quarta-feira, 8 de julho de 2026

COMPLEXO HIDROSSOCIAL DOM JOSÉ DELGADO 
Breve histórico 

Deflagrada a seca de 1951, Dom José de Medeiros Delgado, bispo diocesano de Caicó, já nomeado arcebispo metropolitano de São Luís (MA), reuniu as lideranças do Seridó para discutir sobre o que poderiam fazer para amenizar o flagelo da estiagem. Convocou uma reunião, na Fazenda Baixio, de propriedade de seu amigo Stoessel de Brito, então deputado estadual. Havia vários prefeitos, vereadores e outras autoridades regionais. Discutiram bastante. Há quem propusesse frentes de trabalho, tais como construção de estradas, prédios etc. Dom Delgado apresentou a sugestão de se construir um açude a fim de armazenar água para consumo e plantação. Os presentes votaram a favor da construção de uma barragem no município de Jucurutu, perto do povoado de Barra de Santana. A barragem seria edificada sobre o Rio Piranhas-Açu. Dom Delgado ficou encarregado de falar com as autoridades federais. Sendo muito amigo de José Américo de Almeida, coordenador da Inspetoria Federal de Obras contra as secas, conseguiu rapidamente os primeiros recursos para as obras. Futuramente foi nomeado Ministro do Interior, Viação e Obras Públicas. Dom Delgado era amicíssimo de José Américo, que fora com ele seminarista e tinha dois tios padres, (Monsenhor Odilon Benvindo de Almeida e Monsenhor Walfredo Soares dos Santos Leal). O primeiro cuido junto com o então Padre Delgado da Paróquia de Campina Grande (PB). Os trabalhos começaram. Dom Delgado solicitou ao pároco de Jucurutu, Cônego Deoclides de Brito Diniz, dar assistência religiosa aos operários. Este celebrou uma missa sobre o canteiro de obras, durante a qual leu uma mensagem do bispo diocesano, com estas palavras: “O suor de muitos aqui derramado vai se converter em água abundante para matar a sede de nosso povo e fecundar a terra, que produzirá alimentos para a região.” O tempo foi passando. Várias vezes, as obras pararam. Houve, como sói acontecer, nesse tipo de iniciativa, muita exploração e corrupção, durante a realização das tarefas. Em governos passados, chegou-se a dar o nome de “Barragem “Iberê Ferreira”. Tendo sido ideia e iniciativa da Igreja, Padre João Medeiros Filho solicitou ao deputado Nelter Queiroz para apresentar projeto de Lei denominando a barragem, vila e plantações etc. de COMPLEXO HIDROSSOCIAL DOM JOSÉ DE MEDEIROS DELGADO. A Lei foi aprovada e sancionada, publicada no Diário Oficial do RN, de 31 de março de 2026 (Lei 12.680). Ela tenta corrigir uma injustiça histórica e restaurar a verdade. A Igreja foi a mentora de tudo. O Monsenhor Raimundo Sérvulo da Silva, pároco emérito de Acari, quando jovem trabalhou no canteiro de obras. Ali foi acidentado, guardando em seu corpo as marcas e cicatrizes. O ilustre sacerdote junto com o autor da ideia sequer foi lembrado nem citado na inauguração. Eis o relato fidedigno. Eu estava presente no Sítio Baixio, ainda criança, posto que os proprietários eram meus padrinhos de batismo e ali fui levado por meu pai, que era prefeito em exercício de Jucurutu, para tomar a benção ao bispo e meus padrinhos. A reunião aconteceu no dia 7 de abril de 1951, num sábado pela manhã. Emaús-Parnamirim (Recanto Santa Marta), julho de 2026. 
Padre João Medeiros Filho

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