quarta-feira, 3 de julho de 2013

C O N V I T E



NOTÍCIA ALVISSAREIRA


Ação judicial da locomotiva Catita permanece em Natal (RN)

IPHAN alegava competência da Justiça Federal em PE para julgar o caso
O desembargador federal Edilson Pereira Nobre negou pedido liminar ao Instituto do Patrimônio Histórico Cultural (IPHAN), sediado no Recife, que busca impedir a transferência para Natal (RN) da Locomotiva nº 03, também conhecida por Catita. A Locomotiva, reclamada pelos potiguares, encontra-se na Estação Central do Recife, sob a guarda do IPHAN.
O IPHAN agravou ao Tribunal, pedindo a cassação da tutela, para remessa dos autos para a Seção de Pernambuco. O relator do agravo, Edilson Nobre, manteve a decisão da 4ª Vara, com base no artigo 2º da Lei nº 7.347/85 (Lei da Ação Civil Pública) e na desobrigação em relação convênio nº 44/2003.
A HISTÓRIA DE CATITA - A Maria-fumaça integrou um conjunto de máquinas adquiridas pela Rede Ferroviária Nacional SA (REFESA), em 1906, e inaugurou a ponte sobre o Rio Potengi, 10 anos depois, durante o Governo de Walfredo Gurgel. Entre 1966 e 1969 as locomotivas a vapor foram desativadas, sendo substituídas por máquinas a diesel-elétrica, restando por último a Catita, aposentada em 1975.
Após sua desativação, o trem foi enviado para a REFESA, no Recife. O IPHAN assinou, em 2003, o convênio de nº 44 com o Governo do Estado de Pernambuco para a restauração da máquina e seu posterior tombamento.
O Ministério Público Federal, por intermédio da Procuradoria do Rio Grande do Norte, ajuizou, em novembro de 2010, ação civil pública para retomar a posse e guarda de Catita, sob o argumento de que se trata de um bem histórico-cultural do povo norte-rio-grandense.
O Juízo da 4ª Vara Federal (RN) rejeitou a preliminar de incompetência daquele Juízo e deferiu a antecipação da tutela (concedeu o pedido) para determinar ao IPHAN o imediato traslado da relíquia para o Estado do Rio Grande do Norte, onde o Estado e o município de Natal já manifestaram interesse pelo recebimento e a guarda do bem.
AGTR 12015 (RN)
Fonte: Ascom - TRF da 5ª Região

COMBATE ÀS TREVAS - VI - A QUESTÃO DAS DROGAS - POR EDUARDO GOSSON E LEANDRO SAKAMOTO.








 Projeto de lei 7.663.


 Autor: Deputado Osmar Terra (PMDB-RS)

 Dando continuidade ao debate que venho 
travando com diversos interlocutores qualificados,
 hoje apresento/comento o projeto de lei 7.663 do 
deputado Osmar Terra (PMDB_RS) que qualifico
 de LINHA DURA – REPRESSÃO TOTAL que 
conta com o meu integral apoio. 
A humanidade só respeita 
a linguagem da dureza: “Está para ser votado
 na Câmara dos Deputados o projeto de lei 7663, 
de autoria do deputado Osmar Terra (PMDB-RS),
 considerado por muitos especialistas em 
psicoativos como um tremendo retrocesso. 
Punição aos usuários, reforço do modelo 
manicomial de segregação e desrespeito aos 
direitos humanos, implantação do denuncismo
 vazio em escolas por suspeita de uso de drogas,
 aumento de penas sem um debate mais amplo. 
(Grifos nossos) Segue, assim, o padrão das
 políticas públicas brasileiras: aumentar 
a punição ao invés de instituir o debate 
e meios de prevenção. Mauricio Fiore, 
antropólogo, pesquisador do Centro 
Brasileiro de Análise e Planejamento 
(Cebrap) e do Núcleo de Estudos 
Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP), 
é autor de diversos trabalhos sobre uso 
de substâncias psicoativas e um dos
 maiores especialistas brasileiros no tema. 
Pedi a ele um texto para o blog sobre o 
polêmico projeto: O debate sobre política de 
drogas teve um avanço significativo nos 
últimos anos. Em todo o mundo, a “guerra 
às drogas”, uma das piores heranças do 
século 20, está sendo questionada num
 debate que cada vez mais se distancia de 
dogmas e se aproxima do conhecimento 
científico e do paradigma da garantia dos 
direitos humanos. As mudanças políticas, 
como esperado, seguem um ritmo mais 
lento, mas, no Brasil, esse descompasso
 é dramático. Quem acompanha o tema mais 
de perto não tinha expectativas sobre 
debates profundos que viessem do nosso 
Legislativo. Eis que, instigados ainda pela 
visão bélica do “combate às drogas”, 
parlamentares constituíram uma Comissão
 Especial, a CEDROGA, que durante os anos 
de 2011 e 12, agrupou os projetos de lei 
existentes no PL 7663, de autoria do 
deputado Osmar Terra- PMDB/RS.
(Grifos nosso) Enfim, de onde não se 
esperava muitos avanços, veio a 
ameaça de um retrocesso. Sem um 
debate qualificado, o projeto avançou 
rápido e está para ser votado em regime 
de urgência no plenário da Câmara dos 
Deputados. Seus autores não se mostraram 
abertos ao contraponto, o que se 
exemplificou na reação do seu relator, 
o deputado Gilvaldo Carimbão 
(PSB-AL), às críticas do Conselho 
Federal de Psicologia: “O Conselho 
Federal de Psicologia é um assassino 
de dependentes de drogas”. O texto 
da lei é longo e confuso, com muitas 
imprecisões conceituais e ambiguidades
 que certamente serão alvo de batalhas 
judiciais. Vou me deter apenas em dois 
pontos do projeto que considero 
muito delicados. 1) Reforço do modelo 
manicomial O projeto pretende criar um 
“Sistema Nacional de Política de Drogas” 
que seria responsável por controlar 
todas as políticas do tema nas diversas
 esferas do Estado. Ele ignora que os aspectos
 relacionados à saúde pública devem estar 
em consonância com os marcos do Sistema 
Único de Saúde (SUS) e, portanto, de sua
 Política de Atenção à Saúde Mental. Ao 
legislar sobre internação de usuários e 
dependentes de drogas – essa confusão 
aparece o tempo todo no projeto – 
o PL 7663 retira os transtornos mentais 
associados às substâncias psicoativas da 
Lei 10216/2001, criando uma duplicidade 
desnecessária, mas cujo objetivo 
é colocar ênfase na aceleração das 
internações como modelo de tratamento. 
Ele também torna muito mais rápido 
o processo de internação à força, 
último e emergencial recurso na
 assistência aos dependentes. 
Além de ignorar o necessário 
aperfeiçoamento da rede de atenção 
psicossocial, o projeto tem como 
pressuposto que o poder público e o 
SUS não conseguirão
 responder à demanda por internações, 
abrindo a possibilidade de financiamento 
para clínicas e comunidades terapêuticas 
privadas. A diversidade dessas instituições 
é grande, sendo perigosa a generalização. 
O importante é que não há pesquisa ou 
literatura sobre a eficácia de seus 
tratamentos e há muitos indícios que 
elas reproduzam o trágico modelo 
manicomial de segregação e desrespeito
 aos direitos humanos. Ao eleger a internação
 como centro da política pública para 
atendimento aos dependentes, a 
proposta parte de pressupostos 
questionáveis, como estabelecer 
um período máximo de 180 dias nessas
 instituições. Qual a justificativa desse 
número? Embora o projeto dedique muita 
atenção às exigências de controle e verificação 
dessas instituições, não há um parâmetro claro
 sobre com essa eficácia será medida e avaliada. 
Num detalhe: o projeto revela seu objetivo 
de acelerar a internação coletiva à força 
que temos assistido no Rio de Janeiro 
e em outras cidades. Prevê que um 
“servidor público” pode, na ausência da 
família, requerer a internação, que deve 
ser respaldada por um médico. Abra-se
 o caminho, assim, para o contraditório 
“acolhimento compulsório” de moradores 
de rua e para a perversa associação 
entre assistência social e higienismo urbano.
 2) Recrudescimento da criminalização e do 
encarceramento O tráfico de drogas é o 
segundo maior encarcerador no Brasil e, 
como o ritmo de prisão por esse crime 
cresce mais que os outros, ele deve ocupar, 
em breve, o primeiro posto (que já detém
 no caso das mulheres). Pesquisas 
demonstram que a maior parte dos 
detidos por tráfico foram flagrados com 
pouca quantidade de drogas e sem arma 
de fogo, são jovens, pobres e respondem 
presos ao processo (decisão já condenada 
no STF, mas comumente ignorada nos 
tribunais estaduais). Hoje, a lei já prevê 
uma pena dura - mínimo de 5 e máximo 
de 15 anos -próxima, portanto, daquelas 
previstas para estupro e homicídio. 
Encarcerados num sistema prisional 
“medieval” - palavras do Ministro 
da Justiça - as dificuldades de inserção 
desses jovens no mercado de trabalho 
se multiplicam. O PL 7.663 parte do 
princípio que esse encarceramento 
é insuficiente. Aumenta a pena mínima 
para tráfico de drogas para 8 anos e eleva 
as penas mínimas para todos os crimes 
relacionados ao tráfico, como, por 
exemplo, o de informante. No caso de um 
jovem flagrado soltando rojão 
para alertar “traficantes” sobre a
 presença  da polícia, prática 
punida hoje  com pelo menos dois 
anos de prisão, terá pena mínima de 6 anos, 
equivalente à do estupro.(Grifos nossos) 
Ainda há mais: a pena para tráfico pode ser 
aumentada em dois terços caso envolva 
“mistura de drogas” que potencializem o
 risco de  dependência, atingindo 25 anos.
(Grifos nossos) Nesse caso, essa 
conceituação sem nenhum critério científico 
tem como alvo claro o crack, apostando
 na ideia de que se deve combate a 
todo custo uma“epidemia” até hoje não 
demonstrada objetivamente. 
Os EUA passaram a punir mais 
rigorosamente  o tráfico de crack nos 
anos 1980 e o  resultado foi uma enorme
 contribuição 
para que se tornasse o maior encarcerador
 mundial, com super-representação de
 pobres e de minorias étnicas. Essa 
política vem sendo paulatinamente 
abandonada por lá, mas ressurge como 
“solução” por aqui. O projeto ignora a
 diferenciação mais clara entre o uso e o
 tráfico de drogas e dá tratamento 
semelhante a qualquer tráfico, inclusive 
o pequeno e não violento, um dos
 maiores equívocos da lei atual. Reforça, 
ainda, algumas das sanções previstas
 para os penalizados por uso, dobrando 
o tempo de suas sanções, além de 
acrescentar outras, como a “restrição de
 direitos relativos à frequência a 
determinados lugares ou imposição
 ao cumprimento de horários”. 
Caso aprovada, a lei levará a mais 
encarceramento cego por um crime não
 violento e continuará fracassando no seu 
pretenso objetivo, que é a diminuição de 
oferta e  da demanda de drogas ilícitas. 
Muitos outros pontos poderiam ser 
questionados no PL 7.663, como o artigo 
que obriga as  escolas a notificar 
compulsoriamente
 “suspeitas” de uso de drogas.
(grifos nossos) 
Todas elas apontam para a falta de um 
debate profundo e democrático na 
construção do projeto e para a
 aplicação da lógica de guerra às drogas 
na elaboração de leis e políticas públicas,
 cada vez mais percebidas
 internacionalmente como injustas 
e fracassadas. Parece desalentador 
ter de lutar para que não haja retrocesso, 
enquanto poderíamos discutir avanços. 
Mas esse pode ser um momento no 
qual a participação e o engajamento 
nesse debate contaminem a ação dos
 parlamentares e dos seus partidos, 
presos no discurso moral e inócuo 
do “combate às drogas”. 
 (24.03.2013)

terça-feira, 2 de julho de 2013

SALVE OS BOMBEIROS

 
 

ACADEMIA MACAIBENSE DE LETRAS



O acadêmico Cícero Martins de Macedo Filho, Presidente da Academia Macaibense de Letras – A.M.L., CONVOCA os acadêmicos para comparecerem à 2ª reunião de 2013, para atenderem à seguinte pauta:

Data: dia 06  de julho de 2013 (sábado);

Horário: 9:00 (nove) horas, em primeira convocação com 13 (treze) acadêmicos e, em segunda convocação às 9,30 (nove e trinta) horas, com qualquer número acima de 8 (oito) acadêmicos;

Local: auditório “Dr. José Jorge Maciel” do Instituto de Radiologia de Natal – Natal – RN;

Pauta:

a) Seminário da AML no Pax (temas);

b )Data do lançamento da saudação e do elogio de Osair Vasconcelos e de Raimundo Ubirajara de Macedo;

d) Evento em setembro que comemore os 3 anos da fundação da AML (tema);

e) Sobre o site ou blog da AML;

f) Requerimentos de mudança de cadeira Hevérton Duarte, e de filiação na academia de Francisco Nascimento, Luzinete Dantas, Maria Dalva de Medeiros, Cícero Almeida;

g) Votação para patronos das dez cadeiras restantes;
 
h) Inclusão do nome do professor e acadêmico-fundador Rivaldo D’Oliveira como patrono de uma das cadeiras.

Macaíba/RN, 01 de julho de 2013.


Cícero Martins de Macedo Filho
Presidente

Francisco Anderson Tavares de Lyra
Secretário

Os nomes das coisas e do humano

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            Publicado na TN, de 02.7.2013

SOBRE MÉDICOS E LOBOS


Geniberto  Paiva Campos  - Observatório da Saúde/DF- JUNHO/2013

A PROPÓSITO DA POSSÍVEL CHEGADA DE “MÉDICOS CUBANOS” AO BRASIL PARA RESOLVER OS PROBLEMAS DA SAÚDE PÚBLICA: ANTES DE TUDO, HÁ QUE SE TER PACIÊNCIA NA ABORDAGEM DO TEMA. E TAMBÉM NÃO PERDER A SERENIDADE, FRENTE À FORMA COMO  O ASSUNTO ESTÁ SENDO COLOCADO.

 ANTES DE SABER, DE FATO, O QUE REPRESENTARIA A PRESENÇA DESSES MÉDICOS, IMAGINA-SE, DISTRIBUÍDOS PELAS REGIÕES MAIS CARENTES DO PAÍS, COMO “SOLUÇÃO”, O DEBATE, CONDUZIDO DE FORMA HEGEMÔNICA PELAS CORPORAÇÕES DE OFÍCIO MÉDICO, VAI SE CONSOLIDANDO EM TORNO DE UMA PAUTA  CARACTERIZADA POR 1. QUESTÕES IDEOLÓGICAS, TALVEZ A MAIS RELEVANTE PARA MUITOS; 2. A QUALIDADE   TÉCNICA E CIENTÍFICA DESSES PROFISSIONAIS, FORMADOS EM ESCOLAS “CUBANAS”, PREOCUPAÇÃO QUE RECOLOCA O TEMA NO MESMO VIÉS IDEOLOGICO DO ITEM ANTERIOR;  3.A NECESSIDADE DE DURÍSSIMAS AVALIAÇÕES, ATRAVÉS DO “REVALIDA”, QUE COMPROVEM A CAPACIDADE PROFISSIONAL DOS CUBANOS, PARA “NÃO COLOCAR EM RISCO A POPULAÇÃO BRASILEIRA”; 4. QUESTÕES DE RESERVA DE MERCADO, ASSUMIDA COMO UM DIREITO DOS MÉDICOS BRASILEIROS, MAS COLOCADA DE FORMA MEIO SUTIL E  ENVIESADA NESSA PAUTA.

TUDO LEVA A CRER QUE O SENSO COMUM ESTÁ PASSANDO AO LARGO DESSA PAUTA DE DEBATES.  NINGUÉM, ATÉ AGORA, LEVANTOU QUESTÕES BEM SINGELAS, TAIS COMO: 1. A PRESENÇA DESSE CONTINGENTE DE PROFISIONAIS MÉDICOS SERIA,  REALMENTE,  A SOLUÇÃO PARA OS NÓS ASSISTENCIAIS DO SISTEMA PÚBLICO DE SAÚDE DO BRASIL?  2. POR QUE A ASSISTÊNCIA “FICARIA MELHOR” SE ENTREGUE A PROFISSIONAIS ESTRANGEIROS? COMO SE DARIA ESSA MÁGICA? 3. ATRAVÉS DA APLICAÇÃO DE QUAIS CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO SE PODE AFIRMAR SOBRE A SUPERIORIDADE OU A INFERIORIDADE DE MÉDICOS CUBANOS, QUANDO COMPARADOS AOS BRASILEIROS? 4. E, FINALMENTE, SERIA ESSE “DIFERENCIAL DE QUALIDADE PROFISSIONAL”, ESTABELECIDO NÃO SE SABE COMO OU POR QUEM, QUE IRIA RESOLVER OS COMPLEXOS PROBLEMAS DA ATENÇÃO À SAÚDE NA ESFERA PÚBLICA? AS COISAS NÃO VÃO BEM NESSA ÁREA POR CULPA DA OMISSÃO OU INCAPACIDADE DOS MÉDICOS BRASILEIROS?

PARECE QUE TORNA-SE URGENTE QUALIFICAR O DEBATE PARA QUE NÃO SE PERCA O FULCRO DA QUESTÃO. AFINAL, TRATA-SE DE MELHORAR O SISTEMA DE ATENÇÃO À SAÚDE. E QUE, TUDO ESTÁ A INDICAR, NÃO SERÁ RESOLVIDO COM A ENTRADA OU O IMPEDIMENTO DO ACESSO DE “MÉDICOS ESTRANGEIROS”. FAÇAMOS ESTA CONCESSÃO À SEMÂNTICA. E POUCO ADIANTA, SE ESTAMOS BUSCANDO A SOLUÇÃO DO PROBLEMA, TRANSFORMÁ-LO EM QUESTÃO IDEOLÓGICA. OU, DITO DE OUTRO MODO, EM MATÉRIA DE CRENÇA. POR ÚLTIMO, MAS NÃO MENOS IMPORTANTE, PERSISTE A URGENTE NECESSIDADE DOS USUÁRIOS DO SUS POR UMA ASSISTÊNCIA DE QUALIDADE.

EXISTE UM CACOETE CULTURAL, ANTIGO, ENTRE NÓS LATINO AMERICANOS, BASTANTE ACENTUADO ENTRE  OS  BRASILEIROS:  FRENTE A PROBLEMAS COMPLEXOS, OS QUAIS EXIGEM  NATURALMENTE, TEMPO E PACIÊNCIA  E CRIATIVIDADE, PARTIMOS EM BUSCA DE SOLUÇÕES MÁGICAS. QUE SE TRANSFORMARIAM  EM TOQUE DE GÊNIO, CRIANDO, ASSIM “ATALHOS PARA O DESENVOLVIMENTO”. OU FAZENDO “MOVIMENTOS REVOLUCIONÁRIOS”,  GERALMENTE AUTORITÁRIOS, PARA SE CHEGAR AO “PROGRESSO”.

O QUE SE PROPÕE, MODESTAMENTE, NESSE ARRAZOADO QUE TRATA DE MÉDICOS E DE LOBOS, É QUE A SERENIDADE FRENTE AO TEMA REAL  PREVALEÇA.

DIANTE DA COMPLEXA SITUAÇÃO DO SISTEMA DE ATENÇÃO À SAÚDE, EIS A QUESTÃO! NÃO PODEMOS COMETER O ERRO DE PEGAR UM DESVIO QUE SEGURAMENTE  NÃO LEVA A LUGAR NENHUM. MÉDICOS CUBANOS, VÁ LÁ, ESTRANGEIROS, OU MÉDICOS BRASILEIROS, POR MAIS COMPETENTES E QUALIFICADOS, NÃO IRÃO RESOLVER A QUESTÃO ASSISTENCIAL DO SUS.

ESSA DISCUSSÃO SOBRE A NACIONALIDADE DOS MÉDICOS É APENAS UM PERIGOSO DESVIO. NÃO NOS LEVARÁ A LUGAR NENHUM. A QUESTÃO É OUTRA. É OUTRO O CAMINHO.

“HOMO HOMINI LUPUS”.( Hobbes – “De Cive” - )


segunda-feira, 1 de julho de 2013

H O J E

H  O  J  E

Edição 63 - Abril/Maio/Junho de 2013



CRÔNICA (págs.12 a 13)

Tufik Bauab*

Feto e Painho

Waldir Maymone, que Deus o tenha, nasceu em Campo Grande, de onde saiu para cursar Medicina em Salvador e exercer a Radiologia no Rio de Janeiro. Como médico, era impoluto, brilhante, dedicado. Era chamado de “O Mestre dos Mestres da Radiologia”.

Mas como pessoa era ainda mais interessante. Tinha um grupo de amigos que se reunia, semanalmente, para jogar conversa fora, abreviadamente conhecido como o “Grupo do Passo” e, por extenso, conhecido como o “Grupo a um Passo da Eternidade”, devido à idade avançada dos seus participantes.

Uma das histórias mais interessantes, que repasso como me foi contada, começa na Faculdade de Medicina da Bahia, onde Maymone era quartanista, e apareceu um calouro candidatando-se a morar na república (explico: moradia coletiva de estudantes de Medicina). Consta que o tal calouro era esteticamente prejudicado (ou seja, era feio pra burro, mas estou sendo politicamente correto). De tal maneira era feioso que foi apelidado de Feto, porque teria nascido incompletamente formado. Entre outras qualidades, o quartanista Maymone era generoso, e “adotou” o Feto, passando a orientá-lo através dos meandros bicentenários da Federal da Bahia. O calouro se afeiçou ao orientador, a quem passou a chamar de Painho.

Painho e Feto tornaram-se grandes amigos, até que o final do curso e a vida se encarregaram de os separar, e cada um seguiu seu caminho.

Waldir Maymone foi para o Rio de Janeiro, destinado a se tornar um dos grandes radiologistas deste País.

E Lavoisier Maia, o Feto, voltou para o Rio Grande do Norte, onde começou como médico, enveredou pela política e terminou sendo o governador do Estado, época em que Waldir Maymone foi fazer suas conferências num congresso de Radiologia, em Natal. Terminadas as palestras, veio o jantar dos radiologistas e, junto com alguns amigos, Maymone tocou adiante: conversa, chopinho e cachacinha da terra.

Três da manhã a nostalgia invadiu Maymone, que a pé mesmo se dirigiu ao Palácio do Governo, que, à época do pré-terrorismo e do PCC, tinha acesso bastante livre.

Waldir postou-se defronte ao Palácio e, da calçada, berrava: “Feto, aparece aí, Feto...” seguido de algumas imprecações. Quando a segurança já estava disposta a trancafiar o berrador, abre-se uma janela do Palácio, e em pijamas aparece o governador: “Painho, que saudade, Painho”. E ordena que ponham Waldir para dentro do Palácio, onde ficaram matando a saudade até o dia amanhecer.

A história é comprida, para uma conclusão curta: estou cansado do politicamente correto. Hoje seria impensável chamar alguém de feto só porque é feio. Ou o contrário: em uma cidade aqui próxima, o homem mais feio tinha a alcunha de Lindão.

Perdemos uma característica brasileira: até para alívio da ansiedade, levar na brincadeira algum traço mais marcante de uma pessoa. Há um certo traço de maldade nos apelidos? Sem dúvida, mas também há um certo carinho, uma certa intimidade, que agora está perto da criminalização.

No jogo do truco, um jogador faz sinais para o outro indicando que cartas tem na mão. Um coçar no nariz, puxar o lóbulo da orelha etc., vai indicando ao parceiro quais são as cartas. O ás, ou espadilha, é indicado fazendo-se um certo trejeito da boca.

Francisco era simplesmente Chicão até que teve um AVC. E como primeira sequela sobrou um desvio da rima bucal. E como segunda sequela, agora todos o conhecem como Chicão Espadilha.

Pode ser um pouco maldoso, pode ser politicamente incorreto, mas que era divertido, lá isso era.


*Presidente do Conselho Consultivo da Sociedade Paulista de Radiologia e radiologista na cidade de São José do Rio Preto

Crédito da ilustração: Orlandeli

ÁGORA DO BRASIL

ÁGORA DO BRASIL
CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES, escritor

Mais uma vez cuidamos do assunto “movimentos populares”, que há 15 dias vem concentrando as atenções do povo brasileiro, mercê da força transformadora de costumes e da forma de reivindicar direitos.
Tais acontecimentos já existiam no esplendor da Grécia clássica, onde o povo, em praça pública (Ágora), decidia em assembleia o seu destino através do debate público e do voto direto e igualitário. Representava o legítimo espaço da cidadania no campo social, da cultura e da política.
Com o passar do tempo e aumento populacional das cidades, foi criada a figura do Estado na condição de pessoa moral, criatura gerada pela vontade popular para concentrar as ações em favor da coletividade, através de cidadãos eleitos com mandato representativo, como no Brasil, onde se pressupõe que os parlamentares agem na conformidade da vontade dos governados; em outros, prevalece o mandato imperativo, onde os parlamentares agem exclusivamente dentro do compromisso social assumido com o povo e, em caso de desvio, devolvem ao criador (povo) o mandato dele recebido. Este assunto é desenvolvido com mestria pelo Professor Paulo Bonavides, em sua consagrada obra “Ciência Política”.
Há um bom espaço de tempo que no Brasil existe a enganação de uma maioria dos nossos representantes que, uma vez eleitos, esquecem os seus compromissos, reduzindo as suas ações naquilo que lhes traga mais compensação individual, com gastos excessivos do dinheiro público (notícia recente de um Deputado Federal do RN), intermediando corrupção e apresentando projetos secundários, sem atentarem para as prioridades do povo e sob os olhares contemplativos dos seus respectivos partidos.
De tanto esperar, a população resolveu tomar as suas decisões e passou a ditar aos governantes os seus anseios, usando certo grau de agressividade, sem o qual em nada amedrontaria os mandatários e os que legislam as regras de conduta social.
Com isso, não há que se confundir com a violência, que somente aproveita aos desprovidos de ideologia e nacionalismo e alimentam os oportunistas que querem gerar o caos para desestabilizar governos em nome de mudanças que em verdade terminam no jogo do poder e assim vão se passando os anos e os mandatos, ficando apenas o lastro da enganação.
Agora a coisa começou a mudar, pois medidas emergenciais estão sendo tomadas com enorme rapidez, a teor da redução do preço das passagens nos transportes urbanos e interestaduais; locação de recursos certos para melhorar a educação e a saúde (royalties); procedimentos para a modernização da máquina administrativa; reforço material e humano para o aparato policial; exigência de parcimônia na distribuição dos recursos com viagens, diárias, pirotecnia (propaganda) e efetivamente mais pão, cultura e investimentos para os equipamentos urbanos essenciais à melhoria da qualidade de vida.
A par disso, há um clamor para a apuração dos gastos supérfluos com o luxo de arenas desportivas em contraste com o sucateamento dos serviços primários – saúde, educação e segurança.
Precisamos, de agora em diante, uma vez provada a força de arregimentação do povo, para a realização das assembleias populares (Ágoras), com deliberações fundamentadas e com objetivos sustentáveis para que tudo não termine em um “oba-oba” e se destrua por si mesmo. Cada um no seu espaço – profissionais liberais, estudantes, universidades, academias; instituições públicas. Corporações privadas, partidos políticos e sindicatos.
Vejam todos que até a seleção brasileira aprendeu a jogar com seriedade e terminou campeão da Copa das Confederações.
Comecemos a exigir uma reforma política no País para retirar de circulação os demagogos, da situação e oposição, forçando que os partidos políticos reformulem os seus estatutos sociais trazendo fortalecimento para a democracia e que 2014 não tenha a Copa do Mundo como o objetivo primordial, mas sim a sucessão dos mandatários. Temos vivido a maior parte de nossa vida republicana sob o comando de governos ditatoriais, civis, militares ou de partidos. Precisamos de uma verdadeira independência.
Terminamos com o pensador Thiago de Mello – “Agora só vale a verdade...”.
 V  I  V A      O   B R A S I L !

domingo, 30 de junho de 2013


COPA DA CONFEDERAÇÕES
2013

BRASIL  3  X  0 ESPANHA 

     

RIO DE JANEIRO - 30.6.2013
ESTÁDIO "MARACANÃ" 

EQUIPE CAMPEÃ:


B R A S I L

B R A S I L

BRRAAASSSSIIIILLLLLL   
MEUS AMIGOS POETAS


Caros amigos, desculpem-me, mas redesenhei o último poema que lhes remeti. Fica a fórmula atual, após uma pequena "gaveta":

 

                        SONHOS


                                                                              “Yo sueño que estoy aqui

                                                                              destas prisiones cargado”

                                                                             - Calderón de la Barca –

sobre sonhos muito já se disse

e a conversa nunca chega ao fim


não há segurança e a cada dia

o domínio do vácuo se anuncia


em todos os sonhos e mesmo agora

tenho alertado que alguém nos sonha

e nos transmite o dom de sonhar


várias vezes sonhei que sonhava

e nos sonhos sabia que sonhava

e quando eu queria acordava

para cair noutro sonho


mas sem saber continuo

aonde agora sou levado

eis que vivo um grande sonho

após tantos sonhos sonhados


                                   (Horácio Paiva)


O MEU PÉ ESQUERDO

                                               (O vosso arco inspirou-me este poema...)

o meu pé direito está nas nuvens

o meu pé esquerdo teima e protesta


nas nuvens respiro a liberdade

mas o meu pé esquerdo

está sempre às voltas

com os tumultos do mundo



quando penso

que tudo é igual

e que enfim

alcancei a unidade

surge um grito

e vejo o meu pé esquerdo

ainda preso à terra

e me apresso em socorrê-lo

sob pena

de tudo perder



pois há um compromisso

e nesta aliança

não estou sozinho.


                        (Horácio Paiva  -  ante o arco-íris, 5/6/2013)


AMANHECER

Lúcia Helena

Hoje é sábado e seu amanhecer chove.
Busco estrelas na madrugada e elas se escondem.
Tento abrir uma porta, ou janela, mas chove!
Meu coração está bem aquecido, com poesia,
Como as luzes de um girassol, em algum lugar.

Vai amanhecendo.
Nenhum ruído do cotidiano,
Só a chuva intermitente,
Cheia de um cinza - prateando os pingos d´água.

Sinto vontade de chorar,
Em vez disso, ouço Piaff
E minha alma se alumbra!

Hoje é sábado, no grande relógio do tempo
Quimeras vão refulgindo diante dos meus olhos,
Nas luzes de terraços de outrora,
Das casas da Hermes da Fonseca,
Cujo edifício, por descuido e displicência...
Não recebeu o nome de Madalena Antunes,
De Abel Antunes Pereira ou Gipse Pereira Montenegro...

Sábado! Um dia de férias para todos,
Passeios, festas, encontros,
Almoços em shoppings ou churrascos por aí...
Porque vai amanhecendo...