sexta-feira, 5 de novembro de 2010



DE POEMA E DE SOMBRAS
Ciro José Tavares*


Há 50 anos, no Recife, ouvi e anotei um poema de oito versos, sem título e autor desconhecido.
“Estou doente, doente de tudo,
Dos olhos, da boca, dos nervos até.
Dos olhos que viram mulheres perfeitas,
Da boca que disse poemas de brasa,
Dos nervos manchados de fumo e café.
Estive doente, estou de repouso, não posso escrever.
Eu quero um punhado de estrelas maduras,
Eu quero a doçura do verbo viver.”
Não posso garantir que a forma do texto seja essa. Assim escrevi, escutando atento, palavra por palavra, até repetindo para ver se estava correto. Contou-me o interlocutor tratar-se de um texto encontrado entre velhos papeis de um médico psiquiatra, já falecido, que durante muito tempo trabalhara numa casa de saúde para doentes mentais. Desconfiado, guardei a história e muitas vezes li e reli a poesia para encontrar nas entrelinhas o caminho que afastasse as espessas sombras, confirmando a veracidade da informação. Refletindo cheguei às primeiras conclusões. Se psiquiatra fosse, tomara o cuidado ético de não revelar o nome do seu paciente e demonstrara sua grandeza moral não se apropriando daquilo que não escrevera.
Quem seria esse desconhecido poeta? Existiu e continuou escrevendo? O poema, é assim que sinto, ronda o universo das explosões líricas que não se renovam diuturnamente. Doente, tudo faz crer que sim, porque confessa e revela sem receios a extensão do quadro clínico. Paradoxal é o espírito de renúncia colidindo com a impossibilidade de ser possuidor de estrelas. E preocupante o desejo final, como se reconhecesse, dolorosamente, inalcançável.
O último verso é o desejo ardente de buscar o desconhecido, quando o indivíduo parece estar num labirinto sem saída. São inúmeros os exemplos na literatura. Rotineiros na tragédia grega de Sófocles, Eurípedes e Ésquilo, no teatro de William Shakespeare, na poesia de Hölderlin:
“E ouvir com sorriso da vossa boca a insípida canção:
Se tem de ser, esquece o teu bem, e adormece sem ruído.”
Em, pelo menos, dois contos de Oscar Wilde, O rouxinol e a Rosa e O Aniversário da Princesa Infanta.
Contudo, o marcante, o que me mais lembra esse melancólico menestrel sem rosto e nome, é o personagem Eugênio MarchBanks, da peça Cândida,de Bernard Shaw. Provavelmente porque ambos podem ter tido idênticos finais, dramáticos e solitários. MarchBanks, também poeta,que confunde os sentimentos filiais de Cândida l, com outra espécie de amor que lhe devora o espírito,abandona a casa da amada confessando: ” Eu tenho um segredo melhor no meu coração. Deixe-me partir. A noite, lá fora, avança impaciente.”
Sobre o poema que abre essas reflexões paira outra hipótese que não deve ser descartada: a do mistério. O autor concluiu o texto e, intencionalmente, omitiu nome e título, permitindo que rolasse pelas mãos alheias até parar na escrivaninha do psiquiatra, se verdadeira a informação inicial. O jogo de enigmas culturais já foi visto muitas vezes. Na Inglaterra do século XVII ficou famosa a história da descoberta dos Poemas de Rowley, escritos por Thomas Chatterton num estilo poético antigo, imitando a poesia medieval.Thomas Rowley, monge do século XV, inventado por Chatterton, teve seu manuscrito encontrado em Bristol, coincidentemente a cidade onde nascera esse gênio da poesia inglesa , que se suicidou aos 18 anos.
Tudo faz acreditar que magia, lendas e os mais nebulosos segredos dão vida às obras de arte. No Louvre, ficamos estáticos diante do quadro da Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci. Quem seria aquela bela mulher, de expressão introspectiva, tímida, sorriso restrito e sedutor? Não é verdade que guardamos na memória a Camelot do rei Arthur, a távola redonda e seus cavaleiros bravos e gentis? O romance proibido da rainha Guenevere e Lancelot Du Lac?
Igualmente na música, o incognoscível é fortemente alimentado. Na ópera Turandot, de Giacomo Puccini, o segredo é o tema central que o príncipe Calaf revela na belíssima Nessun Dorma. Richard Wagner mergulhou no mito nórdico para escrever e compor seus dramas musicais. O anel dos Nibelungos, nas quatro óperas, as cenas parecem estar pemanentemente invadidas por densa neblina noturna. E Tannhäuser, à semelhança do poeta objeto das minhas perguntas sem respostas, desaparece, ao final, por não ter sido pedoado dos pecados pelo Papa.
Como se observa, o assunto obriga-nos a gastar muitas horas de pesquisa ou, usando divertida expressão, queimar neurônios nos caminhos do descobrimento. Jesus Cristo, para anunciar o seu reino e sua nova aliança, fez habitual uso de parábolas na tentativa de clarificar seus elevados ensinamentos.E ainda assim jamais acendeu a mais esmaecida luz para revelar onde esteve durante 28 anos de sua vida.Finalmnte, basta repetir como Goethe na sem precedentes Elegia de Marienbad:

“Amigos fiéis, deixai-me aqui a sós,
Em meio às fragas, entre musgo e lodo!
Tomai um rumo! O mundo se abre a vós,
A terra é vasta, o ceu sublime todo;
Sondai, juntai as partes com critério,
Sempre a estudar o natural mistério.”


* Advogado e escritor

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

ENOCK DE AMORIM GARCIA – um homem destemido (*)

Para falar sobre ENOCK DE AMORIM GARCIA tenho de voltar à minha infância, quando tive a oportunidade de conhecer aquele homem interessante quando vinha conversar com o meu pai, ainda em Macaíba. Depois as visitas que fazíamos ao seu sítio, onde me impressionavam os pavões e guinés. Com nossa vinda para Natal as visitas continuaram, na biblioteca da nossa casa da Rua Meira e Sá. Causou-me admiração, primeiramente, a sua postura física e sua voz um pouco fanha. Depois a minha atenção se voltou para o ‘homem destemido’, como papai o denominava e detalhava os seus feitos.
Daí em diante procurei acompanhar a sua trajetória, saber a sua história, até porque entrelaçamos nossas famílias entre Gracinha de Leda e Wallace, e encontrei as informações que ratificavam o pensar do meu velho desembargador Zé Gomes, como Enock o chamava.
As leituras e as conversas eram voltadas para a história judiciária e política do Rio Grande do Norte e, de quando em vez, os comentários sobre a agricultura e a pecuária, oportunidade em que o Dr. Enock falava sobre uma experiência que fez para tratar da aftosa, numa composição com permanganato de potássio.
Cada dia mais me apaixonava aquele personagem filho de Teodomiro de Amorim Garcia e Maria Celestina de Amorim Garcia, nascido no alvorecer do século XX.
Foi aluno do velho Atheneu e Bacharel em direito pela tradicional Faculdade do Recife, turma de 1932 ao mesmo tempo em que trabalhava como rádio telegrafista, especialidade muito importante na época em que as comunicações engatinhavam no Brasil e que lhe valeu passar para a história no correr da Revolução de 1930, da qual foi um dos conspiradores, na cidade do Recife e obterve a patente de 2º Tenente, com a alcunha de ‘tenente esparadrapo’ – não sei por qual razão!
Assistiu ao assassinato do Presidente João Pessoa por José Dantas numa confeitaria denominada “Glória” em Recife e viu o corpo conduzido por Agamenon Magalhães e Caio de Lima Cavalcante para a Farmácia do Dr. Pinho. Era então estudante da Faculdade de Direito e telegrafista, como já disse, morando na Rua da Aurora, no Hotel ou Pensão Veneza, lugar muito visado pela polícia governista e de onde o inquilino alagoano José Reis atirou e matou um soldado da polícia que guarnecia a ponte que ligava a rua da Imperatriz com a rua Nova, motivando a invasão do hotel.
Sua atuação como revolucionário ocorreu pelas mãos de Alípio Pereira de Souza, um tenente da Polícia Militar de Pernambuco, que o apresentou ao Cel. Muniz de Farias e Brás Carmont, sendo que, em relação ao primeiro, o Dr. Enock sempre proclamou ter sido o maior dos conspiradores de 1930. As reuniões sempre ocorriam na casa do médico Luís de Góis, dentro de extremo segredo. As escaramuças aconteciam próximo ao Colégio Nóbrega.
Costumava dizer que a Revolução de 30, eclodida em 3 de outubro foi precipitada pelo assassinato de João Pessoa, pois do contrário, possivelmente não teria alcançado a força suficiente para a vitória.
Chegou a ser preso e conduzido ao “Brasil Novo”, denominação que era dada, por ironia, ao xadrez para onde eram levados os conspiradores. Foi salvo pelo Deputado Elpídio Branco, único parlamentar da oposição.
Após ser solto correu para o telégrafo onde começou a sua verdadeira atuação com a transmissão de boletins a mando de Juarez Távora, um dos grandes líderes da Revolução, ao lado de Agildo Barata, Juraci Magalhães, Oswaldo Aranha, Aluízio Moura e Muniz de Farias, por quem tinha uma admiração especial, principalmente por ter sido a ele apresentado pelo seu querido Professor Joaquim Pimenta.
Além da arma do telégrafo, também pegou em armas de fogo.
Em 1935, quando da Insurreição comunista, ao lado de Dinarte Mariz e João Medeiros combateu os comunistas e teve conhecimento da estratégia para matar Mário Câmara, com o que não concordava juntamente com o Dr. Silvino Bezerra. A trama falhou, pois Mário Câmara não apareceu e por isso, afirmava ele, tomou um grande porre, pois mesmo não concordando, teria que participar da cena.
Contam que quando Delegado de Ordem Social, chegam ao porto cerca de 111 a 121 presos em razão da Intentona Comunista e, como os caminhões prometidos para a condução até a Casa de Detenção não chegaram, ele os conduziu em uma fila de três e quatro. O último da fila era Mílton Siqueira cantando “Queremos Deus que o nosso Rei...” Repreendido pelo Dr. Enock – Você ta doido. Respondeu: Você não fez a procissão? Agora tem que ter uma ladainha!
O Dr. Enock exerceu muitos cargos importantes como Delegado de Ordem Social e Investigações no Governo Rafael Fernandes, foi Chefe de Polícia, Diretor do Departamento de Agricultura, Representante do Estado no Congresso de Secretários de Agricultura no Rio de Janeiro em 1946 e no Congresso de Pecuária, também no Rio de Janeiro em 1948, construiu e inaugurou a Escola Prática de Agricultura de Jundiaí, em 1948, Membro do Conselho Estadual de Cooperativismo, foi conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Rio Grande do Norte em várias oportunidades, ocupando cargos da Diretoria, juiz substituto do TRE do Estado, Presidente da Cooperativa Cultural e distribuição de material escolar.
Participou ativamente de campanhas políticas, com muitos episódios de coragem e destemor, até nos eventos em que haviam tiroteios, mas também era ferino na arte da palavra, com verve poética, utilizando o pseudônimo “Zé Macaíba”.
Isso é tudo o que a memória remota ainda não apagou. Fiquei feliz em relembrar o Dr. Enock.
Com muita justiça é o Patrono da Cadeira nº 13, da Academia Macaibense de Letras, cujo titular é o seu filho Roosevelt Meira Garcia.

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(*) CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES
Membro Honorário Vitalício da OAB/RN
Sócio efetivo do IHGRN
Sócio do INRG
Membro da Academia de Letras Jurídicas do RGN
Membro da Academia Macaibense de Letras
Membro da União Brasileira de Escritores

terça-feira, 2 de novembro de 2010

CYRO TAVARES *

Cyro Tavares faleceu na cidade do Natal, às sete horas da manhã de 12 de novembro de 1906. Era paraibano de Bananeiras onde nascera em 1885. Tinha 21 anos.
Os pais, João Felix da Silva e D. Marquilina Tavares da Silva, mudaram-se para a capital norte rio grandense com os filhos pequeninos. O caçula nasceria em Natal, o grande cirurgião José Tavares da Silva.
Cyro teve a vida do menino de seu tempo na Ribeira. Empinou curujas no Areal, pegou siris e baiacus no Potengi, indigestou de frutas bravas, colhidas nos morros. Era magro, arredio, estudioso. Estava sempre de livro na mão. O curso propedêutico no Ateneu fora excelente. Menino, era consultado, ouvido arrumando a gramaticidade na prosa e o verso dos companheiros.
Pertenceu ao Grêmio Literário Frei Miguelinho, fundado a 22 de setembro de 1901, colaborando no ALBUM (1903-1904), com Américo Lopes, Hildebrando Barros, Alcebíades Lisboa, Joaquim Cavalcanti, Georgino Avelino, tendo José Gotardo Neto como chefe e guia literário.
Escrevia com facilidade, aprumo e elegância. O poeta Pereira da Silva, que mantivera um jornalzinho, A LIBERDADE (1904-1905), informou-me que Cyro escrevia artigos e os colegas assinavam, ganhando fama.
Era jornalista nato, debatendo os assuntos com nitidez e com a vocação oposicionista. Inútil procurar em quantos jornais Cyro Tavares colaborou. Em todos da sua época, ou quase todos. Foi revisor na “A REPÚBLICA”.
Queria formar-se em Direito mas não foi para o Recife, a Meca tradicional dos futuros bacharéis em flor. Viajou para o Rio de Janeiro, trabalhando num colégio, tentando o curso que se tornou impossível. Adoecendo dos pulmões, Cyro voltou para Natal. Voltou para morrer, na silenciosa Rua do Comércio, e desaparecer nas lembranças da cidade.
Nunca me falaram no seu nome. Devo a Pereira da Silva, admirador fervoroso, as primeiras informações carinhosas. Dediquei-lhe dias de pesquisas, ouvindo seu irmão José Tavares, mergulhando no arquivo do Primeiro Cartório, revendo as minhas humildes coleções.
A produção de Cyro Tavares, prosa e verso, está esparsa nos jornais numerosos, difíceis de encontro, quase de consulta milagrosa.
Deixo um soneto, em francês, escrito por um meninote de 17 anos, publicado no ALBUM, nº 4, de 31 de julho de 1902, LE TEMPS:

Letemps est immobile, et tour à tour puissant,
Il n’est jamais compris, car il n’est sur la terre...
Mais quand nous le setons le jours nous enlevent
Alors nous apprenons qu’il n’est qu’un grand mystére.

Oui: sent s’arrêter, mais son chemin faisant,
Il acompagne toujours la vie tout entiére.
Tantôt il nous parait de l’abstrait naissant,
Tantôt il est trés fort, et tout le monde aterre.

Il est un ravageur qui n’aime la violence.
Ebranle l’univers comble de son silence.
Êtant toujours le même et rien n’ayant été.

Nous porte à l’inconnu le but de son voyage,
Personne ne l’arrête, et dans son long passage
Il acompagne Dieu et suit Péternité.


*Transcrito da coluna ACTA DIURNA,
De Câmara Cascudo, in A REPÚBLICA
______________
colaboração do escritor Ciro Tavares da Silva

segunda-feira, 1 de novembro de 2010


UM LIVRO SINGELO

Entre as diversas leituras do mês de outubro findo, destaco o livro da Professora Maria Isaura de Medeiros Pinheiro – Minhas Escolas (Retalhos de lembranças e de querer bem), edição da Câmara3 Studio, escrito numa linguagem amena e de conteúdo singelo, que retrata a trajetória da autora pelo campo da educação, desde o tempo de estudante até o magistério superior e da sua vida profissional decorrente da sua formação jurídica.
Narrando os conhecimentos obtidos na Grande Escola, oriundo da instituição familiar, ou no “regaço materno” para aproveitar a expressão de Comenius, a consagrada Mestra oferece os caminhos apontados pelos estudiosos da ‘Didática’ e as dificuldades naturais opostas no tempo e espaço, todos superados pela dedicação e determinação em descortinar a fascinante atividade do ensino, reforçada na passagem por Escolas-padrão, que nomina com indisfarsável carinho.
O caminhar descrito localiza nomes marcantes de sua formação, no seio da família ou no conceito social, desde o consagrado Câmara Cascudo, os autores mais lembrados na época, como Viriato Correia, descortinando o saber através de Dona Marieta Guerra, Esmeraldo Siqueira, Max Azevedo, Rômulo Wanderley, Edgar Barbosa, Clementino Câmara, Monsenhor Landim, Ivone Barbalho, Dona Bertilde Guerra, Dona Etelvina Emerenciano, Cônego Luiz Wanderley, Sebastião Monte e tantos outros, com a cumplicidade das colegas Selma Pereira, Dalva de Oliveira, Neide Varela, Albanita Leite, Carmen Gurgel, Dagmar Azevedo, Socorro Melo, Berenice, Yara, Isolda, Graça Rosas, Maria do Carmo, Margarida Mota, complementado por Ítalo Suassuna, José Mariano, Alfredo Lemos e Joanilo de Paula Rego, ainda Luiz Gonzaga e Tasso Macedo.
No seu relato não esqueceu pessoas simples, mas de significativa importância como “Seu Sérgio Santiago”, sempre vigilante e protetor e a dinâmica Professora Crisam Siminéia, mas igualmente os que tinha fama de rigorosos, como o Professor Hélio Dantas e da excelência de educador que foi Moacir de Góis.
Estão presentes em seus contares o estudantes Armando Holanda, Garibaldi Alves Filho, Cláudio Emerenciano, Luiz Eduardo Carneiro Costa, José Fernandes Machado, Gileno Guanabara e Marcos Maranhão
Os Colégios das Neves e da Conceição merecem o seu registro, como a passagem pelo tradicional Atheneu do tempo do Monsenhor Mata, sem esquecer os relatos das passagens memoráveis, a sensação na descida do bonde na Avenida Jundiaí que lhe deixava na Fundação José Augusto, ao encontro das colegas Liége, Ivanilda, Luizete e Maria Inês, nas matinês do Cinema Rex, nos encontros do Grande Ponto, após o percurso da Jundiaí a pé, sob as frondosas arvores ali postadas.
Retrata audições de Oriano de Almeida no Teatro Carlos Gomes, as trocas de figurinhas, as conversas intelectuais e o itinerário vivido na Faculdade de Direito do Recife, na Escola de Comércio do Município de Natal, na Escola Técnica Federal, Conselho Estadual de Educação, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, época em que fui seu aluno em ‘Metodologia do Ensino’, o Instituto Kennedy, o Colégio Churchill, do Professor Orneles.
Enfim, são muitas emoções, registros que contam a história de instituições e ressaltam nomes importantes. Não é possível repetir cada um deles, por isso recomendo a leitura integral do livro, pois nele você leitor de mais idade irá se encontrar em algum instante, em algum lugar ou com algumas pessoas.
Este livro é um bom modelo de como contar a sua história pessoal no contexto da história de outras pessoas e instituições que o tempo não apagará enquanto existir quem, como Maria Isaura, que a refaz em “retalhos de lembranças e de querer bem”.
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CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES
Filiado à UBE/RN, Membro da AML, ALEJURN, IHGRN, INRG e MHV da OAB/RN

sábado, 30 de outubro de 2010


FLAGRANTES DA SOLENIDADE DE INSTALAÇÃO DA ACADEMIA MACAIBENSE DE LETRAS em 27/10/2010





FLAGRANTES DO III ENCONTRO POTIGUAR DE ESCRITORES – EPE (26 A 28 DE OUTUBRO DE 2010)











sexta-feira, 29 de outubro de 2010


INCITATUS,
O CAVALO SENADOR

Reflexões sobre a sabedoria,
a vaidade e a ignorância

Calígula fez do seu cavalo, Incitatus, senador do poderoso Império Romano. Mesmo os mais devotados súditos, se os houvesse, não tiveram mais dúvidas sobre a insanidade do imperador, embora, certos cínicos, vislumbrassem alguma lucidez no evidente estado de loucura do governante. Não por acaso alguns senadores conduziam-se como verdadeiros ruminantes.
Inspirados neste e em outros exemplos históricos, um sem número de circunstâncias têm conspirado em favor da concessão de um atestado de sabedoria a certos privilegiados sem qualquer sucesso. O professor e jurista Jalles Costa, reverberando de indignação contra o sistema automático de aprovações dos alunos do curso de graduação em direito, dado como irresistível e invencível, impôs uma condição a um concluinte que pretendia o abono de faltas para habilitar-se ao seu diploma de bacharel em direito: que ele assumisse formalmente o compromisso de jamais exercer os ofícios pertinentes à sua diplomação, tal o estado de indigência intelectual do graduando. O indigente concordou e manteve seu compromisso até hoje, malgrado haver recebido o título de bacharel em direito, prerrogativa que lhe confere o pontificado da ciência jurídica.
Aprendi, no pó das estradas e nos velhos livros salvados das traças, que a sabedoria não reclama titulação, nem que esta presume o conhecimento acadêmico.
Todas estas observações se devem ao fato de haver testemunhado uma discussão entre dois colegas professores de direito cujo desfecho deixou-me estarrecido. Um dos contendores, tido e havido como profissional de boa cepa, estudioso, dedicado ao seu ofício, com produção intelectual ativa e de boa qualidade, não ostentava, no entanto, qualquer título de pós-graduação. Já o outro, contumaz arauto dos próprios e supostos dotes intelectuais, comprazia-se em apoucar a singeleza dos argumentos do oponente, sem sequer dar-se ao trabalho de questioná-los cientificamente, à luz da moderna argumentação. Ao revés, ignorava as alegações do colega, desfiando teses sem nenhum senso jurídico, mas apresentadas como “modernas”, defendidas, segundo o erudito jurista, pelos mais importantes jusfilósofos da atualidade. Estrangeiros, naturalmente, cujos nomes, impronunciáveis, eram desconhecidos mesmo entre alguns estudiosos da matéria.
O colega não-titulado, oprimido pelo peso de tanta sapiência, ainda assim mantinha-se intransigente na defesa das suas razões e evidenciava o vigor e a validade dos seus argumentos. Em dado momento, havendo esgotado o arsenal argumentativo sem convencer o denodado replicante, nem sensibilizar as testemunhas da discussão, o ilustre jurista, que nem um espadachim enraivecido, brandiu para o adversário desarmado a sua condição de mestre, doutor ou sei mais o quê, insinuando, nas reticências, que essa titulação conferia-lhe espécie de notório saber, convertendo-o em latifundiário da verdade.
Concluída a escaramuça intelectual, com a providencial saída dos duelistas, um dos circunstantes comentou o despropósito do pós-graduado, observando que a quase totalidade dos escritores jurídicos fundamentalistas, os ícones da cultura jurídica nacional e internacional que serviam de fonte aos titulados jamais obtiveram um título formal de conclusão de pós-graduação. E que alguns dos mais importantes ensaístas e filósofos do mundo não exibiam sequer um simples título formal de graduação.
É evidente que um título, seja de graduação, ou de pós-graduação, não confere sabedoria ao seu portador. Nem pode gerar essa presunção. A titulação atesta a aptidão do titulado para determinada área do saber, habilita-o para as funções específicas do seu ofício, confirma a expansão ou o acréscimo do seu conhecimento, mas não atesta a sua sabedoria. E, no caso da pós-graduação, a acessão do saber novo não supõe a mais-valia do saber original na área estrita da graduação.
A mais-valia do saber é a agregação do conhecimento original, próprio de quem o desenvolveu. Não se confunde com aquele tipo de aquisição que apenas reproduz o conhecimento compilado de fontes alheias. Este, identifica-se como acumulador de energia intelectual, repositório de referenciais teóricos, descompromissado com as revelações imponderáveis advindas da reflexão crítica, da pesquisa e da experimentação, responsáveis pela produção original. Vale dizer que o “sábio” por acumulação do saber produzido por antecessores, é como se fora um boneco de ventríloquo, um títere, uma marionete, nunca um “criador”, mas simples “criatura” intelectual.
Da espécie “criador” foi Descartes, que abandonou todos os dogmas e referenciais bibliográficos, dedicando-se apenas à racionalização para produzir o “Discurso sobre o Método”. Para glorificar um exemplo local, sábio foi Câmara Cascudo, que, simples bacharel em direito, sem nenhuma titulação acadêmica na sua área de estudos, fez-se dos mais importantes antropólogos e folcloristas do mundo, responsável por uma obra original, resultante de pesquisas, reflexões e experimentações, reconhecida e haurida pelos estudiosos daqui e de alhures. Sábio foi Jorge Fernandes, para dar outro exemplo local, cuja poética, mesmo com dicção nordestina, tem tessitura original, expressa sentimentos, contextos e conjunturas universais, numa estilística inovadora. Sábio é Miguel Reale com a sua original teoria tridimensional do direito. Os outros são reprodutores do conhecimento gerado por alguém, e que podem até mesmo ser originais no seu modo de interpretar, clarificar ou expressar certo tema jurídico, mas isso não lhes confere o certificado de sabedoria.
O falecido ex-padre e escritor José Luiz distinguia os inteligentes dos sabidos, caracterizando os segundos por sua capacidade de capitalizar em proveito pessoal, a “aparência” de sabedoria, conquistada através de meia dúzia de frases e observações espirituosas, citação de uma dezena de eruditos, de hábito, desconhecidos da massa de intelectuais, inconfundíveis autores de “plaquetes” que nada acrescentam a coisa alguma. Certa vez cheguei a admitir o brilhantismo de um desses espécimes que acabara de conhecer. Mas, ao longo de dois anos de convivência constatei que a sua erudição andava em círculos, e “oitavava”esbarrando sempre com as mesmas citações e autores. Cansei.
O sociólogo, escritor e professor Itamar de Souza, chegou a classificar os pensadores da província em intelectuais, eruditos e “xeretas”. Os primeiros dedicavam-se à reflexão, análise e pesquisa, extraindo o seu conhecimento de verdadeiro trabalho de lavra intelectual. Os segundos, valiam-se do artifício que José Condé em um dos seus “Arquivos Implacáveis”, denominava de “cultura de fichário”. Habituais leitores de orelha de livros, resenhas críticas e de verbetes de enciclopédias, os eruditos sabem tudo de todas as áreas do conhecimento. Os “xeretas” são hábeis plagiadores. Apropriam o conhecimento alheio, repassando-o tal como o adquiriram, ou lhes dando algum recheio para personalizá-lo conquistando a dotação de “inteligência prodigiosa” e de “vastissima cultura geral”.
O jornalista, escritor e crítico literário Franklin Jorge referiu-se a um festejado escritor potiguar como alguém que utilizava as palavras com muita esperteza...Um manipulador, alguém que avia as receitas na farmácia, um arranjador que é capaz de recriar obra original, um escultor que trabalha estátuas ocas, porém com muita expressividade. Menos um criador.
O rescaldo dessa espécie de sabedoria é a vaidade intelectual, o acreditar-se expressão do saber único.
Recolho em Matias Aires, nas suas “Reflexões sobre a vaidade dos homens”, cuja edição original foi publicada em Lisboa no ano da graça de 1752, a seguinte sentença:
“Sendo o termo da vida limitado, não tem limite a nossa vaidade, porque dura mais do que nós mesmos e se introduz nos aparatos últimos da morte. Que maior prova do que a fábrica de um elevado mausoléu? No silêncio de uma urna depositam os homens as suas memórias, para com a fé dos mármores, fazerem seus nomes imortais; querem que a suntuosidade do túmulo sirva de inspirar veneração, como se fossem relíquias as suas cinzas...”.
O generalissimo Franco que fez erigir o “Valle de los callidos” muito menos para perpetuar a memória das vítimas dos republicanos que para imortalizar-se no suntuoso mausoléu, é, no entanto, lembrado pelas atrocidades que patrocinou e pelo obscurantismo que impôs à Espanha. O monumento não subverte a memória do povo, nem sacraliza os ímpios.
Vanitas vanitatum, et omnia vanitas. Sócrates, o pai da filosofia ocidental, depois de tanta investigação concluiu amargamente que tudo o que sabe é que não sabe nada.
O vaidoso dedica muito tempo à construção da própria imagem de sábio, eis porque, a propósito de Beaumarchais, autor, dentre outras peças celebres de “O Barbeiro de Sevilha” e “O casamento de Fígaro”, dizia Voltaire que esse teatrólogo não era mais valoroso porque cuidava mais da própria vida que de sua obra. Não lhe sobrava muito tempo para ler, pesquisar, escrever. Esses tipos, encontradiços no dia a dia da ciranda da intelligentszia provinciana, instituem-se seus próprios personagens numa confusa autobiografia romanceada e por isso produzem muito pouco, justificando a contribuição escassa e temporã pelo excesso de ocupação, esquecendo-se de que são trabalhadores intelectuais.
Não creiam na sentença produzida em causa própria pelos vaidosos, segundo a qual a modéstia é o apanágio da mediocridade. Não é a modéstia um escudo para os medíocres, mas a vaidade. Senão, porque alardear as suas supostas qualidades? Certamente porque não foram reconhecidas, ou o foram precariamente, em desacordo com o julgamento dos supostos desfavorecidos.
O tempo é grande juiz da valoração intelectual. O que é valoroso sobrevive aos modismos e às circunstâncias. Shakespeare nunca será postergado. Nem Kazantzakis, Eça de Queiroz, Machado de Assis, Balzac, Cervantes, Dante, Picasso, Rodin, Disney, o cinema de Fellini, John Ford, Chaplin. Qual a essência desses imortais? Eles foram criadores, assim como Thomas Edison, Marconi, Da Vinci, Santos Dumont, Pitágoras, Einstein, Freud...
Mas, nem mesmo a genialidade, a natureza intelectual criativa desses homens os autorizaria à vaidade, isto é, à exaltação do ego, porque, conclui-se, que nada é absolutamente original sob a face da terra. O desfecho, a conclusão, a aplicabilidade de certa tese, teoria ou experimento desenvolveu-se com base no subsídio de inúmeros predecessores, de outros tantos talentos igualmente originais que tributaram seus conhecimentos ao mesmo objetivo.
Diz-se que Hermés Trimegisto (ou seria Tales de Mileto?) produziu um prisma que captava energia solar e que dirigido a um corpo sólido era capaz de promover fissuras em sua estrutura, produzindo efeito similar aos raios laser. O cinematógrafo de Lumiére, antecessor e responsável pela moderna técnica cinematográfica, certamente incorporou o jogo de luz e sombras chinesas e as rústicas caixas de projeção de imagens animadas.
Quando tratava de Direitos Autorais defendia, perante meus alunos, o domínio público da criação artística, literária e científica porque jamais constatei a criação única, original, autônoma de qualquer empreitada no campo intelectual. Sempre há semelhanças entre a criação contemporânea e uma outra de remota e/ou imprecisa existência. É até provável que o autor contemporâneo não tenha tido conhecimento consciente da obra antecedente, mas há sempre a possibilidade de uma aquisição involuntária subtraída do inconsciente coletivo ou individual.
Ademais, é forçoso admitir que algumas obras reverenciadas como geniais pelos sapientes transmissores da cultura, apoiaram-se em produção alheia, ou revelaram-se verdadeiros monumentos ao equívoco, conquanto hajam enriquecido a discussão sobre o tema. Veja-se no campo específico do Direito, a contribuição valiosissima de Von Ihering na elucidação de uma teoria possessória, que, não obstante, susteve-se no “Tratado da Posse” de Savigny, não já fosse este último um dos luminares pós-compiladores do Direito Romano.
Célebre é o caso de Dumoulin, dado como o “príncipe dos jurisconsultos franceses”, um que fazia inscrever no preâmbulo dos seus pareceres a frase “Ego qui nemini cedo, et a nemine doceri possum” – em bom vernáculo, “Eu que sou o primeiro entre todos e que de ninguém recebo lições”- responsável pela construção das mais equivocadas teorias sobre a indivisibilidade das obrigações, depois de haver prometido fornecer as dez chaves que abririam as portas desse labirinto. Pela presunção e correspondente equívoco, aludido “príncipe” mereceu de Gianturco o comentário de que as citadas dez chaves não abriram porta alguma ou, se a abriram, deram para outro labirinto muito mais complexo.
Lembro uma caracterização oferecida por Céline – intelectual mais conhecido como colaborador do regime nazi-fascista que pela genialidade dos seus escritos – pela boca de um dos personagens do romance “Norte”: `Um rapaz sem nenhuma importância social ‘. Quis o escritor determinar alguém que não se apercebeu da missão de construir o coletivo, de notabilizar-se por sua contribuição social e que, ao invés, passa pela vida examinando o próprio umbigo, ou a vida passa por ele sem percebê-lo.
Stradivarius, que, além dos notáveis dotes de musicista virtuoso, foi o responsável pela construção dos mais sonoros violinos do mundo, legou-nos uma das confissões mais comoventes sobre a modéstia dos gênios. Disse ele: “A perfeição não consiste em fazer coisas extraordinárias, mas em fazer coisas simples, extraordinariamente bem feitas.” Logo ele !...
Da minha autoconfessada ignorância, concluo como o poeta Ferreira Gullar, resistindo ainda, diante de tanta perplexidade: “Nada vos sovino, com a minha incerteza vos ilumino”.

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PEDRO SIMÕES NETO -escritor

quarta-feira, 27 de outubro de 2010


ODE /A MACAÍBA

Oh, /Palmeira alta,/ querida terra minha/
Quantos sem vestes/ e trajados/ acolheste/
A ribanceira do Jundiaí/ detinha/
Provincianos/ indagando como nasceste/

Oh, /Palmeira florida,/ cheirosa/ terra minha/
De mil ancestrais/ tão destemidos/
Embora conscientes/ desconhecidos/ de Caminha/
Perpetuaram-se/ descendentes/ instruídos/

Oh,/ Palmeira linda,/ terra minha/
Nos musicistas poetas/ e na beleza/
Brancas Sinhás,/ pretas mucamas/ e sinhazinha/
Retos homens/ confirmaram tua grandeza/

Nas estradas,/ veredas,/ pontes/ e na vertente,/
Farinhadas,/ currais,/ feiras/ e cantadores,/
Igrejas,/ Solares/ e Escolas/ instruindo gente/

De nativos,/ Casa assombrada,/ Coité/ e Pedroza/
Do algodão,/ historiador,/ jurista/ e engenheiro/
Brilhante/ e infinda/ nasceu/ nossa Palmeira/ gloriosa.

RSS (Rui Santos da Silva)
Out.2010

terça-feira, 26 de outubro de 2010



III ENCONTRO POTIGUAR DE ESCRITORES – EPE
COMEÇA HOJE, DIA 26, O III ENCONTRO DE ESCRITORES PROMOVIDO PELA União Brasileira de Escritores UBE/RN, na Livraria Siciliano do Midway Mall.

Na abertura Solene, às 10 horas, será prestada homenagem aos 19 escritores fundadores da entidade, fundada em 16 de novembro de 1984, portanto há 26 anos. Dos 19 escritores, 11 partiram na nau da eternidade (Antonio Soares Filho, Eulício Faria de Lacerda, Fagundes de Menezes, Franco Jasiello, Luiz Rabelo, Luís Carlos Guimarães, Marcos Maranhão, Dom Nivaldo Monte, Reinaldo Aguiar, Veríssimo de Melo e Zila Mamede) e oito estão vivos (Deífilo Gurgel, Edna Duarte, Itamar de Souza, Jansen Leiros, Marize Castro, Paulo Macedo, Racine Santos e Valério Mesquita). Estes receberão o Diploma de Sócio Precursor. Com o Diploma de Sócio Honorário serão agraciados: Raimundo Soares de Brito, decano dos Escritores Potiguares , 90 anos; Dorian Gray, 80 anos; Ciro Tavares, 70; Franklin Capistrano, 60, e Pedro Vicente, 60).

LOGO EM SEGUIDA TEREMOS O PRIMEIRO PAINEL :

11h30 – Jornalismo Político ontem e hoje

(Agnelo Alves e Ticiano Duarte)

Moderador: J.Pinto Júnior


NO HORÁRIO DA TARDE TEREMOS A CONTINUAÇÃO:

15h – Nossa Editora: uma proposta editorial

(Pedro Simões)

16h - Três leituras sobre o Dilúvio: Gênesis, Miguel Torga e Machado de Assis

Araceli Sobreira Benevides

17h – Cultura Mossoroense em Questão

(Crispiniano Neto , Caio César e Clauder Arcanjo)

Moderador: Cid Augusto

18h30 – Lançamentos de livros e sarau com a Academia de Trovas RN (Coordenação José Lucas de Barros).

domingo, 24 de outubro de 2010



Academia Macaibense de Letras

No dia 27 próximo será instalada oficialmente a Academia Macaibense de Letras. A solenidade ocorrerá às 10 horas no Salão Principal da “Associação dos Magistrados do Rio Grande do Norte” – AMARN, neste Município, sob a Presidência do Acadêmico Jansen Leiros Ferreira.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010



A Ordem dos Advogados/RN completa 78 anos

A história da Ordem dos Advogados do Brasil confunde-se com as lutas libertárias do povo brasileiro, posto que reconhecida, ainda com outra denominação, no Aviso da Corte Imperial de D. Pedro II, em 7 de agosto de 1842. Os anos 30 marcam a modernidade do País e os movimentos políticos mais radicais em sua vida política. Foi nesse clima que nasceu a Ordem propriamente dita pelo Decreto 19.408, de 18 de novembro de 1930, expedido pelo Presidente Getúlio Vargas.
Dessa iniciativa deu-se início à estadualização da Corporação dos Advogados, que no Rio Grande do Norte nasceu da iniciativa do então Presidente do Instituto dos Advogados local - jurista Hemetério Fernandes Raposo de Mello, em sessão histórica no dia 05 de março de 1932, realizada no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.

Desse momento participaram, também, os advogados Francisco Ivo Cavalcanti, Paulo Pinheiro de Viveiros, Manoel Varella de Albuquerque, Francisco Bruno Pereira e Manuel Xavier da Cunha Montenegro, com o objetivo de instalar em nosso Estado uma representação da Corporação Federal dos Advogados. Para isso os fundadores formaram uma diretoria provisória composta dos advogados antes referidos, ocupando, respectivamente os cargos de Presidente, Secretário, Tesoureiro e os demais, como vogais.

A nossa Instituição de Classe foi das primeiras Seccionais reconhecidas no Brasil, graças ao perfeito trabalho dos abnegados causídicos já nominados, que, daí por diante, iniciaram a tarefa de consolidação da Ordem do Rio Grande do Norte merecendo registro as primeiras reuniões, exatamente para constituírem o primeiro Colégio Eleitoral da Primeira Diretoria Definitiva, escolhidos na Assembléia de 13 de maio daquele ano, num total de 28 inscritos, na qual foram eleitos Hemetério Fernandes, Francisco Ivo Cavalcanti, Manoel Varella de Albuquerque, Alberto Roselli e Paulo Pinheiro de Viveiros, marcada a posse para o dia 22 de outubro. Em 30/8/32, a fatalidade retirou do nosso convívio o pioneiro Hemetério Fernandes, o mais votado e que certamente seria o Presidente. Contudo, face ao acontecimento, foi escolhido o advogado Francisco Ivo Cavalcanti, eleito na 10ª reunião do Conselho da OAB/RN, realizada às 19 horas do dia 22 de outubro de 1932, data considerada oficial de sua criação e ratificada pelo Conselho Federal, tendo como demais integrantes os advogados: Paulo Pinheiro de Viveiros, 1º Secretário; Manoel Varella de Albuquerque, Tesoureiro; Vogais Pedro dAlcântara Mattos, que substituiu Dr. Hemetério Fernandes Raposo de Mello, e em seguida pelos advogados Alberto Roselli, Phelippe Nery de Brito Guerra e Vicente Farache Netto, tendo como Conselheiro representante junto ao Conselho Federal o advogado João de Britto Dantas.

No dia 22 de outubro do ano em curso a Seccional do nosso Estado comemora seus 78 anos. Em 2008 registrei toda a nossa história no livro Traços e Perfis da OAB/RN, editado pelo Sebo Vermelho.

CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES

Membro Honorário Vitalício da OAB/RN

domingo, 17 de outubro de 2010


SAUDADES DE GILVAN BEZERRIL (PAULO GILVAN)

Amigos e Amigas leitores deste meu blog. Recebi do colega brasiliense Ciro Tavares a triste notícia do falecimento, ontem, na cidade do Recife - onde nasceu, do último integrante original do Trio Irakitan – Gilvan Bezerril (Paulo Gilvan).
Como muitos sabem, comecei a minha vida militando no rádio e cantei inúmeras vezes na SAE (Sociedade Artística Estudantil), levado pelas mãos de Francisco Gomes de Sales, que era meu empresário e também do Trio Irakitan.
Guardo dessa época uma relíquia que o próprio Gilvan não chegou a conhecer – um disco em acetato obtido de um gravador de fio magnético, onde em um lado está a primeira gravação do Trio Irakitan (Você não sabe amar) e no outro lado eu cantando com o Trio (Sin ti). Isso ocorreu em 1948 na casa do Coronel Salema, na Base Aérea de Natal.
Este disco estou tentando recuperar através de um técnico de São Paulo indicado pelo meu amigo Dr. Ernani Rosado.
Eu vi o Trio nascer na casa de Edinho, que ficava na rua Coronel Cascudo, na cidade alta. Em nossas andanças artísticas, o gênio era Edinho, músico e arranjador de primeira linha. Gilvan era o “crooner” e Joãozinho fazia pequenas e rápidas cenas de teatro com Pedro e Paulo Dieb. Nas nossas excursões também participavam Haroldo de Almeida e Newton Ramalho, este ainda vivo.
Nessa época, os meninos do Trio resolveram buscar sucesso fora do Brasil, através dos países da América do Sul e voltaram consagrados, quando a cidade fez festa no Aéro Clube para recepcioná-los. Tenho tudo isso documentado para publicar em breve.
Faço esse registro sob o impacto de grande emoção e imensa saudade, rogando a Deus pela proteção do nosso pranteado Gilvan e que, por benesse do Criador, retome o convívio dos seus antigos parceiros, para brindar no céu, entre os querubins, a imensa população de potiguares que lá se encontra.

NOTÍCIA QUE ENTRISTECE TODO O BRASIL (faleceu em Recife GILVAN BEZERRIL, cujo nome verdadeiro era PAULO GILVAN DUARTE BEZERRIL). O fato desfaz integralmente a composição original do Trio Irakitan.
17:18:53
Música
Músico do Trio Irakitan morre no Recife aos 81 anos
Publicado em 17.10.2010, às 09h10
Do JC Online Com informações da Rádio Jornal

Divulgação
Paulo Gilvan (primeiro à esquerda) faleceu no Recife
Um dos membros fundadores do Trio Irakitan, Paulo Gilvan Duarte Bezerril, faleceu neste domingo, no Pronto Socorro Cardiológico de Pernambuco (Procape), no bairro de Santo Amaro, área central do Recife. O músico, que completaria 82 anos na próxima quarta-feira (20), morreu em decorrência de problemas cardíacos por conta de um infarto.

Paulo Gilvan, como era conhecido musicalmente, estava internado no Procape há oito dias. O enterro está marcado para às 16h no cemitério de Santo Amaro.

O Trio Irakitan foi criado em 1950 por Paulo Gilvan (afoxé), Edinho (violão) e Joãozinho (tantã) em Natal-RN. O conjunto começou a carreira cantando boleros e fez muito sucesso na Venezuela, Colômbia, Caribe e México. Foi neste último país que os rapazes desenvolveram a vocalização.

Depois de algumas mudanças, Paulo foi o único da formação original que permaneceu no grupo. Até este ano eles se apresentaram em João Pessoa. Foram mais de 50 discos gravados em 60 anos de carreira.

sábado, 16 de outubro de 2010


III ENCONTRO POTIGUAR DE ESCRITORES – EPE
RELEASE
De 26 a 28 de outubro de 2010 na livraria Siciliano do Midway Mall acontecerá o III Encontro Potiguar de Escritores, promovido pela União Brasileira de Escritores UBE/RN (Programa anexo), oportunidade que a sociedade potiguar terá para conhecer a nossa Literatura e seus autores.
Às 10h, Abertura Solene, em que será prestada uma homenagem aos 19 escritores fundadores da entidade, fundada em 16.11.1984, portanto há 26 anos atrás. Dos 19 autores, 11 partiram na nau da eternidade (Antonio Soares Filho, Eulício Faria de Lacerda, Fagundes Menezes, Franco Jasiello,Luiz Rabelo, Luís Carlos Guimarães, Marcos Maranhão, Dom Nivaldo Monte, Reinaldo Aguiar, Veríssimo de Melo e Zila Mamede) e 08 estão vivos (Deifilo Gurgel, Edna Duarte, Itamar de Souza, Jansen Leiros, Marize Castro, Paulo Macedo, Racine Santos, Valério Mesquita). Estes receberão o Diploma de Sócio Precursor. Com o Diploma de Sócio Honorário serão agraciados: Raimundo Soares de Brito decano dos Escritores Potiguares , 90 anos; Dorian Gray, 80 anos; Ciro Tavares, 70; Franklin Capistrano, 60 e Pedro Vicente, 60).
As inscrições estão abertas na livraria (procurar a gerente) e são gratuitas. Serão entregues Certificados aos que comparecerem a 90% das atividades. Tal medida se impõe devido o auditório ter apenas 60 lugares. Maiores informações pelos telefones 3616-6513 (Coordenação) durante a semana e 3206-1147 Livraria Siciliano.
III ENCONTRO POTIGUAR DE ESCRITORES
ONDE: Livraria Siciliano do Midway Mall, G5
DATA: 26 a 28 de outubro de 2010
HORA: 10h às 18h30
Acesso: livre, mediante inscrição prévia e gratuita

sexta-feira, 15 de outubro de 2010



EDITAL PARA AS ELEIÇÕES DA DIRETORIA E CONSELHO FISCAL DO INSTITUTO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA – INRG - NORMAS EDITALÍCIAS

Art. 1º. A eleição para os cargos da Diretoria e Conselho Fiscal do INSTITUTO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA – INRG, inscrição no CNPJ sob o n° 12.382.295/0001-97 – NATAL-RN, se realizará no dia 17 de novembro de 2010, na sua sede provisória, sita à Rua Mipibu, 443, Petrópolis, nesta Capital, onde é a sede permanente da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras – ANRL, das 8 às 17 horas, pelo sistema de voto e escrutínio secreto e compreenderá a escolha dos seguintes cargos:

DIRETORIA:
Presidente
Vice-Presidente
Secretário
Tesoureiro

CONSELHO FISCAL:
Três (03) Membros Titulares
Um (01) Membro Suplente.

Art. 2º. Será garantida a lisura do pleito eleitoral, assegurando-se condições de igualdade às chapas concorrentes, inclusive no que concerne à propaganda eleitoral, podendo, para isso, serem nomeados fiscais que atuarão nas fases da propaganda, escrutínio e apuração dos votos.

Parágrafo Único. O voto será secreto, exercido através de cédula específica e depositado na urna previamente designada para tal fim, podendo os Acadêmicos não residentes na sede da Instituição, cumprir o seu dever estatuário mediante carta postada através dos Correios ou entregue à Comissão Eleitoral, até 30 (trinta) minutos antes do encerramento da votação, em envelope lacrado e colocado em urna especial, em separado, o qual será apurado após a verificação do preenchimento das condições de eleitor, adotando-se o seguinte critério:

I - O voto será colocado em um envelope especial, isento de timbre e dizeres e devidamente lacrado;

II - em seguida será colocado em outro envelope endereçado à Comissão Eleitoral, acompanhado de uma folha de identificação do eleitor, com seus dados essenciais, a saber: nome legível, local, data e assinatura.

III - Recebida pela Comissão Eleitoral, esta decidirá sobre sua computação, tomando as cautelas necessárias para não quebrar o sigilo do voto conforme as regras aprovadas para o respectivo pleito, aplicada, subsidiariamente, a legislação eleitoral pátria, registrando todo o procedimento na ata dos trabalhos.

Art. 3º. O prazo para o registro das chapas se dará a partir da publicação da convocação eleitoral até às 18 horas do dia 04(quatro) de novembro na biblioteca do escritório do Confrade CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES, sita à Rua Cel. João Gomes, 555-A – Barro Vermelho – CEP 59.030-320 – Natal/RN, telefone 3222-8815.

Art. 4º. O requerimento de registro de chapa, com o nome completo dos candidatos, endereçado ao Presidente da Comissão Eleitoral, deverá estar assinado por qualquer dos candidatos que a integram, com lista contendo a anuência dos demais candidatos.

Art. 5º. Findo o prazo para inscrições, com as eventuais diligências, a relação das chapas, com os respectivos nomes e cargos de candidatura, será publicada na imprensa, para fins de conhecimento e eventual impugnação dos interessados.

Art. 6º. A impugnação às inscrições se dará no prazo de 3 (três) dias da publicação das chapas, findo o qual se decidirá, em 3 (três) dias, pelo deferimento ou indeferimento das inscrições.

Art. 7º. A partir da inscrição e independente de impugnação, as chapas candidatas podem divulgar seus programas, podendo a propaganda ocorrer até o dia 15 (quinze) de novembro de 2010.

Art. 8º. A eventual propaganda negativa ou que contrarie as normas eleitorais brasileiras, poderá ser impugnada no prazo de 2 (dois) dias do fato, sob pena de não conhecimento da impugnação.

Art. 9º. A Comissão Eleitoral, no prazo de 2(dois) dias, decidirá a impugnação, devendo a decisão ser publicada na sede do INRG.

Art. 10. Em caso de empate na votação, o desempate se fará em favor da pessoa cabeça de chapa com maior idade. Permanecendo o empate, o novo desempate se dará por sorteio.

Art. 11. Os eleitos serão diplomados e empossados no dia 18 (dezoito) de novembro de 2010, na sede da Instituição, em sessão especial realizada às 18 (dezoito) horas.

Art. 12. Em caso de anulação ou impossibilidade de ocorrência das eleições, por motivo de força maior, a segunda eleição será realizada em 29 (vinte e nove) de novembro de 2010, no mesmo local da primeira eleição, guardando-se a proporcionalidade dos dias do calendário dos artigos anteriores.

Art. 13. Não poderão concorrer às eleições para a escolha da Diretoria Permanente do INRG e do seu Conselho Fiscal, os integrantes da Comissão Eleitoral.

Art. 14. Os casos omissos serão resolvidos pela Comissão Eleitoral.

Art. 15. A Comissão Eleitoral será dissolvida com a posse dos eleitos.

Art. 16. As normas deste edital entram em vigor na data de sua publicação na sede da Instituição.

Natal/RN, 13 de outubro de 2010

A Comissão Eleitoral escolhida na Reunião Extraordinária desta data.
Carlos Roberto de Miranda Gomes
Presidente
Joaquim Luís Quité de Vasconcelos
Membro
Rostand Medeiros
Membro
****************

INSTITUTO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA - INRG

CONVOCAÇÃO DE ELEIÇÕES
A COMISSÃO ELEITORAL designada pela Portaria n° 01/2010-INRG de 13 de outubro em curso, do Presidente da Instituição, CONVOCA todos os Acadêmicos do INSTITUTO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA - INRG, inscrição no CNPJ sob o n° 12.382.295/0001-97 – NATAL-RN, para participarem do pleito eleitoral para a escolha dos membros da Diretoria e Conselho Fiscal da referida Academia, a ter lugar no dia 17 de novembro próximo vindouro, em sua sede provisória sita à Rua Mipibu, 443, Petrópolis, nesta Capital, onde é a sede permanente da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras – ANRL, Petrópolis-Natal/RN, no horário das 8 às 17 horas, para o preenchimento dos seguintes cargos: DIRETORIA: Presidente; Vice-Presidente; Secretário e Tesoureiro. CONSELHO FISCAL: Três (03) Membros Titulares e Um (01) Suplente.
O edital com as normas editalícias completas está afixado na sede provisória da Instituição, no início indicada.

Natal/RN, 13 de outubro de 2010
A Comissão Eleitoral
CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES
Presidente
JOAQUIM LUIS QUITHÉ DE VASCONCELOS
Membro
ROSTAND MEDEIROS
Membro





“HOJE A MINH´ALMA TEM UM AR DE FESTA:
AMANHECEU DE AMOR MEU CORAÇÃO.”
-Eurícledes Formiga-
(Décima em decassílabos)

Adormeci, imaginando, em sonhos,
Belos momentos de ternura e paz,
Pois o amor, só ele era capaz,
De afastar, de nós, dias tristonhos.
Vivenciava, eu, dias risonhos,
Pois nos meus sonhos, cantava uma canção.
Você me era amor e emoção...
...e despertei... feliz, com o que me resta.
“HOJE A MINH´ALMA TEM UM AR DE FESTA:
AMANHECEU DE AMOR MEU CORAÇÃO.”

FONTE: Wellington Leiros
wleiros.169@digi.com.br
(14.09.2010)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010



A indignação de uma jovem sobrinha: Maria da Graça Gomes da Costa.
"Sinalizar esta mensagem o que vai ser derrubado com o Machadão"

Amigos,
Gostaria de compartilhar com todos um pouco de minha tristeza e indignação em relação a possibilidade da derrubada do estádio Machadão em Natal.
Nos últimos 2 anos meu pai, Moacyr Gomes da Costa, arquiteto e defensor do estádio, tem lutado praticamente sozinho contra o descaso, a corrupção e a destruição do patrimônio público que essa possível derrubada representa. Acho que não é surpresa para muitos que esse processo de seleção de Natal como cidade sede da copa 2014, desde o início envolve questões obscuras como financiamento de campanhas e beneficiamento de empresas privadas. Por vezes enviei e-mails com denuncias e artigos de grandes jornalistas de nosso estado que se colocaram contra esse ato de vandalismo institucionalizado. Desta vez, gostaria de divulgar algo diferente sobre o tema: os quadrinhos de Beto Leite (texto) e Marcos Guerra (desenhos) publicados na bela Revista Cartoze, disponível no link: http://revistacatorze.com.br/.
Como cidadã me sinto no dever ético e afetivo (por que não?) de me colocar contra essa destruição. Aos que não concordam comigo, peço apenas que reflitam, e principalmente, que exerçam o direito ao controle social sobre a gestão de nossas obras públicas.
Nesses tempos de eleições sujas, de correntes de e-mail falsas e mídia massificada, tentemos usar a internet como uma arma de resistência ao nosso favor!

Abraços a todos,

Maria da Graça. mariaggomes@gmail.com

Eis os desenhos:









sábado, 9 de outubro de 2010

AINDA SOBRE O MUSEU NILO PEREIRA – ENGENHO GUAPORÉ
ORMUZ BARBALHO SIMONETTI
(Presidente do Instituto Norte-Rio-Grandense de Genealogia e membro do IHGRN e da UBE-RN)

Felizmente nosso “Grito de Alerta” teve ouvidos lá fora. Os dois artigos publicados neste periódico “VERGONHA” e “GRITO DE ALERTA”, alcançaram o confrade Carlos Barata, Presidente do Colégio Brasileiro de Genealogia, com sede no Rio de Janeiro, Instituição a qual pertencemos desde 2008. O professor Carlos Barata ficou chocado com a atual situação do museu e principalmente com as imagens do vídeo que lhe enviei, onde vândalos aparecem apedrejando o Museu Nilo Pereira.
Segue o desdobramento a partir das matérias publicadas.
Carlos Barata escreveu: Prezados amigos museólogos e estudantes de Museologia, segue mensagem que foi enviada, por e-mail, pelo amigo Ormuz Barbalho Simonetti, Presidente do Instituto Norte-Rio-Grandense de Genealogia. Matéria será publicada em O JORNAL DE HOJE edição de sexta-feira dia 24/09/2010.
E-mail enviado a Carlos Costa, Presidente de COREM 4° Região (Conselho Regional de Museologia) por Magda Beatriz Vilela,Presidente COREM 2ª Região-RJ, ES e MG, Museóloga responsável do Museu do IHGB - Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro
Telefax:(21)2233-2357 Tel cel.: (21) 8182-7810

Prezado Carlos,
Encaminho o email que recebi a fim de que você possa tomar conhecimento do alerta/denúncia lançado pelo Sr. Ormuz Barbalho Simonetti, o qual me fora encaminhado pelo Prof. Carlos Barata. Não sei se terás como agir nesse caso em especial, pois me parece tratar-se de um caso onde há, nitidamente, a influência da política imunda de nosso país que tem força maior do que qualquer lei. Me senti na obrigação de repassar para você.
Desde já agradeço sua atenção.
De: Conselho Regional de Museologia
Data: 27 de setembro de 2010 20:31
Assunto: Re: URGENTE AO IBRAM: Grito de alerta - Ainda sobre o museu Nilo Pereira
http://www.youtube.com/watch?v=lE5lMb7DvNc
O VÍDEO ANEXO É UM ABSURDO (Carlos Barata)

Para: Conselho Regional de Museologia COREM
Cc: Mario Chagas, nascimento@iphan.gov.br, Julio Chaves , Olímpia , Raimundo Cova Figueiredo, Raimundo Cova Figueiredo, Raimundo Figueiredo, Ana Claudia dos Santos, Rafaela Caroline Noronha Almeida, caubarat@globo.com

Carlos,
Agradeço sua pronta resposta e também devido ao encaminhamento a quem possa, talvez, agir da melhor forma para salvaguardar esse patrimônio.

Att.
Magda Beatriz Vilela
Presidente COREM 2ªRegião-RJ, ES e MG
Telefax:(21)2233-2357
Em 26 de setembro de 2010 23:05, Conselho Regional de Museologia COREM escreveu:

Prezada colega Magda Vilela,

De fato, trata-se de uma situação lamentável. Como bem observa, não sei se teremos como agir, frente aos parcos recursos que dispomos e as forças políticas que existem por trás da situação. Por outro lado, não nos parece que seja atribuição legal do sistema COFEM/COREMs, frente ao que versa os Arts. 7º e 8º da Lei nº 7.287/84. Tendo em vista dispormos de um instituto federal que trata de museus, encaminharei a situação ao IBRAM, através deste e-mail, especialmente ao Mário Chagas e ao Nascimento Júnior, para avaliarem a questão e indicarem um encaminhamento.
Cordialmente,
Carlos Costa.
Museólogo - COREM 1R 0211-I
Presidente do COREM 1R

Hoje quarta feira, estive no Solar João Galvão de Medeiros onde funciona o CEDOC, Centro de Documentação Cultural do Estado, órgão da Fundação José Augusto, mas infelizmente não fui autorizado a ter acesso ao acervo do Museu Nilo Pereira, que se encontra sob responsabilidade daquela Fundação. Fui informado que as peças estão bastante deterioradas e por isso, impedidas de serem vistas mesmo por pesquisadores, como no meu caso. Este acervo que até 2006 era guardado no Palácio da Cultura, hoje se encontra “armazenado” em precárias condições no Papódromo, que funciona como depósito de coisas velhas e quebradas descartadas das diversas Secretarias do Estado do RN. Não tive acesso nem mesmo ao inventário das peças que lá se encontram, mas consegui a informação de que pelo menos o piano de calda, principal peça do acervo, com certeza não se encontra dentre as peças amontoadas naquele depósito. Sumiu, ninguém sabe, ninguém viu.

Faço aqui um apelo à Assembléia Legislativa para que abrace essa luta em favor do Museu Nilo Pereira, instaurando uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar devidamente o que vem realmente acontecendo, ao longo desses últimos anos com aquele patrimônio histórico e cultural. Temos conhecimento de que os recursos que são conseguidos com tantas dificuldades, terminam voltando às suas origens pela incompetência das autoridades responsáveis, que numa clara demonstração de descaso e falta de compromisso com a cultura em nosso Estado, passivamente, permitem que tais recursos retornem, por falta de utilização?
Apelamos para a Ordem dos Advogados do RN, a Academia de Letras do RN, a UFRN como também a Associação dos Jornalistas do RN, enfim a Sociedade Civil organizada, para se engajarem nessa luta e numa ação conjunta, possamos devolver ao povo do Rio Grande do Norte, o museu Nilo Pereira totalmente restaurado juntamente com o que resta do seu acervo, antes que o tempo e o descaso dessas autoridades se encarreguem de tornar impossível, o sonho de sua restauração.
(publicado no JH de 8.10.2010)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

REFLEX
À margem da poesia de Paulo de Tarso
Aqui estou pássaro madrugador e antigo, pousado sobre os momentos de Paulo de Tarso Correia de Melo, saboreando o poema veneziano que outonal adormece,sonha fustigado pelo frio invernal de chuvas que torturam telhas. Desperta impulsionado pelo canto de míticas cotovias, arautos das auroras, no alto dos galhos das romãzeiras saudando a primavera.
Os versos são curtos, esculpidos nos coloridos multiangulares. Lembram vitrais e acendem na memória os brancos azulados, verdes, vermelhos e amarelos de Chagall que me comoveram na catedral de Saint Etienne de Metz.
Ainda que descubra no corpo apenas tempo e morte, é capaz de desatar sobre o corpo da amada a longa cabeleira dourada, mãos entrelaçadas, caminho adiante, assim como na Alvorada do Amor, de Olavo Bilac, Adão e Eva abandonam o paraíso:
“Ah! bendito o momento em que me revelaste
O amor com o teu pecado e a vida com o teu crime!”
Inspira-se na abertura virgiliana da Eneida e constrói seu teorema lírico, onde ritmo e estética são rigorosamente matemáticos nos decassílabos:
“tombaram magnólias
Quando passaste aqui.
Chovia no jardim
E eu não te conheci”.
Avançou-me a tarde e o Sabor de Amar, de Paulo de Tarso Correia de Melo, na companhia das Quatro Estações de Vivaldi, que o poeta multiplicou por outras mil encasteladas no seu espírito sensível voltou à estante, lido, relido e anotado pelo estudante que sou das coisas belas.

Ciro José Tavares, Brasília 2010.
Brasília, outubro de 2010.