A Copa do Mundo de Futebol de 2014, realizada em nosso país, nos deixou algumas boas lembranças, e momentos de alegria, apesar da grande decepção e do fracasso abissal demonstrado pela nossa seleção diante da organizada equipe da Alemanha, quando fomos massacrados em pleno de Estádio do Mineirão, pelo escorre de 7×1.
Memorizei alguns lances, alguns momentos que bem marcaram aqueles instantes de alegria, tristeza e de congraçamento universal do futebol.
Vejamos:
— O apagado desempenho do craque número um do mundo: Cristiano Ronaldo, da seleção portuguesa;
— À ausência nos jogos do famoso atacante Balotelli da seleção italiana, embora presente em campo;
— A mordida canibalesca de Luis Soárez, atacante da seleção uruguaia no zagueiro da seleção italiana, Chiellini, em plena Arena das Dunas/ Natal;
— O “soprinho” do árbitro japonês ao apitar o pênalti inexistente para o Brasil contra a Croácia;
— A grande decepção da seleções da Espanha, Inglaterra e Itália;
— A grata e a vibrante surpresa das boas seleções da Costa Rica e Colômbia;
— À beleza, à alegria, o colorido e a vibração das torcidas nas Arenas;
— O belo exemplo e a fidalga impressão deixada pelos torcedores japoneses nas Arenas( povo limpo é povo civilizado);
— A beleza do futebol exibido pelo veterano Pirlo, meio campista da seleção italiana;
— A genialidade, a elegância, a disciplina tática exibida pelo meio campista Schweinsteiger da equipe alemã;
— A raça aliada ao belíssimo futebol do atacante Robben, da seleção holandesa e o talento do jovem craque colombiano, James Rodríguez;
— O choro coletivo explicável ( um milagre), uma graça alcançada da nossa seleção pela vitória nos pênaltis contra o Chile;
— A estratégica irracional e “confortável” da seleção brasileira de treinar na granja Comary/ Teresópolis/RJ, com clima de Europa no inverno, para jogar em clima tropical com 32 graus à sombra;
— A insuportável chatice da transmissão apaixonada de Galvão Bueno;
— A insistência( por falta de coadjuvante) do craque Neymar em tentar, tentar e teimar resolver sozinho o jogo para a nossa seleção;
— Os curiosos e hilários nomes dos jogadores estrangeiros: Sissoko, Osako, Guardado, Vida, Pulido, Caicedo, Mehrdad, Tranquilo, Cuadrado, Abate, Musa, Papastathopoulos, Koo Ja-Cheol, Altidore, Mavuba, Rimando, Immobile, Mejía, Schweinsteiger, Zemmamouche,Lukaku;
— O alto nível técnico e a performance dos goleiros das seleções ( A Copa dos Goleiros), destaque maior para Nauer da seleção da Alemanha;
— Os vazios, inconsistentes e bisonhos comentários técnicos e táticos de Ronaldo Nazário, na TV Globo;
— A figura alegre e simpática do treinador da seleção mexicana e da sua histórica queda ao comemorar o gol da sua seleção;
— A inusitada e corajosa substituição( que deu certo) do goleiro da seleção da Holanda contra a Costa Rica, no momento mágico da decisão por pênaltis;
— A brutalidade e a virilidade do corpulento jogador da seleção Colombiana Zúniga, no nosso melhor e único atacante Neymar, tirando-lhe da Copa;
— A falta de conhecimento, o despreparo e a imaturidade de como foi feito o atendimento em campo de Neymar, vítima de um seríssimo traumatismo na coluna lombar;
— Do futebol jogado com inteligência, solidário, com seriedade, planejamento e muita organização, pela seleção da Alemanha;
— De admirar, aplaudir e assistir o craque Messi correr na vertical em velocidade e ter a bola literalmente colada à chuteira, não permitindo ao adversário tomá-la. Impressionante! Coisa de gênio;
— A justa e merecida homenagem póstuma ao craque argentino Di Stefano ( que nunca disputou uma Copa do Mundo), com um minuto de silêncio e targa preta, no jogo entre a Argentina e Holanda. E o nosso craque Marinho Chagas ( falecido um pouco antes do início da Copa ), o melhor lateral-esquerdo do Mundo (1974) — nenhuma homenagem. Lastimável e injusto.Berilo de Castro – Médico, escritor, membro do IHGRN – berilodecastro@hotmail.com.br
sexta-feira, 12 de janeiro de 2018
CARTAS
DE COTOVELO versão 2018 - 04
CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES,
veranista.
Entre caminhadas e banhos de mar, não dou
tréguas ao fundo da minha rede, nela escanchado, para o deleite das minhas
leituras diárias. A bola da vez foi “Macaíba em Alvoroço”, do meu amigo e
confrade Racine Santos – ele macaibense e eu macaibeiro, ambos conhecedores das
coisas de Macaíba de Seu Mesquita.
Deleitei-me com a descrição da
geografia física e humana da cidade, fazendo um ponto especial ao comentar a
Feira, que também foi o meu encanto no tempo em que lá vivi, morando na rua
Pedro Velho, bem pertinho da rabada da feira, ali no confronto com a rua do
Solar Caxangá que faz quina com a rua do Gango. Ali me deleitava com os animais
de carga amarrados com cangalhas e, vez por outra, um jumenta no cio provocava
os garanhões que queriam fazer a cobertura com cangalha e tudo, aos coices,
fazendo cair a mercadoria e sob os vivas e gritos da molecada. E eu lá.
Também naquela parte final ficavam os
vendedores de cordel, que usando um velho microfone, envolvido em uma flanela
rota, cantavam as suas estórias incríveis, talqualmente o fazia o açuense, brincante
de João-Redondo da história do livro, que colocou em alvoroço o Prefeito, o
Padre, o Delegado e o Poeta com a simples insinuação: ’tô de olho em você”.
Gozação? Vingança? Ou apenas feladaputagem?
O romance entremeia o enredo com as
meninas do “Céu dos pecadores”, histórias de lobisomem e um crime de morte
nunca desvendado, Zefinha catimbozeira, os encontros de Xexéu, Cancão, Sérgio
Cabeceiro, regularmente no Bar Esperança, de Seu Jorge e, nos sábados, ao final
da feira, no Gato Preto, de Seu Melquezedeque, aberto dia e noite, em todas as
oportunidades, puxadas à aguardente “Dois tombos” – causadora do conhecido
slogan: um pra frente e dois pra trás. (Recordo nos carnavais de Macaíba o caminhão
desfilando com a alegoria de uma grande garrafa de propaganda). Alguma vez a
bebida foi servida por Hélio Cobra, da Pensão Estrela da Madrugada, mais
conhecida como Pensão de Dorinha.
No meu tempo existia uma das meninas
com uma história famosa – seu nome Xibiu de Bolão.
Ademais disso, relembra a chegada do ônibus
de seu Luiz, que parava junto do obelisco fronteiriço ao Mercado, cercado de
correntes e nas sombras das árvores.
Fui um dos que às tardinhas esperava
esse transporte com o gazeteiro que trazia minhas encomendas de Gibís (coleção
que mantenho até hoje), enquanto não chegava me deleitava com os caminhões e
mistos que passavam pelo centro da cidade tocando na buzina músicas de Luiz
Gonzaga.
Ah que saudades que tive da autora da
minha vida, da minha infância querida na eterna Macaíba, que os anos não trazem
mais.
A governabilidade no Rio Grande do Norte está no volume
morto. A atuação pessoal do governante continua abaixo da crítica. É preciso
humildade. Baixar o orgulho, a vaidade e dialogar com todos. Poderia ter feito
isso antes, muito antes, há trinta dias atrás e aí poderia ter evitado que a
crise tivesse ido tão longe. Inclusive, foram tomadas medidas extremas que
somente puseram lenha na fogueira. Prisões de policiais, auxílios de recursos
federais para pagamento de funcionários estaduais, enfim, toda uma parafernália
de interpretação mal-assombrada da lei. A população do Estado ficou à deriva,
sujeita a violência, a anarquia, quando, somente agora, foram tomadas medidas
emergenciais para revelar o incêndio: diminuir o tamanho da máquina estatal (exoneração
de cargos comissionados na órbita do poder executivo e diminuição do número de
órgãos da administração direta e indireta). Que o Poder Executivo assuma
sozinho as dimensões de tal cometimento é dever de ofício.
Na reunião com o mundo político estadual (deputados federais
e senadores), lá na governadoria, numa atmosfera na qual, sorrisos punhais
escondiam, outro dever de casa se impôs para a equação do problema a médio
prazo: a venda do patrimônio público (ativos) e de empresas de economia mista.
Aliás, existem algumas que somente servem para empreguismo. E sobre essa tarefa
hercúlea o governador Faria ainda vai se entender com a Assembleia Legislativa.
Nas entrelinhas, indaga-se qual a contribuição que os outros dois poderes ofertarão
para encolher o tamanho da folha de pagamento? E também, com relação as
transferências mensais de recursos, denominados duodécimos?
A paralização da
polícia militar por atraso de salário e por outros motivos já do conhecimento
público, chegou como uma onda no mar, desde quando se iniciou o atual governo.
O piloto afirmou que seria “o governador da segurança”. Esse presságio, ao
longo do tempo, foi se desarmando. O perigo dele estava no tom. Foi medíocre,
vulgar e chato. Via-se a primeira futilidade pública, infantil para dá no que
deu: luta social, perda de diálogo com as polícias civil e militar, vitimas inocentes (o povo), depredação do patrimônio e
humilhação do Rio Grande do Norte na mídia social e televisiva de todo o país.
Vive-se um tempo trágico, perdulário, verdadeiro obituário de omissões.
Tudo se deveu ao fraco
desempenho do governador, que procura guilhotinar os antecessores pela massa
falida. Se as providências pactuadas na reunião com a chamada classe política
não forem implementadas criteriosamente, no primeiro trimestre toda essa
baixaria se repetirá. Até porque a combustão é mais fácil no ano eleitoral.
Reforma administrativa e política de investimentos são ajustes urgentes para que
modifiquem a máquina estatal de forma abrangente, em todos os seus segmentos
para suportar a carga funcional, previdenciária, de forma superavitária. Essas
assertivas são obrigações de Robinson Faria, para que o seu nome não fique na
história de pior governador eleito pelo povo do Rio Grande do Norte. Elas são
exigências do Ministério da Fazenda desde quando pediu indevidamente dinheiro
para pagar o funcionalismo.
Lembrem-se que a
memória registra que a debilidade do governo revelou-se quando sacou o dinheiro
da Previdência (IPERN) para pagar os servidores, ano passado. De agora em
diante, acabou o show de strip-tease dos fundos estatais. É hora de mostrar
competência e abolir privilégios.
No Ceará, por exemplo,
governado por um petista, desde agosto de 2016, o gestor reduziu e equilibrou a
magnitude do déficit em trinta por cento, obedecendo o limite da lei da
responsabilidade fiscal. Todavia, aqui desde 2015, apesar de ser
permanentemente advertido pelo TCE, deixou ficar em sessenta e sete por cento a
ultrapassagem da L.R.F.
Ante todo esse
descalabro, digo que a revolta dos policiais tem um fundo social, humano,
porquanto atinge a bolsa, o estômago e a família - enfim, a vida. Se tivesse
acontecido tal inoperância (atraso) nos salários das autoridades constituídas
do Estado, o clamor do “mundo oficial” já teria pedido e votado o impeachment
do verdadeiro responsável.
(*) Escritor
CARTAS
DE COTOVELO versão 2018 - 03
CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES,
veranista.
Afinal, com uma semana de atraso no ano que
começou, foi possível passar a primeira noite em Cotovelo. Dormida calma, da
melhor forma que pretenda qualquer vil mortal, sem businasso, bem diferente do
inferno dos finais de semana, onde a deficiência de uma via adequada de
trânsito congestiona Cotovelo, praia de passagem para os paraísos do sul.
Este assunto vem sendo insistentemente
cobrado pelos que enxergam além da ponta do nariz, mas sem uma resposta dos
órgãos competentes do Estado, sem atentarem para os ganhos financeiros que
advirão com a atração de empreendimentos novos em benefício dos turistas, com
pleno proveito dos moradores e veranistas da região.
Aqui nas
comunidades Pium-Cotovelo, esse benefício vem sendo aguardado e,
particularmente a PROMOVEC, associação civil que alberga os interesses dos
moradores, proprietários e veranistas tem sido vigilante em suas
reivindicações, com muito bom entrosamento com o Prefeito de Parnamirim, que
vem voltando suas ações para as melhorias reclamadas.
Mas existe
um outro ponto que merece estudo e solução – a paz pública e o silêncio
necessário após as 22 horas, que não são observados nas baladas de Pirangi,
cujo som, regado a verdadeiros bate-estacas, incomoda todo mundo e não se
conciliam com o sono dos que vêm para aqui buscar repouso, com sói acontecer
nas regiões praianas. Possivelmente uma regulamentação do assunto permita a
solução do problema.
Quando a
noite deixou escapar os primeiros raios de sol e depois a sua aparição plena,
fez-se a maravilha da confraternização das caminhas com o mar, um pouco de
esporte e a exposição comedida a beira-mar e afinal o banho repousante que nos
oferece o regresso ao lar revigorado – mais para uma boa refeição, uma rede ou
uma dose cantada em versos – caju nasceu pra cachação – uma rede na varanda. O
resto vem por acréscimo.
Tempo bom,
inspirador para a convivência fraterna, um baralho, um dominó, uma cantoria, a
brisa inigualável da costa, boas e inseparáveis leituras. Vai sair um poema, um
conto ou romance.
Arre égua,
que boommmm!
sábado, 6 de janeiro de 2018
Carlos Heitor Cony morre aos 91 anos no Rio
Cony durante entrevista em sua residência localizada na Lagoa, na zona sul do Rio de Janeiro - MAURO PIMENTEL / FOLHAPRESS (6/1/2018)
O romancista, escritor, jornalista e colunista da Folha, Carlos Heitor Cony morreu por volta das 23h desta sexta-feira (5) aos 91 anos, no Rio de Janeiro. Ele estava internado no Hospital Samaritano e morreu em decorrência de falência de múltiplos órgãos. A informação foi confirmada pela ABL (Academia Brasileira de Letras), da qual ele era membro desde 2000.
O Carlos Heitor Cony que conhecemos -cronista ácido e lírico, romancista prolífico de texto ágil e conciso- forjou-se de uma brincadeira e de uma clausura. A primeira se deu aos oito anos de idade, quando o garoto, que por problemas de formação pronunciava ditongos com dificuldade e trocava letras ao falar (o "g" pelo "d", por exemplo), foi desafiado pelo irmão mais velho e amigos, numa festinha, a dizer "Dona Jandira adora um fogão".
Ingenuamente, disse-o, e foi objeto de agressiva caçoada. Angustiado, em seguida escreveu "fogão" inúmeras vezes numa folha de papel e mostrou-a ao mesmo grupo, que nisso não viu graça alguma. Donde o menino concluiu que, se não falava direito, podia escrever corretamente e ter, na escrita, uma forma de defesa e de manifestação da qual ninguém podia caçoar.
Nascido em 14 de março de 1926, em Lins de Vasconcelos, zona norte do Rio de Janeiro, Cony fora considerado "mudo" pela família até os quatro anos de idade. Só emitira o primeiro som ao levar um susto na praia de Icaraí (Niterói) ante o surgimento de um hidroavião vermelho vindo do mar em direção à areia. Em 1941, quando já estava com 15 anos, uma cirurgia poria fim ao problema.
Já a clausura -segundo pilar do Cony que conhecemos- foram os anos passados no Seminário Arquidiocesano de São José, no Rio Comprido, de 1938 a 1945, período em que estudou os clássicos gregos e romanos, praticou diversas línguas, conheceu música lírica e, principalmente, trocou muitas idéias, em especial consigo mesmo.
Do seminário, onde ingressara por vontade própria e de onde saiu aos 19 anos e meses antes de obter a tonsura, Cony herdou grande capacidade de concentração e o hábito de sempre se ocupar com alguma coisa, o tempo inteiro, além do gosto pela liturgia. Mas conheceu, também, o valor da dúvida, a experiência dolorida da ruptura e o alto custo a pagar pela livre expressão de pensamento e opinião.
Em "Informação ao Crucificado" (ficção com tonalidade autobiográfica em forma de diário publicada em 1961), o jovem seminarista João Falcão relata o tenso e decisivo diálogo no qual, acuado, respondendo a uma pergunta do Senhor Arcebispo ("por que você quis ser padre?"), explicava: "Porque achei bonito ser padre. Bonito e difícil". Pouco a ver com "levar almas a Deus" ou com apego religioso, portanto. Réplica do Arcebispo: "...ou você muda radicalmente sua maneira de pensar, ou faça-me o extraordinário favor de abandonar o quanto antes o Seminário".
Ao longo dessa experiência, solidificou-se uma personalidade marcada pelo ceticismo, alérgica a grupos -fossem ou culturais-, assumidamente individualista e, por isso mesmo, também errática, imprevisível. Em maio de 2000, no discurso de posse da cadeira número 3 da Academia Brasileira de Letras, Cony definiu-se, citando Eça de Queiroz, como um "anarquista entristecido, humilde e inofensivo". "Não tenho disciplina suficiente para ser de esquerda, não tenho firmeza suficiente para ser de direita e não tenho a imobilidade oportunista do centro".
Em 1946, aos 20 anos, como quem busca um novo eixo, o ex-seminarista ingressa na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil. Abandona a instituição, porém, no ano seguinte. De 1948 a 1950, frequenta o Curso de Preparação de Oficiais de Reserva (CPOR). Nesse intervalo, casa-se em 1949. Nascem as filhas Regina Celi (1951) e Maria Verônica (1954). Ao longo da vida, Cony teve mais três casamentos formais e duas uniões informais -além de um filho, André Heitor, nascido em 1973.
Jornalismo
Filho de Julieta de Moraes e do modesto jornalista Ernesto Cony Filho -morto em 1985 aos 91 anos e celebrizado em 1995 como protagonista de "Quase Memória"-, Cony ingressa oficialmente no jornalismo aos 26 anos, em 1952, como redator na Rádio Jornal do Brasil. Antes tivera passagens como "setorista" da Gazeta de Notícias na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em substituição ao pai. Foi também no lugar do pai -vítima de uma isquemia cerebral- que Cony passou a ser credenciado pelo "Jornal do Brasil", em 1955, na Sala de Imprensa da Prefeitura da cidade.
O primeiro romance ("O Ventre") é escrito nesse ano. Em 1956, o autor o inscreve sob pseudônimo para o Prêmio Manuel Antonio de Almeida, concurso da Prefeitura. A comissão julgadora considera o livro "muito bom", mas nega-lhe o prêmio por achá-lo forte demais para um certame oficial. Em apenas nove dias, para cumprir o prazo de inscrição, o autor produz seu segundo romance, "A Verdade de Cada Dia", e com ele vence o concurso, em 1957. Com "Tijolo de Segurança", recebe o mesmo prêmio, em 1958.
Os três romances viriam a ser publicados respectivamente em 1958, 1959 e 1960 pela Civilização Brasileira, dirigida por Ênio Silveira, que "adota" Cony como autor de ponta da prestigiosa editora. Seguem-se "Informação ao Crucificado" (1961), "Matéria de Memória" (1962) e "Antes, o Verão" (1964).
Nessa inusitada avalanche de romances, a crítica observou a composição de um retrato impiedoso da classe média carioca, em compasso existencialista com elevada dose de autocomiseração, assim como a expressão do vazio individual, da incomunicabilidade e da ausência de perspectivas coletivas -tudo isso, na perfeita contramão da euforia da era Juscelino Kubitscheck. Voluntária ou involuntariamente, Cony já assumia, em todas essas obras, a postura muito própria de enfrentamento que marcaria toda a sua trajetória pessoal e profissional.
Ao comentar "A Verdade de Cada Dia" em 1961, o crítico Paulo Rónai classificava os romances de Cony como "chocantes e pungentes", com um "lugar definitivo na história da ficção brasileira". Na "História Concisa da Literatura Brasileira", Alfredo Bosi via a obra do autor como uma "experiência cortante de neo-realismo psicológico".
O projeto inicial do ficcionista, segundo confidenciou o próprio em diferentes ocasiões, era compor um conjunto de dez romances, uma série sobre a "condição humana". Auto-ilusão, sem dúvida, pois Cony, desde o início, sempre foi, acima de tudo, uma máquina humana de escrever; vulcânica, acelerada, infatigável, fora de controle do próprio dono.
Não só produziu bem mais do que dez romances (foram 16 no total), como enveredaria incansavelmente pela crônica e outros vários gêneros: romance-reportagem, biografias, ficção infanto-juvenil, adaptações de clássicos nacionais e estrangeiros. No total, sua produção reúne 65 publicações, sem falar naquelas realizadas em parceria ou a participação em coletâneas.
Certamente não tinha preocupação de fazer obras-primas. Escrevia, simplesmente, de modo compulsivo, como extensão, no papel, de sua fisiologia. Muitas vezes se classificou como um autor "sem estilo" -embora, segundo diferentes críticos, isso esteja longe da realidade. Sempre auto-irônico, disse numa entrevista: "Acho que já poluí demais o mercado editorial. O Ibama deveria tomar uma providência contra mim".
Cronista
Se o reconhecimento literário veio cedo, expresso em prêmios e resenhas elogiosas, foi como cronista -cuja estreia se deu em 1962 no "Correio da Manhã" (onde fora contratado em 1960 como copidesque e depois editorialista)- que Cony surgiu para uma faixa mais ampla de leitores. A coluna, em revezamento com o escritor Otávio de Faria (1908-1980), chamava-se "Da arte de falar mal".
Quando de sua reunião em livro, em 1963, o crítico Fausto Cunha destacou o domínio da língua e a temática individual, elogiando-lhe, entre outros aspectos, a "audácia da afirmação", uma qualidade, segundo ele, ausente em "nossos cronistas".
A explosão pública de Cony, porém, ocorreria no ano seguinte, logo após a implantação da ditadura militar, em 1964. E não por acaso. Avesso a grupos, sem laços partidários nem compromissos programáticos, o cronista pôde se dar o luxo de, a partir de abril daquele ano, agir por instinto, atirar sozinho, expor-se como e quando achasse melhor em reação à implantação do regime militar.
As crônicas dos dias e semanas imediatamente posteriores ao Golpe são de uma ousadia sem igual em toda a imprensa. Cony dava nome aos bois. Chamava o golpe de "quartelada", ironizava a presença político-militar dos Estados Unidos no país, investia contra os altos comandantes do novo regime. O impacto de seus textos era proporcional ao pasmo que tomara conta da maior parte dos setores atingidos pelo golpe, ainda mais por serem provenientes de um autor antes freqüentemente tachado de "alienado" e individualista -rótulos que ele próprio, diga-se, nunca rejeitou.
"Era o nosso respiradouro", escreveu em 1996 Moacyr Scliar. Testemunha o também escritor Luiz Fernando Veríssimo: "Em pouco tempo, aquele ato, ler o Cony, se tornou um exercício vital de oxigenação para muita gente, e a sua coluna uma espécie de cidadela intelectual em que também resistíamos -mesmo que a resistência consistisse apenas em dizer "É isso mesmo!", ou "Dá-lhe, Cony!", a cada duas frases lidas. "Leu o Cony hoje?", passou a ser a senha de uma conspiração tácita de inconformados passivos cujo lema silencioso seria "Pelo menos, eles não estão conseguindo engambelar todo o mundo".
Os relatos da noite de autógrafos de "O Ato e o Fato, livro que reuniu essas crônicas poucos meses depois de publicadas em jornal, dão conta de um sucesso retumbante: mais de 1.600 exemplares vendidos na ocasião; edição esgotada em poucas semanas.
Aquilo que socialmente aparecia como protesto politizado, engajamento determinado e firme, tinha para o autor, porém, um sentido diferente, particular: mais dever de consciência do que atitude programática. Cony explicou certa vez: "(...) não tive motivação política alguma para escrever como escrevia (...) não estava em jogo o fato político: estava em jogo, em grande parte, um lado humano. Pessoas que trabalhavam comigo desapareciam, eram espancadas nas ruas, eram torturadas... Foi um espetáculo deprimente, abominável (...) Isso tudo me enojou de uma tal maneira que eu comecei a escrever sobre o assunto. E com uma violência toda pessoal".
A ousadia valeu-lhe fama e simpatia, mas custou-lhe, também, inúmeros transtornos. As filhas foram ameaçadas por militares, que rondavam o prédio onde Cony morava, no Posto 6, em Copacabana. O então ministro da Guerra, general Costa e Silva, moveu ação com base da Lei de Segurança Nacional, considerando as crônicas ofensivas às Forças Armadas. Mais tarde, a defesa do jornalista conseguiu que o processo ocorresse sob a Lei de Imprensa (em que as penas eram menores). Cony foi condenado a três meses de prisão, com direito a sursis.
De 1964 a 1972, sofreria 12 processos, sendo detido em seis oportunidades; na mais grave delas, ao final de 1968, com a decretação do Ato Institucional N° 5, chegou a ficar quase um mês na prisão. Em 1965, sob pressão, o escritor deixa o "Correio da Manhã" e começa a trabalhar nas Edições de Ouro (Ediouro) -fazendo adaptações de clássicos, traduções e prefácios-, além de colaborar com diferentes publicações. Chega a escrever uma telenovela ("Comédia Carioca") para a TV Record, censurada.
No começo de 1966, sai o romance "Balé Branco", dedicado a Carlos Drummond de Andrade, Austregésilo de Athayde, Alceu Amoroso Lima e Fernando de Azevedo, os quais haviam deposto em favor de Cony na Justiça durante o processo que sofrera pela ação de Costa e Silva.Nesse período publicaria, entre outros livros, uma coletânea de contos ("Sobre Todas as Coisas", 1968) e produziria, para a Bloch Editores, reportagens que mais tarde redundaram no livro "Quem Matou Vargas?" (1972).
A Civilização Brasileira edita em 1967 o mais polêmico dos romances do autor: "Pessach: a Travessia", obra que tematiza o drama vivido por boa parte da esquerda e da intelectualidade em relação ao engajamento ou não na luta armada contra a ditadura. Embora com uma orelha assinada pelo filósofo Leandro Konder, um dos responsáveis então pela política cultural do Partido Comunista Brasileiro (PCB), o livro é explicitamente crítico quanto ao papel desempenhado por essa organização no enfrentamento ao regime.
Primeira ficção com fundo político de Cony, "Pessach" causou debate até mesmo na sua reedição, em 1997, oportunidade em que o autor afirmou ter sido boicotado à época pelos jornalistas e intelectuais ligados ao PCB na difusão do livro -denúncia contestada por dirigentes comunistas daquele período como Ferreira Gullar e o próprio Konder.
Em circunstâncias políticas e pessoais desconfortáveis, Cony viaja ao exterior, passando por Paris, Moscou, Praga e Havana. Na capital cubana -inicialmente como jurado do concurso Casa de Las Américas-, permanece durante onze meses, entre 1967 e 1968.
Sem perspectiva profissional, na volta ao Brasil Cony aceita o convite de Adolpho Bloch para trabalhar no seu grupo editorial -cujo apoio aos governos militares era explícito-, onde permaneceria por cerca de 30 anos. No dizer do próprio jornalista, foi uma opção por ajustar-se a uma espécie de "prisão de luxo", com bons salários e viagens constantes ao exterior.
Ali, de início, ajudou a finalizar o livro das memórias de Juscelino Kubitschek, para depois exercer sucessivamente diversos cargos executivos, dirigindo revistas de entretenimento como "Ele & Ela", "Desfile" e "Fatos & Fotos". Em meados dos anos 1970, passaria a escrever para a "Manchete", carro-chefe da Bloch, datando de 1976 a entrevista que realizou com o delegado Sergio Paranhos Fleury, do Dops, então símbolo maior da aplicação da tortura no Brasil, fato que lhe rendeu ainda mais animosidade por parte da oposição ao regime.
Para a esquerda, ao integrar o grupo de Bloch Cony fizera uma espécie de pacto com o diabo. Para a geração mais nova, que começava a entender alguma coisa apenas em meados dos anos 70, seu nome já se associava, ainda que indiretamente, à zona de influência do regime -o mesmo que ele combatera anos antes de modo tão escancarado e impetuoso.
Mas o "lobo solitário de feroz individualismo" (expressão de Ênio Silveira) não estava nem um pouco incomodado com tudo isso. Arredio, reagiu de maneira bem própria, bem "conyniana", escrevendo o romance "Pilatos" (1974). Trata-se de um livro cáustico, com traços escatológicos e pornográficos, cujo protagonista, um sujeito que fora castrado depois de sofrer um acidente, perambula pelas ruas do Rio com seu pênis preservado num vidro de compota.
Um texto "originalíssimo (...) não tem semelhança com nenhuma outra obra da literatura brasileira", nas palavras de Otto Maria Carpeaux. "(...) Este romance pede inteligências abertas, capazes de descobrir, em meio à falação desabrida, ao grotesco à la Goya ou à mordacidade à Daumier, o quanto há de humano, sofrido e pungente nessa parábola escrita antes com sangue e lágrimas do que com riso", analisava Mário da Silva Brito.
Cony sempre viu em "Pilatos" o seu melhor livro. Não tanto pelas qualidades literárias, mas principalmente por ser, segundo dizia, o único que o expressava integralmente e que só ele poderia ter escrito. Com essa obra, ele "chuta o pau da barraca", à esquerda e à direita. Lava as mãos e se despede da ficção.
Nesse período, segundo contava, vivia feliz, um "clone às avessas do seminário". Sentia-se bem casado, passou a andar com rabo-de-cavalo, vestia calça vermelha, pintava quadros, viajava. Teve um filho e uma neta. Assessorava Bloch em assuntos pessoais e profissionais. Publicou livros-reportagem e pequenas obras infanto-juvenis. No final da década de 1980, chegou a assumir o departamento de teledramaturgia da TV Manchete e a esboçar sinopses de novelas como "Kananga do Japão" e "Dona Beja".
Por que deixou de produzir literatura? Ele mesmo respondia: "Preferi viver. A vida estava boa, divertida, foi uma fase em que não senti necessidade de escrever". Como o publicitário Augusto Richet de "A Casa do Poeta Trágico" (1997), porém, Cony "se recusava ao crepúsculo".
Colunista da Folha de S.Paulo
Em março de 1993, por sugestão do colunista Janio de Freitas, ele volta a ficar sob os holofotes da mídia, assumindo a coluna "Rio de Janeiro" da página A2 da Folha de S.Paulo, antes assinada por Otto Lara Resende. Seu público mais antigo retoma o contato diário com uma verve ímpar, independente, carregada de anedotas curiosas e vastas experiências, sem ser, no entanto, saudosista. Para os leitores mais jovens, surge uma prosa cuja contundência, vivacidade e agilidade nem de longe denunciam tratar-se, na verdade, de um retorno.
A energia produtiva de Cony, que de novo se manifestava em crônica diária, serviu-lhe, também, para retomar a ficção num momento de infelicidade, dois anos depois, quando obrigou-se a permanecer noites acordado a cuidar de sua setter Mila, gravemente adoecida. Nesses momentos, sem premeditação, acabou por escrever, num período intensivo de três semanas, o livro "Quase Memória" (1995), misto de romance, reportagem e crônica centrado na figura de Ernesto Cony Filho, obra que marcou a sua volta ao mundo da ficção. Mais do que elogio à personagem pitoresca do velho jornalista, trata-se de um lírico pedido de desculpas do filho pelo desprezo que sempre alimentara em relação ao pai. Mila, a cadela, morreria poucos dias antes de encerrar-se o livro, que é a ela dedicado.
O êxito de crítica e de público desse "quase romance" levou Cony a deixar para trás a promessa, feita mais de vinte anos antes, de abandonar a literatura. Aos 70 anos de idade, ele inaugura uma nova avalanche de romances: "O Piano e a Orquestra" (1996), "A Casa do Poeta Trágico" (1997), "Romance sem Palavras" (1999), "O Indigitado" (2001), "A Tarde da sua Ausência" (2003) e "O Adiantado da Hora" (2006).
Com esses livros, receberá sucessivamente oito prêmios literários, dentre eles o "Machado de Assis", da Academia Brasileira de Letras (ABL), pelo conjunto da obra, em julho de 1996. No mesmo ano, em agosto, passa a integrar o Conselho Editorial da Folha de S.Paulo e a assinar uma coluna na Ilustrada aos sábados. Retoma a rotina de conferências em universidades ou instituições culturais, passa a fazer comentários em rádio.
Em 1998, recebe do governo francês, em Paris, a comenda de Chevalier da Ordre des Arts et des Lettres. Em março de 2000, é eleito para a cadeira número 3 da ABL, com 25 dos 37 votos possíveis. O pessimismo desabrido e incisivo, os comentários ferinos e a postura amarga de "soy contra" -em especial dirigida os governos de plantão (antes João Goulart ou os militares, depois FHC ou Lula)- certamente levou muita gente a imaginar Cony como um homem intratável e rabugento. Nada mais falso, porém.
Divertido, com um brilho quase infantil nos olhos pequeninos, fácil de fala, Cony era um sedutor de conversa rica e sempre prolongada. Um galanteador irreverente, cético e meio cínico. Brincalhão e autoirônico. Quase sempre calçava tênis, trajes descontraídos, com um discreto charme nos onipresentes suspensórios. Em palestras, era envolvente e fazia rir com facilidade.
Alimentava muitas histórias, às vezes sugestivamente fantasiosas, sobre si mesmo. Entre a memória e a invenção, seus textos -seja na crônica seja no romance-e suas entrevistas transpiram essa figura. Em 2016, em entrevista à Folha de S.Paulo, disse que havia retomado o projeto do livro "Messa pro Papa Marcello", espécie de continuação de "Informação ao Crucificado" (1961).
Nas instituições por que passou, Cony sabia aliar o estilo informal, às vezes galhofeiro, ao rigor cerimonial das reuniões e ao cumprimento dos prazos imperativos da produção editorial. Assim nos tempos da "Manchete" e mais tarde na Folha de S.Paulo; assim nos compromissos da Academia.
Embora agnóstico, mantinha em casa uma pequena imagem de Santo Antônio. Nos últimos anos, especialmente a partir de um problema grave de saúde sofrido em 1991 que o levou à UTI de um hospital e a sofrer uma anestesia de nove horas de duração, tornou pública uma revisão interna a respeito do tema (religiosidade). Em depoimentos, manifestou apego a santos (José e Maria, além de Antônio) e uma aproximação com a idéia da existência de Deus.
Tal movimento deveria se expressar, ou melhor, deveria burilar sua própria definição na escritura do romance "Messa pro Papa Marcello", um projeto de décadas, sintomaticamente inacabado. Nele, o ex-seminarista em crise João Falcão, de "Informação ao Crucificado", ressurgiria muitos anos depois, buscando resolver seu "drama" religioso, o mistério íntimo que Cony -homem que sempre escreveu com rapidez e facilidade- aparentemente nunca logrou solucionar.
Em 2001, surgiu outro problema de saúde, que o acompanhou até a morte: o escritor foi diagnosticado com um câncer linfático. Com a quimioterapia, perdeu força nos braços e nas pernas. Em 2013, levou um tombo na Feira de Frankfurt. O impacto gerou um coágulo em seu cérebro.
* Bernardo Ajzenberg, jornalista e escritor, ex-ombudsman da Folha de S.Paulo, é autor de "Gostar de Ostras" (Rocco), entre outros..
O Dia de Reis, segundo a tradição cristã, seria aquele em que Jesus Cristo recém-nascido recebera a visita de "alguns magos do oriente" (Mateus 2:1) que, segundo o hagiológio, foram três Reis Magos, e que ocorrera no dia 6 de janeiro. A noite do dia 5 de janeiro e madrugada do dia 6 é conhecida como "Noite de Reis".
Histórico
A data marca, para os católicos, o dia para a veneração aos Reis Magos, que a tradição surgida no século VIII converteu nos santos Melchior, Gaspar e Baltazar. Nesta data, ainda, encerram-se para os católicos os festejos natalícios - sendo o dia em que são desarmados os presépios e por conseguinte são retirados todos os enfeites natalícios.
Tradições
Em Portugal e na Galiza, o bolo-rei ou bolo de Reis possui grande tradição e é confeccionado com um brinde e uma fava. A pessoa que encontra a fava deve trazer o bolo de Reis no ano seguinte. Por todo o país, as pessoas costumam «cantar as janeiras», «cantar os Reis» ou as «reisadas», de porta em porta. São convidadas a entrar para o interior das casas, sendo-lhes oferecidas pequenas refeições como doces, salgados, charcutarias, vinhos, etc. Neste dia eram também muito comuns os autos dos Reis Magos, peças de teatro popular.
No Brasil, geminado culturalmente com Portugal, esta tradição tem muito do que se faz no velho país. A festa é comemorada com doces e comidas típicas das regiões. Há ainda festivais com as Companhias de Reis (grupo de músicos e dançarinos) que cantam músicas referentes ao evento, as conhecidas festas da Folia de Reis.
Galette des Rois
Em alguns países, como Espanha, é estimulada entre as crianças a tradição de se deixar sapatos na janela com capim antes de dormir para que os camelos dos Reis Magos possam se alimentar e retomar viagem. Em troca, os Reis magos deixariam doces que as crianças encontram no lugar do capim após acordar. A tradição também consiste em comer o Bolo de Reis.
Na França e em Quebec (no Canadá), come-se o Galette des Rois (Bolo de Reis), que contém um brinde no seu interior. O bolo vem acompanhado de uma coroa de papel e quem encontrar o brinde na sua fatia, será coroado e terá de oferecer o bolo no ano seguinte.
CARTAS DE COTOVELO versão 2018 - 02
CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES, veranista.
Hoje, em que se comemora o Dia dos Santos Reis, escrevo esta nova Carta, desta feita para enfatizar que mercê do que reclamamos na anterior, o Prefeito de Parnamirim Rosano Taveira e seu Secretário Gaspar concederam audiência aos dirigentes da PROMOVEC Esam Elali, nosso Presidente e Octávio Lamartine, encarregado da Segurançae, com os quais ficaram acertadas as seguintes providências:
Segurança: foi questionada a
possibilidade de termos uma viatura da Guarda Municipal na praia de Cotovelo, o
Prefeito informou que hoje não tem equipem as está recrutando e ainda levará
um tempo até que haja seleção, treinamento e início das atividades, previsão só
para 2019; Iluminação pública: a licitação foi anulada por falta de interessados. Contudo o Prefeito ao seu Secretário Gaspar ir ao encontro de Octávio na
praia de Cotovelo para juntos realizarem um levantamento dos postes que
estivessem apagados e providenciar o imediato reparo; Limpeza pública: Projeto de Urbanização da Orla: o Prefeito
afirmou que o projeto já estava aprovado na Caixa, e por se tratar de verba
Federal, deverá iniciar após o carnaval e terá as ruas que ligam a Rota do Sol
à avenida Praia Grande (beira mar), inclusive a própria avenida, com calçadão. Quanto ao
mirante, foi acatada a sugestão do Presidente Esam de construí-lo sobre as falésia; Quanto às
demais ruas de Cotovelo, a
prefeitura se comprometeu a pavimentar assim que a primeira etapa estiver
concluída; Acessos à praia: existem projetos para
a execução de novas escadarias e rampas para acesso de pessoas PNE. O
secretário entrará em contato para apresentar os detalhes e expor na Promovec; Eventos em Cotovelo: existe uma vasta
programação de eventos para o veraneio, o Prefeito solicitará ao secretário da
pasta para nos encaminhar as atividades e datas; A história dos 30 anos da
Promovec: nos foi solicitado que encaminhássemos o projeto de confecção do
livro diretamente ao Prefeito; Tatame do judô: Alex ligou comunicando que havia conseguido um tatame emprestado e quando poderia
ocupar a sede, sendo informado que imediatamente. No mesmo dia da ocupação da sede com as atividades da ONG Attitude, Esam,
Octávio e Floriano deram início às
instalações das luminárias e refletores de LED na sede e já foram adquiridas 20 mesas e 80 cadeiras de plástico. Por último foram realizadas inspeções para localização das lâmpadas apagadas e locais onde existe acúmulo de lixo e danificação no calçamento (com a presença do Secretário Gaspar).
Atendidas essas providências de emergência, a longo prazo precisamos solucionar dois problemas cruciais: o primeiro é a necessidade de se estudar um desvio da estrada que conduz os veranistas para as demais praias do sul, a partir de Pirangi, que poderá acontecer através de uma superestrada nas cercanias de Alcaçuz, livrando Cotovelo dos terríveis engarramentos no trânsito nos finais de semana, trazendo atropelos e perigo para os que ali residem; o segundo problema é o abuso no som das casas de espetáculo de Pirangi até a madrugada, importunando os moradores e veranistas e ferindo a lei do silêncio à partir das 22 horas. Esse abuso vem se repetindo a cada ano.
No mais, até agora tudo está indo muito bem, com um fluxo de turistas record, fazendo da nossa Praia uma das mais procuradas pelos visitantes, graças ao comportamento dos moradores, pessoas ordeiras e ambiente pacífico dentro das possibilidades.
A finalidade das minhas Cartas é tão somente apontar os problemas, reivindicar soluções e aplaudir as coisas certas e as belezas eternas da nossa Cotovelo.
O
exercício perene da conservação deve ser revelada em todos os seguimentos da
atividade humana. Seja pública ou privada. Como navegar – conservar é preciso.
A conservação dos bens administrativos, culturais, patrimoniais, econômicos,
morais, de uma sociedade dignifica a própria condição de humanidade. Os
ativismos do processo da atual gestão pública de muitos prefeitos e
governadores, têm induzido manter a estrutura urbana e suburbana das cidades em
completo descaso e predação incessantes. É raro o gestor público que recupera
obra herdada do seu antecessor. O prejuízo é contundente para a família e a
comunidade. Seria inveja mórbida? Monocratismo perverso, porque não está ali
refletido o seu ego?
O
ser humano está em constante evolução como tudo no planeta e no universo. Mas,
o que existe de bom e de bem, em favor da sociedade, e ainda de belo, de amor à
vida, não pode ser desdenhado. Tapar buracos em ruas e estradas; conservar as
escolas e os hospitais, deixando-os aptos a prestar os seus serviços; conservar
as ruas limpas, iluminadas, abastecidas com água e gás; conservar, restaurando
o patrimônio histórico da cidadania popular dos seus casarões; conservar a
conquista da ética, dos direitos individuais, lembrando o passado com gratidão,
alegrando-se com o presente e encarando o futuro sem medo; conservar as crenças
cristãs principalmente aquelas nascidas do Novo Testamento; conservar a
natureza, as praças e os jardins que os outros construíram é sempre preferível essa
conduta do que o mito administrativo de ser único.
Não
sou conservador, nem tradicionalista. A conservação que me refiro não é hostil
às inovações políticas ou sociais. Mas àquelas que propugnam resguardar de
danos, decadência, deterioração, prejuízo, etc., os prédios do domínio da
união, estado e municípios constituídos de edificações tombadas pelo patrimônio
histórico ou não. Observe o caro leitor, a situação das repartições oficiais
hoje, frente, fundo, verso e inverso. São construções de vinte, trinta,
quarenta anos passados. Compare com as de outros entes federativos. Natal, que
já recebe e divulga suas potencialidades turísticas; armazena em suas ruas, praças
e logradouros, lixo, fezes, fedentina, drogas, violência e corrupção.
Conservação, por conseguinte, invertida da que se espera e se propõe.
Por
fim, tudo é relativo. Tem causa e efeito. O orçamento estadual é hoje refém do
colossal tamanho da máquina funcional, verdadeiro monstro Leviatã do qual falou
o teórico político filosofo inglês Thomas Hobbes no século XVII. Sem comentar
os desperdícios do estuário caudaloso da má gestão explícita e implícita que
sempre atormentaram os governantes de todos os níveis (de federal à municipal),
depreende-se que é difícil e distante o conserto ou reparo da máquina. O
arcabouço legalista que gerou todo esse emaranhado é um “nó de jabá”
indesatável, catimbado, mijado em cima porque foi criação do homem, pelo homem
para o homem. Fisiológico, pantagruélico, corporativo, elitista, fome zero.
(*) Escritor.
terça-feira, 2 de janeiro de 2018
CARTAS
DE COTOVELO versão 2018 - 01
CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES,
veranista.
Outro
veraneio se inicia e Deus me concede a graça de continuar sendo testemunha
ocular dos acontecimentos da paradisíaca Praia de Cotovelo, meu xodó há quase
30 anos.
Este ano não inicio com tanta euforia,
pois o Estado do Rio Grande do Norte, novamente, vive momentos de caos no
começo do ciclo turístico, repeteco do que aconteceu no ano que passou com a rebelião
de Alcaçuz, no mesmo período.
Não vou perder muito tempo – é incompetência
mesmo e a escolha equivocada de um secretariado sem criatividade.
A situação desagradável atingiu também, e
pelo mesmo motivo, a Prefeitura Municipal de Parnamirim, que deixou a
comunidade de Cotovelo com extrema deficiência de iluminação pública, apesar
dos apelos e advertências da PROMOVEC.
O que vou
agora dizer decorre da minha experiência no serviço público, onde atuei quase
50 anos. Fui servidor público especializado no controle externo, quando
trabalhei no Tribunal de Contas e no controle interno, quando ocupei o cargo de
Controlador Geral do Estado, instrumentalizando a Control, que serviu de modelo
para a criação de várias outras Controladorias, nos município deste Estado e em
outros, criadas à nossa sombra; ministrei dezenas de cursos sobre gestão
pública, como professor da UFRN, UnP, FARN (Uni-RN) e em cursos privados e
posso afirmar que o problema da Edilidade Parnamirinense é também falta de
visão.
Não tem
justificativa licitar o serviço de iluminação pública de uma praia turística no
início do veraneio! É o mesmo descaso que acontece em geral com as reformas ou
limpeza das escolas exatamente quanto se inicia o ano letivo. Se foi o MPE que
determinou o cancelamento de contratos então existentes, é porque a coisa não
foi feita de acordo com o figurino legal!
E agora,
vamos esperar? Sugiro que os proprietários e comerciantes de Cotovelo e Pium
tomem a iniciativa de instalarem refletores diante de suas casas ou
estabelecimentos para garantir a iluminação pública e dar suporte a uma
convivência pacífica e efetiva nessas comunidades, mantendo normal o fluxo do
turismo e do veraneio, e continuarmos com a segurança privada, pois a pública
vem sendo negada pelos administradores.
Depois poderemos
acionar os dirigentes públicos incompetentes para nos ressarcirem ou mesmo
pedirmos indenização por prejuízos que tenham causado com suas omissões.
Iluminação
pública é serviço essencial, pois é elemento fundamental para a segurança e,
nesta emergência, poderá haver contratação sob o pálio da dispensa de licitação
por emergência, pois está caracterizada a urgência de atendimento de situação
que ameaça as pessoas e o patrimônio.
Se quiserem vamos
realizar uma audiência pública e nela eu direi tudo isso é mais alguma coisa na
frente dos gestores, pois sei que alguns têm sensibilidade e conhecimento, como
é o caso do Secretário José Jacaúna, homem de experiência inquestionável. Do
contrário não terá valido a pena ter sido professor tantos anos,
verdadeiramente pregando no deserto.
E que seja
logo, pois a vida é breve, pelo menos em relação aos que já ultrapassaram a idade
bíblica, mas ainda pretendem ter uma velhice amena e sadia.
Coragem e
energia de todos para protestar e dar o troco nas próximas eleições. BASTA de tanta
enganação!
O tempo é um enorme desafio, emoldurando a vida. Não se trata apenas de uma sucessão de dias, revelando a impotência humana para detê-lo. Apesar do progresso da ciência e de suas conquistas, não conseguimos pará-lo. A sua realidade fugaz é uma complexidade, que não se explica por um conceito meramente cronológico. Porém, a humildade, que desnuda o coração humano de toda pretensão, é capaz de criar a possibilidade de não o tornar um aguilhão que aponta diariamente a verdade de cada um. A simplicidade faz-nos aceitar os enganos das escolhas. O tempo passa inexoravelmente. Ninguém é capaz de segurá-lo. E hoje se tem a impressão de que ele é mais veloz. Há avalanches de solicitações, propostas, informações, possibilidades, necessidades criadas etc. que nos assaltam, muitas desprovidas de interioridade. Os mestres da espiritualidade, filósofos e místicos ensinam que o tempo é, antes de tudo, uma questão interior. Se concentrarmos tudo na exterioridade e nas aparências, ele não só passa mais rápido, como também se esvai à nossa revelia. Sem interioridade, adota-se um modo egoísta de existência, sem compromisso com o próximo.
O desejo de um verdadeiro “Feliz Ano Novo” necessita de algo a mais. Urge cultivar a sensibilidade humana e social, desenvolvendo outro estilo de relacionamento humano. O profeta Isaías, para despertar a consciência do povo sobre a novidade do tempo, fala do sentimento e do propósito de Deus a ser assumido por todos. Afirma que o Onipotente, por amor e solidariedade a seu povo, não descansa enquanto “não surgir na sociedade, como um luzeiro, a justiça, e não se acender nela, como uma tocha, a paz” (cfr. Is 62, 1). E isso é o novo para o profeta. Deste modo se desenha o caminho para que se possa trazê-lo, na contramão de interesses egoístas, grupais, partidários e até religiosos, por vezes mesquinhos e alienantes.
Para que haja realmente um Ano Novo, vamos reduzir a insensibilidade, a violência, o pessimismo, o ódio, e regar de ternura nossos sentimentos mais profundos. Não podemos nos mirar totalmente nos outros. A inveja mina a autoestima e fomenta o ressentimento. Em 2018, empenhemo-nos a todo custo por crer em nós mesmos e em nossa criatividade para superar crises e dificuldades, bem como abraçar os desafios. Acreditemos que carregamos dentro de nós a força maior da esperança, do amor e da fé. Esforcemo-nos para estender aos outros as mãos, como pessoas livres e não reféns do egoísmo. Para que o ano seja realmente novo, é necessário cuidar daquilo que falamos. Não pronunciemos difamações e injúrias. O ódio destrói a quem o carrega na alma, não o odiado. Troquemos a maledicência pela benevolência. Comprometamo-nos a expressar alguns elogios por dia, em troca das críticas e condenações.
Para haver novidade e ano novo é preciso não desperdiçar nosso tempo e nossa vida hipnotizados pela televisão. É necessário não navegar irresponsável ou aleatoriamente pela internet, naufragados no turbilhão de imagens e incontáveis informações que não conseguimos absorver e silenciar. Não deixemos que a sedução da mídia anule nossa capacidade de discernir e nos transforme em consumidores compulsivos. A publicidade sugere felicidade e, no entanto, nada oferece, senão prazeres fugazes. Procuremos centrar nossas vidas em valores permanentes, nunca nos efêmeros. Procuremos o silêncio neste mundo ruidoso. Lá encontraremos a nós mesmos e, com certeza, Deus, que quase nunca é escutado. Isso, sim, será sem dúvida Ano Novo.
Tentemos cuidar de nossa saúde, mas sem a obsessão das dietas e a escravidão das balanças e academias. Aceitemos os cabelos brancos e nossas rugas, e não temamos as marcas do tempo em nossos corpos. Elas são sinal de sabedoria e experiência. Usemos revitalizadores de compreensão, generosidade e compaixão. Procuremos não confundir o urgente com o prioritário. Não nos deixemos guiar pelo modismo. Afastemos de nossas mentes preconceitos, sentimentos que discriminam, pensamentos que excluem. A vida é breve e, de definitivo e certo, só conhecemos a morte. Guardemos um espaço em nosso cotidiano para o contato com o Transcendente. Deixemos que Ele habite em nossa subjetividade e aprendamos a fechar os olhos para ver melhor. Assim teremos real e verdadeiramente um Ano Novo! ___________________________
ANO VELHO - ANO NOVO. Qual a diferença? A frustração de sonhos não realizados no ano que termina versus a esperança dos projetos de dias melhores no ano que começa. Para mim o que realmente faz a diferença é continuar com a sua amizade. O resto é a continuação da luta cotidiana até o chamamento do Altíssimo.