sexta-feira, 9 de agosto de 2013


Reitor da UEPB instala Comissão da Verdade


assinatura rangel e paulo1
A Comissão da Verdade e da Preservação da Memória da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) foi oficialmente instituída nesta sexta-feira (19), em solenidade presidida pelo reitor Rangel Junior, que assinou a Portaria de criação da comissão. O ato aconteceu na Sala da Universidade Aberta à Maturidade (UAMA), no Campus de Bodocongó, e contou com a presença do vice-reitor Ethan Barbosa; do presidente da Comissão Estadual da Verdade, Paulo Giovani Antônio Nunes; do chefe de Gabinete do Governador, Waldir Porfírio; e do professor da UFCG, Fábio Freitas, também integrante da Comissão Estadual.
benjamim1Presidida pelo professor José Benjamim, a Comissão terá o prazo de um ano para realizar os seus trabalhos, dando a sua contribuição para esclarecer os casos de abusos praticados contra estudantes, professores e funcionários da UEPB no período da ditatura. A comissão permitirá o acesso às informações para os fins de consecução dos trabalhos e transparência de conhecimentos, tanto para fins de investigação e reparação, quanto para capacitação recíproca de agentes de Estado e da sociedade civil.
A comissão tem, ainda, como membros os professores Edmundo de Oliveira Gaudêncio, e Gilbergues Santos Soares; o técnico administrativo da UEPB, Luan da Costa Medeiros e o estudante do curso de Direito, Camilo de Lélis Diniz de Farias. Duas novas portarias serão publicadas para contemplar as mulheres nos trabalhos.
paulo giovani1Na solenidade, o reitor Rangel Junior observou que a escolha dos nomes para compor a Comissão teve critérios e levou em conta, entre outros aspectos, a história e o comprometimento dos professores e do estudante com a busca da verdade. Ele disse que não é fácil escavar a história e trazer à tona episódios deprimentes envolvendo pessoas que foram castigadas e torturadas pelo regime ditatorial. “No entanto, as novas gerações precisam reencontrar essa história e lutar para que esse período não volte mais”, frisou.
O reitor lembrou que na UEPB muitos estudantes e professores foram vítimas dos abusos praticados pelos militares. “No caso da UEPB, ainda na época da URNe, muitos estudantes foram vítimas de atos arbitrários e queremos revirar os arquivos e resgatar esses fatos”, destacou Rangel Junior. A ideia é contribuir com informações para o trabalho da Comissão Estadual e a Comissão Nacional da Verdade.
Presidente da Comissão, o professor Benjamim fez um relato histórico. Também lembrou que muitos professores e estudantes da UEPB foram perseguidos e citou como exemplo o então presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE), José Filho, que teve sua vida cerceada pelos militares. “Vamos fazer um elo entre o passado e o presente, atualizando dados para as novas gerações”, disse.
Voltando no tempo, Benjamim citou como exemplo a intervenção feita pelos militarem em Campina Grande e que desencadeou uma das grandes crises financeiras da UEPB, só superadas anos depois, com a Estadualização. “A ditatura sangrou a então URNe, levando a Instituição a atravessar uma crise histórica. Foi uma perseguição feroz”, definiu.
waldir1O chefe de Gabinete do governador, Waldir Porfírio, também mostrou a importância dos trabalhos que os membros da Comissão terão nos próximos 12 meses. Como membro da comissão estadual, Waldir citou alguns episódios envolvendo professores e estudantes da UEPB na época do regime. Ele se dispôs a contribuir com a Comissão fornecendo, inclusive, o seu arquivo pessoal para estudo dos membros.
fabio freitas1O presidente da Comissão Estadual, Paulo Giovani Antônio Nunes, destacou a importância dos trabalhos da UEPB para esclarecer as violações do regime e também se dispôs a contribuir com os membros da comissão, fornecendo documentos e relatórios de pessoas torturadas pelo regime. Por sua vez, o professor da UFCG, Fábio Freitas, fez um discurso efusivo e disse que as comissões surgiram para fazer justiça à história, começando pelas lutas memoráveis que resultaram na Lei da Anistia.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

HERIBERTO BEZERRA, um símbolo da Medicina

Médico Heriberto Bezerra

morre aos 88 anos

Publicação: 08 de Agosto de 2013 às 09:52
O médico pediatra Heriberto Bezerra, ex-presidente do América Futebol Clube, ex-governador do Rotary Club e ex-presidente do Conselho Regional de Medicina, morreu na madrugada desta quinta-feira (8), por volta das 2h, aos 88 anos. Ele estava internado há quatro meses e meio no hospital São Lucas e, segundo Lauro Bezerra, também médico e primo de Heriberto, ele sofria de problemas antigos de saúde. O velório ocorre no Clube do América e, às 16h, haverá o sepultamento, no Cemitério Morada da Paz, em Emaús.
Arquivo TNHeriberto Bezerra, ex-presidente do CRM e do América, faleceu após quatro meses e meio de internamentoHeriberto Bezerra, ex-presidente do CRM e do América, faleceu após quatro meses e meio de internamento

Já tendo passado por problemas cardíacos, por cirurgias de ponte de safena e problemas no baço, Heriberto Bezerra faleceu após um problema renal aliado à idade avançada. Filho do industrial Justino Bezerra, Heriberto nasceu em Santa Cruz, no interior do Rio Grande do Norte, e lá morou até os 11 anos, quando foi estudar em Recife.

De Recife, o futuro médico foi estudar na Bahia, onde se qualificou profissionalmente e conheceu Maria Bezerra, baiana com quem casou antes de retornar ao RN. Em 1949, formado e casado, Heriberto retornou ao estado que nasceu e morou os 64 anos seguintes na capital potiguar.
Médico faleceu aos 88 anos
Médico atuante e com intensa participação na sociedade, Heriberto Bezerra presidiu o Conselho Regional de Medicina e o América, além de ter estado à frente do Rotary Club. "Ele deixou de atuar como médico por volta dos 78 ou 79 anos devido à idade, mas ainda lúcido", conta o primo.

"A família [mulher, dois filhos, cinco netos e três bisnetos] ficou muito chocada, mas é o resumo natural da vida. Quando é da família, a gente sempre se choca, sempre fica a saudade", disse Lauro Bezerra.

"Ele era uma pessoa muito ligada ao esporte, à classe médica e à sociedade, além de um médico muito humanitário. Essa é a lembrança que vai ficar", lamentou Lauro.

EXÓTICOS

Vídeo sobre uma pequena parte da história da Pipa


PIPA - litoral do Rio Grande do Norte

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

LANÇAMENTO DO LIVRO "VERBENAS" - UFRN


Convite
 
A Azymuth convida você para o lançamento do livro Verbenas da autora Anna Lima (1882-1918). Publicado originalmente em 1901 com prefácio de Pedro Avelino. Trata-se de uma edição fac-similar; com introdução de Santa Guerra.

Um sucesso editorial com mais de 300 exemplares vendidos. 
 
Local e data do Lançamento
 
Dia 09/08/2013 das 17hs às 20hs. Cooperativa Cultural UFRN – Centro de Convivência.
Av. Sen. Salgado Filho, 3000, Lagoa Nova - Natal - RN, 59078-900.
Telefone: (84) 3211-9230
 
Valor e formas de Pagamento
 
R$ 30,00 – Pagamento em dinheiro ou Cartões de Crédito e Débito.
 
Parte das vendas ajudará o Hospital Infantil Varela Santiago.
 
Contato
 
editoraazymuth@yahoo.com.br

Orosz Zoltan

ONDE CANTAM OS LÍRIOS - POR LÚCIA HELENA PEREIRA.

PEDRO SIMÕES NETO
LÍRIOS
LÍRIOS E LÍRIOS
PEDRINHO SIMÕES

ONDE CANTAM OS LÍRIOS
 Lúcia Helena Pereira 

 Anos se passaram, distanciando-nos, esquecendo-nos um do outro, por longo tempo. Caminhos separados, vidas tão diversas! 
Eu tinha quase sete anos quando deixei o meu vale encantado. E deixava nele a minha página de amor, lembranças amenas, o trem “Buá” apitando a cada amanhecer. Piô e Maroca, contadoras de estórias, Quincas e Lebre (empregados da casa, ingênuos, brigando e resmungando, logo cedo, por uma janela, das cinco ou seis do casarão dos meus pais, só para assistirem o trem passar)..., dona Biluca, rendeira de almofadas de bilro, o rio Água Azul (feiticeiro), os olheiros do vale, a paisagem mística e mítica de um vale encantado. 
Uma manhã, num descuido de Babá, saí sem destino. Passei pela Estação de Trem e subi a rua que leva aos engenhos. Queria ficar sobre a pequena ponte e pescar tilápias. Esse o mundo adormecido na legenda romântica dos cantores líricos. 
Em minha casa, um verdadeiro rebuliço, até o “compadre” Joaquim Gomes, tocador de rabeca, que morava num lugarejo perto de Ceará-Mirim, ouviu a notícia e comentava de instante a instante, se engasgando e fungando: “corrí pra cá, mode vê o qui tá acontecendo na casa da minina Luça”... 
Todo esse rebuliço teve origem por julgarem que eu havia desaparecido. 
Regressei ao meu lar, cheia de felicidade, após umas 3 horas, creio, e vinha contente , trazendo na cestinha, quatro tilápias pequeninas. Nas mãos um buquê de lírios que colhi, derramados do muro da casa de minha amiguinha: Dindinha Dedé (uma velinha simpática), que tinha um beija-flor chamado Rico. 

Ao chegar na calçada da minha casa avistei Pedrinho e seus pais: dona Esmeralda e o Dr. Percílio Alves de Oliveira e dona Esmeralda, e muita gente, solidária à minha família. Dr. Percílio resplendia no olhar toda a sua imensa bondade e expectativa. Pedrinho sorriu, piscou o olho num gesto simples de cumplicidade infantil. Lembro-me da roupa que usava: calção tipo bermuda, camisa listrada e alpargatas de couro. Passou por mim e disse: “dona Áurea está aperreada demais”... 

Vivíamos num lugar lindo e verde. Tínhamos dois belos despertadores: o apito do trem às seis da manhã e o dobre dos sinos da Matriz, tocando concomitantemente. Esse som, provindo das entranhas do tempo, até hoje soa e ressoa, como canção eterna. 
Pedrinho era um menino bonito. Arrancava suspiros das meninas, inclusive uma prima minha que só o chamava de Pedrão, quando o via, revirava os olhos. Éramos tão crianças... Mas ele “tirava de letra” esses arroubos da infância, esses eflúvios que a idade permite, num tempo feliz e despreocupado, na infância inocente e bela. Por outro lado ele só tinha olhos para uma certa guria dos cabelos de ouro. 
Aquele era um tempo de felicidade. 

Um dia, estávamos na Matriz de N.Sra. da conceição, para a Primeira Comunhão de uma conterrânea, filha de amigos dos nossos pais. Na hora da comunhão, Pedrinho e eu fomos comungar sob os olhares severos dos nossos pais. Ora, fizemos um jeitinho e o Pároco colocou a hóstia em nossos lábios. Corremos para sentarmo-nos, onde estavam nossos familiares que apavorados pediam que colocássemos a hóstia em suas mãos. Que nada, mastigamos e engolimos e lembro-me de Pedrinho dizer: “Tem gosto de cavaco chinês”... 
De outra feita, anos depois, naquela rua onde morou dona Dulce Wanderley, em Natal (rua lateral do cinema Nordeste) creio, onde ficava o escritório do então advogado Pedro Simões Neto, e ele vinha no seu carro e me viu passando na calçada. Franziu o cenho e pensou alto: “será Lucinha”? Não parei, ia correndo para o cinema Nordeste, para assistir um filme daqueles que jamais esquecemos: “A ponte de Waterloo”.

O tempo passou, em 2010 reencontramo-nos numa reunião no Instituto Histórico e Geográfico do RN. O meu querido Enélio Petrovich ao me ver, exclamou: “chegou a nossa poetisa do Ceará-Mirim”. Pedrinho virou-se e ao me ver levantou-se e disse: “Lucinha? Lucinha do sr. Abel e dona Áurea? Mas, olha, como você está bem”... Santo Deus, uma surpresa às dez da manhã. Não consegui dizer nada, estava impactada ao rever o menino que ficou no vale, cumprindo o resto de sua infância, enquanto eu partia... trocando os meus brinquedos e o meu mundo lobateano, por um novo mundo.
 Pedrinho significou, acima de tudo, na minha nomenclatura, uma raiz de lírio que o vento trouxe para o vale verde e o vale, sem egoísmo, deixou que se expandisse mundo afora. Afinal, ele morou em muitos lugares, era um cidadão do mundo, um homem dotado de inteligência invulgar e cultura geral. Escritor notável, de estilo belo e raro, marcou a “ Escola Literária” de Ceará-Mirim, de Natal e de outros lugares, onde a sua pena d`oiro realçou as letras. Seus escritos eram como lírios desabrochando num jardim tropical. O lirismo era a sua tônica criadora, a cor essencial da vida, sempre pronta a desabrochar e transpor outras dimensões, onde o escritor se encontrava, pela sua alma luminosa, com todos os anjos.
 Tenho certeza de que a sombra luminosa dos seus passos, todas as noites aclara o vale! E o canavial faz a sua dança romântica ao soprar do vento noturno, como um ritual de louvação ao filho pródigo.
 Pedro Simões Neto era uma alma sensível. Imaginação criativa e memória infalível. Um homem sábio, virtuoso. Tornou-se, em pouco tempo, inspirador de muitos dos meus pobres escritos. Ele sabia, como poucos, sentir a força do coração no sentimento de cada hora e lugar. Ele era a palmeira do deserto, onde cantam os lírios na florada da sua alma.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

LÚCIA HELENA REGISTRA NOSSO TRABALHO



  • HOJE, 05-08-2013, NO PRÉDIO ANEXO DO IHG/RN, REUNIÃO DA DIRETORIA COM EXTENSA PAUTA, MAS, BASTANTE PRODUTIVA.

    O PRESIDENTE VALÉRIO MESQUITA NÃO POUCA ESFORÇOS PARA DAR AO INSTITUTO, A SUA MELHORIA EM TODOS OS SETORES, PARA ISSO NÃO LHE FALTAM OS CABEDAIS DA INTELIGÊNCIA E DO CORAÇÃO, PELA MAIS ANTIGA CASA DE MEMÓRIA E CULTURA DO RN.
     - com Eduardo Antonio Gosson Gosson e outras 2 pessoas.