VELHOS CARNAVAIS
sábado, 18 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
C O N S O C I A L
VI Regional: LITORAL ORIENTAL E METROPOLITANA
No dia e local indicados, ali compareceram menos de 30 participantes, fazendo com que, em uma questão de ordem levantada, fosse verificada a inexistência de quorum para deliberações, ficando remarcada para o dia 1º de março vindouro, no mesmo local e horário.
O fato, no mínimo, merece uma reflexão – há desinteresse dos órgãos e da comunidade pelo exercício do seu direito à transparência da gestão pública?
Na condição de representante da OAB/RN, quero protestar pelo aparente descaso e rogo que essa oportunidade não seja desperdiçada e, consequentemente postergado o efetivo direito de cidadania.
Em verdade, prefiro acreditar que houve um equívoco de divulgação em face do rebuliço da época de carnaval, o que é profundamente lamentável, e espero que no dia 1º de março seja o movimento redimido, com uma freqüência maciça e um evento proveitoso.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Osvaldo D’Amore - mais um artista que partiu
O Maestro e violinista Osvaldo D’Amore, morre aos 61 anos, na madrugada desta quinta-feira (16) em Natal.
Nascido em Buenos Aires, Argentina, Osvaldo D’Amore começou a estudar música com o pai aos 7 anos de idade.
Na Argentina, trabalhou como violinista da Orquesta Filarmónica de Buenos Aires e da Camerata Bariloche, realizando diversas tournées pela América do Sul, América do Norte e Europa.
Veio residir em Natal desde os anos 70 e, pelo seu valor profissional e adaptação à realidade social da terra potiguar, recebeu da Assembleia Legislativa o título de Cidadão Norte-Riograndense em 1994.
A sua trajetória registra ter sido um dos criadores do Quarteto de Cordas da UFRN. Esteve, por cerca de 20anos, à frente da Orquestra Sinfônica do RN.
Deixando a condição de maestro da OSRN passou a dedicar o seu talento a um projeto nobre - “Tocando a Vida”, desenvolvendo aulas de iniciação musical com alunos da Escola Estadual Jean Mermoz, no bairro de Bom Pastor.
Preparou uma plêiade de bons músicos, dentre os quais o seu filho, músico Ticiano D’Amore, guitarrista e professor da Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EMUFRN).
Como homem criativo moderno, Ticiano também é conhecido pelo seu personagem da internet, Uílame, onde alimentava site de cultura.
A par dos informes básicos de sua biografia, D´Amore deixou um grande círculo de amigos que estão tristes com sua partida e convivência harmoniosa e aquele charme de pessoa lhana, que encantava como pessoa e como músico.
Com a saudade dos seus familiares e amigos, deixa no ar o aroma do seu tradicional cachimbo, companheiro de toda uma vida e o acorde final de um tango – “Mi Buenos Aires querido”.
No Céu aparece agora uma nova estrela.
É a simples homenagem de quem muito o admirava.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Nossa Atlântida
por Edgar Barbosa
Macau nasceu do mar revolto e se estendeu por terra, com o seu povo de salineiros e de pescadores, ouvindo e aprendendo o marulho bravio das ondas. O destino quis que ela tivesse um nome evocativo das longas e aventurosas viagens aos portos do longínquo Oriente. Um nome que se pronuncia imaginando iates, gôndolas, falúas, barcos de velas brancas, gemendo cantigas de gajeiros e arfando nas enseadas de países distantes.
Mas, no burburinho de tantas sugestões românticas que esse nome desperta, ninguém conseguiu fazer ressurgir do abismo em que se afogou, a ilha de Manoel Gonçalves, a nossa perdida Atlântida, que ainda não encontrou o seu Platão.
A Ilha de Manoel Gonçalves, tal como nos parece na imaginação sempre disposta a iludir-se e a sonhar, não foi nenhuma dessas cidades contra as quais a ira oceânica se desmandou implacavelmente. Era uma feliz aldeia de pescadores sem vícios nem crimes que chamassem a si o castigo dos elementos. O mar, em luta com a terra, enrolava parceis e recifes, arrastando-os no dorso das vagas. A humilde ilhota de pescadores, no meio do tremendo campo de batalha, assistia inquieta às escaramuças que arrancavam pedaços do seu solo. E enfim, um dia, apenas viçou sobre a imensidão oceânica o pugilo derradeiro de terra, pedestal de uma cruz que abria os braços, clamando e perdoando. Os habitantes fugidos da ilha condenada e moradores da margem direita do rio foram em procissão de ladainhas e preces, buscar o cruzeiro que o oceano havia respeitado. E em Macau os seus primitivos povoadores continuaram a amar e venerar os velhos santos, as queridas imagens e a cruz que abençoara a agonia da ilha perdida.
Foi assim que morreu, há muitas dezenas de anos, a ilha de Manoel Gonçalves, afogada no delta indomável do Rio Piranhas. Mas, do amarfanhado lençol marinho que a sepulta ela por vezes aparece, como uma Vitória Régia, numa ressurreição. As suas ruínas, as pedras das suas casas, os tijolos das suas calçadas onde tantos meninos brincaram e correram, cantando e sorrindo para o mar, ainda afloram aos olhos supersticiosos dos pescadores, pelas noites de lua.
A Ilha de Manoel Gonçalves morreu para que a cidade de Macau nascesse. Nenhuma semente de terra dessas milhares que Deus semeou pelo mar teve um destino tão lindo. Macau surgiu, cresceu para o oceano revolto, transformou a água invasora em pirâmides de sal que cintilam como um diadema de imperatriz. E já agora não é mais possível trocar por nenhum ouro do mundo toda a pobre existência ignorada da ilha que morreu do mal de ser feliz.
EDGAR BARBOSA
_______________
Colaboração do pesquisador João Felipe da Trindade
Conhece Macau?
Roteiros do Brasil
Região Pólo Costa Branca
HISTÓRIA DA CIDADE
No ano de 1825, aproximadamente, as águas do Oceano Atlântico, começaram a invadir a pequena ilha de Manoel Gonçalves que neste tempo, era habitada por portugueses que se dedicavam à exploração e ao comércio de sal.
Em 1829, tornando-se impossível a permanência destes habitantes na ilha, em função do avanço das águas, decidiram então transferir-se para um outro lugar, escolhendo a ilha localizada na foz do rio Assú-Piranhas, denominada de Macau, nome este originado da corruptela da palavra chinesa A-MA-NGAO, que significa abrigo ou porto de Ama, deusa dos navegantes.
Os fundadores do povoado de Macau, foram os portugueses: o capitão Martins Ferreira e quatro genros deste: José Joaquim Fernandes, Manoel José Fernandes, Manoel Antônio Fernandes, Antônio Joaquim de Souza e ainda João Garcia Valadão e o brasileiro João da Horta. Seus habitantes dedicavam-se inteiramente à exploração do sal, que ainda hoje constitui a base econômica do município e em menor escala a pesca artesanal.
O povoado de Macau desmembrou-se de Angicos e tornou-se município através da Lei nº 158, de 02 de outubro de 1847. A comarca foi criada pela Resolução nº 644, de 14 de dezembro de 1871, sendo que a Lei nº 761, de 09 de setembro de 1875 elevou à categoria de Cidade e sede do município.
Significado do Nome
Seu nome é uma corrupta da palavra chinesa A-MA-NGAO, que significa Abrigo ou Porto de Ama, deusa dos Navegantes.
Aniversário da Cidade
2 de Outubro de 1847
CARACTERÍSTICAS
Macau é o maior produtor de Sal do país e um dos maiores do mundo. Destaca-se, também, na produção de pescado, tanto de água doce quanto de salgada. Abriga pirâmides de sal marinho, as famosas salinas; cata-ventos gigantes; velhos casarões e belas praias. É banhada pelo rio Açu e cercado por ilhas, praias, mangues e gamboas. Sua Padroeira é Nossa Senhora da Conceição.
Clima
Semi-árido
Temperatura Média
27,2ºC
COMO CHEGAR
Partindo de Natal: BR-406
Localização
Município do Litoral Norte do Estado do Rio Grande do Norte.
Limites
Ao Norte com o Oceano Atlântico; Ao Sul com os municípios de Pendências, Afonso Bezerra e Alto do Rodrigues; Ao Leste com os municípios de Guamaré e Pedro Avelino; Ao Oeste com o município de Carnaubais.
Acesso Rodoviário
BR-406 e RN-118
Distâncias
178 Km da Capital
TURISMO
Principais Pontos Turísticos
Farol de Macau
Farol com 11 m de altura e alcanse luminoso de 12 milhas náuticas.
Localização: Torre da caixa dágua da CIRNE.
Obelisco da Independência
Construção de 1922, feita para comemorar o I Centenário da Independênci do Brasil
Localização: Praça da Conceição
Igreja da Matriz de Nossa Senhora da Conceição
Construção do séc. XVII
Localização: Praça da Conceição, 65, Centro- Tel: 521-1635
Museu do Carnaval Colô Santana
Localização: Rua São Vicente, s/nº, Campi Avançado da UFRN.
Museu José Elviro
Localização: Rua Augusto Severo, s/nº, próximo à Igreja Matriz.
Praias
As praias de Camapum, Barreiras, e Diogo Lopes, são paraísos ecológicos, ainda inexplorados que podem ser alcançados por estradas asfaltadas ou em prazerosos passeios de barcos.
Praia de Camapum
Entre a Ilha do Alagamar e a sede municipal, despontou na década de 90 como a melhor praia do município, tendo como grande atrativo a Vaquejada de Praia – única no Brasil – que se realiza anualmente no mês de julho, no Parque de Vaquejada “Flávio Sá”. Onde também acontece concentração de foliões durante todo o período de Carnaval. Concentração essa que conta com um palco armado para levar alegria e descontração tanto para o povo macauense como também para os turistas e visitantes em geral.
Praia de Barreiras
Distrito do município de Macau, é uma praia típica de pescadores, com a beleza natural de suas camboas.
Praia de Diogo Lopes
Sendo um dos distrito do município de Macau de maior população, caracterizado como Praia de pescadores. Conhecida por possuir belas vistas naturais.
EVENTOS
Festa de Sebastião
Localização: Barreiras
Data: 20 de Janeiro
Festival de Música
Data: 15 dias antes do Canaval
Carnaval
Data: Fevereiro
Festa das Flores
Data: Última semana de Maio
Diofo Fest Folia
Data: Última semana de Maio
Intervenção Cultural
Data: Junho a Setembro
Festas Juninas
Data: 20 a 29 de Junho
Vaquejada de Praia
Data: 2ª Semana de Julho
Festa de Nossa Senhora dos Navegantes
Data: 15 de Agosto
Festa do Sal e do Reencontro
Data: 1º a 9 de Setembro
Festa de Nossa Senhora da Conceição
Data: 8 de Dezembro
____
Do site: férias.tur.br
MOACIR FRANCO, O SHOW DA VIDA
postado por O Santo Ofício
fevereiro 14, 2012
Por Marcia Leite de Oliveira Torres (*)
“Boa noite veiarada” é a frase de abertura do show Moacir Franco, satirizando a condição do ser idoso ou estar na “terceira idade”, ou seja, as limitações, as dores, as doenças, a diminuição da libido, etc.
No decorrer do evento ele resgata momentos importantes de sua vida e de sua carreira, os ganhos e as perdas, demonstrando boa forma, desenvoltura e comunicação como cantor e comediante. O momento crítico vivenciado nessa idade por todos os humanos perpassa algumas sequências do show ora de forma cômica, ora caricata, ora de forma sofrida. Em contrapartida, o show é bastante dinâmico e resgata o viver e a alegria trazendo uma variedade de situações românticas e cômicas nas canções e na sua relação com o público.
O tema terceira idade induz a refletir sobre o que ocorre ao se entrar última etapa da vida: o ser humano vivencia sua finitude, questiona-se sobre a impermanência, enfim, sobre a morte. O indivíduo dá-se conta que já percorreu a maior parte da estrada da vida e agora está prestes a encontrar com ele mesmo. Aqui reside o ponto crucial, a proximidade da fase final de uma vida que, para ser encarada de frente, é necessário que seja redimensionada, considerada não como sendo catastrófica, mas como uma busca interior para encontrar o verdadeiro sentido da existência.
Moacir nos brinda com um show que mostra de forma alegre e descontraída a vida na terceira idade. Canções como Soleado, e outras desse tipo nos fazem galgar planos mais elevados e buscar as respostas em novos paradigmas. É essa dimensão que ele aparenta antever em sua jornada trazendo músicas como a do início do show que nos conduz a reviver e renascer diante de cada obstáculo. Ele tem a coragem de mostrar de modo artístico e belo uma música que retrata o fim da estrada, a aproximação da morte, e de outra forma de vida, a música que serviu de alento a um homem em fase terminal da doença.
Finalizando, nada se perde, tudo se transforma. A vida nos ensina e nos faz crescer a cada fase que transpomos e em cada etapa ela nos brinda com aprendizados novos que nos conduzem a encontrar a essência interior que reside em todos nós.
(*) Marcia Leite de Oliveira Torres é médica
postado por O Santo Ofício
fevereiro 14, 2012
Por Marcia Leite de Oliveira Torres (*)
“Boa noite veiarada” é a frase de abertura do show Moacir Franco, satirizando a condição do ser idoso ou estar na “terceira idade”, ou seja, as limitações, as dores, as doenças, a diminuição da libido, etc.
No decorrer do evento ele resgata momentos importantes de sua vida e de sua carreira, os ganhos e as perdas, demonstrando boa forma, desenvoltura e comunicação como cantor e comediante. O momento crítico vivenciado nessa idade por todos os humanos perpassa algumas sequências do show ora de forma cômica, ora caricata, ora de forma sofrida. Em contrapartida, o show é bastante dinâmico e resgata o viver e a alegria trazendo uma variedade de situações românticas e cômicas nas canções e na sua relação com o público.
O tema terceira idade induz a refletir sobre o que ocorre ao se entrar última etapa da vida: o ser humano vivencia sua finitude, questiona-se sobre a impermanência, enfim, sobre a morte. O indivíduo dá-se conta que já percorreu a maior parte da estrada da vida e agora está prestes a encontrar com ele mesmo. Aqui reside o ponto crucial, a proximidade da fase final de uma vida que, para ser encarada de frente, é necessário que seja redimensionada, considerada não como sendo catastrófica, mas como uma busca interior para encontrar o verdadeiro sentido da existência.
Moacir nos brinda com um show que mostra de forma alegre e descontraída a vida na terceira idade. Canções como Soleado, e outras desse tipo nos fazem galgar planos mais elevados e buscar as respostas em novos paradigmas. É essa dimensão que ele aparenta antever em sua jornada trazendo músicas como a do início do show que nos conduz a reviver e renascer diante de cada obstáculo. Ele tem a coragem de mostrar de modo artístico e belo uma música que retrata o fim da estrada, a aproximação da morte, e de outra forma de vida, a música que serviu de alento a um homem em fase terminal da doença.
Finalizando, nada se perde, tudo se transforma. A vida nos ensina e nos faz crescer a cada fase que transpomos e em cada etapa ela nos brinda com aprendizados novos que nos conduzem a encontrar a essência interior que reside em todos nós.
(*) Marcia Leite de Oliveira Torres é médica
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
O CIDADÃO TAMBÉM TEM O DIREITO DE SE DEFENDER!
Reportagem de o "NOVO JORNAL / NATAL" (em 08/02/2012)
O clube
O Clube do Tiro Atitude (CTA) é uma associação civil sem fins lucrativos, de finalidade desportiva e social, com personalidade jurídica distinta de seusassociados. Fica no Sítio Recanto Beira Rio, na Rua Luiz Gerônimo da Silva, nº 22, praia de Pirangi do Norte. Atualmente, são mais de 30 associados. Para
fazer parte, o interessado é avaliado por uma assembléia, formada pelos
sócios fundadores.
O primeiro critério a ser analisado é a vida pregressa. Com impedimento imediato se a pessoa possuir algum antecedente criminal. “Aqui só entra gente de bem, de caráter”, avisou Marcelo Porpino.
Em breve, ainda segundo o instrutor e proprietário, o CTA pretende
promover a sua primeira competição esportiva. E para participar, obviamente,
é preciso se filiar. O ingresso, como já foi dito, depende da avaliação dos
fundadores. Uma vez aceito, existe uma taxa de admissão chamada de “joia”.
Para quem não é policial, a joia custa R$ 600, com mensalidades de R$
60. Para os policiais civis, militares da PM, Corpo de Bombeiros, federais e
rodoviários federais, ou então militares das forças armadas (Marinha, Exército
e Aeronáutica), a inscrição custa metade do preço, o mesmo valendo para as
mensalidades. O dinheiro pago é usado para as despesas com a manutenção
das instalações e aquisição de equipamentos de segurança.
Outras informações pelo www.clubedotiro.com.br ou pelos telefones
8118-5008 e 9152-7105.
Antes mesmo de explicar o paço a paço de uma aula de tiros, vale aqui registrar algumas frases pontuais ditas por Marcelo Porpino.
“Todo mundo, quando segura uma arma, se sente poderoso.
É da natureza humana. Quem nunca teve vontade de atirar?”. E
não é que o policial tem mesmo razão. Pelo menos para este repórter,
que não perdeu a oportunidade de empunhar uma arma e puxar o gatilho. A sensação, realmente, é ótima.
A primeira lição foi conhecer a arma que seria utilizada na pista
de tiros. No caso, uma pistola americana calibre ponto 40, fabricada pela Taurus. Leve, confortável, poderosa. De uso exclusivo das forças policiais, é uma das preferidas, pois o projétil dificilmente transfixa o corpo. E essa é uma característica importante em ações policiais, pois quando o chumbo entra e sai do corpo, existe o perigo de o tiro seguir sua rota e acabar atingindo outra pessoa que não tenha nada a ver com o ocorrido.
Depois de pôr os óculos e os protetores de ouvido, o passo seguinte
foi conhecer os mecanismos de trava, carga e descarga da arma. Tudo ok. Em seguida, vieram orientações para montar uma boa base – a posição correta do
corpo para um tiro firme e seguro.
Pernas flexionadas, com a esquerda um pouco a frete da direita.
Isso vale para os destros. Para os canhotos, a posição é inversa. Braços
esticados na altura dos olhos (mas não muito por causa do coice) e mãos fechadas em torno do cabo da arma. O dedo, como recomendado,
só vai ao gatilho quando o alvo está na mira.
Por fim, foi só aguardar o comando do instrutor. “Em guarda
(posição). Enquadrar alça e massa (apontar a arma para o alvo e mirar). Atirador pronto? (pergunta que o instrutor faz para se certificar que o aluno está preparado).
Pista quente! (significa que o disparo já pode ser feito, pois não há obstáculos entre o atirador e o alvo). Fogo. É bala!
Vale ressaltar que a munição utilizada no Clube do Tiro. Atitude é por conta dos associados.
Cada um leva a sua. As armas também. Apenas para os iniciantes, aqueles que não possuem autorização de porte ou posse, é que o clube disponibiliza
o armamento, mas sempre com o auxílio e o acompanhamento de um dos cinco instrutores do clube.
A maioria dos associados é composta por policiais e militares, homens e mulheres que trabalham em rádio patrulhas, BOPE, programas de prevenção
às drogas, delegacias especializadas.
No entanto, também tem muita gente, cidadãos comuns, que frequentam o local em busca de conhecimento para se defenderem da criminalidade.
Um destes pacatos cidadãos é o empresário do ramo imobiliário Marcelo Oliveira de Lima.
“Estou aqui desde o início. Já tenho todas as noções gerais sobre
manuseio e defesa”, disse ele.
Mas, afinal, o que leva um chefe de família a participar de um clube
de tiros? A resposta foi mais rápida que um disparo. “A violência
tá crescendo. Eu preciso defender a mim e a minha família”, pontuou. “Torço para nunca precisar, para nunca ter que usar minha arma. Mas, se precisar, estou preparado”, resumiu.
A segurança no Clube do Tiro Atitude é total. Segundo o próprio Marcelo Porpino, em todo o país não há notícias sobre acidentes ou incidentes nos últimos 50 anos. “Aqui, a segurança é prioridade. Isso eu garanto”, afirmou.
De fato. Até para se aproximar das baias, é preciso seguir à risca uma série de normas e regras.
Tudo para garantir a integridade dos instrutores, dos praticantes e também dos aprendizes.
Placas espalhadas por todos os cantos não deixam ninguém esquecer as obrigações.
Tá tudo escrito: “Trate sua arma como se ela estivesse carregada, mantendo sempre o dedo fora do gatilho e o cano da arma apontado para o chão; Só coloque o dedo no gatilho quando estiver apontando sua arma para o alvo e pronto para atirar; Use sempre óculos de segurança e protetor auricular; Não tome bebidas alcoólicas antes ou durante os tiros; Nunca tente atirar com uma
arma que você não conheça o funcionamento ou manejo da mesma;
Em caso de nega (falha no disparo), mantenha a arma apontada para o alvo e aguarde alguns segundos antes de descarregá-la, evitando exposição com a culatra; Se o tiro for fraco, antes de efetuar outro disparo, descarregue a arma
e verifi que se o cano está obstruído; Nunca atire em objetos no chão, água, rocha ou qualquer superfície onde o projétil possa ricochetear; Atire sempre em direção ao alvo; Em caso de dúvidas, tire o dedo do gatilho, abaixe sua arma e chame o instrutor”.
Tomadas as devidas precauções, o passo seguinte é abrir fogo. Porém, para puxar o gatilho pela primeira vez, o aluno iniciante precisa antes passar
por uma etapa de aprendizado teórico. São aulas que tratam das munições, dos calibres, do manuseio e do carregamento.
E o mais importante: a posição correta para empunhar a arma.
“Aqui eu consegui aperfeiçoar o que aprendi na academia.
Conheci novas técnicas de tiro e de defesa. Adoro”, contou Hélio Martins, soldado lotado no 5º Batalhão da Polícia Militar. Com 11 anos de carreira, o policial disse que só não vai ao clube quando não dá mesmo. “Pelo menos
duas vezes no mês estou aqui, atirando”, acrescentou.
Para Abimael da Cunha Lima, agente do 1º Distrito Policial de Mossoró, não basta ter formação policial para ser um bom atirador.
Segundo ele, o tempo na academia é muito curto. Depois de formado, dificilmente um policial passa por algum curso de reciclagem.
“Por isso a importância do Clube do Tiro Atitude. Estou aqui para aprender. Acabei de me formar como policial civil. Quer saber quantos tiros eu dei? Apenas 20 em quatro meses de capacitação.
É muito pouco. Aqui no clube é diferente. Aqui eu atiro à vontade”, revelou Abimael, acrescentando que só em um dia de treinos no Clube do Tiro ele realiza mais de 50 disparos.
“EM GUARDA. ENQUADRAR alça e massa. Atirador pronto? Pista quente!”. Deu pra entender? Não? Vamos tentar outra vez:
“Em posição. Apontar e mirar. Pronto pra atirar? Fogo!”.
De uma maneira ou de outra, é muito simples o que deseja o instrutor: que o aluno aprenda a manusear uma arma de fogo. E que ele, caso ocorra uma situação de extrema necessidade, saiba como utilizá--la com segurança e presteza.
É este o propósito do Clube do Tiro Atitude, uma associação criada há dois anos pelo advogado e agente Marcelo Porpino, de 45 anos, metade deles
dedicado à Polícia Civil.
“Começamos com um clube exclusivo para policiais civis e militares, um local onde os colegas pudessem treinar e aprimorar as técnicas que aprenderam durante o curso de formação. Agora, além disso, também estamos abertos
para receber qualquer pessoa que queira praticar ou mesmo aprender a atirar, seja para proteção pessoal, familiar, patrimonial ou, para quem preferir, apenas como um exercício esportivo”, explicou Porpino.
O Clube do Tiro Atitude fica no Sítio Recanto Beira Rio, na Rua Luiz Gerônimo da Silva, na praia de Pirangi do Norte.
Abre apenas aos sábados e domingos, das 8h às 11h30. E foi num destes finais de semana que a reportagem encontrou o instrutor, que foi logo dizendo: “Eu tenho muito gosto pela profissão que abracei.
Uma vontade enorme de contribuir com a segurança pública.
Aqui nós fazemos isso”, disse ele, apontando para as baias e pistas onde são efetuados os disparos.
São nestas pistas que o pessoal aproveita, também, para aliviar o estresse do dia a dia. Segundo Porpino, o clube possui hoje mais de 30 associados.
A maioria é de policiais e de militares das forças armadas.
Contudo, como estes já sabem manusear e atiram com certa frequência – seja
nas atividades profissionais ou em treinamentos – a presença no clube durante os finais de semana também serve como válvula de escape.
“Criamos o clube também como um espaço para confraternização, bate-papo, encontro de amigos. O dia a dia de um policial é muito puxado. Por isso, muitos vêm aqui para descarregar os problemas. Atirar alivia as preocupações, desobstrui a mente e depois, pode acreditar, deixa uma sensação de paz e
tranquilidade”, ressaltou.
Paz e tranquilidade. Foi justamente o que sentiu a jovem advogada Nathália Gurgel, de 23 anos. Recentemente aprovada na OAB, ela insistiu para que
seu pai a levasse ao clube. Tiro certo. Mesmo apreensiva e um pouco nervosa, logo ela já estava com uma pistola calibre 380 entre as mãos. No primeiro tiro, medo. Mas foi apenas pelo susto com o barulho. Do segundo disparo em diante, Nathália já mostrava confiança e sorrisos.
“Eu fiquei nervosa, angustiada.
Depois eu relaxei e gostei. É muito legal”, disse ela, ao falar sobre sua primeira experiência com uma arma de fogo.
APONTAR!
CLUBE DO TIRO INSTALADO NA PRAIA DE PIRANGI, ASSOCIAÇÃO REÚNE POLICIAIS E CIVIS QUE QUEREM TREINAR OU APRENDER A USAR UMA ARMA PARA SE DEFENDER DA VIOLÊNCIA
FOGO!
Nathália Gurgel, advogada, teve sua primeira experiência com arma de fogo: “Eu fiquei nervosa, angustiada. Depois eu relaxei e gostei”
ANDERSON BARBOSA
DO NOVO JORNAL
SEGURANÇA GARANTIDA PARA INSTRUTORES E APRENDIZES REPÓRTER EXPERIMENTA PISTOLA PONTO 40 E APROVA PACATOS
CIDADÃOS SE PREVINEM
A VIOLÊNCIA TÁ CRESCENDO.
EU PRECISO DEFENDER A MIM E A MINHA FAMÍLIA”
Marcelo Oliveira de Lima, Empresário
Marcelo Porpino, advogado e agente da Polícia Civil: fundador do clube Clube do Tiro Atitude reúne cerca de 30 associados nos finais de semana
__________________
Repórter Anderson Barbosa: “A sensação, realmente, é ótima”
FOTOS: MAGNUS NASCIMENTO / NJ (aqui não reproduzidas).
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
GREVE NAS POLÍCIAS MILITARES
A sociedade brasileira assiste preocupada à ebulição de acontecimentos perturbadores da ordem e da segurança pública decorrentes de reivindicações salariais por parte daqueles que a deveriam proteger, sendo oportuno questionar o cerne do problema que não se limita a um único estado federativo.
A questão toma dimensões maiores à medida que envolve instituições organizadas com base na hierarquia e na disciplina e que, tradicionalmente, respeitam a ordem jurídica existente, sendo fácil simplificar atribuindo-se os lamentáveis episódios ocorridos a ações de elementos mal formados, mas com liderança na caserna.
Difícil e triste é aprofundar a análise e constatar que a maior causa é a conjuntura política nacional onde são raros os exemplos de justiça, dedicação e seriedade no trato da coisa pública e de dignidade, honestidade e competência no exercício dos mais elevados cargos, enquanto abundam os enriquecimentos ilícitos de detentores de mandatos, de operários da justiça e de membros do staff governamental, aproximando o brasileiro comum da situação indesejável de cidadão inferior envergonhado de sua estagnação por querer ser honesto e obrigado a ser trabalhador. Não é exagero assim pensar se nos lembrarmos que aos privilegiados, próximos do poder, não lhes falta criatividade para a garantia de remunerações condignas, tal como menor tempo de jornada de trabalho, benefícios específicos, vantagens pecuniárias diversas, assistência médica pronta, geral e irrestrita, revisão salarial anual, generosa e sem delongas, e tantas outras. Junte-se a isso a demagógica e irresponsável fixação de um piso salarial de R$4.000,00 para soldado da Polícia Militar do Distrito Federal, embora pago pela União, incompatível, segundo é proclamado, com a realidade econômica do governo federal e com a estrutura federativa, mas facilmente previsível como geradora de pleitos de igualdade salarial nas outras congêneres, além de um evidente descaso com as Forças Armadas, postas em situação de inferioridade.
É fácil reprimir quando se tem a competência legal do emprego da força, mas difícil é governar para todos e não apenas para partidos e/ou pequenos grupos, buscando-se, com oportunidade, sinceridade e determinação, a aplicação da justiça à nação por inteira, sem a criação de cidadãos de segunda classe.
O ser humano é produto do meio em que vive e não nasce violento. Se o meio se esgarça, tornando-se impuro e injusto, consequências indesejáveis hão de surgir.
(Gen Ex José Carlos Leite Filho – linsleite@supercabo.com.br – 10/02/12)
(Publicado no “O Jornal de Hoje”, de 11/02/12 – Natal-RN)
domingo, 12 de fevereiro de 2012
DEÍFILO GURGEL EM VÁRIOS TONS
Um soneto inédito de Deífilo Gurgel
Por Nelson Patriota
Se todo poeta se torna, com o passar dos anos, um metafísico, um filósofo condenado a formular insistentemente perguntas irrespondíveis, não é o caso, então, de censurar o poeta Deífilo Gurgel por ter se dobrado ao metafísico em sua última fase. O soneto “Solidão”, datado de 4 de agosto de 2009, e que nos foi oferecido pelo autor para o n. 4 da Revista do Conselho Estadual de Cultura (ainda inédita), tem em seu último terceto uma síntese, porém, antimetafísica (um tento para Deífilo), comparável àquela de “Preparação para a morte”, de Manuel Bandeira, em sua lucidez chã, sem véu de alegoria. Diz o verso: “Um dia a Morte, monja silenciosa, / me levará também, só, entre rosas, / para a outra margem desta solidão”.
Citemos, porém, os dois quartetos e o terceto faltantes, haja vista que “Solidão”, até onde sabemos, permanece inédito: “Com que festejo, agora, esta chegada /de volta à minha terra, ao chão comum, / se todos já partiram, um a um, / levados pelo Vento, para o Nada? // Com quem dividirei minha risada, / se não encontro mais, aqui, nenhum / dos velhos companheiros de jornada, / que o Vento arrebatou, frágeis anuns? // De que me vale perguntar à Morte / por que os levou, para que Sul ou Norte, / se a Morte não responde à indagação? [...]”.
Mas a poesia de Deífilo Gurgel, vasta vaga que se espraia em tantas margens, comporta a cada arremetida um modo de ser e de ver que se desdobra e se diversifica sempre segundo uma lógica própria que lhe é exclusiva. Ao escrever “Uma história da poesia brasileira”, o carioca Alexei Bueno antologiou, dentre os poetas norte-rio-grandenses vivos, apenas Deífilo Gurgel, representado no livro pelo soneto “A praia”. Bueno justificou a escolha sob o argumento de que se tratava de “um dos sonetos mais belos de nossa poesia”. Diva Cunha e Constância Lima Duarte, em sua “Literatura do Rio Grande do Norte: antologia”, também se curvaram ao encanto dos sonetos de Deífilo, e o mesmo aconteceria com Assis Brasil, em seu livro “A Poesia Norte-Rio-Grandense no século XX”, entre outros.
A rigor, Deífilo Gurgel não poderia ser alinhado ao lado de poetas do lado soturno da vida, como uma leitura descontextualizada do soneto “Solidão” poderia sugerir. Nascido e criado numa praia, acostumado à luz abundante e ubíqua que recobre nossa região, ele teria naturalmente que ser um poeta do lado ensolarado da vida, como, de fato, foi. Dito de outra forma, era uma pessoa alegre, otimista e confiante no trabalho que desenvolvia desde muitos anos, fosse na seara da poesia, fosse naquela outra do folclore, da cultura popular, com seus romanceiros, seus autos populares, que encarava como seu verdadeiro trabalho, por requerer método, pesquisa e análise. Em contraste, a poesia às vezes é puro diálogo interior.
Durante alguns meses do ano de 1999, pude conviver de perto Deífilo Gurgel, privando de suas orientações e de seu saber, quando trabalhamos na feitura do livro “400 nomes de Natal”. O livro foi planejado para celebrar os 400 anos de fundação da cidade de Natal, que se festejariam no ano seguinte. Rejane Cardoso, responsável pela coordenação do projeto, além de Manoel Onofre Jr. e Jardelino Lucena, dividiram conosco os ônus desse livro ambicioso e temerário, que reduz à mesma estatura personagens díspares e desiguais da história potiguar.
Mais tarde, eu reencontraria Deífilo Gurgel no Conselho Estadual de Cultura, ao lado de outros companheiros dessa frágil nau que, no fim das contas, é qualquer instituição cultural pública. O velho poeta não se queixava de nada; via com naturalidade a passagem dos anos que, afinal, é uma herança comum a todos os que têm a fortuna de envelhecer. Essa é uma daquelas lições de vida que não se esquece.
* * *

EPITÁFIO
Este foi um homem feliz.
Trabalhou em silêncio,
sua ração cotidiana
de humildes aleg(o)rias
Nunca o seduziu a glória dos humanos
Nem a eternidade dos deuses.
Fez o que tinha de fazer:
repartiu o seu pão entre os humildes,
defendeu como pôde os ofendidos,
semeou esperanças entre os justos,
e partiu, como tinha de partir
feliz com sua vida e sua morte
Deífilo Gurgel
Natal: 27.09.1994
TARRAFAS – Deífilo Gurgel
À sombra do cajueiro que floresce junto ao mar
Paciente o pescador tece a rede de pescar
Enquanto a mão se entretece nesse mister singular
Outra mão por trás do tempo vai tecendo sem cessar
A tarrafa que algum dia, vai pescar o pescador
Juntamente com seu tédio, seu sorriso e sua dor.
E tece com tal mestria essa tarrafa de vento
Que o pescador nunca pensa, quando pesca o seu sustento
Que a morte o está pescando, lentamente, dia a dia
Nessa embora inevitável, invisível pescaria.
Madona
Os passos que perdi, nos descaminhos
e as lágrimas ardentes que chorei;
os risos, os abraços, os carinhos,
tudo que fui, que sou e que serei;
a glória de ser bom entre os espinhos
e de fazer do amor a minha lei;
os versos que espalhei pelos caminhos
e os que, cantando, um dia espalharei,
é tudo teu, Senhora; e se teu filho
não alcançou aquele intenso brilho
que almejaste, um dia, entre esperanças,
ainda é o mesmo que na infância amaste
e com teus gestos brandos ensinaste
a amar o céu, as flores e as crianças.
Deífilo Gurgel

Areia Branca, Meu Amor
DEÍFILO GURGEL
A cidade adormecida,
no coração do poeta,
entre pregões matinais,
subitamente, desperta.
Para trás da Serra Vermelha,
nasce a manhã, nas levadas,
na solidão das salinas,
nas águas envenenadas.
Maçaricos alçam vôo,
nas várzeas de pirrixiu.
pescadores solitários,
pescam o silêncio do rio.
Num bosque de matapasto,
atrás de Amaro Besouro,
desabrocha o fumo bom,
em fino cálices de ouro
Calafates calafetam
velhos barcos irreais.
Moinhos movem o vento,
nas tardes do nunca mais.
O sol se pondo na Barra,.
entre mangues e canoas,
põe rebrilhos de vitrilhos,
nas marolas das gamboas.
A noite cai. Cães vadios
ladram na rua, à distância.
Deslizam sombras esquivas,
nas esquinas da lembrança.
Todos os que se mudaram
para o outro lado da vida
e dormem, no cemitério
da cidade adormecida,
vêm a mim, me cumprimentam,
me comovo ao recebê-los,
baila uma fina poeira,
em torno dos seus cabelos.
Converso com Pum-na-guerra,
Fumo-bom e Baranhaca.
Abraço Maria Mole,
Ciço Cabelo de Vaca.
Passo no Canal do Mangue,
vou à Fuzaca, à Favela.
Na rua da frente há moças
debruçadas na janela.
D. Adelina me argúi
na taboada e ABC.
Começa tudo de novo,
Pela estrada do aprender.
Ouço as valsas da Água Doce,
nas tardes de antigamente.
entre Bois e Pastoris,
sou menino novamente.
As ruas se embandeiraram,
Há lanternas pelas portas.
São João acorda, entre o riso
de pessoas que estão mortas.
Os pés do menino vão
nessas ruas do sem-fim.
O tempo não conta mais,
partiu-se, dentro de mim.
Nesse burgo de lembranças,
guardado pela memória,
minha vida se inicia,
recomeça minha história.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
A semelhança entre socialismo e liberalismo
NEY LOPES
Vi recentemente na TV uma entrevista com Zygmunt Bauman, polonês, radicado na Inglaterra desde 1971, sociólogo de renome internacional, voltado para “traduzir o mundo em textos”. Ele é considerado pela crítica um dos poucos intelectuais contemporâneos “nos quaisainda se encontram idéias”. Bauman lidera a chamada “sociologia humanística”, ao lado de Peter Berger, Thomas Luckmann e John O’Neill.
Considerado o “profeta da pós-modernidade”, Bauman foge de abstrações e analisa o mundo como ele é. Impressionou-me – por coincidir com o que sempre defendi – a aproximação doutrinária entre o socialismo e o liberalismo, que ele expôs na entrevista concedida a MariaLúcia Garcia Pallares.
Vale à pena conferir as suas idéias. Sobre o socialismo afirmou que “não é o nome de um tipo particular de sociedade. É exatamente como o postulado de Marx de justiça social, uma dor aguda e constante de consciência que nos impulsiona a corrigir ou a remover variedades sucessivas de injustiça. Não acredito mais na possibilidade (e até no desejo) de uma “sociedade perfeita”, mas acredito numa “boa sociedade”, definida como aquela que se recrimina sem cessar por não ser suficientemente boa e não estar fazendo o suficiente para se tornar melhor...”
Justifica o seu ponto de vista, citando Camus (“Homme revolté”), ao considerar rebelde o ser humano que diz “não”, mas também diz “sim”, recusa-se a aceitar o que existe e aceita a condição humana, com todas as suas desumanidades.
Referindo-se ao liberalismo, Bauman lembrou um dos fundadores dessa doutrina moderna, John Stuart Mill e observou que ele “também chegou ao socialismo, por acreditar que para implementar o programa liberal, o programa da liberdade humana, é necessário uma distribuição justa de oportunidades, diminuindo-se a distância entre os membros mais ricos e os mais pobres da sociedade. E, se nos lembrarmos de Lord Beveridge, o criador do Estado de bem--estar social britânico, o caso é o mesmo.
“Durante a guerra, o governo da Grã-Bretanha criou uma comissão para organizar um programa de bem-estar social (do qual Beveridge era diretor), prevendo que com o fim do conflito haveria milhões de desempregados que não mais aceitariam a sina dos oprimidos. Beveridge preparou então todo um programa que foi pouco a pouco aceito pelo governo após a guerra. Ora, ele não era um socialista e não se definiu jamais como tal. Dizia que era um liberal e que o que estava propondo era, na verdade, a implantação definitiva do programa liberal, porque, se o liberalismo quer que todos sejam seres autônomos e autoconfiantes, então para ser livre é necessário que se tenha recursos, que haja um chão firme no qual se apoiar.
“A idéia de Lord Beveridge, que infelizmente não se impôs, era que toda essa assistência social, esse bem-estar social, toda essa provisão eram necessários como medidas temporárias. E isso porque ele partia do pressuposto de que, para ter a coragem, a ousadia de ser aventurosas e se arriscar, as pessoas precisam se sentir seguras — e segurança elas não podem obter por si próprias, mas deve ser oferecida e garantida pela grande sociedade. Se as pessoas se arriscam sozinhas, correm o perigo de ser abatidas por um grande fracasso, uma tragédia, uma crueldade ou coisa semelhante. Deve haver, portanto, essa garantia do Estado, o que eu chamo de seguro coletivo contra o infortúnio individual. Se isso existe, as pessoas se enchem de coragem e, sem receio de tentar, logo podem tornar-se prósperas”.
Bauman considera o melhor na história do liberalismo e do socialismo. “Eles sempre convergem.
Há sempre essa conexão entre os dois.
Tudo se reduz à questão muito simples, de que existem dois valores igualmente indispensáveis para uma vida humana decente e digna: liberdade e segurança. Não se pode ter um sem que se tenha o outro. Qualquer que seja a perspectiva da qual se parta, chega-se sempre à mesma questão, de que, ou liberdade e segurança são obtidas juntas, ou não serão obtidas de modo algum.
Esse é o ponto de encontro entre o socialismo e liberalismo”.
Em 25.03.03 publiquei artigo no Diário de Pernambuco e citei o filósofo inglês John Stuart Mill (1806-1873), o grande precursor do liberalismo social, que defendeu a repartição justa da produção na sociedade; eliminação dos privilégios de nascimento e a defesa do espírito comunitário, ao contrário do individualismo. Justifica-se, portanto, a minha admiração pelas reflexões lúcidas do sociólogo Zygmunt Bauman.
_______________
Revista Semanal BRASÍLIA EM DIA, Ano 15 – nº 780
NEY LOPES
Vi recentemente na TV uma entrevista com Zygmunt Bauman, polonês, radicado na Inglaterra desde 1971, sociólogo de renome internacional, voltado para “traduzir o mundo em textos”. Ele é considerado pela crítica um dos poucos intelectuais contemporâneos “nos quaisainda se encontram idéias”. Bauman lidera a chamada “sociologia humanística”, ao lado de Peter Berger, Thomas Luckmann e John O’Neill.
Considerado o “profeta da pós-modernidade”, Bauman foge de abstrações e analisa o mundo como ele é. Impressionou-me – por coincidir com o que sempre defendi – a aproximação doutrinária entre o socialismo e o liberalismo, que ele expôs na entrevista concedida a MariaLúcia Garcia Pallares.
Vale à pena conferir as suas idéias. Sobre o socialismo afirmou que “não é o nome de um tipo particular de sociedade. É exatamente como o postulado de Marx de justiça social, uma dor aguda e constante de consciência que nos impulsiona a corrigir ou a remover variedades sucessivas de injustiça. Não acredito mais na possibilidade (e até no desejo) de uma “sociedade perfeita”, mas acredito numa “boa sociedade”, definida como aquela que se recrimina sem cessar por não ser suficientemente boa e não estar fazendo o suficiente para se tornar melhor...”
Justifica o seu ponto de vista, citando Camus (“Homme revolté”), ao considerar rebelde o ser humano que diz “não”, mas também diz “sim”, recusa-se a aceitar o que existe e aceita a condição humana, com todas as suas desumanidades.
Referindo-se ao liberalismo, Bauman lembrou um dos fundadores dessa doutrina moderna, John Stuart Mill e observou que ele “também chegou ao socialismo, por acreditar que para implementar o programa liberal, o programa da liberdade humana, é necessário uma distribuição justa de oportunidades, diminuindo-se a distância entre os membros mais ricos e os mais pobres da sociedade. E, se nos lembrarmos de Lord Beveridge, o criador do Estado de bem--estar social britânico, o caso é o mesmo.
“Durante a guerra, o governo da Grã-Bretanha criou uma comissão para organizar um programa de bem-estar social (do qual Beveridge era diretor), prevendo que com o fim do conflito haveria milhões de desempregados que não mais aceitariam a sina dos oprimidos. Beveridge preparou então todo um programa que foi pouco a pouco aceito pelo governo após a guerra. Ora, ele não era um socialista e não se definiu jamais como tal. Dizia que era um liberal e que o que estava propondo era, na verdade, a implantação definitiva do programa liberal, porque, se o liberalismo quer que todos sejam seres autônomos e autoconfiantes, então para ser livre é necessário que se tenha recursos, que haja um chão firme no qual se apoiar.
“A idéia de Lord Beveridge, que infelizmente não se impôs, era que toda essa assistência social, esse bem-estar social, toda essa provisão eram necessários como medidas temporárias. E isso porque ele partia do pressuposto de que, para ter a coragem, a ousadia de ser aventurosas e se arriscar, as pessoas precisam se sentir seguras — e segurança elas não podem obter por si próprias, mas deve ser oferecida e garantida pela grande sociedade. Se as pessoas se arriscam sozinhas, correm o perigo de ser abatidas por um grande fracasso, uma tragédia, uma crueldade ou coisa semelhante. Deve haver, portanto, essa garantia do Estado, o que eu chamo de seguro coletivo contra o infortúnio individual. Se isso existe, as pessoas se enchem de coragem e, sem receio de tentar, logo podem tornar-se prósperas”.
Bauman considera o melhor na história do liberalismo e do socialismo. “Eles sempre convergem.
Há sempre essa conexão entre os dois.
Tudo se reduz à questão muito simples, de que existem dois valores igualmente indispensáveis para uma vida humana decente e digna: liberdade e segurança. Não se pode ter um sem que se tenha o outro. Qualquer que seja a perspectiva da qual se parta, chega-se sempre à mesma questão, de que, ou liberdade e segurança são obtidas juntas, ou não serão obtidas de modo algum.
Esse é o ponto de encontro entre o socialismo e liberalismo”.
Em 25.03.03 publiquei artigo no Diário de Pernambuco e citei o filósofo inglês John Stuart Mill (1806-1873), o grande precursor do liberalismo social, que defendeu a repartição justa da produção na sociedade; eliminação dos privilégios de nascimento e a defesa do espírito comunitário, ao contrário do individualismo. Justifica-se, portanto, a minha admiração pelas reflexões lúcidas do sociólogo Zygmunt Bauman.
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Revista Semanal BRASÍLIA EM DIA, Ano 15 – nº 780

Oração da Manhã
"Pela manhã ouvirás a minha voz ó Senhor,
pela manhã me apresentarei a Ti e vigiarei."
salmo 5:3
Pai Celestival
venho a Ti agradecer por este novo dia.
Obrigado pela noite que passou,
pelo sono tranquilo e reparador.
Nesta manhã,
quero louvar Teu nome
e pedir que cada minuto
lembre-me que minha vida é muito preciosa
e que o dia de hoje Tu me deste
para que eu me realize e seja feliz.
Preenche-me com Teu amor
e Tua sabedoria
Abençoa meu lar e meu trabalho.
Que nesta manhã
eu tenha bons pensamentos,
fale boas palavras,
seja bem-sucedido em minhas ações
e aprenda a fazer a Tua vontade.
Sei que estarei bem.
Obrigado Senhor
Assim seja!
AO AMIGO E MESTRE BEM AVENTURADO
(*) Gutenberg Costa
Conheci Deífilo Gurgel, quando este trabalhava na Fundação José Augusto, final dos anos oitenta do século passado. Fomos apresentado pelo também amigo folclorista Severino Vicente que já conhecia o meu gosto pela cultura popular. Logo eu era por este convidado para ingressar na Comissão de Folclore do RN e de membro passei a tesoureiro desta Instituição. Entidade ‘sofrida’ sem recursos e apoio que eu vi ao logo deste tempo presidida pelo saudoso amigo e mestre Veríssimo de Melo, depois porDeífilo Gurgel,IaperyAraújo e atualmente por Severino Vicente e eu na sua vice-presidência. Órgão não governamental independente e respeitado Brasil a fora, cujo primeiro abrigo e criação fora no abençoado lar de Câmara Cascudo.
Ao lado de Deífilo e Severino tive a felicidade de viajar por diversas cidades e vi sua maneira, antes de tudo, humana de pesquisar, contrariando o princípio da frieza de alguns pesquisadores que nos ensinam a não se misturar muito com os pesquisados e seus problemas pessoais. Aprendi com Deífilo a olhar a panela do portador de folclore antes de entregar-lhes os diplomas e honrarias que ficam emoldurados nas paredes dos casebres, enquanto estes passam fome e desprestigio cultural... Um dia Deífilo telefonou lá pra casa para dar a notícia da morte de Faísca, do velho Pastoril e quando lhe perguntei a causa mortis, este com sua voz rouca e inconfundível disparou revoltado com a situação do falecido: “Gutenberg, Faísca morreu mesmo foi de ‘ostracismo cultural’”. Eu que costumava assinar o ponto todos os dias mesmo sem ser funcionário da Fundação José Augusto, vi um dia o mamulengueiro Zé Relampo levantar as mãos para o alto e agradecer a presença de Deífilo Gurgel, mesmo ultrapassando o horário do expediente: “ Graças a Deus doutor Déifilo está aqui, pois sei que agora este me dará um dinheirinho para meu almoço, pois nem café puro tomei hoje!”. Aprendemos, eu e Severino com Deífilo, a logo meter a mão no bolso e socorrer o artista popular, antes de procurar os meios para dar entrada em um infernal processo burocrático.
Certa feita estando na casa de mestre Severino Guedes, do Bambêlo Asa Branca, o entrevistando, este disse-me sem reservas: “Moço eu hoje não passo fome, por que doutor Deífilo lutou por mim e conseguiu uma aposentaria especial junto ao governador!”. Mestre Guedes, na própria pele corajosamente reafirmava a máxima euclidiana e só livrava os couros de três amigos mecenas da cultura popular: Câmara Cascudo, Djalma Maranhão e Deífilo Gurgel. Quem um dia ousar contar a história dos nossos mestres e brincantes do folclore, haverá de tirar muita gente do pedestal que pousou ou teima em pousar de meros entregadores de honrarias e diplomas... Não adentraram como os burocratas, os terreiros de taipas dos mestres e brincantes, talvez para não verem as panelas vazias...
Quanto ao lado humorístico de Deífilo, teria muita coisa para contar aqui neste pouco espaço... certa vez mandou o motorista parar o carro bruscamente, desceu e ficou um tempo contemplando um curral de gado e ao voltar para o automóvel justificou-se solenemente: “Fui sentir o cheiro bom de bosta nova de vaca e boi”. Diziá-nos ser um exemplo único no mundo entre os folcloristas: “Nunca gostei de cachaça!”. Também contavá-nos sorrindo que ao voltar depois de um certo tempo a casa de uma sua romanceira pesquisada, esta muito admirada teria lhe dito na cara: “ E o senhor ainda tá vivo, pois eu pensava que o senhor tinha morrido há muito tempo! “. E por falar em morte lembro-me da praga profética tão boa dita por um intelectual papa jerimum:- “Esta raça de folclorista só morre de velhice”. A dama da foice não nos deixa ganhar dinheiro, nem fama, mas deixa-nos viver muito. E é pensando nisto, que a cada dia matamos um leão em defesa do folclore ...vamos enfrentando os fantasmas quixotescos pela frente, ora sorrindo com as alegrias dos artistas populares, ora sofrendo feito sovaco de aleijado antigamente, com suas agruras... aqui e acolá, entra governo e sai governo, entra prefeito e sai prefeito e os mestres e brincantes nos trazendo felicidade e objetivo de vida... a máxima dos folcloristas é regida pelo dito popular destes mestres de grupos folclóricos: “Doutor, não pense que dinheiro compra tudo na vida!”
Não posso esquecer jamais, era o dia 8 de agosto de 1993, dia de meu aniversário, mês do folclore, anoite recebo a maior homenagem em vida, através de um parabéns de meu amigo e mestre na ciência folclorística’, quando me diz ao telefone: Amigo, ousa agora o meu presente e a minha homenagem ao seu aniversário. É um poema que fiz inspirado em sua pesquisa sobre os tipos populares do Bairro da Ribeira. Acabei de escrever e lhe dediquei entre os poucos que fiz aos amigos. E começou me levando ás lágrimas: “Ribeira Velha de Guerra...”. Neste poema o bem aventurado amigo mistura poeticamente com sua autoridade: Ferreira Itajubá, Cascudo, Exupéry, Perrepistas, Liberais, Fumaça, Raimundo Cego, Luís Romão, Cancão, Roberto Freire, Luís de Barros, Luís Tavares, Zé Areia, Zé Alexandre Garcia, Newton Navarro e Albimar Marinho”. Em um trecho do citado poema, o autor, o poeta de Areia Branca e Natal, o amigo de conselhos e confidências culturais deixa uma verdade:
“...Morre o povo, corre o povo, que todos somos mortais...”.
_________________
(*) folclorista e vice presidente da Comissão Norte Rio Grandense de Folclore.
http://www.saraspace.com.br/
________________
NOTA: Aproveitando este espaço, informamos que o baile "Antigos Carnavais" acontecerá, novamente, atendendo a muitos pedidos, no da 14-04-2012, no Cube de Engenharia, a partir das 17 horas.
________________
Gutenberg Costa - 3232 4562 / 9427 3363
(Créditos da foto superior - Gibson Barbosa)
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
MEU FILHO QUERIDO
Você já foi criança um dia, mas os anos se dobraram e fizeram de você, um jovem, quase adulto, e agora você me olha com certo desprezo, só porque muitos anos se dobraram para mim e, hoje eu sou um velho.
Você observa minhas mãos trêmulas e encarquilhadas e se esquece que foram
as primeira a acariciar as suas, inseguras na infância.
Critica os meus passos lentos vacilantes, esquecendo-se de que foram eles que orientaram seus primeiros passos.
Reclama quando lhe peço para ler uma palavra que meus olhos já não conseguem vislumbrar com precisão, esquecido das várias palavras que eu repeti inúmeras vezes para que você aprendesse falar.
Fala da lentidão das minhas decisões, esquecendo-se de que suas primeiras decisões foram por elas balizadas.
Diz que eu sou um velho desatualizado, mas eu confesso que pensei muito pouco em mim, para fazer de você, um homem de bem.
Reclama da minha saúde debilitada, mas creia, muito trabalho foi preciso para garantir a sua.
Ri quando não pronuncio corretamente uma palavra, mas eu lhe afirmo que esqueci de mim mesmo, para que você pudesse cursar uma universidade.
Diz que não possuo argumentos convincentes em nossos raros diálogos,
todavia, muitas foram às vezes que advoguei em seu favor, nas situações difíceis em que se envolvia.
Hoje você cresceu é um moço robusto e a juventude lhe empolga as horas,
esqueceu-se a sua infância, seus primeiros passos, suas primeiras palavras,
seus primeiros sorrisos, mas acredite, tudo isso está bem vivo na memória
deste velho cansado, em cujo peito pulsa o mesmo coração amoroso de outrora.
É verdade que o tempo passou, mas eu nem me dei conta, só notei naquele dia,
naquele dia, em que você me chamou de velho pela primeira vez e, eu olhei no espelho, lá estava um velho de cabelos brancos, vincos profundos na face e um certo ar de sabedoria, que na imagem de ontem não existia.
Por isso eu lhe digo meu jovem, que o tempo é implacável, e um dia você
também contemplará o espelho e perceberá que a imagem nele refletida não é
mais a que hoje você admira, mas você sentirá que em seu peito, o coração
ainda pulsa no mesmo compasso; que o afeto que você cultivou, não se
desvaneceu; que as emoções vividas, ainda podem ser sentidas como nos velhos tempos; que as palavras amargas, ainda lhe ferem com a mesma intensidade; e que, apesar dos longos invernos suportados, você ficou frio diante da indiferença dos seres que embalou na infância.
Por isso que lhe aconselho meu filho, não ria nem blasfeme do estado em que estou, eu já fui o que você é, e você será o que eu sou.
_________________
Autor desconhecido
Colaboração de Alfredo Fagundes/Ormuz Barbalho
A UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES do Rio Grande do Norte realizou, ontem, sua primeira reunião do ano, na sede da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras.
Na hora regulamentar teve início a reunião, sob a presidência de Eduardo Gosson e contando com a presença dos sócios e membros da Diretoria - Lúcia Helena Pereira, que atuou como secretária da sessão e mais, Jurandyr Navarro, Carlos Roberto de Miranda Gomes, Carlos Morais, George Veras, Gutenberg Costa e Severino Vicente.
No início da reunião o confrade carlos Gomes fez uso da palavra solicitando o registro de homenagens aos dois nobres sócios fundadores recentemente falecidos - Enélio Lima Petrovich e Deífilo Gurgel.
Em seguida foi apresentada e aprovada, com pequenas alterações, o calendário de eventos para 2012, após detalhada exposição do Presidente Gosson, aqui reproduzida,em resumo:
a) autógrafos de livros, projetos para o ano, convite do Presidente da UBE/PB - Ricardo Bezerra - para o 2° Encontro Paraibano de Escritores, de 19 a 21 de abril de 2012;
b) anunciado o V Encontro Potiguar de Escritores (V EPE), para 29, 30 e 31 de outubro do corrente, com nova denominação sugerida pelo confrade Carlos Morais;
c) informado que todas as reuniões da UBE terão lugar na Academia Norte-rio-Grandense de Letras, sempre na primeira quinta-feira de cada mês, às 16 horas, salvo em junho/2012 que transcorrerá no dia 06 (na mesma hora e local);
d) discussão e aprovação da minuta da Resolução 01/2012, redigida pelo Diretor Jurídico - Carlos Gomes com uma única emenda relativa à periodicidade que passa a ser anual para as publicações ali referidas, e que vai transcrita no final;
e) aprovada a indicação do nome escritor Francisco Martins como novo Sócio da UBE/RN, o qual foi aprovado por unanimidade;
f) comunicação dos autógrafos para 2012: de Águida Zerôncio (Ressaca), Manoel Onofre Júnior (Alguma Prata da Casa) , Ormuz Simonetti (A Praia de Pipa dos Meus Avós), Eduardo Gosson (Entre o Azul e o Infinito), Carlos Roberto de Miranda Gomes (O Velho Imigrante), Paulo Macedo Caldas Neto (No Ventre do Mundo), Horácio Paiva (A Torre Azul), Manoel Marques Filho (Nos Contornos do Rio Potengy), Nelson Patriota (Uns Potiguares), Enélio Lima Petrovich (in memoriam) "História do Poder Judiciário do RN, Maria Rizolete Fernandes (Balata), Eulício Faria de Lacerda (Obra Completa).
Carlos Morais, Lúcia Helena, Eduardo Gosson, Gutenberg Costa, Severino Vicente e Carlos Gomes. Os confrades George Veras e Jurandyr Navarro já haviam saído.
George Veras com a excelente notícia da obra elaborada por Francisco França Jácome Barreto, através da intensa pesquisa de Manoel Jácome de Lima (falecido na década de noventa), à qual ele está organizando. Trata-se de um livro contando a história dos patronos escolares do RN, onde cerca de 41 nomes já foram devidamente biografados.
Encerrados os trabalhos às 18: 30.
_____
UNIÃO BRASILEIRAS DE ESCRITORES DO RIO GRANDE DO NORTE – UBE/RN
RESOLUÇÃO N° 01/2012
Institui Coleções para o Plano Editorial Anual da UBE/RN, e dá outras providências.
A Diretoria Executiva da UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES DO RIO GRANDE DO NORTE – UBE/RN, no uso das atribuições que lhe confere o parágrafo único do art. 36 do Estatuto, em conseqüência da necessidade de normatizar os trabalhos para o Plano Editorial Anual da UBE/RN,
R E S O L V E:
Art. 1°. Ficam instituídas dentro do Plano Editorial da UBE/RN, como atividade cultural permanente, de âmbito estadual e periodicidade anual sucessiva, 04 (quatro) Coleções de estilos literários, com denominações em homenagens a escritores que se notabilizaram nos respectivos ramos:
I – Coleção Antônio Pinto de Medeiros (Poesia);
II – Coleção Bartolomeu Correia de Melo (Prosa);
III – Coleção Enélio Lima Petrovich, (História); e
IV – Coleção Deífilo Gurgel (Ensaio/Folclore).
Art. 2°. O Regulamento das Coleções ora criadas discriminará as condições de participação e seleção dos trabalhos, adotando, em princípio, os seguintes pressupostos:
a) os concorrentes devem ser brasileiros, potiguares ou residentes no Estado do Rio Grande do Norte, que tenham se destacado, comprovadamente, pela intervenção em eventos culturais ou publicação de trabalhos em livros ou equivalentes ou na imprensa local;
b) para a edição de cada Coleção será indicado o tipo de compensação autoral, constituído por um Certificado e um contrato de sua publicação no jornal “O Galo”, através do selo Nave da Palavra, sem estipulação de prêmios ou remuneração, mas com a liberação de um número de exemplares para cada autor;
c) os trabalhos selecionados pela UBE/RN, em cada Coleção, serão publicados na edição seguinte do jornal, salvo se já esgotado o número de textos, ficando, assim, selecionados para a edição subsequente, a critério da Comissão Permanente de Seleção Editorial, constituída de 5 (cinco) escritores dos quadros da UBE/RN ou convidados;
d) o Regulamento das Coleções temáticas terá divulgação ampla, inclusive publicação oficial na forma estatutária.
Parágrafo único. Fica outorgada à Comissão Permanente de Seleção a competência para elaboração do Regulamento de que cuida o art. 2º desta Resolução.
Art. 3°. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Natal/RN, 09 de fevereiro de 2012
Presidente: Eduardo Antonio Gosson
1º Vice-Presidente: Jurandyr Navarro da Costa
2ª Vice-Presidente: Anna Maria Cascudo Barreto
Secretário-Geral: Manoel Marques da Silva Filho,
1º Secretário: Paulo Jorge Dumaresq Madureira
2º Secretário: Francisco Alves da Costa Sobrinho
1º Tesoureiro: Jania Maria Souza da Silva
2º Tesoureiro: Aluizio Matias dos Santos
Diretor de Divulgação: Lucia Helena Pereira
Diretor de Representações Regionais: Joaquim Crispiniano Neto
Diretor Jurídico: Carlos Roberto de Miranda Gomes
__________________
UNIÃO BRASILEIRAS DE ESCRITORES DO RIO GRANDE DO NORTE – UBE/RN
RESOLUÇÃO N° 01/2012
Institui Coleções para o Plano Editorial Anual da UBE/RN, e dá outras providências.
A Diretoria Executiva da UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES DO RIO GRANDE DO NORTE – UBE/RN, no uso das atribuições que lhe confere o parágrafo único do art. 36 do Estatuto, em conseqüência da necessidade de normatizar os trabalhos para o Plano Editorial Anual da UBE/RN,
R E S O L V E:
Art. 1°. Ficam instituídas dentro do Plano Editorial da UBE/RN, como atividade cultural permanente, de âmbito estadual e periodicidade anual sucessiva, 04 (quatro) Coleções de estilos literários, com denominações em homenagens a escritores que se notabilizaram nos respectivos ramos:
I – Coleção Antônio Pinto de Medeiros (Poesia);
II – Coleção Bartolomeu Correia de Melo (Prosa);
III – Coleção Enélio Lima Petrovich, (História); e
IV – Coleção Deífilo Gurgel (Ensaio/Folclore).
Art. 2°. O Regulamento das Coleções ora criadas discriminará as condições de participação e seleção dos trabalhos, adotando, em princípio, os seguintes pressupostos:
a) os concorrentes devem ser brasileiros, potiguares ou residentes no Estado do Rio Grande do Norte, que tenham se destacado, comprovadamente, pela intervenção em eventos culturais ou publicação de trabalhos em livros ou equivalentes ou na imprensa local;
b) para a edição de cada Coleção será indicado o tipo de compensação autoral, constituído por um Certificado e um contrato de sua publicação no jornal “O Galo”, através do selo Nave da Palavra, sem estipulação de prêmios ou remuneração, mas com a liberação de um número de exemplares para cada autor;
c) os trabalhos selecionados pela UBE/RN, em cada Coleção, serão publicados na edição seguinte do jornal, salvo se já esgotado o número de textos, ficando, assim, selecionados para a edição subsequente, a critério da Comissão Permanente de Seleção Editorial, constituída de 5 (cinco) escritores dos quadros da UBE/RN ou convidados;
d) o Regulamento das Coleções temáticas terá divulgação ampla, inclusive publicação oficial na forma estatutária.
Parágrafo único. Fica outorgada à Comissão Permanente de Seleção a competência para elaboração do Regulamento de que cuida o art. 2º desta Resolução.
Art. 3°. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Natal/RN, 09 de fevereiro de 2012
Presidente: Eduardo Antonio Gosson
1º Vice-Presidente: Jurandyr Navarro da Costa
2ª Vice-Presidente: Anna Maria Cascudo Barreto
Secretário-Geral: Manoel Marques da Silva Filho,
1º Secretário: Paulo Jorge Dumaresq Madureira
2º Secretário: Francisco Alves da Costa Sobrinho
1º Tesoureiro: Jania Maria Souza da Silva
2º Tesoureiro: Aluizio Matias dos Santos
Diretor de Divulgação: Lucia Helena Pereira
Diretor de Representações Regionais: Joaquim Crispiniano Neto
Diretor Jurídico: Carlos Roberto de Miranda Gomes
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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
CHÃO DOS SIMPLES - A PEÇA
Manoel Onofre Jr. é um dos intelectuais mais prolíferos da terra potiguar. As suas obras são apreciadas pela simplicidade com que escreve e pela temática que desenvolve, sendo pois merecedor das nossas mais efusivas congratulações.
Foi merecedor de uma biobibliografia publicada por outro notável intelectual, campeão de modéstia, que é Francisco Fernandes Marinho.
Possuidor de um caráter retilíneo, tornou-se uma figura admirada pelos seus colegas e amigos, com especial destaque para a convivência na Confraria da Livraria Câmara Cascudo, onde é ressaltada a sua sobriedade.
Não bastasse todo o sucesso dos seus escritos, Manoel Onofre teve o seu livro "Chão dos Simples" transformado em peça, numa adaptação de outro expoente da cultura nordestina, que já nos deixou - Lenício Queiroga, obra que fez publicar em homenagem ao ator-dramaturgo.
Nascido em Natal em 1951, Lenício Queiroga era artista por vocação, estreando nas artes cênicas em 1971. Formado em História pela UFRN e em Artes Cênicas pela Escola Superior de Teatro da Universidade do Rio de Janeiro, onde morou por muitos anos,trabalhou em diversos órgãos e setores ligados a educação, entre os quais a TV Universitária. Era também formado Lá deu um salto importante para a carreira nacional.
Teve a oportunidade de participar e coordenar diversos festivais e premiações nacionais, tais como “Troféu Mambembe”, “Concurso Nacional de Dramaturgia” e “Prêmio Estímulo de Teatro”. Recebeu 12 prêmios nacionais por sua atuação na peça “Apareceu a Margarida”.
Participou de um programa Memória Viva, da T V Universitária, gravada em setembro de 2006. O ator, diretor, professor e crítico de teatro norte-rio-grandense, morreu no mês de fevereiro (21), no período do carnaval de 2009, com a idade de 58 anos.
Estimado pelos amigos, era considerado bom ator, bom diretor, bom companheiro, como em entrevista disse Racine Santos: “Educado, gentil, sem pose de astro, que é o que mais sobra nos meios artísticos desta shakesperiana cidade de Natal. Seu último trabalho, muito elogiado, foi dirigir o Auto do Natal, promovido pela Prefeitura em 2006, baseado num texto do poeta Nei Leandro de Castro, "O Menino e os Reis".
Teve participação destacada no filme “Boi de Prata”, filme nordestino por excelência, com a idéia e o argumento nascidos no Rio Grande do Norte, bem como os recursos financeiros, obtidos por meio de um convênio entre a Embrafilme e o Governo estadual. Metade da equipe e do elenco é de pessoas da Região. Mas o que o realizador, Augusto Ribeiro Jr. ressalta como fundamental são o tema e sua abordagem, que procuram integrar a vivência e a ótica regional dos participantes da produção. .
Teve participação destacada no filme “Boi de Prata”, filme nordestino por excelência, com a idéia e o argumento nascidos no Rio Grande do Norte, bem como os recursos financeiros, obtidos por meio de um convênio entre a Embrafilme e o Governo estadual. Metade da equipe e do elenco é de pessoas da Região. Mas o que o realizador, Augusto Ribeiro Jr. ressalta como fundamental são o tema e sua abordagem, que procuram integrar a vivência e a ótica regional dos participantes da produção. .
O direito de greve - uma opinião
Autor: Sílvio Caldas (jsc-2@uol.com.br)
Opinião é como conselho, não obriga a ninguém.
Considero o direito de greve praticamente como um direito natural, isto é, inerente à própria dignidade do ser humano, quando este se sente explorado ou injuriado por uma força que lhe é superior. Assemelha-se à legítima defesa, que permite até que se tire a vida de um semelhante, dependendo da circunstância.
Contudo o direito de greve não deve ser acolhido de forma ampla e irrestrita, mas deve ser sempre exercido com a máxima cautela, como um bom tempero. Diria mesmo que seria uma espécie de ultima ratio regum , e assim, só deve ser utilizado em último caso. Embora exercido desde temos imemoriais e defendido até pelas legislações mais modernas do mundo civilizado, entretanto é defeso a certas instituições e até mesmo sofre limitações naturais.
O ideal é que ele seja utilizado somente quando fracassarem todos os meios válidos de negociação, o que vale dizer que devem ser realizadas gestões entre as partes diretamente envolvidas e antagônicas para que se evite a todo o custo esse remédio que normalmente se sabe amargo muitas vezes, não apenas para os diretamente envolvidos, mas para o povo em geral. Assim, ele exige, antes de tudo, criatividade e principalmente o convencimento dos indiretamente envolvidos (povo em geral) com a causa.
As próprias legislações em geral procuram limitar o exercício desse direito, visando justamente salvaguardar o interesse coletivo, isto é, de pessoas que embora não façam parte da relação direta, mas terminam saindo prejudicadas por via indireta.
Os japoneses, mestres da criatividade procuram fazer uma greve muito criativa: continuam no trabalho, fazendo o serviço, e colocam uma faixa na testa onde está escrito: estamos em greve. Eis aí um bom exemplo de uma forma de protesto que não prejudica ninguém, nem o próprio antagonista, mas que é um autêntico apelo à negociação.
É muito desconfortante assistirmos, por exemplo, a uma greve de transportes coletivos. Movimento paredista que prejudica não apenas os patrões, mas os usuários em geral. Prejuízo grande e que nem sempre atinge os objetivos, mesmo porque chega a um ponto que não conta com o apoio da sociedade em geral.
Outros exemplos podem ser apreciados: greve dos médicos; greve dos bombeiros; greve dos ascensoristas.
Por todos esses motivos não entendo o que venha a ser, por exemplo, uma greve no Poder Judiciário (greve de juízes), até por que eles mesmos constituem o Poder.
Mas... e o que falar de greve de uma corporação policial, envolvendo um Estado da importância da Bahia, em plena véspera dos festejos carnavalescos que esperam contar com a presença de três milhões de turistas? E mais, polícia em greve e portando as armas de fogo que pertencem legalmente ao serviço que se acha paralisado.
Por mais que os policiais tenham suas razões, razão, porém não lhes assiste num contexto dessa natureza.
Contudo uma coisa é certa: esses movimentos esdrúxulos não nasceram da noite para o dia. É preciso que localize o ninho onde estão sendo chocados, de há muito, os ovos da serpente.
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