quarta-feira, 31 de maio de 2017

H O J E




O BRASIL ESTÁ DESPIDO
PADRE JOÃO MEDEIROS FILHO
Neste país, chamado Brasil, ninguém mais se espanta com algum novo escândalo de corrupção ativa ou passiva, malversação e tráfico de influência. O tecido de nossa institucionalidade política, social, administrativa, econômica (e até religiosa, consoante alguns) esgarçou, carcomido pelos desmandos, desvios e até pela desfaçatez. Os eleitores – seria ou levianamente – votam. Mas, geralmente é o poder econômico que elege. No ápice da pirâmide da desonra e da improbidade, muitos eleitos se entendem, “compartilham os despojos”, se recompensam e se rejubilam. Provavelmente, riem da ingenuidade e inépcia do povo brasileiro.
No entanto, nem por isso devemos desacreditar na democracia, desde que haja disposição de acabar com a plutocracia e cleptocracia, já denunciadas pelo Padre Vieira, em seu famoso e atualíssimo “Sermão do Bom Ladrão”, proferido na Igreja da Misericórdia (Lisboa), no ano de 1655. Muitos concordam que a operação Lava Jato é, em tese, positiva, não obstante os riscos, as pressões e tentações que a cercam.
Lembrando o livro de Fernando Sabino e a crônica de Andersen, o Brasil está nu, humilhado nacional e internacionalmente. E dois poderes republicanos – legislativo e executivo – estão dependurados no judiciário. Às vezes, tem-se a impressão de ser este último quem governa e preside de fato o país, malgrado suas deficiências. A Imprensa nem sempre cumpre o seu papel imparcial e objetivo de formadora da opinião. E para as redes sociais, de alcance incalculável, parece ser mais fácil e atraente atear lenha na fogueira e se jactarem em pôr à lume escândalos e desgovernos.
Contudo, o Brasil merece retomar o curso normal do processo democrático e, para isso, vários governantes, políticos e homens públicos deveriam renunciar a seus cargos e funções. O Evangelho é claro. Porém, a maior nação católica do mundo não entendeu ainda a frase de Cristo: “Pois todo aquele que se exalta, será humilhado, e quem se humilha será exaltado” (Lc 14, 11). Não é possível tentar costurar “remendo de pano novo em roupa velha” (Mt 9, 16), relembrando outra passagem evangélica. É triste ver o Brasil em queda livre. A população, além de sofrida, está perplexa e atordoada, diante de um mar de acusações, denúncias e delações. Onde fica a Igreja, sacramento de Cristo, “Lumen Gentium” (Luz dos Povos)? Ela não deve aumentar o nosso sofrimento, fazendo crescer a hemorragia do desencanto e da desesperança, acatando posições de pessoas e instituições oportunistas – de intenções eleitoreiras – que usam nossa gente. A Igreja deve servir ao Povo de Deus e não se servir dele. Mais do que nunca, como instituição religiosa e apartidária, deverá neste instante crucial da história brasileira ser isenta, buscando pessoas, acima de qualquer suspeita, sugerindo e apontando caminhos que conduzam ao bem-estar da nação. Não se deve escolher os que poderão ser desalojados, isto é, os suspeitos de corrupção ou por eles indicados.
O Brasil enfrenta uma fase difícil de sua história. Isto exige retidão, audácia e criatividade capazes de promover dinâmicas e encontrar respostas, que tornem a sociedade mais civilizada, com igualdade e respeito à dignidade humana. Nessa direção, devem ser eliminados privilégios que causam exclusão e envergonham o país. Também é hora para se cultivar o sentimento patriótico.
As instituições nacionais são chamadas a procurar o caminho das mudanças. A própria Igreja Católica encerra na sua essência o princípio doutrinário “Ecclesia semper reformanda”, mencionado em documentos eclesiásticos e presente em contextos históricos, levando-a a ser compreendida como passível de revitalizações em sua missão e estrutura. A exigência de transformações é inquestionável, quando se busca oferecer respostas a desafios prementes.
É, portanto, imprescindível estabelecer um amplo diálogo para superar os obstáculos advindos da desonestidade e assim avançar rumo às inadiáveis reformas. É preciso começar a construir uma virada civilizatória e cultural no Brasil. O repto maior é como efetivá-las, diante do momento abissal vivido no país, de debilidade política e moral. Um contexto que exige ainda mais lucidez, sabedoria e sentido de cidadania. O alicerce reside também na fé. “Não ficarão desiludidos os que Nele confiam” (Sl 25, 3). O problema do Brasil é, sim, a fragilidade ética e moral, de cultura e educação, sobretudo, ausência de Deus.

terça-feira, 30 de maio de 2017


LUZES DA CIDADE



Valério Mesquita*




Poderia até ser o filme de Chaplin. Mas, semana passada, no feriadão, fui ver Macaíba do jeito que eu gosto: sem ser visto ou tocado, escondido na névoa do tempo. Rever e reviver as pessoas, as ruas, as casas e os lugares. Coisas amadas, fortuitas, semidesaparecidas, casuais, descuidadas, assombradas mas constantes em mim. Como náufrago, aos setenta e quatro anos, com os lapsos do cansaço, compreendi a palavra de Sanderson Negreiros de que: “na passagem do tempo – tudo passa e nada cessa”. Tudo ao meu redor, percebi, enfim, encerrava uma absoluta identidade comum: Macaíba permanece em mim como um cais de recordação.

Ruas da Cruz, Pedro Velho, da Conceição, do Vintém, da Aliança, do Araçá, do Gango, do Benjamim, do Cajueiro, as Cinco Bocas, da Cadeia, praças da igreja e Antonio Melo Siqueira, rua do Barro Vermelho, do Fio, do Pernambuquinho, Campo da Mangueira, Alto da Raiz, Trinta de Março, Campo Santo, cais do rio Jundiaí. Eis o inventário telúrico que tracei e naveguei em minha viagem de circunavegação emocional. Todos os lugares interagem como fator de unicidade vivencial porque me falam uma linguagem intimista, visual e sentimental de tudo que vivi e representei em minha terra.

Revisitei de memória o cinema Universal de Walter Ferreira; o cine teatro Independência de Manoel Corcino; o de Ranilson Costa e seu “cinegrafista” Rui Marciano, e, por fim, o de D. Terceira para dizer que em Macaíba não existem mais as casas de exibição. E nem clubes sociais como o Pax Clube e o Centro Lítero Recreativo que congregavam a sociedade local. Por igual, não existem mais banhos na maré (rio Jundiaí), que deu lugar à poluição. Hoje é o mar morto de minha ilusão, da rebentação de minha meninice, onde o navio perdido na imensidão dos sonhos é o barco do velho marinheiro macaibense João Lau.

Entre alguns sobressaltos: o desaparecimento de “Cocadinha”, baixo, atarrancado, ajudante de oficina, freqüentador habitual da Farmácia Milagrosa de Vinício Ferreira – outra figura telúrica que ajudava o folclórico “Cocadinha” a livrar-se do alcoolismo que piorava quando o apelidavam de “Açucareiro”. Nas “Cinco Bocas”, petrificados nas paredes, como chamas que a saudade semeia, estão escritos os nomes de Alfredo de Almeida, João Manteiga, Antonio Assis, D. Mocinha, Zezito da “banca de bicho”, a padaria Central de mestre Pedro e o bar “Gato Preto” de seu Vital.

“Vai trabalhar Maria Cabral”, era o dito indefectível dos mais jovens a mulher assim chamada, só para ouvir, em troca, os impropérios da velha caminhante das tardes pelo centro das ruas. Morena escura, cabelos soltos e grisalhos, mais parecia uma feiticeira raivosa só para assustar crianças desobedientes. No patamar da matriz, lembrei-me de muitos vigários. Do sacristão Adelino Moreira, personagem litúrgico extraído da bíblia para compor o cerimonial da igreja onde o padre Chacon perdoava cochilando no confessionário os pecados da cidade. O caminhão de Zé Pelado, tal e qual um Nautilus remendado, que arrecadava os detritos, não daria conta, hoje, do lixo urbano. Isto porque lá do outro lado da ponte, os limites da cidade eram assinalados pelas bodegas de Chico Bento e a de Zé Deca, cá na rua da Cruz. Ambas demarcavam os pontos cardeais de Macaíba.

Já falei em crônicas passadas, em muitos nomes e renomes que desenhavam o universo de minha terra. Igualmente, aos que são revividos nesta página eu os cumprimento da janelinha aberta sobre a imensidão da noite do meu tempo. Já era tarde quando retornei a Natal. Foi quando senti, ao chegar, uma imensa saudade de Alfredo e Nair. Ambos, neste maio de 2017, fariam 117 anos, respectivamente nos dias 23 e 30.

(*) Escritor.

INÁCIO MAGALHÃES DE SENA, "O BISPO DE TAIPÚ"



28/05/17 18:37:25: Carlos Gomes: Inácio, tirei o domingo para ver alguns filmes, entre os quais Rei dos Reis, de Cecil B. De Milles. Encantador, feito na pureza de um tempo em que o cinema era mudo, mas nos dava a emoção suficiente para acalmar o coração e elevar o espírito. 
Nesse clima recebo um "zap" seu com a entrevista de Helio contando como o acaso colocou você na rota do cinema. 
A franqueza do jovem cineasta me emocionou, pois ele narrou como o destino colocou uma figura extraordinária - você no caminho de estudantes em busca de algo diferente, mas que resultou num trabalho elogiável, capaz de revelar ao grande público um ser genial. 
Parabéns, eu estou orgulhoso (no bom sentido) de ser seu amigo.

domingo, 28 de maio de 2017

O IHGRN ESTÁ VIVO (texto de Carlos Roberto de Miranda Gomes)


      Em que pesem os percalços vividos desde 2013 até 2016 pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, duas vezes fechado por motivo de embargo para o público e por denúncia anônima de inimigos da cultura, a obstinação dos Presidentes Valério Alfredo Mesquita e Ormuz Barbalho Simonetti, com o apoio de toda a Diretoria e mais do Presidente Honorário Jurandyr Navarro, conseguimos, mercê do trabalho profissional dos advogados Armando Holanda, Carlos de Miranda Gomes e Rocco José Rosso Gomes, a compreensão dos que integram o IPHAN e a boa vontade dos Magistrados e Procuradores Federais que decidiram a querela, UMA VITÓRIA ANSIADA. Podemos agora afirmar que o IHGRN está vivo. Podemos afirmar, agora, que o IHGRN está vivo.
      Graças a dotações obtidas do Governo do Estado, com a ação da Assembleia Legislativa e uma substancial ajuda da então Secretária Betânia Ramalho, continuado por Cláudia Santa Rossa e mais a grata participação da Prefeitura Municipal do Natal e da Câmara de Vereadores, conseguimos os recursos necessários para adquirir estantes deslizantes, recuperar integralmente a sala da biblioteca, pintura geral do prédio e início do acondicionamento dos documentos e livros no novo espaço, restando a catalogação, já em andamento, para viabilizar pesquisas virtuais, sem a necessidade do desgaste dos documentos originais.
      Como prova de tudo isso, publicamos uma sequência de fotografias reveladoras da alegria com que ressurgimos no cenário cultural:

A alegria da reabertura


 22/05/17 - Visita de cortesia a Secretária  de Educação, Cláudia Santa Rosa por membros da diretoria do IHGRN.  Foto Márlio Forte




O prédio com a pintura recuperada



28/05/17 - Crianças de escolas primárias em visita ao Largo Vicente de Lemos (Largo Florido) recebendo aula de seus professores sobre a Coluna Capitolina. Muito em breve poderão adentrar as dependências do INSTITUTO HISTÓRICO e receber outras aulas em seu interior. Situações como essa é que nos fortaleceu no passado e nos fortalece para enfrentar todas as dificuldades do por vir.


A alegria da visita contaminou todos os que fazem o IHGRN. Doravante isso será constante.

O nosso jardim é motivo de orgulhos. Parabéns para a dedicação de Manoel.


Disciplina exemplar.

A hora da despedida. Até breve!
FOTOS DE ORMUZ.

MARCADA A DATA DA REABERTURA OFICIAL, COM EXPOSIÇÃO DAS OBRAS DE DORIAN GRAY, DO SEU ACERVO PARTICULAR
8 DE JUNHO

DIA 31


quinta-feira, 25 de maio de 2017

CONVOCAÇÃO




INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RIO GRANDE DO NORTE
 
CONVOCAÇÃO PARA SESSÃO DE ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA
E D I T A L
            O Presidente do INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RIO GRANDE DO NORTE – IHGRN, na conformidade das disposições combinadas dos artigos 10, parágrafo único e 15, letra “d” do Estatuto Social vigente, CONVOCA os seus sócios que estejam em pleno gozo dos seus direitos sociais estabelecidos no referido Estatuto, para se reunirem em Sessão de Assembleia Geral Ordinária, que se realizará no dia 31 de maio vindouro (quarta-feira), no auditório da Instituição, à Rua da Conceição, 622 – Cidade Alta, nesta Capital, às 10:0h em primeira convocação, com presença da maioria absoluta dos sócios e 10:30h em segunda convocação, com qualquer número, a fim de discutir e deliberar sobre a seguinte pauta:
a)      Apreciação do Relatório de Gestão e Demonstração Contábil da Diretoria, exercício de 2016;
b)     Outros assuntos correlatos.
Natal, 19 de maio de 2017
Ormuz Barbalho Simonetti
Presidente

(Publicado no D.O.E. de 20/5/2017)

quarta-feira, 24 de maio de 2017



 NOBRE INFANTARIA - 24 de Maio

Somos esses infantes, que, na marcha para o desafio, não nos importamos com as dificuldades. A nossa missão é superar limites. Arma de homens sem medo, que cantam ameaçadoras canções e, assim, se esquecem de si e fazem a perfeita comunhão entre o fuzil, o alvo e a vitória. 

O mito da Infantaria se construiu ao longo de milênios, sendo a principal e mais antiga Arma do Exército. Alexandre da Macedônia com seus infantes, bem treinados, formava a falange, estrutura de combater que corroborou de forma decisiva para a consolidação do maior império que o mundo já havia visto: 30 mil homens eram suficientes para derrotar 110 mil inimigos. Nobreza igual foi realizada pelos infantes de Roma, os legionários. O poder da Infantaria foi traduzido nas palavras de Napoleão: “Floresce ou perece uma nação segundo o seu exército; vive ou morre o exército segundo o valor de sua infantaria".
Se falam que a Infantaria é a Arma dos primeiros a morrer, saibam que, assim como nos inspira e exemplifica Sampaio, que em Tuiuti teve seu corpo alvejado três vezes, a vida do infante só tem valor se for para lutar pela honra e pela soberania de sua Pátria.
Disse um contemporâneo do Patrono: "A idéia de eu passar para a Infantaria não me abandonava. Esta arma exercia sobre mim indizível fascinação. Quando passava um daqueles belos batalhões da Divisão Sampaio, a Encouraçada, de bandeira desfraldada, os pelotões alinhados, guardando bem as distâncias, marchando airosos e elegantes, ao som alegre de um dobrado vibrante, não me podia conter e punha-me a marcar passo..." Esse era o espírito tenaz em que se traduzia a alma dos infantes num uníssono perfeito.
A morte, a Sampaio, lhe trouxe a imortalidade do heroísmo que banha a alma de todos aqueles que são designados pelo destino a cruzar os campos de batalha em meio a minas, tiros e estilhaços. O Infante é aquele que desce ao inferno da batalha para ascender ao céu da vitória, pois, sob o aço fervente do fuzil em rajada, colorimos de vermelho e calor as frentes inimigas. O infante é aquele que encara o inimigo face-a-face, olho no olho, que tem no seu peito a sua blindagem, no seu coração o seu motor, no seu sangue o seu combustível e na sua mira o seu canhão. É por isso, senhores, por esse sentimento único que sente o soldado de infantaria ao ter, na luta, a glória da vitória ou a glória da morte pelo seu país e pelos seus ideais, que a Infantaria sempre existiu e nunca deixará de existir.
Resta a nós agora, discípulos do Brigadeiro Sampaio, nesta Imperial Casa, mantermos o espírito de união e a coragem que tanto caracteriza a nossa Arma para fazermos dela a Sua Majestade, a Rainha das Armas. 
INFANTARIA!
Fonte: Al Vinícius Alves, da Companhia de Infantaria (Colégio Militar do RJ).

_______________
HOMENAGEM DO CABO DE INFANTARIA, CARLOS, CCS, 16 RI (RESERVISTA), 1959, titular deste Blog..

A ODISSEIA DA CASA DO ESTUDANTE DE NATAL







Sobre este tema procurei ajudar os estudantes até o ano passado, elaborando o projeto de novo Estatuto e Regimento Interno, legalização da sua situação social e fiscal, preparei atas para a regularização da legalidade e legitimidade do corpo dirigente, enfim, busquei ajuda de entidades para socorrer os ocupantes da Casa no tocante a alimentação e participando de reuniões com ex moradores, autoridades do Governo do Estado, Ministério Público de Contas e Assembleia Legislativa e com o Ministério Público Estadual, com o qual foi celebrado um TAC (Termo de ajustamento de conduta) que surtiu algum efeito, mas dependia de sua continuidade.
Recordo aqui alguns tópicos então abordados, que foram objeto de artigos e publicações nos órgãos informativos do Estado:

O Prédio
O prédio secular, segundo a jornalista Nelly Carlos Maia, em períodos da segunda metade do século 19 serviu como sede do Hospital de Caridade, que se transformou em Hospital de Caridade Juvino Barreto, a Escola e Aprendizes Artífices e depois o Quartel de Polícia, entidades essas que ganharam posteriormente novas sedes. A nota de maior importância histórica é que ao tempo do levante conhecido por “Intentona Comunista”, em 1935, ali era a sede do Batalhão de Segurança.
          
As crises e o SOS Casa do Estudante
            Com o andar do tempo e o descaso periódico dos órgãos governamentais, Casa do Estudante passou a viver sucessivas crises de maior gravidade, perdendo a sua identidade, com a ocupação por pessoas não estudantes até chegar a um ponto de verdadeira degradação, seja pela falta de alimentação, falhas na administração, deterioração das dependências do prédio, dos equipamentos de cozinha sendo obrigada a reduzir drasticamente o uso dos 50 quartos para cerca de apenas duas dezenas, convivendo com a insegurança em razão da proximidade de um bairro onde prolifera droga e delinquentes perigosos, o que motivou registros pela imprensa, inúmeras vezes, mostrando a situação nua e crua.
            De certa feita, para minimizar as dificuldades o Governador Sílvio Pedroza chegou a pensar na possibilidade de encampar a Casa, sob a condição de poder escolher os seus dirigentes. Os residentes recusaram, continuando a mantê-la distanciada do caráter oficial, mesmo com o perigo de fechamento de suas portas. Mesmo assim foram celebrados convênios para o fornecimento de refeições, não renovados sucessivamente, fazendo retornar as crises circunstanciais.
            Foi diante de denúncias levadas a público que pessoas da sociedade, nas quais me incluo, resolveram intervir de alguma forma.
            Da minha parte usei os meios da rede social e os veículos da imprensa local, encetando uma campanha que denominei S.O.S. CASA DO ESTUDANTE, com os desdobramentos de outras matérias e Exposições de Motivos.
            Meus apelos foram compartilhados por grande número de amigos e ex residentes, com oferecimento de ajuda, embora um número insignificante tenha se manifestado contra essa solidariedade sob alegações diversas - a Casa já não tem mais importância; ali existem viciados; já cumpriu o seu papel. Em verdade não atentaram que continuam a existir estudantes carentes; uma Casa guardiã da nossa história e que precisa de socorro.
Tive a oportunidade de ser ouvido pelas entidades de serviço, como o Rotary Natal Sul, que supriu a Casa de mantimentos e material de limpeza durante alguns dias, a promessa do Lions Clube. Mantive contato, juntamente com os dirigentes maiores da Casa Jorge Danilo e Serafim com O Governador Robinson e Vice Governador do Estado Fábio Dantas, da Chefe da Casa Civil Tatiana Mendes Cunha, com alguns Vereadores e Deputados e com o Procurador Geral do Ministério Público de Contas Luciano Ramos que se mostraram sensíveis. Este último expediu a Portaria nº 004/2015, de 19 de janeiro de 2015 determinando a instauração de Procedimento Preparatório, a fim de apurar os fatos noticiados, determinando, inicialmente, o registro, a autuação e a publicação da Portaria e designação do servidor Murillo Victor Umbelino Machado, Inspetor de Controle Externo do TCE-RN para secretariar o feito. Ficou só no papel.
  Também houve contatos com o Ministério Público Estadual e outros órgãos e Entidades.
         Como resultado prático, no final do mês de abril deste ano de 2015, a Casa recebeu a visita de duas representantes do MPE orientando procedimentos a serem tomados para a regularização documental e os benefícios desse proceder. Também com uma assistente social e o Diretor da Sethas, que ressaltaram a importância do recebimento das declarações dos moradores (Recadastramento) que ainda não entregaram, para ser possível o fornecimento de alimentação. Ademais foi dito que a Sethas tem interesse de reformar a cozinha e o refeitório para criar um serviço de self service gratuito para os estudantes da Casa e da Casa onde residem as estudantes, fornecendo café, almoço e jantar diariamente.
            Por derradeiro, o MPE propôs um TAC – Termo de Ajustamento de Conduta que foi submetido à Assembleia Geral daquela Casa para uma definitiva solução.

E agora?
  São notícias que demonstram que as coisas poderiam ter se modificado. Lembro-me bem do interesse e da luta do pranteado Amigo Marcos Dionízio. Contudo, desentendimentos internos da Casa do Estudante provocaram sucessivas renúncias dos seus Presidentes e então retirei-me da luta por sentir as extremas dificuldades na solução do impasse pela falta de colaboração dos principais interessados, gerando agora o recrudescimento do problema, com maior gravidade, conforme noticiário da mídia natalense.
            Lamento muito o que está acontecendo, mas ainda me disponho a colaborar na regularização e reconstrução de uma Entidade que tem história.

domingo, 21 de maio de 2017


UM ESCLARECIMENTO
Por: Carlos Roberto de Miranda Gomes, do IHGRN

Em sua coluna Roda Viva, edição de hoje, o ilustre jornalista Cassiano Arruda reclama do esquecimento do nosso maior herói, o Padre Miguelinho (Miguel Joaquim de Almeida e Castro), figura emblemática na Revolução Pernambucana de 1817, onde foi o Secretário de Interior, mercê da sua grande capacidade de redigir documentos, coragem, poder de oratória, atributos consolidados com o seu trabalho de Professor de Teologia.
Miguelinho pertenceu à Ordem Carmelita da Reforma, onde tomou o nome de Frei Miguel de São Bonifácio. Contudo, pela diversidade de seus trabalhos, conseguiu do Papa Pio VII a secularização e ficou conhecido como Padre Miguelinho, haja vista ser um homem de pequena estatura física em contraste com o seu gigantismo de patriota.
O Padre Miguelinho foi condenado e executado na Bahia em 12 de junho daquele ano, sepultado no Cemitério do Campo da Pólvora.
Em verdade, ele não foi esquecido, pois o nosso Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte lhe vem prestando homenagens desde o dia 29 de março, com a entronização no recinto da sua estola, por ocasião das comemorações da passagem dos 115 anos, conduzida por dois religiosos. Na mesma ocasião foi lançada uma edição histórica da Revista do Instituto, a qual traz inúmeras referências e discursos sobre o nosso mártir.
Por último, já está preparada outra solenidade sobre o pranteado Miguelinho para o dia 12 de junto vindouro.
Este articulista preparou um trabalho para publicação na próxima revista da ANRL com o título de MÁRTIRES POTIGUARES NA REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA DE 1817.
Está justificado o equívoco.


sábado, 20 de maio de 2017


segunda-feira, 15 de maio de 2017

O fim do futebol-arte
 BERILO DE CASTRO


Quem acompanhou as decisões  dos campeonatos  regionais brasileiros, percebeu  claramente que os times, de uma forma geral, estão jogando um futebol que impera a força física, o corpo a corpo, muita correria, muito choque pessoal. Impressionante! Inassistível!
    Observa-se nitidamente, com pesar e tristeza, a ausência do futebol pensado, o futebol-arte, técnico, cadenciado e acadêmico; assim sendo, percebemos claramente  o seu desaparecimento, o seu final.

Não vemos mais o espetáculo do toque de bola refinado; das belas e rápidas tabelas dos atacantes na pequena área dos adversários; dos  gols trabalhados com muito requinte; das  geniais criações de jogadas de meio de campo; das jogadas de mestres dos zagueiros de área, saindo com a bola dominada e armando o jogo com o meio de campo; do perfeito posicionamento da defesa na pequena área, nas jogadas altas.
         O que temos assistido são jogadas feias e mal elaboradas; bolas não dominadas e chutões  para o alto; jogadores com medo da bola, procurando a todo custo se livrar o mais rápido possível das jogadas; passes errados em pequenas distâncias; chutes dispersos; o feio e confuso agarra agarra, os abrações dentro da pequena área no momento dos escanteios.
Não querendo ser saudosista, nem valorizar o passado, somos obrigados a voltar na esteira do tempo para  lembrar com orgulho e alegria do Flamengo de Zico e Leandro; do Santos de Pelé e Zico; do Palmeiras de Ademir da Guia e Luiz Pereira; do Cruzeiro de Tostão, Dirceu Lopes e Nonato; do Atlético Mineiro de Reinaldo e Toninho Cerejo; do São Paulo de Dino Sani e Kaká; do Botafogo de Garrincha, Newton Santos e Marinho Chagas; do Vasco da Gama de Giovani e Romário;  do Fluminense de Rivelino e Pintinho; do Corinthians de Sócrates e Souza; o Grêmio de Porto Alegre com Ronaldinho; do Internacional de Lula e Falcão, e, de outras grandes estrelas de épocas passadas. Indiscutivelmente, perdemos a identidade e a  referência.

Hoje, os admiradores e conhecedores do bom futebol estão  se valendo e recorrendo aos embates europeus; o futebol da Liga dos Campeões da  Europa (Champions League), o futebol-arte, aberto, pensado, técnico, planejado, que empolga, emociona, enaltece o esporte mais popular do mundo.
        Que bom, assistir e vibrar  com as  belíssimas  apresentações dos ricos times da Europa, como o Real Madri, o Barcelona, a Juventus, o Bayern de Munique, o Chelsea e outros de iguais quilates.
Que o futebol - arte volte às equipes brasileiras e, assim sendo, possamos  novamente assistir belos e empolgantes espetáculos, que tão bem caracterizaram  e enriqueceram o país que sempre foi lembrado e reconhecido como o berço maior do  futebol mundial -  a terra do rei do futebol do planeta - Pelé.  




domingo, 14 de maio de 2017

HOMENAGEM ÀS MÃES



(Eugenio Bezerra Cavalcanti Filho)

Ana Carolina Vilela da Costa, mais conhecida como Ana Vilela, nasceu em Londrina/PR há 18 anos. Aos 12 anos de idade aprendeu a tocar violão com o tio, e aos 14, já compunha. Em dezembro do ano passado, uma de suas músicas, a canção “Trem Bala”, fez tremendo sucesso nas redes sociais. E o ano de 2017, para ela, não poderia ter começado melhor. Gisele Bündchen surgiu nas redes sociais tocando violão e cantando a canção, após sua assessoria ter pedido autorização para o uso da “Trem Bala”. E a famosa modelo ainda postou: ''Obrigada, Ana Vilela, por ter criado uma música tão verdadeira. A letra é tão inspiradora que até me arrisquei a cantar''.
Agora, a compositora fez uma linda versão da “Trem Bala”, para homenagear todas as mães, em razão do seu dia próximo. A música foi feita a pedido do Banco do Brasil, que divulgou o vídeo. O resultado ficou emocionante e já levou muitas mamães às lágrimas, entre elas a atriz Thaís Fersoza. “Aí você recebe de uma amiga a versão que Ana Vilela fez pro Dia das Mães, e olha como é que a gente fica! É chora de lá, chora de cá!”, disse a atriz em suas redes sociais. Se deliciem, então com o vídeo e com a letra!


TREM BALA (versão Dia das Mães)

Ana Vilela

Não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si 

É sobre saber que em algum lugar alguém zela por ti 
É sobre desde cedo aprender a reconhecer a sua voz 
É sobre o amor infinito que sempre existiu entre nós 
É saber que você está comigo nos momentos 
Que eu mais preciso pra me acompanhar 
Então fazer valer a pena cada verso 
Daquele poema sobre o que é amar


Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu 

É ver que você me ajudou a trilhar cada caminho meu 
É sobre ter abrigo e fazer morada no teu coração 
É se eu precisar você sempre irá estender sua mão 
A gente já passou por tudo 
Qual seria a graça da vida sem você aqui? 
Pra ser o meu porto seguro 
Presente que a vida me deu logo que eu nasci


Não é sobre tudo o que o seu dinheiro é capaz de comprar 

E sim sobre cada momento que juntas podemos passar 
Contigo aprendi que o mais importante é ser do que ter 
E pelo o que eu me tornei só tenho a te agradecer 
Você me segurou no colo, sorriu 
E entendeu realmente o que era amar 
E eu desde o primeiro dia tão pequena 
Já soube que em ti podia confiar.
___________________

MÃE

Mãe
devo-te este poema
que sempre
seguirei querendo
escrever
 
esperei fazê-lo
em toda a minha vida
 
esperei o sol
e a lua
 
e ambos passaram
e voltaram
com palavras mudas
douradas e
pálidas
 
versos
trouxeram-me as estrelas
o mar
e os rios
 
versos que devolvi
aos livros
e ao tempo
que os prendia
 
mas o teu poema
estava sempre
aquém e além do tempo
 
e a voz para dizê-lo
não me pertencia
 
mas vi-o
em teu ventre
onde vi nascerem
as dimensões da vida
 
e as dimensões
de Deus
 
e se o amor triunfa
em caminhos infinitos
 
não pode haver começo
ou fim
para o teu poema
 
 
                                                    (Horácio Paiva)
_____________________

Com esses dois preciosos trabalhos de dois amigos, faço a minha homenagem às mães em geral e, particularmente, à minha inesquecível Dona Lígia a quem dedico mais uma expressão real:

"Há duas classes de pessoas insubstituíveis nos cargos que ocupam: as mães e os gênios. A mulher mãe nem por outra do mesmo quilate pode ser substituída, porque a ternura maternal é peculiar a cada uma".
(Trecho escrito pelo Padre Luiz Teixeira, conhecido como 'Leão do Norte', na obra em homenagem ao virtuoso Padre Monte).

Pois é, minha mãe, o sentimento de orfandade ainda dói em mim. A Senhora está presente em minha vida permanentemente. Hoje, é apenas o dia consagrado às mães, mais um dia de profunda saudade.

Carlos Gomes