Onde vais tu,esbelto
infanter?
Hoje é o DIA DO EXÉRCITO, a força amada
onde, com muita honra, servi durante o ano de 1959 na Companhia de Comando e Serviços - CCS, como Cabo Carlos, nº
604.
Nesse período fiz inúmeras amizades
que ficaram fincadas no solo fértil da lembrança e recebi os ensinamentos mais
sagrados do amor à Pátria.
Todos os hinos fundamentais do
Brasil ali foram ensinados e cantados com o ardor de jovens soldados engajados
para manter a liberdade e a democracia.
Registro, em especial, que o
Comandante Geral do meu tempo foi o Tenente Coronel DIÓSCORO GONÇALVES VALE, do
Seridó potiguar, pessoa honrada e educada, que sabia ouvir os apelos dos
soldados e tomar as medidas necessárias ao atendimento. Seu auxiliar foi o
Coronel Rolindino Manso Maciel.
O meu Comandante de Companhia foi o
Capitão Mílton Freire de Andrade, homem que vibrava com a caserna e transmitia
aos seus subordinados confiança e patriotismo.
No comando do setor de serviços
gerais, espécie de Prefeito, estava o meu tio Major S1 Francisco Gomes da Costa,
de quem me escondia no término do expediente, onde todos se encaminhavam para a
saída do quartel, para que ele não me visse e oferecesse carona – eu fazia
questão de não aceitar nenhuma facilidade por conta dele.
Aliás, uma vez fiz referência ao seu
nome quando chegou o dia 7 de Setembro e quiseram proibir o meu desfile por
estar com grande contusão na canela, fruto de uma trombada de Osmar, na pelada
do sítio de vovô. Então resolveram permitir que eu desfilasse pelo setor de
enfermaria, que só levava uma bolsa de medicamentos e não o fuzil. Não senti
nada durante o desfile, mas ao retornar ao Regimento já não tinha condições de
andar. Já pensou, servir o Exército e não desfilar no Dia da Pátria!
Lembro bem algumas figuras
marcantes, como o Sargento João Gregório Filho, Sargenteante e Evilásio, subtenente encarregado dos
suprimentos.
Na Seção Mobilizadora, encarregada
da atualização do Corpo de Reservistas do 16º RI, chefiada pelo Tenente Carvalho,
conhecido como Carvalhinho, local onde passei a dar expediente na atualização de
alterações dos militares e do quadro de reservistas do Regimento, o que fiz até
ser licenciado, aliás, tendo para isso autorização para frequentar alguns dias, já
como paisano, para terminar o serviço.
Dos soldados, são tantos que prefiro
não nominar para não ser traído pela memória. Contudo, cito um único que era o
Xodó da Companhia, pela excessiva pureza de espírito de homem do interior, sem
nenhuma escolaridade, sonâmbulo e que nunca acertou o comando do corneteiro,
parecendo os filmes do Gordo e o Magro – seu nome JOÃO GUALBERTO, que deixou
saudades em todos, praças, sargentos e oficiais. Foi meu aluno na Escola
Regimental, mas não aprendeu a ler.
Que
Deus o proteja onde estiver.