sexta-feira, 3 de junho de 2011


SOMOS DO TEMPO EM QUE...
Por Francisco de Assis Barros

Somos do tempo em que papel higiênico era
quadrado (papel Tico-Tico?). Lembram-se quando o papel higiênico era
quadrado? Não confundam com o “papel higiênico tipo-jornal”. Falo
daquele comprado em mercearias – também não tínhamos supermercados -,
que vinha imprensado entrem dois papelões, lembrando, atualmente, um
pacote de guardanapos. Aquele pacote de papel higiênico já vinha com
um arame para dependurar na parede.
Somos do tempo em que a revista O
Cruzeiro era a preferida. Naquele tempo não existia a variedade de
revistas informativas que temos hoje. Mas tínhamos, além de A Cigarra
e Realidade, a revista O Cruzeiro, com suas seções: artigos de David
Nasser, o Pif-Paf, com textos de Emanuel Vão Gôgo (pseudônimo de
Millôr Fernandes), Carlos Estevão, O Amigo da Onça e, na última
página, sempre um maravilhoso artigo de Raquel de Queiroz.
Ininterruptamente, a revista O Cruzeiro foi editada de 1943 a 1975.
Somos do tempo em que se vendia rolete de
cana-de-açúcar (caiana) e amendoim torrado, na porta do cinema. E tem
mais, nós podíamos entrar com aqueles produtos e, lá dentro, ficar
jogando o bagaço na cabeça dos outros. Lembram-se como eram
acondicionados os roletes de cana? Uma taboca aberta e os rolinhos
espetados ali.
Somos do tempo em que brincar os
carnavais com confetes e serpentinas era normal, e, o que era melhor,
tomando muito porre de lança- perfume Rodouro. Tínhamos também o
lança-perfume Colombina, mas este não tinha um bom odor. Quem não ia
aos bailes com um lencinho no bolso? Quem esquecia o lenço tomava seus
porres na manga da camisa mesmo. Qual a marca do lenço? Presidente.
Somos do tempo em que táxi se chamava
“carro de praça” e taxista era “motorista de praça”. E os carros de
praça eram: Sinca Chambord, Studebaker Street, Buick Roadmaster,
Mercoury,DeSoto, Hillmann, Nash, Packard, Dodge, Lincoln, Plimouth
Belvedere, Ford Vitória, Aero Willys e até Rural da Willys.
Somos do tempo em que se escrevia de
caneta tinteiro, atropelada pela caneta esferográfica. Íamos para o
colégio com a nossa caneta tinteiro, que, às vezes, derramava a tinta
no bolso e ficava aquela mancha difícil de tirar (posteriormente
criaram a Parker Quink, lavável). Portávamos também o tinteiro, para o
caso dela secar e não passarmos vexames. As marcas eram Sheaffer,
Compactor (muito popular entre nós), Pilot e a sofisticada Parker 51,
depois a 61, mais moderna.
Somos do tempo em que as motos, tipo
Scooter, eram apenas duas: Lambreta e Vespa. Ambas de origem
italiana tinham seus pneus muito pequenos, o que gerou muitas quedas.
Como não havia a obrigatoriedade de usar capacetes, aqueles tombos
trouxeram péssimas conseqüências para alguns. A Vespa, para complicar,
ainda tinha o motor do lado, o que obrigava o condutor a empenar o
corpo para compensar. Atualmente as Scooters estão de volta, mas se
observa que agora seus pneus são bem maiores.
Somos do tempo em que andávamos de bonde,
marinete e auto-lotação. Natal tinha duas linhas de bondes:
Ribeira/Alecrim e Alecrim/Lagoa Seca. Era um transporte barato e
lento, mas muito prazeiroso. A linha Alecrim – Lagoa Seca era muito
perigosa para quem andava em pé do lado de fora (era um charme!); como
os bondes passavam muito próximos dos postes, muitos marmanjos
quebraram as cabeças ali. Porém, o mais gostoso mesmo era saltar do
bonde com ele andando.
Somos do tempo em que dávamos corda em
relógio de pulso. Nossos relógios ainda não eram automáticos, eram
mecânicos e ainda tinham “cabelo”, então, ou se dava corda,
sistematicamente, ou eles paravam de funcionar. Os relógios de
categoria teriam que ser made in Suisse, todos com corda manual:
Tissot, Omega, Mido, Eternamatic, Seiko. Posteriormente, os mesmos
fabricantes suíços criaram o relógio automático, como dizia a
publicidade da época: “... com o movimento regular e preciso da âncora
de rubis que move todo o relógio de qualidade”.
Somos do tempo em que menino tomava
purgante. Tomamos muitos purgantes. Entrávamos de férias e as nossas
respectivas mães nos impingiam aqueles terríveis purgativos:
batata-de-purga, maná-com-sena, óleo-de-ricino e, os farmacêuticos:
Neocitram, Limonada Purgativa, Salamargo e Licor de Cacau Vermífugo
Xavier. Eca! Já recuperados de tantas caganeiras, era o momento delas
(as mães) nos obrigarem a tomar Iofoscal (para a memória da criança) e
Emulsão de Scott (a base de óleo de fígado de bacalhau). Eca, de novo!
Quando tossíamos? Phimatosan. Ainda tomamos: Licor de Cacau Xavier,
Cibalena, Pílulas de Vida do Doutor Ross, Cafiaspirina, Bromil,
Capivarol e Biotônico Fontoura.
Somos do tempo em que as nossas mães,
irmãs e, até, namoradas começaram a usar o laquê em spray da Helena
Curtis, desobrigando-as de usar pente ou escova durante as festas.
Vimos também essas mulheres usarem os seus primeiros cílios postiços e
as roupas íntimas da DeMillus, aposentando definitivamente as
calcinhas (elásticos ou botões), de tecido (morim ou cambraia de
algodão), anáguas, combinações, cintas e sutiãs com enchimento. Usavam
também: vestido tubinho, vestido de organdi com a cola de tafetá,
calças da Lewis, blusa banlon e saia plissada. Para o embelezamento:
Pó de arroz da Cachemere Bouquet, da Coty ou Royal Briar, Rouge, Creme
Rugol, Antissardina, Pomada Minâncora e Creme Ponds.
Somos do tempo em que a inflação gerava
“carestia”. Ouvimos muito nossas mães falarem na grande carestia e
nunca vimos ninguém em pânico com medo de perder o emprego ou o seu
patrimônio. Gosto muito de dizer que a “carestia” que os nossos pais
enfrentaram era mais branda do que “a inflação” que enfrentamos nos
dias atuais.
Somos do tempo em que o nosso banheiro
ficava lá no final do quintal da casa, conseqüência: tínhamos que,
invariavelmente, utilizar o indefectível urinol. Naquele tempo
chamávamos o Demônio de Cão.
Somos do tempo em que a rapaziada só
transava com prostituta ou empregada doméstica e usava brilhantina no
cabelo: Glostora, Royal Briar, Promesa e Gumex; sapatos Clark, Paso
Doble ou Vulcabrás e meia Lupo ou Lobo; após a barba sempre Áqua
Velva. Se chovia, usávamos capas e galochas. Naquele tempo os padres
rezavam a missa, em latim e de costa para os fiéis, com a mulherada de
xale na cabeça.
Somos do tempo em que dançávamos ao som
do Trio Los Panchos, Benvenido Granda, Lucho Gatica, Gregório Barros,
Orquestras de Waldir Calmon (Feitos Para Dançar nº 1, 2, 3...) e de
Perez Prado. O Long Play? Continental, RCA, Rosenblit ou Mocambo.
Acompanhamos o nascimento e a morte do Twist. Dormíamos numa cama
patente Faixa Azul, o colchão era Probel e os lençóis eram da
Santista. Tomávamos Toddy, Ovomaltine e Vic Maltema e combatíamos os
insetos com Detefon e chatos com Neocid.
Somos do tempo em que pingávamos no olho
Colírio Moura Brasil e Lavolho; tomávamos refrigerantes Crush,
Clipper, Grapete (ainda existe) e Guaraná Caçula. Má digestão e azia
eram curadas com Sal de Frutas Eno; nossas bicicletas eram Monark ou
Bianchi; colávamos nossas figurinhas com água e farinha de trigo – o
famoso grude – ou com Goma Arábica; chupávamos Drops Dulcora, nosso
chocolate era Diamante Negro e fumávamos cigarrinhos de chocolate da
Garoto.
Somos do tempo em que nossas mães limpavam
os móveis com Óleo de Peroba ou Lustrol e lustravam o chão com Cera
Parquetina; o sabão em pó era Rinso ou Lux; as suas máquinas de
costuras eram: Vigorelli, Singer, Elgin e Leonam (Manoel ao
contrário); abanavam o fogo à lenha com a tampa da panela, enquanto
usavam a Gordura de Côco Brasil; usavam ovo de madeira para coser
meias com Linha Corrente; usavam areia de rio para limpar as panelas
(daí o verbo: arear) e anil para clarear as roupas lavadas.
Somos do tempo em que todas as geladeiras
eram brancas (lembram-se da Kelvinator?) e todos os telefones eram
pretos; todo menino tinha um terninho de marinheiro e tirava fotos com
ele (ridículo!); jogavam futebol com bola de capotão (devidamente
besuntada com sebo); havia half e center-half, todos de suporte
anatômico Big, que chamávamos de sunga (aquela do Gorila),
tornozeleiras e os goleiros usava joelheiras.
Finalmente, somos do tempo em que, no
futebol, Pelé e Coutinho faziam uma famosa tabelinha. Porém, aí, já
seria uma outra história.
Meu Deus! Como o tempo passa rápido!
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Colaboração de Ciro Tavares

quinta-feira, 2 de junho de 2011



C O N V I T E

O INSTITUTO NORTE-RIOGRANDENSE DE GENEALOGIA – INRG tem a satisfação de CONVIDAR os seus associados e pessoas interessadas para assistirem a reunião-palestra, que será realizada com a participação especial da confreira CLOTILDE TAVARES, a qual abordará o tema: “Fundamentos da Genealogia”.
DATA/HORÁRIO: dia 16 de junho, às 19,30 horas.
LOCAL: Solar Bela Vista – Av.Câmara Cascudo (antiga Junqueira Aires) – Natal
Natal, 01 de junho de 2011.

ORMUZ BARBALHO SIMONETTI
Presidente

quarta-feira, 1 de junho de 2011


NOVA LEI BRASILEIRA SOBRE PRISÃO.
Não é só para conhecimento, mas também para indignação...E DIVULGACÃO!!!

VEJA QUE ABSURDO!!!!

Desabafo de um Promotor.

Caros colegas, após 15 anos de atuação na área criminal estou
pensando seriamente em abandonar a área com a nova LEI 12.403/2011
aprovada pelo CONGRESSO NACIONAL e sancionada em 05/05/2011 pela Presidente DILMA ROUSSEF e pelo Ministro da Justiça JOSÉ EDUARDO CARDOZO.

Quem não é da área, fique sabendo que em 60 dias (05/07/2011) a nova
lei entra em vigor e a PRISÃO EM FLAGRANTE E PRISÃO PREVENTIVA SOMENTE OCORRERÃO EM CASOS RARÍSSIMOS, aumentando a impunidade no país. Em tese somente vai ficar preso quem cometer HOMICÍDIO QUALIFICADO, ESTUPRO, TRÁFICO DE NTORPECENTES, LATROCÍNIO, etc.. A nova lei trouxe a exigência de manter a prisão em flagrante ou decretar a prisão preventiva somente em situações excepcionais, prevendo a CONVERSÃO DA PRISÃO EM FLAGRANTE ou SUBSTITUIÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA em 09 tipos de MEDIDAS CAUTELARES praticamente inócuas e sem meios de fiscalização
(comparecimento periódico no fórum para justificar suas atividades,
proibição de frequentar determinados lugares, afastamento de pessoas,
proibição de de se ausentar da comarca onde reside, recolhimento
domiciliar durante a noite, suspensão de exercício de função pública,
arbitramento de fiança, internamento em clinica de tratamento e
monitoramento eletrônico).

Para quem não é da área, isso significa que crimes como homicídio
simples, roubo a mão armada, lesão corporal gravíssima, uso de armas
restritas (fuzil, pistola 9 mm, etc.), desvio de dinheiro público,
corrupção passiva, peculato, extorsão, etc., dificilmente admitirão a
PRISÃO PREVENTIVA ou a manutenção da PRISÃO EM FLAGRANTE, pois em todos esses casos será cabível a conversão da prisão em uma das 9 MEDIDAS CAUTELARES acima previstas. Portanto, nos próximos meses não se assuste se voce encontrar na rua o assaltante que entrou armado em sua casa, o ladrão que roubou seu carro, o criminoso que desviou milhões de reais dos cofres públicos, o bandido que estava circulando com uma pistola 9 mm em via pública, etc.

Além disso, a nova lei estendeu a fiança para crimes punidos com até
04 anos de prisão, coisa que não era permitida desde 1940 pelo Código
de Processo Penal! Agora, nos crimes de porte de arma de fogo, disparo
de arma de fogo, furto simples, receptação, apropriação indébita,
homicídio culposo no trânsito, cárcere privado, corrupção de menores,
formação de quadrilha, contrabando, armazenamento e transmissão de
foto pornográfica de criança, assédio de criança para fins
libidinosos, destruição de bem público, comercialização de produto
agrotóxico sem origem, emissão de duplicada falsa, e vários outros
crimes punidos com até 4 anos de prisão, ninguém permanece preso (só
se for reincidente). Em todos esses casos o Delegado irá arbitrar
fiança diretamente, sem análise do Promotor e do Juiz. Resultado: o
criminoso não passará uma noite na cadeia e sairá livre pagando uma
fiança que se inicia em 1 salário mínimo! Esse pode ser o preço do
seu carro furtado e vendido no Paraguai, do seu computador receptado,
da morte de um parente no trânsito, do assédio de sua filha, daquele
que está transportando 1 tonelada de produtos contrabandeados, do
cidadão que estava na praça onde seu filho frequenta portando uma arma
de fogo, do cidadão que usa um menor de 10 anos para cometer crimes,
etc.

Em resumo, salvo em crimes gravíssimos, com a entrada em vigor das
novas regras, quase ninguém ficará preso após cometer vários tipos de
crimes que afetam diariamente a sociedade. Para que não fique qualquer
dúvida sobre o que estou dizendo, vejam a lei.

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12403.htm

Também para comprovar o que disse, leiam o artigo do Desembargador
FAUSTO DE SANCTIS sobre a nova lei, o qual diz textualmente que "com a vigência da norma, a prisão estará praticamente inviabilizada no
país":

http://advivo.com.br/blog/luisnassif/de-sanctis-e-o-codigo-de-processo-penal
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Colaboração de DIDI AVELINO

terça-feira, 31 de maio de 2011

LÍVIO OLIVEIRA INFORMA AOS AMIGOS


Meus textos em "O Poti"

Caras amigas e amigos d'O Teorema da Feira,

Tenho a alegria de informar que há aproximadamente quatro semanas estou escrevendo como colaborador permanente do jornal O Poti, um dos três mais importantes jornais do Rio Grande do Norte, que voltou com força total, após um período de suspensão que se deu em face de uma estratégia editorial dos Diários Associados, grupo empresarial e jornalístico colossal que o mantém.

Sinto-me honrado por ter sido convidado pela prezada editora Juliska Azevedo e pela jornalista Adriana Amorim. Antes, eu escrevia aos sábados no Diário de Natal, com a chancela inicial do meu amigo jornalista Sérgio Vilar. Agora, ganhei de presente - a partir desse novo convite - a possibilidade de publicar os meus textos no domingo, dia que - todos sabem - os leitores mais procuram a leitura de jornais.

Na mesma página em que escrevo, ainda temos a participação semanal do ex-Deputado Federal Ney Lopes e do jornalista Ciro Pedroza. Acredito estar em muito boa companhia, do ponto de vista textual.

Portanto, amigos e amigas, temos mais uma forte oportunidade de divulgar as nossas ideias, opiniões e textos.

Abraço a todos.

L.O.

segunda-feira, 30 de maio de 2011


O INCONFORMISTA UTÓPICO
Por Honório de Medeiros

Atingi uma idade em que posso mensurar a extensão do meu fracasso [...]. Por nenhum momento em minha vida, antes de tornar-me o que sou, conjecturei de abdicar do meu projeto ou utopia - se quereis – de, através da elaboração de uma obra que me justificasse no futuro, dar o testemunho de minha existência”. [O breviário de uma existência dominada pelo ato de escrever]. “Sempre estive convicto de que nascemos para a realização de uma obra capaz de persuadir o mérito”. – Assim o escritor e jornalista Franklin Jorge se apresenta em conversa com o seu entrevistador, Honório de Medeiros.

Nascido em setembro de 1952 no Ceará-Mirim e criado no Assu, numa propriedade rural que explorava, quando nasceu, a cultura do algodão, a que chamavam de “ouro branco”, e foi pioneira na exploração da agricultura irrigada. Franklin Jorge pertence ao seu Ceará-Mirim natal e ao Assu telúrico e primordial em sua sensibilidade e, também, ao humanismo com que se nutriu o seu precoce talento.

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VEJA, NA ÍNTEGRA, A ENTREVISTA NO BLOG "O SANTO OFÍCIO" E NO "BLOG HONÓRIO DE MEDEIROS.

domingo, 29 de maio de 2011

MOMENTOS DE INSPIRAÇÃO

1. DEVANEIOS DO SILÊNCIO

FOTO:Guillaume Dauphin

Quando eu voar para outra dimensão da vida,
Não me acharás entre os opulentos do poder,
Nem nas rodas dos intelectuais,
Tampouco nos bancos dos templos.

Certamente esquecestes o que sempre amei aqui,
A natureza exuberante do mar,
Os cantos dos passarinhos em minha janela,
O gozo dos pés descalços na areia da praia,
As estrelas cintilantes da noite escura,
O sorrir de uma criança,
O olhar de minha amada,
O cuidar dos desvalidos,
O alento aos sofredores.
O calor dos meus parentes,
O abraço dos amigos.
Valeu a pena viver.

Autor:Carlos Gomes
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2. BALADA DO NAVEGADOR
Ciro José Tavares

“Encontro-me mais uma vez sobre as ondas, uma vez mais!
E erguem-se debaixo de mim as vagas como um corcel
Que conhece o cavaleiro. Que o seu bramido seja bem-vindo!
Ah, que me guiem depressa para qualquer lugar!"

Byron, fragmentos do Childe HAROLD’S PILGRIMAGE

Novamente o antigo galeão retomou a rota do destino,
navega sem receios do mistério que faça refulgir
paixão imorredoura no oceano dos teus olhos.
Filha de Eco liberta das profundezas marinhas,
prende-me ao ancoradouro com doçura no coração,
manda teus ventos espantar para bem longe
a tempestade de estrelas que quer me arrebatar,
deixa que suspenso adormeça no teu leito de nuvens,
coberto com lençóis de algas raras da casa de Netuno.
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3. NO RETRATO DAS LEMBRANÇAS
Jansen Leiros

Há parceiros que viveram no passado
E com eles nos afirmamos como afins,
Prosseguindo juntos toda caminhada,
Pelos caminhos da vida, nos confins.

Há amores que firmamos noutras vidas
E que hoje nos parecem bem remotos
Mas na verdade, se mostram muito próximos
Quais sombras eternas, projeção dos sonhos.

Esses amores que nos acompanham
Memória longínqua, quase infinita
Nos colocando na amplidão do cosmos,
Quais raios de sois que nos energizam.

E não só isso, douram-nos as almas
Dos fios longos de cabelos ofuscantes
Refletindo a luz, com muito e muito brilho
Fortalecendo as lembranças do passado

Eis os retratos das lembranças de outrora
Que nos iincitam a planejar, ditoso
Dinamizando a visão da alma
Na projeção do hoje, do agora.

'Vespasiano'

sábado, 28 de maio de 2011

DOIS MOMENTOS CONFLITANTES

Hoje, sábado – dia 28 de maio de 2011, a sociedade potiguar tem a oportunidade de assistir dois momentos conflitantes de sua existência:

Um, o regozijo da posse de Ângela Maria Paiva Cruz na Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, aliás a primeira Reitora, com a obrigação de dar continuidade à profícua gestão de Ivonildo Rego, na dinamização daquela Instituição de Ensino Superior, em todos os seus segmentos, seja na triplicação dos seus equipamentos físicos, quanto nos seus quadros docente, discente e administrativo, a par de uma elevação de qualidade, reconhecida nacionalmente. Ah! Quem nos dera um Prefeito dessa qualidade para Natal!

O segundo evento, ao reverso, é de profunda tristeza, porque o nosso Machadão se despede para a vida – será demolido, mercê da sanha criminosa de burocratas desinformados e despidos de sensibilidade pública, quando vemos o Estado e a cidade de Natal envoltos em atropelos, grandes dificuldades financeiras, carência total de qualidade nas áreas básicas da educação, da saúde e da segurança.
A propósito, reproduzo o desabafo do meu irmão Moacyr, autor do projeto que seja agora destruído:

“SOLENIDADE MACABRA

Não sei se Nero fez uma festa para comemorar o incêndio de Roma, diz a história que ele tocava arpa enquanto a cidade pegava fogo. Aqui em Natal, as governantes vão fazer um espetáculo circense na despedida do condenado "Machadão", com banda de música, desfiles militares, desfiles de atletas, benção ecumênica, discursos de autoridades e homenagens, enfim, todo um festival diabólico para comemorar a demolição de um patrimônio público, Circo onde o povo pobre desfilava suas alegrias e emoções, somente pela volúpia mórbida de ver o circo pegar fogo. Verdadeira PALHAÇADA.
As instituições sérias e respeitáveis que terão parte no evento, por certo estarão cumprindo regras disciplinares, ou equivocadamente foram envolvidas pelo conto da Copa .
Sem dúvida, isso ficará para a historia de Natal com a mesma importância do incêndio de Roma. Haverá para gáudio dos serviçais do poder, a entrega pela Prefeita do Símbolo do Machadão à Governadora, tudo levando a crer que tal obra de arte venha a ser uma um alto relevo de um asno com MARRETAS amarradas em suas patas traseiras, em homenagem aos auxiliares marreteiros.” Moacyr (27/05/2011)
Afinal, vale repetir a frase lapidar, cuja origem desconheço, quando diz: é difícil a convivência com quem pode mais do que sabe.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O VELHO PROFESSOR QUE NUNCA SE OMITE!


Leia o recado que mandei para a governadora pelo Novo Jornal .

Prezada Governadora:
Tenho por Vossa Excelência uma admiração respeitosa e continuo torcendo que seu governo consiga deslanchar depois de resolver todos os problemas herdados do governo passado. Entretanto, tem umas contas que não estão batendo não minha cabeça. Acredito realmente que o governo do estado não tem recursos financeiros para pagar os reajustes exigidos pelos grevistas e que nem querendo poderia fazê-lo por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal. Então, de onde se vai tirar o dinheiro para pagar as obras para a Copa do Mundo? Só a Arena das Dunas custará uma fábula. As vozes que tenho escutado nas ruas me perguntam: Como não tem dinheiro para pagar aos professores, se tem para o estádio novo? Se me fosse dado o direito de lhe dar um conselho eu diria: Governadora Rosalba, desista dessa obra faraônica para não ter sérias dificuldades no futuro. Talvez a maioria não aceitasse, mas os que têm os pés no chão iriam aplaudir. Como essa obra não poderá ser paga nem em um nem em dois mandatos, como reagiriam os seus sucessores tendo que pagar uma conta que eles não autorizaram?
Geraldo Batista.

quinta-feira, 26 de maio de 2011


Fonte: ALDEIA POTI
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quarta-feira, 25 de maio de 2011
ATRASOS RECOMENDAM ADIAR DEMOLIÇÃO
Atrasos em relação à Copa recomendam adiar demolição
ROBERTO GUEDES

Algumas constatações divulgadas nos últimos dias por observadores credenciados daqui e do centro-sul do país deixaram na contramão a governadora Rosalba Ciarlini, a prefeita Micarla de Souza e o choque entre a veemência verbal e o desalento visual com que o secretário estadual da Copa, engenheiro Demétrio Paulo Torres, tentou desfazer a imagem de que Natal está na marca do pênalti em termos de sediar jogos da Copa do Mundo de Futebol de 2.014.

Três delas merecem destaque. A mais recente edição da “Veja”, de longe a mais vendida revista semanal de informação do país, desembarcou aqui dizendo que Natal não tem a menor possibilidade de construir o estádio “Arena das Dunas”, adredemente
planejamento como sede dos jogos.

Num quadro apensado à reportagem para mostrar quando estariam prontos os catorze estádios eleitos para o certame, a revista disse que o “Arena das Dunas” nunca será concluído.

Em seguida, veio o “site” Globoesporte, mostrando que Natal é “uma das sedes mais atrasadas para a Copa do Mundo de 2014”.

Por último, falou o deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB), exatleta e um dos maiores defensores da atração de jogos da Copa do Mundo de Futebol de 2.014 para Natal. Trata-se do homem que em janeiro deste ano conseguiu ressuscitar a permanência de Natal como sub-sede da copa. Recorde-se que o parlamentar exerceu então fortíssima pressão pessoal, dessas que só muita amizade permite, sobre o presidente da Confederação Brasileira de Futebol(CBF), empresário Ricardo Teixeira, que esta semana novamente se viu enrascado em denúncias de corrupção na Federação
Internacional (Fifa), da qual foi diretor na gestão do sogro João Havelange.

Apesar de Demétrio ter procurado desqualificá-lo anteontem, declarando-o desinformado, Henrique Eduardo deve ser o norte-rio-grandense que mais investiu de capital próprio na tentativa de garantir a permanência de Natal na Copa, pois arrostou em várias frentes seu prestígio pessoal e o de seu cargo de líder do PMDB na câmara federal, chegando até a desfazer declarações de ministros de Estado a respeito do insucesso da candidatura potiguar.

Depois de recorrentes intervenções em que lutou contra quase tudo e todos para garantir para Natal a sub-sede ainda hoje pleiteada por outras capitais estaduais que sobraram na escolha da Fifa, no último fim de semana Henrique Eduardo capitulou.

Reconheceu, pela primeira vez que a situação desta cidade está muito difícil perante o calendário de obras para a Copa:

“Sou forçado a admitir entraves na consolidação da Copa de 2014 em Natal”, disse o Deputado a um jornal natalense. “Providências e fatos concretos em relação ao Estado e Prefeitura precisam de urgente reavalição e consequente aceleração”, avançou.

Ou seja: de maioria, Demétrio, Micarla e Rosalba viraram minoria. Antes porta-vozes do monólito que sobre a Copa detinha a verdade na ponta da língua, arvorando-se num projeto de estádio plasticamente composto apenas em versão gráfi ca em computador
e sem qualquer correspondência técnica, como provou o presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea), engenheiro Adalberto Pessoa de Carvalho, os três passaram, em poucos dias, a ser os únicos norte-rio-grandenses a dizer cabalmente que Demétrio, Micarla e Rosalba, assim como os ex-governadores Iberê Ferreira de Souza e Wilma de Faria e o ex-prefeito Carlos Eduardo Nunes Alves
fizeram, e no devido tempo, o dever de casa em relação à Copa que, de outra forma, talvez hoje até lhes rendesse o capital eleitoral que gostariam de criar e poupar em função do evento.

O confronto entre o discurso de Demétrio, Micarla e Rosalba, pela ordem alfabética, e as constatações em contrário sugere que mais do que nunca o Rio Grande do Norte está na iminência de reproduzir aquele salto do início do filme “Um corpo que cai”, de Alfred Hitchcock.

É a cena em que um policial tenta pular do alto de um edifício para outro, a poucos metros de distância, e cai, estatelando-se vários metros abaixo, entre as duas construções.

Seria igual a Natal saltar do Machadão apenas para a miragem da “Arena das Dunas”
e se estatelar sobre os escombros do estádio atual.

Esta é a imagem que há mais de dois anos alguns defensores da preservação do estádio João Machado invocam quando dizem que a conduta dos governantes potiguares pode destruir o estádio atual e deixar Natal sem o sucedâneo exigido pela CBF.

Talvez seja em decorrência destas constatações que, contrapondo-se cautelosamente
a seu próprio discurso de até então, neste início de semana Demétrio passou a admitir que ainda não tem data para o início da destruição do “Poema de Concreto” erigido pelo arquiteto Moacir Gomes da Costa. E talvez seja por isto que desde a última sexta- feira alguns defensores do Machadão passaram a espalhar em Natal a informação de que os governantes locais resolveram demolir o estádio na calada da noite, alojando esta cidade, irremediavelmente, no papel do malfadado policial hitchcockiano que se perdeu entre fi car no lugar seguro em que estava e aventurar-se em vôo além do seu alcance.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

"Inesquecível Veneza"- crônica por Rizolete Fernandes*

Veneza

Dia desses, enquanto remexia no baú de guardados, caiu-me às mãos um bilhete de Dona Martha Salem (artista plástica) datado de 1983, que transcrevo: Risó querida! Tenho me deliciado com as coisas lindas que seu carinho me trouxe. Fiquei apaixonada por Veneza – que nem fazia parte do meu “roteiro”... Pronto, estavam de volta as lembranças dessa cidade há tanto tempo visitada, em meio à cuja beleza senti ganas de estar na companhia de amigos, para dividir o embevecimento! E embora me dê conta de que alguns deles começam a partir, como a própria autora do delicado texto acima, lembro que continua valendo o meu propósito de ali retornar junto com eles.

Em agosto daquele ano, depois de um mês conhecendo o sul da França, eu havia tomado um trem em Nanci para a Itália, perambulado por lugarejos como Montecatini e Vinci (que deu ao mundo o famoso artista) e conhecera a Florença dos muitos sítios históricos, entre os quais a Galleria dell’Accademia, onde perdi o fôlego ante o famosíssimo il David di Michelangelo. Depois do que, rumei para Veneza, ao nordeste do país, na Região do Vêneto. A bela cidade constitui-se de 118 ilhotas, interligadas por 400 pontes sobre mais de uma centena de canais, através dos quais barcos e gôndolas transportam habitantes e turistas. No seu centro não circulam automóveis, anda-se a pé.

Na chegada, tinha apanhado o “táxi aquático” na gare e atravessado o Grande Canal, visto a bonita Ponte de Rialto, para desembarcar na Piazza di San Marco, que extasiou meu nordestino olhar. Fazia-me acompanhar de uma amiga francesa que conhecia Veneza de carnavais passados - literalmente - e portava o endereço de uma hospedaria de custos razoáveis para o lugar onde a intensa atividade turística eleva preços à estratosfera. Somente desse modo pude passar quatro dias ali, hóspede do Allogio Betina, nas proximidades da Piazza, com fácil acesso às atrações da cidade.

Durante esse tempo, visitei o mais que pude museus e igrejas com ricos acervos de arte, de que é pródiga a cidade. Por ocasião da visita à Chiesa di San Sebastiano, decorada com afrescos de Veronese, artista que a freqüentava e onde repousam suas cinzas, deu-se algo inesperado. Apreciando as pinturas, perdi a noção do tempo, do que só me dei conta quando se fecharam as portas da igreja. Dirigi-me, presto, ao responsável pelo ato, um velho senhor, talvez aborrecido porque o horário de visitas findara, enquanto eu tentava me desculpar, pedindo para sair. Não foi sem valorizar o susto que o dono das chaves me desobrigou de passar a noite entre quadros e santos.

A Piazza di San Marco concentra a maior movimentação e é onde fica a Basílica do mesmo nome, mais conhecida igreja de Veneza, considerada exemplo da arquitetura bizantina. Ao seu lado e igualmente belo, o Palácio dos Duques, que foi sede da administração local e abriga, desde 1923, o Museo Cívico di Palazzo Ducalle, com três andares de um acervo que afaga qualquer alma: Tintoretto, Alessandro Vittoria e tantos outros. Em sala de fatos históricos, um cinto de castidade, daqueles referidos em livros. Ao vê-lo, deitei a imaginar o incômodo que devia ser para as mulheres da Idade Média, o uso da pesada peça de aço, imposta pelos guerreiros amados que iam às Cruzadas!

Enfim, os passeios pelas calçadas às margens dos canais, no anoitecer de Veneza, momentos de beleza e pura magia, para ficar gravados na memória. De um dos inúmeros cafés ou restaurantes, libando uma taça de vinho, me deleitava à passagem das gôndolas cheias de turistas e a ouvir o canto dolente dos gondoleiros, cena que me punha nostálgica. Não me aventurei numa delas, o alto preço do passeio extrapolava as provisões desta aprendiz de turista, que ficava a olhar de longe os barcos passando sob a Ponte dos Suspiros, de tão triste memória e a suspirar com tanto encantamento.

Realmente, quem Veneza conhece, jamais a esquece!

*e-mail da autora: mrizolete@yahoo.com.br
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Este belo texto foi disponibilizado pelo escritor Lívio Oliveira no seu blog O Teorema da Feira

terça-feira, 24 de maio de 2011

COPA DO NUNCA

"Falta de planejamento, incompetência, megalomania e roubalheira. Os cofres públicos pagarão a conta. Algo precisa ser feito, ou o vexame é certo. Sugiro a contratação da empresa de Antônio Palocci. Os custos podem subir um tanto, mas, dizem, esse 'resolve'."
Reinaldo Azevedo

2014 - OURO OLIMPICO DO LIXÃO
Moacyr Gomes da Costa

No país do mensalão, de Palocci, da capital mundial da corrupção, dos ministros das assessorias empresariais, da Ferrari F 458, modelo 2011, do Luís Estevão, cúmplice do Lalau, do TRT de São Paulo (lembram-se?); país do Rio Grande do Norte do foliaduto, da Operação Higia e quejandos, surge a copa 2014 como prato cheio para dinheiro em cuecas e outras peças íntimas.

Enfim, nesse país, tudo é possível, e temos tudo para ganhar a medalha de ouro olímpico do lixão moral em que se transformou.
Por que a demolição da creche, do ginásio Machadinho, do estádio Machadão, para dar lugar à uma arena multiuso, inevitável "Elefante Branco", de vida curta, destinado a morrer de inanição, por falta de sustentabilidade econômica, e pela tradicional incúria e irresponsabilidade dos gestores desta capitania hereditária, hoje em mãos de algumas dinastias fortemente coladas com poderoso adesivo chamado miséria e ignorância?

Quem disse que a FIFA exige a arena construída no mesmo local do Machadão, destruindo nosso patrimônio material, histórico/cultural, ambiental, acabando nosso esporte?

Se verdadeiro, que se apresente ao público as provas e critérios para essa decisão esdrúxula e atentatória à nossa soberania!
Afirma um dos demolidores do governo que agora é tarde para fazer noutro lugar (o governo tem ótimos terrenos para isso), porque vai atrasar o cronograma.

Como, se a obra ainda não começou? Nem sequer fizeram a demolição e a limpeza do terreno?

Disse ainda o mesmo vândalo que o projeto já estava pronto e só servia para aquele terreno. Essa besteira foi dita por um engenheiro. A verdade é que estão enganando a senhora governadora, submetendo-a a situações pouco lisonjeiras.

Muito mais simples e racional seria construir o estádio dos ricos noutro lugar e deixar o Machadão para os pobres. Assim, estaria salvo nosso futebol. Bastaria pequena reforma, sem necessidade de investimento nessa ridícula idéia de construir um “Novo Juvenal”.

Só Deus, "arquiteto do universo", conseguirá o milagre de fazer um estádio naquele campinho acanhado, projetado para uma cidade de 20 mil habitantes.

Segundo Guga Leal, “A revitalização do velho JL é fantástica. Você já pensou se construírem um mirante, com um baita estacionamento em cima do morro de Mãe Luiza ou Barreira Roxa? E, de lá, partir um bondinho para deixar a gente dentro do estádio e nos levar de volta? Certamente, vão chamar Miguel Mossoró para projetar dois elevados na Prudente de Morais e na BR-101.”

Já que o “pacote de bondade” prevê também um investimento no “Nazarenão”, de Goianinha, para o América e Alecrim, é possível que chamem nosso simpático Miguel Mossoró para projetar um “minhocão” com trem bala ou um monorail entre a zona norte de Natal e aquela encantadora cidade, para motivar as duas torcidas.

O certo é que o que vão gastar nas "gambiarras" anunciadas daria para tornar o Machadinho e Machadão dois equipamentos da melhor qualidade para nossas modestas necessidades, com arquitetos daqui mesmo, sem necessidade de gastar 14 milhões de reais com escritórios estrangeiros.

Qual é o custo da demolição programada? Seu orçamento, processo executivo e destino final dos escombros? Foram registrados no CREA/RN?

Onde estão as licenças exigidas por lei?

Que sejam mostradas ao público! Que se manifeste o MP!

Se a obra da arena for feita em outro lugar, começando de imediato, caso o projeto esteja pronto, como dizem, diminuirá o prazo da obra e não se terá o custo da demolição.

Quanto tempo levará a demolição, preparação e limpeza do terreno, destino do entulho, para iniciar a nova obra?

Que tornem pública a resposta a essas indagações, para que a sociedade decida. A recusa dessa discussão levantará suspeitas de que o aumento de custos e prazos têm objetivos escusos.

Cuidado, demolidores: a Veja nº 2218 está “pegando na mentira”. O deputado, amigo do Home, anda preocupado: as marretas poderão falhar!

As professoras mostraram que não se enganam mais. Transparência senhores: a mentira tem pernas curtas.

"Natal na Copa “do nunca"
Postado por lauritaarruda | Copa 2014 | 21-05-2011 às 18:40

Prazo que topa I
Postado por lauritaarruda | Copa 2014 | 22-05-2011
Chegou a hora H para a Copa do Mundo em Natal.
Acabou o tempo para políticos bem na fita pedirem prorrogação para o todo poderoso (CBF) Ricardo Teixeira.
O prazo é real; Natal e RN precisam mostrar trabalho real. Menos saliva, mais tijolo e concreto.
DO TL: Faz mais de um mês que a OAS assinou documento para se habilitar a linhas de crédito do BNDES. Mas até agora, nada fez.

Prazo que topa II
Postado por lauritaarruda | Copa 2014 | 22-05-2011
Esperanças diminuem até para os maiores entusiastas da Copa de 2014 em Natal.

Exemplo? A declaração do deputado federal Henrique Eduardo Alves na Tribuna do Norte deste domingo:

- Pela primeira vez, preocupado, sou forçado a admitir entraves na consolidação da Copa de 2014 em Natal. Providências em relação ao Estado e prefeitura precisam de urgente reavaliação e consequente aceleração. Fica meu dever de advertir.”

Natal na Copa “do nunca”
Por Reinaldo Azevedo da Veja

O Brasil será sede da Copa do Mundo de 2014? É certo que sim! A possibilidade de a Fifa perder a paciência e escolher outro país é remotíssima. Seria um vexame espetacular. Logo, ninguém deve apostar nisso. Mas o Brasil será sede da Copa sob quais condições? Eis o problema. A VEJA desta semana fez uma radiografia das obras nos 12 estádios que devem sediar o mundial.

O quadro é desolador. Apenas um — o Castelão, do Ceará — avança num ritmo que pode ser considerado adequado. O Maracanã, um símbolo do futebol brasileiro, escolhido para receber a partida final do torneio, tudo o mais constante, ficará pronto em… 2038!

Perguntará o leitor: “Se você diz que a Copa acontecerá, então qual é o problema? Há atraso agora, mas, depois, as coisas entram num ritmo adequado”. Não é bem assim, e o próprio Brasil sabe disso. O Rio foi sede dos jogos Pan-Americanos de 2007. As obras de infra-estrutura para receber a competição estavam orçadas em R$ 400 milhões. De atraso em atraso, de incompetência em incompetência, de sem-vergonhice em sem-vergonhice, ficou tudo para a última hora. Resultado: o Pan custou 10 vezes mais — R$ 4 bilhões —, e um monte de larápios encheu os bolsos com o dinheiro público.

Este é o principal problema: incompetência, incúria e malandragem elevam dramaticamente os custos. O Brasil já fez uma coisa estúpida: em vez de distribuir as partidas por nove estádios, a exemplo da África do Sul, decidiu, em razão do populismo lulo-petista, espalhá-las por 12, elevando brutalmente a conta. Abaixo, publico um quadro, elaborado com base nos dados exaustivamente levantados pela equipe de reportagem da VEJA, que traz o nome do estádio, o orçamento previsto, quanto se gastou até agora e quando o estádio ficaria pronto se o ritmo das obras fosse mantido. Acompanhem. Volto depois:

A SITUAÇÃO DOS 12 ESTÁDIOS DA COPA HOJE
Estádio Orçamento Gasto hoje Fica pronto em…
Corinthians (SP) R$ 1 bilhão Zero Nunca
A. das Dunas (RN) R$ 400 milhões Zero Nunca
A. da Baixada (PR) R$ 220 milhões Zero Nunca
Maracanã (RJ) R$ 957 milhões R$ 26 milhões 2038
Arena Pernambuco R$ 532 milhões R$ 60 milhões 2025
Arena Amazônia R$ 499,5 milhões R$ 30 milhões 2024
Mineirão (MG) R$ 666 milhões R$ 86,6 milhões 2020
Nacional (DF) R$ 670 milhões R$ 45 milhões 2021
Arena (MT) R$ 355 milhões R$ 48 milhões 2017
Beira Rio (RS) R$ 290 milhões R$ 30 milhões 2017
Fonte Nova (GO) R$ 591 milhões R$ 99,9 milhões 2015
Castelão (CE) R$ 519 milhões R$ 80 milhões 2013

O ano de conclusão da obra não se define apenas pelo montante investido. Chegou-se a ele avaliando também a qualidade do gasto. Leiam a reportagem. A coisa é bem pior do que parece. Seguem alguns descalabros:
1- O projeto de reforma do Estádio Nacional, do DF, não previa a instalação de bobagens como gramado, iluminação, cadeiras e telão… Pense bem, leitor: por que um estádio deveria ter um… gramado?;
2 - só depois de demolirem boa parte das arquibancadas do Maracanã é que descobriram que toda a estrutura de concreto que a recobre está comprometida por infiltrações;
3 - de descoberta nova em descoberta nova, o estádio do Corinthians já alcançou a fábula de R$ 1 bilhão (só não se sabe quem vai pagar): uma hora aparece um duto da Petrobrás aqui; outra hora, um córrego para canalizar ali…;
4 – dos R$ 27,5 bilhões previstos de investimentos para todas as obras da Copa do Mundo, só foram gastos, até agora, R$ 590 milhões;
5 – Se a situação é dramática nos estádios, não é melhor, como se sabe, nos aeroportos: dos 13 listados nos projetos da Copa, as obras só começaram em seis;
6 – o Brasil prometeu realizar 50 obras de mobilidade urbana para facilitar o trânsito e acesso aos estádios; até agora, só quatro tiveram início.

Leia a reportagem. Há outros detalhes escandalosos. Volto ao começo: o Brasil vai fazer a Copa de 2014? Vai, sim! Ocorre que toda essa incúria elevará escandalosamente os custos. Já hoje está em curso um esforço para que o TCU pegue leve com a roubalheira, em nome da honra da pátria. Um exemplo: o Arena Amazônia ainda está na fase de terraplenagem, como se vê acima. O tribunal analisou contratos de R$ 200 milhões; só nessa fatia, detectou sobrepreço de R$ 71 milhões. Esse estádio, aliás, é exemplo da loucura que tomou conta dessa gente. Pronto, ele pode abrigar 44.500 pessoas. Bom para a Copa? Pode ser. Depois, será destinado ao campeonato local. A média de público do torneio amazonense é inferior a mil pagantes. Neste ano, o confronto que atraiu mais gente se deu entre Nacional e Penarol: 2.869 testemunhas. Adivinhem quem pagará a conta agora e depois…

É o lulo-petismo rumo a 2014: falta de planejamento, incompetência, megalomania e roubalheira. Os cofres públicos pagarão a conta. Algo precisa ser feito, ou o vexame é certo. Sugiro a contratação da empresa de Antônio Palocci. Os custos podem subir um tanto, mas, dizem, esse “resolve”!

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segunda-feira, 23 de maio de 2011


Irmã Dulce é beatificada em Salvador

Deixou “um prodigioso rasto de caridade ao serviço dos últimos”, diz Papa
SÃO PAULO, domingo, 22 de maio de 2011 (ZENIT.org) - Irmã Dulce (1914-1992) foi beatificada no final da tarde deste domingo, em cerimônia realizada no Parque de Exposições de Salvador, com a presença de cerca de 70 mil fiéis.
Presidiu à cerimônia o cardeal Geraldo Agnelo, arcebispo emérito de Salvador. Estavam presentes o núncio apostólico no Brasil, Dom Lorenzo Baldisseri, o arcebispo de Salvador, Dom Murilo Krieger, entre outros clérigos.
A imagem oficial da beata Irmã Dulce estava colocada no palco e foi descerrada ao final da missa.
Milhares de pessoas estavam reunidas no Parque de Exposições desde o início da tarde. Antes da missa de beatificação, houve shows, testemunhos e a encenação de uma peça de teatro que retratou a vida de Irmã Dulce.
Cláudia Cristina, que recebeu o milagre por intercessão de Irmã Dulce – a cura de uma forte hemorragia não controlável durante o parto –, emocionou-se ao falar da graça, que teve reconhecimento do Vaticano no processo de beatificação.
"Estou muito agradecida. Confio em Deus e não sabia da história de Irmã Dulce, mas o milagre é incrível. Por tudo que passei, não era para eu estar aqui hoje. Basta crer, que tudo é possível. Eu acredito totalmente no milagre", disse, entre lágrimas, segundo refere o jornal A Tarde.
Os pequenos atos de amor de Irmã Dulce se traduziram em grandes obras sociais: ela fundou a União Operária de São Francisco, um movimento cristão de operários na Bahia.
Mais tarde, começou a refugiar pessoas doentes em casas abandonadas em uma ilha de Salvador. Expulsa do lugar, ela peregrinou durante uma década, levando os seus doentes por vários lugares.
Por fim, instalou-os no galinheiro do Convento Santo Antônio, que improvisou em albergue e que deu origem ao Hospital Santo Antonio, o centro de um complexo médico, social e educacional que continua com as portas abertas para os pobres da Bahia e de todo o Brasil.
O incentivo para construir a sua obra, Irmã Dulce teve do povo baiano, de brasileiros dos diversos estados e de personalidades internacionais. Em 1988, ela foi indicada pelo governo brasileiro para o Prêmio Nobel da Paz.
Oito anos antes, no dia 7 de julho de 1980, Irmã Dulce ouviu do Papa João Paulo II, na sua primeira visita ao país, o incentivo para prosseguir com a sua obra. Os dois voltariam a se encontrar em 20 de outubro de 1991, na segunda visita do Sumo Pontífice ao Brasil.
João Paulo II fez questão de quebrar o rigor da sua agenda e foi ao Convento Santo Antônio visitar Irmã Dulce, já bastante debilitada, no seu leito de enferma.
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Colaboração do amigo Adilson Gurgel

domingo, 22 de maio de 2011


AUGUSTO NUNES - VEJA ON-LINE - 19-05-2011

Em 15 de junho de 2007, numa cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Lula avalizou com um sorriso e aprovadores movimentos de cabeça o palavrório de Ricardo Teixeira, comandante perpétuo da CBF. “A Copa do Mundo é um evento privado”, garantiu o supercartola. “O melhor da Copa do Mundo é que é um evento que consome a menor quantidade de dinheiro público do mundo. O papel do governo não é de investir, mas de ser facilitador e indutor”
Quatro meses depois, Teixeira repetiu no Rio a manifestação de apreço pelos pagadores de impostos. “Faço questão absoluta de garantir que a Copa de 2014 será uma Copa em que o poder público nada gastará em atividades desportivas”. Em 4 de dezembro de 2007, também no Rio, o ministro do Esporte, Orlando Silva, oficializou a promessa com o aval de Lula: “Os estádios para a Copa do Mundo serão construídos com dinheiro privado. Não haverá um centavo de dinheiro público para os estádios”.
Três anos e meio depois da discurseira, está claro que os brasileiros foram vítimas do conto da Copa. Lula queria transformar a festa esportiva em trunfo eleitoreiro. Ricardo Teixeira queria ampliar o cacife para disputar a presidência da FIFA ─ e continuar prosperando. Orlando Silva também queria continuar prosperando, e para tanto era necessário convencer os crédulos de que todo delinquente é recuperável. Como a farra dos Jogos Panamericanos de 2007, que deveria custar R$ 450 milhões, acabara de engolir R$ 5 bilhões, o campeão brasileiro de despesas superfaturadas achou prudente jurar que a Copa sairia de graça.
Conversa de vigaristas, confirmou a performance do ministro nesta quarta-feira. Com a arrogância dos condenados à impunidade, subiu a voz alguns decibéis e passou a exigir que o governo de São Paulo e a prefeitura da capital arranjem o dinheiro que falta para a construção do estádio do Corinthians. “Quando você se candidata a receber a abertura de uma Copa, eu imagino que você saiba das responsabilidades que possui”, falou grosso Orlando Silva.
Conforme o combinado, Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab estão investindo R$ 350 milhões em obras no entorno do local onde será erguido o estádio. O aprendiz de extorsionário acha pouco. Como a Odebrecht acaba de anunciar que o colosso orçado em R$ 650 milhões vai custar R$ 1 bilhão, quer que os paulistas banquem a diferença. E invoca o precedente aberto pelo governador Sérgio Cabral, que espetou nos bolsos dos fluminenses a conta da reforma do Maracanã. Deveria custar R$ 600 milhões. Acaba de saltar para R$ 950 milhões.
Como a Odebrecht, o consórcio que age no Maracanã aumentou a gastança em R$ 350 milhões. A quantia talvez tenha resultado da soma das comissões, propinas e taxas de sucesso. Até agora, a corrupção era medida em porcentagens. A bandidagem esportiva pode ter descoberto que fixar um preço para a roubalheira dá mais dinheiro e menos trabalho.
Tags: bandidagem esportiva, CBF, Copa do Mundo, estádio do Corinthians, Fifa, Geraldo Alckmin, Gilberto Kassab, Lula, Maracanã, Odebrecht, Orlando Silva, Ricardo Teixeira


http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/os-brasileiros-cairam-no-conto-da-copa/

sábado, 21 de maio de 2011

Sinto vergonha de mim.



Essa mensagem é uma advertência aos dirigentes públicos pelos tantos desmandos, especialmente, para a vergonhosa forma de pretender destruir um patrimôio público - O Machadão, quando tantas outras coisas fundamentais para o povo ficam para depois.
É mais um protesto de quem trabalhou a vida toda, honestamente, e se sente impotente para combater tantos desmandos os quais, lamentavelmente, têm o silêncio da massa do povo.

A velha moradora da Rua Meira e Sá

Precisamente no dia 19 passado, dia em que Lenilson Carvalho publicou em O Jornal de Hoje o seu segundo artigo sobre “Reminiscências do bairro Barro Vermelho”, a geografia sentimental da Rua Meira e Sá perdeu uma das suas mais antigas moradoras – Dona Sebastiana de Lira Freire, conhecida como “Dona Paroquinha”, mercê de sua descendência de Dona Paroca Rios Bacurau.
Ao contrário do que se pensava, seu nascimento não ocorreu nas cercanias de Igapó-Extremoz, mas ela é oriunda de Quixadá, no Estado do Ceará, mas ainda menina veio para nossa terra, onde integrou-se, em definitivo na sua paisagem.
Fui criança brincando em seus quintais, juntamente com seu filho Lito (Emmanoel de Lira Freire) e seu Lindo (Lindemberg) e outros, numa convivência rica e rodeada de carinho e amor.
Dona Paroquinha e Seu José Freire, duas pessoas sensíveis, nos abrigava como filho fossemos do casal.
Lembro bem que sua atividade principal era a fabricação de bolos de todos os tamanhos, para a venda nas padarias da região. Dois operários marcaram aquela pequena fábrica – Raimundo e Zé de Bob, que nos ofertavam protótipos daquelas guloseimas para aprovarmos o seu sabor.
Do casal vieram os filhos Emmanoel, Ana Maria, Margarida e Cristina, que lhes deram netos e bisnetos, com os quais convivemos muitos e muitos anos em permanente confraternização.
Dona Paroquinha era também uma enfermeira sem diploma, pois era quem aplicava injeções nas pessoas da vizinhança, sem custos.
Após o almoço era costumeira a reunião nos fundos da casa com Dona Suzana e Dona Bete, numa longa conversa dos acontecimentos mais recentes da cidade ou do bairro.
Nos últimos tempos, já viúva de Seu José, ela sempre se postava na varanda da sua casa, no andar superior, a contemplar os transeuntes e lhes retribuir cumprimentos com acenos de mão. Olhos azuis marcantes, gravou no coração dos moradores do Barro Vermelho uma impressão imorredoura que, até a possível derrubada da sua antiga casa, quem por ali passar não deixará de dirigir um olhar buscando a silhueta da sua velha moradora para um cumprimento respeitoso.
Pouco a pouco, a placidez de uma pequena rua vai se modificando, perdendo a horizontalidade que cumpliciam os elos da vizinha, por uma verticalidade inevitável da cidade que cresce mais rápido do que a sua infra-estrutura permite, quebrando irreversivelmente o calor humano de antes.
São coisas da vida e do tempo. Resta-me reafirmar com Tristão de Athayde aquela expressão que muito me tem marcado: “O passado não é aquilo que passa, mas o que fica do que passou”.
Estimado Lenilson, não esqueça de inserir em suas próximas crônicas, essas figuras notáveis do nosso Barro Vermelho.
Um abraço do seu velho companheiro de farda, Carlos Gomes.

sexta-feira, 20 de maio de 2011


sexta-feira, 20 de maio de 2011
A CERTEZA DA PICADA
Foto: Rh Bezerra
A pressa
Francisco Sales Felipe - advogado
Ao Dr. Moacir – arquiteto do “Poema de Concreto”

Artigos
Tribuna do Norte
20 de Maio de 2011

É o açodamento da correnteza do rio que leva o canoeiro ao infortúnio. A jararaca-do-tabuleiro no sertão quando corre é certeza de picada. A pressa não só frustra a possibilidade da busca pelo perfeito, mas esconde nas suas entranhas a forma silenciosa dos vícios.

Há pressa! Espera-se por três partidas e isto justifica a pressa. O corpo doente estirado no corredor dos hospitais pode esperar por mais um drible no jogo de interesses. A vida não tem qualquer importância para os jogadores de marreta em punho.

Vai começar o jogo. Quanto pagarei por esse ingresso?

O valor da entrada para assistir a três partidas é a soma de um empréstimo contraído perante o BNDES. E qual a garantia? Imóveis do patrimônio do Estado e direito deste sobre royalities de petróleo. A fonte de todos os recursos – empréstimo e garantia – é sempre a mesma: o patrimônio público.

Não tenha dúvida. Depois dos três espetáculos, o BNDES irá buscar os meios jurídicos para receber os seus créditos. Nesta hora, será o patrimônio do Estado do RN que irá responder pela dívida, visto que foi o Estado que prestou a fiança e renunciou o benefício de ordem.

E a pressa, por quê? A pressa vai servir para atropelar as exigências previstas na lei das licitações.

E qual a participação do Privado neste empreendimento? A certeza do lucro sem qualquer risco, vez que é o fundo garantidor (formado por patrimônio tão somente público) que irá garantir o pagamento do empréstimo.

E qual o retorno

CARTA PARA A PRESIDENTE - copa do mundo

CARA PRESIDENTE,

Não foi a senhora que inventou essa história de sediar a
Copa do Mundo.
Foi o Outro. Ele é que era, e continua sendo, louco por futebol.
Ele é que criou na cabeça um Brasil tão grande e influente que
Terminaria com a crise nuclear do Irã.
Arbitraria a paz entre árabes e israelenses,
ganharia um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU
e, para encerrar, como a última firula do artilheiro antes de fazer o gol,
sediaria o Mundial de 2014.
A senhora ao contrario, e mil desculpas se for engano,
aparenta se aborrecer mortalmente diante de um jogo de futebol.
Também não é crível, simplesmente não cabe no seu perfil,
que acredite no mesmo Brasil fantasioso do Outro.
Se deu a entender que sim, isso ocorreu apenas no
período eleitoral, em que, como no carnaval, tudo é permitido.

“Falo, falo, e não digo o essencial”, escrevia Nelson Rodrigues, o
essencial é o seguinte: por que não desistir?
Não seria a primeira vez.
A Colômbia escolhida para sediar a Copa de 1986, jogou a toalha três anos
antes, e o torneio mudou para o México. O Brasil não vive a mesma crise
econômica nem as ameaças de terrorismo esquerdistas e dos
cartéis da droga que atormentavam a Colômbia no período.
Em contrapartida, temos colossais
problemas de infraestrutura de transportes e, se não enfrentarmos crise
econômica, não nos sobra dinheiro para erguer estádios já nascidos com a
marca de elefantes brancos, como, com todo o respeito,
os de Natal, Manaus e Cuiabá.

Os aeroportos já são um caso perdido, segundo estudo do
IPEA, um órgão ai da sua cozinha.
Nove entre os treze que servirão ao evento,
de acordo com o estudo, não ficarão prontos a tempo.

Na semana passada, num gesto que soa a desespero,
pois contraria um dogma do seu partido, o governo
abriu a possibilidade de privatização dos novos terminais.
Mesmo que seja para valer, não serão dispensadas,
é claro, as concorrências, os contratos,
as licenças ambientais, sabe-se lá mais o quê.
Mas suponhamos que dê certo, e
o prognóstico do IPEA não se confirme.
Muito bem, o distinto público consegue
desembarcar nos aeroportos.
Suponhamos que num dos aeroportos paulista.
Novo desafio: como chegar à cidade?
Não há trens, e as estradas vivem congestionadas.
Como este é um exercício de boa vontade, suponhamos mais uma
vez que consigam.

Problema seguinte: como chegar ao estádio do Corinthians,
no bairro de Itaquera, o escolhido da FIFA?
A linha do metrô que o serve está saturada, e o tráfego nas avenidas
com o mesmo destino é de fazer chorar.
Mas suponhamos, mais uma vez, que dê certo.
Enfim, chegamos, mas... aonde? A um terreno baldio.
O estádio do Corinthians não é mais que uma hipótese.
Nem quem vai pagá-lo se sabe.

“Falo, falo, e não digo o essencial.” O essencial desta
missiva, senhora presidente, é sugerir-lhe uma estratégia.
Se lhe parece humilhante desistir assim, na lata,
a sugestão é a seguinte: Brigue com a FIFA.
Enfrente-a. Como o mundo inteiro sabe,
a FIFA não é flor que se cheire.
É uma entidade tão milionária, e tão abusada no uso de seus poderes,
quanto são milionários e abusados seus dirigentes.
Pega bem enfrentá-los.
Brigue para que reduzam suas incontáveis exigências.
Que aceitem reformas de estádios existentes em vez de pedirem tantos novos.
Que assumam parte das despesas.
A FIFA está com a corda no pescoço tanto quanto a senhora.
Na melhor das hipóteses, eles romperão com o Brasil
e partirão para uma alternativa de emergência.
A culpa não será da senhora, mas da arrogante inflexibilidade que demonstraram.
Na pior, que já não é favorável, reduzirão as exigências e
arcarão com parte dos custos.
A senhora já tem assunto demais com que se preocupar.
Precisa livrar-se desta, com perdão pela expressão,
"herança maldita".

Em paralelo, e com cuidado, a senhora trataria de reduzir o
absurdo número de doze cidades-sede para os jogos.
A questão exige mais cuidado mexe com interesses
locais e porque aqui não foi a FIFA, foi ele, o Outro, que assim quis.
Com a mente intoxicada de Brasil Grande e o olho nos
dividendos eleitorais, ele quis agradar ao maior número de gente possível.
Agiu na manipulação do futebol, como faziam os governos militares.
Na África do Sul, as sedes foram nove;
nos EUA, outro país continental, também nove.
Abater o número de sedes diminui despesas
e poupa o público do excesso de deslocamento.
Senhora presidente, ainda lhe sobra espaço político para agir.
Tal qual estão postas as coisas,
as alternativas são colapso absoluto,
fisco total
ou fiasco parcial.

Roberto Pompeu de Toledo

Ultima pagina da revista Veja, editora Abril edição
2215-ano 44-nº 18 de 4 de maio de 2011

João Marques

"Nunca se justifique.
Os amigos não precisam
e os inimigos nãoacreditam."

quinta-feira, 19 de maio de 2011


O meu BLOG publica a sensata opinião de uma grande educadora
_____________________
Boçalidade, covardia, acomodação!
Eleika Bezerra – Professora


Pensei em escrever sobre o discutido livro “Por uma vida melhor”, adotado pelo MEC e pleno de erros de português. “Combater o preconceito lin-güístico” - dizem os seus defensores. Sobre o assunto, a jornalista Sheyla Azevedo, sempre competente, aborda em seu artigo semanal no Novo Jornal - “Querem alunos ingnorantes”. Senti-me con-templada. A língua pátria agra-dece.
Decidi concentrar os meus escritos sobre os estádios Juvenal Lamartine, Machadão e o arquiteto Moacyr Gomes.
Fui vizinha do “Juvenal” durante parte da minha existência. Ele, há alguns anos, escapou de dar lugar a espigões. Discutiu-se a idéia de permutar a área e deslocar o estádio para a zona Norte da Capital. Lembram-se? Alguns defenderam que se o estádio não mais atendia aos seus objetivos-ali se assegurasse uma área verde para Natal! Ainda é tempo!
O velho estádio, agora, aparece como uma alternativa em decorrência da absurda destruição do “Machadão”! Trata-se de um dos atos mais insanos que a minha geração assiste! Acrescento: irresponsabilidade, descaso, ignorância, estupidez, ato rude e grosseiro! Uma grande boçalidade! Meu vocabulário é insuficiente para caracterizar o que significa destruir “o poema de concreto”- expressão do governador Cortez Pereira
É importante se esclarecer que nada contra o futebol; a favor do bom senso-sim!
Poucas vozes se ouviram contra a destruição! Dentre elas, a de Moacyr Gomes – pioneiro em avanços na ar-quitetura da nossa cidade. O Machadão é a sua principal obra! Imaginemos - se para os que “têm algum juízo”, a destruição do “Machadão” tem um significado; o que se dizer em relação àquele que o concebeu e acompanhou a sua execução?
Fiquei contrariada por não ter enfrentado a chuva e comparecido naquela tarde de sábado para dar o “abraço ao Machadão”. Havia combinado com uma amiga irmos até lá. Mas, aquela mania de nordestino de não enfrentar os dias de chuva – me fez não comparecer ao ato.
Quero deixar o registro da admiração pela luta de Moacyr Gomes no sentido de preservar “o poema de concreto”. Tenho convicção de que a sua brava postura será reconhecida.
Afinal, a atitude boa ou má fica sempre da parte de quem a toma!
Moacyr não está só! Muitos pensam como ele. Poucos se manifestam! É possível que certas ambições, a covardia, a boçalidade (ignorância presunçosa) e a acomodação-expliquem “o fim do Machadão”!

quarta-feira, 18 de maio de 2011


Os 18 do Machadão
Leonardo Sodré
Jornalista e escritor


No sábado, 14 de maio, o estádio Machadão recebeu 18 combatentes que defendem a sua manutenção e lutam contra sua derrubada. Assim como a famosa revolta dos 18 do Forte, em 06 de julho de 1922, quando apenas 18 militares se insurgiram contra o presidente eleito do Brasil, Artur Bernardes, no meio da rua, essas poucas pessoas mostraram a cara e suas armas: cartazes e discursos.

Da mesma forma como os 18 do Forte de Copacabana, os 18 do Machadão tinham por trás de si um batalhão de pessoas, muito mais do que os 301 que haviam no Forte de Copacabana. Naqueles dias duros da República Velha, 272 militares debandaram e o restante saiu pelas ruas, depois do forte ter sido intensamente bombardeado, sendo que quando entraram na Avenida Atlântica, somente 18 saíram de peito aberto para uma batalha desigual contra mais de três mil homens do governo. Dos 18, apenas Eduardo Gomes e Siqueira Campos sobreviveram.

Os 18 do Machadão estão vivos. Foram atingidos apenas pela debandada dos muitos que são contra a derrubada do estádio, incluindo aí dirigentes de clubes e ex-cartolas que se manifestaram anteriormente contra isso. Foram atingidos também pelo desconhecimento das autoridades responsáveis pela derrubada do Machadão, que insistem em não enxergar os pedidos de manutenção da praça esportiva.

São, para os governos estadual e municipal, que não estão preocupados com a preservação e a memória de Natal, uns pobres fantasmas que rondam um patrimônio prestes a ser destruído em nome do desenvolvimento econômico.

Os 18 do Machadão caminharam com altivez.
Fazendo uma comparação da foto de Moacir Gomes – arquiteto que projetou o Machadão - dando à volta olímpica a frente do grupo, sua altivez e a seriedade de como os abnegados enfrentaram a chuva e o desprezo de muitos, com a foto dos 18 do Forte de Copacabana, dá para entender o espírito de luta daqueles que enfrentam uma batalha incomum e desigual.

Como já escrevi antes, os 18 do Machadão, a exemplo dos 18 do Forte de Copacabana, poderiam não alcançar nenhuma vitória. Não poderiam mesmo ir contra os poderosos que decidiram destruir um bem público em nome da p0ssibilidade de uma “arena” que irá abrigar grandes jogos após a Copa do Mundo de 2014.

Os 18 do Machadão caminharam em direção a História, assim como os 18 do Forte de Copacabana também o fizeram. Hoje os 18 do Forte de Copacabana são reconhecidos como heróis. Os 18 do Machadão entrarão na História do Rio Grande do Norte como revoltosos. Hoje ridicularizados por muitos. No futuro servirão de exemplo.
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Foto do Blog ALDEIA POTI