicar melhores condições de trabalho, entre elas, a redução da jornada de trabalho de treze para oito horas diárias. Neste mesmo dia ocorreu nos Estados Unidos uma grande greve geral dos trabalhadores.
Dois dias após os acontecimentos, um conflito envolvendo policiais e trabalhadores provocou a morte de alguns manifestantes. Este fato gerou revolta nos trabalhadores, provocando outros enfrentamentos com policiais. No dia 4 de maio, num conflito de rua, manifestantes atiraram uma bomba nos policiais, provocando a morte de sete deles. Foi o estopim para que os policiais começassem a atirar no grupo de manifestantes. O resultado foi a morte de doze protestantes e dezenas de pessoas feridas.
Foram dias marcantes na história da luta dos trabalhadores por melhores condições de trabalho. Para homenagear aqueles que morreram nos conflitos, a Segunda Internacional Socialista, ocorrida na capital francesa em 20 de junho de 1889, criou o Dia Internacional dos Trabalhadores, que seria comemorado em 1º de maio de cada ano.
Aqui no Brasil existem relatos de que a data é comemorada desde o ano de 1895. Porém, foi somente em 26 de setembro de 1924 que esta data se tornou oficial, após a criação do decreto nº 4.859 do então presidente Arthur da Silva Bernardes. Neste decreto, Arthur Bernardes estabeleceu a data como feriado nacional, que deveria ser destinado à comemoração dos mártires do trabalho e confraternização das classes operárias.
Porém, nas décadas de 1930 e 1940, o presidente Getúlio Vargas passou a utilizar a data para divulgar a criação de leis e benefícios trabalhistas. O caráter de protesto da data foi deixado de lado, passando assumir um viés comemorativo. Vargas passou a chamar a data de "Dia do Trabalhador".
Fatos importantes relacionados ao 1º de maio no Brasil:
- Em 1º de maio de 1940, o presidente Getúlio Vargas instituiu o salário mínimo. Este deveria suprir as necessidades básicas de uma família (moradia, alimentação, saúde, vestuário, educação e lazer).
- Em 1º de maio de 1941 foi criada a Justiça do Trabalho, destinada a resolver questões judiciais relacionadas, especificamente, as relações de trabalho e aos direitos dos trabalhadores.
Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador?
Nos últimos anos a expressão "Dia do Trabalhador" ou "Dia dos Trabalhadores" passou a ser muito utilizada em referência à data comemorativa do dia 1º de Maio. Muitas pessoas consideram ser mais adequada esta segunda opção, pois faz referência ao trabalhador (merecedor da comemoração). Para estas pessoas, chamar a data de "Dia do Trabalho" não é o mais adequado, pois enfatiza o trabalho (ato de criar e produzir bens e serviços em troca de uma remuneração). Porém, no Brasil atual, as duas opções ainda são muito usadas.
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fonte: Portal de Pesquisas Temáticas e Educacionais

Manifestações e conflitos em Chicago (1886): origem da data
segunda-feira, 30 de abril de 2018
MERCENÁRIOS
Valério Mesquita*
Mesquita.valerio@gmail.com
Tudo incomoda o vivente. O sobrevivente. Provar a
sensação amarga da guerra perdida. Contemplar do alto do edifício urbano as
maiorias fúteis impondo iniqüidades sobre Natal. O ter que habituar-se com a
visão torta e vesga dos poderosos de plantão que impõem suas regras pela mídia.
Natal sem becos, sem esquinas boêmias, sem praças, sem preces, povoadas de
vultos inexpressivos que não serão falados amanhã. Extraviaram a noção de
história. Os anos inaugurais do século XXI não têm o glamour dos fatos e das
figuras do século passado. O homem coisificou-se. Perdeu a densidade, a
identidade, a musculatura dos gestos e dos passos que fazem história.
Na política, não temos
mais líderes como antigamente: os neófitos já saúdam os poucos náufragos que
irão morrer amanhã. A paisagem é deserta. As instituições se burocratizaram em
blocos de ferro e cimento armado. Não têm mais lume nem leme. “Igrejinhas” tão
somente. Não sei se há esperança. Não sei se há salvação. A única ameaça à
ordem constituída continua a ser o câncer de próstata. Muitos acreditam que é o
maior desafio ainda não enfrentado pelo Ministério Público. Por outro lado,
Natal a cada dia, fica mais insuportável com a quantidade de veículos. De motos.
Principalmente aquelas que cortam o seu carro pela direita. Mas, assim caminham
as capitais, as metrópoles para o futuro enganoso oferecido pelas imobiliárias.
O ensino público e privado mercadejou-se tanto quanto o turismo sexual. Perdeu
a qualidade. E viva a quantidade.
Fortunas repentinas arremetem-se para o alto iguais ao
crescimento vertical da cidade. Não há explicação. Não há investigação. Tudo é
volátil e volante. Expresso em arcos voltaicos celebrados na crônica social. É
aí que se deduz que toda celebridade quando não é célere, é celerada. Ou fazem
de cômicas todas as autoridades.
Saio de mim para penetrar na imponderabilidade do
oceano que assiste, lá fora, a decomposição humana. A visão misteriosa do
oceano pacifica e beatifica o pecador solerte, já dizia o décimo terceiro
apóstolo de Cristo, perdido no tempo e no espaço, ainda acreditando na grandeza
do último milagre.
Mas, estresse é coisa
séria. Pode ser trágico, para não dizer cômico. Não há como escapar de suas
ilações, reações adversas e efeitos colaterais. Mas, que Natal está chata e
irreconhecível infelizmente é verdade. Tenho ultimamente pensado muito em Lucrécia. As duas. A
Bórgia e a do Oeste. São pontos de fuga. Estações de tratamento para os dias.
Os mesmos dias.
(*) Escritor.
terça-feira, 24 de abril de 2018
H O J E
AMÉRICA FUTEBOL CLUBE
EDITAL
O Presidente do Conselho
Deliberativo do América Futebol Clube, no uso de suas atribuições
legais, convoca os Senhores Conselheiros para uma Reunião Ordinária nos termos
do art.57 letra “e” do estatuto, a realizar-se na sede do Clube, na Av.
Rodrigues Alves, 950, Tirol, no dia 24 de abril de 2018 às 18:30 horas, em 1ª convocação e as 19:00 horas
com qualquer número de presentes, para tratar
da seguinte pauta:
1- Palavra do
Presidente do Clube a respeito do 1º trimestre/18 e a programação para disputa
da Copa do Nordeste e Série “D”;
2 – Entrega dos
títulos de sócios proprietários aos conselheiros;
3- Prestação de
contas pelo Departamento financeiro até março 2017 e anos anteriores;
4 – Apresentação
das contas relativas ao período de interinidade compreendido entre abril e
dezembro de 2017;
5 – Outros
assuntos pertinentes ao Clube;
Natal (RN), 03 de abril 2018.
JOSÉ VASCONCELOS DA ROCHA
Presidente do Conselho
Deliberativo
segunda-feira, 23 de abril de 2018
Eventos Assessoria <eventusbr@yahoo.com.br>
23 DE ABRIL É O DIA DE SÃO JORGE
(Sant Jordi), santo padroeiro da Catalunha, Espanha. Ali, as cidades e os
cidadãos vivem essa festa intensamente. As pessoas vão às ruas,
euforicamente. Praças e estradas são decoradas com bandeiras, expondo-se livros
e publicações; as rosas, especialmente as vermelhas, são refrescadas em jarras
de água. Livros, rosas, escritores e todas as pessoas, são os
protagonistas desta festa ao longo deste dia. Cada ano que isso acontece,
a oferta de atividades culturais aumenta cada vez mais, tomando-se como seu ponto alto a
troca de presentes entre as pessoas; tradicionalmente, os homens presenteando
as mulheres com flores e delas recebendo livros.
Por iniciativa do escritor João da Mata, professor-pesquisador
da UFRN, em Natal festeja-se alegremente esse acontecimento intitulando-o
de Quixote com Rosas (alusão a Dom Quixote de La Mancha), havendo exposição,
récitas e presenteamentos, aguardado evento realizado no campus da UFRN, em
livraria e/ou espaço cultural da cidade.
São Jorge também é bastante festejado, nesta data,
em Natal e em muitos lugares do Brasil, pelos adeptos do Candomblé (Ogum), pelos
sambistas e tradicionais amantes do samba.
Francisco Alves C. Sobrinho
domingo, 22 de abril de 2018
22 DE ABRIL DE 1500
Descobrimento do Brasil -
História do Brasil
História do Brasil Colônia, a
história do descobrimento do Brasil, os primeiros contatos entre portugueses e
índios, o escambo, a exploração do pau-brasil
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História do Descobrimento do Brasil
Em 22 de abril de 1500 chegava ao Brasil 13 caravelas portuguesas lideradas por
Pedro Álvares Cabral. A primeira vista, eles acreditavam tratar-se de um grande
monte, e chamaram-no de Monte Pascoal. No dia 26 de abril, foi celebrada a
primeira missa no Brasil.
Após deixarem o local em direção à Índia, Cabral, na incerteza se a terra
descoberta tratava-se de um continente ou de uma grande ilha, alterou o nome
para Ilha de Vera Cruz. Após exploração realizada por outras expedições
portuguesas, foi descoberto tratar-se realmente de um continente, e novamente o
nome foi alterado. A nova terra passou a ser chamada de Terra de Santa Cruz.
Somente depois da descoberta do pau-brasil, ocorrida no ano de 1511, nosso país
passou a ser chamado pelo nome que conhecemos hoje: Brasil.
A descoberta do Brasil ocorreu no período das grandes navegações, quando
Portugal e Espanha exploravam o oceano em busca de novas terras. Poucos anos
antes da descoberta do Brasil, em 1492, Cristóvão Colombo, navegando pela
Espanha, chegou a América, fato que ampliou as expectativas dos
exploradores. Diante do fato de ambos terem as mesmas ambições e com objetivo
de evitar guerras pela posse das terras, Portugal e Espanha assinaram o Tratado
de Tordesilhas, em 1494. De acordo com este acordo, Portugal ficou com as
terras recém descobertas que estavam a leste da linha imaginária (370 léguas a
oeste das ilhas de Cabo Verde), enquanto a Espanha ficou com as terras a oeste
desta linha.
Mesmo com a descoberta das terras brasileiras, Portugal continuava empenhado no
comércio com as Índias, pois as especiarias que os portugueses encontravam lá
eram de grande valia para sua comercialização na Europa. As especiarias
comercializadas eram: cravo, pimenta, canela, noz moscada, gengibre, porcelanas
orientais, seda, etc. Enquanto realizava este lucrativo comércio, Portugal
realizava no Brasil o extrativismo do pau-brasil, explorando da Mata Atlântica
toneladas da valiosa madeira, cuja tinta vermelha era comercializada na Europa.
Neste caso foi utilizado o escambo, ou seja, os indígenas recebiam dos
portugueses algumas bugigangas (apitos, espelhos e chocalhos) e davam em troca
o trabalho no corte e carregamento das toras de madeira até as caravelas.
Foi somente a partir de 1530, com a expedição organizada por Martin Afonso de
Souza, que a coroa portuguesa começou a interessar-se pela colonização da nova
terra. Isso ocorreu, pois havia um grande receio dos portugueses em perderem as
novas terras para invasores que haviam ficado de fora do tratado de
Tordesilhas, como, por exemplo, franceses, holandeses e ingleses. Navegadores e
piratas destes povos, estavam praticando a retirada ilegal de madeira de nossas
matas. A colonização seria uma das formas de ocupar e proteger o território.
Para tanto, os portugueses começaram a fazer experiências com o plantio da
cana-de-açúcar, visando um promissor comércio desta mercadoria na Europa.
O Rio Grande do Norte na rota de Cabral
DESCOBRIMENTO
DO BRASIL
O Rio Grande do Norte na rota de Cabral
Pesquisador afirma que o litoral potiguar foi
o verdadeiro local do Descobrimento do Brasil pelos portugueses
Fábio Costa
Jornalista
Está nos livros escolares: no dia 22 de abril
de 1500, o capitão português Pedro Álvares Cabral, comandante de uma esquadra
de 13 caravelas, descobria uma nova terra, à qual foi dado inicialmente o nome
de ilha de Vera Cruz, depois Terra de Santa Cruz e mais tarde Brasil. Pela
história oficial, o “porto seguro” em que Cabral e sua equipe aportaram ficava
no sul de onde hoje está localizado o Estado da Bahia. Entretanto, passados
mais de 500 anos do acontecimento histórico, o verdadeiro local do
descobrimento ainda é motivo de discussão e polêmica.
O escritor e pesquisador potiguar Lenine
Pinto (foto), por exemplo, não tem a menor dúvida: o Monte Pascoal
avistado por Cabral não seria outro senão o pico do Cabugi (foto),
no Rio Grande do Norte. E o cabo de São Roque, também em território potiguar,
seria o verdadeiro “porto seguro”.
Para provar sua teoria de que a rota de
Cabral levou o navegador inevitavelmente à costa do Rio Grande do Norte, Pinto
recorre a evidências náuticas, depoimentos de especialistas e documentos
históricos. O resultado das pesquisas está registrado em pelo menos três livros
do autor.
Reabastecimento – segundo Lenine Pinto, ao
iniciar sua famosa viagem com destino às Índias, Pedro Àlvares Cabral recebeu
do rei Dom Manuel, de Portugal, recomendação expressa para não fazer escala em
Santiago de Cabo Verde, na costa oeste da África, onde os navios portugueses
costumavam se reabastecer. O fato de Cabral ter seguido as ordens revela a
intencionalidade de uma viagem exploratória e a possibilidade de encontrar
outras terras, ao Ocidente, para estabelecer um ponto de reabastecimento.
“Salta aos olhos que Cabral veio conferir a
existência do local, no futuro Brasil, onde estabeleceria uma escala
aprovisionadora dos navios de carreira da Índia”, afirma o pesquisador
potiguar. Para Lenine Pinto, a escolha desse ponto deveria recair, logicamente,
no interstício entre as correntes subequatoriais e de Benguela, que, de acordo
com relatos, se estendem da área Calcanhar/Cabo de São Roque (RN) ao Cabo Santo
Agostinho (PE), “nunca ao sul da Bahia”, enfatiza o escritor.
O tempo da viagem
A esquadra de Cabral cruzou o Atlântico em 30
dias, mesmo período cumprido no ano seguinte e na mesma época por João da Nova
(outro navegador português mandado de Lisboa para as novas terras) entre
Santiago de Cabo Verde e a atual Ponta do Calcanhar ou o Cabo de São Roque, o
que desmentiria o alongamento da navegação de Cabral até Porto Seguro. Além
disso, João da Nova havia sido mandado à procura de Cabral e, nesse caso,
deveria ter ido à Bahia.
São Roque aparece num mapa de 1502 como Cabo
São Jorge, referência ao local e à data do Descobrimento, que ocorreu na tarde
do dia 22 de abril. Para efeito de registros náuticos, foi anotado como já
sendo 23 de abril, dia de são Jorge. Há registros documentais e cartográficos
atestando que, a partir dali, o reabastecimento das naus que iam para a Índia
passou a ser feito exclusivamente no saliente potiguar, o que comprova a
intencionalidade da vida de Cabral.
Notícia transmitida à Itália pelo
“informador” Domenico Pisani, logo após o regresso de Cabral a Lisboa, dava
conta de que a expedição percorrera 2 mil milhas ao longo do litoral
brasileiro. Esse detalhe estabelece, na avaliação de Lenine Pinto, o limite
marítimo entre as praias de Touros e Cananeia, onde foram plantados os únicos
marcos de posse em Vera Cruz. Se essa medida fosse tomada a partir do Sul da
Bahia, Cabral, pelos cálculos do escritor potiguar, teria ido parar na
Patagônia.
Mapas e aguadas
Em sua carta ao rei de Portugal, o escrivão
oficial da esquadra, Pero Vaz de Caminha, revela a D. Manuel a riqueza das
águas da nova terra. “Andamos por aí vendo a ribeira, a qual é de muita água e
muito boa” (…) “águas são muitas, infindas... dar-se-á nela tudo, por bem das
águas que tem... Não houvesse mais que ter aqui esta pousada para esta
navegação a Calecute, isto nos bastaria”.
Para o pesquisador potiguar, os fatos indicam
que, durante alguns anos, Vera Cruz foi para o governo português pouco mais do
que estação das naus em trajeto para as Índias, um mero ponto de
reabastecimento, ou “aguada”. A aguada em solo brasileiro figura-se sempre na
extremidade norte-riograndense, como indicam importantes mapas portugueses, um
deles datado de 1519.
o cabo de São Roque representa o contorno de
aproximadamente 100 km que engloba o conjunto de pontais (dos Anéis, do
Coconho, da Gameleira, do Calcanhar, do Santo Cristo e do Reduto), até a praia
dos Marcos, onde se pode encontrar a “Santa Maria da Arrábida”, que aparece num
mapa de 1505 ou 1506 como Santa Maria de Agoodia. Há pesquisadores que sugerem
que se tratava da “Agonia” ou “da Guarda”, mas um deles não teve dúvidas em
apontá-la como Santa Maria da Aguada, por causa de outros mapas nos séculos XV
e XVI localizarem no declive entre as extremidades setentrional e oriental do
Rio Grande do Norte, a aguada que empolgara D. Manuel.
Na obra “Portugalioe Manumenta
Cartographica”, do século XVI, encontram-se pelo menos três mapas assinaladores
da essencial aguada norte-riograndense, por ser a única existente ao longo da
costa brasileira. Num dos mapas aprecem não apenas um mas dois rios de aguada
de frente aos baixios de São Roque, e, entre esses rios, as barrerias vermelhas
e brancas de que fala Pero Vaz de Caminha. Na mesma paisagem, está assinalado
ainda um monte de cimo pontiagudo logo abaixo da desembocadura de um rido de
água doce, que seria a foz do rio Açu, em Macau, por onde começa a ser
descortinada a serra do Cabugi.
Em mapas estrangeiros, a comprovação dessa
exclusiva área de reabastecimento pode ser encontrada em pelo menos outras três
obras, deixando clara a associação entre a aguada fundamental para a carreira
da Ìndia e a extremidade potiguar, o que define o ponto do Descobrimento.
“Traços inequívocos”
Ao contrário da ausência de provas simbólicas
e materiais que atestem a ocorrência do Descobrimento no porto seguro baiano,
nas áreas de Touro e Cananeia foram deixados traços inequívocos da presença de
Cabral, segundo Lenine Pinto. A ponta extrema do litoral norte-riograndense
recebeu num mapa do século XVI o nome de batismo de São Jorge, santo do dia do
Descobrimento.
O Monte Pascoal que Cabral inicialmente
avistou poderia ser perfeitamente o pico do Cabugi, ponto mais elevado do Rio
Grande do Norte, com altitude calculada em 800 metros. Trata-se de uma montanha
pedregosa que pode ser avistada à distância de 50km e que servia como marco de
referência aos pescadores em alto mar, que podem avistar o Cabugi ao longe,
além do horizonte marítimo. Esse detalhe foi confirmado por pescadores da praia
dos Marcos.
Quanto às outras serras mencionadas por
Caminha – mais baixas ao sul dele e de terra chã, com grandes arvoredos –,
Cabral estaria vendo para as bandas da praia de Touros, junto ao Calcanhar,
quer seria a Chapada do Morro Vermelho, com 300 metros acima do nível do mar,
e, entre a Serra Verde e o Atlântico, o Serrote da Cutia, que, no passado,
exibia “luxuriante cobertura vegetal, e mais bonita parecia vista do oceano”.
Depois, num passeio pela praia com seus
comandados, Cabral foi até uma lagoa grande de água doce, que está junto com a
praia. Para Lenine Pinto, não há outra explicação: ou estava na lagoa do
Boqueirão, ou na lagoa do Avião, em Touros, porque não existe na área de Porto
Seguro da Bahia nenhuma lagoa de água doce, mas apenas três lagoas salgadas.
Dia de São Jorge
Cabral avistou o Monte Pascoal a horas de
véspera, isto é, ao entardecer do dia 22 de abril. Nos navios daquele tempo,
entretanto, marcavam-se horas pelo único relógio disponível, as ampulhetas, que
eram corrigidas pelo sol a pino do meio-dia., e a partir de então tinha início
uma nova data para o registro das ocorrências e dos procedimentos do mar. Dessa
forma, quando a esquadra ancorou no “porto seguro” ao entardecer do dia 22 de
abril, os capitães e seus pilotos anotaram o fato datando-o do dia 23, consagrado
a são Jorge.
Dois anos depois do Descobrimento, aparece o
Cabo de São Jorge, no ponto mais setentrional do litoral brasileiro, isto é,
São Roque, ou a Ponta do Calcanhar.
O cabo de São Roque revela não só a data, mas
– assegura Lenine Pinto – “inequivocamente, o ponto no qual o descobrimento
oficial ocorreu”. Os navegadores, explica o escritor, costumavam designar as
novas terras pelos santos do dia da descoberta.
Poucos anos depois, a denominação do Cabo de
São Jorge é substituída por Cabo de Santa Cruz, outra referência ao
Descobrimento. A designação Cabo de São Roque veio a universalizar-se em razão
de divergências de traçado.
Num mapa de 1502, aparece um porto seguro ao
sul da Bahia, o qual poderia ser tomado como “logradouro de matalotagem”. Entretanto,
afirma Lenine Pinto, o “porto seguro” baiano nunca foi uma aguada permanente.
Como observou o historiador baiano Pedro Calmon, o marco que Porto Seguro
ostenta é apenas um “comemorativo do descobrimento, provavelmente posto ao
iniciar-se a colonização”, o que remeteria a uma data a partir de 1535.
Matéria publicada origalmente em O Jornal, edição do dia 2 de
abril de 2000

Excelentíssima Professora ÂNGELA MARIA
PAIVA CRUZ, Magnífica Reitora da Universidade Federal do Rio Grande do
Norte, em nome de quem saúdo todos os
Ilustres Membros da Mesa;
Colegas professores, advogados, magistrados, membros
do Ministério Público, estudantes, servidores, ex-alunos, familiares, Confrades
de Instituições Culturais, Amigos, Minhas Senhoras, Meus
Senhores,
Há um dizer retórico muito utilizado em momentos de
homenagens: “não esperava esse título; não sei se sou merecedor” ...
Eu digo diferente: ansiava sim por este
momento há alguns anos, pelo que ele representa na minha vida.
O ventos da infância não sopravam para este
desfecho. Menino ainda, iniciado na vida do interior, aprendi a amar a
natureza, onde conheci o alfabeto e a aritmética. Retornando à capital e sendo
de família pouco abastada, estudei em colégios menos custosos, mas
comprovadamente eficientes, precisamente no Instituto Batista do Natal, do meu
saudoso pastor Gabino Brelaz, onde conheci os primeiros traços da religião e do
respeito às pessoas de outros credos e, no segundo grau passei pelo Ginásio
Natal, do também inesquecível Professor Severino Joaquim da Silva, que me
oportunizou conhecer grandes Mestres e fazer fraternos amigos.
Nesses dois momentos despertou em mim um pendor
artístico inusitado e passei a participar dos eventos, aprofundado depois pela
Escola de Música de Natal, do maestro Waldemar de Almeida, que ficava vizinho
ao Cinema Rex, onde aprendi canto orfeônico e iniciei um caminho totalmente
diverso da vida estudantil comum de uma criança, pois aos nove anos já
despontava para o canto, tanto que participei das Caravanas da Sociedade
Artística Estudantil - SAE, sendo contemporâneo de Hianto e Haroldo de Almeida,
do trio Irakitan e dos talentos jovens de Edmilson Avelino, Odúlio Botelho,
Agnaldo e Selma Rayol, José Filho, Elino Julião e outros que as prateleiras da
memória não localizaram neste momento. Era conhecido como o “cantor mignon da
radiofonia potiguar”.
Quando o sucesso já era patente, com gravação de um
disco e shows em Fortaleza, Mossoró, Caraúbas e regularmente, em apresentações
nos programas semanais na Rádio Poti, notadamente no “Vesperal dos Brotinhos de
Luiz Cordeiro” e “Domingo Alegre de Genar Wanderley”, pela pressão familiar e
atendendo conselho do maestro Waldemar Ernesto decidi abandonar a ilusão da
vida artística e investir na realidade do estudo, embora tenha permanecido em
mim a semente do canto, vivendo os devaneios do velho Sílvio Caldas,
contemplando “nossas roupas comuns dependuras, na corda qual bandeiras
agitadas...” e cultuando “a deusa da minha rua, que tem os olhos onde a lua
costuma se embriagar e o sol, num dourado sonho vai claridade buscar”. De olho
na minha vizinha. Deixei os encantos musicais, mas continuei “mignon”!
Dei a minha atenção integral aos livros,
consolidado no curso científico do Atheneu, verdadeira Academia da cultura
espontânea onde concluí meus estudos, concomitantemente com o chamamento da
pátria, onde cumpri minha tarefa no Exército brasileiro, no qual assimilei os
mais relevantes valores da cidadania.
Recém saído da adolescência irrequieta, mas
responsável, pois desde cedo assumira encargos da casa paterna, fui fisgado
pelo amor de Therezinha, com quem travei estreita convivência e casei há 55
anos em Belém do Pará e nessa condição ingressei na vida universitária já pai
de Rosa Ligia, circunstância que me obrigou a desistir das serenatas, da
curtição do maluco beleza (Raul Seixas) e da maravilhosa irresponsabilidade das
músicas de Cazuza e, na UFRN, não participei dos movimentos estudantis
exatamente pelos encargos de chefe de família neófito, mas nela tive
trajetória de longo curso: tudo começando em fevereiro de 1964, quando, cheio
de esperanças, ingressei na velha Faculdade de Direito da Ribeira. Logo no mês
seguinte ao “trote”, e já em pleno período letivo, fui surpreendido pelo
movimento que instalou o governo militar e daí por diante vivenciei
os tormentosos dias dos estudantes, funcionários e professores - até o dia 8 de
dezembro de 1968, data da minha formatura e do mês fatídico do AI-5, cuja
colação de grau só foi possível pela ação enérgica dos professores Oto de Brito
Guerra e Onofre Lopes, que conseguiram juntos guiar esta Instituição
sexagenária pelos dias de escuridão, mantendo-a íntegra e independente,
atributos que permaneceram, como testemunhei, porquanto foi pequeno o espaço de
tempo em que dela estive separado, eis que em 1976 retornei para iniciar meu
caminho de docente, compartilhando as ameaças veladas da repressão, até o
restabelecimento da liberdade, como registrado no Relatório da Comissão da
Verdade da UFRN, que tive a honra de presidir, com a participação de legítimos
e operosos representantes de todas as categorias que formam a instituição e
valorosos estagiários que ajudaram a construir um relato verdadeiro e
elucidativo de um período que não deixou saudades, embora estejamos novamente a
juntar os pedaços de uma democracia esfacelada pelos novos e deletérios
costumes que assolam nossa sociedade nos dias presentes.
E assim se passaram os anos até atingir a idade
compulsória e 35 anos de serviços, continuando mesmo depois de aposentado e
portador de doença traiçoeira, como colaborador na graduação e especialização,
participando das bancas e em sala de aula por algum tempo mais.
Se for indagado sobre o motivo de investir em tanto
saudosismo numa solenidade tão importante, responderei com a expressão de Simone
de Beauvoir:
“O meu passado é a referência que me
projeta e que eu devo ultrapassar. É ao meu passado que devo o meu saber, a
minha ignorância, as minhas necessidades, as minhas relações, a minha cultura e
o meu corpo.”
Nesse percurso de vida pública, ocupei inúmeros
cargos, ingressei em várias instituições corporativas e de cultura, recebi
muitas comendas e honrarias. Mas confesso: de todas as homenagens
que recebi ao longo do tempo, nenhuma tem o significado igual ao deste título
que agora recebo, de “Professor Emérito”.
Os presentes não podem avaliar a emoção e o peso
que senti de tamanha responsabilidade e que me invadiram desde o momento em que
foi marcada a data desta solenidade. A síndrome da insônia tornou-se
companheira diária e houve momentos em que batia a emoção, agravada quando meu
estimado colega da Comissão da Verdade, o então estudante Juan de Assis
Almeida, hoje mestrando na UNB, me alertou que o Curso de Direito, nesses 60
anos, teve a outorga de apenas 21 títulos de Professor Emérito (entre esses o
meu pai, professor José Gomes da Costa), sendo o último agraciado o meu querido
amigo e colega de Procuradoria do Tribunal de Contas Múcio Villar Ribeiro
Dantas, que nos deixou nesta Universidade o talento do Professor Marcelo
Navarro RIBEIRO DANTAS – exemplo de cultura e dignidade.
A inatividade legal não retirou o meu entusiasmo
para continuar, agora entrei na luta para restaurar a velha Casa do Direito da
Ribeira “canguleira”, quase em ruínas, onde deveremos fazer ressurgir uma parte
heroica da nossa história.
Minhas Senhoras e Meus Senhores, neste momento de
grande emoção, só tenho palavras para agradecer a esta minha morada de grandes
lutas e de saudades, aos companheiros que aprovaram meu nome para tão
importante honraria, comandados pelo amigo Ivan Lira, que guardou a fidelidade
de ex-aluno, transcendendo o meu perfil ao fazer sua saudação, ao Professor
Tarcísio Gurgel, que apresentou o meu currículo de maneira competente, como
sempre, e aos meus amigos que se dignaram me prestigiar com suas presenças, em
especial os que aceitaram participar das Comissões, todos formatando um quadro
que ficará emoldurado em minha memória até o findar dos meus dias. Todavia, sem
ter qualquer pressa, proclamo que ainda tenho forças para outras jornadas.
Nestas últimas palavras, cai bem repetir a
extraordinária Simone de Beauvoir:
“A impressão
que eu tenho é de
não ter envelhecido,
embora eu esteja
instalado na velhice.”
OBRIGADO.
Natal, 20/4/2018
____________________
MENSAGENS/COMENTÁRIOS:
Professor Carlos Gomes, gostaria de registrar meu agradecimento pelo convite a compor a Comissão de Honra de aposição da Veste Talar. Foi um momento único que ficará eternamente gravado em minhas lembranças. A simbologia do ato foi de um verdadeiro encontro geracional de um iniciante jurista e advogado com um experiente e notável advogado e professor numa cerimônia de congraçamento e reconhecimento do legado intelectual, imaterial e material deixado pelas gerações antecessoras (pelo senhor) para as novas e futuras gerações. O título de Emérito era algo esperado porque merecido por tanta abnegação às causas coletivas que enriquecem nossa cultura e nossa história. Confesso do meu entusiasmo, porquanto procurei, mesmo de longe, acompanhar todo o processo de aprovação nas instâncias da UFRN, o que ocorreu unanimemente em todas elas. Agradeço, igualmente, por todas as referências feitas nos discursos oficiais e informalmente a mim. Além de me envaidecer, é prova da sua generosidade e envolvimento com as grandes causas que juntos enfrentamos e haveremos de enfrentar. Da mesma forma que o senhor concluiu o discurso afirmando que aceita as novas jornadas, também registro o meu empenho nas outras lides da vida. Muito obrigado! Parabéns pelo Título de Emérito da UFRN! Abraços. (Juan de Assis Almeida).
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Carlos de Miranda Gomes agora é Professor Emérito da UFRN
foto:Prof Angela Paiva
Ao Mestre com Carinho...
A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) concedeu o Título
de Professor Emérito ao educador Carlos Roberto de Miranda Gomes na sexta-feira
(20). O título é conferido aos profissionais da área acadêmica de notório
legado para a sociedade e para a UFRN.
...Comissão da
Verdade
Um dos mais notáveis trabalhos do homenageado foi a contribuição como
presidente da Comissão da Verdade, que buscou investigar as violações aos
direitos humanos na Instituição durante a Ditadura Militar.
Atualizado: O Professor Carlos de Miranda Gomes foi homenageado pelo
professor e Juiz Federal Ivan Lira.
Tribuna do Norte, 21
de Abril
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