quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012


"DOZE HOMENS E UMA SENTENÇA" [1]
Por Marcelo Alves Dias de Souza

No Brasil, segundo a nossa Constituição Federal (art. 5º, inciso XXXVIII, alínea “d”), em regra, compete ao tribunal do júri o julgamento dos crimes dolosos contra vida (podendo a competência do júri ser estendida, em caso de concurso, para outros crimes). E, para os fins do polêmico instituto, basicamente, são considerados crimes dolosos contra vida o homicídio (CP, art. 121), a instigação, induzimento ou auxílio ao suicídio (CP, art. 122), o infanticídio (CP, art. 123) e o aborto (CP, arts. 124, 125 e 126).
Certamente esse é o tipo de julgamento, cuja origem remonta aos primórdios da civilização, que – com toda a sua teatralidade, os debates entre acusação e defesa, a presença do réu, a majestade do juiz presidente e a reunião dos jurados em sala secreta – mais apelo tem no imaginário popular. Basta ver o espetáculo, para mim deprimente, que as televisões têm feito, por estes dias, com o caso Eloá e Lindemberg.
Na fase final desse procedimento bifásico (cuja primeira fase se dá, até a pronúncia, perante um juiz singular), na sessão de julgamento pelo tribunal do júri propriamente dita, sete cidadãos comuns (sem necessária formação jurídica), que compõem o conselho de sentença, decidem, de acordo com as suas consciências e (supostamente) as provas dos autos, o destino do réu (vide os arts. 406 a 497 do CPP, com a nova redação dada pela Lei 11.689/2008).
Dos filmes de tribunal por mim referidos aqui outro dia (vide a crônica Filmes de tribunal), um deles, “Doze Homens e uma Sentença” (“12 Angry Men”, 1957), foca precisamente essa difícil deliberação, nos mostrando toda a complicada dinâmica para se chegar a tanto, que cidadãos comuns fazem, sob juramento, sobre a vida do acusado. “Doze Homens e uma Sentença” tem a assinatura de Sidney Lumet (1924-2011), recentemente falecido, que dirigiu outros excelentes “legal films”, como “O Veredicto” (“The Veredict”, 1982) e “Sob Suspeita” (“Find me Guilt”, 2006). Considerado uma obra-prima, indicado em mais de uma categoria para o Oscar, o Globo de Ouro e o BAFTA e vencedor do Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim em 1957, ele é o primeiro de uma série de clássicos do cinema – composta ainda por “Testemunha de Acusação” (“Witness for the Prosecution”, 1957), “Anatomia de um Crime” (“Anatomy of a Murder”, 1959), “O Vento Será Tua Herança” (“Inherit the Wind”, 1960), “O Julgamento de Nuremberg” (“Judgment at Nuremberg”, 1961) e “O Sol é para Todos” (“To Kill a Mockingbird”, 1962) – que apostam na ideia (romântica?) de que a “Justiça” pode ser alcançada por intermédio do aparelho judicial.
À primeira vista, o enredo de “Doze Homens e uma Sentença” é simples. Um jovem porto-riquenho, pobre morador do que em inglês se chama “slum” (no caso, algo mais próximo de um “pardieiro” do que de uma favela), é acusado de haver assassinado o próprio pai. “As provas circunstanciais” estão contra ele. Doze jurados se reúnem para chegar a uma decisão unânime. Não alcançada a unanimidade, o júri será dissolvido. Onze jurados, já na primeira votação, optam pela condenação do réu. Henry Fonda (1905-1982), também produtor do filme, é o jurado número 8 que, no confinamento da sala secreta, menos por acreditar na inocência do réu e mais por não crer na consistência das provas, obsta essa unanimidade (poeticamente confirmando, no caso, a sentença do nosso Nelson Rodrigues de que “toda unanimidade é burra”). E o jurado número 8, após muita discussão, consegue finalmente convencer os demais jurados para fins de absolvição do jovem réu.
Entretanto, um olhar mais atento ao filme de Sidney Lumet nos mostra um conteúdo profundo e revelador, sobretudo para aqueles que – com formação jurídica ou não – desejam compreender como as decisões judiciais (ou quaisquer outras decisões) são tomadas. Curiosamente, apenas dois ou três minutos de “Doze Homens e uma Sentença” – a cena inicial e a final – se passam fora da sala secreta, por cuja janela apenas se enxerga uma metrópole americana em dia de muita chuva e calor. Nesse ambiente sufocante, de calorosos debates para fins de repensar decisões, as personalidades de cada um dos jurados (todos homens e identificados, salvo na cena final do filme, apenas por números e pela profissão) tensamente se evidenciam, assim como são revelados os motivos de cada um deles – fundados em preconceitos e experiências bem pessoais – para a decisão açodada de condenação do réu.
Mas isso será assunto para a nossa próxima conversa.

Marcelo Alves Dias de Souza é Procurador Regional da República, Mestre em Direito pela PUC/SP e Doutorando em Direito pelo King’s College London – KCL
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postado por O Santo Ofício

fevereiro 22, 2012






COMEÇA A TEMPORADA DE CULTURA 
O ANO DE 2012, de uma maneira geral, tem início após o carnaval. Esperamos, ansiosamente, a divulgação dos eventos programados para o correr deste ano das diversas instituições culturais às quais pertencemos:

INSTITUTOHISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RIO GRANDE DO NORTE
ACADEMIA DE LETRAS JURÍDICAS DO RIO GRANDE DO NORTE
ACADEMIA MACAIBENSE DE LETRAS
INSTITUTO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA
FEDERAÇÃO DAS INSTITUIÇÕES CULTURAIS DO RIO GRANDE DO NORTE
ACADEMIA CEARAMIRINENSE DE LETRAS E ARTES - ACLA

A nossa UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES DO RIO GRANDE DO NORTE já iniciou suas atividades desde JANEIRO, aprovando o seguinte CALENDÁRIO DE EVENTOS:

Janeiro
02 Posse da Diretoria Escritores Unidos
12 Missa de 7º Dia do Sócio Fundador Enélio Lima Petrovich

Fevereiro
09 – Reunião de Planejamento do ano de 2012

Março
08 – lançamento da antologia Fagulhas Poéticas, de José de Castro 
14 Dia da Poesia no RN (mesa redonda)
(Plinío Sanderson, João Batista de Morais Neto e Diógenes da Cunha Lima)
Moderador: Eduardo Gosson
14 Lançamento do livro Ressaca da Sócio Efetiva Águida Maria Mousinho Zerôncio - Coleção Antonio Pinto de Medeiros – pela editora Nave da Palavra
22 Lançamento do livro Alguma Prata da Casa do Sócio Fundador Manoel Onofre de Souza Júnior – Coleção Deífilo Gurgel – pela editora Nave da Palavra
29 Assembléia Geral Ordinária

Abril
05 Reunião da Diretoria da UBE
12 Lançamento do jornal O Galo
26 Lançamento do livro A Praia da Pipa dos Meus Avós do Sócio Efetivo Ormuz Barbalho Simonetti – Coleção Bartolomeu Correia de Melo -- pela editora Nave da Palavra

Maio
03 Reunião da Diretoria da UBE
31.Lançamento do livro Entre o azul e o infinito - do Sócio Fundador Eduardo Gosson – Coleção Antonio Pinto de Medeiros-- pela editora Nave da Palavra

Junho
07 Reunião da Diretoria da UBE
28 Lançamento do livro O Velho Imigrante do Sócio Fundador Carlos Roberto de Miranda Gomes – Coleção Bartolomeu Correia de Melo– pela editora Nave da Palavra

Julho
05 Reunião da Diretoria da UBE
25 Dia do Escritor (mesa redonda)
25 lançamento do livro No ventre do mundo do Sócio Efetivo Paulo de Macedo Caldas Neto - Coleção Eulício Faria de Lacerda - 1ºlugar do Prêmio Escritor Eulício Faria de Lacerda 2011 – e Do céu ao picadeiro: o riso no teatro de Ariano Suassuna pela editora Nave da Palavra.

Agosto
02 Reunião da Diretoria da UBE
14 O papel das UBEs na democratização do livro e da leitura ( 53 anos de fundação da UBE/RN)
(Francisco Alves Sobrinho e Nelson Patriota)
Moderador: Eduardo Gosson
23 Palestra com o escritor cubano Félix Contreras
30 Lançamento do livro A Torre Azul do Sócio Efetivo Horácio Paiva – Coleção Antonio Pinto de Medeiros – pela Editora Nave da Palavra

Setembro
06 Reunião da Diretoria da UBE
13 – lançamento do livro do livro Nos contornos do Rio Potengy do Sócio Efetivo Manoel Marques Filho – Coleção Bartolomeu Correia de Melo – pela editora Nave da Palavra
20 lançamento do livro Uns Potiguares do Sócio Fundador Nelson Patriota – Coleção Deífilo Gurgel – pela editora Nave da Palavra
27 – Assembléia Geral Extraordinária
Atualização Estatutária

Outubro
04 Reunião da Diretoria da UBE
29,30 e 31 – V Encontro Potiguar de Escritores – V EPE
30 Lançamento do livro Patronos Escolares do RN, de Manoel de Lima e George Veras
31 Lançamento do livro História do Poder Judiciário do RN do Sócio Fundador Eduardo Gosson - Coleção Enélio Lima Petrovich – pela editora Nave da Palavra

Novembro
01 Reunião da Diretoria da UBE
29 lançamento do livro Balata da Sócia Efetiva Maria Rizolete Fernandes - Coleção Antonio Pinto de Medeiros – pela editora Nave da Palavra

Dezembro
06 Reunião da Diretoria da UBE
13 lançamento da Obra Completa de Eulício Faria de Lacerda
20.Jantar de Confraternização dos sócios da UBE

Natal/RN, 13 de Janeiro de 2012
Eduardo Antonio Gosson
Presidente

(*) A programação dos eventos acima enumerados serão centralizados na Academia Norte-rio-grandense de Letras
Rua Mipibu, 433 – Cidade Alta

Foi aprovada a seguinte Resolução:


UNIÃO BRASILEIRAS DE ESCRITORES DO RIO GRANDE DO NORTE – UBE/RN

RESOLUÇÃO N° 01/2012

Institui Coleções para o Plano Editorial Semestral da UBE/RN, e dá outras providências.

A Diretoria Executiva da UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES DO RIO GRANDE DO NORTE – UBE/RN, no uso das atribuições que lhe confere o parágrafo único do art. 36 do Estatuto, em conseqüência da necessidade de normatizar os trabalhos para o Plano Editorial Semestral da UBE/RN,

R E S O L V E:

Art. 1°. Ficam instituídas dentro do Plano Editorial da UBE/RN, como atividade cultural permanente, de âmbito estadual e periodicidade semestral sucessiva, 04 (quatro) Coleções de estilos literários, com denominações em homenagens a escritores que se notabilizaram nos respectivos ramos:
I – Coleção Antônio Pinto de Medeiros (Poesia);
II – Coleção Bartolomeu Correia de Melo (Prosa);
III – Coleção Enélio Lima Petrovich, (História); e
IV – Coleção Deífilo Gurgel (Ensaio/Folclore).
Art. 2°. O Regulamento das Coleções ora criadas discriminará as condições de participação e seleção dos trabalhos, adotando, em princípio, os seguintes pressupostos:
a) os concorrentes devem ser brasileiros, potiguares ou residentes no Estado do Rio Grande do Norte, que tenham se destacado, comprovadamente, pela intervenção em eventos culturais ou publicação de trabalhos em livros ou equivalentes ou na imprensa local;
b) para a edição de cada Coleção será indicado o tipo de compensação autoral, constituído por um Certificado e um contrato de sua publicação no jornal “O Galo”, através do selo Nave da Palavra, sem estipulação de prêmios ou remuneração, mas com a liberação de um número de exemplares para cada autor;
c) os trabalhos selecionados pela UBE/RN, em cada Coleção, serão publicados na edição seguinte do jornal, salvo se já esgotado o número de textos, ficando, assim, selecionados para a edição subsequente, a critério da Comissão Permanente de Seleção Editorial, constituída de 5 (cinco) escritores dos quadros da UBE/RN ou convidados;
d) o Regulamento das Coleções temáticas terá divulgação ampla, inclusive publicação oficial na forma estatutária.
Parágrafo único. Fica outorgada à Comissão Permanente de Seleção a competência para elaboração do Regulamento de que cuida o art. 2º desta Resolução.
Art. 3°. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Natal/RN, 09 de fevereiro de 2012
Presidente: Eduardo Antonio Gosson
1º Vice-Presidente: Jurandyr Navarro da Costa
2ª Vice-Presidente: Anna Maria Cascudo Barreto
Secretário-Geral: Manoel Marques da Silva Filho,
1º Secretário: Paulo Jorge Dumaresq Madureira
2º Secretário: Francisco Alves da Costa Sobrinho
1º Tesoureiro: Jania Maria Souza da Silva
2º Tesoureiro: Aluizio Matias dos Santos
Diretor de Divulgação: Lucia Helena Pereira
Diretor de Representações Regionais: Joaquim Crispiniano Neto
Diretor Jurídico: Carlos Roberto de Miranda Gomes

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quarta-feira de cinzas- Quaresma 
Inicia hoje o ciclo pascal que vai englobar os quarenta dias da quaresma

O QUE SIGNIFICAM AS CINZAS?

            O uso litúrgico das cinzas tem sua origem no Antigo Testamento.
            As cinzas simbolizam dor, morte e penitência. Por exemplo, no livro de Ester, Mardoqueu se veste de saco e se cobre de cinzas quando soube do decreto do Rei Asuer I (Xerxes, 485-464 antes de Cristo) da Pérsia que condenou à morte todos os judeus de seu império. (Est 4,1). Jó (cuja história foi escrita entre os anos VII e V antes de Cristo) mostrou seu arrependimento vestindo-se de saco e cobrindo-se de cinzas (Jó 42,6). Daniel (cerca de 550 antes de Cristo) ao profetizar a captura de Jerusalém pela Babilônia, escreveu: "Volvi-me para o Senhor Deus a fim de dirigir-lhe uma oração de súplica, jejuando e me impondo o cilício e a cinza" (Dn 9,3).
            No século V antes de Cristo, logo depois da pregação de Jonas, o povo de Nínive proclamou um jejum a todos e se vestiram de saco, inclusive o Rei, que além de tudo levantou-se de seu trono e sentou sobre cinzas (Jn 3,5-6). 
            Estes exemplos retirados do Antigo Testamento demonstram a prática estabelecida de utilizar-se cinzas como símbolo (algo que todos compreendiam) de arrependimento.
            O próprio Jesus fez referência ao uso das cinzas. A respeito daqueles povos que recusavam-se a se arrepender de seus pecados, apesar de terem visto os milagres e escutado a Boa Nova, Nosso Senhor proferiu: "Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o cilício e as cinzas. (Mt 11,21) 
            A Igreja, desde os primeiros tempos, continuou a prática do uso das cinzas com o mesmo simbolismo. Em seu livro "De Poenitentia" , Tertuliano (160-220 DC), prescreveu que um penitente deveria "viver sem alegria vestido com um tecido de saco rude e coberto de cinzas".
            O famoso historiador dos primeiros anos da igreja, Eusébio (260-340 DC), relata em seu livro A História da Igreja, como um apóstata de nome Natalis se apresentou vestido de saco e coberto de cinzas diante do Papa Ceferino, para suplicar-lhe perdão.
            Sabe-se que num determinado momento existiu uma prática que consistia no sacerdote impor as cinzas em todos aqueles que deviam fazer penitência pública. As cinzas eram colocadas quando o penitente saía do Confessionário.
            Já no período medieval, por volta do século VIII, aquelas pessoas que estavam para morrer eram deitadas no chão sobre um tecido de saco coberto de cinzas. O sacerdote benzia o moribundo com água benta dizendo-lhe: "Recorda-te que és pó e em pó te converterás".
            Depois de aspergir o moribundo com a água benta, o sacerdote perguntava: "Estás de acordo com o tecido de saco e as cinzas como testemunho de tua penitência diante do Senhor no dia do Juízo?" O moribundo então respondia: "Sim, estou de acordo".
            Se podem apreciar em todos esses exemplos que o simbolismo do tecido de saco e das cinzas serviam para representar os sentimentos de aflição e arrependimento, bem como a intenção de se fazer penitência pelos pecados cometidos contra o Senhor e a Sua igreja.
            Com o passar dos tempos o uso das cinzas foi adotado como sinal do início do tempo da Quaresma; o período de preparação de quarenta dias (excluindo-se os domingos) antes da Páscoa da Ressurreição. O ritual para a Quarta-feira de Cinzas já era parte do Sacramental Gregoriano.
            As primeiras edições deste sacramental datam do século VII. Na nossa liturgia atual da Quarta-feira de Cinzas, utilizamos cinzas feitas com os ramos de palmas distribuídos no ano anterior no Domingo de Ramos. O sacerdote abençoa as cinzas e as impõe na fronte de cada fiel traçando com essas o Sinal da Cruz. Logo em seguida diz : "Recorda-te que és pó e em pó te converterás" ou então "Arrepende-te e crede no Evangelho".
             Devemos nos preparar para o começo da Quaresma compreendendo o significado profundo das cinzas que recebemos.
            É um tempo para examinar nossas ações atuais e passadas e lamentarmo-nos profundamente por nossos pecados. Só assim poderemos voltar nossos corações genuinamente para Nosso Senhor, que sofreu, morreu e ressuscitou pela nossa salvação.
            Além do mais esse tempo nos serve para renovar nossas promessas batismais, quando morremos para a vida passada e começamos uma nova vida em Cristo.
            Finalmente, conscientes que as coisas desse mundo são passageiras, procuremos viver de agora em diante com a firme esperança no futuro e a plenitude do Céu.

Bênção e imposição das cinzas no início da Quaresma

                                             (Quarta-feira de cinzas)
            Aceitando que nos imponham as cinzas, expressamos duas realidades fundamentais:
1. Somos criaturas mortais; tomar consciência de nossa fragilidade, de inevitável fim de nossa existência terrestre, nos ajuda a avalira melhor os rumos que compete dar à nossa vida: "você é pó, e ao pó voltará" (Gn 3, 19). 2. Somos chamados a nos converter ao Evangelho de Jesus e sua proposta do Reino, mudando nossa maneira de ver, pensar, agir.
            Muitas comunidades sem padre assumiram esse rito significativo como abertura da quaresma anual, realizando-o numa celebração da Palavras.
Veja mais embasamentos bíblicos sobre as cinzas através das seguintes passagens: (Nm 19; Hb 9,13); como sinal de transitoriedade (Gn 18,27; Jó 30,19). Como sinal de luto (2Sm 13,19; Sl 102,10; Ap 19,19). Como sinal de penitência (Dn 9,3; Mt 11,21). Faça uma pesquisa através de todas estas passagens bíblicas, prestando a atenção ao texto e seu contexto, relacionando com a vida pessoal, comunitária, social e com o rito litúrgico da Quarta-feira de cinzas.
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A primeira parte deste texto foi traduzido de um escrito do Padre Saunders que apareceu publicado no Arlington Catholic Herald, em 17 de fevereiro de 1994. O Padre Saunders é Presidente do Instituto Notre Dame para Catequese e Assistente de Pároco na Igreja Rainha dos Apóstolos em Alexandria, Virigina. (Cortesia do Website EWTN, 1998) .A segunda parte foi obtida do opúsculo SÍMBOLOS NA LITURGIA, Ione Buyst, Paulinas, 1998.
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Fonte: MUNDO CATÓLICO

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

COISAS FANTÁSTICAS



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

UMA AMIZADE VERDADEIRA

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Fantasia
Carlos de Miranda Gomes

Retirada do sacrário da saudade
Encontrei ao sol do quarto a minha fantasia
Brilhando nos 50 anos de alegria
Do velho folião desta cidade.

Deliciosos na Folia era o seu nome
Do bloco do carnaval daquele tempo
Que alimentava de ilusão e contentamento
Os sonhos que a vida não consome.

E o velho repete ao jovem de antanho
A lembrança viva dos momentos de encanto
Que chegou na exata hora de aliviar o pranto.


E TOME CARNAVAL!
para todos os gostos







 O OUTRO CARNAVAL
Carlos Drummond de Andrade

Fantasia,
que é fantasia, por favor?
Roupa-estardalhaço, maquilagem-loucura?
Ou antes, e principalmente,
brinquedo sigiloso, tão íntimo,
tão do meu sangue e nervos e eu oculto em mim,
que ninguém percebe, e todos os dias
exibo na passarela sem espectadores?


Carnaval de Sonho –
Braguinha,

Sonhei, sonhei, sonhei
E num mar de fantasias mergulhei
Copacabana, oh linda lourinha
As pastorinhas, o pirata da perna de pau
Vai com jeito Chiquinha Bacana
As touradas em Madri
O Carinhos, China Pau
Fim de semana em Paquetá
Onde o céu é mais azul
São partes de poesias tão marcantes
Deste poema tão brilhante
Do Carnaval de Norte a Sul


Delirei, vi confetes, mascarados e serpentina
Numa explosão de cores
Palhaços, pierrôs e colombinas
Quarta-feira pelas ruas da cidade
Só restaram pedacinhos de saudades


Bloco da Solidão
Evaldo Gouveia e Jair Amorim

Angústia, solidão
Um triste adeus em cada mão
Lá vai, meu bloco vai
Só deste jeito é que ele sai
Na frente sigo eu
Levo um estandarte de um amor
Amor que se perdeu
No carnaval lá vai meu bloco
E lá vou eu também
Mais uma vez sem ter ninguém
No sábado e domingo
Segunda e terça-feira
E quarta feira vem
O ano inteiro é todo assim
Por isso quando eu passar
Batam palmas para mim
Aplaudam quem sorri
Trazendo lágrimas no olhar
Merece uma homenagem
Quem tem forças pra cantar
Tão grande é minha dor
Pede passagem quando sai
Comigo só
Lá vai meu bloco vai
Laiá, laiá, laiá
Laiá, laiá, laiá
Lalaiá, lalaiá
Laiá
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COMENTÁRIO RECEBIDO:

À NOITE, SOB AS MANGUEIRAS
Ciro José Tavares •

“É uma hora diferente,o intervalo entre o dia e a noite,
quando o tempo pára e examina a si mesmo.”
John Steinbeck, in Cannery Row

Não bastasse o processo de abandono dos seus pontos tradicionais, historicamente ricos,a cidade silencia quanto às figuras humanas, impondo-lhes impiedosa pena de esquecimento.E no momento dessa festa, fora de época e de propósito, lembro-me de Os Deliciosos na Folia, inesquecível ícone dos carnavais de outrora. Conheci o bloco na década de cinqüenta, menino de calças curtas, beirando os 13 anos. As reuniões e ensaios eram no sítio de D. Toinha, esquina da Jundiaí com Prudente de Morais, hoje de propriedade da Telern.O espaço chamava à atenção pelas árvores frondosas, protegendo sua única e nada bizarra habitação. Não sei quais os papéis que D. Toinha e seu filho Omar, que fazia parte do bloco, desempenhavam no meio daquele terreno. A verdade é que, aproveitando a quietude da bondosa senhora e sob seus olhares complacentes, alguns estranhos à família tinham inteira liberdade, sobretudo nos derradeiros dias antes da festa, quando o entra-e-sai fazia-se mais intenso, com a chegada de adereços, novos instrumentos de, sopro e percussão,grades de garrafas de Olho-d’Água, tudo mostrando, a exemplo da simplicidade das fantasias, o grau social da rapaziada.

Depois do jantar, pelas 7,30 h, eu encostava para sapear o ensaio, sentado numa pilha de tijolos inaproveitáveis, distante o bastante para ouvir recomendações e observar movimentos. Sob a luz lavada da gambiarra improvisada, puxada da fiação do alpendre da casa e suspensa num galho de mangueira, a figura franzina e paciente de Airton Ramalho comandava a bateria, que ganhava força na marcação do surdo de Ronaldo Ferreira, nos repiques do tamborim de Fernando Leite e na sonoridade angustiada da cuíca de Luis Meirelles.

Era eletrizante, na medida em que as músicas, misturadas ao ritmo, explodiam na voz dos componentes.Embora esquecidas, duas ficaram nas minhas lembranças. A que enaltecia Augusto Severo, o Padre João Maria e Ferreira Itajubá e a antológica Pio X, o adeus à praça amada por minha geração e que se encantou com a construção da nova Catedral.

“Praça, o teu nome vou guardar”.

“Breve, tu serás a Casa de Deus.”

Minha mãe sabia do meu paradeiro e ainda assim D. Toinha, que a conhecia, alertava: “menino, olha a hora”. E eu escapava, passos rápidos, atravessando o escuro para alcançar a casa da rua Assu. Mergulhado nos travesseiros adormecia ouvindo o batuque que avançava pela noite parecendo não terminar, enquanto no pensamento desfilavam as evoluções de Betinho apresentando o estandarte.

• advogado e escritor (ciroitaca@terra.com.br)

sábado, 18 de fevereiro de 2012

VELHOS CARNAVAIS








sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012


C O N S O C I A L
VI Regional: LITORAL ORIENTAL E METROPOLITANA

Aprazada para o dia de ontem (16), em Natal, deixou de se realizar a VI Regional do CONSOCIAL, última reunião antes da Conferência Estadual.

No dia e local indicados, ali compareceram menos de 30 participantes, fazendo com que, em uma questão de ordem levantada, fosse verificada a inexistência de quorum para deliberações, ficando remarcada para o dia 1º de março vindouro, no mesmo local e horário.

O fato, no mínimo, merece uma reflexão – há desinteresse dos órgãos e da comunidade pelo exercício do seu direito à transparência da gestão pública?

Na condição de representante da OAB/RN, quero protestar pelo aparente descaso e rogo que essa oportunidade não seja desperdiçada e, consequentemente postergado o efetivo direito de cidadania.

Em verdade, prefiro acreditar que houve um equívoco de divulgação em face do rebuliço da época de carnaval, o que é profundamente lamentável, e espero que no dia 1º de março seja o movimento redimido, com uma freqüência maciça e um evento proveitoso.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012


Osvaldo D’Amore - mais um artista que partiu


O Maestro e violinista Osvaldo D’Amore, morre aos 61 anos, na madrugada desta quinta-feira (16) em Natal.


Nascido em Buenos Aires, Argentina, Osvaldo D’Amore começou a estudar música com o pai aos 7 anos de idade.


Na Argentina, trabalhou como violinista da Orquesta Filarmónica de Buenos Aires e da Camerata Bariloche, realizando diversas tournées pela América do Sul, América do Norte e Europa.


Veio residir em Natal desde os anos 70 e, pelo seu valor profissional e adaptação à realidade social da terra potiguar, recebeu da Assembleia Legislativa o título de Cidadão Norte-Riograndense em 1994.


A sua trajetória registra ter sido um dos criadores do Quarteto de Cordas da UFRN. Esteve, por cerca de 20anos, à frente da Orquestra Sinfônica do RN.


Deixando a condição de maestro da OSRN passou a dedicar o seu talento a um projeto nobre - “Tocando a Vida”, desenvolvendo aulas de iniciação musical com alunos da Escola Estadual Jean Mermoz, no bairro de Bom Pastor.


Preparou uma plêiade de bons músicos, dentre os quais o seu filho, músico Ticiano D’Amore, guitarrista e professor da Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EMUFRN).


Como homem criativo moderno, Ticiano também é conhecido pelo seu personagem da internet, Uílame, onde alimentava site de cultura.


A par dos informes básicos de sua biografia, D´Amore deixou um grande círculo de amigos que estão tristes com sua partida e convivência harmoniosa e aquele charme de pessoa lhana, que encantava como pessoa e como músico.


Com a saudade dos seus familiares e amigos, deixa no ar o aroma do seu tradicional cachimbo, companheiro de toda uma vida e o acorde final de um tango – “Mi Buenos Aires querido”.


No Céu aparece agora uma nova estrela.


É a simples homenagem de quem muito o admirava.

ISTO É O VERDADEIRO AMOR
PODE PARECER TRIVIAL, MAS ME EMOCIONA!
COMPARTILHO COM MEUS LEITORES.
__________
Colaboração de DIDI AVELINO

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012


Nossa Atlântida
por Edgar Barbosa

Macau nasceu do mar revolto e se estendeu por terra, com o seu povo de salineiros e de pescadores, ouvindo e aprendendo o marulho bravio das ondas. O destino quis que ela tivesse um nome evocativo das longas e aventurosas viagens aos portos do longínquo Oriente. Um nome que se pronuncia imaginando iates, gôndolas, falúas, barcos de velas brancas, gemendo cantigas de gajeiros e arfando nas enseadas de países distantes.

Mas, no burburinho de tantas sugestões românticas que esse nome desperta, ninguém conseguiu fazer ressurgir do abismo em que se afogou, a ilha de Manoel Gonçalves, a nossa perdida Atlântida, que ainda não encontrou o seu Platão.

A Ilha de Manoel Gonçalves, tal como nos parece na imaginação sempre disposta a iludir-se e a sonhar, não foi nenhuma dessas cidades contra as quais a ira oceânica se desmandou implacavelmente. Era uma feliz aldeia de pescadores sem vícios nem crimes que chamassem a si o castigo dos elementos. O mar, em luta com a terra, enrolava parceis e recifes, arrastando-os no dorso das vagas. A humilde ilhota de pescadores, no meio do tremendo campo de batalha, assistia inquieta às escaramuças que arrancavam pedaços do seu solo. E enfim, um dia, apenas viçou sobre a imensidão oceânica o pugilo derradeiro de terra, pedestal de uma cruz que abria os braços, clamando e perdoando. Os habitantes fugidos da ilha condenada e moradores da margem direita do rio foram em procissão de ladainhas e preces, buscar o cruzeiro que o oceano havia respeitado. E em Macau os seus primitivos povoadores continuaram a amar e venerar os velhos santos, as queridas imagens e a cruz que abençoara a agonia da ilha perdida.

Foi assim que morreu, há muitas dezenas de anos, a ilha de Manoel Gonçalves, afogada no delta indomável do Rio Piranhas. Mas, do amarfanhado lençol marinho que a sepulta ela por vezes aparece, como uma Vitória Régia, numa ressurreição. As suas ruínas, as pedras das suas casas, os tijolos das suas calçadas onde tantos meninos brincaram e correram, cantando e sorrindo para o mar, ainda afloram aos olhos supersticiosos dos pescadores, pelas noites de lua.

A Ilha de Manoel Gonçalves morreu para que a cidade de Macau nascesse. Nenhuma semente de terra dessas milhares que Deus semeou pelo mar teve um destino tão lindo. Macau surgiu, cresceu para o oceano revolto, transformou a água invasora em pirâmides de sal que cintilam como um diadema de imperatriz. E já agora não é mais possível trocar por nenhum ouro do mundo toda a pobre existência ignorada da ilha que morreu do mal de ser feliz.

EDGAR BARBOSA
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Colaboração do pesquisador João Felipe da Trindade

Conhece Macau?
Roteiros do Brasil
Região Pólo Costa Branca
HISTÓRIA DA CIDADE

No ano de 1825, aproximadamente, as águas do Oceano Atlântico, começaram a invadir a pequena ilha de Manoel Gonçalves que neste tempo, era habitada por portugueses que se dedicavam à exploração e ao comércio de sal.
Em 1829, tornando-se impossível a permanência destes habitantes na ilha, em função do avanço das águas, decidiram então transferir-se para um outro lugar, escolhendo a ilha localizada na foz do rio Assú-Piranhas, denominada de Macau, nome este originado da corruptela da palavra chinesa A-MA-NGAO, que significa abrigo ou porto de Ama, deusa dos navegantes.
Os fundadores do povoado de Macau, foram os portugueses: o capitão Martins Ferreira e quatro genros deste: José Joaquim Fernandes, Manoel José Fernandes, Manoel Antônio Fernandes, Antônio Joaquim de Souza e ainda João Garcia Valadão e o brasileiro João da Horta. Seus habitantes dedicavam-se inteiramente à exploração do sal, que ainda hoje constitui a base econômica do município e em menor escala a pesca artesanal.
O povoado de Macau desmembrou-se de Angicos e tornou-se município através da Lei nº 158, de 02 de outubro de 1847. A comarca foi criada pela Resolução nº 644, de 14 de dezembro de 1871, sendo que a Lei nº 761, de 09 de setembro de 1875 elevou à categoria de Cidade e sede do município.

Significado do Nome
Seu nome é uma corrupta da palavra chinesa A-MA-NGAO, que significa Abrigo ou Porto de Ama, deusa dos Navegantes.

Aniversário da Cidade
2 de Outubro de 1847

CARACTERÍSTICAS
Macau é o maior produtor de Sal do país e um dos maiores do mundo. Destaca-se, também, na produção de pescado, tanto de água doce quanto de salgada. Abriga pirâmides de sal marinho, as famosas salinas; cata-ventos gigantes; velhos casarões e belas praias. É banhada pelo rio Açu e cercado por ilhas, praias, mangues e gamboas. Sua Padroeira é Nossa Senhora da Conceição.

Clima
Semi-árido
Temperatura Média
27,2ºC

COMO CHEGAR
Partindo de Natal: BR-406
Localização
Município do Litoral Norte do Estado do Rio Grande do Norte.
Limites
Ao Norte com o Oceano Atlântico; Ao Sul com os municípios de Pendências, Afonso Bezerra e Alto do Rodrigues; Ao Leste com os municípios de Guamaré e Pedro Avelino; Ao Oeste com o município de Carnaubais.
Acesso Rodoviário
BR-406 e RN-118
Distâncias
178 Km da Capital

TURISMO
Principais Pontos Turísticos
Farol de Macau
Farol com 11 m de altura e alcanse luminoso de 12 milhas náuticas.
Localização: Torre da caixa dágua da CIRNE.
Obelisco da Independência
Construção de 1922, feita para comemorar o I Centenário da Independênci do Brasil
Localização: Praça da Conceição
Igreja da Matriz de Nossa Senhora da Conceição
Construção do séc. XVII
Localização: Praça da Conceição, 65, Centro- Tel: 521-1635
Museu do Carnaval Colô Santana
Localização: Rua São Vicente, s/nº, Campi Avançado da UFRN.
Museu José Elviro
Localização: Rua Augusto Severo, s/nº, próximo à Igreja Matriz.
Praias
As praias de Camapum, Barreiras, e Diogo Lopes, são paraísos ecológicos, ainda inexplorados que podem ser alcançados por estradas asfaltadas ou em prazerosos passeios de barcos.
Praia de Camapum
Entre a Ilha do Alagamar e a sede municipal, despontou na década de 90 como a melhor praia do município, tendo como grande atrativo a Vaquejada de Praia – única no Brasil – que se realiza anualmente no mês de julho, no Parque de Vaquejada “Flávio Sá”. Onde também acontece concentração de foliões durante todo o período de Carnaval. Concentração essa que conta com um palco armado para levar alegria e descontração tanto para o povo macauense como também para os turistas e visitantes em geral.
Praia de Barreiras
Distrito do município de Macau, é uma praia típica de pescadores, com a beleza natural de suas camboas.
Praia de Diogo Lopes
Sendo um dos distrito do município de Macau de maior população, caracterizado como Praia de pescadores. Conhecida por possuir belas vistas naturais.

EVENTOS
Festa de Sebastião
Localização: Barreiras
Data: 20 de Janeiro
Festival de Música
Data: 15 dias antes do Canaval
Carnaval
Data: Fevereiro
Festa das Flores
Data: Última semana de Maio
Diofo Fest Folia
Data: Última semana de Maio
Intervenção Cultural
Data: Junho a Setembro
Festas Juninas
Data: 20 a 29 de Junho
Vaquejada de Praia
Data: 2ª Semana de Julho
Festa de Nossa Senhora dos Navegantes
Data: 15 de Agosto
Festa do Sal e do Reencontro
Data: 1º a 9 de Setembro
Festa de Nossa Senhora da Conceição
Data: 8 de Dezembro
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Do site: férias.tur.br
MOACIR FRANCO, O SHOW DA VIDA
postado por O Santo Ofício

fevereiro 14, 2012
Por Marcia Leite de Oliveira Torres (*)

“Boa noite veiarada” é a frase de abertura do show Moacir Franco, satirizando a condição do ser idoso ou estar na “terceira idade”, ou seja, as limitações, as dores, as doenças, a diminuição da libido, etc.

No decorrer do evento ele resgata momentos importantes de sua vida e de sua carreira, os ganhos e as perdas, demonstrando boa forma, desenvoltura e comunicação como cantor e comediante. O momento crítico vivenciado nessa idade por todos os humanos perpassa algumas sequências do show ora de forma cômica, ora caricata, ora de forma sofrida. Em contrapartida, o show é bastante dinâmico e resgata o viver e a alegria trazendo uma variedade de situações românticas e cômicas nas canções e na sua relação com o público.

O tema terceira idade induz a refletir sobre o que ocorre ao se entrar última etapa da vida: o ser humano vivencia sua finitude, questiona-se sobre a impermanência, enfim, sobre a morte. O indivíduo dá-se conta que já percorreu a maior parte da estrada da vida e agora está prestes a encontrar com ele mesmo. Aqui reside o ponto crucial, a proximidade da fase final de uma vida que, para ser encarada de frente, é necessário que seja redimensionada, considerada não como sendo catastrófica, mas como uma busca interior para encontrar o verdadeiro sentido da existência.

Moacir nos brinda com um show que mostra de forma alegre e descontraída a vida na terceira idade. Canções como Soleado, e outras desse tipo nos fazem galgar planos mais elevados e buscar as respostas em novos paradigmas. É essa dimensão que ele aparenta antever em sua jornada trazendo músicas como a do início do show que nos conduz a reviver e renascer diante de cada obstáculo. Ele tem a coragem de mostrar de modo artístico e belo uma música que retrata o fim da estrada, a aproximação da morte, e de outra forma de vida, a música que serviu de alento a um homem em fase terminal da doença.

Finalizando, nada se perde, tudo se transforma. A vida nos ensina e nos faz crescer a cada fase que transpomos e em cada etapa ela nos brinda com aprendizados novos que nos conduzem a encontrar a essência interior que reside em todos nós.

(*) Marcia Leite de Oliveira Torres é médica

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O CIDADÃO TAMBÉM TEM O DIREITO DE SE DEFENDER! 

Reportagem de o  "NOVO JORNAL / NATAL" (em 08/02/2012)



O clube
O Clube do Tiro Atitude (CTA) é uma associação civil sem fins lucrativos, de finalidade desportiva e social, com personalidade jurídica distinta de seus
associados. Fica no Sítio Recanto Beira Rio, na Rua Luiz Gerônimo da Silva, nº 22, praia de Pirangi do Norte. Atualmente, são mais de 30 associados. Para
fazer parte, o interessado é avaliado por uma assembléia, formada pelos
sócios fundadores.
O primeiro critério a ser analisado é a vida pregressa. Com impedimento imediato se a pessoa possuir algum antecedente criminal. “Aqui só entra gente de bem, de caráter”, avisou Marcelo Porpino.
Em breve, ainda segundo o instrutor e proprietário, o CTA pretende
promover a sua primeira competição esportiva. E para participar, obviamente,
é preciso se filiar. O ingresso, como já foi dito, depende da avaliação dos
fundadores. Uma vez aceito, existe uma taxa de admissão chamada de “joia”.
Para quem não é policial, a joia custa R$ 600, com mensalidades de R$
60. Para os policiais civis, militares da PM, Corpo de Bombeiros, federais e
rodoviários federais, ou então militares das forças armadas (Marinha, Exército
e Aeronáutica), a inscrição custa metade do preço, o mesmo valendo para as
mensalidades. O dinheiro pago é usado para as despesas com a manutenção
das instalações e aquisição de equipamentos de segurança.
Outras informações pelo www.clubedotiro.com.br ou pelos telefones
8118-5008 e 9152-7105.
Antes mesmo de explicar o paço a paço de uma aula de tiros, vale aqui registrar algumas frases pontuais ditas por Marcelo Porpino.
“Todo mundo, quando segura uma arma, se sente poderoso.
É da natureza humana. Quem nunca teve vontade de atirar?”. E
não é que o policial tem mesmo razão. Pelo menos para este repórter,
que não perdeu a oportunidade de empunhar uma arma e puxar o gatilho. A sensação, realmente, é ótima.
A primeira lição foi conhecer a arma que seria utilizada na pista
de tiros. No caso, uma pistola americana calibre ponto 40, fabricada pela Taurus. Leve, confortável, poderosa. De uso exclusivo das forças policiais, é uma das preferidas, pois o projétil dificilmente transfixa o corpo. E essa é uma característica importante em ações policiais, pois quando o chumbo entra e sai do corpo, existe o perigo de o tiro seguir sua rota e acabar atingindo outra pessoa que não tenha nada a ver com o ocorrido.
Depois de pôr os óculos e os protetores de ouvido, o passo seguinte
foi conhecer os mecanismos de trava, carga e descarga da arma. Tudo ok. Em seguida, vieram orientações para montar uma boa base – a posição correta do
corpo para um tiro firme e seguro.
Pernas flexionadas, com a esquerda um pouco a frete da direita.
Isso vale para os destros. Para os canhotos, a posição é inversa. Braços
esticados na altura dos olhos (mas não muito por causa do coice) e mãos fechadas em torno do cabo da arma. O dedo, como recomendado,
só vai ao gatilho quando o alvo está na mira.
Por fim, foi só aguardar o comando do instrutor. “Em guarda
(posição). Enquadrar alça e massa (apontar a arma para o alvo e mirar). Atirador pronto? (pergunta que o instrutor faz para se certificar que o aluno está preparado).
Pista quente! (significa que o disparo já pode ser feito, pois não há obstáculos entre o atirador e o alvo). Fogo. É bala!
Vale ressaltar que a munição utilizada no Clube do Tiro. Atitude é por conta dos associados.
Cada um leva a sua. As armas também. Apenas para os iniciantes, aqueles que não possuem autorização de porte ou posse, é que o clube disponibiliza
o armamento, mas sempre com o auxílio e o acompanhamento de um dos cinco instrutores do clube.
A maioria dos associados é composta por policiais e militares, homens e mulheres que trabalham em rádio patrulhas, BOPE, programas de prevenção
às drogas, delegacias especializadas.
No entanto, também tem muita gente, cidadãos comuns, que frequentam o local em busca de conhecimento para se defenderem da criminalidade.
Um destes pacatos cidadãos é o empresário do ramo imobiliário Marcelo Oliveira de Lima.
“Estou aqui desde o início. Já tenho todas as noções gerais sobre
manuseio e defesa”, disse ele.
Mas, afinal, o que leva um chefe de família a participar de um clube
de tiros? A resposta foi mais rápida que um disparo. “A violência
tá crescendo. Eu preciso defender a mim e a minha família”, pontuou. “Torço para nunca precisar, para nunca ter que usar minha arma. Mas, se precisar, estou preparado”, resumiu.
A segurança no Clube do Tiro Atitude é total. Segundo o próprio Marcelo Porpino, em todo o país não há notícias sobre acidentes ou incidentes nos últimos 50 anos. “Aqui, a segurança é prioridade. Isso eu garanto”, afirmou.
De fato. Até para se aproximar das baias, é preciso seguir à risca uma série de normas e regras.
Tudo para garantir a integridade dos instrutores, dos praticantes e também dos aprendizes.
Placas espalhadas por todos os cantos não deixam ninguém esquecer as obrigações.
Tá tudo escrito: “Trate sua arma como se ela estivesse carregada, mantendo sempre o dedo fora do gatilho e o cano da arma apontado para o chão; Só coloque o dedo no gatilho quando estiver apontando sua arma para o alvo e pronto para atirar; Use sempre óculos de segurança e protetor auricular; Não tome bebidas alcoólicas antes ou durante os tiros; Nunca tente atirar com uma
arma que você não conheça o funcionamento ou manejo da mesma;
Em caso de nega (falha no disparo), mantenha a arma apontada para o alvo e aguarde alguns segundos antes de descarregá-la, evitando exposição com a culatra; Se o tiro for fraco, antes de efetuar outro disparo, descarregue a arma
e verifi que se o cano está obstruído; Nunca atire em objetos no chão, água, rocha ou qualquer superfície onde o projétil possa ricochetear; Atire sempre em direção ao alvo; Em caso de dúvidas, tire o dedo do gatilho, abaixe sua arma e chame o instrutor”.
Tomadas as devidas precauções, o passo seguinte é abrir fogo. Porém, para puxar o gatilho pela primeira vez, o aluno iniciante precisa antes passar
por uma etapa de aprendizado teórico. São aulas que tratam das munições, dos calibres, do manuseio e do carregamento.
E o mais importante: a posição correta para empunhar a arma.
“Aqui eu consegui aperfeiçoar o que aprendi na academia.
Conheci novas técnicas de tiro e de defesa. Adoro”, contou Hélio Martins, soldado lotado no 5º Batalhão da Polícia Militar. Com 11 anos de carreira, o policial disse que só não vai ao clube quando não dá mesmo. “Pelo menos
duas vezes no mês estou aqui, atirando”, acrescentou.
Para Abimael da Cunha Lima, agente do 1º Distrito Policial de Mossoró, não basta ter formação policial para ser um bom atirador.
Segundo ele, o tempo na academia é muito curto. Depois de formado, dificilmente um policial passa por algum curso de reciclagem.
“Por isso a importância do Clube do Tiro Atitude. Estou aqui para aprender. Acabei de me formar como policial civil. Quer saber quantos tiros eu dei? Apenas 20 em quatro meses de capacitação.
É muito pouco. Aqui no clube é diferente. Aqui eu atiro à vontade”, revelou Abimael, acrescentando que só em um dia de treinos no Clube do Tiro ele realiza mais de 50 disparos.
“EM GUARDA. ENQUADRAR alça e massa. Atirador pronto? Pista quente!”. Deu pra entender? Não? Vamos tentar outra vez:
“Em posição. Apontar e mirar. Pronto pra atirar? Fogo!”.
De uma maneira ou de outra, é muito simples o que deseja o instrutor: que o aluno aprenda a manusear uma arma de fogo. E que ele, caso ocorra uma situação de extrema necessidade, saiba como utilizá--la com segurança e presteza.
É este o propósito do Clube do Tiro Atitude, uma associação criada há dois anos pelo advogado e agente Marcelo Porpino, de 45 anos, metade deles
dedicado à Polícia Civil.
“Começamos com um clube exclusivo para policiais civis e militares, um local onde os colegas pudessem treinar e aprimorar as técnicas que aprenderam durante o curso de formação. Agora, além disso, também estamos abertos
para receber qualquer pessoa que queira praticar ou mesmo aprender a atirar, seja para proteção pessoal, familiar, patrimonial ou, para quem preferir, apenas como um exercício esportivo”, explicou Porpino.
O Clube do Tiro Atitude fica no Sítio Recanto Beira Rio, na Rua Luiz Gerônimo da Silva, na praia de Pirangi do Norte.
Abre apenas aos sábados e domingos, das 8h às 11h30. E foi num destes finais de semana que a reportagem encontrou o instrutor, que foi logo dizendo: “Eu tenho muito gosto pela profissão que abracei.
Uma vontade enorme de contribuir com a segurança pública.
Aqui nós fazemos isso”, disse ele, apontando para as baias e pistas onde são efetuados os disparos.
São nestas pistas que o pessoal aproveita, também, para aliviar o estresse do dia a dia. Segundo Porpino, o clube possui hoje mais de 30 associados.
A maioria é de policiais e de militares das forças armadas.
Contudo, como estes já sabem manusear e atiram com certa frequência – seja
nas atividades profissionais ou em treinamentos – a presença no clube durante os finais de semana também serve como válvula de escape.
“Criamos o clube também como um espaço para confraternização, bate-papo, encontro de amigos. O dia a dia de um policial é muito puxado. Por isso, muitos vêm aqui para descarregar os problemas. Atirar alivia as preocupações, desobstrui a mente e depois, pode acreditar, deixa uma sensação de paz e
tranquilidade”, ressaltou.
Paz e tranquilidade. Foi justamente o que sentiu a jovem advogada Nathália Gurgel, de 23 anos. Recentemente aprovada na OAB, ela insistiu para que
seu pai a levasse ao clube. Tiro certo. Mesmo apreensiva e um pouco nervosa, logo ela já estava com uma pistola calibre 380 entre as mãos. No primeiro tiro, medo. Mas foi apenas pelo susto com o barulho. Do segundo disparo em diante, Nathália já mostrava confiança e sorrisos.

“Eu fiquei nervosa, angustiada.
Depois eu relaxei e gostei. É muito legal”, disse ela, ao falar sobre sua primeira experiência com uma arma de fogo.

APONTAR!

CLUBE DO TIRO INSTALADO NA PRAIA DE PIRANGI, ASSOCIAÇÃO REÚNE POLICIAIS E CIVIS QUE QUEREM TREINAR OU APRENDER A USAR UMA ARMA PARA SE DEFENDER DA VIOLÊNCIA

FOGO!

Nathália Gurgel, advogada, teve sua primeira experiência com arma de fogo: “Eu fiquei nervosa, angustiada. Depois eu relaxei e gostei”

ANDERSON BARBOSA
DO NOVO JORNAL

SEGURANÇA GARANTIDA PARA INSTRUTORES E APRENDIZES REPÓRTER EXPERIMENTA PISTOLA PONTO 40 E APROVA PACATOS

CIDADÃOS SE PREVINEM

A VIOLÊNCIA TÁ CRESCENDO.
EU PRECISO DEFENDER A MIM E A MINHA FAMÍLIA”

Marcelo Oliveira de Lima, Empresário

Marcelo Porpino, advogado e agente da Polícia Civil: fundador do clube  Clube do Tiro Atitude reúne cerca de 30 associados nos finais de semana
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Repórter Anderson Barbosa: “A sensação, realmente, é ótima”
FOTOS: MAGNUS NASCIMENTO / NJ (aqui não reproduzidas).

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012


GREVE NAS POLÍCIAS MILITARES

 
A sociedade brasileira assiste preocupada à ebulição de acontecimentos perturbadores da ordem e da segurança pública decorrentes de reivindicações salariais por parte daqueles que a deveriam proteger, sendo oportuno questionar o cerne do problema que não se limita a um único estado federativo.

A questão toma dimensões maiores à medida que envolve instituições organizadas com base na hierarquia e na disciplina e que, tradicionalmente, respeitam a ordem jurídica existente, sendo fácil simplificar atribuindo-se os lamentáveis episódios ocorridos a ações de elementos mal formados, mas com liderança na caserna.

Difícil e triste é aprofundar a análise e constatar que a maior causa é a conjuntura política nacional onde são raros os exemplos de justiça, dedicação e seriedade no trato da coisa pública e de dignidade, honestidade e competência no exercício dos mais elevados cargos, enquanto abundam os enriquecimentos ilícitos de detentores de mandatos, de operários da justiça e de membros do staff governamental, aproximando o brasileiro comum da situação indesejável de cidadão inferior envergonhado de sua estagnação por querer ser honesto e obrigado a ser trabalhador. Não é exagero assim pensar se nos lembrarmos que aos privilegiados, próximos do poder, não lhes falta criatividade para a garantia de remunerações condignas, tal como menor tempo de jornada de trabalho, benefícios específicos, vantagens pecuniárias diversas, assistência médica pronta, geral e irrestrita, revisão salarial anual, generosa e sem delongas, e tantas outras. Junte-se a isso a demagógica e irresponsável fixação de um piso salarial de R$4.000,00 para soldado da Polícia Militar do Distrito Federal, embora pago pela União, incompatível, segundo é proclamado, com a realidade econômica do governo federal e com a estrutura federativa, mas facilmente previsível como geradora de pleitos de igualdade salarial nas outras congêneres, além de um evidente descaso com as Forças Armadas, postas em situação de inferioridade.

É fácil reprimir quando se tem a competência legal do emprego da força, mas difícil é governar para todos e não apenas para partidos e/ou pequenos grupos, buscando-se, com oportunidade, sinceridade e determinação, a aplicação da justiça à nação por inteira, sem a criação de cidadãos de segunda classe.

O ser humano é produto do meio em que vive e não nasce violento. Se o meio se esgarça, tornando-se impuro e injusto, consequências indesejáveis hão de surgir.

(Gen Ex José Carlos Leite Filho – linsleite@supercabo.com.br – 10/02/12)

(Publicado no “O Jornal de Hoje”, de 11/02/12 – Natal-RN)

domingo, 12 de fevereiro de 2012



DEÍFILO GURGEL EM VÁRIOS TONS

Um soneto inédito de Deífilo Gurgel
Por Nelson Patriota

Se todo poeta se torna, com o passar dos anos, um metafísico, um filósofo condenado a formular insistentemente perguntas irrespondíveis, não é o caso, então, de censurar o poeta Deífilo Gurgel por ter se dobrado ao metafísico em sua última fase. O soneto “Solidão”, datado de 4 de agosto de 2009, e que nos foi oferecido pelo autor para o n. 4 da Revista do Conselho Estadual de Cultura (ainda inédita), tem em seu último terceto uma síntese, porém, antimetafísica (um tento para Deífilo), comparável àquela de “Preparação para a morte”, de Manuel Bandeira, em sua lucidez chã, sem véu de alegoria. Diz o verso: “Um dia a Morte, monja silenciosa, / me levará também, só, entre rosas, / para a outra margem desta solidão”.

Citemos, porém, os dois quartetos e o terceto faltantes, haja vista que “Solidão”, até onde sabemos, permanece inédito: Com que festejo, agora, esta chegada /de volta à minha terra, ao chão comum, / se todos já partiram, um a um, / levados pelo Vento, para o Nada? // Com quem dividirei minha risada, / se não encontro mais, aqui, nenhum / dos velhos companheiros de jornada, / que o Vento arrebatou, frágeis anuns? // De que me vale perguntar à Morte / por que os levou, para que Sul ou Norte, / se a Morte não responde à indagação? [...]”.

Mas a poesia de Deífilo Gurgel, vasta vaga que se espraia em tantas margens, comporta a cada arremetida um modo de ser e de ver que se desdobra e se diversifica sempre segundo uma lógica própria que lhe é exclusiva. Ao escrever “Uma história da poesia brasileira”, o carioca Alexei Bueno antologiou, dentre os poetas norte-rio-grandenses vivos, apenas Deífilo Gurgel, representado no livro pelo soneto “A praia”. Bueno justificou a escolha sob o argumento de que se tratava de “um dos sonetos mais belos de nossa poesia”. Diva Cunha e Constância Lima Duarte, em sua “Literatura do Rio Grande do Norte: antologia”, também se curvaram ao encanto dos sonetos de Deífilo, e o mesmo aconteceria com Assis Brasil, em seu livro “A Poesia Norte-Rio-Grandense no século XX”, entre outros.

A rigor, Deífilo Gurgel não poderia ser alinhado ao lado de poetas do lado soturno da vida, como uma leitura descontextualizada do soneto “Solidão” poderia sugerir. Nascido e criado numa praia, acostumado à luz abundante e ubíqua que recobre nossa região, ele teria naturalmente que ser um poeta do lado ensolarado da vida, como, de fato, foi. Dito de outra forma, era uma pessoa alegre, otimista e confiante no trabalho que desenvolvia desde muitos anos, fosse na seara da poesia, fosse naquela outra do folclore, da cultura popular, com seus romanceiros, seus autos populares, que encarava como seu verdadeiro trabalho, por requerer método, pesquisa e análise. Em contraste, a poesia às vezes é puro diálogo interior.

Durante alguns meses do ano de 1999, pude conviver de perto Deífilo Gurgel, privando de suas orientações e de seu saber, quando trabalhamos na feitura do livro “400 nomes de Natal”. O livro foi planejado para celebrar os 400 anos de fundação da cidade de Natal, que se festejariam no ano seguinte. Rejane Cardoso, responsável pela coordenação do projeto, além de Manoel Onofre Jr. e Jardelino Lucena, dividiram conosco os ônus desse livro ambicioso e temerário, que reduz à mesma estatura personagens díspares e desiguais da história potiguar.

Mais tarde, eu reencontraria Deífilo Gurgel no Conselho Estadual de Cultura, ao lado de outros companheiros dessa frágil nau que, no fim das contas, é qualquer instituição cultural pública. O velho poeta não se queixava de nada; via com naturalidade a passagem dos anos que, afinal, é uma herança comum a todos os que têm a fortuna de envelhecer. Essa é uma daquelas lições de vida que não se esquece.

* * *


EPITÁFIO


Este foi um homem feliz.
Trabalhou em silêncio,
sua ração cotidiana
de humildes aleg(o)rias
Nunca o seduziu a glória dos humanos
Nem a eternidade dos deuses.
Fez o que tinha de fazer:
repartiu o seu pão entre os humildes,
defendeu como pôde os ofendidos,
semeou esperanças entre os justos,
e partiu, como tinha de partir
feliz com sua vida e sua morte


Deífilo Gurgel
Natal: 27.09.1994



TARRAFAS – Deífilo Gurgel


À sombra do cajueiro que floresce junto ao mar
Paciente o pescador tece a rede de pescar
Enquanto a mão se entretece nesse mister singular
Outra mão por trás do tempo vai tecendo sem cessar
A tarrafa que algum dia, vai pescar o pescador
Juntamente com seu tédio, seu sorriso e sua dor.
E tece com tal mestria essa tarrafa de vento
Que o pescador nunca pensa, quando pesca o seu sustento
Que a morte o está pescando, lentamente, dia a dia
Nessa embora inevitável, invisível pescaria.


Madona

Os passos que perdi, nos descaminhos
e as lágrimas ardentes que chorei;
os risos, os abraços, os carinhos,
tudo que fui, que sou e que serei;
a glória de ser bom entre os espinhos
e de fazer do amor a minha lei;
os versos que espalhei pelos caminhos
e os que, cantando, um dia espalharei,
é tudo teu, Senhora; e se teu filho
não alcançou aquele intenso brilho
que almejaste, um dia, entre esperanças,
ainda é o mesmo que na infância amaste
e com teus gestos brandos ensinaste
a amar o céu, as flores e as crianças.

Deífilo Gurgel


Areia Branca, Meu Amor


DEÍFILO GURGEL


A cidade adormecida,
no coração do poeta,
entre pregões matinais,
subitamente, desperta.


Para trás da Serra Vermelha,
nasce a manhã, nas levadas,
na solidão das salinas,
nas águas envenenadas.


Maçaricos alçam vôo,
nas várzeas de pirrixiu.
pescadores solitários,
pescam o silêncio do rio.


Num bosque de matapasto,
atrás de Amaro Besouro,
desabrocha o fumo bom,
em fino cálices de ouro


Calafates calafetam
velhos barcos irreais.
Moinhos movem o vento,
nas tardes do nunca mais.


O sol se pondo na Barra,.
entre mangues e canoas,
põe rebrilhos de vitrilhos,
nas marolas das gamboas.


A noite cai. Cães vadios
ladram na rua, à distância.
Deslizam sombras esquivas,
nas esquinas da lembrança.


Todos os que se mudaram
para o outro lado da vida
e dormem, no cemitério
da cidade adormecida,


vêm a mim, me cumprimentam,
me comovo ao recebê-los,
baila uma fina poeira,
em torno dos seus cabelos.


Converso com Pum-na-guerra,
Fumo-bom e Baranhaca.
Abraço Maria Mole,


Ciço Cabelo de Vaca.


Passo no Canal do Mangue,
vou à Fuzaca, à Favela.
Na rua da frente há moças
debruçadas na janela.


D. Adelina me argúi
na taboada e ABC.
Começa tudo de novo,


Pela estrada do aprender.


Ouço as valsas da Água Doce,
nas tardes de antigamente.
entre Bois e Pastoris,
sou menino novamente.


As ruas se embandeiraram,
Há lanternas pelas portas.
São João acorda, entre o riso
de pessoas que estão mortas.


Os pés do menino vão
nessas ruas do sem-fim.
O tempo não conta mais,
partiu-se, dentro de mim.


Nesse burgo de lembranças,
guardado pela memória,
minha vida se inicia,
recomeça minha história.