terça-feira, 18 de novembro de 2014

ANIVERSARIANTE DA SEMANA -

VALÉRIO MESQUITA.



VALÉRIO MESQUITA



ANIVERSARIANTE DA SEMANA

 Os amigos e admiradores de Valério Mesquita saúdam
o seu aniversário neste 18 de novembro pelas suas
qualidades de escritor, gestor público, líder e macaibense
autêntico.
Valério  nasceu na cidade de Macaíba. Filho de Alfredo
Mesquita Filho e Nair de Andrade Mesquita. É bacharel
em Direito formado pela UFRN. Desde cedo enveredou
pelos caminhos da política.
Foi prefeito de sua cidade de 1973 a 1975, foi deputado
estadual por quatro vezes. Presidente da Emproturn,
do Departamento Social do Estado e Representante
Federal da Campanha Nacional de Alimentação Escolar
(MEC), exerceu o cargo de secretário-executivo do
ETA-UFRN. Valério mantém permanente atuação
em favor da cultura potiguar. Presidiu a Fundação
José Augusto, é membro efetivo da União Brasileira de
Escritores secção do Rio Grande do Norte, do Conselho
Estadual de Cultura do Estado, da Academia Norte-
Riograndense de Letras, cadeira nº 21 e da Academia
Macaibense de Letras. Foi Conselheiro e Presidente do
Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte e atualmente
é o Presidente do Instituto Histórico e Geográfico
do Estado.

 DEZOITO OBRAS PUBLICADAS

 O Tempo e sua Dimensão - 1968
Macaíba de Seu Mesquita - 1981 / 2007 - 2ª Edição
 Pisa na Fulô – 1996 / 2007 - 2ª Edição 
 A Política e suas Circunstâncias - 1998 
 Perfis e Outros Temas - 1998 
 Poucas e Boas - 1999
 Causos 2001 - 2001 
 Notas de Ofício - 2001 Frutos do Tempo - 2001
Trilogia do Cotidiano - 2003 Inquietudes -
2004 Memórias Provincianas - 2004
Em Defesa da Fé Cristã - 2008 Poucas e Boas - 2ª Edição -
2008 Causos 2010 - 2010 A Paisagem e o Tempo -
2012 Presságios e Travessias – 2013
 Causos 2014 - 2014
CRÉDITOS PARA: LÚCIA HELENA

Viver e conviver com a caatinga

Tomislav R. Femenick – Contador, Mestre em Economia e Historiador.

A caatinga (do tupi-guarani: caa, planta + tinga, cinzento = planta cinzenta) é um tipo peculiar de vegetação que predomina e caracteriza as regiões do semiárido nordestino. Esse conjunto de plantas de pequeno porte é um bioma exclusivamente brasileiro e é formado pelos tipos de clima e solo, que resulta em arbustos de pouca folhagem e floração, com aspecto frágil, lenhoso e áspero. As chuvas são irregulares, inclusive com secas periódicas. O solo, raso e pedregoso, é composto por vários e diferentes tipos de rochas.
Esse tipo de mata ocupa uma área de mais de 800 mil km², que corresponde a 70% da região nordeste e 10% do território nacional, e atinge 1.482 municípios dos Estados nordestinos e do vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais.
Cactos, bromeliáceas (plantas de caule reduzido, folhas simples e inteiras) e outras xerófilas ocorrem de forma paralela, dando lugar a uma paisagem de grande contraste entre as épocas de estiagem e as chuvosas. Tem-se, também, o pereiro, o faveleiro, a baraúna, a aroeira, o angico, a quixabeira, a oiticica, o juazeiro, o pau-ferro, o mandacaru, o facheiro, o xiquexique, a coroa-de-frade, a macambira e a palma. As árvores da caatinga dispõem de recursos próprios para o uso intensivo das águas. Enquanto umas armazenam água em sua estrutura, outras possuem raízes superficiais e espalhadas para captar o máximo de água da chuva ou raízes profundas para atingir as regiões úmidas do subsolo. E há aquelas que possuem espinhos e poucas folhas, como meio de reduzir a transpiração das suas reservas de umidade.
Surpreendentemente, a sua fauna é rica e diversificada. Onça vermelha, veado-catingueiro, preá, gambá, sapo-cururu, cutia, tatus, ararinha-azul, asa-branca, macaco prego, saguis, capivara, tartarugas, cágados, jabutis, cachorro-do-mato, gato-do-mato, bicho preguiça, 45 tipos de cobras, 40 espécies de lagartos, aracnídeos, roedores, insetos, e muitos outros.
Quase 30 milhões de brasileiros vivem nas regiões de caatinga e dependem de seus recursos naturais para sobreviver. O problema é o uso intensivo desses recursos. Estudos do IBAMA calculam que, até o final da década passada, aproximadamente 43% da área de caatinga já tinha sido desmatada, o que acelera o seu processo de desertificação – a modificação ambiental que leva à formação de desertos. 
Esse desmatamento tem origem que vão além das causas naturais, como o permanente problema de escassez de água, agora agravado pela seca continuada dos últimos anos. Destrói-se a mata para implantação de projetos agropecuários: agricultura irrigada artificialmente e plantação de alimento para o gado, que logo são abandonados pela falta de água. Outra causa é a extração de madeira para produção de lenha e carvão, para uso doméstico e industrial, este principalmente em olarias. Entretanto, o desmatamento da caatinga não tem provocado o desenvolvimento econômico desejado. Contraditoriamente, essas regiões são as mais pobres do país e as que sofrem uma das maiores pressão populacional, o que resulta na região semiárida com o maior índice populacional do mundo.
Apesar de grave, o problema socioeconômico da população da caatinga não tem sido prioridade dos governos federal e dos Estados. As políticas públicas para essas regiões têm sido pontuais e irregulares; desde o Império, a República Velha até os tempos atuais. A grande lacuna é a descontinuidade dos programas que são criados em épocas de secas e desaparecem logo que caem as primeiras chuvas. Construir cisternas, distribuir água com carros pipas são socorros para evitar a morte pela sede. Todavia programas de desenvolvimento econômico não existem e, se existem, não são executados. Exemplo é a transposição das águas do Rio São Francisco, projeto prometido, alardeado, parado e esquecido.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

CRÔNICAS DA POLÍTICA POTIGUAR


Tropeços iniciais de uma longa jornada

Luciano Ramos
Procurador-Geral do Ministério Público de Contas do RN

As eleições, com sua força magnética, atraem nossos olhos, corações e mentes, concentrando a energia social no principal ato democrático. É natural e importante que assim seja, pois balizarão os destinos de milhões de pessoas pelos próximos quatro anos.

Mas, em meio às notícias do processo eleitoral, um fato quase despercebido clama por mais atenção do Rio Grande do Norte, sobretudo pela duração dos seus reflexos, igualmente extensíveis por vários anos. Neste caso, o tempo é contado em dezenas, mais precisamente as duas durante as quais pagaremos pelo contrato de Parceria Público-Privada firmado com a Arena das Dunas.

De fato, vimos nesta semana notícia veiculada pela Tribuna do Norte quanto às provisões do governo do Estado para honrar as próximas parcelas mensais devidas à Arena, que se limitavam apenas a um dos próximos pagamentos devidos até o final deste ano. Com esta perspectiva, cerca de R$ 30 milhões estão passíveis de ficarem em aberto.

Ou seja, nos passos iniciais de uma longa jornada prevista para durar 20 anos, poucos meses após os primeiros pagamentos que o Estado se comprometeu a fazer, a carga já dá sinais de ser pesada, além de cobrar um preço amargo.

Neste ponto, muitos poderiam pensar: qual a relevância de se pagar as dívidas deste contrato específico? Já não são tantos os fornecedores em atraso, inclusive afetando áreas muito mais sensíveis como saúde e segurança pública?

O problema é que a especificidade desta potencial dívida não está na essência do serviço que é entregue aos nossos cidadãos, mas nas garantias que a cercam e o efeito multiplicador que seu uso possa ter nas finanças públicas estaduais. Em uma parceria público-privada (PPP), o descompasso com as obrigações de pagamento do Estado tem efeitos imediatos, ao contrário dos outros credores menos amparados.

Ao optarmos pela PPP, construiu-se um colchão de segurança para este crédito, de modo que o contratado não passará muito mais do que trinta dias sem o seu devido pagamento, pois este atraso é seguido pelo direito de acionar diretamente o fundo garantidor – R$ 70 milhões já separados dos royalties do petróleo, sob a responsabilidade da Agência de Fomento do Rio Grande do Norte (AGN), mais algo em torno de R$ 300 milhões em bens públicos atualmente em uso.

Ocorre que o RN não pode simplesmente deixar estes R$ 70 milhões serem utilizados até o seu esgotamento. Ao revés, a cada utilização total ou parcial desta garantia, o Estado tem que recompor o que foi retirado e ainda acrescer mais R$ 10 milhões – como uma espécie de sanção pelo seu inadimplemento -, chegando ao limite máximo de R$ 123,6 milhões em valores atuais.

E a sucessão de percalços do caminho não para neste grave risco potencial, podendo entrar numa espiral negativa até bater no Fundo de Participação do Estado (FPE).

Infelizmente, não nos cabe agora discutir se o contrato deveria ter sido feito nos termos que foi – aspectos financeiros de contratos administrativos só são passíveis de modificação contra a vontade do contratado em face de ilegalidade, não pela Administração Pública ter errado no cálculo do ônus que ele representaria.

Até o presente momento, não se pode falar em irregularidade da despesa nem do contrato que lhe deu causa, ainda sob análise do Tribunal de Contas do Estado, sem maiores indícios de sua ocorrência. Mas, na origem da caminhada e dos tropeços que já espreitam nas primeiras curvas do percurso, já se antevê o quanto deixou a desejar o planejamento de médio e longo prazo.

Assim, embora o momento de escolha das regras tenha ficado no passado, ainda há energia a ser concentrada neste processo, pois seus efeitos ainda não estão consumados. Portanto, é necessário que saibamos as consequências das opções em curso, de maneira que os próximos passos decorrentes do contrato principal potencializem a viabilidade econômica da Arena das Dunas, sob pena de sermos chamados a pagar uma conta ainda mais salgada.

domingo, 16 de novembro de 2014

TRÊS PITADAS DE CIRO TAVARES


            CAMINHOS APALACHIANOS

Ciro José Tavares.

“Pafos é seu destino, onde sua rainha

Deseja enclausurar-se e nunca mais ser vista.”

William Shakespeare, in Vênus e Adônis.

 

Estou sendo catapultado para o outro lado do dia

e dou os primeiros passos na subida esperando-te.

Vem, confia, deixa-me enlaçar tua cintura e não ferirás

os pés nas estreitas veredas pedregosas das prolongadas

 depressões que nos atemorizam depois de superadas.

Vem contemplar no vértice da estrela nascente tua face,

a coreografia no bailado dos cabelos agitados pelos ventos.

Vem. No alto, ao descobrirmos nossas almas inconfessáveis

saberemos que as vidas, entre nós dois, serão  silenciosas.

Agora que chegaste ao teto do mundo repara. E pergunta:

Quem realmente sou submetido à grandeza desse céu escampo?

Vem, aurora sangra ao sol e entre nós dois sangram tardes sem fim.

Vamos, lado a lado, regressar.  Aqui nada nos consola. Na planície espero

o adeus sem lágrimas e faço a promessa de esquecer-te na saudade.

 
 
 
  ESSA NUDEZ NÃO SERÁ CASTIGADA
 
                            Ciro José Tavares


Há uma mulher nua andando pelas ruas.
Há uma mulher despida resplandecendo nas calçadas.
Há uma mulher nua iluminando com a claridade do seu corpo homens solitários.
As ruas estão enlouquecidas e nenhum mendigo vem acobertá-la com seus trapos.
Uma mulher nua, nas ruas, nas calçadas espera o plenilúnio para vestir-se estrela
alucinada e sumir no universo nos braços de um cometa.
 

DE SOMBRAS 

 
De  onde está vindo o silêncio desses passos
despertando minha quietude debruçada na poesia? 
Ergo-me para encontrá-los e somem enigmáticos.
Quem anda tão doce sobre a terra e como o sol
passa veloz pelas vidraças das janelas, até afugentando
pássaros que se recolhem sob estrela vespertina? 
De onde chegam essas sombras parecidas
réstias de luas fugidias diante dos meus olhos?
Revela-te. Emerge do interior desse lusco-fusco,
e vem, anjo ou demônio num corpo de mulher .
São os teus receios que me abandonam no vazio?
Confessa sombra inalcançável o medo do amor.
Evola-se na escuridão a esperança de saber 
quem realmente és, e porque me atormentas.
Fico no vazio, nas mãos apenas os meus livros.
Como sombras não regressam deixo –te minha ausência no poema.
 
 
(Ciro  José  Tavares)  
 

 

 

sábado, 15 de novembro de 2014

PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA


Dentre os motivos que levaram à Proclamação da República e, portanto, ao fim do Império, podemos citar: a crise econômica causada pelas despesas do governo com a Guerra da Tríplice Aliança (ou Guerra do Paraguai), fato que obrigou o Governo Brasileiro a realizar grandes empréstimos (algo próximo a três milhões de libras esterlinas); a proibição, imposta pela monarquia, ao manifesto dos militares na imprensa; o descontentamento das elites agrárias (principalmente os cafeicultores), que se sentiram prejudicadas pela lei Áurea (libertação dos escravos); e o crescimento nas cidades da classe média (constituída por jornalistas, comerciantes, artistas, funcionários públicos, etc.), que desejava e apoiava a república porque almejava maior liberdade, bem como participação na política nacional.

O movimento que ajudou a derrubar a monarquia contou com a ajuda de alguns personagens republicanos, dentre os quais podemos destacar: Aristides Lobo, Quintino Bocaiúva, Francisco Glicério (chefe do Partido Republicano Paulista, fundado em 1873, que defendia as idéias republicanas e os ideais federativos), Rui Barbosa (jornalista e deputado) e o professor, estadista e militar Benjamin Constant.
Em novembro de 1889, um levante militar dirigido pelo marechal Manuel Deodoro da Fonseca obrigou D. Pedro II a abdicar. Foi assim que, no dia 15 de novembro daquele ano, foi proclamada a república do Brasil, no Rio de Janeiro, no Quartel General do Exército. Em seguida, uma série de reformas de inspiração republicana foi decretada, entre elas, a separação do Estado e da Igreja. A redação de uma nova constituição foi finalizada em junho de 1890. Inspirada na Constituição dos Estados Unidos foi adotada em fevereiro de 1891 (Primeira Constituição Republicana), fazendo do Brasil uma República Federal, sob o título de Estados Unidos do Brasil. Deodoro da Fonseca foi o primeiro presidente do Brasil.
Desde 1891, a política e os métodos arbitrários do Marechal Deodoro causaram uma grande oposição do congresso. No início de novembro de 1891, Fonseca dissolveu a Assembléia e impôs um poder ditatorial. Mas foi obrigado a renunciar devido a um levante da Marinha, assim, cedeu o poder a seu vice-presidente Marechal Floriano Peixoto. Este estabeleceu um governo tão ditatorial quanto seu predecessor, Floriano fez crescer a repressão aqueles que davam apóio à monarquia
.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014


Do custo das azeitonas

Luciano Ramos
Procurador-Geral do Ministério Público de Contas do RN

De tempos em tempos, empresas e governos são chamados a equilibrar receitas e despesas, de maneira a não afetar as suas atividades essenciais e prosseguir na busca de suas finalidades. Porém, dentro de máquinas administrativas pesadas – como normalmente é a Administração Pública – nem sempre é fácil localizar o ponto exato onde fazer corte eficiente de custos.

No âmbito empresarial, um exemplo notório de eliminação de gastos supérfluos foi a economia de grande cifra realizada por uma empresa aérea ao retirar as azeitonas das milhões de saladas servidas aos seus passageiros por ano – de fato, não era e nem é incomum as pessoas deixarem intocadas estas iguarias de sabor peculiar no canto do prato, antes de encaminhá-las para o lixo. Ou seja, o gasto era desnecessário e não agregava valor para a relação com o cliente.

Obviamente, não basta um corte tão frugal para que o equilíbrio financeiro seja encontrado, mas ele é ilustrativo de que é preciso uma soma de medidas, das mais simples às mais complexas, para que seja recuperado um déficit acentuado.

E esta é a realidade em que ora se encontra o Estado do Rio Grande do Norte, em meio à transição para um novo governo. Estamos às voltas com sistemáticas dificuldades para pagamento das despesas ordinárias, sentidas por servidores e fornecedores no momento em que seus créditos deveriam ser honrados, noticiadas aos quatro ventos.

Assim, a tendência natural é buscar onde poderão ser feitos cortes mais profundos, de preferência com resultados amplos e significativos. Sem dúvida, esta é uma meta que deverá ser perseguida pelos novos gestores públicos, diante do grau de comprometimento atual das nossas finanças públicas. Mas, elas demandam tempo até que os seus efeitos sejam sentidos, notadamente pelos embates que antecederão sua efetiva concretização, como seria o caso de uma reforma administrativa ampla.

No entanto, paralelamente a esta medida mais abrangente, seria possível diminuir o tamanho do problema buscando as azeitonas da Administração Pública, identificando as despesas indevidas ou desnecessárias que oneram as finanças públicas em virtude de sua repetição em múltiplos casos. Por exemplo, uma varredura criteriosa nos casos de acumulação irregular de cargos – ou aposentadorias -, inclusive com o apoio do Tribunal de Contas do Estado, para catalogar as informações obtidas em diversas fontes da Administração Pública federal, estadual e municipal.

De fato, não são poucas as hipóteses em que o TCE/RN já começou a detectar irregularidades em acumulações desta natureza. Mas, o problema ainda está sendo atacado no varejo pela Administração Pública, caso a caso, quando o filtro deveria ser sistemático e constantemente atualizado.

Da mesma forma, muito há para se enxugar no âmbito dos contratos administrativos. Para tanto, necessário verificar-se nos ajustes firmados se há correspondência entre o quanto efetivamente demandado pelo Estado e a fatura que lhe é apresentada para pagamento. Obviamente, este objetivo demandaria uma fiscalização mais criteriosa e rígida da execução dos contratos.

Para se ter o alcance desta soma de medidas, basta ver os valores questionados em cautelares deferidas pelo TCE/RN só neste ano, em face de potencial sobrepreço no quanto cobrado do Poder Público, que vão desde contratações corriqueiras em áreas essenciais até os contratos acessórios à realização da Copa do Mundo – inclusive, há pouco mais de uma semana, a Corte de Contas suspendeu parcialmente o pagamento de dois contratos ligados à Copa, pois encontrou indícios de sobrepreço de mais de R$ 6 milhões. O que é bem mais do que singelas azeitonas, convenhamos! Enfim, cortes cirúrgicos podem não ter o mesmo glamour de soluções mais mirabolantes, mas a soma de pequenas medidas pode acabar por ser ainda mais eficiente do que marcar passo aguardando uma resposta mais complexa e definitiva.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

As velas do Mucuripe e as pedras de Ponta Negra

Por: Augusto Coelho Leal, engenheiro civil, sócio efetivo do IHGRN

                Canta Raimundo Fagner: “As velas do Mucuripe/Vão sair para pescar/Vou levar as minhas mágoas/Pras águas fundo do mar.”
                 Eu poderia fazer uma paródia e cantar: As pedras de Ponta Negra/Vão cair e vão rolar/Vou levar a minha raiva/Pras águas funda do mar.
                Por que cantar e fazer esta paródia. É que meus instintos animalescos são aguçados quando vejo certos casos que acontecem por “esses Brasis,” conseqüentemente, aqui na terrinha.
                Estava eu deitado “tranquilo e calmo,” vento na televisão um noticiário local sobre a obra de enrocamento na praia de Ponta Negra. Com espanto, notei que existiam balanças gigantes pesando as pedras e várias pessoas por perto no maior auê – é assim que se escreve? Se não for azar, já está escrito. Ainda aumentou o meu espanto quando vi as “autoridades competentes” dando entrevistas dizendo que por ali existem pedras de pesos e tamanhos variados. Aí eu disse lentamente para mim mesmo – Meu Deus como eu sou burro.  Fui engenheiro rodoviário por mais de vinte e cinco anos, fiz vários obras de enrocamento em cabeceiras de pontes, e contenções de barreiras em rios e lagoas, nunca tinha visto aquilo, muita gente metendo o “bedelho” onde não devia e com isso, se passa a imagem para a população que os engenheiros da SEMOP são incompetentes ou ladrões - não vi, nem ouvi ninguém falar isto, mas para os meus conceitos fica esta impressão.
                Para meu desalento, não vi nem um dos órgãos que representa a classe dos engenheiros partir em defesa dos absurdos que se cometem, desvalorizando a categoria.
                Para quem entende uma coisinha do assunto, sabe que uma obra dessa natureza não tem só pedras do mesmo tamanho, conseqüentemente do mesmo peso. Se as pedras tiverem o mesmo processo de formação. Essa estrutura deve funcionar como uma estrutura flexível e não rígida e as pedras menores ajudam a fazer esse trabalho de flexibilidade além de preencherem os vazios que ficam. Agora eu pergunto: se as pedras têm a mesma origem de formação, não seria mais facil pesar uma menor, medir o seu volume, e comparar com o volume das maiores fazendo uma simples regra de três? Acharíamos o peso aproximado (não precisa ser exato) das maiores sem precisar deslocar aquelas balanças imensas, não é?
                Notei a indignação do meu amigo e colega Tomaz Neto, em entrevista dada, para um jornal falado em uma emissora de televisão desta capital. Para mim ele está coberto de razão. Concordo que toda obra pública deve ser fiscalizada com rigor pelos órgãos a quem se delega essas atribuições, pois o dinheiro público é mais fácil de ser desviado ou roubado. Mas, sou contra a maneira festiva que essas investigações são feitas e muitas vezes de maneira equivocada. Acho que sem holofotes e alarde as coisas fluem melhor.
                Mas já que estamos falando em obras – no bom sentido da palavra, pois no mau sentido estamos cheio de “obra,.” não vejo ninguém se incomodar com os acessos ao novo aeroporto. Isto sim um absurdo, pois além do risco de acidentes, existem os riscos de assaltos já que a buraqueira é grande e a ausência de policiamento – é novidade? É um fato constante.
                Existem obras que merecem conclusão com urgência, como: viaduto do Baldo, prolongamento da Avenida Prudente de Morais, saneamento das praias de Cotovelo e Pirangi há mais de cinco anos começada e não concluída, a urbanização das praias do Meio e dos Artistas. E por falar em Praia do Meio, vão ficar uma beleza, aqueles quiosques tirando a visão do mar – que falta de imaginação, digna de fazer Niemeyer remexer dentro do túmulo. Só vão servir para muita bebida e apreciarmos shows funk da galera. Ainda lembro que no final dos anos setenta aconteceu fato semelhante ao que aconteceu agora em Mãe Luíza. Resolvemos o problema em menos de quarenta dias, era prefeito Vauban Bezerra. Quanto meses aquilo está rolando? Por que não fazemos essas investigações em silêncio e com maior eficácia e melhores resultados?
                É isso gente, estamos sem rumo, onde a incompetência domina o serviço público, pior, não podemos colocar competência, pois os salários de determinadas categorias, não são atrativos.
Só nos resta rezar e pedir “ao bispo” que as coisas melhorem.

                

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

  
METODOLOGIA DE ENSINO À DISTÂNCIA : estamos fazendo a coisa certa?
Por: Geniberto Campos, médico
1.INTRODUÇÃO  -  As formas  atuais de aquisição de conhecimentos, utilizando os recursos tecnológicos  de comunicação disponíveis, caracterizam-se pela ausência de um padrão didático definido e por sua constante mutação.
Com a introdução ampla da  Tecnologia de Informação/TI no processo didático do chamado Ensino à Distância/EAD foram criados novos  métodos de ensino - aprendizado. Permanecendo, no entanto, alguns padrões tradicionais.
 A aula presencial, baseada na interação professor/aluno  em sala de aula, foi substituída pela emissão eletrônica de conteúdos, que traz a vantagem da sua repetição e fixação dos temas mais relevantes da exposição. O uso  intensivo de gráficos e outros recursos didáticos  colocou possibilidades quase infinitas de informação e conhecimentos pertinentes ao tema abordado.
Mas, em essência, o processo ensino/aprendizado segue o seu padrão clássico : emissão>> recepção de conteúdos >> avaliação. Com a vantagem da utilização plena de novos recursos didáticos disponíveis na forma eletrônica.
 Caberia a questão, fundamental sob todos os aspectos: qual o formato a ser desenvolvido pelos novos métodos de ensino/aprendizado num universo multiconectado? Como harmonizar novas tecnologias de informação com padrões pedagógicos ainda resistentes à Modernidade? E que tem na “aula teórica”, ainda que com nova roupagem, o seu principal meio de transmissão  de conteúdos?
Como atuar didaticamente neste Novo Mundo em que a Informação e a Comunicação já integram o processo  educacional?
Como será o processo educacional do Futuro? E será que o Futuro já chegou?
Quem tiver a resposta a essas questões sairá na frente, e com enorme vantagem em relação aos competidores, na direção da busca de um método didático moderno, capaz de colocar em sintonia a infinita carga de informações disponíveis com o desafio do aprendizado moderno. Um contexto no qual os “alunos” não mais aceitam serem receptores passivos de informações e pretendem ser atores do seu processo de aquisição de conhecimentos, cada vez mais amplos e universais. Tendendo para o Infinito.
2. ALTERNATIVAS - Em meados do século passado, um ainda desconhecido professor universitário pernambucano, procurava um ”método” de alfabetização rápido, eficiente e de baixo custo, que resgatasse das “trevas do analfabetismo” milhões brasileiros marginalizados do ponto de vista econômico, social e cultural.
O professor Paulo Freire defendia com insistência que a cartilha de alfabetização, de uso corrente, adotada há décadas  em todas as escolas, e nunca questionada, não tinha mais serventia didática. Uma heresia para a época. Ousando mais ainda, o professor procurava um método de ensino, que em poucas aulas – que ele denominava “círculos de cultura” – tornasse o aluno capaz de formar sílabas, identificar palavras. E, enfim se tornasse capaz de, juntando as palavras, identificar o texto e ousadia das ousadias,  interpretar o texto e o seu contexto. Isso foi a perdição e a glória do professor Paulo Freire. Preso, exilado, veio a se tornar um orgulho para os educadores de todo mundo. Uma história que boa parte dos brasileiros sabem de cor. A alfabetização em mágicas 40 horas.
O desafio, hoje, é encontrar um novo método de transmissão de conhecimentos, potencialmente capaz de fazer os novos alunos se ligarem efetivamente - e afetivamente-  ao conteúdo proposto, utilizando as novas estratégias  didáticas disponíveis atualmente. Mas utilizadas de forma equivocada. E, na maioria das tentativas, de baixa eficiência.
Presume-se que esta será uma construção coletiva. Ninguém, sozinho, dispõe do fio de Ariadne capaz de mostrar a saída para o labirinto.
3. O DESAFIO – Talvez se possa começar pelas  “aulas teóricas”, o terror dos mais jovens. Impacientes com as longas exposições, os longos textos das tenebrosas, e infalíveis, apostilas.
Situação que levou o professor Pedro Demo, da Universidade de Brasília, a iniciar uma palestra com a seguinte heresia: “Vão adotar as escolas de tempo integral. Se for para oferecer mais aulas teóricas, seria melhor deixar as crianças com seu tempo livre e seus modernos equipamentos de  informática...”
Mas como transmitir conhecimentos sólidos e bem estabelecidos, mesmo em sua forma e roupagem eletrônicas, sem utilizar o velho e confiável método das “aulas teóricas” e das apostilas? Eis o desafio.
4.  UM RÉQUIEM PARA A AULA TEÓRICA - A aula teórica, tal como há décadas ministrada, de forma prioritária ou mesmo única, para transmitir conhecimentos está com a sua sobrevivência comprometida. Por rejeição absoluta por parte dos alunos, mais interessados em novas formas de “aula”. E vivendo a expectativa de novas interações com os seus mestres.
As propostas alternativas à sua substituição são várias. Dentre estas, uma das mais atraentes é a Metodologia  de Pesquisa Aplicada Ensino, 1) que  coloca o aluno  como pesquisador  e produtor de conhecimentos, portanto, familiarizado, precocemente, com o método científico e 2) o professor como  orientador permanente do aprendizado e animador cultural, avaliando o conhecimento adquirido em grupo, mas expresso individualmente pelos seus alunos. Respeitando , em seus relatos, os cânones científicos vigentes. Dessa forma, a aquisição do conhecimento  se dará de forma ativa e a sua  comunicação obedecerá as normas  e o rigor da forma científica usual.  Os ganhos obtidos com esse método serão naturalmente incorporados à  vida futura dos alunos em sua graduação e pós graduação, e, não menos importante, em sua vivência profissional.  
Dessa forma, as aulas teóricas seriam substituídas, com vantagem, pelo novo método de “pesquisa” de temas relevantes para aquisição de conhecimentos e formação dos alunos. Ao invés da exposição teórica do tema por parte do professor, o aluno receberia o tema/conteúdo a ser pesquisado pela classe, dividida em grupos de trabalho.
Esse forma de trabalho implica numa nova organização espacial da “sala de aula”, presencial ou virtual. Não mais colocando o professor em seu estrado diante dos alunos, mas orientando e animando os grupos de trabalho. De forma individual e coletiva. Esse o formato para a  aula presencial. Em sua modalidade virtual,  o professor distribui  os textos para os alunos; são formuladas algumas perguntas relacionadas ao conteúdo, para que estes escolham duas ou três  para serem respondidas; os colegas trocam as suas respostas entre si, o que dá início ao processo de avaliação. As respostas às questões, em sua versão definitiva, são avaliadas pelo professor.
5. A NOVA RELAÇÃO PROFESSOR X ALUNO  -   A drástica redução da carga de aulas teóricas, ou a sua abolição gradativa, seria a condição suficiente para a implementação dessa nova metodologia  didática, aplicada aos cursos presenciais ou virtuais? É uma pergunta ainda sem uma resposta precisa.
Mas há uma certeza: a de que atualização das funções do novo professor e do papel do novo aluno irá resultar numa profunda mudança nos padrões educacionais vigentes, inserindo, finalmente, a escola no mundo moderno. Trazendo alunos e professores para o enfrentamento dos desafios contemporâneos, nos campos científico, tecnológico, social e econômico.
É possível que a nova relação professor x aluno, alicerçada em bases científicas perfeitamente inteligíveis e de aplicação prática imediata, seja um passo fundamental para a continuidade de uma reforma educacional inserida como prioridade na pauta das organizações sociais e políticas que atuam na área da Educação.
Finalmente, cada vez mais se evidencia a urgente necessidade da inserção plena de metodologias didáticas atualizadas no sistema de ensino.

Talvez, a reforma a se iniciar pela sala de aula – presencial ou virtual – venha a se tornar a  “mãe  de todas as reformas”.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

SENTADO EM CINZA
  Públio José – jornalista
 
 
 
                        Uma dos aspectos mais marcantes e conhecidos na vida de Jó, do ponto de vista popular, diz respeito à sua paciência. Tanto é assim que virou ditado corrente a expressão que diz “fulano tem a paciência de Jó”. Outra faceta também realçada é a que aponta para a sua pobreza. Daí que, popularmente, é costume também se dizer “mais pobre do que Jó”. Logicamente, muitas pessoas usam a citação por ouvir falar, sem atentar nem conhecer a história real do personagem. Em primeiro lugar, Jó não era pobre. Ao contrário. Era riquíssimo para os parâmetros da época. A comprovação está na Bíblia, no livro que leva seu nome, conforme registrado no capítulo primeiro, versículo terceiro: “Possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; era também mui numeroso o pessoal a seu serviço, de maneira que este homem era o maior de todos os do Oriente”. Como se vê...
                        Acontece que um dia Jó ficou pobre. Não somente pobre como miserável. Extremamente miserável. O capítulo 2, versículo 8, diz: “Jó, sentado em cinza, tomou um caco para com ele raspar-se”. Era tudo que lhe restara: cinzas e cacos. Os bens já perdera; a família também (a morte levara os dez filhos), com exceção da esposa; a condição de líder; o status de pessoa admirada e acreditada como bom empresário, além da saúde. Esta, de maneira inexplicável, colocara-o em estado lastimável e estabelecera-lhe uma rotina extremamente dolorosa. Um manto de tumores malignos tomara conta do seu corpo “da planta do pé até o alto da cabeça”. A solução para descansar, diante da impossibilidade de usar cama convencional, foi acomodar-se em cinzas. Os amigos sumiram, o horizonte encurtou-se – a ponto de não vislumbrar mais nenhuma solução para a vida – e a mulher passou a jogá-lo na direção do suicídio.
                       Além dessas, outras conclusões podem ser tiradas da leitura de sua saga. O “sentado em cinzas” revela, primeiramente, a vergonha social que sobre ele se abateu, e, em segundo lugar, o raquitismo empresarial e material a que chegou. As cinzas não representavam apenas um lenitivo para seu corpo coberto de tumores, mas a realidade que se instalara em sua vida. Afinal, o que são cinzas senão o resultado da queima de objetos sólidos, palpáveis, concretos, transformados em pó pela combustão da vida? Em Jó tudo virou cinzas. Seu patrimônio, dignidade, condição social, sonhos – e o pior: a saúde. A solidão também lhe pesava bastante. E, como empresário, concluíra: sentado em cinzas era o mesmo que sentado em nada. De tudo que perdeu só não perdeu a fé. Esta permaneceu firme. Segurar-se à fé foi a ponte que construiu, apesar de tudo, para atravessar seus dias de homem doente, falido e abandonado.
                       Como Jó, atualmente, tem muita gente sentada em cinzas. Vida sem sentido, oprimida, tornada pó. Rotina angustiante e vazia. A saída? Voltar-se para Deus. É o que se conclui da história de Jó. Dos amigos só recebeu acusações; da esposa exortação para amaldiçoar a Deus e, em seguida, abraçar a morte. A única ponte a segurar Jó em vida foi a ponte da fé. Em Deus – seu Redentor. O capítulo 19, versículo 25, registra o seu brado: “Porque eu sei que o meu Redentor vive...”. Esta confissão levou-o a vencer o desejo de morte e o manteve convicto de que outros dias lhe estavam reservados. Tempos depois, família restaurada, saúde restabelecida, teve de volta, dobrado, o seu patrimônio. “Porque veio a ter quatorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas”, segundo o capítulo 42, versículo 12. Eis o verdadeiro Jó e sua plenitude. Alçado a ela somente pela fé. Pela fé. Somente.
 
 
 
 
  

domingo, 9 de novembro de 2014

O JARDIM DA MINHA CASA

O permanente desvelo da minha esposa Therezinha, 
faz do jardim da minha casa um oásis permanente, 
verdadeiro pulmão 
que ameniza as intempéries do tempo.


A dona do meu jardim... só?...e da minha vida.
a bela visita
 o branco pendão
 arranjo 
 outro arranjo
 este tal ... é o Tel
 cores entrelaçadas
 do deserto
 se aproveita tudo
 ambientes diversos
 a menina da sombra
 em casa de avó, tudo pode!
sombra e água fresca