sábado, 24 de dezembro de 2011

Foto: Canindé Soares

O Natal de antigamente: velho e sempre novo

Leonardo Boff

Teólogo/ Filósofo

Venho de lá de trás, dos anos 40 do século passado, num tempo em que Papai Noel ainda não havia chegado de trenó. Nas nossas colônias italianas, alemães e polonesas, desbravadoras da região de Concórdia-SC, conhecida por ser a sede da Sadia e da Seara com seus excelentes produtos de carne, só se conhecia o Menino Jesus.
Eram tempos de fé ingênua e profunda que informava todos os detalhes da vida. Para nós crianças, o Natal era culminância do ano, preparado e ansiado. Finalmente vinha o Menino Jesus com sua mulinha (musseta em italino) para nos trazer presentes.
A região era de pinheirais a perder de vista e era fácil encontrar um belo pinheirinho. Este era enfeitado com os materiais rudimentares daquela região ainda em construção. Utilizavam-se papel colorido, celofã e pinturas que nós mesmos fazíamos na escola. A mãe fazia pão de mel com distintas figuras, humanas e de bichinhos, que eram dependuradas nos galhos do pinheirinho. No topo havia sempre uma estrela grande revestida de papéis vermelhos.
Em baixo, ao redor do pinheirinho, montávamos o presépio, feito de recortes de papel que vinham numa revista que meu pai, mestre-escola, assinava. Ai estava o Bom José, Maria, toda devota, os reis magos, os pastores, as ovelhinhas, o boi e o asno, alguns cachorros, os Anjos cantores que dependurávamos nos galhos de baixo. E naturalmente, no centro, o Menino Jesus, que, vendo-o quase nu, imaginávamos, tiritando de frio, e nos enchíamos de compaixão.
Vivíamos o tempo glorioso do mito. O mito traduz melhor a verdade que a pura e simples descrição histórica. Como falar de um Deus que se fez criança, do mistério do ser humano, de sua salvação, do bem e do mal senão contando histórias, projetando mitos que nos revelam o sentido profundo do eventos? Os relatos do nascimento de Jesus contidos nos evangelhos, contem elementos históricos, mas para enfatizar seu significado religioso, vem revestidos de linguagem mitológica e simbólica. Para nós crianças tudo isso eram verdades que assumíamos com entusiasmo.
Mesmo antes de se introduzir o décimo terceiro salário, os professores ganhavam um provento extra de Natal. Meu pai gastava todo este dinheiro para comprar presentes aos 11 filhos. E eram presentes que vinham de longe e todos instrutivos: baralho com os nomes dos principais músicos, dos pintores célebres cujos nomes custávamos de pronunciar e riamos de suas barbas ou de seu nariz ou de qualquer outra singularidade. Um presente fez fortuna: uma caixa com materiais para construir uma casa ou um castelo. Nós, os mais velhos, começamos a participar da modernidade: ganhávamos um gipe ou um carrinho que se moviam dando corda, ou um roda que girando lançava faíscas e outros semelhantes.
Para não haver brigas de baixo de cada presente vinha o nome do filho e da filha. E depois, começavam as negociações e as trocas. A prova infalível de que o Menino Jesus de fato passou lá em casa era o desaparecimento dos feiches de grama fresca. Corríamos para verificá-lo. E de fato, a musetta havia comido tudo.
Hoje vivemos os tempos da razão e da desmitologização. Mas isso vale somente para nós adultos. As crianças, mesmo com o Papa Noel e não mais com o Menino Jesus, vivem o mundo encantando do sonho. O bom velhinho traz presentes e dá bons conselhos. Como tenho barba branca, não há criança que passe por mim que não me chame de Papai Noel. Explico-lhes que sou apenas o irmão do Papai Noel que vem para observar se as crianças fazem tudo direitinho.
Depois conto tudo ao Papai Noel para ganharem um bom presente. Mesmo assim muitos duvidam. Se aproximam, apalpam minha barba e dizem: de fato o Sr. é o Papa Noel mesmo. Sou uma pessoa como qualquer outra, mas o mito me faz ser Papai Noel de verdade.
Se nós adultos, filhos da crítica e desmitologização, não conseguimos mais nos encantar, permitamos que nossos filhos e filhas se encantem e gozem o reino mágico da fantasia. Sua existência será repleta se sentido e de alegria.
O que queremos mais para o Natal senão esses dons preciosos que Jesus quis também trazer a este mundo?
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Leonardo Boff é autor de O Sol da Esperança: Natal, histórias, poesias e símbolos, Editora Mar de Idéias, Rio de Janeiro 2007.

CONTAGEM REGRESSIVA PARA O NATAL 2011-1

O Menino nasceu – comemoração.

O Menino sofreu – reflexão.
O Menino salvou a Humanidade – gratidão.
O Menino é nosso Deus, é nossa luz, é verdade e é vida. Louvemos!



Estimados Amigos,
Que todos tenham um Natal Feliz e um Ano Novo repleto de saúde, paz e sucesso.


Carlos Roberto de Miranda Gomes e Família

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

CONTAGEM REGRESSIVA PARA O NATAL 2011-2
A porta larga da investidura está sem trinco?
Carlos Roberto de Miranda Gomes*

Pelo noticiário dos dias presentes, em que a corrupção ganhou lugar de destaque, nos deixa a dúvida se o concurso público, de que cuida o art. 37, inciso II, da nossa Carta Magna, ainda representa a porta larga da investidura no serviço público.
Tal indagação decorre dos vários concursos anulados em todo o Brasil motivados pela inobservância de requisitos da lei e para cargos elevados dos três poderes, mercê da missão constitucional exercida com coragem e eficiência pelo Ministério Público.
Espera-se que suas atribuições não sejam reduzidas ou interpretadas nessa direção, como recentemente aconteceu com o Conselho Nacional de Justiça.
No pobre Rio Grande do Norte o tema já tomou proporções alarmantes, pois mais recentemente, cerca de dois concursos foram recomendados para suspensão, em decorrência de falta de idoneidade da empresa para conduzir concursos, no caso, a CONCSEL, que já responde 21 processos em decorrência da descoberta de vícios graves, notadamente face a um esquema criminoso com a venda de gabaritos e provas e alteração dos respectivos resultados, garantindo, assim, vagas a pessoas mal intencionadas.
A descoberta decorre da “Operação QI” deflagrada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte, atitude que só merece aplauso.
Ah mundo velho aberto sem porteira, como dizia Pedro Raimundo, um popular acordeonista gaúcho de antigamente, pois o tempo não conseguiu corrigir as mazelas que datam de séculos passados.
A propósito, vendo o filme sobre a vida e a obra de Joahann Sebastian Bach, que viveu em Köthen entre 1685 a 1750, temos o exemplo do então Mestre da Capela da Corte de Leipzig, que resolve participar de um concurso para organista de São Jakobi, em Hamburgo, cujo desempenho ganhou a crítica favorável de todos os assistentes, inclusive do Alto Conselho da Igreja. Contudo, foi procurado, em nome deste para advertir que era costume somente proclamar o vencedor se este se dispusesse a pagar a importância de 4.000 marcos para os cofres da Igreja. Como recusou a cobrança, dias depois recebeu carta do Pastor Principal Neumeister comunicando que o novo organista em São Jakobi seria o Sr. Heidmann, que resgatou o cargo com o pagamento exigido.
Bach voltou ao seu lugar de origem, na condição de Mestre-capela da Corte até o fim dos seus dias.
Assim era no século dezoito, assim continua sendo no século vinte e um. E a porta larga da investidura para os cargos públicos está sem trinco?
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*Carlos Roberto de Miranda Gomes é escritor e advogado
Postado por Sávio Hackradt

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011


OBRIGADO SENHOR

Não bastasse terminar o ano com saúde e paz familiar, recebemos a dádiva de um neto ingressar no Curso de Direito (Lucas Antônio) e hoje, outra notícia radiosa, a aprovação para o Curso de Medicina da querida Renata Bezerra de Melo Onofre, filha dos nossos filhos de coração - Médicos Eduardo Jorge e Antonilda Onofre.
Rogamos, com toda a nossa fé, que os poderes do Divino Deus e do Seu filho O Redentor, ainda nos darão no findar do ano a Graça Maior do restabelecimento da saúde do nosso querido Thiago, com quem, no ano passado, comemoramos a sua vitória no vestibular de Direito da UFRN. 
Graças Vos damos por fazerem concretos os sonhos dos pais e avós, proporcionando a continuidade da vida, com os anseios por dias melhores.
PARABÉNS aos dois pela vitória atual, prenúncio de muitas outras que ainda virão e a ESPERANÇA de Boas Novas no raiar do Ano Novo para alegrar os corações já cansados de Carlos Gomes e Therezinha

EM SINGELA SOLENIDADE NO PALÁCIO DA CULTURA, FOI LANÇADA ONTEM, SOB A COORDENAÇÃO DA SECRETÁRIA ISAURA ROSADO E PRESENÇA  DO PRESIDENTE DO IHG/RN EM EXERCÍCIO, DR. JURANDYR NAVARRO, A REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RN, ORGANIZADA POR ENÉLIO LIMA PETROVICH, EDITADO PELA GRÁFICA MANIBU DA FUNDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO.

A REVISTA É UMA EDIÇÃO COMEMORATIVA DO CENTENÁRIO DO INSTITUTO (1902 A 2002).
A OBRA É TAMBÉM UMA HOMENAGEM AO PRESIDENTE ENÉLIO LIMA PETROVICH, QUE SE ACHA HOSPITALIZADO.
CONTAGEM REGRESSIVA PARA O NATAL 2011-3

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011



CONTAGEM REGRESSIVA PARA O NATAL 2011-4

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

CONTAGEM REGRESSIVA PARA O NATAL 2011-5

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

DO FATO AO ATO
PARA ENTENDER O CASO

Isensibilidade estúpida da FJA com Deífilo Gurgel
Por Sergio Villar

A insensibilidade da Fundação Zé Gugu para com a figura de Deífilo
Gurgel beirou a sacanagem. E medi bem o peso da palavra antes de
escrevê-la. Se não é uma sacanagem completa e embrulhada pra presente,
é porque a Fundação ainda patrocinou o livro do Romanceiro Potiguar,
do mestre. Mas vejam: uma pesquisa de décadas; a mais aprofundada no
assunto no Brasil e, quiçá, no mundo. Um trabalho difícil e extenuante
para um idoso de 85 anos já com dificuldades até de terminar a
dedicatória da obra, que o próprio Deífilo reporta como a mais
importante de sua trajetória.
Este livro, senhores, seria lançado com pompa e merecimento. A ideia
seria fechar, por poucas horas, a rua onde Deífilo mora, ali em Tirol.
Rua de pouco movimento. Isso para apresentação de brincantes, do
Fandango e Chegança de Canguaretama, de grupos de São Gonçalo e da
presença das filhas e netas de Dona Militana. Seria um verdadeiro
sonho para o mestre assistir da calçada de sua casa tudo isso. Muito
mais do que um lançamento, seria uma homenagem merecidíssima. Talvez a
mais bonita recebida por ele.
Mas eis que a insensibilidade estúpida aterrissa pela FJA. E colocaram
a solenidade de lançamento do livro de Deífilo junto ao lançamento da
Revista Preá, da mostra de fotografia do Agosto da Alegria e do
lançamento de um livro do Instituto Histórico e Geográfico. Tudo
junto, na Pinacoteca, próximo dia 21. Boa sorte a quem for. Tal qual o
próprio Deífilo, eu não vou. Não compactuo com esse tipo de
despretígio. Soube que Deífilo está mergulhado em decepção e disse
sequer ter força para qualquer reação ao que fizeram com ele.
(in DN-Muito,17.12.2011)

NOTA DE ESCLARECIMENTO

A Assessoria de Comunicação da Secultrn/FJA sente-se na obrigação de repudiar veementemente o texto assinado pelo jornalista e blogueiro Sérgio Vilar, publicado em seu blog “Diário do Tempo” no dia 16, às 18h18, e intitulado “Isensibilidade [sic] estúpida da FJA com Deífilo Gurgel”. (E replicado em outros sítios eletrônicos).
Na intenção de supostamente defender a importância do folclorista no cenário das artes e cultura popular, o jornalista ataca desrespeitosamente uma instituição pública usando termos de baixo calão.
A defesa de uma figura intelectual e humana como Deífilo Gurgel é, obviamente, elogiável e inquestionável. Mas ao utilizar, como contrapartida para essa defesa, o ataque infundado, irresponsável e de baixo nível, o jornalista distorce a realidade dos fatos, falta com a verdade e atenta contra a dignidade do exercício profissional ao não apenas deixar de ouvir os dois lados da notícia, como também ao não ouvir nenhum deles, sem citar fontes, em texto pautado – pelo que se apreende de sua leitura – pelo “ouvi dizer” e pela polêmica gratuita.
O prejuízo final é sempre do leitor, a quem a Secultrn/FJA sente-se na obrigação de informar corretamente os fatos:
– Além de já ter apoiado outras obras do autor e antecipado a publicação de “Romanceiro Potiguar” – que aguardava, sem previsão, um convênio com o Senado Federal – patrocinando sua impressão, a ideia de lançar ainda este ano o livro com “pompa e merecimento” partiu da própria secretária extraordinária de Cultura Isaura Rosado, que foi à casa do Mestre Deífilo Gurgel levando a proposta.
– A ideia inicial era fazer uma grande festa e tornar o lançamento um acontecimento na cidade, com a alegria e as cores de brincantes, fandangos e cheganças desfilando diante da residência do mestre e homenageando devidamente o grande folclorista. Porém, essa ideia foi inviabilizada por motivos expressados pela própria família.
– Chegou-se a data do dia 21 de dezembro porque coincidiria com a chegada de uma filha dele à cidade, exigência da própria família.
– Novamente atendendo a pedido da família o lançamento do “Romanceiro Potiguar” fica adiado, até definição da próxima data pelos familiares.
– A Secultrn/FJA se dispõe a lançar a obra com toda a deferência e prestígio que Deífilo Gurgel sempre merece. Disposição que, aliás, sempre permeou o respeito, apoio e reconhecimento com o mestre.
A Secultrn/FJA encerra o assunto, desejando maior e melhor apuração dos fatos por parte de quem cobre jornalisticamente a Cultura do estado, e exige, da mesma forma de quem “não compactua com desprestígios”, não ser desprestigiada simplesmente por um raciocínio duvidoso através do qual toda e qualquer acusação aos órgãos públicos adquire automaticamente ares de verdade, ao mesmo tempo em que reforça sua total disponibilidade aos profissionais que buscam informações sobre o nosso trabalho diário.

Assessoria de Comunicação da Secultrn/FJA


NOTA DE REPÚDIO

A União Brasileira de Escritores – UBE/RN vem, através desta Nota, repudiar o comportamento ;antidemocrático da senhora Secretária de Cultura ISAURA ROSADO em relação ao Escritor Deífilo Gurgel, decano da entidade, merecedor de todas as homenagens.
Por sua vez, dois meses antes da realização do IV Encontro Potiguar de Escritores (de 24 a 26 de outubro passado), essa presidência, mediante ofício, solicitou uma audiência, para tratar de relevantes questões, bem como convidá-la para participar da mesa Propostas dos Gestores Públicos para a Cultura Potiguar. Não concedeu a audiência e nem compareceu ao debate (apesar do seu chefe de gabinete, senhor Nelson ter confirmado sua presença).
]No dia aprazado, após ligar para a FJA, fui informado que a mesma
estava viajando e que viria um funcionário tapa-buraco com a
finalidade de suprir a sua ausência).
A UBE que foi fundada em 14 de agosto de 1959, tendo inclusive entre os seus fundadores o seu tio Vingt-un Rosado, DÁ E EXIGE RESPEITO. O Escritor Deífilo Gurgel, a essa altura da vida, não merecia passar por mais um vexame.

Natal/RN, 18 de Dezembro de 2011
EDUARDO ANTONIO GOSSON
Presidente da UBE/RN

domingo, 18 de dezembro de 2011

Escolhi os DOMINGOS para neste blog registrar sempre uma página de poesia. Mas poesia não é só o verso metrificado, rimado, romântico ou tirânico que embelezam ou enfeiam a vida. Poesia é também expressar sentimentos maiores, verdadeiros e dignificantes. É dizer o sentir mais profundo da alma humana.
Pois bem, recebi um e-mail de um amigo - Wellington Leiros, da Academia Macaibense de Letras e me emocionei com o discurso de um jovem acadêmico de Direito, orador de uma turma concluinte da UFSC, Rodrigo Alcântara Zimmerman, que disse tudo aquilo que o meu desejo deveria dizer, mas minha oportunidade acadêmica já perdeu a chance. Que fique para a meditação dos novos bacharéis para ainda salvar este país da corrupção e da tirania. Considero a sua fala um poema em defesa do amor ao próximo e à verdade.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Isso será autoritarismo?
Carlos Roberto de Miranda Gomes*

Ainda no nascedouro, o Governo Rosalba Ciarlini tem tomado atitudes unilaterais que apontam para o que se chama de autoritarismo, que tem conceito no site “Infopedia”, como Derivando do absolutismo, o autoritarismo caracteriza-se pelo exercício do poder por uma só pessoa, que toma medidas sobre os súditos a seu bel-prazer e em exclusividade, caracterizando-se pelo arbítrio na prática desse mesmo poder.
Não se trata de acusação leviana, mas calcada em atos e gestos tomados no correr da administração, sem o resguardo do art. 37 da Constituição da República Federativa do Brasil, que todos os agentes políticos, por dever regimental, se obrigam a respeitar.
Começou por revogar a Instrução Interadministrativa nº 01/2001, editada pela Controladoria e Procuradoria Geral do Estado, a qual obrigava a publicação dos chamamentos para a licitação na modalidade convite, que somente trouxe benefícios para a economia do erário público. Os órgãos signatários, ou não foram ouvidos – o que é mais provável, ou se omitiram.
Outros fatos têm sido registrados pela imprensa e cobrados pelos administrados, como a falta de cumprimento de acordos e pagamentos de programas, como o do leite; a saúde pública tem sido prejudicada de uma maneira geral, como igualmente a segurança, motivando sucessivas greves, como também acontece com o segmento educação.
O orçamento público enviado faz redução de percentuais para a saúde e segurança, segundo foi noticiado. A cultura, que foi um dos compromissos de campanha, teve a indicação de apenas, 0,5%, metade do que fora prometido, gerando uma Nota Oficial da União Brasileira de Escritores do Rio Grande do Norte, através do seu Presidente Eduardo Gosson, que reclama ter sido o projeto do Fundo Estadual de Cultura (Mensagem 30/2011) enviado sem a audiência das partes interessadas, sem qualquer debate mais aprofundado.
Por outro lado, se alardeia pela fala da própria governadora uma onda de “leilões” de bens públicos, de valor histórico, como o Juvenal Lamartine, o Aéro Clube e o Parque Aristofanes Fernandes. Já nem discuto mais a forma equivocada, porém, já agora, a falta de sensibilidade, ao mesmo tempo em que se desprezam o “Presépio de Natal”, desfigurado e depredado, espaços físicos sem utilização, com o terreno vizinho ao Jornal de Hoje e a grande área do antigo leprozário, também a falta de recuperação da biblioteca Câmara Cascudo, seguindo o exemplo da Praça das Flores (Prefeitura), da velha Faculdade de Direito da Ribeira (UFRN), da estação de cargas da Ribeira (Rede Ferroviária), do prédio da Rampa (Governo Federal), contando com o silêncio dos seus administradores ou, pelo menos, com o descaso em ofertar transparência a tais ocorrências.
Temo que a falta de sensibilidade, já demonstrada na alegria do dia da derrubada total do complexo esportivo do Machadão, possa atingir outros bens de importância histórica, quem sabe o Forte dos Reis Magos.ou outro qualquer, fazendo valer o ditado – “Natal é a terra do já teve e não tem mais”.
Registro o meu repúdio e cobro explicações, como um direito de cidadão.
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*Carlos Roberto de Miranda Gomes, escritor e advogado

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

MARINGÁ, A CIDADE CANÇÃO 
Por Daladier Pessoa Cunha Lima – reitor da Farn

Estive em Maringá por três dias, em novembro passado. Localizada no norte do Paraná, decorrem pouco mais de seis décadas desde a fundação e, hoje, conta com cerca de 350 mil habitantes. A qualidade de vida é uma das melhores do Brasil, condição fácil de se notar pelo bem-estar das pessoas que vivem na cidade.
Ruas e avenidas largas, limpas, trânsito sem transtornos; praças, calçadas e canteiros amplos. Mas algo chama a atenção de forma particular: a arborização. Nunca tinha visto tantas árvores entre casas e prédios, tornando os ambientes urbanos calmos e amenos. Procurei logo saber os tipos daquelas diversas árvores: acácia, acácia imperial, sibipiruna, flamboyant, ipê – amarelo, roxo e branco -, quaresmeira, tamareira do oriente, jacarandá mimoso e paineiras, entre outras.
Dentro da cidade existem três áreas de reserva de Mata Atlântica, com cerca de 20 hectares cada uma: Horto Florestal – donde saem as mudas para recomporem a arborização do entorno -, Parque do Ingá e Bosque Tupinambá.
Fui a Maringá a fim de participar do IX Seminário Nacional dos Centros Universitários, com temas relevantes para o momento atual do ensino superior do país. Uma das palestras de muitos aplausos foi a do Professor Wilson de Matos Silva, Reitor do Cesumar – Centro Universitário de Maringá -, instituição anfitriã. Ele falou da ênfase ao mérito acadêmico, do rigor quanto aos horários e aos programas, da tônica na aprendizagem, do combate à cola e ao plágio.
Defendeu que a Educação Superior merece ser financiada a fundo perdido. Disse que recursos do FGTS e do FAT deveriam ser usados para financiar o setor, por exemplo: o trabalhador que ganhasse de 1 a 6 salários-mínimos poderia retirar até 50% do FGTS para pagar a educação da família. O Reitor Wilson de Matos é um empreendedor vitorioso, pois o Cesumar, criado em 1990, situa-se entre as melhores instituições do país, pujante em estrutura, em organização e em qualidade acadêmica.
Maringá é chamada de “Cidade Canção”, porquanto seu nome repete o nome de uma bela canção do grande compositor Joubert de Carvalho (1900 – 1977), que era médico por formação. Com letra e melodia belíssimas, Maringá foi composta em 1932, fazen-do sucesso em todo o Brasil e até no exterior.
Por que o batismo da nova urbe com o nome da canção? Leio no livro sobre a cidade, autoria de Edgar Werner Osterroht, que essa sugestão partiu da senhora Elizabeth Shirlaw Thomas, esposa de Mr. Arthur Thomas, o principal pioneiro no desbravamento do norte do Paraná. No entanto, em conversa com pessoas que nasceram e residem em Maringá, fiquei sabendo de outra versão, a qual vincula tal batismo ao próprio sucesso da música, cantada e ouvida sem parar nos confins das matas do norte do Paraná, pelos primeiros habitantes da região.
Ao falar com o amigo Manoel de Medeiros Brito sobre a minha viagem a Maringá, ele, que sabe das coisas e tem muitas histórias para contar, disse-me de um texto que leu, escrito pelo próprio Joubert de Carvalho, sobre a origem da canção Maringá.
Mineiro, Joubert foi morar no Rio de Janeiro, onde, no começo da década de 1930, conheceu o paraibano Rui Carneiro, Chefe de Gabinete do Ministro da Viação e Obras Públicas, José Américo de Almeida, brilhante político e homem de letras da Paraíba. O artista, então, quis homenagear o Nordeste, em especial a Paraíba, terra natal das duas ilustres figuras.
A canção reporta-se à beleza da cabocla Maria do Ingá, à seca do Nordeste, ao sertão e à saudade deixada e sentida pelos retirantes, e até a Pombal, cidade onde nasceu Rui Carneiro. Pouco depois, Joubert de Carvalho foi nomeado médico dos Marítimos, quando exerceu com êxito a profissão para a qual se graduou. Porém, sua vida foi voltada muito mais à música, por dois motivos: paixão e vocação.
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postado por O Santo Ofício
dezembro 15, 2011

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

É notável a inteligência e a criatividade do brasileiro. Veja esta reinterpretação da morte do cisne, na visão de um modesto jovem patrício.


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Colaboração do meu leitor DIDI AVELINO - RJ
O HOMEM NA CADEIRA
CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES, escritor advogado

Em uma tarde agradável neste dezembro festivo, após assistir o DVD “Man in the chair”, dei-me à tarefa da reflexão e a ela acresci devaneios acerca da realidade do presente estágio da nossa cidade do Natal e do próprio Estado potiguar.
O filme apresenta inúmeras personalidades, mas destaco, apenas, Flash – famoso e esquecido diretor de cinema e Cameron, um jovem estudante ainda do colegial, ambos problemáticos, seja pela velhice desprezada de um, seja pela juventude incompreendida do outro.
O encontro teve por ponto comum, o amor ao cinema. Flash, premiado em sua produção, termina num asilo de velhos, juntamente com inúmeros outros artistas da 7ª arte – atores, roteiristas, escritores, cinegrafistas, operadores de som, de imagem e outras habilidades mais.
A amizade fez despertar no jovem o sonho de fazer um filme e foi buscar socorro no velho diretor que, pelas razões próprias do seu estado de espírito o repudia, tornando o jovem ainda mais rebelde. De repente se encontram na ideia do filme, com outro roteiro – precisamente a forma de vida e de tratamento dados nessas casas de velhos, numa denúncia de medicamentos mal administrados, falta de cuidados mínimos de sobrevivência, tanto quanto Flash tanto combatia com o tratamento dado aos cães vadios, sacrificados pela saúde animal.
Para a concretização daquele sonho, são convocados aqueles velhos jogados ao abandono que, num passe de mágica, ou milagre mesmo, retomam sua auto-estima e voltam a desenvolver suas habilidades de antanho, até mesmo o encontro de Michey com o computador e se espantar com o acesso ao Google de lá constatando que eles não foram esquecidos e ainda tinham valor.
Os trabalhos são iniciados, conseguem financiamento com outro velho ícone do passado, que a vida concedeu o sucesso e o filme é realizado com toda a emoção que só os experientes são capazes de oferecer.
A amizade entre Flash e Cameron foi capaz de modificar vidas, restabelecer sentimentos familiares e, enfim, o filme é concluído com total sucesso.
Pensei então em transformar aqueles velhos artistas em monumentos de barro e concreto que fizeram a história e a cultura em algum tempo e que hoje são desprezados, como aquelas almas do asilo.
Estou agora estudando um filme que retrate todo esse descaso, os remédios inadequados que aplicam para alimentar um acervo mal preservado, uns até demolidos. Nesse filme existem os Flash e os Cameron. O primeiro, que no personagem do filme morre no final, seria o Machadão e o jovem Cameron o rebelde de qualquer idade, que ainda acredita no poder de resgatar a memória de tantas relíquias, para o conhecimento e uso de gerações futuras (o Juvenal Lamartine, o Aéro Clube, o Forte dos Reis Magos, a Biblioteca Câmara Cascudo, o Atheneu, o Parque de Exposição, por exemplo).
No devaneio deste escrito, para ambos os casos – das pessoas e dos monumentos, valem as expressões que encerram o filme:

“Nietzshe era cheio de merda a maior parte do tempo.
Não há massas dispensáveis no mundo.
Qualquer pessoa tem importância.
O que fazemos, quem somos pode afetar uma geração.Não é a força, mas a duração dos grandes sentimentos que fazem grandes homens.
Nietzshe acertou essa.”

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011


DISCURSO DE JURANDYR NAVARRO NA POSSE DOS NOVOS SÓCIOS DO IHGRN
"A aprovação destes títulos, pela Diretoria, datam de algum tempo. Os trabalhos de restauração deste prédio e do imóvel defronte, motivaram o atraso da sua entrega solene, aos ilustres destinatários, daí ser feita na presente Assembléia.

Esta sessão solene, de entrega de Títulos de Sócios Efetivos, a historiadores, é oferecida à pessoa de Enélio Lima Petrovich, dirigente desta Casa de Memória há quase meio século, no momento hospitalizado, e que todos anseiam pela sua pronta recuperação.

O ilustrado historiador é nome consagrado nos Anais da nossa Cultura. Devotou os preciosos anos de sua vida a este templo do saber histórico. Nele, foi, Enélio Petrovich, espécie de guardião do tesouro de suas relíquias, encerradas em seus arquivos, estantes e coleções de peças arqueológicas, paginações da imprensa escrita, documentos aros e todo acervo de períodos passados, adormecidos pelo tempo.

Várias as gerações que ele viu desfilar, debruçadas em suas mesas, estudando, pesquisando, qual laboratório inesgotável, da herança dos séculos.

A sua presença foi permanente no expediente de anos continuados, na sala da Presidência, administrando as demandas apresentadas, de toda ordem, contanto fossem relacionadas, principalmente, aos superiores interesses da ciência que o sábio Heródoto chamou de"Mestra da Vida".

Que na consciência dos presentes, gravado fique o seu exemplo magnífico de incansável labor e que em cada um de nós, o mesmo seja imitado. Qual seja, o de prosseguir no operoso trabalho iniciado pelos nossos maiores, em prol da cultura histórica e das suas tradições milenares.

Jurandyr Navarro Costa"

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

HÁ 18 ANOS

Registro, com plena felicidade, os 18 anos de LUCAS ANTÔNIO ROSSO GOMES CALDAS, meu neto, que superando as dificuldades familiares do início da sua adolescência, soube valorizar a vida junto à sua mãe Thereza Raquel e seu irmão Carlos Victor.
Com ele, este avô e sua avó Therezinha, souberam complementar os cuidados com sua criação e vida social, tornando-se companhia diária.
Os encargos de deixer e buscar na escola, participar dos eventos festivos, registrar a sua primeira comunhão, aniversários, passeios, ver o seu crescimento físico, moral e espiritual, estão perenizados através de fotografias e filmagens e foram recebidos como dádiva de Deus.
Hoje, ao completar a sua maioridade civil, nos presenteia com a conclusão do seu curso secundário e oferece o grande presente de ser um novo acadêmico do Curso de Direito da FARN, onde já está matriculado.
Parabéns meu neto querido - o mais velho, de uma sequência de sete. Obrigado Senhor por tanta felicidade.

Luzeiro do bom caminho;
Ungido pelo Divino;
Chegou para fazer o bem.
Aurora de nova vida;
Saudamos o seu futuro, amém.

Um grande agraço, o beijo e o carinho de Vovô Carlos e Vovó Therezinha 
Em Sessão Solene, presidida pelo Deputado Ricardo Motta, foi realizada ontem a homenagem ao transcurso dos 75 anos da Academia Norte-Riograndense de Letras - ANRL. A proposição partiu do Deputado Antônio Jácome e o "Plenário Deputado Clóvis Motta" viveu um dia de glória, com a presença de imortais, devidamente uniformizados com o pelerine e o colar acadêmicos e o pretígio de inúmeras entidades como a OAB/RN e ALEJURN, através do advogado Odúliko Botelho; a União Brasileira de Escritores do RN e a Academia Macaibense de Letras, através do escritor carlos Gomes; o Instituto Norte-Riograndense de Genealogia, na pessoa do seu Presidente Ormuz Simonetti, além dos Governos do Estado e Município de Natal, UFRN, TRE, TCE e outras entidades potiguares.
Os oradores apresentaram brilhantes discursos, a começar pelo propositor da homenagem, Deputado Antônio Jácome, seguido da Acadêmica Anna Maria Cascudo Barreto, também represedntando o Ludovicus - Instituto Câmara cascudo, que fez uma expressiva declamação em homenagem à ANRL; Acadêmico Juradyr Navarro, também representando o Instituto Histórico e Geográfico do RN, que traçou o perfil da Academia, desde a sua criação, até os dias presentes.  
A sessão, iniciada com a execução do Hino Nacional Brasileiro, foi encerrada com a execução do Hino Oficial do Estado do Rio Grande do Norte.
A TV Assembléia registrou todo o evento, para a perpétua memória do acontecimento.
Tarde inesquecível. Parabéns à Academia e aos seus ilustres Acadêmicos.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

DE UMA VEZ POR TODAS
Por Franklin Jorge



Acaba de sair em terceira edição “De uma vez por todas”, miscelânea de poesia e prosa, marcadamente autobiográficas, do queridíssimo poeta Thiago de Mello, autor de um poema que, pelo menos os jovens de minha geração sabiam de cor e salteado, “Os estatutos do homem”, que contém e resume o seu lirismo libertário, atualmente em sexta edição, desde o seu lançamento em 1977.
Perseguido pela ditadura militar, curtiu o exílio no Chile e noutros países, como a Alemanha, fazendo-se querido e admirado por onde passou, pois os deuses o bafejaram com esse misterioso dom de fazer amizade e de doar-se aos amigos, em ação e gentileza, como aproximar pessoas que ele crê estejam em sintonia ou tenham algo em comum. Para Thiago, viver é estar entre os outros, solidariamente, como nos tem ensinado Ana Arendt, lição que ele tomou como preceito e filosofia de vida.
Assim, quando nos conhecemos, cuidou logo de apresentar-me a alguns amigos seus cujos nomes são evocados, juntamente com o meu, nessa sua penúltima obra publicada que tenho debaixo da vista; digo “penúltima”, porque Thiago é desses intelectuais que não se deixam dominar pela fadiga ou o marasmo. Está sempre escrevendo, criando e inovando, como faz agora, em “De uma vez por todas” que, apesar do que há de peremptório e afirmativo nesse título, como algo feito e acabado, não pode ser tomado ao pé da letra. Em resumo, para Thiago, nada finaliza…
Acabei de adquirir o livro que leva a sua voz ardente, graças a noticia que dele me deu ao jantar em minha casa, noites atrás, o professor Antenor Laurentino Ramos, e nele encontrei nas páginas 247-50, prosificado, o longo poema que ele escreveu e marcou, como presente de aniversário, em 1992, os meus quarenta anos, transcorridos em Rio Branco, onde, por um breve tempo, caminhando ao seu lado sob um pálio de nuvens estreladas, pudemos pressupor o sentido de ser no tempo, isto é, da eternidade.
“Um rio cheio de pássaros e estrelas”, eis o titulo do poema que ele conserva em sua cálida e fluente prosa. Nesse texto, o reencontro com uma fração de minha vida: as visitas que fizemos juntos aos escritores Hélio Melo e Mário Diogo; aos ex-governadores Geraldo Mesquita e José Rêgo [este, nascido em Pau dos Ferros, o segundo dos dois governadores doados pelo Rio Grande do Norte ao Estado do Acre]; o churrasco de peixe na casa deste último, um domingo, preparado por esse grande chef boliviano, Salazar Ruela; o pato no tucupi que nos reuniu, uma noite, em torno da mesa de Dona Bela, nossos queridos amigos, Dr. Albérico Batista da Silva, Lídia e Braz, que agora também fazem parte do universo poético e sentimental do “Caboclo Thiago”, aposto que ele usa na terceira pessoa, na intimidade, ao referir-se a si próprio…
Semeador de amizades que perduram em seus versos, Thiago é cheio de surpresas, como a poesia em que se decanta, agora e a cada instante do seu viver intenso, enamorado de tudo e da própria vida, como quem sabe cantar e repartir o canto que o habita.
Thiago tem raízes enterradas no Ceará-Mirim, onde nasci, um pouco antes dele pisar o seu solo, em decorrência de convite feito por Odilon Ribeiro Coutinho, que acabara de adquirir, ali, o Engenho Ilhabela. Havia pouco, Thiago publicara o seu segundo livro, “Narciso Cego” [Editora José Olympio, 1952], enquanto eu mal saíra dos cueiros…
Veio o poeta amazônida acompanhado de um dos grandes escritores brasileiros de sua geração, o paraibano universal José Lins do Rego, a quem ele chamava de Zé Lins, Zé do Rego, ou tão somente Zé, segundo a circunstância; o que não mudava era a amizade viril e a camaradagem que se estabelecera entre o jovem poeta e aquele colosso humano vinte anos mais velho, como se repetiria entre nós há pouco mais de duas décadas, ou bem antes disso, quando comecei a ler os seus poemas, a partir da publicação de “Faz escuro mas eu canto”, de 1965, atualmente em 14ª edição, através do qual ele passou a fazer parte, efetivamente, de minha vida.
Mas, voltemos ao Ceará-Mirim e à vivência de Thiago no Ceará-Mirim, assunto por demais importante para ser ignorado por aqueles que fazem ou fingem fazer cultura entre nós. Minha sugestão é simples: que essas crônicas, escritas quando da passagem do poeta pelo Ceará-Mirim, há quase sessenta anos, sejam reunidas em livro. Não um livrinho qualquer, uma edição bem cuidada e talvez, até, “de luxo”, ilustrada por um desses jovens talentos de minha terra.
Eis minha sugestão.
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postado por O Santo Ofício

dezembro 11, 2011
Transcrito do NOVO JORNAL [Natal, 11 de Dezembro de 2011]

domingo, 11 de dezembro de 2011


Poemas de Saudade
Resolvi, hoje, tratar deste tema tão pungente - saudade e trazer a interpretação dos maiores expoentes da geografia sentimental do Brasil e de além-mar.
Saudade é um sentimento que alcança vários segmentos da vida - um amor que se perdeu, um amigo que se foi (como hoje aconteceu com o Professor Eudes Moura), um lugar num determinado tempo, entes queridos que nos deixaram nesta dimensão da vida, um poema, uma canção.
Mas não seja a saudade somente uma lembrança de dor, mas da felicidade de terem vivido momentos lúdicos, inesquecíveis, também de esperança. Mas, sobretudo de lembranças!
Tomara

Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...

Vinícius de Moraes

E por falar em saudade

E por falar em saudade onde anda você
Onde andam seus olhos que a gente não vê
Onde anda esse corpo
Que me deixou louco de tanto prazer

E por falar em beleza onde anda a canção
Que se ouvia na noite dos bares de então
Onde a gente ficava,onde a gente se amava
Em total solidão

Hoje eu saio da noite vazia
Numa boemia sem razão de ser
Na rotina dos bares,que apesar dos pesares
Me trazem você

E por falar em paixão, em razão de viver
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares, na noite, nos bares
Onde anda você.

Vinícius de Moraes

Chega de Saudade


Vai, minha tristeza, e diz a ela
Que sem ela não pode ser

Diz-lhe, numa prece, que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer


Chega de saudade, a realidade é que sem ela
Não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai


Mas, se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca


Dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim


Que é pra acabar com esse negócio de viver longe de mim
Não quero mais esse negócio de você viver assim
Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim.
Vinícius de Moraes


A UM AUSENTE

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste

Carlos Drummond de Andrade

SORRI

Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios


Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador


Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos


Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz

Charles Chaplin


SAUDADE

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

[Saudade é amar um passado que ainda não passou,
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida...]
Pablo Neruda


 SAUDADE

Por que sinto falta de você? Por que está saudade?
Eu não te vejo mas imagino suas expressões, sua voz teu cheiro.
Sua amizade me faz sonhar com um carinho,
Um caminhar, a luz da lua, a beira mar.
Saudade este sentimento de vazio que me tira o sono
me fazendo sentir num triste abandono, é amizade eu sei, será amor talvez...
Só não quero perder sua amizade, esta amizade...
Que me fortalece me enobrece por ter você.

Machado de Assis


 A Carta

Escrevo-te estas mal traçadas linhas, meu amor
Porque veio a saudade visitar meu coração
Espero que desculpes os meus erros por favor
Nas frases desta carta
que é uma prova de afeição
Talvez tu não a leias mas quem sabe até darás
Resposta imediata me chamando de meu bem
Porém o que me importa
é confessar-te uma vez mais
Não sei amar na vida mais ninguém

Tanto tempo faz,
que li no teu olhar
A vida cor-de-rosa que eu sonhava
E guardo a impressão
de que já vi passar
Um ano sem te ver,
um ano sem te amar
Ao me apaixonar,
por ti não reparei
Que tu tivestes só entusiasmo
E para terminar, amor assinarei
Do sempre, sempre teu...

Renato Russo

PRESENÇA

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.
Mário Quintana

Pedaço de mim

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar

Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Chico Buarque