quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

RELÍQUIAS DA HISTÓRIA DA MÚSICA V
Ainda sobre o tema Carnaval, a história da música, como concebida no trabalho denominado "A fábrica de melodias", atribuído aos pesquisadores: Moacir Barbosa de Souza (2) e Luiz Maranhão Filho(3), nos aponta os grandes nomes da música pernambucana, ainda através do selo “Mocambo”.

Os dois gênios do carnaval de Pernambuco... e da Mocambo
Nelson Heráclito Alves Ferreira, o Nelson Ferreira – “Frevo não se ensina e nem
se aprende. Quem dança frevo é porque já nasceu para o frevo”.
Ele nasceu em Bonito, Pernambuco, a 9 de dezembro de 1902. Foi pianista
profissional aos 13 anos de idade, quando começou a tocar em cafés noturnos,
apresentando-se das 20 horas à meia-noite. Tocou na Pensão Chantecler, Pensão Mirim,
Pensão Boemi e Pensão de Júlia Peixe-boi. Apresentava-se interpretando valsinhas,
polcas e maxixes, mas seu pai achou o ambiente impróprio e proibiu-o de continuar se
apresentando em tais lugares. Trabalhou no Café Chile, na Praça da Independência, e
depois no Café Chileno, na Avenida Rio Branco, no Centro de Recife, e aos 15 anos já
tocava na orquestra do cine Royal, na rua Nova, em Recife, quando teve sua primeira
composição editada, a valsa Vitória, feita por encomenda para a Companhia de Seguros
Vitalícia Pernambucana.
Atuou ainda na sala de espera do Cinema Pathé, fazendo acompanhamento ao
piano para filmes mudos, com um salário de 150 mil-réis por mês. Em 1919, foi
convidado a integrar a Orquestra do Cine-Teatro Moderno, ganhando 7 mil-réis por dia.
Dirigida pelo maestro Suzinha, a orquestra era composta de piano, dois violinos, sete
clarinetas, violoncelo, contrabaixo, flauta, trompa, pistom e bateria. Pouco tempo
depois, o maestro Suzinha deixou a orquestra e Nelson passou a dirigí-la.
Prosseguiu os estudos musicais, tendo aulas com o pianista Manuel Augusto dos
Santos. Em 1920, fez sua primeira composição de sucesso, a valsa Milusinha. Em 1922,
viajou para a Europa quando tocou piano a bordo do navio Caxias, que fazia a rota Rio-Hamburgo, cujo pianista adoecera e Nelson Ferreira o substituiu. Em 1929, o Cine-
Teatro Moderno foi arrendado pelo empresário da indústria cinematográfica Luiz
Severiano Ribeiro, obrigando Nelson a se transferir para o Teatro Helvética, levando
consigo toda a orquestra. Quando o teatro fechou, Luiz Severiano convidou a orquestra
a ir para o Rio de Janeiro, oferta aceita apenas por Nelson e pelo baterista João Gama.
No Rio, trabalhou no Cine-Teatro Central, na Avenida Rio Branco, dirigindo uma
orquestra de variedades. Ficou cinco meses no Rio de Janeiro, voltando para inaugurar o Cine Parque em Recife, de Severiano Ribeiro.
A chegada do cinema sonoro a Recife em 1930 decretou o fim das orquestras
que acompanhavam os filmes mudos, entre elas a de Nelson Ferreira, que passou a
sobreviver dando aulas de piano. Em 1931, foi contratado por Oscar Moreira Pinto para
trabalhar na Rádio Clube de Pernambuco onde apresentou o Programa Guararapes, que
revelou, entre outros nomes importantes da música nordestina, o instrumentista
paraibano Sivuca.

Em 1933, foi vencedor do concurso carnavalesco promovido pelo Jornal do
Comércio, de Recife, com a marcha A virada. Em 1934, ganhou o cargo de diretor
artístico da Rádio Clube, onde regeu orquestra, tocou piano, foi produtor e locutor do programa A hora azul das senhorinhas. Todos os cantores que se apresentavam na
Rádio Clube eram acompanhados por ele, por ser o único pianista da emissora. Em
1936, tornou a vencer o concurso do Jornal do Comércio, com No passo, arrebatando
também o segundo lugar com Palhaço. Na Rádio Clube de Recife, viveu a era de ouro
do rádio pernambucano, tendo atuado ao lado de Fernando Lobo (pai do cantor e
compositor Edu Lobo) e do grande cronista Antônio Maria.
O início de sua carreira como compositor de frevos deu-se com Borboleta não é
ave. No carnaval carioca de 1957, o frevo Evocação nº 1, obteve o primeiro lugar,
vendendo cerca de 60 mil cópias. Nelson Ferreira ganharia por face do disco vendida
um cruzeiro e oitenta centavos, logo chegando à venda de cem mil discos. Outras
composições de grande aceitação por parte do público foram os frevos Isquenta muié,
Come e Dorme e o hino do Sport Clube de Recife Casá Casá. O sucesso de Evocação
nº 1 deu origem a uma série de sete LPs com músicas carnavalescas na interpretação de
Claudionor Germano.

Nelson Ferreira explicou o significado do “apois fum”, do seu sucesso Evocação (Filinto, Pedro Salgado/ Guilherme e Fenelon,/ Cadê teus blocos famosos? / Bloco das flores/ Andaluzas, Pirilampos,/ Apois fum/ Dos carnavais saudosos). A expressão significa pois sim. É que havia no Recife um mendigo muito popular que possuía uma fenda no lábio superior e quando, por um motivo ou outro tinha de pronunciar “pois sim” emitia um som parecido com “apois fum”. A pronúncia ganhou popularidade, passando ao vocabulário de rua da cidade, até que surgiu o bloco (11)Apois Fum. Em 1958, compôs em parceria com Osvaldo Santiago o Evocação nº 2. Nos anos seguintes e até 1964 comporia outros frevos da série Evocação, alcançando o número de sete. Em 1967, aposentou-se do rádio, quando criou a Orquestra de Frevos Nelson Ferreira. Compôs ainda o hino oficial da cidade do Recife, com letra de Manuel Arão. Recebeu as Medalhas do Mérito do Recife e de Pernambuco e teve concedido pela Câmara Municipal o título de Cidadão do Recife, entre outras homenagens.
Como diretor artístico da Mocambo, viveu sempre a solicitar empréstimos para a
reestruturação da fábrica. Tinha 300 músicas gravadas, mas não chegou a enriquecer
com os direitos autorais de sua produção. Cerca de duas mil pessoas acompanharam seu
enterro entoando seus frevos. Desde 1926 foi casado com Dona Aurora, que durante
toda sua vida lhe serviu de musa inspiradora. Nelson confessava sempre aos amigos
que os maiores orgulhos de sua vida era ser pernambucano e poder despertar para
Aurora. Na rua onde morou, onde hoje se encontra a Praça Nelson Ferreira, em sua
homenagem foi erigido um busto. Morreu no dia 21 de dezembro de 1976, no Hospital
Português do Recife, vitimado por um aneurisma; o corpo foi transportado para a
Câmara Municipal, onde foi velado. Gilberto Freyre escreveu no Diário de Pernambuco:
"O vazio que deixa é o que nos faz ver como era grande pela sua música, pelo seu
sorriso, pela sua fidalguia de pernambucano."

O veterano radialista pernambucano Aldemar Paiva escreveu em Monólogo para Nelson Ferreira: “[...] Nelson Ferreira,/figura soberana/que na paisagem luminosa e humana/criava a pauta musical, pernambucana,/singular e incomum/com o gostoso sabor do guaiamum/e a quentura infernal da ‘cana’!/José Lins do Rego/que tinha apego/ao Recife antigo.../À hora da extrema-unção/pediu ao seu mais íntimo amigo/que entoasse a sua ‘Evocação’!/E era quando o ‘Recife adormecia/e ficava a sonhar/ao som da triste melodia!’/Quando chega o Carnaval/quase todo mundo vê/que o Recife passa mal/com saudade de você!”
Lourenço da Fonseca Barbosa, o Capiba

“Tomei parte no Movimento Armorial, lançado por Ariano Suassuna no início da década de 70, compondo uma peça em 3 movimentos, que se chama Sem Lei nem Rei, título do romance de Maximiano Campos, publicado pela Editora O Cruzeiro em 1968. Essa peça foi a primeira coisa que se fez, no gênero, a pedido do próprio criador do movimento.” (12)
Ele nasceu a 28 de outubro de 1904 em Surubim, Pernambuco, e faleceu a 31 de
dezembro de 1997 em Recife. Foi o 10º filho de uma família de 13 irmãos. Começou a
compor aos 10 anos de idade. Em 1912 fazia parte da Banda Lira da Borborema, que era
regida pelo pai, Severino Athanásio. Este criou com os filhos a banda de música Lira da Borborema, da cidade de Taperoá, na Paraíba. Seu pai dirigiu a Charanga Afonso
Campos, a famosa Bacurau, banda de música da oposição na cidade de Campina
Grande, na Paraíba. Capiba apresentava-se na banda e cantava músicas sacras nas festas da padroeira da cidade. Com 14 anos de idade, compôs a Suíte Nordestina para piano.
Aos 16 anos, trabalhou como pianista no Cine Fox, de Campina Grande, em
substituição à irmã Josefa, que estava de casamento marcado. Mesmo sem saber tocar
piano, aprendeu a tocar sete valsas em 11 dias e foi contratado, chegando depois a ser convidado a integrar a Jazz Campinense como pianista.
Gostava do futebol, tendo chegado a jogar de center forward, como eram
chamados os atacantes na época, no América, de Campina Grande. Atuou, ainda, no
Campinense Clube e no Recife. Mais tarde, foi artilheiro do Satélite, time dos
funcionários do Banco do Brasil. Em 1924, aos 20 anos de idade, foi mandado pelos
pais de volta para João Pessoa a fim de estudar no Liceu Paraibano, com instruções
paternas de não se envolver com futebol e música. Por essa época, assumiu cada vez
mais o apelido de família Capiba, que foi, segundo ele, herdado do avô materno, e que é sinônimo de jumento teimoso.
Em 1924, ao chegar a João Pessoa para estudar, recebeu a notícia do falecimento
da mãe em Recife, vítima de cirurgia mal sucedida. Na ocasião, compôs com o irmão
Antônio a valsa Lágrimas de mãe, que seria sua primeira música editada. Na capital da
Paraíba, assumiu o lugar do pianista do Cine Rio Branco, que havia falecido. No mesmo
período, ingressou como atacante no time do América de João Pessoa e fundou a Jazz
Independência, onde atuou até 1930, quando voltou para Pernambuco.
Ainda em João Pessoa, conheceu o mecenas Oliver von Shosten, homem rico e
educado na Inglaterra, que gostava de financiar orquestras para brincar o carnaval. A
partir da amizade entre os dois, foram surgindo bandas carnavalescas dirigidas por
Capiba e financiadas por von Shosten. Em 1930, sua composição Não quero mais foi
classificada em quarto lugar no concurso de músicas para o carnaval no Rio de Janeiro, patrocinado pela revista O Malho e a Casa de Discos Odeon. No concurso, Capiba e seu parceiro João dos Santos Coelho registraram-se com os pseudônimos de Pé-de-Pato e Joca da Beleza, respectivamente. A composição foi gravada por Francisco Alves, permanecendo a autoria com os pseudônimos, o que obrigou Capiba e o amigo a
apresentar inúmeros documentos para provar a autoria da música e receber o prêmio a
que faziam jus, uma vez que outra pessoa apresentara-se no Rio de Janeiro como autor
da música, tendo desaparecido após receber o prêmio.
Capiba formou diversas orquestras, entre elas, a Jazz Band Acadêmica, a mais
famosa, em 1931. No mesmo ano, passou em concurso para o Banco do Brasil, no qual
havia sido inscrito pelo irmão mais velho. Foi nomeado para trabalhar na cidade do
Recife, para onde foi acalentando o desejo de criar uma orquestra formada por
estudantes. Quando se aposentou do Banco, em 1961, após 31 anos de serviços, atribuiu
a sua disciplina diária ao período em que trabalhou na instituição.
Em 1932, organizou a primeira excursão da Jazz Band Acadêmica que atuou em
diversas cidades do Norte e Nordeste, tendo-se apresentado em Fortaleza, Natal e João
Pessoa, com grande sucesso. A excursão teve como finalidade angariar fundos para a
Casa do Estudante Pobre.
Em 1933, seu irmão mais velho e conselheiro, Tantão, morreu no dia em que
Capiba completaria 29 anos de idade. Sob o impacto da morte do irmão, inscreveu-se no
concurso do Diário de Pernambuco para o carnaval do ano seguinte com o frevo É de
amargar. A Jazz Band Acadêmica se encarregou de popularizar o frevo, que foi
escolhida por aclamação no certame, tornando-se um dos mais tocados na história dos
carnavais de Pernambuco. Foi gravado na RCA Victor pelo cantor Mário Reis, além de
tornar-se um dito popular.
Desentendendo-se com alguns dos integrantes da Jazz Band Acadêmica, deixou
a orquestra e envolveu-se com a organização do Bando Acadêmico do Recife, criado
nos moldes da Jazz Band Acadêmica. A nova orquestra estreou na Festa da Primavera
no Clube Náutico Capibaribe em 1935, quando teve sua composição Vou cair no frevo
gravada por Almirante. Em 1937, quase morreu afogado durante banho de mar na Praia
de Boa Viagem, ocasião na qual faleceu seu colega e estudante de Medicina Roberto
Hugo de Andrade. Após o incidente, viajou para o Rio de Janeiro em companhia de
Fernando Lobo, onde passou um mês em licença do banco para tratamento de saúde. No
mesmo ano, a Rádio Tupi apresentou um programa carnavalesco exclusivamente com
músicas pernambucanas, incluindo as composições de Capiba.
Musicou versos de diferentes poetas e escritores, como Joaquim Cardoso,
Ariano Suassuna, Manoel Bandeira, Jorge de Lima, Carlos Pena Filho, Guilherme de
Almeida, João Cabral de Mello Neto, Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de
Andrade e Castro Alves. Em 1943, fez por encomenda a canção Maria Betânia, que
faria parte de uma peça baseada na obra Senhora de Engenho, do autor pernambucano
Mário Sette, a ser encenada por um grupo teatral no Sindicato dos Bancários do Recife.
Em 1944, ao passar por Recife, Nelson Gonçalves cantou-a no rádio. Um lojista da
capital pernambucana insistiu junto a RCA para que Nelson gravasse a canção,
comprometendo-se a comprar pelo menos 200 discos. O disco fez tanto sucesso, que
certa vez um marinheiro americano embriagado tocou-o dezenas de vezes ininterruptas,
na eletrola do bar Gambrinus, localizado na zona portuária do Recife. Irritados, os
freqüentadores do bar espancaram o marinheiro e quebraram a eletrola e o disco. A
composição, além do sucesso na voz de Nélson Gonçalves, teve mais de 10 gravações.
Em 1949, Capiba conheceu o maestro Guerra Peixe que fora pesquisar a
música do Nordeste e trabalhar na recém-inaugurada Rádio Jornal do Comércio. Teve
aulas de composição e harmonia com o maestro de quem se tornou amigo. No mesmo
ano, compôs uma suíte baseada em quadros do pintor pernambucano Lula Cardoso
Ayres para comemorar o centenário do Teatro Santa Isabel.
Em 1960, o Duo Guarujá gravou em forma de guarânia Serenata suburbana,
originalmente uma valsa. Como guarânia, a composição obteve grande sucesso, sendo
tocada em todo o país e no exterior, chegando a fazer parte do repertório de grupos e
conjuntos vocais no Chile, Paraguai e Peru. Na mesma época, casou-se com Zezita, de
apenas 20 anos de idade, 34 anos mais nova do que ele. Em 1962, a cantora Maysa
gravou aquele que seria um dos maiores sucessos do compositor, o samba canção A
mesma rosa amarela, feito em parceria com o poeta Carlos Pena Filho, e que conheceria
mais de 10 gravações, entre as quais as do Conjunto Farroupilha, Claudionor Germano,
Paulinho Nogueira e Jair Rodrigues. Em 1963, musicou o poema Soneto da fidelidade,
de Vinicius de Moraes.
Em 1967, participou do II Festival Internacional da Canção com o baião São os
do norte que vem, em parceria com Ascenso Ferreira e defendido por Claudionor
Germano, obtendo o quinto lugar. No mesmo ano, participou do III Festival da Música
Popular da TV Record com a Cantiga pra Jesuíno, defendida pela cantora De Kalafe.
No início dos anos de 1970, participou do Movimento Armorial criado no Recife por
Ariano Suassuna, de quem foi considerado o patrono. Em 1979, foi homenageado no
Festival da Música Popular Brasileira da Rede Globo, sendo presidente de um dos júris.
Faleceu dia 31 de dezembro de 1997, aos 93 anos, de infecção generalizada, no Hospital
Jayme da Fonte, em Recife. O governo do estado e a prefeitura local decretaram luto
oficial de três dias. Com mais de 200 músicas no currículo, Capiba afirmou que nunca
viveu da música, e sim na música.
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2 Professor adjunto da UFRN, coordenador do curso de Comunicação Social. Pesquisa a história da mídia sonora, com ênfase na indústria fonográfica e a evolução tecnológica da radiodifusão. Blog:http://www.historiadoradio.myblog.com.br E-mail: moacirbs8@oi.com.br; moacirbs@click21.com.br
3 Professor adjunto da UFPE e Faculdade Maurício de Nassau. Pesquisa a história do rádio pernambucano. Foi diretor da TV Universitária e Rádio Universitária. ...
12César Guerra Peixe, maestro e compositor carioca, morreu a 26 de novembro de 1993, de edema pulmonar, no Rio de Janeiro, aos 79 anos de idade. Era considerado um dos maiores compositores brasileiros de música erudita.
Compôs mais de 250 obras em 60 anos de carreira. Apesar de receber convites para trabalhar na Europa, nunca deixou o Brasil. Instalando-se no Recife, tornou-se maestro e arranjador da Rádio Jornal do Comércio. Pesquisou o folclore brasileiro.
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CONVITE IMPORTANTE





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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

RELÍQUIAS DA HISTÓRIA DA MÚSICA IV
Dando continuidade à história da música, como concebida no trabalho denominado "A fábrica de melodias", atribuído aos pesquisadores: Moacir Barbosa de Souza (2) e Luiz Maranhão Filho(3), e divulgado na internet, reproduzo a temática voltada para a tradição do carnaval na capital pernambucana, em que a Fábrica de discos “Mocambo” teve um papel marcante.


Na época do carnaval, uma festa popular de muito apelo no Recife, os catálogos
de discos Continental e RCA Victor inseriam sempre compositores locais, embora os
cantores fossem do sul do país. O grupo Rozenblit conseguiu distribuir com exclusividade, três selos americanos: Decca, Seeco e Mercury. Para divulgar sua mercadoria, a firma atraiu um apresentador de programa radiofônico, bastante conceituado, Fernando Castelão, e a ele confiou um programa que tinha por título Parada De Ritmos, veiculado todos os sábados, às 14.30 horas, na onda da PRA-8, Rádio Clube de Pernambuco. Era fazer a divulgação e esperar a abertura da loja na segunda-feira, para vender rapidamente os estoques. Isto impulsionou o sonho: uma estrutura fabril permitiria receber as matrizes do estrangeiro e prensar as cópias no Recife.

Logomarca da Fábrica de Discos Rozenblit – a Mocambo
A Fábrica Rozenblit nasceu na Estrada dos Remédios, no bairro de Afogados,
em outubro de 1953, buscando a primeira meta, a prensagem de discos. Deram-lhe o
nome de Mocambo (6), e logo a família se aproximou do diretor artístico da PRA-8,


o maestro Nelson Ferreira, e confiou-lhe o comando para uma meta mais ambiciosa: gravar os artistas da terra com os músicos da emissora, motivando os compositores locais que já tinham fama nacional, tais como os Irmãos Valença, João e Raul,verdadeiros autores de um grande sucesso nacional O Teu Cabelo não Nega, usurpado no Rio de Janeiro por um outro autor, Lamartine Babo, o que motivou rumoroso
processo judicial. Nelson Ferreira compunha frevos – o ritmo local que fazia a dimensão do carnaval – e seus lançamentos para a folia garantiam a receita da fábrica.


O frevo tinha participação de 25% dos lançamentos da gravadora, que chegou a controlar 22% do mercado fonográfico nacional e 50% do mercado regional.
Na linguagem dos jornalistas da época, alguns lançamentos “estouraram” no sul.
Principalmente, dois destaques: um bolero-versão que teve por título Nunca Jamais,
gravado por uma jovem estrela do rádio, Onilda Figueiredo, e o frevo de bloco
Evocação nº 1, de autoria do Maestro Nelson Ferreira, com orquestra de pau e corda
(7) - uma novidade na época - e coral feminino7, recrutado nos cordões carnavalescos da cidade.


Foi o disco Mocambo que lançou o menino-cantor Paulo Molin gravando
músicas de Capiba (Serenata Suburbana), este já conhecido nacionalmente. Duas
canções, louvando as cidades de Recife e Olinda, fizeram o auge das vendas. Quando a
seleção brasileira voltou da Suécia, em 1958, cada jogador recebeu um compacto
simples com as músicas Rei Pelé, de Aldemar Paiva, e Brasil Campeão do Mundo, de
Nelson Ferreira, uma edição especial gravada, prensada e distribuída em um tempo
reduzido para aproveitar as comemorações da conquista do título mundial.
José Rozenblit tinha uma visão ampla acerca dos negócios. Enquanto a família
conduzia a loja para frente, já com uma ampliação de espaço, ele queria sempre mais.
Preocupado com o tempo e o custo de fazer as capas do seu selo – Discos Mocambo –
no Rio de Janeiro, resolveu montar moderna gráfica, operando no sistema Off-Set,
porque já antevia a chegada do processo de vinil no sistema Long-Playing. Assim,
contratou o gráfico Vicente Machado, e mobilizou artistas plásticos locais para a criação dos desenhos, em cujo grupo se incluiu, entre outros, o consagrado Lula Cardoso Ayres,e logo depois já dispunha de um moderno estúdio que gravava discos em 16 canais, um parque gráfico composto por impressoras coloridas, uma fábrica de vinis e uma oficina mecânica para manutenção das máquinas.
O frevo, a jovem guarda e outros ritmos O momento mais importante do frevo no cenário da música nacional ocorreu entre os anos de 1950 e 1960, e está associado ao surgimento e consolidação da fábrica de discos Rozenblit, que teve influência direta na expansão do frevo na indústria fonográfica brasileira. A gravadora marcou culturalmente toda uma geração de pernambucanos: maestros, arranjadores, músicos, compositores, autores, intérpretes e consumidores.

Ao animar o carnaval carioca de 1945, a Orquestra Tabajara, da Paraíba, que gravou inúmeras músicas carnavalescas pela Mocambo anos mais tarde, mereceu o seguinte destaque da imprensa nordestina(8):
“Sábado passado, das 21 horas em diante a Rádio Tupy, da cadeia dos Associados
deu o grito de carnaval na Capital da República, apresentando para todo o Brasil
a música mais típica e ardente, música que arremeda o pião, o curripio, os toques
de trombeta, a algazarra, o pastoril, tudo enfim o que é do nordeste – o frevo. Os
salões da Rádio estavam apinhados. No meio da multidão que se comprimia no
auditório, o general Fulgêncio Batista, ex-presidente da República de Cuba; junto
a ele o [ex] interventor Ruy Carneiro. Assis Chateaubriand e um punhado de
figuras de destaque no cenário político da atualidade, e, mais, cumprimida [sic]
ainda a multidão daqueles que descem os morros para escutar lá em baixo, -
porque não puderam adquirir lugares no quinto andar da G-3 – os acordes da
música pernambucana [...] No palco do auditório da Tupy, era a presença do
locutor numero 1, Carlos Farias,[sic] a Orquestra Tabajara, sob a batuta de
Severino Araújo, que abria a noitada de frevo, com o maravilhoso ‘Tabajaras no
Rio’, ficando a parte coreográfica a cargo do rei-do-passo em Recife, Milton
Moreira, que arrancou da platéia uma ovação jamais presenciada em qualquer
programa radiofônico [...] Não há quem se contenha dentro do auditório...A
algazarra vai tomando foros de uma vibração de massa jamais presenciada nesses
últimos tempos. Silvio Caldas, de maneiras tão distintas, e meio comedido a
cantar seus sambas, aparece para interpretar o frevo de Nássara e Frazão ‘Eu vou
pra Pernambuco’, e, sem se sentir, começa a gingar e requebrar, e, Carlos Farias,
de quando em vez a elogiar os rapazes que não há muito deixaram a capital da
Paraíba para uma aventura em pagos distantes.”
A empresa diversificou os gêneros musicais, como a música da jovem guarda,
produzindo compactos simples de Martinha, os Baobás, grupos de garagem como
Beatniks, De Kalafe e a Turma, lançando ainda músicas estrangeiras, com as cantoras
Célia Cruz, cubana, e Françoise Hardy, francesa. A gravadora foi notícia na imprensa
do sul do país(9): “A Mocambo vem ampliando seu quadro de artistas que interpretam o
gênero sertanejo, aliás, um dos mais apreciados. Prado e Pradinho também integram o
elenco da gravadora, e aí estão com cateretê A palavra ladrão e a toada Vestidinha de
anjo”. Entre os campeões de popularidade do disco, conforme publicado na imprensa(10), constava em 5º lugar, em São Paulo, a rumba Cachito, com a dupla Doris e Rossie, da gravadora Mocambo. Nos anos 1960 e 1970, a gravadora ampliou seu cast com artistas da MPB, como Jorge Ben, e passou a editar intérpretes e grupos estrangeiros, a maioria alternativos para a época, como os americanos Lovin' Spoonful. Também divulgou a música negra norte-americana e gravou e divulgou canções do tropicalismo e introduziu nos país a moda das trilhas de novela.
Para o jornalista paraibano José Teles, autor do livro Do Frevo ao Mangue Beat,
da editora 34, pela Rozenblit passou parte da história da música popular pernambucana,muito embora, segundo ele, a empresa tivesse matizes conservadoras, e fosse pouco afeita às inovações de tropicalistas e artistas do underground: "Nelson Ferreira, diretor artístico da gravadora, era ótimo, mas não era vanguarda. A bossa nova daqui não teve registro em disco. O grupo de Naná Vasconcelos nunca gravou aqui, nem Robertinho de Recife ou Geraldo Azevedo. O mangue beat não seria registrado se fosse assim."
Em 1937, o jornal A União, de João Pessoa, Paraíba, incentivava a divulgação da
música carnavalesca. Vale destacar que os sucessos da época eram exclusivamente de
autores pernambucanos, incluindo até um maracatu(11):
CARNAVAL DE 1937
Já se acham á venda na CASA ODEON as marchas carnavalescas Pernambucanas
(MUSICAS)
QUEM VAE PRA FAROL É O BONDE DE OLINDA (frevo canção)
QUE FIM VOCE LEVOU (frevo canção)
ALEQUIM (frevo canção)
PIERROT MEU PIERROT (frevo canção)
UM SONHO QUE DUROU TRES DIAS (frevo canção)
EH: UA CALUNGA (Maracatu)
(DISCOS)
UM SONHO QUE DUROU TRES DIAS (frevo canção)
SEBASTIANA (frevo canção)
ARLEQUIM (frevo canção)
NÃO HÁ MAIS VALE (Marcha frevo)
QUE FIM VOCE LEVOU (frevo canção)
DIABO SOLTO (Marcha frevo)
NOIÔ NOIÔ (Maracatu)
CHORA MEU GÓGUE (Maracatu)
Á VENDA NA “CASA ODEON” RUA
MACIEL PINHEIRO Nº 165
- JOÃO PESSOA -
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2 Professor adjunto da UFRN, coordenador do curso de Comunicação Social. Pesquisa a história da mídia sonora, com ênfase na indústria fonográfica e a evolução tecnológica da radiodifusão. Blog:http://www.historiadoradio.myblog.com.br E-mail: moacirbs8@oi.com.br; moacirbs@click21.com.br
3 Professor adjunto da UFPE e Faculdade Maurício de Nassau. Pesquisa a história do rádio pernambucano. Foi diretor da TV Universitária e Rádio Universitária. .......
6 A acepção dicionarizada de mocambo é cabana, ou uma construção feita com palhas de coqueiro, muito comum no nordeste.
7 A orquestra de pau e corda era formada por clarinetes, saxofones, às vezes flautas, banjo, bandolim, violão e percussão. O coral feminino que canta Evocação nº 1 foi preparado pelo próprio Nelson Ferreira.
8 Jornal A União, João Pessoa, Paraíba, pág. 3, 25 jan.1945.
9 Revista do rádio nº 226, 2/8/1958, p.49
10 Radiolândia, em 4/10/1959
11 Jornal A União, João Pessoa, Paraíba, 31 jan. 1937, p. 2

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

RELÍQUIAS DA HISTÓRIA DA MÚSICA III
Na sequência das nossas informações sobre a história da música, obtidas na internet, através de trabalho denominado "A fábrica de melodias", atribuído aos pesquisadores: Moacir Barbosa de Souza (2) e Luiz Maranhão Filho(3), trazemos a participação do Rio Grande do Norte nesse contexto musical.

Em Natal,por exemplo, em 1955, o compositor Dozinho convidou o Trio Puracy (do qual fez parte o cantor Agnaldo Rayol) para gravar um disco na Mocambo. A gravadora exigiu do produtor (o próprio Dozinho) a garantia de serem colocados no comércio natalense pelo menos quatro mil discos para evitar um fracasso financeiro, já que o trio era desconhecido. O impasse foi resolvido por Aldo Medeiros, diretor-superintendente da recém-inaugurada Rádio Nordeste e proprietário da Importadora Omar Medeiros, que tinha uma seção de comercialização de discos. A venda superou as expectativas e lançou Agnaldo Rayol, na sua primeira gravação profissional.

O cantor ficou pouco tempo no trio; em 1956 seu pai, Agnelo Rayol, que era militar, foi promovido a suboficial e transferido para o Rio de Janeiro para reger uma banda. Como Agnaldo ainda dependia financeiramente do pai, acompanhou-o ao Rio onde deu início à sua carreira artística.
Outro nome que fez a Mocambo Dozinho – Seu nome verdadeiro é Claudomiro Batista de Oliveira. Embora ficasse conhecido como compositor de frevos, sua carreira teve início com composições
para campanhas publicitárias e políticas. Foi assistente de orquestra da Rádio Nacional no Rio de Janeiro e trabalhou na Gravadora Copacabana como agente e na Mocambo como representante (em Natal, nos anos 1960, produziu e apresentou um programa na Rádio Trairy, aos domingos, denominado Fábrica de Melodias, onde tocava os últimos sucessos da gravadora Mocambo, que ele recebia com exclusividade; foi em
homenagem à Mocambo que este trabalho leva aquele título). Começou a compor na
década de 1940. Em 1952, teve suas primeiras composições gravadas, o samba-choro
Há sinceridade nisso, e o baião Se tocá eu danço, feitos em parceria com Manezinho
Araújo e Carvalhinho e gravados por César de Alencar, dois de seus maiores sucessos.
Compôs a música de carnaval "Marta Rocha", em homenagem à então miss Brasil, que visitava a cidade de Natal e que permaneceu inédita. Em 1955, Os Cancioneiros gravaram, de sua parceria com Genival Macedo, o baião Menino de pobre.
Em 1957, Os Cancioneiros gravaram pelo Mocambo os frevo-canções Tempero de
pobre e Fantasia de capim, que também figuram entre seus maiores sucessos. Quando
lançou o LP "Primeiro ensaio", recebeu o seguinte elogio de Câmara Cascudo:
"Dozinho tem a linguagem musical. Diz todas as suas emoções na linha melódica, doce,
clara, fácil, com uma naturalidade de fonte. E uma grandeza espontânea de
predestinado". Compôs também O mais querido, hino do ABC Futebol Clube, popular
clube de futebol de Natal. É considerado um dos grandes do carnaval brasileiro ao lado de nomes como Capiba e Nelson Ferreira. Depois de atuar no Rio de Janeiro e no
Recife, retornou para a cidade de Natal, onde vive atualmente. Foi homenageado no
carnaval natalense de 2007.
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2 Professor adjunto da UFRN, coordenador do curso de Comunicação Social. Pesquisa a história da mídia sonora, com ênfase na indústria fonográfica e a evolução tecnológica da radiodifusão. Blog:http://www.historiadoradio.myblog.com.br E-mail: moacirbs8@oi.com.br; moacirbs@click21.com.br
3 Professor adjunto da UFPE e Faculdade Maurício de Nassau. Pesquisa a história do rádio pernambucano. Foi diretor da TV Universitária e Rádio Universitária.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

RELÍQUIAS DA HISTÓRIA DA MÚSICA II

Dou continuidade às informações preciosas obtidas na internet, localizada sob o título "A fábrica de melodias", atribuídas aos pesquisadores: Moacir Barbosa de Souza (2) e Luiz Maranhão Filho.(3)

No Brasil, o primeiro disco em vinil foi prensado e vendido em janeiro de 1951
pela gravadora Sinter. Era um disco para o carnaval com músicas interpretadas por
Oscarito, Geraldo Pereira, Heleninha Costa e os Cariocas. Os discos tinham ainda o
tamanho de 10 polegadas, e eram gravados no sistema monofônico (um só canal) – a
estereofonia (dois canais) só iria chegar no final de 1958. O sucesso, entretanto, não foi
o esperado, porque o preço era muito alto e os toca-discos ainda não estavam adaptados
à nova rotação de 33 1/3 dos Long-playing (os equipamentos trabalhavam em 78 rpm).
A primeira gravação comercial no mundo ocorreu em 1896. Setenta anos depois,
a cadeia France-Culture transmitiu uma série de programas divulgando discos raros,
entre eles Sarah Bernhardt declamando Racine, que nunca esteve à venda nas lojas. A
gravação de programas em fita magnética teve início nos Estados Unidos em 1949
permitindo correções antes de serem passados para o acetato. Em 1953 chegaram ao
Brasil os primeiros gravadores de áudio. Os alemães criaram o magnetofone, que
gravava e reproduzia em fita, em 1930; na mesma época, os norte-americanos usavam
máquinas de gravação em arame magnético, com resultados inferiores às gravações
feitas pelo magnetofone. Os discos de alta-fidelidade (high-fidelity, ou Hi-Fi) surgiram
nos Estados Unidos em 1948, e tinham até uma hora de duração.

Rozenblit: o começo de tudo

(A.Rosenblit e jornalistas)

Ao final da Primeira Guerra Mundial – o conflito que abalou a Europa nos anos
1917/18 – verificou-se no Brasil um grande fluxo de imigrantes. Diferentes regiões
foram visadas, instalando-se em cada uma colônias que envolviam povos típicos, com
seus costumes e suas práticas. O Nordeste que, em tempos idos, acolheu sírios e
libaneses, foi mais uma vez o destino escolhido por povos do Oriente, dedicados
principalmente ao comércio. O Recife atraiu os judeus. Famílias inteiras lá se
estabeleceram e promoveram uma concentração tão grande em determinados bairros
que passaram a ser identificados por essas populações migratórias.
Luis Rozenblit(4) e sua esposa adotaram o bairro da Boa Vista e desde logo
optaram pela rua da Alegria, uma via pacata que era favorecida pela proximidade do
comércio lojista principal – a Rua da Imperatriz – distante apenas de uma breve
caminhada. No bairro, criaram os três filhos: Isaac, José(5) e Adolfo. A comunidade
judaica logo passou a dominar o ramo de móveis, ocupando a Praça Maciel Pinheiro, a
Rua do Hospício, a Rua do Aragão e adjacências; todos praticamente se conheciam, os
Cherpack, os Schwartz, os Fischman, os Mesel, entre outros.
Quando se busca um marco referencial para assinalar o começo de tudo,encontra-se um estabelecimento montado à Rua da Aurora, às margens do Rio Capibaribe, com amplas vitrines, capazes de atrair o intenso fluxo de pedestres que se movimentavam entre duas pontes: a Boa Vista e o outro extremo que homenageava a Princesa Izabel. A loja se chamou Irmãos Rozenblit Ltda, onde pontificava o patriarca e o filho mais velho, Isaac. O ramo escolhido foi o nascente comércio dos receptores de rádio, de vez que Pernambuco tinha um bom mercado, em razão do pioneirismo do Estado, assinalado pela presença da primeira emissora radiofônica do país, o Rádio Clube de Pernambuco, fundado em 06 de abril de 1919 e consolidado nos anos 30.
Vendiam-se pianos para o aprendizado das senhorinhas da alta sociedade, pois vários professores de música mantinham cursos na cidade. Em conseqüência, as primeiras gravações em disco de cera começaram a formar um comércio intenso. Duas lojas tradicionais funcionavam na Rua Nova, o coração do Recife. Eram as distribuidoras das marcas nascentes, os selos Odeon e Parlophon, do Rio de Janeiro.
Rozenblit optou por uma terceira marca, a americana RCA Victor que penetrou na praça
com uma intensa propaganda em torno do slogan promocional, A Voz do Dono, cujo selo exibia um cachorrinho de ouvido atento diante de um gramofone, a radiola da época. Com uma ampla visão de mercado, os Rozenblit descobriram, além dos rádios receptores Philips, fabricados na Holanda, um amplo filão de vendas: o eletrodoméstico,que tinha por função fazer tocar os discos. Importavam do estrangeiro a estrutura eletrônica: “pick-up” Garrard (marca inglesa), alto-falantes, amplificadores e receptores. Tendo em mãos os catálogos das peças européias, copiavam os modelos de móveis oferecidos com a ajuda de oficinas de carpintaria e logo os produtos “clonados” ocupavam suas vitrines e fascinavam as famílias mais abastadas.
Os que primaram da amizade do grupo familiar sugerem que o ingresso do segundo filho, José, na atividade mercantil, foi o motivo causador do sonho de uma
fábrica de discos, sabido que as músicas de autores pernambucanos só faziam sucesso
quando produzidas no Rio de Janeiro. Capiba e Nelson Ferreira, por exemplo, os reis do frevo, não despertaram a devida atenção das gravadoras do sul do país. Só depois de terem sua produção fonográfica gravada pela Mocambo, elas demonstraram interesse,
como a gravadora RCA Victor, que produziu e distribuiu grande parte da obra musical
de Capiba. As multinacionais da época, como a Columbia e a RCA se negavam a gravar
a produção nordestina, salvo mediante uma compra antecipada de três mil cópias.
Essa prática de antecipação era comum entre as gravadoras da época.
Resumo
A fábrica de discos Mocambo representou para a cultura nordestina a valorização do
artista local. Fundada pela família Rozenblit, que se instalou no Recife nos anos 1950 a gravadora teve altos e baixos, porém nunca abandonou o papel de incentivadora da música nordestina. Foi apontada como conservadora demais na sua política de promover os artistas da terra. Apesar disso, na época da jovem guarda, chegou a gravar e distribuir discos de artistas que tomaram parte daquele momento da música brasileira, como Martinha, De Kalafe e a Turma, Os Baobás, e outros. O sonho dos Rozenblit literalmente foi de água abaixo quando as enchentes do rio Capibaribe, em Recife,inundaram toda a fábrica na Estrada dos Remédios, fechando um ciclo importante para a cultura regional.
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2 Professor adjunto da UFRN, coordenador do curso de Comunicação Social. Pesquisa a história da mídia sonora, com ênfase na indústria fonográfica e a evolução tecnológica da radiodifusão. Blog:http://www.historiadoradio.myblog.com.br E-mail: moacirbs8@oi.com.br; moacirbs@click21.com.br
3 Professor adjunto da UFPE e Faculdade Maurício de Nassau. Pesquisa a história do rádio pernambucano. Foi diretor da TV Universitária e Rádio Universitária.
4 Rozenblit em russo quer dizer rosa de sangue.
5 Principal fundador da gravadora Mocambo e sócio majoritário, nunca foi reconhecido por seu trabalho. Apenas no
carnaval de 2003 foi homenageado no carnaval do Recife. Faleceu em 2007.

sábado, 12 de fevereiro de 2011


RELÍQUIAS DA HISTÓRIA DA MÚSICA I

Navegando pela internet deparei-me com informações preciosas, que agora reproduzo aos meus leitores, em capítulos.
O trabalho que circula tem a denominação de "A fábrica de melodias"(1) e é atribuída a sua autoria a dois pesquisadores: Moacir Barbosa de Souza (2) e Luiz Maranhão Filho.(3)
Hoje, reproduzo o começo de tudo, sob o título "Chegada da indústria fonográfica ao Brasil"
'Em 1877, Thomas Alva Edison desenhou e produziu em seu laboratório em
Menlo Park, Nova Jersey, um aparelho ao qual deu o nome de fonógrafo. A engenhoca
consistia num cone em cujo vértice era colocada uma membrana ou diafragma com uma
agulha no centro e um cilindro metálico revestido de estanho ligado a uma manivela. Ao ser acionado manualmente, o cilindro girava, gravando ou reproduzindo o som. As
primeiras unidades do fonógrafo apareceram no Rio de Janeiro, e foram importados
pelo comerciante James Mitchel. Tinha início então a era das gravações para venda,
feitas por Frederico Figner, a partir de cilindros previamente gravados. O Brasil foi o primeiro país do mundo responsável pela produção de um disco com gravações de
ambos os lados: foi o lundu Isto é Bom, de Xisto Bahia, na voz de Bahiano, lançado em
1902. Na Europa e nos Estados Unidos, isso ocorreu anos mais tarde.
A primeira audição de um disco feita no Brasil foi a canção Casinha Pequenina,
cantada por Mário Pinheiro para a Casa Edison, Rio de Janeiro, onde o artista trabalhava por um salário de 40 mil réis. As primeiras gravações eram mecânicas, nas quais os cantores davam o máximo de suas cordas vocais para que a gravação fosse audível nos cilindros e discos de cera ou goma laca. O sistema mecânico fez com que surgissem intérpretes com vozes potentes como os tenores Vicente Celestino e Francisco Alves, que se apresentavam com a Banda da Casa Edison e a Banda do Corpo de Bombeiros,esta última regida pelo Maestro Anacleto de Medeiros. O sistema durou até 1925,quando as tecnologias de gravação de discos foram se aperfeiçoando. No início de cada gravação, na fase mecânica, um apresentador anunciava o nome da música e da gravadora (geralmente a Casa Edison). Servia para orientar os técnicos alemães da Fenotipia Company na hora de colocar os selos nos discos. As matrizes de cera seguiam para a Europa em navios, cujo calor das caldeiras quase sempre derretia grande parte daquela carga."
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Referências:
1 Trabalho apresentado no VII Encontro dos Núcleos de Pesquisa em Comunicação – NP Rádio e Mídia Sonora
2 Professor adjunto da UFRN, coordenador do curso de Comunicação Social. Pesquisa a história da mídia sonora, com ênfase na indústria fonográfica e a evolução tecnológica da radiodifusão. Blog:http://www.historiadoradio.myblog.com.br E-mail: moacirbs8@oi.com.br; moacirbs@click21.com.br
3 Professor adjunto da UFPE e Faculdade Maurício de Nassau. Pesquisa a história do rádio pernambucano. Foi diretor da TV Universitária e Rádio Universitária.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES - UBE
PRIMEIRA REUNIÃO DA UBE-RN 2011
LOCAL - MEMORIAL DESEMBARGADOR VICENTE DE LEMOS




SENTADOS DA ESQUERDA PARA A DIREITA - ESCRITORES
MANOEL MARQUES, CARLOS GOMES, ORMUZ SIMONETTI, JURANDYR NAVARRO E BARTOLOMEU CORREIA DE MELO
EM PÉ - OS POETAS EDUARDO GOSSON E JANIA DE SOUZA

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Fonte: blog de Ormuz Simonetti

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011


NEWTON AVELINO - ARTISTA PLÁSTICO
Mais uma vez a sociedade potiguar tem a oportunidade de ver o trabalho desse excelente artista, com maior facilidade, visitando, durante este mês de fevereiro, o Restaurante Maturi - Rua São José, próximo ao Hospital Promater.
Para uma amostragem do valor dos seus quadros, recomendo acessar o seu blog:

http://www.aartedenewtonavelino.blogspot.com/

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011


A NOVA ONDA DAS ARENAS
O Brasil pirou de vez, virou simples protetorado do poderoso “ Estado da FIFA”, até 2014 . No RN, depois de verdadeira orgia de gastos públicos ilegais com consultorias e projetos , dizem, contratando empresas RECOMENDADAS pela alta cúpula da cartolagem esportiva, para estudos de viabilidade econômica, e sustentabilidade, visando levar Natal a sub- sede na Copa 2014, até aqui sem nenhum resultado, o governo anuncia para hoje uma Comissão Especial para planejar e fazer o milagre de garantir que o evento seja um exemplo de sustentabilidade e reaproveitamento do entulho, moveis e esquadrias resultantes da demolição do Machadão.
Simplesmente ridículo, ou será que nós eleitores somos mesmo paspalhos e vira-latas ? O aproveitamento da pedra britada do concreto, que a prefeita pagou o mico de chamar “asfalto ecológico”, seria o agregado de concreto mais caro do mundo, que nem os emirados árabes suportariam, e as esquadrias, moveis e utensílios do Machadão, no Vuco-Vuco, não apurariam nem dez mireis.
Sem dúvida, aquela região é o maior gargalo do sistema viário da cidade, e sabe-se que, o gigantesco aumento dos milhares de veículos que ali estacionarão, causará uma muralha intransponível desafiando a chamada mobilidade urbana, que, aos olhos dos apaniguados do governo parece apenas uma abstração, mas para os urbanistas é um dos maiores desafios no processo de planejamento urbano. Será que estão sabendo quanto custará o túnel ou o elevado anunciados, ligando a Av. Cap.Mor Gouveia ao anel viário da UFRN ? Estarão sabendo quantas propriedades terão que ser desapropriadas para as alças do trevo, desde a Potilandia, aos conjuntos da Lagoa Nova I e II até inicio das encostas da Candelária ? As famílias a serem desabrigadas aceitarão o “confisco” pacificamente, ou recorrerão à justiça ? E, nesse caso, não imaginam que a copa poderá ser adiada para 2022 ou mais ?
Ademais, e não menos grave, será o aumento da degradação ambiental que esse abuso do solo provocará no importante lençol ali existente, já hoje seriamente comprometido pela incúria dos governantes através dos anos.
Esse engodo da FIFA, que leva o nome de LEGADO, já desmascarado pela imprensa mundial (a exemplo da África do Sul) gerou uma alucinação em nosso Estado, confessadamente “quebrado”, que acumula muitas perdas em sua história pífia, e agora quer de toda forma implantar a tese de que “é demolindo que se desenvolve”. Parece que até agora o maior “legado” que estamos recebendo é a vinda de Fernandinho Beira- Mar para instalar seu quartel general em Mossoró.
Dessa incompetência, e, da subserviência ao alienígena, que aqui se cultiva, surge agora a nova onda de construção de Arenas, além da “Arena das Dunas” naturalmente, para agradar nossos senhores europeus,
E, tome “Arena do Dragão” pra lá, aumento do Frasqueirão pra cá, e agora, o último vestígio da memória da cidade, o velho Juvenal Lamartine, que, segundo um especialista na área imobiliária, poderá transformar-se em um “paredão” com 200 apartamentos de 200m2, e conseqüentemente, no mínimo um acréscimo no fluxo do transito local de 600 veículos, tudo com a finalidade de construir mais uma arena moderna em qualquer outro ponto da cidade. Vai findar sobrando Elefantes Brancos, muito dinheiro nos bolsos da FIFA e seus parceiros, e, faltando qualidade de vida para a população de Natal. Haja remédio para curar esse surto de insanidade mental.
Moacyr Gomes da Costa - Arquiteto – 7473 D – CREA RJ - 08/02/2011

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CARTAS TROCADAS ENTRE AMIGOS LEAIS

Carta à Moacyr Gomes.
Meu caro e bom amigo Moacyr Gomes. Para mim você será um eterno paladino, sempre ao lado da honestidade, competência, amizade e lealdade. Aquele que falar mal de você está faltando com a verdade. Mas você sabe por que estou escrevendo isto? Sinto e compreendo a sua angustia em ver se esfumar um patrimônio público, que serviu e serve ao futebol do Rio grande do Norte e que você contribuiu em muito para a sua edificação.
Meu amigo, aqui as coisas permanecem “dantes com no quartel de Abrantes”. Muda governo, sai governo, mudam as pessoas, mas os atos políticos são mais de interesses pessoais do que para a coletividade, isto engloba os três governos, municipal, estadual e federal. Qual o administrador que não vai querer um evento como a copa do mundo, sabendo que vem dinheiro pelo ralo para obras infra-estruturais? Ninguém vai, o político quer promoção pessoal não quer saber quais as conseqüências para o nosso futebol, os clubes que se danem, depois os dirigentes dessas entidades que se virem e arranjem um local para jogar. Aliás, a conseqüências de uma copa aqui, serão muito benéficas para Natal, para ficar bem claro nem eu, você e outros somos contra Natal na copa.
Agora amigo burrice também tem preço, derrubar o Machadão para fazer outra no mesmo lugar? Lotear o patrimônio do estado, o patrimônio do povo, sem uma consulta prévia ao povo? Não temos saúde, educação, segurança, por que não fazemos umas PPP para esses setores, amenizando essas angústias do nosso povo. Você viu pai de famílias passando o final de semana, dormindo nas calçadas para garantir vaga para seus filhos nas escolas? Como diz Boris Casoy “Isto é uma vergonha”. Você viu a declaração de um oficial da nossa Policia Militar afirmar que o contingente de policiais é insuficiente, continuamos vendo assassinatos todos os dias, famílias inteiras reféns de bandidos dentro de sua próprias casas? A saúde pública nem se fala, o nosso único pronto-socorro o Walfredo Gurgel continua em situação precaríssima um verdadeiro matadouro, aliás, quase todos os hospitais e postos de saúde públicos, o nosso povo calado, sem reação. Já não existem jovens com capacidade de liderar campanhas publicas, já não existem políticos que com sua eloqüência seja capaz de conduzir o povo. Sei não...
Olho eu considero Demétrio Torres, meu amigo, está na minha cota dos melhores amigos. Considero em profissional competente, não é um sujeito leviano, mas ele está servindo ao governo e quem aceita servir a um governo tem que ser leal a ele, acho que foi mal interpretado. Mas, independente deste fato, continuo concordando com você, construir um estádio de futebol, hoje, naquele local, para mim, é uma burrice franciscana sem tamanho. Agora em janeiro, teve jogo do ABC no Frasqueirão, o transito para as praias do Litoral Sul que já era grande, ficou insuportável, gastei uma hora e meia de Natal a Praia de Cotovelo. Ora as ruas Prudente de Morais, Salgado Filho/BR 101, são as únicas saídas de Natal, para o interior e outros estados no sentido sul, na hora de pique do trânsito, estas ruas estão completamente saturadas, imaginem isto daqui a quatro anos. Como jogos de futebol no novo estádio vão ser fato isolado, como vão ficar, os jogos da série C, e do nosso campeonato vão ser onde? Vamos jogar no velho JL? Ou vamos fazer renascer o velhíssimo Senador João Câmara? Sei não amigo...
Olha te digo com toda sinceridade amigo, não vou navegar na Nau dos Insensatos, estou fora dela, você e outras pessoas já pularam dela, mas com toda sinceridade- Acho que perdemos a luta, o Machadão vai ser mesmo derrubado, o futebol do Rio Grande do Norte deverá passar por uma crise sem tamanho, mas...
Termino com uma frase de Fernando Pessoa – Tudo vale à pena. Se a alma não for pequena. Valeu a sua luta pela sensatez, infelizmente ela não veio, o nosso Machadão vai ser derrubado, o nosso futebol que já é falido, ficará pior, enquanto isto, para saúde, educação e segurança para os homens de bem..., “taqui pra você”.
Um grande abraço de GUGA
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Querido amigo Guga :

Respondendo a seu artigo “Carta à Moacyr Gomes” publicada nesta ultima Quarta-feira 02 no O Jornal de Hoje, lembrando uma velha música consagrada por Orlando Silva (o inesquecível cantor) cujo título é “Amigo Leal”, passo a dar título a este texto, o qual tentarei publicar no mesmo veiculo, com o mesmo destaque.
Suas palavras generosas me chegam como um balsamo para mitigar feridas, que atingem mais às almas que tentam ser maiores.
Você é de fato Leal, não só no sobrenome, como seu caráter faz jus ao adjetivo. Você foi perfeito em toda a análise disso que leva fortes indícios de grotesca bandalheira para nos assaltar, em nome da Copa 2014. TODO O BRASIL SABE DISSO, e vai ser assaltado também. A região serrana do Rio está morrendo, e vão gastar mais de um bilhão numa simples reforma do Maracanã. Mas, voltando aos índios potiguares, acho louvável sua lealdade em tentar reparar qualquer possível má interpretação sobre a atual posição do seu amigo Demetrio Torres a respeito desse assunto. Concordo com todas as virtudes que você lhe atribui, sei que ele é um homem de bem, apenas discordo de sua assertiva ...”quem aceita servir a um governo tem que ser leal a ele...”, entendo que, quem aceita servir a um governo tem que ser leal ao povo que elegeu esse governo.
Por outro lado, em nenhum momento pretendi atingir ou julgar o secretário em comento, apenas não consigo entender porque que há alguns meses passados, ele pediu ao Engenheiro José Pereira e a mim, argumentos visando demover ao governo de Dona Micarla de cometer o erro de demolir o Machadão, provando assim, sua lealdade funcional e social, e, logo depois, já servindo ao atual governo de D. Rosalba, deu uma guinada de 180 gráus em sentido contrário, tornando-se entusiasta de sua demolição. Nesse caso, guardando lealdade a quem ? Esse parece ser o segredo que envolve esse assunto escuso.
Você tem razão, há muito tempo que considero o Machadão no corredor da morte, aguardando apenas o “ herói” que vai executá-la, levando para a eternidade também a glória da extinção dos esportes da aldeia. Enquanto houver uma misera moeda no “rico” erário do Estado, para eles levarem, não acontecerá. A luta está praticamente perdida, havendo uma remota possibilidade de anistia, conforme explicarei a seguir:
O MPE, há mais de um ano, investigou e convenceu-se de todas as ilegalidades cometidas e do vergonhoso procedimento do governo sobre o assunto, tanto que impetrou uma ação popular, pedindo uma liminar acauteladora na justiça, a qual foi extinta sem análise do mérito, por uma decisão singular, sob a legação de que o projeto fora mudado, reduzindo pela metade as demolições programadas, ou melhor, em linguagem popular, o cabra ia matar dois, mas resolveu matar apenas um, portanto o crime incompleto não é crime. Arquive-se.
Assim, se o MPE tiver recorrido da sentença estranha, a situação vai complicar-se, e ai, talvez o Machadão escape.
Nesse caso, vejo mais deboche do que falta de bom senso, que aliás, nunca houve, vez que o governo vai até criar uma Comissão Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade para a Copa 2014, todo mundo sabendo que o chamado Elefante Branco é economicamente insustentável e que, o local escolhido para a Arena das Dunas, ampliará a desastrosa degradação ambiental ali provocada pela incúria dos governantes permitindo o crescimento desordenado da cidade. E aí, num possível choque entre essa comissão e o MPE, quem decide ?
Continuo dizendo, com tanta improvisação, incompetência e “quebradeira”, vamos terminar sem patrimônio, sem arena,sem copa, com uma baita dívida e com uma bola vermelha no nariz, e daqui há 4 anos eles virão nos pedir votos novamente.
Os pobres continuarão sofrendo nos corredores dos hospitais públicos, as creches continuarão sendo demolidas, e segurança, oh! E a dinheirama continua vindo, ...e saindo, pelo ralo???
Caloroso e agradecido abraço deste amigo que lhe quer bem
Moacyr Gomes - 05/02/2011

domingo, 6 de fevereiro de 2011

ACLA - ACADEMIA CEARAMIRINENSE DE LETRAS E ARTES


Recebi com grande alegria a notícia da criação, aprazada para o mês de março do ano corrente, da ACADEMIA CEARAMIRINENSE DE LETRAS E ARTES, iniciativa elogiável do escritor e advogado Pedro Simões Neto.
A terra dos canaviais já legou ao Rio Grande do Norte e ao Brasil, figuras notáveis nas letras e nas artes, podendo ser indicada como um celeiro inesgotável de talentos que enriquecem a cultura universal.
Parabéns amigo Pedro, vamos alargar outros movimentos que já estão em ascensão, como a Academia Macaibense de Letras, o Instituto Norte-Riograndense de Genealogia, a União Brasileira de Escritores e a Academia de Letras Jurídicas do Rio Grande do Norte, os quais se somarão aos vetustos Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte e Academia Norte-Rio-Grandense de Letras.
Sobre cultura, tenho conhecimento, também, que o nosso poeta Diógenes da Cunha Lima está se movimentando para criar a Federação de Cultura do Estado, congregando todas as academias de letras já existentes, para o fortalecimento cultural do Rio Grande do Norte.
Voltando ao assunto de Ceará-Mirim, até agora foram criadas cadeiras com os seguintes

PATRONOS

Cadeira n.1 – Nilo Pereira;
Cadeira n.2 – Edgar Barbosa;
Cadeira n. 3 – Juvenal Antunes;
Cadeira n. 4 – Maria Madalena Antunes Pereira;
Cadeira n. 5 – Adelle de Oliveira;
Cadeira n. 6 – Augusto Meira;
Cadeira n. 7 – Rodolfo Garcia;
Cadeira n. 8 – Júlio Gomes de Sena;
Cadeira n. 9 – Inácio Meira Pires;
Cadeira n. 10 – Jayme Adour da Câmara;
Cadeira n. 11 – Padre Jorge O´Grady de Paiva;
Cadeira n. 12 – Elviro Carrilho da Fonseca;
Cadeira n. 13 – Herculano Bandeira de Melo;
Cadeira n. 14 – José Emidio Rodrigues Galhardo;
Cadeira n. 15 – José Alcino Carneiro dos Anjos;
Cadeira n. 16 – Francisco Pereira Sobral;
Cadeira n. 17 – Etelvina Antunes Lemos;
Cadeira n. 18 – Antonio Glicério;
Cadeira n. 19 – Dolores Cavalcanti;
Cadeira n. 20 –Francisco de Sales Meira e Sá.
Cadeira n. 21 – Anete Varela
Cadeira n. 22 – Rafael Fernandes Sobral
Cadeira n. 23 – José Pacheco Dantas
Cadeira n. 24 -

sábado, 5 de fevereiro de 2011


Paulo Molin ainda garoto

Paulo Molin, por Carlos Gomes
Navegando, costumeiramente na internet, deparei-me com a publicação de um trabalho que elaborei, ainda no ano de 2004, publicado na Tribuna do Norte, edição do dia 24 de outubro, a partir de uma notícia publicada na coluna de Woden Madruga, no mesmo jornal, edição do dia 09/10/2004.
O texto está publicado, com data de 7 de setembro de 2009, no Portal GxP – Guaxupé/MG e é referência na Wikipédia, no registro biográfico do homenageado.
Resolvi reproduzi-lo, como um preito de saudade àquele valoroso artista nordestino.

PAULO MOLIN(*)
Após mais uma noite insone, como vem ocorrendo nestes últimos meses, aguardo amanhecer com extrema ansiedade e, logo nos últimos instantes da madrugada, religiosamente, chegam os jornais do dia.
No último sábado, ao abrir a Tribuna do Norte, deparo-me com o artigo do meu amigo Woden Madruga: “Paulo Molin”, despertando-me imediata curiosidade em razão da afinidade com a pessoa nominada. Não era a notícia que aguardava há tantos anos, mas a informação de que falecera aos 66 anos em um hospital do interior de São Paulo.
Recostei-me, fechei os olhos e busquei das prateleiras da memória o passado, o nordeste do final dos anos 40 para começo dos 50. Natal com os seus 400 mil habitantes, serena, romântica, solidária.
A Rádio Educadora de Natal – REN, a Sociedade Artística Estudantil – SAE, a juventude ativa nas atividades artísticas. O prédio da ladeira da Rádio Poti em remodelação para assumir o seu futuro e os seus programas iam sendo deslocados para os Cinemas São Luiz, Rex e Rio Grande. Vesperal dos Brotinhos aos sábados, com Luiz Cordeiro; Domingo Alegre, sob a batuta do “Cacique Genar Wanderley” e à noite o Turbilhão de Novidades de Jaime Queiroz. Orquestras de Júlio Granados e Jonathas Albuquerque, regional com Gil Barbosa, Duca Nunes, Renato Tito e outros que já não mais me lembro. À margem dos grandes artistas, os meninos talentosos Odúlio Botelho, Edmilson Avelino, José Filho, Paulo Eduardo Firmo de Moura, Denise Vieira, Dulce Maria e Laudicéia Paiva e, no meio destes, Agnaldo Rayol, Elino Julião e eu, então conhecido como Carlos Gomes.
Concursos de calouros patrocinados por Vic-Maltema e a Voz de Ouro ABC, programas de auditório sempre lotados. Atrações semanais de nomes famosos nacionais e internacionais. Esses eram os anos dourados de Natal.
De Fortaleza tínhamos Keila Vidigal, Solteiro e Fátima. Do Recife, considerada a “Meca” do nordeste, despontava PAULO MOLIN, o melhor de todos: “A época em que isto aconteceu era propícia aos pequenos cantores. Em Recife, principalmente, era de se invejar o entusiasmo das platéias pela voz de Paulo Molin” (trecho de reportagem do jornalista Sebastião Carvalho em 1954, em o Diário de Natal, que tinha por título ‘Carlos Gomes e a ação do tempo”.
Os discos de 78 rotações de PAULO MOLIN eram disputados. Ali estavam consagradas as criações de Capiba Olinda, Cidade Eterna (Continental, 1950), Recife, Cidade Lendária (Continental, 1950), Igarassu, Cidade do Passado (Continental, 1951) as quais foram remasterizadas em CD, no Projeto Reviver, com o nome “Pernambucanos simplesmente”.
Todos queriam imitá-lo. Eu tive maior sorte, logrei ser o Campeão Vic-Maltema 1950, e em uma das etapas do concurso recebi a medalha daquele ícone da mauricéia. Fiz viagem ao Ceará (PRE-9, Rádio Clube), onde cantei com a orquestra de Mozart Brandão e fui acompanhado pelo violonista Evaldo Gouveia, do Trio Nagô e hoje
estrela de primeira grandeza. Contratado para temporada na Rádio Tamandaré do Recife, resolvi abandonar o rádio e o meu contrato foi cumprido por Agnaldo Rayol.
Mas …existe o tempo implacável … (como dizia Sebastião Carvalho em sua reportagem). O destino daqueles “meninos prodígios” foi bastante diversificado – uns venceram na profissão liberal, José Filho e as meninas nunca mais tive notícias, Paulo Eduardo faleceu prematuramente, Edmilson andou pelas veredas do cárcere, enfrentou grandes dificuldades até a viagem definitiva para outra dimensão, Paulo Eduardo faleceu prematuramente. Permaneceram na carreira, apenas, Agnaldo e Elino.
PAULO MOLIN teve uma carreira meteórica. Na idade adulta chegou a gravar outro disco. Uma das músicas era “Bem Sabes”, sem qualquer sucesso. Sua voz estava irreconhecível e tudo ficou por aí.
Eu nunca esqueci dele, apesar de não mais viver no meio artístico, mas não consegui notícias precisas do seu paradeiro, nem mesmo em Recife onde vivi algum tempo.
Muitos anos depois li uma reportagem em revista nacional que dava conta de PAULO MOLIN como empresário no interior de São Paulo. A fotografia já não lembrava aquele menino bonito, cabelos encaracolados, olhos claros de outrora. Então os cabelos rareavam. Daí para cá somente a notícia de Woden.
Vieram-me lágrimas atrevidas e na noite seguinte, também insone, meus ouvidos remoíam “Eu ando pelo Recife, noites sem fim. Percorro bairros distantes sempre a escutar: Loanda, Loanda onde estás. Era a alma do preto a penar …”
Saudades de um tempo de paz, felicidade e amor. Cidade de vida artística em ebulição. Muitos jovens talentosos no rádio e no Teatro: José Maria Guilherme, Geraldo José de Melo, Eunice Campos, José de Anchieta, Rosália Pinto, Francisco Cândido, Janda Mesquita, Hilton Paiva, Jorge Ivan Cascudo Rodrigues, Ary Negreiros e até o garoto Marcus Vinícius. Evoco Jaime e Sandoval Wanderley e Clarice Palma, criadora do Clube dos 7. O empresário Francisco Sales, que lançou o Trio Irakitan. Meu Deus, são tantas lembranças, que o coração dói.
Woden, foi importante a sua lembrança. Que PAULO MOLIN tenha o descanso merecido – ele marcou a minha geração!
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(*) Carlos Roberto de Miranda Gomes,
ex-integrante da Rádio Poti.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011


MARGARETE PEREIRA - um exemplo de perseverança

Nesta oportunidade venho utilizar este meu blog para praticar um ato de inteira justiça, embora o assunto tenha um caráter extremamente particular, mas cuja divulgação servirá de um exemplo perene para as pessoas perseverantes.
Trata-se da diplomação, como professora, da nossa auxiliar Margarete Pereira, que há mais de vinte anos nos presta serviços e já faz parte da paisagem sentimental da nossa casa.
Nestas fotografias temos dois momentos da solenidade realizada na Igreja da Candelária.


Parabéns Margarete e que Deus a coloque no lugar que você merece, ainda que no seu vôo possa se distanciar de nós.
Todos reconhecem o seu esforço; o sacrifício de estudar à noite, após o enfado de um dia de trabalho. VOCÊ VENCEU!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011


“Aí vai meu coração”
Clotilde Tavares

Quero comentar aqui um livro que andei lendo ultimamente. Sempre me esqueço de comentar minhas leituras nesse blog e o meu caro leitor fica encarregado de me cobrar iusso de vez em quando, me a judando a suprir as falhas de memória da chamada terceira idade, que de melhor não tem nada, sejamos francos.

No livro “Aí vai meu coração: as cartas de amor de Tarsila do Amaral e Anna Maria Martins para Luís Martins”, (São Paulo, Global, 2010) a escritora, editora e tradutora Ana Luisa Martins narra o romance entre Luís Martins, seu pai, e a pintora Tarsila do Amaral. Luís Martins e Tarsila tiveram uma longa e “proibida” relação amorosa, sendo ele vinte anos mais novo do que ela; depois ele apaixonou-se pela prima de Tarsila, Anna Maria, com quem viria a se casar e que viria a ser a mãe da autora.


Tarsila do Amaral
O livro todo é de uma delicadeza imensa, que transpira das cartas escritas por Tarsila e por Anna Maria para Luís Martins, que a filha encontrou numa gaveta após a morte do pai. A história desses amores é narrada através da leitura das cartas e complementada pela autora, que explica o desenrolar dos acontecimentos; mas as palavras são as dos próprios protagonistas e revelam, além de uma comovente história de amor, uma sociedade preconceituosa e limitadora da liberdade, principalmente da liberdade da mulher. As fotos e o projeto gráfico aumentam a beleza e o prazer da leitura. A Global Editora está de parabéns pelo lançamento.

Ah, sim: a frase “Aí vai meu coração” era a forma como Tarsila encerrava as cartas para Luís Martins.


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Com singular alegria recebi a visita de CLOTILDE TAVARES e tomei conhecimento do seu blog, do qual serei agora seguidor. Aproveito para transcrever artigo por ela publicado no dia 20 de janeiro de 2011.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011


Luciano Flehr
Mais solidário, menos agressivo

É comemorado nessa segunda-feira (31) o Dia da Solidariedade. No entanto, você já parou para pensar na quantidade de estresse que passamos diariamente, ao invés de ajudarmos o próximo? Imagine esta situação: um carro lhe dá uma fechada em um sinal, seu sangue sobe e você tem vontade de brigar, agredir, bater na pessoa. A explicação para tanta agressividade pode estar na tensão constante vivida pelo ser humano, provocada por fatores como violência e insegurança.
Recebemos também, diariamente, uma carga de energia eletromagnética que interfere em nossos corpos, provenientes de computadores, micro-ondas, televisão, celular, etc. Tudo isso pode gerar atrofia e desequilíbrio no nosso cérebro reptiliano e na amigdala cerebral, responsáveis por nossa capacidade de reação e ação. O cérebro reptiliano é o primeiro a ser formado, no primeiro trimestre de gestação. Nele estão retidas funções animais como caçar, usada quando vamos ao supermercado comprar mantimentos e demarcar território, ao usar uma cadeira preferida ou ocupar um lugar específico à mesa. Já na amigdala cerebral está armazenada nossa capacidade de luta e fuga. Você pode optar por enfrentar uma situação, fugir dela ou ficar estagnado e estressado.
Atualmente o ser humano está em um limiar: de um lado temos a possibilidade de crescer em consciência e de outro podemos regredir e voltar à fase quase pré-histórica de perder a razão. E nos dias de hoje é impressionante como as pessoas perderam a capacidade de avaliar, julgar, ponderar ideias universais ou racionalizar.
Onde foi parar a nossa razão?
Atualmente jovens agridem e matam pessoas por puro preconceito, filhos matam seus pais por herança e juízes adotam crianças para torturá-las. São tantos exemplos de histórias sem razão que nos chocam, que parece que há uma acomodação geral. Nos acostumamos com absurdos e, assim, nos poluímos!
E por que estamos tão agressivos? Uma das explicações para esta pergunta é que o cérebro reptiliano e a amigdala cerebral estão ficando calibrados de maneira distorcida, já que ficamos sem paciência, irritados e com medo. Este último estimula um estado de extrema reatividade. "Com medo de ser atingido, ele atirou primeiro!", costumam dizer algumas pessoas. E a causa de toda a agressividade é o ambiente que vivemos, como nossa casa, trabalho, pessoas que interagem conosco, notícias de jornal e televisão, além da energia dos aparelhos eletroeletrônicos.
O biólogo celular e autor do livro "A Biologia da Crença", Bruce Lipton, diz que o nosso código genético é vulnerável ao ambiente que estamos. E ele chega a seguinte conclusão: "A membrana celular funciona como uma espécie de chip e é programável. O comportamento biológico e a atividade genética estão dinamicamente ligados às informações do ambiente, que podem ser descarregadas (como um download) no interior da célula, que funciona como um computador", explica o especialista. Então, vamos refletir: se o seu filho vê muitos filmes de violência, o que está sendo programado nas células dele?
Percebo, pela minha experiência de terapeuta, que o amor, a gratidão, o companheirismo e a educação estão dando espaço para a agressividade e a política do "eu primeiro", características claras do cérebro reptiliano. Por isso, precisamos sempre escolher em qual tipo de ambiente queremos produzir e nos inserir. Existem diversas técnicas terapêuticas que ajudam a nos equilibrar, como caminhada, yoga, meditação, reiki e bodytalk. Esta última tem um impacto importante na capacidade de recompor a dinâmica de equilíbrio do cérebro reptiliano e da amigdala cerebral.
Que tal começar o ano mudando o padrão da nossa mente para ficarmos menos agressivos e mais felizes e solidários?

Baixado em 31/01/2011, do endereço:
http://entretenimento.br.msn.com/astrologia/artigo.aspx?cp-documentid=27449139
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SOBRE O AUTOR
Massoterapeuta com formação em Medicina Chinesa, Reiki, Auriculoterapia e Reset. Terapeuta Certificado de BodyTalk System pela International BodyTalk Association –
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enviado por Adilson Gurgel

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011



Velha Ribeira
Nilson Patriota

Velha Ribeira boêmia como estás desfigurada!
Guardas ao menos, Ribeira, saudades do teu passado?
Foste elegante e formosa, e indiferente olhavas,
Do alto de teus sobrados, até onde a vista alcançava,
A embrionária cidade que aos poucos se estirava
Sobre planícies e dunas, elevações e charnecas,
Sem que ninguém a obstasse ou a mandasse estacar.

Quando passo em tuas ruas, ao final do expediente,
Sombria a tarde declina sobre desertas calçadas
Tornando ermos os pontos que os sonhos ainda guardam
Dos que seus ossos deixaram sob o piso da igreja,
Ou dos que se dissolveram em sete palmos de terra
Em macabros cemitérios a que foram destinados,
Já soterrados, porém, sob bairros, ruas e casas.

Então à memória me vêm janotas, almofadinhas.
Endinheirados que eram em seus Fords desfilavam,
E seus Pakards dirigindo, buzinando se mostravam.
Já na calada da noite, perambulando sozinho,
Agarro-me às lembranças das insones madrugadas
Aos amores alucinógenos e às alcoólicas fantasias
Vividas por dóceis mulheres e homens sentimentais.

Presenteados eram eles no auge de seus amores
Com trancelins de ouro e com broches de gravata.
A elas eram ofertados anéis de água-marinha,
Cremes, loções e extratos Lancaster e Royal Briard;
Outras marcas registradas, algumas até importadas,
Conforme seus interesses e suas disponibilidades,
Dependendo da paixão e do momento aprazado.

Houve tempo mais antigo, do qual ficou a história,
Quando dândis subnutridos e moças à melindrosa
Desfilavam na Tavares como se andassem em Paris,
E nos Champs Elysees daqui lançavam modas, ditados.
Em tuas ruas estreitas, trepidantes, animadas,
A Natal dos anos 40 tinha um encontro marcado.
E enfim nem chique nem mique para o povo conformado.

Ah, se não fosse o tempo, que nunca respeita nada,
Talvez tivesses fugido desse destino tão agro
De cansares a beleza antigamente louvada.
Talvez houvesses evitado os males que te consomem:
A maldição da velhice, a ingratidão do descaso,
O deplorável desprezo pelo brilho que tiveste
Como dama solidária nas festas de carnaval.

E quando a tarde declina sobre as desertas calçadas,
Eu deploro o teu presente de amante rejeitada
Que tanta riqueza teve e hoje não tem mais nada
Além do rosto encovado cobrindo faces rosadas.
Hoje me vejo rondando teus labirintos de sonhos
Onde a paixão se comprava com poesia ou pataca,
Por que sendo livre o amor e ao prazer se entregava.

Em requintados salões de senhoreais sobrados
Encantadoras mulheres suas bocas ofertavam,
Expondo os túmidos seios ao deleite se entregavam.
E então entre carícias, à meia-luz sussurravam,
Ternura e paixão fingindo na hora em que se doavam.
Ribeira velha de guerra, por que ficaste tão gasta?
Por que prolongas assim o teu impérvio caminho?

Sabemos que o teu amor provinha do coração,
Embora ao despertar com ele já não contássemos,
Pois conforme o hábito vigente tratava de evolar-se...
Velha Ribeira boêmia, agora já não és nada
Além de ruas desertas, calçadas desarrumadas,
Ruas feitas de silêncio, becos cheios de saudade.
Se não te ergues definhas, teu simbolismo se apaga.

Teus modos de cortesã, de dama sutil e devassa,
Resistiram a várias guerras feitas em terra, ar e mar.
Deste acolhida aos pracinhas da América luterana,
Que perderam sua inocência antes da morte encontrar
Na Alemanha nazista, na Itália de Mussolini,
Na Rússia dos bolcheviques, sem que jamais olvidassem
O teu doce encantamento, tua magia, tua alma.

Velha Ribeira boêmia, onde estão tuas mulheres?
Onde andam Francisquinha, Madame Chose, Odete,
Zara Pia, Maricele, Severina, China e Míria,
Ademilde, Maristela, Paulistinha e Onça Pintada,
Maria Rosa e Adelaide, Constância e Felicidade?
Já não as vejo na luz dos refratários ocasos
Que te escondem Ribeira, no sudário da saudade

Foto: Tárcio Fontenele
Enviado por José Hélio (antigo comerciante na Ribeira)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011


Foto de Carlos Rosso
(Luar de Cotovelo - janeiro/2011)

Diante de tão bela fotografia, colhida da sensibilidade do meu filho Carlos Rosso, procurei inspiração que estivesse à altura de sua arte. Não o consegui, ainda, daí ter preferido evocar o legendário Catullo da Paixão Cearense e dele transcrevo esse belíssimo poema:

Ontem, ao luar

Composição: música de Pedro de Alcântara(1907) e versos de Catullo da Paixão Cearense (1918), imortalizada pelo cantor Vicente Celestino



Ontem ao luar,

Nós dois em plena solidão

Tu me perguntaste o que era a dor

De uma paixão,

Nada respondi !

Calmo assim fiquei,

Mas, fitando o azul do azul do céu,

A lua azul eu te mostrei...

Mostrando a ti,

Dos olhos meus correr senti

Uma nívea lágrima,

E, assim, te respondi,

Fiquei a sorrir

Por ter o prazer de ver

A lágrima nos olhos a sofrer.

A dor da paixão, não tem explicação !

Como definir, o que só sei sentir ?

É mister sofrer para se saber !

O que no peito o coração, não quer dizer.

Pergunte ao luar travesso e tão taful

De noite a chorar na onda toda azul

Pergunta ao luar, do mar a canção,

Qual o mistério que há na cor de uma paixão.

Se tu desejas saber o que é o amor

E sentir o seu calor, o amaríssimo travor

Do seu dulçor,

Sobe um monte a beira mar, ao luar

Ouve a onda sobre a areia a lacrimar !

Ouve o silencio, a falar na solidão

Do calado coração, a penar,

E a derramar os prantos seus,

Ouve o choro perenal, a dor silente universal.

E a dor maior, que é a dor de Deus !

Se tu queres mais saber a fonte dos meus ais

Põe o ouvido aqui na rosa e a flor do coração

Ouve a inquietação da merencória pulsação

Busca saber qual a razão

Porque ele vive assim tão triste a suspirar a palpitar

Desesperação a teimar de amar um insensível coração

Qua a ninguém dirá no peito ingrato em que ele está

Mas que ao sepulcro fatalmente o levará.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011


ROSTAN MEDEIROS visita JOÃO UBALDO
Notícias recebidas do confrade do INRG, Rostan Medeiros, um dos autores do livro "Os cavaleiros dos céus", dão conta que em suas férias em Itaparica - Bahia, teve a oportunidade de visitar o imortal João Ubaldo Ribeiro ao qual presenteou exemplar do seu livro.
O que mais ressaltou Rostan foi a simplicidade do escritor. 'No meio do burburinho me comentou que adora Natal, que gostava da terra potiguar, que tudo que envolvia esta época[1920-1930] era do seu interesse e recebeu meu livro com toda satisfação. O evento ocorreu em uma biblioteca pública de Itaparica...houve apenas dois rápidos discursos. Até a representante do governador da Bahia não falou sequer três minutos e houve mais ênfase nas apresentações culturais de grupos da região de Itaparica.Havia muitos intelectuais, mas o clima era tranquilo e aberto. Bem diferente com os formalismos tacanhos que estamos acostumados a ver na nossa terra potiguar.
Foi uma boa lição."
Assim encerrou Rostan, mandando um abraço a todos, agora transmitido.

domingo, 23 de janeiro de 2011


NOVAS CARTAS DE COTOVELO 06 (23/01/2011) *

Após um período de verão outonal, o sol, contrariando os prognósticos da continuidade de chuvas intermitentes, acorda radioso neste domingo e, com ele, algumas dezenas de borboletas deixam seus casulos e esvoaçam pela manhã típica da estação.

Para mim esse astro traidor chegou tarde, pois como diz o Livro da Sabedoria - para tudo há um tempo certo e agora é tempo de voltar, de deixar o ócio, o frescor da brisa oceânica, do 'desaprontar a rede', essa nossa cama suspensa, fiel à anatomia do corpo, acompanhada do seu 'chiado', do nhém, nhém, nhém que acusa a falta de lubrificação dos armadores, assunto bem desenvolvido por Pedro Simões, quando em seu opúsculo "Caiu na Rede" faz a aplogia desse instrumento de descanso.

Despeço-me da minha varanda, parceira das manhãs sonoras do cantar dos passarinhos; abrigo das minhas leituras; lugar das minhas contemplações do infinito, da lua radiante deste final de janeiro; do silêncio reflexivo da vida e das coisas maiores; das visitas diárias dos colibrís em busca do alimento do jardim da casa.

Do cajueiro já não encontro frutos pendentes!

Nesse findar de veraneio - o mais curto que já passei - deixo marcados os ensinamentos recolhidos das leituras; as descobertas de valores, como o Paradigma Meira e Sá, obra também de Pedro Simões Neto; dos poetas que já registrei em cartas anteriores; do ensaio sociológico de Racine Santos na sua obra "Farsa do Poder", cujas bodas de prata de encenação não a tornaram ultrapassada, pois continuam a existir o Dr. Hugo, Delegados, Ferreirinhas e Tabeliães que ainda praticam a prepotência, a enganação e a farsa administrativa, embora as Malvas Rosas ou Das Dores, nem tanto.

Não descurei do deleite de tirar o sarro nas glosas fesceninas de Francisco Macedo.

Num balanço da temporada registro outros fatos verificados: o Circo da Folia foi mais manso; a Prefeitura de Parnamirim cuidou bem da limpeza pública de Cotovelo; a feirinha de Pium, sempre sortida e as mercearias e padarias atenderam à altura da demanda; o barulho teve algum controle.

Em contrário, ainda não ligaram a rede de esgôto e a poluição das águas continua pondo a população em perigo. Também não houve qualquer procedimento para resolver o alagamento existente na frente do estádio do ABC - até quandoooooo!

Lamento afirmar que o romantismo dos veraneios está de mudança, ameaçado pelos mega empreendimentos imobiliários. O bucolismo já revoou para outros espaços.

Que saudade do Recanto do Garcia, de Zé e Zélia, de Regina, das grandes noitadas como aquela com Fafá de Belém - dele restou apenas o seu antigo garçon Tarcísio (a quem chamamos de Roberto Carlos), que instalou em Pium uma distribuidora de bebidas.

Sei não! Está ficando difícil continuar em Cotovelo. Vamos esperar alguma providência em 2011 para ver se o veraneio nessa tão querida praia permitirá o prazer de uma convivência saudável e feliz, capaz de conceder moratória às canseiras e recuperar as forças para as batalhas do dia a dia no ano que começa - ou se é chegado outro tempo - o de partir de vez.

"Terminou, tudo terminou, foi final.
O nosso amor acabou,
Mas não fiquemos de mal."
(Trecho de canção que fiz no tempo de roedeira)

Será ????!!!!

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* Carlos Roberto de Miranda Gomes, escritor/veranista.