terça-feira, 20 de novembro de 2012

UnP: PET ENTREVISTA FRANKLIN JORGE 


Literatura Norte-Rio-Grandense I Natal, 25 de Outubro de 2012
Franklin Jorge é jornalista profissional e, desde jovem, publica nos jornais de Natal. Escreveu vários ensaios a respeito de escritores potiguares, entre eles estão Palmyra Wanderley, João Lins Caldas, Myriam Coeli, Edgar Barbosa, Maria Eugênia Maceira Montenegro, Luis da Câmara Cascudo e Nilo Pereira. O escritor lançou poemas, contos e crônicas. Seus livros são: Impróprio para menores de 18 anos, de 1976, Jornal Amado, de 1978, que traz crônicas inspiradas no convívio com o escritor Jorge Amado que veio a Natal para lançar o livro Tieta do Agreste a convite de Franklin Jorge, Isso é que é e Poemas diabólicos e dois temas de satã, ambos de 1982, Jornal de bolso, de 1985, Fantasmas cotidianos e poemas apócrifos, Spleen de Natal, de 1996, Myriam Coeli memórias, de 1997, e Ficções Fricções Africções, de 1999, um conjunto de oito volumes de contos, obra vencedora do Prêmio Literário Luis da Câmara Cascudo. Atualmente, Franklin Jorge edita o blog O santo oficio.


PET- Quando nasceu e de que forma se dá sua relação com as artes?
FRANKLIN JORGE
- Vem de muito longe, essa relação; vem da infância. Minha avó, por exemplo, era uma mulher que tinha cultura e gostos refinados. Leu muito e tinha muitos outros talentos; um deles era o teatro. Então, na propriedade rural onde me criei, no Estevão,às margens do rio Açu, nós tínhamos durante minha infância duas festas, a de São João, que é o padroeiro da sede do município, e a do Natal. Essas duas festas tinham sua parte artística. Tínhamos então os dramas, os bailados, as representações teatrais e isso era resultado de um trabalho coletivo que durava às vezes dois, três meses: os ensaios, a confecção das roupas com papel crepom, feitas para serem usadas em um único espetáculo; roupas decoradas com purpurina colorida; essas roupas eram artisticamente decoradas com desenhos e aplicações que as tornavam peças luxuosas que deslumbravam o público entusiamado. Tínhamos na casa dos meus avós esse amor à cultura e às tradições de uma cultura rural que fazia parte da nossa vida cotidiana. Eu aprendi muita coisa nessa época ouvindo os antigos, como esses contos populares com ressaibos quinhentistas que nos vieram de Portugal e tudo isso era pretexto para que déssemos vida a essa cultura. Havia uma oralidade muito viva que a gente não encontra mais pelos sertões.
PET- Em Informação da Literatura Potiguar Tarcisio Gurgel diz que você “na adolescência já dava sinais de rebeldia”. De que forma essa rebeldia aparece no seu texto?
FJ-
 Na facilidade com que às vezes tomo posições que me são extremamente desfavoráveis. Mas as pessoas enfatizam muito isso. Bobagens alimentadas pela inércia e comodismo tão característicos. Somos intelectualmente muito preguiçosos, e o natalense padece desse mal, a preguiça de pensar –, o que parece contraditório -; não há a pratica da reflexão, não há crítica, não cultivamos esse hábito tão salutar de dissecar e analisar. Eu me criei no meio dos sertanejos e aprendi com eles a prática de pensar, um lenitivo para os momentos de solidão e os dias em que nada acontece. Muitos dizem, mesmo em entrevistas, que eu penso antes de falar. Frequentemente me dizem isso. Como o sertanejo cuja voz arrastada trai uma carga de pensamentos, tenho a tendência de analisar os fatos. Quanto à polêmica, quero ressaltar mais uma vez que ninguém é profissionalmente polemista. A polêmica decorre do exercício intelectual; se você não é covarde, nem parvo, se você não é alienado e é capaz de ver, de ouvir, de interpretar e de fazer comparações, fatalmente em algum momento há de se aborrecer com as coisas do mundo e principalmente da política. E aí, se formos minimamente decentes, não podemos calar diante os fatos. Para mim, ver e calar denuncia pusilanimidade moral ou coisa pior.
PET- De que forma se dá o encontro do jornalismo com a literatura?
FJ-
 Na síntese. Mas é um encontro muito difícil de ocorrer, porque exige uma cota adicional de sacrifício do jornalista. Para ele chegar a ter essa convivência com o espírito das letras significa ter que abrir mão de muita coisa, porque esta é uma relação muito absorvente. Mas quando isso ocorre é muito bom – quando ocorre esse encontro entre jornalismo e literatura -, porque o jornalismo doa à literatura, como doou a mim, a velocidade, o timing, a síntese, entre outras coisas; e a literatura é boa para o jornalismo porque estimula a reflexão e exige, de nós, escritores, profundidade, densidade e, sobretudo, que possamos transcender a circunstancia. Não há produção literária de qualidade, isto é, digna de atenção, sem elaboração e exercício do pensamento, do qual a leitura parece-me, por excelência, o fermento.
PET- Como você enxerga o cenário literário potiguar hoje?
FJ-
 Como eu enxergava há trinta ou quarenta anos atrás. É uma coisa impressionante porque tudo de alguma forma evolui ou, em nosso caso específico, no caso do Rio Grande do Norte, involui. Aqui tudo fica estagnado e as mudanças, quando ocorrem, são para nos levar a lugar nenhum. Isoladamente a gente tem grandes valores, mas não temos uma política cultural e isso se reflete sobre o anonimato da nossa cultura; ela não tem visibilidade. A maioria dos autores braceja, braceja, braceja e morre ali, na praia; não ultrapassa Macaíba. Nós não repercutimos. Jarbas Martins disse há muito tempo, e Paulo Francis o repetiu, Natal é a cidade mais silenciosa do Brasil; nada acontece aqui.
PET- O Spleen é um livro de destaque na literatura do Rio Grande do Norte. É seu filho querido?
FJ-
 Não. Eu não sei por que esse livro, que é tão jornalístico e nasceu de uma espécie de astúcia do escritor, isto é, de realizar o trabalho jornalístico sem comprometer muito seus interesses literários. Eu dava então para os editores uma coisa que para eles era muito boa: retratos e memórias desses natalenses com o quais ia conversando no curso dos anos, não de maneira deliberada, mas por acaso e ao sabor das circunstancias que em mim estimulam a criação e que se tornaria uma constante do meu exercício jornalístico – o resgate da memória, sobretudo, dos idosos. Memória, para mim e para os gregos, a rainha das artes; cultivei nesse livro essa perspectiva e dei atenção às vivências de cada um. Mas, na verdade, essas entrevistas não foram a princípio premeditadas. Foi uma coisa que eu descobri para fazer e a um tempo, ao fazê-las, satisfazia a insaciável fome de publicação dos editores, sem sair muito do universo intelectual que construí para mim a partir da perspectiva de criação de uma obra literária que me justificasse no futuro. Pensei que a prática do jornalismo podia colaborar com esse projeto de escritura que resultou em livros como “O Spleen de Natal”, em três volumes dos quais apenas o primeiro foi publicado e reeditado pela editora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Meu livro mais íntimo e pessoal e, também o meu preferido, é Fantasmas Cotidianos.
PET- Você escreveu uma crônica sobre a passagem de Jorge Amado por Natal. Conte-nos um pouco dessa experiência.
FJ 
– Essa crônica foi uma espécie de malandragem, digamos assim, não a considerei coisa séria, a não ser como registro histórico. A última vez que ele esteve aqui foi a meu convite e aqui, acompanhado de Zélia Gattai, sua mulher e de Calasans Neto, passou uma semana em Natal, em 1978. Ele tinha uma ligação antiga com Natal e alguns bons amigos como Newton Navarro e Cascudo e tinha a mim também, se bem que eu era o mais jovem de todos, era quase um menino. Naquela época eu me aborrecia muito porque queria ser reconhecido como uma pessoa séria e sempre me viam, por minha aparência, como um menino… Foi uma semana riquíssima de convivência e calor humano. Jorge Amado tinha um afeto profundo por Natal e Natal está na obra dele, está em Velhos Marinheiros, em Seara Vermelha. Quando ele esteve aqui, da última vez, pediu para que eu o levasse a um bar lá nas Rocas, na Dona Elvira, que ele havia conhecido há muito tempo naquele boteco ele pôs em A Seara Vermelha. Ele sabia muita coisa de Natal e do Rio Grande do Norte, que creio tenha absorvido em seu convívio com o escritor Milton Pedrosa, de Apodi, que teve destacada atuação no jornalismo do Rio de Janeiro e escreveu aqueles livros deliciosos que ninguém lê mais, esgotados desde muitos anos e sem notícias de reedição. Quando dirigia a Sucursal do Diário de Natal, em Mossoró – depois de ter perdido o contato com ele desde que fui para a Amazônia e me deixei absorver de tal forma por aquela cultura que me descuidei de meus compromissos e relações de amizades -, num fim de tarde toca o telefone na redação e era ele me ligando de Paris ou Portugal, não lembro ao certo. Estava na companhia de Calasans Neto, cuja arte e a verve
eram muito apreciadas pelo escritor baiano. Conversou e começou a contar histórias de Mossoró e às vezes eu ficava muito intrigado, pensando se as histórias que ele contava sobre Mossoró e Natal eram inventadas, mas na verdade eram historias que ele já conhecia há muito tempo e faziam parte do repertório dele.
Link: http://literaturanorteriograndense.blogspot.com.br/

segunda-feira, 19 de novembro de 2012



No dia 19 de novembro comemora-se o Dia da Bandeira do Brasil, essa comemoração passou a fazer parte da história do país após a Proclamação da República, no ano de 1889. Com o fim do período Imperial (1822-1889), a bandeira desenhada por Jean Baptiste Debret, que representava o império, foi substituída pelo desenho de Décio Vilares.
A substituição da bandeira imperial por uma bandeira republicana representa as mudanças que o Brasil passava naquele momento: mudanças na forma de governo e de governar, do regime imperial para uma república federativa. Além disso, a nova bandeira representava a simbologia que estava agregada ao republicanismo, como a ideia de um Estado-nação, o patriotismo e o surgimento do sentimento nacionalista, ou seja, a construção identitária do povo brasileiro, a identidade nacional.
As bandeiras não são restritas a serem simbologias somente do Estado-nação, ou de algum país, mas existem bandeiras que representam diversas regiões que integram o país e diferentes instituições e esferas sociais. Existem bandeiras que simbolizam times de futebol, torcidas organizadas, cidades, Estados, instituições religiosas e governamentais como cidades, exército, além das instituições comerciais, bandeira de uma empresa.  
Temos notícias de que as primeiras bandeiras foram visualizadas na antiguidade, eram utilizadas nos exércitos como meio de reconhecimento entre os diversos soldados. Atualmente, no mundo contemporâneo, todo Estado-nação possui uma bandeira nacional que representa e dá unidade à nação, ou seja, unifica diferentes povos. Dessa maneira, a instituição da comemoração do dia da bandeira acrescentou mais um elemento simbólico na construção da identidade nacional.
Leandro Carvalho, Mestre em História





Eleição da OAB/RN acontece HOJE (19)
Nesta segunda-feira (19) acontecerá a eleição para renovação da Diretoria, Conselho Seccional, Caixa de Assistência dos Advogados e das Subseções da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio Grande do Norte. A eleição acontecerá de 9h às 17h em Natal, no Centro de Convenções, e no interior nas sedes das Subseccionais  de Mossoró, Caicó, Assu, Pau dos Ferros e Macau. A novidade é o município de Currais Novos que terá a primeira eleição da Subseção com votação no prédio da CDL de Currais Novos.
De acordo com a Comissão Eleitoral, presidida por José Correia de Azevedo, em torno de 6.000 advogados estão aptos a votar no Estado. O advogado somente poderá votar no local em que for inscrito, sendo vedado o voto em trânsito.
O voto é obrigatório e devem votar os inscritos na OAB/RN que estejam adimplentes até 19 de outubro de 2012. Quem faltar terá de apresentar justificativa e documento que comprove a razão que o impediu de ir às urnas até 30 dias depois do pleito.  A exigência consta do Regulamento Geral da Advocacia e da OAB (artigo 133, parágrafo 2º, II) e do Provimento 146/2011 (artigo 12, VII), do Conselho Federal da OAB, que regulamenta procedimentos, critérios, condições de elegibilidade, normas de campanha eleitoral e pressupostos de proclamação dos eleitos para os cargos de conselheiros, para a diretoria do Conselho Federal, Seccionais, Subseções e a Diretoria das Caixas de Assistência dos Advogados.
Confira as chapas:
NATAL
Chapa 1: OAB Avançando
Presidente: SÉRGIO EDUARDO DA COSTA FREIRE
Vice-Presidente: MARCOS JOSÉ DE CASTRO GUERRA
Tesoureiro: THIAGO GALVÃO SIMONETTI
Secretário Geral: JOÃO MARIA TRAJANO SILVA
Secretário Geral Adjunto: CRISTINA DALTRO SANTOS MENEZES

Chapa 2: OAB Pra Frente
Presidente: ALDO DE MEDEIROS LIMA FILHO
Vice-Presidente: MARIA LÚCIA CAVALCANTI JALES SOARES
Tesoureiro: SUETÔNIO LUIZ DE LIRA
Secretário Geral: ROSSANA DALY DE OLIVEIRA FONSECA
Secretário Geral Adjunto: RODRIGO MENEZES DA COSTA CÂMARA

MOSSORÓ
Chapa 1: Seguir Avançando
Presidente: ALDO FERNANDES DE SOUSA NETO
Vice-Presidente: JONAS FRANCISCO DA SILVA SEGUNDO
Tesoureiro: CLEILTON CÉSAR FERNANDES NUNES
Secretário Geral: IATA ANDERSON FERNANDES
Secretário Geral Adjunto: CIBELE LIMA PINHERIRO GADELHA

Chapa 2: OAB Renovação
Presidente: AURINO BERNARDO GIACOMELI CARLOS
Vice-Presidente: THIAGO JOSÉ RÊGO DOS SANTOS
Tesoureiro: ALEXANDRE MAGNO FERNANDES DE QUEIROZ
Secretário Geral: DENYS TAVARES DE FREITAS
Secretário Geral Adjunto: MARIA DO CÉU DA COSTA RÊGO DE MELO


CAICÓ
Chapa 1: OAB FORTE E PRESENTE
Presidente: ROBERTO LINS DINIZ
Vice-Presidente: FABIANA DE SOUZA PEREIRA
Tesoureiro: JOÃO PAULO PEREIRA DE ARAÚJO
Secretário Geral: VALDERI QUEIROZ XAVIER
Secretário Geral Adjunto: JURACI MEDEIROS FILHA
Suplentes: ADEVÂNIA SOARES DE AZEVÊDO
RAQUEL PEREIRA GURGEL SILVA DE OLIVEIRA

Chapa 2: RENOVAÇÃO E ATUTIDE
Presidente: SÍLDILON MAIA THOMAZ DO NASCIMENTO
Vice-Presidente: ANESIANO RAMOS DE OLIVEIRA
Tesoureiro: MARLIANY PINHEIRO DE SIQUEIRA SANTOS
Secretário Geral: TADEU NICODEMUS SILVA
Secretário Geral Adjunto: ELOY JOSÉ SILVA
Suplentes: SILVANA MARIA DE AZEVEDO
                    JOELMA DA SILVA ALVES

ASSU
Chapa Única: POR UMA NOVA ORDEM
Presidente: IVANALDO PAULO SALUSTINO E SILVA
Vice-Presidente: MICHELLY GONDIM SOUZA
Tesoureiro: CLEZIO DE OLIVEIRA FERNANDES
Secretário Geral: DANIELLE SOUSA VIEIRA DINIZ
Secretário Geral Adjunto: MANOEL ALVES FONTES
Suplentes: PEDRO BEZERRA DA COSTA
                   JOSÉ ARLINDO DA CUNHA

PAU DOS FERROS
Chapa Única: COMPROMISSO E UNIÃO
Presidente: FRANCISCO DE ASSIS CORREIA RÊGO
Vice-Presidente: UBALDO LOBO BEZERRA DE QUEIROZ
Tesoureiro: JOSEFA DANTAS DE PAIVA JALES
Secretário Geral: JOSÉ OSMAN DE CARVALHO
Secretário Geral Adjunto: FRANCISCO GOMES DE MANIÇOBA
Suplentes: JOSÉ ERIBERGUE FERNANDES
                     FRANCISCOGENILSON DA SILVA

MACAU
Chapa Única: OAB MAIS PRESENTE
Presidente: JULIANA COSTA BEZERRA MADRUGA
Vice-Presidente: DANIELLY BARBOSA MACEDO LEONEZ
Tesoureiro: MARCIA MARIA DINIZ GOMES TARGINO
Secretário Geral: EINSTEIN ALBERT SIQUEIRA BARBOSA
Secretário Geral Adjunto: JORGE LUIZ BATISTA DA SILVA
Suplentes: MARC ALFONS ADELIN GHIJS
                     TILSON MADRUGA DE LUCENA

CURRAIS NOVOS
Chapa Única: PONTO DE PARTIDA – COM RESPEITO ÀS PRERROGATIVAS DO ADVOGADO, ÉTICA E CIDADANIA
Presidente: JOSÉ MARIA RODRIGUES BEZERRA
Vice-Presidente: CAIO TÚLIO DANTAS BEZERRA
Tesoureiro: BRUNO CÉSAR DE MEDEIROS DANTAS
Secretário Geral: KELSIANE DE MEDEIROS LIMA
Secretário Geral Adjunto: NOÉ GALVÃO DE BARROS
Suplentes: LOURIVAL RANGEL FILHO
                     TAÍSE SAIONARA DE MEDEIROS

ELEIÇÕES OAB/RN
Data: 19 de novembro de 2012
Horário: 9h às 17h
Quem vota: Advogados inscritos na OAB/RN e que estejam adimplentes até 19 de outubro de 2012
Local: NATAL – Centro de Convenções,  Avenida Senador Dinarte Medeiros Mariz, s./nº - Via Costeira  Natal – RN e nas sedes das Subseccionais emMOSSORÓ - Rua Duodécimo Rosado, 1125 - Nova Betânia; CAICÓ - Rua Umbelino França, 43 - Centro; MACAU - Rua São Vicente, 100 - Porto São Pedro - Macau/RN; PAU DOS FERROS - Rua Respicio José do Nascimento, 539 — Princesinha do Oeste; ASSU - Rua Dr. Luiz Carlos, 4085, Novo Horizonte; e em CURRAIS NOVOS -  Prédio da CDL,  Av. Silvio Bezerra de Melo, 819.


CARLOS GOMES E A HISTÓRIA DA OAB-RN
Por Franklin Jorge I Transcrito do NOVO JORNAL
O professor Carlos Roberto de Miranda Gomes deu-nos
uma história da OAB/RN pacientemente pesquisada,
criteriosa e dinâmica, modestamente classificada
pelo autor como alguns “traços e perfis” que
lemos com curiosidade e crescente satisfação.
Uma obra que ressalta, sobretudo, a isenção do
autor ao tratar assuntos dos quais foi participante.
“Traços e perfis da OAB/RN” não se apresenta
como um relatório frio e insípido; é obra que coloca
o leitor em sintonia com a criação, as vitórias e
derrotas de uma instituição que faz história e tem
honrado, em momentos cruciais da vida do país,
o espírito democrático, representado por sua
advocacia dos direitos populares, e configurado em
seu empenho em prol da democracia e da sociedade
brasileira.
Carlos Gomes empresta sua alma a esse livro,
para decantar a crônica da OAB/RN, da qual foi
presidente e contribuiu para o seu engrandecimento,
fazendo-se respeitado e reconhecido por seu
trabalho, assim descrito por Glênio Aquino de
Andrade, nas orelhas da respectiva obra:
 “(…) Eleito Presidente manteve a eficiência de
sempre e deu o melhor do seu desempenho, de
modo a permitir que os anseios da classe dos
advogados fossem ao encontro das respostas”.
“Traços e perfis da OAB/RN” enfoca com
discernimento e calor humano, criação e história;
vitórias e derrotas de uma trajetória de luta,
desde o seu surgimento, em 1932, e sua subsequente
crônica cheia de vida.
Carlos Gomes escreve seu livro com o
compromisso de resgatar a história do
ostracismo e prestar tributo a uma instituição
que se amplia. Escreve-o, sobretudo, com
o prazer de contribuir para o registro da história,
ao dar-nos “Traços e perfis da OAB/RN” –
titulo despretensioso para essa caudal de
informações que se tornam necessárias aos
pesquisadores do futuro e demais interessados
na história de Natal e de suas instituições.
Carlos Gomes radiografa a seção local da Ordem
dos Advogados do Brasil. Reputo-a sua melhor obra.
Seus perfis delatam a curiosidade pelo pormenor
 biográfico. Assim ficamos sabendo que o
primeiro presidente da OAB/RN, Francisco
Ivo Cavalcanti, tornou-se conhecido desde
moço como “Mestre Ivo”, por dominar o português,
o francês, a álgebra… Personagens que
conhecemos de outras leituras, reaparecem,
fazendo parte da história dessa casa cidadã.
A OAB/RN encontrou no professor Carlos Gomes
o seu biógrafo ideal. Um biógrafo que se compraz
em ser fiel.

domingo, 18 de novembro de 2012


POEMAS DO SENTIMENTO COTIDIANO

(apropósito das declarações do Ministro daJustiça, José Eduardo)

BALADA DO CÁRCERE DE READING
                       
OSCAR WILDE
                        Parte 5, estrofes 1, 2, 3 e 4.

            Não sei se as leis são justas ou injustas,
            Nós que jazemos na prisão,
            Tudo quanto sabemos é que é forte
            Essa muralha que a circunda;
            E que igual a um ano é cada dia,
            Ano de dias infindáveis.
            Mas o que sei é que todas as leis,
            Pelo homem feitas para os homens
Dês que o primeiro seu irmão matou
E deu início ao triste mundo,
O trigo espalham e retêm a palha
Com seu crivo de malefícios.
Eu sei também – e quão sábio seria
Que o mesmo cada qual soubesse
Que é feita de tijolos de ignomínia
Toda prisão que os homens erguem,
Com grades para o Cristo não ver como
O homem mutila seu irmão.
Essas grades a lua amável mancham
E escurecem o sol bondoso;
Bem fazem no esconder o seu inferno
Pois nele coisas se praticam
Que nem Filho de Deus ou Filho de Homem
Jamais devia contemplar.  



BORBOLETA INFITETA

Natal já foi mais bela
em gestões passadas
haviam as ruas limpas
árvores iluminadas
dava gosto de sair
para curtir as noitadas

A lagarta se fez
borboleta tão má
maltratando o povo
todo dia sem pará
deixando faltar tudo
só lixo a aumentar

Agora tudo é feio
borboleta sujou
as praças e as ruas
nada lhe escapou
batendo suas asas
Natal desmoronou

São tantas as mentiras
que doem em nossa alma
até quem já morreu
tem medo da danada
de perturbar o sono
de forma desvairada

Nunca teve Natal
este cartão postal
sujo e fedorento
mísera capital
governada por mosca
vetor de funeral

Tá findando seu tempo
prefeita infernal
que fez do paraíso
uma desgraça total
atingindo o povo
que não lhe fez nenhum mal.

(Mané Beradeiro)



 FAZER OITENTA ANOS É FÀCIL
MilaRamos

Na verdade, não percebi diferença nenhuma de ontem, com 79, para hoje. As diferenças veem de longe.
Veem do tempo em que eu gostava sair – e tinha companhia para isso.
Veem do tempo em que, para ver um bom filme, eu precisava sair de casa.
Veem de quando eu gostava de comprar roupa nova, de fazer dieta e emagrecer, de arrumar o cabelo, de usar salto alto...
As diferenças veem chegando aos poucos e a gente nem se dá conta.
O primeiro choque chega com a aposentadoria, mas doeu pouco porque logo fui chamada por pessoas que confiavam em mim aos 60 anos, para um árduo trabalho cultural. Consegui realizá-lo.
E parei de jogar, segundas animadas com a Vada, a Mariza, a Hilda - depois a Iara.
Depois, assumi com prazer e orgulho, uma página semanal em a Notícias do Dia e fiz leitores a mil. Quando cansei, pedi pra sair, deixando, segundo a Direção do Jornal, as portas abertas. Às vezes, volto lá.
Depois disso, comecei a não sair de casa. E ainda pago para ficar aqui.
Sou dona da minha vida, não sei até quando. Cuido da minha saúde, vou aos médicos sozinha, ao banco, ao supermercado, à livraria. E só. À Igreja, quando posso ir à tarde, pois que minhas Igrejas de Nossa Senhora de Fátima e de Santo Antônio, às vezes, celebram Missa à tarde.
Aos domingos, minha fé fica ao encargo do Divino Pai Eterno e Ele vem aqui em casa.
Não vou mais a festas. Nem a enterros.
Não acho graça em nenhum dos dois.
Adoro que venham aqui as pessoas gostam de mim.
Minha casa me sustem, meu jardim me encanta, meu escritório é meu mundão. Ele preenche-me de quase tudo o que ainda necessito : zelar pela minha memória que é muito boa, graças a Deus. Não digo ótima porque, de repente, falta-me o nome de alguém ou de algo, uma palavra que tem o significado exato para o que quero dizer ou escrever. Aí, um sinônimo e salvai-me Santo Aurélio.
Minha leitura sempre me levantou a alma e hoje é meu passatempo maior. Vivo alimentada por excelentes autores, alguns atuais, outros mais antigos, mas todos muito, muito bons.
E o computador preenche-me todo o espaço livre ( benditos GBs) e leva-me para perto de quem está longe, mas vive no meu coração.
Fácil assim: ninguém muda por dentro, a gente é sempre a mesma, bonita ou feia, mesmos anseios, mesmos amores, aqueles defeitos de sempre, grandes ou pequenas alegrias.
Pessoas somem da nossa vida, outras chegam, sempre dando-nos motivos para que a vida siga igual, com alegrias, enxaquecas, gripes e dores. Mas passa: a gente sentia dores quando tinha 20 ou 50.
E revivemos surpreendentemente, mesmo aos 80 anos.
E envelhecer é um processo impercebível, graças a Deus.


BENDIZER

Odúlio Botelho Medeiros (madrugada do dia 05.09.12)

BENDIGO o dia que amanhece com os seus raios de vida e calor.
BENDIGO a fé nas alturas que alimenta e nutre o espírito
BENDIGO a virtude que educa e fomenta a paz
BENDIGO a amizade que semeia o bem e enaltece a gratidão
BENDIGO o perdão que dignifica os gestos e alcança a alma
BENDIGO a família que fortalece o ânimo e afasta a solidão
BENDIGO o amor que motiva e transborda as fibras do coração
BENDIGO a Deus que é a razão maior da existência

O MESMO SENTIMENTO

LEIO NO POEMA  AS POMBAS, de Raimundo Correia:

                “no azul da adolescência as  asas voltam,
                Fogem... Mas aos pombais  as pombas voltam,
                E eles aos corações não voltam mais..

LEIO NO POEMA INFÂNCIA, de Paulo Mendes Campos:

                “Tínhamos pombas que traziam tardes

                Meigas quando voltavam aos pombais;

                Voaram para a morte as pombas frágeis

                E as tardes não voltaram nunca mais.”


Comentário: Distantes no tempo e no espaço os dois poetas exploram o mesmo tema e o mesmo sentimento. Beleza pura. (Ciro José).