terça-feira, 5 de junho de 2012

A APOSENTADORIA DO DESEMBARGADOR CAIO ALENCAR E O QUINTO CONSTITUCIONAL
Carlos Roberto de Miranda Gomes, advogado e escritor

A sociedade potiguar lamenta a aposentadoria do Desembargador Caio Alencar, pela lacuna aberta em nosso Tribunal de Justiça em um momento tão difícil e onde ele ofereceu,com honra e competência, cerca de 30anos da sua vida.

Sóbria foi a tônica da sua despedida, coincidindo com a postura que marcou todo o tempo de judicatura, o que não evitou a notoriedade do momento, mercê do brio do seu comportamento como magistrado, dando mostras sobejas de senso de justiça e independência, marcando o seu nome nos anais da história daquela Casa Centenária.

Agora tem início outra batalha - quem o substituirá, dentro da vaga oriunda do quinto constitucional o que, para uns, pertencerá à classe dos advogados, que até então estava em desvantagem numérica, enquanto para outros, a vaga é definida pela origem de quem foi o último a ocupá-la.

A imprensa relata que o TJ/RN está dividido e o assunto ganhará maior vulto na próxima reunião plenária, a primeira após a aposentadoria do Desembargador Caio Alencar.

Numa leitura inicial, registramos que a figura do "quinto Constitucional" surgiu na Constituição Federal de 1934, que inovava a anterior via única de ingresso reservado aos integrantes da carreira de Magistratura, o concurso público. A novidade foi adotada pelo art. 104, parágrafo 6 º, daquela Carta, assim prescreveu:

"Na composição dos Tribunais superiores serão reservados lugares, correspondentes a um quinto do número total, para que sejam preenchidos por advogados, ou membros do Ministério Público de notório merecimento e reputação ilibada, escolhidos de lista tríplice, organizada na forma do § 3º".

O novo critério foi mantido nas constituições subsequentes de 1937 à vigente, de 1988, que lhe deu foros definitivos, in verbis:

“Art. 94. Um quinto dos lugares dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais dos Estados, e do Distrito Federal e Territórios será composto de membros, do Ministério Público, com mais de dez anos de carreira, e de advogados de notório saber jurídico e de reputação ilibada, com mais de dez anos de efetiva atividade profissional, indicados em lista sêxtupla pelos órgãos de representação das respectivas classes.

Parágrafo único. Recebidas as indicações, o tribunal formará lista tríplice, enviando-a ao Poder Executivo, que, nos 20 dias subseqüentes, escolherá um de seus integrantes para nomeação.”

O texto constitucional, ao longo do tempo, causou dificuldades em se garantir a paridade consagrada pelo legislador, até que, com a edição da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Lei Complementar nº 35, de 1979), foi regulamentada a matéria ao dispor em seu art. 100, parágrafo 2 º da LOMAN, in verbis:

"§ 2º. Nos tribunais em que for ímpar o número de vagas destinadas ao quinto constitucional, uma delas será, alternada e sucessivamente, preenchida por advogado e por membro do Ministério Público, de tal forma que, também sucessiva e alternadamente, os representantes de uma dessas classes superem os da outra em uma unidade."

Com essa determinação ficou assentado eficientemente o princípio do "quinto constitucional", a partir do momento em que privilegia a paridade e a alternância entre as classes envolvidas, garantindo o equilíbrio de oportunidades entre integrantes da OAB e do MP, seja na igualdade absoluta, quando o número de integrantes for par ou, privilegiando a categoria que estiver momentaneamente em desvantagem.

Casuística do STF:

“Tribunal Regional Federal. Composição. Quinto constitucional — "Número par de juizes. CF, art. 94 e art. 107, I. LOMAN, Lei. Compl. 35/1979, art. 100, § Nomeação de Juiz do quinto constitucional: ato complexo de cuja formação participam o Tribunal e o Presidente da República: competência originária do SupremoTribunal Federal. A norma do § 22do art. 100 da LOMAN, Lei Compl. n. 35/1979, é aplicável quando, ocorrendo vaga a ser preenchida pelo quinto constitucional, uma das classes se acha em inferioridade na composição do Tribunal. No preenchimento, então, dessa vaga, inverter-se-á a situação: a classe que se achava em inferioridade passa a ter situação de superioridade, atendendo-se, destarte, ao princípio constitucional da paridade entre as duas classes, Ministério Público e advocacia" (STF, MS 23.972, Rei. Min. Carlos Velloso, D) de 29-8-2001). Precedente: STF, MS 20.597/ DF, Rei. Min. Octavio Gallotti, RT), 120:75.”

No mesmo sentido manifestou-se o insigne Ministro Jorge Mussi, Superior Tribunal de Justiça:

“...quando for ímpar, procede-se ao critério de alternância, independentemente da classe de origem, resultando que, em determinado momento histórico, uma das classes ficará com maior número de desembargadores;”

No entanto, quando se tratar de quinto constitucional, em Colegiado com número ímpar decorrente de criação de nova vaga é que existem interpretações diferenciadas, que vêm tumultuando a escolha do representante legal, adotando-se, nessas ocasiões, uma linha exegética que,em meu sentir, não condizem com a ideia original. Vejamos:

“quando a criação de um novo cargo de Desembargador ensejar um número ímpar de membros reservados ao quinto constitucional, surgem quatro alternativas:

a) aplicação da regra da alternância tendo em vista a última nomeação; b) aplicação da regra da alternância tendo em perspectiva a composição imediatamente anterior, antes do número se tornar par; c)aplicação da regra da sucessividade, de molde a manter a nomeação de acordo com o primeiro provimento; d) e uma quarta, ainda, de se levar em conta o histórico da composição do Tribunal.

No caso da hipótese da alínea ‘c’, iniciando a nomeação por uma classe, as vagas decorrentes do número ímpar serão preenchidas por pertencentes a essa mesma classe, destinando-se as relativas ao número par aos da classe distinta.

E, quanto a esta última hipótese, a alínea ‘d’, não parece demais afirmar que esta decorre do que restou decidido no julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça do Recurso em Mandado de Segurança n. 24.992-GO, Quinta Turma, Relator Ministro Jorge Mussi (j. 18.12.2007, DJU de 17.03.2008).”

Essas hipóteses estão fora do caso do Rio Grande do Norte, porquanto a vaga não decorre de criação nova, mas da composição natural. Há, todavia uma outra grande preocupação – a escolha da lista sêxtupla dos advogados, em um pleito direto, razão pela qual, os advogados eleitores devem tomar todas as precauções para a seleção de nomes capazes de honrar a Classe, sem a nefasta injunção política, que não deve prevalecer em se tratando de cargo do Judiciário.



RETRATOS INGLESES
postado por O Santo Ofício
junho 4, 2012
Por Marcelo Alves Dias de Souza
Charles Dickens (1812-1870) tem sido assunto frequente nos meus escritos, seja em citações periféricas, como em “Os esnobes do Direito”, seja em crônicas inteiramente dedicadas a ele, como são os casos de “Charles Dickens e o Direito” e “Dickens é preciso?”. Nada mais justo, acredito, para com o mais afamado dos romancistas ingleses, o autor de “The Pickwick Papers”, “Oliver Twist”, “Nicholas Nickleby”, “The Old Curiosity Shop”, “Christmas Carol”, “David Copperfield”, “Bleak House”, “Hard Times”, “Little Dorrit”, “A tale of Two Cities” e “Great Expectations”, para mencionar apenas os seus mais badalados títulos.

Desta feita, decidi homenagear o grande romancista – nascido em Portsmouth, mas que, ainda garoto, se mudou para Londres – no título do meu novo livro: “Retratos ingleses”. Para quem não sabe, Dickens é autor de um livro chamado, na tradução brasileira da Editora Record (2003), “Retratos londrinos” (no original em inglês, “Sketches by Boz”). E assim como os meus “Retratos”, os “Retratos” de Dickens são, também, uma coletânea de artigos/crônicas, com a diferença, claro, de serem obra de um gênio.

E se homenageio o criador de “Oliver Twist” e “David Copperfield”, o faço não só pela qualidade da sua obra, mas também porque seus retratos/crônicas londrinos têm sido para mim um motivo de inspiração, para não dizer, às vezes, de imitação. Se, em Londres, “As carruagens de aluguel e suas estações” da era vitoriana já não são mais vistas, “O amanhecer nas ruas”, na grande capital do Reino, ainda encanta um visitante como eu. “O rio” de Dickens é o mesmo Tâmisa por onde, margeando suas águas, quase todos os dias caminho. Outro dia, seguindo um de seus retratos/crônicas, fui visitar “O Scotland Yard”, não o prédio atual da famosa polícia, mas a rua onde outrora essa força pública estava sediada. E mais ao norte dessa via, fui xeretar o animado comércio e confirmei muitas das impressões de Dickens “Sobre lojas e lojistas”. Se não frequento os “Jantares públicos” dos tempos de Dickens, procuro, quando posso, ir à busca dos “Divertimentos londrinos” dos seus “Retratos” nas tardes e noites da Bloomsbury, da Holborn e da Covent Garden de minha predileção.

Mas Dickens não tem sido apenas um companheiro de passeios e divertimentos. Também nas minhas aventuras jurídicas, como deixei entender em “Charles Dickens e o Direito” e “Dickens é preciso?”, o autor de “Christmas Carol” e “Bleak House” tem sido um bom guia. Aliás, foi na primeira dessas duas crônicas que registrei haver tido Dickens considerável formação jurídica, tendo trabalhado, segundo seus biógrafos, como ajudante em escritório de advocacia, clerck (no direito inglês, uma espécie de escrivão) e repórter judiciário. Em “Retratos londrinos”, a crônica “Doctor’s Commons” é um exemplo perfeito da mais fina ironia jurídica. O título é uma referência à antiga faculdade de Direito e, dos séculos XVI ao XIX, sede das cortes civis de Londres que, segundo destila Dickens, “tornou-se famosa como o lugar onde se tira a licença para que casais apaixonados possam se casar e onde todas as infidelidades terminam em divórcio”. E nela Dickens nos leva para passear pelo mundo do direito de família e das sucessões. Damos de cara com manifestações de bem-querer e, sobretudo, de desafeto. Com ciúmes e vinganças, com o amor desafiando e o ódio sobrevivendo até mesmo ao espetáculo da morte. Ali, poucos são os exemplos da nobreza da alma; muitos, os retratos das piores paixões da natureza humana. Já na crônica “A paciente do hospital”, Dickens visita o mundo do direito criminal. Ele nos conta o caso de uma “Maria de Penha” vitoriana que, no leito de morte, após duramente espancada pelo amante, por amor, deixa de reconhecê-lo, perante o diligente magistrado, como seu criminoso agressor. E, por incrível que pareça, tudo isso é relatado suavemente – às vezes, divertidamente, pode-se dizer – na pena do grande cronista.

Bom, para mim, os poéticos “Retratos” de Dickens têm sido um guia completo da capital do Reino. Mas já ficarei satisfeito se os meus “Retratos” forem para você, caro leitor, um bom começo de jornada, seja para conhecer um pouco do direito inglês, seja como motivo para frequentar os sebos da grande cidade em busca de outros Dickens ou de Shakespeare, de Shaw ou de Chesterton, de Conan Doyle ou de Ian Fleming, de Agatha Christie ou de Hitchcock. Nem que seja apenas para uma simples caminhada pela Londres de minha afeição.

Sim, já ia esquecendo: farei o lançamento dos meus “Retratos ingleses” no Solar Bela Vista, no dia 06 de junho de 2012 (a próxima quarta-feira), às 19 horas. Você está convidado.
______________
.Marcelo Alves Dias de Souza é Procurador Regional da República, Mestre em Direito pela PUC/SP e Doutorando em Direito pelo King’s College London – KCL



segunda-feira, 4 de junho de 2012

Edital Lei Câmara Cascudo para o período de agosto de 2012 a julho de 2013.


A criação do Fundo Estadual de Cultura (FEC) e a adesão do Rio Grande do Norte ao Sistema Nacional de Cultura (SNC) levaram, obrigatoriamente, a algumas adequações na Lei Câmara Cascudo, a fim de aumentar o alcance, dimensionamento, e democratização dos incentivos para as produções da cultura norterriograndense. Após o acatamento das sugestões, o primeiro passo é o lançamento do Edital Lei Câmara Cascudo, com prazo de inscrição dos projetos de 01 de junho a 31 de julho de 2012, para propostas que compreendam o período de julho de 2012 à agosto de 2013.

Visando as melhorias e necessidades peculiares ao nosso Estado, a Secultrn/FJA e os membros da Comissão da Lei Câmara Cascudo, em suas últimas reuniões, debateram, levantaram as demandas e chegaram a algumas conclusões que ensejaram nas sugestões de mudanças no funcionamento da lei de incentivo por renúncia fiscal, baseadas e influenciada pelas discussões nacionais, pelos parâmetros já propostos na política do MINC, que beneficiarão de forma mais direta e ética, respeitando as linguagens e expressões da cultura potiguar. Após consulta pública, tais mudanças foram publicadas no Diário Oficial do Estado.

Dentre as mudanças está a inclusão da renúncia fiscal no Orçamento Geral do Estado. Isto é, os recursos que a Lei Câmara Cascudo disponibiliza para cada exercício serão incluído no OGE, assunto já tratado com a Governadora Rosalba Ciarlini e as Secretarias de Planejamento e Tributação. Com isso, não haverá mais a necessidade de espera no início de cada ano para se conhecer os valores a serem captados e trabalhados, permitindo aos artistas um planejamento antecipado em ao menos seis meses, e tornando o fluxo de captação praticamente contínuo. Além disso, no intuito de agilizar as aprovações de um maior número de projetos, o prazo de entrega das inscrições passará a ser menor, fazendo com que a Comissão possa compatibilizar as demandas das diversas linguagens e aumentar o leque dos projetos que receberão incentivos da lei.

Para o Edital Lei Câmara Cascudo os recursos disponibilizados para a captação foram fixados na renúncia fiscal anunciada pelo Governo do Estado no DOE, no valor de R$ 6 milhões, mediante conjunção do Poder Público Estadual e recursos particulares. E, os projetos apoiados estarão nas áreas de artes cênicas, plásticas e gráficas; cinema e vídeo; fotografia; literatura; música; artesanato, folclore e tradições populares; museus; bibliotecas e arquivos; e, patrimônio cultural, material e imaterial.

Ainda: seguindo a tendência nacional das leis de incentivo, novas recomendações passarão a ser observadas – a principal, que não serão mais aceitos quaisquer projetos cujos responsáveis tenham algum vínculo com a administração da Fundação José Augusto ou com a Comissão da LCC, já a partir do edital desse ano.

Tais mudanças não provocarão nenhuma alteração nos projetos aprovados no ano de 2011 ou mesmo naqueles em tramitação, que poderão continuar normalmente o processo de captação.

O Edital Lei Câmara Cascudo está disponível no site da Secultrn/FJA (www.cultura.rn.gov.br), no link Editais Abertos.

Para contatos de entrevistas:
Conselheiros da Lei Câmara Cascudo:
Isaura Rosado – Secretária Extraordinária de Cultura - 84 8137-2043 -isaurarn@gmail.com
Danielle Brito - 84 8701-0057 - daniellebrito@uol.com.br
Paulo Sarkis - 84 9983-3343 - paulosarkis@gmail.com
Francisco Alves Sobrinho - 84 9149-1553 - eventosbr@yahoo.com.br
Denise Barcelos
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“Camerata de Vozes do RN” tem seu concerto de estreia nessa terça-feira, 05 de junho


Da comunhão da literatura com a música surgiu na Itália, incentivadas por um conde, mais especificamente em Florença, o melodrama e as Cameratas, um encontro de músicos e literatos. E no dia 05 de junho o Rio Grande do Norte passará a ter sua própria Camerata de Vozes, regida pelo Monsenhor Pedro Ferreira, que fará seu primeiro concerto no Instituto Maria Auxiliadora, às 20h.

Idealizada e composta pelo Monsenhor Pedro, que em muito contribui com a história coralista do RN – criador da Banda Sinfônica da Universidade, Coral Canto do Povo e outros, a Camerata de Vozes do RN “foi concebida para proporcionar ao público outro gênero de música e apresentações, tendo sua origem nas raízes das cameratas italianas”, explica seu regente. O grupo é composto por 34 membros selecionados pelo próprio regente, dissidentes de outros grandes grupos do Estado, e apoiada pela Secretaria Extraordinária de Cultura e Fundação José Augusto. Em seu repertório trabalhará composições variadas, passando pela música sacra, afro-americanas e brasileiras.

Como o próprio Monsenhor Pedro destaca, a Camerata é um grupo mais selecionado e com número de componentes mais reduzidos, que permite trabalhar não somente as músicas para as apresentações, como vai a fundo no estudo e aprendizado estrutural das músicas que compõem seu rico repertório. E, as performances variam entre vocal, instrumental e declamação, trazendo à tona a junção dos músicos e literatos, por meio dos melodramas. O repertório vai ao cerne da música como expressão e tradução máxima da sua dimensão espírita de silencia, sons e sentido, da criação à linguagem e transformação dos sentidos. Assim, as cameratas permitem apresentações em locais menores, diferentemente de grandes grupos e orquestras.

Além da apresentação de abertura desta terça-feira, 05 de junho, no Instituto Maria Auxiliadora, a Camerata de Vozes, que ensaia no Memorial Câmara Cascudo, fará concertos nos dias 10 de junho, na Igreja Santa Terezinha, às 20h; no dia 18 de junho, no Seminário Maior de Natal com aula sobre polifonia com ilustração para alunos do curso de Teologia; e, no dia 20 de junho, concerto com apreciação musical em Emaús, Parnamirim. E, a Camerata de Vozes já está confirmada como uma das atrações de abertura do Agosto da Alegria – Festa À Deífilo.

Informações e entrevista com Monsenhor Pedro Ferreira – 84 9982-8382.

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domingo, 3 de junho de 2012


CIRO TAVARES EM QUATRO TEMPOS

ECLIPSE CREPUSCULAR
Ciro José Tavares


Apenas um banco de madeira apodrecida


abandonado no silêncio da morte vespertina,


a cortina da dor tecida pelas Parcas


pendia em farrapos sobre a solidão dos pórticos.


Os cordões da hera úmida pareciam tentáculos


presos às paredes gastas do soturno casarão.


No pátio, noite eclipsante, ritmado ruído de besouros,


o adejar sem rumo de bruxuleantes vaga – lumes.


Esquecido velho banco de madeira, folhas secas ao redor,


era tudo guardado pelo tempo.


Era vento polar, poeira no rasto cadente


da estrela absorvida na cauda da Ursa Menor.


Era tudo e nada num banco de madeira podre no jardim.



CINZAS DO PRIMEIRO DIA
Ciro José Tavares


Ninguém nas ruas sob o gris estirado no espaço,


cedo só o vento trouxe a chuva, calou o que restava


de ruídos de fogos de artifício, volatizou encantos,


deprimiu o dia na sua forma humana,


brancos de repente encardidos de sol que não surgia.


A água vergastava telhas com fúria de chicotes,


fluía pelas velhas cicatrizes temporais do teto,


caindo na mesa sobre restos das comemorações


e de bêbedos parecendo ratos anestesiados.


Os antigos, ao contrário,e seus rotos guarda-chuvas,


têm roupas encharcadas, sapatos molhados,


ofegantes pela pressa na fuga do mau tempo,


ao contornar poças e buscar proteção sob marquises.


Esse hercúleo esforço para estar diante do altar


suplicantes por uma nova aurora radiosa.


Não ouço ninguém nas ruas, só o látego da chuva


e nos templos vozes antigas repetindo: Kyrie Eleison,


ruega por nosotros Senhora Del Mar.



ÁRTEMIS SUPLICANTE
Ciro José Tavares


Dá-me teu corpo, domadora de ventos e de mim,


a ânfora de prata inundada do orvalho das manhãs,


para lavar o corpo e puro ser encantado nos mistérios.


Dá-me a chave na cor do ouro envelhecido


suspensa por fios de nuvens deitadas no teu colo


e abrirei o santuário dos teus seios escondidos.


Dá-me o sagrado alimento das ondinas,


afoga no teu leito a paixão que me devora


e abandona depois o que restou numa estrela qualquer.






HÉSTIA REDIVIVA
Ciro José Tavares


Se reclamas da terra o abandono


devolvo-te às estrelas vestida de poentes.


Suspensa no meu colo longa cabeleira,


fica para embalsamar meus sonhos mortos


e deitar no pedaço de chão onde nasceste


o resto do perfume exalado do teu corpo.


~ Amanhã serás somente esguio traço nu,


galhos que não reverdecem abertos ao espaço.


braços míticos,suplicantes diante da fornalha,


girando ao redor e devorando o tronco lentamente.

sábado, 2 de junho de 2012

JOSÉ LINS DO REGO E FOGO MORTO
postado por O Santo Ofício

junho 2, 2012
Por Antenor Laurentino Ramos

Nenhuma obra mais importante do escritor paraibano do que Fogo Morto. É, sem dúvida, seu melhor livro, a ponto de arrancar de Mário de Andrade o comentário seguinte: “Puxa, que obra prima é este fogo Morto!” Razão tinha o grande escritor paulista ao dizer isso. Quando muitos de seus críticos diziam que José Lins tornara-se repetitivo, esgotara sua veia criativa, eis que ele brinda-nos com esta obra maravilhosa. Pode ser considerada mesmo, como a síntese de seus livros anteriores, mormente aqueles que lhe estão ligados por um universo comum, o apogeu e a decadência dos engenhos de açúcar.
É o trovador trágico da província, dele disse Otto Maria Carpeaux, em toda trama romanesca linsdoreguiana, um sentimento de tristeza e de desmoronar. É o que faz do autor de Menino de Engenho, universal e regional, ao mesmo tempo, e não poderia deixar de ser, já que as duas condições nele coexistem.
Em Fogo Morto, nas três partes em que se divide o livro, os personagens padecem dos mesmos dramas. Na primeira, temos o capitão Tomas Cabral de Melo no seu apogeu açucareiro e adiante, o coronel Lula de Holanda Chacon, o seu genro, rumo à decadência e ao trágico na vida do engenho Santa Fé. Com eles, na segunda e na terceira parte, seguidamente, o seleiro Zé Amaro e o capitão Vitorino Carneiro da Cunha, senhor de engenho falido e amalucado, o Papa Rabo, a maior criação literária, talvez, do renomado escritor.
No decorrer e toda a história os três personagens vivem do mesmo drama: os sonhos de um mundo impossível que os redimissem de suas tragédias, para, no fim, só se haverem com a realidade sofrida e incerta de um futuro cruel e sem solução. Se em Jorge Amado, os personagens, mesmo a sofrer, morrem com a certeza de um mundo feliz, só assim tragicamente alcançado, com José Lins do Rego, no há final feliz; tudo os Eva a um epílogo infeliz e desde o inicio da trama, os sinais de derrota fazem-se sentir, Omo se fossem, para eles, uma espécie de premonição.
Lula de Holanda, dona Amélia e duas filhas, Neném, a dileta e Olívia, a louca, vivem da miséria de um tempo que se acabou, o da sociedade açucareira; Zé Amaro, morador do Santa Fé, espoliado pelo senhor de engenho, a viver da profissão de seleiro, sem horizonte algum de melhora na vida, a não ser que, Antonio Silvino, o cangaceiro, e Robin Hood do sertão nordestino, venha redimi-lo e salvá-lo pelo resto da vida e o capitão Vitorino, o Papa Rabo, que se pretende um herói sem alma e que, quixotescamente, enfrenta, em nome da justiça, os poderosos do Pilar e os desmandos do tenente Maurício, em defesa de um povo pobre que nele imagina seu herói. Mas terminam todos tragicamente no mesmo fim.
É com Fogo Morto que José Lins alcança o seu apogeu na arte de escrever. Sua prosa, lírica espontânea, seu universo telúrico nos envolve e nos emociona até. Somos também participantes de sua narrativa. A oralidade, dos seus escritos, o cheiro da terra, a crise existencial por que passam seus personagens, transmitem-nos, para nós, um certo ar de familiaridade. Amor não realizado, futuro incerto, uma sensação de algo de ruim vai acontecer, um sentimento de fragilidade e impotência permanentes e a ausência de remédio definitivo para os personagens, é que fazem deles, seres dicotômicos, hamletianos. Ser ou não ser, eis a questão! É o que se sente na obra de José Lins e no que toca a Fogo Morto, mais dolorosamente. Ler, portanto, este grande romance, é gozar das delícias de uma das mais belas páginas que a nossa literatura já produziu. Que pena que os nossos canais de veículos de comunicação não divulguem, amiúde, para o público, as obras de José Lins do Rego. Que belíssimas novelas ou peças de teatro não dariam Pureza, Água mãe ou Fogo Morto? Provas disso, já tivemos com Riacho Doce e Menino de Engenho que a /TV globo, há tempos, levou ao ar.
Se outro mérito não tivessem, faria mais conhecida do povo, a obra dos nossos grandes autores. Não é só Jorge Amado, Rachel de Queiroz ou Ariano Suassuna que merecem a nossa atenção na mídia. José Lins tem de sobra e da melhor qualidade, literatura para ser por nós apreciada. É pouco ainda o que se fala sobre esse admirável prosador, e ninguém melhor do que Mario de Andrade em seu livro O Empalhador de Passarinhos, dele disse: “Foi o escritor de linguagem mais saborosa e colorida que, jamais, entre nós existiu.



sexta-feira, 1 de junho de 2012

A HORA DO ESPANTO

Carlos Roberto de Miranda Gomes, advogado e escritor

Assunto extremamente incômodo, mas iniludivelmente presente à mesa do cidadão potiguar – o descaso governamental para com a saúde pública.

Em que pese o preceito constitucional contido na Carta Federal: “Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”, temos, em verdade, um verdadeiro caos no sistema de saúde pública no Estado do Rio Grande do Norte.

As manchetes se repetem na imprensa local e, além fronteiras, como hoje repetidas: “Gizelda Trigueiro pede socorro”, onde os profissionais da saúde denunciam com a forte expressão: “genocídio assistido”.

Em outro momento, os Sindicalistas pedem a interdição completa do Hospital Walfredo Gurgel, haja vista já ter ocorrido anteriormente o registro de um boletim de ocorrência, contrastando com a evidência de que o nosso Estado já vive uma epidemia de dengue, superlotação do Hospital Gizelda Trigueiro; 13.724 notificações e 31 óbitos (DN, 01/6), caderno cidades.

O médico Geraldo Ferreira diz que seus colegas de profissão ficaram escandalizados com a situação encontrada e constataram ser o Hospital Walfredo Gurgel “o pior hospital do país de urgência e emergência”.

Será que o nosso Rio Grande do Norte está fadado a alimentar as manchetes nacionais com o temário negativo de corrupção, desvio de precatórios, aumento dos casos de aides, epidemia de dengue, falta de coleta de lixo e por aí em diante?

Mais uma vez convoco a todos para uma campanha de exigir respeito à dignidade à pessoa humana e ao cumprimento dos preceitos da Lei Maior, postulando junto ao Tribunal de Contas do Estado e Ministério Público ações enérgicas para o socorro imediato da população.

Estamos num ano eleitoral diferente de todos os outros, onde o cidadão, muito mais consciente do que nas eleições anteriores, certamente não vai admitir a demagogia dos que pretendem conseguir um mandato eletivo, seja para o Executivo ou o Legislativo, exigindo transparência em suas plataformas e avaliando aquelas que sejam sustentáveis para alentar, no futuro próximo, uma melhoria da qualidade de vida do cidadão.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Vernissage da exposição fotográfica "África Selvagem" acontece amanhã na Pinacoteca


A tradução da beleza da natureza selvagem das savanas africanas, em reservas de conservação da fauna e flora nativas, localizadas nos países das regiões sul do continente africano através de fotografias produzidas pelo fotógrafo e engenheiro Ricardo Chrisóstomo, durante a primavera de 2011, será enfatizada com a exposição “África Selvagem”. A vernissage será nesta sexta-feira, 01 de junho, no Palácio Potengi – Pinacoteca do Estado, a partir de 19h30 e visitação até o dia 30 de junho.

Durante a visitação à Exposição África Selvagem os convidados irão explorar os caminhos trilhados por Ricardo Chrisóstomo durante a estadia no continente africano em 2011. O safári fotográfico iniciou no extremo sul do continente, no Cabo da Boa Esperança, seguindo para o norte, cruzando os parques nacionais sul africanos, Kruger e Pilanesberg, chegando nas regiões mais remotas de influência das tribos zulus, entre as fronteiras da Zâmbia, Zimbábue, Botsuana e Namíbia.

Além de ser uma manifestação artística, que estimula a difusão das artes visuais com aspectos culturais, a exposição também procura “sensibilizar as pessoas sobre a importância da vida animal selvagem em seu habitat natural. Portanto, tem a proposta de incentivar e atrair a visitação, principalmente, da classe estudantil da rede de ensino pública e privada, e oferecer a oportunidade de uma nova perspectiva de aprendizagem, a arte da fotografia”, enfatizou Ricardo.

O engenheiro e pós-graduado, Ricardo Chrisóstomo encontrou na fotografia uma forma de expressar, além do aspecto artístico, o lado reflexivo de temas atuais e relevantes, de caracteres sociais e ambientais, como a preservação da cultura étnica. Exemplificam a busca peculiar do fotógrafo a exposição Cores do Mundo (2009) – composta por fotos de viagens pelo mundo inteiro, e a publicação do livro Olhares do Mundo, que atraem o olhar do público por seu caráter expressivo e reflexivo.

As fotografias expostas podem ser adquiridas pelo preço unitário de R$ 75,00, que acompanham um exemplar do livro Olhares do Mundo.
Informações: Pinacoteca do Estado - Vandeci Holanda (84) 9969-6483.
Ricardo Chrisóstomo: ricardochrisos@uol.com.br

Denise Barcelos

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EDUARDO GOSSON CONVIDA PARA A MISSA DE SÉTIMO DIA DO SEU FILHO FAUSTO.


CONVITE ESPECIAL

“Por onde passares fale/a palavra apascenta”

EDUARDO GOSSON convida Vossa Senhoria e família para a Missa de Sétimo Dia do seu filho FAUSTO GOSSON que, agora, habita entre o azul e o infinito.

Espera contar com a presença de todos porque, no atual momento, é a única forma de aliviar a sua DOR.

Data: 01.06.2012 (sexta-feira)
Hora: 18h30
Local: Convento Santo Antônio, no centro da cidade

quarta-feira, 30 de maio de 2012

AGENDE-SE PARA AMANHÃ, DIA 31 DE MAIO:

"ALGUMA PRATA DA CASA"




 MANOEL ONOFRE JUNIOR


C O N V I T E

Eduardo Gosson, presidente da União Brasileira de Escritores - UBE/RN -, convida Vossa Senhoria e família para o lançamento do livro: "ALGUMA PRATA DA CASA", do confrade Manoel Onofre Júnior, Vol.I, da Coleção Bartolomeu Correia de Melo, selo editorial Nave da Palavra.

Local: Academia Norte-Rio-Grandense de Letras - ANL
Rua Mipibu, 443 - Petrópolis
Data: 31 de maio de 2012 (quinta-feira)
Hora: 18h

terça-feira, 29 de maio de 2012

 NA PRÓXIMA SEXTA, 01-06-2012, EDUARDO ANTONIO GOSSON COMPLETA 53 ANOS EM PLENO DIA DA MISSA DE 7° DIA POR SEU FILHO FAUSTO.




DR. EDUARDO ANTONIO GOSSON

Desde que fui admitida na UBE/RN (União Brasileira de Escritores do Rio Grande do Norte), logo nutri grande admiração pelo seu Presidente - Dr. Eduardo Antonio Gosson.

Homem pacato, de atitudes muito honestas, bom esposo, excelente pai e avô dedicado.

Acompanhei sua ética em relação aos seus filhos gêmeos: Thiago e Fausto (in memória), no dia-a-dia e nos momentos de apreensão onde não faltava o bom diálogo, naquelas circunstâncias preocupantes diante do maldito vicio a que se entregaram, desde o começo de suas juventudes.

E Eduardo jamais transferia os seus múltiplos problemas para ninguém, agia normalmente, com muita calma, sublimando as agruras da vida.

Jamais se queixava dessa dor que tanto mutilava sua alma. Recebia as "pancadas" da vida com uma paz infinita, como se a mão de Deus regesse seus atos e uma água pura curasse suas feridas.

No domingo, 2O de maio, a 1:45 da madrugada, Eduardo Gosson telefonou-me do Hospital Walfredo Gurgel. Estava angustiadíssimo, mas, de voz baixa e palavras amenas. Para lá seus filhos gêmeos foram levados muito doentes, após uma overdose. Ele só queria falar com alguém de sua mais ilibada confiança, e falava calmamente.

No dia seguinte, o filho Fausto, acometido de uma parada cardíaca, foi transferido para a UTI do PAPI. Ali começou o calvário do pai e do filho, este, que chegou a dizer: "papai, eu queria dormir para sempre". E esse pai sentiu a dor do filho nessas palavras e ali permaneceu como podia, pelos corredores, sentado em cadeiras, olhando o filho nas horas de visitas.

Finalmente, no sábado passado, 26 de maio, às nove horas da manhã, seu filho morreu, como havia desejado, após longos anos de sofrimento pelo cruel vício.

Só pudemos velar o seu corpo após às 20 horas, no centro de velório da Rua São José, onde familiares, amigos, escritores da UBE e de outras entidades lá estiveram.

Mas, para mim, pessoalmente, não conseguirei esquecer o olhar daquele pai diante do filho morto. Não poderei esquecer o quanto Eduardo Gosson queria cantar a oração de São Francisco de Assis, mal conseguindo forças para ficar de pé. Foi ali que eu escrevi em minha mente e no meu coração, a canção de ninar Fausto Gosson, publicada neste blog.

Deus lhe recompense homem bom, decente, fiel aos seus princípios morais, religiosos, éticos e sociais.
Deus lhe dê muitos anos de vida! Você é uma lição!

NOTA: LOCAL, HORA E DATA DA MISSA SERÃO DIVULGADOS BREVE.
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Fonte: Blog de Lúcia Helena - terça-feira, 29 de maio de 2012


EDITAL APOIO AOS NOVOS DA ARTE 2012/2013 se encerram dia 01 de junho

O Edital Apoio aos Novos da Arte, aberto pela Secultrn/FJA, selecionará 24 propostas de espetáculos nas áreas de teatro, poesia, dança e humor, incluindo-se também projetos correlatos oriundos de escolas da rede pública e privada do Rio Grande do Norte. Os Novos da Arte deverão se apresentar sempre nas primeiras terças-feiras de cada mês, no Teatro Alberto Maranhão,a partir de julho deste ano até julho de 2013. As inscrições podem ser feitas até dia 1º de junho de 2012. O resultado está previsto para o dia 8 de junho. Os grupos serão isentos da pauta e terão à disposição som e luz.

Informações no site da Secultrn/FJA (www.cultura.rn.gov.br, no link Editais Abertos).

Att,
Denise Barcelos
Assessoria de Imprensa: 84 3232 5321 / 8137 2047
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Secultrn/FJA divulga: Agentes de Leitura - processo seletivo em curso

O processo de seleção dos 550 bolsistas para o programa “Agentes de Leitura”, do Governo do RN/MINC, Secretaria Extraordinária de Cultura/FJA, cumpriu com êxito, no domingo, 20 de maio, a primeira etapa: prova escrita nos 41 municípios pertencentes à área de cobertura do projeto.

Nessa primeira etapa, dos 1.928 candidatos que estavam aptos (2.179 pleitearam inscrições), apenas compareceram para realizarem provas escrita 1.345 candidatos. Foi registrado um índice de evasão de 30,03%. Nos municípios de Mossoró, São Gonçalo do Amarante e Natal o comparecimento foi inferior ao número de vagas disponíveis.

Estimular a leitura junto às famílias de baixa renda e nos aglomerados de maior vunerabilidade social, é o objetivo dos Agentes de Leitura, programa a ser implantado em 41 municípios potiguares. 550 agentes receberão bolsas para a realização desta tarefa.

As provas elaboradas pela Cátedra UNESCO de Leitura (PUC/RJ), será corrigida pela empresa CKM Serviços Ltda, de São Paulo, ganhadora da Licitação realizada pela Secretaria Extraordinária de Cultura/FJA.

A próxima etapa do processo seletivo consta de uma prova oral a ser realizada entre os aprovados na etapa escrita. A Secretaria de Cultura/FJA esta adquirindo 50 mil títulos já selecionados, dentre a literatura universal, nacional, regional e potiguar, para a implementação do programa que vai levar livro e leitura para mais de 15 mil famílias em 41 municípios do Rio Grande do Norte, com o objetivo de melhorar os índices de leitura no estado e no país.

Denise Barcelos
Assessoria de Imprensa: 84 3232 5321 / 8137 2047
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Deu no Blog Diário do Tempo


Livro em homenagem a Nei Leandro de Castro [LANÇAMENTO HOJE]

O auxiliar de serviços correlatos da Urbana e graduado em Letras, Thiago Gonzaga, lançará na próxima terça-feira o livro Nei Leandro de Castro – 50 Anos de Atividades Literárias, em homenagem ao autor de As Pelejas de Ojuara.

O lançamento será realizado no Solar Bela Vista, às 18h. Na ocasião do lançamento do livro, o próprio Nei Leandro estará presente e, junto aos autores, autografará a obra em sua homenagem.

Thiago contou com a parceria de outro funcionário da Urbana, Luis Pereira da Silva, que trabalha nas máquinas roçadeiras e é formado em História. Após esforço, leitura e pesquisa, a dupla reuniu informações, depoimentos e imagens sobre Nei Leandro.

Além das pesquisas acadêmicas e do livro que será lançando com o colega Luis, Thiago também atualiza o blog 101 livros do RN que você precisa ler (http://101livrosdorn.blogspot.com.br).



O novo sorriso de Chico

29 de maio de 2012
Por Lívio Oliveira

(foto: divulgação)

É uma injustiça tremenda buscar transformar Chico Buarque de Hollanda, a cada novo lançamento de um CD (e show correspondente) ou livro de sua autoria, em novo representante maior da mediocridade artística brasileira. Injustiça e crueldade desmedidas é o que se faz nessas situações. Talvez se explique por exacerbada inveja ou por outros motivos de natureza obscura.
Os críticos que agem assim, invariavelmente o fazem movidos por uma análise menor, sem generosidade e sem verificar as nuances específicas da obra nascida, considerada – e deveria sempre ser vista por este ângulo – em si mesma. Fazem, talvez, na pressa inútil de destronar o célebre artista brasileiro. Ademais, estabelecem quase sempre uma comparação pra lá de óbvia e nem sempre adequada com a obra anterior de Chico (ou até mesmo, como preferem alguns, com a obra de Caetano Veloso. E não me perguntem o porquê). E ainda investem na “má voz” de Chico e outras besteiritas argumentativas mais, querendo desconhecer que um artista popular e criativo como Chico não se constrói somente com cordas vocais (o próprio Chico tem consciência disso e nunca se pretendeu um Caruso da vida).
A obra é a que o produtivo compositor conseguiu imortalizar. Ora, Chico Buarque é múltiplo e, sendo um artista que possui uma obra imensa, gigantesca mesmo – com pelo menos 44 discos trazidos à apreciação do público, além de mais tantos outros livros – não pode ficar por aí se repetindo, exibindo sempre a mesma fórmula.
Eu penso que Chico se renovou, sim. E penso assim, diferentemente dos que afirmam o contrário (os seus detratores quase que gratuitos, quase sempre montados no ombro do gênio). E digo mais: Chico não tem obrigação nenhuma (nem ninguém tem) de se manter nessa condição estereotipada de “gênio da raça”, que certamente nunca desejou.
Ora bolas, será que um artista não pode simplesmente ser competente, sofisticado, criativo e agradar? Tem que exibir sempre o lampejo da genialidade que assombra o mundo? Logo esse mundo que nem sempre é tão genial assim?!
Digo que gostei, sim, do novo CD de Chico, gostei do show (ultra-sofisticado) como gostei de seu último livro. Gosto especialmente do novo sorriso do cantor e compositor. Falo de um sorriso que transparece e que percebo num Chico leve, solto, feliz com um novo amor que encontrou nessa etapa de maturidade pessoal (“Hoje afinal conheci o amor/E era o amor uma obscura trama”). A jovem cantora que tem cativado nitidamente o coração do músico que se aproxima dos 70 anos talvez tenha uma responsabilidade peculiar nessa nova história. E o nosso Chico tem direito de ser feliz e continuar fazendo os seus admiradores felizes. Fiquemos, também, felizes por Chico e sua música!
Por sinal, para os seus críticos crudelíssimos, valem mais esses seguintes versos da canção “Querido Diário”, que abre o seu úlitmo CD “Chico” (que deu nome ao show visto em Natal), lançado pela gravadora Biscoito Fino: “Hoje o inimigo veio me espreitar/Armou tocaia lá na curva do rio/Trouxe um porrete a mó de me quebrar/Mas eu não quebro porque sou macio”.
Deixemos, então, que Chico sorria o seu mais novo sorriso.



segunda-feira, 28 de maio de 2012

Macbeth: um retrato em sombra e sangue

27 de maio de 2012 
Por Lívio Oliveira

Simon Keenlyside (Macbeth) e Liudmyla Monastyrska (Lady Macbeth) na produção, pela Royal Opera House, de ‘Macbeth’ de Verdi – foto por: Clive Barda

◊◊◊◊◊

“Salve Macbeth, que um dia há de ser rei!” (fala da 3ª bruxa, em Macbeth, obra escrita por William Shakespeare em1606 – trad. Barbara Heliodora, Clássicos Abril Coleções, vol. 10, 2010).

“Vinde, espíritos/Das idéias mortais; tirai-me o sexo:/Inundai-me, dos pés até a coroa,/De vil crueldade. Dai-me o sangue grosso/Que impede e corta o acesso do remorso;/Não me visitem culpas naturais/Para abalar meu sórdido propósito,(…).” (fala de Lady Macbeth – idem)

“O meu nome é Macbeth.”

“Fiz o feito. Não ouviste barulhos?”

(falas de Macbeth – idem, ibidem)
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Sobre a ópera Macbeth

O que se viu nessa apresentação da ROH (reproduzida e difundida, felizmente, pelo Cinemark em salas de todo o país) foi uma montagem que fez jus à obra literária de Shakespeare, trazendo todo o lado sombrio e sangrento da tragédia escrita pelo célebre bardo, a começar de uma curiosa montagem do palco e cenário (quase sempre escuro, como em algumas obras de Goya) em que o trono era representado por uma espécie de gaiola ou cadeia dourada, a receber o novo rei, assassino covarde e usurpador.

Também colocou num patamar elevado e digno a transcriação operística (1847) de Giuseppe Verdi e de seu libretista Piave, com um regente vibrante à frente da Orquestra da ROH (Antonio Pappano é considerado por muitos o maior regente de ópera destes tempos atuais), além de um coro afinadíssimo, com destaque para as muito expressivas bruxas multiplicadas no palco (no livro são apenas três – recomendo a tradução de Barbara Heliodora, tida como a maior especialista em Shakespeare no Brasil).

Os figurinos sóbrios trouxeram um misto entre uma época imemorial dos pretensos acontecimentos do reino da Escócia e a modernidade, com exibição de algumas partes/peças de vestuário em plástico. Tudo com equilíbrio entre o preto sombrio, o vermelho sangrento e o dourado da pompa e corte.

Destaque mais que merecido para a dupla Simon Keenlyside (barítono que encarna Macbeth) e a soprano Liudmyla Monastyrska (a perversa Lady Macbeth), exibindo vozes vibrantes, perfeitas, redondas e desempenhando com maestria os principais papéis dramáticos da tragédia (os olhares maléficos de Ludmyla eram realmente assustadores). Também chamo atenção para o baixo-barítono Raymond Aceto (no papel de Banquo, uma das vítimas do casal ambicioso e cruel).

Aliás, nesses quatro atos, deu-se um casamento ideal entre a Literatura shakespereana e a música dos sonhos (ou dos pesadelos mais perturbadores e enlouquecedores dos assassinos Macbeth, afogados e destruídos pela culpa e pelo remorso e com os crimes sendo vingados pelos legítimos herdeiros do trono ensanguentado).

Sobre a temporada do ROH no Cinemark

A temporada 2012 de óperas e balés produzidos na Royal Opera House de Londres e exibidos em High Definition (HD) na rede de cinemas Cinemark fecha com chave de ouro neste fim de semana. Macbeth é a ópera que põe fim à temporada deste ano e faz constatar o sucesso (não necessariamente de público), mas da qualidade de um projeto já reconhecido pelos críticos em face do seu alto teor didático e de divulgação dessa forma de arte tão rara, principalmente nesse lado de cá entre os trópicos.

De logo, vale ressaltar a altíssima qualidade técnica das apresentações/reproduções. Nessa temporada em que o Cinemark exibiu pérolas como “Tosca”, “Giselle”, “Romeu e Julieta”, “Cendrillon (Cinderella), “Rigoletto”, “Così Fan Tutte”, “Il Trittico” e “Macbeth”, o meticuloso cuidado com as imagens e o primor dos sons foi algo que ficou evidenciado. E a tentativa de popularizar, minimamente que seja, tais gêneros artístico-musicais já valeu por si mesma, apesar do eventual barulho do mastigar de pipocas e do balançar do saquinho para misturar com o sal.

Puccini, Jules Massenet, Verdi, Mozart, Kenneth MacMillan, Marius Petipa, Angela Gheorghiu, Jonas Kaufmann, Antonio Pappano, Marianela Nuñez, Joyce DiDonato, Eglise Guttiérez, dentre muitos outros, foram nomes que fizeram a mistura principal e brilharam na telona como se todos pertencessem a uma só geração, uma só época: a era da boa música erudita (e da dança, também).

Lamentei, especificamente, pela não apresentação em Natal das peças exibidas “ao vivo” e diretamente de Londres: “Romeu e Julieta” e “Rigoletto”. Na bilheteria do Cinemark alguém me havia informado que o Midway Mall não havia autorizado a instalação dos equipamentos (antenas e outros trambolhos) para a transmissão direta. Triste, mas não apagou as emoções que vivi ao assistir às outras obras imortais.

Outro ponto que não consegui compreender: o longo intervalo de 15 minutos – após os bons comentários feitos sempre pelo expert Marcel Gottlieb – como se estivéssemos em Londres. Desnecessário. Pode ser reduzido, sim, para uns 5 minutos.

Um último ponto negativo: em alguns poucos momentos, a legenda em português não aparecia, dificultando a compreensão das falas/cantos (em italiano ou francês) presentes nos libretos, que não foram distribuídos (poderia ser um brinde razoável, frente ao preço dos ingressos). Nada que não possa ser corrigido.

Enfim, valeu a pena a iniciativa. Inoculou o bom vírus e a vontade de ver os artistas em “carne e osso” e ouvi-los em Londres ou em outros lugares onde a ópera exista de fato. Bom que o projeto prossiga e cresça em 2013.
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UMA SEXTA-FEIRA DE GRANDEZA

Nesta última sexta-feira tive a oportunidade de participar de mais uma sessão da ACADEMIA DE LETRAS JURÍDICAS DO RIO GRANDE DO NORTE – ALEJURN, presidida competentemente pelo Acadêmico ODÚLIO BOTELHO DE MEDEIROS e auxiliado pelo fiel escudeiro Anthúnio Maux.

A solenidade contou com três momentos:


 

Primeiramente tivemos uma palestra magistral do jornalista MARCOS AURÉLIO DE SÁ, que descreveu o caminho da imprensa no tempo e no espaço, destacando a necessidade de sua integral independência, peça que merece urgente publicação. Foi apresentado pelo Acadêmico ADALBERTO TARGINO.
No segundo momento tivemos o elogio do Patrono da cadeira nº 9, MAGISTRADO FRANCISCO DAS CHAGAS PEREIRA, feito pelo acadêmico FRANCISCO DE ASSIS CÂMARA, num trabalho magistral e que trouxe aos presentes grande emoção, em especial, da querida amiga SELMA PEREIRA e seus familiares.
Por derradeiro, encerramento a festa, uma apresentação de canto lírico pelo artista “GRILO”, figura conhecida na terra potiguar.

Na ocasião o Presidente distribuiu com os presentes uma plaquete sobre o Projeto “Resgate da Memória Jurídica Potiguar”, edição em homenagem ao Patrono FERNANDO DE MIRANDA GOMES, contando com sua viúva IÊDA FERNANDES DE MIRANDA GOMES.
Foi um dia de festa e de resgate da dignidade das pessoas que contribuíram para a grandeza das letras jurídicas do nosso Estado, com grande afluência de público, numa confraternização de carinho e amizade.











domingo, 27 de maio de 2012


Fausto Gosson, entre Eduardo e Carlos

HOJE É DOMINGO, DIA EM QUE ESCOLHO PARA CUIDAR DE AMENIDADES E DO BEM QUERER.


            Fatos inesperados, todavia, não permitiram que assim cuidasse hoje no meu Blog. É um fato triste num dia frio de inverno,melancólico. Devolvemos à terra o corpo de FAUSTO GOSSON, um jovem destruído pelas drogas.


            Foi curta a minha convivência com ele, como muito curta foi a sua existência na terra, mas o bastante para avaliar que era um jovem perfeitamente corrigível, pois era bom, prestativo e, paradoxalmente uma pessoa alegre.


            Não sei a razão, mas entre nós aconteceu uma amizade fraternal. Tratava-me com muito carinho e atenção.


             O nosso último encontro foi no lançamento recente do livro de Eider Furtado. Ele trazia para mim salgadinhos e refrigerante, enquanto papeava com Eduardo.


             No lançamento do livro do seu pai, dias atrás, pediu para tirar uma foto comigo e Eduardo e que agora reproduzo para registro perene de uma breve amizade.


DEUS NOS PÕE NO MUNDO E TAMBÉM NOS CHAMA DE VOLTA. SÃO OS MISTÉRIOS DA VIDA.


DESCANSE EM PAZ MEU QUERIDO AMIGO E QUE A SUA MORTE, NAS CIRCUNSTÂNCIAS COMO OCORREU, SEJA UMA ADVERTÊNCIA PARA OUTROS TANTOS JOVENS QUE SE FRAGILIZAM DIANTE DAS DROGAS E UMA REFLEXÃO PARA QUE A SOCIEDADE SEJA MAIS SEVERA COM OS BANDIDOS TRAFICANTES, QUE CONTINUAM DESTRUINDO A JUVENTUDE.


AOS SEUS PAIS E FILHAS, EM ESPECIAL AO SEU IRMÃO TIAGO,QUE RECEBAM A FORÇA DIVINA DA CONFORMAÇÃO.

***************PALAVRAS DO MEU FILHO FAUSTO:

HOMENAGENS

DE EDUARDO GOSSON AO SEU FILHO FAUSTO NAPOLEÃO DE MELO GOSSON




“QUERO DORMIR ETERNAMENTE” (*)
(*) Estas foram as últimas palavras pronunciadas por meu filho Fausto, antes de ir para a UTI, segunda-feira, 21.05.2012.



Para meu filho Fausto, morto pelas drogas


“Aquele que é limpo de mãos e puro de coração,
Que não entrega a sua alma à vaidade, nem
Jura enganosamente”
Este receberá a benção do Senhor e a justiça
Do Deus da sua salvação” (Sl 24: 4-5)
Meu filho Fausto
Porque em vida
Foste puro, justo e bom
Deus, na hora extrema,
Resgatou-te das trevas
Sim, meu filho
Quero dormir eternamente
Junto de ti
Porque agora dormes
com Deus.


Eduardo Gosson


******************

CANÇÃO DE NINAR FAUSTO GOSSON

Lúcia Helena Pereira


No salão as pessoas se amontoam
Um pai canta estribilhos da canção de Assis
E o seu olhar firma-se no derradeiro momento
Antes de ver seu filho dormir para sempre.


Vai, vai filho meu,
Tua pátria é mais além,
Naquele céu de algodão doce,
Onde anjos te esperam e cantam.


Mas o olhar do pai percorre ávido e triste,
O rosto do seu filho através do pequeno vidro
Que o separa de todos e de tudo
Dormindo para acordar no céu!


Vai, vai filho meu,
Tua pátria é em Deus,
Teus lírios florescerão num céu de luz
Entre anjos docemente entoando hinos!


O olhar do pai já não arde
Mas dói nas dores do seu filho morto
Por um vício sem remédio,
Por uma dor que ele não conseguiu poupar.


Vai, vai meu filho querido
Segue a tua estrela riscada de ouro
E dorme, enfim, o teu sono infinito
Enquanto o meu olhar te guiará.


Um olhar que fez-se angústia em sete dias,
Rodopiando pelo hospital enquanto as horas iam
Para ver o filho, numa UTI, sem sussurros, sem quase vida,
Enquanto um pai amoroso pedia um milagre que não se fez!


Vai, vai filho do céu,
Teu Pai eterno o receberá
Num afã de amor e ansiedade,
Para, enfim, dar- te o beijo paternal.
Um olhar de pai fica na terra
A recordar os passos do menino, do adolescente e do homem
Tragado pela desgraça de um vício
Que não entendemos e deixa sobrar perguntas!


Vai, vai meu filhinho querido
Há um cantinho bom só para ti.
Junto de Nossa Senhora que te abençoará,
E Jesus que te alumiará os passos.


E fica em mim um olhar de esperança
Para ver um mundo novo, sem drogas, dores,
Sem tantas desgraças e padecimento...
Oh! Filho meu...foste embora, dormiste, enfim!


POEMA DE LÚCIA HELENA PEREIRA


Secultrn/FJA divulga lista dos primeiros 12 títulos a serem publicados via Edital


A Comissão Editorial da Coleção Cultura Potiguar divulga os 12 primeiros títulos, resultado do processo seletivo do Edital de Publicações. O Edital segue aberto, em fluxo continuo, e devera selecionar outros trabalhos ainda este ano. Autores e pesquisadores como Zaíra Caldas (Os Olhos da Noite – Poesia), Carlos Adel (Radioamadorismo no RN –Prosa), Paulo Heider Feijó (Arquitetura Tradicional de Acari no século XIX – Prosa), Revista da Academia de Letras (Prosa) são alguns dos títulos selecionados.

Trabalhos como Asas sobre Natal de João Alves Filho (Fotografia), que aguardou 50 anos para ser publicado, desperta interesse pela riqueza da documentação fotográfica inédita. Inclusive lança luzes sobre a polêmica presença do piloto Exupery na nossa capital. Fragmentos Visuais da Cultura Potiguar de Alexandre Ferreira dos Santos é outra obra fotográfica de qualidade que recebeu aprovação.

Chamas do Passado: II livro de Calazans Fernandes, romance autobiográfico há muitos anos enviado ao Ex Presidente da FJA François Silvestre, que nunca o recebeu, foi recomendado para publicação pela comissão editorial. Também o trabalho poético Um Canto Conforme a Noite, de Yuri Hícaro Diógenes Moura, recebeu avaliação positiva.

Outras obras, serão publicadas após o cumprimento de ressalvas recomendadas pelo Conselho Editorial, são elas: As Aventuras de Nó Cego – Manoel Julião Neto – Prosa As Tiradeiras de Benditos – Maria Helena da Silva – Poesia História e Cultura Indígena – Aucides Sales – Prosa Mãe Luiza: Odisseia de uma Nação – José Bernardo da Silva – Prosa.

O Edital Publicação foi uma forma que a Secultrn/FJA encontrou para homenagear e recordar o Professor Henrique Castriciano de Souza, intelectual, poeta maior, escritor, vice-governador, fundador da Escola Domestica de Natal, mestre de varias gerações de intelectuais potiguares, pai e criador - no Governo Alberto Maranhão - da Lei Nº 06 de 1906, que determinou ao Estado a publicação de autores conterrâneos.

O conselho Editorial da Coleção Cultura Potiguar, criado e nomeado pela Governadora Rosalba Ciarlini é composto dos intelectuais e jornalistas: Iaperi Araújo, Vicente Serejo, Sérgio Vilar e Carlos de Souza e realiza um trabalho de relevância cultural, pois patrocina a forma democrática e publica que a Secultrn/FJA encontra para conceder transparência e justiça às publicações patrocinadas pelo Estado.

Denise Barcelos
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sábado, 26 de maio de 2012


NOTA DE FALECIMENTO DE FAUSTO GOSSON
(1983-2012 )

Com profunda tristeza, comunico o falecimento do meu filho -FAUSTO GOSSON - ocorrido hoje, 26-05-2012, na UTI do hospital PAPI, onde estava internado desde segunda-feira, dia 21 de maio, vítima de uma overdose.

O velório será no Centro de Velório MORADA DA PAZ da Rua São José, próximo ao Corpo de Bombeiros, em Lagoa Seca.

O sepultamento transcorrerá amanhã, dia 27, às 10h, no Cemitério do Alecrim.

O corpo do meu filho será liberado por volta das 13/14 horas desta tarde de sábado.

Agradeço a quantos comparecerem a esta ato de fé e caridade cristã e peço desculpas pelos atropelos das notas anteriores, alheias à minha vontade, porém movidas pelo estresse e sofrimento.
Abaixo transcrevo as últimas palavras do meu filho.

Natal/RN, 26 de maio de 2012
EDUARDO GOSSON

PALAVRAS DO MEU FILHO FAUSTO:

“QUERO DORMIR ETERNAMENTE” (*)

Para meu filho Fausto, morto pelas drogas

“Aquele que é limpo de mãos e puro de coração,

Que não entrega a sua alma à vaidade, nem

Jura enganosamente”

Este receberá a benção do Senhor e a justiça

Do Deus da sua salvação” (Sl 24: 4-5)

Meu filho Fausto

Porque em vida

Foste puro, justo e bom

Deus, na hora extrema,

Resgatou-te das trevas

Sim, meu filho

Quero dormir eternamente

Junto de ti

Porque agora dormes

com Deus.

(*) Estas foram as últimas palavras pronunciadas por meu filho Fausto, antes de ir para a UTI, segunda-feira, 21.05.2012.

Eduardo Gosson


Não é mais tolerável o descaso .
Carlos Roberto de Miranda Gomes, advogado e escritor

Esta semana a situação do Estado e do Município de Natal chegou à incompetência extrema, deixando a população atônita com o descaso para a solução de necessidades básicas, como a coleta de lixo, que não é feita há uma semana, precariedade nos serviços de saúde e insegurança sem controle, tudo pela ausência do pagamento dos salários dos prestadores de serviço ou das locações.
É uma vergonha!
Para quem apelar – Ministério Público ou Tribunal de Contas? O correto seria a ação do Poder Legislativo, mas este, em todas as suas esferas, somente se preocupa com política.
Com maior gravidade ainda, é a situação da saúde, onde dívidas não pagas, apontam para o fechamento do Hospital Ruy Pereira e a paralisação dos anestesistas, pelo mesmo motivo.A greve da saúde pública, como um todo, continua.
A verdade é que este abuso não pode mais continuar. Temos que tomar uma providência imediata, cobrando com veemência providências eficazes – urgentes, para por fim a este momento caótico.
Enquanto isso, a Prefeitura e o Estado gastam verbas públicas com propaganda enganosa na Televisão, o que deve ser objeto de apuração enérgica dos órgãos fiscalizadores, com a devolução dos recursos pagos aos cofres públicos.
A imprensa precisa, com a força que possui, encetar uma campanha em busca do debate público contra esta enganação, deixando em plano secundário essa briguinha sem futuro das eleições municipais. O ideal é que surgissem nomes novos que alentassem alguma esperança para o futuro.
Onde estão as obras de mobilidade urbana? Uma chuvinha qualquer foi suficiente para comprovar o descaso pela população. Vamos esperar uma chuva maior para tentar resolver problemas antigos que afligem nossa cidade?
Até quando as “autoridades” abusarão da nossa paciência?
Vamos denunciar, pois agora contamos com a CONSOCIAL que foi realizada, em âmbito nacional, com a criação, dentre outras proposições, a do funcionamento de uma ouvidoria permanente, proposta que apresentamos em nome da Ordem dos Advogados do Rio Grande do Norte, em Natal e que foi defendida, com sucesso, pelo colega advogado Francisco Jadir de Farias, em Brasília.
As Chefes (ou Chefas) do Poder Executivo do Estado e do Município de Natal têm a obrigação de prestar esclarecimentos pelas omissões cometidas nos campos básicos da educação, da saúde e da segurança pública.
Ao povo, a conclamação para saber votar nas eleições que se avizinham, expurgando da vida pública aquelas figuras de decoração, que incham o Poder Legislativo federal, estadual e municipal, com gastanças proclamadas escandalosamente na mídia nacional. E ainda querem aumentar o número de Vereadores!
Vamos lutar contra a demagogia e pelo respeito ao povo.