sexta-feira, 23 de agosto de 2013


MINHA HOMENAGEM AO DIA DO FOLCLORE 

através da verve de um poeta potiguar
Foto: Gibson Machado
Texto: Ivam Pinheiro

Minha homenagem ao Dia do Folclore, e é claro as felicitações de reconhecimentos
 e agradecimentos aos personagens da história, batalhadores cotidianos que com seus trabalhos de suor, angústia e alegrias de fazer o que gostam, em muito dignificam o fazer cultura e artes no chão potiguar. Em nome de todos quero
dedicar esse poema aos amigos pesquisadores e incentivadores da boa cultura popular potiguar -Gimalves Gma e Gberg Costa.

DE POESIA E FOLCLORE.
Ivam Pinheiro.

Folclore...
É o sentir popular.
Amar e ter toda fé
na aura da alma do povo.

Chás medicinais e comidas.
Boi de reis e o coco zambê
Fadango, congos e lapinha.
Caboclinhos que caminham
indios e espontão a vencer
e a romanceira versa vidas.

As estórias nos cordéis.
Parlendas, voz cantada.
Pavão misterioso – céu
de boi bumbá calembá.
Pastorinha traz o tema:
verso popular e poesia.
Fita azul ou encarnada
dos folguedos e magia.

Capelinha de melão, o são joão.
Banderinhas e dança a araruna,
Malhação do judas e tear a fiar
crendices e loucas superstições
de lobisomens - lendas do lugar.
Mau olhado só boa reza apruma.

Folclore...
É sabedoria do lugar.
Cantar, dançar e rir até
alegrar o coração de novo. 


Natal, RN, Brasil, 22.08.2013.
23 h: 13 min. - 23 h: 55 min.

Brincante do Folclore - Foto: Gibson Machado.
Imagem disponível na página pessoal do autor
na rede social "Facebook" - em 23.08.2013

quinta-feira, 22 de agosto de 2013


Deterioração tem avançado, ano após ano, devido ao abandono
11.6.09


Faculdade de Direito (Carlos Gomes)

A sua concepção é atribuída a um ilustre potiguar, Prof. Luiz Correa Soares de Araújo, educador consagrado e líder do escotismo em nossa terra, que tendo uma visão do futuro deu a idéia da criação de um Curso de Direito no Estado.
O sonho começou a ser concretizado através da Lei Estadual nº 149, de 15 de agosto de 1949, quando então governador o Dr. José Augusto Varela, que subscreveu o diploma legislativo.
Uma vez criada a Faculdade, foi nomeada uma comissão com vistas a iniciar a viabilidade do seu funcionamento, composta pelos professores Antônio Soares Filho, Gil Soares de Araújo, Floriano Cavalcanti de Albuquerque e Adolfo Ramires, os quais prepararam os papéis necessários para conseguir uma estrutura administrativa.
A sua regulamentação foi aprovada pelo Decreto nº 2.138, de 23 de abril de 1951.
Várias autoridades se interessaram pelo processo, como João Medeiros Filho, Alvamar Furtado de Mendonça e Nestor dos Santos Lima, Miguel Seabra Fagundes e Floriano Cavalcanti de Albuquerque, todos sem recebimento de qualquer remuneração.
A autorização para funcionamento foi conferida pelo Ministério da Educação e Cultura através do Decreto federal nº 36.387, de 25 de outubro de 1954.
Foi instalada a Faculdade, solenemente, no Teatro Carlos Gomes em 21 de dezembro de 1954, passando a funcionar no Instituto de Educação do Atheneu Norte-riograndense, sob a direção do Professor Paulo Pinheiro de Viveiros e Otto de Britto Guerra. Daí para o prédio definitivo do antigo Grupo Escolar Augusto Severo, na Praça que tem o mesmo nome, nº 261, no bairro da Ribeira, somente em 21 de abril de 1956.
O primeiro Concurso de Habilitação (Vestibular) ocorreu em 1954, com 105 inscritos e somente 36 aprovados. O certame foi realizado tendo como examinadores Manoel Varela de Albuquerque, Edgar Ferreira Barbosa, Francisco Ivo Cavalcanti; Otto de Brito Guerra, Padre Emerson Negreiros e Monsenhor João da Mata Paiva, Maria Gurgel e Américo de Oliveira Costa, Aldo Fernandes Raposo de Melo; Ivone Barbalho e Vitorino Francisco Rutigliano, José Gomes da Costa.
Antes mesmo do início das aulas, foi criado o Diretório Acadêmico Amaro Cavalcanti, em data de 12 de março de 1955, sendo eleito o primeiro presidente o estudante Ernani Alves da Silveira.
A Primeira Aula de Sapiência aconteceu em 15 de março de 1955, proferida pelo Professor José Ferreira de Souza, catedrático da Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro e da Faculdade de Direito da Universidade Católica do Distrito Federal. O ano letivo começou regularmente em 16 de março de 1955, com a aula de Introdução à Ciência do Direito, proferida pelo Desembargador Floriano Cavalcanti de Albuquerque.
Após ser inspecionada por Comissão do MEC, a Faculdade foi reconhecida em 15 de maio de 1957.
Os primeiros professores da Faculdade de Direito de Natal foram: Floriano Cavalcanti de Albuquerque, Otto de Brito Guerra, Manoel Varela de Albuquerque, Aldo Fernandes Raposo de Melo, Edgar Ferreira Barbosa, João Vicente da Costa, Véscio Barreto de Paiva, Paulo Pinheiro de Viveiros, Milton Ribeiro Dantas, Emídio Cardoso Sobrinho, Alvamar Furtado de Mendonça, Antonio Soares Filho, Raimundo Nonato Fernandes, Carlos Augusto Caldas da Silva, Luís da Câmara Cascudo, José Áureo Lins Bahia, José Gomes da Costa, Anselmo Pegado Cortez, Claudionor Telógio de Andrade, Nestor dos Santos Lima, João Maria Furtado, Gil Soares de Araújo, Francisco Ivo Cavalcanti, Djalma Aranha Marinho, Francisco Bruno Pereira. Alguns desses logo atingiram a compulsória e outros pediram exoneração.
A primeira turma, 1959, com denominação de Turma Clóvis Bevilaqua, seu patrono e paraninfo Edgar Ferreira Barbosa, teve a seguinte a sua composição: Ivan Maciel de Andrade, Ana Maria Cascudo, Zélia Madruga, Genilde Urbano, Eider Furtado de Mendonça e Menezes, Luciano Nóbrega, Elmo Pignataro, Francisco Dantas Guedes, Othon Oliveira, Jaime Hipólito Dantas, Geraldo Isaias de Macedo, Reginaldo Teófilo da Silva, Ernani Alves da Silveira, Murilo Moreira Veras, Francisco de Assis Teixeira, Arnaldo Arsênio de Oliveira, Pedro Martins Mendes, Nice Menezes de Oliveira, Emilson Torres dos Santos Lima, Valdir da Silva Freire, Hebe Marinho Nogueira Fernandes, Jaime Galvão Revoredo, Pedro Cortez de Araújo Amorim, Arilda Tânia Cavalcanti Marinho, Antônio Emerenciano de A.Sobrinho, Nildo João Mathias Alff, Terezinha de Almeida Galvão, João Eudes Pessoa, Arthur Luiz de Araújo, Enélio Lima Petrovich, José Cabral Pereira, Cleóbulo Cortez Gomes, Geraldo Guedes Dantas, José Daniel Diniz, Antonio Francisco Correa, Irineu Martins de Lima, Francisco Berilo Pinheiro Wanderley e João Damasceno de Oliveira.

Postado por Manoel de Oliveira Cavalcanti Neto.
FONTE: Blog NATAL DE ONTEM
Foto: jornal TN


Curso de Direito voltará a desenvolver projetos no prédio da Ribeira.


            Recebemos uma grande notícia sobre a saga da retomada do antigo prédio da Faculdade de Direito de Natal. A presidente Dilma Rousseff anunciou na manhã da terça-feira (20) a liberação de recursos do PAC Cidades históricas para restauração do antigo prédio da Faculdade de Direito.
            A luta pela reforma e restruturação do prédio surgiu nos idos dos anos 2000, quando o prédio foi entregue pela Secretária de Segurança Pública à UFRN. Professores como Juliano Siqueira, Carlos Gomes, Ricardo Wagner e Ivan Lira desempenharam papel importante na retomada do prédio.
            No inicio da gestão da professora Ângela Paiva, ela enfileirou uma luta na busca de recursos para reutilização do espaço, contando com a ajuda dos deputados Fátima Bezerra e Paulo Wagner.
            No espaço será desenvolvido o novo Núcleo de Extensão da UFRN contou com a participação de diversos setores da instituição: Centro de Educação, DEART, Curso de Direito, Departamento de Psicologia; cabendo a professora Conceição Fraga a condensação das ideias. O Núcleo será um ponto de referência à comunidade da cidade, dos projetos desenvolvidos pela UFRN, principalmente aqueles ligados a área dos direitos humanos. Objetiva aproximar a universidade das comunidades periféricas da cidade. Ressalto que esse é o mesmo ideário do prof. Otto Guerra, quando criava o Departamento de Prática Jurídica há 50 anos.
            Quanto ao curso de direito, as iniciativas terão espaço para desenvolverem suas atividades, como o Núcleo avançado da Prática Jurídica. Será um momento único também para nós, Curso de Direito, exercer essencialmente a extensão universitária. Encher a universidade de povo.


Juan de Assis Almeida
Acadêmico do Curso de Direito
________________________


Ministério da Cultura
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
 PAC Cidades Históricas
Instituições de ensino
11 ações – R$ 44,69 mi

UF RN Natal – Restauração do Antigo Grupo Escolar Augusto Severo –
Núcleo de Extensão da UFRN


terça-feira, 20 de agosto de 2013



NATAL SEM PRINCIPADO

Gileno Guanabara

A cidade do Natal de população não superior a 20 mil habitantes era uma aldeia provinciana nos anos iniciais do século XX.  Ia nas primeiras décadas e ganhou transformações impensáveis no ordenamento urbano. Foram abertas vias que interligaram os bosques, os futuros bairros do Alecrim, Petrópolis e Lagoa Seca. O transporte coletivo através dos bondes comunicou Lagoa Seca ao Alecrim; a Cidade Alta ao Monte Petrópolis e ao sítio “Solidão”, como se denominava o Tirol, indo até o bairro da Ribeira. Houve a criação de escolas públicas e religiosas; a criação da companhia de água e serviços de saneamento; a expansão da estrada de ferro, com a ponte ferroviária de Igapó, cuja estação central se estabelecera na Ribeira, ao encontro da Rua do Comércio e do serviço portuário do cais da Rua Tavares de Lyra. Praças, pavimentação, teatro, comércio e iluminação a gás, enfim, a cidade ganhou foros de modernidade, igualmente a outros centros urbanos do país.
O escambo já não se comportava nos limites da “Feira do Grude”, no Oitizeiro. Consagrou-se o comércio popular com a dimensão da feira do Alecrim. Construíram-se os mercados públicos.
O bairro da Cidade Alta sofrera inovações arquitetônicas. As novas concepções dispensavam a beira e rebuscavam o frontispício das edificações. Provas evidentes estão nas fachadas dos sobrados e casas das ruas centrais de Natal, parte ainda hoje preservada. A obra de edificação do viaduto do Canal do Baldo, na gestão do prefeito Ferreira Chaves, interligou os limites Norte/Sul da cidade, com repercussões sociais. Os moradores não mais poderiam ser divididos simplesmente entre “xarias” e “canguleiros”, entre ricos e pobres.
 Com a mudança dos aspectos externos das construções, ocorreram modificações no seu interior. O hábito de banhar-se no terreiro da própria casa, à beira dos recipientes de água dormida. Os inesquecíveis banhos de cuia, ao lado de fossos cavados, protegidos por tapume de maravalhas, ainda não eram fossas, para o acúmulo dos dejetos e do lixo. A água servida se desviava para a rua. As quartinhas de água fria para beber. Antes do trono de louça, se agachava sobre um toro de madeira e se satisfaziam as necessidades. Sem o papel higiênico, palha de côco, sabugo de milho ou jornal, tinha-se por serventia. O penico sob a cama era útil, descarregado cedo no leito da rua. Durante a menstruação as mulheres reutilizavam as toalhinhas laváveis. Mães/parteiras assistiam às parturientes. Os segredos cochichados de como achar botijas de ouro.
Com o fim da guerra, veio o comércio de variedades. Instalou-se na Ribeira a primeira loja de departamentos, a “Quatro e Quatrocentos”, nome/fantasia das Lojas Brasileiras-LOBRÁS. Após o incêndio que a consumiu, a loja foi reinaugurada na Avenida Rio Branco, onde antes fora a residência da família do Dr. Ivo Cavalcanti.
 Um de seus gerentes, em visita de inspeção a Natal, conferiu o alto índice de furto de produtos da loja praticado pelas balconistas, em geral menores de idade. Escondia-se nas roupas íntimas o produto do furto, daí o escrúpulo que causava ter que lhes inspecionar os corpos. Segundo o dirigente, Natal era uma cidade triste, notívaga e a de maior pobreza no Nordeste. Havia um alto índice de prostituição de meninas/moças. Tal comportamento era legitimado pelas famílias como o meio de “fazer a vida”. O lenocínio era aceito com naturalidade.

Ao término da Segunda Guerra Mundial, Natal se tornara militarizada: a um bordel, em cada esquina, um quartel. Exigências fitossanitárias, com a aplicação da Penicilina obrigatória a fim de evitar o contágio venéreo; recusa popular à vacina anti-gripe espanhola; a distribuição de leite “in natura” a famílias pobres, no Lactário da Saúde Pública; a proliferação do sabão e da pasta de dente, em lugar do pó da casca do juazeiro; a ampliação da mão de obra, com o esforço de guerra. Beber em copo pessoal. Dançar o “Fox trote”. Os cabarés – cópia grotesca da “belle epoque” – entraram em decadência. O cinema divulgou culturas novas. Vieram os automóveis. Tempo das canções românticas entoadas nos rádios, nas vozes de Francisco Alves (“Adeus,/ Cinco letras que Choram”), Pixinguinha, Sílvio Caldas e Ângela Maria, os mais ouvidos.

ALEJURN


Colegas Acadêmicos









Lembro a todos a nossa Assembleia Geral aprazada para o próximo dia 22 de agosto de 2013, a partir das 10 horas até às 17 horas, no Auditório da Procuradoria Geral do Estado, situado à Av. Afonso Pena, 1155, Tirol, a fim de escolhermos um novo ocupante da cadeira de número 35 da Academia de Letras Jurídicas/RN, que tem como Patrono o jurista Otto Guerra.


São candidatos à vaga existente com o falecimento do confrade Luciano Alves da Nóbrega os juristas ANA HELOISA RODRIGUES MAUX e ANTENOR PEREIRA MADRUGA FILHO, cujos currículos e obras jurídicas já foram disponíveis na Corregedoria da PGE-RN e divulgados na rede social para consultas e análises por parte dos Acadêmicos eleitores.

Atentem que o voto poderá ser enviado por correspondência, conforme material enviado a todos, obedecendo ao regramento que vai aqui reproduzido abaixo.
Quaisquer dúvidas poderão ser solucionadas por mim, Secretário Geral, através do e-mail mirandagomes1939@yahoo.com.br  ou pelo telefone 9451-2560
A Comissão eleitoral é composta pelos Acadêmicos Josoniel Fonseca da Silva (Presidente), Luiz Antonio Marinho da Silva e José de Ribamar de Aguiar.
ALEJURN
Telefax (84)3232-2898 
 alejurn2007@gmail.com


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ACADEMIA DE LETRAS JURÍDICAS DO RIO GRANDE DO NORTE - ALEJURN

RESOLUÇÃO Nº 02/2013

Dispõe sobre os critérios para a obtenção do “quorum” para a eleição de novos Acadêmicos.

A DIRETORIA DA ACADEMIA DE LETRAS JURÍDICAS DO RIO GRANDE DO NORTE – ALEJURN, no uso das atribuições que lhe confere o art. 29  do Regimento Interno vigente,

CONSIDERANDO a dificuldade de alcançar o quorum qualificado exigido para eleger os Acadêmicos inscritos para preenchimento de vagas em aberto;

CONSIDERANDO, finalmente, a necessidade da utilização do critério de voto não presencial para garantir a eleição de novos Acadêmicos,

R E S O L V E

Art. 1º. Atendidas as prescrições do art. 21 do Regimento Interno publicado no dia 24 de março de 2013, com a lavratura do “Termo de Encerramento de Inscrição” e aprazado o dia da eleição, será publicado Edital de Convocação do Pleito, na forma do inciso II do invocado art. 21 do RI, os quais serão enviados aos acadêmicos, em 
conformidade com o art. 22 do mesmo documento regimental.

Art. 2º. A eleição será presencial, facultado o voto por correspondência, com as cautelas dos incisos I e III, do art. 22 do Regimento Interno, que será encaminhado à Mesa Eleitoral dentro do prazo estipulado no Edital.

Parágrafo único. Os votos enviados por correspondência são somados com os presenciais para efeito do quorum legal.

Art. 3º. Na apuração, caso não atingida a maioria absoluta de votos por nenhum candidato, poderão ser realizados novos  escrutínios, quinze minutos após o encerramento do anterior, desde que haja a presença na sessão do quorum do art. 33 do Regimento Interno.

Art. 4º. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Natal, 03 de julho de 2013

José Adalberto Targino Araújo
Presidente
(DOE 09.07.2013)

QUEM É BOM NÃO MORRE NUNCA!


segunda-feira, 19 de agosto de 2013



As reformas constitucionais necessárias
 e a crise política

IVES GANDRA MARTINS*


Há cinco reformas necessárias para diminuir o custo do Brasil e voltar o país a ter competitividade, a saber: a política,  a administrativa, a trabalhista, a previdenciária e a do Judiciário.
Todas as manifestações dos últimos tempos, em que as pessoas sabem o que não querem mas não sabem o que querem, e o que pensam querer não sabem como fazer, são a prova inequívoca de que há algo que não vai bem, no governo e no país.
A maioria do povo que vai às ruas pede transparência, honestidade no trato da coisa pública e reformas.
Abstraio os vândalos, que deveriam ser detidos, de imediato,
sendo-lhes aplicada a lei penal vigente.
Tanto o governo como o Congresso não perceberam a mensagem ou fingiram não perceber.
 A presidente propôs um plebiscito, que o povo não pediu.
 O Congresso criou uma Comissão de Reforma Política sem consultar a sociedade.
 O resultado esperado foi, nas pesquisas posteriores a estas iniciativas, o repúdio da opinião pública, com idênticos índices de repulsa, antes e após a realização das mesmas.
Haveria necessidade de uma reforma administrativa para reduzir
o peso da adiposa e esclerosada máquina pública,
a começar no âmbito federal.
 
Uma reforma tributária para eliminar a guerra fiscal de estados e municípios, e para simplificar o sistema tributário também seria imprescindível.
 
A Comissão do Senado de que participei – eram 13 especialistas – propôs 12 anteprojetos de emendas constitucionais, leis complementares, ordinárias e resoluções do Senado que jazem, em berço esplêndido, nos armários do Congresso.
 E, ainda, de rigor uma reforma trabalhista para nivelar o país às economias mais competitivas do planeta, assim como a reforma previdenciária – já em andamento –, para equalizar os cidadãos de primeira categoria (aposentadorias integrais – servidores públicos) e de segunda categoria (cidadãos comuns – 10 salários mínimos no máximo), em patamar que não viesse a implodir o sistema.
A reforma do Judiciário é outra medida que se impõe, a começar pela exigência de que todos os assessores de ministros, que auxiliam na elaboração dos votos, sejam concursados para esta função, de preferência juízes.
 
Não deveriam ser escolhidos livremente, algumas vezes sem a qualificação necessária ou sem independência, por pertencerem à Procuradoria da Fazenda Nacional, procuradorias das fazendas estaduais, o que compromete  imparcialidade, quando União ou estados são parte nos processos.
Quanto à reforma política, na Comissão da OAB-São Paulo que presido – e que é constituída pelos seguintes juristas: Alberto Rollo, Alexandre de Moraes, Almino Affonso, André Ramos Tavares, Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, Cláudio Lembo, Dalmo Dallari, Dirceo Torrecillas, José Afonso da Silva, Maria Garcia, Ney Prado, Paulo de Barros Carvalho e Samantha Meyer Pflug – estamos estudando, a curto prazo,  questões como o voto distrital, financiamento de campanha, reeleição, número de partidos, coligações, plebiscito ou referendo. E, a longo prazo, bicameralismo ou unicameralismo, parlamentarismo ou presidencialismo.
Todas estas matérias exigem reflexão de especialistas e de governantes 
 e, à evidência, por sua complexidade, não podem ser objeto de plebiscito, no máximo podendo aceitar-se um referendo.
O certo, todavia, é que, mais do que as reformas, há necessidade de mudanças na política econômica do país.

 Ninguém discute ser a presidente Dilma uma mulher honesta e trabalhadora. Todavia, seu estilo autoritário de conduzir o país torna seu Ministério não um Conselho mas um grupo de ouvintes de suas ordens.
 Sem nomes de expressão, como nos  ministérios do passado, são seus colaboradores comportados executores, que jamais contrariam as determinações da comandante.
Talvez o fato de ter, no passado, participado da luta armada, em movimento que, algumas vezes, assumiu facetas terroristas – com assassinato de inocentes em atentados a bomba, em shoppings e supermercados – tenha incutido, no seu estilo de liderença, esta característica temperamental, detalhista e impositiva.
 Creio que, possivelmente, por este seu passado, é que a presidente se sinta tão atraída pelas posturas de seus colegas bolivarianos: o falecido Chávez, Maduro, Morales, Corrêa e Cristina, todos aprendizes de ditadores.
Tanto é assim que Dilma permitiu a entrada da Venezuela no Mercosul, apesar de esse país não ter aceito, à época, a totalidade do acervo normativo do Tratado, e excluiu o Paraguai, que, na deposição do presidente Lugo, apenas cumpriu o que determinava o artigo 225 de sua Constituição, ou seja, o afastamento por mau desempenho, em processo límpido, claro, com apoio popular e sem qualquer uso de força, permitindo, inclusive, que o deposto, logo em seguida, concorresse ao Senado.

O governo desse país democrático não sofreu, nas ruas de suas principais cidades, grandes contestações por parte da sociedade, nem queda de popularidade, como a presidente Dilma tem experimentado, no Brasil.
 
No Paraguai, não se controla o Judiciário como na Venezuela, que não permite sequer recontagem de votos, numa eleição em que a ínfima diferença de votos a favor do candidato bolivariano eleito justificaria que fosse feita, como ocorre nas verdadeiras democracias.
O certo é que a presidente Dilma, em virtude de suas simpatias bolivarianas, passou a seguir a política de seus colegas, tornando-se acólita de Cristina, Maduro, Morales e Corrêa.
 E começa a colher os mesmos frutos, ou seja, baixo PIB, alta inflação, descontrole cambial, protestos populares e perda de competitividade internacional por força da má condução da economia, amarrada pelo Mersosul, impedida de fazer acordos internacionais, aceitando todos os desaforos econômicos de seus parceiros,
 violadores permanentes das regras do Tratado de Assunção.
No seu estilo autoritário, investiu no consumo e não no desenvolvimento empresarial, gerando inflação de demanda, no momento em que estimulou a baixa de juros.
Quando Irving Fischer definiu que a teoria do juro é determinada pela oportunidade de investir contra a impaciência de gastar, quis mostrar que, quando se baixam os juros e se estimula o consumo, a inflação é decorrência.
E o mero consumo, sem investimentos em tecnologia e na indústria,
 tem vida curta.
Não sem razão o retrocesso econômico do Brasil, nestes dois anos e meio do governo Dilma, foi notório, com a agravante de, prisioneira de seus colegas bolivarianos, ter feito o Brasil perder a autonomia e a liberdade na celebração de acordos bilateriais, que lhe permitiriam melhorar não só a performance da balança comercial como,  pelo menos,
 reduzir o dantesco déficit do balanço de pagamentos.
No modelo bolivariano, a máquina governamental cresce e sufoca o segmento privado, gerando pressão inflacionária que, segundo Steven Webb,
 foi o principal fator da hiperinflação  da República de Weimar.
Ora, a única forma de combater a inflação com redução de juros,
seria reduzir as despesas de custeio da máquina administrativa, algo que,
 no modelo bolivariano, é impossível e, no governo Dilma, inaceitável.
 Tanto que tem 39 ministérios...
Neste quadro — em que o PIB decresce, a inflação cresce, o câmbio se descontrola, a máquina administrativa desperdiça,
 a balança comercial gera déficits e as contas externas se descompassam — causa espécie que a presidente pretenda manter-se fiel aos ideais dos regimes bolivarianos e continue a não perceber que está levando o país a um fantástico retrocesso,
 sendo mais conduzida por seus parceiros do Mercosul, do que pelos interesses do Brasil.
Como cidadão que considera a presidente Dilma uma mulher honesta e trabalhadora, gostaria que tivesse ela humildade de raciocinar e,
 analisando o fracasso de sua política econômica, decidisse, definitivamente, liberá-la das amarras ideológicas e passasse a cuidar dos verdadeiros interesses nacionais, que  não são, necessariamente, aqueles acalentados pelos seus amigos, aprendizes de ditadores.
 
E que, para o bem do Brasil, mudasse o rumo de seu governo.
*Ives Gandra da Silva Martins é jurista
JB - 06/08/2013

“MAIS  MÉDICOS”: UMA  DIDÁTICA LIÇÃO SOBRE O JEITO BRASILEIRO DE FAZER POLÍTICA

Geniberto Paiva Campos – agosto/2013 -  Observatório da Saúde/DF

Assistir,  pela TV da Câmara dos Deputados,  a audiência pública na Comissão de Saúde e Seguridade Social,  sobre o projeto “Mais Médicos” do Ministério da Saúde equivale a um curso completo sobre a forma brasileira de fazer política no âmbito do Congresso Nacional.
Trata-se de um  enfadonho ritual,  obedecido pela direção dos trabalhos e pelos circunstantes em todos os seus detalhes,  no qual a duração das falas, aparentemente mais do que o seu conteúdo, ganha um peso significativo na valoração política dos  discursos.  Mesmo com o grande interesse despertado pelo tema, com a sala da audiência repleta de congressistas e interessados em geral, o telespectador deve dispor de muita paciência para acompanhar o caminhar desse ato político/ litúrgico  com a devida  atenção.
Deve  dispor também de muitos conhecimentos prévios e saber utilizar os códigos que permitem decifrar a evolução  de uma “ Audiência Pública”. E também, é bom repetir, de muita, muita paciência. Mas a lição vale a pena. E quem sabe, vai ajudar a compreender melhor o funcionamento do Legislativo Federal. De como as coisas se  desenrolam (a ambiguidade do termo é proposital) e caminham no lento e às vezes tedioso processo legislativo.
Convidado, às vezes sinônimo de convocado, o ministro da Saúde Alexandre Padilha usou do seu longo  tempo disponível para, com voz monocórdica e utilizando recursos audiovisuais, falar do Programa Mais Médicos, colocando o ponto de vista dos seus idealizadores no âmbito do governo. Foi uma exposição longa, por vezes repetitiva. Ouvida em respeitoso silêncio pela plateia. Não houve apartes ou interrupções à fala do ministro. No máximo alguns bocejos. Ou impaciência bem disfarçada.
Inscritos previamente, falaram, dando inicio aos debates, quatro deputados, dois da oposição e duas (ambas representantes femininas) da base de apoio ao governo. Dos quatro, 3 eram médicos. Todos, por motivos diferentes, utilizando o seu tempo disponível para questionar a forma e o conteúdo do Programa. E  em completo acordo sobre a necessidade Mais Médicos passar pelo crivo do Congresso Nacional. Todas as intervenções  demonstraram preocupações quanto à qualidade  profissional dos médicos estrangeiros e o risco que poderia advir para a saúde das populações assistidas por estes profissionais, no caso de formação científica e prática deficientes. Colocando as provas do Revalida como condição essencial para a contratação dessa mão de obra. Consegui, com algum esforço, acompanhar a fala do Ministro da Saúde e a intervenção dos 4 primeiros congressistas  inscritos no debate. A partir desse ponto desisti, ao perceber que o debate estava com a sua trilha balizada.
Em resumo, questionava-se a pronta iniciativa do Governo Federal, através dos Ministérios da Saúde e da Educação, na tentativa de resposta ao clamor das ruas por melhor qualidade dos serviços públicos. E,  pela primeira vez nos últimos meses, ficou implícito no debate a escassez de médicos no Brasil.  Há menos de um ano tentava-se proibir, por desnecessária,  a abertura de novas vagas nos cursos médicos e a – heresia das heresias – criação de novas Escolas  de Medicina no país. Já se dispunha de Faculdades Médicas em número mais que suficiente. Como se vê, o debate evoluiu para novos entendimentos. Agora com o Revalida ocupando os primeiros lugares na pauta de preocupações dos debatedores. Claro, sempre na defesa da população brasileira.
Tentando fazer um resumo do que pude assistir da Audiência Pública sobre o Mais Médicos, o que mais desperta a nossa atenção é mesmo o direcionamento da exposição ministerial e dos debates em sequência. Todos essencialmente focados em dois pontos dessa pauta: a iniciativa do Governo Federal e a reação dos profissionais médicos e das  suas corporações de ofício, tendo o plenário da reunião da Comissão de Saúde e Seguridade Social como  caixa de ressonância desse embate político. Fica claro que ali não se busca,  necessariamente,  soluções para o problema da população  sem assistência médica. Trata-se, antes de tudo, de escrutinar as ações de governo e as reações corporativas para definir possíveis vencedores desse embate. E com um único e certo perdedor: o usuário carente em suas necessidades de saúde.  Aliás, raramente  lembrado ou  mencionado pelos debatedores. Pura e permanente  abstração.
Outra impressão deixada pela Audiência Pública: a mudança de atitude da Câmara dos Deputados. Há poucas semanas tão sensível  à “voz rouca das ruas”, pressurosa em atender as demandas dos manifestantes, agora se apresenta menos dócil a esses reclamos.  A presteza, para alguns críticos abjeta, com que foram votadas  pelo Congresso Nacional a “PEC 37” e a proposta de tornar “crime hediondo” os atos ilícitos praticados por agentes públicos vai sendo, gradativamente, substituída pela velha politica dos antigos políticos. Nossa velha  e antiga conhecida.
A ausência total de médicos em boa parte dos municípios brasileiros, curiosamente, não chega a despertar grande comoção entre os presentes à Audiência. Para quem dispõe de assistência médica de qualidade, em situações de rotina e nas urgências e emergências, fica realmente difícil imaginar o atendimento de um abdome agudo ou de um politraumatizado por técnicos de enfermagem ou de curiosos abnegados, pela falta absoluta de profissionais médicos qualificados nas proximidades. Isso também pode ser inserido na cota das abstrações.
 Da análise da Audiência Pública da quarta feira, 14 de agosto de 2013, seria correto  concluir  que o chamado “jogo político”  estaria voltando ao seu curso natural. A Voz das Ruas, embora não totalmente silente, está pelo menos abafada. Exercendo, talvez, menor pressão sobre o Poder legislativo.  É possível que os novos atores, peregrinos das praças e das ruas, ainda não tenham conseguido o seu espaço definitivo nesse jogo complexo.  E que, como regra inviolável, jamais aceitou amadores e ingênuos em geral em seu meio. Voltemos, portanto, às normas velhas e confiáveis. Com outro jeito, embora. Fica concedido.
 Evocando  Lampedusa, afinal, é preciso  fazer as mudanças para que as coisas continuem as mesmas.