domingo, 22 de setembro de 2013

UM DOMINGO COM OS AMIGOS POETAS




                                               VESTÍGIOS
                                               Ciro José Tavares

É esse semblante cansado que aflige.
São teus bruxuleantes olhos que não veem,
 teus lábios pálidos decorados de estrias
sem o  fulgor  do fogo e a doçura
do néctar dos deuses
São as mãos ás peras e trêmulas que me ferem
e o  trôpego andar buscando  inalcançável, que dá pena.
São as marcas senis maculando a pele alva que se esgarça,
o castanho claro dos cabelos agitados nos brancos esvoaçantes.
Olha-te no largo e retangular espelho do teu quarto.
Acredita, és tu ou o que te resta, entardecida e só.

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BLUES DE DEUS

Não rias de Deus

Não ponhas Deus no trapézio
ou na ribalta

Nem mesmo digas:
“é mais que isto
não se importará”

Nosso Deus perdoa
e sabe que o homem
é um nicho de revoltas

Mas mesmo assim perdoa

Um pai leva o filho à escola
a todo custo

o pai quer ver o filho crescer
-  o filho voa

                        (Horácio Paiva)

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Para iniciar o dia, os Poetas Pedro Pereira e Ivam Pinheiro ofertam aos bons amigos de todas as cores, a doce magia na poesia do afeto que brilha no visual sabor fraternal do "Café com Flores". Bom Dia e Luz Divina de Deus para Todos!

CAFÉ COM FLORES.
Ivam Pinheiro

É café com flores
toda oferta certa
na fé de amores.
Para bons amigos
brilhos das cores
é o afeto na seta
que aponta e sigo.

É café com flores
com bons amigos
de todas as cores.

E se é amigo digo
vale qualquer cor.
Na paz de querer
bem na vida viver
plantei a fé na flor
que trago comigo.

Natal, RN, Brasil, 04.09.2013.

* Poesia idealizada a partir de diálogo intertextual e visual com frase e imagem postada por Pedro Pereira:

"Bom dia!!!
Café com flores para os amigos de todas cores.
Pedro Pereira".

**Poema dedicado aos bons amigos de todas as cores, tantos os da minha amizade, quantos os que povoam o viver do meu amigo Pedro Pereira.

Café com Flores - Imagem, sem identificação de
autoria, disponível na página de Pedro Pereira

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ENCONTRO COM A POESIA  -   INTERLÚDIO (II)
                                                           (Por Horácio Paiva)
                                   TRÊS JÓIAS DO ROMANTISMO
            Neste intervalo contemplativo, ainda sob o domínio da emoção romântica, estampo três caros poemas, lidos e relidos no tempo que me coube: O INFINITO, do italiano Leopardi; TRISTEZA, do francês Musset; e ODE SOBRE UMA URNA GREGA, do inglês Keats. Os seus tradutores são, pela ordem: Vinicius de Moraes, Guilherme de Almeida e Augusto de Campos. No final, introduzo uma nota sobre o genial poeta romeno Eminesco, acompanhada de uma de suas poesias, um soneto traduzido por Nelson Vainer.  Há uma segunda nota em que apresento a tradução d’O INFINITO feita por Ivo Barroso. Muito boa também. Mas dei preferência a de Vinicius por amá-la há muito tempo e sabê-la de cor. Vejamos então:

GIACOMO LEOPARDI (1798-1837)
            O INFINITO
Sempre cara me foi esta colina
Erma, e esta sebe, que de tanta parte
Do último horizonte o olhar exclui.
Mas sentado a mirar, intermináveis
Espaços além dela, e sobre-humanos
Silêncios, e uma calma profundíssima
Eu crio em pensamentos, onde por pouco
Não treme o coração. E como o vento
Ouço fremir entre essas folhas, eu
O infinito silêncio àquela voz
Vou comparando; e vem-me a eternidade
E as mortas estações, e esta, presente
E viva, e o seu ruído. Em meio a essa
Imensidão meu pensamento imerge
E é doce o naufragar-me nesse mar.
ALFRED DE MUSSET (1810-1857)
            TRISTEZA
Eu perdi minha vida, e o alento
E os amigos, e a intrepidez,
E até mesmo aquela altivez
Que me fez crer no meu talento.

Vi na Verdade, certa vez,
A amiga do meu pensamento;
Mas, ao senti-la, num momento
O seu encanto se desfez.

Entretanto, ela é eterna, e aqueles
Que a desprezaram  -  pobres deles!  -
Ignoraram tudo talvez.

Por ela Deus se manifesta.
O único bem que ainda me resta
É ter chorado uma ou outra vez.
JOHN KEATS (1795-1821)
            ODE SOBRE UMA URNA GREGA
Inviolada noiva de quietude e paz,
Filha do tempo lento e da muda harmonia,
Silvestre historiadora que em silêncio dás
Uma lição floral mais doce que a poesia:
Que lenda flor-franjada envolve tua imagem
De homens ou divindades, para sempre errantes,
Na Arcádia a percorrer o vale extenso e ermo?
Que deuses ou mortais? Que virgens vacilantes?
Que louca fuga? Que perseguição sem termo?
Que flautas ou tambores? Que êxtase selvagem?
                        II
A música seduz. Mas ainda é mais cara
Se não se ouve. Dai-nos, flautas, vosso tom;
Não para o ouvido. Dai-nos a canção mais rara,
O supremo saber da música sem som:
Jovem cantor, não há como parar a dança,
A flor não murcha, a árvore não se desnuda;
Amante afoito, e o teu beijo não alcança
A amada meta, não sou eu quem te lamente:
Se não chegas ao fim, ela também não muda,
É sempre jovem e a amarás eternamente.
                        III
Ah! folhagem feliz que nunca perde a cor
Das folhas e não teme a fuga da estação;
Ah! feliz melodista, pródigo cantor
Capaz de renovar para sempre a canção;
Ah! amor feliz! Mais que feliz! Feliz amante!
Para sempre a querer fruir, em pleno hausto,
Para sempre a estuar de vida palpitante,
Acima da paixão humana e sua lida
Que deixa o coração desconsolado e exausto,
A fronte incendiada e a língua ressequida.
                        IV
Quem são esses chegando para o sacrifício?
Para que verde altar o sacerdote impele
A rês a caminhar para o solene ofício,
De grinaldas vestida a cetinosa pele?
Que aldeia à beira-mar ou junto da nascente
Ou no alto da colina foi despovoar
Nesta manhã de sol a piedosa gente?
Ah, pobre aldeia, só silêncio agora existe
Em tuas ruas, e ninguém virá contar
Por que razão estás abandonada e triste.
                        V
Ática forma! Altivo porte! em tua trama
Homens de mármore e mulheres emolduras
Com galhos de floresta e palmilhada grama:
Tu, forma silenciosa, a mente nos torturas
Tal como a eternidade: Fria Pastoral!
Quando a idade apagar toda a atual grandeza,
Tu ficarás, em meio às dores dos demais,
Amiga, a redizer o dístico imortal:
“A beleza é a verdade, a verdade a beleza”
-  É tudo o que há para saber, e nada mais.
                                   -x-x-x-x-x-
NOTAS:
(1)       Dentre tais expoentes europeus  -  e outros de igual magnitude  -  uma estrela brilha na Romênia e seu brilho aquece o ocidente, embora pouco notado entre nós: MIHAIL EMINESCO, aquele que disse o seu epitáfio nesses versos:
“Tenho ainda um desejo:
Na tarde silente
Me permitais morrer
Na beira do mar.”
            Conheço-o graças à ANTOLOGIA DA POESIA ROMENA, traduzida e organizada por Nelson Vainer, editada em 1966 (pela Editora Civilização Brasileira), e que tenho a subida honra de possuir desde então, como presente do hermano Hermano.

            Dele faz rasgados elogios Giuseppe Ungaretti: “Raramente se encontra na literatura dos últimos dois séculos uma figura de escritor e poeta mais complexa e mais completa que a de Mihail Eminesco.” “(...) poeta de sentimento torturado e ardente até à conquista do mais alto esplendor, que faz dele um dos maiores poetas do seu tempo e de todos os tempos, através da humanidade, Eminesco permanece para sempre um dos mestres da palavra poética profundamente inspirado.”

            Bernard Shaw, em carta dirigida à escritora Sylvia Pankhurst que, em 1930, publicara, em Londres  -  e pela primeira vez em inglês  -, uma coletânea de poemas de Eminesco, situa o poeta entre os maiores poetas românticos do século XIX.     

            O meu amigo e poeta, o norte-rio-grandense Jarbas Martins, que acolhe e coleciona sonetos, certamente gostará deste, romântico. Não é a obra-prima de Eminesco, geralmente assim considerado o seu poema LÚCIFER (Estrela da Manhã), um longo de 46 quadras, ou seja, 184 versos. Mas o soneto escolhido é belo e traz, bem talhada, a medida do romantismo:
SONETO
Quando a própria voz dos pensamentos se cala,
e em mim ressoa um canto doce e piedoso
então, te invoco; ouvirás o meu apelo?
Das brumas frias em que nadas, irás libertar-te?

Irão iluminar a noite profunda
os teus olhos grandes, portadores de paz?
Ressurges da sombra dos tempos idos,
Para ver-te voltar  -  como em sonho, assim, viva!

Desces devagar... perto, mais perto,
aconchegas-te novamente sorrindo à minha face,
oh, teu amor com um suspiro mostra-o,

com tuas pestanas tocas as minhas pálpebras,
que eu sinta a vibração do teu abraço
perdida para sempre, eterna adorada.
(2)       E, novamente, O INFINITO de Leopardi, agora na tradução de Ivo Barroso:
                        O INFINITO
Sempre cara me foi esta colina
Erma e esta sebe, que de extensa parte
Dos confins do horizonte o olhar me oculta.
Mas, se me sento a olhar, intermináveis
Espaços para além, e sobre-humanos
Silêncios e quietudes profundíssimas,
Na mente vou sonhando, de tal forma
Que quase o coração me aflige. E, ouvindo
O vento sussurrar por entre as plantas,
O silêncio infinito à sua voz
Comparo: é quando me visita o eterno
E as estações já mortas e a presente
E viva com seus cantos. Assim, nessa
Imensidão se afoga o pensamento:
E doce é naufragar-me nesses mares.
                                                -x-x-x-x-x-

sábado, 21 de setembro de 2013



UM DIA, TODOS SEREMOS ASSIM!
 
Cafés suspensos"
Entramos num pequeno café na Bélgica com um amigo meu e fizemos o nosso pedido. Enquanto estamos a aproximar-nos da nossa mesa duas pessoas chegam e vão para o balcão:
- "Cinco cafés, por favor. Dois deles para nós e três suspensos."
Eles pagaram a sua conta, pegaram em dois e saíram.
Perguntei ao meu amigo:
- "O que são esses cafés suspensos?"
O meu amigo respondeu-me:
- "Espera e vais ver."
Algumas pessoas mais entraram. Duas meninas pediram um café cada, pagaram e foram embora. A ordem seguinte foi para sete cafés e foi feita por três advogados - três para eles e quatro "suspensos". Enquanto eu ainda me pergunto qual é o significado dos "suspensos" eles saem. De repente, um homem vestido com roupas gastas que parece um mendigo chega na porta e pede cordialmente:
- "Você tem um café suspenso?"
Resumindo, as pessoas pagam com antecedência um café que servirá para quem não pode pagar uma bebida quente. Esta tradição começou em Nápoles, mas espalhou-se por todo o mundo e em alguns lugares é possível encomendar não só cafés "suspensos" mas também um sanduíche ou refeição inteira.
Partilhem no sentido de divulgar esta linda ideia.

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Colaboração do Dr. Ernani Rosado 

CARTA-CONVITE DO LIVRO CRÔNICAS DA FAMÍLIA GOSSON

Neste livro que será publicado em  26 de setembro 2013, última quinta-feira,, às 19h, no Hotel Majestic (de propriedade da família),  escrito pelo poeta e escritor Eduardo Gosson, presidente da União Brasileira de Escritores – UBE/RN,  vol. 04 da Coleção  Bartolomeu  Correia de Melo (prosa) do selo editorial Nave da Palavra, o autor conta, através de crônicas comoventes,cheias de lirismo, a história da sua família (Gosson) desde a vinda dos avós para o Brasil  no ano de 1925 (imigrantes libaneses),passando pelos pais, tios, filhos e netos de forma leve. Foge ao padrão dos  livros de genealogia. Pura poesia em forma  de crônica.
 Segundo a poeta e crítica literária Valdenides  Dias, da Universidade Federal do RN – Campus de Currais Novos: “A suavidade com que você ata o fio da vida ao da morte me emociona. Mesmo poeticamente falando, dói. Tanto.”. Por sua vez, o poeta Horácio Paiva, afirma: “Você consegue expor a subjetividade de  suas emoções com muito realismo – e alia tudo à nostalgia,às lembranças das pessoas e da cidade que passou...”. Avalizaram a presente obra o escritor português Carlos Morais dos Santos que assinou o Prefácio, Walter Cid que fez a Apresentação e a escritora Anna Maria Cascudo Barreto que escreveu as Orelhas. Para a  filha de Cascudo: “Finalmente hoje participo já como escritora e acadêmica da União Brasileira de Escritores na sua diretoria. Encontro Eduardo Gosson, poeta e escritor, um batalhador cultural. Vejo-o como  a síntese da família, naquilo que eles possuem de mais sólido. Seu sobrenome significa “árvore frondosa” em árabe. Ele é o somatório das virtudes adquiridas em terras brasileiras. Tem a simplicidade dos múltiplos, o brilhantismo dos modestos. Um líder, descobridor e incentivador de talentos. Incapaz de um sentimento menor. Pai  amantíssimo. Avô fascinado. Excelente marido.  Amigo como poucos.
Surgiu na vida como um sol que não admite sombras  nem se deixa tolher pelas tempestades. Vive buscando a luz do paraíso da igualdade. Seu corpo frágil disfarça o gigante de esperanças. Pássaro que voa feliz apesar das correntes de ar contrárias. Acredita, como Esopo  (século VI a.C.” ) que “a união faz a força”. Seu comunismo resulta no amor ao próximo. Sem buscar recompensas. Sua meta é erguer pontes quando só existiam paredes.”
SERVIÇO: 
Lançamento do livro Crônicas da família Gosson 
 Data: 26.09.2013 (quinta-feira)
Hora: 19h
Local: Hotel Majestic sito à Av. Roberto Freire, 8860 – Ponta Negra. Após ultrapassar a Feira de Artesanato que fica em frente ao semáforo é o primeiro hotel à direita, vizinho ao Only Pizza. Tem estacionamento no hotel e, ao lado, há um terreno baldio, que é estacionamento
Valor do livro: R$ 30,00

O PAPA FRANCISCO E O CELAM

PADRE JOÃO MEDEIROS FILHO (pe.medeiros@hotmail.com)

Em discurso proferido ao Comitê de Gestão da Conferência Episcopal Latino-Americana – CELAM, no Centro de Treinamento do Sumaré, no Rio de Janeiro, durante a sua permanência para a JMJ de 2013, o Papa Francisco afirmou, sem meias palavras, que os bispos estão "atrasados" e a Igreja mantém "estruturas caducas". Para o Pontífice, chegou o momento de assumir que ela precisa se modernizar e deixar de viver de tradições ou apenas oferecer esperanças para o futuro. Segundo teólogos e vaticanólogos, esse pronunciamento foi um verdadeiro programa de governo, em que proclama uma reconstrução eclesial. “Francisco, restaura a minha casa”, dissera Cristo ao Poverello de Assis. O Papa acrescentara ainda que toda a projeção utópica (para o futuro) ou restauracionista (para o passado) não é do espírito bom. Deus é real e manifesta-se no cotidiano. Explicou que o hoje é o que mais se parece com a eternidade. Mais ainda, é uma centelha de eternidade. Nele, projeta-se a vida eterna.
Nessa alocução, considerada, até o momento, a mais densa teologicamente, de seu pontificado, Francisco apelou para uma Igreja atual e apresentou Raios X dos problemas que, segundo ele, estão impedindo seu crescimento e fazendo proliferar sua imaturidade.
E arrematou: “A missionariedade da Igreja deve ser a expressão de sua ternura. Por isso, devemos pregar e realizar a revolução da ternura”! Entendemos porque, em sua primeira mensagem como Papa e, ao se despedir dos brasileiros, pediu que rezassem por ele. Está bem consciente de que sua tarefa de reconstruir a Igreja de Cristo será árdua!

É impressionante, mas alguns estudantes ainda são capazes de lutar por algo que, com certeza, faz toda a diferença.....
  
REDAÇÃO DE ESTUDANTE CARIOCA VENCE CONCURSO DA  UNESCO COM 50.000 PARTICIPANTES
Imperdível para amantes da língua  portuguesa, e claro também para Professores.
Isso é o que eu chamo de  jeito  mágico de juntar palavras simples para formar belas  frases.
REDAÇÃO DE ESTUDANTE CARIOCA VENCE  CONCURSO DA UNESCO COM 50.000 PARTICIPANTES  
==============================================Tema:'Como vencer a  pobreza e a desigualdade'
Por Clarice Zeitel Vianna  Silva
UFRJ -  Universidade Federal do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro -  RJ

'PÁTRIA MADRASTA  VIL'
Onde já se viu tanto excesso de falta?
Abundância de inexistência...
Exagero de escassez...
Contraditórios?
Então aí está!
O novo nome do nosso país!
Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de  caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de  escassez de responsabilidade.
O Brasil nada mais é do que uma  combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de  contradições.
Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe  gentil', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe.
Pela definição que eu conheço de MÃE, o  Brasil,   está mais para madrasta vil.
A minha mãe não  'tapa o sol com a peneira.'
Não me daria, por exemplo, um lugar na  universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há  200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me  restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe  não iria querer me enganar, iludir.
Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse  efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação +  liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação  pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela  falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa.
A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a  minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade.
Uma segue a outra...
Sem nenhuma contradição!
É disso que o  Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem  esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam  hipócritas, mudanças que transformem!
A mudança que nada muda é  só mais uma contradição.
Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos,  mas não ensinam a pescar.
E a educação libertadora entra aí.
O povo está tão paralisado pela ignorância que  não sabe a que tem direito.
Não aprendeu o que é ser cidadão.
Porém,  ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade:  nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático  do Estado não modificam a estrutura.
As classes média e alta - tão confortavelmente  situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar  (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)...
Mas estão elas preparadas para isso?
Eu  acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de  dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos,  possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de  que serve um governo que não administra?
De que serve uma mãe que não afaga?
E, finalmente, de que serve um Homem que não se  posiciona?
Talvez o sentido de nossa própria existência esteja  ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um  todo. Sem egoísmo.
Cada um por todos.
Algumas perguntas,  quando auto-indagadas, se tornam elucidativas.
Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil?
Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil?
Ser tratado como cidadão ou excluído?
Como gente... Ou como  bicho?

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Premiada pela UNESCO,  Clarice Zeitel Vianna Silva,  26,  estudante que terminaFaculdade de Direito da UFRJ em julho,  concorreu com outros 50 mil estudantes universitários. Ela acaba de voltar  de Paris, onde recebeu um prêmio daOrganização das Nações Unidas  para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma  redação sobre 'Como vencer a pobreza e a desigualdade.'  A  redação de Clariceintitulada  'Pátria Madrasta Vil', foi incluída  num livro, com  outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca
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Comentário:
Este texto me foi enviado por um General do Exército brasileiro, pelo que me faz crer seja ele verdadeiro. Contudo, lamento que essa jovem brasileira esteja tão pessimista em relação ao Brasil. Ao contrário dela, ainda considero o Brasil uma Pátria Mãe, ainda que pouco gentil com os seus filhos em razão de ser um País de pouca idade, sofrido pela exploração no tempo do domínio lusitano, mas amado pelo sofrimento dos africanos que aqui aportaram como vítimas do contrabando e lhes foi depois conferida a liberdade e aqui deram grande parcela da sua força de trabalho e do seu amor à terra de Santa Cruz. País que abrigou o estrangeiro sem perspectiva do pós guerra, mas que nos ajudou a fazer a nossa evolução industrial, agrícola e humana. Brasil que permite que qualquer dos seus filhos o critique e até deboche. Brasil que viveu a maior parte da sua história oprimido pelas ditaduras de toda ordem, mas soube ressurgir das cinzas. Brasil que amo e transmiti esse amor aos meus filhos e netos e pelo qual luto por tempos melhores. Respeito, minha cara jovem, a sua revolta, talvez um tanto imediatista. Aconselho que ofereça o seu labor e a sua inteligência para melhorar este País e venha a ganhar novos prêmios, porém mostrando a nossa grandeza, o ardor da nossa hospitalidade. O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever. A UNESCO já havia antes reconhecido a importância do trabalho de outros jovens como você, que deram tudo de si para erradicar o analfabetismo infantil e de adultos na Campanha "De pé no chão também se aprende a ler", através de Djalma Maranhão;  do Movimento de Natal, liderado pela Igreja Católica na pessoa de Dom Eugênio Sales e do trabalho de Aluizio Alves (que trouxe para este Estado o Professor Paulo Freire), todos incompreendidos e perseguidos por algum tempo, até que a verdade de restabeleceu. Temos muitos defeitos, mas o maior deles é não amar o seu País - Ama com Fé e Orgulho a terra em que nasceste -; é não lutar para melhorar a qualidade de vida. Existe a filosofia da palavra, mas também a filosofia da ação, como me dizia o meu saudoso tio Professor Paulo Gomes da Costa, esquecido pela história contemporânea. Fui longe demais. Desculpe jovem estudante. Que Deus a abençoe e reserve para você um papel marcante para a posteridade.
(Carlos de Miranda Gomes)

sexta-feira, 20 de setembro de 2013


Um passeio matinal pela Ribeira 

Elísio Augusto de Medeiros e Silva

Empresário, escritor e membro da AEILIJ

elisio@mercomix.com.br

Neste último domingo cheguei cedo à Ribeira, indo ao encontro de coisas que tinha visto no passado e não queria esquecer. Ainda do alto da “Ladeira de Marpas” observo os telhados dos antigos prédios, o rio, e o céu. O sol dá seu espetáculo costumeiro ao surgir, como por encanto, sobre as águas do Potengi que banha o bairro.
Pelo horário, as ruas estão bem calmas. Uma ótima ocasião para rever os velhos prédios onde funcionaram casas comerciais e repartições públicas, hoje extintas. A história do bairro ribeirinho desaparece dia a dia, em meio às ruínas e desamparo.
Porém, com devoção, encaminho-me vez ou outra para andar por ali, na esperança de avistar novamente as luzes do progresso e a revitalização tão prometida.
Caminho na esperança de encontrar no chão ou diante de algum prédio antigo alguma velha lembrança, como, por exemplo: um daqueles envelopes azuis da marca Elco, com bordas enfeitadas por bandeirinhas em azul-marinho e vermelhas, com os dizeres “Luftpost” e “Par Avion” impressos, tão comuns em Natal por ocasião da II Grande Guerra.
O sol começa a esquentar e afugentar das ruas os últimos bêbados e desocupados, que fazem do bairro o seu refúgio noturno. Continuo andando, como se fosse possível trazer de volta as passagens do passado.
Alguns passarinhos deixam os seus abrigos e com trinados alegres desfrutam da liberdade e cantam, talvez, anunciando o novo dia que chega. Os pássaros alegram-se com o sol, caçando frutinhas e vermes para levar aos filhotes que os aguardam nos ninhos.
Prossigo a caminhada solitária, pois a nostalgia dos tempos que se foram não me abala. Continuo o passeio pelas ruas antigas e mal cuidadas, impregnadas dos perfumes da manhã e da brisa suave que vem do rio. Noto, com pesar, que a fuligem persistente enegrece as fachadas seculares de alguns prédios mal cuidados.
Chegam-me lembranças de outros tempos – os quais, com certeza, não voltarão mais. Continuo a observar, em muda desaprovação, as ruínas dos prédios antigos, que tinham sido utilizados em atividades produtivas e agora declinam pelo abandono. Parece-me que estou a folhear um velho álbum de fotografias, com folhas amareladas pelo tempo.
Da esquina da Rua Chile avisto um velho conhecido – o Rio Potengi que corre, sem pressa, de encontro a bela ponte estaiada da Redinha.
À minha direita, a Rua Dr. Barata, lembro-me que, em 1942, aquela rua foi o centro da elegância de Natal, com belas lojas, cafés, e casais tranquilos que passeavam durante as tardes. Era o “footing natalense”. Surpreendo-me com suas condições atuais. Parece-me que está entregue ao mofo do esquecimento coletivo.
Detenho-me frente a um antigo prédio abandonado e entregue a voracidade das ervas daninhas. Pelo visto, não demora a ruir.
Prossigo pela Rua Frei Miguelinho e deparo-me com o Beco da Quarentena transformado em uma cloaca pública, criadora de insetos. De longe, observo o “cajá das raparigas”, cheio de frutos. Porém é impossível me aproximar.
Volto para Av. Tavares de Lira e detenho-me onde funcionou “Zé das Canetas”, ao lado da barbearia de Chico Gororoba; a Agência Pernambucana, frente à Livraria Internacional de João Rodrigues, nada disso existe mais.

Até quando a Ribeira continuará o seu declínio?!